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	<title>contos &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "contos"</description>
	<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 01:03:06 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Misteriosos problemas no transporte da alma]]></title>
<link>http://nosnalua.wordpress.com/2009/12/22/misteriosos-problemas-no-transporte-da-alma/</link>
<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 19:17:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>Matte</dc:creator>
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<description><![CDATA[           Para os mais céticos, que duvidavam com cinismo da existência de alma humana e que julgav]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>           Para os mais céticos, que duvidavam com cinismo da existência de alma humana e que julgavam  completamente encerrada esta discussão, foi um golpe muito duro quando, em 2090, o uso de uma peculiar invenção trouxe à tona fortes indícios em seu desfavor. Tudo começou quando uma equipe de físicos e engenheiros chineses projetou um revolucionário aparelho de tele-transportes, capaz de transportar instantaneamente qualquer objeto para qualquer um de seus receptores espalhados pelo planeta. A invenção, inicialmente recebida com entusiasmo pelos habitantes da terra, em poucos meses, porém, passou a ser objeto de desconfiança, em razão de misteriosas modificações sofridas por seus usuários.</p>
<p>            No princípio, tais transformações eram tidas como meros efeitos colaterais, e era forte a esperança de que a ciência encontraria em breve a solução para estes imprevistos inconvenientes. Os estudiosos, no entanto, por mais que se debruçassem sobre grossos volumes de livros ou concentrassem esforços sobre-humanos no assunto, não conseguiam dar sentido ou encontrar razão lógica para este problema, e a humanidade, quase em sua totalidade devota aos ideais de não-crença, iniciou um crescente movimento de busca religiosa &#8211; uma revolução social espantosa, algo jamais visto desde a morte do último papa e da queda política do Vaticano.</p>
<p>            As evidências que ocasionaram tais circunstâncias, tidas como prova definitiva pelos pensadores místicos e metafísicos, estão intimamente relacionadas com a natureza deste transporte. Ele, longe de simplesmente enviar um corpo de um local para outro, efetua a complexa tarefa de copiar todos os dados de sua constituição, reproduzindo uma cópia idêntica em outro local. Seu funcionamento consiste em vários leitores-laser que escaneiam a estrutura celular, molecular e atômica do indivíduo, recriando-o no aparelho-destino, com base nos dados recolhidos pelo primeiro &#8211; mas, para que a leitura consiga obter os mínimos detalhes do corpo, é necessária a desintegração do indivíduo, resultando, como é óbvio, na morte instantânea.</p>
<p>            Advém que, se como os céticos afirmam fosse, a consciência não passasse de um emaranhado de padrões de memória armazenados num conjunto de células nervosas &#8211; naturalmente, algo indissociável da matéria &#8211; se assim, então, fosse, o trabalho de transporte realizado pelos aparelhos seria um êxito, mas a observação cotidiana comprovou que algo de muito estranho constitui as criaturas transportadas, algo que as torna muito diferentes do que eram até o instante em que entraram na máquina. A conseqüência mais comumente observada nos pacientes é um excesso de frieza, uma condição por demais autômata, sem o característico brilho humano no olhar. Notou-se, também, a ausência da variação de estados de espírito, sendo que as vítimas, antes sujeitas a comportamentos variáveis de acordo com as vicissitudes do humor, passavam a se comportar de maneira robótica, realizando gestos e movimentos calculados com precisão.</p>
<p>            Tornavam-se, aparentemente, criaturas invariáveis, portanto desabitadas, não-humanas, sem vida;</p>
<p>            E perdiam qualquer noção do que quer que fosse bom, mal, moral, imoral, ético ou antiético. Agiam de forma a continuar existindo, com nítidas intenções de prosperar, sem demonstrar, porém, maiores emoções.</p>
<p>            Mas se, assim como os céticos afirmam, nada há que não seja matéria, então estes estranhos sintomas não deveriam ser observados. Se toda a consciência, a idéia do &#8220;eu&#8221; e a vida de uma criatura estivessem associadas às células nervosas de seu organismo, então uma cópia idêntica seria suficiente para que o novo homem possuísse a mesma vida que possuía o original &#8211; e, assim, chamá-lo-íamos um só! &#8211; o segundo, obviamente, ressurreição do primeiro. Porém, parece claro agora que a consciência de um homem depende de outra  entidade, por sua vez imaterial, sua essência, ou alma, que aparentemente se perde durante o processo, por ser impossível sua detecção por aparelhos destinados a perceber e interagir apenas com o material.</p>
<p>             Envolta nestes tantos mistérios, o &#8220;mal da alma&#8221;, como ficou conhecido, foi um acontecimento que animou os religiosos e místicos para continuarem suas buscas, mas deixou desconcertados uma infinidade de filósofos e cientistas inclinados a não relevar o sobrenatural. Muitos tentaram criar teorias amenizando o abalo em suas convicções, mas as evidências eram fortes demais para conter o avanço de misticismo que se apoderava do planeta. Várias religiões novas surgiram, a maioria reciclando crenças espíritas ou zen-budistas, necessárias, segundo os seguidores, para alimentar o novo corpo recém comprovado que nos habita.</p>
<p>            Um grupo de descendentes de índios chilenos fundou uma seita que sustentava, aos que haviam sido submetidos ao transporte, a promessa de criar uma nova alma para seus corpos, através da manipulação dos 4 elementos. Reuniam-se em locais de belas paisagens, e submetiam os vitimados &#8211; que consentiam, indiferentes &#8211; a rituais teatrais muito extensos e exagerados. A eficácia é motivo de controvérsias, pois, apesar de depoimentos favoráveis de ex-desalmados e de uma mudança positiva em seus comportamentos, nunca poderemos provar a existência ou não de uma alma em um corpo que não é o nosso.</p>
<p>            Uma outra religião, dissidente desta última e um pouco mais sombria, acreditava que a matéria prima para a criação de uma nova alma só poderia ser encontrada no espaço-sideral, e fundaram sua sede em um local que, por não possuir atmosfera, era riquíssimo na presença de &#8220;éter&#8221;, um conceito recuperado dos antigos alquimistas.</p>
<p>            Este local era a lua.</p>
<p>            Os _______, como costumavam chamar-se, realizavam seus cultos e rituais numa fazenda muito próxima à nossa, no segundo quadrante, lado claro da lua. Víamos, da janela da casa e por entre os grossos vidros de nossas estufas, as luzes de tochas e fogueiras que acendiam para confabular com os deuses.</p>
<p>            Nunca nos interessamos por eles, apesar de meu irmão mais velho ter sido uma vítima da doença em questão.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Oli no bar ]]></title>
<link>http://blogdobah.wordpress.com/2009/12/21/oli-no-bar/</link>
<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 00:11:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>blogdobah</dc:creator>
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<description><![CDATA[A de se pensar como as pessoas, agem consigo mesma quando estão em locais de bem com ela mesmo, segu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>A de se pensar como as pessoas, agem consigo mesma quando estão em locais de bem com ela mesmo, seguindo está idéia, lhe convido a uma ida ao famoso bairro da boemia na cidade de São Paulo, a aqueles que pensaram na charmosa Vila Mariana que anotem um ponto para o particular de seu ego.</p>
<p>Lá esta ela sentada sozinha em uma pequena mesa de alumínio, sentada de maneira discreta porem confortável em uma mesa de cadeira que apenas, das que se encontra apenas neste boteco italiano, como a tradição manda. Ela toma um vinho não que seja alcoólatra definitavemente ela não é, sozinha sim porem não solitária pelo contrario sempre rodeada pelos amigos bons e ruins, afinal não nem tudo é rosas. A saborear uma porção de salame de maneira com que o cheiro das iguarias no tempero domine o local.</p>
<p>Enquanto saboreia de maneira calma e delicada a massa, e curte atmosfera boemia do ambiente, puxa uma caneta da bolsa, separa um guardanapo e escreve frases soltas que serão usadas em suas próximas composições e criações.</p>
<p>“Efêmera”. Escreve. Mas esquece o acento circunflexo, propositalmente. Gosta de brincar com a língua – a portuguesa e a outra. No bar há um som não identificável, porém bom. Em meios as conversas soltas no bar a garçonete lhe chama a atenção. “Essa da foto morreu em um acidente esta semana”, em tom professoral, por impulso ou curiosidade ela se levanta e vai ver a foto na parede, o bar é famoso por colocar fotos de seus freqüentadores fiéis nas paredes.<br />
Parou, olhou a foto. Voltou a sentar-se. E pensou: “Por que essa necessidade de ser imortal?”. A moça da imagem. Os nomes nas paredes. “Quem se importa?”, refletiu. De algum modo aquilo mudou algo nela. Pensava na moça. Nas outras pessoas cujas fotos lá estão. Na vida que teriam. Nas vezes em que choraram. Nos “Eu te amo” que disseram ou se calaram.</p>
<p>A garçonete que acompanhou ela até sua mesa, permanece ali, o movimento está tranqüilo naquela noite de segunda feira, mais algumas frases são escritas no guardanapo, até que entre goles de vinho o silêncio é quebrado pela garçonete carismática com traços fortes.<br />
“Está vendo este senhor?”</p>
<p>“Sim”</p>
<p>“Há horas que procura uma foto dele com alguém, alguns falam que é de uma &#8220;molher&#8221;.&#8221; solta ela com sotaque que não lhe nega as raízes de sua origem..“É comum também pedirem para apagar nomes”, completou. “Algumas moças escrevem nomes de namorados e depois pedem para apagar, vêm aqui com outros pares e pedem a substituição“</p>
<p>Mas está última frase ela não prestou atenção pois pensava em tudo ali em volta em como era estranho beber ali vez ou outra e não ser tocado pela vida que se escondia atrás do papel fotográfico tamanho médio. Sentiu medo. Ela deu-se por satisfeita. Bebericou outro gole. “Nada é para sempre”, anotou. Era a frase.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Teu Nome ]]></title>
<link>http://blogdobah.wordpress.com/2009/12/21/teu-nome/</link>
<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 00:09:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>blogdobah</dc:creator>
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<description><![CDATA[O silêncio dos teus passos Sapatos no quarto de tentos Tempos sempre no segundo exato Silêncio no fi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>O silêncio dos teus passos<br />
Sapatos no quarto de tentos<br />
Tempos sempre no segundo exato<br />
Silêncio no fim dos pensamentos</p>
<p>Vozes, velozes, insanas e agudas<br />
Agulhas machucam meus desejos<br />
Ansejos dos sons na devida altura<br />
Vozes, suaves, veladas nos beijos</p>
<p>Mistério, fuga, suga minha paz<br />
Atrás de algo que me consome<br />
Rompe-se o equilíbrio, algo sagaz<br />
Devora-me e eu pergunto teu nome</p>
<p>Emoção, na loucura dos tempos jais<br />
Jamais sentirei a boca fria<br />
Escorria o mel, do fel no cais<br />
O silêncio dos passos fugia</p>
<p>Amarre-me a boca e feche minha mente<br />
Semente plantada na luz da ausência<br />
Demência acometida por agulhar e suor<br />
A dor que não chora, só responde. Amor.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Carta de um mau humorado a quem realmente importa ela, ou seja não leia ]]></title>
<link>http://blogdobah.wordpress.com/2009/12/21/carta-de-um-mau-humorado-a-quem-realmente-importa-ela-ou-seja-nao-leia/</link>
<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 00:05:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>blogdobah</dc:creator>
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<description><![CDATA[Eu não gosto de ninguem, frase eternizada pelo Matanza que tanto uso, em dia fora de minha rotina vo]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignleft" title="OgAAAPUUJPl7avJZr9Or4A2mUZlrmdsihDNtFntQrCCPDVCOGM0Ddl9s1nTTQmPe3jEdB32LZEj_893Fnzh1TLaBkBkAm1T1UOFVi78vL4ftWyclYX99AmdM3nzR" src="http://blogdobah.wordpress.com/files/2009/12/ogaaapuujpl7avjzr9or4a2muzlrmdsihdntfntqrccpdvcogm0ddl9s1nttqmpe3jedb32lzej_893fnzh1tlabkbkam1t1uofvi78vl4ftwyclyx99amdm3nzr.jpg?w=300" alt="" width="300" height="225" /></p>
<p>Eu não gosto de ninguem, frase eternizada pelo Matanza que tanto uso, em dia fora de minha rotina vou escrever sobre mim para alguêm não tentem entender afinal não é para vocês.<br />
Nunca me considerei um bom amigo m<a href="http://blogdobah.wordpress.com/files/2009/12/ogaaapuujpl7avjzr9or4a2muzlrmdsihdntfntqrccpdvcogm0ddl9s1nttqmpe3jedb32lzej_893fnzh1tlabkbkam1t1uofvi78vl4ftwyclyx99amdm3nzr.jpg"></a>uito menos um bom namorado( último que faço questão de não ser), embora vocês fieis seguidores desse blog desatualizado que continua a dar 200 visitas, venham me falar que sou um bom amigo. Bom não sou o cara que vai contar como realmente estou, raramente tenho esse tipo de conversa. Como falo sou o amigo de bar, de balada que vai falar de mulher, beber que nem gente grande e agitar o seu churras e depois voltar a minha vida que tanto amo de não me envolver muito. Pois para muitos sou assim, mas sempre tem a meia duzia de pessoas que me faz não ser engraçado que me faz querer se envolver a algumas paginas a mais.</p>
<p>Dias passados me lembrei de como era minha turma da escola, absolutamente eu não era nem de longe o cara mais popular e não andava mal falava com os &#8220;populares&#8221; da escola afinal odio mortal a esses malditos que andam na moda from gueto e mal sabem falar. Mas na escola que tanto rezei para acabar, eu era um merda tinha um caderno de uma materia para todas as aulas e normalmente não abria ele. E foi la que eu encontrei duas das seis pessoas que me fazem não ser o cara que sou no role, ironicamente são as duas pessoas que menos vejo na minha rotina, a vida é uma bosta trabalho, treino, amigos novos isso muitas vezes acaba lhe tirando de perto de certas pessoas que você em estado sobrio não as tiraria de seu caminho como pedras.</p>
