<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><!-- generator="wordpress.com" -->
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	>

<channel>
	<title>critica-social &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/critica-social/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "critica-social"</description>
	<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 20:19:41 +0000</pubDate>

	<generator>http://en.wordpress.com/tags/</generator>
	<language>en</language>

<item>
<title><![CDATA[ALFREDO FROG E A INVASÃO DOS SAPOS CHIFRUDOS]]></title>
<link>http://vivarelli.wordpress.com/2009/11/30/um-epico-infanto-juvenil/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 14:56:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>vivarelli</dc:creator>
<guid>http://vivarelli.wordpress.com/2009/11/30/um-epico-infanto-juvenil/</guid>
<description><![CDATA[    ALFREDO FROG E A         INVASÃO DOS   SAPOS CHIFRUDOS I –  O  REI BATRÁQUIO  E O REINO  DOS SAP]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><h1><em> </em></h1>
<h1><em> </em></h1>
<h1><em>ALFREDO FROG E A </em></h1>
<h1><em>        INVASÃO </em><em>DOS </em></h1>
<h1><em>  SAPOS </em><em>CHIFRUDOS</em></h1>
<h2>I –  O  REI BATRÁQUIO  E O REINO  DOS SAPOS DE PAPO AMARELO </h2>
<p>Era uma vez um Reino dos Sapos de Papo Amarelo, governado pelo maldoso Rei Batráquio &#8211; que o transformara em um paraíso para poucos e num purgatório para a maioria.  </p>
<p>Esse monarca, um velho saparrão  muito gordo e vaidoso,  gostava de vestir longas capas cravejadas de cristais e usava  uma abundante peruca branca <em>– &#8230;  para  realçar-me a autoridade</em> – explicava ele  . No entanto, as linguarudas da corte  garantiam que o soberano  passara a usá-la depois que apareceram-lhe ¨umas berrugas¨  na cabeça, o que impedia que a vistosa coroa  se encaixasse de modo seguro.</p>
<p>Como ocorre com qualquer governante ilegítimo, qualquer acontecimento minimamente adverso era sentido como ameaça potencial e um desdouro de sua imagem; nesse caso,  o supersticioso temia que a  precária  fixação da peça poderia projetar  uma idéia  de instabilidade do seu comando – conceito  delirante  que sacara de seu livro de cabeceira * . </p>
<p>–      Se ela me cai , caio junto – resumia o esquizofrênico ; e daí, para a idéia  cabeluda, foi meio pulo  .</p>
<p>Mas, é claro  que  não era com grampos de metal presos à  cabeleira postiça   que ele  mantinha-se  no poder, mas com aqueles  muito familiares a nós, humanos &#8211; os  eficientes grampos  da corrupção.</p>
<p>Batráquio era  capaz de qualquer arbitrariedade para  atender aos caprichos da nobreza poderosa,dos políticos , ou dos ricos comerciantes – e isso com a ajuda desonesta da maior parte do parlamento (o governo desse reino era um arremedo de monarquia parlamentarista)</p>
<p>Auxiliava-o, de perto, seu Primeiro Ministro, o esquálido Barão de Champignon – mais conhecido , entre a populaça, como O Sorvete de Pimenta. De fato, nesse reino ,  nenhuma trapaça acontecia sem que se identificasse a intervenção, mais ou menos aparente, deste friíssimo e briguento anfíbio.                </p>
<p>Deixe-me mostrar como se dava um típico dia legislativo, ou, melhor dizendo, uma noite típica, pois sapos dormem de dia e são muito ativos à noite:  invariavelmente, ela iniciava-se  com a proposição de novos impostos;  as sessões aconteciam em meio à fumaceira de narguilés fedorentos,  e isso porque  hábitos orientais exóticos haviam se tornado a última moda entre os políticos e nobres.</p>
<p>-         ASDI (Assunto do Dia), senhor Barão? – assim perguntava o preguiçoso Batráquio, que falava desse modo até para economizar palavras.    </p>
<p>-         Sim , Majestade : temos aqui a proposta do Conde Funghi Secchi: devemos aumentar as taxas sobre o uso dos chuveiros públicos, a fim de criarmos uma receita para a sua manutenção ; os senhores deputados sabem : há muito vandalismo entre a ralé ; também precisaremos de uma verba substancial para a construção de novos. (o parlamento se agitava com manifestações a favor e, poucos, contra).</p>
<p>        * Marqueting Pessoal para Tiranos e Corruptos em Geral – Capítulo 1, Pág.1:  Porque Até Um</p>
<p>          Velhaco  Tem Uma Imagem  a Zelar &#8211; Série Auto Ajuda;Crapaud, M. Editora  Sapo Feliz</p>
<p>-     A palavra, Majestade, peço a palavra!- os raquíticos sapinhos, representantes dos pobres, tinham que gritar muito para serem atendidos.</p>
<p>-         Simmmm&#8230;! &#8211; Batráquio nunca deixava de conceder o aparte, ao menos para parecer um governante democrático (*) .</p>
<p>-    Majestade não se trata de vandalismo.  As empresas contratadas usam tubos de 3<sup>ª</sup> e as bombas são de péssima qualidade. Além disso, essa medida&#8230; humm,  humm &#8211; os dois gordões que o ladeavam usavam do mesmo princípio que os air bags dos carros  modernos:  inflavam os  proeminentes papos,  imobilizando-os e, quase, asfixando -os ; mas, se os protestantes  estivessem fora do alcance dos papudos, usavam de outra estratégia: cobriam-nos com uma baforada de fumaça sufocante, o que lhes causava uma tosse horrível, emudecendo-os no ato.</p>
<p>-     Parece que os nobres deputados perderam o fôlego! &#8211; o Bobo da Corte era um habitual gozador da infeliz minoria &#8211; e os outros caçoavam coaxando.</p>
<p>-         ASRE! (Aprovado Sem Restrições) – assim sentenciava o Rei quando o que estava em</p>
<p>jogo era engordar os cofres do palácio</p>
<p>-         PROAS (Próximo Assunto), Senhor Barão – <em>assim seguia o trem da alegria, sempre de </em></p>
<p><em>noite, nunca de dia! .  </em></p>
<p>-          Pois sim: A construção da Grande Pirâmide Energética. Ela permitirá uma eficiente   captação cósmica “radioestésica” e envolverá uma enorme soma de recursos; a bancada</p>
<p>       governista defende que, como todos serão beneficiados com tal empreendimento, as   </p>
<p>        famílias mais numerosas deverão contribuir mais que as outras!- o Frankstein  dava a deixa  para  os colegas vampiros atacarem as jugulares econômicas do proletariado.       </p>
<p>-         Apoiado! A Lei da Responsabilidade Fiscal   exige seja criada uma nova contribuição social. Ah&#8230;, que tal uma CPMP &#8211; Contribuição Provisória para a Montagem da Pirâmide? – o puxa- saco mor, conde Shiitake,  era um dos que mais excitava o apurado dom de taxação do parlamento.</p>
<p>-         ACRE! (Aprovado Com Restrições) &#8211; dessa maneira o Rei da Mamata preparava a</p>
<p>estocada final com  o seu <em>florete  tributário</em>  .   </p>
<p>-         Mas qual seria a restrição, Majestade?- Champignon era quem pintava o alvo bem no</p>
<p>peito da classe operária.   </p>
<p>-         Tem de ser CPMP –PP &#8211; Contribuição Provisória para a Montagem da Pirâmide – Potencialmente Prorrogável  – Touché!</p>
<p>-         Arre! – exclamavam os encolerizados representantes dos humildes trabalhadores,</p>
<p>antevendo que, com eles, ficaria o maior peso dos impostos e que, uma vez criados, eles não terminariam jamais!      </p>
<p>Com um soberano e um parlamento desses, os ricos garantiam seus privilégios e conseguiam controlar a maioria para trabalharem em favor de seus interesses mesquinhos.</p>
<p>Por outro lado, sua esposa, a Rainha Batráquia – uma sapa toda deformada por repetidas cirurgias estéticas – e sua filha, a princesa Papudinha representavam o que havia de mais antipático e preconceituoso neste reino (odiavam a plebe!); elas tornaram-se <em>experts</em> em dirigir todas as iniciativas do monarca e dos deputados em proveito próprio, e, por tal razão, o povão alcunhou-as de As Megeras. </p>
<p>*- Marketing Pessoal  para Tiranos e Corruptos em Geral – Crapaud, M.; Capítulo 100, Pág 555: Democracia é Coisa do Demo ! &#8211; Serie Auto Ajuda &#8211; Editora Sapo  Feliz</p>
<p><strong>II    A GEOGRAFIA DA POBREZA</strong></p>
<p>É preciso esclarecer que a razão fundamental das diferenças das condições de vida, nessa sociedade, estava na maior ou menor facilidade em conseguir-se água, o que, por sua vez,</p>
<p>refletia a maneira injusta como era administrado. Além disso, os governantes sabiam muito bem como aproveitar-se da topografia do lugar para perpetuar as desigualdades.</p>
<p>A cidade lacustre encontrava-se em uma posição muito especial de um extenso monte pedregoso, de onde um riacho, nascido lá no alto, descia interrompido por muitas cachoeiras: ela ficava, mais ou menos, a meia altura, entre seu cume e sua base, em um planalto entre duas quedas d´água &#8211; a de cima, ao norte, que alimentava o tranqüilo lago, e a de baixo, ao sul, que mantinha constante o seu nível por um equilibrado deságüe. As cachoeiras, portanto, estabeleciam, com exatidão, o início e o fim dessa nação anfíbia.    </p>
<p>Na outra direção, a leste, havia um alto paredão de pedras ;desde o início, foi defronte a ele que a corte foi se instalando e , ao mesmo tempo, ocupando todas as margens do principal reservatório de água. Com o paredão às costas, não existia o perigo de emboscadas de retaguarda e, além disso, o seu solo era muito fértil; era para esse lado que os ventos levavam o refrescante nevoeiro produzido pela cachoeira de cima, o que o fazia ser rico em plantas diversas e cogumelos gigantes.</p>
<p>Na região oeste, que recebia pouca névoa, o terreno era arenoso (não retinha água), com pouca vegetação e terminava em um profundo precipício.</p>
<p>A lagoa ficava mais perto do paredão que do despenhadeiro, de modo que, para aqueles que habitavam no extremo &#8211; oeste, chegar até ela era praticamente impossível; os carentes ficavam, portanto, neste sertão, espremidos entre o abismo e os bairros da elite, os quais, aliás,  estavam muito bem guardados por soldados grandalhões. Como diziam os nobres, quem estivesse descontente que pulasse a cachoeira e se aventurasse no riacho efluente , onde viviam   perigosas serpentes  ; ou, então, que saltasse para o profundo precipício!</p>
<p>A maior parte dos recursos hídricos ficava sob o controle de poucos e, desse modo, os sapos, em geral, não tinham como construir seus próprios criadouros de vermes, minhocas,  libélulas e, de modo particular, de moscas que, na sua dieta, são como as galinhas para nós, humanos &#8211; um alimento barato e muito nutritivo (além de movimentar um intenso comércio).</p>
<p>Menos água significava menos comida e também menos negócios e maior empobrecimen- to.</p>
<p>A secura, não raramente, matava de desidratação alguns moradores.Na verdade, a seca  fora usada, pela nobreza, como um eficiente meio de controle dos nascimentos de sapinhos : menos <em>berçários – aqüíferos</em>, menos girinos.  Não que este reino fosse superpovoado! De modo algum! Mas os ricos, que não eram de ter muitos filhos, não queriam que os sapos <em>comuns</em> fossem em número muito maior que eles (seria mais difícil dominá-los).</p>
<p>Como já comentei lá atrás, a irrigação para a periferia se dava por meio de tubulações feitas  de bambu de péssima qualidade; elas alimentavam os chuveiros públicos, os quais eram tão reduzidos em número, quanto defeituosos. Esses chuveiros funcionavam apenas como um quebra-galho para contornar as rasas poças  disponíveis e que seriam os locais públicos ideais para todos manterem sua umidade.</p>
<p>O próprio cidadão, com as patas inferiores, abaixava e levantava, repetidamente ,  a alavanca das bombas, mas era comum quebrarem-na ao tentarem uma mixuruca chuveirada; isso enfurecia o indivíduo  que, muitas vezes, terminava por arrebentá-la num acesso de raiva não controlado.</p>
<p>Precisava-se de tanta energia para bombear-se que ,até,  surgiu entre eles a figura dos Bombeiros &#8211;  indivíduos musculosos que faziam uns trocados acionando aquele estorvo para os mais fraquinhos.</p>
<p>Se o lado oeste apresentava-se feio e mal iluminado ,  pois, todos os dias, algum esfomeado resolvia dar cabo do vaga lume de algum poste de iluminação, o lado leste, ao contrário, era todo luz e cores:  aí o castelo real dominava a paisagem, cercado pelos vistosos palacetes dos membros da corte e dos burgueses- todos com paredes  incrustadas por cristais coloridos os mais diferentes . Chamava a atenção , no entanto, que, em comum, os prédios apresentavam baixos pés – direito , pois, de um modo geral, esses sedentários  haviam perdido a característica de serem bons saltadores ; até  consideravam seu modo natural de mover-se uma característica fora de moda ! Pulavam muito pouco e, para distâncias maiores,  deslocavam- se em  carruagens puxadas por  sapos &#8211; motoristas . Daí compreende-se porque  ocorria tanta amputação de patas, cortadas pelas rodas daqueles veículos, cada vez mais presentes nas ruas  e estradas .</p>
<p>Os desfavorecidos, além do racionamento, sofriam, também, os efeitos da poluição produzida não só pela elite inconsciente, como por eles mesmos.</p>
<p>Como explicaremos mais tarde, era pela rede de esgoto dos salões de beleza chiques que saia uma combinação de dezenas de poluentes &#8211; uma mistura dos mais diferentes cosméticos, tinturas, e cremes. Mas, também, era verdade que os sofridos sapos sapadores de solos rochosos &#8211;  que procuravam argilas especiais, pedras diversas , calcário, minérios de ferro, cobre, etc.-  e outros humildes trabalhadores &#8211; envolvidos com o processamento da matéria prima para cosméticos-  sujavam o ambiente sem qualquer preocupação. E nesse aspecto, o principal protagonista dessa história, Dr. Alfredo,  sempre procurara conscientiza-los do mal que estariam fazendo a si mesmos.</p>
<p>Bem, é chegada a hora de apresentar esse personagem central  .  </p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>III &#8211; DR ALFREDO FROG</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Nosso herói representava o oposto de tudo o que a classe A admirava e vivia na zona árida e miserável.   Dr. Alfredo Frog era um  mendigo que vivia de esmolas , sujinho, pele muito seca, um adulto de meia idade que usava muletas depois que uma  perna  fora-lhe amputada;  estava , quase todo o tempo , embriagado – viciado que era em Licor de Jenipapo &#8211; e essa foi , aliás , a razão do seu acidente:  largado à beira da calçada , depois de uma de suas carraspanas , ficou com o membro inferior esquerdo temerariamente  esticado além do meio fio e, de repente, ZAPT-  a roda de uma veloz carruagem  terminou por  arrancar um pedaço de seu corpo – dele, que já tivera  extraído um graúdo  naco de sua alma.   </p>
<p>Deve-se lembrar que, nesta comunidade sapos pernetas eram ridicularizados por todos: ao tentarem um pulo  um pouco mais alto , criava-se um<em> momentum</em> e, assim, giravam no ar caindo de ponta cabeça, pois a pata ausente não contrabalançava o impulso da boa.  Por isso, estes infelizes se arrastavam ao invés de saltarem, sendo maldosamente, chamados <em>sobras</em> &#8211; uma mistura de sapo com cobra. Dependiam  dos outros o tempo todo e, por esta razão, era comum morrerem sós e ressequidos.</p>
<p>Esse pobre aleijado representava, portanto, mais uma <em>sobra</em> desta comunidade inclemente.</p>
<p>Apesar disso, era muito querido pelos poucos que se lembravam do que ele havia sido no</p>
<p>passado e que entendiam as razões de ter chegado a tal estado . Pertencera a uma</p>
<p>família muito distinta, de origem anglo-saxônica, sapo de boa cepa, cuja ascendência</p>
<p>remontava a anfíbios que lutaram na guerra civil americana contra os sulistas escravocratas;</p>
<p>químico – farmacêutico, doutorado, dono de um pequeno estabelecimento, fabricara e</p>
<p>vendera somente remédios e sempre se recusara a manipular qualquer fórmula cosmética.</p>
<p>Havia, no entanto, uma procura generalizada pela pomada foto-protetora que inventara</p>
<p>(contra raios ultravioletas), pois todos reconheciam – na como, de fato,  muito benéfica.  </p>
<p>Esse medicamento estava indicado, de modo especial, para operários que trabalhavam sob o sol, como por exemplo, lixeiros ou policiais diurnos; mas os boas-vidas ricaços, que só iam para a cama depois do meio dia, saídos de alguma boate, também procuravam  com avidez a Pomada do Dr. Frog. </p>
<p>Sempre tivera compaixão pelos doentes e, usualmente, dava um jeito de passar pelo lado</p>
<p>oeste levando cremes umedecedores para aqueles com intensa sequidão. E foi nesses</p>
<p>passeios que ele descobriu a vida sofrida de seus concidadãos .</p>
<p>Por vários anos, escrevera uma coluna no Diário Imperial , no início, tratando de assuntos</p>
<p>técnicos, mas, com o tempo, passou a abordar temas sociais. Transformou-se em um duro</p>
<p>crítico do SUSS – o  Sistema Único de Saúde da Saparia &#8211; que funcionava  de modo muito</p>
<p>precário   e em total desacordo com as recomendações da Organização Pan &#8211; Americana de</p>
<p>Saúde , uma organização batráquia homônima à nossa,  humana , tão comprometida com a</p>
<p>saúde dos sapos que  até sua sigla  OPAS  dava a  demonstrar,de imediato, essa sua</p>
<p>característica fundamental .O atendimento aos necessitados ocorria em prédios muito</p>
<p>compridos, onde enfermeiras e médicos de má vontade, aguardavam, em suas salas, os</p>
<p>pacientes trazidos por esteiras rolantes: o tempo da consulta era definido não pela</p>
<p>complexidade dos problemas , mas pela velocidade da tal esteira, que acabava por retirar os</p>
<p>doentes da sala da mesma maneira que os introduzia. Não é preciso explicar o que</p>
<p>acontecia naqueles dias em que os médicos estavam mais impacientes  que o usual: a</p>
<p>velocidade  era, simplesmente, aumentada!</p>
<p>Muito observador Alfredo,também,  passara a escrever artigos sobre o excessivo número de</p>
<p>defeitos congênitos que, nos últimos anos , afligiam as crianças (sapinhos com falta de uma</p>
<p>perna, com duas cabeças,  ou com três patas). Ele defendia que, de algum modo, isso</p>
<p>deveria ter alguma relação com a poluição ambiental. No princípio, pensara na camada de</p>
<p>ozônio, mas, depois, chegou à conclusão de que a causa poderia estar na contaminação das</p>
<p>águas.</p>
<p>Descobriu, usando folhas de repolho roxo (as quais mudam sua cor para vermelho ou para</p>
<p>azul, segundo o grau de acidez do líquido onde é mergulhado),  que, de vez em quando, em</p>
<p>alguns berçários, a água se encontrava tão azeda como um limão e, noutras vezes,  o posto,</p>
<p>alcalina ,com gosto de sabonete .  </p>
<p>Começou, também, a desconfiar que o desaparecimento de girinos e sapinhos bebês –</p>
<p>levados pela correnteza por uma súbita e inexplicável  incapacidade para nadarem -poderia</p>
<p>decorrer da  infiltração das águas  por um produto cosmético conhecido como  Botulina,</p>
<p>que  paralisava os  tensos músculos responsáveis por rugas  faciais . Quando resolveu</p>
<p>escrever sobre esse assunto, passou a atacar o criador da droga, Dr. Sapan Hussein – o</p>
<p>mesmo que introduzira  o hábito do fumo  à moda de seus antigos ancestrais árabes;  de</p>
<p>um modo indireto, também passou a atacar a Rainha Batráquia – a dona da única fábrica</p>
<p>desta substância.    Certo dia, no auge de sua irritação, a família real, Hussein,  Barão de</p>
<p>Champignon e outros da camarilha decidiram  montar um complô para desmoralizar o</p>
<p>incômodo  jornalista. <em>Plantaram</em> uma linda e inteligente sapinha em sua vida, Isabela, por</p>
<p>quem ele acabou se apaixonando. Ela deveria descobrir seus pontos fracos e, por causa</p>
<p>disso, com ele   manteve um prolongado namoro .</p>
<p>Foi a época mais feliz de sua vida. Levava-a restaurantes naturais,  salões de dança, óperas, peças de teatro. <em>Bela</em> , como ela a chamava , aproveitou-se dessa intimidade e, afinal, conseguiu adentrar em seu laboratório, onde pôde contaminar todo um grande lote da pomada foto-protetora com o terrível vírus da verruga de sapos.  Depois disso,sem qualquer explicação  , escafedeu-se .  No início, Alfredo não entendeu o porquê do sumiço, mas, depois de algum tempo, descobriu pistas (recusadas pelos tribunais) que indicavam ter sido Isabela a responsável pela ¨sapotagem¨.</p>
<p>Teve que enfrentar a depredação de seu estabelecimento por agitadores  bem pagos , manchetes escandalosas e dezenas de processos judiciais que o arruinaram com tantas indenizações – tudo pré-arranjado pelos conspiradores . O sofrimento psicológico, a pobreza e, de modo relevante , a desilusão amorosa levaram-no à mendicância e à bebedeira.</p>
<p>Para piorar sua situação, o vício foi sendo , dia após dia,  estimulado por muitos e isso por uma estranha razão : alcoolizado, a partir de certo momento, ele mudava  sua personalidade e , delirando, assumia o comportamento de um rei abobado, o que divertia a todos os que assistiam esse quadro deplorável.</p>
<p>Acontecia assim: de repente ,  seu olho direito ficava estrábico e ele, de pé, equilibrando-se em sua muleta  começava a proclamar-se:</p>
<p>-         Eu sou o Rei Alfredo. O que quereis que eu vos faça? – iniciava-se, dessa maneira, o</p>
<p>ridículo quadro de alucinação.</p>
<p>Então, os que estavam pelas ruas começavam a caçoar e a provocá-lo com pedidos absurdos ou gracejos humilhantes.</p>
<p>-         Hei Majestade! Queremos que ¨Vossa Jenipapança¨   desvie  a cachoeira de cima para o bairro;  aí, não vamos precisar mais daqueles chuveiros  estragados!</p>
<p>Ou então :</p>
<p>-     Ó, seu rei, converse com o Rei dos Céus para ele mudar a direção do vento ¨prô¨ nosso  lado: ¨nóis¨ é que  precisamos de névoa e não aqueles ricaços!  </p>
<p>Ou ainda:</p>
<p>-         Oh , King  Frog , where is the fog ? ( quem  lançou esse mote foi um aristocrata</p>
<p>descendente de sapos confederados  norte americanos , do estado do  Alabama,   e ele  colou entre  a maioria ignorante, mesmo sem  compreenderem   bem o seu  significado ; Lord Ronald era  dono de um Fast Food, que vendia velocíssimas e gordas  libélulas, e que  não gostava , nem um pouco,  de Alfredo ) .</p>
<p>Essas eram algumas das provocações ao pobre bêbado.</p>
<p>Mas a coisa não terminava aí; quando alguém o fazia a tomar alguns tragos a mais, ele</p>
<p>mudava abruptamente  seu papel: passava a apresentar estrabismo do outro olho, soltava a</p>
<p>muleta, e começava a balançar o corpo e a cantar uma rumba bastante alegre,</p>
<p>redemoinhando as mãos juntas, ora de um lado da cabeça, ora do outro :</p>
<p>-         EU SOU UM SAPO, CHICA BUMBA CHICA-BUMBA!</p>
<p>-         MUITO FELIZ, OH CHICA BUMBA CHICA-BUMBA!</p>
<p>-         COM ÁGUA LIMPA, FICO MUITO MAIS CONTENTE!</p>
<p>-         COM ÁGUA SUJA, FICO MUITO MAIS DOENTE!</p>
<p>O pessoal quase estourava os papos de tanto rir. E, como sempre acontecia, depois de duas ou três repetições , o ex &#8211; respeitado farmacêutico desmaiava, caindo inerte para traz (quando, para piorar,  pequenos ladrõezinhos aproveitavam-se para roubar-lhe as esmolas!).</p>
<p>Ninguém sabia dizer, ao certo, a razão desse comportamento estranho, que, na verdade tinha a ver com Isabela: ele ficara muito impressionado com o personagem de uma peça que  com ela assistira  no último dia em que a viu (uma adaptação anfíbia do Rei Lear, de Shakespeare). E quanto ao Chica-Bumba, foi uma canção de sucesso (de uma tal Sapa Miranda),que ele dançou com sua amada em uma das memoráveis noites de romance.</p>
<p>Esse  jeito estrambótico havia se tornado tão conhecido, que sua fama chegara até à corte, onde só se matraqueava  sobre um adoidado muito divertido ,  identificado, apenas, como Alfredo Chica Bumba.</p>
<p>Um dia, em troca de alguns goles , ele foi levado ao palácio para um deprimente  espetáculo diante de nobres ansiosos por baixarias. Lá, ninguém, sequer, desconfiou de sua verdadeira identidade, tal o estado físico e mental em que se encontrava. E quando, afinal,  perdera a graça, foi  enxotado para a sarjeta.</p>
<p>Na realidade , não só Dr. Frog  Bumba  estava física e mentalmente  doente.  Era toda a saparia desse reino, pois mesmo os mais carentes tinham, lá,  as suas mazelas.</p>
<p>Mas entendamos como se dava tudo isso.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong><strong>IV- ESQUISITICES  E DESVIOS  </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>A elite padecia de intensa obesidade e, para piorar, de um modo geral, eram chegados ao alcoolismo (o licor de que já falamos e, ainda, o Vermute – um destilado de vermes fermentados).  </p>
<p>Só alguns poucos sapos médicos , dignos herpetologistas  – e também o Dr. Alfredo, nos seus tempos de prestígio &#8211; defendiam que a solução do problema estava em moderar a ingestão de vermes, moscas e minhocas e reduzir, em muito, o consumo de bebidas alcoólicas e as idas a Fast Foods. Além do mais, o  respeitável químico dava  nome ao problema com todas as suas letras: o-b-e-s-i-d-a-d-e, e se recusava a usar – como tantos outros &#8211; termos politicamente  corretos , como <em>superávit nutricional</em>, ou <em>hiper-densidade corporal</em> ou, ainda, <em>incremento das dimensões horizontais</em> (*).</p>
<p>Mas, certas indústrias, controladas por uns poucos, insistiam que a resposta para esse problema estava no consumo de alimentos chamados light (leia-se laite). Tais indústrias utilizavam-se de empresas de marketing (**)  muito eficientes para criarem indispensáveis  necessidades supérfluas.</p>
<p>Antes do início de toda peça encenada no teatro de Sua Majestade, atores representavam uma mini-ópera em que um graúdo cantor enfartava num <em>dó-de-papo</em> ( o equivalente ao <em>dó de-peito</em> dos  tenores humanos)  ao defender a comilança dos alimentos <em>in natura</em> e ao colocar-se  contra o consumo dos tais dietéticos:</p>
<p>(*) Marqueting Pessoal para Esteticistas  – Crapaud , M ; Capítulo 1, pág 1: O Que Dizer e o Que Calar – Série Auto Ajuda &#8211; Editora Sapo Feliz -  </p>
<p>(**)  RNA PROPAGANDA – Crapaud &#38;Champ </p>
<p>Comer, comer!</p>
<p>Comer, comer!</p>
<p>Para o papo poder crescer</p>
<p>Light não como!</p>
<p>Ligth não como!</p>
<p>Não está no meu cromossomo.</p>
<p>Meu cromossomo</p>
<p>Meu cromossomooooo!!!</p>
<p>A potente nota dó vinha na sustentação vocal desse último <em>o</em> e com ele, a síncope – cena que provocava forte comoção entre os gulosos!</p>
<p>Em seguida, uma rã sapateadora ( uma bengala <em>chique e charmosa, um chamativo chapéu,com seixos chatos  sob as chinelas</em> ) entrava para dançar um sonoro jingle  incitando a platéia a consumir a tal comida light;  a melodia era um plágio descarado do Singing in the Rain , uma bonita canção humana , muito antiga &#8211;  quase do tempo em  que se escrevia anfíbio com ph  ( pergunte a seus avós ! )   :</p>
<p>Só quem sabe  é da soçaite,</p>
<p>Procure em qualquer site,</p>
<p>Com qualquer birinaite,</p>
<p>Só se come comida light</p>
<p>Não se entupigaite!</p>
<p>Proclame por toda a parte</p>
<p>Não vou cobrar copirraite! </p>
<p>Só coma  comida light!</p>
<p>Na verdade, o que chamavam de comida light eram insetos desidratados, os quais haviam se tornado uma das sensações do momento.</p>
<p>- Seu criador ? Quem senão o milionário Dr  Hussein ! Ele ficara  tão rico  com suas criações que acabou por  despertar a inveja das Megeras e,  num dia fatídico , foi  traiçoeiramente atirado cachoeira abaixo  por  bandidos mascarados- jamais localizados !</p>
<p> Bem , mas voltemos a assuntos menos pesados !</p>
<p>Os tais bichinhos  light   tinham, de fato, um aspecto muito magro e, portanto, apenas pareciam comida  ¨emagrecedora¨.</p>
<p>Seu consumo era, mesmo, curioso, pois, embora,  sapos precisem de muita água, os ricaços desafiavam sua própria natureza: comiam vermes, moscas e besouros – todos secos &#8211; para, em seguida, beberem copos e mais copos (dava tudo no mesmo!).</p>
<p>Outro prato só acessível aos ricos, devido seu elevado preço, eram minhocas (também desidratadas!), servidas em filés (filé – minhoca), ou como espaguete. Esse invertebrado era criado no solo úmido e fértil do lado leste e também havia se transformado em monopólio de alguns privilegiados.</p>
<p>Os restaurantes chiques serviam os comestíveis secos utilizando lançadores &#8211; como aqueles usados em nossas competições de tiro em discos &#8211; pois, mesmo com toda a artificialidade, os sapos adeptos a esse tipo de dieta não conseguiram eliminar a necessidade inata de só comerem insetos que se movimentam abruptamente   (e moscas mortas não voam, não é verdade ?).</p>
<p>Mas moda é sempre moda e, por isso, até mesmo certa parcela do povão começou a imitar os  <em>cheios da nota </em>: passaram a comer comida desidratada !  Os açougues que os vendiam não colocavam preços tão altos quanto na ala leste, mas a embromação vinha de suas balanças, tão enganadoras quanto um relógio suíço quebrado: eram açougueiros miseráveis lesando consumidores carentes (e metidos!).</p>
<p>Nas áreas pobres, moscas vivas – e de má qualidade &#8211; eram encontradas em restaurantes chamados naturais. Soltavam-se os insetos defronte à cadeira do esfomeado (não se usavam mesas) e a trapaça usual  era que se tratava de moscas muito velhas e mal nutridas.  Maquiadas de preto para parecerem mais jovens, a natural lentidão do vôo desses insetos com data de validade vencida   era disfarçada espetando-lhes um espinho em seu bumbum – o que os deixava  velozes !  Além disso, enfiavam-lhes uma boa colher de bicarbonato goela abaixo, numa tentativa de esconderem a magreza. O bicarbonato – tal como nós mesmos usamos, algumas vezes, por má digestão &#8211; produzia gás dentro das suas  barriguinhas; essa  malandragem  deixavam- nas mais cheinhas e, portanto, com aparência mais saudável( dizia-se  que a técnica fora criada por um autor indiano(*)  )  </p>
<p>A cena comum nos <em>restaurantes – espelunca</em> era assim: depois de engolirem vários daqueles voadores efervescentes , os sapos estufavam , arrotavam e, em regra,    soltavam um pum constrangedor: era a conhecida <em>indigestão do bicarbonato</em>.</p>
<p>Bem , se você está achando que  é muito problema para uma só saparia ,aguarde os  próximos capítulos.  Foram desvios  como esses   &#8211; e outros tantos- que esgarçaram  o  tecido social desse reino , tornando-o vulnerável a conquistadores cruéis . Afinal , não é o enfraquecimento  da consciência  do cidadão como parte de um todo  que, também, explica  a desagregação  social  entre nós , humanos ?</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>V   ÀS VESPERAS DA INVASÃO </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Era uma daquelas noites comuns. Preocupado, o Primeiro Ministro solicitara uma urgente audiência, precisamente  na hora  em que o soberano mostrava-se o  menos receptível  para  atender quem quer que fosse: a hora de seu banquete.</p>
<p>-         Majestade, os soldados das torres informaram que estranhos sapos &#8211; perto de 30 &#8211; estão vindo em nossa direção.</p>
<p>-         Estranhos em que, senhor Ministro? – perguntou , displicente, sob  a armação de uma pirâmide  feita de  caules de taboas .</p>
<p>-         Bem, parece que&#8230;</p>
<p>-         Diga!</p>
<p>-         Eles têm chifres</p>
<p>-         Chifres?!</p>
<p>-         Sim</p>
<p>-         Vêm da cachoeira de cima ou as de baixo? &#8211; perguntou sem permitir que os garçons lançadores de moscas interrompessem  seu trabalho, ou que  sapas indianas  parassem a percussão da tablas ( aqueles tambores de som tipicamente  oriental)</p>
<p>-         Da de baixo, Majestade .</p>
<p>-         Ótimo: não conseguirão ultrapassar a altura de nossa queda d’ água &#8211; Batráquio sorveu</p>
<p>(*) Marquetingui pra conçumidores de baicha renda e anaufabetos – Xuaprac,W – Serie Se Ajuda &#8211; Editora</p>
<p>Répi Frogui</p>
<p>um grande gole do  cálice de Vermute e soltou um sonoro arroto, imaginando ter encerrado o assunto. </p>
<p>-    Majestade, eles têm três vezes o nosso  tamanho.</p>
<p>-         Três?! &#8211; exclamou engasgando</p>
<p>-         E são bons saltadores, com patas posteriores muito musculosas.</p>
<p>O Rei silenciou , e , levantando o ¨bração¨, mandou todos  congelarem em seus lugares ; em seguida,  inquiriu Champignon com certa inocência:</p>
<p>-         Quem sabe é só uma visita de cortesia&#8230; Não?</p>
<p>-     Pelo que vimos não são inofensivos.</p>
<p>-         Como assim?</p>
