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	<title>captopril &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/captopril/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "captopril"</description>
	<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 02:19:57 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Seu Barriga e sua massagem terapêutica]]></title>
<link>http://freakjones.wordpress.com/2009/10/31/seu-barriga-e-sua-massagem-terapeutica/</link>
<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 12:15:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>freakjones</dc:creator>
<guid>http://freakjones.wordpress.com/2009/10/31/seu-barriga-e-sua-massagem-terapeutica/</guid>
<description><![CDATA[A queixa do paciente é um ponto essecial numa consulta médica. Sem ela o médico fica totalmente desn]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-52" title="barriga" src="http://freakjones.wordpress.com/files/2009/10/1151942262_f.jpg" alt="barriga" width="300" height="400" /></p>
<p>A queixa do paciente é um ponto essecial numa consulta médica. Sem ela o médico fica totalmente desnorteado, sem saber o que perguntar, o que examinar, que exames solicitar e, por fim, o que prescrever. Salvo, lógico, as situações de emergência em que a queixa é o de menos e o que importa mesmo são os dados vitais que devem ser prontamente corrigidos. Mas, não era esse o caso de um certo paciente atendido num Domingo de Praia do Forte. &#8220;Pode entrar, Seu fulano!&#8221;. E lá vem ele com um saco de remédio nas mãos.</p>
<p>- Boa tarde, senhor. O que foi que aconteceu?<br />
- Ah, doutor, é uma ânsia que eu sinto aqui &#8211; disse apontando para a região popularmente conhecida como boca do estômago.<br />
- Ânsia? O senhor está enjoado? Com vontade de vomitar?<br />
- Não, não. É uma ânsia! Ânsia!<br />
- Sim, ânsia. É isso? Náuseado?<br />
- Não. Aí eu faço assim e passa. &#8211; o paciente começou a esfregar freneticamente a barriga com a palma das mãos, de uma lado para o outro.<br />
- Hummm? E que remédios são esses?<br />
- É pro coração. Tenho Chagas.<br />
- Deixa-me ver &#8211; e comecei a examinar o conteúdo da sacola &#8211; Captopril, Lasix, Espironolactona, Digoxina &#8211; Como é que você está tomando isso?<br />
- Esse é pra mijar, esse é pro coração bater forte e esse eu não sei pra que é, mas o médico mandou tomar.<br />
- Certo, mas você está tomando como o médico mandou?</p>
<p>Aí o paciente começou a se embolar. E as posologias variaram entre os extremos. Como ainda não tinha conseguido entender a sua queixa que passava com aquela massagem bizarra na barriga, comecei a atirar no escuro pra ver se acertava em alguma coisa. Pensei então nos sintomas mais clássicos da insuficiência cardíaca, já que o paciente era cardiopata e parecia não estar usando de forma correta os medicamentos prescritos. Devia estar descompensado.</p>
<p>- Sim, mas voltando a sua queixa, é falta de ar que você sente?<br />
- Não, não! É ânsia! Ânsia!!!<br />
- Barriga inchada?<br />
- Ânsia!!!<br />
- Fraqueza?<br />
- Não, doutor, é ânsia! E passa assim &#8211; e voltou a fazer a massagem bizarra.<br />
- Mas, meu senhor. Que diacho é ânsia? Não é náusea, não é falta de ar, cansaço, barriga inchada&#8230; Seu filho sabe o que é ânsia? Chame ele ali.<br />
- Pois não, doutor.<br />
- Rapaz, o que seu pai tá sentindo? Ele tá se queixando de ânsia. Você sabe o que é essa ânsia?<br />
- Ah, doutor. É isso mesmo. A gente passa a mão assim na barriga dele e melhora.</p>
<p>Ahhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!</p>
<p>- Sim, sim. Eu sei que melhora assim. Deixa pra lá. Senhor, deita ali pra eu te examinar.</p>
<p>No exame o paciente apresentava alguns sinais de descompensação da insuficiência cardíaca. Além do edema de membros inferiores, algumas crepitações pulmonares discretas, ele tinha um fígado aumentado de tamanho. Talvez fosse esse o motivo da &#8220;ânsia&#8221; dele.</p>
<p>- Pois, bem, senhor. Faz assim. Você precisa tomar os remédios direito. Vou solicitar aqui uma nova consulta com seu cardiologista e alguns exames pra você fazer. Enquanto isso tome os medicamentos dessa forma &#8211; e expliquei a forma correta &#8211; Se por um acaso a ânsia aparecer de novo, você passa a mão na barriga desse jeito aí que você tá fazendo, afinal tá resolvendo, né?<br />
- Resolve mesmo, doutor.<br />
