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	<title>devaneios-pessoais &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "devaneios-pessoais"</description>
	<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 14:13:28 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[O problema dos super-heróis]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2009/10/08/o-problema-dos-super-herois/</link>
<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 03:06:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
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<description><![CDATA[O número de relatos de avistamentos de OVNIs e abduções por extraterrestres cresceu exponencialmente]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">O número de relatos de avistamentos de OVNIs e abduções por extraterrestres cresceu exponencialmente na mesma proporção que a popularidade de Guerra dos Mundos, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, Independence Day e Arquivo X. Desconsiderando-se a precedência de causa e efeito desses fatos, o que chama a atenção é a relação entre a cultura pop e a realidade. &#8220;Aliens&#8221; na vida real e mídia sobre aliens têm uma certa equivalência.</p>
<p style="text-align:justify;">Em outro gênero de ficção, entretanto, tal relação parece não ser aplicável. Apesar da popularidade dos super-heróis ser anterior à dos OVNIs (Zorro já andava pela Califórnia pouco depois da Primeira Guerra), avistamentos e contatos de heróis são raros, praticamente inexistentes. E embora muitos por aí gostem de reclamar sua cidadania extraterrestre, quase ninguém se apresenta como super-herói &#8211; pelo menos não seriamente. Pena, pois os heróis seriam bem mais úteis.</p>
<p style="text-align:justify;">A carência de heróis, mesmo dos falsos, provavelmente é devida aos atributos necessários para ser um deles. Para ser um OVNI basta voar  (ou parecer voar) e não ser identificado, o que não é tão difícil. Para passar por alien basta escolher a roupa certa (ou errada, quem sabe). Mas para ser um super-herói é preciso dedicação, altruísmo e habilidades especiais. Certamente, três qualidades que dificilmente coexistirão em uma pessoa.</p>
<p style="text-align:justify;">É evidente que é preciso se dedicar para ser um bom herói. Demanda-se uma vida dupla, com uma  insuspeita face social e uma implacável face secreta de combate ao mal. Se nos dias insanos de hoje é difícil manter uma vida, um trabalho e uma face, quão mais não será manter dois de cada, correndo os riscos inerentes à profissão oculta? Quem conseguiria, tal qual Peter Parker, trabalhar, estudar, sonhar com MJ e derrotar vilões caricatos e sem propósito? Todos querem o poder, mas não a responsabilidade.</p>
<p style="text-align:justify;">Em decorrência disso, quem teria o desprendimento de esquecer de si mesmo, tamanha a dedicação exigida para cuidar de si próprio, para  ir corajosamente salvar os outros? É um tanto cliché entre os heróis de HQs que eles estejam vinculados a uma cidade. Gotham City, Metropolis, Nova York&#8230; o herói é uma personagem típica de seu meio em situações normais, e um estranho mascarado que se preocupa com os seus. Talvez essa característica seja um indicador do real anseio pelos heróis. Queremos que um exista, ou queremos ser um deles por pura preocupação com aqueles que são próximos, podendo defendê-los ou clamar por defesa tendo a certeza de ser prontamente atendidos.</p>
<p style="text-align:justify;">Contudo, a autopreservação é uma voz superior. O anonimato das roupas coladas não ajudaria. O medo de acabar errando ou ter a identidade revelada e se tornar uma vítima do inimigo seria suficiente para afastar a maioria. O resto se sentiria mal com a opressão dos testículos.</p>
<p style="text-align:justify;">Já a posse de habilidades especiais, a terceira das qualidades essenciais do herói, é o menor dos problemas. A grande maioria das pessoas é capaz de ter habilidades acima da média com algum grau de esforço. Poderes especiais talvez sejam raros ou inexistentes, mas mesmo que fossem acessíveis não fariam heróis. As habilidades dependeriam de dedicação e altruísmo, estas sim complicadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Enfatizando e concluindo, possivelmente é por isso que os heróis são inexistentes na realidade, apesar da abundância cultural. Ver coisas estranhas no céu escuro não demanda muito, mas caçar destemidamente o mal exige um preço alto demais. E isso nem é o pior de tudo. O que é realmente preocupante é que para ser um vilão basta ser mau ou fazer o mal, o que é extremamente fácil. O potencial para supervilões é altíssimo, ainda mais com uma concorrência tão baixa.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A chave de casa]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2009/02/12/a-chave-de-casa/</link>
<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 04:49:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2009/02/12/a-chave-de-casa/</guid>
<description><![CDATA[Os olhos insistem em ver o que os anos teimam em demonstrar: tudo é efêmero. Com o tempo aprende-se ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Os olhos insistem em ver o que os anos teimam em demonstrar: tudo é efêmero. Com o tempo aprende-se bem a lição, e tudo que se enxerga traz consigo recordações de todo tipo, tanto saudade quanto alívio, tanto dor quanto alegria.</p>
<p>Mas fechar os olhos é contrariar tal ensino. Com o exterior encoberto não há mais a vaga sensação de lembrança, mas uma comovente e intensa vivência. O que era um saudoso detalhe lembrado em uma parte de algo torna-se o todo. De novo se vê, se ouve e se sente como aconteceu &#8211; às vezes, na verdade, é como se acontecesse!</p>
<p>As pálpebras são o caminho de volta e a chave para entrar em casa. Fechá-las sobre os olhos inquietos é percorrer toda a estrada até o antigo lar, e ter instantâneo e irrestrito acesso ao que normalmente é vazio, podendo tocar o que a vista informa ser mera sombra.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre pesadelos]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2008/12/08/sobre-pesadelos/</link>
<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 23:51:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2008/12/08/sobre-pesadelos/</guid>
<description><![CDATA[Há algumas noites fui surpreendido em sono por uma seqüência enorme e assustadora de pesadelos. Minh]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Há algumas noites fui surpreendido em sono por uma seqüência enorme e assustadora de pesadelos. Minha mente soube escolher bem o roteiro para a sessão terror. Lidei durante vários minutos (talvez horas, não sei) com um suspense muito bem feito, cujo vilão era uma maldade invisível e perturbadora, como nos melhores horrores, se é que se pode chamar algo tenebroso de melhor. Passei ainda por outras situações, com perigos mais reais. Tudo se passou como uma série de pequenos vídeos de histórias distintas com o mesmo protagonista em todas.</p>
<p style="text-align:justify;">Acordei obviamente assustado. Não estava em meu quarto &#8211; tinha dormido na sala. Isso incrementou o pânico, já que parte dos pequenos pesadelos tinham se passado exatamente naquele ambiente. Por várias vezes o onírico personagem principal (eu?) quis gritar. Mas em maus sonhos não se consegue gritar nem correr para que o desespero seja completo. Fiquei em dúvida se tinha realmente gritado ou não. Recuperando a calma aos poucos, comecei a considerar as evidências.</p>
<p style="text-align:justify;">Os apartamentos vizinhos são bem próximos, e uma das vizinhas estava em uma janela de frente para a sala onde estava. Tudo parecia normal. Caso eu tivesse bradado com toda a força dos meus pulmões como tentado em sonho, certamente alguns vizinhos estariam à volta da minha janela tentando entender o que estava acontecendo, e talvez algum mais extrovertido tivesse batido à porta. Lembrei-me também que uma única vez eu tinha gritado durante o sono, e naquela atípica madrugada o principal fato que comprovava o grito era uma irritação no fundo da garganta. Nada incomodava em minha garganta e, em conjunto com a evidência anterior, isso demonstrava que eu não tinha gritado.</p>
<p style="text-align:justify;">Desfeita essa preocupação, levantei-me para ir ao banheiro. No caminho pensei ter visto algo estranho na área de serviço. Os arrepios e sensações frias do pesadelo ainda geravam reflexos na minha espinha. Apesar disto, acendi a luz e vi que não havia nada fora do normal além de entulho esperando para ser organizado e descartado. Andando pela casa, no caminho do banheiro de volta para a sala, pensava por que razão é tão difícil gritar durante os sonhos. Estranhamente cheguei rápido a uma conclusão. O bloqueio de gritos durante pesadelos deve ser uma vantagem evolutiva.</p>
<p style="text-align:justify;">A última coisa que pequenos e frágeis seres humanos primitivos em seu esconderijo noturno desejariam seria ter sua posição descoberta por um predador. Um potente grito no silêncio da noite seria uma das melhores formas de chamar a atenção de um carnívoro faminto. Sobressaltado pelo horror expresso no som, o caçador certamente hesitaria a princípio, mas a curiosa fome não deixaria de exigir uma confirmação do que acontecia. Acredito então que existiram vários ancestrais nossos que gritavam sem dificuldades enquanto dormiam, mas deixaram poucos descendentes além daqueles que terminaram em uma madrugada qualquer como uma alegre refeição de um felino agradecido.</p>
