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	<title>esbjorn-svensson-trio &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "esbjorn-svensson-trio"</description>
	<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 02:35:22 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Trecho XIV - Há Amor (Sirènes) ]]></title>
<link>http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/2009/11/05/trecho-xiv-ha-amor/</link>
<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 09:18:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>Andante</dc:creator>
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<description><![CDATA[Pensar que hemos de entrar en el cielo, y no entrar en nosotros&#8230; es desatino. Santa Teresa D]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:right;"><em>Pensar que hemos de entrar en el cielo,<br />
y no entrar en nosotros&#8230; es desatino</em>.</p>
<p style="text-align:right;">Santa Teresa D&#8217;Ávila</p>
<p style="text-align:left;">Leia <strong>O diário dos dias extraordinários</strong> completo</p>
<p style="text-align:left;">acessando o <a href="../indice/" target="_self">índice</a> disponível no cabeçalho acima.</p>
<p>Obrigado, desfrute!</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/nf1WFP7PxgQ&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/nf1WFP7PxgQ&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p>Como amar mais?<br />
Como amar tudo?<br />
Como amar por completo?<br />
Como amar o bastante?<br />
Como amar até o que não consigo amar?<br />
Com estas perguntas, sentei-me para meditar, colocando o <em>zafu</em> no corredor, entre a porta do escritório e ali onde Theo dormia sobre a colchonete.</p>
<p>Na superfície do lago havia marulhas, agitadas por um vento leve. Inspirando, expirando. Encontrava-me num estado bastante distinto daquela manhã. <em>Inspirando, expirando.</em> Apesar de ter meditado antes de dormir, ainda acordara com alguma angústia pelo aparente abandono a que Theo me relegara, sem jamais ter me convidado para sair com ele e os amigos à noite, nem que fosse por educação –  mas a educação de quem,  do meu avô quatrocentão ou de um jovem <em>cool </em>francês? – pois afinal eu não cogitava passar pelo ridículo de sair com a trupe adolescente&#8230;Pensamento, reconheci – mas não fui capaz de larga-los. <em>Inspirando, expirando</em>. Ainda acalentara a percepção de perda – agora anulada por seu pedido de refúgio, como passara a interpretar, seguindo o raciocínio de Verena, tendo vindo dormir à minha porta, mesmo que fosse para não se esborrachar na escadaria rumo à cobertura, e a um pedido de Fedora. Parecia-me surpreendente que desse menos importância à inclusão cada vez mais intensa que eu ia tendo na história dele, a participação da morte do irmão amado e sua tentativa de suicídio, do que uma balada&#8230; seria por ter sabido através do Joshua que ele tinha saído com outro cara? Pensamento, reconheci, e quebrei esta cadeia. <em>Inspirando, expirando. Inspirando, expirando. Inspirando, expirando</em>. Ocorreu-me que Lissa estaria decepcionada comigo, e como compensa-la? Como desculpar-me com ela? Pensamento. <em>Inspirando, expirando</em> – recomecei. Verena tinha muito mais razões para estar verdadeiramente ofendida comigo, o meu sumiço por meses. E no entanto, diversamente de Lissa, ela parecia relevar isso&#8230; Pensamento. Julgamento – deslindei, liberando. <em>Inspirando, expirando. Inspirando, expirando</em>. Como um rádio – a Rádio Mente &#8212; a que tinha de desligar muitas e muitas vezes, já que ele ligava automaticamente. Automática Mente. E surgindo como se fosse um espetáculo inédito, o tema nunca suficientemente explorado, tragando-me mais fundo &#8212; a culpa. Suficiente Mente? Como ainda podia querer assisti-lo? Como ainda encontrava interesse? Desta vez, inovado o espetáculo sempre repetido, vi Gustavo sorrindo. Ocorreu-me que me lembrara diversas vezes dele no mosteiro, pois entre meus amigos mais queridos estava um polonês que era discípulo (póstumo) de Osho. Ele já havia estado em diversos centro de prática, inclusive no de Pune, que era o sonho de Gustavo. E apesar de não ter conseguido sentir qualquer apreço ou aceitação por este afamado senhor a quem eu sequer reputava mestre, através do amor e admiração que sentira por meu amigo tinha ao menos reduzido o asco e aversão ao indiano, o que me trouxera certa liberação. Na companhia do polonês recordava do meu afilhado, assim fundindo a afeição que por ambos sentia, e cultivando-a numa escalada que só se interrompeu com a partida do meu amigo. E a morte de Gustavo? Como interrompia o afeto que eu sentia por ele? Pensamento. <em>Inspirando, expirando. Inspirando, expirando.</em> Então ocorreu-me tocar aquele sentimento novamente, mergulhando em águas mais profundas – ou finalmente emergindo, não sei descrever a sensação &#8212; afilhado e afeto eram sinônimos, e no mesmo espaço onde navegara a culpa, agora surfava na afeição, no amor verdadeiro &#8212; espaçoso, inclusivo.</p>
<p>Quando foi que comecei a visualizar o meu prédio? Quando foi que novamente senti o milagre de estar ali sentado não somente sobre o <em>zafu </em>lindamente confeccionado mas no meio do céu, pendurado muitos andares acima do solo graças à engenhosidade humana, e a muito trabalho árduo? A gratidão dominou-me. E me vi mentalmente visitando as fundações do prédio, e não sei bem como nem porquê visualizando-as feitas de Amor, reconhecendo o trabalho nelas, a sabedoria nelas, a solidez, a confiança&#8230; Percebi aquela outra cadeia de pensamentos, mas como não me pareceu nociva, deixei que se desenvolvesse para ver a que lugares me levaria&#8230; Senti que havia uma forte energia de Amor, da qual eu não era o centro mas da qual participava como&#8230; dínamo? Das fundações do Amor parti para a garagem do subsolo, com as dependências para funcionários, todos os carros estacionados, as bicicletas, os armários, fechaduras, cadeados&#8230; Madeira como Amor, borracha como Amor, metal como Amor&#8230; Minha visita inundou a garagem de uma água aerada, dourada, cintilante, levíssima&#8230; Amor. Havia uma família chegando de carro &#8212; assim vi ou visualizei &#8211;, e envolvi-os em bem estar, delicadeza, harmonia. Amor. Depois de ter percorrido todos os cantos da garagem, subi ao andar térreo&#8230; Ou não fui eu, pois não havia eu, mas a onda de Amor na qual me encontrava, diluído, cintilante, vaporizado naquela espécie de ar aquoso e dourado como um nevoeiro mais denso atravessado por um esplendoroso nascente, que se estabelecia desde as fundações do prédio e os poços dos elevadores, preenchendo toda a garagem e agora espalhando-se pelo térreo, inundando os jardins, a guarita dos seguranças, a casa do zelador e de novo, quando cada canto encontrava-se pleno de luz dourada, e as próprias paredes não eram feitas de outra essência que não fosse Amor, a escalada prosseguiu para os dois apartamentos do primeiro andar, que a onda visitou desde a frente até os fundos, de uma ponta a outra, envolvendo todos os objetos e seres com Amor, Amor, Amor&#8230; Pleno e satisfeito o primeiro andar, a onda subiu para o segundo, e uma vez preenchido, para o terceiro, e assim por diante, cada vez mais densa, mais brilhante e intensa  – passou pelo meu andar, pelo meu próprio apartamento e o do vizinho, e em seguida o dos gêmeos acima, e depois ainda para o alto, até a cobertura da família de Theo, e o próprio salão de festas onde ele morava&#8230; Amor. Das fundações ao topo o prédio estava inteiramente preenchido todos os cantos em todos os aspectos todos os materiais e elementos visíveis e invisíveis manifestando Amor a onda era tão forte encontrando tanto espaço e avançando tão naturalmente e sem resistência que uma vez tendo inundado todo o prédio senti que ela vertia por sobre os muros dos jardins suspensos de Theo e como uma vertiginosa cascata luminosa para a avenida a água dourada não apenas lavando todos os transeuntes e carros que por ali passavam mas repintando-os da cor do Amor da matéria do amor de tal forma que os carros correndo com seus motoristas e passageiros iam levando o Amor para outros cantos da cidade eles próprios mensageiros e arautos do Amor tornados Amor e quanto mais carros passavam e alguns deles entravam no prédio uns saiam outros estacionavam e os elevadores funcionavam para cima e para baixo e quanto mais as pessoas e os cães e os gatos se movimentavam por quartos e corredores quanto mais me dava conta de toda a miríade de insetos as formigas e seus caminhos silenciosos os cupins e suas moradas secretas e tanto mais o Amor se intensificava tanto mais ele se expandia não mais somente como uma majestosa e poderosa cascata dourada desde a cobertura mas a partir de todas as janelas do meu prédio que como centenas de faróis emitiam fachos de luz dourada em todas as direções fachos cada vez mais fortes o Amor alcançando os outros edifícios também pelo poços dos elevadores pelas fundações o Amor tendo se infiltrado no subsolo da cidade e pelas tubulações pelo lençol freático fluindo e espalhando-se mais rapidamente&#8230;</p>
<p><a href="http://www.aleksandravasovic.com/goldenroom.htm" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-471" title="Vasovic Golden room" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/11/vasovic.jpg" alt="Vasovic Golden room" width="460" height="328" /></a></p>
<p>Não estive cochilando.<br />
Nem estava alucinando.<br />
Permanecia imóvel no <em>zafu</em>, consciente da minha respiração, e de uma certa expansão&#8230; Houve enfim o momento em que algo me fez compreender que eu não estava criando uma onda de Amor e com ela inundando todas as coisas&#8230; Pois não havia nenhum criador. Havia um mero observador, que de repente se deu conta – ao reconhecer que todas as coisas já eram Amor, quer se dessem conta disso ou não. Foi o refluxo da onda. Num instante, o caminho que seguia espalhando-se pela cidade e por todos os seres, para fora, expandindo-se, percebeu que era o mesmo e um só caminho de volta&#8230; O caminho se deu conta, não o caminhante, de que ele era de ida e volta. O Amor se deu conta. Vou e volto sem ter de ir nem voltar, pois sou o próprio caminho, o caminho inteiro. Estou no começo, estou no fim, estou em todo e cada lugar. O rio não precisa chegar ao mar. A nascente não precisa correr, pois lá na outra ponta ela já toca o mar – apenas que recebe um outro nome, o de estuário&#8230; Mas o rio é um só, da nascente ao estuário, o caminho unindo as pontas, e não separando-as. Constituindo o próprio rio. O caminho também, subindo ou descendo, indo ou vindo – é só uma impressão, a de direção. E a onda que refluiu não precisou de fato refluir – ainda assim, senti o Amor de todas as coisas confluindo em mim, como uma retribuição, um reconhecimento&#8230; Não era preciso colocar Amor em todas as coisas, posto que Amor elas já eram, ainda que não soubessem disso, ainda que não se reconhecem Amor&#8230; A tremenda violência do filme exibido na televisão – quando quem assistia se desse conta do milagre que era ter olhos, e poder enxergar naquele momento&#8230; O casal que se agredia, sem dar-se conta da maravilha de manifestar palavras, da energia que os animava a gritarem, talvez até a se baterem – se tivessem consciência do milagre das próprias vozes, tão mal empregadas, da energia em seus movimentos, tão mal conduzida&#8230;  Apenas porque não reconheciam o Amor, não o viviam. Mas ele estava lá sempre, sustentando o momento, a vida de cada ser. Sendo Amor só um nome. Assim como a camiseta que eu usava – linha, tecido, algodão, camponeses, tecelães, patrões e operários, famílias, alimento, agricultura, chuva, sol, transporte, poeira, telhados, vento, joaninhas, petróleo, cimento, foguetes, injeções – abrigando todos os elementos, camiseta era só um outro nome para o Amor que me envolvia naquele momento. O <em>zafu</em> debaixo de mim. Os tacos do corredor. O ar, dentro e fora de mim, sem que dentro nem fora fossem possíveis de distinguir. A buzina da moto, à distância – e no entanto, bem dentro de mim assim como o zumbido do elevador, o vento na janela, o ressonar de Theo – dentro de mim, todos. Um cheiro úmido no ar – dentro de mim. A coceira em minha coxa esquerda, entre tantas coisas que constituíam a minha existência naquele momento – não só a minha experiência, mas a própria existência, naquele momento. E o coração, súbito tão alto, tão próximo, tão vivo, tão presente&#8230; Tantas condições permitindo a minha existência naquele momento, tão maravilhosas, tão infinitas, tão misteriosas, sem poderem estar próximas nem distantes, sem poderem estar dentro nem fora &#8212; o ar em meus ouvidos e em minhas narinas ilimitado com o ar de todo o universo, os cometas e estrelas cintilando no universo da minha consciência –, as coisas perdiam seus nomes particulares para se reunirem sob Amor&#8230;</p>
<p>Era uma vivência, não era uma idéia; uma experiência, não uma teoria; não uma descoberta, mas uma confirmação – e portanto, a verdade que no instinto e na intuição há, inexplicáveis, irredutíveis à pobre razão.</p>
<p>Era uma libertação, aquela nova experiência de Amor. Não havia mais que pensar nele como o amorzinho que tinha de vir de papai senão seria um muxoxo, a afeição de mamãe senão seria um chorinho, o reconhecimento do namoradinho senão seria uma ofensa, a estima da namoradinha senão seria a insegurança, a aceitação do patrão senão seria o medo, a aprovação do vizinho senão seria a antipatia – que por sua vez estavam esperando o amorzinho de papai e mamãe que por sua vez estavam esperando-o de&#8230; Basta. <em> Amor está presente e disponível em todas as coisas</em>&#8230; Todas? Assassinatos, estupros, guerras&#8230; Naquele instante, pareceu-me que bastava o caçador reconhecer a maravilha do momento &#8212; ainda que fosse o momento de puxar o gatilho, o olhar na mira &#8211;, ao entrar em contato com seus próprios olhos, ouvidos, a imensa destreza nos dedos, braços, mãos, e os pulmões, o coração – se ele pudesse se dar conta das condições infindas e maravilhosas que se reuniam naquele momento para torna-lo possível, e também ao outro ser que ele pretendia matar, se por um segundo se deparasse com o milagre não menos do que grandioso, poderoso, intenso, avassalador, da vida presente em cada mínimo, ínfimo, prosaico segundo – ele não mataria, ele não estupraria, ele evitaria todo o mal, e provavelmente se poria de joelhos. Pensamento. <em>Inspirando, expirando. Inspirando, expirando</em>. Percebi que já havia deixado o reino onde há pouco estivera, onde tudo era Amor, porque assim eu queria a tudo chamar, sem distinções. Amor? Já distinguia – morte, vida, começo, fim, bom, ruim, caçador, caça, arma, e eu não era nenhum deles, mas um outro ainda. <em>Inspirando, expirando. Inspirando, expirando</em>.</p>
<p>Abri os olhos. Começava a escurecer. Encontrava-me novamente naquele módulo de alta definição de sensação e percepção, e em todas as coisas havia uma espécie de halo. <em>Todas as coisas são iluminadas, e nos iluminam de volta</em>. E apesar de escuro, ficou claro &#8212; não há iluminação nenhuma a obter. Apenas reconhecer. Não há que criar. Apenas experienciar. Ainda que seja por um momento, tocar o que está sempre lá, disponível.</p>
<p>Aquiles aguardando-me. Aproximei-me de Theo. Nem esparramado nem encolhido. Nem entorpecido nem retraído. Pareceu-me pacífico. Liguei para meu amigo. A voz muita baixa. Ele baixou a voz também. Desculpe, estou atrasado. Mas você vem? Posso deixar o seu telefone com meu vizinho que está passando mal? O que aconteceu com ele? Posso? Lógico que sim! Então daqui a pouco estou de saída. Escrevi um bilhete para Theo. Espero que você esteja bem ao acordar. Obrigado por confiar em mim. A Fedora e o Joshua ligaram. Falei com eles. Desliguei seu celular antes de a bateria acabar. Eles querem que você ligue quando acordar. Sua mãe também. Eu também. Vou estar na casa de um amigo, e o telefone de lá é. Não pude esperar você acordar. Passamos o dia inteiro juntos. Embora você não vá se lembrar. Obrigado por estar aqui. Fique com as chaves do meu apartamento para você. Com Amor. Andante.</p>
<p><em>If we meet again&#8230; I´ll tell you how I feel&#8230; I´ll tell you from the start&#8230; I´ll tell you love is real&#8230; How everything we say&#8230; And everything we do&#8230; Has been preordained&#8230; To bring true love to you</em>&#8230; &#8212; diante da luz do computador redivivo dei-me conta do meu estado; quando a tela ofuscou-me, pisquei e senti vertigem e surpresa, pois com sua luz trazia-me as usinas hidroelétricas, rios, reservatórios, relâmpagos, chuvas, tempestades, cabos, postes, engenharia, engenhosidade, estudos, empenho, toda a história, memória e sobrevivência da humanidade. <em>Nothing else is pure&#8230; Nothing else is right&#8230; You will know for sure&#8230; Once you´ve seen the light</em>&#8230; &#8212; a luz elétrica atingiu-me como a um cometa, explodindo em minha consciência. Alcançaram-me milhares de trabalhadores, a noção de um contínuo empenho, cuidado e esforço através da corrente elétrica, como uma comunicação de Amor – e percebi-me emocionado com coisa tão cotidiana,  lágrimas nos olhos diante de um aparelho eletrônico&#8230; Pensei que seria impossível viver assim, naquele estado de Amor confirmado até pela canção &#8212;  ou por aquela voz que saindo do computador adentrava minha mente e me comunicava Amor só porque eu havia aprendido um outro idioma, graças a meus pais, professores, escritores, cineastas, e meu próprio interesse e empenho &#8211;, mas que talvez eu tivesse de aprender a viver assim, já que aquele passava a ser o meu caminho, irreversível. Amor.  <em>If we meet again… I´ll tell you how I feel… I´ll tell you love is real</em>… &#8212; cantarolei, fechando a porta com um último olhar na direção de Theo.</p>
<p><a href="http://newberryworkshop.com/Tutorial/trans2/trans2.html" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-472" title="icarus multiply" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/11/icarus-multiply.jpg" alt="icarus multiply" width="255" height="516" /></a></p>
<p>O porteiro retribuiu-me o cumprimento, sorridente, e à saída o segurança somente acenou, sempre precavido, profissionalmente retraído. A primeira quadra que caminhei, das sete ou oito que me separavam do edifício de Aquiles, foi um tremendo susto. Aos primeiros passos na calçada seqüestrou-me o ruído e a visão do vôo iridiscente de um besouro cruzando o espaço à minha frente em câmera lenta até pousar na borda de cimento coberta de lima do canteiro do prédio vizinho onde amarílis e agapantos explodiram em cores brilhantes intricados recortes arranjos exuberantes diante dos meus olhos no módulo de alta definição em que me encontrava as nuvens de chuva que escureciam o céu foram se dissipando e o final de tarde repentinamente revelou-se ensolarado os pássaros pareciam dispostos a comemorar a desistência da tormenta ouvi um trinado vigoroso e virtuoso logo acima da minha cabeça e enxerguei o passarinho pousado no resedá junto a mim <em>ti-tiu&#8230; ti-tiu-tiu</em> cantou mais uma vez resolvi responder com <em>Amor&#8230; Amor-Amor</em>&#8230; e logo em seguida me arrependendo imaginando que o passarinho iria voar assustado diante do meu canto tão desafinado e em nada parecido com o dele a não ser na tentativa de tom e melodia para minha surpresa ele girou a cabecinha e voltou a piar <em>ti-tiu-tiu&#8230; ti-ti-ti-tiu</em>&#8230; e eu insisti no meu piado de <em>Amor-Amor-Amor</em> talvez um pouco mais delicado descobri que o passarinho desejava brincar e respondeu-me&#8230; <em>ti-ti-ti-tiu</em>&#8230; por um instante somente escutei para ter certeza de que não havia algum outro pássaro ao qual ele estivesse correspondendo e que eu ainda não houvesse identificado <em>ti-tiu</em> ele pareceu-me perguntar e <em>Amor-amor</em> eu respondi assim ficamos ao resedá conversando animadamente até lembrar-me que já estava atrasado para a casa de Aquiles despedi-me agradecido com um <em>Amor-Amor-Amor</em> doce e sorridente e sai caminhando pelo canto do olho enxerguei o passarinho voar até o resedá seguinte dois metros à minha frente e de lá de novo endereçar-me <em>ti-ti-ti-tiu</em>&#8230; fiquei imaginando se o passarinho teria me identificado como a origem do canto que respondia e por isso me seguira <em>Amor-amor&#8230; A-mor&#8230; A-mor</em>&#8230; cantei lentamente mais suavemente e me aproximei da arvorezinha o passarinho animou-se e discursou <em>Ti-tiu&#8230; ti-tiu-tiu&#8230; Ti-ti-ti-tiu&#8230; Ti-tiu</em>! <em>A-mor&#8230; A-mor&#8230; A-mor&#8230; A-mor</em>&#8230; empolguei-me e assim continuamos &#8212; só nos separamos quando um carro encostou ao portão da garagem mais próxima e buzinou, espantando o passarinho num vôo espavorido, acelerando meu coração. Será possível, pensei, ou estou ficando louco?</p>
<p>Na esquina, esperei o semáforo para pedestres abrir mais porque aquilo me dava a chance de parar e voltar-me à minha respiração, tentando acalmar um pouco o estado inebriado e emocional no qual que encontrava. Mas meu olhar em alta definição não se pacificou diante do vento do fim de tarde agitando os galhos da verdíssima figueira do outro lado da calçada, como um maestro em pleno <em>allegro molto vivace, apassionato e con brio</em>, enquanto por entre a copa abrindo e fechando-se eu entrevia as nuvens afastando-se no mesmo ritmo vigoroso&#8230; Todos os movimentos claramente perceptíveis, as folhas intensamente brilhantes, os galhos agitados estalando como que espreguiçando-se, e as folhas lambendo-se umas às outras com um chiado voluptuoso. Pensei que era impossível viver daquela maneira, tocado por todas as coisas continuamente, e procurei fechar os olhos. Com isso perdi o semáforo para pedestres, que voltou a ficar vermelho – embora, de fato, não houvesse carro algum naquela tarde de domingo, àquela esquina. Procurei manter o olhar baixo, concentrando-me na minha respiração, buscando vigiar os sentidos. Mas fui assaltado pela visão surpreendentemente gloriosa da passagem de um avião refletido no vidro traseiro do carro estacionado bem ao meu lado – e enfim soltei uma risada.</p>
