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	<title>detestava &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "detestava"</description>
	<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 02:58:19 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[A História da Moça que Detestava Festas]]></title>
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<pubDate>Tue, 18 Dec 2007 18:05:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>pietracr</dc:creator>
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<description><![CDATA[Há algum tempo, mais precisamente num sábado, fui a um churrasco promovido por um banco da cidade. P]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Há algum tempo, mais precisamente num sábado, fui a um churrasco promovido por um banco da cidade. Por que eu fui? Boa pergunta. Resposta: arrastaram-me. Sim, porque eu simplesmente não tenho nada a ver com bancários e seus clientes. Posso até gostar de matemática, mas o lado das finanças não me é nada atraente. Fui contra minha vontade comer apenas pão e carne. Mas de certo modo foi bom. Já que não fui eu quem lavou a louça.<br />
O lado bom dos restaurantes é que você chega, serve-se da comida que quiser, senta, come, paga e vai embora. Não precisa dar satisfações sobre o que comeu nem sobre o que deixou no prato. E o melhor: não é você quem lava a louça! Já o lado ruim dos restaurantes é que a comida quase sempre não é do seu agrado. Ou está muito salgada, ou lhe falta sal. Ou está cozida ao extremo, ou tão crua que os dentes doem ao morder. E o pior: normalmente há algo estragado. Já perdi a conta de quantas vezes encontrei larvas e partes escurecidas nas verduras. Mas acho que chega. Não quero ser a culpada por acidentes com fluídos estomacais.<br />
Mais um fato desagradável: no almoço não havia conhecido algum meu. Mentira! Alguns eu conhecia, sim. Só que eu não vou ficar conversando com um colega de meu pai ou com um professor do terceiro ano do segundo grau que só conheço de vista, não é? Não ia ser algo divertido.<br />
Eu estava lá, sentada, tentando ouvir uma música de meu tocador de mp3 &#8211; o que era impossível, já que os seres humanos ali presentes só conseguiam falar no volume máximo -, quase morrendo de tédio, quando eu vi a cena.<br />
Tenho certeza de que vocês conhecem a expressão &#8220;amor à primeira vista&#8221;, que é algo que significa &#8220;ao olhar para uma pessoa ou objeto pela primeira vez em sua longa, conturbada e solitária vida, você sente uma atração diferente, seu coração começa a bater mais rápido, você sua, fica nervoso(a) e não consegue mais desgrudar da pessoa ou objeto&#8221;. Eu não senti nada disso que acabei de citar. Quero dizer, eu não me apaixonei nem pelo homem nem pela mulher os quais eu via. Podemos dizer que me apaixonei pela cena. Porque surgiu uma idéia para um texto naquele exato momento, e eu precisei desligar meu tocador de mp3. Imaginem. Ponham suas massas cinzentas para funcionar.<br />
Uma mulher, loura, recém casada, cabelos curtinhos, vestida discreta mas elegantemente, em torno dos 29 anos, sentada, sorrindo amarelo e perdida no meio da conversa do marido. Este, provavelmente, um bancário no auge de sua carreira, vestido um pouco mais espalhafatosamente que a esposa, em altos papos com colegas que o rodeavam, rindo e bebericando um chope. Digo &#8220;provavelmente&#8221;, porque havia um cabeção na minha frente tapando a visão do tal marido.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><strong>A História da Moça que Detestava Festas</strong><br />
Era uma vez uma moça que detestava festas. Desde pequenina, ela evitava toda e qualquer comemoração, fosse de Natal, fosse de seu próprio aniversário. Ela sempre tinha alguma desculpa diferente para ficar em casa, mesmo que sozinha. Dizem que ela escreveu um manual de mais de 600 páginas intitulado &#8220;Sobre Como Não Ir A Comemorações&#8221; e o escondeu embaixo de sua cama. Para vocês terem uma idéia mais nítida de como era essa moça, ela não conhecia ninguém. Quer dizer, conhecer conhecia, mas não criava laços de amizade. Ela nunca teve namorado ou alguém para contar um segredo. Tudo por causa de seu pouco gosto por festividades.<br />
Creiam vocês ou não, a moça que detestava festas foi forçada a ir a sua própria formatura. Sua mãe se encarregou de arranjar um vestido à altura do evento, de maquilar a sua pobre filha medrosa e de empurrá-la até o salão onde ocorreria o baile.<br />
&#8220;Mãe&#8221;, choramingava a moça &#8220;eu detesto festas. Eu não quero ir a minha própria formatura.&#8221;<br />
&#8220;Filha&#8221;, explicava a mãe, com a maior calma do mundo &#8220;a formatura é algo muito especial para você. Todos os seus amigos estarão lá. Você não vai ficar cega nem perder um braço se conversar durante dez minutos com um rapaz.&#8221;<br />
