<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><!-- generator="wordpress.com" -->
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	>

<channel>
	<title>anos-de-chumbo &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/anos-de-chumbo/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "anos-de-chumbo"</description>
	<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 07:41:20 +0000</pubDate>

	<generator>http://en.wordpress.com/tags/</generator>
	<language>en</language>

<item>
<title><![CDATA[Glória partida ao meio]]></title>
<link>http://josekuller.wordpress.com/2009/11/23/gloria-partida-ao-meio/</link>
<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 19:06:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>Antonio Morales</dc:creator>
<guid>http://josekuller.wordpress.com/2009/11/23/gloria-partida-ao-meio/</guid>
<description><![CDATA[Na próxima quarta-feira, 25/11, a partir das 19h, no Espaço Unibanco (Rua Augusta, 1475 &#8211; próx]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://josekuller.wordpress.com/files/2009/11/imagem_21.jpg"><img src="http://josekuller.wordpress.com/files/2009/11/imagem_21.jpg?w=213" alt="" title="imagem_2" width="213" height="300" class="aligncenter size-medium wp-image-1583" /></a><br />
Na próxima quarta-feira, 25/11, a partir das 19h, no Espaço Unibanco<br />
(Rua Augusta, 1475 &#8211; próximo à Avenida Paulista), Paulo Martins estará lançando um livro surpreendente: GLÓRIA PARTIDA AO MEIO.</p>
<p>Trata-se de um romance que tem como cenário a capital paulista nos tempos sombrios da ditadura militar.</p>
<p>Para o escritor e poeta Ruy Espinheira,  &#8220;o autor, que por muitos anos viveu na clandestinidade, tendo sofrido também prisões e torturas,<br />
pôs no livro muito de sua própria experiência, mas não escreveu uma<br />
autobiografia: escreveu um romance.</p>
<p>Conseguiu extrair uma história de amor (&#8230;) O livro de Paulo Martins<br />
nos oferece a mais ampla e contundente visão da época da ditadura no País&#8221;. O escritor Hélio Pólvora, responsável pelo prefácio, enfatiza:<br />
&#8220;Quem foi jovem e participou, ainda que de forma discreta, do seu foco narrativo, o lerá para não mais esquecer.</p>
<p>Um belo romance de Paulo Martins, cheio de vida e rebeldia, em tudo e<br />
por tudo diferente dos dessangrados e esotéricos romances dos nossos dias&#8221;. </p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[1968: entre a pol&iacute;tica e a cultura, jovens mudaram o mundo.]]></title>
<link>http://edsonrodrigues.wordpress.com/2009/10/26/1968-entre-a-poltica-e-a-cultura-jovens-mudaram-o-mundo/</link>
<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 18:53:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>edsonjrodrigues</dc:creator>
<guid>http://edsonrodrigues.wordpress.com/2009/10/26/1968-entre-a-poltica-e-a-cultura-jovens-mudaram-o-mundo/</guid>
<description><![CDATA[Por Jaqueline Deister*, da equipe do Observatório Jovem &#160; Minissaia, calça Lee e sandálias fran]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Por Jaqueline Deister*, da equipe do Observatório Jovem </p>
<p>&#160;</p>
<p><img border="0" hspace="6" alt="A moda como forma de expressar os ideais de jovens." vspace="6" align="left" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/jovens%20de%2068.jpg" /></p>
<p>Minissaia, calça Lee e sandálias franciscanas. De&#160; indumentária despojada os jovens rebeldes de 68, se inspiravam nas idéias de Guy Debord, Jean Paul Sartre, no cinema da Nouvelle Vague, na música dolorosa de Janis Joplin e nos ideais revolucionários marxistas. De Norte a Sul do mundo, jovens clamavam por liberdade, independência em relação aos valores dominantes e igualdade. A efervescência política, cultural e comportamental marcou o ano de 1968 </p>
<p><b></b></p>
<p>Os jovens mostraram de maneira inédita que podiam também ser protagonistas da História e mudar os valores da sociedade conservadora. Pílula anticoncepcional, luta estudantil, experimentação de drogas, rock e sexo sem culpa, são apenas algumas palavras-chave que definem o ano do “êxtase da História”, segundo o sociólogo francês Edgar Morin </p>
<hr />
<p>Os jovens e a política no mundo</p>
<hr />
<p>Num cenário tumultuado, o ano de 68 apresentou mudanças bem definidas no panorama político. Nos Estados Unidos a morte de um líder foi o estopim de mudanças. O pastor Martin Luther King liderou através da resistência pacífica a luta dos negros pela conquista dos direitos civis e o fim da segregação racial. Um outro movimento conhecido como <a href="http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cultura/conteudo_280676.shtml">Panteras Negras</a>, também reivindicava pela igualdade de direitos, porém, lançava mão de ações agressivas contra o sistema de dominação branca. Os panteras tornaram-se mundialmente conhecidos nos Jogos Olímpicos do México, quando dois corredores americanos subiram ao pódio usando luvas pretas, e ergueram os punhos cerrados num gesto característico do movimento. Mas foi o trágico assassinato de Martin Luther King, que provocou o fim dos mecanismos de segregação racial inscritos na Constituição norte-americana.</p>
<p>Uma série de protestos eclodiu com a crescente participação dos Estados Unido<img border="0" hspace="6" alt=" Execução de um guerrilheiro vietcong" vspace="6" align="right" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/guerra%201968.jpg" width="313" height="214" />s na Guerra do Vietnã. Cerca 40 mil soldados americanos morreram num ataque ao exército norte-vietnamita, em 1968. O episódio ficou conhecido como <a href="http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/guerra_vietna8.htm">Ofensiva do Tet</a>. A resposta da população as mortes de seus conterrâneos e as bombas de napalm lançadas pelas forças americanas na Indochina, vieram sob a forma de rejeição dos jovens à sociedade vigente na época. Nasce o movimento hippie, a contracultura que repudia a cultura de massa e instituições vistas como repressivas como, por exemplo, a família. “Se a sociedade americana era capaz de cometer um crime daquele vulto, atacando uma pobre sociedade camponesa no sudeste asiático, ela deveria ser rejeitada”, diziam os hippies.&#160;&#160;&#160; </p>
<p>&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; <br />Na Europa a atmosfera de insatisfação com a política implementada por alguns países, também incitou uma onda de protestos. Na antiga Tchecoslováquia um movimento composto por intelectuais reformistas do Partido Comunista Tcheco, interessados em “desestanilizar” o país, e remover vestígios de autoritarismo e despotismo que eram incompatíveis com a proposta do socialismo, ficou conhecido como Primavera de Praga. A breve experiência de uma “democracia”, comandado por Alexandre Dubcek na Tchecoslováquia, foi esmagada pelos tanques soviéticos sete meses após a sua implantação. Apesar de derrotado o movimento contribuiu para enfraquecer o bloco comunista liderado pela União Soviética, e as idéias defendidas pelos intelectuais de Praga foram resgatadas 20 anos depois com a criação da glasnost (transparência política) de Michail Gorbachov.     <br />Na antiga Tchecoslováquia as manifestações eram contrárias ao comunismo ortodoxo, e se aproximavam cada vez mais de ideais sociais-democráticos aos moldes ocidentais. Em entrevista ao jornal O Globo, o historiador da UFRJ Carlos Fico fez uma análise sobre “o ano que não acabou. Fico salientou que na França há uma certa utopia socialista com a união estudante-trabalhador que acreditava ser capaz de derrubar o governo de Gaulle. Foi em Paris onde a expressão maio de 68 se consagrou.    <br /><img border="0" hspace="6" alt="Estudantes protestam nas ruas parisienses." vspace="6" align="left" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/revolucionario68.jpg" width="246" height="181" /> PARIS, março de 1968. Estudantes parisienses descontentes com a disciplina rígida, os currículos escolares e a estrutura acadêmica conservadora organizam protestos que levam a ocupação da Universidade de Nanterre. A atitude agressiva da polícia para conter os estudantes gera revolta que contamina a Universidade de Sorbone e a população. Os motivos de protesto ganham dimensão nacional. Os manifestantes contestam o governo de Charles de Gaulle. Uma greve geral mobilizou 10 milhões de franceses. O país parou: não havia mais trens, metrô, combustível e as fábricas fecharam as portas.     <br />Foi nessa conjuntura que surgiu a figura de <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u396770.shtml">Daniel Cohn-Bendit</a>, ex-líder estudantil e atual deputado do Parlamento europeu pelo Partido Verde da Alemanha. Em 68, Cohn-Bendit liderou cerca de 10 mil estudantes da Universidade de Nantarre e Sorbone nas chamadas “barricadas” em que estudantes e polícia se enfrentavam diretamente. Os protestos logo se alastraram por toda a França e conquistaram adeptos que não tinham vínculo com a Universidade. Uma greve geral de 24 horas parou Paris no mês de maio. Os manifestantes criticavam nas ruas a política trabalhista e educacional do governo de Gaulle. Para se ter uma dimensão da greve, cerca de seis milhões de trabalhadores ocuparam 300 fábricas na França. </p>
<p>O espírito revolucionário do movimento estudantil, amparado nas ideologias de grupos maoístas, trokistas e libertários iniciou uma batalha em que as maiores “armas” foram as palavras. Com slogans expressivos como “É proibido proibir”, “Sejam realistas, peçam o impossível” e “E abaixo a sociedade de consumo” os jovens franceses romperam barreiras territoriais e influenciaram jovens de todo o mundo a se rebelarem contra os “padrões” conservadores da época.    </p>
<p>&#160;&#160;&#160; <img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" border="0" hspace="6" alt="Daniel Cohn Bendit nos tempos de líder estudantil em Paris." vspace="6" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/cohn_bendit.jpg" width="461" height="355" />&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </p>
<p>No livro recém lançado na França É proibido liquidar o espírito de maio? O ex-líder estudantil Cohn-Bendit&#160;&#160; salienta a importância de 68 no terreno político, para ele a sociedade evolui no conceito de liberdade e de autonomia do individuo e um dos principais frutos, segundo Bendit, foi o movimento ecologista. O atual deputado ainda reforça a idéia de que os problemas da sociedade não podem ser solucionados por receitas prontas da esquerda, ou fórmulas mágicas da direita, mas sim, através de uma convergência entre os vários campos políticos.    <br /> No Brasil </p>
<hr />
<p>No Brasil, o ano de 68 foi marcado pelo recrudescimento da ditadura militar devido ao Ato Institucional n<sup>0 </sup>5 (<a href="http://www.cpdoc.fgv.br/nav_fatos_imagens/htm/fatos/AI5.htm">AI-5</a>), durante o governo de Arthur da Costa e Silva. O assassinato do estudante Edson Luís no restaurante universitário Calabouço no Rio de Janeiro, marcou o período de intensas mobilizações contra o governo militar. Cerca de 50 mil pessoas acompanharam o enterro do estudante, que passaria para a História como sendo um dos principais símbolos das atrocidades cometidas nos Anos de Chumbo.     <br />RIO DE JANEIRO, 26 de junho. Era uma tarde de quarta feira fria e com o sol fraco, quando o movimento estudantil, intelectuais, artistas, padres e mães se reuniram na Candelária, centro do Rio, em resposta à morte de Edson Luís. Os manifestantes davam o “tom” do maior protesto contra o regime militar no país, era a Passeata dos Cem Mil. “A marcha” foi tão forte que o próprio general Costa e Silva precisou abrir espaço para o diálogo.    <br />Em julho, o en</p>