<p>Lembrei-me do conselho que no mosteiro havia recebido do Venerável, quando até um pouco assustado havia lhe contado sobre aquele módulo de percepção em alta definição no qual incorria algumas vezes. Os super-sentidos, <em>siddhis</em> como ele os chamara, ocorriam a algumas pessoas logo no início da prática. E não deviam tornar-se um problema, a não ser que eu escolhesse torna-los um problema – apegando-me a eles, dando-lhes importância,  desenvolvendo-os, e assim retardando meu progresso verdadeiro, na clareza mental que de fato importava. Se ficava atordoado por ouvir os sons vindos de todos os cantos dos dois andares da casa onde residia no mosteiro, se me incomodava ouvir claramente as confidências não dirigidas a mim, compartilhadas em sussurros no fim do corredor &#8212; eu podia escolher ouvir mas não entender, prestando atenção ao som porém não ao sentido. Não havia um problema se eu não criasse um problema.</p>
<p>Soltei outra risada – e o cachorrinho que viera cheirar minha perna latiu, mirando-me com olhinhos desconfiados. Os mesmos olhos miúdos e um pouco úmidos de sua dona, a senhorinha que chegou alguns segundos depois, vinda da outra ponta da coleira, e que olhou-me igualmente desconfiada – mas não latiu, apesar de ser do clã da gente cã. Além da coleira, segurava as abas de um casaquinho de tricô azul que o vento tentava abrir, e o cabelo branquíssimo cuidadosamente armado que o mesmo vento tentava despentear. Convidei-a a atravessar, quando o semáforo mudou para verde, e mostrando-se muito surpresa com o meu gesto de porteiro da rua, apressou o passo.</p>
<p>Na outra calçada, vi-me envolto pela figueira que já havia chamado minha atenção, a qual lançou um galho à minha frente, interceptando minha caminhada, e quando estanquei, baixou outro diretamente sobre a minha cabeça, a folhagem trêmula cutucando minha nuca. Ri de novo, envolto pelo verde, imerso em folhas e farfalhar de folhas, seiva e poeira. Esperei até a árvore – e o vento &#8212; me liberarem, erguendo novamente seus galhos, redemoinhos, silêncio, e segui em frente. Cumprimentei a senhorinha que me olhava ainda desconfiada.</p>
<p>&#8211; Boa tarde – minha voz saiu triunfante, e sorri com exagero. Esfuziante foi a palavra que me ocorreu quando observei o meu estado de espírito.<br />
&#8211; Boa tarde&#8230;? – ela respondeu, hesitante, egressa de um mundo totalmente diferente do meu, e apesar de eu já ter me afastado, preocupado em não assusta-la ainda mais com meus modos exuberantes, acrescentou – O senhor parece muito feliz&#8230;<br />
&#8211; Eu estou! – confirmei, permanecendo a alguns metros de distância. Vi um passarinho agitar-se dentro do arbusto de espirradeira a meu lado, e pensei, por favor não comece a conversar comigo na frente desta senhora&#8230;</p>
<p>&#8211; Que bom para o senhor! – e ao dizer isso ela soou inconformada, até indignada, como se minha atitude lhe fosse ofensiva – Num mundo como o nosso&#8230; – empertigou-se, para iniciar  a tentativa de sabotagem – O senhor viu aquela menina de três anos lá do Rio que os ladrões mataram essa manhã?<br />
&#8211; A senhora a conhecia? – indaguei, com cuidado.<br />
&#8211; Claro que não. Só vi no jornal. Mas como o senhor consegue ser feliz com uma coisa dessas? E com tantos políticos corruptos lá em Brasília&#8230;</p>
<p>Ocorreu-me que não compartilhávamos a mesma tarde, não o mesmo bairro nem rua, nem a mesma calçada ou planeta, e numa súbita inspiração &#8212; A senhora ficou sabendo daquele bebê que um médico salvou da morte por asfixia&#8230; Aquele que nasceu com o cordão umbilical dando duas voltas no pescoço?<br />
&#8211; Não. Ele está bem? Onde foi?<br />
&#8211; Muito bem – assegurei-lhe, efusivamente – Ele sobreviveu, e está aqui diante da senhora – embora não pudesse afirmar que sem seqüelas, visto o meu estado atual.<br />
Ela arregalou os olhos.<br />
&#8211; Não vá até o Rio ou Brasília, senhora. Fique por aqui mesmo, e desfrute da sua tarde&#8230; – despedi-me e sai caminhando, mas não resisti a um impulso do qual depois me arrependi, por parecer-me doutrinador e excessivo, voltando-me para dizer-lhe &#8212; E se puder, desfrute desse seu casaquinho azul tão bonito, que protege a senhora do vento – empolguei-me – Desfrute até do vento, que ajuda a dissipar a poluição e está afastando a tempestade – apontei para o céu, como se ela não soubesse onde buscar a evolução das nuvens &#8212; Desfrute desta tarde através dos seus olhos, com os seus ouvidos, com as pernas que levam a senhora para caminhar – e não parei, mesmo diante da expressão de incredulidade da mulher – Desfrute da companhia do seu cachorrinho tão bem cuidado&#8230; E quando chegar em casa, agradeça pelas  paredes, pela água encanada, pela energia elétrica – cãozinho e dona imóveis pareciam igualmente prestar atenção em mim, julgando-me, ou buscando fazer sentido &#8211;, pela comida&#8230; – abri os braços da maneira ampla como Theo fazia, abarcando o universo – Por que não estar contente, aqui, agora?</p>
<p>&#8211; Tome cuidado para a sua felicidade não ser atropelada na próxima esquina – exímia, a senhorinha desfechou o golpe mortal – Nem assaltada&#8230; – ministrou-me o antídoto fatal.</p>
<p>Não vou relatar o restante da minha caminhada  &#8212; a Rádio Mente tocando <em>Here is the Pure Land, the Pure Land is here&#8230; I smile in mindfulness, and dwell in the present moment&#8230; The Buddha I see in an autumn leaf, the Dharma in a floating cloud</em>&#8230; &#8212; até o prédio de Aquiles, em respeito a um amigo e leitor que pondera sobre os trechos estarem demasiado longos. De fato, ao contrário da maioria das pessoas que reclama que os dias estão cada vez mais curtos e que o tempo parece passar mais rápido, os meus parecem alongar-se, vividos intensamente, prestando atenção a cada momento, mesmo ao abrir a torneira, presente o tempo todo, inclusive escovando os dentes&#8230; Há quantas palavras atrás sai de casa? Quantas postagens está durando este domingo? Quantas mais vai durar? Não sei dizer, uma vez que a inundação do meu lavabo tem se repetido com esta narrativa, as palavras escorrendo-me dos dedos em jorros de frases e parágrafos inteiros. E não há nenhum Divino para reparar isso.</p>
<p><a href="http://montanhadourada.blogspot.com/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-473" title="path up mountain ©Zhao Yichao &#38; Zhang Mingtang  golden" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/11/path-up-mountain-c2a9zhao-yichao-zhang-mingtang-golden.jpg" alt="path up mountain ©Zhao Yichao &#38; Zhang Mingtang  golden" width="350" height="565" /></a></p>
<p>Afinal, pelo caminho minha felicidade não foi atropelada nem assaltada, pois eu mesmo já tinha sido atropelado e assaltado por ela, e portanto não chegou diminuída à cobertura do meu amigo, que estava à porta para receber-me.  Antes de julga-lo abatido, envelhecido, emagrecido, deixei-me envolver por seu abraço, e procurei harmonizar-me com ele – o que não era difícil, se atentasse à trilha sonora proporcionada por Aquiles, sempre ouvindo música em alto volume, afinada com sua disposição de espírito.<br />
&#8211; Debussy. <em>Sirènes</em> – foi o máximo que reconheci, apesar de saber que aquele movimento fazia parte de algum Noturno do qual não lembrava o número, mas mesmo assim foi o suficiente para faze-lo sorrir. Era o começo da peça, e fiquei imaginando se meu amigo a teria iniciado assim que o interfone tocara ou à aproximação do elevador, numa espécie de homenagem à minha chegada, como já o assistira fazer com outras pessoas.</p>
<p>Ele confirmou, exuberante, um Odisseu triunfante com sua voz tonitruante que teria vencido todas as sereias &#8212; Abbado. O seu preferido! – Aquiles referia-se à época em que eu vivera em Berlin, durante a qual tinha freqüentado a Filarmônica, economizando em outras coisas para poder comprar os ingressos, sempre que possível assistindo-a e ao Claudio Abbado que, por alguma razão incompreensível até para mim mesmo, tinha eleito como meu maestro preferido, a partir de uma ou duas interpretações de Brahms, também o meu compositor preferido à época, se ainda me lembro&#8230; Há anos não tocava minha coleção de eruditos, e só voltava a esse mundo na companhia de Aquiles – Vou só me despedir do Nils e sou todo seu&#8230; Você nos fez falta, aqui! – e retornou ao computador para o amigo, um sueco residente nos EUA. Depois iria descobrir que Aquiles já não subia ao segundo andar da cobertura, e que aquele canto da sala abrigava uma pequena estação de trabalho que era agora o seu escritório, o qual tinha se convertido em quarto de dormir, e que durante o tempo em que eu estivera fora, uma grande reforma ampliara o lavabo tornando-o propriamente um quarto de banhos, retirando espaço à cozinha – tudo por conta dos problemas de vista que o haviam deixado praticamente cego, embora não desse mostras disso em seu próprio apartamento, onde morava há mais de 20 anos e no qual movia-se até de olhos fechados, mesmo com a recente reforma.</p>
<p>Meu amigo ainda não tinha se desvencilhado do computador, tendo pedido licença para atender apenas brevemente a um outro amigo da Holanda que o chamava pelo Skype, quando Fátima, a fiel ajudante de Aquiles desde a Antiguidade, trouxe-me o telefone, e eu soube imediatamente tratar-se de Theo – agradecendo pelo meu cuidado e pedindo desculpas pelo transtorno, já tendo falado com Fedora, Joshua e a mãe – e não fiquei triste por ser o último da lista &#8211;, dizendo-me que em outros tempos não teria tanta gente atrás dele, mas desde que ele tinha tentado o suicídio – também não me surpreendi por ele mencionar o assunto tão diretamente – sentia que tinha um monte de gente seguindo cada passo que dava&#8230; &#8212; Perdi a chave do meu apartamento&#8230; – confessou, e era esta a razão de ter me pedido abrigo, e não a promessa feita a Fedora de não subir bêbado a escadaria – e como não queria pedir a cópia aos empregados lá de casa&#8230; – ele esclareceu – Na verdade, ainda não quero fazer isso, não nestas condições&#8230; Estou nojento! Como você me agüentou? – ele riu – Será que posso tomar banho aqui na sua casa, antes de subir, e pegar emprestada uma camiseta sua?</p>
<p>Eu tinha previsto isso, e separara uma toalha e algumas roupas que o aguardavam no quarto de hóspedes, e que por receio de parecer tolo, paternal, excessivo ou desnecessário – a raiz estava em meu medo de rejeição, eu sabia melhor – não incluíra no bilhete, revelando-o somente agora, satisfeito &#8212; As chaves do apartamento também são suas. Da próxima vez você pode entrar direto&#8230; – ri, entre sentir-me magnânimo e generoso, satisfeito ao estreitar nossa intimidade e confiança – Não precisa ficar no capacho&#8230; &#8212; decepcionei-me quando em seguida ele não agradeceu efusivamente, mas foi até um pouco hesitante, e finalmente senti-me tolo, paternal, excessivo e desnecessário.</p>
<p>&#8211; Depois vou sair de bicicleta. Para queimar tudo o que bebi, e quem sabe espantar essa “lezadeira” – usou uma palavra estranha, talvez misturando lerdeza com bebedeira, e nossa conversa terminou bruscamente, quando ele precisou atender outra linha, deixando-me num estado indistinto de frustração e carência – que só iriam aumentar, quando em seguida chegaram Guido e Luciano, um casal <em>habitué</em> de Aquiles. Não fiquei surpreso, embora me sentisse decepcionado, tendo imaginado que meu amigo desejaria passar algum tempo a sós comigo, quando iríamos nos colocar a par do correr de nossas vidas durante o ano em que não nos víramos. Vendo-o abatido, envelhecido, emagrecido, esperava que ele me confidenciasse – mas também não era surpresa que preferisse a música alta, a casa cheia e a agitação de costume a encarar-me sozinho e em silêncio. Aquiles mantivera sua amizade por mim, mas a condição era que nós preservássemos uma prudente reserva de assuntos pessoais e à distância a sinceridade em relação a sentimentos, assim como ele fazia com relação a si próprio.</p>
<p>&#8211; O monge resolveu voltar para nós! Que bom! – Luciano sabia ser charmoso e sempre educado, o que a meus olhos aumentava sua beleza um pouco rude e muito masculina de tipo árabe – Nós precisamos da sua paz! Nós precisamos de pelo menos alguém em paz, né? – olhou na direção de Guido, que sempre tímido apenas sorriu, sem mostrar os dentes nem alterar a melancolia perene em seus olhos castanhos e grandes, ainda inocentes como os de um bezerro, apesar de estar beirando os cinqüenta, assim como seu companheiro.</p>
<p>Vi minha frustração aumentar à medida que começou a entrevista sobre minha vida no mosteiro. Ao contrário da prática meditativa de ouvir sem interromper, agora eu me dispunha a falar somente para ver até onde chegaria no relato que me pediam para fazer do cotidiano monástico – normalmente, não conseguia passar do sino que nos despertava às cinco da manhã&#8230; Depois de bastante polêmica e incompreensão sobre um tal horário para se iniciar o dia, a pergunta seguinte foi sobre disciplina, e antes mesmo que eu respondesse, começou-se a comentar da disciplina em um spa, que já era insuportável, imagina então num mosteiro, e o assunto derivou de spas para cirurgias estéticas e as correspondentes fofocas sobre os acréscimos ou decréscimos neste ou naquele amigo&#8230; Assisti minha frustração aumentar em meio à conversa caótica e errática – embora só eu a julgasse assim, pois de resto era normal e prosaica e estava dentro dos parâmetros de todas as conversas ansiosas, confusas, estupidificantes que normalmente era só o que se tinha ao longo dos dias e de toda uma vida – da qual só participaram Luciano e Aquiles, tendo eu me recolhido ao meu sorriso um pouco condescendente e Guido, de quem não conseguia sequer recordar-me do timbre de voz, ao seu habitual isolamento acústico. Quis crer que como eu, ele também se esforçava por assistir ao poente, para o qual toda a frente do apartamento estava voltada, inclusive o espaçoso terraço no qual nos encontrávamos. Mas talvez eu tenha sido o único a observar as nuances de cores e a mudança nas texturas das nuvens – pelo canto do olho, para não parecer totalmente desinteressado da conversa.</p>
<p>Amuadas como eu, as sereias já haviam se recolhido há muito tempo, tendo cedido a vez a um retumbante <em>Il Rigoletto</em>, ou coisa do gênero, e as bebidas alcoólicas começaram a brotar do bar quando chegaram mais dois amigos de Aquiles, num <em>crescendo</em> que galgaria a doze participantes naquela pequena reunião de domingo.</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/pmc2siTZ41Q&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/pmc2siTZ41Q&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Esbjorn Svensson Trio | From Gagarin's Point Of View ]]></title>
<link>http://theurbanflux.wordpress.com/2009/10/27/esbjorn-svensson-trio-from-gagarins-point-of-view/</link>
<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 12:14:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>theurbanflux</dc:creator>
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<description><![CDATA[Esbjorn Svensson Trio | From Gagarin&#8217;s Point Of View &#8211; [Diesel Music, 2007] The Esbjorn ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Esbjorn Svensson Trio | From Gagarin&#8217;s Point Of View &#8211; [Diesel Music, 2007] The Esbjorn ]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Trecho XIII – Nothing is real/ Love is real]]></title>
<link>http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/2009/10/25/trecho-xiii-%e2%80%93-nothing-is-real-love-is-real/</link>
<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 10:25:24 +0000</pubDate>
<dc:creator>Andante</dc:creator>
<guid>http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/2009/10/25/trecho-xiii-%e2%80%93-nothing-is-real-love-is-real/</guid>
<description><![CDATA[Onde não há amor coloca o amor e receberá o amor. San Juan de la Cruz Leia O diário dos dias extraor]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:right;"><em>Onde não há amor<br />
coloca o amor<br />
e receberá o amor.</em><br />
San Juan de la Cruz</p>
<p style="text-align:left;">Leia <strong>O diário dos dias extraordinários</strong> completo</p>
<p style="text-align:left;">acessando o <a href="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/indice/" target="_self">índice</a> disponível no cabeçalho acima.</p>
<p>Obrigado, desfrute!</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/ZGuFuMR3PPk&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/ZGuFuMR3PPk&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p>Presente. Ainda que preenchido por percepções de perda, pela agonia do abandono, surpreendia-me praticando a plena presença. Descendo pausadamente, pé ante pé, pesava-me o coração – sendo o coração este pedaço de pensamento que penso amar, esta parte da mente que pretendo sempre privilegiar.</p>
<p>Pressentia uma noite sem poder dormir, e preferiria não passa-la sozinho. Mas não pretendia evadir-me em <em>chats</em>, ou pornografia – antes agüentar a pressão. Aguardava-me o <em>zafu</em>, ou nada, eu me auto-ameaçava.</p>
<p>Pura pretensão e quase desespero, pensar que podia prende-lo. Pois pensei pedir para ele não ir, quando o vi pronto, vestido de negro, um perfeito anjo noturno em luto profundo – chovia, como eu previra, e parecia que não ia mais parar, aquela noite. Na verdade, pretendia apenas prolongar a nossa permanência juntos, e desfrutar a presença preciosa dele.</p>
<p>Diante da porta do elevador ele parecia hesitar e pensar, mas só por um momento, dissipado pela performance potente dos quatro rapazes em celerado alvoroço dentro do elevador. Esperou-me aparecer no hall, já que eu viera descendo os degraus desde a cobertura lentamente, a cada pé perdendo o paraíso sem saber nem como nem porque e padecendo sem poder reconquista-lo &#8212; e quando eu apareci, com um sorriso ele partiu. De seu presente apressado eu já não fazia mais parte.</p>
<p>Desde que dera com a alta algazarra dos quatro amigos no hall, deixando o meu lado ele disparara degraus abaixo e num instante fora engolfado pela onda jovem de enorme excitação e abraços e confraternização que o dragou em direção ao elevador.</p>
<p>Antes de mergulharmos da noite fresca e úmida para as entranhas do prédio, sentira nosso abraço separar-nos, mais do que nos unir, esgarçando ao invés de encurtar a distância entre nós, como comumente &#8212; e antes de a porta do apartamento abrir-se para a escadaria, respondendo à campainha.</p>
<p>Em sua atitude, a paz e a pureza pareciam enterrados no passado. Observara sua troca de pele, a metamorfose num predador de <em>streetwear</em> preto satinado provavelmente proposto por alguma grife londrina alternativa, passando pela apoteose do corpo esplêndido despido sem pudor,  os trajes brancos de príncipe do Yoga pendendo já da borda da cama, onde eu permanecera estendido. Ele não precisava de perfume nem de se pentear para parecer perfeitamente bonito, bastando agitar a basta cabeleira loira para por em movimento as constelações cintilantes e os pensamentos para viajar.</p>
<p>De um pulo ele pusera a vestir-se. Como a salva de tiros não põe fim à corrida – a não ser que seja este um fugitivo, ao invés do contendor &#8212; o silêncio acolhedor em que mergulháramos ao final do filme tinha sido sacrificado pelo toque do celular. Premeditado da minha parte, já que tinha me passado pelo pensamento pronunciar algum tipo de palestra, e eu preferira silenciar &#8212; pensava ter escolhido os vídeos para o meu amigo, mas de repente parecia-me mais que explorara as possibilidades de conformar-me ao papel de <em>cover </em>de mestre zen no qual me punha Theo.</p>
<p>O filme excelente terminava por uma redenção, a grua propulsionada para o espaço, as personagens impressas contra o planeta, apaziguadas na estrada. Era tudo o que eu podia desejar para o próprio Theo. Percebera suas lágrimas pacificando ao longo da história, e uma nova paz, crença e percepção da prática pareciam ter se manifestado, proporcionadas pelas muitas falas inspiradas do mestre zen, e pela trajetória das duas personagens principais, dois irmãos – razão pela qual eu tentara dissuadi-lo dessa escolha, propondo ao invés o minimalista japonês <em>Depois da Vida</em>, tendo já descartado <em>A Vida é Iluminada</em>, arrepiando-me só de pensar na pavorosa cena final passada com a personagem do velho sobrevivente de guerra.</p>
<p>&#8211; Podemos assistir o japonês?<br />
&#8211; É o seu preferido? – Theo tinha minha seleção de três filmes nas mãos.<br />
&#8211; Não por isso. Gosto dos três, mas&#8230; como esse foi um dia difícil de se viver, de verdade&#8230; – fui sincero em minhas razões – Este tem uma cena de suicídio&#8230; E este é a história de dois irmãos – fechei os olhos, e suspirei fundo &#8212; Eu não podia prever. Errei completamente nas minhas escolhas. Me perdoa? – assumindo que tinha escolhido os filmes para exibir-me, pobre pretensioso.</p>
<p>&#8211; Mas não&#8230; Você foi clarividente! – Theo encarou-me, seriamente, absorvendo-me e absolvendo-me com seu triste olhar líquido e verde – Você adivinhou que dia é hoje, para mim, antes mesmo de eu te contar qualquer coisa&#8230; Vamos assistir este – e ele escolheu o argentino <em>Un Buda</em>.</p>
<p>Nem para nos contorcermos de rir durante as cenas da mãe em visita ao centro de retiro, eu largara a mão de Theo, que havia tomado desde as primeiras cenas mostrando os dois irmãos ainda crianças, quando ele tranqüilamente deixara as lágrimas novamente escorrerem. Diferentemente do táxi ensolarado quando também tínhamos estado de mãos dadas, desta vez, ao invés de enxergar o antebraço poderoso, os pelos loiros penteados como um campo sob sol e vento, meu olhar fixava-se no fino traço ao longo do pulso, distinguindo-o mesmo na penumbra em que nos encontrávamos &#8212; ele estivera lá, antes, em tantas outras ocasiões, mesmo na primeira vez em que no jardim eu o encontrara e com avidez acompanhara a linha do seu braço apontando para o céu &#8212; mas que com os olhos turvos de desejo, insensível, bronco, eu nunca pudera reparar.</p>
<div id="attachment_440" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://www.webislam.com/?idv=503" target="_blank"><img class="size-full wp-image-440" title="unbuda" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/10/unbuda.jpg" alt="clique para assistit o filme completo gratuitamente" width="460" height="256" /></a><p class="wp-caption-text">clique para assistir o filme Un Buda completo gratuitamente</p></div>
<p>&#8211; Obrigado. Obrigado por estar aqui comigo.<br />
&#8211; Obrigado você, Obrigado por estar aqui comigo.</p>
<p>Assim tínhamos encerrado o nosso abraço, selando a dolorida confissão de Theo &#8212; foi a primeira coisa que recordei, ao acordar pela manhã, e depois  repassei o restante da noite, até nossa separação com a chegada dos amigos.</p>