<p style="text-align:justify;">Satisfeito com essa conclusão lembrei-me que eu tinha de fato vivenciado vários pesadelos há pouco. Eu não devia ainda estar debaixo do lençol, com medo de abrir os olhos e ver que tudo tinha sido real? Seria o que eu faria no passado em caso de pesadelos. Possivelmente chamaria minha mãe, ou quem estivesse em casa, para me ajudar a voltar para a realidade e deixar o macabro Universo dos pesadelos. Não senti necessidade de nada disso.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi então que me esqueci dos pesadelos, considerações e conclusões. Não estava contente por ter achado uma resposta ou por não ter sentido medo. Percebi que os pesadelos não são mais para se temer, mas para servir de desculpa para discussões sobre as origens, e eu não precisei chamar ninguém para compartilhar meu pavor, até porque não havia a quem pudesse recorrer, mesmo que em tese estivesse cercado de gente nas proximidades. Lamentei, e apenas uma questão me preocupou e me ocupou em seguida: se o lamento deveria ser por ter crescido cínico ou por estar sozinho.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Nós nos odiamos]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2008/10/30/nos-nos-odiamos/</link>
<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 02:21:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2008/10/30/nos-nos-odiamos/</guid>
<description><![CDATA[Estou cada vez mais convencido de que pessoas não gostam de pessoas. Não gostamos uns dos outros. No]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Estou cada vez mais convencido de que pessoas não gostam de pessoas. Não gostamos uns dos outros. Nosso semelhante nos causa repulsa. Fazemos de tudo para ficar longe de todos. Pagamos a mais por exclusividade, fazendo questão que o menor número possível de pessoas se aproxime. De prerência, que ninguém chegue perto.</p>
<p>Compramos carros não porque podemos nos deslocar mais rápido (dentro das cidades não podemos mesmo), ou porque realmente precisamos deles. Compramos porque é ruim ficar tão perto de gente nos coletivos. Compramos casas com terrenos amplos não porque precisamos de espaço, mas porque um apartamento é muito cercado de pessoas.</p>
<p>Quando somos adolescentes queremos um quarto próprio. Quando trabalhamos queremos uma ilha bem pessoal. Quando nos tornamos chefes queremos sair de perto dos colegas para uma sala grande e isolada. Quando estamos frustrados queremos ficar sozinhos.</p>
<p>Para alguns de nós, as diferenças sociais são motivos suficientes para se roubar o semelhante, assumindo até a possibilidade de matá-lo caso se oponha.  Para outros de nós, não é necessário sequer diferença alguma: furta-se descaradamente quando já se tem o bastante.</p>
<p>Muitos animais se encostam, se aquecem e se tocam. Já nós nos evitamos. Fazemos de tudo para manter o outro longe. Entendemos o contato físico como uma aproximação sexual. Há tão pouco toque mútuo entre seres humanos que muitos ficam excitados com o resvalar de alguém do sexo oposto, ou se sentem constrangidos com um abraço.</p>
<p>Há animais que se reconhecem cheirando um ao outro. Já nós detestamos nosso cheiro natural. Gastamos o dinheiro de um mês de refeições em perfumes. Obviamente, o bom cheiro das fragâncias que as pessoas usam serve geralmente para atrair parceiros sexuais em potencial, não para se tornar agradável ao semelhante. Ou seja, pouca aproximação que existe é por conveniência ou satisfação própria.</p>
<p>Nós nos odiamos. E não são apenas guerras e atentados que demonstram isso. Nosso cruel cotidiano nos mostra com clareza que a humanidade não é uma espécie, mas um caótico amontoado de indivíduos que se detestam.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ódio manifesto e conclamado]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2008/08/25/odio-manifesto-e-conclamado/</link>
<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 02:08:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2008/08/25/odio-manifesto-e-conclamado/</guid>
<description><![CDATA[Por que acha que alguém quer ouvir? Por que supõe que alguém quer ler? Cale essa boca imunda, jovem ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Por que acha que alguém quer ouvir?<br />
Por que supõe que alguém quer ler?<br />
Cale essa boca imunda, jovem inconseqüente!<br />
Aquieta esses dedos, escritor inconveniente!<br />
Para trás com seus devaneios<br />
Para o inferno com suas opiniões<br />
Para a vergonha com suas palavras<br />
Para o esquecimento com seus poemas</p>
<p>O mundo não quer assistir, não mais<br />
Suas megalomanias se tornarem reais<br />
Basta de senhores, basta de grandes<br />
Seja pequeno, ínfimo, insignificante<br />
Porque ao medíocre não cabe outro destino<br />
Porque ao pretensioso a queda se reserva<br />
Morra, se preciso for para se calar<br />
Morra! Morram também seus pensamentos</p>
<p>Riam todos! Transformem em chacota<br />
Quem se acha ousado e promissor<br />
Quem alerta como se verdade fosse<br />
Anunciando como se tudo soubesse<br />
Quero ouvir a zombaria incessante<br />
Quero ver o vitupério excruciante<br />
Desse vil animal cheio de si mesmo<br />
Que grunhe achando proferir palavras</p>
<p>Não tenham esse inútil em conta<br />
Não ponderem sobre seus caminhos<br />
Virem as costas, ignorem, escarneçam<br />
Deixem de tolerar, incomodem-se!<br />
Impeçam que continue regurjitando<br />
Pensamentos imundos nos seus colos<br />
Massacrem tudo aquilo que esse infeliz<br />
Inflado do próprio ego, arrogante diz</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma grande salada]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2008/08/22/uma-grande-salada/</link>
<pubDate>Fri, 22 Aug 2008 04:29:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2008/08/22/uma-grande-salada/</guid>
<description><![CDATA[O tédio e a ociosidade costumam proporcionar muitas idéias, a maioria delas imbecis. Pois é, aqui es]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>O tédio e a ociosidade costumam proporcionar muitas idéias, a maioria delas imbecis. Pois é, aqui estou pondo em prática uma delas. Trata-se de um desafio. Explico a seguir.</p>
<p>Logo abaixo há um poema de oito estrofes. Cada um dos versos faz referência a textos (livros, contos ou poesias), animes ou filmes, todos relativamente bem conhecidos (a maioria, na verdade, é amplamente conhecida). O desafio é descobrir o que exatamente cada verso referencia, seguindo o seguinte:</p>
<ul>
<li>cada verso faz uma ou mais referências;</li>
<li>todos os versos têm referências;</li>
<li>é possível que dois versos seguidos façam uma referência em conjunto;</li>
<li>as referências podem se repetir ao longo do texto, em lugares diferentes;</li>
</ul>
<p>As estrofes são numeradas. Para responder pode ser usado o <a href="http://bichoderondonia.com/formulario-de-contato/">formulário de contato</a>, da seguinte maneira (apenas exemplos e uma sugestão de formato):</p>
<p><em>Verso X da estrofe Y fala sobre a carta de Pero Vaz de Caminha</em></p>
<p>ou</p>
<p><em>Os versos W e Z da estrofe E fala sobre o filme Scarface</em></p>
<p>Dicas talvez úteis:</p>
<ul>
<li>a maioria das referências é a livros;</li>
<li>os filmes têm poucas referências;</li>
<li>algumas referências são frases semelhantes às que aparecem no referenciado, outras não.</li>
</ul>
<p>Alguns versos são bastante óbvios. Outros nem tanto. E o que ganha com isso quem acertar? Uma menção honrosa aqui no blog, claro! Embora caso dependendo do número de acertos que alguém possa fazer eu pense em um possível prêmio&#8230; talvez se alguém acertar tudo&#8230;</p>
<p>Vou postar a resposta e os maiores acertadores na próxima sexta-feira, dia 29 de agosto.</p>
<p>Sobre o poema: minhas única preocupações na construção estrutural e estética foram o número de versos por estrofe e as rimas. O importante pra mim eram as referências, e não a forma ou a beleza. Há uma linha na história contada, mas é uma linha um tanto absurda.Trata-se mais de um quebra-cabeça que poesia em si.</p>
<p>Enfim, vamos lá.</p>
<p style="text-align:center;">&#8212;</p>
<p><strong>1</strong><br />
Após uma noite de paquidérmicos sonhos inquietantes,<br />
Despertei tendo a casa por prisão<br />
Unicamente por ter roubado um pão.<br />
Desesperado e açoitado por dezenove anos incessantes<br />
Fugi com meu amigo antes que o planeta se desfizesse<br />
Mas porque minha casa se fora, não porque eu quisesse</p>
<p><strong>2</strong><br />
Ruidosamente passaram por uma dúzia de casas para me assustar<br />
Até poderem dizer-me: &#8220;você está preso&#8221;.<br />
Das câmeras a mini-tv deixou-me ileso<br />
Mas uma maçã lançada atingiu meu lado, o que veio a me matar.<br />
Sem maçãs meu amigo definhava em convulsões mortais<br />
E no bosque pudemos descer até os círculos infernais</p>
<p><strong>3</strong><br />
Corajosamente um certo insano abriu um túnel ao nosso mundo.<br />
Atravessamos e saímos por um grande armário<br />
Dentro de um sótão, em um opressor cartório<br />
Pela janela fechada pulei de cabeça, com Beethoven ao fundo<br />
Esperei erroneamente que os anjos viessem amortecer a queda forte<br />
Mas caí, embora não em vão, pois nosso perseguidor também foi à morte</p>
<p><strong>4</strong><br />
Compadecido da pobre viúva o profeta chamou-me de volta à vida<br />