<p>tão general e presidente liberou fundos para o desenvolvimento do Projeto Ron<img border="0" hspace="6" alt="Velório do  corpo do estudante Edson Luís." vspace="6" align="right" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/maio%20de%2068.jpg" width="325" height="228" />don e recebeu uma delegação que reivindicava pela liberação de estudantes presos, a reabertura do restaurante Calabouço e o fim da repressão policial e de toda espécie de censura. “Saímos daquela passeata com a certeza da vitória, achando que a ditadura iria recuar”, lembra Ernandes Fernandes que assina o projeto gráfico do livro 68 Destinos do fotógrafo <a href="http://www.estado.com.br/editorias/2007/10/07/pol-1.93.11.20071007.5.1.xml">Evandro Teixeira</a> e participou da Marcha dos Cem mil. O livro buscou reencontrar 40 anos depois, 68 rostos que foram contemplados pelas lentes do fotojornalista.     <br />A abertura de um diálogo por parte do presidente foi apenas uma ilusão de que a ditadura “afrouxaria” as suas amarras. As exigências dos integrantes da passeata foram recusadas e o Ministro da Justiça Luis Antonio da Gama e Silva foi encarregado de tomar as medidas para reprimir a oposição e proibir qualquer manifestação contra o regime dos generais.&#160; </p>
<p>Os jovens não deixaram de se organizar mesmo com a legitimação da repressão militar após a Passeata dos Cem Mil. Em outubro, dois meses antes da instauração do AI-5, os estudantes se reuniram em Ibiúna, interior de São Paulo, para o <a href="http://josekuller.wordpress.com/13-congresso-da-une-todos-presos/">30º Congresso da União dos Estudantes.</a> Com forte marcação no movimento estudantil, a polícia descobriu a sede do encontro e prendeu cerca de 800 estudantes. Entre os presos estavam José Dirceu, Franklin Martins, Vladimir Palmeira e Luiz Travassos.    <br />O Ato Institucional Número 5 foi promulgado em dezembro de 1968 como forma de conter a forte agitação <img border="0" hspace="6" alt="Passeata dos cem mil no centro do Rio de Janeiro." vspace="6" align="left" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/cem%20mil.jpg" />política da população. Foram tomadas medidas polêmicas como o fechamento do Congresso Nacional por tempo indeterminado, a suspensão da possibilidade de qualquer reunião de cunho político e a censura prévia que se estendeu aos meios de comunicação, a música, ao teatro e ao cinema. O AI-5 vigorou até 1978 e produziu uma série de ações arbitrarias que davam ao governo o &#34;direito&#34; de punir os que fossem considerados “inimigos” do regime. O enfrentamento entre a esquerda armada e os militares tornou-se mais constante e violento nesse período. A expressão Anos de Chumbo foi usada pela Imprensa da época para designar o período da “linha dura” que foi inaugurado com o AI-5. A designação é uma paráfrase do título de um filme em português da cineasta alemã, Margareth Von Trota, sobre a repressão de um grupo revolucionário nos anos 70, conhecido como Facção do Exército Vermelho.</p>
<p>Com o endurecimento do regime a luta armada foi vista como a opção para setores mais radicalizados da esquerda da época. O historiador Carlos Fico, já citado, disse que a esquerda era muito idealista e por isso optou pela guerrilha urbana e rural. “Havia uma perspectiva muito ingênua, que era a de se contrapor ao Exército supondo que o povo acorreria para suas idéias”, disse Fico. Ele ainda afirma que essa perspectiva prevaleceu devido a um ideal romântico da juventude que se inspirava na recente vitória da Revolução Cubana para mudar o cenário político vigente na época. </p>
<p>A energia revolucionária que desabrochou há quatro décadas no Brasil e no mundo divide opiniões. Ex-guerrilheiro de esquerda durante a ditadura militar e atual deputado federal pelo Partido Verde, Fernando Gabeira, tem uma visão nada vanguardista em relação ao ano de 68 no Brasil. Gabeira disse a Revista Época que se arrepende de muita coisa, principalmente do seqüestro do embaixador americano pelo <a href="http://www.historia.uff.br/nec/textos/docbrs02.pdf">MR8</a> (Movimento Revolucionário Oito de Outubro). “A busca pela implantação do socialismo, a luta armada o seqüestro do embaixador americano foram grandes equívocos”, salienta o deputado. “Eu gostaria de sepultar esse período”, completa. Hoje com 66 anos Gabeira tem uma visão pragmática da política. Segundo ele a luta armada não só fortaleceu a ditadura, como deu de bandeja um pretexto para que o Presidente Arthur Costa e Silva promulgasse o Ato Institucional número cinco em dezembro de 1968.</p>
<p>Por outro lado há aqueles como o ex-líder do movimento estudantil José Dirceu que acreditam que o mundo seria muito pior hoje se o 68 não tivesse acontecido. Dirceu diz que os principais protestos civis da História recente do país só ocorreram porque o caminho foi traçado pelos rebeldes da sua geração. “Seriam exemplos dessa herança contestatória a campanha das Diretas Já e os Caras-pintadas que foram às ruas pedir o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello”, afirma Dirceu.    <br />O ano em que a ditadura mostrou sua face mais sombria não foi contestado apenas com a luta armada por parte da esquerda. Os primeiros passos de muitos dos atuais representantes da política nac<img border="0" hspace="6" alt=" A repulsa à ditadura." vspace="6" align="right" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/abaixo%20a%20ditadura.gif" />ional foram dados nos palanques de sindicatos, nas salas de aula das Universidades e em sítios clandestinos no interior de São Paulo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um exemplo. Em 1968 ele se filia ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Com o passar dos anos, a sua atuação como sindicalista o tornaria uma figura nacionalmente conhecida. Outro exemplo foi em Ibiúna, interior de São Paulo, onde ocorreu o 30° Congresso da União Nacional dos Estudantes. Na época José Dirceu foi preso e incluído na lista dos que foram trocados pelo embaixador americano Charles Burke Ellbrick. Sociólogo de influência marxista e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, acabou impedido de lecionar no curso de Ciência Política na USP,&#160; foi aposentado e exilado pelo AI-5.</p>
<p>Uma análise mais atual da conjuntura política do Brasil de 1968, feita pelo historiador Carlos Fico mostra que os dois setores, tanto esquerda quanto os militares tinham projetos autônomos de constituição das suas ideologias. Segundo Fico, o AI-5 é a vitória da linha dura que acreditava que uma operação radical de limpeza, eliminando os subversivos e o que entendiam por corrupção, transformaria o Brasil em uma grande potência. Já a esquerda, de acordo com Fico, queria optar pela luta armada e pela tomada do poder para a instalação de um regime socialista, mesmo antes do golpe. “Esses dois projetos não tinham perspectivas democráticas”, conclui o historiador. </p>
<hr />
<p> Cultura e Comportamento</p>
<hr />
<p> Mundo   <br />Os protestos e manifestações marcaram o cenário político de 1968 em muitos países. A juventude tornou-se mais integrada e começou a intervir na forma de pensar e agir de toda uma geração. O “espírito libertário” traduzido por numa cultura underground não só criticou os governantes e a política adotada por eles, mas também o tradicionalismo dos valores familiares que ditavam as regras e normas.     <br />Contagiado pela onda de contestação, o movimento feminista nos anos 60 foi às ruas não só para queimar sutiãs como forma de protesto contra a condição subalterna em relação aos homens. Mas principalmente para defender que a hierarquia de sexo não era uma fatalidade biológica, e sim uma construção social. O feminismo foi um dos primeiros movimentos a tocar na raiz cultural da desigualdade.</p>
<p>A atitude da mulher do final dos anos 60 refletiu diretamente no seu guarda-roupa. A mudança mais emblemática desse período foi a criação do smoking para mulheres do estilista francês Yves Saint Laurent (1936-2008). O “le smoking” foi uma provocação sexual dirigida à mulher que queria independência.    <br />A expansão de<img border="0" hspace="6" alt="A liberdade comportamental dos jovens hippies" vspace="6" align="left" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/hippie.jpg" /> consciência pelas drogas, a luta pela paz, a liberdade sexual, o amor livre e a valorização da natureza. Esses foram apenas alguns dos itens defendidos pelo movimento mais expressivo da contracultura, que revolucionou a maneira de pensar e agir dos jovens de todo o mundo. Com trajes que chocavam os americanos médios da época, barbas e cabelos compridos, diversos jovens de diferentes níveis sociais rejeitavam a sociedade de consumo norte-americana e passavam a viver em comunidades rurais ou em bairros separados onde todos os “ditames” capitalistas eram deixados de lado. Os <a href="http://www.geocities.com/vilardemouros1971/hippies.htm">hippies</a> não se caracterizaram por uma postura política engajada, eram contra &#34;o sistema&#34; e o &#34;poder&#34;, pregavam o pacifismo e criticavam a intervenção militar, principalmente a Guerra do Vietnã, porém não mostravam grande interesse em alterar os rumos políticos dos EUA.     <br />A explosão do movimento hippie abriu portas para a entrada de novos conceitos que redefiniram estéticas e padrões. A globalização começou a mostrar que a passos largos deixaria as “comunidades igualitárias” dos hippies para ganhar o mundo, e por “ilusão do destino”, se tornar um dos maiores símbolos do capitalismo contemporâneo. Um exemplo da ruptura de padrões foi a filosofia oriental que passou a ser mais valorizada pelo Ocidente. Religiões consideradas esotéricas como o budismo e o hinduismo foram fundamentais para a “desconstrução” da moral do americano médio.&#160; </p>
<p>Os hippies exaltavam o uso de determinadas drogas como o LSD, a maconha e o haxixe. Eles acreditavam que a maconha possuía um caráter espiritual, principalmente por ser proveniente da natureza. Já o LSD, era mais conhecido por ser uma droga recreativa, usada para expandir a consciência. Segundo Timothy Leary (1920-1996), pioneiro e defensor do uso do ácido psicodélico e muito admirado pelos hippies, a experiência psicodélica era uma viagem ao novo domínio da consciência. Para Leary, o alcance e conteúdo da experiência são ilimitados, mas as suas características são a transcendência de dimensões do espaço-tempo, e do ego ou de identidade. Celebridades como John Lennon foram influenciadas pelas obras literárias de Timothy. Lennon escreveu “Amanhã nunca se sabe” que foi lançado no álbum dos Beatles Revolver baseado em O psicodélico: A experiência, de Leary.</p>