<p>Umas dessas duas pessoas a que menos vejo que não faço questão nenhuma de gritar o nome para que os curiosos saibam, entrou por ultimo na sala de aula e com ela formamos um trio, anti-social e bebado que fazia o minimo de lição possivel, mas riamos as seis aulas, falavamos tanta coisas absurdas que me faz rir sozinho, nas noites de nostagia como frases &#8220;Santo Andre só tem puta de respeito, Você já deu para um cavalo&#8221; etc. ou apenas escrever meu nome de maneiras estranhas. Voltando a pessoa que entrou por último naquele inferno chamado escola, falar a verdade nem ligava pra ela no começo mas seu modo de ser, extremamente chata, sem educação, mas ao mesmo tempo amiga e verdadeira, me tornou fã dela, ai vão falar que esse papo não existe que estou falando isso porque está no texto, a quem pensou isso pau no teu cu, lembre-se sua mãe sentiu dor para ter você então você já é um merda e não tenho que perder tempo com você.</p>
<p>De amiga de escola, foi se tornando amiga pessoal, e hoje como o outro ser que estudou comigo considero que os dois tem praticamente a mesma pinga que tenho correndo nas veias, sempre falo que amor é igual a perca de tempo, essa infeliz não pensa assim, um dia a convenço da minha teoria. Muitas vezes eu a odeio, odeio essa minha mania de querer saber como ela está se brigou com o namorado, se algo de estranho aconteceu, para minha sorte esse odio passa quando se prova que nada aconteceu.</p>
<p>Aos que querem saber por que eu ligo pra ela, oque essa pessoa tem não é a sua beleza, nem suas piadas que me fazem querer ser amigo dela, e sim seu carater e sua maneira de pensar. Se com você não sou a pessoa que sou nesse texto, sinto muito, ou melhor não sinto nada se um dia vc eu te considerar assim fique feliz se não foda-se eu não gosto de ninguem! Escrevi esse texto mal humorado mesmo, ia escrever uma poesia pois iria ficar mais sentimental e melhor pra falar de amizades mas na hora eu li que a poesia alimenta a alma, alimento de alma é o caralho se essa porra alimenta-se alguem na Africa ninguem ia passar fome, mas eu não mandaria minhas poesias pra eles não que eu as ame apenas por motivos logicos não os salvarias&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.A pessoa dedicada ao texto espero que tenha gostado a está sim eu digo &#8220;Eu não gosto de muitas pessoas mas vc esta no grupo que considero&#8221; aos curiosos não vao entender nada entao vão se foder.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O dia em que eu (praticamente) passei no vestibular]]></title>
<link>http://ivansorata.wordpress.com/2009/12/17/o-dia-em-que-eu-praticamente-passei-no-vestibular/</link>
<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 01:29:25 +0000</pubDate>
<dc:creator>Ivan</dc:creator>
<guid>http://ivansorata.wordpress.com/2009/12/17/o-dia-em-que-eu-praticamente-passei-no-vestibular/</guid>
<description><![CDATA[Para ler ouvindo: No surprises &#8211; Radiohead, Feeling Good &#8211; Muse, 12:51 &#8211; Strokes, ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><em>Para ler ouvindo:</em> No surprises &#8211; Radiohead, Feeling Good &#8211; Muse, 12:51 &#8211; Strokes, , Jigsaw Falling in The Place &#8211; Radiohead, Superstar &#8211; Sonic Youth, Enjoy the Silence &#8211; Depeche Mode, Invincible &#8211; Muse e Lost Coastlines &#8211; Okkervil River.</p>
<p>(Sim, é uma porrada de música, mas são todas a que me refiro no texto)</p>
<p>Ahh, que dia lindo! Acordei às 6 e 20 da manhã, ao agradabilíssimo som de &#8220;No Surprises&#8221;, do Radiohead. Tão agradável foi acordar que o fiz novamente às 60 e 40, 70 e 05, 7 e meia, 8 horas e finalmente, às 8 e meia já estava mais do que satisfeito. Não seria um dia comum, eu sei. Coloquei minha calça jeans preta desbotada, Allstar vermelho e camiseta de mangas compridas vermelha com listras pretas.</p>
<p>Saí de casa feliz, alegre e contente. O dia de sol com temperatura amena estava perfeito. Estava sorrindo para todos, cantarolando <em>Feeling Good</em> que tocava no meu celular. Cumprimeitei motorista e cobrador ao entrar no ônibus ecomecei a pensar no porquê de tanta felicidade.</p>
<p>A resposta viria quando eu chegasse no cursinho. Todos comentavam com expectativas que o restultado da primeira dase da UNICAMP, o vestibular mais desejado por mim e a maioria dos estudantes, seria anunciado na hora do almoço. Agora tudo fazia sentido em minha vida! Estava sentindo que viriam boas notícias nos próximos capítulos.</p>
<p>Passaram-se as aulas. No começo da última aula vem a notícia: saiu o resultado! Não queria mais saber de física, eu queria era sofrer uma aceleração e um deslocamento até minha casa. E foi o que eu fiz. No ônibus de volta todos estavam felizes. O motorista, alegre; o cobrador, educado. Havia um lugar especialmente para mim ao lado de uma senhora muito simpática e no banco da frente alguém com aproximadamente a minha idade recebia a notícia da aprovação. Pensei comigo mesmo: Daqui a pouco vai ser a minha vez.</p>
<p>E foi com esse pensamento que desci do ônibus, cantando e dançando internamente <em>12:51</em>, aproximadamente a hora que marcava no relógio. Subi feliz da vida as escadas para meu quarto, liguei o computador, entrei no site da UNICAMP e lá estava o meu nome, escrito embaixo, com letrinhas piscando &#8220;aprovado para a segunda fase&#8221;. Minha alegria crescia exponencialmente, conforme descobria que meus amigos também haviam sido aprovadas. Desde o japonês prestando medicina ao chinês prestando engenharia mecatrônica, passando pelo escritor que quer ser físico e a engenheira química com falta de confiança e apendicite. Todos passaram.</p>
<p>Não podia passar a tarde em casa! Precisava aproveitar todo esse júbilo! E foi o que eu fiz. Peguei meu cartão da conta de minha mesada (que já estava toda comprometida) e fui ao shopping comemorar. No caminho,meu celular parecia conspirar, mandando apenas músicas boas, como <em>Jigsaw Falling in the Place, Superstar, Enjoy the Silence, Invincible e Lost Coastlines</em>.</p>
<p>Chegando no chopping fui fazer uma coisa que queria há tempos: tomar um bom Chopp. E foi o que eu fiz. Nem mesmo o pagode péssimo que tocava no quiosque estragou meu bom humor, pois a música do celular estava ótima. Era engraçado ver como existiam pessoas diferentes passeando pelo shopping naquela tarde ensolarada. Amigos bebendo, pais e filhos, casais, pessoas trabalhando, todos pareciam passar e me saudar. No caminho para a livraria recebi um ótimo presente do Universo, que sempre conspira para as pessoas bonitas (e auto-confiantes), um livro, <em>Pride and Prejudice and Zombies.</em> No cimema, recebi um ótimo presente do Universo Mágico dos filmes, que foi muito bem retratado por Pedro Almodóvar, o filme <em>Los Abrazos Rotos.</em></p>
<p>Ahh, ótimos presentes, um ótimo dia, uma ótima vida.</p>
<p>Eu mereço, porque hoje eu (praticamente) passei no vestibular.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sonho Louco nº1]]></title>
<link>http://ivansorata.wordpress.com/2009/12/15/sonho-louco-n%c2%ba1/</link>
<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 22:08:18 +0000</pubDate>
<dc:creator>Ivan</dc:creator>
<guid>http://ivansorata.wordpress.com/2009/12/15/sonho-louco-n%c2%ba1/</guid>
<description><![CDATA[Era um dia de glória! Finalmente o Metallica voltaria a tocar no Brasil. A Prefeitura de Campinas es]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Era um dia de glória! Finalmente o Metallica voltaria a tocar no Brasil. A Prefeitura de Campinas estava tomada por metaleiros dos mais diversos tipos. Cabeludos grandões com cara de mau e tr00; góticas com longos vestidos e espartilhos que deixavam suas cinturas mais finas que minha perna e alguns perdidos como eu: Já tiveram um passado from hell, hoje em dia vagam por vários caminhos, mas ao ouvir um riff de guitarra mais pesado já começam a headbangear com a maior felicidade.</p>
<p>Eu estava feliz da vida. Esperava muito para ver esse show e no momento estava indo até o camelô. Não me pergunte o porquê, eu estou sonhando. Estava parado na esquina da Benjamin Constant com alguma rua que não vem ao caso. Eis que escuto uma voz feminina:</p>
<p>- Moço! Você sabe onde passa um ônibus?</p>
<p>Super solícito, vou responder. Confesso que demorei um estante para entender, devido a seu sotaque nordestino e aproveitei para prestar atenção nela. Diferentemente do que esperava, não era uma mulher normal.  Tinha tamanho normal, cabelo encaracolado normal, vestia uma blusinha vermelha de alça normal, uma calça jeans normal, uma bota normal, uma corrente com um pingente normal, mas tinha um ar estranho. Parecia algo de outro mundo.</p>
<p>- Claro, pra onde você quer ir?</p>
<p>-Eu quero um ônibus para suácâma. Quase ninguém me mostra onde “pegar”.</p>
<p>Por um instante pensei: É, realmente nunca ouvi falar nesse bairro&#8230; Sua mula!! Ela quer te comer!! (sim, é a mulher quem come. Afinal, é nela que se introduz&#8230; Ah, vocês entenderam&#8230;). Nessa hora, ativei meu modo de “desentendido” e falei na cara dura:</p>
<p>- Eita, também não sei. Acho melhor você perguntar a outro&#8230;</p>
<p>Nesse instante ela já tinha se aproximado de mim. Mantive-a longe usando meu antebraço, como se tivesse um escudo nele, sabe? Então, foi tipo assim.</p>
<p>-Não se preocupe moço. Também sei como ir a lugares como minha cama, ou a motéis.,,, &#8211; Disse, já com uma voz normal, firme e sedutora.</p>
<p>Tentou me beijar. No mesmo momento a empurrei e comecei a andar apressadamente.  Ela, que me acompanhava, não andando, mas voando, planando. Suas vestes passaram a se modificar, seus cabelos parecem ter crescidos, sua blusa parece ter mais bordados, suas mãos parecem estar cobertas por luvas pretas de renda que antes pareciam não existir, parecia usar uma saia longa, bufante, de tule que parecia não existir, suas botas pareciam ter virado coturno e seu pingente parecia um pentagrama. Ela parecia o capeta, pronto, falei.</p>
<p>- Sai capeta! Tenho coisa mais importante para fazer.</p>
<p>- Mais importante que eu, meu amor? Você disse que me amava. Não me abandone!! – gritou, aquela maluca, fazendo um grande escândalo para todos os presentes naquele fim de tarde, já no mercadão.</p>
<p>Comecei a correr. Ela agarrou meu braço, não conseguia me soltar, tentava fugir, ela me segurava novamente. As pessoas ao redor desapareciam conforme o sol se punha, parti para a violência, torcia seu braço e ele parecia ser feito de borracha, dando voltas e voltas e depois voltando ao normal. Ela não soltava de mim, quanto mais eu corria, mais rápido ela planava.</p>
<p>- O que é você mulher? Olha, ali tem um ponto de ônibus, tem outro homem lá, vai lá conversar com ele!</p>
<p>Aquele senhor de idade do ponto de ônibus me salvou. Foi perguntar se nós precisávamos de ajuda e ela voou subitamente nele, derrubou-o no chão e o que aconteceu depois, só meu subconsciente sabe.</p>
<p>Já era de noite. Lembrei-me que como estava sonhando, podia voar (É, todo sonho meu eu sei voar. Não faz sentido, eu sei, mas eu estou sonhando). Voei, voei, o mais rápido que podia. Minha cabeça ardia com todo aquele esforço que o vôo pedia. Vi minha luz no fim do túnel,  dentro de uma casa. Um videogame. Era só eu salvar o jogo e me teletransportar para a casa (mais uma vez repito: estou sonhando, não faz sentido). Entrei pela janela, coloquei um cartucho de Super Mário em um N64, estava prestes  a ligá-lo quando ela aparece, soltando bolas de fogo e controlando morcegos. Eu fazia o que podia, voava e conjurava barreiras, já estava exausto, queria dormir&#8230;</p>
<p>Dormir! É isso! Estou sonhando! Vou acordar em 3, 2, 1&#8230; foi!</p>
<p>“<em>No alarms and no surprises please”, </em>dizia meu despertador&#8230;</p>
<p>- Ufa! Que sonho louco!</p>
<p>E assim começa maisum dia louco de minha vida&#8230;</p>
<p><em>Escrito numa sexta feira 13 de novembro de 2009, durante uma aula de literatura. Baseada num sonho que tive na noite do mesmo dia, devido às influências de ter lido um conto kafkiano com uma mulher exatamente igual e ter assistido Garota Infernal.</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[DE DESPEDIDAS...]]></title>
<link>http://manuelalves.wordpress.com/2009/12/11/de-despedidas/</link>
<pubDate>Fri, 11 Dec 2009 13:08:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuelalves</dc:creator>
<guid>http://manuelalves.wordpress.com/2009/12/11/de-despedidas/</guid>