&#8220;Lá e de volta outra vez&#8221;, foi o que pensei<br />
Assim que o fantasma de meu pai eu avistei<br />
Más pessoas eram explodidas por um homem com uma grande ferida<br />
Havia uma oponente à altura, mas sem suas memórias não o podia enfrentar<br />
Seus outros braços, fortes e longos, sem seu sinistro ego não podia usar</p>
<p><strong>5</strong><br />
Chegou a mim a carta de meu tio, perversa em suas orientações<br />
Seu belo anel ele me deixou sem nada cobrar<br />
Mas os anéis de tios costumam nos embaraçar<br />
Era hora de tomar o caminho estreito, disseram-me as pregações<br />
Pela porta do duro caminho entrei destemido pois amigo disse<br />
Às costas meu fardo, que ignorei ser uma Quimera que oprimisse</p>
<p><strong>6</strong><br />
O caminho era agora uma escura caverna, banheiro para um rei<br />
Lá esperavam uma sentença uns vivos sem vida<br />
Também o vidente aguardava uma voz ser ouvida<br />
No escuro tortuoso o fardo em sangue por minha filha carreguei<br />
Socorrido por uma freira e seu demônio, o que não esperava<br />
Mas uma tão infame jovem era quem o Evangelho me anunciava</p>
<p><strong>7</strong><br />
Por lidar com mulheres a machado, o rei mandou-me buscar sua noiva<br />
Mas bebi o que era vedado, por acaso mal<br />
Tanto fazia, pois a moça era a arma cabal<br />
Eu era o alvo, mas a armadilha foi sua: morreu no carro em meu lugar<br />
Maldita caixinha de ébano e madrepérola a me revelar a traição<br />
Bem sabia ao olhar para o menino e ver meu amigo em sua feição</p>
<p><strong>8</strong><br />
Desesperançoso choro sozinho a minha dor sem que ela deva ou possa saber<br />
É lúgubre morrer sozinho numa cadeira<br />
Quando se teve tudo numa vida inteira<br />
Até o cachorro rejeita meus caros perfumes, apesar de excrementos lamber<br />
Mas no fim, inesperadamente a moça infame que me pregara a mim se junta<br />
Estava com a tez lívida, vestindo sua mortalha branca&#8230; ora, uma defunta!</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre a percepção temporal feminina e assuntos correlatos]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2007/09/04/sobre-a-percepcao-temporal-feminina-e-assuntos-correlatos/</link>
<pubDate>Tue, 04 Sep 2007 05:16:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2007/09/04/sobre-a-percepcao-temporal-feminina-e-assuntos-correlatos/</guid>
<description><![CDATA[Mulheres têm uma noção distorcida do tempo. A grande prova disto é o uso incorreto que elas fazem da]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Mulheres têm uma noção distorcida do tempo. A grande prova disto é o uso incorreto que elas fazem da palavra eterno. A tudo elas atribuem um caráter perpétuo, mesmo coisas que têm um começo e um fim bem definidos, como o ciclo menstrual. Por exemplo, o tempo que fiquei sem escrever neste blog seria tido por uma mente feminina como uma &#8220;eternidade&#8221;, assim como outros intervalos, como o tempo para um peru assar, os blocos &#8220;intermináveis&#8221; do Jornal Nacional antes da novela e os quatro anos de faculdade que &#8220;nunca acabam&#8221;.</p>
<p>Felizmente, e para o meu melhor convívio social, tenho conseguido decifrar o que uma mulher quer dizer com a palavra eterno em diversas situações diferentes. Explico-as a seguir.</p>
<p style="font-weight:bold;">Amizade eterna</p>
<p>Tempo variável. Em média trinta dias. Este tempo foi calculado baseado em fotos do álbum no orkut de algumas meninas. Sempre havia em certo grupo de garotas uma foto com a legenda &#8220;melhores amigas pra sempre&#8221;, ou alguma de suas variantes em dialetos emo/miguxês, e a contagem de tempo entre a troca de personagem da foto apontou uma periodicidade mensal para a melhor amiga, o que possibilitou cunhar o termo &#8220;melhor amiga do mês&#8221; para se referir ao que as tais meninas chamam de &#8220;amigas eternamente inseparáveis&#8221;.</p>
<p>Um mês, portanto, é o tempo que duas meninas melhores-e-inseparáveis-amigas-eternamente conseguem suportar-se, independente do que qualquer uma delas diga. Parte da equipe responsável pela pesquisa chegou a sugerir que a troca de melhor amiga estava relacionada de alguma forma à tensão pré-menstrual de uma delas ou de ambas, mas esta hipótese foi descartada assim que se percebeu que o processo de troca acontecia mesmo em caso de atraso de mais de dois meses.</p>
<p>No caso de amizade &#8220;eterna&#8221; entre uma mulher e um homem, evento mais raro, a amizade pode durar mais de um mês caso o amigo demore a tornar visíveis suas reais intenções.</p>
<p><span style="font-weight:bold;">Paixão eterna</span></p>
<p>Equivale a dois dias, não prorrogáveis. O primeiro dia corresponde à fulgurante vivência da paixão. O segundo dia corresponde à espera, por parte da mulher, pelo contato telefônico/emessênico¹/orkutiano² do homem, ou pelos comentários das amigas dela. O terceiro dia é a morte da paixão devido a uma das possibilidades listadas abaixo:</p>
<ul>
<li>Caso o homem não entre em contato, ele será considerado um cachorro, cretino, canalha, crápula, cínico e outras palavras e expressões que envolvem a letra c. Ou seja, ele será desprezado.</li>
<li>Caso o homem entre em contato, ele será considerado um chato que não larga do pé e não para de correr atrás incessantemente. A mulher diria para as amigas nesta situação que ele é sufocante. Ou seja, ele será desprezado.</li>
<li>Falem bem ou mal as amigas, o homem será enquadrado em uma das opções anteriores.</li>
</ul>
<p><span style="font-weight:bold;">Amor eterno</span></p>
<p>Dois meses, prorrogáveis por igual período, ou até que se configure objetivamente uma das opções abaixo:</p>
<p><em>A &#8211; Motivos econômicos</em></p>
<ol>
<li>A Range Rover é do pai dele (ela resolve mudar o alvo para o dono da range).</li>
<li>A etiqueta do suposto Nike Shox na verdade diz Mike Show (pior que não ser sofisticado é fingir sê-lo).</li>
<li>O cartão de crédito não tem Júnior ao final do nome (vide item 1 &#8211;  o da Range Rover).</li>
<li>Ele trabalha (não tem tempo pra ela).</li>
<li>Ele não trabalha (vagabundo).</li>
</ol>
<p><em>B &#8211; Motivos sociais</em></p>
<ol>
<li>A melhor amiga do mês discorda das amigas do mês anteriores, que eram favoráveis ao rapaz (cabal, a opinião da melhor amiga do mês tem autoridade papal &#8211; rima não intencional; caramba, que animal; de que tipo, irracional? Chega, isto perdeu a graça afinal³).</li>
<li>Ele tem oitocentas amigas no orkut (ela não concorda em lidar com tanta concorrência).</li>
<li>Nem a irmã dele é contato no orkut (ela acha que tem algo de errado com ele).</li>
<li>Ele tem muitos amigos e sai bastante com eles (não tem tempo pra ela).</li>
<li>Ele tem poucos amigos (vagabundo &#8211; só pra manter a simetria).</li>
</ol>
<p><em>C &#8211; Motivos intelectuais</em></p>
<ol>
<li>Ele fica em casa para ler Kafka porque não queria sair (ela encara como uma ato de pseudo-intelectualidade e, de quebra, como uma traição homossexual).</li>
<li>Ele deixa O Processo de lado e resolve sair à noite com ela (ela encara como um ato de desprezo ao conhecimento e à cultura que o livro proporcionaria, próprio da &#8220;selvageria masculina&#8221;, como ela diz à mãe).</li>
<li>Ele estuda muito (não tem tempo pra ela).</li>
<li>Ele estuda pouco (vagabundo).</li>
</ol>
<p>Estes motivos, tanto o decurso de prazo quanto os motivos objetivos, são causa suficiente para que a eternidade do amor seja sumariamente decretada terminada sem qualquer explicação ou necessidade de diálogo.</p>
<p>Espero então que estas três regras de tradução e análise ajudem você a decifrar que raios enfim as mulheres querem dizer com eterno. São meus eternos votos!<br />
&#8212;</p>
<p>¹ <span style="font-style:italic;">Relativo ou pertencente ao MSN.</span></p>
<p>² <span style="font-style:italic;">Relativo ou pertencente ao orkut. </span></p>
<p>³ <span style="font-style:italic;">Eu vou tentar nunca mais fazer isso. </span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Explicações sem graça]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2007/06/30/explicacoes-sem-graca/</link>
<pubDate>Sat, 30 Jun 2007 18:26:50 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2007/06/30/explicacoes-sem-graca/</guid>
<description><![CDATA[- Que tem a casa depois da minha? - Está vazia. Papai disse que está vazia desde que mudamos pra cá.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><blockquote><p><em>- Que tem a casa depois da minha?<br />
- Está vazia. Papai disse que está vazia desde que mudamos pra cá.<br />
- Vamos dar uma olhada &#8211; disse Digory. (&#8230;)<br />
- Que tal se a gente fosse agora mesmo &#8211; indagou Digory.<br />
- Está bem &#8211; respondeu Polly.<br />
- Não precisa ir, se não quiser.<br />
- Se você topa, eu também topo. (&#8230;)<br />
- Mas não acho que ela esteja mesmo vazia! &#8211; disse Digory.<br />
- Como assim?<br />
- Acho que alguém mora lá, escondido, saindo e entrando tarde da noite, com uma lanterna abafada. Acho que vamos descobrir um bando de assassinos e ganhar uma recompensa. É besteira acreditar que uma casa fique vazia esse tempo todo, a não ser que exista algum mistério.<br />
- Papai acha que é por causa do mau estado do encanamento &#8211; observou Polly.<br />
- Encanamento! Gente grande tem a mania de dar explicações sem graça! &#8211; disse Digory.</em></p></blockquote>
<p>(C. S. Lewis &#8211; O Sobrinho do Mago)</p>
