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	<title>literatura-brasileira &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "literatura-brasileira"</description>
	<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 06:04:21 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[CLAUDE LEVY STRAUSS - por philomena gebran / curitiba]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/25/claude-levy-strauss-por-philomena-gebran-curitiba/</link>
<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 19:59:16 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[Reminiscências de um querido Mestre A triste notícia, dada friamente, como acontece com todas as not]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Reminiscências de um querido Mestre A triste notícia, dada friamente, como acontece com todas as not]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Os periquitos, poema com exercícios de texto]]></title>
<link>http://peregrinacultural.wordpress.com/2009/11/25/os-periquitos-poema-com-exercicios-de-texto/</link>
<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 18:21:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>peregrinacultural</dc:creator>
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<description><![CDATA[  Os Periquitos                                                                    Osório Dutra No l]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong> </strong><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/periquitos-no-galho.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6212" title="periquitos no galho" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/periquitos-no-galho.jpg" alt="" width="510" height="333" /></a></p>
<h5>Os Periquitos</h5>
<p>                                                                   Osório Dutra</p>
<p>No leque verde dos coqueiros</p>
<p>Que ornam a margem dos caminhos,</p>
<p>Os periquitos galhofeiros</p>
<p>Zombam dos outros passarinhos.</p>
<p>Numa algazarra delirante,</p>
<p>Batendo as asas irisadas,</p>
<p>Cantam a terra e o céu distante,</p>
<p>Glorificando as alvoradas.</p>
<p>Porque se julguem muito ricos</p>
<p>Donos do espaço e das alturas,</p>
<p>Fogem dos pobres tico-ticos,</p>
<p>Trocando afetos e ternuras.</p>
<p>Unidos contra aos caçadores,</p>
<p>Andam ariscos e assustados:</p>
<p>Temem os ventos destruidores</p>
<p>E a poeira azul dos descampados.</p>
<p>São tão alegres, tão ruidosos,</p>
<p>Que a gente ao vê-los avalia</p>
<p>Que sejam todos venturosos,</p>
<p>Brincando ao sol de cada dia.</p>
<p>Não param nunca os mais tranqüilos.</p>
<p>Pulam, febris, de galho em galho.</p>
<p>Com que prazer, para segui-los,</p>
<p>Deixo de lado o meu trabalho!</p>
<p>Passam a vida saltitando</p>
<p>E é cada qual mais tagarela.</p>
<p>Onde vai um, lá vai o bando,</p>
<p>Cortando o azul na tarde bela.</p>
<p>Ordena um deles a partida</p>
<p>Em busca de outros horizontes.</p>
<p>Depois é a volta…  E que corrida</p>
<p>Vertiginosa sobre os montes!</p>
<p>E quando, à noite, escuto os gritos</p>
<p>De mil insetos bandoleiros,</p>
<p>Dormem, sonhando, os periquitos</p>
<p>No leque aberto dos coqueiros.</p>
<p><strong>Osório</strong> Hermogênio <strong>Dutra</strong>, Vassouras, Estado do Rio, (1889 -1968). Diplomata brasileiro e poeta.</p>
<p>Obras:</p>
<p><em>O país do deuses (crônicas sobre o Japão)</em></p>
<p><em>Terra Bendita, 1923 (poesia)</em></p>
<p><em>Castelos de Marfim e  Céu Tropical (poesia), 1930</em></p>
<p><em>Inquietação, 1933 (poesia)</em></p>
<p><em>Dentro da noite Azul, 1934</em></p>
<p><em>Silêncio doce silêncio, 1936 (poesia)</em></p>
<p><em>O gênio poético de Martins Fontes, 1938</em></p>
<p><em>Mundo sem alma, 1943</em></p>
<p><em>Terra da gente, 1944 (poesia)</em></p>
<p><em>Emoção, 1945</em></p>
<p><em>Tempo perdido, 1946</em></p>
<p><em>Elas e nós, 1955, (poesia)</em></p>
<p><strong>Vocabulário para uso escolar:</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Ornar = decorar, enfeitar</p>
<p>Galhofeiro = brincalhão</p>
<p>Irisada = furta-cor</p>
<p>Venturoso = feliz</p>
<p>Bandoleiros =  errante, sem paradeiro</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Sugestões para uso escolar do poema: <strong><em>Os Periquitos</em></strong>, de Osório Dutra</p>
<p>Aqui estão diversos exercícios que usam a leitura deste poema como base do aprendizado.  Cada professor deve selecionar os exercícios que melhor se adaptem ao nível de conhecimento de seus alunos: 1ª, 2ª, 3ª série e assim por diante.</p>
<p>VOCABULÁRIO:</p>
<p><strong>Ornar</strong> = decorar, enfeitar, ornamentar</p>
<p>“No leque verde dos coqueiros</p>
<p>Que <em>ornam</em> a margem dos caminhos,</p>
<p>Os periquitos galhofeiros</p>
<p>Zombam dos outros passarinhos”.</p>
<p><strong><em><span style="color:#0000ff;">1 -  Substitua o verbo nas seguintes frases, pelo verbo ornar:</span></em></strong></p>
<p>Luzes pisca-pisca <em><span style="color:#008000;">decoram</span></em> as janelas no Natal.</p>
<p>Flores de açúcar <em><span style="color:#008000;">enfeitarão</span></em> o bolo da noiva.</p>
<p>O coelhinho <span style="color:#008000;"><em>ornamentava</em> <span style="color:#000000;">a cesta de</span></span><span style="color:#000000;"> </span>ovos de Páscoa com papel colorido.</p>
