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	<title>jose-carlos-ari-dos-santos &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "jose-carlos-ari-dos-santos"</description>
	<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 04:06:05 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Poemas de Abril II]]></title>
<link>http://lerparacrer.wordpress.com/2008/04/18/poemas-de-abril-ii/</link>
<pubDate>Fri, 18 Apr 2008 12:29:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>Carlos Pinheiro</dc:creator>
<guid>http://lerparacrer.wordpress.com/2008/04/18/poemas-de-abril-ii/</guid>
<description><![CDATA[Até dia 25, publicaremos todos os dias um poema sobre o 25 de Abril. Este é o segundo: As Portas Que]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Até dia 25, publicaremos todos os dias  um poema sobre o 25 de Abril.</p>
<p>Este é o segundo:</p>
<p><strong>As Portas Que Abril Abriu</strong></p>
<p>Era uma vez um país<br />
onde entre o mar e a guerra<br />
vivia o mais feliz<br />
dos povos à beira-terra</p>
<p>Onde entre vinhas sobredos<br />
vales socalcos searas<br />
serras atalhos veredas<br />
lezírias e praias claras<br />
um povo se debruçava<br />
como um vime de tristeza<br />
sobre um rio onde mirava<br />
a sua própria pobreza</p>
<p>Era uma vez um país<br />
onde o pão era contado<br />
onde quem tinha a raíz<br />
tinha o fruto arrecadado<br />
onde quem tinha o dinheiro<br />
tinha o operário algemado<br />
onde suava o ceifeiro<br />
que dormia com o gado<br />
onde tossia o mineiro<br />
em Aljustrel ajustado<br />
onde morria primeiro<br />
quem nascia desgraçado</p>
<p>Era uma vez um país<br />
de tal maneira explorado<br />
pelos consórcios fabris<br />
pelo mando acumulado<br />
pelas ideias nazis<br />
pelo dinhiero estragado<br />
pelo dobrar da cerviz<br />
pelo trabalho amarrado<br />
que até hoje já se diz<br />
que nos tempos dos passado<br />
se chamava esse país<br />
Portugal suicidado</p>
<p>Ali nas vinhas sobredos<br />
vales socalcos searas<br />
serras atalhos veredas<br />
lezírias e praias claras<br />
vivia um povo tão pobre<br />
que partia para a guerra<br />
para encher quem estava podre<br />
de comer a sua terra</p>
<p>Um povo que era levado<br />
para Angola nos porões<br />
um povo que era tratado<br />
como a arma dos patrões<br />
um povo que era obrigado<br />
a matar por suas mãos<br />
sem saber que um bom soldado<br />
nunca fere os seus irmãos</p>
<p>Ora passou-se porém<br />
que dentro de um povo escravo<br />
alguém que lhe queria bem<br />
um dia plantou um cravo</p>
<p>Era a semente da esperança<br />
feita de força e vontade<br />
era ainda uma criança<br />
mas já era a liberdade</p>
<p>Era já uma promessa<br />
era a força da razão<br />
do coração à cabeça<br />
da cabeça ao coração<br />
Quem o fez era soldado<br />
homem novo capitão<br />
mas tabém tinha a seu lado<br />
muitos homens na prisão</p>
<p>Esses que tinham lutado<br />
a defender um irmão<br />
esses que tinham passado<br />
o horror da solidão<br />
esses que tinham jurado<br />
sobre uma côdea de pão<br />
ver o povo libertado<br />
do terror da opressão</p>
<p>Não tinham armas é certo<br />
mas tinham toda a razão<br />
quando um homem morre perto<br />
tem de haver distanciação</p>
<p>uma pistola guardada<br />
nas dobras da sua opção<br />
uma bala disparada<br />
contra a sua própria mão<br />
e uma força perseguida<br />
que na escolha do mais forte<br />
faz com a que a força da vida<br />
seja maior do que a morte</p>
<p>Quem o fez era soldado<br />
homem novo capitão<br />
mas também tinha a seu lado<br />
muitos homens na prisão</p>
<p>Posta a semente do cravo<br />
começou a floração<br />
do capitão ao soldado<br />
do soldado ao capitão</p>
<p>Foi então que o povo armado<br />
percebeu qual a razão<br />
porque o povo despojado<br />
lhe punha as armas na mão</p>
<p>Pois também ele humilhado<br />