<p>Digory estava certo. As explicações dos adultos são sem graça, destituídas de vida e imaginação. São rígidas, simples e naturais. E não era para ser diferente, uma vez que a Natureza também é rígida e simples, pelo menos a princípio.</p>
<p>No antigo mundo infantil, cheio de imaginação, uma casa vazia é um convite à criação imaginativa. Histórias assustadoras dão a uma casa sem gente um aspecto mal assombrado. Os mais criativos podem supor um portal para uma realidade paralela. Os futuros cronistas policiais colocariam um bando criminoso maltratando crianças no interior da casa, exigindo uma missão de resgate. No mundo adulto, uma casa vazia é uma casa vazia, e há uma explicação perfeitamente &#8220;natural&#8221; para isso.</p>
<p>O que há de errado com esse mundo adulto? Nada, desde que ele não tome o lugar do mundo imaginário. Exatamente, eu disse isso: mundos imaginários devem ter lugar entre as mentes naturais e inflexíveis das pessoas vigésimo primeiro século, como sempre tiveram que ter. Não só porque os mundos da imaginação acabam sendo interessantes, profundos, belos e terríveis, mas também porque eles ajudam a entender o nosso próprio mundo, sendo eles análogos ou não ao nosso.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Uns poucos versos bestas sobre mães e dias relacionados]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2007/05/13/uns-poucos-versos-bestas-sobre-maes-e-dias-relacionados/</link>
<pubDate>Sun, 13 May 2007 15:52:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
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<description><![CDATA[Mãe, cujo dia que pode ser chamado teu E de todas as outras mães hoje se deu: Não desejo-te feliz di]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Mãe, cujo dia que pode ser chamado teu<br />
E de todas as outras mães hoje se deu:<br />
Não desejo-te feliz dia das mães<br />
Data infame e forjada<br />
Que atrás do puro amor filial<br />
E do sublime instinto maternal<br />
Esconde uma grande elite armada,<br />
Mercenária e implacável<br />
Que abusa do sentimento sincero e real<br />
Pra ter e acumular um tanto mais de Real</p>
<p>Posso apenas dizer que te amo?</p>
<p align="center">&#8212;</p>
<p><em>E eu sempre tentando ter uma desculpa para ser mão-de-vaca e não ser carinhoso&#8230;</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Vinho para o estômago]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2007/05/04/vinho-para-o-estomago/</link>
<pubDate>Fri, 04 May 2007 23:58:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2007/05/04/vinho-para-o-estomago/</guid>
<description><![CDATA[A dieta que tenho que seguir como recomendação devido à minha gastrite é um tanto restritiva, especi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>A dieta que tenho que seguir como recomendação devido à minha gastrite é um tanto restritiva, especialmente nos líquidos. Não é bom, segundo o texto que o médico me entregou, que eu beba refrigerantes, sucos de frutas cítricas e bebidas alcoólicas. Como eu não conheço nenhum suco de uma fruta que não seja cítrica que valha a pena beber, não sobra muita coisa além de água na minha lista de líquidos permitidos.</p>
<p>Timóteo, cooperador de Paulo de Tarso na propagação do Evangelho durante o século I, tinha em comum comigo, além da fé cristã, problemas de estômago. Paulo, como um bom conselheiro, se preocupa com seu amigo e ajudante, por vezes chamado de filho, e o orienta em sua primeira carta em aspectos de saúde:</p>
<blockquote><p><em>Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades. </em>(1 Timóteo 5:23)</p></blockquote>
<p>Baseados em outra declaração de Paulo a Timóteo, presente em outra carta, que diz que &#8220;toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça&#8221; (2 Timóteo 3:16), e em certas teologias do Novo Testamento existentes por aí, conheço várias pessoas que são capazes de transformar o conselho pessoal sobre o vinho em um conselho bíblico amplo.</p>
<p>Onde eu quero chegar? Oras, quem acha que eu consigo ficar apenas bebendo água? Não custa nada tentar a mesma solução que Timóteo deve ter tentado. Na verdade, custa sim, umas poucas dezenas de reais por uma boa garrafa, mas isso não vem ao caso&#8230;</p>
<p><em><strong>A quem sofre do estômago:</strong> não deixe de seguir as orientações do seu médico. Se você chegou a pensar nisso ao ler este post, procure em algum lugar pelo conceito de <a href="http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx?pal=ironia">ironia</a>. </em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A parede]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2007/03/22/a-parede/</link>
<pubDate>Thu, 22 Mar 2007 21:37:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2007/03/22/a-parede/</guid>
<description><![CDATA[Um homem corria por ruas de uma cidade grande. Três policiais o seguiam, também correndo. A uma cert]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Um homem corria por ruas de uma cidade grande. Três policiais o seguiam, também correndo. A uma certa altura do percurso o homem virou à esquerda no que ele pensava ser uma rua ladeada por dois grandes prédios. Correu por cerca de trinta metros antes de parar e ver que havia uma enorme parede na sua frente. O que ele pensava ser uma rua era na verdade um corredor sem saída.</p>
<p>Os policiais chegaram à entrada do beco e pararam, já cansados, diminuindo o passo, gritando para que o ladrão percebesse a inutilidade de tentar fugir. O homem sequer olhou para os policiais. Fitou a parede assombrado por uns poucos segundos e, sem demonstrar alteração, fechou os olhos e disse alto o suficiente para que os policiais ouvissem:</p>
<p>- Desapareça da minha frente, parede!</p>
<p>O homem abriu os olhos e viu o corredor aberto, sem a parede, comunicando-se com uma rua que possibilitaria a fuga. Sem pensar duas vezes começou a correr desesperadamente. Os policiais ficaram parados, observando a cena estupefatos.</p>
<p>Vinte metros de corrida depois o homem bateu violentamente em algo que ele não tinha visto, e caiu para trás. Fechou e abriu os olhos, e lá estava a parede de novo. No chão, ele se contorcia de dor e o nariz sangrava. Os policiais correram até ele, o dominaram e o arrastaram preso.</p>
<p>- Por que a parede apareceu de novo?  &#8211; perguntou o homem, chorando em desconsolo.</p>
<p>Um policial respondeu:</p>
<p>- Do que você está falando? A parede esteve lá o tempo todo.</p>
<p align="center">&#8212;</p>
<p><em>Sim, esta história é estranha. Não tem pé nem cabeça, como um sonho. É que na verdade é adaptada de um sonho, e um sonho que nasceu em uma situação incomum. Para começar as estranhezas, acordei às dez para as sete totalmente disposto. Raramente acordo disposto antes das oito e meia. Depois do almoço me senti muito cansado, como só me sinto depois de correr dois quilômetros e ler meio livro. Dormi por uma hora, mais ou menos. Muito raramente durmo durante o dia, ainda mais depois do almoço. Tive sonhos estranhos, dos quais só me lembro vagamente, e esse, que tive assim que acordei. Na verdade, quando isto passou pela minha mente não sei se estava dormindo ou quase dormindo. Não, não quero dizer nada com isso tudo, nem espero interpretações de significados ocultos do sonho, coisa que não creio que exista, via de regra. É só para poder contar mesmo.</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O coringa áureo]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2007/03/19/o-coringa-aureo/</link>
<pubDate>Tue, 20 Mar 2007 02:31:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2007/03/19/o-coringa-aureo/</guid>
<description><![CDATA[A memória do homem sempre foi posta à prova. Há tantas coisas para se lembrar o nome que não é raro ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>A memória do homem sempre foi posta à prova. Há tantas coisas para se lembrar o nome que não é raro que alguém se engasgue no meio de uma frase por não lembrar como referenciar algo com uma palavra. Isso sempre foi assim. Cada árvore sempre teve seu nome, cada planta, cada animal, cada ferramenta. E o homem do século XXI é ainda mais bombardeado por substantivos que seus antepassados. Cada uma das dezenas de parafernálias ligadas ao computador do homem contemporâneo tem um nome. Cada função profissional que ele já exerceu em sua vida tem um nome diferente em cada departamento e empresa por que passou, mesmo que ele faça exatamente as mesmas coisas.</p>
<p>A solução encontrada por algumas pessoas do passado consiste usar um termo mais genérico ou explicativo para se referir a algo. É desta forma que &#8220;martelo&#8221; se torna &#8220;ferramenta&#8221;, ou roxo se transforma em &#8220;aquela cor que parece azul&#8221;. Contudo, em ocasiões de completo esquecimento uma generalização ou explicação pode se tornar impossível. Nestas horas se usa o genérico-mor, aquilo que abrange tudo o que existe, ou seja, o vocábulo <span style="font-style:italic;">coisa</span>.</p>
<p>Mas o <span style="font-style:italic;">coisa</span> não é uma solução definitiva. Esta palavra é usada apenas para ganhar tempo até se encontrar o nome em si, a generalização ou explicação para algo que se quer referenciar. Exemplo:</p>
<p>- Não tem aquela coisa?</p>
<p>- Que coisa?</p>
<p>- Aquela!</p>
<p>- Não tô lembrado&#8230;</p>
<p>- O negócio redondo que serve para os outros verem a gente na Internet.</p>
<p>- Ah, sim, a webcam!</p>