<p>-         Bem&#8230; Cortaram as cabeças de algumas serpentes, que ousaram enfrenta-los, com um simples golpe de suas garras afiadas.</p>
<p>-          Garras! &#8230;Afiadas! &#8230;Então é uma invasão?</p>
<p>-         Temo que sim, Majestade.</p>
<p>-         Chame todos os guardas!  Prepare a defesa! Comecem a jogar as nossas bombas na cachoeira (  cactos espinhosos ) &#8211; as maiores que tivermos! &#8211; ordenou entre apavorado e colérico ( todo o séqüito pulou fora , no mesmo instante !)  </p>
<p>-         Eles fugiram , Majestade.</p>
<p>-         Quem fugiu ? . Não me confunda!</p>
<p>-         Os guardas. Quando se espalhou à notícia do ataque, deram nas patas. Temos apenas uma dezena de soldados.</p>
<p>Depois dessa notícia, Batráquio  pensava em mais nada a não ser escapar. Achava que ele seria a primeira vítima e nem se importava muito com o que  poderia acontecer com sua esposa ou à filha – por quem não tinha muita afeição.</p>
<p>Mas o que fazer? Saltar a elevada cachoeira de cima era impossível, mesmo para um bom atleta e muito menos para ele.  Estava entre o paredão de pedras e o precipício. Camuflar-se entre seus sofridos súditos seria tão arriscado quanto ser capturado, pois desfrutava da mesma popularidade que o Bin Laden entre norte-americanos.</p>
<p>Depois de alguns minutos de cara fechada, um largo  sorriso apareceu em sua bocarra:</p>
<p>-         Alguém vai ter que assumir meu lugar! – gritou entusiasmado como se tivesse chegado a uma solução perfeita.</p>
<p>-         Como, Majestade?! – interrogou o primeiro Ministro &#8211; Quem faria isso nessas alturas?</p>
<p>-         Alguém tem que se passar por mim e eu – o Rei &#8211; devo ser protegido!  Chame o Bobo !</p>
<p>-         Mas, o Bobo nunca passará por rei!</p>
<p>-         O Bobo, eu falei! – ordenou com seu característico  autoritarismo .</p>
<p>E lá foram chamar o senhor gracejos.</p>
<p>Depois de cumprimentá-lo de modo suspeitamente  íntimo, o ardiloso Rei e o boboca assustado passaram a conversar, andando de braços dados, como se fossem velhos amigos, Foram se afastando de Champignon e, já à beira do para-peito (ou para –papos, como queiram)  do terraço , com a ajuda nervosa do próprio soberano, o Bobo começou a despir seus trajes típicos ( um chapéu de bicos com chocalhinhos nas pontas  e calça e camisa em losangos de tecidos multicoloridos).</p>
<p>Ao  chegarem às roupas de baixo, Batráquio deu uma histérica gargalhada ao reparar na risível  cueca samba canção com desenhos de muitos cogumelinhos .  Então ,o Rei pediu que o ¨peladão¨ se virasse  de costas.  Sem entender, mas submisso como sempre, obedeceu. Nesse instante , Batráquio deu-lhe a mais potente patada de que era capaz, jogando-o cachoeira abaixo. Refeito da dor que isso lhe causara em seu  membro artrítico , imediatamente , começou a desfazer-se de sua indumentária , ali mesmo , a começar pela peruca .Surpreso  com tudo aquilo , o Barão arriscou  aproximar-se  do stripper. Foi quando  pôde ver , em detalhes  a estranha cabeça de Batráquio: haviam duas bolotas em suas  têmporas, de maneira simétrica, de modo que , vistos de perfil ,  pareciam as orelhas de um urso panda.  Não havia como a  coroa  ficar presa à cabeça  do  monarca e, daí, o recurso da cabeleira !   </p>
<p>- O que é você está olhando,  Sorvete de Pimenta? &#8211; o <em>Rei Nu</em> , com esse desafio,</p>
<p>quis  eliminar um risinho   gozador que se esboçava no rosto de Champignon.</p>
<p> - Nada! Nada, Majestade!</p>
<p>- Deixe-me  explicar: eu serei o novo Bobo . Nenhum invasor ataca os que lhes  parecem inofensivos – ao contrário, até os prestigiam!    Chame as costureiras. Elas precisam  ajeitar-me estas vestimentas (seu manequim era muito maior que o do desafortunado</p>
<p>súdito).</p>
<p>-         Mas, quem vai ficar em seu lugar? Vossa majestade sabe que, eu,  mesmo, gostaria, mas&#8230;</p>
<p>-         Não necessito de sua ajuda &#8211; interrompeu-o  com desabrido -  Eu tenho a solução ! – exclamou  o Rei dos Bobos</p>
<p>-     Aquele sujeito!</p>
<p>-         Mas que sujeito, majestade?</p>
<p>-         Aquele. Aquele que diz ser rei quando se embebeda.</p>
<p>Depois de alguns instantes para matar a charada, o ministro esbugalhou os olhos. </p>
<p>-         O Chica Bumba! Majestade&#8230;! Não!&#8230;Não vai dar certo!</p>
<p>Não é preciso dizer que prevaleceu o seu derradeiro  programa de governo:  <em>Meu Reino por Um Bêbado</em> ! <strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>VI-  VAIDADES E VÍCIOS </strong></p>
<p>Antes de continuarmos  com o que  se sucedeu com Dr.Alfredo,  devemos  tentar conhecer , um pouco mais , os contextos social  e político desta comunidade amalucada, os quais sofrerão   modificações tão profundas , quanto inesperadas .</p>
<p>A elite , fazia muito, entrara num processo de  decadência  de  seus valores  : além das muitas  bebedeiras  e  da comilança desenfreada ,  uma característica marcante  da  aristocracia era a inutilidade do dia- a- dia, pois viviam no <em>dolce far niente</em> (  na doçura da ociosidade – como dizem os italianos ). Só se podia afirmar  que eles apreciavam  o trabalho  em um único sentido : podiam ficar horas  e horas  vendo o trabalho dos outros !</p>
<p>O tempo era, mesmo , preenchido  pela preocupação exagerada com si próprio,  com  a própria estética  </p>
<p>As sapas gastavam fortunas em cirurgias plásticas , de modo especial , uma conhecida como <em>lipo-papo aspiração</em>. A própria Rainha estava tão estirada que sua boca nem abria direito: quando pronunciava certas palavras que exigiam mexer muito os lábios, seus braços se movimentavam, como num tique incontrolável. Essa mesma  limitação  também não mais permitia que, sozinha, passasse rímel em seus próprios cílios, pois, tal como acontece com  fêmeas humanas diante do espelho, tal operação exige – sem que ninguém saiba  o porquê &#8211; a abertura da boca (observe uma delas!).</p>
<p>Por outro lado, aquelas de papos miúdos, que  acreditavam que um papo no tamanho certo era essencial para o sucesso, viviam atrás de implantes de resinas dos sapotizeiros, a árvore que produz o sapoti (planta da qual, aliás, nossas indústrias extraem a matéria prima para  os chicles!). E não eram só as miúdas que  davam tudo por um preenchimento ! Não! O próprio Rei , no passado, usara desse recurso  para  levantar suas pálpebras  superiores; mas, como sapos, para  engolirem,  fecham os olhos com bastante força,  o material sob a pele  acabou migrando  para as têmporas  do comilão – essas eram as bolotas que Champignon  contemplara no <em>striptease </em>de Batráquio e a explicação definitiva para a incongruência da coroa.</p>
<p>O principal  responsável pelos implantes era o respeitável Dr Ivo Sapitanga ,  médico com</p>
<p>uma extensa lista de  opulentos clientes , os  quais faziam questão de não se conhecerem uns aos outros. Por isso , sua requintada clínica  tinha uma única porta de entrada , mas várias de saída , exatamente,  para que os  endinheirados  não se encontrassem após os procedimentos (*). É evidente: tal como acontece entre nós,  uma conquista estética é sempre motivo de  muito mexerico e , daí , toda discrição é pouca .</p>
<p>No entanto, em uma  situação esses cuidados resultavam baldados: quando, por algum motivo qualquer, os <em>preenchidos</em>  vinham a falecer .Como a cremação era  a maneira habitual <em>dar cabo</em> dos defuntos, o estouro da pelota de resina , pelo calor, sonorizava  um  PÓP  de intensidade  e em  número variáveis , segundo o uso ou abuso  do  <em>recurso resinoso</em>. Assim,  tal fenômeno  post mortem  transformara as exéquias de figurões  em concorridos eventos, pois  , tanto nobres,  como a  plebe ( do lado de fora ) comparecia ao crematório  para descobrir , pelos ruídos, o quanto o morto  tinha  recorrido  aos talentos do  Dr. Sapitanga .Entre o  povão gozador, corria a fama de  que o recorde havia ficado  com uma antiqüíssima  atriz do Teatro Imperial: depois de assistirem a seu  memorável funeral , passaram a alcunhar  os funcionários do crematório de Pipoqueiros!     </p>
<p>No SPA DAS SAPAS, de propriedade da maior linguaruda do reino -  e, também,  escritora de renome &#8211; Madame Crapaud (lê-se Crapô com r carioca), a velharia enganava-se a si mesma,  pagando os tubos pelas chamadas máscaras faciais.  Essas pastas, espalhadas nos rostos ávidos por rejuvenescimento, eram compostas de argila preta e ferrugem, ou de enxofre com polpa de maracujá ou,ainda , por uma gororoba  obtida pela combinação dos diferentes  ingredientes . Não havia janelas nesse salão dos monstros – retiradas depois da constante importunação dos transeuntes que se divertiam ao ficarem sapeando,escondidos, o aspecto  hilário daquelas senhoras. Elas passavam horas deitadas, com os olhos fechados por compressas oculares de fatias estreladas de carambola ou de rodelas redondas de caquis, e , por isso, custaram a perceber que estavam sendo observadas por dezenas de pupilas  curiosas.  </p>
<p>Não é preciso explicar porque tanto terreno úmido e fértil fora destinado a plantações daquelas <em>frutas da juventude</em>, descuidando-se da  população carente, que se espremia no sertão infértil da zona oeste.  </p>
<p>Madame Crapaud (conhecida, entre a plebe, como Madame Meleca) cuidava , ainda ,  da melhor academia  de <em>ginástica passiva</em> do reino  – aquela  em que os exercícios são realizados – ou melhor dizendo, simulados -  sem requerer  qualquer  esforço  dos  alunos : esquisitos  estimuladores elétricos musculares  incumbiam-se  das  flexões  abdominais ( e ,</p>
<p>(*)  Maketing Pessoal Para Cirurgiões Plásticos –Crapaud ,M-  Pág 1999, Capitulo 103: O Resultado Bom é Meu ; o Ruim, do Concorrente – Série Auto Ajuda – Editora Sapo Feliz</p>
<p>também , curto – circuitavam  as patas posteriores, fazendo-os pularem ) ; <em>eliminadores de gorduras localizadas</em>  eram  mal disfarçados  aquecedores ,que só faziam  suar a pele  sobre a qual  eram  colocados ; levantadores de pesos, cheios de roldanas redutoras de</p>
<p>forças, permitiam elevar  halteres de pesadas pedras  com  apenas um dedinho  e  corridas, em esteiras velocíssimas, eram realizadas  usando-se   um acessório indispensável: um par de patins!   </p>
<p>Essa  <em>sapa sagaz</em> (que, dizia-se à boca não muito pequena, era namorada de Champignon), também, mantinha um dos maiores estoques de bicarbonato de todo o reino, e isso depois que se consagrara com o lançamento de suas Massagens Tabatingá &#8211; como ela dizia com seu sotaque afrancesado. Suas funcionárias, com movimentos manuais velozes  aplicavam, nas costas  dos clientes,  suaves  golpes, à semelhança de golpes de caratê, para  espalharem uma mistura de tabatinga (uma argila branca) com o famoso bicarbonato: isso  fazia levantar pequenas bolhas de gás carbônico  sob a pele descamante &#8211; estouradas  no ato. Aliás, era nesses <em>moments du tabatingá</em>, que  a fumaça venenosa da maledicência impregnava toda a atmosfera do  salão, e era,nesse mesmo tempo , que  a francesinha  tomava conhecimento  de tudo o que se passava no reino.   </p>
<p>Mas o que vinha fazendo estrondoso  sucesso , há já algum tempo, era, mesmo,  a tal Botulina – de que já  falei:  injetada sob a pele enrugada, mantinha-a esticadinha por muito tempo, o que, marcadamente , as  marcadas velhotas, apreciavam sobremaneira.</p>
<p>A rainha Papudinha havia usado tanta Botulina (por causa de umas ruguinhas nos cantos da boca) que sofrera até uma paralisia facial! Esse acidente a deixara inexpressiva e muda, pois todos os músculos da fala tinham sido afetados; por essa razão, há meses, não conseguia  comunicar-se  e, aí, teve que aprender a linguagem de surdos. Viu-se obrigada a contratar uma empregada especializada na comunicação por sinais  para traduzir seus comandos exigentes (Era divertido vê-la discutir com gestos nervosos e rápidos, os quais, com muita calma , a tradutora explicava ao interlocutor).</p>
<p>Nas festas da corte podia-se ver a quantidade exagerada de batons de urucum, sombras de azinhavre ou de jenipapo, delineadores de argila negra. Nem mesmo os velhos machos eram menos vaidosos e  o Rei Batráquio vinha antes de todos  na  fila desses presunçosos . Cobriam seus papões amarelos e flácidos com um creme a base de enxofre para esconderem as muitas pintas verdes que lhes apareciam com a idade. Isso explicava porque  viam-se tantas manchas amarelas boiando na superfície do lago no dia seguinte a festas badaladas: era sinal de que os pintados tinham se esbaldado em farras  .</p>
<p>Agora digam-me :  essa comunidade  não estava quase que pedindo para ser  vitimada por</p>
<p>um desastre ? É &#8230;muitas vezes , o caos deve  preceder  o  recomeço .   </p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>VII A INVASAO </strong></p>
<p>Seqüestrado, o mendigo  foi levado ao palácio semi-consciente, sem entender nada do que estava acontecendo.</p>
<p>De roupão e muito trêmulo – tanto da ressaca, quanto de medo &#8211; duas camareiras das Megeras borrifavam líquidos cosméticos em sua pele ressequida, tentando dar à sua cútis o aspecto sedoso e úmido da pele dos aristocratas.</p>
<p>Banho de espumas, cremes de enxofre e, agora, sóbrio, foi visitado pelo seu seqüestrador no dia seguinte. O novo bufão estava com aparência mais engraçada que o  antigo: o rosto  todo branco de tabatinga, a bocarra circundada por um grosso contorno de urucum , as bochechas   azuladas por corante de jenipapo ;  o gorro  recebeu duas aberturas para a saída das <em>orelhas de panda</em> ,agora , pintadas de amarelo. Mas se o externo era multicor, o interior estava cinza.</p>
<p>-          Mas por que eu? Eu não sei representar, sou apenas um mendigo, um&#8230; alcoólatra-</p>
<p>Alfredo reclamou depois de  o Rei dos Tolos  comunicar-lhe  como deveria comportar-se.</p>
<p>-         Você é cidadão desse reino e tem obrigações para comigo. Vai fazer  o que eu mandar!–</p>
<p> Batráquio gritou  com rispidez . </p>
<p>-         Um rei aleijado? – desafiou Frog.</p>
<p>No estalar dos dedos reais, o engenheiro Oto e seus auxiliares entraram no aposento trazendo uma pata mecânica &#8211; uma prótese desenvolvida às pressas.</p>
<p>O chefe tentou dar uma explicação técnica sobre seu funcionamento:</p>
<p>-         Trata-se de uma pata feita de resina especial, com molas inoxidáveis, controlada por servomecanismo sincronizado ao membro contra lateral, o que lhe permitirá saltos equilibrados de até 25 cm sem qualquer dificuldade e, além disso&#8230;</p>
<p>Batráquio  interrompeu-o exasperado .</p>
<p>-         Basta com isso!  Os invasores estão chegando e você aí, com esse palavrório! Tragam-no, aqui , no trono !  Costureiras: ajustem o meu roupão de gala no corpo desse caquético para despistar todos estes ossos&#8230; e também para cobrir esta parafernália  horrível!</p>
<p>E referindo-se à feiúra da prótese, emendou: &#8211; O senhor devia ter um arquiteto em sua equipe!</p>
<p>-         Bandoleiros à vista! – gritou o sapinho sentinela</p>
<p>-         Rápido! Beba isso!– ordenou Batráquio.</p>
<p>Diante da resistência  do coitado, os soldados agarraram-no : fizeram-no engolir a garrafa de licor à força . Começando a ficar embriagado, passou a cooperar e, pouco a pouco, foi bebendo os copos que lhe eram dados até o efeito desejado ser alcançado. De repente, surgiu o estrabismo do olho direito e ele se proclamou:</p>
<p>-         Eu sou o rei Alfredo. O que quereis que eu vos faça?</p>
<p>Batráquio exultou  com  o resultado  de sua <em>fulgurante</em> estratégia. Em seguida , colocou  sua grande coroa em seu  dublê : ela foi parar nos  ombrinhos raquíticos do Dr.Jenipapo , ocultando-lhe  a cabeça e o pescoço , o que lhe dava a aparência de  monarca entronizado depois de guilhotinado .</p>
<p>-   Maldito microcéfalo! – vociferou  raivoso;  mas – <em>fiat lux</em>- novamente , brilhou  a  lampadinha  de sua parca  criatividade ( <em>de , no máximo, 3 Watts</em>), e  o novo Bobo  saiu-se  com essa: usou sua ¨perucona¨  para compensar as desproporções evidentes  e , desse modo,  impediu  o ridículo escorregamento .       </p>
<p>Colocou, então , o resto da bebida no  cálice real , e tomando , também ele , um gole de coragem , ordenou :</p>
<p>-         Vamos logo! Vamos até o trono! Minha mulher e todos os deputados estão nos esperando – completou o soberano auto destronado.</p>
<p>-         Nem todos. Nem todos, Majestade &#8230; &#8211; murmurou o Primeiro Ministro, sem dele conseguir qualquer atenção a essa observação .</p>
<p>Lá do trono, o ex-monarca mandou ligar os alto-falantes que cobriam todo o reino, e deu o microfone para o Barão fazer  um breve pronunciamento  ensaiado  :</p>
<p>-         Bem vindo, excelentíssimos senhores sapos chifrudos! O Rei Alfredo saúda a todos os ilustres visitantes!</p>
<p>A população assustada não deixou de reparar na estranha frase:</p>
<p>- Mas que Rei é este? &#8211; todos se perguntavam</p>
<p>Arrombaram a porta do palácio. À frente, vinha o chefe dos invasores, o General</p>
<p>Chifrudão, seguido por três dezenas de soldados – todos com o mesmo aspecto feroz.</p>
<p>Agora podia-se observá-los bem: muito grandes, o rosto, o papo e os membros</p>
<p>avermelhados, de um vermelho intenso; no dorso, passando pelo lilás, a pele de um azul</p>
<p>bastante escuro, formando uma faixa sobre  a coluna dorsal ; dois chifres curtos e curvos</p>
<p>para dentro, de pontas rombas e dentes caninos aparentes , muito agudos ; nos olhos,</p>
<p>pupilas negras e compridas, como a dos jacarés; atrás dos ouvidos, salientes glândulas de</p>
<p>veneno &#8211; também de cor azul; nas mãos, como haviam percebido de longe &#8211; dedos com</p>
<p>unhas cortantes e as patas inferiores muito musculosas .O mais enigmático, no entanto, era</p>
<p>a presença de uma terceira pata superior- um braço esquerdo-  cuja mão segurava uma</p>
<p>ameaçadora fivela (em forma de crânio!)de um largo cinturão .</p>
<p>Calado , o General foi aproximando-se  do trono, encarando, não só Alfredo, mas também</p>
<p><em>suas</em> amedrontadas esposa e filha, o sisudo Ministro Pimenta  (que segurava o cálice com a</p>
<p>bebida controladora) e o Bobo Batráquio, cujo sorriso tolo não combinava com seus olhos</p>
<p>arregalados de pavor. Aqueles segundos de tenso silêncio só foram quebrados pelo estalar</p>
<p>da pata mecânica do rei dopado, a qual, de modo inesperado , pulou sob o roupão</p>
<p>(Batráquio apressou-se em recolocá-la   e praguejou,secretamente,  contra o engenheiro</p>
<p>Oto).</p>
<p>O invasor viu o mendigo disfarçado  como um soberano muito magro, abatido e de pele</p>
<p>descamante, o que contrastava com as gordurinhas transbordantes e o brilho cutâneo  dos</p>
<p>outros ao seu redor. Inspecionou a bancada dos deputados e também notou que, dentre os</p>
<p>poucos presentes,  a maioria parecia-se com o monarca – com um perceptível ar de sofredor</p>
<p>(era isso que Champignon quisera dizer ao rei auto deposto: a maior parte  dos nobres</p>
<p>deputados havia fugido).</p>
<p>Não lhe escapou, ainda, o cheiro alcoólico quando passou pelo trono , pelo Bobo e por</p>
<p>alguns desmazelados parlamentares.</p>
<p>Chifrudão, então, interrompeu a interminável  inspeção  com uma inesperada observação:</p>
<p>-         Parece que Vossas Excelências têm tomado muito sol por aqui! &#8230;</p>
<p>E acrescentou:</p>
<p>-   Vejo também que nem todos neste reino julgam que somos dignos de uma recepção   </p>
<p>calorosa – desabafou, reparando nos muitos assentos vazios &#8211; Oh, não, não! – completou com ironia .- Certamente  não vieram nos receber porque estão mais ressecados que Vossas</p>
<p>      Excelências! Mas, sabem meus amigos, trouxemos algo que poderá vir a  interessa-los :  </p>
<p>      um ¨amaciante¨ de pele muito eficaz!</p>
<p>E daí ordenou com firmeza:</p>
<p>-    Sargento: encontre os faltosos e façam-nos a serem os primeiros a provar  nosso    </p>
<p>     ¨amaciante¨!</p>
<p>-         Sim , Comandante!  .</p>
<p>Voltando-se para o trono, o militar continuou o discurso em tom de gozação</p>
<p>     &#8211; Ah, mas Vossa Majestade está em seu posto!   Muito bom!</p>
<p>Nesse momento , coagido por uma discreta cotovelada  do assustado Bobo,  o mais mendigo dos reis  falou com a dicção típica dos embriagados, mostrando grande tranqüilidade :</p>
<p>-         Eu sou o Rei Alfredo. O que querereis que vos faça?</p>
<p>-     Ora, ora, ora! . Mas que soberano mais bem educado!- E adotando um tom sério, acrescentou:</p>
<p>-  Estamos aqui como uma ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL, senhor Rei: somos o GREEN &#8211; PLEASE. Lá em nossa região tem chegado muito da porcaria que vocês,  aqui, jogam cachoeira abaixo: espelhos quebrados, garrafas vazias, perucas, <em>colants,</em> pedaços de resina , lixo, lixo, lixo! (gritou inflamado); e, recompondo sua  sobriedade  militar mil vezes ensaiada,  completou:</p>
<p>- Viemos para acabar com esta poluição!</p>
<p>Neste instante a pata sobressalente do invasor ganhou vida própria e ensaiou gesticular um não com seu dedo indicador pontudo, ao que ele reagiu com irritação, dando-lhe uns tapas e  imobilizando-a sob seu cinturão; o mesmo aconteceu com as mãos de seus subordinados, que decidiram acompanhar o exemplo do chefe o mais prontamente  possível, pois morriam medo de uma punição).</p>
<p>Com entonação tranqüila, mas firme, prosseguiu :</p>
<p>- Alguns de nós adoeceram   por causa da contaminação da água que vocês fazem aqui em cima. E isso vai &#8230; a- ca- bar-  falou escandindo as sílabas.</p>
<p> - Não queremos seu dinheiro. Não queremos suas mulheres.  Não queremos sua comida  </p>
<p>    ou qualquer coisa desse reino decadente. Vamos ensiná-los a comportar-se  e os  </p>
<p>    recalcitrantes  serão punidos. A partir de amanhã, nossos agentes estarão presentes em</p>
<p>     todos os locais de trabalho , nas ruas e nas casas , observando todos vocês.   A vida</p>
<p>     deve continuar! – não é mesmo?  E eu ficarei aqui, junto de Vossa Majestade,</p>
<p>     assistindo a todas as audiências.  Quem não cooperar ,ou criar distúrbios, baderna, irá</p>
<p>     receber uma boa dose do nosso ¨amaciante¨ cutâneo.</p>
<p>-     Não compreendemos bem senhor . O que significa esse ¨amaciante¨ cutâneo? – interrompeu-o  o Sorvete de Pimenta</p>
<p>-    Ah! Foi bom perguntar. Senhor&#8230;?</p>
<p>-    Primeiro Ministro Barão de Champignon</p>
<p>-         Ah, sim&#8230; Senhor Ministro Champignon . Vamos ver:por favor, um voluntário?&#8230;</p>
<p>E começou a escolher ao acaso; acabou detendo seu olhar, exatamente , no Bobão .</p>
<p>- Por favor, senhor Bobo, aqui na frente ( de pronto , o mais bobo dos reis obedeceu ; então, Chifrudão, apertando os olhos com força , espirrou-lhe um líquido azul claro saído de suas duas proeminentes glândulas venenosas em jatos certeiros .                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Batráquio, sem  esboçar qualquer reação, começou a dissolver-se, como um sorvete num microondas; e em poucos segundos foi transformado em uma gosma esverdeada e espumante , mal encoberta pela vestimenta multicolorida . E lá estavam elas, intactas  : as duas  ¨berrugas de panda ¨! ( é fácil entender : todo mundo sabe que nossos chicletes  são  muito difíceis de desaparecem na Natureza – vejam, por exemplo, a calçada em frente às escolas !)  </p>
<p>Todos ficaram aterrorizados. Ou melhor, todos menos um: o recém entronizado soberano; impassível, caolho, olhos semi cerrados, ele aproveitou-se daquele momento de perplexidade paralisante  para arrancar o cálice das mãos do Barão  e  bebeu toda a talagada. Então, o estrabismo mudou de olho e ele transformou-se no Chica Bumba:</p>
<p>-         EU SOU UM SAPO, CHICA BUMBA, CHICA BUMBA!</p>
<p>-         MUITO FELIZ, OH CHICA BUMBA, CHICA BUMBA!</p>
<p>-         COM ÁGUA LIMPA, FICO MUITO MAIS CONTENTE!</p>
<p>-         COM ÁGUA SUJA, FICO MUITO MAIS DOENTE!</p>
<p>O General e seu imediato entre &#8211; olharam-se surpresos, e,depois de alguns  versos , o chefe dos invasores  desatou a rir, e, com ele,  todos os soldados. O Primeiro Ministro, suas pseudo- esposa, pseudo &#8211; filha e os pseudo &#8211; representantes do povo, vendo que esse comportamento alegrava os bandidos, também  puseram-se, histericamente , a cantar e a dançar, o que aumentou ,ainda mais, a  satisfação dos bandoleiros.</p>
<p>Após a segunda repetição, Alfredo apagou  como sempre , caindo de costas desacordado.</p>
<p>-   Muito bom! Muito bom este rei! Acho que vamos nos divertir muito por aqui – declarou</p>
<p>o  cabeça .</p>
<p>Seu auxiliar cochichou-lhe :</p>
<p>-   Talvez seja melhor conserva-lo, Comandante . Ele parece ser um líder muito querido!</p>
<p>-    Sim, sim, acho que você tem razão.</p>
<p>Antes de deixarem o salão, o chefão definiu alguns pontos, com voz de comando:</p>
<p>-         Vamos ocupar toda a ala leste do palácio, de onde ninguém entra ou sai sem minha.</p>
<p>permissão!  Lá, vamos descarregar os equipamentos e mantimentos e não queremos ninguém por perto!  Durmam bastante,  que, amanhã, a noite vai ser longa!</p>
<p>Mais abaixo,  contarei  o  papel  assumido  pelo  <em>rei portador de necessidades especiais </em>diante do inesperado  desaparecimento  de Batráquio . <em> </em> </p>
<p>Mas primeiro , devemos esmiuçar , um pouco mais ,  as  confusas relações  sociais  desse  reino , pois Alfredo  terá que  governar  manobrando interesses  muito diferentes e lidando  com  mafiosos muito perigosos  .</p>
<p>( À propósito , quanto ao que aconteceu com o Rei Batráquio, até hoje correm boatos de que não foi, puramente , obra do acaso, mas uma bem planejada vingança do antigo Bobo : jogado cachoeira abaixo, ele teria encontrado os chifrudos antes de todos! )</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>VIII -  ESPERTALHÕES &#38; NEURÓTICOS  </strong></p>
<p>Os problemas desta sociedade enlouquecida  não eram só estéticos , mas , principalmente,</p>
<p>éticos.</p>
<p>Sem o menor pudor , por exemplo, cultuavam-se  os winners (  fala-se uiners) ,<strong> </strong>mesmo que</p>
<p>seu sucesso tivesse sido alcançado por meios desonestos.  Atletas que tomavam hormônios</p>
<p>para aumentar a massa muscular ou que usavam estimulantes para hiper saltos, cantores</p>
<p>pops viciados em cogumelos alucinógenos &#8211; todos eram venerados pela nobreza fútil, que,</p>
<p>vira – mexe, os condecoravam com Medalhas do Mérito Batráquio em infindáveis</p>
<p>comemorações e ¨bebemorações ¨. Mas , por incrível que possa parecer , o povão </p>
<p>também os admirava!   ( bem , isso não é tão incrível assim, não é mesmo ?)</p>
<p> Até os falsos religiosos que fraudavam milagres (como fazer saltar um sapo paralítico por</p>
<p>meio de uma geringonça de molas bem oculta e que jogava o sujeito para cima ao atender</p>
<p>ao comando padrão – Anda irmão!). &#8211; eram, invariavelmente , paparicados e ficavam muito</p>
<p>ricos com essas sessões de descarrego lotadas de fieis .</p>
<p>O fato é que , há tempos , disseminara-se uma degenerado misticismo  em todo esse reino. Aquela pirâmide citada logo no início, por exemplo, fora idéia da Rainha , para canalizar boas energias cósmicas –  dizia ela -  e, assim,  diminuir a  verdadeira epidemia  de problemas mentais que grassava entre as madames .</p>
<p>A verdade verdadeira  é que havia pirâmide em tudo o que era lugar : sobre  os tronos reais,  sobre as cadeiras parlamentares, nos açougues , nos consultórios médicos ,  sobre as camas,  na mesa de refeições, sobre vasos sanitários. E a  soberana   era a principal responsável  por essa  onda piramidal .  Ela ficava irritada quando alguém  lembrava-lhe do caso de sua própria  tia,  também muito chegada a  pirâmides ,que, não fazia muito , morrera sob uma estrutura daquelas  fulminada por uma descarga elétrica atmosférica ( raios, vocês sabem , são atraídos por quaisquer coisas com pontas elevadas e erguidas em áreas descampadas  – como  pinheiros,  torres de igreja, ou &#8230;pirâmides!  )</p>
<p>Neuróticos  abundavam nessa comunidade ;  eles  gastavam  incontáveis horas em consultas psiquiátricas, mas, mesmo  depois de anos e anos de tratamento, não conseguiam deixar a <em>chupeta  </em>da psicanálise. E o Dr. Krötte Schnuller ( leia-se Crote Shinuler – com <em>r</em> bem vibrante ), o maior terapeuta  da saparia  amarela, de linha freudiana, ganhava muito com isso ;  os casos mais freqüentes eram uma psicose, tecnicamente, classificada   como INDEVIDA ( Inconformidade Decorrente da Vida Dupla dos Anfíbios), ou  pacientes  gravemente viciados em  álcool , cogumelos ou fumos  alucinógenos   (AEDS- Álcool e Derivados ) . No entanto, de longe, a  depressão  era a patologia – campeã , a  ponto de um  parlamentar    esquizóide  apresentar um projeto  na câmara  propondo a  dissolução, de quando em quando,  de alguns  quilos de  anti-depressivos na água da própria  lagoa.  </p>
<p>A incidência de tentativas de suicídios  era muito elevada  mas os casos consumados  eram poucos, pois a maioria parecia, mesmo ,só tentativa para chamar a atenção, tal a ineficácia do  método  preferido  pelos <em> tentados </em>: o enforcamento ;  como  sapos não tem  lá   um pescoço  muito conspícuo, a corda  acabava escorregando para a  boca   dos dependurados , o que resultava, ao final e no máximo, em algumas escoriações nos  lábios .</p>
<p>Mas quem se matava , mesmo, eram os   sapos- sapadores, de quem já falei : muitos morriam  soterrados  em buracos profundos a procura de pedras  consideradas energéticas. Quartzos, jaspe, ágata  e, nos últimos tempos , rubelita, um cristal vermelho, que, acreditava-se, possuía emanações ¨radioestésicas”  anti depressivas, tinham bons preços entre  as espertas  <em>litoterapeutas</em>  , máxime , Madame Crapaud,  uma das maiores comerciantes  de pedras. Com seu faro para negócios, ela inventara,até,  uma ioga piramidal litológica: o anfíbio zen ficava  na posição característica sob uma pirâmide que continha  um cristal daqueles  no vértice superior. E não só isso:  banhos de diferentes cristais, banhos de ervas , banhos de flores de maracujá, de flores de sapoti  e até acupuntura auricular ( ela dizia que todo sapo tem uma  orelha oculta ! ) , nas mãos da Madame Meleca, transformaram-se em  verdadeiros caça- níqueis.</p>
<p>Mas , como veremos , toda esta insensatez  estava prestes a  mudar – e mudar de uma forma impensável.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>IX- VIRANDO O JOGO</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Na tarde seguinte àquela  <em>soberba</em> apresentação do Chica Bumba aos  conquistadores recém chegados , o sobra reciclado   foi deixado inconsciente  no quarto do  seu predecessor, com um soldadinho nativo à porta e um grande sapo bandoleiro, um pouco mais adiante; logo que despertou, ao anoitecer, Frog tentou fugir.</p>
<p>-         Majestade, por favor, não tente ir embora, pois aquele mal encarado ali vai machuca-lo</p>
<p>– o seu guardinha explicou-lhe sussurrando.</p>
<p>-         Eu não sou majestade coisa nenhuma! Sou apenas um mendigo, sou um&#8230;</p>
<p>-         Eu sei &#8211; interrompeu-o &#8211; Todos os dias eu o via em meu caminho para casa. Também moro por aqueles lados, senhor Chica Bumba.</p>
<p>Alfredo, de saída,  simpatizou-se  com esse soldado Luizinho, e  chamou-o para dentro,  sob os olhares desconfiados do outro.  </p>
<p>-         Ouvi o que o Ministro e As Megeras combinaram enquanto você estava dormindo. O plano é deixá-lo intoxicado todos os dias, controlando  seu desempenho como  rei. E  perceberam – depois do que aconteceu ontem – que você&#8230;deve&#8230; tomar&#8230; apenas&#8230;  uma dose certa&#8230; de bebida.  (o guardinha falou, mordendo os lábios para conter a enorme vontade de rir que o acometera naquele instante).</p>
<p>Então, a camareira  bateu à porta, trazendo a garrafa dominadora.</p>
<p>-         Olá, Margarida. Ele já sabe de tudo – disse Luizinho, agora recomposto e sério.</p>
<p>-         Sinto muito- disse-lhe constrangida. O Barão  mandou você beber o que tem nesta garrafa agora mesmo, nem uma gota a mais, nem menos. Ele virá aqui dentro de quinze minutos e, se não beber, espontaneamente , o forçará, como fez ontem.</p>
