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	<title>herman-gorter &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "herman-gorter"</description>
	<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 08:21:08 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Carta Aberta ao Companheiro Lenin 2ª parte]]></title>
<link>http://silenciodospoetas.wordpress.com/2009/04/27/carta-aberta-ao-companheiro-lenin-2%c2%aa-parte/</link>
<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 23:28:46 +0000</pubDate>
<dc:creator>Eugénio Calado</dc:creator>
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<description><![CDATA[Minha nota: continuei a alterar a tradução. A título de exemplo: surgia a dado momento a expressão s]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Minha nota: continuei a alterar a tradução. A título de exemplo: surgia a dado momento a expressão <strong>sonho azul</strong>. Verifiquei a tradução inglesa e vinha <strong>blue wonders</strong>. Verifiquei então o original e vem a expressão <strong>blaues Wunder erleben</strong>. Como não sei alemão tentei ver usando o gooogle se isto corresponderia a alguma expressão idiomática, e de facto quer dizer <strong>ter uma surpresa desagradável</strong>.<br />
O texto ainda não acaba aqui, seguindo-se a esta parte um longa secção sobre o parlamentarismo.</p>
<p>por Herman Gorter<br />
Carta Aberta ao Companheiro Lenin, A questão sindical<br />
continuação deste <a href="http://silenciodospoetas.wordpress.com/2009/04/21/carta-aberta-ao-companheiro-lenin/">artigo</a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;"><strong>A QUESTÃO SINDICAL</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Depois de ter formulado estas bases teóricas gerais, quero tentar agora provar que, na prática, também a esquerda na Alemanha e na Inglaterra tem, geralmente, razão. Em particular nas questões sindical <em>e </em>parlamentar. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Comecemos com a questão dos sindicatos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-family:Arial;">&#8220;Da mesma forma que o parlamentarismo exprime o poder intelectual dos dirigentes sobre as massas operárias, o movimento sindical encarna sua dominação material. Os sindicatos constituem, no capitalismo, as organizações naturais para a unificação do proletariado — neste sentido, Marx, há muito tempo, sublinhou sua importância. No capitalismo desenvolvido e ainda mais na época imperialista, os sindicatos tomaram-se, e cada vez mais, associações gigantescas, que mostram a mesma tendência de desenvolvimento revelada anteriormente pelo próprio aparelho de Estado burguês. Neste último formou-se uma classe de empregados, uma burocracia que dispõe de todos os meios de governo, de organização, de dinheiro, da imprensa, da nomeação de subalternos; freqüentemente as prerrogativas dos funcionários vão ainda mais longe e, assim, de servidores da coletividade, eles se transformam em seus senhores, identificando-se a si próprios com a organização. Os sindicatos observam a mesma evolução do Estado e de sua burocracia: apesar da suposta democracia sindical, os seus membros não têm condições de fazer prevalecer sua vontade contra os funcionários; frente ao aparelho finamente organizado dos regulamentos e dos estatutos, toda e qualquer revolta se esfuma antes de conseguir abalar as altas esferas. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-family:Arial;">&#8220;Só por uma luta perseverante a toda prova é que uma organização consegue, às vezes, depois de anos, um sucesso relativo que resulta geralmente numa mudança de pessoas. Nos últimos anos, antes e depois da guerra, chegamos assim — na Inglaterra, na Alemanha, na América — a revoltas de militantes entrando em greve por sua própria conta, contra a vontade dos dirigentes ou das próprias resoluções do sindicato. O fato de que isto possa parecer natural, e ser assumido como tal, é o sinal claro de que a organização, longe de ser a coletividade dos membros, apresenta-se como um ser estranho, em certa medida, aos próprios membros. Os operários não são donos de seu sindicato, ao contrário, são dominados por ele como por uma força exterior contra a qual eles podem revoltar-se, embora esta força tenha sido criada por eles mesmos. Mais um ponto em comum com o Estado.<!--more--> Depois, quando a revolta se acalma, a antiga direção se restabelece e sabe se manter, apesar do ódio e do ressentimento impotentes das massas, porque ela se apóia na indiferença e na falta de clareza, de vontade homogênea e perseverante das massas, e na necessidade interna do sindicato como único meio que os operários têm de unificar forças contra o capital. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-family:Arial;">&#8220;Lutando contra o capital, contra as suas tendências absolutistas e geradoras de miséria, limitando estas tendências e tornando assim possível a existência da classe operária, o movimento sindical começou a desempenhar um papel no capitalismo, transformando-se desta forma num membro da sociedade capitalista. Mas, quando a revolução começa, e o proletariado, de membro da sociedade capitalista, se toma o seu destruidor, terá de enfrentar o sindicato como um obstáculo. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-family:Arial;">&#8220;O que Marx e Lênin enfatizaram em relação ao Estado, ou seja, que sua organização, apesar do conteúdo formalmente democrático, é imprópria enquanto instrumento para a revolução proletária, vale, portanto, também para as organizações sindicais. Seu potencial contra-revolucionário não pode ser nem eliminado, nem atenuado por uma mudança de personalidades, pela substituição de dirigentes reacionários por homens de esquerda ou por revolucionários. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-family:Arial;"> &#8220;É a própria forma organizacional que torna as massas mais ou menos impotentes, impedindo-as de fazer do sindicato o instrumento de sua vontade. A revolução só pode vencer destruindo este organismo, ou seja, transformando de alto a baixo esta forma organizacional de modo a que possa surgir algo inteiramente novo. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-family:Arial;">&#8220;O sistema dos conselhos, pelo seu próprio desenvolvimento, é capaz de extirpar pela raiz e de eliminar não somente a burocracia estatal, mas também a burocracia sindical, formando não só os novos órgãos políticos do proletariado contra o capitalismo, mas também as bases dos novos sindicatos. Nas discussões no Partido, na Alemanha, ironizou-se o fato de que qualquer forma de organização possa ser revolucionária, dependendo apenas da consciência revolucionária dos homens, dos aderentes. Mas se o conteúdo essencial da revolução consiste no fato de que as próprias massas assumem a direção de seus problemas, a direção da sociedade e da produção — a conseqüência é que toda forma de organização que não permita às massas dominar e dirigir o seu próprio rumo é nociva e contra-revolucionária; por esta razão ela deve ser substituída por uma outra forma de organização que seja revolucionária, por permitir aos próprios operários decidir ativamente sobre todos os problemas&#8221;</span></em><span style="font-family:Arial;"> (Pannekoek, Revolução mundial e tática comunista). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Os sindicatos, por sua natureza, não são boas armas para a revolução na Europa Ocidental. Mesmo se eles não se houvessem transformado em instrumentos do capitalismo, mesmo se não estivessem controlados por traidores e se — nas mãos de quaisquer dirigentes — não estivessem, por natureza, destinados a transformar seus membros em escravos e instrumentos passivos, mesmo assim continuariam inutilizáveis. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Os sindicatos são muito fracos para a luta, para a revolução contra o capital organizado no mais alto nível, como é o caso da Europa Ocidental, e contra seu Estado. Um e outro são demasiadamente fortes para eles. Por um lado, os sindicatos são ainda <em>associações por categoria profissional</em> e basta isto para que não sejam capazes de fazer a revolução. E, na, medida mesma em que são associações por categoria, não se apóiam diretamente na fábrica, nas seções (de fábrica), o que condiciona também sua fraqueza. Enfim, são menos agrupamentos de luta do que sociedades de ajuda mútua, produtos da época pequeno-burguesa. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Sua organização já era insuficiente para a luta antes que a revolução surgisse como uma possibilidade; para a própria revolução, na Europa Ocidental, ela é incapaz para qualquer tarefa. Porque as fábricas, os operários das fábricas, não fazem a revolução no âmbito de suas profissões, ou de suas categorias, mas nas seções. Além disso, os Sindicatos são órgãos lentos no trabalho, demasiadamente complicados, bons apenas para os períodos de evolução. E é com estes miseráveis sindicatos, que, como se viu, devem ser destruídos <em>de</em> <em>qualquer maneira</em>, que se quer fazer a revolução&#8230; Os operários precisam de<em> armas</em> para a revolução na Europa Ocidental. As únicas armas para a revolução na Europa Ocidental são as organizações de fábrica. As <em>organizações de fábrica</em> reunidas numa grande <em>unidade</em>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Os operários da Europa Ocidental precisam das melhores armas. Porque eles estão sós, porque não contam com aliados. Por isso, precisam das organizações de fábrica. Na Alemanha e na Inglaterra, rapidamente, porque a revolução é ali mais iminente. E também nos outros países, o mais depressa possível, desde que possamos fazê-las. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Companheiro Lênin, não adianta nada você dizer: na Rússia, agimos desta e daquela forma. Porque, em primeiro lugar, você não tinha na Rússia organizações de luta tão ruins como são muitos sindicatos entre nós. Você contava com organizações de fábrica. Em segundo lugar, o espírito dos operários era mais revolucionário. Em terceiro lugar, a organização dos capitalistas era fraca. E também o Estado. Enfim, e no fundo, tudo depende disto, você contava com aliados. Você não precisava, portanto, das melhores dentre as melhores armas. Nós estamos sós, nós precisamos, portanto, de todas as melhores armas. Sem isto não venceremos, e seremos constantemente derrotados. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Mas existem ainda outras bases, morais e materiais, que demonstram a validade de nosso ponto de vista. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Imagine, companheiro, a situação na Alemanha antes e durante a guerra. Os sindicatos, sozinhos e fraquíssimos instrumentos, completamente controlados pelos dirigentes, estão como máquinas inertes, e os dirigentes os exploram em benefício do capitalismo. Sobrevém então a revolução. Os sindicatos são utilizados pelos dirigentes e pela massa dos associados como arma contra a revolução. Em função de seu apoio, de seu auxílio, pela ação de seus dirigentes e, em parte, também pela de seus associados, a revolução é assassinada. Os comunistas vêem as próprias forças fuziladas com o apoio dos sindicatos. As greves favoráveis à revolução são derrotadas. O companheiro imagina que seja possível aos operários revolucionários permanecerem em tais organizações depois do que houve? Se ainda por cima elas são ferramentas demasiadamente fracas para servir à revolução! Parece-me que é psicologicamente impossível. O que é que você teria feito como membro de um partido político, do partido menchevique, por exemplo, se ele tivesse agido assim durante a Revolução? Você teria &#8220;rachado&#8221; (se já não o tivesse feito anteriormente). Você dirá: era um partido político, no caso de um sindicato as coisas são diferentes. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Acho que você comete um erro. Na revolução, enquanto dura a revolução, cada sindicato, até cada grupo operário, desempenha um papel de partido político a favor ou contra a revolução. