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	<title>coisas-do-mundo-terreno &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "coisas-do-mundo-terreno"</description>
	<pubDate>Sat, 26 Dec 2009 16:02:43 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Compartilhar de olhares]]></title>
<link>http://aeronauta.wordpress.com/2009/11/05/compartilhar-de-olhares/</link>
<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 11:52:28 +0000</pubDate>
<dc:creator>João José Menescal</dc:creator>
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<description><![CDATA[Espero que mereça uma conferida: www.flickr.com/menescal É uma caixinha azul onde compartilho lembra]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style="color:#000080;">Espero que mereça uma conferida: </span><a href="http://www.flickr.com/menescal" target="_blank"><span style="color:#800000;">www.flickr.com/menescal</span></a></p>
<p><span style="color:#000080;">É uma caixinha azul onde compartilho lembranças visíveis. Não tem pretensão alguma, a não ser a de mostrar, com os olhos da lente, que por um momento são os meus, lugares visitados, situações percebidas, lembranças de cores, temperaturas, sensações e sentimentos. Enfim, tudo aquilo que podemos guardar como desenhos de luz.</span></p>
</div>]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Nas trincheiras da periferia o que explodia era o amor]]></title>
<link>http://aeronauta.wordpress.com/2008/03/23/nas-trincheiras-da-periferia-o-que-explodia-era-o-amor/</link>
<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 02:15:24 +0000</pubDate>
<dc:creator>João José Menescal</dc:creator>
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<description><![CDATA[Repulsar qualquer forma de segregação vale a pena. Neste sentido, vide o excelente trabalho do Eleil]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><font color="#000080">Repulsar qualquer forma de segregação vale a pena. Neste sentido, vide o excelente trabalho do <a href="http://diplo.uol.com.br/_Eleilson-Leite_">Eleilson Leite</a> que, nas páginas do <a href="http://diplo.uol.com.br">Le Monde Diplomatique Brasil</a>, têm brilhado em divulgar o espírito da Agenda Cultural da Periferia.</font></p>
<p><font color="#000080">De tão oportuno, transcrevo abaixo o seu último olhar sobre o tema, escrito por ocasião de uma reportagem veiculada no Jornal da Tarde, de São Paulo, cuja jornalista enxergou a chance da pauta denunciosa numa autêntica manifestação cultural da juventude das quebradas. </font></p>
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<div class="chapeu">CULTURA PERIFÉRICA</div>
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<div class="chapeu">AS FESTAS DELES E AS NOSSAS</div>
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<div class="olho">Num texto preconceituoso, jornal de São Paulo &#8220;denuncia&#8221; agito na periferia e revela: para parte da elite, papel dos pobres é trabalhar pesado. Duas festas são, no feriado, opção para quem quer celebrar direito de todos ao ócio, à cultura, à criação e aos prazeres da mente e do corpo</div>
<p class="autor"><font color="#999999"><a href="http://diplo.uol.com.br/_Eleilson-Leite_">Eleilson Leite</a></font></p>
<p class="spip">Na sexta-feira passada, dia 14 de março, o <i>Jornal da Tarde</i>, de São Paulo, estampou, em manchete de primeira página: “Funk do tráfico invade escola”. A matéria abordava a realização de uma festa de rua no Parque Primavera, periferia da Zona Sul de São Paulo. Na foto, jovens, quase todos negros, divertiam-se ao som do funk estilo carioca, conhecido como <i>pancadão</i>.  Na página interna, o título da matéria dava mais detalhes: <i>“Garotada dança, bebe, usa drogas e transa na EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental)”</i>. De acordo com o relato da jornalista Marici Capitelli, que freqüentou o baile de rua por duas sextas-feiras, passando-se por funkeira, a escola — EMEF Isabel Vieira Ferreira — está instalada na esquina onde se realiza a balada.</p>
<p class="spip">Seu portão fica aberto e a galera entra no local para, na penumbra da quadra, usar drogas e cutir “namoros apimentados”. Tudo isso patrocinado, segundo a matéria, pelos grupos de traficantes organizados das favelas das imediações. A notícia repercutiu. O diretor da escola foi pressionado, autoridades se mexeram e providências foram tomadas. O próprio prefeito encarregou- se de botar cadeado no portão da EMEF e a PM prometeu acabar com a festa, mantendo um policiamento ostensivo na região, sobretudo no dia e horário da balada.</p>
