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	<title>filosofos-brasileiros &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "filosofos-brasileiros"</description>
	<pubDate>Mon, 04 Jan 2010 10:19:43 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Filosofia no Brasil]]></title>
<link>http://filosofocatolico.wordpress.com/2009/10/03/filosofia-no-brasil/</link>
<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 02:18:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>porto</dc:creator>
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<description><![CDATA[Alceu de Amoroso Lima Fatos Biográficos Alceu Amoroso Lima nasceu no Rio de Janeiro em 11 de dezembr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Alceu de Amoroso Lima</p>
<p><strong>Fatos Biográficos</strong></p>
<p>Alceu Amoroso Lima nasceu no Rio de Janeiro em 11 de dezembro de 1893. Estudou no Colégio Pedro II de 1903 a 1908, além de estudos de música. Foi crítico literário, professor, pensador, escritor e líder católico brasileiro. Bacharelou-se em 1913 pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro e em seguida viajou para a Europa, onde fez cursos na <em>Sorbonne</em> e no <em>Collège de France</em>. Em Paris, Alceu ligou-se muito a Graça Aranha, de cujo filho (Temístocles) era amigo. Seguiu em Paris o curso de Bergson – que dava então a teoria da alma em Spinoza. Casou-se aos vinte e quatro anos, trabalhou no Itamaraty e depois foi trabalhar na fábrica de tecidos de seu pai, onde se tornou presidente. Em 1919 iniciou a sua crítica literária. Seu primeiro artigo saiu no primeiro número de <em>O Jornal</em>: “Bibliografia” (depois mudara o título por “Vida Literária”.), assinando como <em>Tristão de Ataíde. </em>Por quê? Não queria confundir a atividade literária com a atividade industrial. Manteve a colaboração semanal até 1946, com intervalo posterior a sua conversão.</p>
<p>Em 1924, insatisfeito com sua postura existencial, começou a demonstrar interesse por assuntos religiosos. Iniciou então intensa correspondência com o pensador católico Jackson de Figueiredo. Em 1928, declarou sua conversão ao catolicismo (fato que teve grande repercussão nos meios intelectuais). Jackson e Leonel Franca – proximamente – e Maritain, Chesterton e Fulton Sheen – remotamente – foram suas influências mais profundas no longo processo da sua conversão religiosa do agnosticismo céptico ao catolicismo militante. Com a morte de Jackson, Alceu tornou-se seu sucessor na liderança do movimento intelectual católica, ou seja, tornou-se presidente do Centro Dom Vital e da revista de cultura A Ordem, ambos fundados por Jackson no início da década de 20. Alceu permanera na presidência por 40 anos, até 1968. Em 1929, aparece a carta a Sérgio Buarque de Holanda, o famoso “Adeus à Disponibilidade”, que era a superação do agnosticismo e do cepticismo pela adesão ao cristianismo integral. Na mesma época, em carta a Otávio Tarquínio de Sousa, expunha as razões da sua conversão: era o “Adeus à evanescência”.</p>
<p>Em 1930, manifestou-se publicamente contra o movimento revolucionário deflagrado pela Aliança Liberal sob liderança de Getúlio Vargas. Em 1932, diante da convocação das eleições para a Assembléia Nacional Constituinte em 1933, participou da fundação da Liga Eleitoral Católica (LEC) e tornou-se o primeiro secretário-geral da organização. O objetivo da LEC era oferecer apoio aos candidatos que, independentemente de partidos, se dispusessem a defender na Constituinte os pontos de vista da Igreja – como, e.g., a indissolubilidade do casamento, a assistência religiosa às escolas públicas, a pluralidade sindical, etc. Na década de 30 foi líder social do catolicismo no Brasil e anos após iniciou-se no magistério. Como professor opôs-se à corrente renovadora do ensino aglutinada no movimento da Escola Nova, liderado por Fernando de Azevedo, Lourenço Filho e Anísio Teixeira. Combateu especialmente a gestão de Anísio Teixeira na Secretaria de Educação do Distrito Federal durante a prefeitura Pedro Ernesto, bem como seu projeto da Universidade do Distrito Federal (UDF), haja vista o surgimento de um centro de ensino superior de orientação laica gerido a partir de um pólo de poder identificado com uma perspectiva política de esquerda. Em 1935, tornou-se diretor nacional da recém-criada Ação Católica Brasileira (1935-1945), foi eleito para Academia Brasileira de Letras e foi nomeado membro do Conselho Nacional de Educação.</p>