em sua própria grandeza<br />
era soldado forçado<br />
contra a pátria portuguesa</p>
<p>Era preso e exilado<br />
e no seu próprio país<br />
muitas vezes estrangulado<br />
pelos generais senis</p>
<p>Capitão que não comanda<br />
não pode ficar calado<br />
é o povo que lhe manda<br />
ser capitão revoltado<br />
é o povo que lhe diz<br />
que não ceda e não hesite<br />
- pode nascer um país<br />
do ventre duma chaimite</p>
<p>Porque a força bem empregue<br />
contra a posição contrária<br />
nunca oprime nem persegue<br />
- é a força revolucionária!</p>
<p>Foi então que Abril abriu<br />
as portas da claridade<br />
e a nossa gente invadiu<br />
a sua própria cidade</p>
<p>Disse a primeira palavra<br />
na madrugada serena<br />
um poeta que cantava<br />
o povo é quem mais ordena</p>
<p>E então por vinhas sobredos<br />
vales socalcos searas<br />
serras atalhos veredas<br />
lezírias e praias claras<br />
desceram homens sem medo<br />
marujos soldados &#8220;páras&#8221;<br />
que não queriam o degredo<br />
de um povo que se separa.<br />
E chegaram à cidade<br />
onde os monstros se acoitavam<br />
era a hora da verdade<br />
para as hienas que mandavam<br />
a hora da claridade<br />
para os sóis que despontavam<br />
e a hora da vontade<br />
para os homens que lutavam</p>
<p>Em idas vindas esperas<br />
encontros esquinas e praças<br />
não se pouparam as feras<br />
arrancaram-se as mordaças<br />
e o povo saiu à rua<br />
com sete pedras na mão<br />
e uma pedra de lua<br />
no lugar do coração</p>
<p>Dizia soldado amigo<br />
meu camarada e irmão<br />
este povo está contigo<br />
nascemos do mesmo chão<br />
trazemos a mesma chama<br />
temos a mesma razão<br />
dormimos na mesma cama<br />
comendo do mesmo pão<br />
Camarada e meu amigo<br />
soldadinho ou capitão<br />
este povo está contigo<br />
a malta dá-te razão</p>
<p>Foi esta força sem tiros<br />
de antes quebrar que torcer<br />
esta ausência de suspiros<br />
esta fúria de viver<br />
este mar de vozes livres<br />
sempre a crescer a crescer<br />
que das espingardas fez livros<br />
para aprendermos a ler<br />
que dos canhões fez enxadas<br />
para lavrarmos a terra<br />
e das balas disparadas<br />
apenas o fim da guerra</p>
<p>Foi esta força viril<br />
de antes quebrar que torcer<br />
que em vinte e cinco de Abril<br />
fez Portugal renascer</p>
<p>E em Lisboa capital<br />
dos nosvos mestres de Aviz<br />
o povo de Portugal<br />
deu o poder a quem quis</p>
<p>Mesmo que tenha passado<br />
às vezes por mãos estranhas<br />
o poder que ali foi dado<br />
saiu das nossas entranhas.<br />
Saiu das vinhas sobredos<br />
vales socalcos searas<br />
serras atalhos veredas<br />
lezírias e praias claras<br />
onde um povo se curvava<br />
como um vime de tristeza<br />
sobre um rio onde mirava<br />
a sua prórpia pobreza</p>
<p>E se esse poder um dia<br />
o quiser roubar alguém<br />
não fica na burguesia<br />
volta à barriga da mãe.<br />
Volta à barriga da terra<br />
que em boa hora o pariu<br />
agora ninguém mais cerra<br />
as portas que Abril abriu.</p>
<p>Essas portas que em Caxias<br />
se escancararam de vez<br />
essas janelas vazias<br />
que se encheram outra vez<br />
e essas celas tão frias<br />
tão cheias de sordidez<br />
que espreitavam como espias<br />
todo o povo português.</p>
<p>Agora que já floriu<br />
a esperança na nossa terra<br />
as portas que Abril abriu<br />
nunca mais ninguém as cerra.</p>
<p>Contra tudo o que era velho<br />
levantado como um punho<br />
em Maio surgiu vermelho<br />
o cravo de mês de Junho.</p>
<p>Quando o povo desfilou<br />
nas ruas em procissão<br />
de novo se processou<br />
a própria revolução.</p>
<p>Mas era olhos as balas<br />
abraços punhais e lanças<br />
enamoradas as alas<br />
dos soldados e crianças.</p>
<p>E o grito que foi ouvido<br />
tantas vezes repetido<br />
dizia que o povo unido<br />