<p class="spip">Fiquei muito perplexo com o tratamento dado ao fato pelo jornal. Passei os últimos dias refletindo sobre o tema, buscando entender por que esse tipo de abordagem. Sim, estamos cansados de saber que os veículos da grande imprensa são a voz das elites endinheiradas e constituem-se como o 4º Poder. Mas nem tudo é absoluto, e a imprensa tem exercido, também, um importante papel para a manutenção da democracia. Às vezes, coloca-se ao lado da maioria, principalmente quando há um esforço dos jornalistas para exercer sua profissão com dignidade e buscar a verdade dos fatos.</p>
<p class="spip">Certamente, a repórter foi ao Jardim Primavera com a melhor das intenções e fez uma matéria que pretende tera virtude da denúncia (o tráfico, os jovens envolvidos com bebidas e drogas, uma escola mal-cuidada etc). Mas o enfoque sensacionalista e a conseqüente reação das autoridades só acabaram por piorar as coisas. Os três mil jovens, que tinham na festa às sextas-feiras sua única oportunidade de diversão, perderam a balada. A escola que, aberta à comunidade, cumpria muitas outras funções além de servir de refúgio para a rapaziada na madrugada, acabou sendo fechada. O funk carioca, que vem ganhando espaço na periferia de São Paulo, novamente foi tratado com preconceito e desprezo. E o crime organizado local ficará sob tensão constante com o policiamento, acendendo um pavio que pode causar uma grande explosão. Resultado: revolta, ódio, violência e frustração.</p>
<h3 class="spip" align="center">Se a própria rua, que serve de pista para seus embalos de sexta-feira à noite, lhes é retirada, o que vão fazer? E se esses jovens viessem “invadir” a balada do Mackenzie?</h3>
<p class="spip">A questão, caro leitor, é que festa de pobre na periferia é tratada como caso de polícia. Quando o público é de classe média e de bairros centrais, o tratamento é outro. Vou contar um caso que evidencia isso. Tem uma balada que rola toda sexta-feira à noite (às vezes de dia também) nas imediações da Universidade Mackenzie, no centro da cidade. Reúne centenas de estudantes. O pessoal ocupa duas esquinas, obstrui ruas e incomoda os vizinhos. A trilha sonora é variada: rock, MPB, samba, axé e, até mesmo, o <i>Pancadão</i>, dependo do estado de embriaguez. Os jovens universitários consomem muita bebida alcoólica e usam drogas à vontade. Na hora de fazer sexo, o chamego rola dentro de seus carros de vidros escuros, estacionados no local. A polícia quando vai lá, segundo testemunhas, é para retirar do recinto sujeitos maltrapilhos, pouco condizentes com o perfil social dos freqüentadores. E na Periferia? Ah, polícia na quebrada não tem meio termo. Chega para acabar com a alegria da rapaziada que se diverte na rua.</p>
<p class="spip">Os jovens universitários do Mackenzie estão se divertindo. E têm mais é que curtir o fim de uma semana de estudo e, para muitos deles, de trabalho. Esse direito nunca lhes foi negado e devem continuar exercendo-o, sem desrespeitar a coletividade. Mas estou do lado dos que foram historicamente desfavorecidos, e que se amontoaram nas bordas da cidade. Por que essas pessoas também não podem se divertir na rua? No Parque Primavera não existem equipamentos públicos de lazer, nem praças, como relata a própria reportagem do JT. Será que não resta outro destino ao povo preto e pobre da periferia, senão a condenação irremediável ao desencanto? Se a própria rua, que serve de pista para seus embalos de sexta-feira à noite, lhes é retirada, o que vão fazer? E se esses jovens viessem “invadir” a balada do Mackenzie? A rua é deles tanto quanto dos universitários. Será que a PM viria retirá-los, estando eles aos montes?</p>
<p class="spip">O dramaturgo e poeta alemão, Bertold Brecht, falava o seguinte: “Dizem violentas, as águas do rio, mas não dizem violentas, as margens que o comprimem”. Essa analogia do rio de margens comprimidas é perfeita para pensar o processo de amontoamento das pessoas nos fundões da periferia. Nesses mais de 500 anos de história do Brasil, a violência contra os pobres foi, muitas vezes, justificada pelo incômodo que a própria existência dessa gente causa aos ricos que sempre estiveram no poder. O Racionais MC’s em seu belíssimo DVD <i>1000 trutas, 1000 tretas</i>, traz um documentário que mostra como os negros foram expurgados do centro e empurrados para a periferia, em São Paulo. No vídeo, Mano Brown lê um texto retirado de relatório assinado por Whashington Luiz, em 1919. O então secretário de Segurança, depois governador de São Paulo e presidente da República falava o seguinte, referindo-se aos negros e miscigenados que ficavam na Várzea do Carmo, atual Parque Dom Pedro:</p>