<p>Curioso também foi o que Abbie Hoffman, conhecido como o maior símbolo da contracultura nos EUA, fez junto com outros hippies no Dia dos Namorados de 67. Hoffman enviou pelo correio três mil baseados de maconha para moradores de New York, escolhidos aleatoriamente pela lista telefônica. Junto à marijuana havia uma carta que dizia: “Você já leu muito sobre isso, agora se quiser experimentar, aqui está. Mas, ps: apenas por segurar isso você pode pegar cinco anos de prisão”.     <br />Toda essa inquietação e ousadia se transformaram em epidemia que varreu o universo a<img border="0" hspace="6" alt="Jimi Hendrix e seus memoráveis shows" vspace="6" align="right" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/Jimi-Hendrix-Woodstock.jpg" />rtístico sem limites. Cinema, música e teatro tornaram-se os primeiros meios a compreender a nova forma de expressão dos calorosos jovens de 68. Na música, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=b1rj4rjTQuw&#38;feature=related">Jimi Hendrix </a>levou os seus ouvintes a um passeio pelo mundo das percepções expandidas, suas performances agressivas com sexualidade explícita aliada a sua maneira única de tocar guitarra, chocou até quem já estava familiarizado com as “loucuras” da juventude.</p>
<p>Em entrevista ao jornal O Globo, Ezequiel Neves, crítico de música em 68 e mais tarde produtor do Barão Vermelho e Cazuza falou da sua “experiência” com Hendrix. “A sensação era a mesma de que ficar em frente a um animal selvagem. Eu achava que estava preparado, sabia de todas as histórias, que botava fogo na guitarra, mas, ali, solto no palco, era amedrontador. Foi como um estupro, provocava um curto-circuito na gente, com sua carga explosiva de musicalidade e sexualidade”, disse Neves. Hendrix causou polêmica até na sua morte. O cantor foi encontrado morto asfixiado em seu próprio vômito. </p>
<p>A predileção dos jovens de 68 pela irreverência não está só na “animalidade” de Hendrix, na voz melancólica de Janes Joplin ou na mistura de gêneros do Led Zeppilin. O escandaloso musical <a href="http://dw-club.com/dw/article/0,2144,507286,00.html">Hair</a> estreou no teatro da Broadway em 1968. Com cenas de nudez, apologia às drogas e estética hippie, o musical tornou-se símbolo e influência para toda uma geração, que não se restringia somente aos Estados Unidos. As montagens da peça foram feitas também no Brasil, na Alemanha, Israel, França e Japão.    <br />O palco e as telas foram os primeiros a entender e refletir o anseio dos jovens que estavam por trás de <img border="0" hspace="6" alt=" O cineasta francês Jean Luc Godard." vspace="6" align="left" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/JeanLucGodard.jpg" />slogans como: “Sejam realistas. Peçam o impossível”. Se de um lado Jimi Hendrix fazia o inimaginável nos palcos, do outro Godard desconstruia o cinema clássico narrativo com montagens descontínuas e dilemas do século XX. Os jovens franceses se identificavam muito com o cinema chamado de <a href="http://www.facom.ufba.br/com112_2001_2/nouvellevague/historico.html">Nouvelle Vague,</a> os principais representantes desse movimento eram Jean-Luc Godard, François Truffaut, (1932-1984) e Claude Chabrol. Esta nova forma de fazer cinema surge na França e se caracteriza por uma rejeição ao cinema comercial e a toda sua estrutura. Os cineastas, assim como Hendrix, provocavam o público através do experimentalismo que questionava o limite existente entre a tela e o espectador.    <br />Não só de experimentalismo foi a Nouvelle Vague. A política foi o alvo de cineastas como Godard que após o movimento estudantil de maio de 68 criou o grupo <a href="http://www.mnemocine.com.br/aruanda/vertov.htm">Dziga Vertov</a> (nome do cineasta russo criador do cine-olho e precursor do chamado cinema verdade). No grupo de Gordad participou o ex-líder estudantil francês Cohn-Bendit que chegou a colaborar com um roteiro. Filmes como Pravda (1969) abordavam a invasão soviética na Tchecoslováquia, outros como Week-end à Francesa (1967) acabou com a moral da sociedade consumista. Godard é considerado um dos principais personagens do cinema em 68, segundo o jornalista Zuenir Ventura, o filme A Chinesa (1967) foi uma revolução na linguagem cinematográfica que prenunciou o maio de 68.    <br /> Brasil</p>
<hr />
<p>Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Chico Buarque na música, Hélio Oiticica e Lygia Clark nas artes plásticas, Glauber Rocha e Rogério Sganzerla no cinema, Ferreira Gullar na poesia, Augusto Boal e José Celso Martinez Corrêa no teatro. Esses foram apenas alguns dos nomes presentes até hoje na cultura brasileira que deram “o rosto” ao movimento da contracultura no país. Repletos de criatividade, esses vanguardistas driblaram e enfrentaram a censura para cantar, representar e escrever. O ano de 68 foi “emblemático”, passou para o Brasil como o período de maior e melhor produção de conteúdo artístico, ao mesmo tempo que é lembrado pelo lado mais obscuro da política nacional. </p>
<p>Considerado o gesto inaugural da contracultura no Brasil, a <a href="http://musica.uol.com.br/ultnot/2007/08/07/ult89u7829.jhtm">Tropicália</a> teve o seu lanç<img border="0" hspace="6" alt="Álbum Tropicália ou  panis et circense" vspace="6" align="right" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/tropicalia.jpg" />amento com o disco-manifesto “Tropicália ou panis et circense” em 1968, participaram do movimento Gil, Nara Leão, Caetano, Os Mutantes e Tom Zé. A mistura do clássico com o baião, do progresso com o atraso e a polêmica causada pelo movimento começou em 1967 durante o III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. As apresentações de Domingo no parque (Gilberto Gil) e Alegria, Alegria (Caetano Veloso), não agradaram nem um pouco a “linha dura” do movimento estudantil que considerou a guitarra elétrica e o rock símbolos do imperialismo norte-americano.    <br />O confronto entre tropicalistas e estudantes foi pior durante uma apresentação no <a href="http://www.youtube.com/watch?v=mCM2MvnMt3c">III Festival Internacional da Canção</a>, no teatro da Universidade Católica de São Paulo. No palco com os Mutantes, Caetano cantava a canção É Proibido Proibir, quando foi agredido com ovos e tomates por estudantes radicalistas que estavam na platéia. O compositor reagiu, e desafiou os jovens: “Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder?”.</p>
<p> A influência do movimento também ficou evidente em dezenas de canções concorrentes no IV Festival de Música Popular Brasileira , que a TV Record começou a exibir em novembro. As canções de Tom Zé como <em>São São Paulo</em>, O<em> Parque Industrial</em> e <em>2001</em> além de terem ótimas colocações nos festivais, compunham o retrato alegórico de um país ao mesmo tempo moderno e retrógrado    <br />O movimento antropofágico de Oswald de Andrade, o concretismo e o pop art influenciaram a criação da Topicália. A idéia do Antropofagismo de “digerir” a cultura exportada dos Estados Unidos e Europa e reinventá-la aos moldes nacional foi o fundamento do movimento. Os tropicalistas acreditavam que a experiência estética por si só já era um instrumento social revolucionário. Membro do movimento, Torquato Neto resumiu a importância da estética para os vanguardistas, “ou você mexe com a forma ou não mexe com nada”, disse o músico.</p>
<p>O jornalista Luiz Carlos Maciel, um dos fundadores do jornal O Pasquim, tem dúvidas quanto à relação direta entre tropicalismo e contracultura. “Embora não se possa fazer a relação tropicalismo contracultura, a Tropicália usou uma liberdade que era sugerida, nas roupas, nas atitudes, no palco e no próprio espírito que animou muitas músicas”, afirmou Maciel. É inquestionável a revolução de padrões que o tropicalismo causou na sociedade brasileira. Em entrevista a Marcelo Tas no site UOL, o jornalista e autor do livro Tropicália &#8211; A História de uma Revolução Musical , Carlos Calado disse que o movimento foi uma idéia de se captar um pouco de tudo o que acontecia no mundo em 68. “Na verdade foi um espírito de uma determinada época”, ponderou Calado.     <br />A música não foi o único universo por onde a Tropicália “fincou” raízes. O tropicalismo influenciou e foi influenciado também pelo cinema, pelas artes plásticas e pelo teatro. O filme Terra em Transe, por exemplo, de Glauber Rocha e a peça O Rei da Vela de José Celso Martinez Corrêa, tocou Caetano Veloso que acreditou existir nessas montagens algo de “vivo” que merecia ser explorado na música.</p>
<p>Ao poucos Glauber, Oiticica e Martinez Corrêa aderiram a corrente tropicalista, e peças como Roda Viva de Chico Buarque viraram escândalo de montagem e bilheteria. A atriz Marilia Pêra era uma das estrelas da peça e em depoimento a Revista Época contou sobre a sua participação e a repressão pelo Comando de Caça aos Comunistas que os atores sofreram por encenar o espetáculo. “Eu não era nem de esquerda e nem de direita e mesmo assim entraram 50 homens na minha casa para me prender”, contou Marilia, que foi presa duas vezes e chegou a ser obrigada a passar nua por um corredor polonês durante uma das incursões dos militares ao Teatro Ruth Escobar.</p>
<p><img border="0" hspace="6" alt="O filme marco do cinema marginal." vspace="6" align="left" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/bandido-da-luz-vermelha-poster01.jpg" />Em 68 Glauber Rocha já era o maior cineasta brasileiro, no entanto o longa-metragem mais emblemático da contracultura pertence a <a href="http://mostradecinemamarginal.blogspot.com/2007/09/entrevista-com-rogrio-sganzerla.html">Rogério Sganzerla</a>. O filme O bandido da luz vermelha (1968), ousou ir além da estética proposta pelo Cinema Novo e lançou um novo estilo, o Cinema Marginal. Sganzerla, na época com apenas 22 anos, queria fazer um filme que fosse ao mesmo tempo revolucionário e de grande êxito comercial. “Existe um humor cáustico e oswaldiano forte em sua obra”, disse Helena Ignez que participou do elenco e mais tarde tornou-se mulher de Rogério. Apesar de diferenças estéticas Glauber e Sganzerla tinham aproximações.    <br />A grande mídia ao fazer uma retrospectiva do cinema brasileiro de 68 enfatizou apenas o Cinema Novo e Marginal e se esqueceu de realizações simbólicas como: Como vai, vai bem? (1968), do grupo Câmara. Por ir na contra-mão do cinema novo ao não exaltar o lado trágico da pobreza, mas sim mostrar o lado cômico dos típicos personagens populares como o calouro do Chacrinha, o travesti e o fanático torcedor do Flamengo, tais realizações não foram lembradas pelos Segundo Caderno, Caderno B e Ilustrada, mas a importância desses filmes, não deixa de ser celebrada em circuitos alternativos como o <em>cine clube sala escura</em> da Universidade Federal Fluminense, que exibiu o filme em comemoração aos 40 anos de maio de 68.</p>