<p>Era domingo, e prolonguei minha permanência na cama, observando a magnólia de Lissa que já perdia o viço mas não a destacada glória de estrela do dormitório. Em lugar do <em>zazen</em> matinal, simplesmente perambulei pelo apartamento, abrindo os janelões e desfrutando dos gêmeos e cachorro e bola e tamancos e helicópteros adormecidos, ou pelo menos silenciados. Café ao invés de chá, naquele domingo. Animou-me a descoberta do <em>mat </em>de Yoga abandonado há muitos dias, e ao invés do silêncio habitual ou de alguma coletânea de mantras, deu-me vontade adentrar tanto mais a playlist E.S.T. do Theo. Mesmo ouvindo-a pela terceira vez, a primeira faixa permanecia divina, <em>From Gagarin’s point of view</em>, e eu simplesmente fiquei junto ao computador, imóvel, embevecido. A segunda faixa também não era menos que divina – como era Divino o meu encanador &#8211;, uma versão com delicada orquestra do clássico <em>Round Midnight</em>, e na terceira faixa, explorando o território desconhecido e maravilhoso de <em>Viaticum</em>, finalmente percebi que Perry Blake encontrara o seu usurpador como trilha sonora dos meus dias. Graças a Theo.</p>
<p>Foi a concentração com a qual executei a série de Saudações ao Sol que me fez distinguir &#8212; um dos sons que eu ouvia não era parte das inacreditáveis habilidades musicais do E.S.T. Completei a série e, intrigado, fui caminhando pelo corredor em direção à porta principal do apartamento, e quando estive certo de que o toque do celular vinha mesmo do hall do elevador, sem nem checar pelo olho mágico abri a porta e o encontrei.</p>
<p>Lembro-me de um amigo meu que, cansado de São Paulo, decidiu ir morar num sítio, no meio do mato – ou assim achavam seus amigos urbanos, pois na verdade a propriedade dele estava cercada de fazendas de gado, plantações de eucalipto e café. Durante anos ele se dedicara a refazer a vegetação original, e agora sim morava em meio a uma pequena floresta em que transformara o que outrora haviam sido pastos degradados. Além de estudar as espécies nativas, ele privilegiara o plantio de árvores frutíferas e das que floresciam, de tal forma que o jardim bem cuidado cercando sua casa parecia espalhar-se pelas matas também. Os animais haviam correspondido, agradecidos, e ele vivia em meio a um santuário de seres silvestres, tucanos, macacos, siriemas. Lembrava-me que ele me contara de, muitas vezes, encontrar animais mortos em alguma parte de sua propriedade – veados, pacas, tatus, animais feridos por outros animais, muitos deles por cães, que ele decidira não ter, ou até mesmo por tiros &#8211;, os animais que escolhiam seu terreno para vir morrer em paz, muitas vezes a céu aberto, dentro da clareira aberta ao redor de sua casa&#8230; Animais menores, como coelhos, gambás e porcos-espinho, ele já os tinha encontrado à porta de  casa, aninhados sobre as boas-vindas do tapete de entrada, enrodilhados. Seu relato me emocionara e comovera, pois trata-se de um amigo que vem longamente dedicando-se a um caminho espiritual de simplicidade e contemplação, e seu sítio constitui para mim uma espécie de refúgio, quase um solo sagrado, com sua atmosfera de paz – parecia-me que não só eu o sinto assim, mas também todos aqueles animais que vinham buscar ali o derradeiro refúgio para seu último suspiro, a paz da passagem, o acolhimento delicado para o momento talvez de maior dor e medo – ou um tratamento e recuperação, como ocorria às vezes, se em tempo acorriam.</p>
<p>Não que ele fosse morrer &#8212; em plena manhã, as vestes negras amarfanhadas, Theo dormia esparramado e desfeito no chão de granito, a cabeça pousada no agasalho, sobre o meu tapete de entrada. Estranhei, e querendo acorda-lo ajoelhei-me junto dele, e tive de expirar longamente para não ser tomado pela náusea provocada em mim pela mistura de fumaça de cigarros, o cheiro intenso do álcool e o azedo do vômito seco, na mancha que identifiquei sobre sua camiseta, içada até quase a metade expondo seu ventre cinzelado, o umbigo como um vórtice macio para músculos agudos e pelos esparsos. Os cabelos desalinhados e grudados de suor, a pele gordurosa – e mesmo assim ele parecia lindo, entregue a um sono infantil, profundo e pacífico, que nem o toque insistente do celular lograva interromper. Mirei-o imóvel, esperando o tinido morrer, como se só depois disso eu pudesse tomar uma decisão sobre o que fazer com o deus adolescente arriado, fedorento e desgrenhado, ou decidir-me a não fazer nada. Fechar a porta, esquecer-me – em algum momento ele acordaria, e iria para casa. A única coisa que pensei foi por bem desligar a música soando lá dentro, que de repente estava sendo desperdiçada, tão milagrosa em situação tão grosseira.<br />
<a href="http://www.beautyanalysis.com/mba_facevariationsbysex_page.htm" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-443" title="ryandaharsh in black crop exclusion cyan" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/10/ryandaharsh-in-black-crop-exclusion-cyan.jpg" alt="ryandaharsh in black crop exclusion cyan" width="442" height="456" /></a><br />
Foi como se ouvisse o telefone tocar, antes de soar de fato, e levantei-o do bocal ainda mudo &#8212; embora minha prática, como aprendida com os monges, normalmente fosse esperar tocar três vezes, concentrando-em em minha respiração &#8211;, para ouvir:</p>
<p>&#8211; Você estava do lado do telefone? Acho que nem chegou a tocar&#8230; – Verena queria confirmar que havíamos conversado ontem, e o quê havíamos falado – Hoje estou de ressaca&#8230; Você acredita que o Olaf estava me envenenando? – como jamais tomava remédios alopáticos, o calmante que o ex-marido estivera secretamente ministrando a ela era reputado veneno – Eu devia ter desconfiado! Estava me sentindo muito lesada&#8230; – ela tinha descoberto através da cunhada, que não tinha concordado quando Olaf pedira-lhe para continuar administrando o calmante – Coitado. Ele achou que assim me ajudava. Apagando-me&#8230; Ele nunca me conheceu. É essa a impressão que tenho agora. Nunca fez o esforço. Nunca quis – apenas ouvi, feliz, enquanto observava minha amiga de volta a seu modulo energético e bem disposto, sem os longos silêncios de ontem – Nós falamos de Deus? &#8212; ela queria repassar nossa conversa, pois apesar de lembrar-se da maior parte das próprias coisas que havia dito, a impressão que hoje tinha era de que eu estivera falando com ela desde o fundo do mar.<br />
&#8211; Deus? Não&#8230; – então dei-me conta &#8212; Mas nós falamos do Theo&#8230;<br />
&#8211; O seu Deus&#8230; – ouvi Verena sorrir – Agora me lembro. Convidei vocês para virem aqui, não foi? – olhando em direção ao corredor, disse a Verena que hoje não seria possível – Melhor, eu gostaria que vocês fossem para a praia comigo neste feriado, que tal?<br />
&#8211; Posso pensar sobre isso, Verena? E tenho de perguntar ao Theo&#8230; – desconversei, sem vontade nem certeza de que o faria, aos poucos acessando a forte contrariedade que me invadia.</p>
<p>&#8211; Ele ainda está dormindo?<br />
Percebi que o imaginava na minha cama, e decidi contar a ela brevemente sobre o rapaz, antes que imaginasse estarmos juntos além do quanto estávamos juntos de fato. E por fim contei sobre a situação atual, Theo estendido à porta da minha casa, arriado de bêbado.<br />
&#8211; Que lindo! – Verena enterneceu-se.<br />
&#8211; Lindo o quê? – não escondi a ironia.<br />
&#8211; Você não está bravo com ele, está? – Verena soava maternal.</p>
<p>Tive de ficar em silêncio e ponderar, observar meus sentimentos, antes de responder – É, um pouco estou sim – não esperava aquela situação no meu domingo, os compromissos marcados com Lissa e Aquiles, com os quais eu costumava ser pontual &#8212; Mas só um pouco. Acho que entendo essa molecagem – consegui sorrir, e percebi que estivera com as sombrancelhas contraídas &#8212;  Eu mesmo dormi diante da minha própria porta mais de uma vez, nos nossos tempos de faculdade&#8230; Lembro-me que quando ficava naquele estado, tinha sempre o mesmo pensamento confuso&#8230; o de que a porta tinha de abrir por si mesma&#8230; sem me lembrar de que eu tinha de usar a chave&#8230; Se ela abria para mim todos os dias, era só esperar, que alguma hora ela iria abrir de novo. Então, esperando, eu dormia sobre o meu próprio capacho&#8230; – ri das lembranças da minha juventude, de um Andante no qual não pensava há muito tempo.</p>
<p>&#8211; Só que o Theo não dormiu diante da própria porta. Ele veio dormir diante da sua&#8230; O que você acha disso?<br />
&#8211; Acho que ele pode ter se confundido – evadi-me, inclusive das minhas próprias expectativas.<br />
&#8211; Acha mesmo?! – Verena riu – Com vinte andares de apartamentos! Ele confundiu a casa dele justamente com a sua!</p>
<p>Ouvi novamente o celular tocando, e pedi para encerrar com Verena, antes que ela entrasse em suas interpretações que incluíam boas doses de karma e predestinação, garantindo-lhe que iria conversar com Theo sobre o feriado, quando ela achava que ia precisar de mais apoio, pois deveria receber a primeira visita de toda a turma da praia depois de, você já sabe&#8230; – Será que o Olaf deixou algum pouquinho de calmante? – Verena encerrou, rindo de si mesma.</p>
<p>Caminhei vagarosamente até a porta, a paz a cada passo, concentrando-me, esforçando-me &#8212; há paz a cada passo. Torcia que o celular parasse de tocar antes de eu chegar lá. Mas ele continuou, mesmo enquanto eu tentava tira-lo do bolso da frente da calça de Theo, que incomodado virou-se e esparramou-se ainda mais sobre o chão, dando-me livre acesso.</p>
<p>&#8211; <em>Eh, ciao</em>. Onde você estava? – foi o que entendi, em Italiano. Depois de hesitar mais um tempo, tendo identificado o nome de Fedora, e uma bonita foto dela &#8212; na verdade, deslumbrante &#8211;, decidira atender. Não queria envolver-me daquela forma, mas também não podia deixar o celular tocando a manhã inteira, imaginando-a do outro lado, tentando e tentando novamente. Fechar a porta e largar Theo ali, como havia a princípio cogitado, já não era uma possibilidade. Como o samurai sentindo-se irado não pode matar o oponente, minha própria ética da prática dizia que, encontrando-me sinceramente aborrecido, não me restava alternativa senão desvelar-me em acolher o rapaz. Em Inglês, identifiquei-me dizendo meu nome e ser vizinho do Theo, e por um instante ela fez silêncio antes de pedir para falar com o amigo &#8212; Ele não está exatamente em condições&#8230; – contei do estado em que o havia encontrado à minha porta, todo o tempo só preocupado em dividir minha contrariedade &#8212; Então ele me obedeceu! – Fedora riu, exuberante, segura, cheia de si. Contou-me que Theo havia enviado um vídeo do novo apartamento, e quando ela vira a escadaria, tinha feito ele prometer a ela que jamais tentaria subi-la se tivesse bebido demais –  Um amigo nosso morreu subindo as escadas bêbado&#8230; Quer, dizer, ele morreu caindo – ela riu, e sua risada pareceu-me imprópria, e acho que comuniquei essa energia de crítica a ela, que se calou, antes de voltar a dizer &#8212; Obrigado por acolhe-lo – por um instante, achei que Fedora não soubesse quem eu era, já que tinha me identificado somente como um vizinho, e troquei por amigo – Sim, eu sei quem você é. O Theo já me falou de você&#8230; Obrigado por cuidar dele. Posso te pedir para não deixa-lo sozinho? – Fedora riu, e na verdade não parecia se importar com o que eu julgava da risada dela – Estou parecendo a <em>maman</em> dele! Mas se você pudesse ficar com ele. Não só hoje, você me entende? – lembrei de sua expressão desafiadora e de seu olhar de catapulta na foto do porta-retrato na casa de Theo, e senti-me instado a obedecer um comando, mais do que a atender um pedido – Ele dá muita importância a você – soou condescendente, e eu me senti tolo, naquele enredo de filme adolescente; observei a raiva surgir, e tentei permanecer em silêncio, como já ocorrera durante a maior parte da ligação – Você pode pedir para ele me ligar, quando acordar? – tão certa ela estava de que eu a obedeceria também, e ela estava certa – <em>Grazie mille</em>&#8230;</p>
<p>Ponderei de novo a situação. Não pretendia passar o dia no hall do elevador. Tentei acordar Theo para que entrasse em casa, e depois de tê-lo chamado quase umas dez vezes, cada vez mais alto e menos delicado e mais impaciente e menos divertido, tive renovada ajuda do tinido do celular, que encostei ao ouvido dele. Theo por fim acordou e olhou-me – e tive certeza, sem reconhecer-me. Dei um comando um pouco ríspido &#8212; pois não imaginava lidar com um menino bêbado de outra forma &#8212; de que ele entrasse porta adentro, e enquanto observava-o arrastar-se só com o braços, calcando os cotovelos no piso, parecendo um soldado numa trincheira – apesar dessa demonstração tão clara não percebi a guerra e a violência dentro de mim mesmo &#8212; arrastando consigo o capacho que o fazia deslizar, atendi o Joshua, já explicando quem era e o que tinha acontecido, logo de saída um pouco melhor do que fizera com Fedora, e que Theo não estava em condições de falar.</p>
<p>&#8211; Valeu. Pelo menos agora eu sei onde ele tá. Tem um monte de gente preocupada – achei por bem avisa-lo que já havia conversado com Fedora – Mesmo? Ela já me ligou, e a tia também, um monte de vezes – Joshua parecia contrariado; talvez pretendesse também atravessar a manhã dormindo, como o primo, e ao invés tinha recebido e feito ligações por várias horas  &#8212; O cara com quem ele saiu teve de ligar para o meu amigo para saber o endereço do Theo, que tava malzão, nem podia falar direito – depois de uma certa rispidez e antipatia de início, mútuas devo dizer, o rapaz parecia disposto a falar comigo, embora eu mesmo nada dissesse, só tentando entender a história da noitada de Theo – O cara deixou o Theo aí e foi embora dormir – a isso, observei meu coração inchar, súbito sanguinolento, cheio de ciúmes &#8212; Tive de acordar todos os meus amigos até um saber quem era o cara com quem o Theo tinha saído da boate – Joshua bocejou, tão exuberante quanto fora antes a risada de Fedora – A tia deve ligar aí, ela estava preocupada&#8230; – imediatamente entendi que ele se referia à mãe de Theo, e novamente evadi-me, quase rispidamente mandando Joshua desincumbir-se dos assuntos familiares, até porque o celular está com pouca bateria e pode cair a qualquer momento – Tá bom&#8230; eu&#8230; ligo pra&#8230; ela – foram tantos os bocejos naquela última frase, com a qual Joshua desligou sem dizer mais nada.<br />
<a href="http://www.pbase.com/bmcmorrow/munichglyptotek&#38;page=3" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-442" title="Faun.Munichcloser contrast crayon" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/10/faun-munichcloser-contrast-crayon.jpg" alt="Faun.Munichcloser contrast crayon" width="392" height="555" /></a><br />
&#8211; Era só o que me faltava! – exclamei. Esse menino não tem pai?! Agora sentia-me mal por ter mentido em relação ao celular, só por não desejar atender a mãe. Na verdade, sentia-me culpado, de várias maneiras – e começara a seguir essa nova pista do meu sofrimento, dada por Theo, para quem o meu problema não era o desejo, mas a culpa de senti-lo, e através da qual tentava me livrar dele. E sentia-me frustrado, já ciente de que teria de cancelar meu almoço com Lissa, o que naquele momento em especial geraria tanto desconforto entre nós&#8230; Desanimado, olhei Theo, que desabara após ter deslizado não mais de um metro, o que ainda deixava quase metade do seu corpo do lado de fora do apartamento.</p>
<p>Alcançou-me o estrondo de uma porta batendo, num andar acima. Foi o suficiente. Serviu-me de sino da plena consciência. Imobilizei-me. Fechei os olhos. Concentrei-me na minha respiração, que estava curta, ansiosa. <em>Inspirando. Expirando</em>. E a concentração tornou-a naturalmente mais profunda, mais calma. <em>Inspirando. Expirando</em>. Respirando com prazer, com prazer em ter atenção. <em>Inspirando. Expirando</em>. Observei a batida acelerada do meu coração, e acalmei-o junto com a respiração. Percebi que estava com calor, apesar do ar fresco que soprava pela janela da escadaria de serviço. Demasiada energia, esforço, confusão, raiva – muitas coisas queimavam em mim, naquele momento. A tudo observei, minhas próprias emoções e sentimentos, por um momento sem reagir a elas, sem me identificar, como se fossem as de um alienígena. Percebi meus ombros contraídos e relaxei-os; o cheiro de suor que não era o da Yoga, mas adivinha da contrariedade; meus pés um pouco levantados do chão, e espalmei-os, corrigindo minha postura torta – e com ela, a minha atitude errada. Ocorreu-me que estava com a atitude errada, se de fato e sinceramente pretendia acolher meu amigo. <em>Inspirando. Expirando</em>. Ainda observei meus pensamentos, esparsos, caóticos, numa melodia feia, que com a minha concentração na respiração foram diminuindo de volume e de freqüência, por fim quase silenciando. Era maravilhoso como funcionava essa técnica tão simples dada pelo Buda, como a aprendera do meu mestre – ou pelo menos como eu a compreendera e dela lançava mão. <em>Inspirando. Expirando</em>. Num instante, toda a balbúrdia se acalmava, quando eu não me identificava mais com ela. A fogueira enfraquecia, à medida que eu não mais a alimentava. E no espaço que se abriu, ao recesso das minha emoções, sensações, pensamentos, caindo como dominós em seqüência, retornando para o vazio de onde tinham vindo, naturalmente, assim que eu os liberava – nesse espaço, reencontrei o meu amor verdadeiro por Theo, e tive a idéia de estender uma colchonete alguns passos corredor adentro, e ajuda-lo a alcançar e deitar-se nele.</p>
<p>&#8211; Theo&#8230; – sussurrei bem junto ao seu ouvido, tocando-o muito de leve, com delicadeza, da maneira como eu mesmo gostava de ser despertado. Não mais ao adolescente bêbado com o qual eu estava contrariado, cujo cheiro um pouco me enojava, dirigi-me ao meu querido amigo, ao meu amor – Theo&#8230; – repeti, com doçura e um sorriso, imaginando que tentava acordar o bebê Buda nele, no lindo adolescente com nome de Deus&#8230; Tive certeza de que ele me responderia, quando senti que eu chamava docemente por Deus nele, que assim tentava despertar sua natura búdica – e foi o que aconteceu, claro. Theo abriu os olhos, os lindos olhos líquidos e verdes, piscando-os um pouco até focar-me, e desta vez reconheceu-me – pois afinal, desta vez era eu mesmo debruçado sobre ele, e não algum homem contrariado agindo com despeito para livrar-se quanto antes dum problema – através de um sorriso belo e entorpecido, infantil e sem defesa, que definitivamente me enterneceu e conquistou – Ali&#8230; – seu olhar, puro e interrogativo como o de um animal, seguiu o dedo com o qual indiquei a colchonete um pouco adiante – Vamos? Para você poder dormir&#8230; – era enfim a atitude certa, e apesar de mostrar-se cheio de um invencível torpor, arrastou-se até estar completamente sobre a colchonete, a cabeça no travesseiro, e de novo entregue ao sono.</p>
<p>Sentei-me ao lado de Theo, no corredor. Ouvia-o ressonar baixinho. Acariciei seus cabelos suados, sujos, emaranhados, menos belos &#8212;  e senti meu desejo dominador ceder lugar ao amor. Mesmo o cheiro azedo pareceu enfraquecer, pois era este o cheiro dele naquele momento, o cheiro do meu querido amigo que, se não me ajudava a deseja-lo, também não mais o tornava repulsivo &#8212; e justamente me ajudava a somente ama-lo. Então lembrei-me de Gustavo. E senti dor ao lembrar de Gustavo, embora ao mesmo tempo pudesse sorrir à lembrança dele. Porque não pensara nele antes? Se fosse Gustavo a aparecer-me à porta, bêbado, eu jamais teria sentido contrariedade em acolhe-lo, em cuida-lo. Por que não me lembrara dele antes, sobrepondo- o a Theo, despertando todo o meu infindo amor e compreensão, desenvolvido ao longo de todos os anos do nosso relacionamento, desde que ele nascera&#8230; Gustavo, de quem eu tinha cuidado inúmeras vezes, nas febrinhas, nas dores de barriga, no susto do braço quebrado, depois dos acessos de raiva e das brigas na escola, e aconselhado nas confusões emocionais e mentais da adolescência&#8230; Sentia tanto amor por meu afilhado – e no entanto, tentara não pensar tanto nele desde que soubera de sua morte, por sentir-me culpado de não tê-lo procurado naqueles meses desde que retornara do mosteiro, nem a ele ou a Verena, e de resto a uma multidão de gente que me importava menos, escondido como estava na concha protetora em que me isolara, tentando com dificuldade e sem nenhuma vontade readaptar-me à minha antiga rotina metropolitana, o tempo todo cogitando retornar o mais rápido possível ao mosteiro. Agora sentia a dor, e ressentia a minha própria injustiça, sabendo que nunca mais iria vê-lo, de fato – mas sentia o amor, também, o amor de toda uma vida que era tão maior do que a dor daquele momento.<br />
<a href="http://www.motherteresa.org/layout.html" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-441" title="Frankfurt Roberto Rocco cyan differnce" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/10/frankfurt-roberto-rocco-cyan-differnce.jpg" alt="Frankfurt Roberto Rocco cyan differnce" width="459" height="383" /></a><br />
Com a mão sobre a cabeça de Theo, mantendo Gustavo em minha mente, e juntando aos dois no meu coração, invocando por clareza que me permitisse encontrar as palavras mais hábeis, liguei para Lissa.</p>
<p>&#8211; Bom dia&#8230; Como você acordou hoje? – e pus-me a conversar com minha amiga, tentando harmonizar-me com ela, sentir sua disposição do momento. Em grande parte, estar bem para Lissa significava não ter enxaquecas, e vi nisso uma chance.<br />
&#8211; Lembra-se de uma época em que você as tinha diariamente? – ainda não estava certo porque mencionara aquele assunto, mas ele simplesmente brotou – Você se refugiava lá em casa – referia-me a um outro apartamento –, eu trancava o quarto, deixava-o totalmente escuro para você, vedando a janela com cobertores e até o vão sob a porta, desligava o telefone, e ficava na sacada com uma bazuca para afugentar os helicópteros – tinha uma aversão antiga por esses aparelhos.<br />
&#8211; Você tem a minha gratidão eterna! – Lissa riu – A sua paciência com o meu estado de mau-humor era&#8230; heróica! Eu te dei um tapa uma vez, não dei?<br />