<p>Ainda na década de 30, viajara para Buenos Aires, Montevidéu e Santiago a conferências, que resultou em sua obra “Idade, Sexo e Tempo (1938)” – livro de Alceu que mais vendera (14 edições).</p>
<p>Após a implantação da ditadura do Estado Novo, em novembro de 1937, foi nomeado reitor da UDF e patrocinou o desmonte da estrutura criada por Anísio Teixeira. No princípio da década de 40, ele iniciou um lento retorno às suas antigas posições liberais, ainda que sem abandonar a fé católica. Professor de literatura brasileira da Universidade do Brasil e da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, participou em 1944 da fundação da Livraria Agir, com o objetivo de ampliar as publicações católicas. Em 1945, tomou parte no I Congresso Brasileiro de Escritores, marco decisivo na redemocratização do país. Colaborou ainda na fundação do Partido Democrata Cristão (PDC), redigindo o seu manifesto de lançamento, sem, porém, filiar-se à nova agremiação.</p>
<p>Retorna a Buenos Aires e a Montividéu em 1947 e 1949 para a fundação do movimento democrata-cristão na América Latina. O movimento inspirava-se nas idéias de Jacques Maritain e seu humanismo integral. Era um movimento de nítida superação teórica das antinomias direita-esquerda, fascismo-comunismo; e uma afirmação serena do humanismo cristão na linha da renovação do catolicismo. Recusa, ele, aos totalitarismos seja de direita seja de esquerda. Entre 1949 e 1953, viveu na França e nos Estados Unidos. Em 1958, começou a colaborar no <em>Jornal do Brasil</em> e na <em>Folha de São Paulo</em>. Em 1962 participou, como representante brasileiro, do Concílio Vaticano II e foi profundamente influenciado por suas decisões e pela nova orientação dada à Igreja Católica pelo papa João XXIII. Aprofundando suas concepções liberais, passou a admitir a evolução da sociedade em direção ao socialismo. No plano nacional, coerente com essa inflexão à esquerda, apoiou as reformas de base defendidas pelo presidente João Goulart. Tornou-se símbolo de intelectual progressista na luta contra as transgressões à lei e à censura que o regime militar após 1964 iria impor ao povo brasileiro. Denunciou pela imprensa a repressão que se abatia sobre a liberdade de pensamento, patrocinou em múltiplas ocasiões cerimônias de formatura de estudantes de diversas especializações que rendiam tributo a sua luta constante contra os regimes de caráter autoritário. Após o golpe militar de 64, notabilizou-se por seu posicionamento contrário ao novo regime em sua coluna do <em>Jornal do Brasil</em>. Seu enorme prestígio intelectual possibilitou-lhe inclusive romper o cerco da censura imposto ao país. Em 1967 foi nomeado pelo papa Paulo VI membro da Comissão de Justiça e Paz, com sede em Roma.</p>
<p>Morreu em Petrópolis-RJ em 14 de agosto de 1983</p>
<p><strong>PRINCIPAIS LINHAS DAS IDÉIAS DE ALCEU AMOROSO LIMA A PARTIR DE SUA OBRA O EXISTENCIALISMO E OUTROS MITOS DO NOSSO TEMPO</strong></p>
<p>No estudo dessa obra – que, não obstante, trata-se da justaposição de dois livros, Mitos de nosso tempo (1943) e O existencialismo (1951), procurar-se-á a partir do pensamento filosófico-religioso de Alceu Amoroso Lima debater outras idéias: sociais, políticas, psicológicas e nacionalistas. Como o título já nos sugere não se trata de uma exposição exaustiva do pensamento de A. A. Lima, mas, sobretudo, de contemplar a consonância de sua obra à sua idéia-motora, a fé em Deus. <a href="#_ftn1">[1]</a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Conceito de existencialismo</strong></p>