<p><strong><em><span style="color:#0000ff;">2  -  Escolha, entre as mencionadas abaixo, outras coisas que possam ornar a margem do caminho:</span></em></strong></p>
<p> Luzes,  roseiras,  latas de lixo,  cerca de arame,  árvores floridas,  muro alto, bandeirinhas de São João, fios elétricos, garrafas de refrigerante. </p>
<p><strong><em><span style="color:#0000ff;">3 – Onde também encontramos margens?  Faça um círculo em volta das palavras certas:</span></em></strong></p>
<p>Automóvel,  lagoa,  estrada,  trem,  rio,  carroça,  baía,  patinete,  caminhão, barco.</p>
<p><strong><em><span style="color:#0000ff;">4 – Na cidade de São Paulo, existe uma estrada longa, que acompanha o rio Tietê.  Ela se chama: Estrada Marginal Tietê.  Explique nas suas palavras por que ela tem este nome?</span></em></strong></p>
<p><strong><em><span style="color:#0000ff;"> </span></em></strong></p>
<p><strong><em><span style="color:#0000ff;">5 – O leque é usado para espantar o calor.  As pessoas se abanam com o leque para se refrescarem.  Explique a expressão: <span style="color:#000000;">leque do coqueiro</span>.  É por causa da cor verde?  É por causa da forma das folhas dos coqueiros?  É porque as folhas balanceiam com o vento?  </span></em></strong></p>
<p><strong><em><span style="color:#0000ff;"> </span></em></strong></p>
<p><strong><em><span style="color:#0000ff;">6 – Você sabia que os primeiros leques eram feitos de penas?  Ponha um X ao lado do que também é feito de penas:</span></em></strong></p>
<p>(  ) sombrinha                                  (  ) camarão                 (  ) saia da baiana</p>
<p>(  ) peteca                                         (  ) chapéu                   (  ) cocar</p>
<p>(  ) capa do livro                             (  ) lápis                       (  ) baleia</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;">LEITURA:</span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><em>A lenda do primeiro leque</em></strong></p>
<p>Há muitos e muitos anos, na China, havia um mandarim muito poderoso.  Ele tinha uma filha obediente e bonita, que todos na corte admiravam.  Chamava-se Kan-Si.  Ela era um modelo de bondade e todos que a viam ficavam encantados.  Todos os anos o país inteiro participava de uma festa muito bonita neste reino.  Chamava-se a <strong><em>Festa das Lanternas</em></strong>.  Numa noite as pessoas que haviam preparado belas lanternas, mostravam a todo mundo o que tinham feito.  Estas lanternas eram feitas com papel colorido, decoradas com pinturas ou com recortes de figuras coladas no papel.  Elas também eram iluminadas por dentro, cada qual com sua vela.  A noite ficava toda carregadinha de luzes das mais diversas cores e com a leve brisa do verão, as lanternas tinham um pisca-pisca, um tremelique mágico, fazendo a noite parecer encantada. </p>
<p> O mandarim e sua filha estavam sempre entre os juízes que decidiam quais eram as lanternas mais bonitas.  Para que ninguém soubesse quem era o autor de cada lanterna ou quem eram os juízes da competição, todos os participantes usavam uma máscara, dura, feita com uma massa de papel, cola e tinta colorida.  Assim todos que participavam da festa não podiam ser reconhecidos.</p>
<p> Naquele verão, naquela noite da <strong><em>Festa das Lanternas</em></strong>, havia uma competição muito grande.  Todo mundo queria mostrar suas habilidades na arte de fazer e decorar lanternas. Havia prêmios!  Eram tantas, mas tantas as lanternas acesas naquela noite no reino que já não se sabia se era noite ou dia. A jovem filha do Mandarim começou a sentir muito calor.  Estavam no meio do verão.  A noite permanecia quente e as todas as velas acesas aqueciam ainda mais o ar calmo.   De repente, não agüentando mais, a jovem retirou a sua máscara e pôs-se a se abanar com ela, para aliviar o calor que sentia.  Todos os membros da corte, vendo a bela princesa fazer isso, passaram a imitá-la também, arrancando suas máscaras e usando-as como abano.  No ano seguinte, toda a corte compareceu à <strong><em>Festa das Lanternas</em></strong><em> </em>mascarada, mas cada pessoa tinha em mãos um abano para aliviar o calor.  Assim surgiram, na China, os primeiros leques.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><em>7 – Periquitos.  Existem periquitos no mundo inteiro.  Mas há alguns periquitos que existem </em></strong><strong><em>SÓ no Brasil e alguns que vivem aqui e em outros países da América do Sul:</em></strong></span></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p>Primeiro vejamos:</p>
<p>O periquito é parente do papagaio.  E faz ninhos em árvores em lugares seguros contra seus predadores.  Seus inimigos são: iguanas, serpentes, cães e o homem.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/periquito-rei-close.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6206" title="periquito-rei close" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/periquito-rei-close.jpg" alt="" width="287" height="221" /></a></strong></p>
