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	<title>ficcao-especulativa &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "ficcao-especulativa"</description>
	<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 16:34:14 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Dabar]]></title>
<link>http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/11/17/dabar/</link>
<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 20:55:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>Lúcio Manfredi</dc:creator>
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<description><![CDATA[E eis que aporta às livrarias Os Dias da Peste, primeiro &#8211; mas, espera-se, não o último ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-229" title="peste" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/11/peste.jpg?w=100" alt="peste" width="100" height="150" />E eis que aporta às livrarias <em><a href="http://tarjaeditorial.com.br/tarja/?p=36" target="_blank">Os Dias da Peste</a></em>, primeiro &#8211; mas, espera-se, não o último &#8211; romance do <a href="http://www.overmundo.com.br/banco/interface-com-o-vampiro" target="_blank">escritor</a>, <a href="http://editoraanhembi.com.br/produto.php?products_id=120&#38;osCsid=73c07865453836e6e96934f8e94012eb" target="_blank">crítico e teórico da cybercultura</a> <a href="http://verbeatblogs.org/posestranho/" target="_blank">Fábio Fernandes</a>. Um dos melhores contistas da ficção científica brasileira, introdutor do movimento cyberpunk no Brasil e veterano das antigas guerras de trincheiras travadas pelo fandom tupiniquim, Fábio Fernandes devia(-se) um romance que lhe desse espaço suficiente para expandir sua verve e inventividade de um modo que a forma concentrada do conto nem sempre permite. Publicado pela <a href="http://tarjaeditorial.com.br/tarja/" target="_blank">Tarja Editorial</a>, que vem se firmando como um dos principais nichos da literatura de gênero no Brasil, <em>Os Dias da Peste</em> é esse romance.</p>
<p>Dividida em três partes, a história começa nos dias de hoje (mais exatamente, no dia 06 de abril de 2010) e segue até 2016, acompanhando &#8211; pelos olhos do técnico de computadores Artur Mattos &#8211; o que começa como uma série de panes nos equipamentos do mundo todo, apelidada pela imprensa de <em>infodemia</em> (e, dado o ouvido de Fernandes para trocadilhos, o cacófato é certamente intencional), e acaba desembocando na maior transformação de toda a história da humanidade.</p>
<p><!--more-->O livro é composto pelos diários de Arthur, sob a forma de entradas de blogs, anotações e podcasts escritos no calor da catástrofe, que aqui deve ser entendida em seu sentido aristotélico original, como uma guinada de 180 graus nos acontecimentos, fazendo com que situações positivas se transformem em negativas (por exemplo, a dependência humana de tecnologias facilitadoras desembocando no caos da infodemia) &#8211; e vice-versa.</p>
<p>Encontrados no século XXII, os diários de Artur são editados e exibidos para o público no Museu Líquido de Nova Copacabana, em comemoração aos cem anos da Convergência NeuroDigital, espécie de versão brazuca da <a href="http://www-rohan.sdsu.edu/faculty/vinge/misc/singularity.html" target="_blank">Singularidade Tecnológica</a> prevista pelo escritor <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Vernor_Vinge" target="_blank">Vernor Vinge</a> e abraçada com entusiasmo pelo futurólogo <a href="http://www.kurzweilai.net/index.html?flash=1" target="_blank">Ray Kurzweil</a> (cujo livro <em><a href="http://books.google.com/books?id=HsrmOgAACAAJ&#38;source=gbs_navlinks_s" target="_blank">A Era das Máquinas Espirituais</a></em>, por sinal, foi traduzido pelo próprio Fábio Fernandes).</p>
<p>A introdução escrita pela curadora do museu (e <em>esc-ape</em> <em>artist</em>, num jogo de palavras genial, que condensa toda a temática do livro), bem como as notas de rodapé que acompanham o texto, formam a moldura do romance. Aliás, as notas de rodapé são, com trocadilho, uma nota à parte. Seu objetivo é tornar os diários de Artur mais compreensíveis para os leitores de 2109, explicando alusões, expressões e referências do passado distante &#8211; isto é, o nosso presente. Mas como a própria editora não tem essas referências, suas tentativas de adivinhar o sentido das frases são, frequentemente, de rolar de rir, como por exemplo na nota 7, em que ela tenta entender a expressão &#8220;tirar a inhaca do corpo&#8221;:</p>
<blockquote><p><em>Segundo a BioWeb, Inhaca é o nome de uma ilha na costa leste do antigo continente da África, ao sul de um país chamado Moçambique. Impossível entender como ele conseguiu tirar essa ilha do corpo. Não há registro de que a tecnologia do século XXI dominasse a miniaturização.</em></p></blockquote>
<p>A função das notas, no entanto, não se esgota na piada. Pelo contrário, é através do que a pós-humanidade futura ignora, e de referências crípticas a entidades como a BioWeb, ao Panteão Terrestre de Consciências Downloadadas (do qual o escritor <a href="http://www.clarkefoundation.org/" target="_blank">Arthur C. Clarke</a>, com o nome de Ser Clarke, participa como Hipermestre Grau 12) ou à extinta Igreja Católica Renovada Humana (que considera as celebridades da cultura pop como santos), que vamos aprendendo em filigrana como é a civilização futura e quão cognitivamente estranhada ela se encontra do nosso presente.</p>
<p>Uma curiosidade final: em hebraico, <em>dabar</em> significa ao mesmo tempo &#8220;peste&#8221; e &#8220;palavra ou assunto&#8221; &#8211; ou seja, no sentido amplo: informação. Como verbo, <em>dabar</em> também quer dizer &#8220;gerar descendência&#8221;. Por uma estranha coincidência cabalística, essas três acepções resumem bem o que é, do que trata e para onde aponta o romance de Fábio Fernandes.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Musa Pós-Humana ]]></title>
<link>http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/11/12/a-musa-pos-humana/</link>
<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 15:13:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>Lúcio Manfredi</dc:creator>
<guid>http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/11/12/a-musa-pos-humana/</guid>
<description><![CDATA[Canta, ó Musa, as alegrias de se ler uma história que não apenas satisfaz nossas expectativas como a]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignright size-medium wp-image-207" title="Ilium" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/11/ilium1.jpg?w=197" alt="Ilium" width="197" height="300" />Canta, ó Musa, as alegrias de se ler uma história que não apenas satisfaz nossas expectativas como as ultrapassa. Ainda mais depois das decepções que foram – para mim, pelo menos, ó Musa – <strong><a href="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/11/03/o-evangelho-de-caim/" target="_blank">Caim</a></strong> e <strong><a href="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/11/10/noves-fora-distrito-9/" target="_blank">Distrito 9</a></strong>.</p>