<p><span style="font-style:italic;">Coisa</span> pode ser qualquer coisa, mas pela sua abrangência, isto é, tudo, acaba não dizendo coisa nenhuma. Acaba sendo assim uma solução paliativa. Os problemas de comunicação da humanidade permaneceram insolúveis com seu <em>coisa</em> até que um grupo de seres humanos encontrou a solução definitiva e perfeita.</p>
<p>A solução final foi encontrada por uma classe de pessoas conhecida como mineiros, não aqueles que trabalham nas minas, mas sim os que nascem no estado brasileiro chamado Minas Gerais, e consiste em um único e simples vocábulo: <em>trem</em>.</p>
<p><em>Trem</em> tem a mesma abrangência de <em>coisa,</em> isto é, tudo o que existe. Pode se referir a objetos:</p>
<p>- Perdi aquele trem que comprei no mercado ontem.</p>
<p>Pode também referenciar sentimentos:</p>
<p>- Toda vez que eu vejo você sinto um trem muito forte.</p>
<p>Há ainda a possibilidade de dizer respeito a idéias ou pensamentos:</p>
<p>- Como é mesmo aquele trem que Hegel disse?</p>
<p>Percebe-se assim que <em>trem</em> é um coringa de uso tão geral quanto <em>coisa</em>. Sua grande vantagem, entretanto, não é esta abrangência, já que a abrangência em si se provou não ser uma qualidade intrínseca tão útil, como se pode ver no caso do <em>coisa</em>. O principal benefício do <em>trem</em> é que ele, pelo menos em Minas Gerais e entre os mineiros, é compreendido em todos os círculos, sem necessidade de qualquer explicação extra.</p>
<p>Há uso no dia-a-dia:</p>
<p>- Mãe, onde está aquele meu trem?</p>
<p>- Na terceira gaveta, embaixo de uma pasta chamada Despesas.</p>
<p>Em consultórios médicos:</p>
<p>- O que o senhor tem sentido?</p>
<p>- Um trem forte na barriga.</p>
<p>- Ah, sim. Tome este medicamento por 15 dias e volte aqui. Obrigado. Próximo.</p>
<p>Nos fins de semana:</p>
<p>- Vamos comer um trem?</p>
<p>- Vamos. Quero de atum.</p>
<p>Não há explicação amplamente aceita para a compreensão imediata do sentido do <em>trem</em>. Há quem defenda que <em>trem</em> é um coringa áureo, algo divino, que de forma sobrenatural transmite a idéia de quem profere o <em>trem</em> diretamente para a mente de quem ouve o <em>trem</em>. Parapsicólogos pensam semelhante, mas substituem o meio sobrenatural de propagação do <em>trem</em> por uma forma de telepatia ainda não descrita ou explicada pela Ciência.</p>
<p>Em círculos naturalistas mais conservadores estas explicações são ridicularizadas. Antropólogos dizem que o trem remonta a algum aspecto das culturas primitivas. Supõe-se que <em>trem</em> foi a primeira palavra que o homem foi capaz de dizer, passando a usá-lo para tudo o que via. Desta forma, todos os seres humanos primitivos se chamavam <em>trem</em>, comiam apenas <em>trem</em> e dormiam em algo chamado <em>trem</em>. Algo tão onipresente ficou arraigado nos costumes humanos, perdido no subconsciente até ser redescoberto e restaurado em Minas Gerais. Biólogos, por sua vez, tentam mapear o gene responsável pela compreensão do <em>trem</em>.</p>
<p>A complexidade do coringa áureo ainda é mais profunda por poder dizer respeito a coisas diferentes em um mesmo diálogo. Exemplo:</p>
<p>- Trouxe meu trem?</p>
<p>- Trouxe. Não tinha de pêssego. Trouxe de uva.</p>
<p>- Tudo bem.</p>
<p>- Falando nisso, e aquele trem?</p>
<p>- Não sei, não fui à aula hoje.</p>
<p>Por esta fácil assimilação, apesar da falta de explicação, os mineiros (não os das minas) continuam usando o coringa em seus diálogos e compreendendo-se mutuamente. O trem todos os dias assume os mais variados sentidos, desde &#8220;objeto circular que descrevia movimentos bizarros e impossíveis no céu&#8221; até &#8220;torta de frango&#8221;, tornando sempre a comunicação mais fácil, possibilitando o rompimento de barreiras lingüísticas, e fazendo uma parcela da população mundial mais feliz. É o monopólio mineiro (e conseqüentemente brasileiro) na compreensão da fala humana. Não é de dar orgulho?</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Eu hoje, eu ontem - tanto faz]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2007/02/04/eu-hoje-eu-ontem-tanto-faz/</link>
<pubDate>Sun, 04 Feb 2007 18:34:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2007/02/04/eu-hoje-eu-ontem-tanto-faz/</guid>
<description><![CDATA[Não escrevia há cinco dias. Na verdade a última postagem foi uma infame piadinha. Portanto, não escr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Não escrevia há cinco dias. Na verdade a última postagem foi uma infame piadinha. Portanto, não escrevia há nove dias. Não esqueci de escrever, apenas não o fiz. Mas fiz muitas coisas nesse período. Coisas que não fazia há muito tempo.</p>
<p>Ouvi meu álbum preferido. Isto é, Indiferença, do Oficina G3, do começo ao fim, pulando a segunda música, como sempre costumava fazer desde que o ouvi pela primeira vez, há quase sete anos, e como não fazia há dois anos.</p>
<p>Cortei meu cabelo, o que não fazia há um ano. Na verdade meu cabelo foi raspado, como há quatro anos atrás. Assim como da última vez, me arrependi, pois gostava do meu cabelo.</p>
<p>Gravei de forma caseira uma música com o Fabio. Fez-me lembrar a época da banda. Toquei rock de verdade como há três anos atrás.</p>
<p>Apaixonei-me, como há cinco anos e meio atrás, e esta paixão, efêmera como todas as outras, mas mais que as outras, foi-se nestes mesmos dias (ou será que estou enganado?)  como há três anos e meio atrás.</p>
<p>Imaginei como faria para negar até a morte que a informação do parágrafo anterior é verídica, como nos anos do passado.</p>
<p>Ensaiei uma pequena encenação, como há três anos não fazia.</p>
<p>Programei uma viagem mais longa que duzentos quilômetros, como há dois anos e meio não fazia.</p>
<p>Fiquei conversando via Internet até as três e meia da manhã, como há oito anos não fazia.</p>
<p>Resolvi acampar no retiro de carnaval, como há dois anos não fazia.</p>
<p>Não dormi porque estava pensando em um provável futuro, como já não fazia há tanto tempo que sequer me lembro quando foi a última vez.</p>
<p>Lembrei-me nestes dias que tenho Passado. Tenho do que me envergonhar. Tenho do que sorrir ao me pegar fazendo as mesmas coisas que sempre fiz. Tenho o que recordar. Isso não me faz feliz, mas me faz ver que eu não posso esquecer que o que sou hoje é reflexo do que fui, coisa que muitas vezes tento fazer.</p>
<p>Também percebi que, após alguns poucos anos pensando que eu era diferente do que sempre fui, que eu tinha mudado ou tinha evoluído de estágio, na verdade eu estava enganado. Meu caráter, ética e percepção moral, graças ao Senhor Deus, evoluiu. Mas a parte amoral de meu comportamento, a que não diz respeito a coisas boas ou más, permanece na mesma. Se isto é bom ou ruim estou por descobrir. O certo é que me divirto com isto.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Quando falta a inspiração]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2006/12/27/quando-falta-a-inspiracao/</link>
<pubDate>Wed, 27 Dec 2006 05:19:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2006/12/27/quando-falta-a-inspiracao/</guid>
<description><![CDATA[Há nove dias não escrevia. Raramente fiquei tanto tempo sem postar algo. Deve-se às festas de final ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Há nove dias não escrevia. Raramente fiquei tanto tempo sem postar algo. Deve-se às festas de final de ano, acho. Não que eu esteja envolvido com algumas delas. Pelo contrário: caso eu fosse escrever, sairiam palavras de repúdio, nojo ou desprezo por estas comemorações, inclusive o Natal. Coisas do tipo já fiz em <a href="http://bichoderondonia.com/2006/10/07/desde-outubro-pelo-fim-do-natal/">outras oportunidades</a>. Não vale a pena repetir este mantra da minha insatisfação com as datas comemorativas. Corro o risco de me tornar chato e inoportuno (se é que já não me tornei).</p>
<p>Talvez alguém pergunte: mas o que faz este bicho que não atualiza o blog? Faço muitas coisas. Continuo trabalhando. Mesmo Jogo (ou Same Game: quem lê entenda) me ajuda no serviço, entre uma linha de código e outra. Entre alguns minutos (posso contar uma noite em minutos, não posso?) de Warcraft, umas partidas de Fifa 2007, um pouco de Beethoven, um pouco da Bíblia, um pouco de Dostoiévski, um pouco de C. S. Lewis, um pouco de Chrno Crusade, um pouco de contrabaixo e um pouco de discussão com amigos sobre Warcraft, Fifa, Beethoven, Bíblia, C. S. Lewis, Chrno Crusade e outros animes, acabo fazendo um lanche, dormindo ou me entregando a algo inútil como o Orkut.</p>
<p>Achei que com o fim do curso iria sobrar bastante tempo para fazer muitas coisas. Pura ilusão. O tempo sempre nos escapa sem que se perceba.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Prática da autoridade]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2006/11/06/pratica-da-autoridade/</link>
<pubDate>Mon, 06 Nov 2006 23:53:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2006/11/06/pratica-da-autoridade/</guid>
<description><![CDATA[Recentemente representei involuntariamente um dos personagens de uma peça inaudita. Em um final de m]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Recentemente representei involuntariamente um dos personagens de uma peça inaudita. Em um final de manhã de domingo, eu e um amigo andávamos de motocicleta por uma rua vazia. Meu amigo não usava capacete, enquanto eu estava com o capacete levantado à altura da testa para poder melhor conversar com ele. Ao nos aproximarmos de um cruzamento, passou na rua perpendicular à que estávamos uma viatura da Polícia Militar. Do carro saiu uma voz rude ao cruzar a nossa frente, gritando algo contendo a palavra capacete. Como o carro continuou e  não imaginei que ele pudesse estar se dirigindo a mim, que estava com o capacete na cabeça, sequer dei atenção. Contudo, o policial gritou, mais à frente, uma segunda vez, com a cabeça fora da janela, e desta vez identifiquei a frase:</p>