<p style="text-align:center;">Periquito-do-rei</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong>Periquito-do-rei</strong> – ou </span><strong><span style="color:#0000ff;">Jandaia</span> – </strong>vive em todo o Brasil. Estes periquitos sempre andam em bandos.  Acordam muito cedo e já fazem barulho de madrugada, antes do sol raiar.  Gostam de comer arroz e milho.  Quando decidem formar uma família eles deixam o bando de lado para criarem os filhotes sozinhos.  Eles também gostam muito de cantar e conseguem aprender algumas palavras se tiverem contato com pessoas.</p>
<p><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/periquito-cabeca-amarela-jandaia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6205" title="periquito cabeça amarela-jandaia" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/periquito-cabeca-amarela-jandaia.jpg" alt="" width="222" height="202" /></a></p>
<p style="text-align:center;">Periquito-da-cabeça-amarela</p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;">Periquito-da-cabeça-amarela</span></strong> – também é chamado de <strong>Jandaia</strong> – este, pode-se dizer que é um periquitão!  Chega a 32 cm!  Maior do que a tradicional régua de 30 cm.  Os periquitos-da-cabeça-amarela gostam de um clima mais quente.  Então moram principalmente no Nordeste do Brasil, nos seguintes estados:  Maranhão, Piauí, Ceará e Pernambuco.  Assim como os Periquitos-do-rei eles gostam de voar em bandos, estão sempre afiando os seus bicos, falam entre si o tempo todo, fazendo bastante barulho.  Uma verdadeira algazarra. </p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/periquito-rei.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6209" title="periquito-rei" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/periquito-rei.jpg" alt="" width="210" height="240" /></a>Periquito-rei </p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;">Periquito–rei</span></strong> &#8212; também chamado de <strong>caturra</strong> <strong> </strong>&#8211; gosta mais do clima ameno.  Vive da Bahia ao Rio Grande do Sul, e também no Paraguai e na Argentina.</p>
<p>Os periquitos-reis são menores chegando a um palmo de altura ou 20 cm.   Ele tem um topetinho de penas vermelhas no topo da cabeça que descem pelas suas costas.  Por isso, fora do Brasil, ele também é chamado de maitaca-da-cabeça-vermelha.   São muito numerosos e pode-se vê-los em todo e qualquer lugar com árvores frutíferas.  Adora comer milho e frutas.</p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#0000ff;"><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/caturrita.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6203" title="caturrita" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/caturrita.jpg" alt="" width="252" height="189" /></a></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#000000;">Caturrita</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;">Periquito-do-pantanal</span></strong> – também chamado de <strong>caturra</strong> ou <strong>caturrita</strong> – tem um tamanho entre o periquito-rei e o periquito-da-cabeça-amarela.  Chega a medir 28 cm.  As caturritas vivem no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná até os estados do Mato-Grosso e Mato-Grosso do Sul.  Também moram no Paraguai, na Argentina e no Uruguai.  Também gostam muito de comer milho e arroz.  Mas eles são muito diferentes dos outros periquitos porque eles constroem uns ninhos muito grandes, às vezes até muitos ninhos numa mesma árvore.  E tem mais:  o casal de periquitos não se separa do grupo para criar seus filhotes.  As caturritas fêmeas dividem o trabalho de cuidar dos filhotes e chegam até a morar duas ou três fêmeas por ninho.</p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;"><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/tuim.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6210" title="tuim" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/tuim.jpg" alt="" width="241" height="246" /></a></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#000000;">Tuim</span></p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;">Periquito-do-Espírito-Santo</span></strong> também chamado de <strong>Tuim</strong>.  Este periquito é verdadeiramente sul-americano, ou seja, mora em todo o Brasil e em toda a América do Sul.  Vive na beira das florestas.  Estes são os menores periquitos do Brasil, chegam só até 12 centímetros de comprimento. No entanto, fazem tanta algazarra o tempo todo, falando tão alto, que parecem até maiores do que são.  Apesar de conversarem muito entre si, eles nunca chegam a falar.  São namorados muito carinhosos.  Gostam de comer milho e cana. Preferem sementes às frutas. São atraídos por árvores frutíferas como mangueiras, jabuticabeira, goiabeiras, laranjeiras e mamoeiros. Os cocos de muitas palmeiras constituem sua alimentação predileta, procuram também as frutas da imbaúba dos capinzais.</p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;">Periquito </span></strong>– este é o periquito comum.  Não tem outro nome.  É o mais encontrado dos periquitos no Brasil. Podemos vê-lo nos parques, nas cidades, nas praças públicas, nos jardins, nas fazendas.  Adora brincar no bambuzal e roer bambus.  Aliás adora roer.  Ele chega a 26 cm de comprimento e gosta de milho e de arroz.  Este periquito aprende a falar.</p>
<p><strong><em><span style="color:#0000ff;">8 – Veja o mapa do Brasil</span></em></strong></p>