<p>E no caso de <strong><a href="http://books.google.com/books?id=rkFrxNgfshwC&#38;source=gbs_navlinks_s" target="_blank">Ilium</a></strong>, de <a href="http://www.dansimmons.com/" target="_blank">Dan Simmons</a> – após ter lido os estupendos quatro volumes dos <strong><a href="http://www.hyperioncantos.com/" target="_blank">Hyperion Cantos</a> </strong>e tendo um interesse apaixonado pelo entrelaçamento quântico entre mitologia e ficção científica – as expectativas eram realmente elevadas. Mas Simmons não apenas dá conta do recado e <em>delivers the goods</em>, como dizem os americanos. Ele vai mais além. Quantos autores você conhece, ó Musa, capazes de intercalar uma sequência <em>fast paced</em> de perseguição sob os oceanos de Europa com uma descrição acadêmica sobre o significado dos Sonetos de Shakespeare – <em>e manter o leitor interessado nas duas coisas</em>? Simmons consegue. E isso não é nada comparado ao que vem depois.</p>
<p><strong>Ilium</strong><em> </em>é, para usar o jargão acadêmico, uma obra-prima de intertextualidade, que dialoga com a <em>Ilíada</em> de Homero, <strong>A Tempestade</strong> (além dos sonetos) de Shakespeare, <strong>Em Busca do Tempo Perdido</strong> de Proust e mais uma caralhada de citações e referências, mais ou menos como ele já havia feito com os poemas de Keats em sua saga anterior.</p>
<p>Não vá pensando, porém, ó Musa, que se trata de um livro pedante, arrastado e eivado de literatices. Muito pelo contrário, a história tem um ritmo frenético, em que as coisas começam a acontecer praticamente desde o primeiro capítulo e as reviravoltas não param até a última página. E tudo embasado na mais sólida, ainda que vertiginosa, especulação científica.</p>
<p>Se houve um tempo em que adeptos da fc hard e devotos da fc soft guerreavam como gregos e troianos, Simmons não faz por menos: marca um tento para ambos os times e, em vez de ir para casa comemorar, volta a campo e escreve a continuação imediata – <strong><a href="http://books.google.com/books?id=SqzKHwAACAAJ&#38;source=gbs_navlinks_s" target="_blank">Olympos</a></strong>, que, mais do que uma simples sequência, é a segunda metade de um mesmo épico que tem, somadas, mais de mil e quinhentas páginas. E acredite, ó Musa, a história é tão complexa que pede cada uma dessas páginas.</p>
<p><!--more-->É difícil explicar do que se trata sem espoilear, e eu sei, ó Musa, que você não gosta de spoilers. Digamos que <strong>Ilium</strong> se inicia com três tramas completamente diferentes entre si e aparentemente desconectadas. Só aos poucos é que os três fios narrativos vão se entrelaçando e revelando não só o panorama que constitui o romance propriamente dito, mas  também a sequência de eventos históricos que produziu o mundo onde o romance se desenrola.</p>
<p>A primeira dessas tramas, narrada em primeira pessoa por um crítico do século 20 chamado Thomas Hockenberry, gira em torno da &#8220;reencenação&#8221; da Guerra de Tróia promovida por um grupo de &#8220;pós-humanos&#8221; mais ou menos do século 40, que &#8220;assumiram&#8221; o papel e a função dos deuses gregos. Hockenberry faz parte de um grupo de acadêmicos ressuscitados pelos deuses por meios tecnológicos com o objetivo de observar os eventos da guerra e compará-los com a <strong>Ilíada</strong> de Homero, a fim de evitar discrepâncias.  Os motivos por trás dessa obsessão dos novos (?) deuses com a fidelidade histórica e a conexão entre a Guerra de Tróia encenada e a Guerra de Tróia real fazem parte da revelação progressiva do romance.</p>
<p>As aventuras, desventuras e resmungos de Hockenberry em meio a gregos e troianos alternam-se com as peripécias de um grupo de personagens pertencentes à população de humanos &#8220;originais&#8221;, que permaneceu na Terra depois que uma pandemia dizimou a maior parte da humanidade, numa época em que os pós-humanos já existiam. Antes de partir do planeta, diz-se que os pós-humanos contiveram a doença, regeneraram a humanidade e estabilizaram a população em exatos um milhão de habitantes, que vivem como os <em>elois</em> num mundo sem (?) <em>morlocks</em>, saltando de festa em festa, viajando por meio de uma forma de teletransporte quântico conhecida como <em>fax</em>. Seu tempo de vida também foi cuidadosamente fixado pelos pós-humanos em exatamente um século, após o que eles partem para o <em>Final Fax</em> e, acredita-se, vão se juntar à pós-humanidade.</p>
<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-217" title="Olympos" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/11/olympos3.jpg?w=102" alt="Olympos" width="102" height="150" /></p>
<p>A terceira trama é protagonizada pelos <em>moravecs</em>, robôs orgânicos batizados com esse nome em homenagem ao futurólogo <a href="http://www.frc.ri.cmu.edu/~hpm/hpm.cv.html" target="_blank">Hans Moravec</a>. Criados originalmente para auxiliar na exploração do Sistema Solar, os moravecs fixaram residência nos satélites dos Planetas Exteriores, mas acabaram rompendo tanto com a humanidade quanto com os pós-humanos e se tornaram um povo independente, sem contato com os seus criadores. O isolamento chega ao fim, no entanto, quando os moravecs detectam uma flutuação quântica maciça em Marte, possivelmente causada pela atividade dos pós-humanos, e que ameaça a integridade de todo o Sistema Solar. A fim de investigar e, se necessário, tomar providências, decidem enviar uma expedição da qual fazem parte dois moravecs apaixonados respectivamente pelos Sonetos de Shakespeare e pelo <strong>Em Busca do Tempo Perdido</strong> de Proust.</p>
<p>Mas não acredite em mim, ó Musa, porque &#8211; com exceção da terceira trama &#8211; tudo o mais nesse resumo é falso. Simmons parece ter o mesmo prazer de um Van Vogt ou um  Philip K. Dick em erigir cuidadosamente uma situação apenas para deitá-la abaixo com um piparote e construir uma explicação nova sobre as ruínas da anterior. Como um Hermes pós(-moderno, -humano), ó Musa, ele te leva no bico capítulo a capítulo, e você termina <strong>Ilium</strong> já correndo para encomendar <strong>Olympos</strong>. E provavelmente vai lamentar, ó Musa, que ele só tenha novecentas páginas&#8230;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Galeria do Sobrenatural]]></title>
<link>http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/10/29/galeria-do-sobrenatural-2/</link>
<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 03:04:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>Lúcio Manfredi</dc:creator>
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<description><![CDATA[O blog ficou parado tanto tempo que nem sei se alguém ainda me lê. (Prometo que vou tentar consertar]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="aligncenter size-medium wp-image-129" title="Galeria_convite" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/10/galeria_convite2.jpg?w=300" alt="Galeria_convite" width="300" height="271" /></p>
