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	<title>experiencia-do-cinema &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "experiencia-do-cinema"</description>
	<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 07:03:25 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[A Função Onírica da Sétima Arte]]></title>
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<pubDate>Wed, 07 May 2008 02:40:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>Ravi Santana</dc:creator>
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<description><![CDATA[Quando se diz que a imagem vale mais do que mil palavras, talvez não esteja sendo levada em conta a ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p class="western" style="margin-bottom:0;text-indent:.95cm;" align="justify">Quando se diz que a imagem vale mais do que mil palavras, talvez não esteja sendo levada em conta a opinião do cineasta polaco Jean Epstein. No entanto, o que o intelectual revela em seu texto O Cinema do Diabo, um apanhado de quatro de seus escritos que pode ser encontrado no livro A Experiência do Cinema, do teórico paulista Ismail Xavier, não somente reafirma o dito popular, como o leva a uma leitura da vida muito mais profunda do que a imaginada pela maioria dos que o usam.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-indent:.95cm;" align="justify">Mais do que apenas uma indústria do entretenimento, o cinema é, segundo o texto, uma maneira de subverter a ordem vigente, mais do que qualquer texto escrito, pela impossibilidade deste de atingir as emoções irracionais. Isto principalmente depois do sistema proposto pelas teorias de René Descartes, fazendo com que a arte seja uma das poucas formas de sobreviver a um mundo que leva estes conceitos ao limite.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-indent:.95cm;" align="justify">É muito comum se ouvir dizer que este ou aquele filme, como Tropa de Elite, ou mesmo que algum jogo de videogame, é prejudicial à cabeça daqueles que o assistem, já que induzem à violência. Nestes pré-julgamentos, leva-se em conta um dos pontos levantados por Epstein, o de que o cinema, a imagem em movimento, tem sobre a mente humana uma influência maior do que qualquer outro instrumento, levando as emoções para onde quiser.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-indent:.95cm;" align="justify">Na verdade não seria maior do que qualquer instrumento. Apenas um conseguiria ser maior ou igual: o sonho. É sabido por aqueles que estudam o aspecto psíquico dos homens, que o sonho é uma forma da mente expurgar alguns tipos de comportamento que não podem ser mostrados na realidade, ou seja, um tipo de higienizador mental sem o qual o equilíbrio psíquico não é possível. Assim, existem as teorias de que os loucos ou psicopatas não sonham, ou sonham pouco, o que faz com que eles tenham que exprimir estas suas vontades no mundo exterior.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-indent:.95cm;" align="justify">O cinema, como uma forma do homem fabricar sonhos, consegue funcionar desta mesma forma, diria o polaco. Desta forma, um filme que fala sobre os aspectos mais vis e baixos da sociedade são muito mais úteis e corretos do que algum que só demonstre qualidades e emoções boas. A obra audiovisual serve também como um exorcista do homem, assim como o sonho, ou mesmo como toda forma de arte, mas de uma forma mais abrangente.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-indent:.95cm;" align="justify">A arte tem uma função muito mais importante do que a simples questão estética ou histórica. O homem pode usar a sua sensibilidade para criar obras em que seus pensamentos mais primitivos podem vir à tona e se tornar algo bom. Não raro é uma ONG se instalar em alguma favela ensinando crianças sobre música, pintura, artes cênicas ou circo. Ultimamente, até mesmo o cinema tem entrado em pauta nestas escolas voluntárias. Talvez fosse mais fácil ensinar aos jovens alguma profissão, algo que lhes dê sustento no futuro, o que isto não trará, porém, o que está em jogo não é a felicidade, mas a evolução das mentes.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-indent:.95cm;" align="justify">É possível que este tipo de atitude dos mais abastados não tenha este objetivo. Pode ser apenas uma forma de tirar o jovem da marginalidade, fazendo com que se tenha um pouco mais de paz e sossego nos bairros mais ricos no futuro. Mesmo assim, além de colocar para fora a violência que poderia nascer destes alunos, esta medida pode chegar a alcançar um objetivo ainda maior, elevando intelectualmente estas cabeças, trazendo indiretamente o futuro melhor que se buscaria com as oficinas profissionalizantes.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-indent:.95cm;" align="justify">Mais do que a arte comum, a que usa meios audiovisuais, como o cinema, consegue ir além. A imagem em movimento tem uma grande influência sobre as pessoas, seja para o bem ou para o mal. Quando um filme como Cidade de Deus ou Tropa de Elite se torna um sucesso, expondo a violência de uma forma bem produzida, faz o espectador ter a sensação de que foi ele quem matou os bandidos cariocas. Com o tempo, esta banalização da violência, que é criticada pela maior parte das pessoas, faz com que se apague nestes espectadores uma reprimida vontade de matar.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-indent:.95cm;" align="justify">Para Jean Epstein, o cinema é como um imitador da psicanálise, o que explica que ambos nasceram com pouco tempo de diferença, em uma época em que eram muito necessários. O cineasta chega a chamá-lo de “arte-medicamento” ou de “prazer-válvula de escape”, para indicar sua certeza de que este pode servir com a função dos sonhos. Mais do que isto, ele revela que este é um instrumento transcartesiano.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-indent:.95cm;" align="justify">Depois que Descartes decretou seu cogito, a racionalização tomou conta do pensamento humano, chegando a uma situação insuportável no século passado, o que só foi aliviado pela psicanálise e pelo cinema. Estes, ao mesmo tempo, puderam dar aos que os procuram, a dúvida existencial. Se “Penso, logo, sou”, quem eu sou? O que pode indicar que o mais certo pode ser “Penso, logo, não sou”, já que se descobre a imperfeição e o que está em falta. Se o pensamento cartesiano pode levar a humanidade à loucura, cabe ao cinema, este paladino da poesia, a salvação do planeta. Ou, ao menos, encontrar uma forma de se suportar as restrições cada vez mais presentes na civilização moderna.</p>
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