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	<title>gerundio &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/gerundio/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "gerundio"</description>
	<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 12:54:46 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Meus textos antigos, os quais eu tinha escrito e publicado no recanto das letras]]></title>
<link>http://schlemmermeyer.wordpress.com/2009/09/05/meu-textos-antigos-os-quais-eu-tinha-no-recanto-das-letras/</link>
<pubDate>Sat, 05 Sep 2009 21:40:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>schlemmermeyer</dc:creator>
<guid>http://schlemmermeyer.wordpress.com/2009/09/05/meu-textos-antigos-os-quais-eu-tinha-no-recanto-das-letras/</guid>
<description><![CDATA[Cada caso é um caso (casos na língua portuguesa) [publicado no recanto em 16/11/07; 1975 acessos até]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Cada caso é um caso (casos na língua portuguesa)</p>
<p>[publicado no recanto em 16/11/07; 1975 acessos até 04/09/09]</p>
<p>A declinação é algo de suma importância na vida do brasileiro, pois quem não ousaria declinar um pouco para o lado, quer dizer, afastar-se um pouco da linha reta quando avistasse o frágil contorno de uma linda mulher, e em alguns casos uma declinação suave dessas pode resultar até em caso amoroso, ou seja, em vez de simplesmente declinar o impetrante declinado, a mulher pode também consentir na declinação conjunta para um namoro, qual seja, conforme cada caso, quer aberto quer escondido. Apesar disso, não é natural, para um brasileiro moderno, descobrir casos de declinação também na própria língua portuguesa. E de fato quase não há. Mesmo assim pretendo apontar neste pequeno ensaio para o que eu sei sobre os casos de declinação na língua portuguesa, embora eu esteja ciente que dentro de uma abordagem moderna da língua portuguesa provavelmente não haja a menor necessidade de analisar o assunto sob este ángulo. Não é preciso ver a língua portuguesa na perspectiva desses casos da língua latina, quer dizer, na óptica de todos esses casos que formam a base para as declinações tão importantes naquela língua já morta, mas ainda não defunta. Mas um exercício de mente sempre vale a pena ser feito e amplia o nosso entendimento….</p>
<p>Bem, as declinações que ocorrem no Latim através de flexões de substantivo, adjetivo, e pronome, são conseqüencia da função sintática que estas palavras exercem na síntaxe latina. Isto é mesmo um assunto do latim, cuja síntaxe depende das declinações. Já no português, somente para os pronomes é possível identificar formas com flexões diferentes, trata-se, porém, de uma coisa tão isolada que não merece o tratamento por toda a teoria dos casos, que forma a base das declinações no latim. Geralmente as gramáticas mencionam o caso reto, o caso obliquo (na função de objeto direto) e o outro caso obliquo (na função de objeto indireto) para os pronomes pessoais. Mencionam ainda os pronomes fundidos com a preposição “com”, mas não se dão ao esforço de introduzir toda a casuística da língua latina. E provavelmente seja para o nosso bem, pois na língua portuguesa a síntaxe já vem de tal forma que não necessita das declinações do latim.</p>
<p>Ora, numa entrevista com o famoso escritor Carlos Heitor Cony, li que a gramática que este estudara, quando freqüentava escola havia muitas décadas, fora a gramática expositiva do Eduardo Carlos Pereira. E por uma feliz coincidência, achei um velho exemplar, para assim dizer, um interessante alfarrabio, pelo preço de banana, num estande de um vendedor de rua. Investi um real, e adquiri a obra, com as folhas já bastante fracas, um pouco amareladas, e já em vias de decomposição, mas sem sinais visíveis de danos causados pelo cupim, sinais estes que se pode observar com tanta freqüencia em outros calhamaços.</p>
<p>É a 18. edição da “Gramatica Expositiva – Curso Superior”, deve ter saído do prelo em algum ano depois de 1918 e antes do novo acordo ortográfico brasileiro, da ABL, de 1943. Naquela época, parece, os estudiosos da língua portuguesa ainda sabiam bem o latim. Pois é impressionante como o Prof. Eduardo Carlos Pereira (doravante ECP) deduz toda uma série de assuntos da língua portuguesa, a partir do latim.</p>
<p>Quanto à casuística e às declinações, começo mencionando os casos que formaram a base das declinações no latim. Estes casos são,</p>
<p>primeiro, o nominativo, que exprime uma relação subjetiva,<br />
segundo, o genitivo, que exprime uma relação atributiva,<br />
terceiro, o dativo, que exprime uma relação terminativa,<br />
quarto, o acusativo, que exprime uma relação objetiva,<br />
quinto, o vocatico, que exprime uma relação vocativa,<br />
e sexto, o ablativo, que exprime uma relação adverbial de meios, fins, e localização, etc…</p>
<p>Para o problema dos pronomes, pode-se obter então o seguinte entendimento:</p>
<p>Os pronomes retos “eu”, “tu”, “ele”, “ela”, “nós”, “vós”, “eles”, “elas” correspondem ao nominativo, e de fato estes, quando usados, exprimem o sujeito de uma frase, na norma culta.    (*1)</p>
<p>Os pronomes obliquos, “me”, “te”, “o”, “a”, “nos”, “vos” correspondem ao acusativo em predicados onde o verbo só tem objeto direto.</p>
<p>Em construções mais complexas, com objeto direto e objeto indireto na mesma frase, quer dizer, nestas frases onde surgem as construções do tipo “mo”, “ma”, “lho”, “lha”, “no-lo”, “no-la”, “vo-lo”, “vo-la”, etc., nestas construções os pronomes “me”, “te”, “nos” e “vos” correspondem, às vezes, também ao dativo. Daí segue que se pode achar pronomes obliquos na mesma frase, onde um é no dativo e o outro, no acusativo.                                            (*2)</p>
<p>Os pronomes “lhe”, “lhes” correspondem ao dativo.    (*3)</p>
<p>Os pronomes ligados às preposições, enfim, “mim”, “ti”, “si”, correspondem, conforme ECP, ao dativo. Mas pelo que tenho entendido até agora, ECP omite-se quanto aos motivos para essa classificação, já que ele relaciona outros pronomes, associados a preposições, com o ablativo em vez de com o dativo.</p>
<p>São os pronomes fundidos com a preposição “com” que correspondem ao ablativo, ou seja, “comigo”,  “contigo”, “consigo”, “conosco”, “convosco” seriam no caso ablativo.</p>
<p>ECP menciona ainda um outro interessante exemplo de casuística na língua portuguesa:</p>
<p>O segundo caso do latim, ou seja, o genitivo, que exprime a relação atributiva, em português é formado com a ajuda da preposição “de”. No entanto, quando se tem um substantivo seguido pela preposição “de”, isso pode significar relações diferentes com o substantivo depois do “de” (e que estaria no genitivo conforme ECP), como talvez um ou outro leitor já tenha reparado.</p>
<p>Assim sendo, ECP distingue entre o “genitivo subjetivo”, o “genitivo objetivo” e o “genitivo predicativo”.</p>
<p>Vou apresentar um por um:</p>
<p>O genitivo predicativo indica de quem é a coisa, por exemplo, a frase, “o livro do Pedro”, serve para dizer que o livre pertence ao Pedro, e o genitivo predicativo pode também exprimir a qualidade da coisa, por exemplo, na frase, “a estátua de mármore”.</p>
<p>O genitivo objetivo indica o objeto do sujeito, ao qual este se refere, posso lembrar aqui a expressão da Clarice Lispector que eu citei no meu ensaio “Words don´t come easy”, é a frase “a abordagem do português” (no sentido de língua portuguesa); na expressão “a abordagem do português” (no sentido de língua portuguesa) a palavra “abordagem” funciona um pouco como se fosse sujeito, enquanto a palavra “o português” é o objeto que vai ser abordado pelo sujeito.</p>
<p>O genitivo subjetivo indica o sujeito de uma frase, pode-se dizer, por exemplo, “a palestra do professor”, então quem é o sujeito na verdade não é bem a palestra, em termos semânticos pode-se dizer que quem dá a palestra é o professor, ou seja, o professor é o verdadeiro sujeito, afinal não é a palestra que dá o professor, mas ao contrário, é o professor que dá a palestra.</p>
<p>Então, achei tudo isso bem interessante e bem importante, ver como os gramáticos conseguiram distinguir numa língua, na língua portuguesa, entre três diferentes tipos só do genitivo, embora na língua portuguesa nem sequer existam essas flexões e declinações. É realmente bacana. Gostei para caramba.</p>
<p>No resto, o livrinho do ECP é boa leitura, compensa ler, há também todo um belo artigo sobre métrica e sílabas que contem o básico sobre isso, no português, de novo deduzido a partir dos ensinamentos no latim. Pois no latim a métrica coincidia exatamente com as sílabas escritas, enquanto na língua portuguesa há uma métrica oral que já não coincide com as sílabas escritas. Isto seria um outro interessante assunto para uma próxima oportunidade.</p>
<p>Ora, não estou firme no estudo da linguística atual, mas tenho plena confiança que fenômenos como o dos três genitivos diferentes na língua portuguesa ou a colocação dos pronomes possam ser redescritos com outros termos de forma que já não seria preciso recorrer à palavra “genitivo”, haja vista que essas flexões de fato não existem na língua portuguesa. Há de se ver toda a literatura sobre isso. Pelo que saiba a gramática moderna surgiu exatamente em função desse distanciamento em nível descritivo que se queria estabelecer em relação ao latim. Acho que as primeiras gramáticas modernas foram escritas no século 17, para a língua francesa, e é nessas gramáticas onde se tentou reformular as regras de uma língua sem sempre recorrer ao latim, portanto seria um absurdo tentar enraizar, agora, hoje em dia, a gramática moderna na gramática latina, pelo que eu, como leigo, entenda da linguística. Isso já fora superado há muito tempo !? Mesmo assim, o que permanece é uma impressão muito marcante de que os pronomes, a sua colocação e a sua declinação constituem, para assim dizer, o coração, ou para modernistas talvez soa melhor dizer, o motor, da língua portuguesa e de outras línguas também. Já o genitivo, nós o referenciamos e tanto apreciamos, pois ele está tão imprescindível e tão presente quando se trata de estabelecer uma relação entre dois substantivos sem recorrer a um verbo.</p>
<p>E tudo isso continua tendo uma enorme importância literária, sem dúvida nenhuma. Portanto não nos esqueçamos do latim com todas as suas mais variadas declinações quer que sejam gramaticais quer que resultem em outras conjunções carnais ou espirituais !</p>
<p>                                        —-</p>
<p>Este texto agora publicado é exclusivamente da minha autoria, mas utilizei a seguinte referência:</p>
<p>Eduardo Carlos Pereira. 1918. Gramática Expositiva – Curso Superior. 18. Edição. Companhia Editora Nacional. páginas 218, 219 e 316.</p>
<p>                                     —-</p>
<p>ó gente, aqui vão algumas observaçõezinhas a mais, é só pros leitores interessados lerem:</p>
<p>(*1) [Um outro bate-papo seria o uso desses mesmos pronomes como objeto em vez de como sujeito, mas daí, seria só em nível de uma linguagem coloquial, a qual ainda é fortemente reprimida na escrita. Pois na linguagem coloquial usam-se estes pronomes do nominativo (principalmente aqueles da terceira pessoa) para dar ênfase a um objeto nulo, ou seja, em vez do objeto nulo, colocam-se estes pronomes depois do verbo. São, porém, coisas ainda fortemente reprimidas na escrita. Os linguistas compreendem e os gramáticos condenam.]</p>
<p>(*2) [ Entre os leitores brasileiros, apenas um leitor culto reconheça e entenda, num texto escrito, as formas "mo", "ma", "to", "ta", etc...pois estas formas definitivamente já não fazem parte da linguagem coloquial e já não são usadas em textos brasileiros que têm por objetivo apenas a simples comunicação, sem terem fins literários]</p>
<p>(*3) [Ouvi dizer que especialmente "hispanohablantes" - falantes do castelhano - que aprendem o português como língua estrangeira têm dificuldades em memorizar quais verbos são seguidos apenas por um objeto direto e quais verbos por um objeto indireto; mas existem alguns poucos verbos que causam essas mesmas dificuldades até a falantes nativos do português brasileiro, procurarei compilar uma lista desses verbos duvidosos e, de certa forma, instáveis. Entra aqui também a questão das preposições. Já li sobre isso em algum lugar. Vale outro ensaio.]</p>
<p>——————————————————————<br />
Uma pequena nota adicional no tocante aos pronomes e ao acusativo</p>
<p>[publicado no recanto em 10/05/09, 192 acessos até 04/09/09]</p>
<p>Tendo-me deparado com uma dúvida quanto aos pronomes, comecei a escrever o meu primeiro ensaio para este recanto há cerca de um ano e meio. Aquilo foi sobre os pronomes neutros (vejam meu primeiro ensaio publicado no dia 07/09/2007). Agora, lendo um texto no famoso site do Ciberduvidas (<a href="http://www.ciberduvidas.pt/">www.ciberduvidas.pt</a>, “A forma verbal tens + o pronome”  – anunciado tb. na abertura com o título “Tem-lo? Empresta no-lo.”), me veio outra dúvida que exige uma elaboração melhor.</p>
<p>Na tentativa de elucidar a enclise do pronome no caso da segunda pessoa singular de “ter”, ou seja, quando “o tens” vira “tem-lo”, a autora daquele texto foi indo do simples ao desnecessariamente difícil introduzindo mais um termo gramatical, isto é, o suposto “pronome pessoal acusativo”, que seria o pronome que corresponde ao “complemento direto” .</p>
<p>Bem, as formas enclíticas correctas, nem vou explicá-las aqui de novo. Isso está bem explicado no texto da Edite Prada e agradeço-lhe imenso essa fina elaboração. O texto esta no seguinte endereço:</p>
<p><a href="http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=26302">http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=26302</a></p>
<p>Mas o que me intriga é esse tal “pronome pessoal acusativo”. O que é que venha a ser isso?</p>
<p>O “pronome pessoal acusativo” parece então indicar uma função sintática, ou seja, um determinado papel gramatical no interior da frase. Esse papel se chama “acusativo”, “objeto direto” ou “complemento direto”. De fato, nas línguas que têm morfo-declinação o acusativo é usado para indicar esse papel, mas é usado também após determinadas expressões introduzidas por preposição.</p>
<p>Mas na língua portuguesa não há essas flexões do acusativo. Assim sendo, entendo que o tal do “pronome pessoal acusativo” somente pode ser entendido a partir da análise de uma frase, no português. Esses pronomes nunca estão no acusativo por si só, sem a frase que lhes atribui exatamente esta função sintática de ser acusativo. Pelo que eu saiba não é comum dar a eles o nome de “pronome pessoal acusativo”, eu os conheço pela designação de “pronome oblíquo átono”. Podem servir também de pronome neutro (”o” no sentido de “isso”, “isto”, “aquilo”) ou de pronome demonstrativo (”o” e “a”), mas depende da frase.</p>
<p>Com “acusativo” no seu sentido vago e incompleto de “objeto direto” ou ainda “complemento direto” (excluindo-se agora o uso do acusativo como complemento de preposições) queremos, no entanto, referir-nos apenas ao substantivo ou pronome que sofre a ação do verbo conjugado.</p>
<p>Dizemos, para usarmos outras metáforas, que o objeto direto é regido pelo verbo conjugado, enquanto o sujeito é o regente que rege o verbo conjugado. O “acusativo” é portanto diferente do sujeito (”nominativo”) da frase. Numa frase com “acusativo” existem pelo menos duas entidades nominais distintas e diferentes entre si, ligadas ao verbo: de um lado temos o sujeito (no “nominativo”) que determina a própria conjugação do verbo (quanto a número e pessoa), e de outro lado temos o tal objeto direto ou “acusativo” que sofre a ação do verbo.</p>
<p>Nesse texto do Ciberduvidas, sobre a enclise de pronomes, da Edite Prada, essa funcionalidade sintática não está bem compreendida a meu ver.</p>
<p>Nele, a autora expõe “duas excepções gráficas de uso do pronome pessoal acusativo, terceira pessoa”. Ora, na língua portuguesa a grafia em si não tem nada a ver com o “acusativo”. Será que os leitores entendam isso? A grafia tem de ser vista em nivel de (na categoria de) cada palavra. Na ortografia, a palavra é escrita corretamente, noutras grafias há possíveis erros. Mas o acusativo tem de ser percebido em nivel da frase inteira.</p>
<p>Tudo isso teria passado completamente despercebido, se a propria autora não tivesse escrito uma frase exemplar, na qual o pronome “o” desempenha o papel de “predicativo de sujeito” em vez de “acusativo”.</p>
<p>Ei-la: “Eles são interessantes”, substituindo “interessantes” pelo pronome “o” se obtem: “Eles são-no”.</p>
<p>Aqui o “o” não é acusativo, pois refere-se diretamente a uma propriedade do sujeito (eles: eles são o que?). Não se trata de uma segunda entidade nominal independente que sofre a ação do verbo. Aliás, o verbo da frase, isto é, “ser”, é um verbo de ligação. Verbos de ligação nunca têm objeto direto como complemento. Ligam apenas o sujeito a uma outra característica dele mesmo, portanto se diz que se trata de um “predicativo do sujeito”.</p>
<p>Concluindo, reafirma-se que na frase  “Eles são-no” não há pronome pessoal acusativo. O pronome “o” tem aqui a função sintática de “predicativo do sujeito”. A autora do artigo do ciberduvidas está desapercebida quanto a essa problemática ou ela redigiu o texto deixando passar o descuido despercebido. Creio que aconteceu uma das duas, pois termo gramátical que dá apenas 69 resultados no Google é ou uma coisa extremamente complicada ou um assunto muito furado.</p>
<p>No Brasil, nunca ouvi ninguém dizer “eles são-no”, portanto não sei quão importante esse uso do pronome seria em nível da lusofonia em geral, mas aceitando o desafio de formular frases gramaticalmente corretas (ainda que talvez não sejam ditas dessa forma na prática da fala) continuo a desenrolar esse novelo, e venho propor:</p>
<p>“Elas são a nova turma de alunas.” Agora substituimos “a nova turma”:</p>
<p>“Elas são-na.”  (”a” como pronome demonstrativo)</p>
<p>“Elas são-no.” (”o” como pronome neutro)</p>
<p>Agora caberia escrever outra matéria resumindo tudo sobre pronomes na língua portuguesa. Entrariam então pronomes retos, pronomes oblíquos átonos e pronomes oblíquos tônicos, mas isso fica para uma próxima oportunidade. Já adianto que estou trabalhando numa abordagem dos pronomes pessoais que recorre apenas a essas três categorias, ou seja, aos retos, aos oblíquos tônicos e aos oblíquos átonos para dar conta de tudo o que se há de saber, na língua portuguesa. Grande abraço a todos, e voltem a ler os meus ensaio de vez em quando!</p>
<p>—————————————————————–<br />
Uma tremenda curiosidade gramatical me chamando…</p>
<p>[ publicado no recanto em 14/12/08, 340 acessos até 04/09/09]</p>
<p>Como começar com este ensaio?…Não sei não. Após ter escrito varios esboços e ter recebido alguns comentários de leitores dos dois lados do Atlântico, reformulo agora o início dirigindo a atenção do leitor ao uso do gerundio como adjetivo. Pois muitos comentaram, bem, tudo bem, o particípio é então usado como adjetivo, mas o gerundio? O gerundio também? Mas isso é absolutamente impossível! Engano seu. É possível, sim. Sim, também o gerundio é usado como adjetivo, seja isso natural, um galicismo, um anglicismo, ou o que for. Talvez, para nós compreendermos melhor o uso do gerundio como adjetivo, é bom termos em mente primeiro o uso do gerundio para iniciar uma simples oração adjetiva – isso é um lugar comum nas gramáticas, embora haja controvérsias…. Em casos onde uma tal oração adjetiva consiste apenas num único atributo adjetivo sem acréscimo, isto é, em casos onde o gerundio for formado a partir de um verbo intransitivo sem complementos, obtem-se, então, um gerundio na função de adjetivo. Um exemplo? Folheando nas minhas leituras achei o seguinte exemplo no romance “A guerra do Lobisomen” de Carlos Moraes, na página 22: “Me passou uma caneca de leite recém-tirado, morno da vaca, espumando.” Não é difícil perceber aqui que o primeiro adjetivo, o particípio “recém-tirado” se refere ao substantivo “leite”, e o segundo e o terceiro adjetivo, ou seja, “morno” e “espumando”, se referem ao mesmo substantivo, “leite”. Assim sendo, “espumando” é um adjetivo nesta frase. Espero ter demonstrado por esse exemplo o uso do gerundio como adjetivo. Eu podia ter citado exemplos bem mais famosos de autores muito mais conhecidos, mas restringi-me a uma única citação de um autor relativamente desconhecido para que o mero nome do autor não suplante ao cerne gramatical da questão que se acha na linguagem de todos, quer sejam famosos poetas ou não tão famosos assim.</p>
<p>Bem, e eis um excerto de um estudioso clássico da gramática portuguesa, prestem bem atenção:</p>
<p>“Não suplantaria o gerundio ao particípio do presente, tão usado em latim, se às funções verbais próprias não acrescentasse aquelas que competiam ao particípio. O papel de adjetivo, sobremodo conspicuo nest´outra forma infinita, reaparece de fato ocasionalmente nas terminações “-ando”, “-endo”, “-indo”.”</p>
<p>M. Said Ali, 1923, em “Formação de Palavras e Sintaxe do Português Histórico”.</p>
<p>Pois é gente, como se vê então, o gerundio e o particípio do presente são os que constituem a pauta deste pequeno ensaio-enigma.</p>
<p>Veja bem galera, na lingua portuguesa, o particípio é isso mesmo, quer dizer, é “o particípio” e não “os particípios”, pois há só um tipo de particípio, conforme a gramática convencional. É diferente do que ocorre na minha língua nativa, no famoso idioma germânico de Martin Luther. Na língua alemã, há “os particípios” que são o particípio do perfeito e o particípio do presente; sim, no alemão preservou-se estas estruturas gramaticais que vieram do latim.</p>
<p>Conforme algumas gramáticas da língua portuguesa, o particípio do presente, na língua portuguesa, ainda estaria visível em algumas palavras como por exemplo “fervente”, “seguinte”, “corrente”, “temente” e assim por diante.</p>
<p>Contudo, nesses casos, o particípio do presente está visível apenas na forma de um “fossil etimológico”, para assim dizer, que desempenhou um papel na formação destes adjetivos. Não se pode formar o particípio do presente a partir de um verbo qualquer, por via de sufixação. Isso não dá para fazer não.</p>
<p>E por tudo isso, é possível dizer de forma conclusiva e convincente que no português há apenas “o particípio”, e não “os particípios”.</p>
<p>Agora entro, então, com a minha pequena polêmica gramatical:</p>
<p>Diz-se que o gerundio, que não é o particípio, muitas vezes acaba sendo confundido com o particípio do presente injustificadamente, ou noutros termos, que na realidade o gerundio em português não teria as funções que o particípio do presente tem em outras línguas, notadamente na minha amada língua germânica de Martin Luther e na nobre língua latina de Cicero, Seneca et al.. É verdade isso, na língua portuguesa há quem realmente não permita o uso do gerundio como simples adjetivo, enfim, o uso do gerundio do jeito que se usa o particípio do presente noutras línguas.</p>
<p>Esse pessoal da “linha dura” da gramática talvez não goste do gerundio na função de adjetivo pelo fato de o gerundio ser uma forma não flexionada, nem conjugada (- por isso sendo tão bacana, usando se o gerundio em quaisquer orações desgarradas…- fazendo dançar e comunicar as pessoas falando e cantando, rsrsrs…). Como se vê, o gerundio pode gerar, em hipótese pelo menos, uma boa dose de ambiguidade, justamente por ser uma forma tão fixa e tão pouco flexionada.</p>
<p>Já o particípio do presente do alemão (ou do latim) acaba sendo flexionado conforme número, gênero e caso quando de seu uso adjetivo, do mesmo jeito que o particípio do perfeito também o é.</p>
<p>Mas é nesse ponto que vejo que a coisa é muito mais complicada do que se suponha à primeira vista.</p>
<p>Realmente, tudo isso é uma TREMENDA COMPLICAÇÃO, viram, ouviram, perceberam?  “Tremenda” parece ter algo de gerundio, não é? Mas mesmo assim acaba sendo flexionada acompanhando o substantivo feminino. Perceberam essa singularidade tão singela?</p>
<p>Foi apenas este o ponto central do meu pequeno mini-ensaio. Teria ainda mais coisas para contar, mas ainda não está pronto, por exemplo, qual é a diferença entre “seguidamente” e “seguintemente”, vocês sabem, ou vejam isto, para mencionar outro papo, “água fervente” é a mesma coisa de “água fervendo” (?),  e muitas esquisitices a mais poderiam ser debatidas, mas por enquanto é só isso, apenas contei dessa tremenda estupefação minha frente ao adjetivo “TREMENDO”.</p>
<p>Obs: Pode-se se classificar este mini-ensaio também como mini-enigma, se assim o preferirem, e a solução será que a palavra “tremendo”, ela também, acaba sendo um fossil etimológico do latim (”tremendus”), mais um fossil então do famoso garimpo luso-brasileiro, pois é, mas não é gerundio não gente, espero que gostaram da minha mini-prosa e um forte abraço para todos, até a próxima.</p>
<p>——————————————————————-</p>
<p>SEGUEM MAIS TEXTOS QUE ESTOU TRANSFERINDO, PARA QUE POSSAM SER LIDOS NUMA UNICA TELA…</p>
<p>Crônica Número 1</p>
<p>(texto data de 24/11/07, já o transferi varias vezes)</p>
<p>“Rock. sm. Música de origem norte-americana (e dança que a acompanha), com elementos de blues e country, em compasso quaternário e tocada em guitarra elétrica, contrabaixo e bateria.”<br />
 (Mini-Aurélio, O dicionário da Língua Portuguesa)</p>