<p>O blog ficou parado tanto tempo que nem sei se alguém ainda me lê. (Prometo que vou tentar consertar isso com atualizações mais frequentes, mas eu estou sempre prometendo que vou tentar consertar isso com atualizações mais frequentes.) Mas, para o caso de algum desavisado cair por aqui empurrado pelo vento kármico dos mecanismos de busca, fica o convite: dia 31 de outubro, das 15h00 às 18h30, a editora <a href="http://www.terracotaeditora.com.br/">Terracota</a> estará lançando na Livraria Martins Fontes (av. Paulista, 509) a coletânea <em>Galeria do Sobrenatural</em>, uma homenagem mais do que merecida à antológica série <em>Além da Imaginação </em>(<em><a href="http://www.cbs.com/classics/the_twilight_zone/">Twilight Zone</a></em>)<em>,</em> criada por <a href="http://www25.uua.org/uuhs/duub/articles/rodserling.html">Rod Serling</a> há exatos 50 anos. Além da sessão de autógrafos, o evento vai exibir o primeiro episódio de <em>Além da Imaginação</em>, seguido de um bate-papo com a crítica Fernanda Furquim, da<em> <a href="http://revistatvseries.blogspot.com/">Revista TV Séries</a>.</em></p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-130" title="Galeria_do_Sobrenatural_capaA" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/10/galeria_do_sobrenatural_capaa2.jpg?w=300" alt="Galeria_do_Sobrenatural_capaA" width="300" height="157" /></p>
<p>Organizado por Silvio Alexandre e composto por contos que buscam recriar a atmosfera de inquietante estranheza do seriado, o livro reúne alguns dos nomes mais expressivos da literatura fantástica brasileira, um ilustre convidado português e autores representativos da nova geração de escritores, além deste que vos fala, que não é nem nome expressivo, nem autor representativo, muito menos convidado ilustre,  mas que conseguiu entrar de bicão e está torcendo para não ser desmascarado no dia do lançamento.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Em Busca do Blake Perdido]]></title>
<link>http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/05/01/em-busca-do-blake-perdido/</link>
<pubDate>Fri, 01 May 2009 02:57:36 +0000</pubDate>
<dc:creator>Lúcio Manfredi</dc:creator>
<guid>http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/05/01/em-busca-do-blake-perdido/</guid>
<description><![CDATA[Talvez nenhum outro escritor “das antigas” (final do sec. XVIII, início do XIX) permaneça tão atual ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="size-thumbnail wp-image-77 alignright" title="william_blake_by_thomas_phillips" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/05/william_blake_by_thomas_phillips.jpg?w=115" alt="william_blake_by_thomas_phillips" width="115" height="150" />Talvez nenhum outro escritor “das antigas” (final do sec. XVIII, início do XIX) permaneça tão atual e mereça tanto uma releitura pela ótica da fc quanto <a href="http://www.blakearchive.org/blake/" target="_blank">William Blake</a>. Como <a href="http://www.themodernword.com/scriptorium/lovecraft.html" target="_blank">Lovecraft</a>, Blake criou uma cosmogonia pessoal, com seus próprios deuses e mitos. Como <a href="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/category/ficcao-especulativa/ficcao-cientifica/philip-k-dick/" target="_blank">Philip K. Dick</a>, ele tinha visões, era considerado louco por seus contemporâneos e estava firmemente convencido de que o mundo que vemos não é o mundo real. Como <a href="http://realitystudio.org/" target="_blank">William S. Burroughs</a>, tentou criar uma nova forma de literatura que quebrasse os condicionamentos físicos, psicológicos e espirituais do leitor, abrindo as portas da percepção para outros níveis de realidade.</p>
<p>Blake viveu em relativa obscuridade mas, desde que foi redescoberto (em grande parte, pelas mãos de outro grande poeta visionário, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/W._B._Yeats" target="_blank">W. B. Yeats</a>), sua influência não parou mais de crescer, e ele arrebanhou uma legião respeitável de admiradores, que vai de Yeats a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Aldous_Huxley" target="_blank">Huxley</a> a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alfred_Bester" target="_blank">Alfred Bester</a> a <a href="http://www.thedoors.com/" target="_blank">Jim Morrison</a> à psicóloga junguiana <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=749404&#38;sid=89781097211430765671347174&#38;k5=340E2224&#38;uid=" target="_blank">June Singer</a> ao escritor <a href="http://www.philip-pullman.com/" target="_blank">Philip Pullman</a> (cuja obra mais famosa, a trilogia <em><a href="http://www.philip-pullman.com/pages/content/index.asp?PageID=50" target="_blank">His Dark Materials</a></em>, deve boa parte de sua inspiração a Blake), para citar apenas uns poucos.</p>
<p>Com suas idéias ousadas, Blake antecipou muitos dos conceitos e temáticas que depois seriam retomados pela ficção científica, especialmente pelos autores da <em>new wave</em>, como as noções de espaço interior, múltiplas realidades e diferentes níveis de consciência. Nada mais justo, portanto, que o próprio Blake acabasse se tornando personagem de uma história de fc, e é o que supostamente acontece em <em><a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/1587151472/raynelsonscie-20" target="_blank">Timequest</a></em>, romance de <a href="http://raynelson.com/" target="_blank">Ray Faraday Nelson</a> publicado originalmente em 1985.</p>
<p>Digo supostamente porque, apesar de um dos protagonistas do livro ser um poeta inglês chamado William Blake, Blake mesmo não está lá.</p>
<p><!--more-->É uma pena. A princípio, Nelson parecia talhado para um projeto desses. Mais conhecido pelo conto &#8220;<a href="http://www.geocities.com/Hollywood/Academy/9412/8oclock.html" target="_blank">Eight O&#8217;Clock in the Morning</a>&#8220;, que inspirou o sempre genial <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0096256/" target="_blank">They Live!</a></em> do quase sempre genial <a href="http://www.theofficialjohncarpenter.com/" target="_blank">John Carpenter</a>, Nelson conviveu de perto com outro artista alucinado, Philip K. Dick, com quem co-escreveu o romance <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Ganymede_Takeover" target="_blank">The Ganymede Takeover</a></em>. Dick e Blake, a despeito dos dois séculos que separam um do outro, apresentam paralelos notáveis tanto em termos de personalidade quanto de visão filosófica, e seria de esperar que a amizade de Nelson com o Blake de Orange County o ajudasse a compreender o Philip K. Dick do século XVIII. Mas se o retrato de Blake em <em>Timescape</em> deve algo a Dick, este dificilmente ficaria feliz com a &#8220;homenagem&#8221;.</p>
<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-79" title="blake_ancient_of_days" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/05/blake_ancient_of_days.jpg?w=109" alt="blake_ancient_of_days" width="109" height="150" />Dizer que é um retrato pouco lisongeiro seria dourar a pílula. O Blake de Nelson é um homem inseguro e puritano, hipócrita e misógino, que escreveu <em><a href="http://www.gailgastfield.com/mhh/mhh.html" target="_blank">O Casamento do Céu e do Inferno</a></em> como um ato de vingança mesquinha contra a esposa e, não fosse isso o bastante, alia-se a ninguém menos que Urizen &#8211; o grande inimigo de Blake, personificação da face destrutiva do racionalismo que esmaga a imaginação, o pior pecado que o poeta conseguia conceber &#8211; com o objetivo de mudar a história do mundo para satisfazer uma desmesurada sede de poder.</p>
<p>Ok, alguns spoilers adiante.</p>
<p>[ESPAÇO PARA VOCÊ DECIDIR SE QUER CONTINUAR LENDO.]</p>
<p>[JÁ DECIDIU? ÓTIMO, ENTÃO VAMOS EM FRENTE.]</p>