- Ótimo. Mas, não deixa de ver o cardiologista não, viu?</p>
<p>Acho que agi de forma correta. Pelo menos do coração eu cuidei, né?</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[[Spam] OS MANDAMENTOS DOS MÉDICOS DO SUS]]></title>
<link>http://ascronicasdedan.wordpress.com/2009/10/01/spam-os-mandamentos-dos-medicos-do-sus/</link>
<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 23:43:37 +0000</pubDate>
<dc:creator>Dowglasz</dc:creator>
<guid>http://ascronicasdedan.wordpress.com/2009/10/01/spam-os-mandamentos-dos-medicos-do-sus/</guid>
<description><![CDATA[Essa eu recebi por e-mail.   OS MANDAMENTOS DOS MÉDICOS DO SUS:  01 &#8211; Se você não sabe o que t]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Essa eu recebi por e-mail.</p>
<p> </p>
<p><span style="color:#5f497a;"><strong><span style="font-size:large;">OS MANDAMENTOS DOS MÉDICOS DO SUS:<br />
</span><br />
 01 &#8211; Se você não sabe o que tem, dê VOLTAREN.<br />
 02 &#8211; Se você não entende o que viu, dê BENZETACIL.<br />
 03 &#8211; Apertou a barriga e fez ‘ahnnnnnnnn’ dê BUSCOPAN.<br />
 04 &#8211; Caiu e passou mal, dê GARDENAL.<br />
 05 &#8211; Está com dor bem grandona, dê DIPIRONA..<br />
 06 &#8211; Se você não sabe o que é bom dê DECADRON.<br />
 07 &#8211; Vomitou tudo que ingeriu, dê PLASIL.<br />
 08 &#8211; Se a pressão subiu, dê CAPTOPRIL.<br />
 09 &#8211; Se a pressão deu mais uma grande subida, dê FUROSEMIDA.<br />
 10 &#8211; Chegou morrendo de choro, ponha no SORO.<br />
 11 &#8211; Arritmia doidona, dê AMIDARONA.<br />
 12 &#8211; Pelo não pelo sim, dê ROCEFIN.<br />
 13 &#8211; Se nada deu certo, não tenha neurose, diga que é uma nova VIROSE.<br />
</strong></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Scurte poveşti despre 6 medicamente: nitroglicerina, captopril, metoprolol, digoxin, aspacardin şi amiodarona]]></title>
<link>http://drweather.wordpress.com/2009/05/26/medicamente-nitroglicerina-captopril-metoprolol-digoxin-aspacardin-si-amiodarona/</link>
<pubDate>Mon, 25 May 2009 22:52:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>drweather</dc:creator>
<guid>http://drweather.wordpress.com/2009/05/26/medicamente-nitroglicerina-captopril-metoprolol-digoxin-aspacardin-si-amiodarona/</guid>
<description><![CDATA[Bolile de inima sint poate cele mai des intilnite in practica medicala. Si,ca urmare,medicamentele d]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Bolile de inima sint poate cele mai des intilnite in practica medicala. Si,ca urmare,medicamentele d]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Mechanism of action of Captopril MCQ]]></title>
<link>http://chenghiang.wordpress.com/2009/03/22/mechanism-of-action-of-captopril-mcq/</link>
<pubDate>Sat, 21 Mar 2009 22:54:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>lchxian</dc:creator>
<guid>http://chenghiang.wordpress.com/2009/03/22/mechanism-of-action-of-captopril-mcq/</guid>
<description><![CDATA[Choose the best answer. Captopril is one of the drugs used in management of hypertension in children]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong>Choose the best answer.</strong></p>
<p>Captopril is one of the drugs used in management of hypertension in children. What is the mechanism of action of captopril?</p>
<p>A. Inhibits conversion of angiotensin I to angiotensin II</p>
<p>B. Inhibits conversion of angiotensinogen to Angiotensin I</p>
<p>C. Angiotensin II antagonist</p>
<p>D. Promote production  of nitric oxide</p>
<p>E. Beta adrenargic antagonist</p>
<p>-</p>
<p style="margin-bottom:0;">Written by CH LEE on 22/3/2009</p>
<p style="margin-bottom:0;">Similar question in FRACP 2009</p>
<p style="margin-bottom:0;">Click here for more free medical  <a href="../2009/01/05/2008/05/31/mcq/">MCQ. </a></p>
<p style="margin-bottom:0;">Please give suggestions and update to this question. Click on comments below for answer.</p>
<p style="margin-bottom:0;">
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Can captopril reduce rate of RP failures?]]></title>
<link>http://prostatecancerinfolink.net/2008/10/31/can-captopril-reduce-rate-of-rp-failures/</link>
<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 11:57:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>Sitemaster</dc:creator>
<guid>http://prostatecancerinfolink.net/2008/10/31/can-captopril-reduce-rate-of-rp-failures/</guid>