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Mas você dirá, e chega mesmo a dizer em seu artigo, que estes impulsos sentimentais devem ser superados em prol da unidade e da propaganda comunista. Eu lhe demonstrarei que isto era impossível, na Alemanha, durante a revolução. Através de exemplos concretos. Porque devemos considerar esta questão também de um ponto de vista absolutamente concreto e sem equívocos. Suponhamos que existam na Alemanha cem mil estivadores, cem mil metalúrgicos e cem mil mineiros verdadeiramente revolucionários. Querem entrar em greve, combater, morrer pela revolução. Os outros milhões, não. Que devem fazer os trezentos mil? Em primeiro lugar, unir-se entre eles, formar uma liga para o combate. Você concorda com isto: os operários são impotentes sem organização. Mas uma nova liga frente às antigas associações já equivale à cisão, se não formal, ao menos real. Ainda que os partidários do novo agrupamento permaneçam associados aos antigos sindicatos. Imagine agora que os membros da nova organização passem a precisar de uma imprensa, de reuniões, de locais, de pessoas pagas. Isto custa muito dinheiro. E os operários alemães não têm quase nada. Para vivificar a nova associação serão obrigados, mesmo se não o desejarem, a deixar a antiga. Portanto, considerando as coisas de um ponto de vista concreto, o que você quer, caro companheiro, é impossível. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Mas ainda existem melhores razões materiais. Os operários alemães que deixaram os sindicatos, e querem destruir os sindicatos, e criaram organizações de fábrica e a União Operária, se encontraram em <em>plena revolução</em>. Era preciso passar imediatamente à ação. A revolução o exigia. Os sindicatos não quiseram lutar. Num momento como este de que adianta dizer: permaneçam nos sindicatos, propaguem suas ideias, vocês se tornarão certamente mais fortes e ganharão a maioria. Seria bem bonito, não se considerando o esmagamento das minorias, que é um fato bastante comum, e a própria esquerda o tentaria se ao menos tivesse tempo para isso. Mas não era possível esperar. A revolução acontecia. E ela ainda está acontecendo! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-family:Arial;">Durante a revolução</span></em><span style="font-family:Arial;"> (tome nota disto, companheiro, foi <em>durante a revolução</em> que os operários alemães &#8220;racharam&#8221;, constituindo a sua União Operária) os operários revolucionários se separarão sempre dos sociais-patriotas. Para lutar num dado momento não há qualquer outra opção. Independentemente do que você e do que o Congresso da Internacional possam dizer, e da contrariedade que a cisão possa provocar em você, ela sempre ocorrerá por razoes psicológicas e materiais. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Porque os operários nem sempre podem tolerar ser fuzilados pelos sindicatos e porque é preciso lutar. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Foi por isso que os esquerdistas criaram a União Geral Operária (AAU). E como eles acreditam que a revolução na Alemanha não acabou ainda, mas continuará, até a vitória, eles agüentam a parada. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Companheiro Lênin! Se duas direções se formam no movimento operário, é possível encontrar uma solução fora da luta? E se existem orientações muito diferentes, opostas, pode-se encontrar uma outra saída que não seja a cisão? Você já ouviu falar de uma outra solução? Existe algo de mais contraditório que a revolução e a contra-revolução? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Também por isso o KAPD e a União Geral Operária têm inteira razão. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">No fundo, companheiro, estas cisões, estas depurações, não foram sempre uma boa coisa para o proletariado? Não acabamos sempre percebendo isto mais tarde? Tenho uma certa experiência neste terreno. Quando estávamos ainda no partido social-patriota, não tínhamos nenhuma influência. Quando fomos jogados fora — no começo —, pouca influência. Mas depois passamos a ter uma grande influência, e, em seguida, rapidamente, uma influência muito grande. E como vocês, os bolcheviques, estavam depois da cisão, companheiro? Absolutamente bem, creio. Foi assim: de início, pequeno; mais tarde — grande. Agora, tudo. O crescimento de um grupo, por menor que seja, até que se torne mais poderoso, depende inteiramente do desenvolvimento econômico e político. Se a revolução continua na Alemanha, há boas razões para esperar que a importância e a influência da União Operária se tornem preponderantes. Desde que ela não se deixe intimidar pelas relações numéricas: 70.000 contra 7.000.000. Grupos muito menores tornaram-se os mais fortes. Entre os quais os bolcheviques! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Por que as organizações de fábrica e por local de trabalho, e a União Operária, que se baseia nelas, sendo formada por seus membros, são também excelentes armas (juntamente com os partidos comunistas, é claro), as melhores, as únicas boas armas disponíveis para a revolução na Europa Ocidental? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Porque os operários aqui atuam em seu próprio nome, infinitamente mais que nos velhos sindicatos, porque controlam seus dirigentes e, através deles, a própria orientação; e porque controlam a organização de fábrica e, através dela, toda a União. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Cada fábrica, cada lugar de trabalho é um todo. Na fábrica, os operários elegem seus homens de confiança. As organizações por fábrica são divididas em distritos econômicos. Ao nível dos distritos, elegem-se novamente homens de confiança. E os distritos, por sua vez, elegem a direção geral da União em todo o Reich. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Assim, todas as organizações de fábrica, sem distinção das categorias a que pertençam, formam em conjunto uma só União Operária. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Como se vê, trata-se de uma organização <em>totalmente</em> voltada para a revolução. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Observa-se também uma outra coisa: aqui, o operário, cada operário, dispõe de um poder. Porque elege em seu lugar de trabalho seus próprios homens de confiança, tendo, através deles, uma influência direta no distrito e na União a nível do Reich. Há uma forte centralização, mas não excessiva. O indivíduo, com sua organização direta, a organização por fábrica, tem um grande poder. Pode destituir Imediatamente seus homens de confiança, substituí-los ou forçá-los a substituir rapidamente as instâncias mais altas. Há individualismo, mas não excessivo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Porque as instâncias centrais, conselhos regionais e conselho nacional gozam de uma grande autoridade. Indivíduo e direção têm tanto poder quanto é possível e necessário que tenham, na Europa Central, na fase em que vivemos, a da explosão da revolução. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Marx <em>afirma </em>que, no capitalismo, o cidadão diante do Estado não passa de uma abstração, um número. A mesma coisa ocorre nas velhas organizações sindicais. A burocracia, a própria essência da organização, constitui um mundo superior que escapa ao operário, flutuando acima dele, como o céu. Diante desta organização o operário é um número, uma abstração. Para ela o operário nem sequer chega a ser o homem que trabalha na seção, que é um ser vivo, com vontade e que luta. Substitua, nos velhos sindicatos, uma burocracia consolidada por um pessoal novo: em pouco tempo, você observará que os novos também adquirirão o mesmo caráter, elevando-se, afastando-se, desligando-se da massa. Noventa e nove por cento serão tiranos que se juntarão à burguesia. Ë uma conseqüência da essência da organização. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Como são diferentes as organizações de fábrica! Aqui é o próprio operário que decide sobre a tática, sobre a orientação da luta, fazendo valer imediatamente sua autoridade, se os dirigentes não atuam como ele quer. Aqui o operário está permanentemente no centro da luta, porque a fábrica, a seção de trabalho, são ao mesmo tempo a base de organização. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Ele é assim, na medida do possível em condições capitalistas, o artesão e o senhor de seu próprio destino, e como isso acontece com todos, <em>a massa trava e dirige seu próprio combate. </em>Uma situação bem melhor, infinitamente melhor, de qualquer forma, do que seria possível nas velhas organizações econômicas, reformistas ou anarco-sindicalistas<a name="_ftnref1" href="#_ftn1"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[1]</span></span></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Pelo próprio fato de transformarem os indivíduos, e, em conseqüência, as massas, em agentes diretos e bases da luta, e em suas lideranças, as organizações de fábrica e a União Operária são verdadeiramente as melhores armas para a revolução, as armas de que precisamos na Europa Ocidental para derrubar sem aliados e sem ajuda o capitalismo mais poderoso de todo o mundo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Mas, companheiro, no fundo, todos estes argumentos são ainda bastante fracos em face da última e fundamental razão, a qual está intimamente ligada aos princípios mencionados por mim no início. Esta razão é decisiva para o KAPD e para o partido de oposição na Inglaterra: estes partidos querem elevar ao máximo o nível de consciência das massas e dos indivíduos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Para isto, segundo tais partidos, só há <em>um meio</em>. E, mais uma vez, desejaria lhe perguntar se você conhece um outro método no movimento operário. Trata-se da formação, da educação <em>de um grupo que mostre pela luta em quê deve se transformar a massa. </em>Mostre-me, companheiro, um outro meio se você tiver conhecimento. Quanto a mim, não conheço outros. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">No movimento operário, e particularmente na revolução, a meu ver, só há uma comprovação, a do exemplo e a da <em>ação</em>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Os companheiros de &#8220;esquerda&#8221; acreditam ser possível, através deste pequeno grupo lutando contra o capitalismo e os sindicatos, pressionar os sindicatos, ou mesmo, porque isto não é impossível, empurrá-los, pouco a pouco, para melhores caminhos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Isto só será viável através do exemplo. Para elevar o nível revolucionário dos operários alemães, estas novas formações — as organizações de fábrica — são portanto absolutamente indispensáveis. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Da mesmo forma que os partidos comunistas se colocam frente aos partidos sociais-patriotas, a nova formação, a União Operária, deve tomar posição frente aos sindicatos<a name="_ftnref2" href="#_ftn2"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[2]</span></span></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Para transformar as massas avassaladas pelo reformismo e pelo social-patriotismo, só o exemplo poderá ser eficaz. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Examinarei agora o caso da Inglaterra, da esquerda inglesa. A Inglaterra, depois da Alemanha, é o país mais próximo da revolução. Não que a situação já seja revolucionária, mas porque o proletariado é particularmente numeroso, e a situação econômica do capitalismo é favorável no mais alto nível. Bastará um forte empurrão para o combate começar e ele terminará inevitavelmente por uma vitória. É o que sentem, é o que sabem quase instintivamente os operários mais avançados da Inglaterra (como todos nós o sentimos), e, porque sentem isto, fundaram, como na Alemanha, um novo movimento&#8230; que se esboça e tateia diversos caminhos, exatamente como na Alemanha — o movimento dos <em>Rank and File</em>, das massas por elas mesmas, sem dirigentes ou mais ou menos como se eles não existissem<a name="_ftnref3" href="#_ftn3"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[3]</span></span></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Estes movimentos parecem-se muito com a União Operária alemã através de suas organizações de fábrica. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">O companheiro observou que este movimento surgiu unicamente nos dois países mais avançados? E no seio da própria classe operária? E em muitos lugares? Isto já é, em si mesmo, uma prova de espontaneidade irresistível<a name="_ftnref4" href="#_ftn4"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[4]</span></span></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Na Inglaterra o movimento, a luta contra os sindicatos, é ainda mais necessário que na Alemanha. As Trade-Unions inglesas não são apenas instrumentos controlados pelos dirigentes para apoiar o capitalismo, mas representam ferramentas ainda mais inutilizáveis para a revolução que os sindicatos alemães. Sua formação remonta muitas vezes ao começo do século XIX ou mesmo ao século XVIII, nos tempos das lutas individuais, mesquinhas. Existem ainda na Inglaterra indústrias com vinte e cinco sindicatos com as principais federações brigando entre si, numa luta de vida ou morte, para recrutar associados! E em tudo isto os associados não têm nenhuma autoridade. Você deseja, companheiro Lênin, conservar também estas organizações? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Devemos também nos abster de combatê-las, de rachá-las, de aniquilá-las? Se estamos contra a União Operária, devemos também ser contra os Shop-Committees, os Shop-Stewards e as Uniões Industriais. Se somos favoráveis às últimas, devemos também apoiar a União Operária, porque os comunistas lutam pelos mesmos objetivos nos dois casos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A nova corrente no movimento das Trade-Unions poderá servir à esquerda comunista na Inglaterra para aniquilar os sindicatos ingleses assim como eles hoje se apresentam, e para substituí-los por novos instrumentos da luta de classe, que ‘sejam utilizáveis para a revolução. As mesmas razões formuladas para o movimento alemão são válidas também aqui. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Li na carta do Comitê Executivo da III Internacional ao KAPD que o Executivo é favorável aos IWW da América desde que esta organização esteja de acordo em aderir ao e a agir politicamente com o Partido Comunista. E os IWW não são obrigados a atuar nos sindicatos americanos! E entretanto o Executivo é contra a União Operária na Alemanha, e a obriga a se fundir com os sindicatos, embora seja comunista e colabore com o partido político. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">E você, companheiro Lênin, você é favorável ao movimento dos Rank and File na Inglaterra (o qual, no entanto, já provoca uma cisão, e onde há muitos comunistas desejando a destruição dos sindicatos!) e você é contra a União Operária na Alemanha. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Só posso ver oportunismo em sua atitude e na do Comitê Executivo. E, pior que tudo, um oportunismo errado. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Naturalmente a esquerda comunista na Inglaterra não pode ir tão longe como na Alemanha porque a revolução não está ainda à vista. Ela ainda não pode organizar o Rank and File Movement numa grande escala, em todas as regiões, e com um objetivo imediatamente revolucionário. Mas a esquerda inglesa prepara isto. E logo que a revolução aconteça, os operários deixarão em massa as velhas organizações incapazes de servir à revolução, afluindo para as organizações de fábrica e de indústria. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Eles virão pelo próprio fato de que a esquerda comunista atua antes de tudo no movimento, esforçando-se, antes de tudo, por semear as idéias comunistas no movimento, e, em função de seu exemplo, os operários já estão, agora, educados num nível superior. Este é, como na Alemanha, o seu objetivo <em>essencial<a name="_ftnref5" href="#_ftn5"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><strong><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[5]</span></strong></span></span></span></a>. </em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A União Geral Operária (AAU) e o Rank and File Movement, apoiando-se nas <em>fábricas, </em>nos locais de trabalho, e <em>somente </em>neles, são os precursores dos conselhos operários, dos sovietes. A revolução na Europa Ocidental será muito mais difícil e, exatamente porque o seu desenvolvimento será lento, haverá uma fase de transição muito longa em que os sindicatos já não servirão para nada, mas os sovietes ainda não existirão. A fase de transição será caracterizada pela luta contra os sindicatos através de sua transformação ou substituição por melhores organizações. Você não precisa ficar aflito em relação a isto, teremos tempo para fazê-lo! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Ainda mais uma vez: isto não acontecerá porque nós, os esquerdistas, o queiramos, mas porque a revolução exige esta nova forma de organização, sem a qual ela não pode vencer. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Vivam o Rank and File Movement na Inglaterra, a União Operária na Alemanha! Vocês são os precursores dos sovietes na Europa. Boa sorte! Vocês são as primeiras organizações a prosseguir, juntamente com os partidos comunistas, a revolução contra o capitalismo na Europa Ocidental! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Companheiro Lênin, você quer nos obrigar, a nós da Europa Ocidental, que estamos sem aliados frente a um capitalismo ainda e agora absolutamente poderoso, extremamente organizado (organizado em todos os setores e em todos os sentidos), fortemente armado (e exatamente por isso precisamos das melhores e das mais poderosas armas), você quer nos obrigar a usar armas ruins. Você que impor estes miseráveis sindicatos a nós que queremos organizar a revolução nas fábricas e a partir das fábricas. A revolução no Ocidente só pode ser organizada na base da fábrica e nas fábricas. Isto acontecerá porque é nas fábricas que o capitalismo está altamente organizado em todos os sentidos, economicamente e politicamente, e porque os operários (fora do Partido Comunista) não têm outra arma sólida. (Os russos estavam armados e contavam com os camponeses pobres. O que as armas e o apoio dos camponeses pobres representaram para os russos, a tática e a organização devem representar para nós, neste momento.) E é neste momento que <em>você</em> defende os sindicatos. Nós <em>devemos</em>, por razões psicológicas e materiais, lutar contra os sindicatos no processo revolucionário — e você quer nos impedir de conduzir esta luta. Nós só podemos lutar através de &#8220;rachas&#8221; e você se coloca como obstáculo em nosso caminho. Nós queremos formar grupos que dêem o exemplo, e este é o único meio de mostrar ao proletariado o que nós queremos, e você nos proíbe de dar o exemplo. Nós queremos elevar o nível do proletariado ocidental e você nos atrapalha a caminhada. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você não quer cisões, novas formações, nem, em conseqüência, elevação da consciência a um nível superior! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">E por quê? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Porque você quer contar com os grandes partidos e com os grandes sindicatos na III Internacional. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Isto nos parece ser oportunismo, oportunismo da pior espécie<a name="_ftnref6" href="#_ftn6"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[6]</span></span></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você atua hoje na III Internacional de uma forma totalmente diferente da que era a sua, antigamente, no partido dos maximalistas. Este conservou-se muito &#8220;puro&#8221; e, até hoje, talvez, permanece assim. Enquanto isso você acha que na Internacional devemos admitir, rapidamente, todos os que sejam comunistas pela metade, por um quarto ou mesmo por um oitavo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Trata-se de uma maldição pesando sobre o movimento operário: logo que obtém um certo &#8220;poder&#8221;, tende a aumentá-lo abandonando os princípios. A própria social-democracia também era &#8220;pura&#8221; em sua origem, em quase todos os países. A maior parte dos atuais sociais-patriotas eram autênticos marxistas. As massas foram ganhas pela propaganda marxista. Mas logo que se conseguiu uma certa força, os princípios foram abandonados. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você e a III Internacional comportam-se hoje da mesma forma que os sociais-democratas de antigamente. Agora, naturalmente, não mais em limites nacionais, mas numa escala internacional. A Revolução Russa foi vitoriosa pela &#8220;pureza&#8221;, pela firmeza dos princípios. No momento atual o proletariado dispõe, com ela, de um certo &#8220;poder&#8221;. Seria necessário estender este poder por toda a Europa. Mas é exatamente agora que se abandona a velha tática! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Em vez de aplicar agora também a todos os demais países uma tática comprovada, reforçando assim, internamente, a III Internacional, adota-se uma posição diametralmente oposta, aderindo-se ao oportunismo, exatamente como fez a social-democracia antigamente. E constatamos que todo o mundo ingressa: os sindicatos, os independentes (USPD), o centro francês, uma fração do Labour Party. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Para salvar as aparências do marxismo, estipulam-se condições, que é preciso <em>assinar </em>(!!). Kautsky, Hilferding, Thomas, etc., são postos na <span>rua<em>. </em></span>Mas o ingresso das amplas massas, do elemento médio, é admitido e todos os meios são bons para estimular o processo. Para que o centro se fortaleça mais, os &#8220;esquerdistas&#8221; não são admitidos se não concordam em passar para o centro! <em>Os melhores elementos revolucionários, </em>como o KAPD, <em>são assim mantidos de fora! </em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">E, quando se conseguiu unificar a grande massa em torno de uma linha mediana, todos se põem em marcha sob uma disciplina de ferro, dirigidos por homens que foram provados desta forma extraordinária. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Para onde? — Para o abismo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Para que servem os imponentes princípios, as brilhantes teses da III Internacional se, na prática, se cai no oportunismo? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A II Internacional também tinha os mais belos princípios, mas naufragou neste tipo de prática. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Nós, os da Esqueda, não queremos que isto aconteça. Queremos, inicialmente, formar na Europa Ocidental, exatamente como fizeram os bolcheviques outrora na Rússia, núcleos muito sólidos, muito conscientes, e muitos fortes (mesmo que devam ser pequenos no começo). Depois que estiverem formados, trataremos de aumentá-los. Mas sempre num terreno cada vez mais sólido, cada vez mais firme, cada vez mais &#8220;puro&#8221;. Só assim poderemos vencer na Europa Ocidental. Por isso recusamos totalmente a sua tática, companheiro. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você afirma, companheiro, que nós, membros da Comissão de Amsterdã, esquecemos ou não aprendemos as lições das revoluções anteriores. Ora, companheiro! Eu me lembro muito bem de um fato que diz respeito às revoluções passadas. Ë o seguinte: os partidos de &#8220;extrema-esquerda&#8221; sempre desempenharam um papel eminente, de primeiro plano. Foi assim na revolução holandesa contra a Espanha, na revolução inglesa, na revolução francesa, na Comuna e nas duas revoluções russas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Ora, quanto ao desenvolvimento do movimento operário, existem duas correntes na revolução da Europa Ocidental: a radical e a oportunista. Elas só podem chegar a uma boa tática, à unidade, através da luta entre si. Mas a corrente radical é de longe a melhor, apesar de excessos em certos detalhes, talvez. E você, companheiro Lênin, apóia a corrente oportunista! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">E isto não é tudo! O Executivo de Moscou, os dirigentes russos de uma revolução que só venceu porque teve o apoio de um exército de milhões de camponeses pobres, querem impor sua tática ao proletariado da Europa Ocidental que está só e deve aguentar-se só. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">E, para atingir este objetivo, destroem, como você, a melhor corrente da Europa Ocidental! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Que besteira incrível, e, sobretudo, que dialética! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Quando a revolução explodir no Ocidente da Europa, você verá a desagradável surpresa resultante desta tática! Mas o proletariado é que será a vítima. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você, companheiro, e o Executivo de Moscou, sabem que os sindicatos representam forças contra-revolucionárias. Ë o que se deduz claramente das suas teses. Apesar disso você quer conservá-los. Você também sabe que a União Operária, ou seja, as organizações de fábrica, o Rank and File Movement são organizações revolucionárias. Você próprio afirma em suas teses que as organizações de fábrica devem ser e são nosso objetivo. Apesar disso você quer esmagá-las. Você quer esmagar as organizações nas quais os operários, cada operário, e, em conseqüência, a massa, podem chegar a ter a força e o poder, e quer conservar aquelas onde a massa é um instrumento morto na mão dos dirigentes. Assim, você quer controlar os sindicatos colocando-os nas mãos da III Internacional. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Por que você quer isto? Por que você adota esta tática ruim? Porque você quer antes de tudo agrupar em torno de você as massas, seja qual for o seu nível. Porque, na sua avaliação, basta que as massas estejam enquadradas numa disciplina firme e centralizada (de uma forma comunista, meio comunista, ou nada comunista&#8230;), que vocês, os dirigentes, conseguirão a vitória. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Em uma palavra: porque você aplica uma política de dirigente. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A política de dirigente não é a política que deseja dirigentes e centralização — sem isso nada se pode obter (assim como sem partido nada se pode obter), mas a política que agrupa as massas sem consultá-las sobre suas convicções e seus sentimentos, imaginando que os dirigentes podem vencer, bastando para isto que tenham grandes massas em torno deles. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Mas esta política, defendida hoje por você e pelo Executivo em relação à questão sindical, não terá sucesso na Europa Ocidental. Porque o capitalismo é, no momento atual, muito mais forte, e o proletariado só pode contar com suas próprias forças. A sua política fracassará como a da II Internacional. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Aqui, os operários devem se tornar fortes por eles mesmos e só depois por seus dirigentes. Aqui, o mal, a política de dirigente, deve ser destruído pela raiz. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A tática que vocês adotaram, o Executivo e você, na questão sindical, demonstra com extrema nitidez o seguinte: <em>se vocês não mudarem de tática, não poderão dirigir a revolução na Europa Ocidental. </em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você afirma que a &#8220;esquerda&#8221; se perde no palavrório quando pretende aplicar a sua tática. Ora, companheiro, a &#8220;esquerda&#8221; teve muito pouca, ou não teve, oportunidade de agir em outros países. Mas olhe somente para a Alemanha, considere a tática e o trabalho do KAPD durante o golpe de Kapp e em relação à revolução russa e você será obrigado a retirar o que disse.</span></p>
<div>
<hr size="1" />
<div id="ftn1">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn1" href="#_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">[1]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Naturalmente, é importante compreender que uma nova correlação entre individualismo e centralismo não já está dada como um fato acabado, mas é uma realidade em formação, um processo em desenvolvimento que só se completará através da luta.</span></p>
</div>
<div id="ftn2">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn2" href="#_ftnref2"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">[2]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">A sua observação sarcástica de que a própria União Operária não pode ser pura não nos atinge. Ela só seria correta no quadro da luta da União por melhorias no capitalismo, mas não no quadro da luta da União pela revolução.</span></p>
</div>
<div id="ftn3">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn3" href="#_ftnref3"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">[3]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Os Shop-Committees, Shop-Stewards, e, particularmente no País de Gales, as Industrial Unions.</span></p>
</div>
<div id="ftn4">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn4" href="#_ftnref4"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">[4]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Afirmar que este movimento na Alemanha foi provocado &#8220;de cima para baixo&#8221; não passa de uma calúnia.</span></p>
</div>
<div id="ftn5">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><a name="_ftn5" href="#_ftnref5"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:&#34;">[5]</span></span></span></span></a> <span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Você nos apresenta, companheiro, como já outros o fizeram tantas vezes, o argumento de que os comunistas se desligam das massas, que deixam os sindicatos. Mas não é nas fábricas que o contato se faz todos os dias? E as fabricas já não se transformaram, neste momento, em algo mais do que um lugar de contato, em algo parecido a um local de deliberação? Se é assim, como os &#8220;esquerdistas&#8221; poderiam desligar-se das massas? </span></p>
<p class="MsoFootnoteText">
</div>
<div id="ftn6">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn6" href="#_ftnref6"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">[6]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">O seguinte exemplo pode nos dar uma idéia do caos para onde o oportunismo nos leva: em certos países, ao lado dos sindicatos reformistas, existem organizações sindicalistas revolucionárias que, apesar de ruins, lutam melhor que as primeiras. As teses de Moscou exigem o ingresso destas organizações sindicalistas nas grandes organizações reformistas. Obrigam, assim, por exemplo, na Holanda, os comunistas a serem &#8220;fura-greves&#8221;. Mas ainda há mais: a União Operária alemã é condenada porque defende a cisão. Mas o que faz a Internacional? Constrói uma nova Internacional sindical! </span></p>
</div>
</div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Carta Aberta ao Companheiro Lenin]]></title>
<link>http://silenciodospoetas.wordpress.com/2009/04/21/carta-aberta-ao-companheiro-lenin/</link>
<pubDate>Tue, 21 Apr 2009 23:35:27 +0000</pubDate>
<dc:creator>Eugénio Calado</dc:creator>
<guid>http://silenciodospoetas.wordpress.com/2009/04/21/carta-aberta-ao-companheiro-lenin/</guid>
<description><![CDATA[Tendo ainda as Insurreições para acabar de traduzir, como estou a preparar a edição web da carta de ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Tendo ainda as <em>Insurreições</em> para acabar de traduzir, como estou a preparar a edição web da carta de Gorter que dá nome a este <em>post</em>, vou publicando-a aqui. É uma resposta à infame brochura do &#8220;companheiro&#8221; Lenine, O esquerdismo: doença infantil do comunismo, em que este atacava a Esquerda por esta se recusar a cair no parlamentarismo e no sindicalismo, cujo papel contra-revolucionário essa esquerda tinha já desmascarado, aliás, uma sua contribuição que ficou, embora geralmente esquecida nas gavetas em períodos de carneirismo social. Esta é uma edição brasileira, mas como tinha que revê-la à cata de gralhas de digitalização e para colocar as notas no devido lugar, corrigi o que me pareceram erros (de tradução ou digitalização) e faltas de parágrafos, que também não existem na versão francesa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;">Carta aberta ao companheiro Lênin<a name="_ftnref1" href="#_ftn1"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><strong><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;">[1]</span></strong></span></span></span></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;"> Herman Gorter</span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">INTRODUÇÃO</span></strong><span style="font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Desejaria chamar sua atenção, companheiro Lênin, a sua e a do leitor, para o fato de que o presente texto foi escrito durante a marcha vitoriosa dos russos sobre Varsóvia<a name="_ftnref2" href="#_ftn2"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[2]</span></span></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Desejaria igualmente pedir desculpas a você e ao leitor pelas numerosas repetições. Não pude evitá-lo na medida em que a tática dos &#8220;esquerdistas&#8221; era desconhecida pelos operários de quase todos os países. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">MASSAS E DIRIGENTES </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Caro companheiro Lênin: </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Li seu texto sobre o extremismo no movimento comunista. Aprendi muito com ele, como com todas as suas obras. Agradeço-lhe por isto e muitos outros companheiros certamente farão o mesmo. Eu estava, sem dúvida, atacado por esta doença infantil e a leitura do texto expeliu vários dos seus sintomas e germes. Creio que este processo continuará daqui para a frente. Da mesma forma, é totalmente correto o que você disse da confusão que a revolução provocou em muitas cabeças. É claro: a revolução veio tão de repente e contrariou tanto as expectativas! Com o seu trabalho ficarei, sempre e cada vez mais, estimulado a basear minha avaliação sobre todas as questões táticas, inclusive as relativas à revolução, unicamente na situação real, nas relações reais entre as classes, exatamente como elas se manifestam política e economicamente. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Depois de ler seu trabalho, pensei: tudo isto é correto. Mais tarde, porém, quando, pensando melhor, perguntei a mim mesmo se, a partir de agora, deveria deixar de apoiar a &#8220;Esquerda&#8221; e de escrever artigos para o KAPD (Partido Comunista Operário Alemão) e para o partido de oposição na Inglaterra, fui obrigado a concluir que não. Parece contraditório. Mas a contradição, companheiro, deriva do fato de que, no texto, o seu ponto de partida não é correto. A meu ver, você erra quando faz um paralelismo entre a revolução da Europa Ocidental e a revolução russa, quando avalia as condições da revolução na Europa Ocidental, ou seja, a relação das forças de classes, demonstrando desconhecer o terreno de desenvolvimento da esquerda, da oposição. Assim o trabalho parece ser correto, se adotarmos o seu <em>ponto de partida; </em>se o rejeitarmos (e é isto o que se deve fazer), então <em>O Conjunto do seu trabalho é falso. </em>Na medida em que suas avaliações, umas erradas, outras radicalmente falsas, se articulam na condenação do movimento de esquerda, particularmente na Alemanha e na Inglaterra, penso estar agindo bem ao responder ao seu trabalho com uma defesa da Esquerda porque, embora não concorde em toda a linha com este movimento (e os seus próprios dirigentes sabem disso), continuo absolutamente decidido a defendê-lo. Terei então oportunidade, não só de mostrar o terreno de seu desenvolvimento, de provar seu direito à existência e suas atuais qualidades, hoje, na Europa Ocidental, no estágio atual, mas também — e talvez isto seja igualmente importante — <em>de combater </em>as representações invertidas sobre a revolução na Europa Ocidental, que são dominantes, sobretudo na Rússia. As duas coisas são importantes, porque tanto a tática na Europa Ocidental quanto na Rússia dependem da concepção da revolução na Europa Ocidental. </span></p>