<p>É claro que Blake se redime no meio do livro, em grande parte graças aos esforços de sua diligente, fiel e obstinada esposa, e o casal então junta forças para combater a tirania que Urizen pretende impor sobre o mundo. Mas a primeira impressão é a que fica e o Blake de Nelson jamais consegue se livrar totalmente da aura de pusilanimidade que o autor lançou sobre ele no início. A má impressão é tão forte que anula até a grande sacada que é apresentar a ficção científica literalmente como uma filha da imaginação de Blake com a consciência social de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mary_wollstonecraft" target="_blank">Mary Wollstonecraft</a>. Depois de ver o papalvo e a <em>bitch </em>que atendem por esses nomes no romance, a única reação do leitor é dar de ombros: ah, é? bela roba&#8230;</p>
<p>E essa nem é a pior parte.</p>
<p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-80" title="timequest" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/05/timequest.jpg?w=150" alt="timequest" width="150" height="150" />Ray Nelson até fez a lição de casa direitinho e <em>Timequest</em> é recheado com pequenos detalhes biográficos, citações implícitas e explícitas à obra de Blake, bem como nomes de personagens. Mas o complexo sistema metafísico que Blake concebeu em seus poemas dá lugar a uma história quase banal sobre viagem no tempo. Os Quatro Zoas &#8211; que para Blake são princípios arquetípicos personificados, forças cósmicas que moldam a realidade a partir da imaginação &#8211; transformam-se na Liga dos Zoas (no romance, há mais do que quatro), um grupo de simples seres humanos que, por motivos inexplicados, nasceram com o poder de viajar no tempo e flanam era após era, observando sem intervir, como um bando de turistas cronais. Exceto por dois deles, Urizen e Vala que, não contentes em apenas tirar fotos e não deixar o lixo espalhado no chão, resolvem mudar a história para, pois é, conquistar o mundo.</p>
<p>Você já viu isso antes &#8211; e depois. O único diferencial é que, desta vez, os Evil Lords enfrentam a oposição não da Patrulha do Tempo, do Dr. Who ou dos agentes intemporais, mas de um poeta pré-romântico e sua mulher, não necessariamente nessa ordem.</p>
<p>A ironia é que, exceto pelo confuso terço final, <em>Timequest</em> é um livro até bem escrito, com realidades alternativas interessantes e que, se não revolucionaria o subgênero das viagens no tempo com uma abordagem original, ao menos não faria feio diante de seus pares. Mas, para isso, não precisava incomodar o espírito de Blake, nem desperdiçar à toa a riqueza de temas e personagens que o poeta inglês oferece e que são para lá de subaproveitados.</p>
<p>O motivo desse subaproveitamento é simples. Nelson não gosta de Blake &#8211; como pessoa, como poeta, como pintor &#8211; e não perde uma oportunidade de deixar isso bem claro. A pergunta premiada, no entanto, é: por que se dar ao trabalho de escrever um romance inteiro sobre um personagem que você detesta?</p>
<p>Pensando bem, por que se dar ao trabalho de resenhar um livro do qual você não gostou?</p>
<p>Ah, agora é tarde. Inês é morta.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[This Isn't William Gibson]]></title>
<link>http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/04/20/this-isnt-william-gibson/</link>
<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 20:14:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>Lúcio Manfredi</dc:creator>
<guid>http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/04/20/this-isnt-william-gibson/</guid>
<description><![CDATA[    WWW:Wake De acordo com a Locus deste mês, Robert J. Sawyer acabou de entregar à editora os origi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p> </p>
<p> </p>
<div id="attachment_60" class="wp-caption alignright" style="width: 208px"><img class="size-medium wp-image-60" title="wake" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/04/wake.jpg?w=198" alt="WWW:Wake" width="198" height="300" /><p class="wp-caption-text">WWW:Wake</p></div>
<p>De acordo com a <em><a href="http://www.locusmag.com/" target="_blank">Locus</a></em> deste mês, <a href="http://www.sfwriter.com/index.htm" target="_blank">Robert J. Sawyer</a> acabou de entregar à  editora os originais de <em>Watch</em>, o segundo volume de sua trilogia sobre uma  WWW autoconsciente. O que é uma ótima notícia, porque <em><a href="http://www.sfwriter.com/exw1.htm" target="_self">WWW:Wake</a></em> é muito  claramente a primeira parte de uma história mais longa: as três tramas não se  cruzam em momento algum e, com exceção da trama principal, nenhuma delas tem um  fecho. E mesmo o fecho da trama central é menos um desfecho do que um gancho, um  ponto de virada, que engata a história numa nova direção. É de se supor que, nos  volumes seguintes, a trajetória de Caitlin, a protagonista, vá se entrelaçar aos  destinos de Hobo, o macaco pintor e de Sinanthropus, o dissidente chinês, que  dividem com ela o palco de <em>WWW:Wake</em>. E você vai querer isso. Porque  Sawyer &#8211; inédito no Brasil (grande novidade) e mais conhecido por aqui pela  trilogia <em>The Neanderthal Parallax </em>(<em><a href="http://www.sfwriter.com/exho.htm" target="_blank">Hominids</a>, <a href="http://" target="_blank">Humans</a></em><a href="http://" target="_blank"> </a>e <em><a href="http://" target="_blank">Hybrids</a></em>) e pelo relativamente recente <em><a href="http://www.sfwriter.com/exff.htm" target="_blank"> FlashForward</a></em><a href="http://www.sfwriter.com/exff.htm" target="_blank"> </a>- é um exímio contador de histórias e um criador de personagens  carismáticos com os quais é muito fácil o leitor se identificar.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr"><!--more-->O plot da série, já expresso no título do primeiro livro, é simples  e não cometo nenhum spoiler em dizer qual é. Devido a sua crescente  complexidade, a WWW desenvolve a autoconsciência como uma propriedade emergente  e estabelece contato com uma adolescente cega, que se torna o elemento de  ligação entre a nova entidade e o mundo exterior. Mas esse plot serve de ponto  focal para um objetivo bem mais ambicioso, como <a href="http://www.robertcharleswilson.com/" target="_blank">Robert Charles Wilson</a>, outro  nome quente da fc contemporânea, explica na quarta capa da<em> hardcover</em> de <em>WWW:Wake</em>: &#8220;Here, the subject is consciousness and perception &#8211; who we are  and how we see one another, both literally and figuratively.&#8221;</p>
<p dir="ltr">O livro é uma meditação sobre a natureza da consciência individual,  sobre as diferentes formas que cada um de nós tem de perceber a si mesmo e ao  mundo. E, assim, a IA que brota a partir das conexões da web é só a ilustração  central do tema. Não é por acaso que a protagonista seja uma garota cega de  nascença ou que o elenco do romance inclua portadores da Síndrome de Asperger,  paquistaneses, americanos e canadenses, japoneses, homens e mulheres, adultos e  adolescentes. A galeria de personagens está lá para sinalizar como, situada  entre os extremos da consciência pré-humana, simbolizada por Hobo, e da  consciência pós-humana, encarnada pela própria WWW, a percepção humana reflete  uma diversidade infinita de perspectivas.</p>
