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	<title>economia-da-academia &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/economia-da-academia/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "economia-da-academia"</description>
	<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 05:18:34 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Aula e pesquisa]]></title>
<link>http://gustibusgustibus.wordpress.com/2009/05/28/aula-e-pesquisa/</link>
<pubDate>Thu, 28 May 2009 09:30:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>claudio</dc:creator>
<guid>http://gustibusgustibus.wordpress.com/2009/05/28/aula-e-pesquisa/</guid>
<description><![CDATA[Cristiano começou uma discussão muito interessante. Erik resumiu e difundiu mais ainda o ponto. Apar]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Cristiano começou uma <a href="http://cristianomcosta.blogspot.com/2009/05/pesquisa-vs-ensino.html">discussão muito interessante</a>. Erik resumiu e difundiu mais ainda <a href="http://hazardm.blogspot.com/2009/05/ensino-e-pesquisa.html">o ponto</a>. Aparentemente, é uma boa desculpa para picaretas pois qualidade de ensino e pesquisa poderiam não ser bens complementares. Também é um bom ponto para se pensar seriamente sobre o que fazem alunos e professores em faculdades.</p>
<p>Claro, há várias combinações. Basicamente, há alunos que só querem mesmo o diploma (se a faculdade tiver um &#8220;bom nome&#8221;) e os que querem estudar. Alunos, claro, podem ser de vários tipos, simplificadamente, bons e ruins (em termos de capital humano acumulado).</p>
<p>Professores, por sua vez, podem dedicar seu tempo a três atividades: pesquisa, ensino e lazer (uma quarta existe se ele trabalhar também na área burocrática). Em resumo, a lei de que o total de horas em um dia é igual a 24 implica que pesquisa + ensino + lazer (+ burocracia) = 24. Pensando-se que dormir faz parte do lazer, claro, não há como escapar: existe uma substituição entre o tempo dedicado a cada atividade. Pode-se discutir se um minuto gasto em pequisa é exatamente igual a um minuto perdido em &#8220;24 &#8211; restante&#8221;, mas isto não muda o fato de que há, de fato, um <em>trade-off</em>.</p>
<p>Uma idéia que tem me ocorrido cada vez mais ao longo destes quase 20 anos de sala de aula (isto significa que a amostra é grande, não necessariamente que eu seja um mestre do saber) é que quase tudo é sinalização. Diploma, para 100% dos alunos, é só um papel que deve significar um x% de aumento de salário segundo a carreira de alguma empresa na qual trabalha. Ou então é um sinal que, supostamente, imputa-lhe alguma competência&#8230;até a hora do processo produtivo em si.</p>
<p>Dar boas aulas e ser um péssimo pesquisador é uma característica comum por aí. Mais difícil é encontrar um bom professor que também seja um bom pesquisador. Geralmente, claro, maus professores que não pesquisam se acomodam em escolas de má qualidade ou saem do mercado.</p>
<p>Se a aula tem acréscimo desprezível no aprendizado do aluno &#8211; já que a sinalização é o jogo &#8211; então deveríamos partir para uma estratégia de ensino fortemente ligado à pesquisa, caso queiramos fazer algo de útil com os alunos. Em outras palavras, deveríamos promover uma interação dos alunos com atividades de pesquisa.</p>
<p>Nestas horas, eu sei, você vai me dizer: &#8220;Mas, Cláudio, e se o cara não quiser? E se ele achar que aquilo não é importante na vida dele&#8221;? Bem, então pelo menos o professor deveria se dedicar mais à pesquisa. Ao menos alguém, no todo, estaria melhorando o capital humano total da sociedade.</p>
<p>Há vários pontos interessantes a serem discutidos aqui.</p>
<p>Por exemplo, como fica a faculdade privada com seus recursos escassos? No Brasil, há poucos exemplos de faculdades privadas com esforço em <a href="http://gustibusgustibus.wordpress.com/2009/05/25/publicacao-academica/">pesquisa de alta qualidade &#8211; e há muitas com elevado esforço em pesquisas de baixa qualidade</a>. O exemplo não é exclusivo do setor privado, perceba. É um fenômeno generalizado. Ainda assim, muita gente do setor privado pensa que é possível ter o melhor dos dois mundos sempre (ou chuta o balde e vende a mediocridade total).</p>