<p><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/mapa_brasil.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-6204" title="mapa_brasil" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/mapa_brasil.png" alt="" width="372" height="400" /></a></p>
<p>A -  Cubra de tracinhos vermelhos os estados onde vivem os periquitos-do-rei.</p>
<p>B -  Encha de bolinhas verdes  os estados onde vivem os periquitos-do-pantanal.</p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em><span style="color:#0000ff;">9 &#8212;  Galhofeiro quer dizer brincalhão, zombeteiro, a pessoa que ri à custa dos outros&#8230; </span></em></strong></p>
<p>Substitua a palavra grifada pela palavra <strong><em>galhofeiro</em></strong> nas seguintes frases.</p>
<p>1-                          Depois que Esmeraldo, um conhecido <strong><em><span style="color:#008000;">zombeteiro</span></em></strong>, fez a turma toda rir dos sapatos vermelhos de Cazuza, este saiu chorando da sala.</p>
<p><em>2-                        </em>Maria das Dores era <strong><em><span style="color:#008000;">brincalhona</span></em></strong>.  Pegou um papel, escreveu a palavra burro e o colou nas costas de João Pedro sem que este soubesse.<strong><em> </em></strong></p>
<p><em>3-                        </em>O palhaço Zumzum sempre ri quando vê o jato d’água de sua flor na lapela molhar o rosto da pessoa com quem conversa.  Ele é um <span style="color:#008000;"><strong><em>zombeteiro</em></strong> </span>de primeira categoria!<em><strong> </strong></em></p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><em><strong><span style="color:#0000ff;">10- A palavra algazarra, quer dizer: barulheira, vozeria, tagaleria.  Note que a palavra algazarra começa com as letras a + l, seguidas de uma consoante (g).  Preencha os pontinhos formando palavras que comecem com as letras a+l seguidas de uma consoante:</span></strong></em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Na salada:  al _ _ _ _</em></p>
<p><em>Na costura: al _ _ _ _ _ _</em></p>
<p><em>No dicionário: al _ _ _ _ _ _ </em></p>
<p><em>No armário de remédios: al _ _ _ _ _</em></p>
<p><em>Com o policial: al _ _ _ _ _</em></p>
<p><em>No navio: al _ _ _ _ _ _ _</em></p>
<p><em>Na gaiola do passarinho: al _ _ _ _ _</em></p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><em><strong><span style="color:#0000ff;">Leitura:  Você sabia?</span></strong></em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>A nossa língua, a língua portuguesa, tem mais de 700 palavras que começam com as letras a + l.  600 destas palavras são de origem árabe.  Do tempo que os mouros invadiram Portugal.</em></p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><em><strong>11 &#8212; &#8230;</strong></em><em><strong>batendo as asas irisadas</strong></em><em><strong>&#8230; Nós vimos que </strong></em><em><strong>irisada</strong></em><em><strong> quer dizer  furta-cor, que muda de cor conforme o ângulo.  Nas frases abaixo troque as palavras grifadas pela palavra </strong></em><em><strong>irisada</strong></em><em><strong>.</strong></em></span></p>
<p><em><strong> </strong></em><em>O corpo da mosca varejeira é<span style="color:#008000;"><strong> furta-cor</strong></span>.</em></p>
<p><em>Maria colecionava conchinhas do mar,  mas guardava só aquelas com as conchas <span style="color:#008000;"><strong>matizadas</strong></span>.</em></p>
<p><em>Minha avó foi à festa com um vestido de tafetá rosa <span style="color:#008000;"><strong>cambiante</strong></span>.</em></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong> </strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong>12 – No poema acima, Osório Dutra caracteriza os periquitos como &#8220;<em>alegres</em> e <em>ruidosos&#8221;</em>.   E que por causa disso, eles parecem </strong></span><em><strong><span style="color:#0000ff;">&#8220;venturosos&#8221;.</span> </strong> </em><strong><span style="color:#0000ff;">Nas frases abaixo, passe um círculo em volta das palavras que sejam sinônimos de venturoso</span><span style="color:#0000ff;">.</span></strong></p>
<p>A &#8212; As meninas ao saírem da escola, alegres e tagarelas, pareciam felizes.</p>
<p>B – Nem todos os reis foram afortunados na guerra.  Alguns perderam tudo.</p>
<p>C – João tem muita sorte, ganhou um ursinho de pelúcia no sorteio da escola.</p>
<p>D – Lúcia é uma jovem afortunada: inteligente, atraente e tem muitas amigas.</p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;">LEITURA/ DITADO</span> </strong></p>
<p>Em 1500, o Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral. N aquela época,  D. Manuel I, também chamado <em>O Venturoso,</em> era rei de Portugal.  Seu reinado foi repleto de muitos eventos felizes, de decisões acertadas e de várias aventuras marítimas bem realizadas.  Foi um período importante para Portugal, porque o país se tornou muito rico.  Dentre os eventos mais ditosos, mais felizes, de seu reinado estão: a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama e a descoberta do Brasil. Por isso esse rei ficou conhecido pelo cognome <em>O Venturoso</em>.</p>
<p><strong><span style="color:#000000;">Cognome:</span></strong>  é um nome, um apelido, pelo qual pessoas ficam conhecidas.  Por exemplo:  </p>
<p>Edson Arantes do Nascimento, cognome: Pelé.</p>