<p dir="ltr">Mas não se deixe iludir pelo meu uso da palavra <em>meditação</em> ou  pelas considerações sobre a temática do livro. Passado num futuro tão próximo  que poderia estar acontecendo agora mesmo, <em>WWW:Wake</em> tem um estilo leve,  fluente, que em momento algum se torna chato ou pedante, nem afunda em tediosos <em>infodumps</em>, mesmo que apresente (e explique!) uma quantidade respeitável  de conceitos sobre teoria da informação, neurociências, a natureza da visão,  autômatos celulares, etologia, epidemiologia e política. Esses dados,  fundamentais para a compreensão da história, são entretecidos à narrativa com  habilidade e em momento algum atravancam o andar da carruagem ou se colocam na  frente do que realmente importa para o autor, que são os personagens.</p>
<p dir="ltr">Nada também daquela &#8220;prosa apinhada&#8221; ou das &#8220;erupções rápidas,  estonteantes, de informação nova, numa sobrecarga sensorial que mergulha o  leitor no equivalente literário da &#8216;parede de som&#8217; do <em>hard-rock</em>&#8220;, que  <a href="http://blog.wired.com/sterling/" target="_blank">Bruce Sterling</a>, no prefácio de <em><a href="http://project.cyberpunk.ru/idb/mirrorshades_preface.html" target="_blank">Mirrorshades</a></em>, considerava uma das  características da ficção científica cyberpunk. De fato, distanciar-se da  estética cyberpunk e de sua angústia <em>noir</em>-existencial parece ser um dos  pontos de honra para Sawyer. &#8220;Goodness, no. This isn&#8217;t William Gibson&#8221;, exclama  um dos personagens logo nas primeiras páginas. E, mais adiante, o autor faz uma  brincadeira deliciosa com as linhas de abertura de <em>Neuromancer</em>, que eu  não vou reproduzir aqui para não estragar a surpresa, mas que me fez rir à vera.</p>
<p dir="ltr"><em>WWW:Wake</em> pode não ser um livro denso ou profundo, o que  neste caso não é nenhum demérito &#8211; se eu tivesse que escolher um único adjetivo  para caracterizá-lo, seria <em>leveza </em>- mas é um livro amplo. Tão amplo  quanto a <em>world wide web</em>.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Voz da Autora]]></title>
<link>http://epistemonikephantasia.wordpress.com/2009/04/15/a-voz-da-autora/</link>
<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 16:55:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>Lúcio Manfredi</dc:creator>
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<description><![CDATA[  Há já um par de anos que a ficção especulativa brasileira vem vivendo um período de efervescência ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p> </p>
<p>Há já um par de anos que a ficção especulativa brasileira vem vivendo um  período de efervescência sem precedentes. Pequenas editoras especializadas nos  gêneros fantásticos surgiram ao mesmo tempo em que editoras médias e até umas  poucas grandes abriram espaço em suas agendas para publicar fantasia, terror e,  em menor grau, ficção científica. Talvez o grande precursor dessa onda tenha  sido André Vianco que, munido com pouco mais do que a cara e a coragem, provou a  viabilidade comercial da ficção especulativa que, se não é capaz de desbancar os  cachorrinhos de Cabul (ou qualquer que seja a moda atual) da lista dos  best-sellers, pelo menos vende o suficiente para não dar (muito) prejuízo às editoras  que publicam esse tipo de literatura e garantir (alguma) continuidade à carreira de  quem a escreve. No rastro de Vianco, surgiram dezenas de outros escritores e, a  julgar pelo <em>talk-of-the-town</em> nas comunidades do Orkut, há muitos outros em  processo de gestação.</p>
<p>Escritores, porém, não são necessariamente autores, embora todo autor seja,  por definição, um escritor.</p>
<p><img class="size-medium wp-image-51 alignright" title="anacronicas11" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/04/anacronicas11.jpg?w=178" alt="Anacrônicas - Pequenos Contos Mágicos" width="178" height="300" />Qualquer um capaz de tamborilar num teclado ou segurar a caneta junto ao  papel sem babar sobre a folha pode ser um escritor, e alguém que cresceu lendo  literatura fantástica é perfeitamente capaz de regurgitar suas leituras e parir  um <em>Eragon</em> ou coisa que o valha. Clones de Tolkien, que pululam há décadas  no mercado americano, começam a invadir também as estantes de literatura  brasileira. A grande maioria é de uma mediocridade atroz, muitos são bons e uns  quantos são até muito bons, mas o que falta a todos eles é uma voz própria,  individualizada, a assinatura particular de um autor e o que o diferencia de um  escritor, mesmo de um escritor competente.</p>
<p> </p>
<p><span style="color:#551a8b;text-decoration:underline;"><br />
</span>&#8220;Jovens escritores, na esperança de se destacarem no cenário&#8221;, diz o ensaista  americano <a href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=19113">A.  Alvarez</a>, &#8220;confundem com frequência voz com estilo, mas este é bem diferente  de uma voz com todo o peso de uma vida, mesmo jovem, por trás,aquilo que Jane  Kramer chama de &#8216;a voz que você na verdade não consegue escutar&#8230; que, com  alguma sorte, algum dia irá se parecer com você&#8217;.&#8221; E cita Philip Roth: &#8220;Não  pretendo ter estilo&#8230; eu quero ter voz: algo que começa mais ou menos na parte  de trás dos joelhos e chega até bem acima da cabeça.&#8221;</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>A falta de uma voz própria não é um problema para Ana Cristina Rodrigues, que  já vem escrevendo há alguns anos pelos escaninhos da net, mas que estréia agora  no papel com a antologia <em> <a href="http://talkativebookworm.wordpress.com/anacronicas-pequenos-contos-magicos/"> Anacrônicas &#8211; Pequenos Contos Mágicos</a></em> &#8211; título que, por si só, já  equivale a um achado.</p>
<p> </p>
<p><!--more-->A primeira coletânea de um autor &#8211; tirando, possivelmente, os <em>Dublinenses </em>de Joyce (e mesmo assim, há controvérsias) &#8211; costuma ser um apanhado de  instantâneos dos diferentes momentos de sua aprendizagem no ofício, o que  costuma acarretar uma certa irregularidade entre os contos que a compõem, e eu  estaria mentindo se dissesse que <em>Anacrônicas</em> é a exceção que confirma a  regra. Há contos que dão a impressão de acabar no ponto em que deveriam começar,  isto é, estabelecem a (boa) situação, apresentam os (fortes) personagens, e  então terminam. Outros, ainda que charmosos, são pouco mais do que vinhetas  (muito) bem-escritas.</p>
<p>Mas são uma minoria.</p>
<p>Boa parte dos contos acerta o alvo com a precisão de um arqueiro zen, e o  alvo que eles acertam é aquela mistura de emoções contraditórias e reações  viscerais que constituem você, meu caro leitor.</p>
<p>Cortázar costumava comparar o romance e o conto ao boxe, dizendo que,  enquanto o romance ganha por pontos, um bom conto é aquele que vence por  nocaute. Pois assim são as anacrônicas: elas tomam de assalto a sensibilidade do  leitor e o deixam nocauteado, zonzo, perguntando-se o que foi que o atingiu. E  até mesmo os (poucos) contos mais fracos dão um testemunho eloquente, não de uma  escritora, mas de uma <em>autora</em> em gestação.</p>
<p>O que faz de Ana Cristina uma autora é muito simples.</p>