<description><![CDATA[A potentially important Swedish pilot study has shown that men treated with the old cardiovascular d]]></description>
<content:encoded><![CDATA[A potentially important Swedish pilot study has shown that men treated with the old cardiovascular d]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Novas aplicações para o veneno da jararaca]]></title>
<link>http://carolineborja.wordpress.com/2008/07/17/novas-aplicacoes-para-o-veneno-da-jararaca/</link>
<pubDate>Thu, 17 Jul 2008 20:01:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>carolineborja</dc:creator>
<guid>http://carolineborja.wordpress.com/2008/07/17/novas-aplicacoes-para-o-veneno-da-jararaca/</guid>
<description><![CDATA[Por Caroline Borja A maioria dos hipertensos não sabe, mas o captopril &#8211; cujo nome comercial é]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p class="MsoNormal" style="font-family:verdana,arial,helvetica,sans-serif;text-align:justify;"><span style="font-size:x-small;">Por Caroline Borja</span></p>
<p class="MsoNormal" style="font-family:verdana,arial,helvetica,sans-serif;text-align:justify;"><span style="font-size:x-small;">A maioria dos hipertensos não sabe, mas o captopril &#8211; cujo nome comercial é capoten &#8211; foi desenvolvido a partir de uma substância encontrada no veneno da jararaca brasileira. Comercializado desde os anos 70, ele ainda é o medicamento para pressão alta mais usado no mundo. E as jaracacas continuam revelando componentes, cujo isolamento, caracterização química e utilidade são objetos de estudo. Exemplos são os pesquisadores do Departamento de Farmacologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que têm se dedicado à busca de substâncias presentes nesses venenos cuja atividade possa ser útil para o entendimento da fisiologia e para a descoberta de novos medicamentos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="font-family:verdana,arial,helvetica,sans-serif;text-align:justify;"><span style="font-size:x-small;">Usando técnicas bioquímicas e músculos isolados de camundongos e aves, a farmacêutica Priscila Randazzo e a fisioterapeuta Charlene Galbiatti estudam as características químicas e os efeitos biológicos de toxinas isoladas de venenos de duas espécies de jararacas (<span style="font-style:italic;">Bothrops pauloensis</span> e <span style="font-style:italic;">Bothrops marajoensis</span>). As pesquisadoras encontraram duas novas toxinas, Bp-12 e B-maj9, que paralisam os músculos dos animais. Segundo elas, os resultados indicam que as toxinas interferem na transmissão do impulso nervoso para o músculo e também afetam o tecido muscular.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="font-family:verdana,arial,helvetica,sans-serif;text-align:justify;"><span style="font-size:x-small;">Do ponto de vista clínico, o veneno da jararaca não é considerado paralisante. No Brasil, essa ação é atribuída apenas a dois gêneros de serpentes: coral e cascavel. Por outro lado, Randazzo e Galbiatti explicam que toxinas de venenos que não se manifestam clinicamente podem servir de modelo para a síntese de novos medicamentos e também para ajudar a compreender como funciona o organismo e o mecanismo de ação dos venenos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="font-family:verdana,arial,helvetica,sans-serif;text-align:justify;"><span style="font-size:x-small;">Esse objetivo foi atingido pela pesquisadora Léa Rodrigues Simioni, pioneira no estudo da ação paralisante das jararacas e coordenadora das pesquisas desenvolvidas por Randazzo e Galbiatti. Contrariando as expectativas de quem acreditava que a ação paralisante era exclusividade de cascavel e coral, Simioni confirmou experimentalmente na década de 80 o mesmo efeito no veneno de uma jararaca (<span style="font-style:italic;">Bothrops jararacussu</span>) e dele isolou a toxina responsável pelo efeito. A colaboração com outros pesquisadores permitiu a caracterização química do componente paralisante, que foi denominado bothropstoxina e se tornou uma das mais importantes ferramentas (auxiliares) de pesquisa. Ela é utilizada por pesquisadores de outros países no entendimento dos mecanismos de toxicidade dos envenenamentos e da própria fisiologia geral.