<p>Tentaram anima-lo, dizendo que seria inútil resistir e que,  passados àqueles tempos difíceis, talvez, ele recebesse alguma boa recompensa dos poderosos. Percebendo, no entanto, que seus  consolos eram inúteis, resolveram ir logo para  seus afazeres.</p>
<p>Para o prisioneiro, os minutos que se seguiram pareceram-lhe  uma eternidade &#8211; pensando a mil por hora em tudo o que estava acontecendo e como livrar-se de tamanha  encrenca.</p>
<p>No tempo determinado, o Primeiro Ministro, a Rainha e a Princesa &#8211; acompanhados por quatro guardas, entraram para verificar se o prisioneiro os havia obedecido.</p>
<p>- Segurem este bêbado sem vergonha que eu, mesmo, esvazio essa garrafa em sua garganta!- gritou o Pimenta Braba , ao constatar a sóbria rebeldia de Alfredo. Luizinho e Margarida assistiram aquela cena grotesca com os corações apertados, testemunhando a violência dos soldados e de Champignon contra um sapinho tão indefeso e raquítico.</p>
<p>Em poucos minutos instalou-se o efeito desejado: agora sereno, altivo e estrábico do olho direito – lá estava ele:</p>
<p>-         Eu sou o Rei Alfredo: o que quereis que vos faça?</p>
<p>Os covardes comemoraram.</p>
<p>Colocada a prótese de Oto, apropriadamente  vestido e com a cabeleira real coroada, o Rei &#8211; por- Decreto-Alcoólico foi levado até o parlamento pela mão de Batráquia.  Lá estava o General , sentado à direita do trono, com seu imediato. Havia mais deputados que no dia anterior, pois eles perceberam que se não aparecessem seu destino seria líquido e certo. De qualquer maneira, havia muito espaço e os representantes dos plebeus traziam até certo ar de satisfação em suas faces sofridas, pois, nunca haviam desfrutado de tanto espaço, como agora.</p>
<p>Logo que o Rei  assentou –se , a audiência foi iniciada  :</p>
<p>-   O que quereis que vos faça-principiou Alfredo com a voz ébria de sempre.  </p>
<p>-         Bem, majestade – introduziu o  Ministro – a pauta do dia é a escolha da empresa que executará o conserto e a instalação de novos chuveiros para os bairros da  periferia.</p>
<p>-         Sim, sim – respondeu com o mesmo ar catatônico da sua estréia. Mas em seguida, não mais estrábico e tirando a coroa cabeluda, completou com fluência :</p>
<p>-         A propósito, resolvi que o custo desta reforma deverá ser todo arcado  pelas nossas finanças. Também decidi nomear uma comissão de nobres deputados, por mim  designados, para acompanharem a compra dos materiais, verificando preços e a qualidade do que vai ser utilizado. Os  advogados deverão incluir, nos contratos, cláusulas de garantias pelos serviços executados e outras, de multas, por atrasos na execução, defeitos de instalação ou de conservação.</p>
<p>Champignon arregalou seus  salientes olhos (a Rainha Plastificada e a Princesa Botulínica não foram capazes de fazer isso).</p>
<p>-         Ainda  deliberei que iremos construir um grande chuveiro,de cerca de dois metros de altura, na ala oeste da cidade, que tem pouca umidade, e vamos multiplicar por dez os berçários-aqüíferos&#8230;</p>
<p>-         Mas majestade&#8230; isso tudo vai custar uma fortuna! – interrompeu o embasbacado  Sorvete de Pimenta. </p>
<p>-         O que temos arrecadado nos últimos anos será mais que suficiente. E , sem dúvida , gastaremos muito menos do  que para aquele projeto  maluco da pirâmide – sobre o qual , aliás, agora ,  manifesto meu  voto de qualidade : vetado .</p>
<p>O General aplaudiu a idéia:</p>
<p>-   Muito bom , Rei Alfredo! Muito bom!  (a sua pata paralítica acordou e seu polegar comemorou, sem nenhuma repreensão, ao fazer um sinal positivo, o mesmo acontecendo com o de seus soldados). </p>
<p>-         Meu bem! &#8211; chamou-o a Megera-mãe &#8211; você deve estar com a garganta seca. Tome um pouco de sua bebida preferida!</p>
<p>-         Não, não, muito obrigado&#8230; meu bem &#8211; Frog respondeu com hipocrisia e ênfase.</p>
<p>A conclusão ficou evidente: ele os havia enganado, trocando o Licor de Jenipapo por água.</p>
<p>-         Ah, seu bêbado farsante! &#8211; gritou o Primeiro Ministro descontrolado, esquecendo-se de que estava na presença dos bandoleiros.</p>
<p>-         Ora, ora, ora! – interveio Chifrudão – quanto mais conheço este lugar, mais eu me surpreendo. Um ministro ofendendo seu rei!  Isso aqui não é um Reino, é uma bagunça!</p>
<p>-         Mas vai mudar a partir da visita de Vossa Excelência – asseverou Alfredo com serenidade imperial . Por favor, estamos com poucos guardas: encaminhe este senhor ao calabouço.</p>
<p>-         Oh, oh, oh&#8230; Será um prazer, Majestade!  Coronel cumpra a ordem do Rei!</p>
<p>Champignon foi esperneando, gritando sem parar: &#8211; Bêbado! Bêbado safado! </p>
<p>Tão logo pode , continuou:</p>
<p>-         O soldado Luizinho logo ali, será meu novo Primeiro Ministro &#8211; Alguma objeção dos senhores deputados ?</p>
<p>De imediato , os  deputados da bancada da fome  manifestaram-se a favor ,enquanto os aristocratas permaneceram  hesitantes.</p>
<p>- ASRE ! – Alfredo bateu o martelo – Continuemos ,  pois , não há tempo a perder : Mandarei construir O Centro Real de Reciclagem de  Lixo, que empregará     a população necessitada. A partir de hoje, está     instituída uma pesada multa por   poluição ambiental . A água de todas as indústrias e  estabelecimentos comerciais terá que ser tratada, de  </p>
<p>modo particular&#8230;( olhando para suas mulheres ) a  dos  centros de estética . Todo o bicarbonato será     confiscado, sendo proibido seu uso, tanto em    massagens, como&#8230; (e, agora,encarando  os  deputados  desalinhados  ) -  no despistamento da magreza  de  </p>
<p>moscas .Nessa altura de seu programa de governo, o manda chuva de chifres mostrava-se perplexo com a desenvoltura daquele que, no primeiro contato, considerara um bêbado engraçado. A Megera-filha gesticulava zangadamente  um protesto incompreensível (ela era sócia de todos os centros de estética do Reino).  Os deputados, também ligados às indústrias poluidoras,  ameaçavam uma reação enfurecida, mas se seguraram. Quando, ao final, o revolucionário  decretou que, a partir daquela data, estava banida a produção, estoque ou utilização de Botulina em todo o território, a Rainha não se conteve , e,nesse momento , avançou sobre  o Rei da Anarquia ,destronando-o com violência : pulou sobre suas costas, o que fez sua prótese saltar para longe.</p>
<p>O General, que, de certa forma, até já se simpatizara com este personagem empolgante, estava espantado com toda aquela confusão, mas agiu com rapidez: uma tapona tirou Batráquia do dorso real e jogou-a para os braços de um de seus soldados, que tratou de levá-la para a prisão, junto com a filha.  </p>
<p>O segundo Primeiro  Ministro , sem quem ninguém percebesse, recolocou a pata voadora, em Alfredo , que, um pouco machucado  resolveu acabar a sessão.</p>
<p>Antes, porém, decidiu fazer uma provocação aos deputados que sabia serem os responsáveis pela sua ruína financeira e moral: simulou um pequeno trago do cálice e começou a cantar o seu conhecido refrão.</p>
<p>-         EU SOU UM SAPO, CHICA BUMBA, CHICA BUMBA!</p>
<p>-         MUITO FELIZ, OH CHICA BUMBA, CHICA BUMBA!</p>
<p>-         COM ÁGUA LIMPA, FICO MUITO MAIS CONTENTE!</p>
<p>-         COM ÁGUA SUJA, FICO MUITO MAIS DOENTE!</p>
<p>Os militares  riram muito e começaram a dançar. Vendo que o plenário raivoso não os acompanhava em sua totalidade, o próprio Comandante obrigou os resistentes a participarem daquilo que acabou imaginando ser um comportamento ritual muito especial.</p>
<p>O caminho estava aberto para o soberano aleijão modificar, radicalmente , a organização social desse povo &#8211; e isso, para a surpresa de todos , com ajuda de alienígenas brutais.</p>
<p><strong>X- REFORMAS E ENIGMAS</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>O pessoal do Movimento dos Sem –Água  estava muito feliz com seu soberano e, à medida que o tempo passava, surpreendia-se, cada vez mais, com as iniciativas tomadas .</p>
<p>O chuveirão proposto por Alfredo era, de fato, um plano fenomenal. Com ele, todo o reino receberia uma névoa continua e controlada. O monarca  entregou o projeto ao mesmo engenheiro Oto, que bolou um sistema de potentes pistões movidos por uma colossal  roda d´água colocada na cachoeira de cima. Este sistema, além de alimentar o tal chuveirão, também irrigaria a rede de tubulações dos chuveiros menores e não seria mais necessário o bombeamento com  alavancas obsoletas e de má qualidade .</p>
<p>A obra iria durar alguns meses, mas ia adiantada com a ajuda dos conquistadores</p>
<p>( que passaram a ser chamados, pelos nativos, de <em>vermelhos</em>),   .</p>
<p>Com suas poderosas patas, eles abriram muitas lagunas para berçários e outras,  </p>
<p>para criadouros domésticos de minhocas e moscas – cuja criação estava sendo estimulada</p>
<p>pela própria GREEN-PLEASE. Foram eles , também, que, com facilidade, derrubaram um</p>
<p>bloco de casas dos aristocratas para abrir um espaço publico de acesso à margem oeste do</p>
<p>lago, e reduziram as áreas de plantação de carambolas, caquis e sapotizeiros ( além das</p>
<p>plantações clandestinas, de canabis e papoulas ! )O Rei era contrário a exibicionismos, mas</p>
<p>o General quase que  obrigava-o a realizar festivas cerimônias de inauguração a cada nova</p>
<p>obra. Chifrudão sempre tomava a palavra e era ele quem cortava as fitas amarelo-rubras.</p>
<p>Num de seus discursos mais inflamados, foi muito aplaudido pela população:</p>
<p>-   E graças à cooperação de nossa ONG (a pata rebelde ameaçou gesticular um não, mas foi impedida), os esforços da comunidade e à vontade política de vosso Rei tem se verificado uma significativa diminuição da mortalidade infantil e um aumento da natalidade. Girinos nascem e crescem saudáveis, com caudas gordinhas, logo  desenvolvendo patas bem torneadas e  papinhos amarelinhos! -exclamou ele com tanta satisfação que até Alfredo, por alguns instantes,  sentiu-se confundido em sua secreta repulsa por aqueles sapos  agressivos .</p>
<p>Percebendo a cooperação dos bandoleiros, o Rei da Abstinência Alcoólica, também, passou a ter mais coragem para impedir algumas das desonestidades mais comuns. Mandou trocar todas as balanças desreguladas dos açougues, impediu a exploração praticada pelos falsos milagreiros, atacou o tráfico de  psicotrópicos e  apreendeu todos os narguilés fumarentos &#8211; claro que, tudo isso, sempre com um daqueles chifrudos   ao lado dos Oficiais  de Justiça.</p>
<p>Retomou, ainda, a produção de sua pomada em escala industrial e ordenou que sua distribuição aos desassistidos fosse inteiramente  gratuita.</p>
<p>O trânsito das carruagens foi disciplinado por leis rigorosas , seja para impedir os temíveis atropelamentos , seja para implantar um projeto comunitário anti-obesidade. Todos os gordinhos foram convocados para sessões vespertinas de ginástica, orientadas  pelos antigos Bombeiros &#8211; aqueles sapos musculosos que,antes,  ganhavam com a retirada de água dos chuveiros defeituosos.  Ainda, foram criados programas  para ensinar-se  a comer &#8211; os Vigilantes do Papo e para desintoxicação dos viciados – os Fungólatas Anônimos</p>
<p>O Rei das Sobras se tornara , sem sombra de dúvida, um governante  muito querido. Quando aparecia no balcão, a população reunida cantava a sua conhecida canção, numa espontânea homenagem.  Muitos nobres e ricos comerciantes, reconhecendo seus feitos, começaram a cooperar e alguns , até, passaram até a ter maiores lucros: estava surgindo uma nova classe consumidora, antes na marginalidade.</p>
<p>No entanto, outros permaneciam contrariados e à espreita para atrapalharem quaisquer reformas que ameaçassem  seu <em>status quo</em> .</p>
<p>A  maioria da população mostrava-se, igualmente,  satisfeita com os  sapos cornudos . Se não provocados, não atacavam e só  alguns<em> playboys</em> orgulhosos foram punidos ,pois  ousaram enfrentá-los  (é verdade que muitos os desafiaram sob o efeito de cogumelos psicodélicos, desiludidos que estavam pela perda de privilégios).</p>
<p>Mas, apesar da fantástica melhora de vida, o  grande reformador  sentia-se muito incomodado com a presença daquela força de ocupação.Além do mais , não conseguira eliminar todas as indústrias  poluidoras: aquela produtora de  pasta de enxofre usada  para maquiar pintas de sapos velhos e para as máscaras de Madame Meleca , por exemplo, não fora fechada por ordem direta do General e ele suspeitava de algum tipo de suborno da parte de seus inimigos.</p>
<p>O Rei tinha consciência de que o motivo dado para a invasão era apenas uma desculpa e que, por traz dela, deveria haver alguma segunda intenção; por isso, iniciou reuniões  conspiradoras  com o objetivo de  descobrir as verdadeiras razões.</p>
<p>-         Como está a entrada nos alojamentos deles, Luizinho?</p>
<p>-         Não tem jeito, Rei Alfredo (insistia em chamá-lo rei, apesar da sua objeção). Eles não são muitos, mas estão em todos os lugares! Há boatos de que alguns dos nossos estão nos espionando em troca de algum tipo de benefício. Observam nossos movimentos o tempo todo, especialmente  quando passamos próximos de seu quartel. A Margarida, só  deixam-na entrar lá escoltada e apenas para a limpeza.</p>
<p>-         Margarida, você tem visto alguma coisa diferente?</p>
<p>-         Sabe Majestade (ela também insistia no tratamento real), quando vou lá a impressão é que eles fizeram uma pré-higiene – uma limpeza antes da minha &#8211; para não deixar vestígio de alguma coisa que poderia denunciá-los.  Uma vez, vi um deles jogando o conteúdo de uma lixeira na cachoeira – o que é muito suspeito para quem se diz defensor da pureza das águas- não é mesmo?</p>
<p>-         Certamente, certamente !</p>
<p>-     Além disso &#8211; continuou ela &#8211; várias vezes os peguei mergulhando  perto das manchas de enxofre: que raios de sapos estes que aceitam  essa sujeira tão próxima do local onde se banham?  .</p>
<p>Luizinho completou:</p>
<p>-         Uma coisa  estranha que reparei é que, perto da hora do jantar, eles levam muitos pedregulhos antes de se recolherem, e isso depois de gastarem um bom tempo escolhendo-os com cuidado , lá na beira do lago. </p>
<p>-         É verdade! Quando vou lá, sempre encontro alguns desses seixos largados no chão – acrescentou  Margarida admirada  - O que será que fazem com os outros?</p>
<p>O aprendiz de  soberano parecia distante, tentando encontrar uma lógica para tanta informação esdrúxula.</p>
<p>A faxineira fuxiqueira prolongou-se:</p>
<p>-         Agora, um lugar que eu não posso entrar de jeito nenhum é um dos quartos, de onde sai, por sinal, um cheiro esquisito; no princípio, pensei que ele vinha, vinha&#8230;</p>
<p>-         Diga , diga ! – insistiu  ele</p>
<p>-         Vinha do banheiro, que, aliás, usualmente , tem uma demorada fila de espera; às vezes eles, até discutem quando alguém tenta passar na frente do outro! – brincou ela entre risadinhas e certa vergonha. &#8211;  Mas depois vi que o odor  vem,mesmo,  é de um cômodo onde eu mal posso chegar perto .</p>
<p>-         Fila para usar o banheiro! Que coisa mais incomum!  – interveio o recém empossado ministro .</p>
<p>-         Vocês têm reparado como eles emagreceram desde que chegaram?- observou o preocupado Rei .</p>
<p>-         Também pudera! Só com muita insistência, eles aceitam comer o que o povo lhes oferece, mesmo que seja uma suculenta minhoca. Será medo de envenenamento?  – perguntou Luizinho</p>
<p>-         É possível, não sei! É possível. Todo esse comportamento é muito excêntrico!  - observou o Rei das Dúvidas .</p>
<p>-     Mas, por outro lado-  aduziu  Margarida-   vocês também notaram que o General   parece  bem mais  encorpado do que quando  chegou  ?  De relance, em seu quarto, eu  peguei-o  namorando os  próprios bíceps  no espelho &#8211; os três! Ele  parece ser um grande narcisista  e deve praticar  uma  musculação lascada!</p>
<p>E deram esse primeiro  encontro por encerrado: era muita suposição para pouco sapo! Mas, antes, a última recomendação:</p>
<p>-         Margarida você precisa investigar mais lá , onde se aquartelaram , ficar de olhos bem abertos para ver se descobre alguma coisa importante. Mas cuidado! Não se arrisque em demasia porque não sabemos bem  com quem estamos lidando. A partir de hoje , vamos marcar uma reunião todos os dias aqui mesmo, ao raiar do sol, para trocarmos informações e tentarmos esclarecer o segredo desses estranhos.</p>
<p>Dr Frog começo fazendo a sua parte: atrás da cortina e com uma luneta, passou a sapear o pouco que se mostrava visível em uma das janelas dos aposentos dos militares. Via o Comandante  indo de lá e para cá, ora rindo, ora conversando com seus subordinados, mas nada mais revelador.</p>
<p>O que acostumou-se a ver , também,  foram as inúmeras visitas ao quartel de seus principais inimigos.Quase sempre  eles entravam sorridentes , muitas vezes carregando presentes, mas , usualmente , saiam carrancudos , despedidos grosseiramente pelos soldados grandalhões , que batiam-lhes  a porta  com violência.</p>
<p>- Se estão tentando um contra ataque, parece que estão se dando mal – divertia-se Alfredo .</p>
<p>As únicas exceções a esse tratamento descortês foi quando da visita de M. Crapaud e do cirurgião Dr.Yvo,que voltaram mais de uma vez  e foram até saudados com  continência militar .</p>
<p>Certo dia, no entanto , pouco antes de dormirem, percebeu que o chefe mostrava-se muito tenso e que um de seus soldados passara defronte à janela carregado em uma padiola.</p>
<p>No dia seguinte, logo ao entardecer, diferentemente  do que  ocorrera até então,o Comandante  determinou que o próprio Alfredo  e seus soldados providenciassem a prisão do proprietário de um restaurante da zona miserável e confiscassem todo o bicarbonato que – já sabiam de antemão &#8211;  lá estava estocado. Levado o prisioneiro para a praça central, o General,em pessoa  , dissolveu-o com seu veneno poderoso, sem qualquer explicação ou qualquer atenção aos protestos reais para que o acusado tivesse um julgamento justo .</p>
<p>No fim da noite, os três conspiradores se reuniram como de regra. Percebendo a tristeza de Frog , Margarida  tratou de iniciar um monólogo  :</p>
<p>- Não fique assim meu Rei!   Não foi culpa sua!  Como você mesmo disse, esses bandoleiros não são nada bonzinhos. Ninguém poderia imaginar que eles aplicassem  uma punição  tão severa para uma infração tão  pequena  . Imagina!  Executa-lo  por vender moscas turbinadas ! . Além disso, o infeliz sabia que você havia proibido esse tipo de negócio e estava se arriscando. Esse episódio demonstra que nós devemos ter muito cuidado com espiões. Ele, certamente , foi vigiado muito tempo antes de descobrirem tudo. Como sabiam que ele tinha tanto bicarbonato escondido? Quem será que o denunciou?  Não sei não, mas, em minha última limpeza, encontrei no quarto do Chifrudão um resto de polpa de maracujá e duas fatias de carambola: acho que esse Narciso acabou entrando na onda estética da Madame Crapaud e não ficaria em nada espantada se viermos a descobrir que ela está trabalhando para os bandidos  em troca de privilégios para seus negócios *. </p>
<p>O Rei da Tristeza , cabisbaixo, permanecia calado. Luizinho interveio na tentativa de provocar um diálogo:</p>
<p>- Sabe, o fato esquisito de ontem é que vi dois soldados vestidos com aventais, luvas e máscaras, jogando o conteúdo de uma balde, no lago, como se fosse algo muito perigoso. Pelo  que sobrou, pude ver que tratava-se de  uma espécie de gelatina de cor roxa.</p>
<p>Afinal, os dois assessores de conspiração despediram-se, concluindo  que Alfredo deveria ficar a sós para tentar  digerir a tristeza daquele momento sem ninguém por perto . </p>
<p>A elite, desgostosa com o farmacêutico reformador , aproveitou-se do episódio da execução pública para disseminar boatos inquietantes entre a população: ¨o Rei Bêbado foi quem chamara os chifrudos para invadirem o reino, o qual seria  re-urbanizado com a ajuda dos nativos; por isso é que havia tanta cooperação da parte dos bandoleiros nos vários projetos de infra-estrutura; no fim, todos os habitantes seriam dissolvidos e o lago, definitivamente , ocupado. Era essa a calúnia de seus opositores.</p>
<p>Mas tal apreensão, de modo algum, era disseminada, pois a maioria do povo não conseguia enxergar tanta maldade em alguém de aparência tão frágil e tão semelhante a eles mesmos.</p>
<p>* De fato , mais tarde , depois  de livraram-se  dos invasores, descobriu-se, nos pertences de Chifrudão, o livro  Marqueting Pessoal Conquistadores Violentos, da famosa M Crapaud</p>
<p>O tempo passava e a vida continuava sem incidentes e sem maiores pistas, mas Sherlok</p>
<p>Frog , em segredo , levava adiante preparativos para descobrir a verdade E, disso, nem mesmo seus mais chegados colaboradores tinham conhecimento.</p>
<p>Mas, não bastassem tantas perguntas sem respostas, certo dia ,o chefe dos cornudos  acabou por introduzir  um novo enigma: em uma das audiências rotineiras, o parlamento e o Rei surpreenderam-se quando o General manifestou a vontade de ajudar na organização da festa da piracema, que deveria acontecer dentro de duas semanas.</p>
<p>Nesse evento anual, casais de peixes saltadores, vindos lá de baixo, subiam várias cachoeiras numa alegre festa nupcial e acabavam por permanecer, alguns dias, para descansarem no lago do Reino antes de seguirem viagem. Eram sempre muito bem recebidos por toda a população, com bandas, bandeirinhas e enfeites, mas a corte, já de há muito,  pouca importância dava ao acontecimento . Nessa parada, os peixes voadores &#8211; assim chamados, pois eram capazes de saltar, pelo ar,  alturas várias vezes maiores que seu próprio tamanho – ensinavam, aos girinos e aos sapos nenês, vários estilos de nado &#8211; e isso os fazia muito simpáticos e bem vindos.</p>
<p>Chifrudão, na mesma  audiência, sugeriu, ainda, que seria interessante acelerar o término do Chuveirão do Rei Alfredo (como passara a ser conhecido) para poderem receber os ilustres visitantes sob uma bonita e refrescante névoa. O parlamento aplaudiu com grande</p>
<p>entusiasmo essa fala demagógica. De fato, nada poderia ser mais ¨sapoliticamente ¨ correto do que  um discurso  de conquistadores  que queriam dar a impressão de que estavam ali atendendo a um  <em>elevado desígnio</em> : o  de trazer um pouco de  civilidade a um povo  bárbaro.  Nessas alturas da nossa história , vocês já  captaram que esses saparrões vermelhos  têm muito  é de humanos, não é  mesmo ?</p>
<p><strong>XI UM  PLANO PARA DESMASCARAR OS INVASORES </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Algum tempo depois, no horário da conspiração habitual, o Rei da Impaciência  mostrava-se determinado a executar, de imediato , o que concebera para descobrir  os próximos passos dos invasores.   E, então, resolveu apresentar sua estratégia com ar grave:</p>
<p>- Margarida e Luizinho: tenho trabalhado em um plano e acho que chegou o dia de executá-lo.</p>
<p>Ambos ouviam apreensivos</p>
<p>-   Margarida, ainda hoje, daqui a pouco, você, com mais dois dos nossos &#8211; irá ao alojamento deles, logo antes do jantar; em meu nome, você entregará um presente ao General: esta caixa, aqui. Vejam: dentro tem uma volumosa  rubelita (era uma  grande caixa , toda decorada com fitas amarelas e com o vistoso cristal em seu interior; e continuou explicando o porquê de um brinde  tão exótico:</p>
<p>- Logo depois que você, Luizinho, contou-me que os soldados eram vistos, todos os dias, recolhendo seixos à beira do lago, perguntei a Chifrudão  porque seus subordinados  faziam isso. Ele respondeu- me , com a ironia  de sempre , que sapos de  sua raça apreciavam colecionar pedras  .Então, agora,  vou  dar- lhe uma de lembrança . !</p>
<p>-  Aonde você quer chegar ? – perguntou Margarida</p>
<p>-   Venham ver aqui : esta caixa  tem  rodas ocultas ,  um fundo falso&#8230;  e  eu vou lá dentro !</p>
<p>-  Você deve estar ficando louco  ! De jeito nenhum! &#8211; protestaram os dois.</p>
<p>O melhor amigo do Rei acrescentou:</p>
<p>-   É muito arriscado , você  não tem um plano de fuga,  e além do mais &#8230; este espaço  aí  é tão pequeno que  só caberia &#8230; ( e interrompeu sua fala, percebendo que poderia ofende-lo ).</p>
<p>- Um sapo magricela e  aleijado  &#8230;.  completou Alfredo, sorrindo sutilmente   - Além do mais,  ninguém  supera um  sobra   em rastejamento . Se for preciso sair às pressas, vou deslizar   feito uma  cobra  e nunca   me pegarão</p>
<p>- Mas, diga-me &#8211; continuou  Margarida – afinal, o que  você pretende   fazer aí dentro   ?</p>
<p>-  Olhem:  Oto   fez este mecanismo,  aqui,  que permite movimentá-la  com estas alavancas e tem  orifícios invisíveis  para eu  olhar ao redor .</p>
<p>Alfredo resolveu demonstrar: livrou-se da prótese, enfiou-se na parte de baixo , entrando por de uma das faces laterais, e  fechou-se .</p>
<p>-         Olhem só !  (e começou a dirigir o Frog Móvel, passeando pelo seu aposento) -Eu vejo vocês , mas vocês não me vêm !  Eu também os ouço com clareza!   &#8211; falou entusiasmado, enquanto  movia-se sem qualquer ruído</p>
<p>- E daí  ? Como é que você tem certeza que não vai ser pego dirigindo esse &#8230;treco ? &#8211; perguntou o primeiro ministrinho, entre irritado e preocupado</p>
<p>- De cara , vou ver se, só pela escuta das  conversas, conseguirei  desmascara-los . No entanto, se for necessário explorar o local para descobrir  alguma coisa , farei isso – mas só depois de ter certeza de que todos estão dormindo .   Tenho toda a planta do local  em minha cabeça !  Quero investigar , de modo especial , aquele quarto  onde ninguém entra . Quanto à volta , entendam  o meu esquema &#8211;  e , saindo fora da caixona  – de – surpresas  explanou : -  Margarida, todos os dias  você leva um  carrinho de lixo para a limpeza , não é mesmo ?</p>
<p>- Sim – concordou  com curiosa preocupação  </p>
<p>- Agora , olhe aqui para  esta lixeira construída  pelo  genial  Oto : ela  é idêntica a sua,  mas&#8230; tchan , tchan , tchan !&#8230;  também tem compartimento oculto ! . Você encosta-a  na caixa hermética  , dá três pancadinhas como sinal verde , entro nela  e saímos – eu e você &#8211; felizes para sempre!</p>
<p>- Isso é loucura, meu Rei ! .  E se o Comandante quiser &#8230; por exemplo &#8230;ãhmm&#8230; agradecer o presente, logo que Margarida  entrega-lo . Ele vai descobrir que você não está  no palácio  !  .</p>
<p>- Já pensei nisso , Luizinho e é aí que você entra : você vai ficar aqui , bem em frente a esta janela , vestido com minhas roupas e quando ela entregar a rubelita   vai dizer que eu estou aqui aguardando  para saudá-lo . Você acena sua mão e tudo fica perfeito!</p>
<p>Apesar de muita argumentação contrária , nenhum dos dois conseguiu demover  a  </p>
<p>obstinação real e tudo foi feito segundo  o que  ele havia planejado .Essa idéia ousada foi,</p>
<p>aliás ,  providencial , pois foi ela que pôs a descoberto toda a trama dos chifrudos .</p>
<p><strong>XII DESVENDANDO O SEGREDO MACABRO</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Logo que a nervosa faxineira  entregou a caixa de Tróia, Chifrudão aguardou um pouco e , depois de conter a risada , gargalhou com espalhafato ao certificar-se  que ela já estava longe .</p>
<p>Olha, pessoal, o que o   inocente soberano mandou-nos : um pedrão vermelho ! E tudo porque eu expliquei-lhe  que as pedrinhas que vocês pegam lá nas margens do lago são para nossa coleção !( todos riram muito )  Deixe-me ir até a janela que o bobinho está esperando-me para cumprimentá-lo!</p>
<p>O pseudo – pseudo-rei  empalideceu ao responder ao distante aceno : se fosse próximo , o chefão   teria percebido o suor frio escorrendo sob a   sua peruca .</p>
<p>-          Ouçam o que Sua Majestade escreveu-me:</p>
<p>PELA SUA DELICADEZA NO TRATO COM MEU POVO , ENVIAMOS ESTA BELA RUBELITA PARA ENRIQUECER SUA COLEÇÃO . AFETUOSAMENTE  </p>
<p>REI ALFREDO .</p>
<p>( Mais zombarias de todos os presentes .)</p>
<p>O Coronel comentou :</p>
<p>-         O senhor tornou –se quase tão popular quanto o próprio Rei. Também pudera ! Ajudar a criar berçários é uma das coisas que mais toca o coração do povo !</p>
<p>-         Sim , sim , sem dúvida . E com toda esta nossa revolução social, a população está aumentando ! Quantos novos girinos e bebês foram contados até agora ?</p>
<p>-         Mais de 2000 – respondeu .</p>
<p>-         E amanhã , é o grande dia da inauguração do Chuveirão !  Sabe, este reizinho é muito esperto ! Pena que terei de descartá-lo em breve .  (o polegar para cima, da pata sobressalente, confirmou essa intenção) &#8211; Aliás, quando está prevista a chegada dos  amigos peixes ?</p>
<p>-         Segundo os entendidos , depois de amanhã ,General .  E serão milhares ! A banda está ensaiando as músicas de recepção e nós, mesmo, estamos ajudando a enfeitarem todas as margens .</p>
<p>-         Excelente ! Tudo vai como  planejado . A névoa vai dar um clima todo especial à  recepção !- riu debochadamente  (os puxa &#8211; sacos acompanhando)</p>
<p>-         Mas  atenção : ninguém chegue perto de qualquer alimento suspeito ! Basta o que a mosca carregada de bicarbonato fez com aquele imbecil .É verdade que graças à indisciplina do guloso  descobrimos , afinal,o que nos fazia mal lá em baixo : este maldito pó ! Lembrem- se : não queremos qualquer rebelião; somos mais fortes,  mas eles são milhares e nós, apenas 30 .</p>
<p>-         Vinte e nove– cochichou seu imediato</p>
<p>-         Vinte e nove – corrigiu-se Chifrudão</p>
<p>O Rei –Espião  ouviu, com  clareza,  o que acabara de ser dito : a conclusão óbvia era que um deles havia morrido – e a mosca ingerida  tinha a ver com essa morte</p>
<p>-         Mas onde esconderam o corpanzil  daquele  soldado ? Será que o odor  que a Margarida sentiu tem a ver com o de um cadáver ? Parece  que o excesso de bicarbonato  que Madame Crapaud e  os açougues despejam nas águas da cachoeira   causa  doenças  entre eles ! – Alfredo  pensava com seus botões</p>
<p>Também ficou claro que algo estava para acontecer no dia da chegada dos voadores.</p>
<p>-         Mas o quê ? &#8211; essa pergunta martelava seus neurônios reais .</p>
<p>-         Coloquem esse treco logo ali e vamos comer – determinou o chefão.</p>
<p>-         Ah, a propósito , Comandante ! – lembrou- lhe o coronel &#8211; O tal Barão e a Rainha insistem em falar com o senhor o quanto antes  . Dizem que têm uma proposta a fazer .</p>
<p>-         Uma proposta?  Interessante ! Amanhã vou até o calabouço .</p>
<p>O <em>esperto  perneta</em> fez outra importante descoberta com os diálogos que se seguiram :</p>
<p>- Sargento : distribua as pedras e as canecas.</p>
<p>Nesse momento , a porta do quarto proibido foi aberta  e foi quando o espião-sardinha pôde , ele mesmo,  sentir o  cheiro esquisito  a que Margarida se referira Mas,  muito apertadinho e com o campo de visão limitado, não via muita coisa .Contudo , ele conseguiu  perceber, pelo ruído do estalejar, que as canecas estavam sendo preenchidas por   seixos.</p>
<p>Depois disso ,  ouviu  a estranhíssimo ordem :</p>
<p>- Um , dois, três : engolir !</p>
<p>O som da deglutição ruidosa e simultânea , seguido de muitos <em>urgs</em>, confirmou o que pensou ter sido , no início , um erro de compreensão : eles, realmente  , tinham engolido as tais pedrinhas aquelas que , todos os dias , escolhiam com cuidado! </p>
<p>-  Vamos lá , pessoal! Agora, sargento: as nossas rações e  água , muita água!- foi a última determinação.</p>
<p>Comiam esbaforidos, com forte barulho de mastigação e grunhidos horríveis.  Ele tentava entender , sem conseguir , o  que conversavam com as bocas cheias. Decidiu, então, esperar todos dormirem para mover-se com segurança.  Neste entre – tempo, em seu esconderijo, esforçava-se para compreender o porquê de tanto entusiasmo com a piracema e com o aumento da natalidade .</p>
<p>- Esses malditos planejam  capturar e escravizar  os amigos peixes!  E talvez, também , nossos filhos! Sim! Por isso, tanto empenho nas construções de  berçários: querem escravos jovens que nunca saberão o que é ser livre! – seu  coração libertário  pulsava forte quando se tratava de  escravidão, como o dos seus antepassados  ianques.</p>