<p>Ela tem uma voz.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-54" title="anacronicas_11" src="http://epistemonikephantasia.wordpress.com/files/2009/04/anacronicas_11.jpg?w=171" alt="anacronicas_11" width="171" height="300" />Pegue, por exemplo, o primeiro conto, &#8220;É Tarde!&#8221;, uma brilhante homenagem a  Lewis Carroll, e compare com o último conto, &#8220;Apocalypse NOW!&#8221;, sobre o maior  espetáculo da Terra e que é também o <em>reality show</em> definitivo. Acrescente  à mistura o conto-bônus, &#8220;O Sábio de Osgoroth&#8221;, em que L. Frank Baum encontra a <em>space opera</em> clássica. Já que está com a mão na massa, inclua &#8220;A Dama de  Shalott&#8221;, uma releitura da legenda arturiana &#8211; por si mesma uma terra devastada  por autores que já viraram e reviraram a mitologia pelo avesso, mas no qual Ana  Cristina consegue não só encontrar um ângulo próprio como também compor o que,  na minha opinião, é o melhor conto do livro. E agora, para uma coisa  completamente diferente, vá para o comovente &#8220;O Mapa da Terra das Fadas&#8221;, uma  história com toda a pinta de autobiográfica, em que uma mãe encontra uma forma  original de explicar ao filho pequeno os fatos da vida, só que não é bem  isso.</p>
<p>Sacou qual é a voz da autora?</p>
<p>Não se trata apenas do diálogo pós-moderno com as tradições literárias do  fantástico, tradições que vão do conto-de-fadas ao mito à ficção científica, e  que são retomadas, subvertidas e até pervertidas pelas anacrônicas. Esse é certamente um traço, e  um traço importante, da voz de Ana Cristina, mas não é exclusivo dela e, na  verdade, é pouco provável que um autor contemporâneo consiga escrever qualquer  coisa sem estabelecer algum tipo de conversação tensa ou irônica com todas as  histórias que já foram escritas. Especialmente nestes tempos de <em>dying earth</em>,  quando todas as histórias <em>já foram</em> escritas.</p>
<p>(Nota marginal: pelo menos desde o século XVIII existe um certo consenso de  que todas as histórias possíveis são apenas variações de um punhado de plots. O  consenso vai para o saco quando se trata de dizer quantos e quais são esses  plots &#8211; as sugestões variam das caóticas trinta e seis situações dramáticas de  George Polti às indeterminadas duzentas mil situações dramáticas de Etiénne  Soriau. Como se vê, os franceses parecem ter um prazer especial nesse tipo de  catalogação, mas quem começou com a gritaria foi um alemão, Goethe, que em suas  conversas com Eichmann alegou que só existem trinta e seis situações dramáticas,  e que estão todas em Shakespeare, mas prudentemente ficou na moita quanto a  quais seriam elas. Fim da nota marginal.)</p>
<p>O que distingue Ana Cristina e faz com que, depois de ler um conto dela, se  reconheça sua voz em todos os outros contos, é a <em>maneira</em> como ela  estabelece esse diálogo. Não é só uma questão de estilo, a não ser que tomemos a  palavra na acepção de Buffon de que o estilo é o homem &#8211; ou, neste caso, a  mulher. Em termos de <em>forma</em> (para usar uma distinção clássica, ainda que  problemática), Ana Cristina escreve numa linguagem lírica, poética, até mesmo  com os clichês do lírico e poético usados deliberadamente. Mas o <em>conteúdo</em> que essa forma transmite é uma ironia cortante, cruel, frequentemente  sarcástica.</p>
<p>A proporção entre esses dois ingredientes, claro, varia de história para  história, algumas são puro lirismo, em outras (como a já citada &#8220;Apocalypse  NOW!&#8221;) a ironia reina absoluta, mas é na combinação paradoxal entre os dois que a autora  obtém o resultado mais efetivo.</p>
<p>E o resultado que ela obtém dessa combinação paradoxal é, bem, paradoxo.</p>
<p>A linguagem lírica convida ao envolvimento emocional, à identificação entre  os sentimentos dos personagens e os do leitor, ao mergulho acrítico no universo  ficcional que lhe é apresentado. A perspectiva irônica, por sua vez, cria um  distanciamento, no sentido brechtiano, é um olhar crítico, que coloca os  personagens sob a lente de um microscópio e os examina com uma objetividade  clínica, científica. Ao apresentar uma perspectiva irônica numa linguagem  lírica, a autora nos convida ao mesmo tempo a entrar na pele dos personagens e a  olhá-los de fora, o que resulta num <em>double bind</em>, uma dissonância  cognitiva que mobiliza simultaneamente, mas em direções opostas, a função  sentimento e a função pensamento.</p>
<p>E foi graças a essa estratégia literária única que Ana Cristina encontrou sua  própria maneira de realizar o que Darko Suvin considera a essência da ficção  especulativa &#8211; o estranhamento cognitivo. O que, mesmo que ela não escrevesse  mais nada, já lhe garantiria um lugar de destaque na história do gênero no  Brasil, um lugar que ela conquistou escrevendo histórias eficientes e com pleno  domínio da voz autoral, sem precisar se esconder atrás de moinhos-de-vento  ideológicos. Mas seria uma pena se Ana Cristina não escrevesse mais nada.</p>
<p>Sua voz ia fazer uma falta danada.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ficção (trecho de conto ainda sem nome)]]></title>
<link>http://human2dot0.wordpress.com/2008/10/22/ficcao-trecho-de-conto-ainda-sem-nome/</link>
<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 05:15:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>human2dot0</dc:creator>
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<description><![CDATA[Acontece com organojóias, a apatia. Pulmões sem suspiros, nem nós nas gargantas. Somente às vezes é ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Acontece com organojóias, a apatia. Pulmões sem suspiros, nem nós nas gargantas. Somente às vezes é possível tirar dos tanques, dependendo da pureza dos campos onde o plasma primordial é extraído, e da estrutura das fábricas de processamento, um vestígio qualquer de anima. Cabelos para guitarras e os cérebros dos vivicárceres, ou as crianças implantadas nas armaduras dos pandemônios. Malaquias sempre busca alternativas e desta vez ela se chama Lucite, a invisível. Lucite, a dama de acrílico que vive na fronteira das realidades coletivas. Lucite, a horrorista, inimiga número um dos Carnavais. Sua ex, Lucite.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Steampunk]]></title>
<link>http://0posmoderno.wordpress.com/2008/06/09/steampunk/</link>
<pubDate>Tue, 10 Jun 2008 00:32:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>Josi Vice</dc:creator>
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<description><![CDATA[Steampunk é um subgênero da ficção científica, ou ficção especulativa, que ganhou fama no final dos ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Steampunk é um subgênero da ficção científica, ou ficção especulativa, que ganhou fama no final dos ]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Um conto meu no Letra &amp; Vídeo]]></title>
<link>http://human2dot0.wordpress.com/2008/05/28/um-conto-meu-no-letra-video/</link>
<pubDate>Wed, 28 May 2008 14:13:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>human2dot0</dc:creator>
<guid>http://human2dot0.wordpress.com/2008/05/28/um-conto-meu-no-letra-video/</guid>