<p>Diogo Álvares Correia, cognome: Caramuru.</p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong>13 – Escreva o nome completo e seu cognome de um mártir da Independência do Brasil.   </strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong>14 &#8212;  <em>Onde vai um, lá vai o bando, /Cortando o azul na tarde bela./ Ordena um deles a partida/  Em busca de outros horizontes.</em>  Nestes versos de Osório Duque parece que os periquitos têm um líder que os orienta.    Nem todos os pássaros voam em bandos e seguem um líder.  Faça um círculo em volta dos pássaros da lista abaixo que voam em grupos</strong></span>:</p>
<p>Águia, Beija-flor,  Arara, Martim-pescador,  Urubu, Pato, Albatroz, Sabiá, Flamingo, Cegonha, Assum-preto, Canário, Tucano, Maracanã.</p>
<p><strong><span style="color:#0000ff;">15 – Onde dormem os periquitos?     Onde dormem&#8230;</span></strong></p>
<p>Os macacos?</p>
<p>Os morcegos?</p>
<p>O gado na fazenda?</p>
<p>A jaguatirica?</p>
<p>E os alunos da escola?</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Quem é Rudinei Borges]]></title>
<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/quem-e-rudinei-borges/</link>
<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 02:17:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
<guid>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/quem-e-rudinei-borges/</guid>
<description><![CDATA[  O poeta paraense Rudinei Borges O escritor e poeta Rudinei Borges nasceu em Itaituba – Pará, cidad]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"> </p>
<div id="attachment_315" class="wp-caption alignnone" style="width: 274px"><a href="http://rudineiborges1.wordpress.com/files/2009/11/s6301524.jpg"><img class="size-medium wp-image-315" title="S6301524" src="http://rudineiborges1.wordpress.com/files/2009/11/s6301524.jpg?w=264" alt="" width="264" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">O poeta paraense Rudinei Borges</p></div>
<p style="text-align:justify;">O escritor e poeta Rudinei Borges nasceu em Itaituba – Pará, cidade localizada às margens do Rio Tapajós, afluente do Amazonas, onde todos os dias chegam inúmeras embarcações. Viveu parte da infância em sítios e chácaras da Rodovia Transamazônica e Santarém-Cuiabá. A outra parte num bairro itaitubense chamado Liberdade.</p>
<p style="text-align:justify;">Estudou nas escolas Raimundo Pereira Brasil e Isaac Newton. Morou em Santarém/PA e em 2003 mudou para São Paulo. Formou-se em Filosofia. Atualmente faz mestrado em Educação na Universidade de São Paulo – USP.</p>
<p style="text-align:justify;">É autor do livro <em>Chão de terra batida</em> (All Print Editora 2009). É coautor de <em>Educar e Aprender</em>, <em>Bate-papo no gramado</em> (ambos da Editora In House 2008) e <em>Construindo saberes</em> (In House 2009).</p>
<p style="text-align:justify;"> Participou da antologia <em>Dimensões.BR – Contos de Literatura Fantástica no</em> Brasil (Andross 2009). Também participou das coletâneas de poesia <em>Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 57 </em>e <em>Poesia de Corpo &#38; Alma</em> (Câmara Brasileira de Jovens Escritores 2009).</p>
<p style="text-align:justify;">Em 2009 recebeu Menção Honrosa do Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody da Secretaria Estadual de Cultura do Paraná. Foi um dos vencedores do II Prêmio Canon de Poesia 2009.</p>
<p style="text-align:justify;">Para mais informações sobre o autor acesse o site <em>www.aruasetima.wordpress.com</em> ou escreva para <em>rudineiborges@usp.br</em>.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://rudineiborges1.wordpress.com/files/2009/11/capa-de-chao-de-terra-batida.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-314" title="capa" src="http://rudineiborges1.wordpress.com/files/2009/11/capa-de-chao-de-terra-batida.jpg?w=191" alt="" width="191" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">O livro <strong>Chão de terra batida</strong> pode ser comprado nos seguintes sites:</p>
<p style="text-align:justify;">Livraria Cultura [<a href="http://www.livrariacultura.com.br">www.livrariacultura.com.br</a>]</p>
<p style="text-align:justify;">Livraria Saraiva [<a href="http://www.livrariasaraiva.com.br">www.livrariasaraiva.com.br</a>]</p>
<p style="text-align:justify;">All Print Editora [www.allprinteditora.com.br]</p>
<p style="text-align:justify;">Ou pelo telefone (11) 2478-3413</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poema]]></title>
<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poema/</link>
<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 02:02:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
<guid>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poema/</guid>
<description><![CDATA[]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://rudineiborges1.wordpress.com/files/2009/11/cemiterio-dos-bichos.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-308" title="Cemitério dos bichos" src="http://rudineiborges1.wordpress.com/files/2009/11/cemiterio-dos-bichos.jpg" alt="" width="400" height="302" /></a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poemas do livro "Chão de terra batida"]]></title>
<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poemas-do-livro-chao-de-terra-batida/</link>