<p style="text-align:justify;"> - <span style="font-style:italic;">Coloca </span><span style="font-style:italic;">esse capacete direito nessa cabeça, rapá! </span>(sic)<span style="font-style:italic;"></span></p>
<p>Como meu amigo já me tentava acenar, o policial gritava era comigo, e inclusive pedia ao motorista para fazer voltar a viatura. Ironicamente, enquanto esbravejava à distância comigo, outro motociclista, sem capacete, ultrapassava a viatura &#8211; em um cruzamento!</p>
<p>Depois de juntamente com outras pessoas tentar por muito tempo entender porque o policial ignorou duas claras e deliberadas infrações à legislação de trânsito para se preocupar com uma coisa menor, banal e momentânea, não cheguei a nada muito claro. Só posso arriscar que aquele militar entende errado o que é autoridade, ou seja, acha que autoridade é um privilégio que lhe concedido, e que ele pode usar conforme desejar ou bem entender, de acordo com seus critérios, que ele julga absolutos. Tento explicar a seguir.</p>
<p>Autoridade, longe de ser um privilégio, entendo, é uma responsabilidade. Quem exerce autoridade tem o dever, este sim absoluto, de ser coerente, équo e respeitoso, sob pena de perder o respeito e a estima devidas a uma autoridade.</p>
<p>No caso específico, o próprio policial que gritou comigo já foi visto por meu amigo em várias situações com o capacete à altura da testa. Não que isto, sendo um erro, justifica-se por que aquele que deveria zelar pelo cumprimento do que é correto é repreensível na prática, mas a justiça cobrada dos outros deve ser cumprida por quem cobra. Toda a sociedade quer, além de ver a justiça ser cumprida e cobrada pela autoridade, ver também a justiça na própria autoridade. Do contrário, como ver seriedade em uma autoridade que não é coerente?</p>
<p>Ainda pergunta-se: como explicar o tratamento diferenciado a mim? Por que coar o mosquito e deixar passar o camelo? Não há porquê. Ele não podia aplicar uma pena a mim, segundo seus critérios pessoais, e deixar passar os outros pelos seus mesmos motivos obscuros. A autoridade não é dele para que ele exerça como quer, mas é exercida através dele. Ou implicasse com todos os envolvidos, ou com ninguém. Se ele me achou mais feio, problema dele. Como ver seriedade e estimar uma autoridade que não demonstra eqüidade?</p>
<p>Além de fazer cumprir aquilo que é justo, existe ainda uma questão quanto à forma de fazê-lo. O policial gritou comigo como se eu estivesse sendo apanhado em uma inequívoca e imoral prática criminosa, como se eu fosse um delinqüente que vivesse de dar problemas à polícia. Não sei se o autor da infelicidade me confundiu com alguém, mas ele pode ter certeza, caso queira saber, que jamais precisou separar uma briga em que eu estivesse envolvido, ou nunca precisou me remover do meio da rua devido a uma noite de álcool e libertinagem. E mesmo que tivesse me apanhado várias vezes em tais condições, por que deveria gritar comigo de uma forma tão dura? Em qual estranho aspecto emocional meu capacete meio colocado o feriu? Qual ponto da lei meu terrível e tremendamente repreensível ato de por o capacete até metade do rosto infringiu de forma tão avassaladora para que fosse suficiente tratar-me como a um vadio? Que imoralidade cometi para ser justo o tratamento dado? Certamente, qualquer que fosse minha infração, não seriam necessários gritos.</p>
<p>Uma autoridade que não respeita dificilmente será respeitada. Se ela chama a atenção e corrige com gritos e grunhidos, será replicada com gritos e grunhidos maiores ainda. O que esperar de uma autoridade que, ao zelar pela lei que visa proteger o homem, desrespeita este?</p>
<p>Não sei se aquele policial perceberá algum dia, mas pelo menos eu aprendi com este episódio tolo que autoridades justas e dignas têm mais deveres que prerrogativas. Muito mais. Sinceramente, passo até a desconfiar dos interesses ou dos conceitos de quem  considera a própria autoridade um grande privilégio.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Desde Outubro, pelo fim do Natal]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2006/10/07/desde-outubro-pelo-fim-do-natal/</link>
<pubDate>Sat, 07 Oct 2006 01:06:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2006/10/07/desde-outubro-pelo-fim-do-natal/</guid>
<description><![CDATA[Estava desconfortável, escuro e frio&#8230; O cheiro dos animais invadia o curral Onde a virgem Mari]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style="font-style:italic;">Estava desconfortável, escuro e frio&#8230;</span><br />
<span style="font-style:italic;">O cheiro dos animais invadia o curral</span><br />
<span style="font-style:italic;">Onde a virgem Maria trouxe ao mundo</span><br />
<span style="font-style:italic;">O Príncipe da Paz, o único capaz</span><br />
<span style="font-style:italic;">De transformar o caos em harmonia,</span><br />
<span style="font-style:italic;">A tempestade em calmaria,</span><br />
<span style="font-style:italic;">Corações sujos como aquela estrebaria</span><br />
<span style="font-style:italic;">Em um lindo shopping center decorado pro Natal&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;">Estava ouvindo esta música do Fruto Sagrado. E enquanto ouvia pensava profundamente sobre o nascimento de  Jesus. A certa altura, pensei &#8220;por que estou ouvindo esta música se ainda não é dezembro&#8221;? Um pouco depois pensei &#8220;por que estou questionando estar ouvindo esta música fora de dezembro&#8221;? Então lembrei: &#8220;ah, sim, é porque se comemora o Natal em dezembro&#8221;.</p>
<p>Então comecei a pensar mais nisso. Lembrei como é difícil ver gente falando sobre o nascimento de Jesus fora das semanas que antecedem o Natal. Lembrei como é raro que se cante ou se ouça músicas que falem do nascimento de Cristo fora da época de Natal. Lembrei como até mesmo nas igrejas o nascimento do Messias é abordardo praticamente apenas no final do ano. Imagino que quase todas as pessoas que lerem o começo deste texto estranharão que uma postagem datada de Outubro fale sobre as circunstâncias do parto do Emanuel. Chego a conclusão com isto que o Natal, como boa parte das datas comemorativas, tem efeito reverso.</p>
<p>A intenção da data comemorativa é até boa. A razão de uma data especial existir é fazer com que as pessoas lembrem de algo importante naquela data. Entretanto, esta prática tem complicações sérias: as pessoas passam a se lembrar do algo importante apenas na data separada!</p>
<p>Para citar um exemplo, lembro de uma música antiga que diz:</p>
<p><span style="font-style:italic;">Eis morto o Salvador, na sepultura</span><br />
<span style="font-style:italic;">Mas com poder, vigor, ressuscitou!</span></p>
<p><span style="font-style:italic;">Da sepultura saiu, com triunfo e glória ressurgiu!</span><br />
<span style="font-style:italic;">Ressurgiu vencendo a morte e seu poder,</span><br />
<span style="font-style:italic;">Pode agora a todos vida conceder!</span><br />
<span style="font-style:italic;">Ressurgiu, ressurgiu! Aleluia, ressurgiu!</span></p>
<p>Lindíssima canção. Amo esta letra. Contudo, já fui testemunha de alguém que considerou, de certa forma, uma tolice cantar esta música em uma ocasião que não a Páscoa. A Ressurreição do Salvador, por meio de uma bela música, teria data específica para ser lembrada?</p>
<p>Por estas e outras, sou contra as datas comemorativas, especialmente o Natal. Se tudo indica que Jesus não nasceu em Dezembro, e se a idéia do 25 de Dezembro faz as pessoas esquecerem do nascimento mais importante da história o restante dos dias do ano, por que continuar comemorando o nascimento de Cristo nesta data? Se as datas comemorativas acabam tendo efeito tão prejudicial, então digo não a elas, e recomendo (sem qualquer sucesso, admito) que as pessoas façam o mesmo.</p>
<p>Ainda existe outro problema, talvez o pior deles. A melancolia que sinto em datas especiais, tanto pelo tempo perdido em um feriado inútil quanto pela hipocrisia das pessoas nestas datas, em especial no Natal, sempre ele, me faz muito mal. Tenho até calafrios quando lembro que daqui a dois meses e meio vou ter que encarar mais um Natal. Deus me ajude, tanto a encarar as tristezas dos feriados quanto a lembrar do nascimento do Redentor todos os dias do ano &#8211; até mesmo em uma quente noite de início de Outubro.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Em busca da verdade sobre a mente feminina: a preferência afetiva]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2006/08/14/em-busca-da-verdade-sobre-a-mente-feminina-a-preferencia-afetiva/</link>
<pubDate>Mon, 14 Aug 2006 15:37:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