<description><![CDATA[A quem interessar possa, tem um conto meu no Letra &amp; Vídeo. O blog é uma iniciativa muito legal ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>A quem interessar possa, tem <a href="http://letraevideo.wordpress.com/2008/05/28/loathsome-pig-destroyer-jacques-barcia/" target="_blank">um conto meu</a> no Letra &#38; Vídeo.</p>
<p>O blog é uma iniciativa muito legal da Ana Cristina Rodrigues. É tipo um Mojo Books, só que, ao invés de músicas, os autores adicionam um videoclipe. É supimpa.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Novo blog / New blog (bilingual post)]]></title>
<link>http://human2dot0.wordpress.com/2008/05/08/novo-blog-new-blog-bilingual-post/</link>
<pubDate>Thu, 08 May 2008 02:39:56 +0000</pubDate>
<dc:creator>human2dot0</dc:creator>
<guid>http://human2dot0.wordpress.com/2008/05/08/novo-blog-new-blog-bilingual-post/</guid>
<description><![CDATA[O Human 2.0 casou com o Pós-estranho e deu como cria o Post-Weird Thoughts, um blog brasileiro escri]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>O Human 2.0 casou com o Pós-estranho e deu como cria o <a href="http://www.verbeat.org/blogs/pwt/" target="_blank">Post-Weird Thoughts</a>, um blog brasileiro escrito em inglês sobre tudo que diz respeito a FC, Fantasia, Horror e Suspense. Estão todos convidados.</p>
<p>###</p>
<p>The Human 2.0 got married to Pós-estranho and gave birth to <a href="http://www.verbeat.org/blogs/pwt/" target="_blank">Post-Weird Thoughts</a>, a Brazilian blog written in English about all things SF, Fantasy, Horror and Suspense. You&#8217;re all invited.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O nome do grotesco]]></title>
<link>http://human2dot0.wordpress.com/2008/04/02/o-nome-do-grotesco/</link>
<pubDate>Wed, 02 Apr 2008 15:05:24 +0000</pubDate>
<dc:creator>human2dot0</dc:creator>
<guid>http://human2dot0.wordpress.com/2008/04/02/o-nome-do-grotesco/</guid>
<description><![CDATA[Dei um tempo no Vellum pra ler The New Weird, mas decidi começar pelo Symposium. Para os que não têm]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div style="text-align:center;"><img src="http://ecx.images-amazon.com/images/I/41h2EBho60L._AA240_.jpg" /></div>
<p align="justify">Dei um tempo no Vellum pra ler The New Weird, mas decidi começar pelo Symposium. Para os que não têm o livro, esta é a seção de artigos e debates sobre o que é o &#8220;movimento&#8221;, sua importância, estética, valores, etc.</p>
<p align="justify">Estou enlouquecido com a coleção de coisas incríveis que são ditas lá. Não só porque já tinha muitas das opiniões manifestadas lá, mas também porque são de uma clareza e de uma sinceridade impressionantes. E tudo isso com a clareza de que o New Weird deve ser encarado muito mais como uma abordagem, muito mais do que um movimento, um manifesto ou sequer uma estética. Ainda que haja elementos estéticos que permeiam as obras chamadas New Weird (abaixo).</p>
<p align="justify">São especialmente interessantes as palavras de M. John Harrison sobre a guerra pela nomeação e as de Darja Malcom-Clarke sobre a importância do grotesco no corpo e na cidade para o New Weird. </p>
<p align="justify">Harrison contra-argumenta os críticos do New Weird enquanto rótulo dizendo que, sim, rótulos são abomináveis, mas que eles existem e é muito melhor o próprio autor criar um rótulo para seu trabalho do que esperar que o departamento de marketing, ou a crítica, ou até o público, façam isso. E Harrison continua dizendo que há uma guerra por nomeação e que nomear é possuir.</p>
<p align="justify">Já Darja disseca alguns elementos centrais do New Weird e destaco a análise que ela fez da importância do grotesco no corpo e na cidade. Corpo e cidades são realmente fundamentais ao New Weird. E ambos são apresentados sempre deformados. Diz Darja que o corpo e a cidade deformadas,  grotescas, transmutadas, servem como crítica à forma como classificamos o mundo. O grotesco não faz parte do conhecido, gera confusão e, portanto, mostra que a forma como classificamos o mundo é artificial.</p>
<p align="justify"> Mais do que nunca, me sinto em casa.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Feliz aniversário, Pyr / Happy birthday, Pyr (bilingual post)]]></title>
<link>http://human2dot0.wordpress.com/2008/03/21/feliz-aniversario-pyr-happy-birthday-pyr-bilingual-post/</link>
<pubDate>Fri, 21 Mar 2008 22:54:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>human2dot0</dc:creator>
<guid>http://human2dot0.wordpress.com/2008/03/21/feliz-aniversario-pyr-happy-birthday-pyr-bilingual-post/</guid>
<description><![CDATA[O editor Lou Anders lembra que sua Pyr está fazendo três anos esse mês e comemora vários prêmios e i]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>O editor <a target="_blank" href="http://louanders.blogspot.com/">Lou Anders</a> lembra que sua <a target="_blank" href="http://pyrsf.blogspot.com/">Pyr</a> está fazendo três anos esse mês e comemora vários prêmios e indicações. Parabéns, Lou e Pyr!</p>
<p>#</p>
<p>Editor <a target="_blank" href="http://louanders.blogspot.com/">Lou Anders</a> points that his <a target="_blank" href="http://pyrsf.blogspot.com/">Pyr</a> is three years old this month and celebrates many awards and nominations. Congrats, Lou and Pyr!</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A velha discussão...que ainda me deixa puto!]]></title>
<link>http://human2dot0.wordpress.com/2008/03/18/a-velha-discussaoque-ainda-me-deixa-puto/</link>
<pubDate>Tue, 18 Mar 2008 12:01:50 +0000</pubDate>
<dc:creator>human2dot0</dc:creator>
<guid>http://human2dot0.wordpress.com/2008/03/18/a-velha-discussaoque-ainda-me-deixa-puto/</guid>
<description><![CDATA[A revista io9 decretou a morte da Ficção Científica. Mais uma para a lista dos homicidas frustrados.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>A revista <a target="_blank" href="http://www.io9.com">io9</a> decretou <a target="_blank" href="http://io9.com/332083/5-reasons-to-stop-reading-science-fiction">a morte da Ficção Científica</a>.</p>
<p>Mais uma para a lista dos homicidas frustrados.</p>
<p>Um artigo da revista online lista cinco motivos para não se ler mais FC.  Se pelo menos houvesse algum argumento forte ou minimamente sério, tudo bem. Mas parece que a revista só quer polemizar (e está conseguindo).</p>
<p>A lista, seguida de argumentos e meus contra-argumentos:</p>
<ol>
<div>
<li><strong>FC agora é a vida real</strong>. O argumento: as coisas que a FC &#8220;previu&#8221; já estão nas ruas. E o que foi previsto e não está em uso não tem muita utilidade, de qualquer forma (como Marte). <strong>Meu contra-argumento</strong>: se é assim, então, toda forma de arte morreu também. Alguns milhares de anos de civilização devem ter feito com que a humanidade não tenha mais conflito algum merecedor de um comentário artístico. Sendo a ciência, ou suas possibilidades, apenas uma dessas coisas. Né? Não! Por mais que eu concorde com Bruce Sterling (o cyber é now) SEMPRE haverá algo para a humanidade pensar. Seus caminhos, suas idéias, seus sentimentos, suas tecnologias e o impacto destas na vida das pessoas.</li>