<h3 class="spip" align="center">A Festa Umoja vai agitar a Zona Sul, no sábado: exposições, dança, culinária, teatro, poesia e muita música. No domingo, rola o Samba na Ponte, no Socorro. É uma grande festa das rodas de samba de Sampa</h3>
<p class="spip">“É aí que, protegida pelas depressões do terreno, pelas voltas do Tamanduateí, pelas arcadas das pontes, pela vegetação das moitas, pela ausência de iluminação, se reúne e dorme e se encachoa, à noite, à vasa da Cidade, numa promiscuidade composta de negros edemaciados pela embriaguez habitual, de uma mestiçagem viciosa, de restos inomináveis e vencidos de todas as nacionalidades, todos perigosos. É aí que se cometem atentados que a decência manda calar, é para aí que se atraem jovens estouvados e velhos concupiscentes para matar e roubar como nos dão notícia os canais judiciários, com grave dano à moral e para a segurança individual, não obstante a solicitude e a vigilância de nossa polícia. Era aí que quando a polícia fazia o expurgo da cidade, encontrava a mais farta colheita”.</p>
<p class="spip">Leiam as matérias no JT sobre o baile funk do Parque Primavera e comparem com o texto acima. Verão que as coisas não mudaram muito. A criminalização da pobreza está enraizada na sociedade brasileira. Senhores e senhoras jornalistas, editores, donos de jornal, autoridades policiais, judiciárias e administrativas, dêem a devida atenção à periferia. Percebam a complexidade da dinâmica social do subúrbio. Não atribuam ao tráfico tudo que rola nas quebradas para, com este argumento, justificar atos de repressão. Não façam da indevida utilização de uma escola motivo para fechá-la à comunidade. Deixem os jovens da periferia se divertir como podem os universitários do Mackenzie. Não tirem dos pobres o pouco que têm. Não desprezem o funk. Boa parte da elite já entendeu o rap. Tá na hora de sacar o <i>pancadão</i>. É música feita e apreciada pelo pessoal da favela. Só por isso, merece consideração. Não precisa gostar. Mas, por favor, vamos respeitar. Deixem a galera curtir sua balada no Parque Primavera e por toda a periferia.</p>
<p class="spip">E festa nas quebradas é o que não falta. Temos duas excelentes opções noticiadas na <i>Agenda Cultural da Periferia</i> para o final de semana prolongado da Páscoa. A Festa Umoja vai agitar a Zona Sul no sábado. O evento reúne exposições, dança, culinária, teatro, poesia e muita música. Além do grupo Umoja, vão se apresentar o DJ Maurício Alves, Band’ Doido e Fabiana Cozza, entre outras atrações. No domingo, rola o Samba na Ponte, lá na Ponte do Socorro, também na Zona Sul. É uma grande festa das rodas de samba de São Paulo. Terá o ritual de batismo no samba e contará com a presença de bambas de todas as partes. É animação e lazer garantidos. Paz, amor e liberdade. É isso que se quer na periferia. Parodiando o Moraes Moreira: “ Nas trincheiras da <i>periferia</i>, o que explodia era o amor…”</p>
<p class="spip"><b>Serviço:</b></p>
<p class="spip"><i>Festa Umoja</i><br />
Sacolão das Artes – Av. Cândido José Xavier, 577 – Parque Santo Antonio<br />
Dia 22 de março, sábado, a partir das 18h, Grátis<br />
Contato: 5891 2564 /  www.institutoumoja.blogspot.com</p>
<p class="spip"><i>Samba da Ponte</i><br />
Rua Eloi Chaves s/n, Socorro (ao lado da ponte do Socorro, sentido Santo Amaro)<br />
Dia 23 de março, domingo a partir das 14h – Grátis<br />
Contato: 8636-2209 e 7724-2159</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[O ano do infinito em pé]]></title>
<link>http://aeronauta.wordpress.com/2008/01/19/o-ano-do-infinito-em-pe/</link>
<pubDate>Sat, 19 Jan 2008 04:34:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>João José Menescal</dc:creator>
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<description><![CDATA[Das boas que eu vi na Taíba, a melhor (depois, é claro, da performance de uma tal de &#8220;Rúlia Ló]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><font color="#000080">Das boas que eu vi na Taíba, a melhor (depois, é claro, da performance de uma tal de &#8220;<a href="http://gloriosoblog.wordpress.com/" target="_blank">Rúlia Lópi</a>&#8221; servindo de cavalo pro &#8220;sprítu&#8221; da Gretchen) foi a definição para 2008: o ano do infinito em pé.</font></p>
<p><font color="#000080">Melhor ainda foi lembrar da pérola contada pelo Bebeto:</font></p>
<p><font color="#000080">Na prova de matemática, a questão pedia pra que o aluno indicasse o resultado da divisão do infinito (símbolo do &#8220;oito deitado&#8221;) por dois. Pois num teve um gaitato desenhou um quatro deitado? Genial!<br />
</font></p>
<div style="text-align:center;"><img src="http://aeronauta.wordpress.com/files/2008/01/infinito-sobre-dois.jpg" alt="infinito-sobre-dois.jpg" /></div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre o reveillon popular de Fortaleza]]></title>