<description><![CDATA[“Tuas palavras me conquistaram. Suas promessas me iludiram. Suas infidelidades me marcaram. Mas você]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><strong><em><a href="http://manuelalves.wordpress.com/files/2009/12/35fda2431a90bb8fa3d66f580258af894aa58e5c.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-364" title="35fda2431a90bb8fa3d66f580258af894aa58e5c" src="http://manuelalves.wordpress.com/files/2009/12/35fda2431a90bb8fa3d66f580258af894aa58e5c.jpg?w=199" alt="" width="230" height="429" /></a></em></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><strong><em>“Tuas palavras me conquistaram. Suas promessas me iludiram. Suas infidelidades me marcaram. Mas você é o único que me deu todas estas emoções e não permitiu que eu sofresse por outras paixões!” </em></strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong><em>Selma Avellar</em></strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Esse clima todo de final de ano nos deixa paranóicos quanto a idealização e concretização de metas para o ano seguinte. E como qualquer mortal, comecei a fazer uma lista das coisas que almejo. De repente, me dei conta de que o meu primeiro item da minha lista é te esquecer. Não que ainda goste de você, mas essas lembranças que me invadem quase todos os dias precisam parar de me assombrar. É algo que não tenho nem como denominar. Não é saudade. Não é amor e nem paixão. Não é sequer tristeza ou mesmo solidão. São lembranças que nunca me acrescentam nada. Apenas flashs de coisas ou momentos que me remetem a um passado já tão distante. Preciso te esquecer para não ser taxada como louca, ao caminhar na rua, sorrindo sozinha, após ver escrita em um muro qualquer, uma fase que em outros tempos seria tão sua. Preciso te esquecer para não chorar como um bebê ao final de filmes água com açúcar, em que o felizes para sempre me deixa tão chateada. Preciso te esquecer para provar a mim mesma que a escolha pela felicidade é sempre a meta a ser cumprida. Para me entregar mais aos desafios, sem medo de errar e acreditar nas promessas que me fazem, sem medo de me enganar. Olhar nos olhos das pessoas sem medo de me apaixonar e sorrir para quem me deixa feliz, sem medo de me libertar. Abandonar as palavras tristes e me dedicar a escrever só a bem-aventurança. E poder construir novas listas, com novos desejos e a certeza da realização de cada um deles. Na minha lista, não vai ter um segundo item, para que eu possa me dedicar profundamente ao êxito de te esquecer. Porque você não foi o meu veneno, nem as minhas lágrimas. Mas também não foi o meu elixir ou o meu sorriso. Você foi apenas alguém que passou, deixou muita nostalgia e não levou nenhum sentimento. Foi o melhor e o pior de mim. E deixou fantasmas que precisam ser exterminados para que eu possa voltar a viver.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O corpo mergulha]]></title>
<link>http://noite.wordpress.com/2009/11/30/o-corpo-mergulha/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 21:28:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>noite</dc:creator>
<guid>http://noite.wordpress.com/2009/11/30/o-corpo-mergulha/</guid>
<description><![CDATA[Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=mergulho&amp;page=2 Magister.  Magistério.  Cathedra.  Cátedr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><a title="Série Mergulhos 1 por berega" href="http://www.flickr.com/photos/berega/3263476989/"><img src="http://farm1.static.flickr.com/197/3263476989_f7ab6a5621_m.jpg" border="0" alt="Série Mergulhos 1 por berega" width="240" height="180" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Fonte: <a href="http://www.flickr.com/search/?q=mergulho&#38;page=2">http://www.flickr.com/search/?q=mergulho&#38;page=2</a></p>
<p style="text-align:justify;">Magister.  Magistério.  Cathedra.  Cátedra.  Council.  Conselho.  Aconselhamento.  Aconselhar. Dizer. Ele disse que. He said that she&#8217;s sick. Doente. Ela está doente. From what? Do que? Da melancolia, do não-sentido, do não configurar-se, do esquecimento, da memória. Ela esqueceu do que não poderia, do que não queria. Ficara ali, olhando o relógio. O tempo transitava. Dizia, a cada momento, ele mesmo, o autofágico, de sua morte, de seu desaparecimento. A angústia do tempo trazia sombras. Cinzas. Recordações do que procurou entender, mas não conseguiu. O entendimento, o conhecer se transforma assim em fragmentos, em fímbrias não tocáveis; ninguém o condena nem coordena, apenas roga-se-lhe que se entregue de modo fugidio, se requer um mínimo de atenção. Ele, o conhecimento sorri, anjo desnudo a deixá-la assim, morna, com um quê de desapontamento, uma inquietude típica de quem não aprendeu, não apreendeu, de quem implora, de quem se submete. Ele sorri.  Os anjos sorriem. <em>The shadow of your smile.</em> <em>Clowns</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Magister. O anjo circunda a sala, observa, flui sobre si próprio. Cabeças brancas e negras, jovens, menos jovens se inclinam sobre as classes, tentam decifrar, reter, entender o que ali se põe como um oráculo. Esmiuçar, buscar a alternativa, enquanto o anjo brinca com o tempo. Ali, naquela clausura apertada, entre estreitas paredes, na sala de aula prisão, ela aguarda, entre um catre desconfortável e uma mesa de amianto. O tempo flui, o anjo percebe o instante em que ela decide uma definição e em que, por conta própria resolve navegar, enfrentar o desconhecido, aprumar a mudez do corpo e a convicção da alma. Ela decide aprender, por si, o que dela outros supunham ser seu sacrifício.</p>
<p style="text-align:justify;">O corpo, a altiva fronte quer agora arriscar-se, infletir sobre si mesma, pensar o simples, o complexo, o parvo, o irredutivel. Tudo de uma vez, mas com calma. Diriam os tolos que ela queer simplesmente aprender, saber; os mais sábios, contudo, se comprazem em admitir que ela meramente cansou da sua mesmice, da sua falta de opções. Não suportou mais ser da canga, objeto. Livrar-se de suas miçangas, máscaras, apoios, conselhos, livrar-se das amarras. Desnudar-se e estando nua, experenciar uma pele nova. Descascar-se a si mesma para recriar-se apenas com o que de melhor possa ter, possa expor. Obliterar-se da pele obscena da escravidão que se vive de modo tão natural e tão intensa que a achamos vívida como uma única opção, um único destino. Ali, naquela sala-presídio, ela quer reconhecer a si mesma como capaz de meergulhar, de afastar de si a letargia, a preguiça, a modorra, a desconfiança que, durante tanto tempo a tornouo refím dos outros, da vida, das circunstâncias, das conveniências, do que se esperava que ela dissesse, fizesse, comentasse e do seu comportamento tão claramente narcisista.</p>
<p style="text-align:justify;">Sabe ainda que seus movimentos serão lentos, que os músculos das pernas, que os tendões talvez não sejam tão rápidos nem tão fortes quanto gostaria, para iniciar a jornada e que seu arco de respiração a reterá mais do que gostaria, pelo menos no início da aventura. Reflete, desconsolada e medrosa, que deverá ainda presenciar sua vontade se partir inúmeras vezes e desconsolar-se mais tantas, até que possa renascer em si mesma como feniz, ave milagrosa das migrações da alma. Deseja, quer, contudo, arriscar-se, enfrentar obstáculos e derrubá-los, um a um, contorná-los se preciso for, mas, ao fim e ao cabo, ser outra sendo ela própria.  Defesa contra os véus da ignorância e de suas malhas tão convenientes quanto insalubres. <em>Curriculum</em>. Arco de uma corrida, passos incertos, mas ainda passos, cada vez mais fortes. Músculos e nervos em conteúdo de busca fremente. Infla seus pulmões, curva-se como uma flecha a ser disparada. O olho esquerdo e o olho direito querem agora um ponto de equilíbrio, um caminho entre o desejo e sua satisfação.</p>
<p style="text-align:justify;">O anjo, um pouco ali, um pouco adiante revoluciona e torna sobre si mesmo. Há em tudo uma suave simetria, uma suave nesga de luz deixada pelo tempo. O anjo, por ser anjo, e por ser educado, compreende que não há educação sem que haja, em cada um, o espírito do artífice, a cumplicidade da artesania. Cunhar a si mesmo, refazer-se como uma borboleta, antes casulo, como uma águia, antes tão-só ave, como um dia, que já fora o véu da noite e como noite, que já fora a poesia da indústria. O ciclo do aprender exige cautela, perícia, perseverança, amorosidade. O anjo, educado e educador, promessa e avis-rara já se foi. As primeiras luzes se acendem. Noites, primícias, estações de vento. Algo para lembrar, cheiros e decisões tomadas em meio à incerteza.</p>
<p style="text-align:justify;">O mundo, talvez daqui a pouco, talvez antes, inflete sobre si mesmo ou ainda no universo. Universo. Universitas. Prime. Magister. Cathedra. Cognitio. Cognição. Há em tudo sombras difusas, há expectativas, anjos que conhecem brincando de rodas. O corpo se arqueia e finalmente mergulha.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[OMNI: Conto - A princesa dos cabelos coloridos (infantil)]]></title>
<link>http://guerrasdraconicas.wordpress.com/2009/11/30/omni-conto-a-princesa-dos-cabelos-coloridos-infantil/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 21:12:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>rsemente</dc:creator>
<guid>http://guerrasdraconicas.wordpress.com/2009/11/30/omni-conto-a-princesa-dos-cabelos-coloridos-infantil/</guid>
<description><![CDATA[Olá galera, para que hoje não fique sem nenhum post aqui vai um conto que escrevi no final de semana]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div>
<div>
<p><img class="alignright" src="http://guerrasdraconicas.files.wordpress.com/2009/06/iniciativa-mem.jpg?w=142&#038;h=118#38;h=118&#38;h=118" alt="" width="142" height="118" /></p>
</div>
</div>
<p style="text-align:justify;">Olá galera, para que hoje não fique sem nenhum post aqui vai um conto que escrevi no final de semana, influenciado pela minha meia irmãzinha, um conto de ficção cientifica infantil!</p>
<p style="text-align:justify;">Boa leitura, e comente dizendo se ficou bom quem sabe contando para seus filhos!</p>
<h3 style="text-align:center;"><strong>A princesa dos cabelos coloridos</strong></h3>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Era uma vez um planeta chamado Kerendil, reinado pelo Rei Andur e pela Rainha Anlara.</p>
<p style="text-align:justify;">Há anos o povo esperava por descendente do rei e da rainha, quando finalmente tiveram uma noticia que uma bela princesinha tinha nascido.</p>
<p style="text-align:justify;">A princesinha possuía uma característica incomum: Seus cabelos eram verdes!</p>
<p style="text-align:justify;">É claro que aquilo encantou a todos, e assim ela foi chamada de Esmeralda.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Esmeralda cresceu feliz, e seus cabelos verdes encantavam a todos que a achavam uma verdadeira jóia do planeta Kerendil.</p>
<p style="text-align:justify;">Com o tempo as mulheres do planeta, maravilhadas com os cabelos de Esmeralda, pintavam seus cabelos para serem parecidas com a princesa.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto ia crescendo Esmeralda foi observando cada vez mais pessoas do planeta iam ficando com o cabelo verde como o dela.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois das mulheres, foram as garotas adolescentes, com vários tipos de verdes.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois das adolescentes foram os garotos adolescentes, com mechas verdes de todos os estilos.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://guerrasdraconicas.wordpress.com/files/2009/11/rainbow_princess_by_gabbyd70.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-4235" title="Rainbow_Princess_by_gabbyd70" src="http://guerrasdraconicas.wordpress.com/files/2009/11/rainbow_princess_by_gabbyd70.jpg" alt="" width="209" height="287" /></a>Quando ela completou 15 anos Esmeralda possuía belos e grandes cabelos, que quando soltos chegavam aos seus calcanhares.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas metade do planeta possuía algum tipo de cabelo verde, inclusive as crianças, que mesmo não desejando tinham seus cabelos pintados por suas mães, de cabelos também verdes.</p>
<p style="text-align:justify;">Esmeralda então ficou triste de ver que não era mais tão diferente e especial, pois agora todas as mulheres e homens podiam ter cabelos iguais aos seus.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Esmeralda “dos cabelos verdes” então pediu que o capitão real a levasse na bela nave real, de planeta em planeta, para que encontrasse novas cores para pintar seus cabelos.</p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro planeta que pararam possuía um grande mar Azul como o céu, ela então começou a colocar seus grandes cabelos naquela água e os tingiu até a raiz de azul.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas quando colocou seus cabelos até a raiz um tubarão daquele planeta abocanhou parte do seu cabelo, deixando-o um pouco menores.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Ela então voltou para Kerendil com os seus cabelos azuis, mesmo que agora eles batessem na altura de seus joelhos, fizeram o povo se maravilhar mais uma vez.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não demorou muito para que eles trocassem a cor de seus cabelos de verde para azul.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais uma vez triste, Esmeralda “dos cabelos azuis” viajou novamente para um novo planeta, dessa vez encontrou um lago de cor laranja.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela colocou os cabelos dela novamente até a raiz, mas sentiu que os cabelos quando tocaram o fundo do lago, uma lama branca e fedorenta colou na ponta de seus cabelos, então ela teve cortá-las, deixando seus cabelos um pouco menores.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Chegando mais uma vez em Kerendil com seus cabelos com cor laranja, o povo achou ainda mais lindos que os azuis, o povo adorou! Mesmo que eles agora batessem na altura de sua cintura.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, mais uma vez, não demorou para que o povo tingissem suas madeixas de laranja.</p>
<p style="text-align:justify;">Esmeralda “dos cabelos laranja” aborrecida, viajou novamente para um novo planeta, onde encontrou um belo rio de cor rosa.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela colocou seus cabelos laranja no rio, eles foram lavados até a raiz pela correnteza que era tão forte que pedras afiadas atingiram as pontas de seus cabelos cortando-os, deixando seus cabelos um pouco menores.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Voltando a Kerendil com seus cabelos cor de rosas, que agora chegavam apenas um pouco a baixo do ombro, o povo achou lindo os cabelos cor de rosas da princesa.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas em menos de um dia todos já possuíam cabelos da mesma cor!</p>
<p style="text-align:justify;">A princesa Esmeralda “dos cabelos cor de rosa” estava furiosa, e partiu em sua nave real em busca de uma nova cor para os seus cabelos.</p>
<p style="text-align:justify;">Encontraram então um planeta com nuvens de arco-íris, que mudavam entre as cores do arco-íris constante mente.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela esperou então que a chuva caísse, para que pudesse tingir seus cabelos com aquela maravilhosa cor, e quando aquilo aconteceu seus cabelos ficaram lindos, brilhando com as cores do arco-íris, mas logo em seguida seus cabelos caíram, pois a chuva era acida e derrubou todo seus cabelos, e por pouco não a ferindo.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Esmeralda “Sem cabelo” mandou que fizessem rapidamente uma grande peruca com cabelos que brilhavam, e então retornou para Kerendil.</p>