<p>- Mas e as pedras? Imagina só: Eles comem pedras! Não é à toa que estão emagrecendo! Mas como será&#8230; Como será que eles&#8230; Ah! Cólicas !  As filas do banheiro!   É por isso que eles demoram tanto para escolherem as tais pedrinhas; elas são redondinhas e têm mais ou menos sempre o mesmo tamanho! – Imagine se meu projeto  de emagrecimento fosse às custas dessas pedrinhas?! Os cirurgiões de redução de papos desapareceriam , mas   outros iriam ter muito , mas muuuuito trabalho ! &#8211; Ele teve que colocar a mão em sua própria boca para conter uma boa risada  .</p>
<p>Mas seu estado de espírito mudou  para o de intensa apreensão  quando decidiu ter chegado o momento de inspecionar o ambiente .O silencio imediato  pós &#8211; refeição havia sido substituído por uma bem vinda sinfonia de roncos:  qualquer interrupção da barulheira denunciaria  alguém despertando.</p>
<p>Movendo-se com cuidado, chegou  ao cômodo  misterioso e, rastejando, entrou rapidamente Colocou  seus óculos de visão diurna (que têm lentes escuras) e quando conseguiu enxergar com nitidez, arrepiou-se todo:</p>
<p>-         Meu Deus&#8230;! – sussurrou balbuciando ; Alfredo encontrara muitos peixes mortos desidratados, dependurados por  ganchos pontiagudos enfiados em suas barbatanas  caudais – o cheiro esquisito vinha deles.</p>
<p>Mas, o que o deixou , ainda mais, aterrorizado foi uma outra visão  :  no fundo da sala, bem escondidos-  e também enganchados -  girinos   e  sapinhos-nenês  de papo amarelo-  todos secos  .</p>
<p>-         Oh, não!</p>
<p>Nesse instante, sentiu um forte calafrio  e vieram-lhe  à mente instantâneos de diferentes imagens ,  numa rápida seqüência, lembranças de cenas a que não dera muito atenção e que,agora,  como peças encaixadas de um quebra cabeça,   mostravam quem eram e o que queriam aqueles vermelhos com chifres :</p>
<p>-         Os dentes caninos! As garras pontiagudas! : eles são carnívoros!</p>
<p>-           Eles vêem atrás dos peixes voadores e por isso nos invadiram &#8211; para atacarem- nos , aqui, em seu local de descanso &#8211; o  lago!</p>
<p>-         Os elogios ao aumento da natalidade a ajuda na construção de berçários : eles também vêem atrás dos nossos bebês; são canibais!</p>
<p>-         Os sapinhos dependurados  naquele  açougue improvisado : são sapinhos que sofreram paralisia pela Botulina  e que  foram levados ate eles pela correnteza  !  </p>
<p>-          O emagrecimento dos invasores: eles estão segurando a  fome comendo pedrinhas e trouxeram uma grande reserva de comida seca para ficarem muito tempo entre nós sem levantarem suspeitas do seu canibalismo; Dr Sapan Hussein &#8211; que Batráquia atirou cachoeira abaixo &#8211; deve ter sido quem os ensinou a desidratar peixes e sapos! Realmente , esses alimentos secos podem  ficar armazenados por muito tempo sem se estragarem !</p>
<p>-         Eles têm um defeito físico  semelhante aos de  sapinhos nascidos nos locais  com águas contaminadas: o terceiro braço! Eles são sapos mutantes ! Surgiram por ação de algum  poluente que nós mesmos jogávamos pela cachoeira! É provável que seja  enxofre ! Eles adoram  águas ácidas de enxofre !     </p>
<p>Por vários segundos, ele desligara-se, totalmente ,  de si mesmo. E, neste estado auto hipnótico  , acabou  por apoiar-se  em um  daqueles<em> bacalhaus</em>  , derrubando-o  . O guarda mais próximo despertou e resolveu investigar.</p>
<p>O chifrudo estranhou a presença da caixa da rubelita  fora do lugar e , antes de entrar  tratou de afasta-la – o que viria a complicar, em muito, a fuga do  pequeno James Bond .</p>
<p>Alfredo  buscou  esconder-se  em frente a uma janela,  agarrando-se em um dos ganchos, pela pata , de ponta cabeça, tentando assumir  o  mesmo perfil de um daqueles peixes dependurados: contava com a luz do sol contra os olhos do soldado, pois esses alienígenas de  pupilas fendidas, enxergavam muito mal, mesmo com  pouca claridade.  .</p>
<p>Imóvel, nosso herói  observava o desconfiado soldado vir em sua direção, contendo a  respiração e com  medo de que  até as batidas  de seu coração  acelerado pudessem estar audíveis  .  Mas, de repente &#8211; e por pura sorte &#8211; o carnívoro  pôs as mãos em seu barrigão, fazendo uma carranca : as cólicas das pedrinhas fizeram-no pular para o banheiro., ligeirinho.</p>
<p>O dublê  de peixe morto   suspirou aliviado, pegou um seixo  perdido no chão e deu-lhe um beijo!</p>
<p>Aguardou o passar do dia &#8211; sem dormir e com os pensamentos velozes como asas de beija flor  - coordenando ,ao mesmo tempo ,dois intentos : um, para escapar dali e outro, para livrar o reino dos conquistadores o mais rapidamente   possível.</p>
<p>Ao entardecer, Margarida veio para a faxina  e , logo ,  tratou de chegar  perto do <em>presente de grego</em> , disfarçando seu nervosismo com dificuldade . Mas nada!  Percebeu,  pelas pré-combinadas pancadinhas, que Alfredo não estava onde deveria  e, assim, ficou ainda mais perturbada !  De repente, ouviu as tais batidas vindas da porta do quarto proibido: era ele sinalizando onde tinha se enfiado.</p>
<p>Nesta hora crítica, a esperta faxineira demonstrou grande presença de espírito: estacionou  seu  carrinho de lixo bem próximo  à porta do resgate e, afastando-se, começou a varrer freneticamente   ; a certa distância, simulou um extravagante  ataque histérico &#8211; epiléptico:</p>
<p>-         Chiiiiiiii&#8230;. RRRUUPITUMMM, BAM , BAM, BAM BAM ! gritou com toda a força;  em seguida , jogando-se no chão, começou  a pular, como um sapo de circo, rodopiando no ar. A coreografia não terminou aí : principiou a cantar uma versão própria do   hino nacional .</p>
<p>-         EU SOU UMA SAPA, OH CHICA BUMBA, CHICA BUMBA! EU SOU UMA CHICA, OH SAPA BUMBA SAPA BUMBA!</p>
<p>-         EU SOU UMA BUMBA, OH CHICA CHACA, CHICA CHACA!  Chiiiiiiii&#8230;. RRRUUPITUMMM. BAM, BAM, BAM, BAM!</p>
<p>E voltou aos malabarismos sob os olhares  espantados de toda a tropa,  que , aliás já  se perfilara  em frente ao banheiro.</p>
<p>E lá veio o General Nervosão.</p>
<p>- Mas o que e que está acontecendo aqui!- gritou com raiva (a mão paralisada acordara e</p>
<p>também parecia ameaçadora) Quando Margarida percebeu que o Sobra conseguira entrar na</p>
<p>lixeira sem ser notado,  simulou uma breve desmaio , ou , para usar um termo  antigo , mas</p>
<p>muito apropriado a essa história, simulou  uma  sapituca .</p>
<p>-  Oh, o que foi que aconteceu?  &#8211; perguntou a fingida</p>
<p>-  Eu é que pergunto senhorita?</p>
<p>- Ah&#8230; Eu tive de novo&#8230; Eu tive de novo?</p>
<p>- Teve o que senhorita?</p>
<p>- Um ataque. Perdão, perdão, perdão!. Hoje acordei tarde e não pude tomar meus remédios.</p>
<p>- É melhor você ir embora! E mande outra em seu lugar!- ordenou ele</p>
<p>Era tudo o que Fernanda Montenegro Anfíbia  queria ouvir. Quando alcançaram ao palácio , a Rainha- do – Teatro   e o Rei- por-Acaso  abraçaram-se com ternura. Chegara a hora de confessarem  o que um sentia pelo outro</p>
<p>Mas foi um momento de carícias muito breve, pois o tempo restante para impedir um massacre era demasiadamente   curto.</p>
<p>-  Margarida, agora vá embora e venha no fim da noite que temos  muito que conversar.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>  XIII- GUERRA QUÍMICA  </strong></p>
<p>Quando entrou no aposento real, Luizinho aguardava-o preocupado:</p>
<p>-         Meu Rei! Puxa, pensei que algo tinha dado errado!  Não consegui dormir o dia todo!</p>
<p>Frog deu ao diálogo um tom de comando:</p>
<p>-    Estou indo para a inauguração do Chuveirão, pois o General deve estar me esperando.  Você não vai comigo e eu darei uma desculpa qualquer. A sua missão  é transferir  para cá &#8211; e sem que ninguém perceba &#8211; todo o bicarbonato que nós confiscamos  até hoje   e coloc&#8230;</p>
<p>-         Não temos mais nada – interrompeu-o . Esta semana ,jogamos tudo o que havia no depósito  por ordem direta do Comandante . Eu não quis informá-lo disso porque achei essa medida até muito conveniente e&#8230; &#8211; Luizinho foi silenciando e, ao mesmo tempo,</p>
<p>alentecendo sua fala, ao perceber a frustração de seu amigo.</p>
<p>Depois de alguns segundos de ausência, o Rei das Estratégias  retornou à Terra.</p>
<p>-     Procure o Zeca  !  O Zeca Sapeca, o dono das MOSCAS GRILL, lá do  bairro!</p>
<p>-     Aquele restaurante nojento que&#8230;</p>
<p>-         Sim, sim ! Ele ainda deve ter esse ingrediente  escondido e,com certeza,  sabe quem mais  o esconde ! .  E disparou a falar com excitação:</p>
<p>-         Diga que é uma emergência e que não tem nada a ver com qualquer tipo de punição.  Ele é meu amigo e eu devo muito a ele; foi Sapeca  que ,muitas vezes,tirou-me da rua e alimentou -me. Explique -lhe que executaram o dono daquele restaurante não porque o General estava preocupado com o que comemos, mas porque bicarbonato parece ser a única ameaça contra eles! O soldado que morreu comeu uma daquelas moscas gaseificadas  ! Por isso nem chegaram perto da casa do condenado e fizeram com que nós mesmos confiscássemos todo o pó ! Pela primeira vez, eles se sentiram ameaçados! Consiga uma grande  quantidade – o suficiente para encher uma carruagem &#8211; e  traga- a  aqui com a maior discrição possível ! Primeiro , devo fazer alguns testes , mas estou quase certo que, de algum modo,  o bicarbonato é letal para eles! Diga que eu preciso desta arma contra estes bandidos  e que ela é a nossa única salvação: eles pretendem  matar-nos a todos, amanhã, na chegada dos peixes voadores!</p>
<p>-         O quê!- exclamou assustado.</p>
<p>-         Ao amanhecer volte aqui que eu explico os detalhes. Agora, vá !  Rápido!</p>
<p>Meio confuso com tudo aquilo que ouvira, foi cumprir sua missão, levando consigo Margarida, para reforçar o processo de convencimento do Zeca.</p>
<p>Na festa de inauguração, Chifrudão tomou a palavra como lhe era o habitual .Depois de muitos elogios hipócritas, o usual exibicionismo e muitas tapas no membro Id &#8211; que sempre indicava se o que ele dizia era verdade ou não &#8211;  o General falou o que o Rei queria ouvir para confirmar qual seria a hora H .</p>
<p>- E amanhã, ao entardecer, será um dia de grande alegria para todos nós: os seus&#8230; os nossos amigos  voadores chegarão ao  lago!   (o povo, ingenuamente , o aplaudia).</p>
<p>-         Decidimos que todas as crianças ficarão ao longo das margens :  rostos infantis, afinal, recepcionam melhor do que os de adultos, não é mesmo?   (mais aplausos )</p>
<p>Alfredo a muito custo conseguia disfarçar sua raiva por tamanho cinismo</p>
<p>-         Todos os adultos deverão  ficar reunidos  no último berçário, próximo ao precipício  e eu e seu Rei estaremos  no salão da trono orientando  toda a cerimônia e saudando os visitantes pelos auto falantes.</p>
<p>- Quer dizer que a trama covarde  era esta! – ruminava Dr Frog &#8211; Começariam a atacar por detrás, a partir da cachoeira de baixo, devorando os sapos- bebês, as crianças e os peixes  retardatários por primeiro; em seguida,  iriam aos berçários – aqüíferos pegar os girinos  - e isso tudo sem  qualquer contra-ataque, pois os adultos machos estariam confinados na área defronte ao precipício – prontos para serem empurrados.</p>
<p>Depois do palavreado  enganador, a mão sobressalente  adiantou-se em cortar a fita de inauguração (ao que O Azedão reagiu com a irritação de praxe ): uma fina névoa cobriu, então, toda a extensão do reino e o povo aplaudiu demorada e emotivamente .</p>
<p>Voltando do evento muito ansioso, o Rei só se acalmou ao ver seus amigos fazerem o sinal OK de cima da carruagem  que acabara de regressar.</p>
<p>Reuniram-se na primeira claridade do sol  , e Alfredo detalhou-lhes tudo o que vira e ouvira em sua  arriscada missão .</p>
<p>- Deixei todo o pó lá mesmo, na garage, dentro da carruagem – que está toda abarrotada &#8211; e trouxe um pouco para os seus testes.- informou Luizinho</p>
<p>- Muito bem! Na verdade , já iniciei uma parte deles: logo que voltei da solenidade , pedi para um dos nossos comprar folhas de repolho roxo.</p>
<p>-         Repolho roxo?! Para quê?- quis saber Margarida.</p>
<p>-         A folha desse repolho mede o grau de acidez de qualquer coisa; quando fica vermelha é porque  ela tocou em algo  muito ácido &#8211; como o limão- mas  fica azul se  entrar em contato com  bicarbonato; no entanto, ela permanece roxa se tratar-se de substancia neutra como a água pura. Por exemplo ,veja , em minha pele (o professor de química  encostou um pedaço da folha de repolho ): ela fica discretamente  azul , pois  nossa pele  é ligeiramente alcalina. Mas, agora, observe o que aconteceu quando eu  encostei-a   nas costas  do  guarda, aí de  fora – sem ele perceber, é claro !: cor vermelha intensa! Os invasores são azedos!   &#8211; exclamou  com entusiasmo de pesquisador que acabara de resolver um problema.</p>
<p>-         Bom, ainda bem que eu não precisei beijar nenhum deles – brincou Luizinho- Mas e daí, meu Rei?</p>
<p>-         Acho que o bicarbonato, ao neutralizar a  acidez de seus corpos, pode fazer muito mal à sua saúde .</p>
<p>-         E até matá-los?- questionou Margarida</p>
<p>-         E até matá-los- e perguntou  a ambos :</p>
<p>-         Vocês estão preparados para trabalharmos  dia adentro?</p>
<p>-         Nem devia  perguntar!–  responderam  em conjunto .</p>
<p>-         Preciso  conseguir um pouco do veneno das glândulas desses inimigos. Eu tenho uma intuição: Luizinho, você  se lembra de ter visso soldados jogando uma gosma de cor arroxeada cachoeira abaixo?</p>
<p>-         Sim</p>
<p>-         Pois bem: somos de cor verde e amarela e o veneno deles é azul. Certo?  Quando os chifrudos dissolveram o Rei Batráquio e alguns outros cidadãos,  o que restou foi sempre uma gosma verde: é mistura do amarelo de nossa pele com o azul da secreção  deles. Eles têm aquele papão vermelho, não é verdade?  . Se, por um motivo qualquer, o próprio veneno azul os dissolver &#8211; azul mais vermelho igual a roxo – compreenderam ?</p>
<p>-         Você está nos dizendo que aquele soldado foi dissolvido pelo próprio veneno e virou a tal gosma roxa que Luizinho  viu ?- colocou  Margarida .</p>
<p>-         É uma possibilidade.Veja: as enzimas  venenosas deles podem estar inativas enquanto estão sob a sua pele azeda, mas poderão ficar ativas e corrosivas-quando em contato com o bicarbonato!</p>
<p>-         Bom , não entendi  muita coisa; mas como é que eu vou  arrumar um pouco desse suco?- perguntou Luizinho  </p>
<p>-         Esse é o problema: eu não sei! – respondeu.  </p>
<p>-         Deixa comigo!  . O trabalho intelectual é seu, o meu, força bruta – replicou o ministro-soldado .</p>
<p>-         A propósito – acrescentou  sua fã  numero um  -o Chuveirão ficou uma coisa linda e todo mundo está encantado com o seu Rei!</p>
<p>Luizinho saiu só , prometendo voltar com o veneno em uma hora. Foi  para o  antigo sertão,   procurar ajuda com alguns amigos .</p>
<p>Explicou  a três deles &#8211; Carlão, Hulk ( dois ex sapos &#8211; bombeiros) e a Mustafá,  um anfíbio  libanês vendedor de   quinquilharias,  que , muitas vezes , socorrera  o  Chica Bumba  – o que Alfredo tinha em mente . Entenderam  menos do que ele , mas só o suficiente para serem úteis : tinham que ordenhar    um dos soldados alienígenas. O escolhido foi  aquele que ficava guardando o precipício &#8211; ou melhor, o que dormia em seu posto.</p>
<p>Arrumaram um pequeno balde, um funil , uma garrafa ,cordas,luvas, óculos escuros e –</p>
<p>idéia de Mustafá-  um espelho ; e lá foi  o quarteto para a sua vaca vermelha, já com  sol</p>
<p>alto.</p>
<p>Inicialmente , tentaram uma abordagem cuidadosa, escondendo-se atrás de um mato grosso;</p>
<p>o soldado (também de óculos ray-ban),  encostara-se  em uma pedra para uma soneca</p>
<p>e roncava muito, dormindo em meio à névoa refrescante nunca antes existente  </p>
<p>naquelas paragens; Luizinho, com a mão enluvada, por de trás das folhagens, estendeu o  </p>
<p>braço e começou a fazer uma agradável coceira no ouvido do bandoleiro (que sorria de</p>
<p>prazer); em seguida, tentou apertar sua parótida  venenosa com delicadeza. Mas, qual o</p>
<p>quê !  Era preciso muito mais força .Deixa comigo – sussurrou Carlão; ele deu  seu apertão,</p>
<p>que, no entanto, teve como único efeito interromper os roncos, sem qualquer sinal da</p>
<p>secreção azul.</p>
<p>-         Agora é minha vez &#8211; cochichou Hulk, o maior e o  mais forte da turma.</p>
<p>Sapecou-lhe uma desajeitada garrafada  no cabeção  do guarda , o que atirou seus óculos  para longe , e  o fez despertar  assustado, sem entender o que lhe havia acontecido .</p>
<p>Foi a vez de Mustafá entrar em cena . Do outro lado, com o espelho, passou a jogar luz nos olhos do grandalhão, cegando-o completamente. Sentindo-se invisível, Hulk saiu de trás da matinha  e começou uma repreensão, imitando a voz  forte do sargento .</p>
<p>-         Soldado!</p>
<p>-         Sim senhor! &#8211; respondeu ele, desajeitado e imóvel, na posição de sentido.</p>
<p>-         Dormindo em seu posto?!</p>
<p>-         Sim, senhor – Quero dizer, não senhor!</p>
<p>-         Você conhece  regulamento?</p>
<p>-         Sim senhor!</p>
<p>Hulk pegou  os óculos ,tirou-lhe as lentes, com agilidade , e entregou-o ao seu comandado.</p>
<p>-         Coloque seu visor diurno ! Agora está enxergando, não está?</p>
<p>-         Bem&#8230;</p>
<p>-         Está, não está? ! – gritou o ex  bombeiro  em tom de intimidação</p>
<p>-         Sim senhor!</p>
<p>-         Para o comando central! Marchando! Esquerda, volver! Um, dois, três! Um dois três!  Direita, volver! Em frente!  Um, dois, três&#8230;</p>
<p>E lá foi o panaca, precipício abaixo, desmaiando com a grande queda : Hulk o havia guiado para o vazio ;  através de cordas, os  três desceram para a ordenha.</p>
<p>Enquanto Luizinho e seus comparsas  trabalhavam na coleta do veneno, o casal enamorado  fazia algumas experiências com o vigia da porta do aposento real .</p>
<p>- Por favor, senhor guarda: o  Rei  não esta conseguindo dormir por secura da pele. O senhor poderia ajudar-me  a rodar sua cadeira giratória , enquanto eu pulverizo esta loção  umedecedora   ?  – pediu , com candura,  a   faxineira atriz  .</p>
<p>Alfredo havia preparado dois <em>borrifadores</em>: no primeiro havia um pouco de bicarbonato diluído  e, no outro, suco de limão .A idéia era fazer com que um pouco das gotículas do vaporizador com bicarbonato fosse disfarçadamente  desviado para as glândulas azuis da cobaia ; se acontecesse alguma reação que indicasse que a auto &#8211; dissolução estaria sendo ativada, o cítrico  interromperia a reação.</p>
<p>E a experimento foi um sucesso!   Quando as primeiras borrifadas atingiram  o soldado, ele começou a sentir uma forte queimação local, o que Margarida interrompeu, na mesma hora , com o  spray do  antídoto  .  </p>
<p>- Pode deixar, pode deixar!  O senhor deve ser alérgico a esta  medicação !  -lamentou  ela hipocritamente .</p>
<p>Quando o <em>vaqueiro</em>  retornou com o precioso líquido  azul, , em pleno sol do meio dia,o  Rei da Bioquímica  quase tinha  concluído sua estratégia. Só  faltava um teste  adicional : colocou uma pequena flor dentro de um frasco com as enzimas azuis  e nada aconteceu ; mas quando juntou o bicarbonato , em segundos, ela  foi  corroída por inteiro  !</p>
<p>Margarida e Luizinho ficaram admirados e , então , compreenderam  tudo.</p>
<p>- Leve a carruagem com todo o pó  para o Chuveirão. Quando você, o Hulk, o Carlão e o Mustafá sentirem  que não serão incomodados e que a operação poderá ser executada, coloquem este concentrado de urucum  na bomba de alimentação do Chuveirão: a névoa vai ficar de cor avermelhada e esse sinal vai assegurar-me que vocês estão no controle da situação.  Vou dizer que isso é nossa homenagem a eles, visitantes  vermelhos .  Nossos amigos peixes  deverão chegar  daqui a algumas horas e, aí,  todos  os chifrudos deverão estar  sob a névoa junto com todo   povo  . Vou dar o comando para misturar o bicarbonato à água lá do janelão , pelo alto falante. A senha vai ser esta : Viva o Rei Alfredo, o Rei Chica Bumba, Chica Bumba ; nesse momento , vocês deverão interromper o urucum  e jogar toda a carga de bicarbonato misturado a este corante amarelo de  caquis silvestres : a cor amarela indicará que a névoa está com  veneno anti –mutantes. Eles vão ver como se faz uma guerra química ! &#8211; concluiu o mais farmacêutico dos reis &#8211; Margarida, você fica por perto?</p>
<p>-         E precisa pedir ?</p>
<p>-         Vá logo, Luizinho!  Mas espere! Leve estes quatro <em>borrifadores </em>com você: eles têm bicarbonato concentrado e servirão como armas, caso algum resolva enfrentá-los Lembrem-se: atirem bem em suas glândulas parótidas !</p>
<p>-         E quanto ao General? – colocou  a preocupada namorada &#8211;  Ele estará com você ,falando ao microfone do palácio, e, portanto, não vai ficar ao alcance do chuvisco !</p>
<p>-         Esse aí, deixa que eu mesmo dou conta! Agora, vão!</p>
<p><strong>XIV O GRANDE DIA </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Chifrudão estava cheio de receios  e seus subordinados  haviam  chegado ao auge da fome. A idéia de comer peixes frescos, suculentos  girinos e jovens sapinhos ,depois de tanta ração desidratada  e  tantas pedrinhas- tira- fome ,deixava a situação de difícil de controle. Mas  ele  admoestava a tropa:</p>
<p>- Quem estragar meus planos vai se haver comigo !-  ameaçava-os.</p>
<p>Logo que os primeiros visitantes foram avistados   vencendo a cachoeira de baixo , o Imperador  dirigiu-se  ao salão do trono, vestido com  solenidade, usando, inclusive , a <em>peruca coroada</em>, que antes abandonara. Lá , o diabólico canibal  observava tudo pelo janelão  e, com o microfone ligado , definia onde todos deveriam  posicionar-se .</p>
<p>- Vejam só! Quanta pompa e circunstância ! Até colocou vossa coroa cabeluda   - disse   em tom sarcástico, ao interromper a transmissão , por breves momentos   ; em seguida, retomando os comandos , voltou a   insistir:</p>
<p>- Soldados, fiquem atrás!  . Deixem as crianças bem à vista dos  visitantes!</p>
<p>Ao tentar iniciar um  diálogo com Alfredo, o cururu vermelho  foi interrompido   por</p>
<p>batidas na porta : era  um  dos seus segurando uma corda  por uma das extremidades .     </p>
<p>-         O que é que você está fazendo aqui?!  – vociferou  o manda-chuva  contrariado. Eu não falei que queria todos vocês lá, no meio do povo!</p>
<p>-         General, é o Chuveirão!  Parou de funcionar!  Prendemos dois sujeitos sabotando-o!</p>
<p>Frog  olhou pela janela e, confirmando a ausência da névoa, arregalou os olhos; seu coração batia tão forte e rápido que parecia querer sair pela boca !</p>
<p>O soldado, então,  puxou os meliantes  para dentro da sala    .</p>
<p>O Rei ficou um pouco mais tranqüilo  ao constatar que os detidos não eram nenhum  do</p>
<p><em>quarteto do pó</em> .</p>
<p>Identificou  ambos de  imediato  :</p>
<p>- Eu conheço vocês: trabalham para o Conde Shiitake &#8211; o sócio da Madame Crapaud  e construtor de pirâmides exotéricas ! – afirmou , decifrando, de saída, o motivo para o ataque.</p>
<p>-         Nós só estávamos cumprindo ordens! Eles  não gostam de você,   e mandaram estragar a sua festa.</p>
<p>-   Levo-os para a prisão e, mais tarde ,  verei  o que faço  - ordenou o  chefe dos  dentuços .  </p>
<p>      E agora, dê o fora daqui, imediatamente  !- gritou ao soldado, reduzindo a importância do ocorrido</p>
<p>-          Vamos seguir nossa festa , mesmo sem o vosso Chuveirão, Majestade</p>
<p>O soberano  teve uma daquelas  ausências, como quando descobrira os peixes desidratados no depósito.</p>
<p>-         O que é que eu  faço agora? &#8211; repetia para si mesmo.</p>
<p>Colocou as mãos nos bolsos e, confirmando que estavam cheios de bicarbonato, teve a seguinte idéia : tentaria atrair o General para perto do parapeito do terraço; iria se agarrar a ele para poder esfregar-lhe  o pó diretamente  em suas glândulas; começaria uma gritaria, chamando a atenção de seus amigos, e tentaria joga-lo cachoeira abaixo; vendo  esta briga, talvez, Luizinho e seus amigos partissem para um combate corpo- a &#8211; corpo contra a os soldados,  usando os   <em>sprays</em> .</p>
<p>A partir da rápida definição do plano de ataque , passou  a conversar com o Comandante ,  tal como fazem  entrevistadores e entrevistados em  programas de TV: nenhum olhava para o outro, mas para um terceiro lugar &#8211; no caso-  para as redondezas da cachoeira de baixo, por onde  vários  peixes já haviam passado  .</p>
<p>-         Sabe, meu caro Monarca : devo confessar que tenho grande admiração por você (e falou isso , pela primeira vez , sem a ironia habitual ; o dedão da mão sobressalente também aprovou o comentário)- Decisões  muito acertadas, idéias  inteligentes para melhorar a vida de seu povo , muita coragem para enfrentar seus inimigos políticos e calma bastante  ao resolver problemas , mas &#8230;</p>
<p>-         Mas o quê? – perguntou, antecipando algum golpe baixo.</p>
<p>-         Tenho que comunica-lo que, desafortunadamente, hoje terei de elimina-lo.</p>
<p>Nosso herói permanecia silencioso e imperturbável .</p>
<p>-         Não vai dizer nada?  &#8211; perguntou o General</p>
<p>-         Dizer o quê?  : não faça isso, por favor !? Destruir o inimigo é a lógica da guerra, não é mesmo?– falou  saindo  do janelão e aproximando-se da porta do terraço.</p>
<p>-         Você é mesmo admirável! (o quinto membro , desimpedido , manifestou-se de novo, concordando com esse elogio) Sabe: antes de destruí-lo quero contar-lhe algo sobre nós, os chifrudos.  Somos uma espécie nova, existimos há menos de cinco anos.</p>
<p>-         Se você vai dizer que   vocês  são sapos mutantes ,  não  vai contar-me nenhuma novidade – interrompeu o discurso pretensioso de seu oponente</p>
<p>-         Mas como você  sabia  disso ! -  exclamou espantado, agora,  olhando não mais para a multidão  , mas diretamente  para este Poiré  anfíbio ( de quem até  Aghata Christie se orgulharia !) – Na verdade,  há dúvidas de como surgimos; segundo alguns estudiosos, somos  produto de uma mutação&#8230; talvez, provocada por algum poluente ambiental à base de enxofre! Não é irônico? – voltou a sorrir com o deboche habitual  – E você sempre combateu a poluição das águas !</p>
<p>O mutante  sulfúrico achegou-se,  tentando cumprimentar-lhe seu poder dedutivo; mas o Rei esquivou-se e avançou mais alguns pulos em direção ao terraço.   </p>
<p>O chefe continuou  sua arenga com solenidade:</p>
<p>-         Como uma raça nova, temos hábitos e valores diferentes de qualquer outra que você conheça.</p>
<p>-         Canibalismo, por exemplo – falou ele sem perder a dignidade real.</p>
<p>O General, outra vez , aproximou-se com indisfarçável ar de admiração ;de novo , Alfredo  afastou – se para  atrai -lo ao ponto certo do  seu ¨ataque  bicarbonatado¨.</p>
<p>- Você não me deixa de surpreender até o último minuto! Como descobriu?</p>
<p>- Estes caninos avantajados, as garras&#8230; Além disso, sei que você tem peixes desidratados em seus mantimentos – que permitem alimenta-los por longos períodos sem precisarem das nossas&#8230; proteínas . Por acaso, foi Dr Sapan Ucem quem ensinou-lhes  esta técnica de conservação?</p>
<p>-         É espantoso! Você deveria ter seguido a carreira de detetive!  De fato: foi Dr. Sapan – ou melhor, hoje ele deveria se chamar Dr. Sopão – se fosse possível um sapo sobreviver em estado líquido! (falou com riso sardônico ) &#8211;  Mas vamos  ao menu principal: gostaria de comunicar-lhe  que vou devorá-lo . E sabe de umas coisa  ? Isso deveria deixa-lo orgulhoso ! – afirmou  com seu deboche- marca- registrada.  Entenda:  só comemos sapos adultos como você por uma questão ritual,pois  acreditamos que, ao comer um sábio,  adquirimos sua sabedoria. Dissolve-lo com meu veneno seria uma humilhação a que não vou submete-lo! – acrescentou  avançando para ficar lado a lado do seu ídolo comestível .</p>
<p>Frog preparava o golpe iminente e , por isso , perguntou-lhe :</p>
<p>-         Posso dar-lhe um abraço de despedida?Apesar de tudo, tenho que admitir que o senhor fez muito pelo meu povo – disse  com as mãos  cheias de pó e escondidas dentro dos bolsos .</p>
<p>O chefe dos canibais ficou completamente  desenxabido , e só a  pata desinibida  aquiesceu , chamando-o para  um afetuoso cumprimento . Entretanto, no último segundo, a névoa recomeçou como antes , logo adquirindo , a cor avermelhada. O povo  aplaudiu e ovacionou o feito.  O Rei do Bicarbonato  desarmou-se e  sorriu satisfeito,  entrando , novamente, no salão.</p>
<p>-         Que genial idéia a sua ! –  gritou entusiasmado , rindo , primeira vez, todos os dentes afiados .- Uma homenagem  a nós , vermelhos !</p>
<p> Tomado de verdadeira emoção , apontava   para a névoa colorida (  a pata sobressalente acompanhou esse gesto com liberdade).</p>
<p>Como o Chuveirão voltou a funcionar é uma história que merece ser contada:</p>
<p>Luizinho e seus três companheiros foram os que flagraram  os dois sabotadores, minutos após consumarem a depredação da roda d’água: quatro pás tinham sido arrebentadas  a porrete pelos  delinqüentes . Depois de os entregarem a um dos soldados, voltaram, sem qualquer demora ,  para tentar faze-la girar ; fizeram muita força, mas nada! </p>
<p>-         Vamos precisar de muitos colegas. E bem  fortes!– comentou Hulk &#8211; Quem sabe com mais cinco ou seis faremos este treco mexer-se!</p>
<p>-         O problema é que poucos têm força como nós! – lamentou Carlão</p>
<p>De repente, Luizinho   teve uma iluminação.</p>
<p>-         Pessoal ! Procurem não os mais fortes, mas aqueles com as maiores bocas.</p>
<p>-         Por quê?  – perguntaram ao mesmo tempo!</p>
<p>-         Vocês vão ver daqui a pouco.</p>
<p>-   Isso não vai ser difícil -  falou  Carlão .</p>
<p>Passados cinco minutos,  apareceram dez  bocudos convocados compulsoriamente</p>
<p>Dentre eles, foram escolhidos os quatro mais bem dotados (um deles, aliás, aquele  cantor de ópera que participava da , propaganda de comida light,  chamado Dom Saparotti).</p>
<p>Depois da breve preleção sobre a importância de fazer funcionar o maquinário  , a orientação dada  foi a seguinte:</p>
<p>- Cada um de vocês deve agarrar-se aos aros da roda nos pontos em que as pás foram quebradas e encher a boca com a maior quantidade de água possível. Mas atenção: isso só quando chegarem ao ponto mais alto; no ponto mais baixo, devem cuspi-la totalmente . Desse modo vocês ficam mais pesados quando  descem e mais leves ao subirem!</p>
<p>Ensaiaram, um pouco, o sincronismo e foram à luta.</p>
<p>      Sucesso: a roda andou , voltando a mover  os pistões da bomba de captação !</p>
<p>Lá no castelo, a conversa entre  o chefe dos azedos   e o Rei da Dissimulação  continuava:</p>
<p>-         General , antes de ser  devorado ,eu poderia dirigir  algumas palavras de despedida  ao meu povo  ? – pediu  saltando  , rapidamente, na busca do  microfone .</p>
<p>-         Bem&#8230; Majestade – balbuciou  o desconfiado (ele temia que Frog  gritasse por socorro e, assim, estragasse a emboscada); Chifrudão então ,  adiantou-se e, obstruindo-lhe o caminho  com seu corpanzil,   agarrou u o microfone em suas mãos:</p>
<p>-         Diga-me o que você quer comunicar  que eu ,mesmo, transmitirei – propôs com sua perene malícia  .</p>
<p>-         É uma mensagem curta: Viva o Rei Alfredo, o Rei Chica Bumba, Chica Bumba!</p>
<p>-         Só isso! Ah, que sublime! E, religando o som , repetiu a mensagem  com alegre ênfase e com um jeito quase infantil:</p>
<p>-         Viva o Rei Alfredo, o Rei Chica Bumba, Chica Bumba!  </p>
<p>Nesse momento, a névoa amarela  começou a cair , e o povo delirou de emoção.</p>
<p>-         Ah, amarelo! Que lindo! Primeiro vermelho, agora a cor de seu povo!  Quanto simbolismo! – bradou  deveras  impressionado (a mão esquerda também manifestou sua  admiração)</p>
<p>O Rei das Surpresas , ainda mais  um vez , confundiu o general- fã -clube:  lépido como nunca , começou  fechar as janelas e as portas do terraço, para que não fosse possível, sequer, desconfiar-se de que estava em curso  a  eliminação dos  bandidos .</p>