<p>O Grupo Câmara era formado por jovens da esquerda de diferentes tendências que queriam mostrar o universo dos pobres. O diretor de Como vai, vai bem? E um dos fundadores do grupo, <a href="http://www.filmeb.com.br/quemequem/html/QEQ_profissional.php?get_cd_profissional=PE42">Alberto Salvá</a>, disse que o filme foi boicotado pelo cinema novo. Por ter um “tom” de comédia, muitos consideraram o filme sem um conteúdo crítico. Membro do antigo Grupo Câmara, Daniel Chutorlanscy salienta: “No meio de uma ditadura fazer um filme com este nome e a censura não barrar, por si só já foi uma critica”. O Professor do curso de Cinema da Universidade Federal Fluminense, José Carlos Monteiro, ressaltou a importância de Como vai, vai bem? Para revelar o cinema carioca e consolidar o universo alternativo em relação o cinema novo.    <br />A genialidade de Chico Buarque de Hollanda que se destacou de inicio como autor de </p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" border="0" hspace="6" alt="Chico Buarque de Holanda e o  MPB4. " vspace="6" src="http://www.uff.br/obsjovem/mambo/images/stories/chico.jpg" width="323" height="204" />Roda Viva em 68, começa a dar os primeiros passos rumo à música. Durante os Anos de Chumbo, Chico destaca-se pelo tom político que empresta a sua obra. Músicas como Apesar de você e Cálice (parceria com Gilberto Gil) afrontaram a Ditadura militar e o presidente Médici. Para driblar a censura que endureceu a tal ponto de vetar qualquer publicação que tivesse o nome Chico Buarque, o compositor passou a assinar as músicas com o pseudônimo de Julinho da Adelaide, composições como Jorge maravilha e Acorda Amor nos anos 70 passaram pelos censores sem restrições, só anos depois foi descoberto o verdadeiro autor.    <br />O ano de 1968 é paradigmático por acontecimentos inéditos que mudaram o curso da História Contemporânea, por demonstrar a conexão dos fenômenos sociais de um mundo que já se encontrava globalizado. Mas principalmente por confirmar que os campos da política e da cultura, ainda que relativamente autônomos, são interdependentes entre si.</p>
<p>A releitura do passado mostra também que as mobilizações não eram “da juventude” como um todo, mas sim de grupos de jovens e vanguardas artísticas, culturais e políticas. É por isso que deve-se desconfiar das análises anacrônicas que mitificam a “juventude de 68” &#8211; uma minoria significativa e mobilizada &#8211; comparando-a com&#160; a &#34;juventude de hoje&#34; (todos os jovens?) que seria mais apática, consumista e alienada.    <br />Um artigo sobre um ano tão contraditório e efervescente que legitimou todo o ideal dos chamados jovens rebeldes, não só no Brasil, mas em diversas partes do mundo; jovens&#160; que foram às ruas contra os governos, pegaram em armas contra a ditadura, defenderam os direitos de minorias e o meio ambiente; praticaram sexo livre, usaram drogas; abusaram da irreverência e desmascaram a hipocrisia da sociedade conservadora, merece ser concluído com duas provocações que podem ajudar a traduzir o espírito libertário daquela época. Assim, pergunta-se: o quê fere mais o autoritarismo: a pedra que arrebenta as vidraças? Ou a poesia que arrebata multidões? </p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[E o Estado policial avança sobre a rede (atualizado)]]></title>
<link>http://ocaipira.wordpress.com/2009/10/13/e-o-estado-policial-avanca-sobre-a-rede/</link>
<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 21:01:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>O Caipira</dc:creator>
<guid>http://ocaipira.wordpress.com/2009/10/13/e-o-estado-policial-avanca-sobre-a-rede/</guid>
<description><![CDATA[É impressionante o esforço das autoridades brasileiras em criar mecanismos de controle e vigilância ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[É impressionante o esforço das autoridades brasileiras em criar mecanismos de controle e vigilância ]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A fuga chegou ao fim - parte I]]></title>
<link>http://museudenovidades.wordpress.com/2009/09/10/a-fuga-chegou-ao-fim-parte-i/</link>
<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 19:38:21 +0000</pubDate>
<dc:creator>Guilherme Zocchio</dc:creator>
<guid>http://museudenovidades.wordpress.com/2009/09/10/a-fuga-chegou-ao-fim-parte-i/</guid>
<description><![CDATA[“Quero dizer a verdade da minha história e esclarecer os episódios relacionados às terríveis acusaçõ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[“Quero dizer a verdade da minha história e esclarecer os episódios relacionados às terríveis acusaçõ]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Entrevista com o Ministro Pertence: assessor nos anos de chumbo]]></title>
<link>http://aastf.wordpress.com/2009/06/30/entrevista-com-o-ministro-pertence-assessor-nos-anos-anos-de-chumbo/</link>
<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 01:03:25 +0000</pubDate>
<dc:creator>mauronoleto</dc:creator>
<guid>http://aastf.wordpress.com/2009/06/30/entrevista-com-o-ministro-pertence-assessor-nos-anos-anos-de-chumbo/</guid>
<description><![CDATA[O SR. MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE &#8211; Em final de 1965, veio a grande crise, a grande diáspora d]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignleft" src="http://estudandodireito.com.br/DSC06453.JPG" alt="" width="400" height="320" />O SR. MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE &#8211; Em final de 1965, veio a grande crise, a grande diáspora da Universidade de Brasília: fomos demitidos 15 professores. Aí, eu já não estava mais em tempo integral, não era mais instrutor, mas auxiliar de ensino, preparando o mestrado. Fui um dos 15 demitidos; e, em conseqüência dessas demissões, creio que 210 dos 250 docentes que tinham na Universidade se demitiram. Praticamente aqueles anos se perderam e se reiniciou, aos trancos e barrancos, a história da Universidade de Brasília. Então, eu estava há meses na Secretaria Jurídica quando fui demitido da Universidade de Brasília.</p>
<p>O Victor, na época, tinha um outro Secretário Jurídico, Osvaldo França, seu amigo de longa data. Pouco depois, outro amigo dele e meu colega no Ministério Público, José Geraldo Grossi, que viria a trabalhar como Secretário Jurídico do Ministro Hermes Lima – foi, então, uma célula.</p>
<p>O SR. RAFAEL THOMAZ FAVETTI &#8211; Qual a visão que o Senhor tinha sobre o Supremo antes de ser Secretário Jurídico, aqui, e como foi sua experiência dentro do Tribunal?</p>
<p>O SR. MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – Não, evidente que é uma outra experiência viver, de dentro, a função judicante. Eu me orgulho de dizer que este ano (2007) completo 46 anos de vivência, quase diária, no Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>Recém-formado, vim para Brasília, com três colegas da minha geração, e vivíamos, inicialmente, da porta de xadrez, do velho presídio da Velhacap até o Supremo Tribunal. Criamos o costume de que depois do almoço era a hora de, antes de tratar de qualquer coisa, vir assistir às sessões do Supremo. Mas, a mudança daquela perspectiva do assistente eventual ocupante da tribuna para participar de dentro da feitura de decisões, trabalhando com o Ministro na preparação, na pesquisa dos seus votos, é óbvio que foi inteiramente diversa.</p>
<p>O SR. RAFAEL THOMAZ FAVETTI &#8211; Aquele antigo assessor chegou alguma vez a imaginar que viesse a ser Ministro do Supremo?</p>
<p>O SR. MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – Jamais! E com o desenvolvimento das coisas, efetivamente, com o corte da carreira universitária e, enfim, o aborto daquele ensaio primitivo de virar jurista, eu obviamente nunca pensei, nem teria &#8211; e nisso continuo pensando – a qualificação intelectual, mas, também, jamais teria a oportunidade política de vir a ser Ministro do Supremo Tribunal.</p>
<p>O SR. RODRIGO ABREU – Ministro, eu gostaria que o Senhor nos contasse como eram as condições de trabalho, naquela época, aqui no Supremo Tribunal.</p>
<p>O SR. MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – Bem, o gabinete do Ministro era creio que, mais ou menos, a metade deste centro da minha sala. Ali se reunia na mesa de trás; contra a janela ficava a mesa do Ministro; à sua direita, a principal das secretárias; outra secretária, adiante; e, à esquerda, a mesa do secretário jurídico. Muitas vezes, quando chegava uma visita, que eu via que não era apenas uma entrega de memorial, mas um amigo do Ministro, eu já tinha o sinal pronto para dar vontade de tomar café a todos. E saíamos nós e, eventualmente, mais o motorista e o “capinha”, para deixar o Ministro à vontade. Eram inimagináveis as proporções a que se chegou. Tudo ficava no atual segundo andar do prédio principal, que era, na época, o único. Era assim, em condições extremamente modestas, espartanas, que se vivia. Melhores do que a do Rio de Janeiro.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[45 anos do golpe militar de 1964]]></title>
<link>http://josekuller.wordpress.com/2009/03/31/45-anos-do-golpe-militar-de-1964/</link>
<pubDate>Tue, 31 Mar 2009 22:13:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Antonio Küller</dc:creator>
<guid>http://josekuller.wordpress.com/2009/03/31/45-anos-do-golpe-militar-de-1964/</guid>
<description><![CDATA[Não podíamos deixar passar a data em branco. Hoje o golpe de 1964 faz aniversário. Não há nada a com]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Não podíamos deixar passar a data em branco. Hoje o golpe de 1964 faz aniversário. Não há nada a comemorar. Mas, recordar é preciso. A memória ajuda a não repetir os erros.</p>
<p>Muito se escreveu no dia de hoje sobre a efeméride. Às falas, vamos adicionar imagens. Localizamos um site (CLIO História) que reuniu fotos e outras imagens do período ditatorial.</p>
<p>Reproduzimos a fala que está na abertura do arquivo de imagens e outros documentos referentes à epoca:</p>
<blockquote><p><em><img style="margin:0 55px 30px 0;" src="http://www.cliohistoria.hpg.ig.com.br/bco_imagens/ditadura/imagens/051segura.gif" alt="" align="left" /> <strong>&#8220;Esse é um país que vai pra frente,<br />
uou, uou, uou, uou, uou&#8230;&#8221;</strong></em></p>
<p><em>Há muito queremos elaborar um material sobre os &#8220;anos de chumbo&#8221;&#8230; É preciso não esquecer! Agora que tornamos disponível este material, estamos descontentes. Faltou tanto&#8230; Mas é um começo: privilegiamos as imagens, e mesmo assim sabemos que muitas faltam&#8230; Fizemos uma seleção de textos&#8230; não deu tempo para digitalizá-los!<br />
</em></p>
<p><em>Para junho prometemos uma atualização.</em></p>
<p><em>Durante a elaboração destas páginas, volta e meia voltava meus olhos para uma foto, na parede em frente ao computador. Nela, quase uma centena de pessoas rodeiam uma faixa &#8220;A UNE somos nós, nossa força, nossa voz&#8221;. A foto é de 1999: uma reunião de antigos militantes do movimento estudantil para lembrar os 20 anos da reconstrução da UNE.</em></p>
<p><em>&#8220;A UNE nos une, vinte anos depois&#8221;: casados, separados, carecas, mais gordos, mais velhos&#8230; Muitos se afastaram da militância política. Outros, poucos, continuam.</em></p>
<p>Esta foto deveria estar nestas páginas&#8230; Mas é a eles e a centenas de outros que lutaram contra a Ditadura que dedico este trabalho.</p></blockquote>
<p>Para acessar o arquivo, <a href="http://www.cliohistoria.hpg.ig.com.br/bco_imagens/ditadura/_ditadura.htm"><strong><span style="text-decoration:underline;"><span style="color:#0000ff;">clique aqui</span></span></strong></a>.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Monsueto mora na filosofia]]></title>