<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 01:58:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
<guid>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poemas-do-livro-chao-de-terra-batida/</guid>
<description><![CDATA[Apresentação Eu nasci no mato, Joana. Sou filho do garimpeiro, seringueiro, pescador: Fulano da Silv]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><strong>Apresentação</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Eu nasci no mato, Joana.</p>
<p style="text-align:justify;">Sou filho do garimpeiro,</p>
<p style="text-align:justify;">seringueiro,</p>
<p style="text-align:justify;">pescador:</p>
<p style="text-align:justify;">Fulano da Silva.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Joana, eu nasci no mato.</p>
<p style="text-align:justify;">Sou filho da lavadeira,</p>
<p style="text-align:justify;">dona de casa,</p>
<p style="text-align:justify;">devota de Nossa Senhora:</p>
<p style="text-align:justify;">Beltrana dos Santos.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Joana, eu nasci no mato, Joana.</p>
<p style="text-align:justify;">Sou caboclo poeta,</p>
<p style="text-align:justify;">poeta caboclo:</p>
<p style="text-align:justify;">Sicrano da Silva Santos.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">O verso é meu ofício.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Meninos da Sétima Rua</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Tenho saudades do que é breve</p>
<p style="text-align:justify;">e vai para além dos barcos.</p>
<p style="text-align:justify;">Esvai com a alvorada.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Saudades do menino cálido,</p>
<p style="text-align:justify;">que se perdeu nos campos</p>
<p style="text-align:justify;">entre o cais e o beco</p>
<p style="text-align:justify;">e a tenra ilusão dos fósseis.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Saudades daquele menino:</p>
<p style="text-align:justify;">amante das ruas,</p>
<p style="text-align:justify;">andarilho das tardes.</p>
<p style="text-align:justify;">O meu menino.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Nascimento de Maria Fernanda</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Não tenho razões</p>
<p style="text-align:justify;">para ser</p>
<p style="text-align:justify;">maior que o tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Nem menor</p>
<p style="text-align:justify;">que o instante vago.</p>
<p style="text-align:justify;">Sou apenas o vento</p>
<p style="text-align:justify;">e estou onde quero</p>
<p style="text-align:justify;">como se não quisesse nada.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Nascimento de Thiago Gonçalves</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Tenho que prenunciar o cais,</p>
<p style="text-align:justify;">as mulheres grávidas,</p>
<p style="text-align:justify;">o pasto e a cerca.</p>
<p style="text-align:justify;">O ombro dos pais</p>
<p style="text-align:justify;">quando é tempo de colheita.</p>
<p style="text-align:justify;">A mão das mães</p>
<p style="text-align:justify;">diante do fogão à lenha.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Tenho que prenunciar a tarde.<strong></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Catedral de Sant’Ana</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Quem é livre</p>
<p style="text-align:justify;">quando calam os sinos</p>
<p style="text-align:justify;">e os candelabros?</p>
<p style="text-align:justify;">Quando a manhã parte</p>
<p style="text-align:justify;">levando os montes?</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Ninguém é livre</p>
<p style="text-align:justify;">quando não ama</p>
<p style="text-align:justify;">a intensidade da chama.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Só é livre</p>
<p style="text-align:justify;">a alma branda</p>
<p style="text-align:justify;">quando a paixão doma</p>
<p style="text-align:justify;">a carne</p>
<p style="text-align:justify;">e as marés lentas</p>
<p style="text-align:justify;">tocam cítaras.<strong></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>O poeta</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Parece estar mais próximo do outro mundo. Está. Quando dorme a profundeza do sono o poeta rompe a porta das coisas e vai às ilhas que ninguém conhece.</p>
<p style="text-align:justify;"> Vê na flor não o que a flor não é. Vê na flor o singelo encanto e furta das pétalas a luz do dia.</p>
<p style="text-align:justify;"> A lamparina acesa atravessa a madrugada. Junta o alfarrábio e o tinteiro à escrivaninha. Tece metáforas em silêncio como se contasse segredos a ninguém.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Consigo já não pode. Nem com os demais.</p>
<p style="text-align:justify;">Chora aqueles que perderam a amada.</p>
<p style="text-align:justify;">Sente na mão a dor das chagas,</p>
<p style="text-align:justify;">porque nele todas as dores se encontram.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Nasce a poesia.</p>
<p style="text-align:justify;">E o poeta devolve às pétalas</p>
<p style="text-align:justify;">a luz do dia</p>
<p style="text-align:justify;">tecida em palavras.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Canção das mães</strong> </p>