<p style="text-align:justify;">Todos acharam seus “novos cabelos” lindos, mas um forte vento soprou levando embora sua peruca, mostrando o que realmente aconteceu com seus cabelos.</p>
<p style="text-align:justify;">A vergonha de estar careca foi tão grande que ela começou a chorar sem parar, e se trancou em seu quarto.</p>
<p style="text-align:justify;">Todo povo, em compaixão, cortaram seus cabelos, ficando tristes pelo sofrimento da princesa.</p>
<p style="text-align:justify;">O Rei Andur mandou que escondessem todos os espelhos do palácio, para que Esmeralda nunca mais se visse no espelho.</p>
<p style="text-align:justify;">Todos os dias a Rainha Anlara batia na porta do quarto de Esmeralda, pedindo que a filha se acalmasse, e entregando suas refeições.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas ela continuava a chorar, e por 100 dias e sem noites chorou sem parar.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas então quando suas lagrimas secaram ela pode perceber que seus cabelos haviam crescido novamente, e quando procurou um espelho não achou, correndo até uma fonte de água espelhada, e quando viu novamente seus cabelos estavam verdes novamente.</p>
<p style="text-align:justify;">O povo ainda careca então ficou maravilhado e envergonhado ao mesmo tempo, e ao olharem com cuidado viram os cabelos de cada um cresceram novamente, relembrando o quanto os cabelos de cada um eram naturalmente bonitos, independente de serem iguais a alguém importante como a princesa.</p>
<p style="text-align:justify;">A partir desse dia ninguém em Kendril nunca mais desejou ser igual à outra pessoa novamente, seja o cabelo, seja as roupas, seja o corpo, percebendo que cada um era único e maravilhoso de seu próprio modo.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Observação, todos os elementos desse conto podem ser usados no cenário OMNI.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Encontro]]></title>
<link>http://rodapedohorizonte.wordpress.com/2009/11/30/o-encontro/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 20:18:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>Bruno</dc:creator>
<guid>http://rodapedohorizonte.wordpress.com/2009/11/30/o-encontro/</guid>
<description><![CDATA[Júnior tremia enquanto esperava, sentado na mesa do restaurante no Mercado Público. Faziam doze anos]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Júnior tremia enquanto esperava, sentado na mesa do restaurante no Mercado Público. Faziam doze anos que esperava por aquele momento &#8211; desde que pela primeira vez soube que era adotado. E agora estava lá, nervoso, esperando a chegada do pai biológico.</p>
<p style="text-align:justify;">Havia tanto que queria saber! Quem era, o que fazia, como conheceu sua mãe&#8230; E, é claro, por que não quis ficar com ele. Já havia pensado muito sobre isso – talvez fosse muito jovem e irresponsável para cuidar de uma criança, ou apenas pobre demais. Talvez não quisesse filhos então&#8230; Talvez ainda não os quisesse. Podia ter atendido a esse encontro obrigado, ameaçado, sob liberdade condicional. Qualquer que fosse o caso, Júnior estava preparado: tinha já vinte e seis anos, o suficiente para não guardar rancor ou uma expectativa exagerados por alguém que sequer conhecia.</p>
<p style="text-align:justify;">Só havia uma entre todas as possibilidades que o preocupava. De tudo que o seu pai biológico poderia ser – criminoso, foragido, endividado, deficiente -, uma coisa Júnior jamais poderia aceitar: ele não poderia ser&#8230; Não, era melhor nem pensar a respeito. Era uma possibilidade real – afinal, Júnior era o que era por influência familiar antes de tudo, principalmente de um certo tio com quem freqüentemente tinha contato -, mas preferia acreditar que o pai verdadeiro seria como ele. Precisava ser – não estaria disposto a aceitá-lo se não fosse.</p>
<p style="text-align:justify;">O jovem tremia mais quando pensava a respeito. Valia a pena correr o risco? Não poderia ter esse desencanto – qualquer outro, mas não esse. Poderia viver bem com a ilusão, com a possibilidade de nunca saber, mas não com a decepção real. Talvez fosse melhor ir embora, deixá-lo esperando, e não mais dar notícias; sim, sem dúvida era melhor, pensou Júnior. Levantou e se preparou para sair, mas já era tarde: o pai estranho já o havia notado, e se dirigia para a sua mesa.</p>
<p style="text-align:justify;">O medo de enfim conhecê-lo paralizou o rapaz: cada passo mais próximo que ele chegava parecia levar séculos para terminar. Gotas de suor frio escorriam pelo corpo, até que estavam próximos o bastante para que as três cores da camisa por baixo do abrigo dele fossem reconhecidas. Gremista!</p>
<p style="text-align:justify;">Júnior suspirou aliviado, cumprimentou-o e sentou para conversar e conhecê-lo. Já não havia nada que pudesse sair errado.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ Schwarzwald - Floresta Negra.]]></title>
<link>http://finaisinacabados.wordpress.com/2009/11/30/schwarzwald-floresta-negra/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 18:18:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>abobrinhasselvagens</dc:creator>
<guid>http://finaisinacabados.wordpress.com/2009/11/30/schwarzwald-floresta-negra/</guid>
<description><![CDATA[O seu pai tinha acabado de ser transferido, tiveram de sair de Berlim no final do inverno de 1943, n]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:left;"><strong>O seu pai tinha acabado de ser transferido, tiveram de sair de Berlim no final do inverno de 1943, não sabia realmente porque da mudança, somente que seu pai fora recompensado pelo bom desempenho no exército do Füher. Era uma casa grande para eles, típica casa alemã; daquelas com piso de madeira, muitos vitrais com grades trançadas a frente forradas com hera, ele era feliz ali. Naquela casa ele podia brincar de bola, de balanço no imenso carvalho presente no seu primeiro quintal. Ganhara também um amigo de quatro patas chamado Zigeuner que quer dizer cigano, bem apropriado a ele que fora um cão de guarda medroso e sem origem, agora velho ia ser sacrificado mas comoveu o pai, as barbichas brancas tinham um contraste interessante com a suástica vermelha no seu peito. Um dia estava Zigeuner ao seu lado no balanço quando saiu em disparado na direção da cozinha da casa, mas desta vez ele latia para um emaranhado de folhas e não para a comida em lá dentro. Ele não sabia que atrás daquelas heras existia um portão para a floresta da qual seu pai o proibira de explorar. Passou por entre os ramos e viu uma  infinidade de lugares para brincar. Correndo ao lado de Zigeuner viu arames farpados, quando, escutando palavrões resolveu se aproximar, seu pijama listrado estava tod sujo, sentia sua mãe tendo um ataque ao ver ele naquele estado. Zigeuner sai em disparada, deixando-o sozinho frente a um par de soldados que apareciam do lado de fora do alambrado. Logo lhe deram um tapa na cara, agarrando lhe o pijama listrado perguntaram cuspindo na sua cara o que um judeuzinho fedido e piolhento fazia do lado de fora do campo. Não tiveram dó e jogaram-lhe por cima do alambrado mesmo, sentindo seu corpo no ar e calado pelo medo teve suas pernas e costas arranhadas pelos arames farpados, tomou a queda seca na cabeça, o arame tinha segurando suas pernas um pouco acima, os dois soldados riam inconscientemente, sentia as pernas moles e realmente quentes, a boca tinha gosto de sangue e os olhos somente viam Zigeuner escondido atrás das árvores, o nome realmente caíra lhe bem. Os dois soldados gritaram e logo apareceram mais dois agora para juntar os pedaços do menino, dizendo que daquele jeito ele merecia um banho, calado viu seu pai de costas batendo em um homem velho de pijama também , tentou gritar mas a língua caiu logo na sua frente. Como todos entrou no banho com todas aquelas pessoas de pijama, agora sem, pensou que agora que os soldados tomaram seu pijama sua mãe talvez não brigasse com ele e pensando nisso adormeceu. Sua mãe realmente não brigou com ele, hoje ela vive nua em algum lugar da floresta, seu pai grita ordens aum bando de cachorros e Zigeuner deitou-se calmo do lado do pijama e nunca mais levantou</strong>.</p>
<div id="attachment_60" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://finaisinacabados.wordpress.com/files/2009/11/631.jpg"><img class="size-full wp-image-60" title="   Schwarzwald" src="http://finaisinacabados.wordpress.com/files/2009/11/631.jpg" alt="    Schwarzwald" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">    Schwarzwald</p></div>
<p style="text-align:left;"><strong> </strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Especialidade]]></title>
<link>http://dequeladotuestas.wordpress.com/2009/11/30/especialidad/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 17:42:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>Gabe Dubard</dc:creator>
<guid>http://dequeladotuestas.wordpress.com/2009/11/30/especialidad/</guid>
<description><![CDATA[E só o que você queria era ser especial, não era? Deus, por que nós queremos ser especiais? O mundo ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>E só o que você queria era ser especial, não era?</p>
<p>Deus, por que nós queremos ser especiais?</p>
<p>O mundo é espacial, nossas vidas são descompassadas e errantes, ao nosso redor o céu gira e é colorido quando a gente quer paz, é cinza quando buscamos alguma coisa diferente.</p>
<p>É, o mundo é todo meu e só meu, ele pensou e seu medo era negro e seu modo era novo. A verdade é que nada era dele, e que tudo era dele; e a contradição era uma verdade absoluta, a única verdade que podia existir, e ele queria alcançar a galáxia inteira com sua voz, mas seu grito morria em sua garganta e suas palavras morriam na sua caneta; e mesmo assim as estrelas cismavam em continuar sua trajetória fenomenal e quente no meio do céu, embora ele não conseguisse ver, e ele queria tanto..!</p>
<p>Ele plantava no céu e colhia no mar, mas na terra ele não tinha nada, e isso lhe doía dentro do peito, e parecia que tudo ia passar por ele e ele ia ficar lá, pobre-coitado, esperando a vida passar, sonhando seus sonhos malucos em que ninguém mais acreditava, e suas esperanças tortas refulgindo na sua cabeça iluminada cuja luz ninguém podia ver, exceto ela, e só ela o fazia continuar, e ela era o todo e ele era o nada, e eles se completavam e precisavam um do outro, e juntos eles podiam ser dois juntos que só sabiam assim.</p>
<p>E ainda assim não era especial nem lhe agradava o espacial nem o temporal, só o perene e imóvel e metamorfósico e metafísico e existencial; sua última corrente era seu mais nobre e núvio pensavento.</p>
<p>E o Vento, o Mar, tudo o chamava, e se ele resistia era não mais por medo, mas por segurança.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Delirios Húngaro-Germânicos.]]></title>
<link>http://finaisinacabados.wordpress.com/2009/11/30/delirios-hungaro-germanicos/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 16:47:18 +0000</pubDate>
<dc:creator>abobrinhasselvagens</dc:creator>
<guid>http://finaisinacabados.wordpress.com/2009/11/30/delirios-hungaro-germanicos/</guid>
<description><![CDATA[Tinha bebido um pouco a mais e me lembrara dela, começei a chama-lá em voz alta pelas ruas silencios]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Tinha bebido um pouco a mais e me lembrara dela, começei a chama-lá em voz alta pelas ruas silenciosas da madrugada, fazia o barulho que queria ouvir assim como escrevo o que quero ler. Velhos passavam e condenavam a juventude embriagada, familias passavam e os pais tapavam os olhos dos filhos pequenos assustados, somente um cachorro, mais vagabundo que eu, prestava atenção e fazia cara de entender o que dizia &#8211; ele já fizera mais que você &#8211; ainda a invocava sem saber o que falava mas sabia que o som dela me era confortante. Os faróis fortes nos olhos, o chuvisco gelado na cara e eu gritando aos motoristas palavras estranhas a eles, até hoje não sei se o que gritava era seu nome ou a lingua na qual me apaixonei por você.</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/ELXcsdrlg3o&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/ELXcsdrlg3o&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p>Esse não fala de amor, mas dá pra sentir a força nas palavras magyares.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[CLARIDADES]]></title>
<link>http://prosaempoema.wordpress.com/2009/11/30/claridades/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 14:35:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>prosaempoema</dc:creator>
<guid>http://prosaempoema.wordpress.com/2009/11/30/claridades/</guid>
<description><![CDATA[queridas pessoas,   os estilhaços de azul por entre as nuvens pertinazes, hoje, no rio de janeiro, m]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div>queridas pessoas,</div>
<div> </div>
<div>os estilhaços de azul por entre as nuvens pertinazes, hoje, no rio de janeiro, me impeliram a depositar, aqui, as claridades restantes e pousadas nos trechos de livros da extraordinária clarice lispector, fragmentos de lume destacados nas salas de uma exposição, já findada, sobre a obra da escritora.</div>
<div> </div>
<div>(por mais fracassada a linguagem em suas funções, ainda assim, por maior a incapacidade e inoperância ao traduzir &#8220;exatamente&#8221; as experiências nossas na vida, ainda assim, as linhas abaixo: capazes de iluminâncias.) </div>
<div> </div>
<div>beijo bom em todos,</div>
<div>paulo sabino / paulinho.</div>
<div>____________________</div>
<div> </div>
<div>&#8220;Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.&#8221; (<strong>A descoberta do mundo</strong>)</div>
<div> </div>
<div>&#8220;O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem.&#8221; (<strong>A paixão segundo G.H.</strong>)</div>
<div> </div>