<p>Outro ponto, derivado da discussão do Cristiano, é como trabalhar na função de produção do ensino para tornar as atividades mais Cobb-Douglas e não tanto substitutas perfeitas (ou complementares perfeitas). Se a única coisa que acontece é alunos bons se destacarem sobre alunos ruins, então seria de se esperar que os primeiros se interessassem um pouco por pesquisa. Claro, pode-se discutir mecanismos de tentar transformar as laranjas podres em boas laranjas (isto é possível, no que tange ao ensino, mas não tenho evidências empíricas significativas).</p>
<p>Mais ainda, a discussão sobre pesquisa, aluno e professor passa por uma mudança na atividade didática do professor. Ao invés de se fornecer, de mão beijada, dados já deflacionados, bem-comportados, com instruções detalhadas (como a que se dá a uma criança), o correto seria alterar o foco para instruções genéricas que obrigassem os alunos a aprenderem, por conta própria, a construirem suas bases de dados.</p>
<p>Perguntas como: qual a melhor proxy para a demanda de moeda, qual o índice de inflação adequado neste caso, qual é a especificação funcional da demanda de moeda a ser estimada, etc, todas seriam estímulos para os bons alunos melhorarem e os maus alunos se decidirem se querem melhorar ou capitular.</p>
<p>Este é apenas um exemplo. Claro, há muito o que se elaborar sobre o tema. Mas acho que o Cristiano deu um chute inicial muito bom. A pelota, como dizem, está no ar.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[A ideologia dos professores]]></title>
<link>http://gustibusgustibus.wordpress.com/2009/03/01/a-ideologia-dos-professores/</link>
<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 12:46:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>claudio</dc:creator>
<guid>http://gustibusgustibus.wordpress.com/2009/03/01/a-ideologia-dos-professores/</guid>
<description><![CDATA[Daniel B. Klein and Charlotta Stern PROFESSORS AND THEIR POLITICS: THE POLICY VIEWS OF SOCIAL SCIENT]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><blockquote><p><a href="http://www.criticalreview.com/2004/pdfs/klein_stern.pdf">Daniel B. Klein and Charlotta Stern</a></p>
<p>PROFESSORS AND THEIR POLITICS: THE POLICY VIEWS OF SOCIAL SCIENTISTS</p>
<p>ABSTRACT: Academic social scientists overwhelmingly vote Democratic, and the Democratic hegemony has increased significantly since 1970. Moreover, the policy preferences of a large sample of the members of the scholarly associations in anthropology, economics, history, legal and political philosophy, political science, and sociology generally bear out conjectures about the correspondence of partisan identification with left/right ideal types; although across the board, both Democratic and Republican academics favor government action more than the ideal types might suggest.Variations in policy views among Democrats is smaller than among Republicans. Ideological diversity (as judged not only by voting behavior, but by policy views) is by far the greatest within economics. Social scientists who deviate from left-wing views are as likely to be libertarian as conservative.</p></blockquote>
<p>Daniel Klein tem sido um nome relevante no debate sobre o viés ideológico na Academia norte-americana. Em <a href="http://www.independent.org/publications/article.asp?id=2434">outro texto</a>, interessante mas algo incompleto, os mesmos autores dizem o seguinte:</p>
<blockquote><p>Most intellectuals develop ideological sensibilities by the age of twenty-five or thirty (Sears and Funk 1999), and afterward they rarely revise them substantially. Intellectual delight and existential comfort are taken not in reexamining prior decisions, but in refining and developing ideas along the lines already mastered (Ditto and Lopez 1992; Nickerson 1998). Professors are likely to respect scholars who pursue questions similar to their own and who master similar modes of thought. They are not likely to respect scholars who pursue questions predicated on beliefs at odds with their own. Indeed, if a scholar is engaged in a task that might threaten a colleague’s sense of self, he may give rise to personal distress and create acrimony between them. Professor A might lose standing and credibility with students if a colleague, Professor B, who is teaching those same students in a different course, exploded some of the premises of Professor A’s course materials, lectures, and writings.</p></blockquote>