<p style="text-align:justify;">Meu filho não é meu.</p>
<p style="text-align:justify;">É do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele dorme no</p>
<p style="text-align:justify;">meu colo</p>
<p style="text-align:justify;">a viagem inteira.</p>
<p style="text-align:justify;">como se fosse meu.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Logo irei soltá-lo</p>
<p style="text-align:justify;">na estação.</p>
<p style="text-align:justify;">Para onde irá</p>
<p style="text-align:justify;">não sei.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas um dia</p>
<p style="text-align:justify;">voltará.</p>
<p style="text-align:justify;">E de novo no</p>
<p style="text-align:justify;">meu colo</p>
<p style="text-align:justify;">dormirá</p>
<p style="text-align:justify;">o sono matinal.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Altar</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Mãe rezava o rosário inteiro</p>
<p style="text-align:justify;">antes de dormir.</p>
<p style="text-align:justify;">E eu baixinho repetia</p>
<p style="text-align:justify;">as palavras da mãe:</p>
<p style="text-align:justify;">amar significa olhar para as coisas</p>
<p style="text-align:justify;">sem sentir saudades delas.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>O cemitério dos bichos</strong></p>
<p style="text-align:justify;">O fundo do quintal</p>
<p style="text-align:justify;">era o cemitério dos bichos.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando morria gato e cachorro</p>
<p style="text-align:justify;">era lá que a mãe enterrava.</p>
<p style="text-align:justify;">Um dia morreu a nossa cadelinha</p>
<p style="text-align:justify;">e não teve jeito: fiz promessa,</p>
<p style="text-align:justify;">enxuguei lágrimas e rezei</p>
<p style="text-align:justify;">para que Nossa Senhora</p>
<p style="text-align:justify;">intercedesse por ela no céu.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>A festa de São Lázaro</strong></p>
<p style="text-align:justify;"> A tia fazia festa no dia de São Lázaro. Mandava trazer rezadeira a cavalo. Mandava chamar gente da vila. Parente da cidade. Toda a vizinhança chegava animada. Tinha bolo e garapa de cana. O povo cantava. O povo rezava. O povo ria. Um homem contava pela centésima vez como caçou uma onça pintada. Os outros ficavam calados. E uma mulher gorda de peitos caídos tirava uma sacola de dentro da saia e escondia fatias de bolo pra levar pros filhos.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Casa de farinha</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Deus veio conhecer a casa de fazer farinha do vô. Sorte de Deus que virou amigo do vô. Agora Deus sempre leva farinha pro céu.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Auto do mato</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Um dia vi Deus no meio do mato. Ele riu e fez um sinal com a mão para que eu chegasse bem perto dele. Eu deitei no colo de Deus e senti uma saudade forte dum tempo que não sei qual é.</p>
<p style="text-align:justify;">Contei pra Deus que se eu não fosse menino queria ser um boto tucuxi pra ficar o dia todo brincando no rio. Mãe ralhou comigo. Disse que boto tucuxi não brinca o dia todo.</p>
<p style="text-align:justify;">Deus me contou que se não fosse Deus queria ser uma aranha pra ficar o dia todo tecendo teias bonitas. Mãe ralhou com Deus. Disse que aranha não tece teias o dia todo.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Capelinha de Nossa Senhora das Graças</strong></p>
<p style="text-align:justify;">O padre alemão falava enrolado. As meninas rezavam a Ave-Maria em latim. Dona Benedita no alpendre da casa contemplava um beija-flor namorando a roseira. O menino vestido de anjo subia a ladeira da Passagem Dr. Nelson. O rapaz olhava o semblante da moça morena. O homem carpia o terreiro da capelinha. Uma mulher anunciava o fim do mundo. A outra paparicava o marido que veio do garimpo. Um homem de chapéu dizia que não gostava de árvore. A professora contava a história de Francisco Orellana, o desbravador do Rio Amazonas. O sacristão puxava o sino da catedral de Sant’Ana. O velho coronel imaginava atrocidades. Um menino vendia peixe. O outro pescava tucunaré. Uma menina do povo munduruku fazia colares com penas de arara. Um barco partia para Aveiro. A freira dava bolo para as crianças. Um homem descalço suava e chorava. Carregava uma cruz pesada.</p>
<p style="text-align:justify;">E eu nem sabia o que era Sexta-feira da Paixão.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Encantamento</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Foi uma árvore que me ensinou a falar paralelepípedo.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Árvore II</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Árvore fala como gente ou é gente que fala como árvore? Não sei. Mas gosto muito de árvore, porque árvore ri de um jeito engraçado.</p>
<p style="text-align:justify;">Acho que árvore tem cócegas.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Praça do Centenário</strong></p>
<p style="text-align:justify;">No norte do Brasil há casas de barro em ruas de barro. Um dia vi Deus empinando pipa.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>O eldorado</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Quando era menino queria ser dono dum barco que viajasse para todos os lugares do mundo até chegar ao eldorado. E dizia entusiasmado: </p>