<div>&#8220;Escrevo simplesmente. Como quem vive. Por isso todas as vezes que fui tentada a deixar de escrever, não consegui. Não tenho vocação para o suicídio.&#8221;</div>
<div> </div>
<div>
<div>&#8220;Escrevo-te em desordem, bem sei. Mas é como vivo. Eu só trabalho com achados e perdidos.&#8221; (<strong>Água-viva</strong>)</div>
<div> </div>
</div>
<div>&#8220;Os objetos são tempo parado.&#8221; (<strong>Água-viva</strong>)</div>
<div> </div>
<div>&#8220;Embora eu saiba que o horror &#8211; o horror sou eu diante das coisas.&#8221; (<strong>A paixão segundo G.H.)</strong></div>
<div> </div>
<div>&#8220;Viver não é relatável. Viver não é vivível.&#8221; (<strong>A paixão segundo G.H.</strong>)</div>
<div> </div>
<div>&#8220;O que eu sinto eu não ajo.</div>
<div>O que ajo não penso.</div>
<div>O que penso não sinto.</div>
<div>Do que sei sou ignorante.</div>
<div>Do que sinto não ignoro.</div>
<div>Não me entendo e ajo como se me entendesse.&#8221; (<strong>A descoberta do mundo</strong>)</div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Enjoy the silence - final]]></title>
<link>http://pedradosapato.wordpress.com/2009/11/30/enjoy-the-silence-final/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 13:34:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>pedradosapato</dc:creator>
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<description><![CDATA[Ele caiu do tronco quase desfalecido. E disse-me as palavras que nunca vou esquecer: _Meu coração se]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Ele caiu do tronco quase desfalecido. E disse-me as palavras que nunca vou esquecer:</p>
<p>_Meu coração sempre baterá por Sinhazinha.</p>
<p>A fúria me tomou de tal forma, que chutei-lhe o rosto e pude ouvir o som de seu nariz se quebrando.</p>
<p>_Mate-o – ordenei ao feitor.</p>
<p>Ele me olhou aparvalhado.</p>
<p>_Mate-o logo. Mate logo essa besta nojenta, antes que você tenha o mesmo destino que ele!</p>
<p>Ele tirou o revólver do cinturão e eu o impedi.</p>
<p>_Não! Arranque o coração dele!</p>
<p>O feitor gaguejou, começou a tremer. Balbuciou qualquer coisa de que era muita crueldade. Eu nem ouvia apenas esperava, com os punhos cerrados e os lábios comprimidos.<!--more--></p>
<p>Ele pegou o facão, ergueu e enterrou-o no peito do negro. Com a dor o escravo despertou e soltou o primeiro e último grito que eu ouvi. Depois disso, só me lembro de ter visto o coração ensanguentado na mão do feitor e então desmaiei.</p>
<p>Acordei tarde da noite, com meus pais e um médico em volta de mim e o cheiro de éter no quarto. Todos suspiraram aliviados com meu despertar.</p>
<p>Antes de dormir novamente, sussurrei em meio a um sorriso sarcástico:</p>
<p>_Aquele coração nunca mais baterá.”</p>
<p>A essa altura da narrativa eu olhava horrorizada para a moça com rosto angelical à minha frente. Nunca imaginei que tanta maldade coubesse em uma imagem tão pura&#8230; Mas ela continuou:</p>
<p>_Naquele mesmo dia, Madre, eu acordei com um ruído ritmado no corredor do meu quarto. Era um ruído surdo e por conta do sono, não consegui identificar imediatamente. Mas logo o identifiquei e o sono foi embora: era o som de um coração batendo! Não era o meu. Estava muito alto&#8230; Não era o de ninguém! Todos estavam dormindo! Madre, eu ouço esse coração batendo o tempo todo dentro da minha cabeça! E quando tudo silencia&#8230; O som torna-se insuportável! Por favor, não me deixem só! Não durmam! O silêncio me enlouquece!</p>
<p>Apavorada, me afastei de costas até a porta, corri para o quarto da Madre Superiora. Implorei-lhe que tirasse aquela menina do meio das nossas, ou poderia contaminá-las com sua loucura. A Madre balançou a cabeça e me disse que não havia melhor lugar para que ela encontrasse paz de espírito e se libertasse do passado.</p>
<p>E assim a nossa rotina foi seriamente abalada, com os gritos e gemidos noturnos da garota. Até poucos dias depois de sua chegada, quando não suportando o habitual silêncio de um convento, seus gemidos foram gradativamente se transformando em gargalhadas insanas que ecoavam pelos corredores de pedra e seguiam seus passos trôpegos. Ainda tentei lhe segurar, quando se sentou no parapeito da janela da torre e se desequilibrou, porém as sedas de sua camisola deslizaram pelos meus dedos e vi aterrorizada o seu corpo se chocando contra os muros do convento.</p>
<p>Até hoje antes de dormir, aquele último uivo enlouquecido se perdendo no abismo ecoa em minha mente. E até hoje o meu sono é assombrado pela lembrança daquela criatura amaldiçoada pelo amor.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cena 1]]></title>
<link>http://josepolifonia.wordpress.com/2009/11/30/cena-1/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 09:51:50 +0000</pubDate>
<dc:creator>jpolifonia</dc:creator>
<guid>http://josepolifonia.wordpress.com/2009/11/30/cena-1/</guid>
<description><![CDATA[Cenário urbano: A chuva explode em poças destroçadas por pneus que jamais a entenderão.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Cenário urbano: A chuva explode em poças destroçadas por pneus que jamais a entenderão.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Enigma de Cantevild - Capitulo 3 - Após o Beijo]]></title>
<link>http://marpazansblog.wordpress.com/2009/11/29/enigma-de-cantevild-capitulo-3-apos-o-beijo/</link>
<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 23:15:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>Zantut!</dc:creator>
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<description><![CDATA[O beijo na Monica significou um grande passo para Alberto, agora ele tinha uma companheira para laze]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>O beijo na Monica significou um grande passo para Alberto, agora ele tinha uma companheira para lazer, estudo e principalmente o afeto, Yuri e Boris ficaram felizes por Alberto:</p>
<p>            &#8211; Ae Albertão! Pegador</p>
<p>Alberto sorriu demonstrando vergonha, já que Monica ouviu o que os amigos dele disseram.</p>
<p>Monica era uma menina de família muito liberal, seu pai quando jovem foi hippie, um movimento revolucionário que as pessoas se transformam em naturais e preservadas, todas tem um pseudônimo e o do pai de Monica era Nuvem Negra, já que sua aparência era meio mulata.</p>
<p>            Já sua mãe, a D.Anne veio de uma família descendentes de judeus perseguidos durante o holocausto, viveu uma vida sempre com desconfianças de todos, principalmente daqueles descendentes de alemães.</p>
<p>            Seus pais se conheceram quando Nuvem Negra deixou de ser hippie devido que foi obrigado a ingerir um chá alucinógeno e se sentiu muito mal fazendo isso ao seu corpo e voltou a ser chamado de Lúcio Kart Junior, seu nome de batismo. Quando Lucio foi procurar um emprego encontrou na agencia Anne, que era atendente e foi ai que tudo começou, marcaram um encontro e começaram a namorar um mês depois, se casando no ano seguinte. Logo tiveram Monica que foi uma alegria para o casal que vivia o sonho matrimonial e tinham a utopia de ter filhos.</p>
<p>            Monica não ficou preocupada com a reação de seus pais quando vissem ela junto a Alberto, pois eram extremamente liberais e extremamente simpáticos, ela não sabia que Alberto era órfão e um dia quando estavam na cantina lanchando Alberto resolveu contar, ele se emocionou muito e teve que ser contido por Monica que disse:</p>
<p>            &#8211; Calma Alberto, eles estão felizes por você</p>
<p>Bem na hora apareceu Enrico que em tom sarcástico afirmou:</p>
<p>            &#8211; Ah, o órfão está chorando</p>
<p>Alberto sentiu uma raiva tão grande que partiria para briga com Enrico novamente, mas pensou que não valeria a pena ir para a diretoria de novo e ser expulso da faculdade, então apenas fechou os olhos e se acalmou enquanto Monica dizia:</p>
<p>            &#8211; Relaxa Amor, você é muito melhor que ele.</p>
<p>Enrico parou, pensou e revolveu se retirar, ele tinha sido claramente humilhado por Monica, acho que ela também virara sua inimiga.</p>
<p>De Zantut</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Observador Criminal - Capítulo 15 - O Assassinato de Suellen]]></title>
<link>http://marpazansblog.wordpress.com/2009/11/29/observador-criminal-capitulo-15-o-assassinato-de-suellen/</link>
<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 23:07:31 +0000</pubDate>
<dc:creator>Christian!</dc:creator>
<guid>http://marpazansblog.wordpress.com/2009/11/29/observador-criminal-capitulo-15-o-assassinato-de-suellen/</guid>
<description><![CDATA[ O.C., Observador Criminal Capítulo 15 &#8211; O Assassinato de Suellen           E agora quem falou]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"> <strong><em>O.C., Observador Criminal<br />
Capítulo 15 &#8211; O Assassinato de Suellen</em></strong></p>
<p>          E agora quem falou foi Custódio, que presenciava toda a conversa, também armado. E a mulher perguntou – onde está Mike? – e a resposta a deixou ainda mais orgulhosa.<br />
          – Acabei de matá-lo. Deixei-o no galpão. <br />
          E ela, ainda de costas para o amante e defronte ao menino, continuou seu papo:<br />
          – E o Sr. Raul?<br />
          – Está lá com a velha. – e era claro que Custódio se referia à D. Amélia. – Ela tem um porão velho na casa dela. Pedi que o guardasse lá.<br />
          – E pegou o menino? - perguntou. Mas a resposta foi do filho trêmulo de Rubens, que agora estava quase deitando-se no chão:<br />
          – MEU IRMÃO! ONDE ESTÁ?<br />
          – Calma lindinho… Vamos continuar nossa conversinha. O que acha?<br />
          Ele como de costume não respondeu, e a mulher continuou falando &#8211; O que? Ficou nervozinho? Se assustou com o &#8220;acabei de matá-lo. Deixei-o no galpão&#8221;? &#8211; e deu risada. &#8211; Então vou finalmente de explicar O QUE é a Maldição Beta: você deve saber o que ela faz. Ela deixa a pessoa que toma a Pedra Alfa do mau. Sim! é só isso.<br />
          &#8211; E cá entre nós&#8230; Eu acabei de tomá-la! &#8211; disse baixinho Custódio. E aquilo assustou a todos. Não era da natureza de um cara mau fazer isso. E ainda estava calmo. Sentado num barril ali perto. Mas aquele clima de tenção ficou ainda maior quando ele continuou: &#8211; e hoje matarei todos vocês!<br />
          &#8211; Amor! Calma&#8230; Deixa eu terminar a minha conversa com o men&#8230;<br />
          Um minuto depois, o sangue da mulher já se misturava com o do Sr. Mereira, jazido sob a mesa.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Esse foi o final ! ( ou ? ) &#8230; Seria trágico mais detalhes. Custódio estava mesmo com raiva, e sua ira acabou com todos &#8230;</em></p>
<p style="text-align:right;">C.M.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A poltrona amarela]]></title>
<link>http://gregosebaianos.wordpress.com/2009/11/29/a-poltrona-amarela/</link>
<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 22:02:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>detroi</dc:creator>
<guid>http://gregosebaianos.wordpress.com/2009/11/29/a-poltrona-amarela/</guid>
<description><![CDATA[&nbsp; ela tinha deixado seu corpo cair na poltrona aconchegante amarela com detalhes vermelhos e se]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>&#160;</p>
<div id="_mcePaste">ela tinha deixado seu corpo cair na poltrona aconchegante amarela com detalhes vermelhos</div>
<div id="_mcePaste">e sentiu uma coisa dura na sua bunda</div>
<div id="_mcePaste">enfiou a mão por baixo e pegou o que a incomodava</div>
<div id="_mcePaste">era um livro</div>
<div id="_mcePaste">leu</div>
<div id="_mcePaste">Clarice Lispector</div>
<div id="_mcePaste">quem seria?</div>
<div id="_mcePaste">descobriu que era uma escritora do Século XX</div>
<div id="_mcePaste">pensou</div>
<div id="_mcePaste">como ele veio parar aqui no Século XIX</div>
<div id="_mcePaste">devia ser coisa da Mucama Boa Xibavbeira que era bastante culta</div>
<div id="_mcePaste">pois sabia o que era DRT e ela não</div>
<div id="_mcePaste">fcou excitada com o trânsito de coisas do passado presente e futuro</div>
<div id="_mcePaste">e descobriu por um momento que sua família, a Casa Grande ,a Senzala, os Negros,</div>
<div id="_mcePaste">o vento, as árvores, a terra tudo estava fixo  na História e parecia que agora soltara-se</div>
<div id="_mcePaste">desejou que Maria Antonieta visse do passado recente fazer-lhe uma visita para conversarem sobre  Moda, sobre comportamente</div>
<div id="_mcePaste">e é claro sobre os Homens</div>
<div id="_mcePaste">e que Plínio Marcos viesse do futuro falar com gíria sobre o mundo marginal que ela não tinha acesso nem através da tv pois a tv não existia ainda, muito menos o computador, o avião, o automóvel, o celular  tinham sido inventados e confeccionados, embora a Mucama tinha um desses aparelhos bonitinhos que  não deixou ela pegar, como ela conseguiu não se sabe como e por que.</div>
<div id="_mcePaste">e ela nem ousara questionar com medo que tudo desaparecesse, afinal estava adorando tudo isso e tinha medo que suas perguntas pudesse censurar o trânsito desse caos</div>
<div id="_mcePaste">ia começar a ler o livro e ouviu uns batuques vindo de longe lá da Senzala</div>
<div id="_mcePaste">parecia que ia começar o culto Afro</div>
<div id="_mcePaste">a porta do seu quarto se abriu</div>
<div id="_mcePaste">era o Dri</div>
<div id="_mcePaste">estava com a cara de quem cumeu e não gostou</div>
<div id="_mcePaste">ela nada perguntara sobre o seu sumiço da Festança da noite anterior</div>
<div id="_mcePaste">e ele nada disse</div>
<div id="_mcePaste">Vamos para lá pros batuques disse ele</div>
<div id="_mcePaste">Ela não sabia se queria ou não</div>
<div id="_mcePaste">quando entrou correndo a Mucama Boa Xibavbeira e arrancou  nervosa o livro da sua mão sem que ao menos tivesse lido o título,</div>
<div id="_mcePaste">e disse</div>
<div id="_mcePaste">Isso aqui não é para menininhas ingênuas sinhá e saiu afoita</div>
<div id="_mcePaste">ela ficou com tanta raiva pois detestava que a tratassem como uma criança</div>
<div id="_mcePaste">afinal ela já sabia amarrar os seus sapatos, passar batom sem se borrar,</div>