<p>Hoje tento escrever uma crônica. Sim, já as tenho lido. Têm sido inúmeras as vezes, nas quais me alegrei com a leitura de uma crônica de jornal. Crônica é como o Rock´n Roll do silêncio, é tal qual uma canção dos Rolling Stones que leva mais ou menos de três até seis minutos para ser ouvida. Ler uma crônica leva o mesmo tanto de tempo mais ou menos. Quais crônicas tenho lido? Mas que pergunta, sempre lia simplesmente aquelas que tinha em mãos! No início da Folha de São Paulo – página dois -, lá estão elas, as crônicas do Carlos Heitor Cony, da Eliane Cantanhêde e do Clovis Rossi, por exemplo. Principalmente das da Eliane Cantanhêde eu gosto. Por que gosto dela? Pois a Eliane Cantanhêde é um pouco como os Rolling Stones, dá para ouví-la: Quando tem um aúdio ou um podcast dela no site da Folha Online, eu ouço, sempre – é só isso. Quer dizer, então, que não adoro ler o Carlos Heitor Cony do mesmo jeito? Não, não é assim, é que eu não sou assinante da Folha, só a compro esporadicamente na banca de jornal, e como o Carlos Heitor Cony não publica audio na Folha-online, nem faz podcast online, nunca o ouvi, então ele não é como os Rolling Stones, enquanto, a Eliane Cantanhêde, já a ouvi. E tem também as crônicas do Estado de São Paulo. Há de se admitir que as crônicas publicadas no Estado de São Paulo costumam ser um pouco mais difíceis, já seriam canções extra-longas de Rock´n Roll – para assim dizer -, e não as tenho lido com tanta freqüencia como essas da Folha de São Paulo. Mas volta e meia, leio-as. E, isso também é interessante observar, em cada crônica no Estadão cai pelo menos um termo estranho, ou seja, uma palavra ou até uma expressão ou frase mais tradicional onde há de se consultar o dicionário. É coisa de crônista isso, assim os leitores melhoram o português, perfazem toda uma experiência de educação através da leitura; alias, a Eliane Cantanhêde tem um pouco disso também, mesmo se for apenas uma palavra estranha por crônica, daí, já está bem, dá uma emoção pedagógica boa que todavia não sobrecarrega o leitor. Se me lembro de alguma crônica específica que já li na minha vida? Não, sinceramente não. Eu leio as crônicas, e imediatamente depois as esqueço. Não sei cantar de cor nenhuma canção dos Rolling Stones, e também não me lembro das crônicas que já li na minha vida. Por isso é só agora que escrevo minha primeira crônica, pois precisava pesquisar um pouco antes, precisava ver como é que se faz a redação de uma crônica. Mas agora achei a receita: Este gênero, chamado de “crônica”, é algo na metade do caminho do jornalismo para a literatura. Pegue-se um evento do diário, um acontecimento que está na primeira página do jornal; dê-se então um toque pessoal ao assunto; misture-se, com isso, elementos pessoais de ficção, fantasia e criticismo; preferencialmente faça-se alguma conexão com algum passado saudoso; se o passado não foi saudoso, crie-se então um passado saudoso, criando assim uma atmosfera histórica que aconchegue aquilo, que nos chega diariamente pelos jornais, no berço coletivo das nossas almas.<br />
Bem, qual notícia posso pegar, ah, já sei, seguindo as linhas gerais da saudade dos Rolling Stones que já foi criada neste texto, pego as convulsões epilépticas do guitarrista Keith Richards, para comentar. Agora o Keith Richards está tomando remédios contra a epilepsia, como tem sido amplamente divulgado pela imprensa, nas últimas semanas. Já em maio do ano passado – 2006 -, o Keith Richards caiu de um coqueiro nas ilhas Fiji, e em conseqüencia disso precisou de ser operado na cabeça. Daí, ele se recuperou, mas parece que ficaram algumas seqüelas. E agora o roqueiro, com 63 anos, tem de tomar remédios que atenuam as atividades cerebrais, para que não haja convulsões. O remédio se chama Dilantin, com o princípio ativo Fenitoína. Há ainda boatos na internet (”Revista Veja”, online) que o Dilantin nos EUA já fora usado como droga em vez de como remédio, puxa vida, é coisa interessante, pois sempre se ligava o Keith Richards ao uso de drogas ilícitas. Então, diz uma reportagem da revista Veja, que o empresário americano Dreyfus – dependente confesso do Dilantin – o teria oferecido ao então Presidente Richard Nixon, para esse se drogar. Nossa, como combina este assunto com os Rolling Stones, com os anos 60 e 70, com os EUA, e com coisas assim, mas acho que até aqui tudo não passa de informações aleatórias, coletadas por mim, sem que haja aqui algum significado que quer que seja. A crise da informação, pela qual estariamos passando, conforme o famoso escritor José Saramago, faz com que surjam notícias, novidades e fatos aqui e ali e em mil cantos ao mesmo tempo sem que estas ondas de informação aleatória tivessem alguma coisa a ver com a gente, sem que se percebesse nenhum sentido qualquer. E assim eu também me sinto um pouco, frente ao noticiário sobre as epilepsias do Keith Richards, pois para a minha vida pessoal e profissional não é lá muito importante saber como o Keith Richards passa, quais os efeitos do remédio Dilantin sobre o Keith Richards, e ainda o problema se isso tenha alguma coisa a ver com o outro Richard, o Richard Nixon dos EUA, isso para mim é como se fossem pequenas ondas num gigantesco oceano linguístico. Mas é poesia sim, e gosto disso. Mas não passa de poesia. Coisas assim distraem, mas não extraio disso grandes significados políticos ou filosóficos. Todavia, a minha saudade dos Stones ainda não parou por aqui, fiquem ligados, gente, esta crônica ainda continua. Especulemos um pouco sobre a idade do Keith Richards: como ele já tem 63 anos, ele é muito velho para um roqueiro verdadeiro, então, na sua profissão de roqueiro – profissão perigosa essa-, ele já mostrou capacidade boa de sobrevivência. Agora há de se observar com cautela, como ele continuará a viver depois dos 63 anos de idade, se ele realmente vai se tornar muito velho mesmo, também em comparação com as expectativas de vida em outras profissões, mais confortáveis, daí, é só seguindo o noticiário que será possível sabê-lo. Fiquemos conectados. Mas de qualquer forma, sobre a morte uma coisa certa está, ela sempre vem a quem quer que seja, se for roqueiro ou não, e em muitos casos observa-se uma piora na saúde, principal- mas não exclusivamente em pessoas mais velhas. Até ai está tudo normal e dentro dos padrões. Como biólogo peguei ainda a informação de que o Dilantin atue na inativação dos canais de sódio que dependem da voltagem e são regulados por ela, na membrana celular. Ai que saudade isso causa das aulas de biologia que eu já dera. Lecionara muito sobre isso, e meus alunos sempre se deram mal especificamente nessa materia, dos canais ionicos. É que para o impulso nervoso migrar de um neurônio, ou seja, de uma célula nervosa, para o próximo neurônio, há de ter um potencial de ação – ou seja uma variação de potencial elétrico através da membrana celular – , e essa repentina mudança de potencial migra, seguindo a membrana do neurônio, e depois pula para o próximo neurônio através de sinápses, em sua maioria eletro-químicas. E durante todo o processo de propagação do potencial de ação, os canais de sódio que dependem da voltagem são superimportantes, é através deles que o potencial de ação é gerado e regenerado. Por ironia da história, isso funciona um pouco como se fosse uma guitarra elétrica. Há processos de ampliação, variações de voltagem, etc. até o sinal chegar. E o pobre coitado do guitarrista Keith Richards agora toma remédios que atenuam esses canais de íons no seu próprio corpo. O Dilantin é mesmo um remedio forte com numerosos efeitos colaterais, ou seja, não é bem uma droga de diversão, só um louco mesmo tomaria essas substâncias sem necessidade e sem receita médica.<br />
Num toque de saudosismo geral, e para concluir a crônica, posso acrescentar que o Brasil não é só o país do samba e do futebol. O Brasil é, ainda antes disso, o país dos Rolling Stones também. Pois no tour “A Bigger Bang”, em 2006, os caras conseguiram unir, na praia de Copacabana, no Rio, um número de pessoas estimado em 1,5 milhão. Enfim, veio gente aos borbotões. Até agora, nenhum jogo de futebol e nenhuma apresentação em nenhum sambódromo, no Brasil, conseguiu unir tantas pessoas como esse concerto dos Rolling Stones, uma banda formada em 1962 pela dupla Keith Richards e Mick Jagger. O concerto “A Bigger Bang” se deu alguns mêses antes da queda do Keith Richards de um coqueiro nas Ilhas Fiji. Deve-se, agora, esperar com paciência se concertos assim ainda se repetirão, e, enquanto isso, sempre pego os podcasts e audios de bons crônistas, para eu ouvir, já os outros, – os sem audio-, eu leio! Melhoras para o Keith Richards!</p>
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A minha segunda crônica (observações zoologicas na Terra Brasilis, macumba, jacarés, etc…)</p>
<p>texto escrito em 24/11/07</p>
<p>“Egoísmo, conservação. A onça mata o novilho porque o raciocínio da onça é que ela deve viver, e se o novilho é tenro tanto melhor; eis o estatuto universal.”</p>
<p>(Machado de Assis, “O delírio”, no romance: “Memórias Póstumas de Bras Cubas”.)</p>
<p>Outro dia, verifiquei minha caixa de entrada do meu e-mail rotineiramente.  Tenho um amigo muito bom, com um humor hilariante, que às vezes me manda essas gozações, piadinhas, quer dizer, esses assuntos humorísticos que costumam circular pela internet. Geralmente coisas que eu nem comento.<br />
Contudo, a notícia recebida naquele dia tratava de assuntos extremamente zoológicos; resolvi então partir para a redação de uma crônica. É o seguinte, existe uma espécie de jacaré no Brasil que se chama jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), é um jacaré que ocorre do Uruguai até o estado Rio Grande do Norte, e no interior do Brasil chega a ocorrer até o estado Mato Grosso, está ausente, porém, no Pantanal. Embora ele não ataque o homem de propósito, ele defende seu ninho com força e tem uma mordida forte que quebra até o casco de uma tartaruga com facilidade. Talvez valha a pena, ainda, acrescentar que essa espécie faça bem para a sociedade humana, pois alimenta-se de certos moluscos gastrópodes que são vetores na transmissão de algumas doenças parasitárias. Então só podemos chamar de bemvindo este jacaré, de papo amarelo.<br />
O problema que me leva a escrever esta crônica, no entanto, não está só ligado à história natural. Não, de jeito nenhum está, até porque, conforme o filosofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, a história natural nem sequer exista, o que sempre e somente existe, é a história humana. E assim sendo, a estranha dinâmica desta crônica faz com que ela se enraíze de um lado na história natural e, sobretudo, de outro lado, na história humana, – tudo isso ao mesmo tempo.<br />
Bem, vamos voltando atrás, no tempo, sem nós nos esquecermos dos nossos jacarés-de-papo-amarelo. Na famosa baía  de Guanabara, onde, já uns dois séculos atrás, desembarcara a corte portuguesa, e assustara-se com o fedor e a falta de higiene na então metrópole escravista do Rio de Janeiro, está uma das origens do candomblé, e uma  designação pejorativa para referir-se ao candomblé é o termo macumba. Enfim, há muita macumba no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa sobre a qual reina um gigantesco Cristo Redentor em concreto, e onde há também belas praias, banhistas, surfistas-relax, pensionistas-rolex,….rolex-furtados, gente dos morros, e outros. Macumba também tem a ver com mironga, ebó, feitiço e muamba, ou seja, é um termo com denotação extraordinariamente negativa que não traz boa sorte alguma, e qual o brasileiro que não tenta se proteger da macumba?<br />
A notícia engraçada que me chegou, através do meu amigo, agora, outro dia, na minha caixa de entrada de e-mail, tem a ver com um exemplar de jacaré-do-papo-amarelo que foi achado numa praia da Barra da Tijuca, no Rio, perto da praia da Macumba. Sim, no Rio, perto da praia da Macumba, acharam um jacaré-do-papo-amarelo, com ca. 1,5 m de comprimento, na praia da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio! Até ai, tudo bem, o animal não machucou nenhum banhista, a praia foi temporariamente interditada, o animal foi capturado e vai ser levado para uma fundação zoologica, ou seja, foi tudo resolvido na santa paz, respeitando-se a vida tanto dos banhistas quanto do animal.<br />
Então, a frase surreal que correu, depois disso, pelo Brasil inteiro, através da Folha de São Paulo e através da rede Globo, caiu numa entrevista que foi dada pelo bombeiro responsável pelo resgate do jacaré. Disse ele algo como (talvez não foram exatamente essas palavras): “Acredito que ele tenha vindo da praia da Macumba, pelo canal do Rio Morto, que é habitado por jacarés.”<br />
Não soe totalmente surreal essa frase, aqui não se mostre de forma hilária como a história natural está permeada pela história humana? Quem, em sã consciência, não associe subconscientemente a essa frase toda uma série de segundas metáforas maléficas, que têm mais a ver com a vida humana, nos morros ou em outro lugar, do que com a vida dos jacarés, no pantano? Isso não é uma prova mais do que convincente que Hegel tivera razão, que a história é antes humana do que natural? Felizmente nenhum banhista morreu, mas quantas pessoas foram baleadas e mortas no mesmo dia, em algum dos morros do Rio?<br />
Ainda me lembro como, quando cheguei no Brasil, há uns 15 anos, uma amiga me ensinou a frase: “Jacaré, deixe estar, a tua lagoa há de secar.” O que é um jacaré afinal? Quando tratamos de assuntos humanos, conforme meu dicionário, um jacaré é uma ameaça, é alguém que tripudia sobre as outras pessoas.<br />
Esperto como é, este meu amigo que mandou a notícia por e-mail, criou ainda o título “cobras e lagartos” para esta sua missiva eletronica, ou seja, podemos escrever toda uma história herpetológica da sociedade brasileira, uma cobra é uma pessoa de má índole, e um lagarto é um espertalhão intrometido. Tanto cobras quanto lagartos, às vezes, se transformam em jacarés. Ao interpretar a história com métodos hegelianos, tudo isso se torna possível, não é maravilhoso? Sacaram? E me pergunto quem de vocês é que é tartaruga? Observação: Até mesmo os peixes, como por exemplo as piranhas, ocasionalmente, podem virar jacarés.</p>
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O doutor Fritz está se empenhando</p>
<p>(prosa poetica escrita nos fins de 2007)</p>
<p>O doutor Fritz é légitimo português, naturalizado brasileiro; alias, apesar do nome alemão não podemos nos iludir, ele é mesmo cidadão português que partira para se radicar no Brasil, embrenhando-se também no estudo da variante brasileira do idioma de Fernando Pessoa. Ca, no Brasil, procurava somente empregos que condiziam com, digamos, seu perfil pessoal, seu “núcleo de personalidade”, seu alto grau de instrução, seus estudos de colégio, etc. e tudo mais. Pois o doutor Fritz é um cara muito empenhado. Ele não topava com qualquer emprego que lhe era empencado, alias, quanto mais ele envelhecia, tanto mais fazia questão de resgatar sua honra e o seu sangue bom, antes de concordar com uma eventual oferta de um emprego qualquer por mais empolgante que soava. Um belo dia, ele estava em São Paulo, empenhado na já tão costumada procura de emprego, quando recebera um e-mail de importante autoridade de Brasília solicitando seu imediato deslocamento para Brasília. Mas acontecera isso durante o apagão aéreo, estava tudo emperrado – todos os aeroportos apinhados*^ de gente – então, também a este e-mail o doutor Fritz só podia responder e negar em tom levemente indignado, não muito empolgado, pois impossível é estar em São Paulo e em Brasília ao mesmo tempo, ainda mais quando se tem um “núcleo de personalidade” tão nobre e sensível quanto o do empenhado doutor Fritz.<br />
Mas vamos devagar apresentar aos leitores, agora, os aspectos de “pensamento” que justificam a publicação deste na coluna “pensamentos”. O que é que se pensou na redação deste?<br />
Disse a autoridade de Brasília no e-mail: “Agradeço o seu emprenho e sua resposta. Considerando os seus compromissos, creio que o senhor poderá candidatar-se uma próxima vez.”<br />
Ou seja, traduzindo isso livremente, a partir da óptica pessoal do apressado e estressado doutor Fritz: “Doutor Fritz: aqui quem manda somos nós, e não você. Ou você vem para Brasília agora já já, ou você perde a chance de concorrer a esse emprego.”<br />
Esse sentido inegável da mensagem vinha se formando na mente do doutor Fritz com cada vez mais clareza, mas como que não querendo admitir a simplicidade da mensagem recebida, o Fritz partiu para os campos semântico e semiótico, e perguntou-se o que afinal significava o termo “emprenho”. Nunca ouvira falar dessa palavra antes.<br />
Pois bem, no dicionário também não constava a palavra “emprenho”, deveria ser um tipo de mistura entre “prenhe” e “empenho” – um modernismo, uma dessas estórias de Mario de Andrade e João Guimarães-Rosa? Tornar “prenhe” uma mulher ou uma fêmea, quer dizer, emprenhá-la, significa torná-la grávida. Mostrar “empenho”, significa empregar com desvelo, ou, ainda, hipotecar bens. Mas talvez o “emprenho” não passou de um “typo” (termo inglês para erro de digitação), cometido pela autoridade de Brasília. Nunca se sabe.<br />
Mas para cuidar melhor e com mais carinho de sua legítima luso-brasilidade, o doutor Fritz se propôs a esclarecer uma vez por todas as semânticas que se embrenham atrás de palavras como “empenhar”, “embrenhar”, e “emprenhar”, etc..<br />
Enfim, já estava na hora de terminar toda essa emprenhidão, quer dizer, esse estado insuportável de prenhez linguística, e dar à luz este pequeno ensaio prenhe de boas inspirações e empertigar-se para o público em geral, na apresentação de tão valiosa missiva. Finalmente, quer-se empreender alguma coisa para mostrar o quanto é gostoso mostrar empenho no aprendizado do português – eis a questão.<br />
Gente fina, andando de nariz empinado, talvez se envergonhe e embrenhe então aquilo que escreve, ou seja, possa-se optar por colocar o que se escreve em algum lugar bem escondidinho. Mas este texto não será embrenhado não, será mesmo publicado no “Recanto das Letras”, pois o autor se embrenhou para escrevê-lo. Não é empulhação não.<br />
E se tudo falhar, se o nosso querido doutor Fritz, finalmente, um dia, tiver que abrir bancarrota por falta de emprego, o que será que ele vai empenhar? Terá ele muitos bens que possam ser recebidos em penhor? Não o sabemos, que Deus dará que ele sempre se empenhe com seus conhecimentos de português e que ele consiga empenar-se, enfim, enfeitar-se, emplumar-se também no futuro com a última flor de Lácio, desculpem, cometemos um erro, é com a ultima flor DO Lácio, inculta e bela, o-culta na brenha!</p>
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<p>Notazinha de rodapé: ref.: *^ embora a leitura dos jornais tenha levado o nosso Fritz a supor que os aeroportos estariam apinhados, na verdade o que ele vivenciava foi que o transito nas ruas estava emperrado, assim Fritz podia contemplar durante um bom tempo, no crepúsculo urbano de Sampa, os ônibus apinhados, enquanto isso apinhava-se-lhe um certo desespero no coração.</p>
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ensaio meio burro é este que segue, é que eu escrevi isso sem ter vivido o período na minha propria pele, por isso estava suscetível a certas posições ideologicas meio burras, hoje não o escreveria desse jeito, mas agora já está escrito (foi escrito em 2007) e aqui (ainda) está:</p>
<p>Contracomunicação: o caso da tourada em Portugal</p>
<p>Existe uma coisa que une as tradições literárias de Portugal e do Brasil: é a censura. Sim, os dois países, o Brasil e Portugal, aguentaram, durante boa parte de sua história, a censura. Feita esta asserção, vamos agora fazer uma tentativa de compreender melhor as suas implicações. No início, a censura fora coisa da igreja católica. Na igreja católica houvera uma instituição, a Inquisição, que servira como órgão de controle da fé. Entre as muitas praticas da Inquisição, ainda pouco sistematizadas e organizadas, existira, no campo da censura, a indexação de livros proibidos. Mas também o estado já exercera censura ao lado da igreja católica, e às vezes em conjunto com ela.</p>
<p>Depois, com o iluminismo, a censura começou a se transformar num assunto mais secular, sem grandes implicações no setor das doutrinas religiosas. O primeiro a instaurar uma censura cujos objetivos foram antes políticos do que religiosos, o famoso estadista português Marquês de Pombal usou as ferramentas de censura até para reprimir os jesuítas, uma ordem religiosa dentro da igreja católica.<br />
Nos tempos atuais, com liberdade de expressão, algumas pessoas misturam um pouco as coisas e atribuem a prática da censura errôneamente e exclusivamente a regimes muito totalitários.</p>
<p>Não era bem assim; na verdade, podemos chamar os regimes do século XX, de Portugal e do Brasil, enfim os regimes lusófonos que praticaram a censura até bem recentemente, de regimes autoritários, em vez de totalitários. É melhor.</p>
<p>Por que?</p>
<p>Pois nos regimes totalitários, a liberdade de expressão foi reprimida, mas naqueles regimes ia-se muito além: perseguiu-se e matou-se todos os que ousaram se manifestar. Eles foram eliminados de forma praticamente industrial e burocratizada. Também outros tantos que nem abriram a boca tornaram-se vítimas do assassinato estatal. O stalinismo, o maoismo e o hitlerismo talvez sejam os exemplos mais bem conhecidos do século XX.</p>
<p>Nesses regimes totalitários, eliminou-se praticamente todas as liberdades individuais. Nos regimes autoritários, no entanto, a coisa não chegou a esse ponto. Não pretende-se aqui desmentir as durezas, as crueldades, a falta de democracia e a repressão de direitos humanos num regime autoritário, mas é que a diferença entre um regime autoritário e um regime totalitário é algo de fato, que não pode ser negado. Isso na verdade me parece ser uma questão de grau, antes de grau que de princípios, suponho talvez.</p>
<p>Por mais que houve casos de tortura e assassinatos em Portugal e no Brasil, no século XX, aquilo não era a regra. A regra era mesmo que toda a produção cultural tinha que passar pela censura. No século XX o regime autoritário, em Portugal, chamava-se “Estado Novo”, foi fundado pela família Salazar, durou de 1926 até 1974. É a ditadura mais longa do século XX do ocidente europeu. No Brasil, Getulio Vargas fundou um projeto semelhante ao “Estado Novo” de Portugal, depois houve pequenas fases de democratização, as quais foram, porém, todas interrompidas pela ditadura militar que durou de 1964 até 1985 (abolição da censura), ou 1989 (primeiras eleições diretas do presidente).</p>
<p>Vamos, agora, “num exercício meio doido”, tentar imaginar os lados mais “bucólicos”, quer dizer, mais “artísticos” de uma censura meio pacata: Com certeza, a censura era um amplo setor público que necessitava de funcionários especializados, etc.. Contratava-se então pessoal que passava inúmeras horas, assistindo filmes de cinema, lendo roteiros de novelas, livros, ouvindo canções etc., sempre na busca do que deveria ser censurado e reprimido.</p>
<p>Diz que (ao menos no Brasil) a coisa teve também todo um lado de moral e de costumes. Mensagens muito sofisticadas, com grandes abstrações políticas e filosóficas, não eram nem sequer entendidas pelos funcionários da censura. Quanto a isso, houve tortura de alguns jornalistas, professores, intelectuais, alguns assassinatos e outros casos de repressão política violenta, isso ia além da rotina cotidiana de censura. O que se fazia muito na censura, era mesmo esse negócio de não permitir mulher pelada em filme, de reprimir palavras obscenas em músicas e assim por diante. Alguns artistas brasileiros tentaram passar mensagens políticas por suas canções, de forma sofisticada. Muitos se lembrarão de Chico Buarque e da famosa canção “Cálice” (“Cale-se”).</p>
<p>Em Portugal a coisa evoluira de tal forma que existia a arte oficial, tolerada pelo regime, e a arte oposicionista que articulava as aspirações mais profundas do povo. Essa divisão era aceita, de forma implícita, até mesmo pelos próprios artistas. Havia determinadas ocasiões, determinados tipos de eventos, de palcos, etc. onde era tudo a favor do regime, já desde o início, e havia outras ocasiões que tinham características mais conspiratórias.</p>
<p>E esse tácito reconhecimento das divisões, do mercado cultural, talvez tenha facilitado também o trabalho da censura, já que os funcionários da censura sabiam de antemão quando deveriam prestar mais cuidado e quando poderiam estar mais relaxados.</p>
<p>A situação era certa e propícia para operar com o método da contracomunicação, ou com os cavalos troianos, como se diz. Quem dos leitores não se lembra de já ter visto a famosa garrafa da Coca-Cola, com seu característico design, mas ao olhar mais de perto, viu de repente que, em vez de Coca-Cola, estava escrito na garrafa Che Guevara, Carnaval, ou uma outra asneira qualquer….?</p>
<p>Então, este método da contracomunicação, ou dos cavalos troianos, consiste no uso de um meio cultural, de um espaço cultural, de um evento, de um público pré-definido, etc. para vincular uma mensagem que contradiz a própria expectativa desse meio que foi escolhido para vincular a mensagem.</p>
<p>Os portugueses estão muito ligados em músicas e canções, por sinal, os próprios eventos da revolução dos cravos que resultaram na instauração da democracia e da liberdade de expressão foram orquestrados com a transmissão de duas famosas canções por dois programas de rádio, primeiro, “E depois do adeus”, cantada por Paulo de Carvalho, e depois a canção oposicionista, “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso. E há, em Portugal, toda uma tradição de competições quanto a melhor canção do ano, etc..</p>
<p>Em 1973, um canção-poema de José Carlos Ary dos Santos, interpretado e cantado por Fernando Tordo, venceu a edição do Festival RTP da Canção. O Festival RTP da Canção era um desses eventos típicos em apoio ao regime, ou seja, cantores oposicionistas nem se esforçavam para comparecer nesse tipo de evento. Talvez isso relaxou a atenção por parte da censura. A canção que venceu, então, em 1973, chama-se “Tourada”, coisa esquisita, vou colocar aqui o texto:</p>
<p>“Tourada</p>
<p>Não importa sol ou sombra<br />
camarotes ou barreiras<br />
toureamos ombro a ombro<br />
as feras.</p>
<p>Ninguém nos leva ao engano<br />
toureamos mano a mano<br />
só nos podem causar dano<br />
esperas.</p>
<p>Entram guizos chocas e capotes<br />
e mantilhas pretas<br />
entram espadas chifres e derrotes<br />
e alguns poetas<br />
entram bravos cravos e dichotes<br />
porque tudo o mais<br />
são tretas.</p>
<p>Entram vacas depois dos forcados<br />
que não pegam nada.<br />
Soam brados e olés dos nabos<br />
que não pagam nada<br />
e só ficam os peões de brega<br />
cuja profissão<br />
não pega. Com bandarilhas de esperança<br />
afugentamos a fera<br />
estamos na praça<br />
da Primavera.</p>
<p>Nós vamos pegar o mundo<br />
pelos cornos da desgraça<br />
e fazermos da tristeza<br />
graça.</p>
<p>Entram velhas doidas e turistas<br />
entram excursões<br />
entram benefícios e cronistas<br />
entram aldrabões<br />
entram marialvas e coristas<br />
entram galifões<br />