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="font-family:verdana,arial,helvetica,sans-serif;text-align:justify;"><span style="font-size:x-small;">O efeito terapêutico é também uma das perspectivas do estudo das toxinas, lembra Galbiatti. Exemplo disso é a toxina botulínica, famosa por seu nome comercial “Botox”, usada para tratar doenças e até como cosmético, suavizando rugas. Embora seja uma toxina de origem bacteriana, as propriedades terapêuticas e cosméticas da Botox também se devem à habilidade de impedir a transmissão do impulso nervoso para o músculo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:x-small;">Porém, do ponto de vista terapêutico, o grande inconveniente das toxinas de venenos de serpentes é o dano que muitas delas causam no tecido muscular. É o caso da Bp-12, toxina estudada por Randazzo em sua tese de doutorado, que está em fase final. Mas isso, segundo as pesquisadoras, não exclui a toxina de possíveis aplicações. Afinal, a mesma ciência que revela propriedades de aplicação em medicina, investiga as origens dos efeitos tóxicos e as condições em que eles se manifestam. Isso permite que ela própria, a ciência, encontre meios de controlar ou anular os efeitos indesejáveis.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:x-small;">Publicado na ComCiência em 03/04/2008.</span></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Origens e avanços do estudo científico de venenos animais no Brasil]]></title>
<link>http://carolineborja.wordpress.com/2008/03/04/origens-e-avancos-do-estudo-cientifico-de-venenos-animais-no-brasil/</link>
<pubDate>Tue, 04 Mar 2008 20:07:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>carolineborja</dc:creator>
<guid>http://carolineborja.wordpress.com/2008/03/04/origens-e-avancos-do-estudo-cientifico-de-venenos-animais-no-brasil/</guid>
<description><![CDATA[O Brasil tem tradição em produção de conhecimento, vulgo ciência, que se tornou uma prática oficial ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">O Brasil tem tradição em produção de conhecimento, vulgo ciência, que se tornou uma prática oficial no país a partir da chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, com a criação da Escola de Cirurgia da Bahia e da Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro – conhecidas hoje como as Faculdades de Medicina da UFBA e da UFRJ. Essa ciência, porém, assumiria ainda por mais de um século uma evolução predominantemente reativa, isto é, invocada pelas demandas imediatas da época.</span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Uma dessas demandas seria a ameaça à economia agroexportadora de café. No final do século XIX, a peste quase dizimava a população santista e os imigrantes que chegavam ao porto de Santos (&#8220;porto do café&#8221;), e as serpentes peçonhentas aleijavam e matavam camponeses e trabalhadores que se ocupavam das plantações de café paulistanas. Para instalar um laboratório de produção de soros antipestoso e antiofídico, o governo adquiriu a Fazenda Butantan, em São Paulo. Nessa época, com base nos estudos de Albert Calmette – um pesquisador francês do Instituto Pasteur que acreditou equivocadamente ter produzido, em 1892, a partir do veneno da naja, o antiveneno eficaz contra todo tipo de veneno ofídico – o cientista brasileiro Vital Brazil Mineiro da Campanha iniciou as investigações que o levariam a descobrir, em 1901, a especificidade dos antivenenos. Ele percebeu que a eficácia do antiveneno dependia da sua produção a partir de veneno do mesmo gênero ao qual pertencia a serpente causadora da picada – um achado que revolucionaria o tratamento das vítimas de animais peçonhentos em todo o mundo. No mesmo ano, na Fazenda Butantan, Vital Brasil fundaria e dirigiria o Instituto Butantan.</span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;">Não tardou meio século para que seu filho, Oswaldo Vital Brazil, desvendasse o mecanismo pelo qual a picada da coral <i>Micrurus frontalis</i> causava paralisia motora – o veneno impedia a transmissão do impulso nervoso ao bloquear, no músculo, o receptor nicotínico da acetilcolina – e evidenciasse, através de pesquisa básica, a eficácia dos anticolinesterásicos (inibidores da degradação enzimática da acetilcolina que aumentam a concentração do transmissor e permitem a reversão do bloqueio por competição pelo receptor) na reversão da paralisia muscular esquelética que acometia e, por vezes, causava a morte das vítimas dessa serpente. Em 1964, Oswaldo fundaria o Departamento de Farmacologia da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, no qual até hoje predomina o estudo científico dos venenos animais.