<p>-    Um ¨momentito mi Heneral¨, estou quase  pronto! – e, enquanto as fechava ,explicou  o porquê dessa  derradeira providência &#8211; Não quero que ninguém veja a cena do senhor devorando-me ! Sabe, poderia choca-los!</p>
<p>O que se ouvia, então , de modo pouco distinto , lá de baixo ,eram os gritos da multidão (assustada com a dissolução dos invasores)  misturados à música da bandinha (  que tocava  a todo vapor) ; os nativos não  compreendiam  porque os soldados  estavam se derretendo ;  inicialmente ,  ficaram bastantes  perturbados, mas voltaram a alegrar-se  quando um daqueles ex-falsos pastores levantou-se , do meio da multidão, e profetizou:</p>
<p>-         Estes sapos são anjos enviados do céu! Agora que  cumpriram a missão de melhorar  nossas vidas , estão nos deixando!</p>
<p>O povo, de um modo geral, aceitou essa estranha interpretação. No entanto, Madalena , uma  velha e enrugada sapa, muito  conhecida por seu ceticismo,   puxou pela camisa o ex milagreiro , com sua bengala , e   perguntou-lhe desconfiada :</p>
<p>-    Como podem ser anjos, tendo chifres e sendo vermelhos?  É claro  que o profeta desconversou.</p>
<p>Mas voltemos ao palácio.</p>
<p>-     Feito!  Agora, o senhor poderia abrir a boca para eu poder entrar?</p>
<p>Na verdade, Chifrudão já mostrava a boca entre – aberta  , mas era de espanto pela coragem de seu  ícone  real; por alguns segundos , permaneceu imóvel, pensando que estava diante não apenas de um sábio , mas de um verdadeiro semi-deus .</p>
<p>Então  , inesperadamente, bateram à porta.</p>
<p>-      Entre – falou, com mansidão, o embasbacado General, sem pensar muito no que</p>
<p>acabara de  dizer .</p>
<p>Foi a vez do Rei  levar um grande susto: eram o ex Primeiro Ministro  e a Rainha Batráquia com  a filha .</p>
<p>-         Ah, entrem meus amigos!–  falou  o carnívoro vermelho,  animado e cínico , como que acordando de um transe.</p>
<p>-         Amigos?! &#8211; reclamou o super-anfíbio.</p>
<p>-         Olhe , Alfredo, acho que , antes de eu incorporar a sabedoria  de Vossa Sapiência , você deveria  conhecer o acordo que  fechamos &#8211;  eu e seus amigos.</p>
<p>-         Eles não são meus amigos-  respondeu com rispidez nunca  antes demonstrada .</p>
<p>-         Vejam só a insolência desse ¨ farmaceuticozinho¨ de meia tigela! –provocou  a</p>
<p>Princesa,depois de muito tempo sem poder falar ( cuja voz em falsete, por sinal,  era muito  desagradável) .</p>
<p>-         Ah, sim! Ontem eles contaram-me tudo sobre você   – revelou-lhe  o líder dos alienígenas  .</p>
<p>-         Ele nos enganou muito bem, General! Mas lá na prisão&#8230; quero dizer&#8230; lá ,em  nosso retiro, chegamos à conclusão de que esse personagem só poderia ser o mesmo charlatão , que algum tempo atrás  arruinou-se  com dezenas de ações judiciais – disse,</p>
<p><em>maliciosamente ,  o mais malévolo e malquisto magricela  maquiavélico. </em></p>
<p>O soberano ouvia tudo, mas não movia um só músculo e não dava a  transparecer qualquer emoção, como se tivesse ¨botulinizado¨ não só o corpo , mas  a própria alma .</p>
<p>-         Você também me enganou, Majestade  – completou o General. Mas devo admitir que <em>sois </em> muito mais rei que aquele imbecil que eu  saponifiquei &#8230; Ah, ah, ah!! – gargalhou</p>
<p>sob os olhares de reprovação da viúva,  e  espirrando  saliva  por  todos  os lados (aliás,  desde o início da festa, os  invasores  salivavam  como nunca  !) .  </p>
<p>-         Sabe, majestade, o fato é que eu e seus&#8230; inimigos concebemos  um novo  panorama político &#8230; digamos&#8230; uma Solução Final  . Minha idéia inicial era&#8230;, vamos dizer &#8230; incorporarmos as proteínas dos peixes voadores e dos cidadãos e cidadãs mais jovens, jogando todos os outros precipício abaixo. Mas Champignon fez-me uma oferta irrecusável e eu aceitei-a.  O novo esquema não tem a longanimidade  de um daqueles de Vossa Onisciência, mas&#8230; assim é a vida!  . Vamos, de fato, jogar – ou, se resistirem, dissolver &#8211; a maioria dos adultos e velhos. O primeiro Ministro, aqui, assumirá o trono e o regime deixará de ser uma monarquia parlamentar, para ser  uma monarquia pura e simples.</p>
<p>-          Você quer dizer uma tirania  – afirmou o exterminador de alienígenas .</p>
<p>-         Como queira. O regime de escravidão será  instituído e todas fêmeas jovens e alguns poucos machos reprodutores  serão&#8230;</p>
<p>-         Reprodutores! – pela primeira vez , Alfredo  levantou  a voz encolerizado.</p>
<p>-         Alguns jovens reprodutores  serão incumbidos  de manter nosso aporte alimentar durante todo o ano &#8211; continuou o  cururu nazista .- Os sapos bebês e girinos  serão paralisados com Botulina e jogados cachoeira abaixo , todos os dias à mesma hora :nós os  estaremos recepcionando ,  lá em baixo!  E , uma vez por ano, faremos uma visita a este belo Reino, para  recebermos  os voadores  de braços e&#8230; bocas abertos !</p>
<p>Voltando-se, então ,  para os seus três declarados desafetos ,  Churchill Frog  deu-lhes uma sova de língua :</p>
<p>-         Vocês tiveram a coragem de vender seu próprio povo?  E para esse canibal  desalmado! Vocês são muito piores que ele ! Vocês  são aberrações monstruosas! Vocês não passam de  assassinos  genocidas !   </p>
<p>-         Espera lá!  &#8211; interveio o Chefão &#8211; Isso não tem nada a ver com assassinato! É nada mais, nada menos que a Lei da Natureza: os mais fortes vencem os mais fracos!</p>
<p>-         Natureza? Natureza?! . Vocês – pimentões de chifres-  não têm nada a ver com a Natureza ! São mutantes, produtos da poluição ambiental! Vocês é que deveriam desaparecer !</p>
<p>-         OK , chega de papo furado &#8211; respondeu o devorador  ofendido &#8211; Você vai entrar em  minha boca ou eu vou ter que atacá-lo?</p>
<p>O Rei do Fingimento  representou um ar de resignação.</p>
<p>-    Está bem: deixe-me tirar a peruca , minhas roupas e a prótese . Os senhores  poderiam , ao menos , virarem-se de costas, por um momento? – pediu aos seus inimigos .</p>
<p>Chifrudão, com  olhar feroz , obrigou-os a acatarem – a contra gosto &#8211; o último pedido de sua nobilíssima iguaria .</p>
<p>- Obrigado , General .V.Excelência  pode abrir-la, que  dispo-me em um segundo. Entrarei  correndo  para que, com o impulso, o senhor me  engula com rápidez e eu possa sentir menos dor .</p>
<p>Chifrudão aquiesceu, nas mesma hora,  nitidamente comovido .</p>
<p>Quando escancarou a bocarra assustadora, ao mesmo tempo fechando os olhos, o condenado estava apenas descoroado. Foi  nesse exato momento que  Alfredo  levantou  seu roupão,  pondo a descoberto a prótese de molas : ela  fora, inteligentemente,  transformada  em um arpão  com muitos saquinhos de bicarbonato amarrados à flecha</p>
<p>( Oto Engenharia &#8211; Sociedade Civil Limitada ).</p>
<p>- Lá vou eeeu !</p>
<p>Então , apertou o gatilho, acertando em cheio a grande<em> campainha</em> da gargantona  respingadora  de  uma saliva viscosa  e azulada   .   </p>
<p>O iludido  militar  assustou-se com o impacto , mas não pode  impedir o reflexo da deglutição ;  só percebeu que fora enganado quando, ao fechar o boqueirão e abrindo os olhos, viu Alfredo sorrindo à sua frente.</p>
<p>-         Quando o bicarbonato começar a entrar em sua circulação , daqui a alguns segundos, Mein  Fürer ,você deixara de ser o resultado de uma anomalia cromossômica !</p>
<p>Chifrudão concluiu , então, que iria  dissolver-se ;  mesmo assim , quis fazer uma derradeira  maldade. Começando a sentir os efeitos da droga , o papo estufando exageradamente (  pois, o que recebera foi uma overdose de bicarbonato ), o bandido,  cambaleante, arrombou a porta  do aposento real  e dirigiu-se ao para-peito do terraço para gritar aos seus comandados :</p>
<p>-         Destruam todos! Comam todas as crianças ! Dissolvam todos os adultos! Joguem-nos no precipício!  </p>
<p>Mas, pouco antes de começar a se auto-digerir,  pôde constatar, desolado, que toda a sua gangue já não mais  existia. E , segundos mais tarde , o  que dele restou foi apenas  um montão de gelatina ,  arroxeada e borbulhante ! ( na verdade , mais tarde ,  sapos legistas identificaram uma grande quantidade de  resina  ¨sapotínica¨  na posição  correspondente aos seus musculosos bíceps – os três!  ).</p>
<p>Mas voltemos à dramaticidade das  cenas finais :</p>
<p>Quando  a multidão ouviu  aquela ordem absurda , emudeceu , de imediato ,  e a bandinha silenciou , repentinamente; e a partir desse momento  ninguém mais  tirava os olhos de tudo o que acontecia no palácio .</p>
<p>O falso  religioso  recebeu uma potente  bengalada de Madalena  e desmaiou</p>
<p>-    Anjos, heim! Seu imbecil!  &#8211; protestou  indignada</p>
<p>Lá em cima, o trio maligno, tomado de surpresa, permanecia estático.  Vendo que seu terrível acordo fora por água  abaixo, tiveram, como primeira reação procurar  agredir o <em>sobra</em> ; e ele,  adivinhando-lhes a intenção, rastejou  para o terraço , veloz como cobra em  areia quente . A Rainha saiu na frente do ataque  : alcançando-o,  saltou para  cima de suas costas  e  quis enforca-lo .Só não conseguiu  faze-lo por causa da  limitação dos  próprios braços : tentando agarrar o pescoço real , a pele daqui &#8211; puxando a pele de lá-   forçava-a a fazer um ridículo biquinho  , como se fosse assobiar ; mas nada de os membros esticarem-se  o suficiente  !   Desistindo do estrangulamento , passou ,então,  a pular  repetidas vezes sobre  o dorso do frágil  perneta . O quase- bife – de –sapo ,  no entanto , conseguiu tirar a seringa de Botulina que escondia sob a peruca e , com toda a  força , injetou-a  na  gorda  coxa  real ; em segundos, conseguiu   paralisar  a “ pesadona “  , completamente .</p>
<p>Papudinha veio socorrer a mãezona ,estatelada em cima de abatido soberano .</p>
<p>-    Mama, reaja Mama! – gritava ela, dando-lhe tapinhas no rosto.</p>
<p>Nesse momento,  o  Primeiro Ministro do Mal , aproveitando-se da imobilização do Rei , desferiu-lhe um violento ponta pé na cabeça , o que o fez perder os sentidos . Na seqüência, e com muito esforço, retirou &#8211; o de sob a avantajada nádega real : levantou  o  sapo peso –pena  pelo colarinho e  foi até o para-peito ,  na tentativa de pregar mais uma mentira  aos que tudo assistiam boquiabertos ( e que, por isso , se apertavam ainda mais !)   </p>
<p>-    Meu povo: este falso rei foi o responsável pela vinda desses  invasores ; planejava   </p>
<p>     eliminar as nossas principais   lideranças, a começar pelo saudoso Rei Batráquio – o   </p>
<p>     que acabou conseguindo  com a ajuda  dos vermelhos . Sua intenção  malévola era   </p>
<p>     conseguir  o apoio de todos vocês, para depois  entregar  seus filhos e filhas a estes</p>
<p>      sapos canibais!  </p>
<p>      Mas eu descobri suas reais  intenções e tratei de eliminar todos esses bandoleiros  !</p>
<p>      Agora, eu, o seu Primeiro Ministro ,  vou&#8230;</p>
<p>Champignon , neste momento , foi  interrompido por alguém que falava ao microfone, de dentro do salão,  bem em frente ao  janelão aberto.</p>
<p>-         Isso não é verdade! – revelou  uma linda sapinha. -Alfredo é o melhor governante que vocês já tiveram e foi ele quem planejou tudo para  nos livrarmos  desses violentos !</p>
<p>Ao ouvir  esta revelação, o  povão soltou  um uníssono Oh! </p>
<p>Quando o Barão voltou-se para a janela e   reconheceu que quem falava era sua própria filha, Isabela ( aquela mesma por quem Dr. Frog se apaixonara e que o ajudou a arruína-lo )  gritou irritado:</p>
<p>-    Minha filha, saia já daí  !</p>
<p>A espontânea  e impensada inconfidência  sobre quem  estava defendendo o monarca de modo  tão cabal  provocou  um segundo Oh!  entre a multidão . .</p>
<p>-     Papai, já fizemos muito mal ao povo e&#8230; ao Rei Alfredo!  (lamentou, em tom de</p>
<p>arrependimento)- Nunca nos perdoarão pelo que praticamos! Temos que recomeçar em outro lugar. Vamos embora agora, antes que seja tarde!</p>
<p>Muitos  deputados  e  ricaços – temendo uma  CPI – logo perceberam  a confusão  em que estavam metidos  e,assim ,  decidiram saltar  cachoeira abaixo.</p>
<p>A Princesa também entendeu o recado: com visível  dificuldade , fez a volumosa genitora cair na água e, subindo em cima de sua  pança , foi remando em direção à cachoeira de deságüe .</p>
<p>Então, o  pai da arrependida , pela posição em que se encontrava , pôde  ver que um bandoleiro  acabara de entrar no salão . Era aquele que levara os dois prisioneiros para a cadeia e que não se expusera à névoa destruidora. Sorrateiro, ia ao encontro de Isabela, insalivando muito, o que indicava a sua gastronômica  intenção: iria devora-la ali mesmo. O Sorvete de Pimenta  largou  Alfredo – que despertou &#8211;  e saiu pulando, celeremente, na tentativa de impedir  a previsível ¨ batraquiofagia¨ . Quando o soldado saltou em direção  à filha para a certeira mordida, o zeloso pai empurrou-a, tomando seu   lugar.Nos últimos instantes de sua vida  mostrava,afinal, que , junto com a pimenta coexistia um pouco de doçura paternal . Depois de sentir um gosto muito ruim  e fazer uma carantonha  de nojo ,  o bandoleiro  abriu os olhos e percebeu que tinha, na verdade , engolido um sujeito muito amargo . Isabela, descontrolada, atacou-o com um comprido abajur de vaga-lumes (que voaram assustados).</p>
<p>-         Isabela, não faça isso! – gritou  o antigo apaixonado  </p>
<p>Mas o  canibal de chifres  contra-atacou com seu veneno poderoso e, em poucos segundos, a liquefez  inteiramente .</p>
<p>Logo em seguida, os  co-heróis, Hulk, Carlão, Mustafá   e Luizinho entraram vestidos com aquelas roupas negras da Swat, empunhando os<em> borrifadores</em>  e com escudos para ricochetear os jatos de enzima . Em poucos segundos deram cabo do último invasor , que se dissolveu por inteiro.</p>
<p>Margarida chegou correndo e  abraçou  Alfredo, caído no terraço e cheio de hematomas. Ajudando-o a levantar-se, deu-lhe um beijo na boca &#8211; do jeito que só os sapos sabem fazer.</p>
<p>O povão ensaiou um  coro emocionado de Ãhs&#8230; !   </p>
<p>Nesse instante ,  seus amigos entregaram-lhe o microfone e ele fez um breve e solene</p>
<p>discurso:</p>
<p>-         Meus irmãos: quis o destino que, em pouco tempo, passássemos por situações que ninguém poderia te-las imaginado.Muito das coisas ruins que nos aconteceram foi resultado do mau uso da nossa água – preciosidade da qual nós – anfíbios &#8211; dependemos de modo tão  essencial ! E tal descaso gerou terríveis  conseqüências  –sendo  uma das piores, o aparecimento desses degenerados mutantes.</p>
<p>-         A poluição que nos atingiu dependeu , em muito, do desregramento  dos que  governavam esse reino e  que degradaram  o meio ambiente  pelo abuso irresponsável dos  nossos recursos naturais.No entanto,  também nós , ao invés de termos resistido e  reivindicado , com todas as nossas forças, o que era de direito , acabamos por imitar os  mesmos esquemas ¨vale- tudo¨ dos mafiosos no poder: de um modo geral , corrompemo- nos  e acabamos por contribuir para a  degradação ambiental  e social  a que  chegamos.</p>
<p>-         Agora chegou um novo tempo, um tempo para começarmos  tudo de novo !</p>
<p>-         Vida nova para o Reino dos Sapos Amarelos!</p>
<p>-         Águas limpas para todos!  </p>
<p>-         Todos pelas águas limpas!</p>
<p>A cena final é típica de Hollywood: o casal  abraçou –se  com ternura ,tendo por fundo a névoa multicolorida, varrida por feixes de luzes dos  vaga-lumes holofotes  e sob vivas de toda a saparia <em>coaxante</em>   !                                                                                   </p>
<p>                                                                FIM</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Las inundaciones de 1997]]></title>
<link>http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/30/las-inundaciones-de-1997/</link>
<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 11:42:36 +0000</pubDate>
<dc:creator>lahuelvacateta</dc:creator>
<guid>http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/30/las-inundaciones-de-1997/</guid>
<description><![CDATA[La noche del 27 de Septiembre de 1997 una tormenta nunca conocida por estos lares, descargó sobre Hu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">La noche del 27 de Septiembre de 1997 una tormenta nunca conocida por estos lares, descargó sobre Huelva Capital y su entorno más de 170 litros por metro cuadrado, aunque se llegaron a recoger 174 en algunas zonas.</p>
<p style="text-align:justify;">Lo más destacable es que tan sólo en una hora cayeron más de 150 mm (milímetros).</p>
<p style="text-align:justify;">Los destrozos en Huelva fueron muy importantes. Camiones volcados a la entrada de la ciudad. Barrios enteros inundados. Casas derribadas por el aguacero. El Río Odiel desbordado a las afueras de la ciudad. Carreteras de acceso a Huelva embarradas. Coches aislados por el agua. Carreteras cortadas. La ciudad se quedó sin autobuses urbanos. Viviendas y garajes anegados. Un verdadero caos.</p>
<p style="text-align:justify;">Centrándonos en las causas de esta gran tormenta, vamos a analizar la situación que la provocó.</p>
<p style="text-align:justify;">En el siguiente mapa a 500 hPa* y superficie del 27 de Septiembre se observa una <a href="http://www.parasaber.com/medio-ambiente/meteorologia/meteorologia-extrema/dana-gota-fria/articulo/gota-fria-mar-mediterraneo-dana-corriente-chorro-jet-stream-d/688/" target="_blank">DANA</a>* (Depresión Aislada en Niveles Altos, Gota Fría) perfectamente formada casi sobre el Cabo San Vicente y unos -16/-17º en el seno de la misma a 500 hPa:</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/superficie.jpg" alt="" width="520" height="414" /></p>
<p style="text-align:justify;">Analizando el mapa a 850 hPa observamos una pequeña advección cálida sobre el extremo sureste peninsular en capas medias:</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/altura.jpg" alt="" width="520" height="413" /></p>
<p style="text-align:justify;">El resultado, muchos chubascos tormentosos en Extremadura y Andalucía (Cáceres, Sevilla, Morón, Córdoba, Granada, Jerez, Tarifa, Málaga y Almería reportan tormenta ese día), y cantidades de agua muy importantes:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><span style="text-decoration:underline;">Huelva:</span> 160 mm (record anual en la serie 1984-hoy&#8230;). Nos podemos dar cuenta de la importancia del dato cuando vemos que el record anual de la antigua estación, la del Ayuntamiento, es de 124 mm para el día 23 de Septiembre de 1907, para una serie de 82 años (1903-1984).<br />
<span style="text-decoration:underline;">Málaga/Aeropuerto:</span> 85 mm.<br />
<span style="text-decoration:underline;">Sevilla/San Pablo:</span> 38&#8242;1 mm.<br />
<span style="text-decoration:underline;">Cáceres:</span> 32 mm.<br />
<span style="text-decoration:underline;">Córdoba:</span> 23&#8242;9 mm.<br />
<span style="text-decoration:underline;">Granada:</span> 23&#8242;1 mm.<br />
<span style="text-decoration:underline;">Badajoz:</span> 22&#8242;1 mm.<br />
<span style="text-decoration:underline;">Jerez:</span> 11&#8242;9 mm.<br />
<span style="text-decoration:underline;">Tarifa:</span> 8&#8242;9 mm.</p>
<p style="text-align:justify;">Vamos a ver unas animaciones del satélite METEOSAT de aquel día para que se entienda mejor:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Evolución satelital en el canal INFRARROJO.</strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/hc5_zKj1sZU&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/hc5_zKj1sZU&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p style="text-align:justify;">Podemos ver como durante la madrugada un más que posible <a href="http://www.meteored.com/ram/105/los-sistemas-convectivos-de-mesoescala-y-la-%E2%80%9Cgota-fria%E2%80%9D/" target="_blank">SCM</a>* (Sistema Convectivo de Mesoescala) se forma al sur de Ceuta y se introduce en Andalucía central y occidental, afectando también a la zona centro peninsular. Luego parece regenerarse durante la mañana sobre Andalucía occidental, y hacerse incluso más potente, puesto que el satélite nos muestra nubosidad más compacta y de color blanco más intenso. Finalmente, por la tarde, una extensa banda se forma desde el golfo de Cádiz hasta Melilla/Alborán y se introduce de Sur a Norte abarcando a toda Andalucía, de manera más clara a la mitad oriental.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Evolución satelital en el canal VISIBLE.</strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/0Fbi_JlttBs&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/0Fbi_JlttBs&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p style="text-align:justify;">En el visible podemos ver perfectamente la abundante nubosidad de Andalucía occidental, aunque no llegamos a apreciar (por la hora) la última banda nubosa, la de desplazamiento Sur-Norte.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Evolución satelital en el canal VAPOR DE AGUA.</strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/0r7JbEh0fKg&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/0r7JbEh0fKg&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p style="text-align:justify;">Se ve nítidamente el vórtice ciclónico asociado a la DANA, primero frente a Lisboa, y luego bajando en sentido Sur prácticamente hasta colocarse frente al Cabo San Vicente sin perder entidad. Luego, más al Sur, sí se aprecia menos &#8220;potencia&#8221;. También se ven, de madrugada, varias bandas secas dispuestas desde Canarias hasta el centro peninsular, y como alrededor (sobre todo a la derecha de dichas bandas) hay convección muy fuerte. Recordemos que las bandas secas son zonas de las capas altas donde se producen descensos de aire troposférico hacia superficie, de ahí que se vean negras (no asciende humedad y por tanto no hay vapor de agua en la columna atmosférica). Las bandas blancas son zonas donde se están produciendo ascensos desde capas inferiores. Es en los flancos Este de las bandas negras donde hay ascensos más importantes. El que hubiera varias bandas secas hizo que se regeneraran las nubes una y otra vez a lo largo de todo el día, y que fueran atravesando el Sur peninsular unas tras otras.</p>
<p style="text-align:justify;">Como buen “Friki” de la meteorología que soy, guardé en forma de fotografías el periódico “Huelva Información” de los días siguientes. Os dejo unas cuantas imágenes del periódico:</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/Huelva1.jpg" alt="" width="520" height="390" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/Huelva2.jpg" alt="" width="520" height="390" /></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/Huelva3.jpg" alt="" width="520" height="390" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/Huelva4.jpg" alt="" width="520" height="390" /></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/Huelva6.jpg" alt="" width="520" height="390" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/Huelva7.jpg" alt="" width="520" height="390" /></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/Huelva9.jpg" alt="" width="520" height="390" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/Huelva10.jpg" alt="" width="520" height="390" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter" src="http://www.meteohuelva.es/imagenes/Huelva11.jpg" alt="" width="520" height="390" /></p>
<p style="text-align:justify;">También os dejo el informativo especial que realizó la extinta TeleOnuba para informar de los daños provocados por la tormenta:</p>
<p style="text-align:center;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/d5kLNr01x30&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/d5kLNr01x30&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p style="text-align:center;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/-2x3EDkEpi8&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/-2x3EDkEpi8&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p style="text-align:justify;">Los más veteranos lectores seguro que se acuerdan de los autobuses urbanos de otras ciudades andaluzas circulando por nuestra ciudad las semanas posteriores a la tormenta. Como consecuencia de la misma, los almacenes de Emtusa se inundaron por completo, inutilizando toda su flota. En solidaridad, ciudades como Málaga, Córdoba y Sevilla mandaron varias unidades para cubrir el servicio. Así se puede ver la noticia en el diario La Voz de Huelva: <a href="http://www.diphuelva.es/web/Archivo/hemeroteca/iframeHemero.aspx?pagina=1&#38;ruta=/hemeroteca/voz_huelva/1997/SEP/29" target="_blank">“Emtusa utilizará 25 autobuses de Málaga, Córdoba y Sevilla.”</a></p>
<p style="text-align:justify;">Como muestra del catetismo reinante en Huelva, algunos autobuses sevillanos fueron apedreados. Vivir para creer.</p>
<p style="text-align:justify;">En definitiva, fue una noche en la que disfruté muchísimo pero las consecuencias no fueron las deseadas y espero que no se vuelva a repetir porque todo exceso tiene su parte negativa.</p>
<p style="text-align:justify;">El Pájaro Espino (<a href="http://www.meteohuelva.es" target="_blank">www.meteohuelva.es</a>)</p>
<p style="text-align:justify;">Fuentes: <a href="http://www.wetterzentrale.de/" target="_blank">www.wetterzentrale.de</a>, Huelva Información del 28 de Septiembre de 1997, <a href="http://www.parasaber.com/medio-ambiente/meteorologia/meteorologia-extrema/dana-gota-fria/articulo/gota-fria-mar-mediterraneo-dana-corriente-chorro-jet-stream-d/688/" target="_blank">www.parasaber.com</a>, <a href="http://www.meteored.com/ram/105/los-sistemas-convectivos-de-mesoescala-y-la-%E2%80%9Cgota-fria%E2%80%9D/" target="_blank">www.meteored.com</a>, <a href="http://www.diphuelva.es/inicial.aspx#aHR0cDovL3d3dy5kaXBodWVsdmEuZXMvd2ViL2NvbnRlbmlkb19lc3RhdGljby5hc3B4P2lkQ29udGVuaWRvPTU2JmlkQXJlYT0xNiZwYWdpbmE9TDNkbFlpOUJjbU5vYVhadkwyaGxiV1Z5YjNSbFkyRXZhR1Z0WlhKdmRHVmpZUzVoYzNCNA==" target="_blank">Hemeroteca Digital de la Diputación de Huelva</a>, <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Gota_fria" target="_blank">www.wikipedia.org</a>.</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><strong>*Glosario de Términos:</strong></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">Gpdm:</span> Decámetros geopotenciales.</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">hPa:</span> Hectopascales (milibares).</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">DANA:</span> Depresión Aislada en Niveles Altos, más conocida como Gota Fría. Es una perturbación atmosférica extratropical no frontal que puede provocar precipitaciones excepcionalmente violentas e intensas durante unas horas o días, acompañadas de numerosos rayos y de granizo. Afecta a superficies reducidas o de mediana escala y siguen trayectorias imprevisibles, causando grandes lluvias y fuertes vientos.</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">SCM:</span> Sistema Colectivo de Mesoescala, son unas estructuras atmosféricas potencialmente generadores de tiempo adverso y severo en superficie que pueden afectar a grandes extensiones de territorio, con ciclos de vida que van más allá de una simple tormenta, pudiendo persistir más de 24 horas. Además, son una de las estructuras más grandes en extensión que se pueden dar dentro de los fenómenos categorizados como de Mesoescala.</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Si te gustó este artículo visita también el de &#8220;<a href="http://lahuelvacateta.wordpress.com/2008/12/14/la-nevada-del-54/" target="_self">La Nevada del 54</a>&#8220;.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[#139]]></title>
<link>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/27/139/</link>
<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 04:14:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>eltallerrosa</dc:creator>
<guid>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/27/139/</guid>
<description><![CDATA[100 metros trash. Competencia de homeless por las calles de San José. Premio: un bollo de pan y una ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>100 metros trash. Competencia de homeless por las calles de San José. Premio: un bollo de pan y una raspadita.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Quien tiene boca se equivoca (III)]]></title>
<link>http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/26/quien-tiene-boca-se-equivoca-iii/</link>
<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 19:30:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>lahuelvacateta</dc:creator>
<guid>http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/26/quien-tiene-boca-se-equivoca-iii/</guid>
<description><![CDATA[Os mando una foto que hice el pasado domingo en Santa Ana la Real. Como muchos fines de semana tras ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Os mando una foto que hice el pasado domingo en Santa Ana la Real. Como muchos fines de semana tras el verano, unos amigos y yo nos vamos a recorrer los distintos senderos que hay por la Sierra. Este pasado fin de semana nos tocó este pueblo. En el mirador que está en el misma localidad hay un típico cártel de la Junta de Andalucia, pagado con fondos de la Unión Europea, donde nos cuentan un poco de la historia del pueblo, la fauna y flora del lugar, etc.  Curioso fue encontrarse con tan estimable falta de ortografía y la correspondiente corrección realizada por alguien:</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter" src="http://i466.photobucket.com/albums/rr27/lahuelvacateta/OrtografaenSantaAnalaReal.jpg" alt="" width="448" height="300" /></p>
<p style="text-align:justify;">Mucho nos quejamos del daño que los SMS e Internet están haciendo a nuestro idioma, pero mira por donde son las instituciones, las que presumiblemente son las primeras en defender la lengua, las que cometen las mayores burradas.</p>
<p style="text-align:justify;">Abraham.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Manifestación del movimiento vecinal]]></title>
<link>http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/25/manifestacion-del-movimiento-vecinal/</link>
<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 14:32:04 +0000</pubDate>
<dc:creator>lahuelvacateta</dc:creator>
<guid>http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/25/manifestacion-del-movimiento-vecinal/</guid>
<description><![CDATA[La Asociación de vecinos Ntra. Sra. de los Dolores, se ha puesto en contacto con nosotros para que a]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">La Asociación de vecinos Ntra. Sra. de los Dolores, se ha puesto en contacto con nosotros para que avisemos a través de este blog, de la manifestación que tienen pensado realizar mañana jueves a las 17:30:</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://img.webme.com/pic/l/losdoloreshuelva/untitl1.bmp" alt="" width="250" height="185" /></p>
<p style="text-align:center;">Imagen: <a href="http://www.losdoloreshuelva.es.tl/" target="_blank">http://www.losdoloreshuelva.es.tl</a></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Manifestación contra el cierre de las Asociaciones de Vecinos.</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Ante el incumplimiento una y otra vez por parte del Ayuntamiento de pagar las subvenciones aprobadas el pasado año, y teniendo que soportar esta asociación de vecinos la deuda de todos los suministros básicos, luz, Internet, teléfono, alquiler, seguro, nos vemos en la necesidad de salir a la calle para hacernos escuchar e impedir el cierre de esta asociación que lleva prestando servicio a este Ayuntamiento y a sus vecinos, desde hace casi 25 años.</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Por eso te pedimos hoy más que nunca que acudas a la manifestación pacifica que el próximo día <strong>26 de noviembre a las 17:30 h </strong>realizaremos en la <strong>Plaza de los Dolores (Las Colonias)</strong>.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Para más información: <a href="http://www.losdoloreshuelva.es.tl/" target="_blank">http://www.losdoloreshuelva.es.tl</a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Amor é prosa, sexo é poesia - Arnaldo Jabor]]></title>
<link>http://trocaletras.wordpress.com/2009/11/24/amor-e-prosa-sexo-e-poesia-arnaldo-jabor/</link>