de crista.</p>
<p>Entram cavaleiros à garupa<br />
do seu heroísmo<br />
entra aquela música maluca do passodoblismo<br />
entra a aficionada e a caduca<br />
mais o snobismo<br />
e cismo…</p>
<p>Entram empresários moralistas<br />
entram frustrações<br />
entram antiquários e fadistas<br />
e contradições<br />
e entra muito dólar muita gente<br />
que dá lucro aos milhões.</p>
<p>E diz o inteligente<br />
que acabaram as canções.”<br />
 <br />
É de se estranhar ouvir uma música com o título de “Tourada”, pois tourada significa, além de seu significado literal, também tumulto, zombaria, luta, confusão etc..</p>
<p>Em Portugal, as touradas, que têm um longa tradição em toda a península ibérica, já foram proibidas pelo estadista Marquês de Pombal por causa de algumas mortes de personalidades, de relevo, que se deram em decorrência de touradas. Só em lugares bem específicos, em Portugal, existem algumas permissões, por lei, que garantem a manutenção dessa tradição histórica, mas em geral está proibido.</p>
<p>Diz-se que o próprio autor da canção se informou sobre termos técnicos de touradas, que não conhecera antes, para poder escrever a canção. Há realmente termos específicos de difícil entendimento, para quem não é da área de touradas, como por exemplo “bandarilhas” (eram espetos com bandeiras que foram cravados nos pobres touros), “forcados” (era um grupo de homens, a pé, que tinham o papel de entrar em determinado ponto da seqüência da tourada, para lutar contra os touros). E há outros termos no texto que nem “decodifiquei” ainda. Com calma vou à obra….</p>
<p>Mas o que se percebe rapidamente é que a tourada aqui, na canção, é apenas um cenário simbólico, não se trata de uma tourada com touros de verdade, o que está no palco é a tourada para derrubar o regime.</p>
<p>Leia-se por exemplo, a seguinte seqüência:</p>
<p>“só ficam os peões de brega<br />
cuja profissão<br />
não pega. Com bandarilhas de esperança<br />
afugentamos a fera<br />
estamos na praça<br />
da Primavera.</p>
<p>Nós vamos pegar o mundo<br />
pelos cornos da desgraça<br />
e fazermos da tristeza<br />
graça.”</p>
<p>Hoje em dia, no Youtube, as apresentações da canção podem ser visualizadas e ouvidas, aquilo é hilário. É realmente uma música bem divertida. Acho que no Brasil se diria que é uma musica um pouco brega, quer dizer, “brega” no sentido de “fora de moda”, ou, quem sabe, talvez cafona. Transmite um feliz sentimento um pouco antiquado de total inocência e ingenuidade, no qual, provavelmente, a censura caiu também.</p>
<p>Parece que até hoje há controvérsias. Alguns portugueses dizem que isso não é uma canção de oposição justamente porque foi apresentada num evento do lado do governo, como se nem sequer existisse a possibilidade teórica de uma contracomunicação. Mas fato é que o cantor Fernando Tordo ficou preso por alguns dias, depois da apresentação no Festival RTP da Canção. Mas daí, já era tarde. Já não se podia evitar a popularidade da canção e do cantor Fernando Tordo e sua subseqüente participação no Eurovision contest, em nível europeu, onde iria ganhar também. Foi solto então.</p>
<p>Agora, num nível mais geral e teórico, poder-se-ia talvez indagar se o longo convívio com a instituição da censura, em Portugal e no Brasil, tem levado a formulação de técnicas específicas de contracomunicação na tradição artística, desses dois países?</p>
<p>Achei um artigo interessante sobre o assunto da contracomunicação que coloco aqui como referência, mas o texto que aqui digitei é da minha autoria.</p>
<p>Eis a referência:</p>
<p>Luiz Costa Pereira Junior. 2006. A mensagem na garrafa. Língua Portuguesa, Ano I, Número 10, páginas 28 até 33.</p>
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O quiasmo que me comoveu</p>
<p>(maio 2008)</p>
<p>“…e depois você pensa um pouco sobre o que embaixo escrevi, você pode se perguntar se este ensaio vai ao encontro de você ou se você vai de encontro ao ensaio, quer dizer, à tela?”</p>
<p>Visitámos um espetáculo de uma banda que faz música folclórica. Conseguia, durante o espetáculo, apreciar bem o grande esforço que essa banda empreende para tocar músicas bem elaboradas, oriundas das mais diversas partes do mundo.</p>
<p>Sentindo-me a mim um pouco abstrato e distante durante a maioria do tempo, e não estando eu num estado digamos muito emotivo, a música em si, naquele dia, não me comovia muito. Até que, a certa altura do concerto, um único quiasmo chegou a comover-me mais do que toda a música:</p>
<p>Num pequeno intervalo de tempo, numa mera questão de segundos, fiquei comovido por um desabafo que saiu na forma de um quiasmo.</p>
<p>Os músicos quiseram tocar uma dança, mas de alguma forma não conseguiram achar o início, simplesmente não conseguiram começar a tocar, juntos, a dança.</p>
<p>O dirigente da banda foi anunciar o que tinha que anunciar e portanto, dirigido ao público, disse: “uma dança lá da Sicília…”, depois houve um silêncio algo desconcertado, os músicos não conseguiram cair todos juntos no ritmo certo, de forma bem concertada; alguma coisa não deu certo.</p>
<p>O dirigente repetiu, “…é uma dança lá da Sicília…”, depois percebeu que algum problema de coordenação entre os músicos persistia, que eles não começaram a tocar a música da dança siciliana….</p>
<p>repetiu então…”lá da Sicília….é uma dança”…</p>
<p>Isso me comoveu, quer dizer, comovido e tocado fiquei por essa repetição algo simétrica, mas invertida, das palavras…</p>
<p>Contudo, foi um quiasmo meramente acústico. O sentido da mensagem não mudou pela inversão da ordem das palavras.</p>
<p>Servindo, porém, também para a construção de antiteses ou antimetáboles, a formação planejada e racional de quiasmos é algo extremamente interessante. Daí, sim, pode-se usar a comoção emocional causada pela mera inversão simétrica do som das sílabas, para transmitir pensamentos dialéticos, como no famoso aforismo em latim:</p>
<p>“non ut edam vivo sed ut vivam edo”</p>
<p>(”Não vivo para comer, mas como para viver”)</p>
<p>A divisa entre o quiasmo meramente acústico, despreocupado, que nos comove emocionalmente – de forma quase musical -, e o quiasmo “profundo” que constrói antiteses, no pensamento, pode ser atravessada por um bom escritor.  </p>
<p>Por falar em quiasmo acústico, por acaso vi no programa “salão nobre”, da TV Senado, a entrevista com o sertanista e indigenista Sydney Possuela.</p>
<p>Ele disse, em determinado trecho da entrevista:</p>
<p>“ai, sim, mora um perigo”, com a intonação máxima na palavra “sim”, na sílaba “mo”, e depois diminuiu a intensidade do tom, até chegar na palavra perigo.</p>
<p>Depois repetiu a frase, “ai, sim, mora um perigo”, tornando, desta vez, a intonação um pouco mais forte apenas na sílaba “mo” de mora e três sílabas mais adiante pôs todo o peso da intonação na sílaba “ri” da palavra final, isto é, em “perigo”.</p>
<p>Então, fazendo só isso, ele já mudou um pouco o sentido da frase. Trocou a palavra  mais importante, primeiro acentuou a palavra “sim”, e depois deu mais ênfase na palavra “perigo”.</p>
<p>Com a voz sozinha já é possível, pois, criar um certo tipo de quiasmo, sem que se altere a ordem das palavras da frase.</p>
<p>Um tanto desalinhadas ainda, estas considerações, que fiz aqui, soam muito gerais, por enquanto. Mas como já escreveu José Saramago – um verdadeiro mestre dos quiasmos- num dos seus romances, ainda que me possa falhar aqui um pouco a memória: “vê-se-lhe o princípio, mas não se lhe vê o fim”……esse ditado, o leitor o verifique, se tenha a ver com o estudo de todos esses quiasmos ou se é outra coisa do que se trate. Deve ser lá alguma maneira de dizer que veio de Portugal… lá, de Portugal veio um quiasmo…lá é outra coisa, assim dizem, e mais uma outra coisa é tudo o que tem lá.</p>
<p>——————————————————————<br />
As minhas primeiras trovas  (fevereiro 2008)</p>
<p>(com esta poesia experimental tentei elucidar como é que fica quando você usa a língua meramente para fins poéticos, sem transportar nenhum conteúdo)</p>
<p>“poeta nascitur.”</p>
<p>——————————–<br />
——————————–</p>
<p>TROVA número um</p>
<p>Lanos marbesam ruzo,<br />
Larão dum banbibeiro,<br />
malmam mercas aluso,<br />
serivem falcoseiro.<br />
              <br />
                —</p>
<p>TROVA número dois</p>
<p>Oula inda mor papolão,<br />
sira mumba chalidad´,<br />
fira na sundalidad´,<br />
parom cãpor lanolão.</p>
<p>               —</p>
<p>TROVA número três</p>
<p>Comcurim e litrofim<br />
panando giropilim,<br />
somunam perucosim<br />
farmentos lepocosim.</p>
<p>             —</p>
<p>(Explanações: Procurei, por meio destes versos, acertar a forma, e a forma apenas, conteúdo ainda não há. Talvez haverá conteúdo nos meus poemas futuros. Peço licença dos leitores que chegaram até aqui, mas, por favor, não deixem de ler os meus outros textos no “Recanto das letras”. Pois quando escrevo texto em vez de poesia, geralmente ponho algum conteúdo sim.)</p>
<p>Palavras-chave: redondilha maior, poema monostrófico, versos heptassílabos, rimas alternadas (ABAB), rimas opostas (ABBA).</p>
<p>——————————————————————————————</p>
<p>Primeiros esboços e fragmentos neomarxistas sobre a educação: o fetiche da mercadoria realmente existe? (parte 1)</p>
<p>(publicado no recanto das letras na virada do ano 2008/2009)</p>
<p>O atual ministro da educação do Brasil, Fernando Haddad, é, pelo que eu saiba, alguém que já obteve boa pontuação no meio acadêmico com sua produção intelectual fundamentada em filosofias vindas do marxismo. Digo isso aqui de passagem, do “ouvi dizer” etc., pois não sei do que se trata no fundo. Nunca estudei os livros do sr. Haddad. Infelizmente ainda não tive o tempo para isso, mas, escrevendo um ensaio sobre a educação e o marxismo, necessito de um gancho para o início do ensaio. E vai aqui então o nosso ministro da educação como gancho para eu poder aludir ao marxismo.</p>
<p>Continuando a desenvolver o gancho do ensaio, afirmo que comigo o negocio esteja talvez do jeito que as coisas andam também com o único prêmio nobel de Portugal, o qual é ao mesmo tempo o único prêmio nobel de literatura da língua portuguesa, ou seja, José Saramago. Também José Saramago se inspira nas teorias do marxismo. Diz Saramago, numa famosa entrevista, que para ele ser comunista é uma “fatalidade biológica”, isto é, uma questão “hormonal”. </p>
<p>(Eu entendo aqui “comunismo” filosoficamente como um mero raciocínio marxista, digamos, tudo isso são termos literários, haja vista que Saramago nunca foi daqueles que ergueram uma ditadura de verdade, quer dizer, mono-partidária com direito a arquipélagos do tipo “Gulag”, fuzilamentos em massa e tudo o mais que caracterizou o velho e bom comunismo quando posto em prática. Ah, falando em arquipélagos, aquele onde o Saramago vive pertence, afinal, a uma das últimas monarquias da Europa: à Espanha, e não à Siberia)</p>
<p>Bem, chega de ganchos e arquipélagos, começando com o ensaio propriamente dito, deixo aqui a raia livre para os meus hormônios e genes para as minhas palavras se juntarem e se manifestarem de forma produtiva:</p>
<p>O capitalismo nos confronta com as mais diversas contradições internas e contradições, sim, encontram-se também nas teorias marxistas que pretendem contribuir para um melhor entendimento do dito capitalismo. Quanto a mim, fiquei muito fascinado nos últimos tempos pela leitura do escritor marxista alemão Robert Kurz.</p>
<p>Como se sabe, é a critica ao proprio sistema de produção de mercadorias que está no cerne do pensamento de Kurz. Na epoca da Guerra Fria as democracias do oeste valorizaram a livre circulação do capital, das idéias e das pessoas, sendo que houve uma grande expansão da produção de bens e serviços neste periodo histórico, os estados socialistas do leste (quer dizer, do outro lado do muro), no entanto, já começaram industrialmente com fundamentos muito fracos em 1917, somam-se a isso os constrangimentos da ditadura, de forma que neles apenas patamares inferiores às democracias do oeste, em termos de bens e serviços, foram atingidos e isso se deu apenas por meios crueis e processos de modernização forçada em vez de democrática.</p>
<p>Contudo, para Kurz a questão crucial não é se o socialismo é melhor ou pior do que as democracias do oeste. Para Kurz ambos os sistemas sofrem dos mesmos males e precisam ser superados por uma critica ferrenha ao sistema de produção de mercadorias como tal.</p>
<p>Assim sendo, o fetiche da mercadoria, ou seja, uma relação entre pessoas, a qual é realizada meramente através de abstrações convencionadas sobre o valor das mercadorias, é o que é a raíz de senão todos pelo menos de muitíssimos males.</p>
<p>Bem, há outros pensadores como Michael Eldred, que mesmo que tenham lido Karl Marx não são seguidores de Karl Marx. Eldred diz que um tal de fetiche da mercadoria na verdade não exista. O valor das mercadorias, quer sejam bens ou serviços, seria o resultado de uma constante negociação entre os participantes do mercado que sabem o valor das coisas e sabem como negocia-lo. A concepção critica do capitalismo então não passa de um malentendimento do próprio Marx, o qual quisera derivar o valor das mercadorias a partir do trabalho que foi investido nelas, algo que evidentemente não pode funcionar conforme Eldred, pois há pessoas mais hábeis que, com menos trabalho, conseguem concluir mercadorias melhores que outras pessoas que, mesmo trabalhando muito, produzem menos e não tão bem.</p>
<p>Até aqui são todas abstrações, teorias apenas. Mas o que peguei na filosofia dos pragmatistas, isto é, numa tradição filosofica que inclui gente como Friedrich Nietzsche e Richard Rorty e muitos outros, é que se deve começar com as observações práticas.</p>
<p>E daí, veremos sem mais que o fetiche da mercadoria existe. É um dado objetivo. Por que comer no McDonalds é mais caro do que ir a um restaurante por quilo (com uma variedade muito maior) ? É que o McDonalds virou fetiche, o restaurante por quilo, ainda não.</p>
<p>Por que o McDonalds faz “McLanche feliz” para as crianças, adicionando ao lanche um brinquedo? A própria teoria do capitalismo não nos diz que cada empresa teria sucesso maior se se especializasse apenas no seu próprio ramo, onde já é especialista reconhecido?</p>
<p>Então o que é esse negocio de dar brinquedos para as crianças? É que os brinquedos ajudam a criar um fetiche em torno do McDonalds, atraindo assim a clientela das crianças. Uma vez dentro do McDonalds, os pais costumam comprar lanches para eles mesmos também, dando assim sucesso a esta marca. Um fetiche moderno muito adorado pelos adultos, o acesso gratuito a internet, é mais um truque para conseguir mais clientela que acaba se decidindo pela compra de um lanche uma vez dentro do McDonalds.</p>
<p>Uma outra observação prática que me confirma o fetiche da mercadoria é a entrega do lazer infantil a empresarios chineses. Quem tem crianças já deve ter observado que todos, quase todos os brinquedos infantis que abundam nas lojas e supermercados hoje em dia foram fabricados na China. Parece que os industriais da China, um país que conseguiu a incrível façanha de instaurar um governo comunista e uma sociedade capitalista, cheiraram esse incrível mercado de trabalho industrial que surge com a produção de brinquedos infantis.</p>
<p>Agora, vejamos, a criança deseja para si mesmo por exemplo um ou outro brinquedo do Ben 10, famoso heroi de desenho que ela conhece bem também dos filmes de desenho do “Cartoon Network” (sim, este canal cujo lema é “A gente faz o que quer”). Nós, os pais, compramo-lo e vemos o que? Sim, também os bonecos do Ben 10 foram produzidos na China, como, reiteramo-lo, praticamente todos os brinquedos, quer sejam da Hot-Wheels, da Dino-Froz, ou o que for. Vem tudo da China.</p>
<p>Chega? Então, vamos comprar um galão de água mineral para refrescar um pouco a nossa cuca, mas não sem antes brigar com nossos queridos pequenos que insistem na compra do refrigerante Schincariol “Guarana”, edição mini, pois ali tem mais desenhos do Ben 10! Uma interação dinamica entre brinquedos, Cartoon-Network, a China e um produtor de refrigerantes daqui do Brasil.</p>
<p>O fetiche da mercadoria existe. Não há dúvida. Ele é o obvio. O dado. A realidade. Não são precisas grandes abstrações, dispensam-se debates internos dentro do marxismo, ou outras coisas para entender isso. Podemos apenas debater sobre as conseqüencias. Mas que ele, o fetiche da mercadoria, existe, existe sim.</p>
<p>O fetiche é sistematicamente construído desde a infância. Pode abranger as mais variadas linhas de produção. Eu, na minha infância, tinha por exemplo uma época quando estava viciado em folders de turismo. Queria ler principalmente sobre os países onde há praias e sobre a Italia. Não sei por que. E falando nisso, por sinal, esse tal do turismo é um ramo interessante da produção de mercadorias fetichizadas. O Kurz escreve sobre isso num dos seus escritos. Por exemplo, quando o turismo vai bem em determinado momento, isso não quer dizer que as pessoas vão bem também e têm dinheiro sobrando pra viajar, quer dizer apenas que o mecanismo da mercadoria como fetiche esteja funcionando bem. Então até mesmo a percepção de países inteiros e sociedades, em princípio, poderia se dar dentro dos moldes de um fetiche da mercadoria.</p>
<p>Outras crianças querem um computador próprio quando têm apenas 7 anos de idade. Quem está as instando a cultivarem esses desejos de consumo em idade tão precoce? O que é exatamente esse mecanismo que pode estar funcionando como motor de fundo da nossa sociedade de consumo? E o que é que crianças farão com um computador nessa idade? Acho que apenas a mercadoria como fetiche explique isso.</p>
<p>Gente, a sociedade não pode por as crianças em risco. No transito devemos estar atentos, para as crianças não se machucarem. Nas praias de verão há bombeiros que vigiam as praias para as pessoas não se afogarem, no esporte as crianças devem ter uma roupa protetora adequada ao tipo de esporte, para elas não ficarem feridas. Quando andam de bicleta, usam capacete protegendo a cabecinha, e assim por diante. Quero dizer com isso, que a sociedade como um todo sempre adota medidas sistêmicas para proteger as criança. Claro, mesmo assim resta muita responsabilidade para os pais. Mas a sociedade vai em frente, junto com os pais. Há uma divisão de responsabilidade entre os pais e o sistema como um todo.</p>
<p>Agora, no que tange o consumo das crianças, aquilo que elas fazem quando os pais estão no trabalho, quando não há atividades escolares, nisso nos estamos numa selvajaria relativamente grande. Às vezes dá a impressão que a ordem do dia é: vamos dar um brinquedo chinês para elas ! Infelizmente.</p>
<p>E por que a educação anda mal? Uns dizem que anda mal porque os professores são mal pagos, outros dizem que anda mal porque os professores não se esforçam, mais outros dizem que anda mal porque os professores não estão atualizados. Raramente se percebe que a escola é somente parte da educação, mas não o todo. As nossas próprias percepções sobre a infância nos sugerem que crianças devam ter um certo tempo livre e um lazer também. Justamente por esse motivo não as sobrecarregamos com deveres escolares. O trabalho infantil hoje em dia está banido de há muito. Mas o que a sociedade faz para educar a criança em todo esse tempo livre? Apenas oferece-lhe opções de mercadorias tais como os brinquedos chineses, para transformá-la em boa participante futura da sociedade do fetiche da mercadoria? Podemos até mesmo perceber o “lazer” das crianças dentro de uma lógica da sociedade capitalista como a simples abertura de novos mercados para bens e serviços?</p>
<p>Desejo muito sucesso ao sr. Haddad e à educação do Brasil, mas não será fácil. Suponho que a educação terá que lidar com obstáculos intrínsecas da sociedade do fetiche da mercadoria, já tão cabalmente descrita por Karl Marx e depois por escritores mais modernos, tais como o já mencionado Robert Kurz. São problemas complexos de difícil solução. Não é só um problema ministerial que se resolve com algumas apostilas novas e redireção de algumas verbas ministeriais. É coisa profunda, pois devemos levar em conta a escola, o ambiente de trabalho dos pais e a familia. Mas creio que haja progresso também nesta questão, pois a sociedade como um todo pode melhorar e vai melhorando sim, se ela cuidar de seus mais valiosos membros, que são as crianças, os nossos modeladores do futuro. Terminei pois o meu ensaio com este parágrafo final que retomou, por questões de estilo, partes do gancho inicial, ou seja, o ministro da educação, dando todavia um tom otimista e uma mensagem final positiva ao leitor. Fica para o leitor decidir se este otimismo final do ensaio seja também apenas uma questão de estilo ou se tal esperança realmente caiba bem aqui.</p>
<p>———————————————————————————————-</p>
<p>Cada caso é um caso (casos na língua portuguesa)</p>
<p>[publicado no recanto em 16/11/07; 1975 acessos até 04/09/09]</p>
<p>A declinação é algo de suma importância na vida do brasileiro, pois quem não ousaria declinar um pouco para o lado, quer dizer, afastar-se um pouco da linha reta quando avistasse o frágil contorno de uma linda mulher, e em alguns casos uma declinação suave dessas pode resultar até em caso amoroso, ou seja, em vez de simplesmente declinar o impetrante declinado, a mulher pode também consentir na declinação conjunta para um namoro, qual seja, conforme cada caso, quer aberto quer escondido. Apesar disso, não é natural, para um brasileiro moderno, descobrir casos de declinação também na própria língua portuguesa. E de fato quase não há. Mesmo assim pretendo apontar neste pequeno ensaio para o que eu sei sobre os casos de declinação na língua portuguesa, embora eu esteja ciente que dentro de uma abordagem moderna da língua portuguesa provavelmente não haja a menor necessidade de analisar o assunto sob este ángulo. Não é preciso ver a língua portuguesa na perspectiva desses casos da língua latina, quer dizer, na óptica de todos esses casos que formam a base para as declinações tão importantes naquela língua já morta, mas ainda não defunta. Mas um exercício de mente sempre vale a pena ser feito e amplia o nosso entendimento….</p>
<p>Bem, as declinações que ocorrem no Latim através de flexões de substantivo, adjetivo, e pronome, são conseqüencia da função sintática que estas palavras exercem na síntaxe latina. Isto é mesmo um assunto do latim, cuja síntaxe depende das declinações. Já no português, somente para os pronomes é possível identificar formas com flexões diferentes, trata-se, porém, de uma coisa tão isolada que não merece o tratamento por toda a teoria dos casos, que forma a base das declinações no latim. Geralmente as gramáticas mencionam o caso reto, o caso obliquo (na função de objeto direto) e o outro caso obliquo (na função de objeto indireto) para os pronomes pessoais. Mencionam ainda os pronomes fundidos com a preposição “com”, mas não se dão ao esforço de introduzir toda a casuística da língua latina. E provavelmente seja para o nosso bem, pois na língua portuguesa a síntaxe já vem de tal forma que não necessita das declinações do latim.</p>
<p>Ora, numa entrevista com o famoso escritor Carlos Heitor Cony, li que a gramática que este estudara, quando freqüentava escola havia muitas décadas, fora a gramática expositiva do Eduardo Carlos Pereira. E por uma feliz coincidência, achei um velho exemplar, para assim dizer, um interessante alfarrabio, pelo preço de banana, num estande de um vendedor de rua. Investi um real, e adquiri a obra, com as folhas já bastante fracas, um pouco amareladas, e já em vias de decomposição, mas sem sinais visíveis de danos causados pelo cupim, sinais estes que se pode observar com tanta freqüencia em outros calhamaços.</p>
<p>É a 18. edição da “Gramatica Expositiva – Curso Superior”, deve ter saído do prelo em algum ano depois de 1918 e antes do novo acordo ortográfico brasileiro, da ABL, de 1943. Naquela época, parece, os estudiosos da língua portuguesa ainda sabiam bem o latim. Pois é impressionante como o Prof. Eduardo Carlos Pereira (doravante ECP) deduz toda uma série de assuntos da língua portuguesa, a partir do latim.</p>
<p>Quanto à casuística e às declinações, começo mencionando os casos que formaram a base das declinações no latim. Estes casos são,</p>
<p>primeiro, o nominativo, que exprime uma relação subjetiva,<br />
segundo, o genitivo, que exprime uma relação atributiva,<br />
terceiro, o dativo, que exprime uma relação terminativa,<br />
quarto, o acusativo, que exprime uma relação objetiva,<br />
quinto, o vocatico, que exprime uma relação vocativa,<br />
e sexto, o ablativo, que exprime uma relação adverbial de meios, fins, e localização, etc…</p>
<p>Para o problema dos pronomes, pode-se obter então o seguinte entendimento:</p>
<p>Os pronomes retos “eu”, “tu”, “ele”, “ela”, “nós”, “vós”, “eles”, “elas” correspondem ao nominativo, e de fato estes, quando usados, exprimem o sujeito de uma frase, na norma culta.    (*1)</p>
<p>Os pronomes obliquos, “me”, “te”, “o”, “a”, “nos”, “vos” correspondem ao acusativo em predicados onde o verbo só tem objeto direto.</p>
<p>Em construções mais complexas, com objeto direto e objeto indireto na mesma frase, quer dizer, nestas frases onde surgem as construções do tipo “mo”, “ma”, “lho”, “lha”, “no-lo”, “no-la”, “vo-lo”, “vo-la”, etc., nestas construções os pronomes “me”, “te”, “nos” e “vos” correspondem, às vezes, também ao dativo. Daí segue que se pode achar pronomes obliquos na mesma frase, onde um é no dativo e o outro, no acusativo.                                            (*2)</p>
<p>Os pronomes “lhe”, “lhes” correspondem ao dativo.    (*3)</p>
<p>Os pronomes ligados às preposições, enfim, “mim”, “ti”, “si”, correspondem, conforme ECP, ao dativo. Mas pelo que tenho entendido até agora, ECP omite-se quanto aos motivos para essa classificação, já que ele relaciona outros pronomes, associados a preposições, com o ablativo em vez de com o dativo.</p>
<p>São os pronomes fundidos com a preposição “com” que correspondem ao ablativo, ou seja, “comigo”,  “contigo”, “consigo”, “conosco”, “convosco” seriam no caso ablativo.</p>
<p>ECP menciona ainda um outro interessante exemplo de casuística na língua portuguesa:</p>