&#8211; Perdi um paquera nessa época, por conta de cancelar tantas vezes para ficar cuidando de você – e de repente ficou claro o meu raciocínio, buscando a empatia de Lissa – Espero não perder a minha amiga, hoje.<br />
&#8211; Por quê? Eu não estou com enxaqueca! – acendeu-se o sinal vermelho, lá do outro lado – O que você quer me dizer? – contei a ela sobre Theo, pela quarta vez naquela manhã, mas pela primeira senti que falava da situação como se fosse minha, como se o sofrimento do meu amigo fosse meu – Entendi – Lissa pareceu refletir &#8212; Você não precisa cuidar dele, você sabe? Ele tem família aqui no Brasil, não tem?<br />
&#8211; Tem. Mas se ele procurou por mim é porque quer um amigo, não a família – agora seguia o raciocínio de Verena, que há pouco tinha descartado &#8212; E o fato é que eu quero cuidar dele – meu olhar recaiu sobre os pulsos de Theo, que estavam unidos assim como as palmas das mãos, não longe dos meus joelhos, na posição em que ele dormia, sempre ressonando levemente. Não pude divisar os riscos sobre a pele, mas sabia que estavam lá, e voltei a sentir um arrepio só de pensar&#8230;<br />
&#8211; Ou seja, não vamos almoçar hoje, correto? – Lissa mostrava-se contrariada, como eu estivera antes – Tudo bem! – mas não estava, como transparecia em sua voz – Você não se sente invadido por esse menino?<br />
&#8211; Foi exatamente como eu me senti, hoje de manhã, quando abri a porta. Cogitei passar por cima dele e sair para almoçar com você.<br />
&#8211; E porque você não faz isso agora?<br />
Eu não tinha nenhuma boa resposta para isso – <em>Talvez esteja embriagado, mas aquele que deixaram só, prostrado no chão, é meu irmão</em>.</p>
<p>&#8211; Você soa como Madre Teresa.<br />
&#8211; Essa frase é dela. Eu acho.<br />
&#8211; Quando te conheci era Rimbaud e Cocteau que você tinha na ponta da língua – ela ironizou &#8212; Quem diria&#8230;<br />
&#8211; Quando você me conheceu, como o Theo eu também caia de beber. Acho que quero ficar cuidando dele como teria gostado de cuidar de mim mesmo.</p>
<p>&#8211; Aceito isso. E antes que você me ofereça, não gostaria de ir almoçar aí no seu apartamento, enquanto velamos o ilustre cadáver – Lissa riu, mais ácida do que o cheiro de Theo, e citou os nomes de três amigas dos nossos tempos de faculdade – As Irmãs Cajazeiras, lembra delas? Vou encontra-las, então. E você, desfrute do seu <em>babysitting</em>, se puder.</p>
<div id="attachment_439" class="wp-caption aligncenter" style="width: 198px"><a href="http://odddesuporte.blogspot.com/2009/10/theo-compartilhando-com-andante-est.html" target="_blank"><img class="size-full wp-image-439" title="08- Theo's playlists blue" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/10/08-theos-playlists-blue.jpg" alt="acesse a seleção de jazz pelo E.S.T. feita pelo Theo" width="188" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">acesse a seleção de jazz do E.S.T. feita pelo Theo</p></div>
<p>Preparei o almoço lentamente, e com calma eu o comi, em silêncio. Todos os vizinhos pareciam ter saído de casa. Depois voltei para o lado de Theo, que tinha se virado para a parede, fugindo da claridade intensa vinda dos janelões da sala. Acariciei seus cabelos de um loiro tornado baço, compactos no crânio, amassados contra o travesseiro. Era sempre emocionante velar o sono de uma pessoa, especialmente de uma criança, e naquele instante pensava em Theo como uma criança grande. Sentia-me grato pela entrega, pela confiança. Com um copo de chá, sentei-me no chão e não me levantei até terminar Todos os belos cavalos, que há alguns dias jazia abandonado &#8212; <em>Lembrou-se de Alejandra e da tristeza que vira pela primeira vez na curva de seus ombros e que pensara entender e da qual nada sabia já que era uma criança e sentia-se inteiramente estranho ao mundo embora ainda o amasse. Pensou que na beleza do mundo havia um segredo oculto. Pensou que o coração do mundo batia a um custo terrível e que a dor do mundo e sua beleza moviam-se numa relação de equidade divergente e que nesse déficit invertido o sangue das multidões podia em última análise ser cobrado pela visão de uma única flor</em> – era maravilhoso, uma escrita milagrosa, e confirmei ter encontrado em Cormac McCarthy o meu escritor preferido da atualidade, talvez mais do que Cees Nooteboom.</p>
<p>Um pouco inquieto como sempre ficava ao fim de um bom livro, de um bom concerto ou de uma boa transa, sentindo emoções contraditórias, satisfeito porém frustrado a um só tempo, fui em busca de outro copo de chá, o verde intenso com toques cítricos que neste domingo escolhera beber, e como não foi isto a preencher o vazio que agora sentia, e não me dispondo a explora-lo no oceano do <em>zafu</em>, à deriva cheguei ao escritório onde aguardava-me a <em>playlist </em>de Theo, no pause há umas boas horas. Os nomes das composições do E.S.T. eram musicais em si mesmas, como <em>Serenade for the Renegade</em> e <em>The Unstable Table &#38; the Infamous Fable</em> – mas foi em <em>Belive, Beleft, Below</em> que encontrei a minha paz, ao identificar na faixa, a única cantada em toda a seleção, o meu próprio momento&#8230; Aos poucos, ia fazendo da música uma outra espécie de meditação, ou pelo menos um apoio para identificar e aclarar minhas emoções e sentimentos que, ao buscarem expressão, eu tentava reconhecer. Já não ouvia músicas melancólicas para poder chorar ou perceber-me deprimido, nem precisava de música excitante para sentir-me expansivo ou extravasar uma energia com a qual não sabia lidar. <em>If we meet again&#8230; I´ll tell you how I feel&#8230; I´ll tell you from the start&#8230; I´ll tell you love is real</em>&#8230; Ouvia fora o que estava dentro – ou ouvia dentro o que estava fora, quase dava no mesmo. Claro, não havia dentro nem fora, a música tanto ao redor de mim quanto em mim, eu próprio música, a música na minha consciência, a música no ar, a música na minha respiração&#8230; <em>How everything we say&#8230; And everything we do&#8230; Has been preordained&#8230; To bring true love to you&#8230; Nothing else is pure&#8230; Nothing else is right&#8230; You will know for sure&#8230; Once you´ve seen the light</em> – cantei para mim mesmo a canção que poria no <em>repeat</em> e adentraria por muitos e muitos dos meus dias, A Balada da Iluminação, como eu a apelidei. <em>If we meet again… I´ll tell you how I feel… I´ll tell you love is real</em>… Graças a Theo.</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/sc2mEtmxwDw&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/sc2mEtmxwDw&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[E.S.T]]></title>
<link>http://dulcimergirl.wordpress.com/2009/10/04/e-s-t/</link>
<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 15:33:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>Christie Burns</dc:creator>
<guid>http://dulcimergirl.wordpress.com/2009/10/04/e-s-t/</guid>
<description><![CDATA[I&#8217;ve been having such amazing visits with a baby grand in North Chattanooga lately&#8230; Such]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>I&#8217;ve been having such amazing visits with a baby grand in North Chattanooga lately&#8230; Such a different experience from playing a 100-year-old upright, and it brings out totally different music from me.  Most people around here don&#8217;t even associate me with a piano&#8211;Heck!  I certainly don&#8217;t talk about myself as a pianist.  Never totally developed that identity, I suppose.  But still, it&#8217;s one of my happiest places, to be sitting at a piano with unlimited time to explore all the sounds and patterns of chords and notes.  Although the dulcimer is my true love, the piano is the thread of continuity that ties me back to my 4-year-old self.  How mysterious the keyboard must&#8217;ve seemed to me at that time, and how wonderful that I still find mystery in it today.  But most of all, as always, I find joy.</p>
<p>Here&#8217;s a video of the Esbjorn Svensson Trio, who make me feel like there could (or should!) someday be a jazz trio in my future.  File this one under &#8220;inspiration.&#8221;</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/mZ4435-K4i0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/mZ4435-K4i0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Trecho IX - From Gagarin's point of view]]></title>
<link>http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/2009/09/15/trecho-viii-from-gagarins-point-of-view/</link>
<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 16:27:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>Andante</dc:creator>
<guid>http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/2009/09/15/trecho-viii-from-gagarins-point-of-view/</guid>
<description><![CDATA[E se desejar uma frase para ler durante a madrugada ou no meio da noite, que sirva tanto para os mom]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:right;"><em>E se desejar uma frase para ler durante a madrugada ou no meio da noite,<br />
que sirva tanto para os momentos de prazer quanto para os de sofrimento,<br />
escreva nas paredes de sua casa,<br />
com letras que o sol possa dourar e a lua pratear, a frase:<br />
“tudo que acontece ao outro, acontece também comigo”.</em></p>
<p style="text-align:right;">Oscar Wilde</p>
<p style="text-align:center;">Leia <strong>O diário dos dias extraordinários</strong><em> completo:</em></p>
<p><em><strong><a href="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/category/trecho-i/">Trecho I – Just an ordinary day</a></strong></em></p>
<p><em><strong><a href="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/category/trecho-ii/">Trecho II – If I let you in, I’ll never let you out</a></strong></em></p>
<p><a href="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/2009/07/25/trecho-iii-%e2%80%93-tea-for-two/" target="_blank"><strong><em>Trecho III – Tea for two</em></strong></a></p>
<p><em><strong><a href="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/category/trecho-iv/">Trecho IV – Last flowers</a></strong></em></p>
<p><em><strong><a href="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/2009/08/05/trecho-v-als-das-kind-kind-war/" target="_blank">Trecho V &#8211; Als das Kind Kind war</a><br />
</strong></em></p>
<p><a href="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/category/trecho-vi/" target="_self"><strong><em>Trecho VI &#8211; Where do you start?</em></strong></a></p>
<p><a href="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/category/trecho-vii/" target="_self"><em><strong>Trecho VII &#8211; Will you sink, will you swim?</strong></em></a></p>
<p><em><strong><a href="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/2009/09/05/trecho-vii-in-the-upper-room/" target="_self">Trecho VIII &#8211; In the Upper Room</a><br />
</strong></em></p>
<p><em><strong><br />
</strong></em></p>
<p><em><strong><br />
</strong></em></p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/_v9ezWwgs7I&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/_v9ezWwgs7I&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p>&#8211; Theo&#8230; – ele virou o rosto na minha direção, mas não abriu os olhos, como se me desse ainda uma outra chance – Theo&#8230; – eu insisti, e quando os abriu, verdes e belos, meu coração começou enfim a sangrar – No dia em que nos conhecemos você disse uma coisa que me impressionou muito&#8230; Logo no início da nossa conversa&#8230; Que as pessoas nunca usufruem em paz da beleza. Simplesmente não a enxergam, ou quando enxergam, destroem-na com seu desejo – senti a garganta fechada, mas não foi um gole de chá, descendo dolorido, a resolver a angústia – Sem me conhecer ainda, você estava falando de mim&#8230; Pois essa é a tragédia da minha vida – sorri, e dei de ombros – &#8230;e essa agora é a minha tendência a fazer drama – levei a mão à testa, buscando concentrar-me e com clareza identificar cada pensamento, cada estado emocional – <em>e está acontecendo nesse momento</em>&#8230; <em>Aqui, e com você</em>, estou desejando e estou destruindo&#8230; – dei um passo atrás, mentalmente, criando coragem – Essa poltrona&#8230; eu a desfruto, mas eu também a julgo e classifico, boa, confortável, bela, excelente e já me excito, quero conhecer o nome dela, quem foi o <em>designer</em>&#8230; Quero ter uma igual. E é exatamente quando eu a perco, quando a torno um mero objeto de consumo&#8230; É só um exemplo. Você viu minha casa. Tudo tem de ser assinado. É pretensioso&#8230; É tanto esforço&#8230; Tão cansativo, morar com uma multidão de <em>designers</em>, arquitetos, artistas, desconhecidos. Mas eu sempre vivi assim, consumindo aparências, com avidez. Melhor dizendo, consumido pelas aparências. Com as pessoas também&#8230; Não sou como um amigo meu, que costuma dizer que até se for perguntar as horas ele escolhe a pessoa mais bonita, mesmo que ela não esteja de relógio&#8230; Mas eu também&#8230; Homens e mulheres, desejei pela beleza, pelo aspecto estético, fazendo subir ao pódio ou eliminando da fila. Quando criança, lembro de um tio meu que dizia: desconfie das pessoas feias. Acho que essa frase me impressionou menos do que se encaixou numa maneira de pensar que eu já tinha. Uma sede, um desejo de beleza. Acho que não houve nenhum dia da minha vida, da minha vida adulta pelo menos, e pelo menos até bem recentemente, nenhum dia em que eu não pratiquei esse desejo&#8230; – olhei a comida com estranheza, tendo perdido o apetite &#8212; Olha que tesão&#8230; Que gato&#8230; Que linda&#8230; Fiz isso mesmo, agora há pouco, com a sua namorada, a Fedora. Julguei-a, classifiquei-a, despi-a de uma história para vesti-la pelo avesso, na aparência. Como se eu esvaziasse um recipiente, vertendo fora o que é vital, para ficar com o invólucro. É muito triste. Sei que muita gente vive assim, muitas almejam viver assim, de aparência. E é muito triste. Como um abajur que nunca dá luz, porque só se preocupa com seu aspecto exterior, e nem sabe que foi feito para dar luz, que pode acender. A maior parte das pessoas vive de remendar a cúpula e reformar o pé do abajur, sem jamais se dar conta do interruptor, do fio, da lâmpada, e&#8230; de onde vem a energia&#8230; As pessoas perdem a humanidade, tornam-se objetos, sem mais interesse que não uma coxa ou um peito&#8230; Um objeto de <em>design</em>&#8230; Mas um objeto sem outra função que não a de ser exposto-consumido-descartado. E se agem assim, é porque alguém as estimula, alguém dá valor ao aspecto exterior delas, alguém as consome &#8212; senti-me exausto, e envergonhado &#8212; Eu. E um monte de gente, eu sei, mas agora preciso falar de mim&#8230; Sempre consumi e descartei as pessoas, Theo, desfilei-as como a um grande prêmio, um adorno, medalhas no meu currículo&#8230; Sempre foi assim, mas agora sinto-me triste, porque&#8230; – olhei para Theo, que me mirava tranqüilo, interessado, reclinado na poltrona – &#8230;continua a ser assim. Agora mesmo. Olho você. Sua beleza quase me dói. Julgo você. O homem mais lindo que já encontrei. Desejo você, essa é a dor&#8230; Dos pelos loiros e das veias salientes dos teus antebraços às tuas coxas fortes desenhadas nessa calça de algodão, o bico do teu mamilo que às vezes observo crescer contra a camisa&#8230; – vi Theo baixar os olhos, esfregando a testa e as sombrancelhas com uma das mãos, e soube que o dano estava feito, quando a mão dele cobriu o rosto inteiro, escondendo a beleza que eu profanava, ou protegendo sua inocência, ao dar-se conta do tipo de olhar que eu vinha lançando sobre ele  – E assim perco você&#8230; Eu sei. Desprezo o que há de mais lindo em busca do grosseiro &#8212; tivera seu afeto sincero, a companhia dedicada, e querer mais e possuir punha tudo a perder &#8212; Ainda há pouco pensei que ser assim, tão bonito quanto você é, seria razão suficiente para não querer ir à balada. Lembro-me dos meus dias de balada – a festa no prédio vizinho chegava ao auge, a música, o vozerio, os gritos e as gargalhadas, todas as formas de histeria sendo celebradas e vazando pelas janelas, o apartamento como um recorte horizontal de desperdício de luz  &#8212; A não ser que fosse uma das festas do <em>Fashion Week</em>, cheia de lindos, de modelos&#8230; Quando em outra ocasião, numa boate, entra um homem ou uma mulher com beleza acima do comum&#8230; Assim como você&#8230; Tudo passa a gravitar em torno dele ou dela. Os mais afoitos em sua grosseria se aproximam, os mais tímidos se assustam e se afastam. Você já deve ter passado por isso&#8230;? Medo ou cobiça, como você disse. Os gregos antigos diziam que quando os deuses amam um mortal eles dão elegância, como uma benção, e quando odeiam eles dão a beleza física, como uma&#8230; – finalmente Theo encarou-me, como se eu tivesse ultrapassado todos os limites, e a tempo dei-me conta de que estava para pronunciar a palavra maldição – &#8230;questão, um desafio. Para quem a tem, para quem não a tem. Para quem a teme, para quem a deseja&#8230; É como você disse&#8230; E é assim comigo. <em>Pensamos el mayor pero vivimos el detalle</em>&#8230; Queremos amar, e só conseguimos desejar possuir. Não, estou falando de todo mundo, quando preciso falar de mim&#8230; Quero amar, e só me vejo desejando possuir, ainda&#8230; e voltando à boate, se a pessoa tiver beleza verdadeira, vai sentir-se incomodada por atrair e por afastar, sem que participe a vontade dela, simplesmente a partir daquilo que ela aparenta, e não por aquilo que é&#8230; Theo&#8230; As melhores horas dos últimos dias eu passei com você. O seu olhar, o seu sorriso, o jeito como você inclina a cabeça, ou ergue os ombros, quando diz “tá bom”, quando rodopia&#8230; tudo, em você, foi para mim poesia. As tuas palavras, as tuas histórias, teu aperto de mão, tua companhia&#8230; A tua tranqüilidade, a tua empolgação, o teu choro, a tua alegria&#8230; Tudo intenso, tudo sincero, tudo puro – percebi que minha voz começava a tremer, em parte de emoção, mas também porque esfriara muito – E o teu abraço&#8230; Tem sido o olho do furacão, para mim, nestes últimos dias. Onde eu encontro refúgio, onde tudo parece estar certo quando está tão errado. Encontro silêncio contra o teu peito, e nele ouço o meu próprio coração – fechei os olhos, para não mais encara-lo, buscando um pouco esconder minha culpa. Devia ser bem tarde, pois a festa passara do auge – Encontro paz, contra teu peito&#8230; mas preciso dizer que prendo a respiração, mesmo, para evitar de sentir o teu cheiro – minha voz estava trêmula, e sentia meu corpo também começar a tremer – Desejo e paz. Faz dias que venho sentido isso, na sua presença. Desde o primeiro momento, e estou em luta. Sentindo culpa. Sentindo que estou te perdendo, traindo tua verdadeira beleza&#8230; E me traindo também.  Você já teve esse dilema? Adorar uma pessoa, ter tudo de bom com ela, e no entanto querer o que não se pode ter, juntos? E acabar com uma amizade por conta disso? Isso eu não gostaria que acontecesse entre nós, nunca. O que eu compartilho com você, não divido com mais ninguém, aqui no Brasil. É precioso, para mim. Mas às vezes levanta-se o meu desejo, e não sei se você o percebe, e como ele pode nos atrapalhar e apartar&#8230; Não sei, talvez eu esteja perdendo nossa amizade por conta da minha sinceridade. Mas se ela for continuar, eu precisava esclarecer o que sinto. Sinto-me bem, sinto-me aliviado, apesar de também estar sentindo medo&#8230; Obrigado por me ouvir&#8230; Acho que estou com frio.</p>
<p><a href="http://www.ryandaharsh.com/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-322" title="08--Ryan-as-Theo-PB" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/09/08-ryan-as-theo-pb.jpg" alt="08--Ryan-as-Theo-PB" width="460" height="598" /></a></p>
<p>Theo ergueu-se, calmamente, e expirou longamente, imóvel, à minha frente .<br />
&#8211; Vou buscar um cobertor.<br />
&#8211; Está ficando tarde. Acho que eu já vou.<br />
&#8211; Então não tenho o direito de réplica? Eu volto rápido – disse, definitivo. E então surpreendeu-me ao tirar a camisa, e passa-la para mim – Veste isso, por enquanto. Está quente. E tem meu cheiro.</p>
<p>Ficou um instante parado à minha frente, de peito nu, os braços um pouco abertos numa atitude de quem nada tinha a esconder, não para exibir a própria beleza, mas antes para através dela acalmar-me, e depois vi-o afastar-se, pensativamente, com o bule de chá na mão. Costas poderosas, linha da cintura e das nádegas que a calça baixa deixava entrever&#8230; De repente, saiu correndo, gritando <em>tá gelado</em>!, sumindo dentro do apartamento. Em poucos segundos saiu de lá novamente, e ainda sem ter se vestido correu até mim, entregando-me um cobertor &#8212; mamilos pontudos e um pouco alongados como se fossem bocas, o abdômen ripado e trilhado pelo caminho de pelos loiros descendo do umbigo até  a virilha,  os pelos pubianos que a calça usada à moda baixa dos adolescentes revelava brotando da cueca, e o maravilhoso milagre grego dos músculos bem definidos acompanhando a crista ilíaca &#8212; e depois voltou para dentro, aos saltos, batendo os pés de encontro um ao outro em pleno ar. Quando pensava que poderia chorar, peguei-me rindo da coreografia do meu jovem amigo, que de novo me dava provas de ser mais corajoso e sincero do que eu, sem medo de expor-se &#8212; ao ridículo se fosse para gerar risadas, ou ao próprio corpo, desarmando sua beleza, como uma oferenda de paz.</p>
<p>Vesti a camisa de Theo, que era um ou dois números maior do que o meu, e senti seu cheiro e calor. Lembrei-me de Lissa, que dizia: você já reparou que onde há gente jovem, especialmente adolescentes, o ar é sempre mais quente, deve ser pelos hormônios em ebulição&#8230; Ao contrário deles, além da camisa quente do meu deus adolescente, precisei enrolar-me também no cobertor, de tecido rústico tingido de vermelho e laranja, as cores um pouco desbotadas típicas dos pigmentos naturais. Tive a sensação de que tinha sido comprado de gente das montanhas, talvez do Nepal  – porque me sentia pendurado sobre o topo da metrópole – ou das estepes frias, talvez da Mongólia – porque queria tanto ir para lá &#8211;,  fantasiando sobre aquele agasalho um pouco bruto, feito para abrigar, envolver e acolher, sem a sensação de conforto fácil dos sintéticos. Senti-me grato, pela gentileza de Theo, pelo trabalho dos tecelãos, dos cardadores, dos criadores de rebanho, por todas as virtudes da humanidade, por gerações de trabalho e esforço, pela sobrevivência da tradição e do conhecimento através dos milênios, permitindo agora proteger-me da friagem. Observei que as nuvens haviam se dissipado, e com exceção de uma ou outra gargalhada ou grito, a música e a festa silenciaram.</p>