<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 21:46:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Pandora</dc:creator>
<guid>http://trocaletras.wordpress.com/2009/11/24/amor-e-prosa-sexo-e-poesia-arnaldo-jabor/</guid>
<description><![CDATA[Pra começar, acho que não preciso apresentar o autor, mas gostaria de comentar o quão inteligente o ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Pra começar, acho que não preciso apresentar o autor, mas gostaria de comentar o quão inteligente o cara é! As críticas ácidas, corrosivas&#8230;adorei!</p>
<p>Esse livro é diferente do que eu esperava e no começo eu fiquei um pouquinho decepcionada, mas passou logo, de repente me vi envolvida nas palavras e o livro acabou mais rápido do que eu esperava!</p>
<p>Jabor fala de amor e sexo, claro, mas também fala de política, critica a sociedade de bundas e peitos, de muito silicone e pouco cérebro, de corrupção, falcatruas, hipocrisia e falso moralismo. (mesmo que, em determinadas partes, eu o tenha achado absurdamente moralista).</p>
<p>Uma parte muito interessante do livro é quando ele fala sobre travestis. Mudou minha visão acerca deles, abriu meus olhos. Foi extremamente poético!</p>
<p>Recomendo o livro para pessoas de mente aberta, que sente prazer em críticas, que consegue deixar de lado toda a hipocrisia que reina nesse país.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Consequencias de la presencia de  químicos en las placentas humanas]]></title>
<link>http://joseppamies.wordpress.com/2009/11/24/consequencias-de-la-presencia-de-quimicos-en-las-placentas-humanas/</link>
<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 19:21:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>joseppamies</dc:creator>
<guid>http://joseppamies.wordpress.com/2009/11/24/consequencias-de-la-presencia-de-quimicos-en-las-placentas-humanas/</guid>
<description><![CDATA[Para aquellos que aún creen que el Síndrome de intolerancia química múltiple es una enfermedad imagi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img src="http://blogs.librodearena.com/myfiles/angeldelibertad/Embarazo-Feto-Embrion-2008012118040903hg2.jpg" alt="http://blogs.librodearena.com/myfiles/angeldelibertad/Embarazo-Feto-Embrion-2008012118040903hg2.jpg" /></p>
<p style="text-align:justify;">Para aquellos que aún creen que el Síndrome de intolerancia química múltiple es una enfermedad imaginaria de personas que “disfrutan”pidiendo muy a menudo asistencia sanitaria sin justificación comprobada, tienen que visionar estos 6 videos que recogen la intervención del Dr. Nicolás Olea catedrático de Medicina Interna de la Universidad de Granada en una conferencia.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>La parte que mas me ha impresionado, es la que hace referencia a los residuos de pesticidas químicos acumulados en las placentas de las mujeres y su posible influencia en los fetos que se desarrollan dentro de su “teórica” protección.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Cada video dura un promedio de 5-9 minutos pero vale la pena visionarlos todos para tener una visión amplia de los posibles peligros a los que estamos sometidos , por una alimentación sucia , químicamente hablando.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">nº2<a href="http://www.youtube.com/watch?v=cUMIiO1kWD0&#38;feature=related"> http://www.youtube.com/watch?v=cUMIiO1kWD0&#38;feature=related</a></p>
<p>nº1 <a href="http://www.youtube.com/watch?v=zs5VyCPS5UU&#38;feature=PlayList&#38;p=8152336CA3F44C53&#38;index=0&#38;playnext=1">http://www.youtube.com/watch?v=zs5VyCPS5UU&#38;feature=PlayList&#38; p=8152336CA3F44C53&#38;index=0&#38;playnext=1 </a></p>
<p style="text-align:justify;">nº 3<a href="http://www.youtube.com/watch?v=X-5kwG7IWdo&#38;feature=related"> http://www.youtube.com/watch?v=X-5kwG7IWdo&#38;feature=related</a></p>
<p style="text-align:justify;">nº 4<a href="http://www.youtube.com/watch?v=UIZswvgqfkY&#38;feature=related"> http://www.youtube.com/watch?v=UIZswvgqfkY&#38;feature=related</a></p>
<p style="text-align:justify;">nº 5<a href="http://www.youtube.com/watch?v=-qJmWnix7nA&#38;feature=related"> http://www.youtube.com/watch?v=-qJmWnix7nA&#38;feature=related</a></p>
<p style="text-align:justify;">nº 6<a href="http://www.youtube.com/watch?v=1YJXBoNRDY4&#38;feature=related"> http://www.youtube.com/watch?v=1YJXBoNRDY4&#38;feature=related</a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[#138]]></title>
<link>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/24/138/</link>
<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 07:40:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>eltallerrosa</dc:creator>
<guid>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/24/138/</guid>
<description><![CDATA[Alambre de navaja con iluminación navideña.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Alambre de navaja con iluminación navideña.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[#137]]></title>
<link>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/24/137/</link>
<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 06:21:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>eltallerrosa</dc:creator>
<guid>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/24/137/</guid>
<description><![CDATA[A las afueras de un cementerio, &#8220;morir es un arte&#8221;// en la unidad de cuidados intensivos]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>A las afueras de un cementerio, &#8220;morir es un arte&#8221;// en la unidad de cuidados intensivos de un hospital, &#8220;agonizar es un arte&#8221;// tatuado en la espalda de un mendigo, &#8220;sobrevivir es un arte&#8221;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ab ore ad aurem [Da boca ao ouvido]]]></title>
<link>http://verticeredondo.wordpress.com/2009/11/24/ab-ore-ad-aurem-da-boca-ao-ouvido/</link>
<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 00:38:14 +0000</pubDate>
<dc:creator>Dê Cê ÉL</dc:creator>
<guid>http://verticeredondo.wordpress.com/2009/11/24/ab-ore-ad-aurem-da-boca-ao-ouvido/</guid>
<description><![CDATA[Empós tempestades turbulentas e tormentosos naufrágios Emerges tu de novos Sóis, Mal-amanhada e jucu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;">Empós tempestades turbulentas e tormentosos naufrágios</p>
<p style="text-align:center;">Emerges tu de novos Sóis,</p>
<p style="text-align:center;">Mal-amanhada e jucunda governatriz,</p>
<p style="text-align:center;">Vieste das mais distantes oliveiras,</p>
<p style="text-align:center;">Para me elevar, iludir ou resfriar</p>
<p style="text-align:center;">Das formas mais permitidas e sorrateiras.</p>
<p style="text-align:center;">Quando me és visível, reduzo-me, fico fácil, pequeno,</p>
<p style="text-align:center;">Com&#8217;uma moléculazinha diatómica.</p>
<p style="text-align:center;">És &#8220;anti&#8221; este desporto que para ti eu sou</p>
<p style="text-align:center;">É, somos uma defeituosa narração que confirma o que não são regras.</p>
<p style="text-align:center;">Te esmijaças de riso</p>
<p style="text-align:center;">Quando sonhas com a forma como me espadeiras</p>
<p style="text-align:center;">Com essas vistas cortantes,</p>
<p style="text-align:center;">Que golpeiam um escudo meu que não se defende,</p>
<p style="text-align:center;">Por deleite.</p>
<p style="text-align:center;">Nesta nossa monarquia</p>
<p style="text-align:center;">De horas carniceiras de profanação de estereótipos,</p>
<p style="text-align:center;">Falo contigo e tu não estás se não corpo,</p>
<p style="text-align:center;">Como que alma fosse ninja à espera de fragilidades minhas,</p>
<p style="text-align:center;">Mas autenticas como minhas, as mãos que te tapam os olhos</p>
<p style="text-align:center;">Que tapados sinfonizam igual tua docilidade ao existires por ti mesma</p>
<p style="text-align:center;">Aguçando-me a ser melódico, quando finges não existir-me</p>
<p style="text-align:center;">Na distrofia deste coração,</p>
<p style="text-align:center;">Por falta da nutrição que são os teus sussuros em mim.</p>
<p style="text-align:center;">Oh Ruim Negridão ou Feiticeira graciosa</p>
<p style="text-align:center;">És-me droga, tabaco e álcool,</p>
<p style="text-align:center;">Dos dedos aos ombros</p>
<p style="text-align:center;">Da boca ao ouvido.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[#133]]></title>
<link>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/19/133/</link>
<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 17:18:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>eltallerrosa</dc:creator>
<guid>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/19/133/</guid>
<description><![CDATA[Timbre en tugurio (fabela) instalado al interior de una galería, al tocar el timbre se reproduce en ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Timbre en tugurio (fabela) instalado al interior de una galería, al tocar el timbre se reproduce en audio el cuento del lobo y los tres cerditos</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Proposta de participació ciutadana:  “CADIRA BUIDA" al Parlament]]></title>
<link>http://joseppamies.wordpress.com/2009/11/18/proposta-de-participacio-ciutadana-%e2%80%9ccadira-buida-al-parlament/</link>
<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 18:09:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>joseppamies</dc:creator>
<guid>http://joseppamies.wordpress.com/2009/11/18/proposta-de-participacio-ciutadana-%e2%80%9ccadira-buida-al-parlament/</guid>
<description><![CDATA[La situació de carreró sense sortida a que ens està duent l’actual sistema polític occidental de nom]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img src="http://gua30.files.wordpress.com/2008/05/participacion_ciudadana.jpg" alt="http://gua30.files.wordpress.com/2008/05/participacion_ciudadana.jpg" /></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>La situació de carreró sense sortida a que ens està duent l’actual sistema polític occidental de només votar cada quatre anys, és decebedor enfront l’alternativa encara pitjor dels Països que se senten agredits pel nostre sistema on les votacions d’existir, encara son mes pantomima que les nostres.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Si ho traslladem al nostre model més proper, el català i  el espanyol ens adonem que creix l’abstenció electoral passiva i activa i el vot en blanc ,  al mateix temps que creix l’augment de la corrupció, la ineficàcia administrativa, la falta d’imaginació per afrontar els canvis necessaris si volem ser una societat en evolució positiva, etc.</p>
<p style="text-align:justify;">Això significa que cada dia que passa estem governats per persones amb menys suport popular i una bona part de la societat més activa pensa que la “cosa” no te remei i que cal refugiar-se en les petites coses de cada dia i en cercar solucions properes i senzilles però que solucionin problemes de la gent.</p>
<p style="text-align:justify;">D’aquí el gran creixement d’organitzacions socials de tot tipus nascudes per fer front a la perversió del Sistema anomenat “Democràtic” , que no deixa participar en política a tot aquell que no combrega en un o altre partit dels anomenats “representatius”.</p>
<p style="text-align:justify;">Com a mostra d’això, el terror que té el Sistema Polític actual a permetre Consultes Populars vinculants i Iniciatives Legislatives Populars que puguin ser com a mínim debatudes en sessions parlamentaries i no sofrir el menyspreu que han sofert a Catalunya les dos últimes Iniciatives Legislatives Populars sobre Fibriomiàlgia i Transgènics.</p>
<p style="text-align:justify;">Amb l’excusa de frenar l’independentisme d’algunes Nacions que conviuen dins l’Estat Espanyol, el Sistema Polític actual es carrega la participació ciutadana en tots els àmbits i qüestions, privant a la Societat de mecanismes democràtics de control popular o d’aportació de solucions a diferents problemes socials .</p>
<p style="text-align:justify;">Per aquest motiu , proposo a la ciutadania , iniciar  un procés de constitució d’una Plataforma Electoral amplia,  per l’àmbit de Catalunya , que presenti candidats a Diputats amb la intenció de recollir els vots de l’abstenció i del vot en blanc. Amb l’objectiu de deixar els escons buits, per visualitzar el descontent de la Societat amb la situació política actual, fent donació de la totalitat dels sous d’aquests escons a finalitats organitzatives d’aquesta Plataforma Electoral, que sols tindria la funció de reivindicar i aconseguir del Parlament normatives legislatives, que permetin una autentica participació ciutadana via Consultes Populars vinculants a tots els àmbits , (Local, Comarcal i Nacional), Iniciatives Legislatives Populars sense possibilitat de ser barrada la seva discussió plena en sessions parlamentaries i altres fórmules de decisió i gestió participativa.</p>
<p style="text-align:justify;">Aconseguits aquests objectius, la Plataforma es dissoldria com plataforma electoral, poden restar com plataforma de participació ciutadana. Àmbit en el que moltes i molts ens hi sentim mes còmodes per participar en política, compaginant la noble tasca de fer política, amb les nostres professions habituals.</p>
<p style="text-align:justify;">Les persones que estiguin en termes generals d’acord en aquest plantejament , poden sumar-se a aquesta iniciativa afegint un comentari .</p>
<p style="text-align:justify;">De tenir un  suport inicial  suficient aquesta proposta, caldria  constituir cara les pròximes eleccions, la Plataforma electoral adient entre tots els interessats, cercant la participació de totes les persones  i organitzacions socials que comparteixin aquests plantejaments.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[¿Ministra de Sanidad incompetente o vendida a la Industria Farmacéutica ? ]]></title>
<link>http://joseppamies.wordpress.com/2009/11/17/%c2%bfministra-de-sanidad-incompetente-o-vendida-a-la-industria-farmaceutica/</link>
<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 19:58:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>joseppamies</dc:creator>
<guid>http://joseppamies.wordpress.com/2009/11/17/%c2%bfministra-de-sanidad-incompetente-o-vendida-a-la-industria-farmaceutica/</guid>
<description><![CDATA[http://www.youtube.com/watch?v=JT4gMviCP4g Después de escuchar el video con la intervención de la Mi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img src="http://blogs.lavozlibre.com/uniespanola/files/2009/09/f016d207lh01.jpg" alt="http://blogs.lavozlibre.com/uniespanola/files/2009/09/f016d207lh01.jpg" /></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=JT4gMviCP4g">http://www.youtube.com/watch?v=JT4gMviCP4g</a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Después de escuchar el video con la intervención de la Ministra de Sanidad de Polonia en el Parlamento Polaco, </strong><span style="color:#ff0000;"> </span> <strong>en referencia a si Polonia compraba o no las vacunas de la Gripe A, se pueden  plantear dudas sobre si nuestra Ministra de Sanidad  es incompetente o es una vendida.</strong></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=JT4gMviCP4g"><br />
</a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Yo personalmente creo que las dos cosas a la vez.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Si visionan el video se darán cuenta de la profesionalidad médica de la Ministra Polaca (la nuestra es Licenciada en Derecho) y los temores de comprar para los polacos una vacuna con muchas dudas por sus posibles efectos secundarios  y su nula justificación médica.</strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=JT4gMviCP4g"> http://www.youtube.com/watch?v=JT4gMviCP4g</a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Nuestra Ministra de Salud , Trinidad Jiménez, con sus actuaciones se parece mas a una representante de la Industria Farmacéutica , vendiendo vacunas y prometiendo regalos, que a una Ministra de Salud responsable como la de Polonia.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>¿Que hemos hecho mal para merecernos tan impresentable mujer como Ministra?</strong></p>
<p><strong>Vean el video y comparen !!!!</strong></p>
<p><span style="color:#ff0000;">Información obtenida del Blog,</span></p>
<p><a href="http://ladanzadelavida12.blogspot.com/2009/11/la-gripe-una-oportunidad.html">http://ladanzadelavida12.blogspot.com/2009/11/la-gripe-una-oportunidad.html</a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[YES WE FAP]]></title>
<link>http://suexcelencia.wordpress.com/2009/11/17/yes-we-fap/</link>
<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 08:29:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>anondorf</dc:creator>
<guid>http://suexcelencia.wordpress.com/2009/11/17/yes-we-fap/</guid>
<description><![CDATA[Vivir para ver; para aprender; para pegarse cabezazos contra la pared. Y ahora también, para machacá]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-184" title="pedobear - psoe edition" src="http://suexcelencia.wordpress.com/files/2009/11/pedosocionazi.jpg" alt="" width="358" height="454" /></p>
<p>Vivir para ver; para aprender; para pegarse cabezazos contra la pared. Y ahora también, para machacársela como los monos. Desde que la Junta de Extramadura dió salida a los famosos cursos sobre masturbación, <em>El placer está en tus manos</em> la feliz idea ha salpicado la red y la hora de la comida frente al televisor con comentarios de variada calidad y color. Y me viene de perlas. Hacía tiempo que no encontraba un tema con el que explayarme, así que <em>manos</em> a la obra (a escribir me refiero, a escribiiiir, panda de rufianes =_=)</p>
<p>De las diferentes experiencias que el ser humano tiene a lo largo de su existencia, la vida entrepiernil es evidentemente una constante. La misma pregunta nos hacemos cuando somos tiernos infantes que cuando la tumba o el asilo se van aproximando: ¿Qué es esto que me cuelga? Y no nos metamos ya en el que para qué sirve. La Historia y la Literatura universal son testigos de lo que un palito insertado en el agujero equivocado puede desatar. Sin embargo, al mismo tiempo es de esos temas que cada uno tiene que descubrir por su cuenta. No busquéis en mí la razón, pero así es. Vale, las charlas con los padres son un punto de inicio, pero la práctica se inicia por méritos propios. Jornadas de caza furtiva de información o material de primera mano con las que satisfacer la curiosidad mental y manillar, hasta el día en que conseguimos con arduo esfuerzo &#8211; o sin ninguno &#8211; seducir a alguien del otro bando para que comparta nuestros intereses, y la cama de paso. Sólo para lamentar en dónde <em>coño</em> nos habíamos metido un par de décadas más tarde.</p>
<p>En fin, hablando en plata, que la masturbación / onanismo / autosafisfacción sexual son una realidad, la mencionemos más o menos abiertamente, que todos experimentamos. Y mal asunto si no. Como tal, el gobierno &#8211; y sus delegaciones locales &#8211; tienen motivos para incluirlo en sus consideraciones sobre la educación del ciudadano (o súbdito, o esclavo). Las clases de educación sexual no son algo nuevo, ni tampoco traumático. Motivo de algún que otro sonrojo en su momento y de algún chiste ahora, pero nada más. Ni nos descubrieron Roma, que ya entreveíamos, ni nos dieron más de lo que pudiéramos digerir. Una introducción a la reproducción humana, sencilla e informativa, como cualquier clase de biología, salvo que el objeto de estudio es uno mismo.</p>
<p>Pero parece que no es suficiente. Aquellos tiernos videos y dedicados profesores de antaño fallaban en algo fundamental en el mundo actual: el placer. Claro que sí, porque los jóvenes de hoy viven en una sociedad represora y arcaica, y además son tan idiotas, incapaces e faltos de arrojo que no se atreven ni a &#8220;experimentar&#8221; con su cuerpo. Experimentos hacía yo con este gobierno: &#8220;estudio sobre la resistencia física y mental de la clase política española&#8221;, consistente en una tortura continua y persistente a lo largo de un mes. Aaah, cómo disfrutaría con ello, placer en estado puro oiga.</p>
<p>Rammstein parece haberse unido también a la iniciativa extremeña, pero centrado en la actividades por parejas:</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/-rfFem93BuQ&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/-rfFem93BuQ&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p>Seamos serios. No digo lógicos por no desatar un debate filosófico en el que seguramente salga perdiendo. Un poco de sentido común, nada más. La educación es una de las atribuciones de nuestro gobierno. ¿Educar para qué? Para que todos los ciudadanos tengan con lo que comer, y además les sobre para dedicarse a sus gustos, sin achucharse entre ellos. ¿Lo están haciendo? ¿no llevamos años en que lo único que sale de los colegios son monigotes con un papel en la mano, pero con una falta de conocimientos reales desesperante? Titulitis, maquillaje para el currículum, pero sin carne donde agarrar después. En las encuestas sobre calidad educativa, España falla en las áreas más básicas: lengua y matemáticas. Nuestros hijos son ineptos con certificado de garantía, y no lo digo de broma. Una visita a la wikipedia te da material, pero si no has aprendido a pensar, a razonar y digerir bien lo que te dan no te enteras de nada. Cojones, si es que los niños de hoy se me pierden en una frase con más de dos subordinadas. Y para colmar el vaso, apoyo oficial a la paja. Como si las hormonas no hicieran ya bien su trabajo.</p>
<p>Existe un sabio y viejo dicho: primero el deber y luego el placer. Me da exactamente igual que se impartan cursos de masturbación, de aleccionamiento moral (véase Educación para la Ciudadanía) o lo que sea. Pero por favor, cuando toda la formación real, la Educación con mayúscula, se imparta como dios manda &#8211; sustitúyase &#8220;dios&#8221; por lo que sus salga de los cataplines.</p>
<p>Y ahora la <a title="Educación sexual a partir de los 11 años" href="http://www.abc.es/20091116/nacional-sociedad/queremos-educacion-sexual-colegios-20091116.html">Junta</a> también se apunta&#8230;Kenshiro dame fuerzas.</p>
<p>P.D: para los que no saben inglés, fap es el equivalente a &#8220;tocarse el cimbrel&#8221;. Hala, ahora sois más cultos y todo ^w^</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[La Mentira del Colesterol o como inventarse una enfermedad]]></title>
<link>http://joseppamies.wordpress.com/2009/11/13/la-mentira-del-colesterol-o-como-inventarse-una-enfermedad/</link>
<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 23:04:27 +0000</pubDate>
<dc:creator>joseppamies</dc:creator>
<guid>http://joseppamies.wordpress.com/2009/11/13/la-mentira-del-colesterol-o-como-inventarse-una-enfermedad/</guid>
<description><![CDATA[Las personas que esten tomando los medicamentos  BAYCOL , VYTORIN, LIPITOR, ZOCOR, CRESTOR, MEVACOR,]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img src="http://estaticos01.cache.el-mundo.net/yodona/imagenes/2008/02/07/1202404020_0.jpg" alt="http://estaticos01.cache.el-mundo.net/yodona/imagenes/2008/02/07/1202404020_0.jpg" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ff0000;"><strong>Las personas que esten tomando los medicamentos  BAYCOL , VYTORIN, LIPITOR, ZOCOR, CRESTOR, MEVACOR, PRAVACHOLY LESCOL,  seria recomendable que leyeran el</strong></span><strong> excelente articulo publicado en la Revista Discovery DSalud , sobre como asustar al personal con una enfermedad, quizás inexistente, denominada colesterol alto en sangre y lograr uno de los mas grandes y sucios  negocios  de la historia,  con medicamentos que está demostrado que perjudican hígado y otros órganos de nuestro organismo .</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Si están entre este grupo de “riesgo” les invito a leer hasta el final este artículo, que aunque un poco largo, les mostrará como las gastan las Grandes Industrias Farmacéuticas.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Un consejo: Si estan agobiados por el dichoso colesterol hagan uso y abuso de una fruta mágica, la naranja, ¡¡¡ estan ya aqui !!!. Este medicamento seguro que no mata.<br />
</strong></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">El exceso de colesterol &#8220;malo&#8221; ha pasado en apenas unas décadas de &#8220;factor de riesgo&#8221; cardiovascular a poco menos que una enfermedad en sí misma que debe ser tratada casi de forma crónica con fármacos para reducir o controlar su nivel en sangre. Pero, ¿qué hay de cierto? ¿Es eso así o se trata de otra estrategia de las multinacionales farmacéuticas para vender masivamente productos inútiles? ¿Se justifica la actual ingesta masiva de estatinas -cuyos efectos secundarios a largo plazo están aún por ver- o se trata de medicamentos que no previenen la arterioesclerosis y no han servido para salvar jamás una sola vida? Pasemos a valorarlo. La lucha contra el colesterol se ha convertido en uno de los grandes retos de la &#8220;medicina moderna&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Y es que de ser presentado como un simple factor que puede contribuir a la aparición de accidentes cardiovasculares -junto a otros como la vida sedentaria, una inadecuada nutrición, el exceso de estrés, emocional o físico, o un consumo abusivo de alcohol y tabaco, entre otros- ha pasado a ser considerado una enfermedad en sí misma.</p>
<p style="text-align:justify;">Actualmente muchas personas viven obsesionadas por el colesterol, con la angustia de que un día algún médico la mire y sentencie con voz solemne: &#8220;¡Tiene usted el colesterol alto!&#8221;. Y de ahí a convencernos de que estamos al borde del infarto sólo hay un paso.</p>
<p style="text-align:justify;">Claro que en el fondo no hay de qué preocuparse ya que pocos instantes después el médico nos recetará el fármaco de turno y podremos irnos más tranquilos a casa.  No importa la edad, que uno carezca de antecedentes cardiovasculares en la familia o que no haya sufrido ningún episodio anterior. Lo mejor es prevenir -eso nos dicen- y para eso nada como las &#8220;medicinas contra el colesterol&#8221;, es decir, las estatinas.</p>
<p style="text-align:justify;">De hecho son el medicamento de moda. Tanto que una de ellas, comercializada como Lipitor, es el fármaco más vendido anualmente en Estados Unidos. Tanto que la venta de las diversas estatinas asciende a más de 26.000.000.000 de dólares anuales. Y tanto que, de empezar siendo un medicamento para las afecciones <!--more-->cardiovasculares hay quien habla ya de su uso contra la demencia vascular, el Alzheimer, el Sida, la diabetes y el cáncer.</p>
<p style="text-align:justify;">Con lo que las farmacéuticas proponen ya descaradamente su venta sin receta. Es más, hay quien ha propuesto hasta ¡&#8221;enriquecer&#8221; con ellas el agua de algunas ciudades estadounidenses!  Así están las cosas.</p>
<p style="text-align:justify;">Se ha hecho creer a la población -e incluso a gran parte de los médicos- que el exceso del llamado colesterol malo es causa de muchas enfermedades pero que, gracias a Dios y a la Ciencia, unos fármacos milagrosos son la solución: las estatinas.</p>
<p style="text-align:justify;">La publicidad bombardea machaconamente esa idea, los médicos la refuerzan y los grandes medios de comunicación -que ganan grandes sumas de dinero con sus anuncios- la apoyan sin plantearse siquiera qué hay de verdad en ello.</p>
<p style="text-align:justify;">En suma, quieren hacernos creer -a pacientes y a médicos- que todo el mundo está de acuerdo en tres verdades presentadas como absolutas y que son las que sostienen un negocio fabuloso:</p>
<p style="text-align:justify;">1) Que la principal causa de los problemas cardiovasculares es el exceso en sangre de colesterol &#8220;malo&#8221; (LDL).</p>
<p style="text-align:justify;">2) Que las estatinas previenen esa posibilidad porque bajan su nivel.</p>
<p style="text-align:justify;">3) Que ambas cosas están científicamente demostradas.</p>
<p style="text-align:justify;">Bueno, pues la realidad es que no es así. Ni todo el mundo en la comunidad científica piensa que el colesterol tenga que ver con los accidentes cardiacos, ni todo el mundo cree que las estatinas prevengan los accidentes cardiovasculares al reducir el nivel de colesterol, ni todo el mundo está de acuerdo en que los estudios a largo plazo avalan esas afirmaciones.</p>
<p style="text-align:justify;">Y como los razonamientos de quienes acusan al colesterol &#8220;malo&#8221; de tantos males y defienden las estatinas son de sobra conocidos permítasenos que, a título informativo, presentemos otros argumentos que suelen ocultarse para que cada cual decida por sí mismo.</p>
<p style="text-align:justify;">¿ES EL COLESTEROL &#8220;MALO&#8221; EL RESPONSABLE DE LA APARICIÓN DE ACCIDENTES CARDIOVASCULARES? Hay quien piensa que no. Buena prueba de ello es que un grupo amplio de científicos, médicos, académicos y escritores sobre temas científicos y de salud de varios países se han reunido para formar La Red Internacional de Escépticos del Colesterol (THINCS) <a href="http://www.thincs.org/index.htm"> http://www.thincs.org/index.htm </a> y poseen suficiente documentación como para tener entretenido a cualquiera durante semanas.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Como la evidencia científica que avala la campaña anticolesterol es inexistente -afirman en su presentación- consideramos importante detenerla lo antes posible. Los miembros de este grupo representamos puntos de vista diferentes sobre la causa de la aterosclerosis y la enfermedad cardiovascular, algunos de ellos en conflicto con otros aunque eso es algo habitual en Ciencia.</p>
<p style="text-align:justify;">Todos compartimos en cambio el escepticismo de que el alto nivel de colesterol y la grasa animal sean la causa de la aterosclerosis y de las enfermedades cardiovasculares.</p>
<p style="text-align:justify;">El objetivo de esta web es por ello informar a nuestros colegas y al público de que tal idea no se apoya en evidencia científica alguna; es más, gran número de estudios científicos efectuados en los últimos años contradice eso abiertamente&#8221; (la negrita es nuestra).  Y en efecto, existen muchos trabajos que reivindican el papel benéfico del colesterol.</p>
<p style="text-align:justify;">Podríamos citar a muchos investigadores pero Ron Rosedale, especialista internacional en Nutrición y autor de El colesterol no es la causa de las enfermedades del corazón, resume con claridad el punto de vista de la mayoría: &#8220;No hay ningún tipo de vida en la Tierra -afirma- que pueda sobrevivir sin colesterol. Esto le dirá automáticamente que, en sí mismo, el colesterol no puede ser malo.</p>
<p style="text-align:justify;">De hecho es uno de nuestros mejores amigos. Nosotros no estaríamos aquí sin él. Es más, la excesiva reducción del nivel de colesterol aumenta el riesgo de morir. No olvidemos que el colesterol es también precursor de todas las hormonas esteroideas.</p>
<p style="text-align:justify;">El organismo no puede sintetizar estrógenos, testosterona, cortisona y muchas otras hormonas vitales sin colesterol&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">En cuanto a la polémica colesterol bueno-colesterol malo agrega: &#8220;Como quiera que la correlación entre el colesterol total y las enfermedades del corazón son débiles se buscó hace ya muchos años alguna correlación más fuerte.</p>
<p style="text-align:justify;">Se afirmó así que hay un colesterol &#8220;bueno&#8221; llamado HDL y un colesterol &#8220;malo&#8221;, el LDL. Representando el HDL a las lipoproteínas de alta-densidad y el LDL a las de baja-densidad. Entiéndase pues que tanto el LDL como el HDL son lipoproteínas, es decir, grasas combinadas con proteínas.</p>
<p style="text-align:justify;">Hay sólo un tipo de colesterol. No existe eso de un colesterol &#8220;bueno&#8221; y un colesterol &#8220;malo&#8221;. El colesterol es sólo colesterol. Y se combina con otras grasas y proteínas para ser conducido a través del torrente sanguíneo porque la grasa y nuestra sangre acuosa no se mezclan demasiado bien&#8221;. &#8220;Su cuerpo -subraya Rosedale sobre el papel clave del colesterol en la supervivencia de células y tejidos- fabrica y conserva el colesterol precisamente porque es importante -de hecho, vital- para la salud.</p>