<p>Primeiramente Alceu parte da conceituação do termo existencialismo. Divide-o então em dois ramos antagônicos, protagonizados por Gabriel Marcel e Jean Paul Sartre. A filosofia de G. Marcel coloca a existência como ponto de partida e fundamento de toda a filosofia, tanto a existência do homem como a existência de Deus. É a inclusão total do universo, imanente e transcendente, criado e criador. Toda a realidade como existência em si, assim G. Marcel coloca a razão de sua filosofia. Diferentemente o faz Sartre – segundo Alceu – que coloca o existencialismo como filosofia do homem, um homem abandonado em si mesmo. O típico homem de nosso tempo, a era da aceleração.</p>
<p><em>“Compreendemos bem como essa filosofia corresponde a uma época de ativismo, de tecnologismo, de mecanicismo, como a nossa.” (p.23).</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Críticas às teses existencialistas</strong></p>
<p>Baseado nesse existencialismo ateu de Sartre, Amoroso Lima elabora suas críticas às teses existencialistas. A <em>unilateralidade</em> é sua principal crítica, da qual ataca as bases da teoria existencialista, ou seja, mostra a incomensurabilidade da primazia da existência levada ao extremo. Pois se de fato assim o fosse levada, negar-se-ia a essência da existência e nessa concepção assim mutilada a existência passar-se-ia a ser mera evanescência; como nas palavras de Alceu <em>é o suicídio da existência, a negação de si mesma.</em> Esse primeiro princípio do existencialismo – exclusão da Essência pela Existência – reflete o espírito de nossa época, em que o concreto torna-se a antítese do abstrato. E assim hipertrofia-se o concreto, torna-o exclusivo, devorador, canceroso. Destarte, o pensamento na óptica existencialista reduz-se aos sentidos, a um <em>sensualismo</em> no intuito de traduzir, grosseiramente, a riqueza da realidade.  Para salvaguardar o concreto, julgaram necessário eliminar o abstrato, e, por extensão, para afirmar o individual era preciso negar o universal (como se o particular fosse a negação do geral). Trata-se da terceira crítica de Amoroso Lima, a tentativa de desconstruir o universal em primazia do individual: a <em>atomização</em><strong>. </strong></p>
<p>Há três espécies de pragmatismo no nosso século: representados pelo <em>capitalista</em> (homem médio que se lança na luta pela existência a fim de obter os confortos da vida), pelo <em>marxista</em> (uso de método de ação que se consubstancia em ideais transcendentais de regeneração total do homem e em instituições ditatoriais. Tal pragmatismo é o otimismo integral, que crê na possibilidade de criar, na própria história, um homem novo capaz de uma felicidade perfeita ou, pelo menos, de um domínio absoluto da natureza) e pelo <em>existencialista</em> (ao contrário do marxista é um pessimismo. É uma filosofia de civilizações cansadas e cépticas, a qual considera tanto capitalistas como marxistas expressões de uma mentalidade infantil, primitiva ou bárbara. Para o existencialista, é a ação simplesmente pela ação. Alceu diz-nos que o homem não foi feito para a ação e sim a ação para o homem, e considera as outras duas formas de pragmatismo mais próximas da verdade que o existencialismo. O instintivismo existencialista reza a primazia do temperamento sobre a razão na intenção de negar a transcendência – o que para A.A. Lima é a regressão do homem ao animal, é negar a transcendência que nos leva a um absoluto, o qual nos acolhe para a plenitude de nosso ser.</p>
<p><em>Não posso reconhecer como apenas minhas as forças do instinto que se agitam em mim. Vindas de mais longe que eu próprio, prolongam-se além de mim mesmo. Elas são, sem dúvida, de alguma maneira, transcendentes a mim. (p.103).</em></p>