<p><a href="http://www.richard-seaman.com/PhotoGalleries/index.html#TheTravelBug" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-321" title="08- BruneiStormhard warm light" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/09/08-bruneistormhard-light1.jpg" alt="08- BruneiStormhard warm light" width="460" height="345" /></a></p>
<p>Despertou-me daquele sonho bom &#8212; irmanado na cadência de carroças, cavalos, teares e tendas das populações nômades &#8212; o retorno de Theo. Vestia uma malha leve e uma manta nos ombros,  trazia duas toucas tricotadas no Tibet,  o bule de chá fumegando, e uma caixa de chocolate <em>Valrhona</em>, que era o meu preferido. Aconchegamo-nos com os copos quentes, a massa espessa e amarga em combinações sofisticadas com frutas e castanhas, uma fonte de calor em cada coisa e todas, sobretudo a nossa companhia, passada a ameaça de tempestade. Rimo-nos desde debaixo de nossas toucas coloridas, baixadas sobre a testa, e que eu ainda amarrei sob o queixo como uma barbicha, Theo com  trancinhas escorrendo coloridas, dois gnomos num jardim suspenso. Não pretendia, e quando percebi tinha já começado a falar, para compartilhar mais, momentaneamente apaziguado por não ter sido rechaçado nem agredido pelo meu novo amigo, que afinal era um desconhecido, e por ainda ter o receio de ser rejeitado, e querer aproveitar o que podia ser a última chance de ser completamente sincero e verdadeiro com ele, e comigo mesmo:</p>
<p>&#8211; Eu falei sobre o meu desejo, mas não era sobre ele que eu queria falar &#8212; minha boca amarga do chocolate e azeda do damasco, o coração inquieto &#8212; Era sobre a injustiça do meu desejo. Não sei se isso ficou claro. O meu desejo me faz agir de maneira injusta. Torna-me grosseiro diante de qualquer coisa, mesmo a mais pura. Eu agora, diante de você – e lembrei-me de Lissa dizendo-me uma linha parecida, que ela se sentia suja enquanto eu parecia tão puro, e então percebi meu próprio pensamento, o preconceito que ela tinha comigo era o preconceito que eu tinha para com ele e, finalmente, para comigo mesmo – Eu desconsidero você, Theo. É isso. Não é o desejo, o problema. É o dar importância ou atenção exagerada ao meu julgamento estético. Eu te acho lindo. Abençoado com uma beleza esplêndida.  Julgando-te a partir disso, ficando só nisso, acho impensável você sofrer&#8230; Passo a te tratar como um anjo. Uma criatura perfeita, um privilegiado vivendo uma vida onde tudo são bênçãos e presentes – Theo baixou o olhar e sorriu tristemente – Eu sei. É essa a injustiça. Não é desejar-te, tornando-te um objeto. É tentar sair disso idealizando-te, tornando-te puro, imaculado, inacessível. Com uma e outra coisa eu te perco, te rejeito, te afasto de mim. Ou às vezes torno-me agressivo, para afastar você de mim, para afastar-me de você, só porque não sei lidar com o meu desejo, só porque ele pode te ferir, só porque ele pode botar tudo a perder. Eu te rejeito, e me rejeito. É isso. É não enxergar-te de verdade, o que me dói. Desejar-te puto ou fazer-te santo, mas sem pessoa nenhuma na embalagem, sem ser algum preenchendo &#8212; só imagem, só ideal, a partir de um julgamento estético que eu faço. O peito gostoso, ou então o coração de cristal – os dois combinam com um ideal de beleza que eu tenho, mas não o coração que sangra, que afinal e como o de todo mundo, sangra. Às vezes me vi pensando, como é que esse menino tão perfeito, talentoso, pode sofrer? Para quê, querer meditar? Para quê fechar estes olhos verdes tão lindos, senão para sonhar? – Theo balançava a cabeça levemente, confirmando, os ombros arriados, os longos braços pendendo, as mãos quase tocando a grama &#8212; Isso me dói. Isso me incomoda. O que quer que eu faça, é uma desmedida, um exagero, e sempre, eu perco você, Theo&#8230; o que você é, não o que você parece&#8230; e a partir do que você aparenta, aquilo que eu julgo ser você&#8230; Eu te esvazio&#8230; Isso é horrível. Para o bem ou para o mal, eu te esvazio. Essa é a injustiça. Parece difícil de entender? Acho que estou decepcionado comigo mesmo, por estar fazendo isso de novo, por estar perdendo você para uma imagem fantasiosa e pobre em minha cabeça, seja ela do gostoso ou do anjo. Gostaria tanto que, com você, o extremamente belo viesse a ser profundamente verdadeiro. Por isso estou sendo sincero com você. Só a verdade vai me redimir. A aparência sempre me danou, a vida inteira. Se você puder me entender. E ajudar. Se você quiser.</p>
<p>Depois de algum silêncio, estendi a mão na direção do meu amigo, dando a entender que ele podia falar, se quisesse &#8212; fazer uma reverência para encerrar minha fala, como era o código do mosteiro, pareceu-me excessivo. Observei Theo erguer-se da posição para a qual tinha escorrido, e de novo abrir peito, ombros, erguer o queixo, o olhar.</p>
<p>&#8211; Obrigado. Nunca tinha me sentido tão&#8230; – massacrado, insultado, eu estava pronto para ouvir &#8212; reconhecido. Acho que ninguém nunca prestou tanta atenção em mim, com tanta dedicação. Tantos detalhes percebidos, e em tão poucos dias. Você é um virtuose, e agradeço a sua atenção. E coloca com tanta delicadeza, por mais cru que seja&#8230; Você me deu o <em>insight</em>&#8230; Pode alguém dar um <em>insight </em>para outra pessoa? Você me ajudou a compreender a maneira como uma multidão de gente se relaciona comigo, no aeroporto ou na cama, entre os íntimos e os desconhecidos, os amigos ou os transeuntes da minha vida&#8230; Ninguém nunca tinha me presenteado com seu olhar, com uma visão tão clara de seu olhar voltada sobre mim, da maneira como me enxerga&#8230; E isso abre para mim&#8230; O porquê das pessoas se afastarem antes mesmo de eu tentar uma aproximação, ou de me invadirem antes de eu querer qualquer proximidade. É verdade, eu disse algo assim quando conversamos pela primeira vez, mas era um pensamento em elaboração, um sentimento que ainda não estava claro. Você talvez discorde de mim, mas no Brasil as pessoas são mais veladas, ou menos francas, e as atitudes menos claras. Apesar do Sol, o Brasil não é um país claro; apesar da luz, tudo aqui é velado, obscuro. Falta franqueza, falta clareza, falta transparência. Talvez seja só uma sensação, a de que sou menos lúcido aqui. Obrigado, de verdade. Com a sua&#8230; luz&#8230; eu posso fazer as pazes com esse país. E de mais de uma maneira porque, como você disse, também não tenho outro amigo assim, no Brasil. Aqui, além do Josh, nunca fiz amigos – e agora, você. Mas um amigo como você eu não tenho&#8230; neste mundo – Theo fechou os olhos e inspirou, como se partisse para outro mundo, sua Pasárgada pessoal onde fosse amigo do rei &#8212; Para mim também as melhores horas dos últimos dias foram com você – fez uma pausa, organizando os pensamentos &#8212; Tenho que te responder&#8230; Não sinto desejo por você – senti enrubescer-me &#8212; É mais do que isso. Não sei se é amor, mas está bem próximo disso – e me dei conta de que eu não falara em amor com ele, só em desejo &#8211;, dentro da experiência que de amor eu tenho. Inclui admiração, respeito, interesse. Fique à vontade com os meus mamilos e músculos e pelos&#8230; Você não achou nenhum cabelo dentro do <em>couscous</em>, achou? Porque  se tivesse encontrado, continuaria achando-os atraentes? Estou me lembrando de que ouvi alguém comparar nossa alma a um espelho. Quando a parte que reflete está virada para baixo, vemos o chão, vemos a matéria, tudo o que é denso, vemos a sombra. Quando a parte que reflete está voltada para cima, vemos o céu, vemos o espírito, o que é sutil, vemos a luz&#8230; Em vez de alma, os budistas diriam que assim é a mente&#8230; E ao pensar que nós somos esse espelho&#8230; Refletindo ora luz, ora sombras&#8230; Um amor sublime, um amor carnal&#8230; É bom pensar que temos a escolha de manejar esse espelho&#8230; O importante é termos no mínino uma alternância – a maior parte das pessoas não tem, como você disse, e o espelho fica continuamente voltado para baixo, para o chão&#8230; Meus olhos são como são. Se são belos, isso é a sua experiência deles. Você os vê, nesse momento, eu não – encarou-me, e pela primeira vez em todos aqueles dias bebi do olhar dele sem sentir culpa – O que você faz deles na verdade te pertence, não a mim. Então desfrute do que você puder criar. Beleza ou feiura é o teu julgamento, constituindo o teu mundo, não o meu.</p>
<p><a href="http://http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-325" title="08- Anton Antipov eyes pin light" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/09/08-anton-antipov-eyes-pin-light.jpg" alt="08- Anton Antipov eyes pin light" width="460" height="170" /></a></p>
<p>&#8211;Sabe o que eu acho? – Theo riu – Se você me quer para amado&#8230; e eu te penso mestre&#8230; nunca vamos nos encontrar. Porque o amante necessita encontrar o amado; mestre e discípulo precisam se encontrar. Não sei citar de cor, mas Sócrates diz a um de seus <em>guapos</em> admiradores atenienses alguma coisa como: você está querendo trocar ferro por ouro, se enxerga em mim uma beleza que é superior à do teu corpo, se quer trocar comigo beleza por beleza, sabendo que uma é verdadeiramente bela, enquanto a outra só é vulgarmente bela&#8230; Você está querendo tirar vantagem de mim, diz Sócrates. Esse é o nosso caso, pois eu estou aqui tirando partido da beleza da sua alma e da sua prática&#8230; &#8212; foi minha vez de sorrir melancolicamente, incapaz de reconhecer essa beleza que ele dizia enxergar em mim &#8212; Isso está no <em>Banquete</em>, não está? Lembrei-me disso quando você falou sobre a verdade. Sócrates deixa claro que a única coisa que interessa é a verdade. Mesmo no amor. Palavras belas, palavras artísticas, palavras bem compostas, nada interessa tanto quanto a verdade, mesmo que seja crua, que seja miserável, ou dolorida. Como você fez, agora. O que você acabou de compartilhar é tão profundamente a sua verdade, que se torna uma verdade para mim também, embora a minha seja e venha à minha maneira. É quando compartilhamos um <em>insight</em>. De novo, obrigado.</p>
<p>&#8211; Você já leu Platão? – interrompi, incomodado. Recordei-me que ele havia mencionado o Mito da Caverna, mas poderia ser de só ter ouvido falar.<br />
&#8211; Claro.<br />
&#8211; E você já leu <em>Harry Porter</em>?<br />
&#8211; Não – Theo riu por um instante, e depois encarou-me, tornado sério – Esse é outro ponto da imagem que você tem de mim. E que me incomoda muito mais do que você me achar bonito e ficar de olho nas minhas coxas – fiquei sem graça, como era a intenção dele – Como foi que você disse, naquele dia? Que eu era muito jovem para precisar de um mestre espiritual&#8230; Agora há pouco você disse que eu era muito bonito para precisar meditar&#8230; – Theo desafiou-me, com o queixo e o olhar – Isso é estúpido, você sabe? É preconceituoso – e então refez a pergunta de horas atrás – De verdade, por que você não crê em mim? Você acha que eu sou muito criança, não acha?</p>
<p>&#8211; Não é isso. Mas não é&#8230; normal&#8230; alguém na sua idade não ir para a balada para ficar tomando chá&#8230; e falar de Platão&#8230; e citar William Blake.<br />
&#8211; Preconceito. E você – retrucou Theo &#8212; com que idade leu Platão?<br />
&#8211; Não sei&#8230; Eu estava na faculdade, foi presente de uma amiga, Clássicos de Bolso&#8230; Entre os 17 e os 22 anos, é o melhor que posso dizer.<br />
&#8211; Você acha que eu tenho menos de 17 anos!?! – Theo espantou-se.<br />
&#8211; Que idade você tem, Theo?<br />
&#8211; Fiz 19, agora em Março – desfeito o mistério, aliviado pensei que não mais corria o risco de ser preso, pronunciando desavisado um discurso que poderia vir a ser pedófilo. Theo prosseguiu &#8212; Sou muito jovem. Esse é seu real problema comigo. Quando você começou mencionando nossa primeira conversa, pensei que fosse tocar nisso, justamente&#8230; Essa conversa de beleza, de desejo&#8230; No que me toca, tá tudo bem para mim. Não me agride, não me ofende. Pelo contrário, vindo de você, é um elogio, e eu me sinto valorizado, com a sua atenção. Ficou claro para mim que é alguma questão de culpa interna, não tem nada a ver comigo. Você concorda? – Theo parecia agora estar decepcionado com o narrador.</p>
<p>&#8211; Não é isso. É só que ter interesse por meditação na sua idade&#8230; Li Platão bem jovem, é verdade, e agora me parece bem adequado para um certo tipo de inquietude que se tem nessa idade – olhando o pouco espaço físico que nos separava, não mais de meio metro, desde que nos debruçáramos pra fora das poltronas e na direção um do outro, para conversar mais baixo na noite subitamente silenciosa, dava-me conta dos quase exatos vinte anos que nos separavam &#8212; mas naquela época nem sonhava meditar&#8230; No máximo fui aprender <em>Tai Chi</em> e <em>Yoga</em>&#8230;</p>
<p>&#8211; Tá vendo? Você percebe? – sentia a respiração doce e quente de Theo alcançar-me, quando ele se exaltava – Acontece que não tem idade nenhuma! Tem só a vida, e a vida de cada um. E cada um sabe onde dói, e quanto, e como pretende sair do sofrimento, ou não&#8230; Talvez, quando você tinha a minha idade, te doesse menos do que dói a mim. É isso, é assim. Não tem idade. Esquece a minha, esquece a sua. <em>Tem esse momento, agora, em que nos encontramos, em que estamos aqui</em>&#8230; – ele estendeu as mãos na minha direção – Me dá as tuas&#8230; Fecha os olhos&#8230; <em>Sente&#8230; Agora&#8230; O planeta. Onde nós estamos</em>&#8230; Gente morrendo. E nascendo.  Aos montes, nesse exato momento&#8230; Gente que morre em todas as idades, velhos, jovens ou crianças, até bebês nascem mortos&#8230; O prédio debaixo de nós, os prédios ao nosso redor&#8230; Sente o gramado debaixo de nós. Tem centenas de insetos aqui, milhares, milhões de seres só nesse pedaço de jardim. Ou no teu intestino, as bactérias pelo teu corpo&#8230; Pessoas, animais e outros seres&#8230; vegetais, muitos mais, trilhões, zilhões deles&#8230; Nesse momento. Grandes ou pequenos, visíveis ou invisíveis&#8230; nascendo, morrendo&#8230; Sente&#8230; Por toda parte, por todo lado, acima, abaixo, dentro e fora&#8230; Morte, morte, morte, morte, morte, morte, nascimento, nascimento, nascimento, nascimento, nascimento, mortenascimento, nascimentomorte&#8230; Não dá nem para tocar a idéia do que está acontecendo, a cada momento, pois são muitos zilhões de mortes e nascimentos, a cada momento&#8230; Sente só&#8230; é impressionante, ter essa consciência&#8230; e então não há nada, não há ninguém, tem só esse momento, o seu, o meu, com uma sutil e tênue diferença entre vida e morte&#8230; que, no final, é a mesma coisa, um momento&#8230; minha vida agora, e a minha morte a qualquer momento&#8230; Momento, momento, momento, momento&#8230; Só agora percebo que esta palavra é composta de <em>mo-</em>rte e nasci<em>-mento</em>&#8230; Agora, você e eu, aqui, vivos, de mãos dadas, respirando o mesmo ar&#8230; Celebrando a vida&#8230; Sente&#8230; É uma explosão contínua, uma pulsação que nunca baixa, e da qual por um período participamos, para então retornar a esse silêncio que também é pulsação&#8230; A vida e a morte irmanadas, a todo momento, eu e você agora&#8230;</p>
<p><a href="http://www.caspardavidfriedrich.org/the-complete-works.html" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-274" title="08- Sunset_by_Caspar_David_Friedrich" src="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/files/2009/09/08-sunset_by_caspar_david_friedrich.jpg" alt="08- Sunset_by_Caspar_David_Friedrich" width="460" height="369" /></a></p>
<p>Fiquei em silêncio, celebrando os nossos corações pulsando unidos nas palmas de nossas mãos, e nossas respirações em circuito, inspirando o ar que Theo expirava, e que ele inspirava quando eu expirava&#8230; Ao nosso redor havia um silêncio pleno, profundo, no qual morte e vida continuavam indivisíveis a existirem em cada segundo, e na verdade não havia nem como aprisionar a idéia de um único segundo, pois aquela alternância de vida e morte punha em marcha todos os segundos por todo o universo, vida e morte tão rápido, morte e vida tão simultâneas que nada diferenciava os segundos, nada os aprisionava, nada os detinha, nada os retinha, nenhuma idéia, nenhum conceito, nenhum momento de nascimento e morte, pois todos sem exceção faziam a vida&#8230; Ficamos em silêncio, de olhos fechados, mãos unidas, silêncio dentro, silêncio fora, e não me lembro como adormeci, mas quando acordei Theo tinha encostado a poltrona dele na minha, de forma a dar apoio à minha cabeça contra seu ombro. Um carinho leve de sua mão em minha nuca despertou-me, quando ele disse:</p>
<p>&#8211; <em>Doucement&#8230; Tout doucement</em>&#8230; O Sol já vai nascer&#8230;</p>
<p>Aproximamo-nos da mureta da frente. Eu ia um pouco zonzo, amparado por Theo. Desde o mosteiro que não assistia a um nascer do Sol, e há muitos, muitos anos, que não o fazia em São Paulo. Era coisa comum de acontecer, na minha juventude – quando tinha a idade do meu amigo. O ar estava gelado, tropecei uma vez no cobertor, ainda com sono e surpreso. As nuvens tinham sumido, o encanto do gramado estrelado esmorecia. A meu lado, Theo sacou o <em>ipod</em>, e refreei uma careta quando ele disse que queria ouvir uma música junto comigo. Preferiria o quase silêncio. Dividimos o mesmo fone de ouvido, minha orelha esquerda e a orelha direita dele &#8212; nas outras, pássaros cantavam e uns poucos carros rumorejavam, e para ficarmos mais próximos com aquele fio pendurado entre nós, Theo passou o  braço por cima do meu ombro. Ele esperou até o Sol despontar para apertar o <em>play</em>, e ao vir junto com a marcação de uma bateria um incômodo chiado como se fosse de rádio,  já me arrependi de ter concordado em ter trilha sonora &#8212; mas em seguida me surpreendi, com um sopro de piano, dos mais belos que já ouvi em minha vida. Estremeci. O baixo adentrou numa grave, profunda explosão, sublinhando o jorro do piano fluindo dos meus ouvidos direto para o coração. Música milagrosa, sublime e celeste, evoluindo lenta e misteriosa, subindo alto, tendo mergulhado fundo &#8212;  como a própria trajetória do sol, ascendendo à nossa frente. Observei meu lindo amigo, que tinha lágrimas nos olhos, fixos no nascente, e que chorou lento, chorou doce &#8212; ele chorou delicado. Passei um braço às suas costas, estreitando-nos, até sua cabeça pender sobre a minha &#8212; depois descobriria ter sido aquela a música e E.S.T. o conjunto preferidos de Angelo, o irmão de Theo, que como eu adorava jazz. Era a oferta mais generosa, íntima e bela que ele poderia me ter feito, ao compartilhar a herança do irmão adorado comigo, mas naquela manhã pensei que o mais precioso fora ele dizer-me, num sussurro em seguida à música:</p>
<p>&#8211; Se quiser me amar, se você puder&#8230; Você é bem-vindo. E desde já, é retribuído.</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/hYM9uP7neRE&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/hYM9uP7neRE&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p>(compartilho com você a nossa trilha sonora; recomendo ouvir com fones de ouvido, ao nascente, na companhia do seu Deus)</p>
<p style="text-align:center;">Leia o <a href="http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/2009/09/25/trecho-x-travelling/" target="_self"><em><strong>Trecho X &#8211; Travelling</strong></em></a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[E.S.T. - When God Created The Coffeebreak (live)]]></title>
<link>http://elsitiodemosu.wordpress.com/2009/06/24/e-s-t-when-god-created-the-coffeebreak-live/</link>
<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 20:01:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>Mosu</dc:creator>
<guid>http://elsitiodemosu.wordpress.com/2009/06/24/e-s-t-when-god-created-the-coffeebreak-live/</guid>
<description><![CDATA[Este tema, y este vídeo en particular, me trae buenos recuerdos de otros tiempos. Dicen del tema que]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Este tema, y este vídeo en particular, me trae buenos recuerdos de otros tiempos. Dicen del tema que es <em>&#8220;una obra maestra de proporciones colosales cuyo título suele despertar sonrisas entre el público de medio mundo.&#8221;</em></p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/7N2d1HehGmc&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/7N2d1HehGmc&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span><br />
Esbjörn Svensson Trio</p>
<p>Y este otro tema <strong>Serenade for the Renegade</strong>, otra mítica composición de este trío.<br />
<span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/vz0Wlnwzxyk&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/vz0Wlnwzxyk&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p>Que buenos eran.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Visual Stimulation]]></title>
<link>http://champagnebucket.wordpress.com/2009/05/30/908/</link>
<pubDate>Sun, 31 May 2009 02:52:46 +0000</pubDate>
<dc:creator>champagnebucket</dc:creator>
<guid>http://champagnebucket.wordpress.com/2009/05/30/908/</guid>
<description><![CDATA[Dope Photovideo of around 2,900 photographs in Toronto by Stevphen Music by Prefuse 73 &#8211; ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Dope Photovideo of around 2,900 photographs in Toronto by Stevphen Music by Prefuse 73 &#8211; ]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Magnus Öström]]></title>
<link>http://larssjogren.wordpress.com/2009/03/27/magnus-ostrom/</link>
<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 19:11:18 +0000</pubDate>
<dc:creator>Lars Sjögren</dc:creator>
<guid>http://larssjogren.wordpress.com/2009/03/27/magnus-ostrom/</guid>
<description><![CDATA[Magnus Öström tidigare trumslagare i gruppen E.S.T. , numera upplöst efter en mycket tragisk händels]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Magnus Öström tidigare trumslagare i gruppen E.S.T. , numera upplöst efter en mycket tragisk händelse, är sannolikt den mest intressante jazztrumslagaren i Sverige idag. Jag  har lyssnat på de flesta av Esbjörn Svenssons trios skivor tämligen ingående och vid varje avlyssning frapperats av Magnus Öströms synnerligen innovativa trumspel. Han bryter ständigt mot trist och konventionellt spel, för att istället skapa egna uttryck utifrån ett rikt fantasiflöde.  Jag uppskattar t. ex.  när Öström under ett solo inte använder någon av cymbalerna eller spelar med händerna på de olika slagverken. Han nyanserar dessutom spelet, som därigenom blir oerhört dynamiskt. För övrigt menar jag att han är lika mycket rocktrummis, som jazzdito. </p>