jamais seria vencido.</p>
<p>Contra tudo o que era velho<br />
levantado como um punho<br />
em Maio surgiu vermelho<br />
o cravo do mês de Junho.</p>
<p>E então operários mineiros<br />
pescadores e ganhões<br />
marçanos e carpinteiros<br />
empregados dos balcões<br />
mulheres a dias pedreiros<br />
reformados sem pensões<br />
dactilógrafos carteiros<br />
e outras muitas profissões<br />
souberam que o seu dinheiro<br />
era presa dos patrões.</p>
<p>A seu lado também estavam<br />
jornalistas que escreviam<br />
actores que desbobravam<br />
cientistas que aprendiam<br />
poetas que estrebuchavam<br />
cantores que não se vendiam<br />
mas enquanto estes lutavam<br />
é certo que não sentiam<br />
a fome com que apertavam<br />
os cintos dos que os ouviam.</p>
<p>Porém cantar é ternura<br />
escrever constrói liberdade<br />
e não há coisa mais pura<br />
do que dizer a verdade.</p>
<p>E uns e outros irmanados<br />
na mesma luta de ideias<br />
ambos sectores explorados<br />
ficaram partes iguais.</p>
<p>Entanto não descansavam<br />
entre pragas e perjúrios<br />
agulhas que se espetavam<br />
silêncios boatos murmúrios<br />
risinhos que se calavam<br />
palácios contra tugúrios<br />
fortunas que levantavam<br />
promessas de maus augúrios<br />
os que em vida se enterravam<br />
por serem falsos e espúrios<br />
maiorais da minoria<br />
que diziam silenciosa<br />
e que em silêncio faziam<br />
a coisa mais horrorosa:<br />
minar como um sinapismo<br />
e com ordenados régios<br />
o alvor do socialismo<br />
e o fim dos privilégios.</p>
<p>Foi então se bem vos lembro<br />
que sucedeu a vindima<br />
quando pisámos Setembro<br />
a verdade veio acima.</p>
<p>E foi um mosto tão forte<br />
que sabia tanto a Abril<br />
que nem o medo da morte<br />
nos fez voltar ao redil.</p>
<p>Ali ficámos de pé<br />
juntos soldados e povo<br />
para mostrarmos como é<br />
que se faz um país novo.</p>
<p>Ali dissemos não passa!<br />
E a reacção não passou.<br />
Quem já viveu a desgraça<br />
odeia a quem desgraçou.</p>
<p>Foi a força do Outono<br />
mais forte que a Primavera<br />
que trouxe os homens sem dono<br />
de que o povo estava à espera.</p>
<p>Foi a força dos mineiros<br />
pescadores e ganhões<br />
operários e carpinteiros<br />
empregados dos balcões<br />
mulheres a dias pedreiros<br />
reformados sem pensões<br />
dactilógrafos carteiros<br />
e outras muitas profissões<br />
que deu o poder cimeiro<br />
a quem não queria patrões.</p>
<p>Desde esse dia em que todos<br />
nós repartimos o pão<br />
é que acabaram os bodos<br />
- cumpriu-se a revolução.</p>
<p>Porém em quintas vivendas<br />
palácios e palacetes<br />
os generais com prebendas<br />
caciques e cacetetes<br />
os que montavam cavalos<br />
para caçarem veados<br />
os que davam dois estalos<br />
na cara dos empregados<br />
os que tinham bons amigos<br />
no consórcio dos sabrões<br />
e coçavam os umbigos<br />
como quem coça os galões<br />
os generais subalternos<br />
que aceitavam os patrões<br />
os generais inimigos<br />
os genarais garanhões<br />
teciam teias de aranha<br />
e eram mais camaleões<br />
que a lombriga que se amanha<br />
com os próprios cagalhões.<br />
Com generais desta apanha<br />
já não há revoluções.</p>
<p>Por isso o onze de Março<br />
foi um baile de Tartufos<br />
uma alternância de terços<br />
entre ricaços e bufos.</p>
<p>E tivemos de pagar<br />
com o sangue de um soldado<br />
o preço de já não estar<br />
Portugal suicidado.</p>
<p>Fugiram como cobardes<br />
e para terras de Espanha<br />
os que faziam alardes<br />
dos combates em campanha.</p>
<p>E aqui ficaram de pé<br />
capitães de pedra e cal<br />
os homens que na Guiné<br />
apenderam Portugal.</p>
<p>Os tais homens que sentiram<br />
que um animal racional<br />
opões àqueles que o firam<br />
consciência nacional.</p>
<p>Os tais homens que souberam<br />