As insistências da filha foram em vão, e, quando ela deu-se conta, já estava no meio do salão de bailes. Tomada por uma tremedeira, a moça que detestava festas sentou-se no canto mais escuro e afastado do centro do salão. Ficou lá, observando a felicidade alheia, triste porque ninguém a convidava para dançar.<br />
&#8220;Mesmo que eu não saiba dançar&#8221;, resmungou ela &#8220;apreciaria imensamente tal convite.&#8221;<br />
Aposto que um belo rapaz a convidaria para uma valsa se ela estivesse no meio do salão, parada, como se dissesse &#8220;quero dançar. Alguém pode me convidar?&#8221;. Mas não.<br />
A moça que detestava festas e sua mania de não-socialização.<br />
Qual foi a profissão que ela escolheu? Desenhista. Porque, na mente dela, uma desenhista não precisava conversar com as pessoas ou ir a reuniões ou festas. Era perfeito. Ela faria seu trabalho e exporia sua arte em um webfólio. Mais do que perfeito. Era genial! Infelizmente, o plano da moça não funcionou. Pelo visto, desenho não era o forte dela. E, contra a sua vontade, ela fez um concurso para Direito. Por estímulo da mãe, lógico.<br />
Xingando o céu e o mundo, a moça que detestava festas fincou o pé na parada e esperou o maldito ônibus que viria buscá-la para os últimos dias de seu curso de Direito. Estava com pressa, tanta pressa, que nem percebeu que um rapaz parara ao seu lado. Era bonito, sim, e devia ter sua idade. Mas ao contrário dela, ele não estava carrancudo. Os dois entraram no mesmo ônibus. Ele sentou-se ao lado dela.<br />
&#8220;Oi!&#8221;, falou ele, sorrindo. &#8220;Tudo bem?&#8221;<br />
&#8220;Oi&#8221; respondeu ela, friamente.<br />
&#8220;Que coincidência pegarmos a mesma linha, não é?&#8221;<br />
&#8220;É.&#8221;<br />
&#8220;Não falta muito tempo para eu terminar meu curso de Administração de Empresas. E poderei trabalhar em um banco! É o meu maior sonho. O que você está cursando?&#8221;<br />
&#8220;Direito.&#8221;<br />
&#8220;Oh, que interessante. Teremos uma advogada aqui, não é?&#8221;<br />
&#8220;É.&#8221;<br />
&#8220;Veja só o que meu irmão caçula fez no meu caderno. Cara, aquele pirralho é fogo! Ele desenha rabiscos em minhas coisas, e minha mãe nem aí para dar bronca. Também, coitada, com toda a casa para cuidar e ainda fritar aqueles salgados para festas&#8230; pobre, mãe. Sabe, meu pai faleceu quando eu tinha 8 anos. Eu ainda sinto falta das piadas dele. Mas ele nunca foi um bom pai. Voltava tarde para casa, faltava ao trabalho, foi despedido 5 vezes seguidas&#8230; fazer o quê. Estamos melhor sem ele agora. É por isso que estou cursando Administração de Empresas. Quero conseguir um bom emprego com um ótimo salário para comprar uma casa maior com uma cozinha espaçosa e contratar uma babá&#8230;&#8221;<br />
Todo o tempo que ficaram dentro daquele ônibus, foi o rapaz quem falou. A moça apenas o observava, fingindo desinteresse.<br />
&#8220;Oh&#8221;, exclamou ele, olhando pela janela. &#8220;O próximo ponto é o meu. Sabe, moça, eu gostei de você. Tem telefone ou e-mail? Eu gostaria de manter contato.&#8221;<br />
Ela o olhou de cima a baixo, desconfiada.<br />
&#8220;Por favor&#8221;, ele suplicou.<br />
&#8220;Tudo bem&#8221; ela disse, com um suspiro, e escreveu seu telefone no caderno dele.<br />
Ele se despediu e desceu do ônibus.<br />
Os dias passaram. O rapaz manteve contato. Telefonava para a moça todos os dias. Contava as novidades como se ela fosse uma velha amiga. Ela nada dizia ou às vezes comentava alguma coisa. Encontraram-se &#8220;por acaso&#8221; diversas vezes na rua. Ele, sempre conversador. Ela, sempre quieta. Até que um dia, ele a convidou para almoçarem juntos. Tudo bem, ela não tinha nada a perder. Aquele almoço foi a primeira vez que ela realmente conversou com o rapaz. Falaram sobre todos os assuntos imagináveis, riram, divertiram-se. E ele a pediu em namoro. E ela aceitou.<br />
Pouco tempo depois, ele se formou em Administração de Empresas. Ela, ao contrário, largou os estudos sob a desculpa de que não conseguia entender a matéria e que Direito não era a praia dela. Só entre nós, o que ela não conseguia era socializar-se.<br />
O tempo passou. Ele tornou-se gerente de um grande banco. E o rapaz, agora homem, casou-se com a moça, agora mulher, que detestava festas.<br />
E finalmente chegamos ao dito cujo almoço, ao qual fui arrastada.<br />
O homem conversava com seus colegas de trabalho e bebericava um chope. Contavam piadas e riam alto, fazendo com que eu não ouvisse bulhufas da música que tocava em meu tocador de mp3. A mulher dava alguns sorrisos amarelos para alguns comentários feitos pelo marido. Ela tentava inutilmente entrosar-se na conversa.<br />
Duas frases podem resumir o que se passava ali: o homem estava num paraíso de festa. A mulher, num inferno de festa.<br />
<strong>The end</strong></p></blockquote>
<p style="text-align:justify;">Só não fotografei a tal cena, porque a porcaria do meu telefone celular não tem Bluetooth.</p>
</div>]]></content:encoded>
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