<p><!--more--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Teria preferido realizar este trabalho no Congresso da Internacional, mas não tive condições de estar presente em Moscou. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Em primeiro lugar, devo refutar duas observações suas que podem falsear a opinião dos companheiros e dos leitores. Você fala com ironia e sarcasmo da inépcia ridiculamente pueril da luta que se trava na Alemanha a propósito da &#8220;ditadura dos dirigentes ou das massas&#8221;, &#8220;da cúpula ou da base&#8221;, etc&#8230; Concordamos integralmente com o fato de que tais problemas não deveriam ser colocados. Mas não concordamos com a ironia. Porque, infelizmente, estes problemas ainda estão na ordem do dia na Europa Ocidental. De fato temos, na Europa Ocidental, em muitos países ainda, dirigentes semelhantes aos que havia na II Internacional, estamos ainda procurando dirigentes autênticos <em>que não tentem dominar as massas </em>e não as atraiçoem, e enquanto não tivermos tais dirigentes queremos que tudo se faça de baixo para cima, e pela ditadura das próprias massas. Se meu guia nas montanhas está me levando para o abismo, prefiro ficar sem guia. Quando tivermos autênticos dirigentes, deixaremos de procurá-los. Neste momento, massas e dirigentes serão uma só e mesma coisa. É simplesmente isto que queremos dizer com estas palavras, nós, a esquerda alemã e a esquerda inglesa. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A mesma coisa é válida para a sua segunda observação, segundo a qual o dirigente deve formar com a massa e a classe um todo homogêneo. Estamos totalmente de acordo. Agora só falta encontrar e educar tais dirigentes, que sejam verdadeiramente ligados à massa. Encontrá-los e educá-los — as massas, os partidos políticos e os sindicatos só poderão fazê-lo no contexto de uma luta extremamente difícil que deverá também ser travada no plano interno. O mesmo se pode dizer da disciplina de ferro e do centralismo reforçado. Concordamos com isto, mas somente depois de ter encontrado autênticos dirigentes como nunca antes tivemos. Nesta duríssima batalha que se trava agora com grande esforço, na Alemanha e na Inglaterra — países mais próximos da realização do comunismo — a sua ironia só pode ter urna influência nefasta. <em>O seu sarcasmo </em>faz <em>o jogo dos elementos oportunistas da Terceira Internacional. </em>Porque este é um dos meios utilizados por elementos na Liga Spartacus e no BSP (Partido Socialista Britânico) da Inglaterra (e igualmente nos partidos comunistas de vários outros países) para enganar os operários, dizendo-lhes que todo o problema da Massa e do Dirigente é um contra-senso, &#8220;é absurdo e pueril&#8221;. Usando esta frase, eles evitam, ou querem evitar, a crítica que se faz contra eles, os dirigentes. E esmagam a oposição utilizando-se da frase da disciplina de ferro e da centralização. Você faz a cama para os elementos oportunistas se deitarem. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você não deve fazer isto, companheiro. Na Europa Ocidental, ainda estamos na fase de preparação. D<em>everíamos preferir apoiar os que combatem e não os dominadores. </em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Passo adiante porque voltarei ainda ao assunto nesta carta. Há, porém, uma razão mais profunda pela qual não posso concordar com o seu texto. Trata-se do seguinte: </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Quando nós, marxistas da Europa Ocidental, lemos os seus trabalhos, estudos e livros, sentimos admiração e concordamos com eles, mas num certo momento, quase sempre, tornamo-nos prudentes na leitura, esperamos esclarecimentos mais detalhados; entretanto, como os esclarecimentos, mais tarde, não são fornecidos, ficamos na maior dúvida. Ë quando você fala dos operários <em>e dos camponeses pobres; </em>você fala nisso muitas e muitas vezes. E você fala sempre destas duas categorias como sendo fatores revolucionários no mundo inteiro. E em nenhum momento, ao menos do que eu tenha lido, você distingue clara e perfeitamente <em>a enorme diferença existente neste ponto entre a Rússia, de um lado </em>(inclusive certos países da Europa Oriental), <em>e, de outro lado, a Europa Ocidental </em>(isto é, a Alemanha, a França, a Inglaterra, a Bélgica, a Holanda, a Suíça e os países escandinavos, talvez até mesmo a Itália). Ora, a meu ver, a base material das divergências de avaliação que separam você do que se tornou conhecido como a &#8220;Esquerda&#8221; na Europa Ocidental, no que se refere à tática nas questões sindical e parlamentar, é exatamente a diferença existente em relação a este ponto entre a Rússia e a Europa Ocidental. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você conhece naturalmente tão bem quanto eu esta diferença, mas você não tira daí nenhuma conclusão para a tática na Europa Ocidental, ao menos nos seus trabalhos que tive oportunidade de ler. Você não se dignou a considerar este problema e, por isso mesmo, a sua avaliação sobre a tática na Europa Ocidental é falsa<a name="_ftnref3" href="#_ftn3"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[3]</span></span></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Isto foi e continua sendo tanto mais perigoso quanto se sabe que em toda a Europa Ocidental esta frase, de sua autoria, é repetida mecanicamente em todos os partidos comunistas, mesmo por marxistas. Chega a parecer, se acreditamos nos jornais, revistas e textos comunistas, assim como nas reuniões públicas, que, de repente, uma revolta dos camponeses pobres se aproxima na Europa Ocidental. Não se observa a grande diferença existente em relação à Rússia. E por isso o pensamento das pessoas fica falseado, e o do proletariado também. Na Rússia você conta com uma imensa classe de camponeses pobres, e a vitória <em>só</em> foi possível com o seu apoio — por isso você apresenta as coisas como se na Europa Ocidental pudéssemos contar também com a perspectiva deste apoio. E porque na Rússia você só venceu com este apoio, você apresenta as coisas como se ele fosse também indispensável para vencer aqui também. O seu silêncio sobre esta questão, no que se refere à sua aplicação na Europa Ocidental, faz parecer que você apresenta as coisas desta forma, e o conjunto de sua tática baseia-se nesta concepção. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Mas esta concepção não é verdadeira. Há uma enorme diferença entre a Rússia e a Europa Ocidental. Em geral, a importância dos camponeses pobres como fator revolucionário diminui de Leste para Oeste. Em regiões da Ásia, da China e da Índia, esta classe seria absolutamente determinante, se uma revolução explodisse. Na Rússia ela representa para a revolução um fator indispensável e essencial. Na Polônia e em alguns outros estados da Europa Meridional e Central, ela ainda constitui um trunfo importante <em>para </em>a revolução, mas quanto mais vamos para Oeste; mais a veremos se erguer hostil <em>diante </em>da revolução. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A Rússia tinha um proletariado industrial de 7 a 8 milhões de pessoas. Mas os camponeses pobres eram cerca de 25 milhões. (Vocês me perdoarão as eventuais inexatidões nos números, estou citando de cabeça porque esta carta é urgente.) Quando Kerensky recusou-se a dar a terra aos camponeses pobres, você sabia que eles viriam rápida e inevitavelmente para o seu lado, desde que percebessem a manobra. Isto não acontece e não acontecerá na Europa Ocidental; tal situação não existe nos países da Europa Ocidental citados por mim. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A situação dos camponeses pobres na Europa Ocidental é totalmente diferente da existente na Rússia. Ainda que ela seja às vezes terrível, não é tanto como na Rússia. Aqui os camponeses pobres têm um pedacinho de terra como arrendatários ou como proprietários. Os meios de transporte bastante desenvolvidos lhes permitem muitas vezes vender alguma coisa. Nos piores momentos têm quase sempre algo para se alimentar. As últimas décadas lhes trouxeram alguns melhoramentos. Eles têm condições agora de exigir altos preços em períodos de guerra e de pós-guerra. São indispensáveis porque os produtos alimentares são importados em pequenas proporções. Isto lhes permite manter preços altos. Eles são apoiados pelo capitalismo e o capital os apoiará enquanto permanecer vivo. A situação dos camponeses pobres na Rússia era muito mais terrível. Por isso, na Rússia, os camponeses pobres tinham também seu programa político revolucionário e estavam organizados num partido político revolucionário, os Socialistas-Revolucionários<a name="_ftnref4" href="#_ftn4"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[4]</span></span></span></span></a>. Não é absolutamente o que se passa aqui. Além disso, havia na Rússia uma enorme quantidade de bens que podiam ser divididos: grandes propriedades fundiárias, bens da Coroa, terras do Estado, bens monásticos. Mas o que é que os comunistas da Europa Ocidental poderiam oferecer aos camponeses pobres para trazê-los para a revolução, para, agrupá-los em torno deles? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Existiam na Alemanha (antes da guerra) de quatro a cinco milhões de camponeses pobres (até 2 hectares). As explorações verdadeiramente grandes (mais de 100 hectares) contavam apenas com 8 a 9 milhões de hectares… Se os comunistas distribuíssem tudo isso, os camponeses pobres continuariam camponeses pobres, porque os 7 a 8 milhões de operários agrícolas desejariam também alguma coisa. Mas nem será possível distribuir todas as explorações porque eles próprios as conservarão como grandes explorações<a name="_ftnref5" href="#_ftn5"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[5]</span></span></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Assim os comunistas na Alemanha não têm meios, salvo em certas regiões relativamente pequenas, de atrair os camponeses pobres, porque as explorações médias e pequenas não serão evidentemente expropriadas. Absolutamente análoga é a situação dos quatro ou cinco milhões de camponeses pobres da França; e o mesmo acontece na Suíça, Bélgica, Holanda, e em dois países escandinavos<a name="_ftnref6" href="#_ftn6"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[6]</span></span></span></span></a>. Em toda a parte dominam as explorações médias e pequenas. Mesmo na Itália o problema ainda depende de estudos. Para não falar na Inglaterra, onde só existiriam cem a duzentos mil camponeses pobres. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Os números mostram também que são relativamente poucos os camponeses pobres na Europa Ocidental. Portanto, as tropas auxiliares, se existissem, seriam somente em pequena quantidade. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">De outro lado, a promessa de que em regime comunista eles não seriam obrigados a pagar rendas ou dívidas hipotecárias não poderia atraí-los. Porque, para eles, o comunismo é sinônimo de guerra civil, de desaparecimento de mercados e de devastação. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Os camponeses pobres na Europa Ocidental, a menos que sobrevenha uma crise muito mais terrível que a existente atualmente na Alemanha, uma crise cujo caráter desastroso ultrapasse tudo o que aconteceu até hoje, permanecerão com o capitalismo enquanto ele tiver um sopro de vida. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Os operários na Europa Ocidental estão absolutamente sós. Porque só poderão contar com o apoio de uma pequeníssima camada da pequena burguesia pobre. E esta é insignificante do ponto de vista econômico. Os operários deverão carregar absolutamente sós o peso da revolução. Esta é a grande diferença com a Rússia. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Talvez, companheiro Lênin, você dirá que a mesma coisa acontecia na Rússia. Na Rússia, igualmente, o proletariado fez sozinho a Revolução. Foi somente após a Revolução que os camponeses pobres aderiram. Ë verdade, mas a diferença continua impressionante. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você sabia, companheiro Lênin, que os camponeses adeririam rápida e seguramente à luta de vocês. Você sabia que Kerensky não podia nem queria lhes dar a terra. Você sabia que eles não apoiariam mais Kerensky durante muito tempo. Você tinha uma fórmula mágica, &#8220;a terra aos camponeses&#8221;, com a qual você poderia conduzi-los rapidamente, em alguns meses, para o lado do proletariado. Nós, ao contrário, temos seguras previsões de que em todo o continente da Europa Ocidental eles apoiarão o capitalismo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você poderá dizer, talvez, que é inegável que na Alemanha não haja uma grande massa de camponeses pobres que esteja em condições de nos apoiar, mas que milhares de proletários que ainda estão agora com a burguesia aderirão seguramente à nossa luta. Assim, o lugar dos camponeses pobres russos seria aqui ocupado pelos proletários. E, dessa forma, haveria reforços para a nossa luta. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Esta concepção também é essencialmente falsa. A diferença com a Rússia continua enorme. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Porque os camponeses russos aderiram ao proletariado <em>depois </em>da vitória contra o capitalismo. Mas na Alemanha a luta só começará efetivamente quando os operários que ainda hoje apóiam o capitalismo aderirem ao comunismo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Os companheiros russos venceram única e exclusivamente porque os’ camponeses pobres estiveram ao seu lado. E a vitória ia tornando-se firme e sólida enquanto eles iam mudando de lado. O fato de que os operários alemães estejam ao lado do capitalismo não nos dá nenhuma condição de vitória e a vitória não será mais fácil por isso, e quando eles aderirem à nossa luta a verdadeira batalha apenas começará. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A Revolução Russa foi terrível para o proletariado durante os longos anos de sua preparação. E continua assustadora depois que venceu. Mas ela foi fácil no exato momento em que ocorreu, justamente por causa dos camponeses. Na Alemanha é totalmente diferente, é exatamente o inverso. Antes, ela é fácil, e depois será fácil. Mas a própria revolução será terrível. Provavelmente mais terrível que todas as outras revoluções. Porque o capitalismo, que era fraco na Rússia, que acabava de sair do feudalismo, da Idade Média e mesmo da barbárie, é forte entre nós, poderosamente organizado e solidamente enraizado. Quanto às camadas inferiores das classes médias, quanto aos pequenos camponeses e aos camponeses pobres, estes elementos que estão sempre do lado do mais forte apoiarão o capitalismo até o seu fim definitivo, à exceção de uma pequena camada sem importância econômica. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A revolução na Rússia venceu, pelo apoio dos camponeses pobres. Isto deve ser lembrado aqui na Europa Ocidental e em todas as partes do mundo. Mas os operários na Europa Ocidental estão sós. Nunca se deve esquecer isto na Rússia. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">O proletariado na Europa Ocidental está só. Eis a verdade. Nossa tática deve basear-se nisto, nesta verdade. As táticas que não se basearem nisto são falsas, e conduzirão o proletariado a imensas derrotas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A prática também prova a verdade desta afirmação. De fato, os pequenos camponeses da Europa Ocidental não só não têm programa, e não reivindicam a terra, mas também não se movimentam neste momento, quando o comunismo se aproxima. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Esta afirmação, naturalmente, não deve ser entendida num sentido absoluto. Há, como já disse, na Europa Ocidental, regiões dominadas pela grande propriedade, onde, em consequência, os camponeses poderão ser considerados aliados do comunismo. Em outras regiões, em função de circunstâncias locais, etc, os camponeses poderão ser ganhos. Mas tais regiões são relativamente pouco numerosas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Minha afirmação também não tem o sentido de dizer que, no final da revolução, quando tudo se derrubar, nenhum camponês pobre aderirá à nossa luta. Isto é indubitável. Justamente por essa razão devemos fazer propaganda entre eles. Mas temos de determinar nossa tática considerando o começo e o desenvolvimento da revolução. E a maneira de ser e a tendência geral das circunstâncias apresentam-se da forma como descrevi. E é somente com base nisto que se pode e se deve basear uma tática<a name="_ftnref7" href="#_ftn7"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[7]</span></span></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A primeira conseqüência disso — e devemos dizê-lo repetidamente e claramente — é que na Europa Ocidental a verdadeira revolução, isto é, a derrubada do capitalismo e a construção e defesa do comunismo a longo prazo, só é agora possível nos países onde o proletariado sozinho é suficientemente forte para enfrentar todas as demais classes, portanto, na Alemanha e na Inglaterra — e na Itália, onde o apoio dos camponeses pobres <span> </span>não é possível. Em outros países a revolução só pode ser preparada pela propaganda, pela organização e pela luta. A própria revolução só poderá ocorrer quando a economia tiver sido abalada pela revolução nos maiores Estados (Rússia, Alemanha, Inglaterra) de tal maneira que as classes burguesas fiquem suficientemente enfraquecidas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Porque você me fará naturalmente uma concessão: é que não podemos definir nossa tática com base em acontecimentos, que talvez ocorram mas que talvez não ocorram (apoio dos exércitos russos, insurreição hindu, crise terrível como jamais aconteceu, etc.). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Então, companheiro, esta é a sua primeira grande falha: não ter visto a verdade sobre o significado dos camponeses pobres. Ë ao mesmo tempo a falha do Executivo em Moscou e do Congresso Internacional. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Continuando. Qual o significado, então, do ponto de vista da tática, do isolamento do proletariado ocidental (tão diferente da situação do proletariado russo), do fato de que ele não pode esperar nenhum apoio de lugar nenhum, de nenhuma outra classe? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Isto significa que entre nós a situação exigirá das massas muito maiores esforços do que na Rússia. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">E, em segundo lugar, que a importância dos dirigentes é proporcionalmente menor. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Porque as massas russas, os proletários, previam com exatidão, e já constatavam durante a guerra — e isto saltava aos olhos —, que os camponeses se colocariam rapidamente ao seu lado. Os proletários alemães, começando por falar apenas deles, sabem que terão de enfrentar o capitalismo alemão e o conjunto das demais classes. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Os proletários alemães, sem dúvida, já antes da guerra, contavam com 19 a 20 milhões de autênticos operários numa população de 70 milhões. Mas eles estão sozinhos em face das demais classes. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Encontram-se frente a um capitalismo muito mais forte do que os russos enfrentavam, e <em>sem armas</em>. Os russos estavam armados. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A revolução portanto, exige ainda de cada proletário alemão, de cada indivíduo, muito mais coragem e espírito de sacrifício do que dos russos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Isto resulta das relações econômicas, das relações entre as classes na Alemanha, e não de uma teoria qualquer ou da imaginação de revolucionários românticos ou de intelectuais. </span></p>
<p><span style="font-family:Arial;">Se a classe operária, ou pelo menos a sua esmagadora maioria, não se compromete indivíduo por indivíduo, com uma energia quase sobre-humana, a favor da revolução, contra todas as demais classes, a derrota está assegurada. Você me concederá, com efeito, que para estabelecer nossa táctica necessitamos contar com as nossas próprias forças e não com uma ajuda estrangeira, russa, por exemplo.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial;">O proletariado sozinho, sem ajuda, quase sem armas, enfrentando um capitalismo homogêneo, isto quer dizer na Alemanha: cada proletário, a grande maioria deles, tornar-se um militante consciente; cada proletário tornar-se um herói. </span><span style="font-family:Arial;" lang="ES">E o </span><span style="font-family:Arial;">mesmo</span><span style="font-family:Arial;"> </span><span style="font-family:Arial;">ocorre em</span><span style="font-family:Arial;" lang="ES"> toda a Europa </span><span style="font-family:Arial;">Ocidental</span><span style="font-family:Arial;" lang="ES">. </span><span style="font-family:Arial;">A maioria do proletariado a tornar em militantes conscientes e organizados, em comunistas autênticos, devem ser em maior número, relativa e absolutamente, entre nós do que na Rússia.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial;">Uma vez mais: isto, como conseqüência não de invenções, de sonhos de intelectual ou de poeta, mas da mais pura realidade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Na medida em que aumenta a importância da classe, diminui proporcionalmente a importância dos dirigentes. O que não quer dizer que não devamos ter os melhores dirigentes possíveis: os melhores entre os melhores não são ainda bastante bons e nós estamos precisamente em busca deles. Isto significa apenas que, em comparação com a importância das massas, a dos dirigentes diminui. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Se precisássemos ganhar, como você, com sete ou oito milhões de proletários, um país de cento e sessenta milhões de habitantes, então, claro, seria enorme a importância dos dirigentes! Quando precisamos vencer com tão poucos homens um tão grande número, a tática assume uma importância de primeira grandeza. Quando, como vocês, companheiros, temos tão poucas tropas, mas contamos com uma força auxiliar e um país tamanho, então o que importa, em primeiro lugar, é a tática <em>do dirigente. </em>Quando você começou a luta, companheiro Lênin, com um pequeno contingente de proletários, foi a sua tática, em primeiro lugar, que, no momento propício, orientou as batalhas e aglutinou os camponeses pobres. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Mas, e na Alemanha? Aqui a tática mais inteligente, a maior clareza, o próprio gênio do dirigente não é o essencial, nem o fator principal. Aqui, inexoravelmente, as classes estão em presença, uma contra todas. Aqui, o próprio proletariado deve decidir, como classe. Com o seu poderio, seu número. Mas o <em>seu poderio, </em>diante de um inimigo tão formidável e de uma superioridade de organização e de armamento tão esmagadora, <em>baseia-se principalmente em sua qualidade. </em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Diante das classes proprietárias russas você estava como Davi diante de Golias. Davi era pequeno, mas tinha uma arma seguramente mortal. O proletariado alemão, inglês, europeu ocidental, está diante do capitalismo como gigante contra gigante. Para ele tudo depende somente da força. A força do corpo e, sobretudo, a do espírito. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Você não observou, companheiro Lênin, que não há &#8220;grandes&#8221; dirigentes na Alemanha? Todos são homens absolutamente comuns. O que já demonstra que esta revolução deve ser, em primeiro lugar, obra das massas e não dos dirigentes. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A meu ver, será algo grandioso, maior do que tudo que houve até agora. E uma indicação do que será o comunismo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Isto ocorrerá na Alemanha e em toda a Europa Ocidental. Porque o proletariado está sozinho em todos os países. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Será a revolução das massas, não porque isso seja bom ou belo, ou inventado por alguém, mas porque está determinado pelas relações econômicas e pelas relações entre as classes<a name="_ftnref8" href="#_ftn8"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[8]</span></span></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Esta diferença entre a Rússia e a Europa Ocidental provoca, além disso, as seguintes conseqüências: </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">1.a) Quando você, ou o Executivo de Moscou, ou os comunistas oportunistas ocidentais da Liga Spartacus ou do PC da Inglaterra que seguem suas orientações, quando vocês dizem que uma luta em torno da questão <em>dirigentes ou massas </em>é um contra-senso, não somente vocês cometem um erro em relação a nós que procuramos ainda um dirigente, mas também erram porque a questão tem para nós um significado completamente diferente do que tinha para vocês. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">2.a) Quando você vem nos dizer: dirigente e massa devem se fundir numa coisa só, você não se engana apenas em relação a nós que procuramos exatamente uma tal unidade, mas também em relação à questão, que para nós tem um significado diferente do que para vocês. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">3.a) Quando você vem nos dizer: no partido comunista deve haver uma disciplina de ferro e uma centralização absoluta, militar, você não se engana apenas em relação a nós que procuramos efetivamente uma disciplina de ferro e uma forte centralização, mas também em relação à questão que, para nós, tem um significado diferente do que para vocês. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">4.a) Quando você vem nos dizer: na Rússia, agimos desta ou daquela forma (por exemplo, depois da ofensiva de Kornilov<a name="_ftnref9" href="#_ftn9"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[9]</span></span></span></span></a> ou quando aconteceu um outro episódio importante), neste ou naquele período íamos ao parlamento, ou não permanecíamos nos sindicatos, tudo isto não significa absolutamente nada e não leva necessariamente a que esta tática possa ou deva adequar-se a nós, porque as relações de classe na Europa Ocidental, na luta e na revolução, são totalmente diferentes da Rússia. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">5.) Quando você, ou o Executivo de Moscou, ou os comunistas oportunistas na Europa Ocidental, pretendem nos impor uma tática que era perfeitamente correta na Rússia — por exemplo, uma tática concebida e baseada consciente ou inconscientemente no fato de que os camponeses pobres ou outras camadas de trabalhadores viriam rapidamente para o lado de vocês, ou seja, no fato de que o proletariado não estava só —, esta tática prescrita para nós, ou aplicada aqui, conduzirá o proletariado ocidental apenas à sua perda e a derrotas terríveis. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">6.) Quando você, ou o Executivo em Moscou, ou os elementos oportunistas na Europa Ocidental, como o comitê central da Liga Spartacus na Alemanha e o BSP na Inglaterra, quando vocês querem nos impor, aqui, na Europa Ocidental, uma tática oportunista (o oportunismo sempre se apóia em elementos estranhos prontos a abandonar o proletariado), vocês cometem um erro. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">São, as seguintes as bases gerais sobre as quais deve ser formulada a tática na Europa Ocidental: o isolamento do proletariado, a ausência de perspectivas de aliados, a importância superior da massa e a menor importância relativa dos dirigentes. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Nem Radek quando estava na Alemanha, nem o Executivo da Internacional em Moscou, nem você mesmo, de acordo com os seus textos, não perceberam estas bases. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Sobre estas bases, o isolamento do proletariado e a predominância das massas e dos indivíduos, formula-se a tática do KAPD, do Partido Comunista de Sylvia Pankhurst<a name="_ftnref10" href="#_ftn10"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[10]</span></span></span></span></a>, e da maioria da Comissão de Amsterdã<a name="_ftnref11" href="#_ftn11"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[11]</span></span></span></span></a>, tal como foi denominada por Moscou. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Por estas razões, eles tentam principalmente educar as massas, como unidade e como conjunto de indivíduos, num nível muito mais alto de desenvolvimento, tentam educar os proletários, um por um, para fazer deles combatentes revolucionários, advertindo-os claramente (não só pela teoria, mas sobretudo pela prática) de que tudo depende deles, de que não devem esperar nada da ajuda estrangeira, nem de outras classes, e muito pouco de <em>seus </em>dirigentes, mas tudo deles próprios. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Teoricamente, portanto, se não se levam em consideração afirmações particulares<a name="_ftnref12" href="#_ftn12"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;">[12]</span></span></span></span></a>, questões de detalhe e certas aberrações, como as de Wolfheim e de Laufenberg, inevitáveis no início de um movimento, a concepção dos partidos e dos companheiros citados acima é totalmente correta e o seu ataque é falso, completamente falso. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Se viajamos de Leste para Oeste da Europa, atravessamos, num certo momento, uma fronteira econômica. Ela vai do Báltico ao Mediterrâneo, mais ou menos de Dantzig a Veneza. É a linha de demarcação de dois mundos. A ocidente desta linha, o capital industrial, comercial e bancário, unificado no capital financeiro desenvolvido no mais alto nível, domina quase completamente. O próprio capital agrário está subordinado a este capital ou já foi obrigado a se unificar com ele. Este capital é altamente organizado e se concentra nos mais sólidos governos e Estados do mundo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">A leste desta linha, não existe nem o imenso desenvolvimento do capital concentrado da indústria, do comércio, dos transportes, dos bancos, nem sua dominação quase absoluta, nem, conseqüentemente, o Estado moderno solidamente edificado. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;">Seria portanto um milagre que a tática do proletariado revolucionário fosse a mesma a leste e a oeste desta linha. </span></p>
<div>
<hr size="1" />
<div id="ftn1">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn1" href="#_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[1]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Texto do Autor de 1920 em resposta ao texto &#8220;Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo&#8221;, de Lênin. Tradução de Daniel Aarão Reis Filho. [Introduzimos algumas alterações. Velha Toupeira]</span></p>
</div>
<div id="ftn2">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn2" href="#_ftnref2"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[2]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">O Autor refere-se à ofensiva do Exército Vermelho que, mediante uma &#8220;guerra revolucionária&#8221;, pretendia auxiliar o proletariado polonês a livrar-se de sua burguesia. Porém, os poloneses, sob direção do general Pilsudsky, contiveram o Exército Vermelho às portas de Varsóvia obrigando-o a retroceder. (N.do Org.)</span></p>
</div>
<div id="ftn3">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn3" href="#_ftnref3"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[3]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Você escreve, por exemplo, em <em>O Estado</em><em> e a Revolução </em>(p. 67): &#8220;A maioria esmagadora do campesinato, nos países capitalistas onde há verdadeiramente um campesinato, é oprimida pelo governo e aspira à sua derrubada, ao estabelecimento de um governo ‘barato’. Para conseguir este objetivo somente o proletariado é predestinado. A dificuldade, porém, é que o campesinato não aspira ao comunismo.</span></p>
</div>
<div id="ftn4">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn4" href="#_ftnref4"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[4]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">O Partido Socialista Revolucionário russo era dirigido por Vitor Tchernov, constituído na sua maioria de camponeses. No processo de Outubro forma-se uma ala esquerda liderada por Maria Spridonova que apóia Lênin. Porém, a guerra civil e a invasão estrangeira levariam ao fim da aliança e à ditadura do partido único. (N. do Org.)</span></p>
</div>
<div id="ftn5">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn5" href="#_ftnref5"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[5]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">As teses agrárias de Moscou o confirmam.</span></p>
</div>
<div id="ftn6">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn6" href="#_ftnref6"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[6]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Não possuo dados estatísticos para a Suécia e a Espanha.</span></p>
</div>
<div id="ftn7">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn7" href="#_ftnref7"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[7]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Você, companheiro, certamente não tentará ganhar uma batalha atribuindo um sentido absoluto às afirmações de seus adversários, como fazem os espíritos mesquinhos. Minha observação acima portanto só se destina a estes.</span></p>
</div>
<div id="ftn8">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn8" href="#_ftnref8"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[8]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Não me refiro aqui ao fato de que em função desta diferença de relação numérica (20 milhões em 70 milhões na Alemanha), a importância da massa e dos dirigentes e a relação entre massa, partido e dirigentes, mesmo durante e no final da revolução, serão diferentes em relação à Rússia. O desenvolvimento desta questão, extremamente importante em si mesma, me levaria muito longe agora.</span></p>
</div>
<div id="ftn9">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn9" href="#_ftnref9"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[9]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Kornilov, um general czarista, inconformado com o constitucionalismo de Kerensky e a ascensão dos sovietes (conselhos), pretendia, mediante um golpe de Estado, restabelecer a Monarquia. Sua tentativa foi derrotada. (N. do Org.)</span></p>
</div>
<div id="ftn10">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn10" href="#_ftnref10"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[10]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Pelo menos até agora. <strong>Sylvia Pankhurst foi uma das primeiras líderes trabalhistas e feministas na Grã-Bretanha, de indiscutível prestígio popular na época. (N. do Org. a negrito)</strong></span></p>
</div>
<div id="ftn11">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn11" href="#_ftnref11"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[11]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Comissão de Amsterdã, formada por elementos que romperam com a II Internacional e procuraram aproximar-se da III Internacional, apoiando a noção da importância das bases em relação aos dirigentes e da ação direta das massas em relação aos líderes que &#8220;falavam&#8221; em seu nome. (N. do Org.)</span></p>
</div>
<div id="ftn12">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn12" href="#_ftnref12"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:8pt;font-family:&#34;">[12]</span></span></span></span></a> <span style="font-family:Arial;">Na discussão com você fiquei surpreso pela utilização que você sempre faz das opiniões particulares do adversário e não de suas posições oficiais.</span></p>
</div>
</div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ik was altijd de uitgekotste dichteres, zei D. Hooijer vrolijk toen ze de Libris ontving. (Een literaire webwandeling).]]></title>
<link>http://janien.wordpress.com/2008/05/07/ik-was-altijd-de-uitgekotste-dichteres-zei-d-hooijer-vrolijk-toen-ze-de-libris-ontving-een-literaire-webwandeling/</link>
<pubDate>Wed, 07 May 2008 11:05:27 +0000</pubDate>
<dc:creator>janien</dc:creator>
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<description><![CDATA[D. Hooijer Foto the ledge Een nieuwe lente en een nieuw geluid: een nieuw literair geluid, dat is de]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong><a href="http://janien.files.wordpress.com/2008/05/hooijerfotoledge.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-823" src="http://janien.wordpress.com/files/2008/05/hooijerfotoledge.jpg" alt="" width="400" height="359" /></a></strong></p>
<p><strong>D. Hooijer</strong> Foto <a href="http://www.the-ledge.com/HTML/person.php?ID=16&#38;lan=n\')')">the ledge</a></p>
<p><strong>Een nieuwe lente en een nieuw geluid</strong>: een nieuw <strong>literair</strong> geluid, dat is de <strong>schrijfster D. Hooijer </strong>voor mij. Vo<strong></strong>or haar citeer ik een kort stukje uit een van mijn favorieten, het zeer lange gedicht <strong><em>Mei </em>van Herman Gorter</strong> (mijn uitgave telt 159 pagina&#8217;s). Het zijn de wel zeer beroemde beginverzen die ik van buiten ken en in de loop der jaren zeer dikwijls voorgedragen heb in mijn literatuurlessen.</p>
<p><span style="color:#3366ff;">Een nieuwe lente en een nieuw geluid:<br />