<p>O segundo caso do latim, ou seja, o genitivo, que exprime a relação atributiva, em português é formado com a ajuda da preposição “de”. No entanto, quando se tem um substantivo seguido pela preposição “de”, isso pode significar relações diferentes com o substantivo depois do “de” (e que estaria no genitivo conforme ECP), como talvez um ou outro leitor já tenha reparado.</p>
<p>Assim sendo, ECP distingue entre o “genitivo subjetivo”, o “genitivo objetivo” e o “genitivo predicativo”.</p>
<p>Vou apresentar um por um:</p>
<p>O genitivo predicativo indica de quem é a coisa, por exemplo, a frase, “o livro do Pedro”, serve para dizer que o livre pertence ao Pedro, e o genitivo predicativo pode também exprimir a qualidade da coisa, por exemplo, na frase, “a estátua de mármore”.</p>
<p>O genitivo objetivo indica o objeto do sujeito, ao qual este se refere, posso lembrar aqui a expressão da Clarice Lispector que eu citei no meu ensaio “Words don´t come easy”, é a frase “a abordagem do português” (no sentido de língua portuguesa); na expressão “a abordagem do português” (no sentido de língua portuguesa) a palavra “abordagem” funciona um pouco como se fosse sujeito, enquanto a palavra “o português” é o objeto que vai ser abordado pelo sujeito.</p>
<p>O genitivo subjetivo indica o sujeito de uma frase, pode-se dizer, por exemplo, “a palestra do professor”, então quem é o sujeito na verdade não é bem a palestra, em termos semânticos pode-se dizer que quem dá a palestra é o professor, ou seja, o professor é o verdadeiro sujeito, afinal não é a palestra que dá o professor, mas ao contrário, é o professor que dá a palestra.</p>
<p>Então, achei tudo isso bem interessante e bem importante, ver como os gramáticos conseguiram distinguir numa língua, na língua portuguesa, entre três diferentes tipos só do genitivo, embora na língua portuguesa nem sequer existam essas flexões e declinações. É realmente bacana. Gostei para caramba.</p>
<p>No resto, o livrinho do ECP é boa leitura, compensa ler, há também todo um belo artigo sobre métrica e sílabas que contem o básico sobre isso, no português, de novo deduzido a partir dos ensinamentos no latim. Pois no latim a métrica coincidia exatamente com as sílabas escritas, enquanto na língua portuguesa há uma métrica oral que já não coincide com as sílabas escritas. Isto seria um outro interessante assunto para uma próxima oportunidade.</p>
<p>Ora, não estou firme no estudo da linguística atual, mas tenho plena confiança que fenômenos como o dos três genitivos diferentes na língua portuguesa ou a colocação dos pronomes possam ser redescritos com outros termos de forma que já não seria preciso recorrer à palavra “genitivo”, haja vista que essas flexões de fato não existem na língua portuguesa. Há de se ver toda a literatura sobre isso. Pelo que saiba a gramática moderna surgiu exatamente em função desse distanciamento em nível descritivo que se queria estabelecer em relação ao latim. Acho que as primeiras gramáticas modernas foram escritas no século 17, para a língua francesa, e é nessas gramáticas onde se tentou reformular as regras de uma língua sem sempre recorrer ao latim, portanto seria um absurdo tentar enraizar, agora, hoje em dia, a gramática moderna na gramática latina, pelo que eu, como leigo, entenda da linguística. Isso já fora superado há muito tempo !? Mesmo assim, o que permanece é uma impressão muito marcante de que os pronomes, a sua colocação e a sua declinação constituem, para assim dizer, o coração, ou para modernistas talvez soa melhor dizer, o motor, da língua portuguesa e de outras línguas também. Já o genitivo, nós o referenciamos e tanto apreciamos, pois ele está tão imprescindível e tão presente quando se trata de estabelecer uma relação entre dois substantivos sem recorrer a um verbo.</p>
<p>E tudo isso continua tendo uma enorme importância literária, sem dúvida nenhuma. Portanto não nos esqueçamos do latim com todas as suas mais variadas declinações quer que sejam gramaticais quer que resultem em outras conjunções carnais ou espirituais !</p>
<p>                                        —-</p>
<p>Este texto agora publicado é exclusivamente da minha autoria, mas utilizei a seguinte referência:</p>
<p>Eduardo Carlos Pereira. 1918. Gramática Expositiva – Curso Superior. 18. Edição. Companhia Editora Nacional. páginas 218, 219 e 316.</p>
<p>                                     —-</p>
<p>ó gente, aqui vão algumas observaçõezinhas a mais, é só pros leitores interessados lerem:</p>
<p>(*1) [Um outro bate-papo seria o uso desses mesmos pronomes como objeto em vez de como sujeito, mas daí, seria só em nível de uma linguagem coloquial, a qual ainda é fortemente reprimida na escrita. Pois na linguagem coloquial usam-se estes pronomes do nominativo (principalmente aqueles da terceira pessoa) para dar ênfase a um objeto nulo, ou seja, em vez do objeto nulo, colocam-se estes pronomes depois do verbo. São, porém, coisas ainda fortemente reprimidas na escrita. Os linguistas compreendem e os gramáticos condenam.]</p>
<p>(*2) [ Entre os leitores brasileiros, apenas um leitor culto reconheça e entenda, num texto escrito, as formas "mo", "ma", "to", "ta", etc...pois estas formas definitivamente já não fazem parte da linguagem coloquial e já não são usadas em textos brasileiros que têm por objetivo apenas a simples comunicação, sem terem fins literários]</p>
<p>(*3) [Ouvi dizer que especialmente "hispanohablantes" - falantes do castelhano - que aprendem o português como língua estrangeira têm dificuldades em memorizar quais verbos são seguidos apenas por um objeto direto e quais verbos por um objeto indireto; mas existem alguns poucos verbos que causam essas mesmas dificuldades até a falantes nativos do português brasileiro, procurarei compilar uma lista desses verbos duvidosos e, de certa forma, instáveis. Entra aqui também a questão das preposições. Já li sobre isso em algum lugar. Vale outro ensaio.]</p>
<p>——————————————————————<br />
Uma pequena nota adicional no tocante aos pronomes e ao acusativo</p>
<p>[publicado no recanto em 10/05/09, 192 acessos até 04/09/09]</p>
<p>Tendo-me deparado com uma dúvida quanto aos pronomes, comecei a escrever o meu primeiro ensaio para este recanto há cerca de um ano e meio. Aquilo foi sobre os pronomes neutros (vejam meu primeiro ensaio publicado no dia 07/09/2007). Agora, lendo um texto no famoso site do Ciberduvidas (<a href="http://www.ciberduvidas.pt/"><span style="color:#0066cc;">www.ciberduvidas.pt</span></a>, “A forma verbal tens + o pronome”  – anunciado tb. na abertura com o título “Tem-lo? Empresta no-lo.”), me veio outra dúvida que exige uma elaboração melhor.</p>
<p>Na tentativa de elucidar a enclise do pronome no caso da segunda pessoa singular de “ter”, ou seja, quando “o tens” vira “tem-lo”, a autora daquele texto foi indo do simples ao desnecessariamente difícil introduzindo mais um termo gramatical, isto é, o suposto “pronome pessoal acusativo”, que seria o pronome que corresponde ao “complemento direto” .</p>
<p>Bem, as formas enclíticas correctas, nem vou explicá-las aqui de novo. Isso está bem explicado no texto da Edite Prada e agradeço-lhe imenso essa fina elaboração. O texto esta no seguinte endereço:</p>
<p><a href="http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=26302"><span style="color:#0066cc;">http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=26302</span></a></p>
<p>Mas o que me intriga é esse tal “pronome pessoal acusativo”. O que é que venha a ser isso?</p>
<p>O “pronome pessoal acusativo” parece então indicar uma função sintática, ou seja, um determinado papel gramatical no interior da frase. Esse papel se chama “acusativo”, “objeto direto” ou “complemento direto”. De fato, nas línguas que têm morfo-declinação o acusativo é usado para indicar esse papel, mas é usado também após determinadas expressões introduzidas por preposição.</p>
<p>Mas na língua portuguesa não há essas flexões do acusativo. Assim sendo, entendo que o tal do “pronome pessoal acusativo” somente pode ser entendido a partir da análise de uma frase, no português. Esses pronomes nunca estão no acusativo por si só, sem a frase que lhes atribui exatamente esta função sintática de ser acusativo. Pelo que eu saiba não é comum dar a eles o nome de “pronome pessoal acusativo”, eu os conheço pela designação de “pronome oblíquo átono”. Podem servir também de pronome neutro (”o” no sentido de “isso”, “isto”, “aquilo”) ou de pronome demonstrativo (”o” e “a”), mas depende da frase.</p>
<p>Com “acusativo” no seu sentido vago e incompleto de “objeto direto” ou ainda “complemento direto” (excluindo-se agora o uso do acusativo como complemento de preposições) queremos, no entanto, referir-nos apenas ao substantivo ou pronome que sofre a ação do verbo conjugado.</p>
<p>Dizemos, para usarmos outras metáforas, que o objeto direto é regido pelo verbo conjugado, enquanto o sujeito é o regente que rege o verbo conjugado. O “acusativo” é portanto diferente do sujeito (”nominativo”) da frase. Numa frase com “acusativo” existem pelo menos duas entidades nominais distintas e diferentes entre si, ligadas ao verbo: de um lado temos o sujeito (no “nominativo”) que determina a própria conjugação do verbo (quanto a número e pessoa), e de outro lado temos o tal objeto direto ou “acusativo” que sofre a ação do verbo.</p>
<p>Nesse texto do Ciberduvidas, sobre a enclise de pronomes, da Edite Prada, essa funcionalidade sintática não está bem compreendida a meu ver.</p>
<p>Nele, a autora expõe “duas excepções gráficas de uso do pronome pessoal acusativo, terceira pessoa”. Ora, na língua portuguesa a grafia em si não tem nada a ver com o “acusativo”. Será que os leitores entendam isso? A grafia tem de ser vista em nivel de (na categoria de) cada palavra. Na ortografia, a palavra é escrita corretamente, noutras grafias há possíveis erros. Mas o acusativo tem de ser percebido em nivel da frase inteira.</p>
<p>Tudo isso teria passado completamente despercebido, se a propria autora não tivesse escrito uma frase exemplar, na qual o pronome “o” desempenha o papel de “predicativo de sujeito” em vez de “acusativo”.</p>
<p>Ei-la: “Eles são interessantes”, substituindo “interessantes” pelo pronome “o” se obtem: “Eles são-no”.</p>
<p>Aqui o “o” não é acusativo, pois refere-se diretamente a uma propriedade do sujeito (eles: eles são o que?). Não se trata de uma segunda entidade nominal independente que sofre a ação do verbo. Aliás, o verbo da frase, isto é, “ser”, é um verbo de ligação. Verbos de ligação nunca têm objeto direto como complemento. Ligam apenas o sujeito a uma outra característica dele mesmo, portanto se diz que se trata de um “predicativo do sujeito”.</p>
<p>Concluindo, reafirma-se que na frase  “Eles são-no” não há pronome pessoal acusativo. O pronome “o” tem aqui a função sintática de “predicativo do sujeito”. A autora do artigo do ciberduvidas está desapercebida quanto a essa problemática ou ela redigiu o texto deixando passar o descuido despercebido. Creio que aconteceu uma das duas, pois termo gramátical que dá apenas 69 resultados no Google é ou uma coisa extremamente complicada ou um assunto muito furado.</p>
<p>No Brasil, nunca ouvi ninguém dizer “eles são-no”, portanto não sei quão importante esse uso do pronome seria em nível da lusofonia em geral, mas aceitando o desafio de formular frases gramaticalmente corretas (ainda que talvez não sejam ditas dessa forma na prática da fala) continuo a desenrolar esse novelo, e venho propor:</p>
<p>“Elas são a nova turma de alunas.” Agora substituimos “a nova turma”:</p>
<p>“Elas são-na.”  (”a” como pronome demonstrativo)</p>
<p>“Elas são-no.” (”o” como pronome neutro)</p>
<p>Agora caberia escrever outra matéria resumindo tudo sobre pronomes na língua portuguesa. Entrariam então pronomes retos, pronomes oblíquos átonos e pronomes oblíquos tônicos, mas isso fica para uma próxima oportunidade. Já adianto que estou trabalhando numa abordagem dos pronomes pessoais que recorre apenas a essas três categorias, ou seja, aos retos, aos oblíquos tônicos e aos oblíquos átonos para dar conta de tudo o que se há de saber, na língua portuguesa. Grande abraço a todos, e voltem a ler os meus ensaio de vez em quando!</p>
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Uma tremenda curiosidade gramatical me chamando…</p>
<p>[ publicado no recanto em 14/12/08, 340 acessos até 04/09/09]</p>
<p>Como começar com este ensaio?…Não sei não. Após ter escrito varios esboços e ter recebido alguns comentários de leitores dos dois lados do Atlântico, reformulo agora o início dirigindo a atenção do leitor ao uso do gerundio como adjetivo. Pois muitos comentaram, bem, tudo bem, o particípio é então usado como adjetivo, mas o gerundio? O gerundio também? Mas isso é absolutamente impossível! Engano seu. É possível, sim. Sim, também o gerundio é usado como adjetivo, seja isso natural, um galicismo, um anglicismo, ou o que for. Talvez, para nós compreendermos melhor o uso do gerundio como adjetivo, é bom termos em mente primeiro o uso do gerundio para iniciar uma simples oração adjetiva – isso é um lugar comum nas gramáticas, embora haja controvérsias…. Em casos onde uma tal oração adjetiva consiste apenas num único atributo adjetivo sem acréscimo, isto é, em casos onde o gerundio for formado a partir de um verbo intransitivo sem complementos, obtem-se, então, um gerundio na função de adjetivo. Um exemplo? Folheando nas minhas leituras achei o seguinte exemplo no romance “A guerra do Lobisomen” de Carlos Moraes, na página 22: “Me passou uma caneca de leite recém-tirado, morno da vaca, espumando.” Não é difícil perceber aqui que o primeiro adjetivo, o particípio “recém-tirado” se refere ao substantivo “leite”, e o segundo e o terceiro adjetivo, ou seja, “morno” e “espumando”, se referem ao mesmo substantivo, “leite”. Assim sendo, “espumando” é um adjetivo nesta frase. Espero ter demonstrado por esse exemplo o uso do gerundio como adjetivo. Eu podia ter citado exemplos bem mais famosos de autores muito mais conhecidos, mas restringi-me a uma única citação de um autor relativamente desconhecido para que o mero nome do autor não suplante ao cerne gramatical da questão que se acha na linguagem de todos, quer sejam famosos poetas ou não tão famosos assim.</p>
<p>Bem, e eis um excerto de um estudioso clássico da gramática portuguesa, prestem bem atenção:</p>
<p>“Não suplantaria o gerundio ao particípio do presente, tão usado em latim, se às funções verbais próprias não acrescentasse aquelas que competiam ao particípio. O papel de adjetivo, sobremodo conspicuo nest´outra forma infinita, reaparece de fato ocasionalmente nas terminações “-ando”, “-endo”, “-indo”.”</p>
<p>M. Said Ali, 1923, em “Formação de Palavras e Sintaxe do Português Histórico”.</p>
<p>Pois é gente, como se vê então, o gerundio e o particípio do presente são os que constituem a pauta deste pequeno ensaio-enigma.</p>
<p>Veja bem galera, na lingua portuguesa, o particípio é isso mesmo, quer dizer, é “o particípio” e não “os particípios”, pois há só um tipo de particípio, conforme a gramática convencional. É diferente do que ocorre na minha língua nativa, no famoso idioma germânico de Martin Luther. Na língua alemã, há “os particípios” que são o particípio do perfeito e o particípio do presente; sim, no alemão preservou-se estas estruturas gramaticais que vieram do latim.</p>
<p>Conforme algumas gramáticas da língua portuguesa, o particípio do presente, na língua portuguesa, ainda estaria visível em algumas palavras como por exemplo “fervente”, “seguinte”, “corrente”, “temente” e assim por diante.</p>
<p>Contudo, nesses casos, o particípio do presente está visível apenas na forma de um “fossil etimológico”, para assim dizer, que desempenhou um papel na formação destes adjetivos. Não se pode formar o particípio do presente a partir de um verbo qualquer, por via de sufixação. Isso não dá para fazer não.</p>
<p>E por tudo isso, é possível dizer de forma conclusiva e convincente que no português há apenas “o particípio”, e não “os particípios”.</p>
<p>Agora entro, então, com a minha pequena polêmica gramatical:</p>
<p>Diz-se que o gerundio, que não é o particípio, muitas vezes acaba sendo confundido com o particípio do presente injustificadamente, ou noutros termos, que na realidade o gerundio em português não teria as funções que o particípio do presente tem em outras línguas, notadamente na minha amada língua germânica de Martin Luther e na nobre língua latina de Cicero, Seneca et al.. É verdade isso, na língua portuguesa há quem realmente não permita o uso do gerundio como simples adjetivo, enfim, o uso do gerundio do jeito que se usa o particípio do presente noutras línguas.</p>
<p>Esse pessoal da “linha dura” da gramática talvez não goste do gerundio na função de adjetivo pelo fato de o gerundio ser uma forma não flexionada, nem conjugada (- por isso sendo tão bacana, usando se o gerundio em quaisquer orações desgarradas…- fazendo dançar e comunicar as pessoas falando e cantando, rsrsrs…). Como se vê, o gerundio pode gerar, em hipótese pelo menos, uma boa dose de ambiguidade, justamente por ser uma forma tão fixa e tão pouco flexionada.</p>
<p>Já o particípio do presente do alemão (ou do latim) acaba sendo flexionado conforme número, gênero e caso quando de seu uso adjetivo, do mesmo jeito que o particípio do perfeito também o é.</p>
<p>Mas é nesse ponto que vejo que a coisa é muito mais complicada do que se suponha à primeira vista.</p>
<p>Realmente, tudo isso é uma TREMENDA COMPLICAÇÃO, viram, ouviram, perceberam?  “Tremenda” parece ter algo de gerundio, não é? Mas mesmo assim acaba sendo flexionada acompanhando o substantivo feminino. Perceberam essa singularidade tão singela?</p>
<p>Foi apenas este o ponto central do meu pequeno mini-ensaio. Teria ainda mais coisas para contar, mas ainda não está pronto, por exemplo, qual é a diferença entre “seguidamente” e “seguintemente”, vocês sabem, ou vejam isto, para mencionar outro papo, “água fervente” é a mesma coisa de “água fervendo” (?),  e muitas esquisitices a mais poderiam ser debatidas, mas por enquanto é só isso, apenas contei dessa tremenda estupefação minha frente ao adjetivo “TREMENDO”.</p>
<p>Obs: Pode-se se classificar este mini-ensaio também como mini-enigma, se assim o preferirem, e a solução será que a palavra “tremendo”, ela também, acaba sendo um fossil etimológico do latim (”tremendus”), mais um fossil então do famoso garimpo luso-brasileiro, pois é, mas não é gerundio não gente, espero que gostaram da minha mini-prosa e um forte abraço para todos, até a próxima.</p>
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<p>SEGUEM MAIS TEXTOS QUE ESTOU TRANSFERINDO, PARA QUE POSSAM SER LIDOS NUMA UNICA TELA…</p>
<p>Crônica Número 1</p>
<p>(texto data de 24/11/07, já o transferi varias vezes)</p>
<p>“Rock. sm. Música de origem norte-americana (e dança que a acompanha), com elementos de blues e country, em compasso quaternário e tocada em guitarra elétrica, contrabaixo e bateria.”<br />
 (Mini-Aurélio, O dicionário da Língua Portuguesa)</p>
<p>Hoje tento escrever uma crônica. Sim, já as tenho lido. Têm sido inúmeras as vezes, nas quais me alegrei com a leitura de uma crônica de jornal. Crônica é como o Rock´n Roll do silêncio, é tal qual uma canção dos Rolling Stones que leva mais ou menos de três até seis minutos para ser ouvida. Ler uma crônica leva o mesmo tanto de tempo mais ou menos. Quais crônicas tenho lido? Mas que pergunta, sempre lia simplesmente aquelas que tinha em mãos! No início da Folha de São Paulo – página dois -, lá estão elas, as crônicas do Carlos Heitor Cony, da Eliane Cantanhêde e do Clovis Rossi, por exemplo. Principalmente das da Eliane Cantanhêde eu gosto. Por que gosto dela? Pois a Eliane Cantanhêde é um pouco como os Rolling Stones, dá para ouví-la: Quando tem um aúdio ou um podcast dela no site da Folha Online, eu ouço, sempre – é só isso. Quer dizer, então, que não adoro ler o Carlos Heitor Cony do mesmo jeito? Não, não é assim, é que eu não sou assinante da Folha, só a compro esporadicamente na banca de jornal, e como o Carlos Heitor Cony não publica audio na Folha-online, nem faz podcast online, nunca o ouvi, então ele não é como os Rolling Stones, enquanto, a Eliane Cantanhêde, já a ouvi. E tem também as crônicas do Estado de São Paulo. Há de se admitir que as crônicas publicadas no Estado de São Paulo costumam ser um pouco mais difíceis, já seriam canções extra-longas de Rock´n Roll – para assim dizer -, e não as tenho lido com tanta freqüencia como essas da Folha de São Paulo. Mas volta e meia, leio-as. E, isso também é interessante observar, em cada crônica no Estadão cai pelo menos um termo estranho, ou seja, uma palavra ou até uma expressão ou frase mais tradicional onde há de se consultar o dicionário. É coisa de crônista isso, assim os leitores melhoram o português, perfazem toda uma experiência de educação através da leitura; alias, a Eliane Cantanhêde tem um pouco disso também, mesmo se for apenas uma palavra estranha por crônica, daí, já está bem, dá uma emoção pedagógica boa que todavia não sobrecarrega o leitor. Se me lembro de alguma crônica específica que já li na minha vida? Não, sinceramente não. Eu leio as crônicas, e imediatamente depois as esqueço. Não sei cantar de cor nenhuma canção dos Rolling Stones, e também não me lembro das crônicas que já li na minha vida. Por isso é só agora que escrevo minha primeira crônica, pois precisava pesquisar um pouco antes, precisava ver como é que se faz a redação de uma crônica. Mas agora achei a receita: Este gênero, chamado de “crônica”, é algo na metade do caminho do jornalismo para a literatura. Pegue-se um evento do diário, um acontecimento que está na primeira página do jornal; dê-se então um toque pessoal ao assunto; misture-se, com isso, elementos pessoais de ficção, fantasia e criticismo; preferencialmente faça-se alguma conexão com algum passado saudoso; se o passado não foi saudoso, crie-se então um passado saudoso, criando assim uma atmosfera histórica que aconchegue aquilo, que nos chega diariamente pelos jornais, no berço coletivo das nossas almas.<br />
Bem, qual notícia posso pegar, ah, já sei, seguindo as linhas gerais da saudade dos Rolling Stones que já foi criada neste texto, pego as convulsões epilépticas do guitarrista Keith Richards, para comentar. Agora o Keith Richards está tomando remédios contra a epilepsia, como tem sido amplamente divulgado pela imprensa, nas últimas semanas. Já em maio do ano passado – 2006 -, o Keith Richards caiu de um coqueiro nas ilhas Fiji, e em conseqüencia disso precisou de ser operado na cabeça. Daí, ele se recuperou, mas parece que ficaram algumas seqüelas. E agora o roqueiro, com 63 anos, tem de tomar remédios que atenuam as atividades cerebrais, para que não haja convulsões. O remédio se chama Dilantin, com o princípio ativo Fenitoína. Há ainda boatos na internet (”Revista Veja”, online) que o Dilantin nos EUA já fora usado como droga em vez de como remédio, puxa vida, é coisa interessante, pois sempre se ligava o Keith Richards ao uso de drogas ilícitas. Então, diz uma reportagem da revista Veja, que o empresário americano Dreyfus – dependente confesso do Dilantin – o teria oferecido ao então Presidente Richard Nixon, para esse se drogar. Nossa, como combina este assunto com os Rolling Stones, com os anos 60 e 70, com os EUA, e com coisas assim, mas acho que até aqui tudo não passa de informações aleatórias, coletadas por mim, sem que haja aqui algum significado que quer que seja. A crise da informação, pela qual estariamos passando, conforme o famoso escritor José Saramago, faz com que surjam notícias, novidades e fatos aqui e ali e em mil cantos ao mesmo tempo sem que estas ondas de informação aleatória tivessem alguma coisa a ver com a gente, sem que se percebesse nenhum sentido qualquer. E assim eu também me sinto um pouco, frente ao noticiário sobre as epilepsias do Keith Richards, pois para a minha vida pessoal e profissional não é lá muito importante saber como o Keith Richards passa, quais os efeitos do remédio Dilantin sobre o Keith Richards, e ainda o problema se isso tenha alguma coisa a ver com o outro Richard, o Richard Nixon dos EUA, isso para mim é como se fossem pequenas ondas num gigantesco oceano linguístico. Mas é poesia sim, e gosto disso. Mas não passa de poesia. Coisas assim distraem, mas não extraio disso grandes significados políticos ou filosóficos. Todavia, a minha saudade dos Stones ainda não parou por aqui, fiquem ligados, gente, esta crônica ainda continua. Especulemos um pouco sobre a idade do Keith Richards: como ele já tem 63 anos, ele é muito velho para um roqueiro verdadeiro, então, na sua profissão de roqueiro – profissão perigosa essa-, ele já mostrou capacidade boa de sobrevivência. Agora há de se observar com cautela, como ele continuará a viver depois dos 63 anos de idade, se ele realmente vai se tornar muito velho mesmo, também em comparação com as expectativas de vida em outras profissões, mais confortáveis, daí, é só seguindo o noticiário que será possível sabê-lo. Fiquemos conectados. Mas de qualquer forma, sobre a morte uma coisa certa está, ela sempre vem a quem quer que seja, se for roqueiro ou não, e em muitos casos observa-se uma piora na saúde, principal- mas não exclusivamente em pessoas mais velhas. Até ai está tudo normal e dentro dos padrões. Como biólogo peguei ainda a informação de que o Dilantin atue na inativação dos canais de sódio que dependem da voltagem e são regulados por ela, na membrana celular. Ai que saudade isso causa das aulas de biologia que eu já dera. Lecionara muito sobre isso, e meus alunos sempre se deram mal especificamente nessa materia, dos canais ionicos. É que para o impulso nervoso migrar de um neurônio, ou seja, de uma célula nervosa, para o próximo neurônio, há de ter um potencial de ação – ou seja uma variação de potencial elétrico através da membrana celular – , e essa repentina mudança de potencial migra, seguindo a membrana do neurônio, e depois pula para o próximo neurônio através de sinápses, em sua maioria eletro-químicas. E durante todo o processo de propagação do potencial de ação, os canais de sódio que dependem da voltagem são superimportantes, é através deles que o potencial de ação é gerado e regenerado. Por ironia da história, isso funciona um pouco como se fosse uma guitarra elétrica. Há processos de ampliação, variações de voltagem, etc. até o sinal chegar. E o pobre coitado do guitarrista Keith Richards agora toma remédios que atenuam esses canais de íons no seu próprio corpo. O Dilantin é mesmo um remedio forte com numerosos efeitos colaterais, ou seja, não é bem uma droga de diversão, só um louco mesmo tomaria essas substâncias sem necessidade e sem receita médica.<br />