<p style="text-align:justify;">Una de sus funciones es impedir que las membranas celulares se caigan a pedazos. Como tal, podría considerarse pues al colesterol como el superpegamento de las células. Es un elemento imprescindible en cualquier tipo de reparación celular.</p>
<p style="text-align:justify;">Y se sabe que las enfermedades coronarias asociadas con los ataques cardíacos están causadas por daños en las paredes arteriales. Daño que causa inflamación. Y se considera cada vez más que la enfermedad coronaria que provoca ataques cardíacos está causada principalmente por una inflamación crónica&#8221;. Llegados a este punto adelantamos ya dos ideas sobre las que volveremos más adelante: la coincidencia de lo manifestado por Rosedale con lo que asevera el doctor Matías Rath quien lleva años sosteniendo que el colesterol es un mecanismo de reparación del daño sufrido por las paredes arteriales al agrietarse el colágeno de su tejido conjuntivo por deficiencias nutricionales y la constatación -cada vez más compartida- de que en el caso de accidentes cardíacos el efecto positivo que se logra a veces con las estatinas se debe en realidad a su capacidad antiinflamatoria y no a que reduzcan el nivel de colesterol.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Un error que raramente se comete en ciencias puras como la Física -añade Roseadle- parece cometerse con frecuencia en Medicina. Y es confundir la correlación con la causa. Porque que haya una débil correlación entre el colesterol alto y los ataques cardíacos no significa que el colesterol alto sea la causa del ataque cardíaco.</p>
<p style="text-align:justify;">Ciertamente el pelo canoso está en correlación con el envejecimiento pero a nadie se le ocurriría decir por eso que las canas son la causa del envejecimiento. Y al igual que los tintes para ocultar las canas no nos hacen realmente más jóvenes bajar el colesterol tampoco va a evitar un ataque cardíaco&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Parece corroborar esta afirmación uno de los estudios médicos más grandes realizado en humanos entre 1972 y 1998, el Múltiple Risk Factor Intervention Trial (MRFIT) -patrocinado por el National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI) el MRFIT-, movilizó 28 centros médicos y 250 investigadores costando 115 millones de dólares. A partir de un grupo inicial de 361.662 varones los investigadores seleccionaron a 12.866 participantes para el estudio y disminuyeron los supuestos factores de riesgo en accidentes cardiovasculares: redujeron la grasa a menos del 8%-10% de las calorías, la succión de colesterol dietético a menos de 250-300, mg/día y el incremento de grasas poliinsaturadas al 10% de las calorías; así como el tabaco y la presión sanguínea. Y no tuvieron éxito.</p>
<p style="text-align:justify;">Los niveles de colesterol bajaron -como los del resto- pero no tuvieron ninguna incidencia en la prevención de los accidentes cardiovasculares. &#8220;Los resultados globales -afirmaron los investigadores en sus conclusiones- no muestran un efecto beneficioso de esta intervención multifactorial en las enfermedades cardiovasculares o en la mortalidad total&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Un ensayo finlandés publicado en 1975 sí parecía apoyar la eficacia preventiva de disminuir el colesterol tras seguir a los pacientes durante cinco años pero en diciembre del 1991 se analizaron los resultados a los 10 años y se constató que quienes continuaron cuidadosamente la dieta para rebajar el nivel de colesterol tenían el doble de posibilidades de morir por una dolencia cardiovascular.</p>
<p style="text-align:justify;">El profesor Michael Oliver escribiría sobre ello en el British Medical Journal lo siguiente: &#8220;Como la intervención múltiple contra los factores de riesgo de enfermedades cardiovasculares en hombres de mediana edad con un riesgo sólo moderado ha fallado a la hora de reducir la morbilidad y la mortalidad tal intervención difícilmente se justifica.</p>
<p style="text-align:justify;">Esta conclusión se opone a las recomendaciones de muchos cuerpos asesores nacionales e internacionales que deben tener estos nuevos resultados en cuenta. No hacerlo sería éticamente inaceptable&#8221;.  Añadiremos que el estudio más antiguo realizado sobre las causas de las dolencias cardíacas comenzó en 1948 en Framingham (Massachussets, EEUU).</p>
<p style="text-align:justify;">Pues bien, poco antes de la Navidad de 1997 JAMA, el periódico de la Asociación Médica Americana, publicó un informe sobre el seguimiento realizado entonces que demostró que la grasa saturada reducía los infartos cerebrales.</p>
<p style="text-align:justify;">Preocupados ante la aparente contradicción se les planteó a los investigadores si no sería que los sujetos de la investigación habían muerto antes por accidentes cardíacos y por eso el número de infartos cerebrales era menor a lo que éstos contestaron: &#8220;Tal hipótesis sería válida si hubiera una asociación nítida y directa entre la ingesta de grasas y las enfermedades del corazón.</p>
<p style="text-align:justify;">Y dado que nosotros no encontramos tal asociación utilizar la mortalidad por enfermedades del corazón es una explicación muy improbable para justificar nuestros resultados&#8221;. En pocas palabras: tras 49 años de investigación no se encontró relación alguna entre una dieta rica en grasas y las enfermedades del corazón.  Y por si fuera poco, en el Medical World News del 27 de marzo de 1992 se publicó otro estudio según el cual entre los adultos estudiados tras sufrir un ataque cardíaco mortal había tantas personas con un colesterol por encima de 300 como por debajo de 200.</p>
<p style="text-align:justify;">Y en el nº 149 de la revista Atherosclerosis se afirmaría que más de la mitad de los pacientes admitidos en los hospitales con un ataque cardíaco presentaban unos índices normales de colesterol.</p>
<p style="text-align:justify;">EL MARKETING FARMACÉUTICO SEPULTA LOS DATOS Walter Harternbach, en su libro La mentira del colesterol, revisa otros datos generalmente ignorados de los que extrae cinco ejemplos:</p>
<p style="text-align:justify;">1) En el estudio Simvastatin (4-SStudie) -en el que fueron controladas 4.444 personas- se constató que &#8220;un nivel elevado de colesterol no tiene influencia alguna en el desarrollo de la arteriosclerosis o de los infartos de miocardio. Carece de sentido pues tratar de reducir el colesterol y de ahí que no esté indicado&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">2) El estudio Multifactorial Finlandés -que examinó los niveles de colesterol de 2.000 personas- demostró que entre quienes fueron tratados con fármacos anticolesterolemiantes hubo el triple de infartos y un tercio más de muertes que entre quienes no los tomaron.</p>
<p style="text-align:justify;">3) En el estudio sobre el corazón Helsinki I (1987) realizado sobre 700 personas, al rebajar los índices de colesterol se registró un 40% más de efectos secundarios fatales que los observados en el grupo de control; y en el estudio Helsinki II (1993), realizado seis años más tarde, ese aumento llegó hasta el 50%. Es significativo también el aumento de casos de fallecimiento por cáncer al disminuir los niveles de colesterol: en el estudio Helsinki II alcanzó un valor del 43%.</p>
<p style="text-align:justify;">4) En el estudio Framingham ya citado, al rebajar los niveles de colesterol se registró un notable incremento de los casos de fallecimiento por cáncer. En más de una investigación -como luego apuntaremos- se ha registrado tan notable &#8220;coincidencia&#8221;: el riesgo de cáncer y de infarto de miocardio parece aumentar a consecuencia de la ingesta de los medicamentos destinados a rebajar los niveles de colesterol.</p>
<p style="text-align:justify;">Tras examinar los datos existentes sobre la relación ataques cardíacos-colesterol Harternbach formula tres conclusiones básicas: &#8220;</p>
<p style="text-align:justify;">1) El colesterol no tiene ninguna influencia en el desarrollo de la arteriosclerosis o el infarto de miocardio.</p>
<p style="text-align:justify;">2) Los valores altos del nivel de colesterol están asociados a una alta esperanza de vida y a una menor frecuencia de los casos de cáncer.</p>
<p style="text-align:justify;">3) La disminución del nivel de colesterol está asociada a numerosos fallecimientos y a una elevada incidencia en la aparición de cáncer&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Cabe añadir que a los ejemplos señalados por Harternbach se pueden añadir otros. En la misma dirección apunta por ejemplo otro informe titulado Necesidad de cambiar la dirección de la medicación relacionada con el colesterol.</p>
<p style="text-align:justify;">Un problema de gran urgencia dirigido por Yakugaku Zasshi y publicado en el Journal Pharmaceutical Society de Japón- pues en él se afirma que &#8220;el nivel de colesterol total alto no se asocia con una alta mortalidad coronaria en poblaciones de más de 40-50 años de edad.</p>
<p style="text-align:justify;">Más importante aún: los valores de colesterol totales más altos se asocian a menores proporciones de cáncer y de todo tipo de mortalidad en estas poblaciones&#8221;. Y aunque a algunos les cueste creerlo hay un largo etcétera de estudios parecidos.</p>
<p style="text-align:justify;">A PESAR DE LO CUAL LOS NIVELES DE COLESTEROL CONSIDERADOS &#8220;ACEPTABLES&#8221; SIGUEN BAJANDO El lector debería saber que, en el actual sistema médico-industrial, para multiplicar el número de enfermos -y, por tanto, el número de ventas de un medicamento- basta con reunir a un panel de &#8220;especialistas&#8221; y que éstos decidan que la cifra de determinado factor -el colesterol, en este caso- debe ser como máximo de la cantidad &#8220;X&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Con esa simple decisión millones de personas que hasta ese día y hora estaban sanísimas pasan automáticamente a ser &#8220;enfermas&#8221; y, por ende, en potenciales víctimas de un accidente cardíaco.</p>
<p style="text-align:justify;">Y, por supuesto, para que esa posibilidad no se produzca deben medicarse de inmediato. Así se hizo con el colesterol y las estatinas. Y con muchos otros fármacos. Un negocio redondo.</p>
<p style="text-align:justify;">Basta revisar algunas cifras para comprobarlo. En la década de los noventa del pasado siglo XX estaban en tratamiento con estatinas trece millones de norteamericanos según datos de los Institutos Nacionales de Salud de Estados Unidos.</p>
<p style="text-align:justify;">En el 2001, sin embargo, un panel de expertos decidió cambiar esas normas y el número de consumidores de estatinas pasó así a ser de golpe de 36 millones. Y en el 2004 otra nueva reunión permitió bajar de nuevo la cifra de colesterol aceptable con lo que el número de estadounidenses que pasó a &#8220;beneficiarse&#8221; del consumo de estatinas pasó a ser de 40 millones.</p>
<p style="text-align:justify;">Pero la corrupción acaba siempre -antes o después- saliendo a la luz. Y esa nueva decisión de bajar la cifra aceptable de colesterol fue ya denunciaba abiertamente por el prestigioso diario USA Today el 16 de octubre del 2004 con estas palabras referidas a quienes la tomaron: &#8220;Dirigían influyentes grupos médicos, fueron protagonistas en prestigiosos congresos, publicaban trabajos en las principales revistas y eran gigantes indiscutibles en su campo.</p>
<p style="text-align:justify;">Pero cuando hace poco esos médicos asesoraron al Gobierno sobre las nuevas recomendaciones para el público con respecto al colesterol hubo algo más que todos ellos tenían en común y que no se dio a conocer: ocho de los nueve cobraban dinero de las propias compañías cuyos productos para reducir el colesterol recomendaban a millones de estadounidenses.</p>
<p style="text-align:justify;">Dos eran accionistas de ellas. Otros dos comenzaron a trabajar para laboratorios poco después de hacer las recomendaciones. Otro era un científico &#8217;senior&#8217; del Gobierno que también ofrece sus servicios a diez compañías e incluso pertenece a uno de sus directorios.</p>
<p style="text-align:justify;">Con lo que ahora los grupos de consumidores -y otros- no sólo cuestionan las sugerencias de esos médicos sino también su capacidad para trabajar en pos de los intereses del público. Y esto pasa mientras algunas de esas compañías presionan al Gobierno para que permita que los fármacos que son objeto de esta controversia -estatinas como Lipitor y Zocor- sean de venta libre.</p>
<p style="text-align:justify;">Obviamente hay médicos prestigiosos, vinculados a los laboratorios fabricantes de estatinas, que apoyan esa aprobación&#8221;. En este caso la situación más impresentable era la del doctor H. Bryan Brewer -Jefe de la División de Enfermedades Moleculares del National Heart, Lung and Blood Institute- que llegó a recibir 200.000 dólares de intereses privados externos mientras ocupaba su puesto en un organismo público como el NIH estatal.</p>
<p style="text-align:justify;">¿Puede alguien mantener en serio que tales expertos emiten juicios independientes ante estos datos?  &#8220;Los conflictos de intereses son cada vez más habituales ahora que dos tercios de las investigaciones médicas en las universidades son financiadas por la industria privada -añadía el reportaje del USA Today-. Veinte años atrás esta cifra sólo alcanzaba un tercio.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8216;El gobierno no está produciendo medicamentos. Todos los grandes ensayos de estatinas han sido financiados por las compañías&#8217;, dijo el Dr. Scott Grundy, cardiólogo del University of Texas Southwestern Medical Center que encabezó el panel sobre colesterol.El Gobierno tiene sus propios problemas.</p>
<p style="text-align:justify;">Hace una década se derogó la prohibición de realizar asesoramiento privado a los empleados públicos y en los últimos años hemos asistido a un escándalo tras otro por científicos federales que aceptaron dinero de compañías directamente afectadas por sus decisiones&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">No es de extrañar pues que más de 30 médicos, investigadores en materia de sanidad y científicos pusieran su firma en una contundente carta dirigida al Director de los Institutos Nacionales de la Salud en la que afirmaban &#8220;que las directrices, con sus recomendaciones para terapias farmacológicas, no están justificadas por argumentos de peso científico&#8221; (el subrayado es nuestro).</p>
<p style="text-align:justify;">Pero una vez puesta la maquinaria en marcha no hay quien la detenga. Con los niveles de colesterol &#8220;aceptables&#8221; a mínimos absurdos -¡qué importa lo que digan los investigadores independientes!- nadie puede impedir ya que los más de 3.000 millones de dólares anuales que sólo en publicidad directa de fármacos y enfermedades se gastan las farmacéuticas en Estados Unidos alcancen su objetivo: hacer creer a gente sana que está enferma.</p>
<p style="text-align:justify;">Una estrategia que se apoya también -entre otras cosas- en las ayudas que la industria da a las &#8220;asociaciones de pacientes&#8221; para controlarlas, en el dinero que invierten en las interesadas separatas especiales de las publicaciones científicas y en los millones de dólares que invierten en empresas de relaciones públicas para que éstas contacten en todo el mundo con periodistas -en general acríticos y pésimamente formados en este ámbito- así como con todo aquel que tenga cierto poder de decisión.</p>
<p style="text-align:justify;">Sin olvidar, por supuesto, a los visitadores médicos y a los propios médicos, invitados una y otra vez a &#8220;congresos&#8221; a los que no sólo acuden gratuitamente sino que a veces incluso son pagados sólo por asistir y a los que se hacen todo tipo de &#8220;regalos&#8221;. Dinero sobra. Incluso para pagar a gente que se dedica sólo a desprestigiar toda voz discrepante independiente.</p>
<p style="text-align:justify;">Y al final, como una mancha de aceite, la idea acaba imponiéndose en las consultas de los médicos que en cuatro minutos atienden a sus pacientes y tras echar un vistazo a los análisis prescriben de inmediato a muchos de ellos cualquiera de las muchas estatinas que ya se comercializan para reducir &#8220;ese nivel de colesterol tan alto que tienen&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">La mentira completa así el círculo y los pacientes, engañados, se medican sin necesidad.   EL RIESGO-BENEFICIO DE LAS ESTATINAS Ray Moynihan, periodista especializado en temas de salud y en las técnicas de marketing de la industria para vender fármacos y enfermedades, resume así en su libro Medicamentos que nos enferman e industrias farmacéuticas que nos convierten en pacientes la controversia sobre el uso de las estatinas: &#8220;En definitiva, para muchos otros hombres (aquellos que no han padecido ningún accidente cardiovascular) y mujeres sanas no existen pruebas de peso que demuestren que estos fármacos puedan contribuir significativamente a prevenir una muerte prematura. (…) El uso del miedo para comercializar las estatinas ha escandalizado a los científicos independientes, consumidores y médicos en todo el mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">La preocupación es por partida doble.</p>
<p style="text-align:justify;">En primer lugar, para la mayoría de las personas a quien va dirigido este marketing masivo no hay pruebas fidedignas que acrediten que las estatinas reduzcan las posibilidades de morir prematuramente.</p>
<p style="text-align:justify;">En segundo lugar, y más relevante, el foco promocional sobre el colesterol desvía la atención de otros métodos más eficaces y eficientes para prolongar y mejorar la vida&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">La verdad es que los trabajos que apuntan que el tratamiento preventivo con estatinas por su acción sobre el colesterol podría evitar la muerte por accidente cardiovascular son escasos y nada concluyentes. De hecho investigadores de la Universidad de la Columbia Británica (Canadá) elaboraron un meta-análisis reuniendo datos de cinco ensayos independientes de gran envergadura concluyendo que las estatinas reducen los infartos y los ictus en un porcentaje ínfimo: un 1,4%.</p>
<p style="text-align:justify;">Porque eso significa que de 71 pacientes hipercolesterolémicos tratados preventivamente con estatinas durante cinco años se prevendría ese problema ¡en un sólo caso! Y algo más significativo aún: la tasa de efectos secundarios era del 1,8% superando la capacidad preventiva.</p>
<p style="text-align:justify;">Mike Adams, periodista también especializado en temas de salud, publicó en julio del 2004 un artículo titulado Alerta sobre un fraude médico: las estatinas que reducen el colesterol no salvan ninguna vida (puede leerlo en <a href="www.newstarget.com/z001268.html">http://www.newstarget.com/z001268.html</a> en el que señalaba: &#8220;Una revisión crítica de trece ensayos clínicos publicada en JAMA -el periódico de la Asociación Médica Americana- revela algunos hechos sorprendentes sobre las estatinas:</p>
<p style="text-align:justify;">1) Las estatinas no han salvado una sola vida.</p>
<p style="text-align:justify;">2) A nivel preventivo las estatinas son absolutamente inútiles.</p>
<p style="text-align:justify;">3) Las estatinas no reducen el riesgo de muerte ni siquiera en los casos de personas con el colesterol alto.</p>
<p style="text-align:justify;">4) No hay un solo estudio que demuestre que las estatinas alargan la vida de las mujeres.&#8221;  Dejamos claro de nuevo que muchos de los científicos, investigadores y especialistas en salud que se muestran contrarios a la extensión de las estatinas como medicamento preventivo no discuten su valor en el caso de accidentes cardiovasculares, discuten que consigan mejorar el estado del enfermo mediante la reducción del colesterol.</p>
<p style="text-align:justify;">De hecho este mismo año se ha publicado en Annals of Internal Medicine un estudio en el que se afirma que las estatinas y los betabloqueantes usados para reducir la presión sanguínea reducen el índice de ataques cardíacos. Realizado por el Kaiser Permanente Health Insurance y científicos de Stanford y de la Universidad de California el estudio indica que el efecto beneficioso de las estatinas se debe a que disminuye la inflamación de las arterias.</p>
<p style="text-align:justify;">Cuestión distinta es si la acción de las estatinas sobre el colesterol es beneficiosa y si los riesgos que afrontan los pacientes que las toman durante mucho tiempo de forma preventiva se justifican. Porque debe saberse que para bajar el nivel de colesterol las estatinas actúan bloqueando una enzima denominada HMG-CoA reductasa que controla la formación de colesterol en el organismo.</p>
<p style="text-align:justify;">El problema es que esa enzima es necesaria para la producción de la coenzima Q-10 que juega un papel muy importante en la producción de Adenosín Trifosfato o ATP, es decir, la molécula que interviene en todas las transacciones de energía que se llevan a cabo en las células.</p>
<p style="text-align:justify;">Se trata pues de una coenzima que está presente en cada una de las células de nuestro cuerpo pero que se concentra especialmente en las más activas que son las del corazón siendo por tanto indispensable para su correcto funcionamiento.</p>
<p style="text-align:justify;">Por lo que usar estatinas para &#8220;prevenir&#8221; ataques cardíacos alegando que bajan el nivel de colesterol es una incongruencia ya que pueden terminar provocándolos si genera un déficit de Q-10. Y lo que sí está demostrada es la relación entre una carencia de esa coenzima y el deterioro de la función del miocardio, las disfunciones hepáticas y las miopatías, incluidas la cardiomiopatía y el fallo cardiaco congestivo.</p>
<p style="text-align:justify;">El doctor Peter H. Langsjoen, especialista en el ámbito de la seguridad de las estatinas, revelaba en uno de sus trabajos -Cardiomiopatía inducida por las estatinas- que tras 17 años de experiencia con ellas había observado un incremento dramático de los fallos cardíacos como efecto secundario de su ingesta.</p>
<p style="text-align:justify;">Una circunstancia, debemos suponer, que era perfectamente conocida por las compañías farmacéuticas ya que en los años 1989 y 1990 la Merck patentó el uso de la coenzima Q-10 en combinación con las estatinas para prevenir y tratar estas complicaciones (Brown MS. Coenzyme Q-10 with HMG-CoA reductase inhibitors. United States Patent, 4, 933,165. Jun,12,1990). Y en la patente de Merck se puede leer con toda claridad: &#8220;(&#8230;) since coenzyme Q-10 (&#8230;) is of benefit in congestive Heart Failure, the combination with HMG-CoA reductase inhibitors(statins) should be of value in such patients who also have added risk of high colesterol&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Es decir, &#8220;(&#8230;) dado que la coenzima Q-10 (&#8230;) ofrece beneficios en los casos de fallos cardiacos congestivos la combinación de esta sustancia con los inhibidores de HMG-CoA reductasa (estatinas) sería importante en aquellos pacientes con el riesgo añadido de tener el colesterol alto&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">A pesar de lo cual, que se sepa, la empresa jamás mostró especial interés en trasladar a pacientes y médicos la importancia de suplementar con coenzima Q-10 la prescripción de estatinas.</p>
<p style="text-align:justify;">Los daños musculares -y no olvidemos que el corazón es un músculo- provocados por las estatinas como efectos secundarios son los más conocidos desde hace tiempo. Ya en agosto del 2001 Bayer se vio forzada a retirar del mercado Baycol (cerivastatin) después de que se relacionaran con ese medicamento al menos 52 muertes.</p>
<p style="text-align:justify;">Y varios de los pacientes que tomaron Baycol para reducir su nivel de colesterol fueron diagnosticados con un padecimiento conocido como rabdomiolisis, enfermedad de las fibras musculares que se descomponen liberando sus restos en la circulación y causando necrosis tubular aguda, insuficiencia renal y, en algunos casos, la muerte.</p>
<p style="text-align:justify;">Y no son sólo los daños musculares o hepáticos. Aún hay más. Duane Graveline -conocido popularmente en Estados Unidos como &#8220;Doc&#8221; Graveline- ha sido especialista en Medicina Aeroespacial, astronauta, cirujano de vuelo y médico de familia durante más de 20 años.</p>
<p style="text-align:justify;">Pues bien, tras un episodio de amnesia sufrido como efecto secundario de la ingesta de la estatina Lipitor -recetado para controlar su colesterol &#8220;no demasiado alto&#8221;- decidió investigar en profundidad sobre el riesgo-beneficio de las estatinas.</p>
<p style="text-align:justify;">Y fruto de ese trabajo fue la página web <a href="www.spacedoc.net ">http://www.spacedoc.net/</a> y el libro Statin Drugs &#8211; Side Effects en cuyo prólogo puede leerse. &#8220;Si consume usted Vytorin, Lipitor, Zocor, Crestor, Mevacor, Pravachol o Lescol debería leer este libro.</p>
<p style="text-align:justify;">La mayoría de los efectos secundarios de las estatinas son desconocidos por sus ocupados doctores. Aunque ya conocen los problemas que pueden causar en los músculos y en el hígado pocos han oído hablar de la amnesia y otras formas de trastorno de memoria; y menos todavía de la hostilidad, agresividad y depresión profunda relacionadas con las estatinas.</p>
<p style="text-align:justify;">Pero más ominoso aún es el trabajo de Muldoon que señala que con pruebas suficientemente sensibles se demuestra que el 100% de los consumidores de estatinas padece un déficit cognoscitivo.</p>
<p style="text-align:justify;">El inaceptable legado actual del uso de estatinas en altas dosis es un sendero de dolores crónicos, entumecimiento, debilidad, confusión, fatiga, respiración agitada y deficiencia cardiaca en millares de víctimas confiadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Muchos médicos se han vuelto víctimas del uso de las estatinas y, como el autor, ahora sospechan que el mensaje de los persuasivos representantes de las farmacéuticas puede no haber sido nunca verdad&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">En una entrevista que le hizo el doctor Jay S. Cohen a Graveline -léala en <a href="http://www.MedicationSense.com">http://www.MedicationSense.com</a> éste apuntaba además en una dirección que puede resultar sorprendente, aterradora, pero en algunos casos también esperanzadora.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Los médicos, como sus pacientes -contestaba Graveline a una de las preguntas-, ignoran por completo el problema de los efectos secundarios cognitivos de las estatinas. Una y otra vez aseguran y tranquilizan a sus pacientes preocupados y les dicen que sus lapsos de memoria son &#8216;los esperados para su edad&#8217;, quizás un &#8216;toque de senilidad&#8217; o incluso &#8216;Alzheimer temprano&#8217;.</p>
<p style="text-align:justify;">Y ahora, tras más de diez años de prescribir estatinas y tranquilizar a los pacientes sobre su seguridad, lo último que un médico quiere oír es que ha estado equivocado durante tanto tiempo&#8221;. La pregunta es obvia: ¿tiene usted problemas cognitivos y ha estado tomando durante años estatinas para controlar el colesterol? Porque si es así quizás ni su médico ni usted hayan asociado hasta ahora ese problema con las estatinas pero resulta que ¡podrían ser la causa! Si, tal y como sostiene Graveline, algunos de los problemas cognitivos hoy diagnosticados como irrecuperables fueran el producto de la ingesta prolongada de estatinas la solución preventiva estaría precisamente en no tomarlos.</p>
<p style="text-align:justify;">No estaría pues de más que los médicos que atienden a este tipo de pacientes se ocuparan de saber si los mismos tomaron estatinas y durante cuánto tiempo. Sería un buen comienzo. En julio del 2003 la revista Pharmacotherapy publicaba<strong> La pérdida de memoria asociada</strong> <strong>a las estatinas</strong>: análisis de 60 informes de casos y revisión de la literatura.</p>
<p style="text-align:justify;">El artículo examinó 60 casos de deterioros cognoscitivos asociados a las estatinas y recogidos del propio sistema de vigilancia Medwatch de la FDA.</p>
<p style="text-align:justify;">Bueno, pues según las conclusiones esos deterioros estaban relacionados con las dosis: a más fuerte el medicamento y la dosis, mayor el riesgo. Avalando así las conclusiones alcanzadas por Graveline.  Otro dato bastante ignorado es que los estudios sobre la eficacia de las estatinas suelen ser bastante sesgados.De hecho en más del 80% de los casos se realizaron con hombres y no con mujeres.</p>
<p style="text-align:justify;">Y raramente se han tenido en cuenta que quienes las toman suelen padecer otras patologías. Precisamente al considerar que los pacientes con patologías subyacentes podrían experimentar serios efectos secundarios el Ministerio de Salud de Canadá obligó el pasado año a los fabricantes de medicamentos -entre ellos los de Lipitor (atorvastatin), Zocor (simvastatin), Mevacor (lovastatin), Lescol y Lescol XL (fluvastatin), Pravachol (pravastatin) y Crestor (rosuvastatin) a que cambiaran la información sobre la seguridad de sus productos y remarcaran el potencial de daño muscular en pacientes que consumen alcohol, toman otros medicamentos, padecen problemas renales o hepáticos, son diabéticos, hacen excesivo ejercicio físico, están embarazadas (parece que podría causar malformaciones en el feto), padecen de tiroides, han sufrido daños musculares o en los tejidos (cirugía)&#8230; y algunas otras patologías más.</p>
<p style="text-align:justify;">RESPUESTA INFLAMATORIA En suma, ha llegado el momento de comenzar a contemplar el papel del colesterol y de todo el arsenal de medicamentos desarrollados en su contra de otra manera. ¿O cuando suena la alarma en su casa la apaga usted en lugar de comprobar por qué suena?  &#8220;Cuando el daño en las paredes arteriales se produce y la inflamación comienza -escribe Ron Rosedale en su libro El Colesterol no es la causa de las enfermedades del corazón- se liberan mediadores químicos para que el daño pueda repararse.</p>
<p style="text-align:justify;">El hígado se pone en marcha para reciclar o fabricar colesterol dado que ninguna célula, humana o de cualquier otro tipo, puede hacerse sin él.</p>
<p style="text-align:justify;">En este caso el colesterol está siendo elaborado y distribuido en su torrente sanguíneo para ayudar a reparar el tejido dañado y, de hecho, para mantenerlo vivo. Si el daño es excesivo es necesario distribuir colesterol extra a través del torrente sanguíneo.</p>
<p style="text-align:justify;">No parece muy inteligente pues reducir simplemente el colesterol y olvidarse de por qué está allí. Mucho más inteligente parece reducir la necesidad extra de colesterol, el daño excesivo que está teniendo lugar, la razón para la inflamación crónica&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Y formulado así el problema no falta quien ha formulado también la solución desde los mismos planteamientos. &#8220;El colesterol, los triglicéridos, las lipoproteínas de alta y baja densidad (HDL y LDL) y demás productos metabólicos -escribe Matías Rath en su libro Por qué los animales no sufren infartos y los hombres sí- son recursos reparadores por excelencia y su nivel en la sangre se incrementa como consecuencia del debilitamiento de las paredes arteriales.</p>
<p style="text-align:justify;">Si las paredes de los vasos sufren un debilitamiento crónico la demanda de reparación se hará cada vez mayor y la velocidad con que el hígado produce esas moléculas irá en aumento.</p>
<p style="text-align:justify;">Debido pues a ese aumento de la producción de colesterol y otros factores de reparación en el hígado el nivel de tales moléculas en la corriente sanguínea crece convirtiéndolas al cabo de cierto tiempo en factores de riesgo de enfermedades cardiovasculares.</p>