<p>No que tange à popularidade do existencialismo, Alceu critica o aspecto da improvisação, pela qual, segundo ele, se dá a sedução (ilusão de todos de serem filósofos, visto ser filosofia existencialista que se projeta contra os filósofos) por essa filosofia superficial, que apenas aparentemente justifica a desordem e a confusão. Outro ponto em que o existencialismo se funda é o irracionalismo cujo resultado é a redução da realidade à emergência contínua do existencial, uma realidade sem origem, fim ou razão de ser. Isso se dá pelas potências obscuras do pensamento (instinto, vontade-poder), nas quais, diz Amoroso Lima, não são o homem e, por isso, não podem levar ao conhecimento dos predicados do ente.</p>
<p>Um aspecto forte no existencialismo é afirmar a eternidade como manifestação no tempo; “a eternidade aparece no instante que passa e não devemos procurá-la em outro lugar” (Karl Jaspers, Filosofia da Existência). Fazem do tempo a essência do universo, o que acarreta um empobrecimento da realidade, pois o tempo é um dos elementos da realidade natural, e não o único e supremo. Nisso se dá a divinização do contingente (a contingência absoluta) como conseqüência necessária da extrapolação do conceito de tempo, segundo Alceu. E ele continua: “a última palavra do existencialismo radical é o aniquilamento do mundo pelo homem ou do homem pelo mundo, restando apenas duas saídas, ou Deus ou o nada; o existencialismo integral escolheu o nada, i.e., sua última palavra é o negativismo”.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Os três humanismos modernos</strong></p>
<p>Para Alceu Amoroso Lima a filosofia não se separa da religião, e assim neste capítulo 6 de <em>O Existencialismo </em>ele expõe a natureza transcendente de sua metafísica. Toma uma posição radical a todo reducionismo ou a qualquer filosofia antropocêntrica, no sentido de afastar o homem de Deus. Ele as considera como filosofias que não ultrapassam a práxis ou a simples teorização.</p>
<p>Divide ele o humanismo moderno em três categorias: (a) humanismo marxista: é a objetivação do homem, negação de sua própria natureza humana (subjetiva), considerando a si mesmo como simples conseqüência da sociedade; (b) humanismo existencialista: é um protesto contra o humanismo marxista, em que não mais se toma o homem como objeto e sim como projeto. <em>“É um pequeno deus substituindo Deus. Mas não tem natureza própria&#8230; por isso, é substancialmente infeliz, e se deve resistir firmemente contra a desgraça e a angústia, perante a responsabilidade que sente do seu compromisso com a vida”</em>. A (a) e (b) Amoroso Lima afirma que são humanismos inumanos. O único humanismo capaz de responder a objetivação ou a projetividade do homem é a o humanismo cristão. Este respeita a grandeza do homem, o infinito de suas possibilidades e as condições reais da sua existência temporal. <a href="#_ftn2">[2]</a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Mitos dos nossos tempos: os novos mitos </strong></p>
<p>Para Alceu Amoroso Lima nossa época está cheia de mitos que tendem à alienação do homem, à confusão das idéias e ao embaraçar-se de tudo, onde verdade e mentira se confundem. Tudo se deturpa. Há uma transmutação dos valores. Sabe-se que a vida não é uma estagnação, mas, pelo contrário, segue de forma senoidal, cheia de altos e baixos. É a lei da ascensão e da decadência que impõe o ritmo da existência. E no meio desse cair e subir se encontra o homem, entre o bem e o mal, a essência e a existência, a eternidade e a temporalidade, sempre buscando um equilíbrio dentre esses dois pólos. Tal equilíbrio se consegue mantendo-se os valores de permanência, concentrados no absoluto (Deus), em contraposição a uma desespiritualização e uma antropomorfização dos últimos séculos. É no decorrer desses processos que vêm a surgir os mitos modernos.</p>
<p>“Mito é a atribuição de um valor absoluto a uma entidade relativa. Atribuição porque todo o mito supõe uma subjetividade. É uma criação relativa do homem, uma projeção do seu espírito sobre as coisas”. <a href="#_ftn3">[3]</a> Assim, para A.A. Lima, o mito é uma realidade intermediária entre a verdade e a fantasia, a subjetividade e a objetividade. Porém, não obstante a essa situação intermediária, o mitológico permanece distante tanto da estética (projeção do eu sobre as coisas) como da cientificidade (projeção das coisas sobre o eu). Daí a simpatia pelo mito em nosso tempo, pelo qual se revela o cansaço do homem tanto à arte quanto à ciência.</p>