<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2008/11/29/monsueto-mora-na-filosofia/</link>
<pubDate>Sat, 29 Nov 2008 13:11:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
<guid>http://spiritosanto.wordpress.com/2008/11/29/monsueto-mora-na-filosofia/</guid>
<description><![CDATA[Rio Zona Sul Leblon, Copacabana e Samba O final da minha infância foi marcado pelas músicas dele. De]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"></a><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><br />
<img alt="Creative Commons License" style="border-width:0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" /><br />
<img src="http://spiritosanto.wordpress.com/files/2008/11/monsueto_a_quatro_quadros.jpg" alt="monsueto_a_quatro_quadros" title="monsueto_a_quatro_quadros" width="391" height="391" class="aligncenter size-full wp-image-1228" /></p>
<p><strong>Rio Zona Sul</strong><br />
Leblon, Copacabana e Samba</p>
<p>O final da minha infância foi marcado pelas músicas dele. Deve ter sido o primeiro prazer musical assim, brasileiro mesmo, que eu curti na vida. Uma música inteiramente diferente dos boleros e guarânias que rolavam no suburbano hit parade do rádio da minha mãe.</p>
<p>Agora mesmo, relembrando, me dou conta, surpreso, de que sei cantar até hoje, quase todas as músicas que ele fez. Elas ficaram gravadas na minha memória como fogo brando. Um ‘long playing’ de lembranças de um rito de passagem. Fiquei homem ouvindo as músicas desta figura tão fabulosa quanto desconhecida da garotada de hoje, em seus ritos de passagem tão hedonistas quanto estrangeiros.</p>
<p>Se for mesmo aprofundar, considerando-se a agudeza do discurso social de suas letras, talvez ele tenha sido &#8211; muito mais do que qualquer Marx ou Engels da vida &#8211; a principal referência cultural na minha tomada de consciência, do que significava <em>ser </em>brasileiro, naqueles tempos confusos, onde se curtia uma necessidade imperativa de saborear a vida, correndo atrás da felicidade sim, porém sem nunca deixar de pensar na vida do próximo. Duros, tesos, <em>pero sin perder la ternura jamás</em> (grande mérito moral e emocional da minha geração).</p>
<p>O nome dele era Monsueto e foi o meu guru sambista, nesta época turbulenta que foi o início dos anos 60. Sorridente xamã bon vivant, do meu rito de passagem para o mundo ‘adulto’. Tempo das ilusões &#8211; e das revoluções &#8211; perdidas.</p>
<p>————–<br />
<strong>O Cara  </strong></p>
<p><strong><a href="http://cliquemusic.uol.com.br/br/Acontecendo/Acontecendo.asp?Nu_materia=339">Monsueto Campos Menezes</a></strong> foi, essencialmente, um músico. Baterista de boate, atuou em diversos conjuntos na década de 1940, entre as quais a Orquestra de Copinha, no Copacabana Palace Hotel. Percussionista, cantor, ator comediante, foi também um excelente pintor naïf no fim de sua curta vida (Pablo Neruda, certa vez, adquiriu um quadro dele). Foi, sobretudo, um compositor popular da pesada, dos melhores que o Brasil já teve.</p>
<p>O auge da popularidade de Monsueto, como compositor, se deu por volta do fatídico ano de 1964, quando Helena de Lima, experimentadíssima cantora de boate, gravou (ao vivo) o vinil ‘<em><a href="http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/artistas.asp?Status=DISCO&#38;Nu_Disco=6737" target="_blank">Uma Noite no Cangaceiro</a></em>‘ (boate da moda na época) incluindo num eletrizante ‘pout-pourri’ de Sambas, duas músicas dele: ‘Mora na filosofia’ (também gravada por Caetano Veloso no disco ‘</a><a href="http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/artistas.asp?Status=DISCO&#38;Nu_Disco=6737" target="_blank"><em>Transa</em></a>‘ de 1972) e ‘A Fonte secou’.</p>
<p>Nascido no Rio de Janeiro em 4/11/1924, criado na Favela do Pinto, Monsueto perdeu os pais muito cedo, tendo sido criado por uma avó.</p>
<p>Quem é que se lembra da <a href="http://www.favelatemmemoria.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?text=Favela+do+Pinto&#38;;search%5Fby%5Fkeywords=any&#38;;sid=7&#38;;search%5Fby%5Fauthorname=all&#38;;search%5Fby%5Fstate=all&#38;;search%5Ftext%5Foptions=all&#38;;infoid=9&#38;;from%5Finfo%5Findex=6&#38;;search%5Fby%5Fpriority=all&#38;;query=simple&#38;;search%5Fby%5Fheadline=false&#38;;search%5Fby%5Fsection=all&#38;;search%5Fby%5Ffield=tax">Favela do Pinto</a>? Lugar muito especial nesta época, também chamada, erroneamente, de Morro do Pinto(que fica na verdade na área do cais do porto), a favela onde Monsueto foi criado, era um gueto negro encravado na parte mais nobre da Zona Sul do Rio. Para os elegantes da área, um câncer a ser extirpado.</p>
<p>———————</p>
<p><strong>A Praia do Pinto</strong></p>
<p><em>“De todas as favelas extintas nos anos 60, o caso mais polêmico foi a da Praia do Pinto, no Leblon. Os moradores souberam dos planos da Prefeitura de acabar com a comunidade ainda na década de 50, mas houve forte resistência. Segundo dados do Censo de Favelas de 1949, pelo menos 20 mil pessoas moravam no local. A remoção só foi concluída após um incêndio, em 1969, durante o mandato do governador Negrão de Lima. “Muitas pessoas não queriam sair. Apesar dos problemas, preferiam continuar morando na Zona Sul. O incêndio obrigou todo mundo a ir embora”, afirma Maria Rosa de Souza Noronha, de 62 anos, ex-moradora da Praia do Pinto, depois removida para o Complexo da Maré.</em></p>
<p><em>Praticamente todos os barracos da Praia do Pinto foram destruídos pelo fogo. No dia seguinte, policiais colocaram abaixo as poucas casas que sobraram de pé. Até hoje ninguém confirma se foi acidente ou uma última tentativa do Governo de expulsar os moradores. Mas todos os indícios apontam para um remoção forçada “. </em></p>
<p>——————</p>
<p><strong><em>A Chapa quente</em> e a Guerra Fria.</strong></p>
<p>Mesmo deixando de lado a crônica crua da destruição da Favela do Pinto, o contexto da época de Monsueto é, historicamente, muito rico. Na política, a chapa esquentava, devagarinho, numa, crise na conjuntura econômica (e ideológica) mundial, chamada, com certa ironia, de ‘<em>Guerra Fria</em>‘ (a <em>Guerra Quente</em> há muito terminara na Europa).</p>
<p>É nesta época que, no bojo do intenso rebuliço que preparou o campo para uma nova ordem econômica mundial, nos anos 70, que as sangrentas ditaduras militares latino americanas chocaram seus ovos. CIA versus KGB, Comunismo versus Capitalismo, uma época de <em>ismos </em>diversos em conflito.</p>
<p>Cínico, irônico, Monsueto, por exemplo, devia ser adepto do <em>Sambismo</em>, nome possível para uma doutrina onde, evidentemente, só pontificavam os sambistas.</p>
<p>No aspecto cultural, a época no Brasil (e na área por onde Monsueto transitava, a elegante noite boêmia de Copacabana) também não era de brincadeira não. Sonâmbulos, sonhávamos ainda. Sem nos tocar que a Revolução Cubana significaria algum tipo de ruptura, de perigo para a estabilidade latino americana, vivíamos, tolamente, os últimos capítulos dos ‘<a href="http://www.overmundo.com.br/banco/os-anos-dourados" target="_blank">anos dourados</a>’, para entrar nos ‘<em>Anos de Chumbo’. </em></p>
<p>Um dos principais pólos desta efervescente letargia era Copacabana. Ali se fermentava, se destilava e, principalmente se bebia, uma música popular muito original e híbrida, em vários sentidos.</p>
<p>Nas boates de Copacabana se poderia ouvir tanto um Samba na <em>praia </em>de um <a href="http://mpbnet.com.br/musicos/cyro.monteiro/">Cyro Monteiro</a>(figura rara em boates), swuingado, puxado à la <strong><a href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/geraldo.pereira/index.html">Geraldo Pereira</a></strong>, como uma mescla do Samba canção, meloso, com aquele <em>chiquê </em>trágico das canções de <a href="http://www.myspace.com/edithpiaftuespartout" target="_blank">Edit Piaf</a>, marca aparente das composições de <a href="http://copacabana.com/dolores-duran.shtml">Dolores Duran e Antônio Maria</a>. </p>
<p>Os dois aliás, estiveram de algum modo presentes, na veia seminal de outro tipo de Samba, mais voltado para a inconseqüência burguesa da Côte D’Azur francesa: A Bossa Nova primordial de Jobim e sua turma que, logo em seguida, elegante que era, achou por bem embarcar na tal &#8211; e não menos burguesa &#8211; ‘<em>Influência do Jazz’.</em></p>
<p>O que não se fala muito, nesta crônica da música da Zona Sul do Rio de Janeiro, é que haviam outras tendências, tão ou mais, interessantes, como é o caso da corrente da qual, de certo modo, fazia parte Monsueto.</p>
<p>Esta corrente, muito rica, integrada por artistas negros oriundos, em sua grande maioria, do âmbito da Favela do Pinto, a partir das mesmas influências, digamos assim, ‘pequeno-burguesas’, que geraram mais tarde a Bossa Nova, desenvolvia um estilo mais calcado numa mistura entre o Samba ‘de morro’, como já se dizia na época, com lado mais ‘africano’ da música de jazz que nos chegava, mais diversificada, com os bons ventos do <a href="http://www.desempregozero.org.br/artigos/a_esquerda_e_o_desenvolvimentismo.php">Desenvolvimentismo</a>, avançando rumo ao que, mais tarde, se cristalizou no estilo sacudido da música de Jorge Bem (o Benjor de hoje) ou mesmo de <a href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/baden.powell/">Baden Powel</a> e seus <em>Afro Sambas</em>.</p>
<p>Este estilo, ainda pouco estudado no Brasil, gerou nos anos subseqüentes muitas figuras emblemáticas de nossa música instrumental (muito populares em sua época, ali pelos idos dos anos 60) como, por exemplo, <strong><a href="http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/erlon-chaves.asp">Erlon Chaves</a></strong>, um maestro muito popular na TV da época, o fabuloso <strong><a href="http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/dom-salvador.asp">Dom Salvador</a></strong> (e seu Grupo Abolição), <strong><a href="http://www.clubedejazz.com.br/jazzb/jazzista_exibir.php?jazzista_id=291">Moacir Santos</a> </strong>(’Ouro Negro’) e tantos outros.</p>
<p>Monsueto Campos Menezes, cria desta fabulosa geração de artistas, atuou também como ator cômico no cinema (onde trabalhou em, pelo menos, 14 filmes, inclusive europeus) e na televisão. Excursionou para a Europa, a África e a América, falecendo em 17/2/1973.<br />
Bem, vocês podem até dizer que eu ‘viajei’, que Monsueto não passava mesmo era de mais um bom sambista, mas, primeiro precisamos combinar uma coisa (como diria <strong>Paulinho da Viola</strong>) :</p>
<p>O Samba, ‘não é só isto que se vê. É um pouco mais’.</p>
<p><strong>Spírito Santo </strong><br />
Junho 2007</p>
<p>————————</p>
<p><strong>As músicas de Monsueto </strong></p>
<p>A primeira composição de Monsueto, gravada em 1951, foi o samba “Me deixe em paz”, parceria com Aírton Amorim (gravada por Linda Batista) porém muito mais lembrada na antológica versão de Milton Nascimento no disco ‘<em><a href="http://play.rhapsody.com/miltonnascimento/clubedaesquina/medeixaempaz">Clube da Esquina</a></em>‘.</p>
<p><strong>Conheça melhor </strong>(e aprenda a cantar) <strong>a obra do homem:</strong></p>
<p><strong>Me deixe em paz</strong></p>
<p>‘<em>Se você não me queria<br />
não devia me procurar<br />
não devia me iludir<br />
nem deixar eu me apaixonar</em><br />
<em>Evitar a dor</p>