<link>http://aeronauta.wordpress.com/2008/01/19/sobre-o-reveillon-popular-de-fortaleza/</link>
<pubDate>Sat, 19 Jan 2008 04:22:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>João José Menescal</dc:creator>
<guid>http://aeronauta.wordpress.com/2008/01/19/sobre-o-reveillon-popular-de-fortaleza/</guid>
<description><![CDATA[Vale a pena transcrever, aqui, o texto da coluna do jornalista Flávio Paiva, publicada originalmente]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><font color="#000080">Vale a pena transcrever, aqui, o texto da coluna do jornalista Flávio Paiva, publicada originalmente no <a href="http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=500524" target="_blank">Diário do Nordeste</a> no dia 03 de janeiro. Isto porque acredito que um novo olhar sobre a cidade parte, principalmente, da mudança de paradigmas e de valores &#8211; tanto dos cidadãos como de quem a administra.</font></p>
<p><b><font color="#000080"><i>O Réveillon da Esperança</i></font></b></p>
<p><font color="#000080"><i>Entro o ano de 2008 com o coração animado e com a minha expectativa cidadã renovada. A tranqüilidade e a intensa participação das pessoas nas festas de véspera do ano-bom sinalizam que o país está mais integrado e menos injusto. Passei o réveillon no aterro da Praia de Iracema e vi de perto as famílias ceando, as pessoas se divertindo, cantando e se confraternizando, como há muito eu não via em Fortaleza.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>Depois de quase duas décadas de devastação produzida por uma estrutura política e administrativa arcaica e viciada, Fortaleza conquista o direito de ser percebida por seus habitantes e visitantes como uma cidade que tem senso de vida comunitária, postura urbana afirmativa e pessoas orgulhosas do lugar onde moram. O réveillon popular, promovido pela Prefeitura de Fortaleza, expôs uma necessidade contida de desenvolvimento de uma cultura de convivência centrada em ambientes sociais instigadores do espírito de pertencimento e de transformação.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>Percebo a expectativa urbana do fortalezense como um desejo coletivo inspirado em parâmetros humanos, mesmo em um mundo marcado pelo domínio do poder econômico e pelas disputas hegemônicas. A realização de uma festa de passagem de ano com a qualidade da que ocorreu na Praia de Iracema é uma interferência positiva de uma política pública voltada para a igualdade no uso democrático da cidade. Essa iniciativa foge do componente nostálgico e aponta o canhão de luz rumo à concretização de parte significativa do que é a essência das cidades, que é a busca da satisfação humana de convivência.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>Promover a convivência é fundamental para o reequilíbrio dos centros urbanos modernos, que são hoje grandes entrepostos de serviços e de conhecimento, especialmente os que, como Fortaleza, são agredidos pela má ocupação do solo urbano, congestionamentos estressantes, degradação ambiental, desprezo pelo patrimônio histórico-cultural e condenados pela violência resultante da fissura entre a carência e a ostentação. Ricardo Legorreta, arquiteto mexicano que tem defendido a arquitetura como uma manifestação de serviço social e que, por sua postura antipedantismo da classe, vem sendo reconhecido como um dos mais destacados nomes da arquitetura mundial contemporânea, tem dito em suas falas que a verdadeira segurança ocorre quando os vizinhos se conhecem.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>A disposição da prefeita Luizianne Lins de dar movimentação estruturada à Praia de Iracema é uma forma de vitalizar a identidade de Fortaleza. A ação de recriação desse espaço urbano, com agregação de novos cenários para ponto de encontro social e cultural, implica em indispensáveis desapropriações, que causam muitas reações, principalmente por parte dos piratas da esperteza, dos corsários do bucólico, dos saqueadores da memória e dos pilhadores de drogados e prostitutas, que vinham se beneficiando do antro de marginalidade que ajudaram a criar.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>Por um equívoco de entendimento, normalmente o poder público é cobrado para investir apenas em aplicações funcionais, do tipo hospital, escola, água e esgoto, mas investir em alegria é uma maneira inteligente de redimensionar a ação de crescimento na esfera pública. O réveillon popular faz nexo com um socialismo participativo, que se propõe a estimular o uso espacial da cidade, por parte do maior número de pessoas, inflexionando a lógica corrosiva de descarte da maioria da população, que não tem como se incorporar aos eventos dos bufês, hotéis, clubes e barracas de praia.