<p>Alceu apresenta-nos alguns dos mitos contemporâneos e em seguida os contramitos. Ao mito da riqueza, opõem (como contramito) o ideal da pobreza. Ao da técnica, opõem com o ideal do espírito. Ao do sexo, o do amor. Ao da cultura, o da verdade. Ao do número, o da justiça. Ao da classe, o da Cooperação entre essas classes. Ao da nação, o da pátria. Ao da raça, o da família.</p>
<p align="center">***</p>
<p align="center">
<p>“Nossa impressão não pode prescindir do universo total, sob pena de nos fecharmos à riqueza indefinida do ser”. É sobre essas palavras que vejo o espírito de Alceu Amoroso Lima. Buscava a verdade sobre o mundo, sobre o seu país, sobre os outros e sobre si mesmo. A verdade para ele não poderia ser alcançada sem que a busca sobre ela não estivesse alicerçada em Deus, mais precisamente, no cristianismo e na Igreja Católica. Por isso combatia filosofias que rejeitavam o transcendente ou àquelas que deturpavam o seu significado único, que era Deus. Em Deus estava a essência em sua perenidade, e no homem – no existente – perpassava essa essência por meio da conversão. Apesar de ser um cristão – e como discípulo fiel buscar a conversão de outros – Amoroso Lima não violentava ninguém. Defendia com ardor sua crença, mas não era um alienado. E independentemente disso, foi um brasileiro que amava seu país. Preocupava-se com os problemas sociais, políticos, culturais e morais tanto do povo brasileiro como também, numa tentativa de universalização de sua filosofia, preocupava-se com os problemas do homem. Sempre pregou um humanismo cristão-social, antiburguês, anticapitalista e antimaterialista, afastando qualquer Estado totalitário. Não era de esquerda nem direita. Por isso todos os valores filosóficos, estéticos, sociais e econômicos são valores relativos para ele. Somente o valor religioso era absoluto, pois neste continha o Absoluto em sua totalidade. E isso me impressiona em Alceu: não separar os problemas regionais dos nacionais, nem estes dos universais. Três movimentos lhe mereceram a dedicação entusiasmada: o movimento litúrgico (oração), a renovação tomista (inteligência) e a então Ação Católica (ação).</p>
<p>Em sua crítica literária é perceptível a sua paixão pela arte (especialmente a literatura), arte esta, segundo ele, faz-nos ser partícipes da criação. Arte como modo de elevação do homem cuja criação revela a visão de mundo particularizada. Criando, o homem experimenta a liberdade e ultrapassa o domínio das formas já existentes na natureza. No seu primeiro artigo crítico aparecera a frase latina “Nulla dies sine linea”, a que foi inteiramente fiel. Defendera o caráter amadorístico da sua atividade crítica.  Amava o amadorismo. Foi industrial amador, crítico amador, professor amador. Repelia a profissionalização.</p>
<p>Sua luta pelo homem é exaustiva e justa. O homem não é apenas um animal cheio de inclinações e impulsos desenfreados, como nos coloca os nietzschianos ou freudianos de nosso tempo. Para o novo espiritualismo de Alceu a existência que exclui a essência não alcança o equilíbrio necessário de si mesma, pois tanto a primazia da essência – como o fez Platão – ou da existência levam o homem à violência para consigo e para com o outro. O homem tem uma finalidade, que para Alceu era a salvação eterna. A existência precisa de um thélos para prosseguir, uma explicação diante das situações-limites que nos apresenta. Diante do fracasso, do absurdo, do desamor, da guerra, do racismo, da angústia e do sofrimento. Dessa contingência existencial provêm os mitos: falsos deuses na tentativa de explicar o mundo, ou pelo menos para alienar o homem no intuito de dar certa finalidade a sua vida. É difícil concordarmos com Alceu acerca da salvação do mundo por meio da cristianização. Basta olharmos para trás, e veremos as maldades que os cristãos fizeram a tantos. Depois de Schopenhauer, Nietzsche e Freud fica difícil crer em uma boa vontade do homem. Porém, dentro de todo esse absurdo de nossa época, é válida toda e qualquer alternativa para salvaguardar o homem do homem. Reconstrução, a partir do nada ou de Deus. E nesta acepção, a proposta de Alceu é válida.