<p>Será que os professores se deixam levar por suas ideologias frequentemente? E esta história do sujeito já estar mais ou menos confortável com sua visão de mundo aos 25 ou 30 anos de idade? Concordo com o fato de que a ideologia é algo difícil de se entender, mas isto não implica que ela não esteja presente em nossas vidas. No caso da pesquisa acadêmica, acho que falta alguém que faça algo similar a Klein &#38; Stern. Gostaria de saber se existe o tal viés &#8220;esquerdista&#8221; que tantos citam &#8211; sem uma única evidência empírica, por mais pobre que seja &#8211; nas universidades brasileiras. Eu até suspeito que ele exista, mas minha experiência pessoal não é generalizável (qualquer um que tenha estudado&#8230;e entendido&#8230;um pouco de estatística sabe disso).</p>
<p>De qualquer forma, ficam para o leitor deste blog as referências para começar sua pesquisa na área.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Incentivos do governo distorcem desempenho de acadêmicos?]]></title>
<link>http://gustibusgustibus.wordpress.com/2007/10/19/incentivos-do-governo-distorcem-desempenho-de-academicos/</link>
<pubDate>Fri, 19 Oct 2007 15:12:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>claudio</dc:creator>
<guid>http://gustibusgustibus.wordpress.com/2007/10/19/incentivos-do-governo-distorcem-desempenho-de-academicos/</guid>
<description><![CDATA[Considere este trecho desta excelente entrevista: Academicamente, nas publicações, o Brasil avançou ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Considere este trecho <a href="http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3341&#38;bd=1&#38;pg=1&#38;lg=">desta excelente entrevista</a>:</p>
<blockquote><p>Academicamente, nas publicações, o Brasil avançou muito, mas não tanto do ponto de vista das aplicações, de uso da ciência. Em geral, nosso sistema de incentivos ainda é muito acadêmico. Veja o caso da Capes, uma instituição que todo mundo considera muito bem-sucedida, mas que está chegando ao limite do seu modelo: está montada para a valorização do trabalho acadêmico, tem muita dificuldade para apoiar áreas interdisciplinares e desestimula qualquer tipo de atividade em que exista um benefício que tenha a ver com resultados, com aplicações. A Capes tenta colocar todos os programas de pós-graduação no país dentro de um sistema unificado e coordenado de avaliação, mas este sistema já começa a se extravasar. O Brasil até hoje não conseguiu avançar com os mestrados profissionais, que são os que predominam em todo o mundo, porque eles não se sairiam bem nas avaliações da Capes.</p></blockquote>
<p>Lembra da discussão do Adolfo Sachsida (e minha) sobre os incentivos da CAPES e os programas de graduação e/ou pós-graduação de Economia? A dimensão acima &#8211; relação com o mercado &#8211; mostra que existe mais um problema sério a ser considerado.</p>
<p>Mas, e os incentivos à inovação?</p>
<blockquote><p>Uma queixa comum na área empresarial é que é muito complicado usar os fundos públicos de inovação. Como os procedimentos são lentos e não se sabe quando o dinheiro vai sair, muitas empresas acham que não vale a pena o esforço. Se o financiamento à inovação é muito subsidiado, existe o risco de as empresas buscarem o dinheiro e usarem para outros fins. Outra questão é o estímulo, a necessidade que as empresas têm de inovar. É uma questão que já não é mais da ciência, mas de economia. Algumas empresas competem no mundo em termos de inovação e eficiência, enquanto outras trabalham mais em quantidade, baixando os preços, porque conseguem mão-de-obra mais barata, e não têm como competir no nível da tecnologia mais alta.</p></blockquote>
<p>Notou, leitor, a deixa para se falar de &#8220;rent-seeking&#8221;? Subsídios podem gerar distorções nos esforços dos empresários, no sentido de levarem-nos a caçar renda (rent-seeking) e não a promover o bem-estar social através da busca de lucros.</p>
<p>Mais outro ponto: como os &#8220;progressistas&#8221; da &#8220;esquerda&#8221; &#8220;bolivariana&#8221;, os heróis dos alunos (doutrinados) de colégios atuam neste ambiente?</p>