<p>é impossível<br />
evitar este amor<br />
é muito mais<br />
você arruinou a minha vida<br />
me deixa em paz’</em></p>
<p><strong>O Couro do Falecido</strong></p>
<p><em>Um minuto de silêncio<br />
Para o cabrito que morreu<br />
Se hoje a gente samba</p>
<p>É que o couro ele nos deu<br />
Castigue o couro do falecido<br />
Bate o bumbo com vontade<br />
Que a moçada quer sambar<br />
Castigue o couro do falecido<br />
Morre um para bem de outros<br />
A verdade é essa, não se pode negar…<br />
(Tá bom? Tá…)</em></p>
<p><em>(Em 1954, a cantora Marlene estava preparada para gravar a deliciosa &#8211; e quase non sense- ‘O Couro do falecido’ mas teve que desistir na última hora por que Getúlio Vargas acabara de se suicidar e a letra do Samba poderia ser mal interpretada).</p>
<p></em><br />
<strong>A fonte secou</strong> (1953, com Raul Moreno e Marcleo)</p>
<p><em>Eu não sou água pra me tratares assim<br />
Só na hora da sede é que procuras por mim<br />
A fonte secou<br />
Quero dizer que entre nós tudo acabou</em><br />
<em>Seu egoísmo me libertou<br />
Não deves mais me procurar</p>
<p>A fonte do nosso amor secou<br />
mas os seus olhos nunca mais hão de secar.<br />
</em><br />
<strong><br />
Mora na filosofia </strong>(1955, com Arnaldo Passos)</p>
<p><em>Eu… vou lhe dar a decisão<br />
botei na balança… e você não pesou<br />
botei na peneira… e você não passou.<br />
Mora, na filosofia… prá quê rimar<br />
amor e dor?</em></p>
<p><em>Se seu corpo ficasse marcado<br />
por lábios ou mãos carinhosas<br />
eu saberia (ora vá mulher)…<br />
a quantos você pertencia.<br />
Não vou me preocupar em ver<br />
seu caso não é de ver prá crer: tá na cara…<br />
</em><br />
<strong>O lamento da lavadeira</strong><br />
(Nilo Chagas, Monsueto Menezes e João Vieira Filho)</p>
<p><em>Ô, dona Maria!<br />
Olha a roupa, dona Maria<br />
Ai, meu deus!<br />
Tomara que não me farte água!</em><br />
<em>Sabão, um pedacinho assim<br />
A água, um pinguinho assim<br />
O tanque, um tanquinho assim<br />
A roupa, um montão assim<br />
Para lavar a roupa da minha sinhá<br />
Para lavar a roupa da minha sinhá</em></p>
<p><em>Quintal, um quintalzinho assim<br />
A corda, uma cordinha assim<br />
O sol, um solzinho assim<br />
A roupa, um montão assim<br />
Para secar a roupa da minha sinhá<br />
Para secar a roupa da minha sinhá</em><br />
<em>A sala, uma salinha assim<br />
A mesa, uma mesinha assim<br />
O ferro, um ferrinho assim</p>
<p>A roupa, um montão assim<br />
Para passar a roupa da minha sinhá<br />
Para passar a roupa da minha sinhá</em><br />
<em>Trabalho, um tantão assim<br />
Cansaço, é bastante sim<br />
A roupa, um montão assim<br />
Dinheiro, um tiquinho assim<br />
Para lavar a roupa da minha sinhá<br />
Para lavar a roupa da minha sinhá</em></p>
<p><strong><br />
Larga Meu Pé</strong></p>
<p><em>Nega larga o meu pé<br />
Vá quando quiser</p>
<p>Pra você não falta homem<br />
Pra mim não falta mulher</em></p>
<p><strong>Eu quero essa mulher assim mesmo</strong></p>
<p><em>Eu quero essa mulher assim mesmo<br />
Eu quero essa mulher assim mesmo</p>
<p>Eu quero essa mulher assim mesmo<br />
Eu quero<br />
Quero essa mulher assim mesmo</em><br />
<em>Baratinada<br />
Eu quero essa mulher assim mesmo<br />
Alucinada<br />
Eu quero essa mulher assim mesmo<br />
Despenteada<br />
Eu quero essa mulher assim mesmo</p>
<p>Descabelada<br />
Eu quero essa mulher assim mesmo<br />
Embriagada<br />
Eu quero essa mulher assim mesmo<br />
Intoxicada<br />
Eu quero essa mulher assim mesmo<br />
Desafinada<br />
Eu quero essa mulher assim mesmo<br />
Desentoada</p>
<p>Eu quero essa mulher assim mesmo</em><br />
<em>[etc., a critério da inventividade do intérprete.]</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O valor pessoal de ter um blog: a nova era já existe]]></title>
<link>http://emerluis.wordpress.com/2008/11/07/o-valor-pessoal-de-ter-um-blog-a-nova-era-ja-existe/</link>
<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 12:44:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>emerluis</dc:creator>
<guid>http://emerluis.wordpress.com/2008/11/07/o-valor-pessoal-de-ter-um-blog-a-nova-era-ja-existe/</guid>
<description><![CDATA[A experiência de ter um blog fica comovente a cada dia. Quando criei o Nas Retinas em 2006, eu já tr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>A experiência de ter um blog fica comovente a cada dia.</p>
<p>Quando criei o Nas Retinas em 2006, eu já trabalhava com Internet há quase 10 anos, mas nunca pretendi ter paciência para alimentar diariamente um canal de informação.</p>
<p>Dois anos depois, alguns posts aqui renderam boas polêmicas, elevando o acesso do blog em alguns dias. Acabei até virando &#8220;colunista&#8221; involuntário do site da Revista Fórum, que vira e mexe republica alguns posts daqui por lá. Tudo aqui é GPL.</p>
<p>E eis que em um dos últimos posts sobre a vitória de Barack Obama recebo a visita do diretor Peter Cordenonsi, indicando um vídeo no YouTube sobre o seu documentário lançado no início do ano. Com a palavra, Peter: &#8220;Caro Emerson, sou leitor de seu blog há um bom tempo. Não sei como mandar um e-mail para você. Mando um fragmento do documentário que realizei: A Grande Partida: Anos de Chumbo, homônimo do livro do Francisco Soriano. É um depoimento de Marcos Arruda, uma mensagem de esperança para um mundo/sistema que já morreu. São 5 minutos, mas vale muito a pena.&#8221;</p>
<p>Peter agora já sabe como mandar um mail para cá. Assista ao vídeo logo abaixo.</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/pa1nwvn6G_4&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/pa1nwvn6G_4&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p>Nós, que pensamos sempre num mundo diferente do que está ai, mais justo, social, igualitário, lutamos sempre, e neste caminhar de batalhas cotidianas podemos fraquejar e pensar em desistir, imaginando que fomos consumidos pelo que não queremos. O depoimento de Marcos Arruda, no olhar afiado de Peter, nos faz levantar e pensar mais um pouco sobre o valor da contínua luta por mudanças, em momentos delicados quando o pessimismo nos assola. Não é auto-ajuda vazia, que lança as pessoas somente em busca de dinheiro e bem estar pessoal. É ideologia, para repartirmos nossas conquistas com nossos semelhantes, estimulando-os a repartirem as suas também.</p>
<p>Boa sorte Peter em sua caminhada como cineasta. Este cinéfilo aqui quer assistir seus trabalhos em tela grande!</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Agenda Cultural de Guarulhos (26, 27 e 28 de setembro)]]></title>
<link>http://cotidianoguarulhense.wordpress.com/2008/09/26/agenda-cultural-de-guarulhos-26-27-e-28-de-setembro/</link>
<pubDate>Fri, 26 Sep 2008 18:36:16 +0000</pubDate>
<dc:creator>cotidianoguarulhense</dc:creator>
<guid>http://cotidianoguarulhense.wordpress.com/2008/09/26/agenda-cultural-de-guarulhos-26-27-e-28-de-setembro/</guid>
<description><![CDATA[Peça “Anos de Chumbo”, no Adamastor Pimentas por BRUNO CARVALHO O período mais pesado da ditadura mi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:medium;"><strong>Peça “Anos de Chumbo”, no Adamastor Pimentas</strong></span></span></p>
<p class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">por BRUNO CARVALHO</span></span></p>
<p class="western">
<p class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">O período mais pesado da ditadura militar brasileira é chamado de “Anos de Chumbo”, e este é) o momento histórico abordado pela Cia. Loucos Por Teatro . Em um thriller, que esta hospedado no Youtube, foi possível observar que a peça aborda a perseguição aos estudantes, a colaboração dos frades dominicanos aos revolucionários de esquerda e no meio da história um romance amoroso. No vídeo, existe uma cena forte, onde exibe o  suicídio do frei Tito, por conta de problemas psicológicos, decorrentes de torturas. Toda essa história pode ser conferida nesse final de semana no Adamastor Pimentas.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Thriller da peça &#8220;ANOS de Chumbo&#8221;</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/Xx8CcB_znEw&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/Xx8CcB_znEw&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Dias 26 e 27 / sexta e sábado</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Acontece na Cidade</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Feira de Artesanato</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">9h às 17h, exceto feriados. Rua Felício Marcondes, Centro.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Dia 26 / sexta</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Música</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Robson Nascimento &#38; Por Um Trio</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">19h. Teatro Nelson Rodrigues,  rua dos Coqueiros, 74, Lago dos Patos, Vila Galvão. Retirar um ingresso na bilheteria do teatro, meia hora antes do início do espetáculo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Música</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Os Favoritos da Catira &#38; Os Mensageiros dos Santos Reis – Lançamento de DVD</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">19h.  Teatro  Adamastor  do  Centro,  av. Monteiro  Lobato,  734,  Macedo.  Retirar um ingresso na bilheteria do teatro, meia hora antes do início do espetáculo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Literatura / Biblioteca</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Recital Livre de Poesias</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">19h. Biblioteca Monteiro Lobato (praça João Ranali),  rua  João  Gonçalves,  439,  Centro. Mais  informações  pelos  telefones  6409-1355 ou 6408-3767. Entrada franca.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Dias  26,  27 e  28  /  sexta,  sábado e domingo</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Cinema</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Cine Popular Guarulhos – A Escola Vai ao Cinema</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Sexta, a partir das 7h45, e sábado e domingo, a partir das 14h. Rua 13, esquina com rua 14, ao  lado da Associação Amigos do Bairro, Nova Cidade Soberana. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados no local.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="center"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Dia 27 / sábado</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Acontece na Cidade</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>A Volta do Boêmio – Cia. de Musicais</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">11h. Casa dos Cordéis, av. Torres Tibagy, 90, Gopoúva, próximo ao Saae. Entrada franca.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Música</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Praça do Samba</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">14h.  Praça  do  Povo,  s/nº,  Jd.  Paraventi. Entrada franca.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Conservatório</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Ketubá &#38; Musicalização Com Flautas – Grupos do Conservatório Municipal de Arte de Guarulhos</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">15h30.  