Num toque de saudosismo geral, e para concluir a crônica, posso acrescentar que o Brasil não é só o país do samba e do futebol. O Brasil é, ainda antes disso, o país dos Rolling Stones também. Pois no tour “A Bigger Bang”, em 2006, os caras conseguiram unir, na praia de Copacabana, no Rio, um número de pessoas estimado em 1,5 milhão. Enfim, veio gente aos borbotões. Até agora, nenhum jogo de futebol e nenhuma apresentação em nenhum sambódromo, no Brasil, conseguiu unir tantas pessoas como esse concerto dos Rolling Stones, uma banda formada em 1962 pela dupla Keith Richards e Mick Jagger. O concerto “A Bigger Bang” se deu alguns mêses antes da queda do Keith Richards de um coqueiro nas Ilhas Fiji. Deve-se, agora, esperar com paciência se concertos assim ainda se repetirão, e, enquanto isso, sempre pego os podcasts e audios de bons crônistas, para eu ouvir, já os outros, – os sem audio-, eu leio! Melhoras para o Keith Richards!</p>
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A minha segunda crônica (observações zoologicas na Terra Brasilis, macumba, jacarés, etc…)</p>
<p>texto escrito em 24/11/07</p>
<p>“Egoísmo, conservação. A onça mata o novilho porque o raciocínio da onça é que ela deve viver, e se o novilho é tenro tanto melhor; eis o estatuto universal.”</p>
<p>(Machado de Assis, “O delírio”, no romance: “Memórias Póstumas de Bras Cubas”.)</p>
<p>Outro dia, verifiquei minha caixa de entrada do meu e-mail rotineiramente.  Tenho um amigo muito bom, com um humor hilariante, que às vezes me manda essas gozações, piadinhas, quer dizer, esses assuntos humorísticos que costumam circular pela internet. Geralmente coisas que eu nem comento.<br />
Contudo, a notícia recebida naquele dia tratava de assuntos extremamente zoológicos; resolvi então partir para a redação de uma crônica. É o seguinte, existe uma espécie de jacaré no Brasil que se chama jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), é um jacaré que ocorre do Uruguai até o estado Rio Grande do Norte, e no interior do Brasil chega a ocorrer até o estado Mato Grosso, está ausente, porém, no Pantanal. Embora ele não ataque o homem de propósito, ele defende seu ninho com força e tem uma mordida forte que quebra até o casco de uma tartaruga com facilidade. Talvez valha a pena, ainda, acrescentar que essa espécie faça bem para a sociedade humana, pois alimenta-se de certos moluscos gastrópodes que são vetores na transmissão de algumas doenças parasitárias. Então só podemos chamar de bemvindo este jacaré, de papo amarelo.<br />
O problema que me leva a escrever esta crônica, no entanto, não está só ligado à história natural. Não, de jeito nenhum está, até porque, conforme o filosofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, a história natural nem sequer exista, o que sempre e somente existe, é a história humana. E assim sendo, a estranha dinâmica desta crônica faz com que ela se enraíze de um lado na história natural e, sobretudo, de outro lado, na história humana, – tudo isso ao mesmo tempo.<br />
Bem, vamos voltando atrás, no tempo, sem nós nos esquecermos dos nossos jacarés-de-papo-amarelo. Na famosa baía  de Guanabara, onde, já uns dois séculos atrás, desembarcara a corte portuguesa, e assustara-se com o fedor e a falta de higiene na então metrópole escravista do Rio de Janeiro, está uma das origens do candomblé, e uma  designação pejorativa para referir-se ao candomblé é o termo macumba. Enfim, há muita macumba no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa sobre a qual reina um gigantesco Cristo Redentor em concreto, e onde há também belas praias, banhistas, surfistas-relax, pensionistas-rolex,….rolex-furtados, gente dos morros, e outros. Macumba também tem a ver com mironga, ebó, feitiço e muamba, ou seja, é um termo com denotação extraordinariamente negativa que não traz boa sorte alguma, e qual o brasileiro que não tenta se proteger da macumba?<br />
A notícia engraçada que me chegou, através do meu amigo, agora, outro dia, na minha caixa de entrada de e-mail, tem a ver com um exemplar de jacaré-do-papo-amarelo que foi achado numa praia da Barra da Tijuca, no Rio, perto da praia da Macumba. Sim, no Rio, perto da praia da Macumba, acharam um jacaré-do-papo-amarelo, com ca. 1,5 m de comprimento, na praia da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio! Até ai, tudo bem, o animal não machucou nenhum banhista, a praia foi temporariamente interditada, o animal foi capturado e vai ser levado para uma fundação zoologica, ou seja, foi tudo resolvido na santa paz, respeitando-se a vida tanto dos banhistas quanto do animal.<br />
Então, a frase surreal que correu, depois disso, pelo Brasil inteiro, através da Folha de São Paulo e através da rede Globo, caiu numa entrevista que foi dada pelo bombeiro responsável pelo resgate do jacaré. Disse ele algo como (talvez não foram exatamente essas palavras): “Acredito que ele tenha vindo da praia da Macumba, pelo canal do Rio Morto, que é habitado por jacarés.”<br />
Não soe totalmente surreal essa frase, aqui não se mostre de forma hilária como a história natural está permeada pela história humana? Quem, em sã consciência, não associe subconscientemente a essa frase toda uma série de segundas metáforas maléficas, que têm mais a ver com a vida humana, nos morros ou em outro lugar, do que com a vida dos jacarés, no pantano? Isso não é uma prova mais do que convincente que Hegel tivera razão, que a história é antes humana do que natural? Felizmente nenhum banhista morreu, mas quantas pessoas foram baleadas e mortas no mesmo dia, em algum dos morros do Rio?<br />
Ainda me lembro como, quando cheguei no Brasil, há uns 15 anos, uma amiga me ensinou a frase: “Jacaré, deixe estar, a tua lagoa há de secar.” O que é um jacaré afinal? Quando tratamos de assuntos humanos, conforme meu dicionário, um jacaré é uma ameaça, é alguém que tripudia sobre as outras pessoas.<br />
Esperto como é, este meu amigo que mandou a notícia por e-mail, criou ainda o título “cobras e lagartos” para esta sua missiva eletronica, ou seja, podemos escrever toda uma história herpetológica da sociedade brasileira, uma cobra é uma pessoa de má índole, e um lagarto é um espertalhão intrometido. Tanto cobras quanto lagartos, às vezes, se transformam em jacarés. Ao interpretar a história com métodos hegelianos, tudo isso se torna possível, não é maravilhoso? Sacaram? E me pergunto quem de vocês é que é tartaruga? Observação: Até mesmo os peixes, como por exemplo as piranhas, ocasionalmente, podem virar jacarés.</p>
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O doutor Fritz está se empenhando</p>
<p>(prosa poetica escrita nos fins de 2007)</p>
<p>O doutor Fritz é légitimo português, naturalizado brasileiro; alias, apesar do nome alemão não podemos nos iludir, ele é mesmo cidadão português que partira para se radicar no Brasil, embrenhando-se também no estudo da variante brasileira do idioma de Fernando Pessoa. Ca, no Brasil, procurava somente empregos que condiziam com, digamos, seu perfil pessoal, seu “núcleo de personalidade”, seu alto grau de instrução, seus estudos de colégio, etc. e tudo mais. Pois o doutor Fritz é um cara muito empenhado. Ele não topava com qualquer emprego que lhe era empencado, alias, quanto mais ele envelhecia, tanto mais fazia questão de resgatar sua honra e o seu sangue bom, antes de concordar com uma eventual oferta de um emprego qualquer por mais empolgante que soava. Um belo dia, ele estava em São Paulo, empenhado na já tão costumada procura de emprego, quando recebera um e-mail de importante autoridade de Brasília solicitando seu imediato deslocamento para Brasília. Mas acontecera isso durante o apagão aéreo, estava tudo emperrado – todos os aeroportos apinhados*^ de gente – então, também a este e-mail o doutor Fritz só podia responder e negar em tom levemente indignado, não muito empolgado, pois impossível é estar em São Paulo e em Brasília ao mesmo tempo, ainda mais quando se tem um “núcleo de personalidade” tão nobre e sensível quanto o do empenhado doutor Fritz.<br />
Mas vamos devagar apresentar aos leitores, agora, os aspectos de “pensamento” que justificam a publicação deste na coluna “pensamentos”. O que é que se pensou na redação deste?<br />
Disse a autoridade de Brasília no e-mail: “Agradeço o seu emprenho e sua resposta. Considerando os seus compromissos, creio que o senhor poderá candidatar-se uma próxima vez.”<br />
Ou seja, traduzindo isso livremente, a partir da óptica pessoal do apressado e estressado doutor Fritz: “Doutor Fritz: aqui quem manda somos nós, e não você. Ou você vem para Brasília agora já já, ou você perde a chance de concorrer a esse emprego.”<br />
Esse sentido inegável da mensagem vinha se formando na mente do doutor Fritz com cada vez mais clareza, mas como que não querendo admitir a simplicidade da mensagem recebida, o Fritz partiu para os campos semântico e semiótico, e perguntou-se o que afinal significava o termo “emprenho”. Nunca ouvira falar dessa palavra antes.<br />
Pois bem, no dicionário também não constava a palavra “emprenho”, deveria ser um tipo de mistura entre “prenhe” e “empenho” – um modernismo, uma dessas estórias de Mario de Andrade e João Guimarães-Rosa? Tornar “prenhe” uma mulher ou uma fêmea, quer dizer, emprenhá-la, significa torná-la grávida. Mostrar “empenho”, significa empregar com desvelo, ou, ainda, hipotecar bens. Mas talvez o “emprenho” não passou de um “typo” (termo inglês para erro de digitação), cometido pela autoridade de Brasília. Nunca se sabe.<br />
Mas para cuidar melhor e com mais carinho de sua legítima luso-brasilidade, o doutor Fritz se propôs a esclarecer uma vez por todas as semânticas que se embrenham atrás de palavras como “empenhar”, “embrenhar”, e “emprenhar”, etc..<br />
Enfim, já estava na hora de terminar toda essa emprenhidão, quer dizer, esse estado insuportável de prenhez linguística, e dar à luz este pequeno ensaio prenhe de boas inspirações e empertigar-se para o público em geral, na apresentação de tão valiosa missiva. Finalmente, quer-se empreender alguma coisa para mostrar o quanto é gostoso mostrar empenho no aprendizado do português – eis a questão.<br />
Gente fina, andando de nariz empinado, talvez se envergonhe e embrenhe então aquilo que escreve, ou seja, possa-se optar por colocar o que se escreve em algum lugar bem escondidinho. Mas este texto não será embrenhado não, será mesmo publicado no “Recanto das Letras”, pois o autor se embrenhou para escrevê-lo. Não é empulhação não.<br />
E se tudo falhar, se o nosso querido doutor Fritz, finalmente, um dia, tiver que abrir bancarrota por falta de emprego, o que será que ele vai empenhar? Terá ele muitos bens que possam ser recebidos em penhor? Não o sabemos, que Deus dará que ele sempre se empenhe com seus conhecimentos de português e que ele consiga empenar-se, enfim, enfeitar-se, emplumar-se também no futuro com a última flor de Lácio, desculpem, cometemos um erro, é com a ultima flor DO Lácio, inculta e bela, o-culta na brenha!</p>
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<p>Notazinha de rodapé: ref.: *^ embora a leitura dos jornais tenha levado o nosso Fritz a supor que os aeroportos estariam apinhados, na verdade o que ele vivenciava foi que o transito nas ruas estava emperrado, assim Fritz podia contemplar durante um bom tempo, no crepúsculo urbano de Sampa, os ônibus apinhados, enquanto isso apinhava-se-lhe um certo desespero no coração.</p>
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ensaio meio burro é este que segue, é que eu escrevi isso sem ter vivido o período na minha propria pele, por isso estava suscetível a certas posições ideologicas meio burras, hoje não o escreveria desse jeito, mas agora já está escrito (foi escrito em 2007) e aqui (ainda) está:</p>
<p>Contracomunicação: o caso da tourada em Portugal</p>
<p>Existe uma coisa que une as tradições literárias de Portugal e do Brasil: é a censura. Sim, os dois países, o Brasil e Portugal, aguentaram, durante boa parte de sua história, a censura. Feita esta asserção, vamos agora fazer uma tentativa de compreender melhor as suas implicações. No início, a censura fora coisa da igreja católica. Na igreja católica houvera uma instituição, a Inquisição, que servira como órgão de controle da fé. Entre as muitas praticas da Inquisição, ainda pouco sistematizadas e organizadas, existira, no campo da censura, a indexação de livros proibidos. Mas também o estado já exercera censura ao lado da igreja católica, e às vezes em conjunto com ela.</p>
<p>Depois, com o iluminismo, a censura começou a se transformar num assunto mais secular, sem grandes implicações no setor das doutrinas religiosas. O primeiro a instaurar uma censura cujos objetivos foram antes políticos do que religiosos, o famoso estadista português Marquês de Pombal usou as ferramentas de censura até para reprimir os jesuítas, uma ordem religiosa dentro da igreja católica.<br />
Nos tempos atuais, com liberdade de expressão, algumas pessoas misturam um pouco as coisas e atribuem a prática da censura errôneamente e exclusivamente a regimes muito totalitários.</p>
<p>Não era bem assim; na verdade, podemos chamar os regimes do século XX, de Portugal e do Brasil, enfim os regimes lusófonos que praticaram a censura até bem recentemente, de regimes autoritários, em vez de totalitários. É melhor.</p>
<p>Por que?</p>
<p>Pois nos regimes totalitários, a liberdade de expressão foi reprimida, mas naqueles regimes ia-se muito além: perseguiu-se e matou-se todos os que ousaram se manifestar. Eles foram eliminados de forma praticamente industrial e burocratizada. Também outros tantos que nem abriram a boca tornaram-se vítimas do assassinato estatal. O stalinismo, o maoismo e o hitlerismo talvez sejam os exemplos mais bem conhecidos do século XX.</p>
<p>Nesses regimes totalitários, eliminou-se praticamente todas as liberdades individuais. Nos regimes autoritários, no entanto, a coisa não chegou a esse ponto. Não pretende-se aqui desmentir as durezas, as crueldades, a falta de democracia e a repressão de direitos humanos num regime autoritário, mas é que a diferença entre um regime autoritário e um regime totalitário é algo de fato, que não pode ser negado. Isso na verdade me parece ser uma questão de grau, antes de grau que de princípios, suponho talvez.</p>
<p>Por mais que houve casos de tortura e assassinatos em Portugal e no Brasil, no século XX, aquilo não era a regra. A regra era mesmo que toda a produção cultural tinha que passar pela censura. No século XX o regime autoritário, em Portugal, chamava-se “Estado Novo”, foi fundado pela família Salazar, durou de 1926 até 1974. É a ditadura mais longa do século XX do ocidente europeu. No Brasil, Getulio Vargas fundou um projeto semelhante ao “Estado Novo” de Portugal, depois houve pequenas fases de democratização, as quais foram, porém, todas interrompidas pela ditadura militar que durou de 1964 até 1985 (abolição da censura), ou 1989 (primeiras eleições diretas do presidente).</p>
<p>Vamos, agora, “num exercício meio doido”, tentar imaginar os lados mais “bucólicos”, quer dizer, mais “artísticos” de uma censura meio pacata: Com certeza, a censura era um amplo setor público que necessitava de funcionários especializados, etc.. Contratava-se então pessoal que passava inúmeras horas, assistindo filmes de cinema, lendo roteiros de novelas, livros, ouvindo canções etc., sempre na busca do que deveria ser censurado e reprimido.</p>
<p>Diz que (ao menos no Brasil) a coisa teve também todo um lado de moral e de costumes. Mensagens muito sofisticadas, com grandes abstrações políticas e filosóficas, não eram nem sequer entendidas pelos funcionários da censura. Quanto a isso, houve tortura de alguns jornalistas, professores, intelectuais, alguns assassinatos e outros casos de repressão política violenta, isso ia além da rotina cotidiana de censura. O que se fazia muito na censura, era mesmo esse negócio de não permitir mulher pelada em filme, de reprimir palavras obscenas em músicas e assim por diante. Alguns artistas brasileiros tentaram passar mensagens políticas por suas canções, de forma sofisticada. Muitos se lembrarão de Chico Buarque e da famosa canção “Cálice” (“Cale-se”).</p>
<p>Em Portugal a coisa evoluira de tal forma que existia a arte oficial, tolerada pelo regime, e a arte oposicionista que articulava as aspirações mais profundas do povo. Essa divisão era aceita, de forma implícita, até mesmo pelos próprios artistas. Havia determinadas ocasiões, determinados tipos de eventos, de palcos, etc. onde era tudo a favor do regime, já desde o início, e havia outras ocasiões que tinham características mais conspiratórias.</p>
<p>E esse tácito reconhecimento das divisões, do mercado cultural, talvez tenha facilitado também o trabalho da censura, já que os funcionários da censura sabiam de antemão quando deveriam prestar mais cuidado e quando poderiam estar mais relaxados.</p>
<p>A situação era certa e propícia para operar com o método da contracomunicação, ou com os cavalos troianos, como se diz. Quem dos leitores não se lembra de já ter visto a famosa garrafa da Coca-Cola, com seu característico design, mas ao olhar mais de perto, viu de repente que, em vez de Coca-Cola, estava escrito na garrafa Che Guevara, Carnaval, ou uma outra asneira qualquer….?</p>
<p>Então, este método da contracomunicação, ou dos cavalos troianos, consiste no uso de um meio cultural, de um espaço cultural, de um evento, de um público pré-definido, etc. para vincular uma mensagem que contradiz a própria expectativa desse meio que foi escolhido para vincular a mensagem.</p>
<p>Os portugueses estão muito ligados em músicas e canções, por sinal, os próprios eventos da revolução dos cravos que resultaram na instauração da democracia e da liberdade de expressão foram orquestrados com a transmissão de duas famosas canções por dois programas de rádio, primeiro, “E depois do adeus”, cantada por Paulo de Carvalho, e depois a canção oposicionista, “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso. E há, em Portugal, toda uma tradição de competições quanto a melhor canção do ano, etc..</p>
<p>Em 1973, um canção-poema de José Carlos Ary dos Santos, interpretado e cantado por Fernando Tordo, venceu a edição do Festival RTP da Canção. O Festival RTP da Canção era um desses eventos típicos em apoio ao regime, ou seja, cantores oposicionistas nem se esforçavam para comparecer nesse tipo de evento. Talvez isso relaxou a atenção por parte da censura. A canção que venceu, então, em 1973, chama-se “Tourada”, coisa esquisita, vou colocar aqui o texto:</p>
<p>“Tourada</p>
<p>Não importa sol ou sombra<br />
camarotes ou barreiras<br />
toureamos ombro a ombro<br />
as feras.</p>
<p>Ninguém nos leva ao engano<br />
toureamos mano a mano<br />
só nos podem causar dano<br />
esperas.</p>
<p>Entram guizos chocas e capotes<br />
e mantilhas pretas<br />
entram espadas chifres e derrotes<br />
e alguns poetas<br />
entram bravos cravos e dichotes<br />
porque tudo o mais<br />
são tretas.</p>
<p>Entram vacas depois dos forcados<br />
que não pegam nada.<br />
Soam brados e olés dos nabos<br />
que não pagam nada<br />
e só ficam os peões de brega<br />
cuja profissão<br />
não pega. Com bandarilhas de esperança<br />
afugentamos a fera<br />
estamos na praça<br />
da Primavera.</p>
<p>Nós vamos pegar o mundo<br />
pelos cornos da desgraça<br />
e fazermos da tristeza<br />
graça.</p>
<p>Entram velhas doidas e turistas<br />
entram excursões<br />
entram benefícios e cronistas<br />
entram aldrabões<br />
entram marialvas e coristas<br />
entram galifões<br />
de crista.</p>
<p>Entram cavaleiros à garupa<br />
do seu heroísmo<br />
entra aquela música maluca do passodoblismo<br />
entra a aficionada e a caduca<br />
mais o snobismo<br />
e cismo…</p>
<p>Entram empresários moralistas<br />
entram frustrações<br />
entram antiquários e fadistas<br />
e contradições<br />
e entra muito dólar muita gente<br />
que dá lucro aos milhões.</p>
<p>E diz o inteligente<br />
que acabaram as canções.”<br />
 <br />
É de se estranhar ouvir uma música com o título de “Tourada”, pois tourada significa, além de seu significado literal, também tumulto, zombaria, luta, confusão etc..</p>
<p>Em Portugal, as touradas, que têm um longa tradição em toda a península ibérica, já foram proibidas pelo estadista Marquês de Pombal por causa de algumas mortes de personalidades, de relevo, que se deram em decorrência de touradas. Só em lugares bem específicos, em Portugal, existem algumas permissões, por lei, que garantem a manutenção dessa tradição histórica, mas em geral está proibido.</p>
<p>Diz-se que o próprio autor da canção se informou sobre termos técnicos de touradas, que não conhecera antes, para poder escrever a canção. Há realmente termos específicos de difícil entendimento, para quem não é da área de touradas, como por exemplo “bandarilhas” (eram espetos com bandeiras que foram cravados nos pobres touros), “forcados” (era um grupo de homens, a pé, que tinham o papel de entrar em determinado ponto da seqüência da tourada, para lutar contra os touros). E há outros termos no texto que nem “decodifiquei” ainda. Com calma vou à obra….</p>
<p>Mas o que se percebe rapidamente é que a tourada aqui, na canção, é apenas um cenário simbólico, não se trata de uma tourada com touros de verdade, o que está no palco é a tourada para derrubar o regime.</p>
<p>Leia-se por exemplo, a seguinte seqüência:</p>
<p>“só ficam os peões de brega<br />
cuja profissão<br />
não pega. Com bandarilhas de esperança<br />
afugentamos a fera<br />
estamos na praça<br />
da Primavera.</p>
<p>Nós vamos pegar o mundo<br />
pelos cornos da desgraça<br />
e fazermos da tristeza<br />
graça.”</p>
<p>Hoje em dia, no Youtube, as apresentações da canção podem ser visualizadas e ouvidas, aquilo é hilário. É realmente uma música bem divertida. Acho que no Brasil se diria que é uma musica um pouco brega, quer dizer, “brega” no sentido de “fora de moda”, ou, quem sabe, talvez cafona. Transmite um feliz sentimento um pouco antiquado de total inocência e ingenuidade, no qual, provavelmente, a censura caiu também.</p>
<p>Parece que até hoje há controvérsias. Alguns portugueses dizem que isso não é uma canção de oposição justamente porque foi apresentada num evento do lado do governo, como se nem sequer existisse a possibilidade teórica de uma contracomunicação. Mas fato é que o cantor Fernando Tordo ficou preso por alguns dias, depois da apresentação no Festival RTP da Canção. Mas daí, já era tarde. Já não se podia evitar a popularidade da canção e do cantor Fernando Tordo e sua subseqüente participação no Eurovision contest, em nível europeu, onde iria ganhar também. Foi solto então.</p>
<p>Agora, num nível mais geral e teórico, poder-se-ia talvez indagar se o longo convívio com a instituição da censura, em Portugal e no Brasil, tem levado a formulação de técnicas específicas de contracomunicação na tradição artística, desses dois países?</p>
<p>Achei um artigo interessante sobre o assunto da contracomunicação que coloco aqui como referência, mas o texto que aqui digitei é da minha autoria.</p>
<p>Eis a referência:</p>
<p>Luiz Costa Pereira Junior. 2006. A mensagem na garrafa. Língua Portuguesa, Ano I, Número 10, páginas 28 até 33.</p>
<p>——————————————————————<br />
O quiasmo que me comoveu</p>
<p>(maio 2008)</p>
<p>“…e depois você pensa um pouco sobre o que embaixo escrevi, você pode se perguntar se este ensaio vai ao encontro de você ou se você vai de encontro ao ensaio, quer dizer, à tela?”</p>
<p>Visitámos um espetáculo de uma banda que faz música folclórica. Conseguia, durante o espetáculo, apreciar bem o grande esforço que essa banda empreende para tocar músicas bem elaboradas, oriundas das mais diversas partes do mundo.</p>
<p>Sentindo-me a mim um pouco abstrato e distante durante a maioria do tempo, e não estando eu num estado digamos muito emotivo, a música em si, naquele dia, não me comovia muito. Até que, a certa altura do concerto, um único quiasmo chegou a comover-me mais do que toda a música:</p>
<p>Num pequeno intervalo de tempo, numa mera questão de segundos, fiquei comovido por um desabafo que saiu na forma de um quiasmo.</p>
<p>Os músicos quiseram tocar uma dança, mas de alguma forma não conseguiram achar o início, simplesmente não conseguiram começar a tocar, juntos, a dança.</p>
<p>O dirigente da banda foi anunciar o que tinha que anunciar e portanto, dirigido ao público, disse: “uma dança lá da Sicília…”, depois houve um silêncio algo desconcertado, os músicos não conseguiram cair todos juntos no ritmo certo, de forma bem concertada; alguma coisa não deu certo.</p>
<p>O dirigente repetiu, “…é uma dança lá da Sicília…”, depois percebeu que algum problema de coordenação entre os músicos persistia, que eles não começaram a tocar a música da dança siciliana….</p>
<p>repetiu então…”lá da Sicília….é uma dança”…</p>
<p>Isso me comoveu, quer dizer, comovido e tocado fiquei por essa repetição algo simétrica, mas invertida, das palavras…</p>
<p>Contudo, foi um quiasmo meramente acústico. O sentido da mensagem não mudou pela inversão da ordem das palavras.</p>
<p>Servindo, porém, também para a construção de antiteses ou antimetáboles, a formação planejada e racional de quiasmos é algo extremamente interessante. Daí, sim, pode-se usar a comoção emocional causada pela mera inversão simétrica do som das sílabas, para transmitir pensamentos dialéticos, como no famoso aforismo em latim:</p>
<p>“non ut edam vivo sed ut vivam edo”</p>
<p>(”Não vivo para comer, mas como para viver”)</p>
<p>A divisa entre o quiasmo meramente acústico, despreocupado, que nos comove emocionalmente – de forma quase musical -, e o quiasmo “profundo” que constrói antiteses, no pensamento, pode ser atravessada por um bom escritor.  </p>
<p>Por falar em quiasmo acústico, por acaso vi no programa “salão nobre”, da TV Senado, a entrevista com o sertanista e indigenista Sydney Possuela.</p>