<p style="text-align:justify;">En resumen, la medida más importante para reducir el nivel de colesterol y otros factores de riesgo secundarios consiste en fortalecer las paredes arteriales reduciendo la demanda metabólica de un aumento de la producción de estos factores por el hígado. (…) Y los únicos dos factores que pueden influir en la salud cardiovascular son la dieta y, sobre todo, un aporte de nutrientes esenciales concretos que regulen el metabolismo celular&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Este planteamiento de Rath podría incluso explicar los sorprendentes datos de algunos estudios citados anteriormente en los que la existencia de altos niveles de colesterol se relaciona con menos casos de cáncer. Todo apunta a que el colesterol, al proteger las paredes de los vasos, impediría la migración de las células tumorales a través de ellos, una de las hipótesis de explicación de las metástasis.</p>
<p style="text-align:justify;">Por ello da tanta importancia Rath a la vitamina C y a dos aminoácidos como la lisina y la prolina pues, junto a otros nutrientes, actúan como protectores del colágeno del tejido conjuntivo en las paredes de los vasos y arterias protegiendo así de las dolencias cardiovasculares (vea lo ya publicado al respecto en el nº 64 de la revista al hablar sobre la Medicina Celular en la sección de Reportajes de nuestra web). Confiamos en que a partir de ahora empiece usted a mirar el colesterol con otros ojos.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[#129]]></title>
<link>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/13/129/</link>
<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 15:51:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>eltallerrosa</dc:creator>
<guid>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/13/129/</guid>
<description><![CDATA[Formularios de migración (solicitud de visas y permisos de trabajos) debidamente complementados con ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Formularios de migración (solicitud de visas y permisos de trabajos) debidamente complementados con datos de extraterrestres famosos extraídos de programas de televisión</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ácido sulfúrico]]></title>
<link>http://asaizripoll.wordpress.com/2009/11/13/acido-sulfurico/</link>
<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 09:42:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>asaizripoll</dc:creator>
<guid>http://asaizripoll.wordpress.com/2009/11/13/acido-sulfurico/</guid>
<description><![CDATA[ÁCIDO SULFÚRICO De Amélie Nothomb, Barcelona, Anagrama, 2007 (Panorama de Narrativas), 166 pág.   An]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong><img class="aligncenter size-full wp-image-22" title="Amélie Nothomb" src="http://asaizripoll.wordpress.com/files/2009/11/amelie-nothomb.jpg" alt="Amélie Nothomb" width="123" height="78" />ÁCIDO SULFÚRICO</strong></p>
<p><strong>De Amélie Nothomb, Barcelona, Anagrama, 2007</strong></p>
<p><strong>(Panorama de Narrativas), 166 pág.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Anabel Sáiz Ripoll</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>            “Ácido sulfúrico” es un de esas novelas que se enfrentan cara a cara con las miserias de nuestra sociedad actual, tan apegada a los medios de comunicación y tan insensibilizada a la vez.</p>
<p>            En este caso, la autora nos plantea una especie de alegoría de algunos programas televisivos, tipo Gran Hermano, Operación Triunfo y toda su secuela. Esos programas que tienen todo el día el ojo de la cámara sobre los concursantes sin darles tregua. Ahora bien, en el caso que nos ocupa los concursantes lo son en contra de su voluntad para hacer más verosímil el programa que se llama, ni más ni menos, “Concentración”. Se hacen distintas redadas, en París, una supuesta ciudad culta y refinada en la que todos nos podemos mirar, y se reclutan una serie de participantes que van a vivir la peor experiencia de sus vidas, ya que se trata de reproducir, fielmente, el día a día en un campo de concertación. El horror nos golpea con toda su fuerza y, pese a todo, seguimos leyendo. Hay personajes que ejercen de kapos y que se jactan de su violencia extrema y gratuita. Y lo que es la el colmo de la humillación: cada día se escogen a diferentes concursantes para que mueran, sin más, sin que nadie levante el dedo. Las escenas de vejaciones se pueden leer y el lector no da crédito. El programa se emite en horario de máxima audiencia y es un éxito colosal que divide a los espectadores, a la población y que pone a prueba cualquier atisbo de humanidad porque, todos, todos, resultan ser unos hipócritas. El mundo se rasga las vestiduras, pero nadie hace nada por solucionarlo, para que se acabe este lamentable, nunca mejor dicho, espectáculo.</p>
<p>            De entre todos los prisioneros destacan Pannonique, CKZ 114, una joven de gran hermosura y sólidos principios, y la Kapo Zdena, otra joven, sin oficio ni beneficio, que piensa que ha sido reconocida al fin, cuando ha ocurrido todo lo contrario, y que se enamora de la joven prisionera. Este juego antagónico es el que formará el centro narrativo del libro.</p>
<p>            Todo llega a un punto mucho más odioso aún cuando es el público quien, mediante votación, decide quien va a morir y eso ya colma hasta la poca capacidad de Zdena, quien no soporta que vayan a matar a su amada, aunque nunca ha sido correspondida. Es la kapo, el verdugo inicial, quien pone fin a este macabro concurso con una estratagema que da nombre al libro, como podrá leer el lector.</p>
<p>            “Ácido sulfúrico” es una novela que se lee muy deprisa y en total perplejidad porque no nos creemos tanta ignominia y, al vez, se nos pone la carne de gallina cuando pensamos que la sátira que hace la autora de nuestro mundo no va tan desencaminada de la realidad. Cuando el sufrimiento de los otros puede convertirse en pasatiempo, es que de verdad estamos perdiendo el norte y todos los valores supuestamente humanos. Si no somos humanos ¿qué somos, pues?</p>
<p>            En suma, una novela dura, muy bien escrita, como un trallazo, como una bofetada, pero siempre en doble clave, porque la autora no opina, no participa, no adjetiva, solo expone. Que cada uno extraiga sus propias consecuencias y obre según su conciencia, parece querer decirnos.</p>
<p>            El libro se divide en cinco partes que, a la vez, se estructuran en breves momentos, en breves secuencias que nos llevan a los distintos momentos, pensamientos o acciones de los personajes. Un libro, insistimos, excelente, aunque nada fácil.</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Huelva en Google Street View]]></title>
<link>http://deloqueseenterauno.wordpress.com/2009/11/13/huelva-en-google-street-view/</link>
<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 22:05:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>Sr. Rubio</dc:creator>
<guid>http://deloqueseenterauno.wordpress.com/2009/11/13/huelva-en-google-street-view/</guid>
<description><![CDATA[Ya aparece Huelva en Google Street View, esa curiosa herramienta de la todopoderosa Google en la que]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Ya aparece Huelva en Google Street View, esa curiosa herramienta de la todopoderosa Google en la que podemos pasear virtualmente por cualquier ciudad prácticamente como si estuviéramos allí. Y no sólo Huelva, sino también varios pueblos de la provincia.</p>
<p style="text-align:justify;">Aunque no deja de ser un &#8220;juguetito&#8221; para entretenerse durante un buen rato en Internet, son muchas las posibilidades que da este servicio, como mostrar el sitio exacto para negocios o sobre todo para facilitar la planificación de recorridos para los turistas. Sin embargo, bien es cierto que vulnera el importante derecho de la intimidad, y no sólo porque se ve a la gente paseando por la calle (aunque con la cara borrosa), sino porque nuestro jefe o pareja puede ver dónde estábamos ese octubre-noviembre de 2008, que es cuando se realizaron las capturas.</p>
<p style="text-align:justify;">En cuanto al tema turístico, no creo que sea precisamente lo que más nos beneficie, mostrando a disposición de cualquiera aquellas vergüenzas que no eran visibles hasta que el turista no llegaba a nuestra ciudad. Y es que desafortunadamente nuestra querida Huelva, aunque bella para nosotros, adolece de la falta de edificios singulares por numerosas razones que <a href="http://lahuelvacateta.wordpress.com/2008/02/26/las-mentiras-del-terremoto/" target="_blank">hemos analizado en este blog</a>, pero sobre todo, por nuestra característica dejadez histórica y falta de aprecio hacia nuestro patrimonio.</p>
<p style="text-align:justify;">Nosotros sacaremos partido a esta curiosa utilidad para nuestras particulares denuncias. Mientras tanto os recomiendo daros un paseo por esta Huelva virtual, que dejamos enfocada en la iglesia de San Pedro, cuya dejadez <a href="http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/04/san-pedro-dos-anos-despues/" target="_blank">ha motivado varios artículos</a>:</p>
<p style="text-align:center;"><iframe width="425" height="350" frameborder="0" scrolling="no" marginheight="0" marginwidth="0" src="http://maps.google.es/maps/sv?cbp=12,308.27,,0,-24.65&amp;#38;amp;cbll=37.259883,-6.950272&amp;#38;amp;v=1&amp;#38;amp;panoid=JiUCvkJ9KHc_Li1-OEERfw&amp;#38;amp;gl=&amp;#38;amp;hl=&amp;#38;w=448&amp;#38;h=336"></iframe><br /><small><a href="http://maps.google.es/maps/sv?cbp=12,308.27,,0,-24.65&amp;#38;amp;cbll=37.259883,-6.950272&amp;#38;amp;v=1&amp;#38;amp;panoid=JiUCvkJ9KHc_Li1-OEERfw&amp;#38;amp;gl=&amp;#38;amp;hl=&amp;#38;w=448&amp;#38;h=336" style="color:#0000FF;text-align:left">View Larger Map</a></small><br />
<a id="cbembedlink" style="color:#0000ff;text-align:left;" href="http://maps.google.es/maps?cbp=12,308.27,,0,-24.65&#38;cbll=37.259883,-6.950272&#38;ll=37.259883,-6.950272&#38;layer=c">Ver mapa más grande</a></p>
<p style="text-align:left;">Sr. Rubio.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Huelva en Google Street View]]></title>
<link>http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/13/huelva-en-google-street-view/</link>
<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 22:05:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>lahuelvacateta</dc:creator>
<guid>http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/13/huelva-en-google-street-view/</guid>
<description><![CDATA[Ya aparece Huelva en Google Street View, esa curiosa herramienta de la todopoderosa Google en la que]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Ya aparece Huelva en Google Street View, esa curiosa herramienta de la todopoderosa Google en la que podemos pasear virtualmente por cualquier ciudad prácticamente como si estuviéramos allí. Y no sólo Huelva, sino también varios pueblos de la provincia.</p>
<p style="text-align:justify;">Aunque no deja de ser un &#8220;juguetito&#8221; para entretenerse durante un buen rato en Internet, son muchas las posibilidades que da este servicio, como mostrar el sitio exacto para negocios o sobre todo para facilitar la planificación de recorridos para los turistas. Sin embargo, bien es cierto que vulnera el importante derecho de la intimidad, y no sólo porque se ve a la gente paseando por la calle (aunque con la cara borrosa), sino porque nuestro jefe o pareja puede ver dónde estábamos ese octubre-noviembre de 2008, que es cuando se realizaron las capturas.</p>
<p style="text-align:justify;">En cuanto al tema turístico, no creo que sea precisamente lo que más nos beneficie, mostrando a disposición de cualquiera aquellas vergüenzas que no eran visibles hasta que el turista no llegaba a nuestra ciudad. Y es que desafortunadamente nuestra querida Huelva, aunque bella para nosotros, adolece de la falta de edificios singulares por numerosas razones que <a href="http://lahuelvacateta.wordpress.com/2008/02/26/las-mentiras-del-terremoto/" target="_blank">hemos analizado en este blog</a>, pero sobre todo, por nuestra característica dejadez histórica y falta de aprecio hacia nuestro patrimonio.</p>
<p style="text-align:justify;">Nosotros sacaremos partido a esta curiosa utilidad para nuestras particulares denuncias. Mientras tanto os recomiendo daros un paseo por esta Huelva virtual, que dejamos enfocada en la iglesia de San Pedro, cuya dejadez <a href="http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/04/san-pedro-dos-anos-despues/" target="_blank">ha motivado varios artículos</a>:</p>
<p style="text-align:center;"><iframe width="425" height="350" frameborder="0" scrolling="no" marginheight="0" marginwidth="0" src="http://maps.google.es/maps/sv?cbp=12,308.27,,0,-24.65&amp;#38;amp;cbll=37.259883,-6.950272&amp;#38;amp;v=1&amp;#38;amp;panoid=JiUCvkJ9KHc_Li1-OEERfw&amp;#38;amp;gl=&amp;#38;amp;hl=&amp;#38;w=448&amp;#38;h=336"></iframe><br /><small><a href="http://maps.google.es/maps/sv?cbp=12,308.27,,0,-24.65&amp;#38;amp;cbll=37.259883,-6.950272&amp;#38;amp;v=1&amp;#38;amp;panoid=JiUCvkJ9KHc_Li1-OEERfw&amp;#38;amp;gl=&amp;#38;amp;hl=&amp;#38;w=448&amp;#38;h=336" style="color:#0000FF;text-align:left">View Larger Map</a></small><br />
<a id="cbembedlink" style="color:#0000ff;text-align:left;" href="http://maps.google.es/maps?cbp=12,308.27,,0,-24.65&#38;cbll=37.259883,-6.950272&#38;ll=37.259883,-6.950272&#38;layer=c">Ver mapa más grande</a></p>
<p style="text-align:left;">Sr. Rubio.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[#127]]></title>
<link>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/11/127/</link>
<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 21:06:04 +0000</pubDate>
<dc:creator>eltallerrosa</dc:creator>
<guid>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/11/127/</guid>
<description><![CDATA[Tres básculas con frascos transparentes rellenos de vísceras humanas rotulados con su peso respectiv]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Tres básculas con frascos transparentes rellenos de vísceras humanas rotulados con su peso respectivo, al lado del dato en kilogramos la valoración de obesidad, sobrepeso y peso ideal. (enviado por Nora Debayle)</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Homenaje al Niño Migué: impresiones profanas]]></title>
<link>http://deloqueseenterauno.wordpress.com/2009/11/11/homenaje-al-nino-migue-impresiones-profanas/</link>
<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 07:30:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>Sr. Rubio</dc:creator>
<guid>http://deloqueseenterauno.wordpress.com/2009/11/11/homenaje-al-nino-migue-impresiones-profanas/</guid>
<description><![CDATA[El homenaje al Niño Migué vino tarde. Y no lo digo por los veintipico minutos tarde que llegó el alc]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">El homenaje al Niño Migué vino tarde. Y no lo digo por los veintipico minutos tarde que llegó el alcalde. Sino porque hacía años que se tendría que haber hecho una cosa como esta. Avejentado, pero limpio y con corbata, Miguel Vega de la Cruz más conocido como el Niño Migué, abrió el acto. Después de tantos años de conciertos por los bares y las aceras, el mejor guitarrista que ha dado hasta ahora nuestra tierra se enfrentó a un abarrotado pabellón de deportes.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2758" title="Homenaje Niño Migué" src="http://lahuelvacateta.files.wordpress.com/2009/11/homenaje-nino-migue.jpg?w=448&#038;h=336" alt="Homenaje Niño Migué" width="448" height="336" /></p>
<p style="text-align:justify;">Las dos primeras filas estaban reservadas, como suele ser habitual, para los que cortan el bacalao. Yo no sé si fue casualidad o porque alguno de ellos llegó primero y pilló el sitio, pero en la primera fila se veía la plana mayor de ambos partidos. A la derecha, todo el PSOE: Oña, Petronila, Bago y otros muchos que no conozco ni nadie me va a presentar. Decentemente separados por un pasillo, la primera fila a la izquierda todo el PP: el alcalde, Remesal el concejal de cultura, la concejala de asuntos sociales,&#8230; y no me preguntéis más que tampoco los conozco a todos. Es de agradecer que en esta ocasión no hubiera ningún sitio libre, porque si hay algo doloroso para los que pagamos una entrada, es ver esas sillas-protocolo vacías y muertas de risa.</p>
<p style="text-align:justify;">Pero el Niño Migué cogió la guitarra y eso fue suficiente para que un silencio majestuoso se produjera delante del artista genial, de la leyenda, del mito.</p>
<p style="text-align:justify;">Un hombre abrazado a una guitarra donde el tiempo y el espacio pierden su nombre. Sin cante que le arrulle, sin más palmas ni compás que aquel que se lleva dentro. Los ojos cerrados como los niños que no saben nadar, aferrado a una guitarra como a una tabla que sobrevive al naufragio, tan inestable y tan necesaria que sus manos no supieron asirla con firmeza… y su dedos, caracoles del recuerdo y del olvido, discurrían entre las cuerdas como una ansiada caricia.</p>
<p style="text-align:justify;">Hablaron del Niño Migué, bonachón y tímido de la calle. De la guitarra con la que grabó ¿<em>vals flamenco</em>? y que esta noche utilizó con hombría y destreza José Luis Rodríguez. Del genio que en los años 70 estaba en el grupo de los mejores guitarristas de la época. Pepe de Lucía le cantó:</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Ay, Agüelo, pare y tío, </em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>de los buenos manantiales, </em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Miguel, </em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>ay, nacen los buenos ríos</em></p>
<p style="text-align:justify;">Pero en el fondo hay un silencio, una <em>Laguna Estigia</em> que pocos saben dónde está. Una historia frustrada de la que no se habla apenas: la vida, todo lo que tuvo el Niño Migué y se lo quitó la vida.</p>
<p style="text-align:justify;">En la primera fila han puesto a todos los políticos porque tienen que aprender mucho de lo que es la dignidad que da el sentimiento de un trabajo bien hecho. Cantaba José Mercé:</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>A mí no me engaña nadie</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>con mentiras ni con penas</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>ni con suspiros al aire.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Por favor, que tomen buena nota los responsables de nuestros destinos. Que cuando un hombre tropieza y se cae de bruces en la calle no pierde la dignidad. La dignidad la perdemos nosotros cuando pasamos por su lado y nos da fatiga darle la mano y ayudarle a levantarse. Quienes miramos hacia otro lado, quienes sabemos buscar excusas, la vista en el reloj, tal vez suena un móvil&#8230; y somos incapaces de reconocer el dolor de la persona que alza una mano buscando ayuda.</p>
<p style="text-align:justify;">Los que nunca cayeron de bruces en plena calle no saben lo que siente aquel que cayó, ni que existen las piedras para tropezar, ni que todos tenemos la misma posibilidad de caer. Esta noche recuerdo a esos seres anónimos que se marchitan en las aceras sin fuerzas para extender una mano y pedir ayuda, mientras nosotros pasamos ajenos al dolor.</p>
<p style="text-align:justify;">Juan Carlos Romero, magnífico guitarrista de Huelva, conoció a los ocho años a un Niño Migué que tenía unos veinte años.  Nos habla del talento de Miguel y de su persona, una persona que merece la pena. Nos cuenta que le vida le ha quitado todo al Niño menos dos cosas: la sonrisa y las ganas de tocar la guitarra; algo milagroso. Y le desea salud, y que la vida le sonría a partir de este día.</p>
<p style="text-align:justify;">Nadie ha hablado de las <em>espantás</em>, de la falta de formalidad en televisión, leyendas que cuenta la gente; nadie habla de lo que la miseria esconde, aunque en la calle muchos dicen que dicen que dijeron que la droga, mientras otros argumentan que una enfermedad mental que no tiene más cura que una medicación permanente y cuidados y atenciones de todo tipo;  más que las que le hacen falta a un niño chico.</p>
<p style="text-align:justify;">Los que han triunfado le mandan sus saludos y sus mejores deseos y están aquí presentes para apoyarlo y para contribuir a que su vida mejore. Pero, ¿dónde están aquellos que compartieron sus horas más amargas? Compañeros de fatigas, no de éxitos, que como algún Simón de Cirene sostuvieron durante unos breves instantes la cruz que arrastra el Niño Migué en el camino de su pasión.</p>
<p style="text-align:justify;">Estrella Morente, inmensa, cantó:</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Lo que la boca no habla</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Lo publica el corazón</em></p>
<p style="text-align:justify;">Todavía hubo muchos y muy buenos artistas. Y yo, que como he dicho, sólo soy una profana que pide disculpas por expresar aquí sus impresiones, me levanté antes de tiempo en busca del calor de mi hogar. Todavía se desgarra mi memoria con ese pellizco que te pega en el corazón el flamenco.</p>
<p style="text-align:justify;">El día 18 de noviembre está previsto que en el festival de cine se estrene un documental sobre la vida de Miguel Vega de la  Cruz.</p>
<p style="text-align:justify;">Canta José Mercé:</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Esta noche voy a ver</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>La voluntad que me tienes</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Si no te vienes conmigo</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Ay, flamenca,</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Tú no me quieres.</em></p>
<p style="text-align:justify;">La Pitoña y Cecilia.</p>
<p style="text-align:center;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/E0GixBHbyJM&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/E0GixBHbyJM&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span><em></em></p>
<p style="text-align:center;">Vídeo:<em> </em><a href="http://www.youtube.com/user/condemolt" target="_blank">Condemolt</a><em><br />
</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Homenaje al Niño Migué: impresiones profanas]]></title>
<link>http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/11/homenaje-al-nino-migue-impresiones-profanas/</link>
<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 07:30:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>lahuelvacateta</dc:creator>
<guid>http://lahuelvacateta.wordpress.com/2009/11/11/homenaje-al-nino-migue-impresiones-profanas/</guid>
<description><![CDATA[El homenaje al Niño Migué vino tarde. Y no lo digo por los veintipico minutos tarde que llegó el alc]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">El homenaje al Niño Migué vino tarde. Y no lo digo por los veintipico minutos tarde que llegó el alcalde. Sino porque hacía años que se tendría que haber hecho una cosa como esta. Avejentado, pero limpio y con corbata, Miguel Vega de la Cruz más conocido como el Niño Migué, abrió el acto. Después de tantos años de conciertos por los bares y las aceras, el mejor guitarrista que ha dado hasta ahora nuestra tierra se enfrentó a un abarrotado pabellón de deportes.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2758" title="Homenaje Niño Migué" src="http://lahuelvacateta.wordpress.com/files/2009/11/homenaje-nino-migue.jpg" alt="Homenaje Niño Migué" width="448" height="336" /></p>
<p style="text-align:justify;">Las dos primeras filas estaban reservadas, como suele ser habitual, para los que cortan el bacalao. Yo no sé si fue casualidad o porque alguno de ellos llegó primero y pilló el sitio, pero en la primera fila se veía la plana mayor de ambos partidos. A la derecha, todo el PSOE: Oña, Petronila, Bago y otros muchos que no conozco ni nadie me va a presentar. Decentemente separados por un pasillo, la primera fila a la izquierda todo el PP: el alcalde, Remesal el concejal de cultura, la concejala de asuntos sociales,&#8230; y no me preguntéis más que tampoco los conozco a todos. Es de agradecer que en esta ocasión no hubiera ningún sitio libre, porque si hay algo doloroso para los que pagamos una entrada, es ver esas sillas-protocolo vacías y muertas de risa.</p>
<p style="text-align:justify;">Pero el Niño Migué cogió la guitarra y eso fue suficiente para que un silencio majestuoso se produjera delante del artista genial, de la leyenda, del mito.</p>
<p style="text-align:justify;">Un hombre abrazado a una guitarra donde el tiempo y el espacio pierden su nombre. Sin cante que le arrulle, sin más palmas ni compás que aquel que se lleva dentro. Los ojos cerrados como los niños que no saben nadar, aferrado a una guitarra como a una tabla que sobrevive al naufragio, tan inestable y tan necesaria que sus manos no supieron asirla con firmeza… y su dedos, caracoles del recuerdo y del olvido, discurrían entre las cuerdas como una ansiada caricia.</p>
<p style="text-align:justify;">Hablaron del Niño Migué, bonachón y tímido de la calle. De la guitarra con la que grabó ¿<em>vals flamenco</em>? y que esta noche utilizó con hombría y destreza José Luis Rodríguez. Del genio que en los años 70 estaba en el grupo de los mejores guitarristas de la época. Pepe de Lucía le cantó:</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Ay, Agüelo, pare y tío, </em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>de los buenos manantiales, </em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Miguel, </em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>ay, nacen los buenos ríos</em></p>
<p style="text-align:justify;">Pero en el fondo hay un silencio, una <em>Laguna Estigia</em> que pocos saben dónde está. Una historia frustrada de la que no se habla apenas: la vida, todo lo que tuvo el Niño Migué y se lo quitó la vida.</p>
<p style="text-align:justify;">En la primera fila han puesto a todos los políticos porque tienen que aprender mucho de lo que es la dignidad que da el sentimiento de un trabajo bien hecho. Cantaba José Mercé:</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>A mí no me engaña nadie</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>con mentiras ni con penas</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>ni con suspiros al aire.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Por favor, que tomen buena nota los responsables de nuestros destinos. Que cuando un hombre tropieza y se cae de bruces en la calle no pierde la dignidad. La dignidad la perdemos nosotros cuando pasamos por su lado y nos da fatiga darle la mano y ayudarle a levantarse. Quienes miramos hacia otro lado, quienes sabemos buscar excusas, la vista en el reloj, tal vez suena un móvil&#8230; y somos incapaces de reconocer el dolor de la persona que alza una mano buscando ayuda.</p>
<p style="text-align:justify;">Los que nunca cayeron de bruces en plena calle no saben lo que siente aquel que cayó, ni que existen las piedras para tropezar, ni que todos tenemos la misma posibilidad de caer. Esta noche recuerdo a esos seres anónimos que se marchitan en las aceras sin fuerzas para extender una mano y pedir ayuda, mientras nosotros pasamos ajenos al dolor.</p>
<p style="text-align:justify;">Juan Carlos Romero, magnífico guitarrista de Huelva, conoció a los ocho años a un Niño Migué que tenía unos veinte años.  Nos habla del talento de Miguel y de su persona, una persona que merece la pena. Nos cuenta que le vida le ha quitado todo al Niño menos dos cosas: la sonrisa y las ganas de tocar la guitarra; algo milagroso. Y le desea salud, y que la vida le sonría a partir de este día.</p>
<p style="text-align:justify;">Nadie ha hablado de las <em>espantás</em>, de la falta de formalidad en televisión, leyendas que cuenta la gente; nadie habla de lo que la miseria esconde, aunque en la calle muchos dicen que dicen que dijeron que la droga, mientras otros argumentan que una enfermedad mental que no tiene más cura que una medicación permanente y cuidados y atenciones de todo tipo;  más que las que le hacen falta a un niño chico.</p>
<p style="text-align:justify;">Los que han triunfado le mandan sus saludos y sus mejores deseos y están aquí presentes para apoyarlo y para contribuir a que su vida mejore. Pero, ¿dónde están aquellos que compartieron sus horas más amargas? Compañeros de fatigas, no de éxitos, que como algún Simón de Cirene sostuvieron durante unos breves instantes la cruz que arrastra el Niño Migué en el camino de su pasión.</p>
<p style="text-align:justify;">Estrella Morente, inmensa, cantó:</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Lo que la boca no habla</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Lo publica el corazón</em></p>
<p style="text-align:justify;">Todavía hubo muchos y muy buenos artistas. Y yo, que como he dicho, sólo soy una profana que pide disculpas por expresar aquí sus impresiones, me levanté antes de tiempo en busca del calor de mi hogar. Todavía se desgarra mi memoria con ese pellizco que te pega en el corazón el flamenco.</p>
<p style="text-align:justify;">El día 18 de noviembre está previsto que en el festival de cine se estrene un documental sobre la vida de Miguel Vega de la  Cruz.</p>
<p style="text-align:justify;">Canta José Mercé:</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Esta noche voy a ver</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>La voluntad que me tienes</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Si no te vienes conmigo</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Ay, flamenca,</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;"><em>Tú no me quieres.</em></p>
<p style="text-align:justify;">La Pitoña y Cecilia.</p>
<p style="text-align:center;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/E0GixBHbyJM&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/E0GixBHbyJM&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span><em></em></p>
<p style="text-align:center;">Vídeo:<em> </em><a href="http://www.youtube.com/user/condemolt" target="_blank">Condemolt</a><em><br />
</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Motín en la sala]]></title>
<link>http://descomposiciones.wordpress.com/2009/11/09/motin-en-la-sala/</link>
<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 04:55:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>wolverenstein</dc:creator>
<guid>http://descomposiciones.wordpress.com/2009/11/09/motin-en-la-sala/</guid>
<description><![CDATA[Jiddu Krishnamurti en La Educación y el Significado de la Vida (1950): Ahora bien, ¿qué significa la]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Jiddu Krishnamurti en La Educación y el Significado de la Vida (1950): Ahora bien, ¿qué significa la]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[#122]]></title>
<link>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/07/122/</link>
<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 21:15:31 +0000</pubDate>
<dc:creator>eltallerrosa</dc:creator>
<guid>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/07/122/</guid>
<description><![CDATA[Hombres con altavoces y mujeres con bozales a sus pies. Alrededor feministas falsas aplaudiendo. La ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Hombres con altavoces y mujeres con bozales a sus pies. Alrededor feministas falsas aplaudiendo. La escena debe ser presentada como un monumento humano, manteniendo la pose general al menos una hora sin movimiento alguno.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[#120]]></title>
<link>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/07/120/</link>
<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 21:05:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>eltallerrosa</dc:creator>
<guid>http://ideascontemporaneas.wordpress.com/2009/11/07/120/</guid>
<description><![CDATA[Kamasutra de posiciones de torturas y ejecuciones de guerra. Conservar la fotografía del archivo ori]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Kamasutra de posiciones de torturas y ejecuciones de guerra. Conservar la fotografía del archivo original (reseñada) y sustituir los rostros de los implicados por los arquetipos hindúes.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