<div id="_mcePaste">e trocar o absorvente, afiar as peixeiras,,beijar de língua com gosto,</div>
<div id="_mcePaste">acariciar o pinto do seu amor sem medo, e fazer fio terra,</div>
<div id="_mcePaste">mas decidiu não discutir</div>
<div id="_mcePaste">e resolveu ir no culto dar uma bisoiadinha</div>
<div id="_mcePaste">desceu com Dri</div>
<div id="_mcePaste">e quando chegou na sala viu que tinha um mulher desconhecida vestida com um vestido laranja berrante, que ela achou horrível ou talvez exótico, estava  sentada esperando alguma coisa</div>
<div id="_mcePaste">Esperando Godot, quem sabe? Mas aqui?</div>
<div id="_mcePaste">Perguntou</div>
<div id="_mcePaste">deseja alguma coisa?</div>
<div id="_mcePaste">Desejo e muitas, mas agora quero apenas meu homê,</div>
<div id="_mcePaste">falou com um sotaque carregado de uma região que ela não soube decifrar</div>
<div id="_mcePaste">Axou graça</div>
<div id="_mcePaste">e disse</div>
<div id="_mcePaste">axo que não posso te ajudar e saiu deixando aquela mulher com cheiro de xota vencida, mas precisamente de bacalhau e que parecia tensa</div>
<div id="_mcePaste">na saída olhou para Dri e pensou</div>
<div id="_mcePaste">ele nem me beijou hoje</div>
<div id="_mcePaste">ele também pensara a mesma coisa só que de outra forma</div>
<div id="_mcePaste">ela não vai me beijar?</div>
<div id="_mcePaste">eles se olharam como se estivessem reconhecedo-se depois da tarde da feijoada</div>
<div id="_mcePaste">em que ele requebrara sem querer, como uma cabrocha, os quadris por que não largou da mão dela quando</div>
<div id="_mcePaste">o santo vindo de algum lugar desse imenso universo entrou no seu corpo</div>
<div id="_mcePaste">será que ele estava envergonhado?</div>
<div id="_mcePaste">ele pensou será que ela esta com vergonha por  que sua xota quente furou sua única calça jeans azul que ele ganhou</div>
<div id="_mcePaste">de um jornalista inglês  vindo do exterior atrás de Belchior?</div>
<div id="_mcePaste">é</div>
<div id="_mcePaste">parecia que hoje eles estavam se entendendo pelo avesso</div>
<div id="_mcePaste">sem dizer nada um pro outro</div>
<div id="_mcePaste">tudo isso pairava nas sua cabeças</div>
<div id="_mcePaste">quando um urubu sobreavando o céu azul primavera cagou na cabeça de Dri</div>
<div id="_mcePaste">e ele rogou uma praga cangaceira</div>
<div id="_mcePaste">ela achou graça e deu seu lencinho cor de rosa pra ele</div>
<div id="_mcePaste">e rapidamente arrancou o tolete fétido da  própria cabeça  e jogou na grama</div>
<div id="_mcePaste">lá foram eles para o batuque seguidos por alguns bichos: 4 patos e 3 marrecos</div>
<div id="_mcePaste">6 cachorros de raças diferentes 8 gatos selvagens 02 porcos espinhos 55 borboletas lilazes, 1 égua branca, 13 macacos, dois viados,, um boi e 5 vacas e outros bichos</div>
<div id="_mcePaste">parecia que o culto ia ser bom</div>
<div id="_mcePaste">até os bichos estvam felizes e vibrantes</div>
<div id="_mcePaste">chegaram</div>
<div id="_mcePaste">e ela se surpreendeu ao ver sua mãe rodando sem cair , estava maquiadérrima como sempre, com algumas jóias, de  blusa e saia branca e  rodopiava  de braços abertos rodeada por negros, crioulos e mestiços, tinha até uns índios.</div>
<div id="_mcePaste">os bichos ficaram em volta admirados por ver a Madama rodar muito tempo sem cair</div>
<div id="_mcePaste">passaram 5 10 15 minutos e ela girando e os atabaques eskentando</div>
<div id="_mcePaste">ela largou a mão do Dri pois sentira o quadris novamente mexendo-se independente da sua vontade,  não queria ver seu homem transformar-se na frente da mãe em cabrocha pois tinha certeza que ela ia rir</div>
<div id="_mcePaste">a borboletas ´lilazes q ja estavam alegres ficam mais ainda e rodearam a sua mãe fazendo um círculo lindo naquela roda mágica</div>
<div id="_mcePaste">sentiu sua xana esquentar e a fumacinha sair , 4 velas que estavam apagadas acenderam-se, começou a perceber que vinha nascendo de dentro a gargalhada de pomba q queria sair e ela já sabia que não poderia controlar e não controlou</div>
<div id="_mcePaste">soltou hahahahahaha</div>
<div id="_mcePaste">sua mãe parou o seu giro Jupiteriano, as borboletas lilazes também pararam e pairaram como um grito parado no ar</div>
<div id="_mcePaste">e todos a olharam</div>
<div id="_mcePaste">a égua, a vaca, o boi, os macacos, os crioulos, os negros, as negras, os mestiços todos, os índios</div>
<div id="_mcePaste">até a mulher de vestido laranja berrante que ninguém sabia por que cargas d água ela estava lá</div>
<div id="_mcePaste">mas estava e olhava curiosa</div>
<div id="_mcePaste">e sua gargalhada de pomba não parava de sair da sua boca e seu quadris de mexerem-se</div>
<div id="_mcePaste">ela batia com força no peito</div>
<div id="_mcePaste">e pediu</div>
<div id="_mcePaste">me dá um hollywood</div>
<p><a href="vagnerluisalberto@gmail.com">por Vagner Luis Alberto</a></p>
<p>&#160;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A chave]]></title>
<link>http://essipercipi.wordpress.com/2009/11/29/a-chave/</link>
<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 15:23:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Guilherme Dearo</dc:creator>
<guid>http://essipercipi.wordpress.com/2009/11/29/a-chave/</guid>
<description><![CDATA[Trouxeste a chave? Era isso que perguntaria, talvez, se gostasse de poesia e mais ainda de aplicá-la]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Trouxeste a chave?</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Era isso que perguntaria, talvez, se gostasse de poesia e mais ainda de aplicá-la nas palavras de seu cotidiano, de literalizar as palavras que poderiam sair e soar simples, mas provocativas e loucas e peculiares se vindas do que se passava oculto e particular em sua mente abastecida pelo que lera ontem, anteontem e em outros esparsos dias. E era isso que perguntaria se fosse também de uma objetividade e crueza incomum e destoante de qualquer momento que requeresse meias-palavras, intencionalidades e indiretas. Mas nunca nem mesmo lhe perguntara se gostava de poesia, talvez arriscasse que sim, mais por saber que de certa forma o rótulo de intelectual e ávida leitora lhe caía bem, mas também porque uma vez viu-lhe um sorriso no rosto enquanto falava de poesia, enquanto colocava eu, poesia, e escrever em sintonia numa mesma frase, revelando prontamente, sem pensar muito na conseqüência e nas impressões subseqüentes de tal exposição, que era um poeta, preguiçoso também, pois dissera na ocasião que poesia era coisa de escritor preguiçoso.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Mas ela nunca lhe falara Trouxeste a chave?, aliás, nunca lhe dissera muita coisa, muita coisa muito mais urgente e útil e reveladora, mas sim lhe dissera muito mais, talvez significando a mesma coisa, mas em forma de silêncio omissão recusa espera não-ato. Já tinha sido clara, apesar de às vezes insistir pra se enganar que na verdade era o contrário, que nunca tinha uma resposta e ela lhe era confusa e indecisa e misteriosa. Fora clara no silêncio, no silêncio de nada a declarar simplesmente porque aquilo que dissera nada lhe dizia nem nada lhe significava, mas também no silêncio conseqüente de outro silêncio, do nada que lhe foi dito, do que não lhe foi dito, a reticência pela espera do que deveria ter sido lhe dito mas nunca chegou a ser.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Também havia clareza na omissão, na ignorância do que quer que fosse, porque aquilo simplesmente não lhe interessava nem poderia lhe interessar mesmo que lhe fosse prometida uma mudança radical, então a omissão era a recusa de ser alguma coisa, de falar alguma coisa e agir e pensar e tudo aquilo colocar significados e sentidos onde nunca havia tido significado e sentido e onde nunca poderia haver tais: era preciso cautela com as palavras. Cautela que lhe era pouca e às vezes inexistente, pois se cautela com palavras, econômicas e medidas, nada disso em gestos e comunicação física, sempre tão confusa e ambígua e provocadora dos sempre mais grandiosos e dramáticos mal-entendidos, nos olhares, nos sorrisos, no que as mãos faziam, no para onde os cabelos se movimentavam e provocavam.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Mas também a tentativa dupla e contraditória de colocar e evitar tais significados e sentidos pelo não-ato, pelo ato que se evidenciava mas não se consumava, pelo ato-protesto de não fazer nada como tentativa de provocar alguma ação, tudo pasteurizado numa espera que terminou sem ter visto o fim, simplesmente por ser banal e desperdiçada, por nada ter acontecido justamente porque se esperava que algo acontecesse, porque se esperava que a conseqüência viesse antes da ação e não ver que a conseqüência, pós-ato, na verdade era o pré-ato, era o que deveria ser primordialmente considerado, mas que se transformava em pensamentos e sonhos e abobalhações imaturas e retidas no passado e no que deveria ter sido e não foi.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">E tudo confluía naquele momento, às tantas da madrugada, um tanto distante da realidade negra, quente com vento e solitária e depressiva do lado de fora. Tudo confluía nos olhares furtivos e distantes, de um corpo posto à distância justamente para observar e não ser observado, para apagar a linha da direção de seu olhar e poder olhar e pensar e refletir sem demonstrar que ali parado estava a fazer justamente isso, perdido e abobado diante de tal visão, visão que ignorava tal gesto e distância e que estava a ser olhada e que continuava a fazer o que fazia, fosse o que fosse. Mas era também uma distância que só poderia ser exatamente aquilo que era, não poderia ser diferente, só poderia ser uma distância e continuar a ser tal porque a recusa e a eterna espera e a omissão continuavam ali, a compor uma barreira, se consumavam e delineavam exatamente o que ali se via: tal cena de um lado, a viver o seu momento e a rir e a conversar, e o gesto impassível de observar do outro, com uma grande distância no meio.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">E durante tais horas foi essa a distância que se postou entre eles, uma barreira que não podia ser transposta, uma porta que não podia ser destrancada. Era um jogo de derrota, que há muito tempo parecia ter chegado ao fim, com uma derrota como desfecho, mas que não terminara, não cessara de percorrer e trespassar cada minuto e cada gesto, cada olhar e cada ação, cada momento junto e cada momento afastado. Ali, distante, a observar, entre momento e outro de breve, rasa e efêmera confluência, composto por talvez uma conversa e alguns sorrisos e alguns olhares que tudo ou nada poderiam significar – novamente a questão da sensível colocação de significados e sentidos –, somente um grande silêncio dava conta de reconfortar e colocar tudo no lugar. Um grande silêncio em meio a um grande caos de vozes e risos e samba, todo o redor com samba e festa, mas a impossibilidade de se ouvir e se entender qualquer coisa quando o olhar era justamente para lá direcionado, com ela e ele e tal momento como o foco, o que se estava tanto a observar afinal.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Sim, o silêncio criado pelo simples não-entendimento, pela impossibilidade de se chegar mais perto, aliás, pela falta de permissão para se chegar mais perto, o suficiente para ouvir e falar, entender. Porque já não havia permissão e brecha, por mais reconfortante e animador que fosse desejar e sonhar o contrário, e que se algum dia houvera tal permissão e brecha, e muito provavelmente houvera, agora, já há algum bom tempo, aliás, mas principalmente naquele momento, já não havia mais. Todos postos distantes, incapazes e impotentes diante do que se consumava aos olhos, em meio a tanto barulho e tantas vozes e tanta música doce e animada e que embalava pra dançar, potentes somente para observar e falar coisas sem nexo e inaudíveis, fingir não se importar e ir lá ver outra coisa, arriscar uma dança, mas sempre sabendo que, ali, talvez às sua costas, talvez à sua direita ou esquerda, algo está acontecendo, algo inexplicável e sem entendimento, inalcançável e que não lhe é de seu pertencimento, algo que lhe ocorre e passa e acontece sem importar-se com sua existência, sem necessitar de sua aprovação ou aval ou consentimento ou compreensão.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">E pela rua das quatro da manhã, onde a escuridão já não é mais total, também ainda não há luz, mas somente o leve frio e o vento e alguns pássaros que dão o tom do fim-de-noite que já se anuncia e se despede e logo vem a silenciosa e vagarosa manhã, fica-se apenas o burburinho de pessoas que necessitam falar, que necessitam expelir som, não estão satisfeitas com o que o silêncio pode dizer. E vão se todas, caóticas e frenéticas para um lado, entre pensamentos contidos e falas abruptas, enquanto para o outro lado, vai-se o silêncio.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O silêncio que tudo diz, mas vai silencioso e vagaroso, a cada passo diminuindo, cada vez mais longe, cada vez mais em silêncio, mais inalcançável. E menos entendimento, mais impossibilidade, a distância física que já é grande e uma ainda mais distância etérea, que se consome em cada passo na direção contrária, no contrário de todos os outros, que já se vai, irresoluta, definitiva, resolvida, já ignora todo o resto e vai-se fechada, auto-suficiente, contanto segredos, na verdade bem escancarados, mas um enigma para todos os outros. Um nada misterioso e dispendioso para quem se vai, para o outro lado, caótico e confuso, atado ao barulho e aos outros e à confusão, mas uma existência clara e marcante e barulhenta para quem para e observa, sem nada ver e ouvir, o que se está ali indo embora, compasso risos palavras olhares passos expressão tato, mas um grande silêncio e meio-tom, que por um momento o leva a pensar que na verdade se está ali, adiante, já distante, a andar ao seu lado e a ouvir e a sentir, que os passos são seus, as palavras são suas, mas que logo tudo novamente se cala e se projeta no corpo inerte que observa de um lado e é impulsionado a outro, às quatro e tanto da manhã com leve vento de melancolia.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Longe da superfície]]></title>