Ik wil dat dit lied klinkt als het gefluit,<br />
Dat ik vaak hoorde voor een zomernacht<br />
in een oud stadje, langs de watergracht -<br />
In huis was &#8216;t donker, maar de stille straat<br />
Vergaarde schemer, aan de lucht blonk laat<br />
Nog licht, er viel een gouden blanke schijn<br />
Over de gevels in mijn raamkozijn.<br />
Dan blies een jongen als een orgelpijp,<br />
De klanken schudden in de lucht zo rijp<br />
Als jonge kersen, wen een lentewind<br />
In &#8216;t bosje opgaat en zijn reis begint.<br />
Hij dwaald&#8217; over de bruggen, op den wal<br />
Van &#8216;t water, langzaam gaande, overal<br />
Als &#8216;n jonge vogel fluitend, onbewust<br />
Van eigen blijheid om de avondrust.<br />
En menig moe man, die zijn avondmaal<br />
Nam, luisterde, als naar een oud verhaal,<br />
Glimlachend, en een hand die &#8216;t venster sloot,<br />
Talmde een poze wijl de jongen floot.</span></p>
<p><span style="color:#3366ff;">GORTER, H., </span><span style="color:#3366ff;"><em>Mei een gedicht, ingeleid door Garmt Stuiveling,<br />
houtgravures van Dirk Van Gelder</em>, 3e druk, Bert Bakker/Daamen N.V -<br />
C.A.J. Van Dishoeck, Den Haag &#8211; Bussum, 1963, p. 15-16.</span></p>
<p>Vandaag <strong>feliciteer</strong> ik <strong>D. Hooijer</strong> met haar <strong><a href="http://www.libris.nl/librisprijs/content_librisprijs_Start.asp">Libris Literatuurprijs</a></strong> 2008 voor <strong><em>Sleur is een</em></strong> <strong><em>roofdier</em></strong>.  Voor de eerste keer gaat <a href="http://www.deredactie.be/cm/de.redactie/cultuur%2Ben%2Bmedia/080506_Libris_Literatuurprijs">die prijs </a>naar een <strong>verhalenbundel</strong>, voor de tweede keer in zijn geschiedenis naar een vrouw. <strong>Frida Vogels</strong> won de Libris in 1994 en ergens in mijn &#8216;archief&#8217; bewaar ik nog de tekst van haar uitgever <a href="http://www.vanoorschot.nl/?auteurnummer=95230">Van Oorschot </a>met haar weigering om de prijs zelf in ontvangst te nemen.</p>
<p>Eerder kwam in litblog The Sausage Machine al eens een <strong>verhalenbundel van een vrouw</strong> in de <a href="http://janien.wordpress.com/2008/01/24/meisje-mooi-magdetje-en-gij-zijt-zoet-op-uw-naaikussentje-uit-en-rijen-is-plezant/">schijnwerper</a>: van de 15 jaar geleden overleden <strong><a href="http://www.begeerte.be/page.php?page=productie&#38;ID=77">Rita Demeester</a></strong>. Het (kort)<strong>verhaal</strong> is een genre dat me na de<strong> poëzie</strong> na aan het hart ligt. Nieuwsgierig ging ik vanmorgen dus op zoek naar de schrijfster van wie ik de naam in het radionieuws niet goed had verstaan omdat ik haar niet kende &#8230; <strong>D. Hooijer</strong>, <a href="http://nl.wikipedia.org/wiki/Kitty_Ruys">pseudoniem</a> voor <strong><a href="http://www.the-ledge.com/HTML/person.php?ID=16&#38;lan=n\')')">Kitty Ruys-Krijgers Janzen</a></strong>. Wat een ontdekking! Zo-even las ik <a href="http://www.the-ledge.com/HTML/excerpt.php?ID=1276&#38;lan=n">online </a>haar <strong>verhaal <em>De attractie</em></strong> uit haar tweede verhalenbundel <em><strong>Zuidwester meningen</strong></em>. Wat een openbaring! Een zeer <a href="http://janien.wordpress.com/2008/05/05/bezinnende-boeken-en-verrassende-verhalen/">&#8216;verrassend verhaal&#8217;</a>! Ik wil het speciaal ook aanbevelen aan <strong>Mieke Totté</strong>, <a href="http://missmieke.wordpress.com">blogger</a> en <a href="http://nl.wordpress.com/tag/missmiekes-piece-of-blog/">jonge auteur</a> (onder de  20) in The Sausage Machine. In de Flash-versie van de fantastische literatuursite <a href="http://www.the-ledge.com">The Ledge </a><strong>leest de schrijfster zelf voor</strong>!</p>
<p><strong>D. Hooijer <a href="http://www.wereldomroep.nl/actua/nl/cultuur/13759201">maakt</a> het nieuws</strong> in Vlaanderen en Nederland in trefwoorden als &#8216;verrassing&#8217;, &#8217;uitgesproken literair&#8217;, &#8216;poëtisch&#8217;, &#8216;abstract&#8217;, &#8216;onconventioneel&#8217; &#8230; Ik vul aan met een onrechtstreeks citaat uit het juryrapport, dat integraal op de <a href="http://www.libris.nl/librisprijs/content_librisprijs_Start.asp">site van de Libris </a>staat.</p>
<p style="padding-left:30px;"><em>Aan karakteropbouw in de traditionele zin doet de auteur niet, aldus het juryrapport, en ze heeft ook geen boodschap aan interpunctie. Voor haar beschrijvingen gebruikt ze &#8216;veelal korte zinnen die net niet soepel in elkaar overlopen&#8217;. Maar de jury vond ook: &#8220;Hooijer is erin geslaagd een geheel eigen stijl te ontwikkelen, die prikkelt, verbaast en niet zelden op de lachspieren werkt.&#8221; </em></p>
<p style="padding-left:30px;">Citaat uit <a href="http://www.bndestem.nl/algemeen/cultuur/3090158/D-Hooijer-verrassende-winnares.ece">BN DeStem</a></p>
<p><strong>Of er in België</strong> van <em>Sleur  w</em>el meer dan 50 exemplaren verkocht zouden zijn, oppert <a href="http://www.radio1.be/programmas/och1/912754/">Jeroen Overstijns</a>?! Beste Jeroen Overstijns, D. Hooijer staat wel al jaren op het webplatform voor de<a href="http://www.the-ledge.com"> wereldliteratuur</a>! <strong>Gelukkig</strong>, toch, voor de schrijvers, uitgevers, critici, recensenten, literatuursociologen, reclamemakers, boekpromotoren, leesbevorderaars, bibliotheken, cultuurrubrieken, literatuurblogs, lezers, &#8230; zijn er <strong>literatuurprijzen</strong>! En als warempel (!) straks filosoof-presentator-zanger-<a href="http://www.boekbalie.nl/nieuwsdetail.jsp?nieuwsId=1811">schrijver</a>-mediafiguur <strong>Jan Leyers </strong>met journalist, radiomaker en televisieman <strong>Leon Verdonschot</strong> het nieuwe Nederlands-Vlaamse <strong><a href="http://www.knack.be/nieuws/cultuur/jan-leyers-zal-boekenprogramma-presenteren/site72-section44-article16298.html">boekenprogramma</a></strong> zal presenteren, zullen wij, kijkers, als potentiële lezers hopelijk nog meer &#8216;onbekende meesters&#8217; ontdekken.</p>
<p><strong>Wat na de prijs?</strong> Het antwoord vernam ik in het gesprek van Kathleen Cools van &#8216;mijn&#8217; <a href="http://www.radio1.be/programmas/och1/912754/">Radio 1</a> met Jeroen Overstijns van De Standaard. Ik hoor <strong>D. Hooijer</strong> nog <a href="http://www.radio1.be/programmas/och1/912754/">echoën</a>: dat ze na de Libris, na contact met de werken van andere genomineerden als Koen Peeters, een <strong>andere</strong>, minder poëtische <strong>stijl</strong> zal kiezen én een ander <strong>genre</strong>, de roman: zakelijker en droger wordt haar nieuwe werk. Wat een prijs met een schrijver kan doen: een creatieve impuls geven. Van gedichten was ze al overgeschakeld naar verhalen <a href="http://www.deredactie.be/cm/de.redactie/cultuur%2Ben%2Bmedia/080506_Libris_Literatuurprijs">(&#8220;Ook moeilijk, hoor,&#8221; </a>zegt ze op <a href="http://www.deredactie.be">www.deredactie.be</a>). </p>
<p>En terwijl <strong>D. Hooijer</strong> vast geniet van haar &#8216;overwinning&#8217; en misschien ook wel van haar boeket in de schittering van de warme meizon  (ik durf dat te veronderstellen, te meer omdat ze ook <strong>beeldend kunstenaar</strong> is), neem ik wie zin heeft mee op een &#8216;vrije&#8217;, informele, eigenzinnige <strong>literaire webwandeling</strong>. (&#8216;Webwandeling&#8217;, ik kom dit uitnodigende woord herhaaldelijk tegen bij <a href="http://computersindeklas.web-log.nl/computersindeklas/2008/05/webpad-ek-voetb.html">André Manssen </a>&#8230;, specialist in webwandelen-volgens-de-2.0-regels.) Mijn persoonlijke keuze van literatuureducator 2.0 met een groot <a href="http://janien.wordpress.com/van-uilen-en-apen-hsn-conferentietekst-gent-nov-2006-online/">geloof</a> in <a href="http://janien.wordpress.com/de-leesfabriek-0607-online-2/">oude én vooral ook nieuwe media </a> valt vandaag op <strong>twee nieuwsportalen,</strong> <strong>drie literatuursites en MySpace</strong>! Veel kijk-, lees- en luistergenot &#8230;</p>
<p> <a href="http://janien.files.wordpress.com/2008/05/hooijerpunthoofd.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-819" src="http://janien.wordpress.com/files/2008/05/hooijerpunthoofd.jpg?w=300" alt="" width="300" height="225" /></a><a href="http://janien.files.wordpress.com/2008/05/the-ledge.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-820" src="http://janien.wordpress.com/files/2008/05/the-ledge.jpg?w=300" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><a href="http://janien.files.wordpress.com/2008/05/hooijer2news.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-821" src="http://janien.wordpress.com/files/2008/05/hooijer2news.jpg?w=300" alt="" width="300" height="225" /></a><a href="http://janien.files.wordpress.com/2008/05/hooijersleur.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-822" src="http://janien.wordpress.com/files/2008/05/hooijersleur.jpg?w=300" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>Mijn &#8216;webwandeling&#8217;</strong> loopt langs twee van mijn <a href="http://janien.wordpress.com/2008/02/09/fresh-en-hot-punthoofd-de-geautomatiseerde-journalist-en-vw-het-vlaams-woordenboek/">favoriete</a> portalen <a href="http://www.punthoofd.be">punthoofd.be </a>en <a href="http://www.2news.be/item/_libris_voor_schrijfster_d_hooijer/?itemid=346068">2news.be </a>voor <strong>variaties op het persbericht</strong> van de Libris Literatuurprijs. Natuurlijk is ook een ommetje mogelijk langs de <strong>stevige literatuurblogs</strong> van de <a href="http://papierenman.blogspot.com/2008/05/libris-literatuurprijs-drijft.html">Papieren Man </a>of <a href="http://decontrabas.typepad.com/de_contrabas/2008/05/d-hooijer-lieve.html">deContrabas</a> of het <a href="http://www.literatuurplein.nl/nieuwsdetail.jsp?nieuwsId=1842">Literatuurplein</a> van Jef van Gool. Of de niet te versmaden <a href="http://weblogs.nrc.nl/weblog/boeken/">Boeken-Weblog </a>van het NRC-Handelsblad!</p>
<p>Voor <strong>nadere kennismaking met D. Hooijer en haar werk</strong> beveel ik haar uitgever <a href="http://www.vanoorschot.nl/?isbn=9789028240711">Van Oorschot </a>aan. Het wordt een wel veel langere halte bij de <strong>voortreffelijke</strong> <a href="http://www.the-ledge.com/HTML/search.php?lan=n\\\\\\\')\\\')"><strong>ledge files</strong> </a>van literatuurspecialisten <strong><a href="http://www.literatuuronline.nl/literatuur/do.php?a=show_visitor_artikel&#38;id=601">Stacey Knecht </a></strong>en<strong> <a href="http://www.the-ledge.com/HTML/person.php?ID=11&#38;lan=n">Pieter Steinz</a></strong><a href="http://www.the-ledge.com/HTML/person.php?ID=11&#38;lan=n"> </a><strong>! </strong>Op hun &#8217;onafhankelijke platform voor de wereldliteratuur&#8217;, <strong><a href="http://www.the-ledge.com/index.php?lan=NL">The Ledge</a></strong>, staan <strong>boekfragmenten</strong> uit <strong>Hooijer</strong>s twee eerste verhalenbundels én een <strong>niet te missen <a href="http://www.the-ledge.com/HTML/conversation.php?ID=51&#38;lan=n\\\\\\\\\\\\\\\')\\\\\\\')">interview</a></strong> met haar door Stacey Knecht!</p>
<p>Wow! Hier <strong>nog twee mooie links</strong> op de wandeling <strong>naar D. Hooijer toe!</strong> Hoeveel bruisends in<!--more--> woord en beeld en klank biedt de <a href="http://boeken.vpro.nl/personen/22542132/"><strong>VPRO-boekensite</strong> </a>! En op <strong><a href="http://www.myspace.com/umamiduo">MySpace</a></strong> wacht het heel bijzondere <a href="http://duoumami.spaces.live.com/">musici-duo Umami </a>met Oriana Dierinck, fluit, en Caecilia Boschman, piano, (<a href="http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&#38;friendID=291672352">hoor</a>, hoe mooi!), een duo dat nogal eens <strong>samenwerkt met D. Hooijer</strong>! Nog een heerlijke ontdekking voor me! Hopelijk ook voor u/jou, beste lezer en luisteraar &#8230;</p>
<p><a href="http://janien.files.wordpress.com/2008/05/hooijervpro.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-824" src="http://janien.wordpress.com/files/2008/05/hooijervpro.jpg?w=300" alt="" width="300" height="225" /></a><a href="http://janien.files.wordpress.com/2008/05/hooijerumami.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-825" src="http://janien.wordpress.com/files/2008/05/hooijerumami.jpg?w=300" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
</div>]]></content:encoded>
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