Espaço  Gilmar  Lopes,  Bosque Maia,  av.  Paulo  Faccini,  s/nº,  Jd.  Maia, Centro. Entrada franca.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Música</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Banda Nebulosa de Órion</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">19h. Teatro Nelson Rodrigues, rua dos Coqueiros,  74,  Lago  dos  Patos, Vila  Galvão. Retirar um ingresso na bilheteria do teatro, meia hora antes do início do espetáculo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Dias 27 e 28 / sábado e domingo</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Teatro / Dança</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>O Mistério das Meias Vermelhas – Núcleo de Pesquisa </strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Teatral Os Parafernálios</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">16h. Tenda  do Teatro  Nelson  Rodrigues, rua dos Coqueiros, 74, Lago dos Patos – Vila Galvão.  Indicação:  livre.  Ingressos  à venda no local, meia hora antes do início do  espetáculo  –  R$  10  (inteira)  e  R$  5 (meia). ATENÇÃO:  não  será  permitida  a entrada após o início do espetáculo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Dias 27 e 28 / sábado e domingo</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Teatro / Dança</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Anos de Chumbo – Cia. Loucos Por Teatro</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Teatro Adamastor do Pimentas, Estrada Caminho Velho, 333, Pimentas.  Indicação: 14 anos. Entrada  franca. Retirar um  ingresso na bilheteria do teatro, meia hora antes do início do espetáculo. ATENÇÃO: não será permitida a entrada após o início do espetáculo</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="center"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Dia 28 / domingo</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Teatro / Dança</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Concertos Matinais – Camerata Guarucordas</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">11h. Teatro Nelson Rodrigues, rua dos Coqueiros, 74, Lago dos Patos, Vila Galvão. Indicação: livre. Para crianças até 10 anos a entrada é gratuita. Ingressos à venda na bilheteria  do  teatro,  uma  hora  antes  do início do espetáculo – R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). ATENÇÃO: não será permitida a entrada após o início do espetáculo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Música</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Projeto Viola Viva</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">16h. Teatro Nelson Rodrigues, rua dos Coqueiros,  74,  Lago  dos  Patos,  Vila Galvão. Retirar um ingresso na bilheteria do teatro, meia hora antes do início do espetáculo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Conservatório</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Recital de Piano</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">19h. Conservatório Municipal de Arte de Guarulhos, av. Tiradentes, 2.529, Vila São Jorge. Entrada franca.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;">fonte: Site da prefeitura de Guarulhos</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma carta de Betinho para Maria ]]></title>
<link>http://josekuller.wordpress.com/2008/09/21/uma-carta-de-betinho-para-maria/</link>
<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 22:13:07 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Antonio Küller</dc:creator>
<guid>http://josekuller.wordpress.com/2008/09/21/uma-carta-de-betinho-para-maria/</guid>
<description><![CDATA[Procurando na Internet algum fato relevante ocorrido em 21 de setembro de 1968, não encontrei nenhum]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p align="justify"><span style="color:#333333;font-family:Lucida Casual;">Procurando na Internet algum fato relevante ocorrido em 21 de setembro de 1968, não encontrei nenhum. Quarenta anos atrás, parece que esse foi um dia tranqüilo. Nada agitou a superfície dos acontecimentos de forma a virar notícia. Mas, c</span><span style="color:#333333;font-family:Lucida Casual;">omo quem procura sempre acha, durante a pesquisa garimpei algo mais precioso: uma carta de Betinho para sua esposa Maria, que foi escrita para ser lida só depois de sua morte. </span></p>
<p align="justify"><span style="color:#333333;"><a href="http://www.aids.gov.br/betinho/perfil.htm"><span style="color:#0000ff;"><strong>Betinho</strong></span></a><span style="color:#0000ff;"> </span>foi mais que uma exemplo de ser humano. Foi um símbolo da resistência e, depois, da luta contra a pobreza e a fome. Nos tempos de chumbo, a primeira notícia sobre ele veio em forma de música. A cancão <a href="http://www.facasper.com.br/cultura/site/ensaio.php?tabela=&#38;id=74"><strong><span style="color:#0000ff;">O Bêbado e o Equilibrista</span></strong></a> falava do sonho da volta do irmão do Henfil. Para recordar: </span></p>
<p align="justify"><span style="color:#333333;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/TAA29Kvnu8k&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/TAA29Kvnu8k&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></span></p>
<p align="justify"><span style="color:#333333;"><a href="http://www.centrocultural.sp.gov.br/gibiteca/imagem/henfil04.gif"><img class="alignright" src="http://www.centrocultural.sp.gov.br/gibiteca/imagem/henfil04.gif" alt="" width="137" height="166" /></a>Betinho era o irmão do <a href="http://www.centrocultural.sp.gov.br/gibiteca/henfil.htm"><span style="color:#0000ff;"><strong>Henfil</strong></span></a><span style="color:#0000ff;"><strong>.</strong></span> Henfil era o humorista e o cartunista que buscávamos sempre no <a href="http://josekuller.wordpress.com/2008/09/03/o-pasquim/"><strong><span style="color:#0000ff;">Pasquim</span></strong></a>. Para mim, depois do lançamento da música, Betinho era o personagem que reunia em si todas as ânsias pelo fim da ditadura e as esperanças pela volta da democracia. A volta do irmão do Henfil era símbolo  da volta da liberdade. </span></p>
<p align="justify"><span style="color:#333333;">Um dia, Herbet de Souza voltou. Um dia nos encontramos através de amigos comuns, alguns dos quais estiveram com ele no Canadá. Fomos, mesmo a distância, parceiros em um projeto de cooperativa de trabalho. Deixou saudades.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#333333;">Acho que Uma Carta para Maria, que reproduzimos a seguir, fala do homem que ele era. Homens assim fazem falta ao país. Fazem falta a cada um de nós. Deixam-nos carentes do exemplo pessoal, que efetivamente nos educa e nos faz querer ser melhores. </span><span style="color:#333333;">Não deixe de ler. </span></p>
<p align="justify">
<div><strong><span style="color:#000080;font-family:Lucida Casual;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#ff6600;">Carta escrita por Herbert de Souza (o Betinho) para sua mulher Maria e<span style="font-family:Lucida Casual;"> </span><span style="font-family:Lucida Casual;">lida, um ano após sua morte, pelo ator Jonas Bloch, durante a cerimônia no</span><span style="font-family:Lucida Casual;"> </span></span><span style="color:#000080;font-family:Lucida Casual;"><span style="color:#333333;"><span style="color:#ff6600;">CCBB:</span><br />
</span></span><br />
</span></span></strong><a href="http://www.vertex.com.br/users/san/betinho.jpg"><img class="alignleft" src="http://www.vertex.com.br/users/san/betinho.jpg" alt="" width="164" height="243" /></a><em>&#8220;Este texto é para Maria ler depois da minha morte que, segundo meus cálculos, não deve demorar muito. É uma declaração de amor.</em></div>
<div><em>Não tenho pressa em morrer, assim como não tenho pressa em terminar esta carta. Vou voltar a ela quantas vezes puder e trabalhar com carinho e cuidado cada palavra. Uma carta para Maria tem que ter todos os cuidados.  Não quero triste, quero fazer dela também um pedaço de vida pela via de lembrança que é a nossa eternidade.</em></div>
<p>Nos conhecemos nas reuniões de AP (Ação Popular), em 1970, em pleno Maoísmo. Havia uma clima de sectarismo e medo nada propício para o amor.</p>
<p>Antes de me aventurar andei fazendo umas sondagens e os sinais eram animadores, apesar de misteriosos. Mas tínhamos que começar o namoro de alguma forma. Foi no ônibus da Vila das Belezas, em São Paulo. Saímos em direção ao fim da linha como quem busca um começo. E aí veio o primeiro beijo, sem jeito, espremido, mas gostoso, um beijo público. A barreira da distância estava rompida para dar começo a uma relação que já completou 26 anos!</p>
<p>O Maoísmo estava na China, nosso amor na São João. Era muito mais forte que qualquer ideologia. Era a vida em nós, tão sacrificada na clandestinidade sem sentido e sem futuro. Fomos viver em um quarto e cozinha, minúsculos, nos fundos de uma casa pobre, perto da Igreja da Penha. No lugar cabia nossa cama, uma mesinha, coisas de cozinha e nada mais. Mas como fizemos amor naquele tempo! Foi incrível e seguramente nunca tivemos tanto prazer.</p>
<p>Tempos de chumbo, de medo, de susto e insegurança. Medo de dia, amor de noite. Assim vivemos por quase um ano. Até que tudo começou a &#8220;cair&#8221;.   Prisões, torturas, polícia por toda a parte, o inferno na nossa frente.  Fomos para o Chile. E ali, chamado por Garcez para elaborar textos, acabei no agrado de Allende, que os usou em seus discursos oficiais. Foi a primeira vez que eu vi amor virar discurso politico&#8230;</p>
<p>Depois passamos por muita coisa até voltar. Até que a anistia chegou e nos surpreendeu. E agora, o que fazer com o Brasil?</p>
<p>Foi um turbilhão de emoções: o sonho virou realidade!  Era verdade, o Brasil era nosso de novo. A primeira coisa foi comer tudo que não havíamos comido no exílio: angu! com galinha ao molho pardo, quiabo com carne moída, chuchu com maxixe, abóbora, cozido, feijoada.  Um festival de saudades culinárias, um reencontro com o Brasil pela boca.</p>
<p>Uma das maiores emoções da minha vida foi ver o Henrique surgindo de dentro de você. Emoção sem fim e sem limite que me fez reencontrar a infância.</p>
<p>Depois do exílio, nossas vidas pareciam bem normais. Trabalhávamos; viajávamos nas férias, visitávamos os amigos, o Ibase funcionava, até a hemofilia parecia que havia dado uma trégua. Henrique crescia, Daniel aos poucos se reaproximava de mim, já como filho e amigo.</p>
<p>Mas como uma tragédia que vem às cegas e entra pelas nossas vidas, estávamos diante do que nunca esperei. A Aids. Em 1985, surge a notícia da epidemia que atingia homossexuais, drogados e hemofílicos. O pânico foi geral. Eu, é claro, havia entrado nessa. Não bastava ter nascido mineiro, católico, hemofílico, maoísta e meio deficiente físico.</p>
<p>Era necessário entrar na onda mundial, na praga do século, mortal, definitiva, sem cura, sem futuro e fatal. E foi aí que você, mais do que nunca, revelou que é capaz de superar a tragédia, sofrendo, mas enfrentando tudo e com um grande carinho e cuidado. A Aids selou um amor mais forte e mais definitivo porque desafia tudo, o medo, a tentação do desespero, o desânimo diante do futuro. Continuar tudo apesar de tudo, o beijo, o carinho e a sensualidade.</p>