fazer a revolução<br />
porque na guerra entenderam<br />
o que era a libertação.</p>
<p>Os que viram claramente<br />
e com os cinco sentidos<br />
morrer tanta tanta gente<br />
que todos ficaram vivos.</p>
<p>Os tais homens feitos de aço<br />
temperado com a tristeza<br />
que envolveram num abraço<br />
toda a história portuguesa.</p>
<p>Essa história tão bonita<br />
e depois tão maltratada<br />
por quem herdou a desdita<br />
da história colonizada.</p>
<p>Dai ao povo o que é do povo<br />
pois o mar não tem patrões.<br />
- Não havia estado novo<br />
nos poemas de Camões!</p>
<p>Havia sim a lonjura<br />
e uma vela desfraldada<br />
para levar a ternura<br />
à distância imaginada.</p>
<p>Foi este lado da história<br />
que os capitães descobriram<br />
que ficará na memória<br />
das naus que de Abril partiram<br />
das naves que transportaram<br />
o nosso abraço profundo<br />
aos povos que agora deram<br />
novos países ao mundo.</p>
<p>Por saberem como é<br />
ficaram de pedra e cal<br />
capitães que na Guiné<br />
descobriram Portugal.</p>
<p>Em em sua pátria fizeram<br />
o que deviam fazer:<br />
ao seu povo devolveram<br />
o que o povo tinha a haver:<br />
Bancos seguros petróleos<br />
que ficarão a render<br />
ao invés dos monopólios<br />
para o trabalhos crescer.<br />
Guindastes portos navios<br />
e outras coisas para erguer<br />
antenas centrais e fios<br />
de um país que vai nascer.</p>
<p>Mesmo que seja com frio<br />
é preciso é aquecer<br />
pensar que somos um rio<br />
que vai dar onde quiser</p>
<p>pensar que somos um mar<br />
que nunca mais tem fronteiras<br />
e havemos de navegar<br />
de muitíssimas maneiras.</p>
<p>No Minho com pés de linho<br />
no Alentejo com pão<br />
no Ribatejo com vinho<br />
na Beira com requeijão<br />
e trocando agora as voltas<br />
ao vira da produção<br />
no Alentejo bolotas<br />
no Algarve maçapão<br />
vindimas no Alto Douro<br />
tomates em Azeitão<br />
azeite da cor do ouro<br />
que é verde ao pédo Fundão<br />
e fica amarelo puro<br />
nos campos do Baleizão.<br />
Quando a terra for do povo<br />
o povo deita-lhe a mão!</p>
<p>É isto a reforma agrária<br />
em sua própria expressão:<br />
a maneira mais primária<br />
de que nós temos um quinhão<br />
da semente proletária<br />
da nossa revolução.</p>
<p>Quem a fez era soldado<br />
homem novo capitão<br />
mas também tinha a seu lado<br />
muitos homens na prisão.</p>
<p>De tudo o que Abril abriu<br />
ainda pouco se disse<br />
um menino que sorriu<br />
uma porta que se abrisse<br />
um fruto que se expandiu<br />
um pão que se repartisse<br />
um capitão que seguiu<br />
o que história lhe predisse<br />
e entre vinhas sobredos<br />
vales socalcos searas<br />
serras atalhos veredas<br />
lezírias e praias claras<br />
um povo que levantava<br />
sobre um rio de pobreza<br />
a bandeira em que ondulava<br />
a sua prórpia grandeza!<br />
De tudo o que Abril abriu<br />
ainda pouco se disse<br />
e só nos faltava agora<br />
que este Abril não se cumprisse.<br />
Só nos faltava que os cães<br />
viesses ferrar o dente<br />
na carne dos capitães<br />
que se arriscaram na frente.</p>
<p>Na frente de todos nós<br />
povro soberano e total<br />
e ao mesmo tempo é a voz<br />
e o braço de Portugal.</p>
<p>Ouvi banqueiros fascistas<br />
agiotas do lazer<br />
latifundiários machistas<br />
balofos verbos de encher<br />
e outras coisa em istas<br />
que não cabe dizer aqui<br />
que aos capitães progressistas<br />
o povo deu o poder!<br />
E se esse poder um dia<br />
o quiser reoubar alguém<br />
não fica na burguesia<br />
volta à barriga da mãe!<br />
Volta à barriga da terra<br />
que em boa hora o pariu<br />
agora ninguém mais cerra<br />
as portas que Abril abriu!</p>
<p><em>José Carlos Ari dos Santos </em></p>
</div>]]></content:encoded>
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