<blockquote><p>Em relação aos centros acadêmicos de pesquisa, é importante desenvolver sistemas de incentivos que favoreçam mais a aplicação e a busca de resultados, e não somente os critérios acadêmicos de qualidade. As fundações universitárias, que existem na USP e em muitas universidades públicas, são uma maneira interessante de criar pontes mais efetivas com o mundo externo. Há um movimento, que eu diria muito reacionário, que busca derrubar essas pontes, argumentando que a universidade pública não pode receber dinheiro fora do orçamento e o professor não pode ter complementação salarial. Deveria ser o contrário. Um professor competente na área de computação que possa fazer contribuições importantes não tem de ganhar o mesmo que um professor de história, geografia, sociologia, que é a minha área, ou de ciência política.</p></blockquote>
<p>Notou, leitor? Tem sociólogo que deseja mesmo é ser, como diria Gaspari, ociólogo. Ou seja, o sujeito quer financiamento público (= mais impostos do resto da sociedade) para não fazer nada de aplicável. Que beleza! Os recursos escassos, gente passando fome (&#8220;quem tem fome tem pressa&#8221;, né?) e o sujeito quer dinheiro para fazer pesquisa sobre a fome sem qualquer aplicação prática. Até imagino aquele &#8220;construto&#8221; teórico bonito, cheio de desenhos e neologismos&#8230;mas sem nada de aplicável para resolver o problema da fome. Não acho ilegítimo que se construam teorias novas, claro. Mas Simon (o autor dos trechos) tem um ponto importante: mensuração de resultados.</p>
<p>Simon parece achar que a avaliação acadêmica está razoavelmente desenvolvida e, neste ponto, eu acho que ele é muito otimista. Mas isto não torna sua crítica menos relevante. Apenas mostra que o problema é maior.</p>
<p>Mas, claro, você poderia pensar que os acadêmicos da universidade pública devem estar revoltadíssimos com isto. Será?</p>
<blockquote><p>Na época do governo Fernando Henrique Cardoso, o Paulo Renato de Souza, como ministro da Educação, tentou mexer com as universidades públicas, dando-lhes mais autonomia e responsabilidade pela qualidade de seus resultados e uso adequado de recursos. Houve uma reação contrária muito forte e nada se fez. Na época do Itamar Franco, todos na universidade gostavam de Murilo Hingel, o ministro da Educação; ele sempre elogiava as universidades e não tinha nenhuma política para o setor. O atual governo faz também um pouco isso.</p></blockquote>
<p>Notou? Fala bem e dá dinheiro, sorrisos. Tente dar autonomia &#8211; o que significa mais responsabilidade &#8211; e você ganhará vaias. Lembra um pouco o comportamento de Peter Pan: não quer crescer nunca.</p>
<p>Bom, mas você pode se perguntar sobre o papel dos burocratas no desenvolvimento da ciência. Hoje mesmo discutimos eu e uns alunos sobre a tal política industrial.</p>
<blockquote><p>Eu nunca acreditei no planejamento da economia e muito menos no planejamento da ciência. Para se ter ciência é preciso uma comunidade científica livre. Deve ser livre, acadêmica, tem de ter instituições com independência. Ben-David mostra bem, em seus estudos, como foi assim que a ciência ocidental se desenvolveu. Além dele, Robert Merton, um dos principais nomes da sociologia norte-americana, havia desenvolvido a idéia da ciência como uma comunidade livre de scholars, que se contrapunha às tentativas de atrelar a ciência aos regimes políticos que, nas décadas de 1930 e 40, tentaram amarrar a ciência aos regimes autoritários da Alemanha nazista, antes, e à União Soviética stalinista, depois. Esses autores se opunham à tradição que se pode chamar bernalista, de John Desmond Bernal. Bernal era um inglês que desenvolveu pesquisas originais na área de cristalografia e contribuiu ativamente para o esforço de guerra de seu país contra a Alemanha. Era fascinado pela União Soviética, que citava como um grande exemplo de como se coloca a ciência a serviço da sociedade. Nisso ele seguia a tradição de Jean Perrin, físico e Prêmio Nobel francês, responsável, junto com Irène Joliot-Curie, pela organização do sistema científico francês no período do Froint Populaire na década de 1930. Para eles, a ciência tem de estar dentro do Estado, a serviço do planejamento, e ajudar a organizar a sociedade de acordo com critérios científicos.</p></blockquote>
<p>Conclusão? Gente muito inteligente em química nem sempre o é em economia (e vice-versa). Olha só como o sujeito bom de serviço desejava impor seu modo de ver à sociedade.</p>
<p>Vale a pena ler toda a entrevista. Mesmo.</p>
</div>]]></content:encoded>
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