<li><strong>A FC foi colonizada por autores de literatura mainstream</strong> como Cormac McArthy e Kazuo Ishiguro. A crítica enaltece esses trabalhos e ignora ficção especulativa pura. <strong>Meu contra-argumento</strong>: Isso não deveria contar como prova de sucesso da FC? O muro entre mainstream e gênero sendo derrubado? E outra&#8230;a comunicação entre autores &#8220;mainstream&#8221; e &#8220;de gênero&#8221; não é de hoje. Kurt Vonnegut? Thomas Pynchon? Doris &#8220;ganhei o Nobel&#8221; Lessing? Qualé!   </li>
</div>
<li><strong>FC se tornou pura fantasia</strong>. As especulações da FC se tornaram tão grandiosas que são mera fantasia. <strong>Meu contra-argumento</strong>: Bem vindo a 1895. Prazer, meu nome é H.G. Wells. Não, o homem ainda não viajou no tempo, mas sabe&#8230;eu acho que de alguma forma essa fantasia fez com que se pensasse em inovações, nas conseqüências de experimentos desse tipo, sem falar em uma maior compreensão da alma humana. Que é o que importa.</li>
<li><strong>A base de fãs é antiga</strong>. O público tende a acabar com o tempo. Não se vê mais gente jovem nas convenções. <strong>Meu contra-argumento:</strong> &#8221;Pobres americanos&#8221;&#8230;cá no Brasil a coisa é justamente o inverso. Mas acho esse argumento furado para lá também. Nunca houve tanta exposição da FC na mídia, justamente por causa do argumento 1.</li>
<li><strong>O espaço nas prateleiras está diminuindo</strong>. A FC está indo bem nos trade paperbacks, mas perdendo espaço nos pockets. <strong>Meu contra-argumento</strong>: achei que isso fosse uma questão do mercado de literatura global. Não é? As pessoas lêem menos mesmo.</li>
</ol>
<p>Alguém aí acha que essas são boas razões para não se ler mais FC?</p>
</div>]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Humano 2.0, Era 4.0]]></title>
<link>http://human2dot0.wordpress.com/2008/03/05/humano-20-era-40/</link>
<pubDate>Wed, 05 Mar 2008 14:39:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>human2dot0</dc:creator>
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<description><![CDATA[O diretor executivo da empresa TrendOne, Nils Müller, entrou para o grupo que diz que o fim está pró]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>O diretor executivo da empresa TrendOne, Nils Müller, entrou para o grupo que diz que o fim está próximo. O fim da humanidade como a conhecemos, pelo menos. Müller falou, em sua palestra na convenção Cebit, ontem, que há evidências que a próxima geração irá usar a tecnologia para fazer melhorias dinâmicas di se próprios usando a tecnologia. Seria a Era 4.0 da idade da informação.</p>
<p>A primeira, ainda segundo Müller, seria a era passiva da televisão. A segunda a da produção de mídia pela audiência. A terceira (atual), seria a do engajamento com a tecnologia.</p>
<p>Ainda segundo Müller, as crianças da próxima geração irão conversar com a web do mesmo jeito que conversamos com amigos hoje. Ambientes virtuais também serão naturais às crianças, disse o executivo, como também serão os objetos interativos dotados de chips de rádio-freqüência, os chamados RFIDs.</p>
<p>O interessante disso tudo é que Ray Kurzweil, até o ano passado, era tido como um techno-hippie, um maluco que falava de um apocalipse high-tech. E Vernor Vinge? É, amigo. É o cybernow sentado na sala.</p>
<p>E para gerar debate: estando a tecnologia tão mais presente e tão integrada ao ser humano, qual o futuro da Ficção Científica? Como ela continuará sendo a vanguarda da literatura das idéias?</p>
<p>P.S.: Estão esperando a resenha prometida, né? Ainda hoje será postada. E a entrevista vai rolar também. Assine o RSS e confie.</p>
</div>]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[A mágica da capa, o poder da premissa]]></title>
<link>http://human2dot0.wordpress.com/2008/03/04/o-magica-da-capa-o-poder-da-premissa/</link>
<pubDate>Tue, 04 Mar 2008 16:17:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>human2dot0</dc:creator>
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<description><![CDATA[Há livros que apaixonam de imediato, sem nem mesmo termos lido uma linha de seu conteúdo. É a mágica]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p align="center"><a target="AmazonHelp" href="http://www.amazon.com/gp/product/images/0765317850/sr=8-1/qid=1204646102/ref=dp_image_0/104-3905817-3511138?ie=UTF8&#38;n=283155&#38;s=books&#38;qid=1204646102&#38;sr=8-1"><img border="0" width="240" src="http://ecx.images-amazon.com/images/I/51Gn%2BnIf%2BOL._AA240_.jpg" alt="Elom" height="240" /></a></p>
<p>Há livros que apaixonam de imediato, sem nem mesmo termos lido uma linha de seu conteúdo. É a mágica da capa e o poder de uma boa premissa. É só bater os olhos em uma ilustração de capa não só bonita, mas que narre uma cena complexa, magnética, naquele pequeno espaço entre o título e o nome do autor. Aí vem a sinopse, e se a idéia geral da história conseguir criar no leitor em potencial uma leitura imaginária da história por vir, ele está fisgado. Pelo menos eu sou fisgado assim quase todas as vezes.</p>
<p>E fui fisgado de novo, desta mesma maneira, pelo livro <a target="_blank" href="http://www.amazon.com/Elom-William-H-Drinkard/dp/0765317850/ref=pd_bbs_sr_1?ie=UTF8&#38;s=books&#38;qid=1204645903&#38;sr=8-1" title="Elom na Amazon.com">Elom</a>, do estreante William Drinkard. O senhor Drinkard teve a sorte de ter seu primeiro livro ilustrado pelo sensacional <a target="_blank" href="http://www.martiniere.com" title="Stephan Martiniere">Stephan Martiniere</a>. Só isso já me chamaria a atenção, mas a premissa do livro também me fez sacar o cartão de crédito.</p>
<p>Basicamente, uma raça de alienígenas faz seu primeiro contato com humanos pré-históricos (o termo não se aplica hoje em dia, mas vocês entenderam). Os visitantes usam de engenharia social para controlar a tribo de humanos, de sua alimentação à reprodução, se passando pelo deus Shettow. Obviamente, alguns desses humanos começam a perceber que os visitantes não são o que parecem.</p>
<p>Se o livro é bom mesmo, não sei. Mas que o marketing pessoal dele é de primeira, isso é.</p>
</div>]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[De volta à programação normal]]></title>
<link>http://human2dot0.wordpress.com/2008/03/03/de-volta-a-programacao-normal/</link>
<pubDate>Mon, 03 Mar 2008 11:14:50 +0000</pubDate>
<dc:creator>human2dot0</dc:creator>
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<description><![CDATA[Estou lendo o hipnótico Vellum, do escocês Hal Duncan. Este livro promete ser fenomenal. Falando em ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Estou lendo o hipnótico <a target="_blank" href="http://www.amazon.com/Vellum-Book-Hours-Hal-Duncan/dp/0345487311/ref=pd_bbs_sr_1?ie=UTF8&#38;s=books&#38;qid=1204542503&#38;sr=8-1" title="Vellum na Amazon.com">Vellum</a>, do escocês Hal Duncan. Este livro promete ser fenomenal.</p>
<p>Falando em livro novo, essa semana deve começar uma nova fase do blog. Vou tentar resenhas regulares, sempre às quartas-feiras, principalemente de novos. Resenhas semanais são um desafio especial, já que sou um leitor bem vagaroso. Entrevistas também devem figurar pelo menos uma vez por mês por aqui.</p>
<p>Nos dois casos, posts em inglês e português. A primeira resenha já está engatilhada, mas é surpresa. A primeira entevista já foi solicitada também. Aguardem.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>

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