<link>http://virginiawoolf.wordpress.com/2009/11/29/longe-da-superficie/</link>
<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 13:47:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>relatoriodacoisa</dc:creator>
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<description><![CDATA[Quero pensar com calma, em paz, espaçosamente, nunca ser interrompida, nunca ter de me levantar da c]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><blockquote><p>Quero pensar com calma, em paz, espaçosamente, nunca ser interrompida, nunca ter de me levantar da cadeira, deslizar à vontade de uma coisa para outra, sem nenhuma sensação de hostilidade, nem obstáculo. Quero mergulhar cada vez mais fundo, longe da superfície, com seus fatos isolados, indisputáveis. Firmar-me bem, deixar-me agarrar a primeira ideia que passa&#8230;</p></blockquote>
<p>Conto: A marca na parede, tradução de Leonardo Fróes.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[RICHTER 8.2]]></title>
<link>http://escritorjosearaujosp.wordpress.com/2009/11/29/richter-8-2-2/</link>
<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 13:34:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>josearaujosp</dc:creator>
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<description><![CDATA[São Paulo, quarta feira, 22 de abril de 2020, o dia amanhece na capital paulista, são seis horas da ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div>
<p>São Paulo, quarta feira, 22 de abril de 2020, o dia amanhece na capital paulista, são seis horas da manhã e Ana Laura já esta de pé desde as cinco e entre os preparativos para levar Leninha para a escola e para ir trabalhar ela tem que se desdobrar em duas, cuidando da filha, da casa e dela mesma, como sempre, dia após dia. Com toda a agitação e correria das vidas das pessoas que vivem e trabalham nas grandes metrópoles, era comum os pais deixarem de dar a atenção necessária aos filhos, pois na maioria dos casos, marido e mulher vão trabalhar, ficam fora de casa a maior parte do dia e os filhos ficam sob a responsabilidade de escolas particulares, publicas e pessoas que são contratadas para cuidar delas em sua ausência, mas Ana Laura não era uma destas mães.</p>
<p>Desde jovem ela sabia da importância de uma criança ser bem monitorada e acompanhada pelos pais, sabia das conseqüências da ausência deles em suas vidas e nunca deixou de dar o suporte e a atenção que sua filha precisava. Mesmo nas épocas de maior agitação em sua vida profissional e o resultado deste comportamento de Ana Laura, era uma relação baseada em amor, carinho, reciprocidade de sentimentos, mas principalmente, uma profunda confiança e credibilidade mútua, o que as faziam uma família feliz e unida como poucas, num mundo onde os valores estavam invertidos desde muito tempo atrás.</p>
<p>Leninha tinha apenas sete anos de idade, mas tinha personalidade forte e à sua maneira, uma opinião formada sobre as coisas da vida que era incomum em jovenzinhos de sua idade. Ela era uma criança que tinha uma vida de criança e sabia que precisava agir como tal, vivendo e divertindo-se, aprendendo sobre a vida como tal, mas tinha também que compreender e saber como agir na ausência de sua mãe, durante o período em que ficava sozinha, até ela chegar do trabalho e ela nunca deu dores de cabeça a ela, sempre soube se comportar e ainda ajudava no que podia, Leninha era na expressão da palavra, uma criança exemplar. Ana Laura era arquiteta e trabalhava numa construtora de renome na Avenida Paulista e Leninha estudava numa escola no bairro da Penha, zona leste da cidade e todos os dias, ela deixava sua filha na escola, esperava os portões se fecharem por medida de segurança e ia para o trabalho, utilizando como via de regra o transporte pelo metro, fazendo duas baldeações, na estação Sé e depois na estação Paraíso, para descer na estação Brigadeiro, próxima ao seu trabalho.</p>
<p>Lenhinha entrava às sete na escola e saia ao meio dia, indo direto para casa pelo transporte escolar e quando lá chegava, tomava seu banho, almoçava, fazia suas lições e o que mais pudesse fazer para ajudar e ia dormir o resto da tarde, pois levantava muito cedo e precisava descansar. Com todo o stress e correria da vida na cidade, elas se davam muito bem, pois sabiam como driblar os problemas causados por estes incômodos e suas vidas, como mãe e filha não poderia ser melhor, pois uma vez que seu pai vivia no exterior desde que se separou de sua mãe e esta circunstancia, nunca foi encarada como uma infelicidade, muito pelo contrário, elas se uniram mais do que nunca e só o fato delas terem uma à outra, supria qualquer falta ocasional que fosse sentida em suas vidas.</p>
<p>Ana Laura sempre foi uma profissional extremamente competente, seus projetos eram arrojados, futuristas, mas sua principal característica era a atenção que ela sempre dedicava à segurança do bem maior que temos neste mundo, a vida. Desde que terminou a faculdade, ela sempre se dedicou aos estudos complementares, para que pudesse ser mesmo uma profissional competente, assistis a todos os cursos, simpósios, palestras e convenções que surgiam sobre a influencia da geologia na arquitetura moderna, pois mesmo sendo recém formada, sabia das conseqüência de um projeto mal feito, que uma vez executado sem preocupação com a segurança das pessoas, pode ser o inicio de um caminho que leva ao assassinato em massa de pessoas inocentes.</p>
<p>Em 22 de abril de 2008, um tremor de terra com 5.2 graus na escala Richter atingiu São Paulo, sem conseqüências mais graves, não sendo sentido em muitos lugares da cidade, mas no apartamento da familia de Ana Laura a coisa não foi bem assim. Ela era ainda adolescente quando isto aconteceu, mas ficou impressionada e preocupada com a segurança dos moradores de seu prédio, pois em alguns andares as portas ficaram travadas, não se abriam para que as pessoas pudessem sair para a rua e em seu apartamento, não foi diferente. Seu Pai teve que tirar as dobradiças da porta para poder retira-la do lugar e só assim todos puderam sair do apartamento, indo para a rua até saber o que havia acontecido.</p>
<p>A experiência foi marcante para Ana Laura e ela jurou a si própria que seria uma arquiteta, mas seria uma profissional diferente, uma pessoa que faria seu trabalho, baseado nas necessidades de segurança dos seus semelhantes e se não fosse assim, então ela não faria seu trabalho sem nem por todo o dinheiro deste mundo. Ao longo dos anos, mesmo antes de se formar na faculdade, ela já fazia suas pesquisas por contra própria e aprendeu que ao contrário do que era divulgado pela imprensa e pelas autoridades competentes, os moradores da região sudeste do Brasil estavam sob o risco de serem atingidos por um terremoto a qualquer momento, pois no território nacional haviam pelo menos 48 falhas mestras, a maioria concentradas nas regiões Sudeste em 1º lugar, Nordeste em 2º, seguidas de longe pelas regiões Norte em 3º e Centro Oeste na 4ª posição e isto sem contar que ano, após ano, havia a possibilidade de descobrirem nova a mais perigosas falhas na placa tectônica e com a natureza não se brinca, seu poder pode ser destruidor.</p>
<p>Ana leu um relatório sobre os terremotos ocorridos nos últimos tempos no Brasil e descobriu que o maior que havia sido registrado tinha sido de 6.2 na escala Richter, em 31 de janeiro de 1.955, em Porto do Gaúchos, Norte do Mato Grosso, sentido num raio de mais de 300 quilometros, que houve outro em São Paulo em 1.922 na região de Mogi Guaçu, com 5.2 na escala Richter, em novembro de 1.980 foi registrado um terremoto de 5.0 na escala Richter em Pacajus, Ceará e em 1.986, na cidade de João Câmara, Rio Grande do Norte, cerca de quatro mil casas foram derrubadas e desde o abalo daquele ano, mais de 60 mil outros já haviam sido registrados. Ela aprendeu muito pesquisando e estudando com afinco o comportamento do solo e Ana Laura mais do que ninguém, chegou à conclusão de que a Terra é um enorme ser que assim como nós, vive, sente alegrias, tristezas, dores e que pode, exatamente como nós, entrar em stress profundo, refletindo esta pressão nos movimentos das placas tectônicas que causam os abalos sísmicos e outras reações.</p>
<p>Ana dizia que para ela era como se a Terra fosse para ela uma pessoa carente, precisando de amor, carinho, cuidados, atenção e que os terremotos, eram os espasmos de dor de um corpo doente, cansado, sem esperança de cura dos males que o atingiram. Sua experiência, sua inteligência, a fizeram chegar rápido ao posto de uma das arquitetas e pesquisadoras mais renomadas do país, tendo sido convidada varias vezes a participar de manifestações em prol da recuperação do planeta, assim como os simpósios internacionais sobre a segurança obrigatória na construção de edificações. Todas as suas idéias eram muito aplaudidas em todos os lugares onde se apresentava a convite para expor e sugerir novas formas de segurança nas construções e também na preservação do meio ambiente.</p>
<p>Contudo, desde que se formou e conseguiu seu primeiro emprego na área da construção, Ana Laura encontrou inúmeras vezes problemas na aceitação de seus projetos, sendo que neles o maior custo estava no item segurança, do que ela não abria mão de forma alguma e em conseqüência disto, outros projetos feitos por seus colegas eram aprovados e muitas vezes, sem nem sequer o básico necessário no quesito segurança do ser humano. Por duas vezes ao longo dos anos ela perdeu o emprego por se recusar a assinar projetos em grupo feitos para as construtoras para que trabalhou, pois neles, seus colegas de trabalho atendiam às necessidades da construtora, não dos usuários ou moradores do lugar. Jamais ela deixou de avisar e tentar incutir na cabeça dos dirigentes das empresas em que trabalhava que São Paulo, principalmente a Capital era uma área de risco e que há muito tempo, a cidade já vinha sendo atingida por tremores de terra, muitas vezes atribuídos ao movimento do Metrô, mas me resposta só recebia piadinhas de mau gosto e olhares dirigidos a ela, como se quisessem dizer que ela estava louca, que tinha perdido a razão.</p>
<p>De uma forma ou de outra, mesmo com todas as dificuldades do dia a dia, da resistência das grandes construtoras e aceitar o risco iminente, ela e sua filha viviam bem, não eram ricas, mas o que Ana Laura ganhava era o suficiente para mantê-las, alem de que, só o amor que as unia, alimentava o corpo, a alma e o coração. Já eram nove horas da manhã e ela havia acabado de chagar ao trabalho, que ficava no 8º andar de um prédio antigo na Avenida Paulista, ela tinha deixado Leninha na escola e só a veria no final do dia, quando chegasse em casa, mas naquele dia, ela não estava se sentindo a vontade, era como se algo apertasse seu coração e uma angustia tomava conta de seu ser de forma que nunca havia ocorrido em sua vida. Ana Laura foi até o banheiro feminino, resolveu passar um pouco de água no rosto para ver se se sentia um pouco melhor. Chegou à pia do banheiro e quando se debruçou para jogar água na face, numa fração de segundos, o chão tremeu debaixo de seus pés e o espelho explodiu em cacos, quase ferindo seu rosto.</p>
<p>Assustada, ela voltou para sua sala e no caminho todo mundo no escritório estava comentando sobre o que havia acontecido e alguns desceram para o andar térreo para ver se descobriam o que aconteceu. Ela como uma pessoa experiente e dona de um conhecimento profundo sobre o assunto, sabia em seu coração que era uma questão de tempo e a terra iria tremer de novo e quando o fizesse, só Deus poderia saber com qual intensidade iria ocorrer. Desde o momento do tremor, a Avenida Paulista já estava com milhares e milhares de pessoas nas calçadas comentando e esperando o sinal das empresas para entrarem em seus ambientes e trabalho e retomar o expediente.</p>
<p>Foi então que tudo aconteceu&#8230;</p>
<p>De repente, a Terra tremeu como nunca, as fachadas e portas de vidro dos enormes arranha céus se transformaram em uma chuva assassina de cacos e lascas cortantes e afiadas, matando e ferindo milhares de pessoas que estavam nas calçadas e enquanto o vidro as atingia, tudo chacoalhava com uma ferocidade incrível, painéis e cartazes luminosos se desprendiam dos edifícios caindo e destruindo o que encontravam em seu caminho durante a queda. Os postes de iluminação do canteiro central da Avenida Paulista mais pareciam varas de Bambu, balançando de lá para cá até que muitos caíram em cima de uma quantidade enorme de carros e ônibus e sendo chacoalhados sem piedade pelo tremor. A intensidade do tremor foi aumentando gradativamente e em menos de dois minutos, os prédios começaram a cair, primeiro as grandes antenas de rádio, TV e telefonia celular que ficavam espetadas no alto dos edifícios, depois os andares mais altos que se despedaçavam e desmoronavam em direção ao chão.</p>
<p>Crateras surgiam a ermo, aqui e ali e para dentro delas muitos carros e ônibus foram arrastados, cheios de passageiros que por medo não saíram dos veículos e dentro dos prédios, o desespero era maior. Grande parte dos edifícios não contava com saídas de emergências e muito menos com proteção antiterremoto, afinal, o Brasil sempre foi um pais sem riscos de abalos sísmicos, porque iriam gastar o dobro do valor de um obra normal, equipando os edifícios com os equipamentos e itens de segurança para eventualidades como esta. A maioria dos prédios, em questão de minutos, foi reduzida a um monte de destroços e lembranças e em meio a elas, muitas e muitas milhares de vidas se perderam, tudo que havia sobrado foi uma série de cortinas de fumaça negra erguendo-se de explosões que ocorriam a toda hora, no mais diversos locais e do jeito que ele veio, ele se foi, o terremoto acabou, mas a do, o sofrimento e a sensação de impotência nas vidas das pessoas, só estava começando.</p>