</span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span><font face="Arial">De fato, produção e aplicação de conhecimento o Brasil faz e bem feito. E essa é a essência da ciência e da boa formação dos cientistas que seguem na busca pelas respostas que sempre geram novas perguntas – a eternidade da ciência. Deveras não faltam exemplos disso na história do estudo científico dos venenos animais. Além dos já citados aqui, cabe mencionar a descoberta da bradicinina, também em meados do século XX, pelo pesquisador brasileiro Rocha e Silva, durante seus estudos sobre o modo pelo qual o veneno da jararaca causava hipotensão – um achado que elucidou os mecanismos envolvidos na regulação da pressão arterial e conduziu a descobertas que revolucionaram o tratamento da hipertensão. A bradicinina era o então desconhecido peptídio hipotensor produzido quando o veneno da jararaca era injetado na corrente sanguínea de mamíferos.</font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><font face="Arial"></font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><font face="Arial">Essa descoberta possibilitou que outro cientista brasileiro, Sérgio Ferreira, encontrasse no veneno da mesma espécie de serpente os BPPs (Bradykinin-Potentiating Peptides), peptídios que, através da inibição da enzima (ECA) que inativava a bradicinina e convertia a angiotensina I em angiotensina II (um potente vasoconstritor), potencializavam os efeitos hipotensores do veneno. Os BPPs foram os protótipos para a síntese do primeiro inibidor comercial da enzima conversora da angiotensina (ECA), o famoso captopril, agente anti-hipertensivo que rende bilhões de dólares anuais para a indústria que o sintetizou e patenteou, a estrangeira Bristol-Myers Squibb. Nessa história, o brasileiro produziu – aqui no Brasil – o conhecimento, e a indústria estrangeira, a invenção e a inovação. É verdade que, na época em que os protótipos do captopril foram descobertos por Ferreira (década de 60), o Brasil não possuía recursos financeiros/tecnológicos, nem, com algumas exceções, cultura de invenção – quanto mais de inovação. A ciência era sobretudo – e ainda é para muitos – geradora de conhecimento; invenção, inovação e patentes não eram perspectivas da maioria dos projetos de pesquisa.</font></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal">&#160;</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Além do captopril, diversos outros inibidores da ECA foram sintetizados por indústrias estrangeiras a partir da descoberta dos BPPs brasileiros, bem como enalapril, lisinopril, ramipril, benazepril e cilazapril. Dentre eles, o captopril e o enalapril integram a Relação de Medicamentos Essenciais (RENAME), que &#8220;abrange um elenco de medicamentos necessários ao tratamento e controle das enfermidades prioritárias em saúde pública nos diversos níveis de atenção no país&#8221;.</span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;">Mas, hoje, aqui no Brasil, as mesmas substâncias descobertas por Ferreira têm gerado novos agentes anti-hipertensivos, futuros concorrentes do captopril, desta vez bem protegidos por patentes brasileiras – vivendo e aprendendo. Trata-se dos evasins, desenvolvidos, com base nos BPPs, por pesquisadores do Instituto Butantan. E, além dos evasins, outros agentes isolados de venenos animais, identificados a partir de pesquisas realizadas no Instituto Butantan têm sido protegidos por patentes. Já se pode citar o enpak (endogenous pain killer), um poderoso analgésico encontrado no veneno da cascavel, e o lopap, um agente anticoagulante das cerdas venenosas da taturana (<i>Lonomia obliqua)</i>.</span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span><span style="font-family:Arial;">Aqui agora se pode fazer do conhecimento a invenção, e dela patentes e inovação, sem desprezar, desvalorizar nem dispensar a produção de conhecimento pelo conhecimento, que é deveras essencial – afinal, toda invenção está estruturada no conhecimento que direta ou indiretamente dela participa, ainda que não leve o devido mérito.</span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Artigo publicado no Boletim FCM (<a href="http://www.fcm.unicamp.br/">www.fcm.unicamp.br</a>)</span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>

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