<p><em>Assumi publicamente minha condição de soropositivo e você me acompanhou. Nunca pôs um &#8220;senão&#8221; ou um comentário sobre cuidados necessários. Deu a mão e seguiu junto como se fosse metade de mim, inseparável. E foi. Desde os tempos do cólera, da não esperança, da morte do Henfil e Chico, passando pelas crises que beiravam a morte até o coquetel que reabria as esperanças.  Tempo curto para descrever, mas uma eternidade para se viver.</em></p>
<p><em>Um dos maiores problemas da Aids é o sexo. Ter relações com todos os cuidados ou não ter? Todos os cuidados são suficientes ou não se deve correr riscos com a pessoa amada? Passamos por todas as fases, desde o sexo com uma ou duas camisinhas até sexo nenhum, só carinho. Preferi a segurança total ao mínimo risco.</em></p>
<p><em>Parei, paramos e sem dramas, com carências, mas sem dramas, como se fosse normal viver contrariando tudo que aprendemos como homem e mulher, vivendo a sensualidade da música, da boa comida, da literatura, da invenção, dos pequenos prazeres e da paz. Viver é muito mais que fazer sexo. Mas para se viver isso, é necessário que Maria também sinta assim e seja capaz dessa metamorfose como foi.</em></p>
<div><em>Para se falar de uma pessoa com total liberdade é necessário que uma esteja morta e eu sei que este será o meu caso. Irei ao meu enterro sem grandes penas e  principalmente sem trabalho, carregado. Não tenho curiosidade para saber quando, mas sei que não demora muito.</em></div>
<div><em> </em></div>
<div><em>Quero morrer em paz, na cama, sem dor, com Maria do meu lado e sem muitos amigos, porque a morte não é ocasião para se chorar, mas para celebrar um fim, uma história. Tenho muita pena das pessoas que morrem sozinhas ou mal acompanhadas, é morrer muitas vezes em uma só. Morrer sem o outro é partir sozinho. O olhar do outro é que te faz viver e descansar em paz. O ideal é que pudesse morrer na minha cama e sem dor, tomando um saquê gelado, um bom vinho português ou uma cerveja gelada.Te amo para sempre,   </em><em> </em></div>
<p><em></em></p>
<div><em>Betinho,</em></div>
<div><em></em></div>
<div><em></em></div>
<div><em></em></div>
<div><em></em></div>
<div><em></em></div>
<div><em>Itatiaia, janeiro de 1997&#8243;</em></div>
<div><em></em></div>
<div>Para mais um pouco de Betinho:</div>
<div><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/XG4-ePnT-Xs&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/XG4-ePnT-Xs&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[1968 por ai...]]></title>
<link>http://josekuller.wordpress.com/2008/07/01/1968-por-ai/</link>
<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 20:25:37 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Antonio Küller</dc:creator>
<guid>http://josekuller.wordpress.com/2008/07/01/1968-por-ai/</guid>
<description><![CDATA[Tenho insistido com vários amigos para que publiquem, neste espaço, suas memórias sobre 1968. No cas]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Tenho insistido com vários amigos para que publiquem, neste espaço, suas memórias sobre 1968. No caso de Mouzar, o pedido não chegou a ser feito. Antes dele chegou um livro que cabia inteiro em Arquivo68. Por isso, solicitei ao Mouzar autorização para divulgá-lo aqui. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">A ilustração a seguir é a cópia da primeira capa do livro: <a href="http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=5219&#38;lg=po"><strong><span style="font-family:Verdana;"><span style="color:#800080;">1968, por aí – Memórias Burlescas da Ditadura</span></span></strong></a>, de <a href="http://www.planetanews.com/autor/MOUZAR%20BENEDITO"><strong><span style="font-family:Verdana;"><span style="color:#800080;">Mouzar Benedito</span></span></strong></a>. Ao lado dela, reproduzimos o texto da contra-capa. A leitura do que vem entre uma e outra é uma viagem divertida no tempo. É também um grande prazer. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"><a href="http://josekuller.wordpress.com/files/2008/07/68-por-ai.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-311" src="http://josekuller.wordpress.com/files/2008/07/68-por-ai.jpg?w=203" alt="" width="203" height="300" /></a>Um dia, numa palestra de <a href="http://ww.secrel.com.br/jpoesia/ari.html#bio"><strong><span style="font-family:Verdana;">Ariano</span></strong> <strong><span style="font-family:Verdana;">Suassuna</span></strong></a><strong><span style="font-family:Verdana;">,</span></strong> eu o vi e ouvi louvar a capacidade do brasileiro de gozar os ditadores e a ditadura. Foi assim no Estado Novo, foi assim de 1964 a 85. Sem menosprezar os sofrimentos das vítimas, a indignidade dos ditadores e seus sequazes, o heroísmo da resistência, é preciso ter humor. Ser contra a ditadura e manter a alegria, fazer piadas sobre ela, era uma coisa que incomodava “os homens”.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Ao achar no meio de um livro esta foto perdida há muito tempo, me vi nela com uma cara de enorme felicidade, apesar de estar desempregado e na lista negra dos patrões, por conta da militância na imprensa alternativa.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Ela não é o que parece. O ano era de 1978, já não havia guerrilha no Brasil. A espingarda é de chumbinho e a pose é só uma pose mesmo. Estava difícil sobreviver, mas não me entreguei. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Por tudo isso, apesar do narcisismo (com essa beleza toda?) de colocá-la na capa, acho que é merecedora de fazer parte de um livro sobre “os anos de chumbo”.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Mouzar Benedito</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Dilma mente para Ditadura Militar]]></title>
<link>http://humbertocapellari.wordpress.com/2008/05/17/dilma-mente-para-ditadura-militar/</link>
<pubDate>Sat, 17 May 2008 15:26:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Humberto Amadeu</dc:creator>
<guid>http://humbertocapellari.wordpress.com/2008/05/17/dilma-mente-para-ditadura-militar/</guid>
<description><![CDATA[Jasson de Oliveira Andrade Convocada a depor, a ministra Dilma Roussef esteve no Senado. Uma interve]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_yw8-lk1-2K8/SC76SVlLvnI/AAAAAAAAA4g/qCGYIpU-xzc/s1600-h/Dilma+no+Congresso.gif"><span style="font-family:arial;"><img style="display:block;cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px;" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_yw8-lk1-2K8/SC76SVlLvnI/AAAAAAAAA4g/qCGYIpU-xzc/s320/Dilma+no+Congresso.gif" border="0" /></span></a><strong><span style="font-family:arial;">Jasson de Oliveira Andrade</span></strong> </div>
<div align="justify"> </div>
<div align="justify"><span style="font-family:arial;">Convocada a depor, a ministra Dilma Roussef esteve no Senado. Uma intervenção desastrosa do senador José Agripino (DEM-RN), que pensava em deixá-la em situação difícil, ao contrário, tornou-a uma heroína. É o que vamos ver a seguir.<br />A participação do senador do DEM mereceu críticas gerais. Dora Kramer, em artigo ao Estadão (9/5/2008), afirmou que “a oposição foi irretocavelmente incompetente”, dizendo ainda que “os senadores aliados sim, deram um show. De categoria e habilidade política.” </span><br /><span style="font-family:arial;">A Folha, em editorial sob o título “Revés da oposição”, comentou: “Na tarde de ontem [7/5], tudo começou com uma péssima idéia do senador José Agripino (DEM-RN): julgou pertinente trazer à baila uma entrevista em que a ministra contou ter mentido muito às forças da repressão. (&#8230;) “Eu fui barbaramente torturada, senador”, respondeu Dilma Rousseff. “Qualquer pessoa que ousar falar a verdade para os torturadores, entrega os seus iguais. Eu me orgulho muito de ter mentido na ditadura, senador”. (&#8230;) </span><br /><span style="font-family:arial;">A força emocional e política de uma resposta desse tipo só poderia marcar NEGATIVAMENTE (destaque meu) as acirradas disposições de ânimo com que a oposição iniciava seus questionamentos”. </span><br /><span style="font-family:arial;">O jornalista Luiz Antonio Magalhães, no seu Blog Entrelinhas, constatou: “</span><a href="http://blogentrelinhas.blogspot.com/2008/05/pt-vibrou-com-atuao-de-agripino-maia.html#links"><strong><span style="font-family:arial;color:#ff0000;">PT vibrou com a atuação de Agripino Maia</span></strong></a><span style="font-family:arial;">”. É verdade. Como a ministra foi convocada para falar do PAC, embora a oposição preferisse questionar sobre o Dossiê sobre os gastos do governo de Fernando Henrique Cardoso, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) ironizou: “Já que o assunto é PAC, podemos dizer que o senador José Agripino pavimentou a estrada para a ministra Dilma brilhar”.<br />Eliana Cantanhêde, em artigo à Folha, opinou: “Quem disparou primeiro contra ela [Dilma] e errou feio foi o </span><a href="http://blogdoonipresente.blogspot.com/2008/05/trofu-agripino.html"><strong><span style="font-family:arial;color:#ff0000;">senador José Agripino Maia, do DEM, que tentou ser esperto</span></strong></a><span style="font-family:arial;"> ao dizer que a ministra “mentiu muito” na ditadura militar. (&#8230;) Disse que tinha orgulho de ter mentido, porque mentir significou suportar tortura para salvar a vida de companheiros. De quebra, foi ferina, apesar de elegante, ao fazer o confronto entre ela, que combatia a ditadura, e Agripino, ex-Arena e ex-PDS, que a defendia. “Estávamos em campo opostos.” Havia algum espaço para a tréplica?” Realmente, Agripino iniciou na política, segundo a Folha, com a nomeação dele pelo governo militar para a Prefeitura de Natal em 1979. Começou mal, como prefeito “biônico”!<br />Noblat, em seu Blog, comenta: “Ela [Dilma] entrou na sala da Comissão [do Senado] como suspeita de ter encomendado um dossiê sobre despesas sigilosas do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Saiu como a heroína que aos 19 anos de idade foi presa e torturada por agentes de ditadura militar de 1964, e mesmo assim NÃO DEDUROU NINGUÉM (destaque meu).” Noblat ainda revelou: “Outro dia, o governador de São Paulo José Serra (PSDB), aspirante à vaga de Lula, alertou seus companheiros de partido: “Se continuarem tratando Dilma dessa forma ela acabará emplacando como candidata. E com chances de vencer”. (&#8230;) Advertência de Serra, hoje, ganhou mais robustez”. Com razão. O próprio deputado Vic Pires Franco (DEM-PA), atuante parlamentar, reconheceu: “A expectativa era que a ministra seria detonada, mas ela é que nos detonou”.<br />Quanto aos Dossiês sigilosos, em minha opinião, deveriam ser realmente divulgados, sejam de Fernando Henrique ou de Lula!<br />JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor do livro &#8220;</span><a href="http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=6945"><strong><span style="font-family:arial;color:#ff0000;">O GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA</span></strong></a><span style="font-family:arial;">&#8220;</span><br /><span style="font-family:arial;">Maio de 2008</span> </div>
</div>]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