<p>Não se sabe como nem porque, mas o edifício onde trabalhava Ana Laura, apesar de toda a sua idade e falta de recursos de segurança, manteve-se em pé, com muitas rachaduras em todos os andares, mas não desabou e todos estavam apavorados, sem saber o que fazer. O escritório da construtora para quem Ana trabalhava ficava no 8º andar, sem escadas de incêndio, com portas travadas desde o primeiro abalo e a única maneira de sair, seria chegando à escada interna do edifício, descendo por ela até a recepção. Infelizmente as portas de fogo do prédio eram tão antigas que ao invés de se abrirem para fora do conjunto comercial, ele abria para dentro e com isto, as duas estavam travadas pelo deslocamento do piso, sem poder ser abertas, a não ser arrancando-as do lugar, assim longos momentos de angustia se passaram nos corações de todos que lá estavam e Ana Laura só pensava em uma coisa naquele momento lhe dava motivação para continuar, ela precisava chegar até a escola de Leninha, ela precisava saber se tudo estava bem e numa prece silenciosa ele rogava ao Pai todo poderoso que tivesse poupado sua filha, seu pequeno anjo, sua única companheira na vida, mais do que tudo, a razão de sua vida.</p>
<p>Da enorme janela do andar onde Ana se encontrava, tudo que se via era destruição, buracos abertos pelas crateras agora estavam cheios de escombros dos edifícios que ruíram e caíram em cima dos ônibus e carros lotados que já haviam sido dragados na hora do terremoto. As linhas do Metro de São Paulo estavam destruídas, inúmeros pontos dos túneis desabaram sobre composições cheias de usuários indo ao trabalho e nas estações, era possível ver na pior hora, grandes colunas de concreto armado serem quebradas como se quebra um palito de dente feito de madeira e isto, como se fosse a coisa mais natural deste mundo. A Av. Brigadeiro Luiz Antonio era o retrato da desolação, em toda a sua extensão, no sentido centro, prédios seculares desabaram, sem deixar pedra sobre pedra, o viaduto desabou sobre a via impedindo a passagem das viaturas do corpo de bombeiro e para todo o lugar que se dirigia, dor, morte, desgraça e sofrimentos marcavam sua presença e a cidade que nunca havia dormido parou, inerte, sem esperanças, apenas aguardando a hora do julgamento final, quem sobreviveu, não ia, não vinha, de ou para lugar algum.</p>
<p>O terremoto que atingiu a Capital Paulista foi de grande magnitude, em seu epicentro, destruiu o Centro da cidade e com seus reflexos muitos bairros próximos, causando morte e destruição em toda a extensão de sua área de abrangência, sendo sentido em estados visinhos, causando em alguns deles pequenos estragos, sem maiores conseqüências, mas São Paulo, esta não escapou da força implacável da natureza, pereceu, transformando-se em destroços e cinzas em todo lugar. Após muito tempo, um de seus colegas conseguiu soltar uma das portas de incêndio e conseguiram sair, descendo as escadas com o coração na mão, com medo do prédio vir a desabar e acabar ali mesmo, com mais algumas dezenas de vidas. Ana Laura quando tomou consciência do estado daquela avenida que ela via da janela de seu escritório todos os dias, linda, iluminada e poderosa, mas agora inútil e totalmente destruída, não se conteve, deixou as lágrimas que estavam presas em seu coração rolarem livremente e naquele momento, a imagem de Leninha lhe veio à mente mais forte do que nunca e seu único desejo era ir de encontro a ela, onde quer que ela estivesse, porque dentro de seu coração, ela sabia que precisava cumprir uma promessa que fez à sua filha um dia, quando ela lhe disse: “Filha, não importa o que aconteça, não importa onde você esteja, se você precisar de mim e vou estar lá para te ajudar”.</p>
<p>Todos estavam preocupados com suas famílias, pais, irmãos, parentes, namorados e resolveram se juntar em grupos dos que moravam na mesma direção, mas ninguém era da Zona Leste e Ana Laura acabou por ficar sozinha e não demorou muito ela começou sua grande caminhada até o Bairro da Penha onde ficava a escola de Leninha e sem transportes, sem pontes e viadutos para atravessar os rios ela iniciou sua jornada. Ela desceu a Brigadeiro por entre os escombros e corpos que estavam pelo caminho, uns poucos bombeiros tentavam ajudar algumas pessoas presas num restaurante que não caiu e durante sua caminhada até a Praça João Mendes tudo que se via eram destroços e restos de estruturas de prédios que teimavam em ficar em pé.</p>
<p>Quando chegou ao parque D.PEDROII. já cansada de caminhar, percebeu que os viadutos que davam passagem por cima do rio Tamanduateí dando acesso à Avenida Rangel Pestana, haviam caído e passar sobre os destroços caídos no rio era uma aventura, pois se ela caísse, com a água sendo represada pela estrutura caída nele, seria sua morte, mas ela não desistiu, pé ante pé, passo, após passo, equilibrando-se em alguns pontos, escorregando e quase caindo na água, ela venceu o desafio segui seu destino. Seguindo pela Av. Celso Garcia, cansada, com sede, com sono, Ana Laura registra imagens de horror em seus olhos, pois até chegar na Penha, a visão do cenário que se descortinava em sua frente era simplesmente devastador. Em todos os Bairros da Capital o Terremoto causou estragos e destruição e o grupo do corpo de bombeiros, despreparado para uma situação como aquela, não tinha nem materiais, nem contingente para ajudar.</p>
<p>O governo do Estado e a prefeitura do Município, nunca aceitaram as idéias que através dos órgãos competentes apresentou a eles e naquele momento, eram fáceis de serem vistos os resultados e as conseqüências de tanto descaso em nome de contenção de despeças com a segurança da população. A maior e mais impactante imagem que se podia ver era do alto, porque sobrevoando a cidade, onde agora se viam destroços, cinzas e fumaças antes era possível de avistar a silhueta dos grandes prédios espelhados da Avenida Paulista, com suas antenas espetadas em cima deles, como se fossem uma espécie de coroa, lhe conferindo títulos de majestade, como sugeria o lugar. O resto da tarde e a noite inteira Ana Laura caminhou, nos escuro, no frio, com fome e a dor em seus pés era tanta que qual quer um teria desistido, mas não Ana Laura e ela continuou até que pela manhã ela chegou caminhando a pé, do que restou da avenida Paulista aos restos da Av. Penha de França de onde antes se via a imagem magnífica da Igreja de Nossa Senhora da Penha e agora só se viam escombros e fumaça subindo aos céus.</p>
<p>Ao chegar o lugar onde ficava a escola onde sua filha estudava seu coração quase parou, pois o prédio da escola se assemelhava a um disco de pizza, completamente achatado no chão. Ana Laura no desespero, tentava lembrar em que ponto do prédio ficava a sala de aula de Leninha, mas um branco preencheu seu cérebro e enquanto isto, outros pais foram chegando e desesperados com a situação entravam em parafuso, caiam em prantos, chorando que gritando com toda a dor de seus corações que tudo estava acabado, que nada mais poderia ser feitos, porque seus filhos estavam todos mortos e não havia mais nada a fazer, mas a memória dela não iria deixa-la não mão naquele momento e ela se lembrou exatamente onde ficava a sala de sua filha. Ela sabia que haveria muito trabalho de remoção de escombros a ser feito e pediu ajuda a todos que lá apareceram tendo como resposta apenas o som da palavra não.</p>
<p>Algumas mães desmaiavam e eram carregadas pelos seus maridos ou amigos para longe, pais que solidários diziam a Ana Laura que ela devia desistir, que se ela ficasse ali naquele lugar, estaria correndo perigo, pois mesmo após vinte e quatro horas do grande terremoto, explosões aconteciam e mais pessoas morriam ou ficavam gravemente feridas. Alguns voluntários que auxiliavam o corpo de bombeiros estavam percorrendo as escolas dos bairros e a situação em cada lugar era mais desesperadora e quando chegaram onde estava Ana Laura, disseram o mesmo que todos já haviam dito, que ela tinha que desistir, que nada mais poderia ser feito, mas Ana Laura não, ela não desistiu, ela tinha que ver com seu próprios olhos o que aconteceu com sua filha e mesmo machucada, cansada, com sono e com fome ela resolveu que se ninguém iria ajuda-la ela o faria com as próprias mãos.</p>
<p>Doze horas se passaram, vinte e quatro horas se passaram e ela cavando e removendo somente com as mãos, pedra após pedra e naquela altura ela já não mais sentia fome, sede, sono ou cansaço e uma força interna a impulsionava a continuar e ela não parou. Seus joelhos todos machucados e sangrando, seus pés cortados e perfurados, por escombros de ferro e madeira, da roupa que ela usava no trabalho do dia a dia, agora já rasgadas, sujas e cheirando mal, mas uma mãe não desiste e ela continuou. Em determinado momento, ela ouviu algo, mas achou que estava sonhando e logo depois uma voz abafada se fez ouvir claramente: “Mãe!?!? É você mãe?!?!? Sou eu, Leninha!</p>
<p>Naquele momento mais do que nunca em toda a sua vida Ana Laura acreditou na existência divina e com o coração parecendo querer saltar para fora de seu peito ela gritou o nome de sua filha de volta: “Leninha?!?!? É a mamãe meu amor!!! Como você esta??? Onde você esta???”</p>
<p>A voz de Leninha no meio de toda aquela destruição, parecia ser uma benção dos céus, indicando a direção de onde estava e ela respondeu: “Estamos aqui em baixo Mãe, bem perto da coluna ao lado da mesa da professora! Quando começou a cair nos corremos todos para perto da professora e quando tudo desabou, o piso do andar superior não se quebrou por completo e formou um retângulo entre nós e a parede, foi assim que escapamos!”</p>
<p>Ana Laura queria mais detalhes, queria saber o que a esperava lá embaixo e perguntou quem mais estava com ela: “Leninha meu amor, quem mais está com você???”</p>
<p>Na resposta de Leninha veio uma vaga visão do que ainda estava por vir: “Dos trinta alunos mãe, só há 12 de nós aqui em baixo e que ainda estão vivos! Eles estavam todos assustados, mas eu disse a eles para se acalmarem, pois você prometeu que vinha me salvar e quando você chegasse, eles estariam salvos também!”</p>
<p>Ana Laura não compreendeu e respondeu a Leninha: “Filha, eu não sabia que você estava em perigo até tudo acontecer, mas eu estou aqui para te ajudar”</p>
<p>Leninha então respondeu: “Mas eu sempre tive certeza de que você viria me salvar, você não se lembra?? Um dia você me disse que não importava o que acontecesse, não importava onde eu estivesse , se eu precisasse de alguma coisa, você estaria lá para me ajudar” e você cumpriu mãe !!!</p>
<p>Enquanto elas falavam, Ana Laura estava trabalhando com as mãos até que finalmente conseguiu alcançar o lugar de onde vinha a voz de Leninha e com muita dificuldade e sem ajuda de ninguém, cavou um buraco por onde poderia tirar sua filha e as crianças de lá. As crianças gritaram de alegria e muitas choravam de emoção e quando Ana Laura pediu que Leninha saísse primeiro ela se recusou, dizendo que seus amiguinhos deveriam sair primeiro, porque ela não tinha medo, afinal sua mãe havia lhe prometido numa frase, uma única vez na vida e ela nunca mais esqueceu: “Filha, não importa o que aconteça, não importa onde você esteja, se você precisar de mim e vou estar lá para te ajudar”.</p>
<p>Desde 22 de abril de 2008, quando Ana Laura presenciou pela primeira vez um terremoto, ele fez tudo que estava ao seu alcance para melhorar as condições de segurança da população, seja em suas residências ou ambientes de trabalho, mas como sempre, mesmo agora, dia 22 de abril de 2020, tantos anos após o evento que marcou sua adolescência, as autoridades competentes ainda ignoravam a necessidade da criação de uma lei de segurança contra terremotos e as grandes construtoras, por medidas de economia, não aprovavam seus projetos porque eles encareciam demais as obras e como sempre eram descartados e substituídos por outros para a alegria de todos e infelicidade geral da nação.</p>
<p>Naquele dia, 22 de abril de 2020, São Paulo veio abaixo no maior terremoto de todos os tempos na região, se transformando num monte de escombros, destroços e cinzas, mas a cidade que sempre foi conhecida como aquele que nunca para, graças a todos os sobreviventes, paulistas vindos de todas as partes do Brasil e do mundo a fizeram renascer de uma forma muito especial. São Paulo renasceu como a Fênix, ela ressurgiu das cinzas e tornou-se novamente a maior capital do País, mas com uma diferença, tudo que foi construído a partir da destruição do total da cidade, teve que ter seu planejamento, analisado e aprovado pela nova Governadora e ela era, ninguém menos de que Ana Laura, a arquiteta que tentou, mas não conseguiu alertar os governantes, dirigentes e responsáveis por empresas na área da construção civil.</p>
<p>Os sismólogos usam a escala de magnitude para representar a energia sísmica liberada por cada terremotoPara ilustrar melhor, abaixo a descrição dos efeitos típicos de cada terremoto, em diversos níveis de magnitude, mas vale lembrar que a catástrofe que atingiu São Paulo, em termos de magnitude, muito além do que se conhecia até então.</p>
<p>Escala Richter em graus:</p>
<p>Menos de 3,5 : O terremoto não é sentido, mas pode ser registrado.</p>
<p>De 3,5 a 5,4: Freqüentemente não se sente, mas pode causar pequenos danos.</p>
<p>De 5,5 a 6,0: Ocasiona pequenos danos em edificações.</p>
<p>De 6,1 a 6,9: Podem causar danos graves em regiões com muitas pessoas.</p>
<p>De 7,0 a 7,9: Terremoto de grande proporção, causa danos graves.</p>
<p>De 8 graus acima:Terremoto muito forte. Causa destruição total na comunidade atingida e em todas as comunidades próximas.</p>
<p>Para chegar a ser ouvida, para que as pessoas que detinham do poder de decisão pudessem acordar para o perigo e para a realidade, a maior metrópole brasileira e algumas cidades vizinhas como Guarulhos, São Miguel Paulista, Mauá, São Caetano, Santo André, São Bernardo e Diadema, dentre varias outras, que tiveram que sucumbir ao poder de uma imensa catástrofe e Ana Laura como mãe, teve que provar que seu amor por sua filha tinha, mais poder do que toda a força da natureza, mesmo tendo que enfrentar a devastação de um terremoto com a magnitude de 8.2 na escala de Richter!!</p>
<p>Autor:Jose Araujo</p>
<p>Fotografia: Jose Araujo</p>
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