<p>Ele disse, em determinado trecho da entrevista:</p>
<p>“ai, sim, mora um perigo”, com a intonação máxima na palavra “sim”, na sílaba “mo”, e depois diminuiu a intensidade do tom, até chegar na palavra perigo.</p>
<p>Depois repetiu a frase, “ai, sim, mora um perigo”, tornando, desta vez, a intonação um pouco mais forte apenas na sílaba “mo” de mora e três sílabas mais adiante pôs todo o peso da intonação na sílaba “ri” da palavra final, isto é, em “perigo”.</p>
<p>Então, fazendo só isso, ele já mudou um pouco o sentido da frase. Trocou a palavra  mais importante, primeiro acentuou a palavra “sim”, e depois deu mais ênfase na palavra “perigo”.</p>
<p>Com a voz sozinha já é possível, pois, criar um certo tipo de quiasmo, sem que se altere a ordem das palavras da frase.</p>
<p>Um tanto desalinhadas ainda, estas considerações, que fiz aqui, soam muito gerais, por enquanto. Mas como já escreveu José Saramago – um verdadeiro mestre dos quiasmos- num dos seus romances, ainda que me possa falhar aqui um pouco a memória: “vê-se-lhe o princípio, mas não se lhe vê o fim”……esse ditado, o leitor o verifique, se tenha a ver com o estudo de todos esses quiasmos ou se é outra coisa do que se trate. Deve ser lá alguma maneira de dizer que veio de Portugal… lá, de Portugal veio um quiasmo…lá é outra coisa, assim dizem, e mais uma outra coisa é tudo o que tem lá.</p>
<p>——————————————————————<br />
As minhas primeiras trovas  (fevereiro 2008)</p>
<p>(com esta poesia experimental tentei elucidar como é que fica quando você usa a língua meramente para fins poéticos, sem transportar nenhum conteúdo)</p>
<p>“poeta nascitur.”</p>
<p>——————————–<br />
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<p>TROVA número um</p>
<p>Lanos marbesam ruzo,<br />
Larão dum banbibeiro,<br />
malmam mercas aluso,<br />
serivem falcoseiro.<br />
              <br />
                —</p>
<p>TROVA número dois</p>
<p>Oula inda mor papolão,<br />
sira mumba chalidad´,<br />
fira na sundalidad´,<br />
parom cãpor lanolão.</p>
<p>               —</p>
<p>TROVA número três</p>
<p>Comcurim e litrofim<br />
panando giropilim,<br />
somunam perucosim<br />
farmentos lepocosim.</p>
<p>             —</p>
<p>(Explanações: Procurei, por meio destes versos, acertar a forma, e a forma apenas, conteúdo ainda não há. Talvez haverá conteúdo nos meus poemas futuros. Peço licença dos leitores que chegaram até aqui, mas, por favor, não deixem de ler os meus outros textos no “Recanto das letras”. Pois quando escrevo texto em vez de poesia, geralmente ponho algum conteúdo sim.)</p>
<p>Palavras-chave: redondilha maior, poema monostrófico, versos heptassílabos, rimas alternadas (ABAB), rimas opostas (ABBA).</p>
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<p>Primeiros esboços e fragmentos neomarxistas sobre a educação: o fetiche da mercadoria realmente existe? (parte 1)</p>
<p>(publicado no recanto das letras na virada do ano 2008/2009)</p>
<p>O atual ministro da educação do Brasil, Fernando Haddad, é, pelo que eu saiba, alguém que já obteve boa pontuação no meio acadêmico com sua produção intelectual fundamentada em filosofias vindas do marxismo. Digo isso aqui de passagem, do “ouvi dizer” etc., pois não sei do que se trata no fundo. Nunca estudei os livros do sr. Haddad. Infelizmente ainda não tive o tempo para isso, mas, escrevendo um ensaio sobre a educação e o marxismo, necessito de um gancho para o início do ensaio. E vai aqui então o nosso ministro da educação como gancho para eu poder aludir ao marxismo.</p>
<p>Continuando a desenvolver o gancho do ensaio, afirmo que comigo o negocio esteja talvez do jeito que as coisas andam também com o único prêmio nobel de Portugal, o qual é ao mesmo tempo o único prêmio nobel de literatura da língua portuguesa, ou seja, José Saramago. Também José Saramago se inspira nas teorias do marxismo. Diz Saramago, numa famosa entrevista, que para ele ser comunista é uma “fatalidade biológica”, isto é, uma questão “hormonal”. </p>
<p>(Eu entendo aqui “comunismo” filosoficamente como um mero raciocínio marxista, digamos, tudo isso são termos literários, haja vista que Saramago nunca foi daqueles que ergueram uma ditadura de verdade, quer dizer, mono-partidária com direito a arquipélagos do tipo “Gulag”, fuzilamentos em massa e tudo o mais que caracterizou o velho e bom comunismo quando posto em prática. Ah, falando em arquipélagos, aquele onde o Saramago vive pertence, afinal, a uma das últimas monarquias da Europa: à Espanha, e não à Siberia)</p>
<p>Bem, chega de ganchos e arquipélagos, começando com o ensaio propriamente dito, deixo aqui a raia livre para os meus hormônios e genes para as minhas palavras se juntarem e se manifestarem de forma produtiva:</p>
<p>O capitalismo nos confronta com as mais diversas contradições internas e contradições, sim, encontram-se também nas teorias marxistas que pretendem contribuir para um melhor entendimento do dito capitalismo. Quanto a mim, fiquei muito fascinado nos últimos tempos pela leitura do escritor marxista alemão Robert Kurz.</p>
<p>Como se sabe, é a critica ao proprio sistema de produção de mercadorias que está no cerne do pensamento de Kurz. Na epoca da Guerra Fria as democracias do oeste valorizaram a livre circulação do capital, das idéias e das pessoas, sendo que houve uma grande expansão da produção de bens e serviços neste periodo histórico, os estados socialistas do leste (quer dizer, do outro lado do muro), no entanto, já começaram industrialmente com fundamentos muito fracos em 1917, somam-se a isso os constrangimentos da ditadura, de forma que neles apenas patamares inferiores às democracias do oeste, em termos de bens e serviços, foram atingidos e isso se deu apenas por meios crueis e processos de modernização forçada em vez de democrática.</p>
<p>Contudo, para Kurz a questão crucial não é se o socialismo é melhor ou pior do que as democracias do oeste. Para Kurz ambos os sistemas sofrem dos mesmos males e precisam ser superados por uma critica ferrenha ao sistema de produção de mercadorias como tal.</p>
<p>Assim sendo, o fetiche da mercadoria, ou seja, uma relação entre pessoas, a qual é realizada meramente através de abstrações convencionadas sobre o valor das mercadorias, é o que é a raíz de senão todos pelo menos de muitíssimos males.</p>
<p>Bem, há outros pensadores como Michael Eldred, que mesmo que tenham lido Karl Marx não são seguidores de Karl Marx. Eldred diz que um tal de fetiche da mercadoria na verdade não exista. O valor das mercadorias, quer sejam bens ou serviços, seria o resultado de uma constante negociação entre os participantes do mercado que sabem o valor das coisas e sabem como negocia-lo. A concepção critica do capitalismo então não passa de um malentendimento do próprio Marx, o qual quisera derivar o valor das mercadorias a partir do trabalho que foi investido nelas, algo que evidentemente não pode funcionar conforme Eldred, pois há pessoas mais hábeis que, com menos trabalho, conseguem concluir mercadorias melhores que outras pessoas que, mesmo trabalhando muito, produzem menos e não tão bem.</p>
<p>Até aqui são todas abstrações, teorias apenas. Mas o que peguei na filosofia dos pragmatistas, isto é, numa tradição filosofica que inclui gente como Friedrich Nietzsche e Richard Rorty e muitos outros, é que se deve começar com as observações práticas.</p>
<p>E daí, veremos sem mais que o fetiche da mercadoria existe. É um dado objetivo. Por que comer no McDonalds é mais caro do que ir a um restaurante por quilo (com uma variedade muito maior) ? É que o McDonalds virou fetiche, o restaurante por quilo, ainda não.</p>
<p>Por que o McDonalds faz “McLanche feliz” para as crianças, adicionando ao lanche um brinquedo? A própria teoria do capitalismo não nos diz que cada empresa teria sucesso maior se se especializasse apenas no seu próprio ramo, onde já é especialista reconhecido?</p>
<p>Então o que é esse negocio de dar brinquedos para as crianças? É que os brinquedos ajudam a criar um fetiche em torno do McDonalds, atraindo assim a clientela das crianças. Uma vez dentro do McDonalds, os pais costumam comprar lanches para eles mesmos também, dando assim sucesso a esta marca. Um fetiche moderno muito adorado pelos adultos, o acesso gratuito a internet, é mais um truque para conseguir mais clientela que acaba se decidindo pela compra de um lanche uma vez dentro do McDonalds.</p>
<p>Uma outra observação prática que me confirma o fetiche da mercadoria é a entrega do lazer infantil a empresarios chineses. Quem tem crianças já deve ter observado que todos, quase todos os brinquedos infantis que abundam nas lojas e supermercados hoje em dia foram fabricados na China. Parece que os industriais da China, um país que conseguiu a incrível façanha de instaurar um governo comunista e uma sociedade capitalista, cheiraram esse incrível mercado de trabalho industrial que surge com a produção de brinquedos infantis.</p>
<p>Agora, vejamos, a criança deseja para si mesmo por exemplo um ou outro brinquedo do Ben 10, famoso heroi de desenho que ela conhece bem também dos filmes de desenho do “Cartoon Network” (sim, este canal cujo lema é “A gente faz o que quer”). Nós, os pais, compramo-lo e vemos o que? Sim, também os bonecos do Ben 10 foram produzidos na China, como, reiteramo-lo, praticamente todos os brinquedos, quer sejam da Hot-Wheels, da Dino-Froz, ou o que for. Vem tudo da China.</p>
<p>Chega? Então, vamos comprar um galão de água mineral para refrescar um pouco a nossa cuca, mas não sem antes brigar com nossos queridos pequenos que insistem na compra do refrigerante Schincariol “Guarana”, edição mini, pois ali tem mais desenhos do Ben 10! Uma interação dinamica entre brinquedos, Cartoon-Network, a China e um produtor de refrigerantes daqui do Brasil.</p>
<p>O fetiche da mercadoria existe. Não há dúvida. Ele é o obvio. O dado. A realidade. Não são precisas grandes abstrações, dispensam-se debates internos dentro do marxismo, ou outras coisas para entender isso. Podemos apenas debater sobre as conseqüencias. Mas que ele, o fetiche da mercadoria, existe, existe sim.</p>
<p>O fetiche é sistematicamente construído desde a infância. Pode abranger as mais variadas linhas de produção. Eu, na minha infância, tinha por exemplo uma época quando estava viciado em folders de turismo. Queria ler principalmente sobre os países onde há praias e sobre a Italia. Não sei por que. E falando nisso, por sinal, esse tal do turismo é um ramo interessante da produção de mercadorias fetichizadas. O Kurz escreve sobre isso num dos seus escritos. Por exemplo, quando o turismo vai bem em determinado momento, isso não quer dizer que as pessoas vão bem também e têm dinheiro sobrando pra viajar, quer dizer apenas que o mecanismo da mercadoria como fetiche esteja funcionando bem. Então até mesmo a percepção de países inteiros e sociedades, em princípio, poderia se dar dentro dos moldes de um fetiche da mercadoria.</p>
<p>Outras crianças querem um computador próprio quando têm apenas 7 anos de idade. Quem está as instando a cultivarem esses desejos de consumo em idade tão precoce? O que é exatamente esse mecanismo que pode estar funcionando como motor de fundo da nossa sociedade de consumo? E o que é que crianças farão com um computador nessa idade? Acho que apenas a mercadoria como fetiche explique isso.</p>
<p>Gente, a sociedade não pode por as crianças em risco. No transito devemos estar atentos, para as crianças não se machucarem. Nas praias de verão há bombeiros que vigiam as praias para as pessoas não se afogarem, no esporte as crianças devem ter uma roupa protetora adequada ao tipo de esporte, para elas não ficarem feridas. Quando andam de bicleta, usam capacete protegendo a cabecinha, e assim por diante. Quero dizer com isso, que a sociedade como um todo sempre adota medidas sistêmicas para proteger as criança. Claro, mesmo assim resta muita responsabilidade para os pais. Mas a sociedade vai em frente, junto com os pais. Há uma divisão de responsabilidade entre os pais e o sistema como um todo.</p>
<p>Agora, no que tange o consumo das crianças, aquilo que elas fazem quando os pais estão no trabalho, quando não há atividades escolares, nisso nos estamos numa selvajaria relativamente grande. Às vezes dá a impressão que a ordem do dia é: vamos dar um brinquedo chinês para elas ! Infelizmente.</p>
<p>E por que a educação anda mal? Uns dizem que anda mal porque os professores são mal pagos, outros dizem que anda mal porque os professores não se esforçam, mais outros dizem que anda mal porque os professores não estão atualizados. Raramente se percebe que a escola é somente parte da educação, mas não o todo. As nossas próprias percepções sobre a infância nos sugerem que crianças devam ter um certo tempo livre e um lazer também. Justamente por esse motivo não as sobrecarregamos com deveres escolares. O trabalho infantil hoje em dia está banido de há muito. Mas o que a sociedade faz para educar a criança em todo esse tempo livre? Apenas oferece-lhe opções de mercadorias tais como os brinquedos chineses, para transformá-la em boa participante futura da sociedade do fetiche da mercadoria? Podemos até mesmo perceber o “lazer” das crianças dentro de uma lógica da sociedade capitalista como a simples abertura de novos mercados para bens e serviços?</p>
<p>Desejo muito sucesso ao sr. Haddad e à educação do Brasil, mas não será fácil. Suponho que a educação terá que lidar com obstáculos intrínsecas da sociedade do fetiche da mercadoria, já tão cabalmente descrita por Karl Marx e depois por escritores mais modernos, tais como o já mencionado Robert Kurz. São problemas complexos de difícil solução. Não é só um problema ministerial que se resolve com algumas apostilas novas e redireção de algumas verbas ministeriais. É coisa profunda, pois devemos levar em conta a escola, o ambiente de trabalho dos pais e a familia. Mas creio que haja progresso também nesta questão, pois a sociedade como um todo pode melhorar e vai melhorando sim, se ela cuidar de seus mais valiosos membros, que são as crianças, os nossos modeladores do futuro. Terminei pois o meu ensaio com este parágrafo final que retomou, por questões de estilo, partes do gancho inicial, ou seja, o ministro da educação, dando todavia um tom otimista e uma mensagem final positiva ao leitor. Fica para o leitor decidir se este otimismo final do ensaio seja também apenas uma questão de estilo ou se tal esperança realmente caiba bem aqui.</p>
<p>———————————————————————————————-</p>
<p>Tradução de Friedrich Nietzsche &#8220;Die Fröhliche Wissenschaft&#8221;, 39. Im Sommer</p>
<p>(publicado no recanto das letras em 14/08/08)</p>
<p>Tradução de um trecho de Friedrich Nietzsche, do alemão para o português.<br />
                  &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>39. Im Sommer.<br />
Im Schweisse unseres Angesichts<br />
sollen unser Brod wir essen?<br />
Im Schweisse isst man lieber Nichts,<br />
Nach weiser Ärzte Ermessen.<br />
Der Hundsstern winkt: woran gebricht&#8217;s?<br />
Was will sein feurig Winken?<br />
Im Schweisse unsres Angesichts<br />
Soll&#8217;n unsren Wein wir trinken!</p>
<p>(Friedrich Nietzsche, &#8220;Die fröhliche Wissenschaft&#8221;)</p>
<p>                  &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<br />
   <br />
Procurando uma tradução para esta estrofe, esbarrei na seguinte versão:</p>
<p>&#8220;Comer nosso pão<br />
com o suor do nosso próprio rosto?<br />
Transpirando-se é melhor não comer nada<br />
sábio conselho dos médicos.<br />
Sob a canícula, o que nos falta?<br />
O que deseja seu signo de fogo?<br />
Com o suor do nosso rosto<br />
devemos beber nosso vinho.&#8221;</p>
<p>(excerto, citado da tradução por Márcio Pugliesi, Edson Bini e Norberto de Paula Lima, Universidade de São Paulo, Hemus, 1995)</p>
<p>                   &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>Eu, independentemente desta tradução, já andava guardando na minha gaveta uma versão própria que fiz num dia de &#8220;serendipity&#8221; e a qual publico:</p>
<p>                   &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br />
39. No verão</p>
<p> Devemos comer nosso pão<br />
 com o suor do nosso rosto?<br />
 Suando não se come nada não,<br />
 sábio e médico pressuposto.<br />
 A estrela no grande cão anuncia a canícula de verão,<br />
 e daí, o que faltara?<br />
 O que quer o seu acenar ardente?<br />
 Com o suor na nossa cara,<br />
 nosso vinho, bebemo-lo contente!</p>
<p>(Introduzi um verso a mais, tornando assim mais compreensível a semântica do original alemão, mantendo, porém, na minha tradução um esquema de rimas, que tinha se completamente perdido na versão de Pugliesi et al.. Assim, a versão de Pugliesi et al. acaba sendo mais parcimoniosa, a minha no entanto mais expressiva, talvez.)</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Agradeço-vos, aos meus mais de mil leitores. Obrigado a todos vós!</p>
<p>(publicado no recanto das letras em 19/08/08)</p>
<p>Prezadas senhoras e prezados senhores,</p>
<p>Confessar, confesso: eu sou um homem um pouco vaidoso *ainda que não muito* que pisca de vez em quando também nos números na tela. Explicando melhor: Volta e meia, quero simplesmente saber quantos leitores os meus textos consigam cativar ou alcançar, então, leio quantas vezes meus textos já foram visualizados.</p>
<p>E agora isto!</p>
<p>´Cês nem imaginam quão feliz fiquei ao aperceber-me do grande número de leitores! Ó aí ó, este número acima de mil! Notei que o meu texto que trata das declinações já foi lido mais de mil vezes! Quem diria&#8230;</p>
<p>Por isso, faço constar os meus sinceros agradecimentos a todos os leitores especialmente do texto &#8220;Cada caso é um caso (casos na língua portuguesa)&#8221;.</p>
<p>Gente,<br />
aproveitem bastante e leiam também os meus outros textos, entrem em contacto comigo através da opção &#8220;contato&#8221;, façam sugestões, enfim, interajam comigo, se quiserem; é importante isso, pois sabendo de suas impressões, posso melhorar mais ainda os meus textos, para, um dia, realmente estar na ponta do casco.</p>
<p>Pois é, mas agora paro por aqui e faço um ponto com a ponta da minha caneta,</p>
<p>(metaforicamente falando é claro o que se quer dizer aqui, pois bem se sabe que na verdade serão os meus dedos no teclado e não a ponta de uma caneta que farão o ponto, mas &#8220;teclar&#8221; é metáfora nova enquanto &#8220;caneta&#8221; é metáfora velha e gostam os fãs da língua em geral de usar metáforas velhas para eles se comunicarem em situações novas, isso soa muito mais romântico do que entrar numa situação nova sem ter metáforas velhas&#8230;)</p>
<p>de todo jeito, valeu, minhas caras senhoras e meus caros senhores!</p>
<p>   felicidades,  um grande abraço a todos vós, </p>
<p>Thomas Schlemmermeyer</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[]]></title>
<link>http://linguaespanhola.wordpress.com/2009/08/09/15/</link>
<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 01:25:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>fsmoraes</dc:creator>
<guid>http://linguaespanhola.wordpress.com/2009/08/09/15/</guid>
<description><![CDATA[EL GERÚNDIO 1)   Gerundio Regular Observa la terminación de los verbos en gerundio: Ejemplos de la 1]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong><span style="text-decoration:underline;"><img class="aligncenter size-full wp-image-16" src="http://linguaespanhola.wordpress.com/files/2009/08/mafalda.jpg" alt="" width="226" height="320" /></span></strong></p>
<h2><span style="color:#ff0000;">EL GERÚNDIO</span></h2>
<p><span style="color:#3366ff;"><strong>1)   Gerundio Regular</strong></span></p>
<p>Observa la terminación de los verbos en gerundio:</p>
<ol>
<li>Ejemplos de la 1ª conjugación (ar→ando)</li>
</ol>
<p>andar→and<strong>ando</strong>                  hablar→habl<strong>ando</strong>    llamar→llam<strong>ando  </strong></p>
<p> </p>
<ol>
<li>Ejemplos de la 2ª y 3ª conjugación (er→iendo/ ir→iendo)</li>
</ol>
<p>deber→deb<strong>iendo   </strong>     vender→vend<strong>iendo</strong></p>
<p>partir →part<strong>iendo  </strong>     escribir→escrib<strong>iendo</strong></p>
<p> </p>
<p><span style="color:#3366ff;"><strong>2)   Gerundio Irregular</strong></span></p>
<p>Los verbos abajo presentan gerundio irregular:</p>
<ol>
<li>Verbos de la 3ª conjugación (ir) que tienen cambio vocálico en la 3ª persona (singular y plural) del pretérito perfecto simple. Ejemplos:</li>
</ol>
<p>Sentir →sintiendo       pedir→pidiendo      morir→muriendo     dormir→durmiendo</p>
<p> </p>
<p>De esa misma manera se forma el gerundio de los verbos: mentir, preferir, decir, divertir, advertir, medir, vestir, reír, seguir, repetir, despedir, servir, etc.</p>
<p> </p>
<ol>
<li>El verbo poder (2ª conjugación), que también tiene cambio vocálico en la 2ª persona (singular y plural) del pretérito perfecto simple:</li>
</ol>
<p>Poder →pudiendo</p>
<p> </p>
<ol>
<li>Verbos terminados en –EER, -UIR, &#8211; AER →yendo</li>
</ol>
<p>leer→le<strong>yendo </strong>       construir→construyendo        traer→trayendo</p>
<p> </p>
<ol>
<li>Verbo IR→ yendo</li>
</ol>
<p> </p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Rellena los huecos del poema con los verbos indicados entre paréntesis en la forma del gerundio.</span></strong></p>
<p><strong> </strong>María está ___________ (cantar) la vida.</p>
<p>Y José está ___________ (contar) dinero.</p>
<p>Manuel está ____________ (jugar) la suerte.</p>
<p>Y Juan está _____________ (perder) su tiempo.</p>
<p>El niño está ______________ (dormir)</p>
<p>Y su hermana ______________ (llorar)</p>
<p>La abuela lo está ____________ (oír)</p>
<p>Y ___________ (fumar) un puro.</p>
<p>El vecino está ___________ (beber) amarguras.</p>
<p>Y la vecina sigue ___________ (cocinar) para el marido.</p>
<p>Atónita&#8230;</p>
<p>La paloma sale ____________ (volar)</p>
<p>Y el perro la está ___________ (mirar) descontento.</p>
<p>El obrero, agobiado, ______________ (trabajar)</p>
<p>Y su familia de tanto esperar, le sigue _____________ (esperar)</p>
<p>Y la vida les sigue _____________ (exigir)</p>
<p>Los amantes ardientes están _____________ (abrasarse)</p>
<p>Y los poetas ______________ (delirar) coplas de amor.</p>
<p>Los cantantes están _____________ (entonar) acordes disonantes.</p>
<p>Y el intelectual sigue ______________ (razonar) absurdos brillantes.</p>
<p>Todo está en su sítio.</p>
<p>Todo está _____________ (marchar).</p>
<p>Sólo yo, mi amor, que de tanto pensar en ti,</p>
<p>Me estoy __________________ (olvidar) de vivir.</p>
<p>Sólo me acuerdo de seguir ________________ (amar)</p>
<p> </p>
<h2><span style="color:#ff0000;">TEXTOS</span></h2>
<p> </p>
<p><strong><span style="color:#800080;">(Pucrs)      ¿PERO QUÉ ES UN REALITY SHOW?</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;">      Los reality shows están de moda, pululan por todo el mundo, y no hay canal que no desee entregar su cuota de realidad a los mirones que se pegan a la llamada &#8220;caja boba&#8221; para seguir día a día la vida de unos extraños que, pasado un tiempo, se convierten en amigos o enemigos, según el caso. No se trata de un fenómeno europeo o norteamericano exclusivamente; es un proceso que se ha venido desarrollando en los diversos continentes y que ahora se encuentra presente en las programaciones de los canales más importantes del mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">     Pero qué es un reality show? Es un programa de televisión donde un grupo de personas comunes y anónimas permite que sus vidas sean grabadas durante las veinticuatro horas del día. Generalmente se encuentran encerradas en un sitio común, y pueden estar compitiendo por un premio o simplemente jugando al juego de vivir con extraños.</p>
<p style="text-align:justify;">     Los antecedentes de este tipo de espacio son varios, entre ellos, el cine, cuando trata de representar la realidad, y los documentales que narran hechos cotidianos. Sin embargo, ninguno logró lo que estos programas: crear una historia real en un tiempo real, que genera un vínculo emocional con el televidente.</p>
<p style="text-align:justify;">     Mirar la vida del otro y soñar con convertirse en una estrella, son parte de las razones que han marcado el éxito de este tipo de programas, que podrían ser tomados como objeto de estudio de la sociedad, ya que reflejan hábitos, actitudes, comportamientos y aspectos culturales de la misma.</p>
<p style="text-align:right;">                 (www.minipunto.com, adaptado)</p>
<p><strong> Las tres formas de gerundio correctas son:</strong></p>
<p> a) construyendo, pudiendo y encontrando.</p>
<p>b) permitiendo, ocupando y traducindo.</p>
<p>c) comunicando, estando y enriquecendo.</p>
<p>d) perdiendo, queriendo y comprendendo.</p>
<p>e) deciendo, conviviendo y pareciendo.</p>
<p> </p>
<p><span style="color:#800080;"><strong> (Pucrs)           ¿LARGA VIDA A LOS MEDIOS?</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;">      Periódicamente aparecen estudios acerca del consumo de información de la ciudadanía y del futuro de los medios de comunicación. Se acaba de publicar un informe sobre cómo las nuevas tecnologías van a afectar a los medios de comunicación en los próximos quince años. Un panel de expertos ha levantado varias hipótesis relacionadas con cuatro ejes: la transformación de los medios, los canales de distribución, las audiencias y las condiciones del entorno. Según la mayoría, el peso que va a tener la audiencia será cada vez mayor. Los medios pasarán de centrarse en la oferta a hacerlo en la demanda. ¤Ello hará inevitable que el periodismo sea más participativo. Los jóvenes reclaman medios especializados y adaptados a sus intereses; los nuevos medios que aparezcan deberán ajustar ritmos de producción y concepto comunicativo para atender esas exigencias.</p>
<p style="text-align:justify;">     En cuanto al impacto de Internet, los profesionales se dividen entre los que creen que perjudicará a la prensa y los que creen que no lo hará. El reto, ahora, es cómo £atraer a los nuevos públicos y cómo dar respuesta a las necesidades de una audiencia cada vez más activa. La longevidad de los medios tradicionales usados actualmente parece depender de su adaptación a las nuevas circunstancias y de su capacidad de mutación.</p>