<p>En god idé för somliga av våra äldre jazztrumslagare, som inte tycks ha tänkt en egen musikalisk tanke på kanske tjugo, trettio år, vore att studera Magnus Öströms spel live, eller kanske hellre ta lektioner för honom.</p>
<p><strong>Lars Sjögren</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[To Lose My Life: White Lies]]></title>
<link>http://eatenbymonsters.wordpress.com/2009/01/11/to-lose-my-life-white-lies/</link>
<pubDate>Sun, 11 Jan 2009 16:29:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>Tom</dc:creator>
<guid>http://eatenbymonsters.wordpress.com/2009/01/11/to-lose-my-life-white-lies/</guid>
<description><![CDATA[As I mentioned in my last post, BBC 6 Music have been making an awful lot of noise about their Sound]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignright size-medium wp-image-342" title="whitelies" src="http://eatenbymonsters.wordpress.com/files/2009/01/whitelies.jpg?w=300" alt="whitelies" width="300" height="197" />As I mentioned in my last post, BBC 6 Music have been making an awful lot of noise about their <em>Sound of 2009</em> list.  White Lies are second on that list (after Little Boots, whom I&#8217;ve already profiled on <a href="http://eatenbymonsters.wordpress.com/2009/01/09/little-boots-6-musics-sound-of-2009/">these hallowed pages&#8230;</a>).  Now anyone who&#8217;s been near a radio in the last few weeks will have heard their single <em>To Lose My Life</em>, and if you have any sense at all you&#8217;ll already hate it.  Added to this, the singer seemed to be having a little trouble hitting the notes in the chorus when they preformed it in The Hub.</p>
<p>Not an auspicous start, I&#8217;m sure you&#8217;ll agree; and certainly enough to ensure I dismissed them without much of a thought.</p>
<p>In my more reflective (read: pretentious) moments I like to kick back with some french philosophic literature, a cup of strong home-ground coffee (single origin, no less; none of that &#8220;blend&#8221; nonsense) and some Esbjörn Svensson Trio on the stereo.  The now sadly departed Esbjörn Svensson and his eponymous trio are/were possibly the &#8220;coolest&#8221; jazz band around.  In this case I mean cool in two ways.  Firstly, image-wise: they were stick thin, foreign and almost always photographed in black and white.  Secondly, and more importantly, music-wise: drums, bass and piano is just about as good as jazz gets in my opinion, and on top of that they had a taste for the experimental and were great believers in the joys of fuzz boxes.</p>
<p>Now imagine my horror when midway through a relaxing evening I&#8217;m assaulted by a track that sounds like it&#8217;s come straight from the Terminator soundtrack.  It turns out that White Lies have a track called <em>E. S. T.</em> A traumatising experience, I&#8217;m sure you&#8217;ll agree.  Once I recovered from the shock, however, it turned out that the White Lies track wasn&#8217;t half as bad as I was expecting, inspiring me to give them a second chance.</p>
<p>Ultimately they&#8217;re actually not too bad a band, and I might have quite liked them a few years ago.  But to be frank; do we really need another Joy Division cover band? I think not.</p>
<p>It&#8217;s always a shame to dismiss a band&#8217;s entire repertoire with such a sweeping generalisation, but alas, with this type of band it&#8217;s pretty much inevitable.  I was only ever a casual Joy Division listener (I like the hits and watched the films, but couldn&#8217;t ever fully appreciate a whole album of the stuff) and the truth is that I enjoy the the copycats (Interpol, The Bravery, Placebo, The Editors, <em>et al</em>) far more than the source material.  There are hundreds of them, though, and I subconsciously group them all together &#8211; guilty by association, if you will.  It&#8217;s a pity, as White Lies have actually got a few good songs; it would be great to hear this band if they&#8217;d at least attempted to find a genre of their own and hadn&#8217;t ended up being so derivative.</p>
<p>White Lies are on Fiction Records, which is a Polydor imprint if I&#8217;m not mistaken, and I&#8217;m not sure what their views are regarding bloggers giving their tunes away, so you&#8217;ll have to be content with streamed audio for this post.  In recompense, I&#8217;ve included several tracks for your listening pleasure:</p>
<p>The godawful single <em>To Lose My Life</em>, in case you&#8217;ve been living in a hole lately and haven&#8217;t heard it yet: <span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://wordpress.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://wordpress.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fwww.bearfacedrecords.com%2FEbMBlog_mp3s%2FWhiteLies%2FWhiteLies_ToLoseMyLife.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /></object></p></span></p>
<p>Their song <em>E. S. T. </em><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://wordpress.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://wordpress.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fwww.bearfacedrecords.com%2FEbMBlog_mp3s%2FWhiteLies%2FWhiteLies_EST.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /></object></p></span></p>
<p>And their source material, <em>á la</em> Terminator 2: Judgment Day&#8230;  <span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://wordpress.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://wordpress.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fwww.bearfacedrecords.com%2FEbMBlog_mp3s%2FWhiteLies%2FTerminatorTheme.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /></object></p></span></p>
<p>And finally some decent music to undo the damage of the last 3 tracks: Esbjörn Svensson Trio&#8217;s Goldwrap. <span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://wordpress.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://wordpress.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fwww.bearfacedrecords.com%2FEbMBlog_mp3s%2FWhiteLies%2FEST_Goldwrap.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /></object></p></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ESBJORN SVENSSON TRIO - VIATICUM (2005)]]></title>
<link>http://stepenclub.wordpress.com/2009/01/09/esbjorn-svensson-trio-viaticum-2005/</link>
<pubDate>Fri, 09 Jan 2009 19:07:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>stepenson</dc:creator>
<guid>http://stepenclub.wordpress.com/2009/01/09/esbjorn-svensson-trio-viaticum-2005/</guid>
<description><![CDATA[01 Tide of trepidation 02 Eighty-eight days in my eyes 03 The well-wisher 04 The unstable table ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-336 aligncenter" title="estv" src="http://stepenclub.wordpress.com/files/2009/01/estv.jpg" alt="estv" width="350" height="350" /></p>
<p>01 Tide of trepidation<br />
02 Eighty-eight days in my eyes<br />
03 The well-wisher<br />
04 The unstable table &#38; the infamous fable<br />
05 Viaticum<br />
06 In the tail of her eye<br />
07 Letter from the Leviathan<br />
08 A picture of Doris travelling with Boris<br />
09 What though the way may be long</p>
<p><strong>LINK<br />
<a href="http://anonym.to/?http://lix.in/-3fd05b">RAPIDSHARE @ 320 KBPS</a></strong></p>
<p>¿Qué es lo que realmente necesita uno a la hora de iniciar un viaje, digamos, definitivo?  Solvencia espiritual, paz tranquilizadora.  Música, en definitiva.  Bajo este prisma E.S.T. volvía a la carga con un disco en el que los sonidos electrónicos se utilizaban con mayor mesura que en el anterior Seven Days of Falling, pero donde el dramatismo y la fuerza expresiva alcanzaban cotas altísimas.  Las melodías son llevadas en volandas por un colchón armónico cuidadosamente trenzado, captando la atención del oyente y envolviéndole por completo.   Ya el primer tema, &#8220;Tide of Trepidation&#8221;, tiene algo de hipnótico, característica aún más evidente en la bellísima línea melódica de &#8220;Eighty-eight Days in My Veins&#8221; (&#8220;Ochenta y ocho días en mis venas&#8221;, ¿referencia metafórica a las ochenta y ocho teclas que tiene un piano?) y la obsesiva figura de contrabajo posterior, todo ello sobre métrica de 3/4.  En Viaticum prima el sabio uso de dinámicas, siendo el contraste uno de los elementos más importantes de la grabación.   Por otra parte, las improvisaciones son excelentes tanto estructuralmente como en lo referente al lenguaje utilizado, jazzístico, moderno y, sobre todo, muy personal.</p>
<p>&#8220;The Well-wisher&#8221; se torna pegadiza y agradable, sobre ritmo similar al de la bossa-nova, convirtiéndose en idónea transición hacia el corte estrella del álbum, &#8220;The Unstable Table &#38; the Infamous Fable&#8221;, excelente ejercicio de composición donde dos figuras paralelas, una de ellas sobre concepto rítmico binario y otra sobre ternario, se entrelazan aportando tensión y desgarro.  El dramatismo continúa con el solo electrificado del contrabajo y el de piano, para devenir nuevamente en la melodía y finalizar de forma recogida.  El sonido en Viaticum es más oscuro que en trabajos anteriores, el sentimiento transmitido tiene similitudes con el de autores clásicos, y el tema que da título al disco así lo prueba.  &#8220;In the Tail of Her Eye&#8221; libera tensiones en el caminar de la grabación hacia &#8220;Letter From the Leviathan&#8221;, el tema de estructura más cercana al rock, cuyo discurso discurre sobre un riff diatónico de bajo y cuya armonía parece más estática que la del resto de composiciones.</p>
<p>Encarando el final del álbum, &#8220;A Picture of Doris Travelling with Boris&#8221; presenta una doble cara: triste y melancólica en su exposición, ofreciendo un halo de esperanza en su puente.  Fue el tema encargado de abrir varios de los conciertos de la siguiente gira.  Finalmente, precediendo al habitual tema oculto, &#8220;What Though the Way May Be Long&#8221; implica un cierto estado de paz, si bien no exento de desasosiego, con su melodía aparentemente dócil y ese desgarrador solo de contrabajo, erigiéndose en colofón ideal del disco más intenso de E.S.T. en el momento en que apareció.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[34 najlepsze płyty roku 2008]]></title>
<link>http://chacinski.wordpress.com/2009/01/06/34-najlepsze-plyty-roku-2008/</link>
<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 21:20:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>Bartek Chaciński</dc:creator>
<guid>http://chacinski.wordpress.com/2009/01/06/34-najlepsze-plyty-roku-2008/</guid>
<description><![CDATA[Ale nuda. Wieszam tu w końcu podsumowanie płytowe roku, mimo niedokończonych alfabetycznych rekolekc]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Ale nuda. Wieszam tu w końcu podsumowanie płytowe roku, mimo niedokończonych alfabetycznych rekolekcji (to be continued, w miarę wolnego czasu). To prawdopodobnie ostatnie zestawienie najlepszych albumów, jakie gdziekolwiek przeczytacie, więc zapewne nie jest już nikomu potrzebne. Ale ten dłuższy czas był mi w tym roku naprawdę potrzebny &#8211; to był rok może nie tyle ważnych, co przynoszących sporo przyjemności albumów. A sporządzenie tego zestawienia kosztowało mnie wiele rwania włosów z głowy i dodatkowych przesłuchań. I to bez żadnej gwarancji, bo kto wie, jak na to zestawienie popatrzę za rok, ba, za miesiąc. Sporządziłem je w pełni subiektywnie, jak zwykle bez kolejności (bo jak coś jest już najlepsze, to nie bardzo widzę powód, by odróżniać &#8220;lepsze&#8221; od &#8220;jeszcze lepszych&#8221;) i niespecjalnie oglądając się na opinie innych. No dobra &#8211; powiecie &#8211; ale przecież tu są płyty lepsze od innych. Oczywiście, w zależności od tego, pod jakim kątem na nie spojrzeć. Ale wszystkie skupiały moją uwagę wyjątkowo długo. Starałem się wybierać płyty, które kupiłbym za własne pieniądze raz jeszcze, nawet jeśli już je posiadam. Oto więc trzydzieści cztery najlepsze płyty 2008 roku moim skromnym zdaniem. Dlaczego akurat tyle? Jeśli ktoś zna moją listę sprzed roku, pamięta być może, że były na niej 33 pozycje. I jeśli teraz nie jest jeszcze wszystko jasne, to może za kilka lat uda mi się bardziej rozjaśnić, jeśli tylko wytrwam w woli prowadzenia tego bloga.<br />
Dzięki dla paru osób, które mi podsuwały różne płyty w tym roku. A ponieważ te osoby same dobrze o tym wiedzą, pozwalam sobie nie wyróżniać ich z nazwiska.</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><span style="color:#ff0000;"><strong>t r z y d z i e ś c i   c z t e r y   p ł y t y   r o k u   2 0 0 8</strong></span></p>
<p><strong>{{{SUNSET}}} „The Glowing City”, Autobus<br />
</strong><em>bo tylu piosenkowych pomysłów na jednej płycie nie słyszałem w tym roku</em><strong></strong></p>
<p><strong>ARTHUR RUSSELL &#8220;Love Is Overtaking Me&#8221;, Audika<br />
</strong><em>bo okazał się brakującym ogniwem między sceną starej awangardy i nowego folku</em><strong></strong></p>
<p><strong>ATLAS SOUND &#8220;Let the Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel&#8221;, Kranky<br />
</strong><em>bo lider Deerhuntera solo okazał się jeszcze lepszy</em><strong></strong></p>
<p><strong>BAR KOKHBA “Lucifer. The Book of Angels vol. 10”, Tzadik<br />
</strong><em>bo to jedna z najlepiej wykonanych płyt z muzyką Zorna w ogóle</em><strong></strong></p>
<p><strong>BASIC CHANNEL &#8220;BCD-2&#8243;, Basic Channel<br />
</strong><em>bo to był klasyk, zanim jeszcze wyszedł na CD</em><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>BILL DIXON WITH EXPLODING STAR ORCHESTRA “Entrancing”, Thrill Jockey<br />
</strong><em>bo to spotkanie dwóch improwizatorów o wielkiej wyobraźni</em><strong></strong></p>
<p><strong>BON IVER &#8220;For Emma, Forever Ago&#8221;, Jagjaguwar/4AD*<br />
</strong><em>bo to najbardziej klimatyczna płyta roku</em><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>BONNIE &#8216;PRINCE&#8217; BILLY “Lie Down In the Light”, Drag City<br />
</strong><em>bo Bonnie stylistycznie wrócił do starych czasów i utrzymał formę</em><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>CARL CRAIG &#38; MORITZ VON OSWALD “Recomposed by”, Deutsche Grammophon<br />
</strong><em>bo tak remiksowanej muzyki klasycznej jeszcze nie słyszałem</em><strong></strong></p>
<p><strong>DEERHUNTER “Microcastle”, Kranky<br />
</strong><em>bo to muzyka, która do Bradforda Coxa przekona prawie każdego, a dzięki temu ludzie trafią na jego inne płyty <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </em><strong></strong></p>
<p><strong>DUNGEN „4”, Kemado Records<br />
</strong><em>bo to najpiękniejsza psychodeliczna płyta tego roku</em><strong></strong></p>
<p><strong>ESBJÖRN SVENSSON TRIO “Leucocyte”, Act<br />
</strong><em>bo to lepsza płyta niż ostatnie i wielki krok naprzód stylistycznie</em><strong></strong></p>
<p><strong>FLEET FOXES „Fleet Foxes”, Sub Pop<br />
</strong><em>bo to największe odkrycie tego roku pod każdym względem</em><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>FUCK BUTTONS “Street Horrrsing”, ATP<br />
</strong><em>bo to pomysł, który &#8211; choć prosty &#8211; ma niezwykłą siłę przyciągania</em><strong></strong></p>
<p><strong>GAS „Nah und Fern”, Kompakt<br />
</strong><em>bo to płyta, którą można się żywić przez cały rok i (dla mnie) wykonawca odkryty po czasie</em><strong></strong></p>
<p><strong>GIRL TALK &#8220;Feed the Animals&#8221;, Illegal Art<br />
</strong><em>bo to album, przy którym można jednocześnie poruszać nogą i głową</em><strong></strong></p>
<p><strong>GROUPER „Dragging a Dead Deer Up a Hill”, Type<br />
</strong><em>bo to płyta autorska, której nie sposób pomylić z żadną inną</em><strong></strong></p>
<p><strong>JOHN CALE &#38; TERRY RILEY „Church of Anthrax”, Wounded Bird Records**<br />
</strong><em>bo to historyczne i idealne połączenie dwóch światów: rocka i awangardy</em><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>JOSEPHINE FOSTER “This Coming Gladness”, Bo’Weavil Recordings<br />
</strong><em>bo to głos i ekspresja, obok której nie można przejść obojętnie</em><strong></strong></p>
<p><strong>LINDSTRØM &#8220;Where You Go I Go Too&#8221;, Smalltown Supersound<br />
</strong><em>bo czegoś takiego jeszcze nie słyszałem (nawet w wykonaniu Lindstrøma)</em><strong></strong></p>
<p><strong>MGMT „Oracular Spectacular”, Columbia<br />
</strong><em>bo to najlepsza popowa płyta z przebojami, jaką słyszałem w 2008 roku</em><strong></strong></p>
<p><strong>NICO MUHLY „Mothertongue”, Bedroom Community<br />
</strong><em>bo to świetne utwory łączące wszystkie najlepsze wątki rodem z Bedroom Community</em><strong></strong></p>
<p><strong>PATTI SMITH &#38; KEVIN SHIELDS „The Coral Sea”, Pask Records<br />
</strong><em>bo to album do słuchania na szczególne okazje</em><strong></strong></p>
<p><strong>PORTISHEAD &#8220;Third&#8221;, Island<br />
</strong><em>bo okazali się nadzwyczajnym zespołem, który wciąż, mimo upływu lat, potrafił się nie zepsuć</em><strong></strong></p>
<p><strong>RÓŻNI WYKONAWCY „African Scream Contest”, Analog Africa<br />
</strong><em>bo to najlepsza dawka pozytywnej energii, a przy tym najlepsza płyta z muzyką z Afryki w tym roku</em><strong></strong></p>
<p><strong>RÓŻNI WYKONAWCY &#8220;Dancehall. The Rise Of Jamaican Dancehall Culture&#8221;, Soul Jazz<br />
</strong><em>bo to historia gatunku, jakiej od dawna poszukiwałem</em><strong></strong></p>
<p><strong>SPIRITUALIZED “Songs in A &#38; E”, Sanctuary<br />
</strong><em>bo ta płyta przypomniała wreszcie wielkie Spiritualized</em><strong></strong></p>
<p><strong>SPRING HEEL JACK, “Songs &#38; Themes”, Thirsty Ear<br />
</strong><em>bo to album, którego każde kolejne przesłuchanie (wciąż) przynosi lepsze efekty</em><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>STEINSKI &#8220;What Does It All Mean? 1983-2006 Retrospective&#8221;, Illegal Art<br />
</strong><em>bo to kolejny punkt wyjścia &#8211; dla kilku gatunków muzycznych na raz</em><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>SUN KIL MOON “April”, Caldo Verde<br />
</strong><em>bo to jedna z najlepszych songwriterskich płyt roku</em><strong></strong></p>
<p><strong>TERRY RILEY “The Last Camel in Paris”, Elision Fields<br />
</strong><em>bo to kolejne arcydzieło z archiwum Rileya</em><strong></strong></p>
<p><strong>THOMAS BRINKMANN “When Horses Die”, Max Ernst<br />
</strong><em>bo to, jak często wracałem do tej płyty, to dla mnie największe zaskoczenie tego roku</em><strong></strong></p>
<p><strong>TV ON THE RADIO “Dear Science”, 4AD<br />
</strong><em>bo potrafią aranżować i żonglować konwencjami z precyzją godną mechaniki precyzyjnej</em><strong></strong></p>
<p><strong>WHY? „Alopecia”, Anticon<br />
</strong><em>bo ujął mnie bezczelnością muzyczną i potrafił przywiązać do swojej płyty na długie tygodnie</em><strong></strong></p>
<blockquote><p><em>* Tak, wiem, wyszła wcześniej. Kto ją znał w roku 2007 &#8211; ręka do góry. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </em></p>
<p><em>** Tak, wiem, to czystej wody reedycja albumu z 1971 roku, ale płyta nigdy dotąd nie wyszła na CD</em></p></blockquote>
<p>PS  Temat podsumowania i końca roku będzie jeszcze wracał na tym blogu w kilku odsłonach, bo nowy rok, jak wiadomo, oficjalnie zaczyna się dopiero wraz z premierą nowej płyty Animal Collective <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[The last year in music]]></title>
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<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 16:39:36 +0000</pubDate>
<dc:creator>Tobias</dc:creator>
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<description><![CDATA[The new year is already a week old, about time for me to look back at all the great music the last y]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>The new year is already a week old, about time for me to look back at all the great music the last year brought me. 2008 was almost certainly the year in which I discovered more music than ever before in my life. But, like <a href="http://soul-sides.com/2008/12/year-in-music-part-1-old.html">Oliver Wang of soul sides</a>, most of the music I got to know wasn&#8217;t released this year, but rather quite a while, often decades ago. Sure, there was some contemporary stuff I liked  but in the end hardly any album released this year was able to excite me as much as some of the old treasures. And like Oliver, I don&#8217;t know quite what to think of that. Should I simply embrace my inner 50-year old or make some active effort to get into current music more. I guess we&#8217;ll see over the next year.</p>
<p>Here is a fairly comprehensive list of the albums I dug:</p>
<h3>Hip Hop, Soul &#38; Funk</h3>
<p><b>Emily King &#8211; East Side Story</b></p>
<p>Discovered through a staff pick at Amoeba music in Los Angeles and slowly but surely got into it. I still think it&#8217;s a bit thin vocally at times, but nonetheless very good contemporary R&#38;B overall.</p>
<p><b>Aretha Franklin &#8211; Rare and Unreleased Recordings from the Golden Reign of the Queen of Soul</b></p>
<p>Outtakes and hitherto unreleased songs from the golden era of Aretha Franklin who is still to me the the greatest female soul singer of all time.</p>
<p><b>Donny Hathaway &#8211; Live</b></p>
<p>Donny Hathaway was <em>the</em> musical discovery of the year for me. What a voice! On a few songs he makes the hairs on the back of my neck stand up like very few other people can. Definitely check out his version of Lennon&#8217;s &#8220;Jealous Guy&#8221;. It was hands down my favorite song of the year.</p>
<p><b>The Hot 8 Brass Band &#8211; Rock with the Hot 8 Brass Band</b></p>
<p>A New Orleans brass band that does (mostly) covers of soul and hip hop classics. My whole family is by now rather annoyed by them, but I still dig the dirty brass sound of their &#8220;Sexual Healing&#8221;</p>
<p><b>Kylie Auldist &#8211; Just Say</b></p>
<p>The solo debut of the Australian soul singer that already featured prominently on the last two albums by The Bamboos as well as on their recently released third record. There isn&#8217;t much that differentiates this from the Bamboo albums but that is not at all a bad thing.</p>
<p><b>The Sound Providers &#8211; Looking Backwards: 2001-1998</b></p>
<p>Jazzy hip hop that reminds me a lot of Jurassic 5. Which is quite possibly the reason I also enjoy this greatly.</p>
<p><b>The Sound Stylistics &#8211; Play Deep Funk</b></p>
<p>Instrumental funk.</p>