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>BIBLIOGRAFIA FUNDAMENTAL DO AUTOR</strong></p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. Afonso Arinos por Tristão de Ataíde. 2ª ed. São Paulo: Lisa, 1981.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. Arte sacra Portinari. Rio de janeiro: Alumbramento, 1982.</p>
<p>Almeida, José Américo e Lima, Alceu Amoroso.  A Bagaceira: Romance. 15. Ed. Rio de janeiro: J Olympio, 1978.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. Cardeal leme: Um depoimento. Rio de janeiro: J Olympio, 1943.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso.  Comentários a populorum progressio. Petropolis: Editora Vozes Ltda.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. O Critico literário. Rio de janeiro: Agir, 1945.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. Os Direitos do homem e o homem sem direitos. Rio de janeiro: F Alves, 1974.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso.  Economia pré-política: Ensaio. Rio de janeiro: Católica, 1932.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso.  Em busca da liberdade. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1974.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. Espírito e o mundo: Ensaios. Rio de janeiro: J Olympio, 1936.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. O Espírito universitário. Rio de janeiro: Agir, 1959.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso.  Estudos: 1ª serie. Rio de janeiro: Terra de Sol, 1927.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. O Existencialismo e outros mitos do nosso tempo. Rio de janeiro: Agir, 1956.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso.  Pela cristianização da idade nova. Rio de janeiro: Agir, 1946.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. Pelo humanismo ameaçado. Rio de janeiro: TB &#8211; Edições Tempo Brasileiro, 1965.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso.  Política. Rio de janeiro: Catholica, 1932.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso.  Revolução, reação ou reforma? Rio de janeiro: TB &#8211; Edições Tempo Brasileiro, 1964.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso.  Tudo é mistério. Petrópolis: Editora Vozes Ltda., 1983.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. A Vida sobrenatural e o mundo moderno. Rio de janeiro: Agir, 1956.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso.  Violência ou não? Petrópolis: Editora Vozes Ltda., 1969.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso.  Visão do nordeste. Rio de janeiro: Agir, 1960.</p>
<p>LIMA, Alceu Amoroso. Voz de minas: Ensaio de sociologia regional brasileira. Rio de janeiro: Agir, 1945.</p>
<hr size="1" /><a href="#_ftnref1">[1]</a> “A vida é uma sucessão de adeuses. Adeus a nós mesmos. Adeus aos nossos queridos ou desconhecidos. Adeus às casas e às coisas. Até ao <em>a Deus </em>final em que a palavra volta ao seu sentido profundo e real, pois afinal esses adeuses sucessivos e temporários não são mais do que uma preparação contínua para o <em>a Deus </em>final com que, queiramos ou não, se encerra a nossa peregrinação de adeuses sucessivos.” (Prefácio da obra <em>Adeus à disponibilidade e outros adeuses.</em> Rio de Janeiro.<em> </em>Ed. Agir, 1969)</p>
<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> O homem é tão grande quanto o universo (Kierkegaard); O homem é um microcosmo (Aristóteles); O homem vive sempre o infinito da sua grandeza e o infinito da sua desgraça (Pascal).</p>
<p><a href="#_ftnref3">[3]</a> Mitos do nosso tempo, p. 186.</p>
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