<p style="text-align:right;">      &#8220;La Vanguardia&#8221;, abril, 2004, adaptado.         </p>
<p><strong> El verbo que tiene la misma terminación de &#8220;atraer&#8221; (ref.2) en la forma de gerundio es:</strong></p>
<p>a) precaver.</p>
<p>b) dividir.</p>
<p>c) ceder.</p>
<p>d) depender.</p>
<p>e) incluir.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Anacolutos]]></title>
<link>http://cuadernodetesis.wordpress.com/2009/07/22/anacolutos/</link>
<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 13:16:14 +0000</pubDate>
<dc:creator>Marita Grillo</dc:creator>
<guid>http://cuadernodetesis.wordpress.com/2009/07/22/anacolutos/</guid>
<description><![CDATA[Un anacoluto es una inconsecuencia sintáctica; las oraciones largas propician la aparición de este e]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Un anacoluto es una inconsecuencia sintáctica; las oraciones largas propician la aparición de este error gramatical, pues suele &#8220;olvidarse&#8221; algún elemento que queda inconexo o incompleto.<br />
Casi siempre aparece cuando una construcción interrumpe otra.</p>
<p>En los trabajos del taller encontré varias de estas frases incompletas, que les propongo considerar:</p>
<ol>
<li>Encontrar al responsable de asegurar que algún tipo de artículo no sea publicado cuando contienen datos falsos.</li>
<li>Haciendo referencia al caso del veterinario Dr. Hwang Woo Suk, que fue considerado fraude mundial, a raíz de que se proclamó públicamente curador de muchas enfermedades.</li>
<li>Si bien el caso más común de inconductas es la autoría injustificada, que se basa en la ignorancia del significado de ser un autor cuando no se es. Es el vandalismo una de las peores formas de inconducta científica, sin ningún tipo de consentimiento del autor.</li>
<li>Más aún teniendo en cuenta que el mal obrar de una persona puede generar falsas expectativas y consecuencias en el prójimo.</li>
<li>Es en un momento como este, en el cual ocurren situaciones como la generada por el Dr. Hang Woo Suk, quien, por momentos, fue candidato para el premio Nobel.</li>
<li>El impacto de las inconductas éticas, en el campo de la investigación, sobre el prestigio de los científicos y las consecuencias que pueden trasladar a otros campos de la ciencia no involucrados en el fraude.<!--more--></li>
</ol>
<p><strong>En la frase 1</strong> se olvidó acompañar al infinitivo de un verbo conjugado. El infinitivo inicial es propio del discurso instruccional (<em>Plegar la plancha por las líneas de puntos, Armar la caja pasando las pestañas por las hendiduras</em>). Es muy habitual en la lengua oral: <em>Agradecer a todos su presencia</em> (en vez de <em>Les agradezco su presencia</em>, por ej).<br />
Entonces, convendría decir: <em>hay que, conviene, es preciso, se debe,</em>  en fin, algún verbo que admita el infinitivo (<em><strong>queremos </strong>encontrar al responsable&#8230;</em>)</p>
<p><strong>La frase 2 </strong>se abre con un gerundio. Ya les comenté que los gerundios <strong>son plaga</strong> y aparecen donde menos se los espera. <em><img class="alignright" style="height:130px;border:black 1px solid;margin:0;" src="http://cachens.corbis.com/CorbisImage/170/21/52/2082/21522082/42-21522082.jpg" alt="Woman Holding Drink With Bug On Her Head" /><br />
</em>Se desaconseja abrir una frase con un gerundio, pues suele introducir una circunstancia, y si el período es extenso, falta saber <em>quién </em>hizo<em> qué</em> antes del <em>cómo</em>. Muchas veces, el error consiste en colocar un punto para no alargar la oración, y se deja al gerundio suelto, cuando antes de poner el punto, ese gerundio dependía del verbo de la oración anterior. Un ejemplo:</p>
<p style="padding-left:60px;"><em>Desde hace doce años, nos dedicamos a realizar el mejor packaging y elementos de promoción para sus productos. Ejecutando cada paso en nuestros talleres, con el cuidado de los viejos artesanos y la eficiencia y economía que permite nuestra tecnología.</em></p>
<p>Nos concentraremos en el gerundio, aunque el texto tiene otros errores. Se ve claramente que &#8220;ejecutando&#8221; depende de &#8220;nos dedicamos&#8221;. En este caso, basta con conjugarlo: <em>Ejecutamos cada paso en nuestros talleres&#8230;</em></p>
<p><strong>La frase 3 </strong>promete algo que no nos dará. Este error es típico de aperturas con enlaces restrictivos, que matizan o presentan objeciones (<em>a pesar de que, si bien, aunque&#8230;</em>). Suele olvidarse el enlace y se sigue con otra cosa. La oración también fue interrumpida por un punto innecesario después de <em>cuando no se es</em>. De paso, observemos las repeticiones de <em>ser (es la autoría injustificada, ser un autor, cuando no se es, es el vandalismo).</em></p>
<p>En la <strong>frase 4,</strong> un punto ha separado la frase de la oración precedente. Otra cosa: no es lo mismo <em>aún</em> que <em>aun</em>. <em>Aún </em>significa &#8220;todavía&#8221; y <em>aun</em>, &#8220;incluso&#8221;. En <em>más aun</em> corresponde el segundo adverbio.</p>
<p><strong>La frase 5</strong> es una suma de pronombres y de frases subordinadas. En clase lo ilustramos con las imágenes de las cajas chinas o a las matroshkas, <img class="alignright" style="border:black 1px solid;margin:2px;" src="http://cachens.corbis.com/CorbisImage/170/10/48/7704/10487704/CJ007980.jpg" alt="Matroshkas" width="174" height="106" /><img class="alignright" style="border:black 1px solid;margin:3px 1px;" src="http://cachens.corbis.com/CorbisImage/170/12/23/3003/12233003/U1755790.jpg" alt="Cajas chinas" width="174" height="104" /> pues se abren subordinadas tras subordinadas; en este caso, se encabezan construcciones con <em>en el cual, como </em>y<em> quien. </em> La primera es una promesa: &#8220;es en un momento como este&#8221;&#8230; y esperamos que se nos diga qué pasa en un momento como este.</p>
<p>En la <strong>frase 6,</strong> un largo sujeto ha quedado viudo de verbo. También se abren construcciones subordinadas y no llega el verbo principal para &#8220;el impacto&#8221;.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[El gerundio]]></title>
<link>http://cuadernodetesis.wordpress.com/2009/07/20/el-gerundio/</link>
<pubDate>Mon, 20 Jul 2009 20:56:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>Marita Grillo</dc:creator>
<guid>http://cuadernodetesis.wordpress.com/2009/07/20/el-gerundio/</guid>
<description><![CDATA[Pese a toda advertencia de evitar usos y abusos, el gerundio prolifera como plaga en la prosa inform]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Pese a toda advertencia de evitar usos y abusos, el gerundio prolifera como plaga en la prosa informativa.</p>
<p>Bien usado, es útil para expresar duración o progreso de la acción (&#8220;estamos trabajando para usted&#8221;), para indicar acciones simultáneas (no es lo mismo &#8220;habla susurrando&#8221; que &#8220;habla vociferando&#8221;), relaciones de tiempo, causa y modo (&#8220;tratando a la gente así, no conseguirás nada&#8221;).  Es muy eficaz en títulos, pies de fotos o epígrafes (<em>Cantando bajo la lluvia</em> es un buen ejemplo).<!--more--></p>
<p>Es una de las formas no personales del verbo o verboides. En las frases verbales, indica duración o progreso: <em>andan murmurando, sigue mejorando</em>. Expresa simultaneidad cuando acompaña a un verbo conjugado, con valor de circunstancial de modo: en <em>bajó las escaleras saltando</em>, ambas acciones (bajar y saltar) corresponden al mismo sujeto; por eso son incorrectas construcciones como *<em>nació en Montevideo, siendo sus padres argentinos</em>, porque el gerundio tiene otra persona por sujeto.<br />
El gerundio de posterioridad es incorrecto: *<em>Los otros cuatro fallecidos habrían sido despedidos con el asiento trasero de la combi, estrellando sus cabezas contra la construcción de hormigón del puente</em>. Debe decirse: <em>y estrellaron sus cabezas…</em><br />
Por tratarse de un adverbio verbal, el gerundio con función adjetiva es incorrecto: *<em>caja conteniendo diez comprimidos</em>; debe decirse <em>caja de diez comprimidos, </em>por ejemplo (Grillo, <em><a href="http://www.lacrujiaediciones.com.ar/index.php?option=com_content&#38;task=view&#38;id=59&#38;Itemid=33" target="_blank">Los textos informativos</a></em>, s.v. &#8220;gerundio&#8221;).</p>
<p>De los trabajos prácticos de nuestra semana intensiva, veamos varios casos de gerundios incorrectos para comentar:</p>
<ol>
<li>*Las acusaciones aumentaron y Hwang se transformó en la desgracia de Corea deshonrando a la ciencia de su país.</li>
<li>*El caso del doctor Hwang Woo Suk pone en evidencia los límites de la investigación científica cuando se subordina a intereses personales, económicos o políticos, solapándose el campo de la ciencia con su impacto mediático, propiciando inconductas que vulneran sus códigos éticos.</li>
<li>*Primero la noción de “ética profesional” adquiere relevancia siendo el conjunto de normas morales que rigen la conducta humana.</li>
<li>*El único fin debería ser buscar el bienestar humano, apoyándose en publicaciones válidas, asumiendo responsabilidades éticas irrenunciables.</li>
</ol>
<p> Comentarios: </p>
<ol>
<li>Es un caso de gerundio de posterioridad con valor causal: <em>Las acusaciones aumentaron y Hwang se transformó en la desgracia de Corea, por lo que deshonró a la ciencia de su país.</em></li>
<li>Hay dos gerundios incorrectos. El primero tiene un sujeto distinto de los verbos conjugados. Los verbos <em>pone (en evidencia) </em>y <em>subordina</em> tienen por sujeto <em>el caso (del doctor&#8230;). </em>El gerundio <em>solapándose</em> tiene por sujeto <em>el campo de la ciencia</em>.<br />
El segundo gerundio, de posterioridad, depende del anterior.<br />
Mi propuesta: <em>El caso del doctor Hwang Woo Suk pone en evidencia los límites de la investigación científica cuando se subordina a intereses personales, económicos o políticos, cuando se solapa el campo de la ciencia con su impacto mediático, lo que propician inconductas que vulneran sus códigos éticos.<br />
</em>Además, haría dos oraciones de esta oración, que es extensa.</li>
<li>Si bien este gerundio tiene por sujeto el mismo del verbo (<em>la noción de ética profesional</em>), el problema es de sentido: la noción de ética no <em>adquiere </em>relevancia <em>siendo; adquiere relevancia porque es</em>.</li>
<li>Otro doblete de gerundios. Tal vez, dando vuelta la frase, resulte mejor:  <em>[El científico,] apoyándose en publicaciones válidas, asumiendo responsabilidades éticas irrenunciables, debiera perseguir un único fin: el bienestar humano.</em> <br />
Puede simplificarse: <em>Con publicaciones válidas, asumiendo responsabilidades éticas irrenunciables, [el científico] debiera perseguir un único fin: el bienestar humano.</em></li>
</ol>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Gerúndio]]></title>
<link>http://fabioricardo.wordpress.com/2009/06/23/gerundio/</link>
<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 19:56:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fábio Ricardo</dc:creator>
<guid>http://fabioricardo.wordpress.com/2009/06/23/gerundio/</guid>
<description><![CDATA[- Boa tarde, senhor Valdir. Eu poderia estar conversando com o senhor um momentinho? Assim começava ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>- Boa tarde, senhor Valdir. Eu poderia estar conversando com o senhor um momentinho?</p>
<p>Assim começava o dia de Valquíria. Com a voz irritantemente estridente atingindo com força os tímpanos do cidadão ao lado do telefone. Ao mesmo tempo em que ele, invariavelmente, contorcia os músculos do rosto em clara indigestão sonora, ela erguia o canto dos lábios num sorriso sacana.</p>
<p>- Eu gostaria de estar oferecendo ao senhor um novo produto de uma nova promoção que gostaríamos que o senhor estivesse vindo a fazer parte.</p>
<p>Valquíria é uma mulher inteligente, sabe há anos que o gerúndio não se faz necessário. Mas sabe, também, que ele é terrivelmente odiado. E é por isso mesmo que insiste em usar cada sílaba de forma tônica, em um destaque mortal. A resposta, normalmente, é a mesma:</p>
<p>- Não, obrigado. Não tenho interesse.</p>
<p>- Mas senhor, o senhor ainda nem descobriu do que se trata este produto que nós gostaríamos que o senhor estivesse adquirindo. E se for – e olha que é! – uma super promoção irresistível, que o senhor com certeza estaria tendo interesse em adquirir? Imagina só a oportunidade que o senhor estaria deixando de aproveitar, não é mesmo?</p>
<p>- Mesmo assim, não tenho interesse. Tenha um bom dia.</p>
<p>- Mas que falta de educação, meu senhor. Já me despachando assim, dessa forma rude? O senhor nem deixou que eu estivesse lhe dizendo o meu nome e já vai me enxotando que nem cachorro magro?</p>
<p>- Tá bom, me desculpe. Como é seu nome?</p>
<p>- Walquíria Elizabeth das Graças de Jesus. Walquíria com dábliu, Elizabeth com zê e tê agá, e Graças de Jesus normal mesmo, né? Porque nas Graças de Jesus a gente não pode mexer não.</p>
<p>Repetia a cada ligação a mesma frase, puxando uma risada anasalada ao final da explicação. Valquíria de Albuquerque Ferreira e Braga não tinha o nome com “dábliu” e muito menos as Graças de Jesus junto a si, cética que é. Mas isso também era uma ótima ferramenta para manipular o pobre senhor Valdir, ou quem quer que fosse, ao outro lado da linha. Valquíria era sádica, explorava o sofrimento do homem que, angustiado, já deveria estar olhando para o relógio, na outra ponta da ligação.</p>
<p>- Desculpe, Dona Walquíria, mas&#8230;</p>
<p>- Walquíria Elizabeth, por favor. Com dábliu e zê, tê e agá, lembra?</p>
<p>- Isso, isso. Dona Walquíria Elizabeth, me desculpe mas não tenho interesse em comprar nada não.</p>
<p>- Mas meu senhor! E quem falou em comprar? Não lhe disse agorinha mesmo que nós gostaríamos é que o senhor estivesse vindo a fazer parte de um seletíssimo grupo de clientes que já estão fazendo bom uso de nosso produto?</p>
<p>- Sim, mas&#8230;</p>
<p>- Então, meu senhor, tudo o que o senhor precisa fazer, é confirmar alguns dados para nós estarmos fazendo o seu cadastro junto ao nosso sistema, e o senhor já poderá estar desfrutando de nossos benefícios. O nome do senhor é Valdir Souza da Silva?</p>
<p>- Não, não. É Valdir de Souza Silva.</p>
<p>- Ah, sim. O senhor aguarde um minutinho que eu vou estar atualizando o nosso sistema.</p>
<p>No momento em que a música – uma bossa nova irritantemente calma – começava a tocar, Valquíria afastava o fone do rosto, se reclinava na cadeira e acendia um cigarro. A cada ligação, o mesmo processo. Pegava a caneta tinteiro e marcava suas anotações no formulário de pesquisa que tinha sobre a mesa. Nome, idade, escolaridade, número de filhos, profissão, tempo de permanência na ligação telefônica, grau de irritabilidade. Todos os dados de Valdir descritos detalhadamente no formulário que havia projetado para sua tese de doutorado.</p>
<p>- Senhor Valdir, nosso sistema se encontra temporariamente fora do ar. O senhor poderia estar aguardando mais uns minutinhos na linha enquanto estaremos restabelecendo a nossa conexão com o servidor?</p>
<p>- Olha, não tenho interesse não. Já estou atrasado, pois quando você ligou, eu estava de saída.</p>
<p>- Mas senhor, se o senhor vir a estar desligando o telefone, não vai poder estar vindo a fazer parte do nosso seletíssimo grupo de clientes.</p>
<p>- Não tenho interesse, passar bem.</p>
<p>Valquíria colocava, após cada ligação, o telefone de volta no gancho. Desligava o gravador e anotava os dados. Em cima da mesa, pilhas diversas de papéis demonstravam os resultados de sua pesquisa sobre o grau de irritabilidade dos moradores de uma grande cidade ao telefone. Anotava mais um X no formulário enquanto sorria, ao perceber que mesmo após quatro meses de dezenas de ligações diárias, nenhum entrevistado sequer perguntara qual era o produto em questão.</p>
<p><em><br />
</em></p>
<p><em>***publicado originalmente no projeto literário <a title="Duelo de Escritores" href="http://www.duelodeescritores.com" target="_blank">Duelo de Escritores.</a> O tema da rodada pede para contarmos as histórias dela, a Valquíria.</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Chi ci aiuta?]]></title>
<link>http://legvaldicornia.wordpress.com/2009/06/05/chi-ci-aiuta/</link>
<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 15:46:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>legvaldicornia</dc:creator>
<guid>http://legvaldicornia.wordpress.com/2009/06/05/chi-ci-aiuta/</guid>
<description><![CDATA[Il gerundio e il cappello. Rossella Vita ( dal sito Golem l&#8217;Indispensabile, 05/06/09) Provo da]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Il gerundio e il cappello. Rossella Vita ( dal sito Golem l&#8217;Indispensabile, 05/06/09) Provo da]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Palavras que ferem, palavras que salvam]]></title>
<link>http://linguafalada.wordpress.com/2009/06/04/palavras-que-ferem-palavras-que-salvam/</link>
<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 04:10:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cidinha Spirandellli</dc:creator>
<guid>http://linguafalada.wordpress.com/2009/06/04/palavras-que-ferem-palavras-que-salvam/</guid>
<description><![CDATA[Pompeu de Toledo O artigo saiu na Revista Veja em 25/3/09 e é do Roberto Pompeu de Toledo. Ótimo. O ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div class="mceTemp"><span><span><span><span></p>
<div id="attachment_57" class="wp-caption alignright" style="width: 90px"><img class="size-full wp-image-57 " title="roberto_toledo" src="http://linguafalada.wordpress.com/files/2009/06/roberto_toledo.jpg" alt="Roberto Pompeu de Toledo, para a Veja" width="80" height="100" /><p class="wp-caption-text">Pompeu de Toledo</p></div>
<p>O artigo saiu na Revista Veja em 25/3/09 e é do Roberto Pompeu de Toledo. Ótimo. O que sempre quisemos comentar. Tem coisa mais irritante que&#8230; bem, leia aí embaixo! Publicamos alguns trechos e disponibilizamos a íntegra em um link ao final. Caso não tenha gostado, você pode &#8216;estar deixando&#8217; seu comentário. &#8216;Vamos estar entrando&#8217; em contato para saber se &#8216;podemos ajudar&#8217;!? &#8216;É só aguardar&#8217;.</span></span></span></span></div>
<div class="mceTemp">
<p><span><span><em>“<strong>Posso ajudar?</strong>” Eis duas palavrinhas que nos soam mais que familiares. Entra-se numa loja e lá vem: “Posso ajudar?”. Está desencadeado um processo durante o qual não mais conseguiremos nos livrar da prestimosa oferta. Ao entrar numa loja, o ser humano necessita de um tempo de contemplação. Precisa se acostumar ao novo ambiente, testar a nova luminosidade, respirar com calma o novo ar. Sobretudo, necessita de solidão para, por meio de um diálogo consigo mesmo, distinguir entre os objetos expostos aquele que mais de perto fala à sua necessidade, ao seu gosto ou ao seu desejo. A turma do “posso ajudar” não deixa. Mesmo que se diga “Não, obrigado; primeiro quero examinar o que há na loja”, ela só aparentemente entregará os pontos. Ficará por perto, olhando de esguelha, como policial desconfiado. </em></span></span><em>(&#8230;)</em></div>
<div class="mceTemp"><span><em><span><em><span><em><img class="alignleft size-full wp-image-60" title="em_que_posso_ajudar" src="http://linguafalada.wordpress.com/files/2009/06/em_que_posso_ajudar.jpg" alt="em_que_posso_ajudar" width="165" height="169" /></em></span></em></span>Ainda se fossem outras as palavrinhas – <strong>&#8220;Posso servi-lo? Precisa de alguma informação?&#8221;</strong> Não; o escolhido é o &#8220;posso ajudar&#8221;, traduzido direto do jargão dos atendentes americanos (&#8220;May I help you?&#8221;). A má tradução das expressões comerciais americanas já cometeu uma devastação no idioma ao propagar o doentio surto de gerúndios (<strong>&#8220;Vou estar providenciando&#8221;, &#8220;Posso estar examinando&#8221;</strong>) que, do telemarketing, contaminou outros setores da linguagem corrente. O &#8220;posso ajudar&#8221; é caso parecido. Tal qual soa em português, mais merecia respostas como: &#8220;Pode, sim. Meu carro está com o pneu furado. Você pode trocá-lo?&#8221;. Ou: &#8220;Está quase na hora de buscar meu filho na escola. Você faz isso por mim? Assim me dedico às compras com mais sossego&#8221;.</em></span></div>
<p><span><em>Pode haver algo mais irritante do que o &#8220;posso ajudar&#8221;? Pode. É o <strong>&#8220;é só aguardar&#8221;</strong>. Este é próprio dos lugares em que se é obrigado a esperar para ser atendido – o banco, o INSS, o hospital, o cartório, o Detran, a delegacia da Polícia Federal em que se vai buscar o passaporte. Ou bem há uma mocinha distribuindo senhas ou um mocinho organizando a fila. Chega-se, a mocinha dá a senha, o mocinho aponta o lugar na fila, e tanto a mocinha quanto o mocinho dirão em seguida: &#8220;Agora é só aguardar&#8221;. </em></span><span><em>(&#8230;) Um traço característico da turma do &#8220;é só aguardar&#8221; é que ela nunca cometerá a descortesia de dizer &#8220;é só esperar&#8221;. Seus chefes lhes ensinaram que é mais delicado, menos penoso, &#8220;aguardar&#8221; do que &#8220;esperar&#8221;. É um pouco como quando se diz que fulano <strong>&#8220;faleceu&#8221;</strong>, em vez de dizer que &#8220;morreu&#8221;. A crença geral é que quem falece morre menos do que quem morre. No mínimo, morre de modo menos drástico e acachapante. </em></span></p>
<p><span><strong>Na íntegra:</strong> <a href="http://veja.abril.com.br/250309/pompeu.shtml">http://veja.abril.com.br/250309/pompeu.shtml</a></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Morte ao Gerundismo]]></title>
<link>http://janeladecima.wordpress.com/2009/05/22/morte-ao-gerundismo/</link>
<pubDate>Fri, 22 May 2009 18:56:45 +0000</pubDate>
<dc:creator>Roberta Simoni</dc:creator>
<guid>http://janeladecima.wordpress.com/2009/05/22/morte-ao-gerundismo/</guid>
<description><![CDATA[Antes de relatar o meu último encontro com o Gerundismo, aquele %$#@!*&amp;¨%$##%$@!*&amp;¨$#&#8230;]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><a href="http://janeladecima.wordpress.com/files/2009/05/burro.jpg"><img class="size-medium wp-image-1189 aligncenter" style="margin-top:1px;margin-bottom:1px;border:0;" title="Operador de Telemarketing" src="http://janeladecima.wordpress.com/files/2009/05/burro.jpg?w=151" alt="Operador de Telemarketing" width="151" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Antes de relatar o meu último encontro com o Gerundismo, aquele %$#@!*&#38;¨%$##%$@!*&#38;¨$#&#8230; vou transcrever aqui o que o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gerundismo" target="_blank">Wikipédia</a> me disse: <em>&#8220;O Gerundismo é uma locução verbal que consiste no uso sistemático de verbos no gerúndio, cujo emprego é relativamente recente no português, particularmente o brasileiro.<sup> </sup>A concordância da construção com a sintaxe do português não é ponto pacífico, sendo, por vezes, considerada um vício de linguagem. O Gerundismo foi estigmatizado graças ao seu emprego constantemente impreciso semanticamente e ao preconceito lingüístico.&#8221;</em></p>
<p style="text-align:justify;">Ou seja, o Gerundismo é uma droga (se é um vício de linguagem, é uma droga) criada e traficada pelos <em><strong>Operadores de Telemarketing</strong></em>, que possuem uma rede de distribuição tão grande e poderosa que já pode ser enquadrada na categoria de crime organizado. A droga tem sido tão consumida que está desbancando a cocaína, a maconha, o crack, o LSD, a Heroína, o Ecstasy, o álcool, o tabaco, o lança-perfume, a morfina, o ópio, e até mesmo os sedativos e tranquilizantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Malditos <em>vão estar sendo</em> estes operadores de telemarketing que não conseguem <em>estar falando</em> sem <em>estar espalhando</em> essa maldita praga da comunicação moderna, malditos, malditos, malditos mil vezes!</p>
<p style="text-align:justify;">Desabafo feito, já posso contar como foi o nosso último encontro, há poucos minutos:</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Gerúndio:</strong> <em>Boa tarde, com quem eu vou estar falando?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Eu:</strong> <em>Péssima tarde e você <strong>está</strong> falando com uma cliente extremamente insatisfeita e de péssimo humor, com o tempo curto e desejando profundamente conseguir objetividade no atendimento.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Gerúndio:</strong> <em>Hã????</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Eu:</strong> <em>Quero cancelar o meu plano. Minha internet não funciona, nem meu telefone, nem a minha tevê.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Gerúndio:</strong> <em>Senhora, nós vamos estar enviando um técnico à sua residência ainda hoje para estar verificaaaando o problema.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Eu:</strong> <em>Não quero técnico, quero c-a-n-c-e-l-a-r o meu plano, e eu quero fazer isso AGORA!</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Gerúndio:</strong> <em>Senhora, por favor, mantenha a calma, eu vou estar transferindo a sua ligação para o setor responsável. A senhora pode estar aguardando um momeeeeento?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Eu:</strong> <em>Não posso estar esperando, nem estar aguardando, nem estar negociando. A única coisa que eu posso e quero estar é voltando para a Sibéria, de onde eu nunca deveria ter saído.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu!</em></p>
<p style="text-align:justify;">Estava óbvio que a ligação ia estar caindo, né? E eu, obviamente, ia estar me fodendo. Também, quem mandou eu estar dizendo que o meu tempo era curto?</p>
<p style="text-align:justify;">Proponho falência à NET, tortura aos operadores de telemarketing e sacrifício ao Gerundismo. Tempos modernos de merda&#8230; a vida certamente era menos estressante antes de existir tanta tecnologia, que deu origem aos operadores de telemarketing, que criaram essa praga de nome feio.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Roberta Simoni</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[En gerundio]]></title>
<link>http://buscandotushuellas.wordpress.com/2009/05/14/en-gerundio/</link>