<p><b>Kanye West &#8211; Graduation</b></p>
<p>I&#8217;m usually not much of a hip-hop fan. Even though I don&#8217;t usually listen to song lyrics much, even I can figure out that most hip-hop songs have the lyrical depth of an average high school student. And Kanye West is no different for the most part. But he just kills me as a producer. Many of his songs are just <em>so</em> well-crafted, from the choice and manipulation of samples, to the addition of matching beats, to his excellent taste in other artists to feature on his tracks. Fell in love with &#8216;Graduation&#8217; only this year but now listen to it all the time. His latest album, sadly, is a huge disappointment</p>
<h3>Jazz</h3>
<p><b>Bill Evans &#8211; The Complete Live at the Village Vangaurd 1961</b></p>
<p>This album, or rather the separate albums &#8220;Live at the Village Vanguard&#8221; and &#8220;Waltz for Debbie&#8221;, are apparently on every must-have Jazz list ever written. And what can I say, rightly so. This is classic trio jazz at its absolute finest, with a mastery that is almost hard to believe. It&#8217;s a delight to listen to these albums carefully and notice the instrumental virtuosity of Evans, Motian and LaFaro (who unfortunately passed away soon after this concert) and the way in which they take and pass subtle cues to play off each other and create one harmonic whole.</p>
<p><b>Dave Pike Set &#8211; Noisy Silence, gentle Noise</b></p>
<p>My brother derisively calls this elevator music, but I hardly think that does Dave Pike&#8217;s vibraphone playing justice. Excellent loungy jazz.</p>
<p><b>Annamateur &#38; Ihre Gitarristen &#8211; Unerotisch</b></p>
<p>My parents saw these three live a couple of weeks ago and brought home the album raving about the performance. And after listening to it a couple of times I understand why. The best German musical cabaret I&#8217;ve heard in quite some time. Fantastic musically and extremely witty lyrically.</p>
<p><b>Esbjörn Svensson Trio &#8211; Good Morning Susie Soho</b></p>
<p>This Swedish jazz trio was unfortunately ripped apart this year by the tragic diving accident of its front man. After getting tipped off about them by our very own sepalot, I&#8217;m still discovering much of their music. I am already, however, bummed I never got a chance to see them live.</p>
<p><b>Dinah Washington &#8211; The Swingin&#8217; Miss &#8220;D&#8221;</b></p>
<p>Dinah Washington was another one of my great discoveries of the year, as were many other female jazz vocalists. I stumbled on her through an interview with Amy Winehouse who apparently greatly admires her. I discovered this particular album through a television commercial, quite frankly, which featured &#8220;Relax Max&#8221;, still my favorite track on the album. All the arrangements on the album are by Quincy Jones, Washington&#8217;s husband at the time, so the album has two musical geniuses going for it.</p>
<p><b>The Rosenberg Trio &#8211; Seresta</b><br />
<b>Titi Winterstein Quintett &#8211; The Best Of</b><br />
<b>Joscho Stephan &#8211; Acoustic Live</b></p>
<p>Three gipsy jazz albums, in the spirit of Django Reinhard, that rival Reinhard&#8217;s quality. All three albums are excellent, some adding violin (in the case of Stephan) or accordion (in the case of Titi Winterstein) to the traditional gipsy jazz lineup of percussions, two guitars and standing base. In the future, watch out for Joscho Stephan, a young German who has the potential to become truly great. I saw him in concert at the beginning of the year and was blown away by the ease with which he pulled off even the most intricate guitar moves.</p>
<p><b>Oscar Peterson &#8211; Exclusively for My Friends: The Lost Tapes</b></p>
<p>Oscar Peterson cannot be missing from the list. He was my first serious jazz crush and still ranks pretty high on my list of favorite pianists. The album is a collection of out-takes from his MPS recording series in which he played for only a select group of friends in the legendary black forrest recording studio of Hans Georg Brunner-Schwer, recordings which he himself later called some of his best ever. And what can I say, the man was right.</p>
<p><b>The Bad Plus &#8211; For all I care</b></p>
<p>My favorite Jazz album of the year. I was delighted to see the Bad Plus at this year&#8217;s North Sea Jazz festival and even more delighted to see that they&#8217;d brought along a female vocalist to preview some songs from &#8220;For all I care&#8221;. All of the deconstructed pop songs are wonderfully arranged and I even think that some of the covers are superior to the originals, something that&#8217;s tough to do with e.g. Pink Floyd&#8217;s &#8220;Comfortably Numb&#8221;</p>
<h3>Folk</h3>
<p><b>Bob Dylan &#8211; Highway 61 Revisited</b></p>
<p>I&#8217;ve always had a bit of a difficult relationship with Bob Dylan. On the one hand I thought he was at best a second-rate guitar player, a pretty terrible harmonica player and far from a great singer. And yet many of the people I admire greatly kept referring to Dylan&#8217;s genius and covered his songs. And not only that, I loved the covers, from the now legendary Hendrix version of &#8220;All Along the Watchtower&#8221; to the rather obscure Keith Jarrett Trio take on &#8220;My Back Pages&#8221;. So clearly there had got to be something I was missing. Discovering Highway 61 Revisited may quite possibly be my point of entry into the World of Bob Dylan.</p>
<p><b>Sondre Lerche &#8211; Dan in Real Life Soundtrack</b></p>
<p>I&#8217;ve liked Sondre Lerche&#8217;s poppy Skandinavian folk music for quite a while and in retrospect think letting him write and play out an entire movie soundtrack was a stroke of genius, because it so nicely complements the movie.</p>
<p><b>Rogriguez &#8211; Cold Fact</b></p>
<p>Folk music that bears a striking resemblance to Bob Dylan. Not quite as much lyrical depth, but Rodriguez compensates by being a much superior instrumentalist and singer.</p>
<p><b>Luiz Bonfá &#8211; Live in Rio</b></p>
<p>Another one of my great discoveries this year. Found a track of his, the stunningly pretty &#8220;Perdido de Amor&#8221;, on a music compilation by Jamie Cullum and immediately went to find all his other stuff. And this collection of live recordings of just Bonfá and his acoustic guitar are the ideal music for a relaxing summer evening.</p>
<p><b>Fleet Foxes &#8211; Fleet Foxes</b></p>
<p>As I wrote in my <a href="http://maasmedia.wordpress.com/2008/11/24/rockpalast-festival-review/">recent concert review</a>, this is a bit of an acquired taste. I didn&#8217;t like the music much the first time I listened to it, but after seeing and most of all hearing them live in Essen a couple of weeks ago, I&#8217;ve been listening to them incessantly.</p>
<p><b>Rock/Indie/Alternative/Whatnot</b></p>
<p>Air Traffic &#8211; Fractured Life</p>
<p>Saw them at the Rheinkultur festival in Bonn and was pleasantly surprised by them, despite the terrible sound mix. Got my hands on their album soon thereafter and they have become a constant presence in my playlists ever since. Unapologetically poppy indie music (that may very well be a contradiction in terms).</p>
<p><b>Flogging Molly &#8211; Drunken Lullabies</b></p>
<p>I&#8217;m usually not one for punk music. Most of it, quite frankly, bores me to tears. But this bit of Celtic punk, my brother&#8217;s recommendation, is simply extremely fun music. I would <em>love</em> to see one of their concerts the next time they&#8217;re in town.</p>
<p><b>Janis Joplin &#8211; I Got Dem Ol&#8217; Kozmic Blues Again Mama!</b><br />
<b>The Jimi Hendrix Experience &#8211; Electric Ladyland</b></p>
<p>Nothing particularly obscure, but there&#8217;s a reason these two albums are classics of Woodstock-style rock music as I found out while consciously going through major parts of both the Hendrix and Joplin discographies.</p>
<p><b>The Kooks &#8211; Konk</b></p>
<p>Not quite what I was hoping the successor to the debut &#8220;Inside out, outside in&#8221; was going to be, but still a very enjoyable album after a few listens.</p>
<p><b>Lily Allen &#8211; Alright, still</b></p>
<p>Still an underrated singer, starring on another one of those very, very well-produced albums. Mark Ronson really gave it his all with this one. Now very much looking forward to the soon-to-be-released follow-up</p>
<p><b>The Pigeon Detectives &#8211; Emergency</b></p>
<p>Another fond concert memory. Fun indie rock. Nothing special or particularly innovative, but immensely enjoyable nonetheless.</p>
<p><b>The Raconteurs &#8211; Consolers of the Lonely</b></p>
<p>The side project of Jack White of the White Stripes and Brendan Benson, a great power-pop (apparently that&#8217;s the genre label) singer in his own right. And what a great collaboration. The White Stripes were always a bit too shrill and dissonant for my taste and Benson always a bit too much on the poppy side but I adore their convex combination (math inside reference).</p>
<h3>Other</h3>
<p><b>John Mayer &#8211; Were the Light is (Live in Los Angeles)</b></p>
<p>Yeah, yeah, I know what you&#8217;re thinking. You&#8217;re thinking that this is incredibly kitschy pop, the kind of music that pimpled 14-year olds listen to, at best one step above the Backstreet Boys or whatever pimpled 14-year olds listen to these days. To which I can only say &#8220;meh, so be it!&#8221;. I won&#8217;t pretend that this is sophisticated music (though I do think that Mayer is a pretty decent guitar player), but the man has a talent for writing songs with very catchy guitar hooks.</p>
<p><b>Ryan Adams and the Cardinals &#8211; Cardinology</b></p>
<p>Ryand Adams back to old form. I don&#8217;t enjoy a lot of country music. The mainstream stuff seems to me to have the musical complexity of German carnival music and is equally trivial and corny lyrically. But Ryan Adams and the Cardinals still seem to be able to capture and convey that certain longing, heartache and fragility that draws me to them immensely.</p>
<p><b>Gonzales &#8211; Solo Piano</b></p>
<p>One of the people behind Feist&#8217;s breakthrough album and a bit of a musical polymath. Neither the hip-hoppy electronica of his first two albums nor his most recent effort &#8220;Soft Power&#8221; are entirely my cup of tea, but this album, 45 minutes of calm self-composed solo piano music is right up my alley.</p>
<p><b>Monsters of Liedermaching &#8211; Sitzpogo</b></p>
<p>I owe one of the funnest concerts of the year to this German guitar singer-songwriter sextet. Their latest album is possibly their best yet. More than once have I&#8217;ve caught myself singing and humming some of their funny lyrics in recent weeks.</p>
<p>So, what was your favorite album of the year? What was the song you kept singing and humming involuntarily all the time? What was your great musical discovery? I would love to hear from you!</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[E, F i G, czyli od Earth, przez Fuck Buttons, do Grouper (REKOLEKCJE, cz. 4)]]></title>
<link>http://chacinski.wordpress.com/2009/01/03/e-f-i-g-czyli-od-earth-przez-fuck-buttons-do-grouper-rekolekcje-cz-3/</link>
<pubDate>Sat, 03 Jan 2009 17:14:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>Bartek Chaciński</dc:creator>
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<description><![CDATA[&gt;&gt;&gt;4&lt;&lt; EARTH “The Bees Made Honey in the Lion&#8217;s Skull”, Southern Lord premiera:]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/earth_thebees.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-522" style="margin:5px 10px;" title="earth_thebees" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/earth_thebees.jpg?w=96" alt="earth_thebees" width="96" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;4&#60;&#60;<br />
EARTH “The Bees Made Honey in the Lion&#8217;s Skull”, Southern Lord</strong><br />
<em> premiera: luty 2008, źródło: Amazon.com</em></p>
<p style="text-align:justify;">Nie będę się rozwodził na temat tego, jak ważny to wykonawca (o Dylana Carlsona mi chodzi), jak ważny zespół. Nadzieje były wielkie, tym bardziej, że to jedna z pierwszych poważnych premier roku, gościnnie Bill Frisell i w ogóle. Oczywiście, rewelacyjny w swej bezczelności jest zabieg powodujący, że proste bluesowe progresje przestają być czytelne, bo przy tak wolnym tempie między toniką, subdominantą i dominantą mijają całe wieki, więc zapominamy nawet w jakiej tonacji był utwór, a nie tylko jaki ma być kolejny akord. Między jednym a drugim akordem basista zdąży spokojnie zapytać gitarzystę, jaki akord będzie grał za chwilę, ba!, w zasadzie mogą razem wyskoczyć na piwo. Klimatyczna płyta, nie da się ukryć. Ale nie da się też ukryć, że miało być nudno z założenia i przy 3-4 słuchaniu już jest.</p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/eleanoorarosenholm_ala.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-523" style="margin:5px 10px;" title="eleanoorarosenholm_ala" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/eleanoorarosenholm_ala.jpg?w=106" alt="eleanoorarosenholm_ala" width="106" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;&#62;4&#60;&#60;<br />
ELEANOORA ROSENHOLM &#8220;Älä kysy kuolleilta, he sanoivat&#8221;, Fonal</strong><br />
<em> premiera: wrzesień 2008, źródło: Boomkat.com</em></p>
<p>Ładna, kompletnie pozbawiona pretensji płyta pop od wydawców folku i ambientu. Najbliżej może Risto, jeśli chodzi o katalog Fonal. Eleanoora to zespół nagrywający z podobnym humorem, ale muzycznie jeszcze lżejszy. Nawiązuje do różnych, w tym naprawdę kiczowatych, wzorców z ostatnich dekad. U Finów ma dobre recenzje, co świadczy o tym, że śpiewane w ojczystym języku teksty (obdarzona miłym głosem Noora Tommila plus koledzy w chórkach) &#8211; rzecz, której prawdopodobnie nigdy nie zrozumiem &#8211; też mają niezłe.</p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/elephant9_dodovoodoo.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-524" style="margin:5px 10px;" title="elephant9_dodovoodoo" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/elephant9_dodovoodoo.jpg?w=107" alt="elephant9_dodovoodoo" width="107" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;4&#60;&#60;<br />
ELEPHANT9 &#8220;Dodovoodoo&#8221;, Rune Grammofon</strong><br />
<em>premiera: maj 2008, źródło: </em><em>na razie &#8220;znalezione&#8221;</em></p>
<p style="text-align:justify;">Nie był to szczęśliwy rok dla Rune, zatem i ta płyta cieszy. Kapitalne połączenie organowego hard rocka i wyrafinowanego rytmicznie funku zadowoli różnych miłośników muzyki wczesnych lat 70. z osobna, albo i wszystkich na raz. Jeśli ktoś ma alergię na Emerson, Lake &#38; Palmer, to może zareagować gwałtownie, ale jeśli wyobrazi sobie ELP z wszczepioną inteligencją rytmiczną w stylu elektrycznej grupy Milesa Davisa albo bardziej jeszcze Weather Report, to może da się namówić do posłuchania. Jedyny problem w tym, że to płyta nierówna. Liderujący triu Ståle Storløkken czuje się w drapieżnych krótkich formach jak ryba w wodzie, ale wszyscy trochę się gubią, gdy w tej konwencji przychodzi im nagrać utwór 13-minutowy. Bez Helge Stena klimaty w stylu Supersilent nie wychodzą mu już tak dobrze.  I w tym momencie pomoc w opanowaniu długiej formy ze strony dziadka Emersona byłaby może nawet i wskazana&#8230; <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' />  Ale mimo zastrzeżeń wszystko wskazuje również na to, że to będzie mój ostatni zakup spośród ciekawych płyt roku 2008.</p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/est_leucocyte.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-525" style="margin:5px 10px;" title="est_leucocyte" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/est_leucocyte.jpg?w=96" alt="est_leucocyte" width="96" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;&#62;5&#60;<br />
ESBJÖRN SVENSSON TRIO &#8220;Leucocyte&#8221;, Act</strong><br />
<em> premiera: wrzesień 2008, źródło: promo-CD firmy Act</em></p>
<p style="text-align:justify;">Svensson na swojej ostatniej, pośmiertnie wydanej płycie zbliża się do Supersilent, jeśli wziąć pod uwagę coraz bardziej dzikie eksperymenty z syntezatorami, a jego sekcja rytmiczna gra momentami ciężko jak zespół metalowy (choć ten kierunek sygnalizowali już na &#8220;Tuesday Wonderland&#8221; i koncertówce &#8220;Live In Hamburg&#8221;). Zdaję sobie sprawę, że zmarłych otacza zwykle najbardziej niezdrowy rodzaj hajpu, jaki można sobie wyobrazić, ale dajcie szansę tej płycie, jeśli ktoś z Was jeszcze tego nie zrobił. Mniej jest na niej charakterystycznej dla E.S.T. liryki, mniej może porywających tematów fortepianowych, za to więcej melancholii, mroku. Jest w niej zarazem coś z naukowego skupienia nad życiem (o życiu wszak traktuje, i to w sensie bardziej biologicznym &#8211; stąd te białke krwinki w tytule). Ale przepiękny fragment tytułowej suity pt. &#8220;Ad Mortem&#8221; (nomen omen w tym wypadku, cholera, jednak nie mogę się nie pochylić nad człowiekiem w tym wszystkim) wynagrodzi fanom &#8220;starego&#8221; E.S.T. wiele wysiłku i skupienia włożonego w słuchanie albumu. Wracając do Supersilent &#8211; to jest moim zdaniem bardziej udana próba tego, co zespół Helge Stena próbował zrobić na albumie &#8220;8&#8243;.</p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/evangelicals_eveningdescends.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-526" style="margin:5px 10px;" title="evangelicals_eveningdescends" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/evangelicals_eveningdescends.jpg?w=96" alt="evangelicals_eveningdescends" width="96" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;4&#60;&#60;<br />
EVANGELICALS „The Evening Descends”, Dead Oceans</strong><br />
<em>premiera: styczeń 2008, źródło: Amazon.com</em></p>
<p style="text-align:justify;">Jak to się stało, że do tej pory o tym jeszcze nie pisałem? Zespół z mojego ulubionego kręgu psychodelicznego pop-rocka, nie bez odniesień do The Flaming Lips. Płyta nagrana według jednego konceptu, pełna optymistycznego szaleństwa, z szerokim zestawem instrumentów (od elektrycznych gitar po dzwonki) i upodobań (od rocka progresywnego po barokowy pop), ale zarazem niezwykle melodyjna. Stanowczo warto poznać. Wrażenie psuje dość kiepska produkcja albumu, a przed byciem drugim Arcade Fire Ewangelików &#8220;broni&#8221; fakt, że są jednak zbyt eklektyczni i mają nie najlepszego wokalistę. Ale ogólnie krzyżyk na drogę i spotkamy się w kolejnych latach.</p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/foals_antidotes.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-527" style="margin:5px 10px;" title="foals_antidotes" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/foals_antidotes.jpg?w=96" alt="foals_antidotes" width="96" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;4&#60;&#60;<br />
FOALS „Antidotes”, Sub Pop</strong><br />
<em>premiera: marzec 2008, źródło: Amazon.com</em></p>
<p style="text-align:justify;">Młoda kapela z Oksfordu (ręka do góry, kto po Radiohead odruchowo nie strzyże uszami, gdy słyszy nazwę tego miasta), reklamowana jako math rock i niemająca z math rockiem absolutnie nic wspólnego.  Wire, Gang Of Four &#8211; to są punkty odniesienia. Artystowski punk jednym słowem. Rzemiosło rockowe opanowali zresztą znakomicie, a w tym roku z łatwością nokautują takich na przykład Bloc Party czy The Faint (tak przy okazji: ktoś zauważył w ogóle, że te dwa zespoły jeszcze istnieją?). I pomyśleć, że tamci swego czasu mi się podobali. Czy to wystarczy w czasach, gdy hasło dance punk kojarzy się już z wyświechtanym trendem sprzed trzech sezonów? Owszem, wystarczy, żeby posłuchać. Potargować warto, ja w końcu kupiłem, gdy już zobaczyłem chłopaków na żywo. Będą z nich ludzie. Aha -  i bezwzględnie jedna z okładek roku!</p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/fuckbuttons_street.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-528" style="margin:5px 10px;" title="fuckbuttons_street" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/fuckbuttons_street.jpg?w=106" alt="fuckbuttons_street" width="106" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;&#62;5&#60;<br />
FUCK BUTTONS &#8220;Street Horrrsing&#8221;, ATP</strong><br />
<em>premiera: luty 2008, źródło: Boomkat.com</em></p>
<p style="text-align:justify;">Połowa znajomych, którym to puścicie, wyjdzie z pokoju. Połowa drugiej połowy nie wyjdzie, ale drastycznie i błyskawicznie zmieni o Was opinię. Połowa z tych, co zostali, zacznie Wam udowadniać, że tak prymitywnej muzyki nie słyszało od czasu, gdy chodzili z dziewczyną, która studiowała zwyczaje Aborygenów. Połowa z drugiej połowy (tych, którzy zostali) uzna, że to niezły żart, może wyczuje jakąś prowokację. Bo prawdopodobnie w dowolnym kręgu towarzyskim będziecie jedynymi osobami, które nie są w stanie znieść mieszaniny plemiennych rytmów, nieartykułowanych głosów przepuszczonych przez dziwne efekty, noise&#8217;u i prostych, powtarzalnych motywów granych na syntezatorach (nie wliczam w to blogów i serwisów muzycznych, bo te z natury grupują zboczeńców z całego świata). Być może nawet Wy, którzy czytacie te słowa, w ogóle nie lubicie tej płyty. Owszem, nie jest może wybitna, na to trochę zbyt nierówno. Ale nie wmówicie mi, że to album przeciętny. Już czekam na następną propozycję FB.</p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/gas_nahundfern.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-529" style="margin:5px 10px;" title="gas_nahundfern" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/gas_nahundfern.jpg?w=96" alt="gas_nahundfern" width="96" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;&#62;&#62;6<br />
GAS „Nah und Fern”, Kompakt 2008</strong><br />
<em>premiera: 1996-2000, reedycja: czerwiec 2008, źródło: Amazon</em></p>
<p style="text-align:justify;">Do tej płyty jeszcze wrócę, co pewnie niespecjalnie dziwi kogokolwiek w kontekście nieuchronnej listy najlepszych płyt roku. Jeśli ktoś się spodziewał recenzji w tydzień po ukazaniu, muszę go zawieść &#8211; są 4 CD do przesłuchania, i to na tyle podobne stylistycznie, że nie łyknie się tego w jeden wieczór. Mnie przekonywanie się do &#8220;Nah und Fern&#8221; (bo oryginałów nie znałem, a całe czołobitne przyjęcie płyty odebrałem jak zwykle w takich wypadkach z olbrzymią rezerwą) zajęło miesiące. Jeśli nie aż tyle, to z całą pewnością warto poświęcić temu albumowi choć parę tygodni. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/gasoline_thenewdiscipline.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-504" style="margin:5px 10px;" title="gasoline_thenewdiscipline" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/gasoline_thenewdiscipline.jpg?w=99" alt="gasoline_thenewdiscipline" width="99" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;4&#60;&#60;<br />