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<description><![CDATA[Como que alertado por uma luz em meio a densas trevas, a chegada dela faz voltar-me logo o olhar em ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Como que alertado por uma luz em meio a densas trevas, a chegada dela faz voltar-me logo o olhar em contemplação. E ela vem como que parando o tempo à sua volta. A partir daí nada é melhor que embriagar-me de tanto vê-la. O rosto, fazendo-lhe anjo, é como que feito apenas de luz, assim como o corpo, virginalmente intocável, vestido como que por um véu que protege o que é santo. Os olhos, mares de safiras brilhantes, líquidas, pois neles é possível afogar-se. Os cabelos, fios de ônix, pesadamente negros. Único rumor de trevas naquela alvura, envolvem-lhe a face como que apenas para não deixar-lhe escapar a última beleza possível: a do contraste.<br />
À sua volta, todo som é rude, toda flor é murcha, todo perfume não tem cheiro, todas as coisas perdem sua cor e sua beleza. Um floco de algodão é ríspido perante ela.</p>
<p><span style="font-weight:bold;">O fato</span></p>
<p>A pieguice reinante nos parágrafos anteriores são palavras resultantes de meus sentimentos. Imaginei a entrada de uma belíssima moça (real) em um ambiente (irreal) onde eu já estaria, imerso em tédio e tristeza. A suposta entrada triunfal da minha suposta querida foi narrada utilizando o que eu pude regurjitar do meu lirismo apaixonado simulado.<br />
Como continuação da história, vamos ao que realmente acontece. No suposto ambiente entra a moça, realmente bela e realmente bem vestida mesmo sem poesia, e procura alguém. Enquanto isso, ao vê-la, no melhor que eu posso produzir de piegas, associo safiras aos olhos azuis e ônix ao cabelo negro, e a partir daí o resto do Universo deixa de existir enquanto eu tento encontrar as palavras para dois parágrafos da pior produção literária romântica possível.<br />
Enquanto faço a varredura mental pelos termos corretos, polidos e elegantes, a moça passa por mim, reconhece quem ela procura a alguns metros atrás (um rapaz, mais bonito que eu, que sequer sabe o que significam os termos safira, ônix, alva, contraste e virgem) e, com um sonoro beijo estalado, acorda-me da divagação,  sem saber (como poderia?) que está me lançando de volta às trevas do tédio e da tristeza, de volta à realidade da minha insensatez. Mesmo tendo sido apenas uma declaração mental, sinto vergonha. Deus viu tudo. No lugar dEle, eu estaria às gargalhadas ao ver uma cena tão patética.</p>
<p><span style="font-weight:bold;">Desfazendo mitos</span></p>
<p>Partindo da ficção-quase-real acima, de experiências próprias e de observação, tem-se o seguinte:</p>
<p><span style="font-style:italic;">Mulheres gostam de ouvir belas palavras</span>. Falso. Gasto metade do meu processamento cerebral na busca por palavras bonitas, e posso garantir que isto está longe de ser um diferencial.</p>
<p><span style="font-style:italic;">Aparência não importa para as mulheres</span>. Falso. Para elas o homem só precisa abrir a boca para que se confira a beleza dos dentes e a aceitabilidade do hálito. Quase tudo que interessa para uma mulher em um homem é visível.</p>
<p><span style="font-style:italic;">Mulheres gostam de homens inteligentes</span>. Absurdamente falso. Enquanto você está explicando porque gostou de Crime e Castigo fazendo profundos comentários sobre o livro, ela provavelmente está pensando: &#8220;Dostoiévski o caramba, eu quero é beijar na boca!&#8221;.</p>
<p><span style="font-weight:bold;">Considerações finais</span></p>
<p>Do que as mulheres gostam então? Não faço idéia. Se fizesse, não seria tão mal sucedido. Mas uma coisa eu descobri nestes anos de insucesso: mulheres gostam de homens com atitude. Isto é verdadeiro. Disse que quase tudo que é importante para elas é visível. Pois é, o que resta de importante é a atitude. Homem, para elas, é a soma de beleza e atitude. O resto, mesmo sendo poeta ou inteligente, serve apenas pra ser amigo.</p>
<p>Uma vez nesta conclusão, a pergunta seguinte é: o que vem a ser esta atitude? Aí tem-se outro problema. Não faço idéia do que ela seja. Não há regras nem fórmulas conhecidas que a determinem. Já tive problemas por desconhecer a definição disto. Vejo amigos corajosos e destemidos, dando suas caras a tapa e partindo pra cima, sendo considerados safados e imorais, e vejo outros, inclusive eu, mais reservados e cautelosos, sendo considerados tímidos tolos.</p>
<p>É preciso também deixar claro ainda que o conceito de beleza que elas têm, aparentemente algo objetivo, é completamente imprevisível. Para algumas mulheres considerarem <a href="http://www.theage.com.au/ffximage/2004/12/02/saw_wideweb__430x249.jpg">Leigh Whannell</a> (Jogos Mortais) bonito, deve haver algo de aleatório também naquilo que determina beleza.</p>
<p>Contudo, esta aleatoriedade não varia de mulher para mulher, pois é evidente que um grande número de mulheres corre atrás de um pequeno número de homens. Então, os interesses são comuns, e a aleatoriedade dá os mesmos resultados em cérebros diferentes e em momentos diferentes, assim como a função <span style="font-size:85%;"><span style="font-family:courier new;">random</span></span> do Pascal.</p>
<p>A conclusão final é que a preferência feminina é determinada por algo como um desconhecido algoritmo determinístico que apenas parece ser aleatório. Isto é, se você não está predestinado a ter a preferência das mulheres, conforme-se e espere em Deus. Só Ele pra ajudar você caso suas características não sejam as mesmas obscuras que dão resultado positivo ao final do algoritmo de determinação de preferência afetiva femininina.</p>
<p>E alguém ainda fala que o amor humano é justo? Haja desigualdade!</p>
<p>Alguém ainda pode perguntar: Teo, nada se aplica pois na sua historinha, você não disse suas palavras para a moça, e como sabe que ela continuaria ignorando você?</p>
<p>Resposta: não interessa, eu não tenho atitude! Jamais diria a ela semelhante coisa. Ou seja, estou fora de combate. Na verdade, houveram sim umas pouquíssimas vezes em que passei por cima da timidez e da falta de atitude, mas fui de igual modo mal sucedido. Isto quer dizer que não tem jeito: o algoritmo me é contrário.</p>
<p><span style="font-size:85%;"><span style="font-weight:bold;">Atenção! </span>Este post é mera ficção/humor. Lembre-se disto antes de comentar. Qualquer semelhança com a realidade pode ser coincidência. Pode ser.</span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A inversão da ordem e dos provérbios]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2006/06/10/a-inversao-da-ordem-e-dos-proverbios/</link>
<pubDate>Sat, 10 Jun 2006 12:11:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
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<description><![CDATA[Parece que ouvimos uma toupeira gritando: &#8220;Que gente que me causa lástima com o seu sol!]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style="font-style:italic;"></p>
<blockquote><p>Parece que ouvimos uma toupeira gritando: &#8220;Que gente que me causa lástima com o seu sol!&#8221; (Victor Hugo)</p></blockquote>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;">Hoje em dia fica-se à vontade com a mediocridade. Ela é celebrada e cantada, como se as coisas não pudessem ser melhores, como se não buscar coisas maiores fosse correto, como se o esforço para se alcançar o que é elevado não valesse a pena.</p>
<p style="text-align:justify;">&#160;</p>
<p style="text-align:justify;">As pessoas, não bastasse sentirem-se confortáveis na condição de medíocres, desdenham dos que buscam coisas mais elevadas. É estranho e difícil de acreditar, mas há quem tenha vergonha se dar bem nos estudos e de ter grandes idéias e projetos. A pequenez, paradoxalmente, sufoca os grandes.</p>
<p style="text-align:justify;">&#160;</p>
<p style="text-align:justify;"> Que autoridade teria um mau aluno para ridicularizar um bom aluno por ter bom desempenho escolar? Nenhuma, obviamente. Mas é o que acontece. O candidato a gigante acaba por ceder à força dos já nanicos, que são maioria. Desde cedo, a sociedade nivela-se por baixo.</p>
<p style="text-align:justify;">&#160;</p>
<p style="text-align:justify;"> Mais tarde, o jovem aprende a engolir as mazelas à sua volta sem titubear, mazelas estas que o acompanharão (e exigirão serem engolidas) pelo resto de sua vida. Obriga-se ele a não mover um dedo sequer para transformar esta realidade, pois os que o fazem, embora bem vistos pelos poucos lúcidos, são rotulados como perigosos, loucos, fanáticos, radicais, ridículos ou excêntricos. A baixeza é de uma passividade patológica, e exige que os à sua volta sejam igualmente apáticos.</p>
<p style="text-align:justify;">&#160;</p>
<p style="text-align:justify;"> Estranhíssima ordem esta em que os tolos desprezam os sábios, os desleixados zombam dos aplicados, os corruptos tratam de humilhar os puros e os verdadeiros são ridicularizados pelos mentirosos. Os grandes não são mais heróis nem exemplos. Ao contrário: os levianos encontram neles inspiração para interpretar suas cenas zombeteiras. Em terra de cego, quem tem um olho sofre com preconceito e escárnio&#8230;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Encontrando-se no Universo da Computação]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2006/05/27/encontrando-se-no-universo-da-computacao/</link>
<pubDate>Sat, 27 May 2006 00:06:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