<pubDate>Thu, 14 May 2009 08:32:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>TeSs</dc:creator>
<guid>http://buscandotushuellas.wordpress.com/2009/05/14/en-gerundio/</guid>
<description><![CDATA[[...] Dijo que había contemplado, desde allá arriba, la vida humana. Y dijo que somos un mar de fueg]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><blockquote><p>[...] Dijo que había contemplado, desde allá arriba, la<br />
vida humana. Y dijo que somos un mar de fueguitos.<br />
- El mundo es eso  reveló -. Un montón de gente, un mar de<br />
fueguitos.<br />
Cada persona brilla con luz propia entre todas las demás. No hay dos fuegos iguales. Hay fuegos grandes y fuegos chicos y fuegos de todos los colores. Hay gente de fuego sereno, que ni se entera del viento, y gente de fuego loco, que llena el aire de chispas. Algunos fuegos, fuegos bobos, no alumbran ni queman; pero otros arden la vida con tantas ganas que no se puede mirarlos sin parpadear, y<br />
quien se acerca, se enciende.</p></blockquote>
<blockquote><p>EDUARDO GALEANO, <em>El libro de los abrazos.</em></p></blockquote>
<p><em></em><br />
De nuevo aquí, al <strong>principio</strong> del inicio, destapando las utopías  de los brotes que crecen entre el hormigón y la <strong>primavera</strong>.  Escudriñando el cielo.  Robándole al <strong>sol</strong> una chispa de su <strong>calor</strong>. (¿Y si me enciendo, como los fueguitos?) . <a href="http://antoniomas.com"><img class="alignright size-medium wp-image-346" src="http://buscandotushuellas.wordpress.com/files/2009/05/velas.jpg?w=300" alt="" width="300" height="225" /></a>Untando los temores del <strong>color</strong> del algodón. Sosteniendo el <strong>firmamento</strong>, sustentándome la <strong>tierra</strong>. Oliendo los olores que desprende esta llovizna. Tocando en <strong>sol</strong> menor. Tropezando con el <strong>ayer</strong>, germinando en el <strong>mañana</strong>. Aguardando el <strong>hoy</strong>. Esperando,<strong>te</strong>. Haciendo desfilar los sueños. Soñándolos, odiándolos. <em>Esencializando</em> lo <strong>esencial</strong>.</p>
<p>Fastidiando los desafíos, hilando el <strong>destino</strong>. Decidiendo yo, fracasando otros. <strong>Nosotros</strong>. Buscando, nuevos acordes, viejas canciones. Buscándo<strong>te</strong>, encontrándo<strong>me</strong>. Entendiendo el universo. Luchando a favor. Poetizando lo <strong>cotidiano</strong>, extrañando lo <strong>extraordinario</strong>. Menospreciando el nimio estado del gerundio… <strong>estando</strong>, casi <strong>siendo</strong>…definitivamente en gerundio.</p>
<p>Sólo yo lo entiendo&#8230;</p>
<p>En imágenes, algo más revelador:</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/_P7RJWYoZAw&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/_P7RJWYoZAw&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<blockquote><p>&#8220;Pobre del que tiene miedo de correr riesgos. Porque ése quizá no se decepcione nunca, ni tenga desilusiones, ni sufra por los que persiguen un sueño.<br />
Pero al mirar hacia atrás oirá que el corazón le dice:<br />
¿Qué hiciste con los milagros que Dios sembró en tus días?&#8221;</p>
<p>PAULO COELHO, <em>A orillas del río piedra me senté y lloré</em></p>
<p><em><br />
</em></p></blockquote>
<p><a href="http://www.mylivesignature.com" target="_blank"><img src="http://signatures.mylivesignature.com/85710/tess/d1e0415ae94a9b905c0baae1ad2ee20e.png" border="0" alt="" /></a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Porcaria de telemarketing]]></title>
<link>http://soltandooverbo.wordpress.com/2009/05/12/porcaria-de-telemarketing/</link>
<pubDate>Tue, 12 May 2009 19:50:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Tainá Ianone</dc:creator>
<guid>http://soltandooverbo.wordpress.com/2009/05/12/porcaria-de-telemarketing/</guid>
<description><![CDATA[Toda vez que tenho que ligar para qualquer atendimento de telemarketing me pergunto quem foi o espír]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Toda vez que tenho que ligar para qualquer atendimento de telemarketing me pergunto quem foi o espírito de porco que inventou isso.</p>
<p>Fala sério, como um ser humano em plena consciência criou algo tão improdutivo? Ou vai ver que ele estava fora de sua consciência&#8230; Um serviço capaz de estar fazendo você estar perdendo sua paciência e estar despertando seus instintos mais cruéis ao ter vontade de estar arrancando os olhos do atendente.</p>
<p>Hoje eu liguei no atendimento de uma empresa de cartão de crédito apenas para mudar o endereço da entrega da fatura e fiquei nada mais, nada menos do que 17 minutos para conseguir efetuar a operação. Imagina se fosse para cancelar o danado do cartão? Foram quatro ligações para no final descobrir que a segunda atendente poderia ter feito o trabalho que a quarta fez.</p>
<p>Isso sem contar na quantidade de números e opções que apertamos no teclado do telefone, sinceramente me sinto uma idiota brincando com o telefone em cada número que aperto. E é impressionante como na maioria das vezes a opção que você precisa nunca está clara e aí? Vamos para o famoso 9 – atendimento personalizado – e LÓGICO que eles te mandam ligar de novo e digitar outros zilhões de números.</p>
<p>Telemarketing é a mais pura e cruel forma de tortura do mundo moderno. Vamos estar rezando, para quem sabe um dia o serviço estar se tornando extinto e nós estarmos recuperando nossa sanidade mental.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Gerúndio no PopArte]]></title>
<link>http://roteirizandohq.wordpress.com/2009/05/05/gerundio-no-poparte/</link>
<pubDate>Tue, 05 May 2009 03:14:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Marcelo Oliveira</dc:creator>
<guid>http://roteirizandohq.wordpress.com/2009/05/05/gerundio-no-poparte/</guid>
<description><![CDATA[A primeira tirinha do personagem Gerúndio, criado por mim e Duke saiu no blog sobre arte e mídia Pop]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">A primeira tirinha do personagem Gerúndio, criado por mim e <a href="http://www.myspace.com/lediogohenrique">Duke</a> saiu no blog sobre arte e mídia <a href="http://poparte.wordpress.com">Pop Arte</a>, de meu amigo Marcel. A tirinha está abaixo e também pode ser acessado no link <a href="http://poparte.wordpress.com/2009/05/05/gerundio-o-adolescente-bipolar/">http://poparte.wordpress.com/2009/05/05/gerundio-o-adolescente-bipolar/</a>. Aproveitem para dar uma olhada no blog de Marcel, têm muitos posts que valem a pena como o de <a href="http://poparte.wordpress.com/2009/05/02/um-possivel-final-para-lost/">uma teoria sobre o possível final de lost</a> e um texto sobre <a href="http://poparte.wordpress.com/2009/05/03/arg-%e2%80%93-alternate-reality-game/">Alternate Reality Games (ARGs)</a>.</p>
<p>Gerúndio<strong> </strong>é um garoto bipolar com crises radicais, que é representado de maneira politicamente incorreta em suas aventuras. É uma HQ sem pretensões humanitárias, mas que fala sobre humanidade.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-246" title="1" src="http://poparte.files.wordpress.com/2009/05/1.jpg?w=359&#038;h=381#38;h=381" alt="1" width="359" height="381" /><img class="aligncenter size-full wp-image-247" title="2" src="http://poparte.files.wordpress.com/2009/05/2.jpg?w=354&#038;h=456#38;h=456" alt="2" width="354" height="456" /><img class="aligncenter size-full wp-image-248" title="3" src="http://poparte.files.wordpress.com/2009/05/3.jpg?w=370&#038;h=494#38;h=494" alt="3" width="370" height="494" /></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Gerúndio, o adolescente bipolar]]></title>
<link>http://poparte.wordpress.com/2009/05/05/gerundio-o-adolescente-bipolar/</link>
<pubDate>Tue, 05 May 2009 01:42:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>Marcel Ayres</dc:creator>
<guid>http://poparte.wordpress.com/2009/05/05/gerundio-o-adolescente-bipolar/</guid>
<description><![CDATA[Gerúndio é um garoto bipolar com crises radicais, que é representado de maneira politicamente incorr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Gerúndio é um garoto bipolar com crises radicais, que é representado de maneira politicamente incorr]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Los amigos Invisibles: Gerundio]]></title>
<link>http://adolfolara.wordpress.com/2009/05/03/los-amigos-invisibles-gerundio/</link>
<pubDate>Sun, 03 May 2009 17:15:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>Adolfo Lara Ramos</dc:creator>
<guid>http://adolfolara.wordpress.com/2009/05/03/los-amigos-invisibles-gerundio/</guid>
<description><![CDATA[]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/bbC1RX2Cfkc&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/bbC1RX2Cfkc&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Usuários vs Speedy]]></title>
<link>http://sofismo.wordpress.com/2009/04/07/usuarios-vs-speedy/</link>
<pubDate>Tue, 07 Apr 2009 18:01:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>Carlos</dc:creator>
<guid>http://sofismo.wordpress.com/2009/04/07/usuarios-vs-speedy/</guid>
<description><![CDATA[Mais uma vez o usuário de internet (speedy) encontra-se prejudicado. Desde ontem, 06/04, estou com u]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Mais uma vez o usuário de internet (speedy) encontra-se prejudicado. Desde ontem, 06/04, estou com uma conexão intermitente e, pior, quando consigo a tão abençoada conexão, a navegação é praticamente nula, acesso poucas páginas.</p>
<p style="text-align:justify;">Em contato com o SAC da Telefônica (10315), após ficar uns 10 minutos gritando com aquele computador irritante que insiste em dizer que não está entendendo meu comando de voz, sou transferido para um dos assistentes, espera de alguns minutos e cai a ligação (por que eu não estou surpreso?)</p>
<p style="text-align:justify;">Mas sou brasileiro, continuo a insistir, sem sucesso. Consigo conectar e navegar antes de conseguir falar com o atendente.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje pela manhã, faço minha conexão, começo a ler as notícias, verificar e-mails e pronto, lá se vai a maldita conexão novamente. Como sou um usuário &#8220;experiente&#8221;, vários anos de uso da internet, antes de ligar para o atendimento faço todos os procedimentos, considerados básicos, limpo cache, cookies, reinicio o modem e o computador. Tento novamente, conexão feita, mas cadê a navegação? Consigo acessar somente a página inicial e o webmail do Terra.</p>
<p style="text-align:justify;">Vou para o sacrifício final antes de iniciar minha epopeia de ligações à Telefônica, a conexão discada. Faço a conexão de primeira, navego em todas as páginas normalmente e, lentamente, enfim, o problema não é na minha máquina, já estava com receio de vírus.</p>
<p style="text-align:justify;">Desconecto e ligo pra Telefônica, linhas congestionadas, sinal que o problema não é só comigo. Algumas tentativas e, só depois de praticamente soletrar SPEEDY e SIM, algumas vezes, para o computador sou transferido para um atendente. Glebson (Por que tele-atendente nunca tem um nome fácil?), pede meu nome e telefone com DDD e ouve meu relato, inicia a leitura do seu script para saber sobre meu PC, minha configuração, sistema operacional, etc. Depois de tudo respondido ele dá a solução: &#8220;Vamos reiniciar a máquina e o modem&#8221;. (Peço à Deus que me mande um infarto agudo do miocárdio).</p>
<p style="text-align:justify;">Informei ao <em>expert</em> que tal procedimento já havia sido executado antes de ligar para o suporte, também aproveitei pra falar que, na conexão discada o browser estava funcionando normalmente. Ele me informa que irá fazer testes remotos no meu modem e pede para aguardar um minuto. De minuto em minuto ele entra na linha e pede mais um minuto, vários minutos depois, o que eu mais temia acontece, a ligação caí sem eu ter minha resposta.</p>
<p style="text-align:justify;">Liguei novamente, tudo de novo, finalmente a resposta:</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;- Senhor, fiz todos os testes remotos no seu modem daqui da central e, não consegui identificar nenhum problema com o sinal do speedy até seu modem. Está tudo normal e com um ótimo sinal, até acima da sua velocidade contratada. Vou estar ABRINDO um chamado para o técnico comparecer na sua residência estar VERIFICANDO o que está acontecendo. O senhor tem preferência de horário?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">- Sim, agora.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;- Agora não é possível senhor, temos até 48 horas pra estar ENVIANDO o técnico já que não identificamos nenhum problema com o sinal.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Conto até dez, mando abrir a <em><strong>@#$%</strong></em>&#38;* do chamado e desligo sem nem ao menos agradecer.</p>
<p style="text-align:justify;">Volto para a conexão discada, começo a navegar e me deparo com a seguinte matéria na folha on line:</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Usuários do Speedy têm dificuldades para conectar à internet; Telefônica nega problemas.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>07/04/2009 &#8211; 13h30</em><!--/DATA--><!--HORA--></p>
<p><em>Assinantes do serviço Speedy, banda larga da Telefônica, disseram enfrentar problemas com a conexão à internet na cidade de São Paulo e em algumas regiões do Estado desde a noite de ontem (6). </em></p>
<p><em> A Central de Atendimento do UOL afirmou ter começado a receber ligações de usuários com problemas por volta das 22h da última segunda-feira. Segundo o UOL, a área de relacionamento de empresas da Telefônica confirma cerca de 170 mil usuários afetados. </em></p>
<p><em>Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, a empresa disse que &#8220;<strong>não existe nenhum tipo de problema generalizado para acesso ao Speedy</strong>&#8220;. </em></p>
<p>Amigos,</p>
<p>Até quando vamos ser enganados pelas grandes empresas? Pagamos caro pelos serviços e somos tratados como otários todas às vezes que precisamos de suporte.</p>
<p>Até quando o brasileiro vai ser este povo acomodado e que não dá a mínima para os seus direitos?</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O fim do telemarketing]]></title>
<link>http://tecnodrops.wordpress.com/2009/04/05/o-fim-do-telemarketing/</link>
<pubDate>Mon, 06 Apr 2009 00:54:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>brunodeleone</dc:creator>
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<description><![CDATA[Viva! O PROCON disponibilizou nessa sexta o &#8220;Cadastro para não recebimento de ligações de tele]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img src="http://raulmarinhog.files.wordpress.com/2008/12/telemarketing.jpg" alt="" /></p>
<p>Viva! O PROCON disponibilizou nessa sexta o &#8220;Cadastro para não recebimento de ligações de telemarketing&#8221;. Não, você não está sonhando: Finalmente você está livre de ter que ouvir frases como &#8220;vou estar oferecendo&#8221; ou &#8220;você está tendo a oportunidade de adquirir um produto co 50% de desconto&#8221; nas horas mais inoportunas! É só entrar no site do PROCON e fazer o cadastro. O cadastro é gratuito e após 30 dias você estará livre das ligações de telemarketing. O sucesso foi tanto que no dia que a página de cadastro entrou no ar, 100 mil pessoas já estavam cadastradas. Corra para garantir o seu!VIVA!!!</p>
<p><a href="http://www.procon.sp.gov.br/BloqueioTelef/" target="_blank">Clique aqui para se cadastrar</a> ou <a href="http://www.procon.sp.gov.br/noticia.asp?id=1107" target="_blank">aqui para obter mais informações</a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Leyendo que es gerundio]]></title>
<link>http://sinfuturoysinunduro.com/2009/03/19/leyendo-que-es-gerundio/</link>
<pubDate>Thu, 19 Mar 2009 09:13:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>dediego</dc:creator>
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<description><![CDATA[Nace nueva sección, si nadie tiene que objetar, sobre esa condena-bendición que es la literatura y l]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Nace nueva sección, si nadie tiene que objetar, sobre esa condena-bendición que es la literatura y la lectura. Voy a dividirla en dos partes, llenas de polémica y faltas de vergüenza:</p>
<ul>
<li>Reseñas de libros que considero buenos, desde la lectura y la comprensión, <strong><a href="http://www.leergratis.com">como ya hice alguna vez</a></strong>, libros que considero necesarios de compartir y analizar.</li>
<li>Reseñas de libros que considero malos u horribles desde su no-lectura y mis prejuicios. <strong><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Best-seller">Berseles</a></strong> y demás, desde el juicio hecho y el desconocimiento.</li>
</ul>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Gerúndio em cores]]></title>
<link>http://roteirizandohq.wordpress.com/2009/02/24/gerundio-em-cores/</link>
<pubDate>Tue, 24 Feb 2009 06:21:50 +0000</pubDate>
<dc:creator>Marcelo Oliveira</dc:creator>
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<description><![CDATA[Colorizado por Lucas Santoro]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignnone size-full wp-image-74" title="4-gerundesco-o-guri-colorido3" src="http://roteirizandohq.wordpress.com/files/2009/02/4-gerundesco-o-guri-colorido3.jpg" alt="4-gerundesco-o-guri-colorido3" width="350" height="446" /></p>
<p>Colorizado por <a href="http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=12901537745963940326" target="_blank">Lucas Santoro</a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Manu Chao, Lucas da Feira, Cultura LGBT e Gerúndio: novidades pré-carnaval]]></title>
<link>http://roteirizandohq.wordpress.com/2009/02/17/manu-chao-lucas-da-feira-cultura-lgbt-e-gerundio-novidades-pre-carnaval/</link>
<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 02:13:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>Marcelo Oliveira</dc:creator>
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<description><![CDATA[O carnaval está chegando com a ótima notícia do trio elétrico em comemoração aos 40 anos de Novos Ba]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O carnaval está chegando com a ótima notícia do trio elétrico em comemoração aos 40 anos de Novos Baianos, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=tilDqI2E6zc">banda que recentemente teve sua origem contada em quadrinhos, na Revista Muito</a>. Pepeu, Baby, Galvão e Paulinho estarão na Barra às 23:40 deste sábado (21/02) e às 14:30 do domingo (22/02). Devo aparecer para ver. Além dos Novos Baianos, tentarei ver o trio do Samba da Velha Guarda, com Edil Pacheco, Nelson Rufino e Valmir Lima, na segunda-feira (23/02), às 15:30 também na Barra.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_64" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-64" title="imagem-01112" src="http://roteirizandohq.wordpress.com/files/2009/02/imagem-01112.jpg?w=300" alt="Show de Manu Chao, em Salvador. Umas das poucas fotos que não tremeram em meio ao agito." width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Show de Manu Chao, em Salvador. Umas das poucas fotos que não tremeram em meio ao agito.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Falando em shows, não há como não comentar o espetáculo promovido por Manu Chao &#38; Radio Bemba, na sexta-feira passada. O show durou cerca de duas horas e meia de inflamação e agito non-stop. A banda inteira interagiu com o público, muitas vezes com Manu Chao em segundo plano. A sensação era a de que seríamos estuprados a qualquer momento pelo som contagiante e latino de Chao &#38; Bemba. Torço pra que eles voltem para o Brasil! Com certeza, este já é o show do ano.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
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<p style="text-align:justify;">Bem, mas este é um blog sobre Hqs. Divulgo duas novidades, uma sobre o projeto <strong>Cultura LGBT</strong> e outro sobre a história de <strong>Lucas da Feira</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Projeto Quarto ao Lado: Ficção e Identidades em construção</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Saiu hoje a lista dos projetos habilitados a disputar seleção no Edital Cultura LGBT, da Fundação Pedro Calmon. Fui habilitado com o <a href="http://roteirizandohq.wordpress.com/2009/02/03/2009-e-os-quadrinhos/" target="_blank">Projeto Quarto ao Lado.</a> A lista completa pode ser vista em: <a href="http://www.cultura.ba.gov.br/conteudo/apoioaprojetos/editais/downloads/edital-lgbt-1/attachment_download/file" target="_self">http://www.cultura.ba.gov.br/conteudo/apoioaprojetos/editais/downloads/edital-lgbt-1/attachment_download/file</a></p>
<p style="text-align:justify;">Foram poucos os inscritos no Edital, isso aumenta as minhas esperanças de aprovação. Estou participando, também, do projeto <strong>Stonewall – 40 Anos De Resistência LGBT</strong>, como produtor.</p>
<p style="text-align:justify;">Deixo aqui a sinopse da HQ, que contará com desenhos de <strong>André Leal</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Matias e Rafa são companheiros de apartamento. Ambos são universitários. Matias, ainda virgem, descobre-se gay e está prestes a assumir sua sexualidade para a família. Rafa é hetero e tenta reconstruir sua vida emocional às margens de um namoro recém terminado. Eles eram bons amigos até a noite em que dormiram juntos e fizeram sexo. Agora, não sabem nem como vão olhar um para a cara do outro.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Lucas da Feira no Pará</strong></p>
<p style="text-align:justify;">A revista paraense <a href="http://catarsequadrinhos.blogspot.com/" target="_blank">Catarse Quadrinhos</a> convidou Marcos Franco, meu parceiro de quadrinhos, a escrever um roteiro de uma história fechada sobre <a href="http://roteirizandohq.wordpress.com/2009/01/09/terradeluca/" target="_self">Lucas da Feira</a>. Ele me convidou para desenvolver o enredo e o texto juntamente a ele e estamos já fechando toda a história.</p>
<p style="text-align:justify;">Em 11 páginas contaremos um dia na vida do bando de Lucas. Um dia de retornos a um passado cruel, um dia de amostras presentes da violência do cangaço e de um futuro incerto para os membros do bando de Lucas.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda sem data prevista para o lançamento, a HQ será desenhada pelo paraense Adnilson Gomes.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Gerúndio, o adolescente bipolar</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Uma novidade são as tirinhas do personagem Gerúndio, criado por mim e meu amigo mineiro, o músico <a href="http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=11600410179320737341" target="_blank">Duke</a>. Estamos criando tiras de diversos gêneros e gostos, muitas delas sem nenhuma pitada de humor. Gerúndio é um garoto bipolar com crises radicais, que é representado de maneira politicamente incorreta em suas aventuras. Fizemos a HQ sem pretensões humanitárias, mas falando sobre humanidade. O primeiro esboço do personagem pode ser visto abaixo, uma tirinha ainda sem arte-final ou balões e um desenho já finalizado. Logo poderão ser vistas tirinhas e histórias de uma página.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-55" title="gerundio1" src="http://roteirizandohq.wordpress.com/files/2009/02/gerundio1.jpg" alt="gerundio1" width="472" height="242" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-56" title="gerundesco-o-guri" src="http://roteirizandohq.wordpress.com/files/2009/02/gerundesco-o-guri.jpg" alt="gerundesco-o-guri" width="253" height="323" /></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA["O Windows está sendo inicializado"]]></title>
<link>http://leongaro.wordpress.com/2009/01/25/o-windows-esta-sendo-inicializado/</link>
<pubDate>Sun, 25 Jan 2009 16:12:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>leongaro</dc:creator>
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<description><![CDATA[Depois de ver centenas de vezes essa mensagem cada vez que liga o computador, o que podemos esperar ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Depois de ver centenas de vezes essa mensagem cada vez que liga o computador, o que podemos esperar de nossa população, totalmente desprovida de qualquer proteção contra o uso errado da língua, a não ser adotar o vício no seu dia, certamente acreditando que a fonte da mensagem é confiável?</p>
<p>Dada a exposição de nossas mentes a essas &#8220;mensagens&#8221; no dia-a-dia, não seria o caso de se regular a exigência de um certo nível mínimo de qualidade no uso da linguagem, de forma que a informática sirva como meio para propagar o bom uso da lingua ao invés de sedimentar erros e vícios?</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Gerundiando]]></title>
<link>http://essavaipracapa.wordpress.com/2008/12/10/gerundiando/</link>
<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 18:20:45 +0000</pubDate>
<dc:creator>minimim</dc:creator>
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<description><![CDATA[Nós vamos estar publicando conforme você vai demandando.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Nós vamos estar publicando conforme você vai demandando.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[gerundio - cortometraggio pluripremiato]]></title>
<link>http://disgustoramablog.wordpress.com/2008/12/07/gerundio-cortometraggio-pluripremiato/</link>
<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 16:30:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>disgustoramablog</dc:creator>
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<description><![CDATA[Il cortometraggio che tutti i festival con un direttore artistico competente si sono rifiutati di tr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/uZEhubEnXJ0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/uZEhubEnXJ0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p>Il cortometraggio che tutti i festival con un direttore artistico competente si sono rifiutati di trasmettere. La frustrazione sessuale sarà affievolita o moltiplicata dalla visione. Pluripremiato dai vicini nel festival del pianerottolo.</p>
</div>]]></content:encoded>
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