GASOLINE &#8220;The New Discipline&#8221;, Homeless Records</strong><br />
<em>premiera: kwiecień 2008, źródło: promo-CD od zespołu</em></p>
<p style="text-align:justify;">Biję się w piersi &#8211; to polskie trio braci Dawidowskich (gitara, elektronika, bas) i Dariusza Goska (perkusja) odrzuciłem najpierw jako klon klonów post-post-rockowców. To jest tak: dużo płyt trzeba w ciągu roku przesłuchać. Większość  dostaje szansę tylko raz. A z tym jednym razem to różnie bywa. Zależy od okoliczności. Ale jest też tak: mój syn, odkąd nauczył się chodzić, bierze ode mnie z półki jakąś płytę, wyjmuje i niesie do kompaktu, żeby mu puścić. Na początku myśleliśmy, że myli CD z DVD z bajkami. Nie. Potem &#8211; że nie będzie mu się podobało, kiedy mu będziemy puszczać, bo bierze cokolwiek, czasem jakąś płytę leżącą na podłodze, która wypadła z jakiegoś czasopisma i ma napis &#8220;Party Hits&#8221; i której nikt w domu dotąd nie słyszał. Otóż nie. Lucek chwyta od tygodnia tę samą &#8211; Gasoline. Chwyta i nosi. Puszczamy i co się okazuje? Mały jest fanem post-rocka i podryguje w rytm Gasoline (choć, powiedzmy od razu, mało to taneczna muzyka). Po prostu mu się podoba. W wyniku tego wysłuchałem jeszcze kilka razy całości. Jakoś tak światowo, bez obciachu, delikatnie do tego stopnia, że z Thrill Jockeya ucieka to chwilami w stronę Kranky. Ale jest ciepło, pozytywnie, gdy chodzi o klimat, dość melodyjnie. Panowie, brak czasu odebrał mi wcześniej bardzo dobrą polską płytę, może nawet jedną z ciekawszych, jakie się w tym roku ukazały&#8230; Jestem Wam winien przeprosiny. Zaraz, a czy nie będę musiał zaraz przepraszać drugi raz, że tak mało napisałem o samej muzyce? Nie sądzę, bo ci, którzy do niej dotrą i posłuchają więcej niż raz, docenią ją na pewno.</p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/girl_talk.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-502" style="margin:5px 10px;" title="girl_talk" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/girl_talk.jpg?w=96" alt="girl_talk" width="96" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;&#62;5&#60;<br />
GIRL TALK &#8220;Feed the Animals&#8221;, Illegal Art</strong><br />
<em>premiera: czerwiec 2008, źródło: <a href="http://74.124.198.47/illegal-art.net/__girl__talk___feed__the__anima.ls___/" target="_blank">illegalart.net</a></em></p>
<p style="text-align:justify;">Najlepsza imprezowa płyta roku, najlepsza mashupowa płyta roku itp. itd. Napisałem już parę zachwytów na temat Gregga Gillisa <a href="http://przekroj.pl/kultura_muzyka_artykul,2738.html" target="_blank">na łamach &#8220;Przekroju&#8221;</a>, tutaj nie będę się więc powtarzał. Aha &#8211; zapłaciłem 5 dolarów za tę płytę. Najlepiej wydane pięć dolarów w tym roku. Tym bardziej, że dolar wtedy stał koło 2 zł, a nie 3 zł. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/grails_doomsdayersholiday2.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-501" style="margin:5px 10px;" title="grails_doomsdayersholiday2" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/grails_doomsdayersholiday2.jpg?w=96" alt="grails_doomsdayersholiday2" width="96" height="96" /></a>&#62;&#62;3&#60;&#60;&#60;<br />
GRAILS &#8220;Take Refuge In Clean Living&#8221;, Important Records</strong><br />
<em>premiera: maj 2</em><strong></strong><em>008, źródło: Amazon</em><br />
<strong>&#62;&#62;&#62;4&#60;&#60;<br />
GRAILS “Doomsdayer’s Holiday”, Temporary Residence</strong><br />
<em>premiera: październik 2008, źródło: Amazon</em></p>
<p style="text-align:justify;">Kolejna kapela, do której mam słabość i nie wiadomo kiedy zgromadziłem pół jej dyskografii. Pisałem już o nich przy okazji poprzedniego <a href="http://chacinski.wordpress.com/2007/12/31/2007-wielkie-sprzatanie-2-plyty-roku/" target="_blank">podsumowania roku</a>. Od tamtej pory trochę mniej się zrobiło horroru i metalu w ich muzyce (i dobrze), minialbum &#8220;Take Refuge&#8230;&#8221; zawiódł mnie jeśli chodzi o jakość kompozycji. Za to na &#8220;Doomsdayer&#8217;s Holiday&#8221; zespół na szczęście wychodzi ze swoich kazamatów na jakieś świeże powietrze. Czysta psychodelia z lekką domieszką post-rocka, znajdzie to swoich amatorów z całą pewnością.</p>
<p><strong><a href="http://chacinski.files.wordpress.com/2009/01/grouper_dragging.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-530" style="margin:5px 10px;" title="grouper_dragging" src="http://chacinski.wordpress.com/files/2009/01/grouper_dragging.jpg?w=96" alt="grouper_dragging" width="96" height="96" /></a>&#62;&#62;&#62;&#62;5&#60;<br />
GROUPER „Dragging a Dead Deer Up a Hill”, Type</strong><br />
<em>premiera: czerwiec 2008, źródło: Boomkat.com</em></p>
<p>Kapitalne brzmienie bardzo w stylu starego 4AD, chociaż bardziej to psychodeliczny folk niż oniryczny pop. Kilka utworów kwalifikuje się do listy najlepszych w roku, ale jednak słuchać tego wciąż i wciąż po prostu się nie da. I tu mam problem z punktacją dość &#8211; przyznaję &#8211; zasadniczy. Bo czy oceniać wyjątkowość i oryginalność brzmienia, czy zestaw kompozycji jako idealny, czy może wirtuozerię wykonania? Czy oceniać świeże wrażenie, jakie płyta robi na wąskiej grupie poszukiwaczy nowych doznań, czy przyjemność, jaką będą z niej mieli różni słuchacze? Bo Elizabeth Harris to artystka charakterystyczna, prawdziwe odkrycie, ale z drugiej strony &#8211; jej pomysł na gitarę, pogłosy i wokal nigdy nie będzie moim zdaniem pomysłem na cały genialny album. Znakomite za to jako muzyka do zasypiania. Podobnie jak w wypadku Fuck Buttons zaokrąglam ocenę mocno w górę za to, jakie wrażenie ta płyta robi jako stylistyczne odkrycie.</p>
<p>E w tym roku znaczyło również tyle co <a href="http://chacinski.wordpress.com/2008/06/11/z-cyklu-najgorsze-plyty-roku/" target="_blank">Ellen Allien</a>. O jej płycie już pisałem (patrz link).  Nie zdążyłem napisać o Ecstasy Project,  Elbow, El Perro del Mar, Eryce Badu, Evangeliście i Emilianie Torrini. O Fleet Foxes (to spod F) pisałem już dwukrotnie: <a href="http://chacinski.wordpress.com/2008/05/21/krotkie-pilki-20/" target="_blank">tu </a>i <a href="http://chacinski.wordpress.com/2008/08/03/letnie-festiwale-czyli-polowanie-na-lisy/" target="_blank">tu</a>. Nową płytę Fujiya &#38; Miyagi opisałbym też, gdyby było warto. Zostawiam na marginesie Freda Fritha, Firewater i Fisza z Emade. The FLaming Lips też, bo nie zdążyłem dotąd obejrzeć filmu. Płyty Flying Lotus i Fennesza dotarły późno, ale niczego już nie zmienią w zestawieniu. Spod G brałem na warsztat&#8230; hm, chyba niczego do tej pory nie brałem. Ciąg dalszy nastąpi, choć jeśli będę jechał w takim tempie, to podsumowanie płytowe 2008 zamieszczę koło kwietnia. Chyba będę się streszczał w najbliższych dniach. W miarę możliwości i sił, oczywiście <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Licznik słów pokazał właśnie 1825. Darowałem sobie, jak widać, przydługie tytuły (tamten z C i D był rekordowo długi), za to nie daruję sobie długich wpisów.Tak, tak, komentować można dopiero tu, poniżej.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[resumen 2008 -o ebrio, o no me importa parecer soberbio]]></title>
<link>http://maquinadeescribir.wordpress.com/2009/01/01/resumen-2008/</link>
<pubDate>Thu, 01 Jan 2009 08:26:19 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rodrigo Guajardo</dc:creator>
<guid>http://maquinadeescribir.wordpress.com/2009/01/01/resumen-2008/</guid>
<description><![CDATA[| desde que aprendí la voluntad, me he esforzado (no sé si con gusto, pero así lo he querido y lo he]]></description>
<content:encoded><![CDATA[| desde que aprendí la voluntad, me he esforzado (no sé si con gusto, pero así lo he querido y lo he]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poll of the year'08!]]></title>
<link>http://xdevx.wordpress.com/2008/12/30/poll-of-the-year08/</link>
<pubDate>Tue, 30 Dec 2008 14:07:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>xdevx</dc:creator>
<guid>http://xdevx.wordpress.com/2008/12/30/poll-of-the-year08/</guid>
<description><![CDATA[records of the year: 1. Fuck Buttons &#8211; Street Horrrsing &#8211; transcendental in any way. A t]]></description>
<content:encoded><![CDATA[records of the year: 1. Fuck Buttons &#8211; Street Horrrsing &#8211; transcendental in any way. A t]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Esbjörn Svensson Trio | Plays Monk ]]></title>
<link>http://theurbanflux.wordpress.com/2008/12/29/esbjorn-svensson-trio-plays-monk/</link>
<pubDate>Mon, 29 Dec 2008 13:10:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>theurbanflux</dc:creator>
<guid>http://theurbanflux.wordpress.com/2008/12/29/esbjorn-svensson-trio-plays-monk/</guid>
<description><![CDATA[Esbjörn Svensson Trio Esbjörn Svensson Trio | Plays Monk [Act Music + Vision/IMPORT/2008] Until the ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Esbjörn Svensson Trio Esbjörn Svensson Trio | Plays Monk [Act Music + Vision/IMPORT/2008] Until the ]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ESBJORN SVENSSON TRIO - TUESDAY WONDERLAND (2006)]]></title>
<link>http://stepenclub.wordpress.com/2008/12/12/esbjorn-svensson-trio-tuesday-wonderland-2006/</link>
<pubDate>Fri, 12 Dec 2008 23:39:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>stepenson</dc:creator>
<guid>http://stepenclub.wordpress.com/2008/12/12/esbjorn-svensson-trio-tuesday-wonderland-2006/</guid>
<description><![CDATA[01 Fading Maid Preludium 02 Tuesday Wonderland 03 The Goldhearted Miner 04 Brewery of Beggars 05 Beg]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-332 aligncenter" title="cd_est_tuesday_wonderland" src="http://stepenclub.wordpress.com/files/2008/12/cd_est_tuesday_wonderland.jpg" alt="cd_est_tuesday_wonderland" width="350" height="310" /><span class="postbody"><span style="font-family:arial;"></span></span></p>
<p><span class="postbody"><span style="font-family:arial;">01 Fading Maid Preludium </span><br />
<span style="font-family:arial;">02 Tuesday Wonderland </span><br />
<span style="font-family:arial;">03 The Goldhearted Miner</span><br />
<span style="font-family:arial;">04 Brewery of Beggars </span><br />
<span style="font-family:arial;">05 Beggar&#8217;s Blanket </span><br />
</span><span class="postbody"><span style="font-family:arial;">06 Dolores in a Shoestand </span><br />
<span style="font-family:arial;">07 Where We Used to Live </span><br />
<span style="font-family:arial;">08 Eighthundred Streets by Feet </span><br />
<span style="font-family:arial;">09 Goldwrap </span><br />
<span style="font-family:arial;">10 Sipping on the S</span></span><span class="postbody"><span style="font-family:arial;">olid Ground </span><br />
<span style="font-family:arial;">11 Fading Maid Postludium </span></span></p>
<p><strong><span class="postbody"><span style="font-family:arial;">LINK<br />
</span></span><a href="http://anonym.to/?http://lix.in/-3977e5">RAPIDSHARE @ 320 KBPS</a></strong></p>
<p>Uno de los grupos de jazz moderno más aclamado de los últimos tiempos, liderado por el ya tragicamente fallecido pianista, Esborjn Svensson, este trío sueco nos demuestra que con una formación de lo más clásica en el jazz como es piano, batería y contrabajo, las posibilidades siguen siendo infinitas. La Musica de EST, es única, minimalista, íntima, moderna y evocadora, una cruza abierta entre el Jazz, de Bill Evans Trio, La música electrónica, música clásica, new age, resucita los elementos pianisticos de Keith Jarrett y les da un nuevo giro, sin ser de una complejidad grande, su música es simple, pero indescifrable. Aca les dejo uno de sus trabajos más aclamados<span class="postbody"><span style="font-family:arial;">.</span></span></p>
<p>Esbjörn Svensson Trio (también conocido como E.S.T.) fue un grupo musical sueco cuyo estilo principal es el jazz. Se fundó en 1990. y estuvo formado por el líder y pianista Esbjörn Svensson (piano), Dan Berglund (bajo) y Magnus Öström (batería). E.S.T. eran conocidos por su innovador estilo y han tenido un gran reconocimiento mundial, tanto entre la crítica y expertos como de ventas.</p>
<p>A comienzos de los años 90 el pianista Esbjörn Svensson y su amigo el batería Magnus Öström conocieron al contrabajista Dan Berglund, formando el Esbjörn Svensson Trio. Desde sus origenes de sonido más convencional, mostraban inclinación hacia las influencias del pop y el rock, siempre sobre un toque sonoro a medio camino entre los tríos de Bill Evans y la música clásica europea. Hay en el grupo un decidido alejamiento respecto del swing como componente estilístico, evidenciado en el uso de elementos externos que reforzaran las posibilidades de sus instrumentos y ampliaron el espectro sonoro, para buscar su personal artística. A principios del nuevo siglo XXI, la electrónica ya era parte imprescindible de E.S.T., y el ingeniero de sonido Ake Linton se había convertido en una especie de cuarto miembro. Linton es el responsable de la mayoría de grabaciones del trío, y en las giras se encarga de los efectos de sonido conectados a los tres instrumentos. Ese elemento electrónico, ha estado presente también en las grabaciones más recientes del grupo.</p>
<p>Desde mediados de los ochenta, Svensson y Öström se establecen como referente de la escena suiza y danesa del jazz. Formaron su primer trío en 1990. pero no fue hasta 1993 cuando tuvieron lo necesario para tener un CD. Fue entonces cuando conocieron a Dan Berglund, e invitaron a formar parte del trío.</p>
<p>En 1993 el Esbjörn Svensson Trio grabó y lanzó su álbum debut “When Everyone Has Gone” (Dragon); en 1995, la grabación en director “Mr. Mrs. Handkerchief” (Propone), el cual fue publicado en el resto del mundo seis años después bajo el título “E.S.T. Live 95”. A mediados de los noventa el trío se hizo hueco en Suecia y firmó con el sello discográfico Superstudio Gul/ Diesel Music. El primer álbum para este sello, editado el mismo año, fue “E.S.T Plays Monk”, el cual, raudamente, vendió más de 10.000 copias en Suiza. Y comenzaron a ganar premios: en 1995 y 1996 Esbjörn Svensson fueron galardonados con el premio Swedish Jazz Musician, y en 1998 el premio Songwriter del año, en 1997 lanzaron “Winter in Vence”, que consistía principalmente en material original, fue galardonado con el Swedish Grammy.</p>
<p>En 1999 lanzan “ From Gagarin´s Point of Wiew” que fue el primer álbum de E.S.T.,que se editó fuera de Escandinavia a través del sellos discográfico ACT, y realizan apariciones en directo en los festivales de JazzBaltica y Montreux, lo cual marco el inicio de un gran avance para la banda. Un año más tarde el CD “Good Morning Susie Soho” fue publicado e hizo ganar al trío el título de “Trio of the Year” por Jazzwise, en Reino Unido. E.S.T. comenzó una gira en el “Rising Stars” Jazz circuit y actuaron en festivales de toda Europa. Al mismo tiempo Sony Columbia USA publicó el primer CD “Somewhere Else Before” una recopilación de los álbumes europeos “From Gagarin´s Point of View” y “Good Morning Suisie Shoho” en Estados Unidos.</p>
<p>El lanzamiento del álbum de 2002 “Strange Place for Snow” de E.S.T. fue respaldado por una gira de nueve meses por diversas ciudades europeas y Estados Unidos y Japón. La música de este álbum también formó parte de la banda sonora de la película francesa “Dans ma Peau” dirigida por la actriz y guionista Marina de Van. El álbum ganó numerosos premios, como el “Jahrespreis der Deutschen Schallplattenkritik” (premio alemán del jazz), el premio “ Choc de L ´année” (Francia), el “Vitoire du jazz” (Grammy francés),como mejor actuación y también el premio “Revelation of the Festival”, un premio especial de Midem.<br />
E.S.T. El pianista Esbjörn Svensson</p>
<p>En 2003 la banda edita “Seven Days of Falling”. El álbum entró inmediatamente en las listas de éxitos alemanas, francesas y suecas. Fue editado en Europa, Estados Unidos, Japón y Corea del Sur. Acompañaron a la banda K.D. Lang en su tour por Estados Unidos, actuando en estadios y “concert halls”. Miles de personas pudieron ver su show en director durante los doce meses posteriores al lanzamiento de “Seven Days of Falling”. Como resultado de todo esto, E.S.T fue galardonado con el premio Hans Koller como “Artistas europeos del año” -en diciembre de 2004- votado por 23 profesionales de la industria del jazz de 23 ciudades europeas.</p>
<p>Su álbum “Viaticum” (Enero de 2005) sobrepasó el éxito de álbumes anteriores. Entró en el top 50 de las listas de éxitos en Alemania y Francia, alcanzando el top 4 en Suecia. La banda realizó una gira más amplia que las anteriores con este nuevo álbum por Europa, Japón, Corea del Sur, Australia, Nueva Zelanda, Brasil, Canadá y Estados Unidos. Fueron galardonados con premio “German Jazz Award” oro y platino, el premio IAJE y el Swedish Grammy. También fueron la primera banda europea de jazz que apareció en portada del “Downbeat jazz magacine” en Estados Unidos.</p>
<p>El 15 de junio de 2008 fallece, a los 44 años, el pianista Esbjörn Svensson, que dio nombre al grupo, debido a un accidente mientras practicaba el buceo en un lago de Ingarö, a las afueras de Estocolmo.</p>
<p><span class="postbody"><span style="font-family:arial;"><br />
</span></span></p>
<p><span class="postbody"><strong><br />
</strong></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Esbjörn Svensson Trio - Seven Days of Falling]]></title>
<link>http://soboamusica.wordpress.com/2008/10/25/esbjorn-svensson-trio-seven-days-of-falling/</link>
<pubDate>Sat, 25 Oct 2008 13:03:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>franciscogomes</dc:creator>
<guid>http://soboamusica.wordpress.com/2008/10/25/esbjorn-svensson-trio-seven-days-of-falling/</guid>
<description><![CDATA[Original Release Date: August 24, 2004 Tracklisting: Ballad for the Unborn Seven Days of Falling Min]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://soboamusica.wordpress.com/files/2008/10/esblzzzzzzz.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-77" title="Esbjörn Svensson Trio" src="http://soboamusica.wordpress.com/files/2008/10/esblzzzzzzz.jpg" alt="" width="300" height="296" /></a></p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/LAvTodeMosw&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/LAvTodeMosw&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p><strong>Original Release Date:</strong> August 24, 2004</p>
<p><strong>Tracklisting:</strong></p>
<ol>
<li>Ballad for the Unborn</li>
<li>Seven Days of Falling</li>
<li>Mingle in the Mincing-Machine</li>
<li>Evening in Atlantis</li>
<li>Did they ever tell Cousteau?</li>
<li>Believe Beleft Below</li>
<li>Elevation of Love</li>
<li>In My Garage</li>
<li>Why She Couldn&#8217;t Come</li>
<li>O.D.R.I.P.</li>
</ol>
</div>]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Esbjörn Svensson (1964-2008)]]></title>
<link>http://dirkmarien.wordpress.com/2008/06/21/esbjorn-svensson-1964-2008/</link>
<pubDate>Sat, 21 Jun 2008 09:45:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>Dirk Mariën</dc:creator>
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<description><![CDATA[De jazzwereld rouwt, Esbjörn Svensson is niet meer. De pianist/componist van het Esbjörn Svensson Tr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">De jazzwereld rouwt, Esbjörn Svensson is niet meer. De pianist/componist van het Esbjörn Svensson Trio (E.S.T.) liet vorig weekend het leven bij een duikongeval bij Stockholm.</p>
<p style="text-align:justify;"><span class="tekst">Esbjörn Svensson overschreed alle genres en bekoorde zo meer dan jazzliefhebbers alleen. Hij werd meermaals de &#8216;belangrijkste jazzfiguur van dit decennium&#8217; genoemd. Vanuit alle gezichtspunten was hij een van de grootste Europese musici, &#8216;een jazzartiest met het formaat van een popster&#8217;.<br />
</span><span class="tekst">E.S.T. bestond naast Esbjörn Svensson uit drummer Magnus Öström en bassist Dan Berglund. Het trio heeft sinds de jaren negentig een dozijn albums opgenomen die zowel scoorden bij de critici als het publiek aan weerszijden van de Atlantische Oceaan. E.S.T. kreeg meerdere onderscheidingen.<br />
</span><span class="tekst">Svensson was 44, gehuwd en vader van twee kinderen.</span></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://farm2.static.flickr.com/1391/776111394_027d4c8852.jpg" alt="" width="333" height="500" /><br />
(foto © Bruno Bollaert)</p>
<p style="text-align:justify;">Vrijdag 8 mei 2009 zou hij concerteren in de Warande te Turnhout. Kaartjes had ik reeds besteld. Het had m&#8217;n eerste live EST ervaring moeten worden, maar het noodlot besliste er anders over.</p>
<p style="text-align:center;">Esbjörn Svensson Trio &#8211; Serenade for the Renegade:<br />
<span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/vz0Wlnwzxyk&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/vz0Wlnwzxyk&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://www.est-music.com/" target="_blank">http://www.est-music.com/</a></p>
</div>]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[[i] Esbjörn Svensson zginął w wypadku.]]></title>
<link>http://jazzpress.wordpress.com/2008/06/17/i-esbjorn-svensson-zginal-w-wypadku/</link>
<pubDate>Tue, 17 Jun 2008 17:59:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>jazzpress</dc:creator>
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<description><![CDATA[14 czerwca znany skandynawski pianista jazzowy i kompozytor Esbjörn Svensson uległ wypadkowi podczas]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>14 czerwca znany skandynawski pianista jazzowy i kompozytor Esbjörn Svensson uległ wypadkowi podczas nurkowania w okolicy Sztokholmu. Został przetransportowany helikopterem do szpitala gdzie zmarł. Zostawił żonę i dwójkę dzieci. Miał 44 lata.</p>
<p>Esbjörn Svensson był liderem Esbjörn Svensson Trio (e.s.t.). Razem z nim trio tworzył bębniarz Magnus Öström oraz basista Dan Berglund. Trio powstało w 1993 i w bardzo krótkim czasie odnieśli sukces w całej Szwecji. W przeciągu 15 lat podbili świat. W 1995 i 1996 Esbjörn Svensson był nominowany do nagrody najlepszego szwedzkiego muzyka jazzowego. e.s.t, wygrało lub było nominowane do wielu prestiżowych nagród.</p>
<p>Właśnie skończyli pracować nad 12 płytą e.s.t, <em>Leucocyte</em>.</p>
</div>]]></content:encoded>
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