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>A força integradora dessa ação demonstra uma sensível compreensão dos anseios sociais e fortalece a vontade fortalezense de convivência nas diferentes áreas da cidade. A reação preconceituosa quanto ao investimento no réveillon popular tem o mesmo ranço do egoísmo social que critica os carros da Ronda do Quarteirão: ´essa gente não merece esse conforto´. Recordo que uma vez ouvi do Fáres Lopes, que era um dos mais grosseiros cartolas do futebol cearense, que ele tinha sido contra a colocação de cadeiras no estádio do Castelão porque a nossa ´gentinha´ não merecia ver jogo sentada.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>Diante desse tipo de rudeza, o réveillon popular significa que está havendo uma mediação justa do poder público municipal para equalizar oportunidades de diversão em nossas contradições. Ao se tradicionalizar, o espetáculo da passagem de ano em Fortaleza tenderá a reduzir essa fragmentação entre privilégio e direito e contribuirá para dar novos parâmetros aos conflitos de ordem social e política.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>A confraternização entre moradores e visitantes da cidade reafirma a identidade de local no plano do diálogo universal. Herbert Viana colocou essa dimensão muito bem em sua fala emocionada no final da apresentação da banda Paralamas do Sucesso, ao dizer que Fortaleza é uma cidade mundializada em um país que está melhorando e onde as pessoas merecem ser felizes. A prefeita Luzianne Lins provocou a multidão perguntando se já tinha alguém feliz ali no primeiro dia do ano de 2008. A resposta dos milhares de presentes ecoou com um sim cheio de renovada esperança.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>Se o eleitor fortalezense não tivesse rompido com o modelo político totalmente refém da especulação imobiliária perversa e da megalomania degradante da minoria neoliberal que vinha comandando o Ceará, o próprio nome da cidade poderia estar em negociação com alguma multinacional. Digo isso brincando, mas com um fundo de verdade. Esse modelo de venda aconteceu recentemente nos Estados Unidos, onde a pequena cidade de Clark, no Texas, passou a se chamar Dish, por conta e interesse dos serviços grátis fornecidos por uma rede de televisão por satélite durante dez anos.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>Luizianne Lins faz um governo de arrumação da casa. Além da missão de combater a cultura de balcão de negócios no âmbito da gestão pública, o seu mandato precisa promover a integração da cidade. Para romper com a crosta de uma máquina montada para não funcionar em favor da população, indo por dentro, há sempre riscos de deslizes de conduta e de traição ao projeto, mas isso faz parte da mudança pelo processo democrático. A prefeita inicia um processo de mudança, fundado no compromisso popular, que, certamente, não deixará o nome de Fortaleza ser posto à venda. Mais dia, menos dia, a máxima neoliberal de que ´se tem grana pode comprar´, haverá de perder força para a formação de uma consciência crítica capaz de tornar a nossa dignidade inegociável.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>É comum ouvir muitas pessoas confundindo a dinâmica do sistema social, cultural e político com as necessidades básicas da população. Por isso, há sempre alguém comentando que o dinheiro ´gasto´ com a festa do réveillon poderia muito bem atender a demandas de saúde, educação e saneamento. Felizmente essa mentalidade está mudando e investir em sociabilidade começa a ser visto como ação essencial e preventiva.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>A evolução desse entendimento nos levará à busca de saídas eficazes para a melhor utilização das nossas praças e dos vazios urbanos, como espaço de integração, de tecedura da nossa memória social, espaço de troca, de encontro, de respeito às diferenças e de reconhecimento do outro.</i></font></p>
<p><font color="#000080"><i>O réveillon popular tem função aproximadora e reorientadora do sentido de cidade. Se depois da festa, as pessoas, assim como aconteceu comigo, tiverem saído pelo menos com a pergunta ´por que isso está sendo possível?´ posso dizer que esse foi o réveillon da esperança; um momento de festa que pode suscitar uma visão de Fortaleza, não somente como um fenômeno geográfico-espacial de aglomerações e apartações, mas como um modo político e cultural de ocupação dos espaços na nossa vida social.</i></font></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>

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