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<description><![CDATA[É insano, mas muitas vezes as pessoas se sentem forçadas a escolher a profissão que vão exercer pelo]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">É insano, mas muitas vezes as pessoas se sentem forçadas a escolher a profissão que vão exercer pelo resto de suas vidas aos dezesseis anos. O ideal seria escolher um pouco mais tarde, mas já que as coisas são assim, pretendo ajudar. Minha ajuda será bem específica: diz respeito a jovens que se sentem impelidos para a área de Computação.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Antes de mais nada, digo que é uma área esplêndida. As possibilidade são incontáveis, e a prática é gratificante. Afirmo que existe pouca coisa melhor que passar quatro horas madrugada a dentro resolvendo um problema, tendo à frente um editor de textos, no <span style="font-style:italic;">background</span> um compilador sádico esperando para apontar cada erro sintático de seu código, à volta várias manchas de café pelo ambiente de trabalho e, depois de muitos cabelos arrancados, ver saltar na tela, acompanhado de um indescritível sentimento de satisfação, a esperada saída correta de um belíssimo programa, plenamente funcional.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Mas Computação, se felizmente ou infelizmente não sei dizer, não se limita a isso. Há muitas áreas e muitos campos. É uma pena que eu não tivesse plena consciência disto quando iniciei os estudos na área há três anos e meio. A falta de informação a respeito do que é realmente esta área me levou a cometer um erro acadêmico-profissional: vou me formar no curso errado!</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Antes de dizer qual curso se trata, advirto que ele é o curso errado para mim, mas pode ser o melhor curso possível para outra pessoa. Tudo depende do perfil. E o meu não é condizente com meu curso – Sistemas de Informação. É assim com a Computação – dentro da mesma área, uma pessoa pode se realizar ou se frustrar pro resto da vida.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Por isso, é preciso conhecer bem para não achar que todos os cursos de Computação levarão ao mesmo lugar. É necessário pensar bem nas próprias afinidades e anseios antes de prestar o vestibular para Ciência da Computação ou Sistemas de Informação.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Se a pessoa gosta do ambiente empresarial, tem prazer em lançar planos de migração, traçar metas, definir políticas de uso da tecnologia, desenvolver softwares comerciais, modelar uma realidade comercial, entre outras coisas do gênero, ela será feliz em Sistemas de Informação.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Por outro lado, se a pessoa tem prazer em resolver problemas complexos, trabalhar com coisas a níveis mais baixos de abstração, criar novas técnicas para uso dos profissionais da área, compreender paradigmas computacionais e melhorá-los, se possível, entre outras coisas interessantes, Ciência da Computação será a escolha certa.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Tudo depende da afinidade e da personalidade. Dentro destes dois cursos ainda existe uma gigantesca árvore de possibilidades para se seguir na carreira acadêmica e profissional. Mas isso já é uma escolha que se fará durante a vida acadêmica. Para a escolha inicial esta informação (que infelizmente não tive) já ajuda.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Espero sinceramente que eu possa ajudar alguém a escolher corretamente na hora do vestibular para que, ao final do curso, ela não esteja, assim como eu, ligeiramente frustrada e com um certo sentimento de que algo saiu errado. A esta altura já será um pouco tarde para considerar isto.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre porque detesto o dia de meu aniversário II]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2006/05/23/sobre-porque-detesto-o-dia-de-meu-aniversario-ii/</link>
<pubDate>Tue, 23 May 2006 00:06:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
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<description><![CDATA[É inútil tentar esconder o dia em que nasci. O mural do trabalho e o informativo externo da empresa ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"> É inútil tentar esconder o dia em que nasci. O mural do trabalho e o informativo externo da empresa denunciam. Os diversos cadastros feitos pela Internet e pelo comércio em geral não me permitem tornar esse dia secreto. Recebo geralmente várias mensagens através do Orkut e dos e-mails, e também alguns cartões e telemensagens. Menos do que meus amigos e colegas de trabalho, é verdade, até porque, justiça seja feita, o esforço de esconder não é lá tão em vão assim. Mas ainda recebo. Boa parte é impessoal. Cartas padrão geradas por um software qualquer, cartões e emails automáticos de uma empresa da qual sou cliente, e por aí vai. Acredito que nem preciso dizer que detesto estes. Contudo, detesto com mais força ainda mensagens pessoais falsas ou interesseiras, principalmente pela realidade de não conseguir identificá-las como tais.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"> Pessoas que sequer gostam de mim ou que têm algum interesse obscuro em que eu me lembre delas me dão parabéns ou enviam mensagens. Amigos sinceros também mandam. Como separar um de outro? Não há como a princípio. Ambos mandam no dia marcado uma bela mensagem ou presente para me felicitar. Não sou capaz de julgar intenções. Corro o risco ainda de ver um grande amigo, por um motivo plenamente justificável, esquecer-se da data. Com isso, dou mais valor ao hipócrita ou ao interesseiro que me deu os parabéns que ao meu sincero amigo que se esqueceu por razões válidas, assim como eu já esqueci de aniversários de pessoas que estimo bastante.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"> Por isso, sempre peço aos meus amigos verdadeiros que não se lembrem de meu aniversário, ou que pelo menos não me mandem nada no dia. Esforço-me para que meus novos amigos não saibam da data. Peço constantemente que sejam meus amigos todos os dias do ano. Peço que, se há algo para dizer, se há mensagem a enviar, que enviem qualquer dia, a qualquer hora. Se há um presente a dar, que dêem qualquer dia, a qualquer hora. Melhor é ter um único amigo verdadeiro todos os dias que uma multidão que lembra-se apenas um dia no ano de que é preciso ser amigo.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"> Tenho cada vez mais deixado de lado o ato de parabenizar uma pessoa no dia do seu aniversário, mesmo que seja muito querida. Não que tenha deixado de gostar ou amar, espero que todos entendam. Apenas porque julgo iguais todos os dias, e julgo dever amar da mesma forma todos os dias. Sendo assim, prefiro que procedam da mesma forma comigo. Agradeço com sinceridade a quem me parabeniza, me felicita ou me presenteia. Sei que muitos deles são sinceros e têm boa intenção. Mas preferiria que a expressão “feliz aniversário” não existisse, ou pelo menos não fosse direcionada a mim.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre porque detesto o dia de meu aniversário I]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2006/05/23/sobre-porque-detesto-o-dia-de-meu-aniversario-i/</link>
<pubDate>Tue, 23 May 2006 00:05:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2006/05/23/sobre-porque-detesto-o-dia-de-meu-aniversario-i/</guid>
<description><![CDATA[Ver os dias passando e com eles as oportunidades, as alegrias efêmeras da juventude, o vigor, o ânim]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"> Ver os dias passando e com eles as oportunidades, as alegrias efêmeras da juventude, o vigor, o ânimo e a esperança e sentir crescendo a idade e, em igual ou maior proporção, a mediocridade é horrível. Percebo-me com vinte anos e nada mais. Nada que seja digno de nota ou lembrança. Apenas duas décadas de vazio.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"> Não me julgo jovem demais para ter feito algo para preencher o espaço em branco. O profeta Daniel não tinha mais do que vinte anos ao se tornar um dos maiorais da Babilônia por sua sabedoria, fé e firmeza. Rimbaud assombrou com sua poesia aos dezessete anos, assim como vários poetas brasileiros que, com a vida abreviada às proximidades dos vinte, deixaram um deslumbrante legado. Há doutores de dezoito anos. Jovens de dezenove foram heróis, na guerra ou na barricada, lutando por ideais elevados. E eu sou, hoje, mais velho do que todos eles. E o que fiz até agora? Nada.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"> Cada ano será pior que o que o antecede. O sentimento que o tempo vai se esvaindo será a cada verão mais forte. A cada ano será maior o meu esforço para que a data do meu aniversário seja esquecida, para que pereça o dia em que nasci, e a tarde em que se disse: foi concebido um homem!*</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"> Não se tratava do meu desejo, esclareço, ser importante ou famoso, ter a mente mais brilhante ou a melhor poesia, ou ainda ter realizado um grandioso ato de heroísmo, mas sim apenas ser melhor do que sou em fé, amor, sinceridade, firmeza, dignidade e honra. Não consegui. Não fui capaz. Por isso o dia em que nasci não é digno de ser lembrado, contado ou comemorado. Não há nada o que comemorar no dia do meu nascimento. Não há nada para ser relembrado. Pelo contrário: não quero lembrar destas coisas. Esqueça-se este dia.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-size:85%;"><br />
</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-size:85%;"> * paráfrase de Jó 3:3</span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>

</channel>
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