<p style="text-align:justify;">– Paula será tripulante. Beto capitão. Mãe vigiará dia e noite para alcançarmos o eldorado antes da nau de Pedro Álvares Cabral. </p>
<p style="text-align:justify;">Buscava o eldorado como o paraíso. Mas já havia encontrado.</p>
<p style="text-align:justify;">  </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Moacir Dias</strong> </p>
<p style="text-align:justify;">O vô tinha jeito de índio. Cabelo de índio. Cor de pele de índio. Mas o vô não sabia o que era oca e aldeia. Acho que o vô era uma mistura de índio com português.</p>
<p style="text-align:justify;">O vô gostava de mato, dos mistérios do mato. Conhecia de longe paca, tatu, caititu, capivara. Já tinha visto onça e gato selvagem. Sabia nome de bicho que ninguém sabe, nome de árvore que ninguém sabe.</p>
<p style="text-align:justify;">O vô também gostava de carpir, preparar a terra, plantar mandioca. Gostava de ver o mandiocal crescer ao redor da casa de barro. Tempos depois o vô arrancava a raiz, deixava a mandioca virar puba e colocava a massa num forno à lenha. Era assim que o vô fazia farinha.</p>
<p style="text-align:justify;">Dava vontade de ter fome sempre.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>A mãe</strong></p>
<p style="text-align:justify;">A mãe era mulher bonita. Tinha os olhos morenos, a alma morena. Tinha um jeito engraçado de sentir perfume nas coisas, de arrumar a casa, de lavar as roupas, de rezar pros mortos, de rezar pros vivos, de contar histórias do tempo da bisa.</p>
<p style="text-align:justify;">A mãe tinha um jeito de chorar de repente, de amar de repente. Um jeito de arar a terra, de plantar erva cidreira, capim santo, mastruz, hortelã. Um modo de fazer chá pra dor de barriga, xarope pra gripe.</p>
<p style="text-align:justify;">A mãe tinha um jeito de olhar pras coisas que eu não entendia.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><strong>A cacimba</strong> </p>
<p style="text-align:justify;">A vó tinha um quintal grande. Quintal tomado de árvore: pé de ingá, jambo, mangueira: casa de curió, marimbondo, periquito. No fundo do quintal, perto da cerca que dava com a casa da Dona Paula (uma negra risonha e brava), a vó mandou fazer uma cacimba.</p>
<p style="text-align:justify;">Dentro da terra úmida fi cavam escondidas minas quietinhas e a água da cacimba era clara, fria. Deixava todo mundo arrepiado. Mas das minas saiam muçuns, bicho estranho. Eu tinha medo daquilo. Devia ser coisa do outro mundo. Coisa que aparece só em sonho. Coisa encantada. Mas eu não gostava de muçum. Nem pra fazer judiação. Nem pra levar nas aulas de ciências.</p>
<p style="text-align:justify;">A vó também mandou fazer um jirau e as mulheres do bairro iam lavar as roupas do marido, dos filhos e do patrão. Aparecia roupa de toda parte. Roupa feia e bonita. Roupa rasgada e remendada. Foi lá que a mãe lavou a minha camisa da primeira comunhão. A toalha vermelha de mesa que eu achava bonita – a mãe colocava no natal. Eram tardes inteiras ali. Eu sentava debaixo das árvores e quando a mãe chamava ia com um balde tirar água da cacimba pra colocar numa bacia velha de alumínio.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi naquela cacimba que eu li pela primeira vez Fernando Pessoa.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Outros poemas]]></title>
<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/outros-poemas/</link>
<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 01:48:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
<guid>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/outros-poemas/</guid>
<description><![CDATA[Poema de amor Mania feia esta de dizer eu te amo. Vício ignóbil de linguagem. Amor é coisa sagrada. ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong>Poema de amor </strong></p>
<p>Mania feia esta de dizer eu te amo.</p>
<p>Vício ignóbil de linguagem.</p>
<p>Amor é coisa sagrada.</p>
<p>Não se pode invocar em vão.</p>
<p>É como o nome de Deus.</p>
<p>Não adianta chamar toda hora.</p>
<p>&#160;</p>
<p>O amor é surdo.</p>
<p>É mistério que ninguém consegue expressar em palavras.</p>
<p>Nem com a conjugação correta dos verbos.</p>
<p>Nem com prosopopéias e metáforas.</p>
<p>Arrojos. Acrobacias. Subterfúgios.</p>
<p>Devaneios. Solilóquios. Sussurros.</p>
<p>&#160;</p>
<p>Amor é bicho difícil de domesticar.</p>
<p>Animal feroz.</p>
<p>Espírito encantado das colinas.</p>
<p>Pluma que se perde ao vento,</p>
<p>mas por vezes cai em nossas mãos.</p>
<p>É grão de mostarda. É mar morto. Capadócia.</p>
<p>&#160;</p>
<p>Amor é viagem que a gente imagina.</p>
<p>Sonho em madrugada fria.</p>
<p>É sobrado velho pintado com as cores do inefável.</p>
<p>Por isso, é bonito. Cega a vista. Cega a alma.</p>
<p>Deixa a gente louco. Estarrecido. Calado.</p>
<p>Cheio de lágrimas no canto dos olhos.</p>
<p>&#160;</p>
<p>Amor é canção de roda. Esconde-esconde.</p>
<p>É o amigo invisível dos meninos que correm na praça.</p>
<p>Carta amarelada das mulheres no alpendre.</p>
<p>Rosto na janela.</p>
<p>É pão sobre a mesa.</p>
<p>Risada interminável.</p>
<p>&#160;</p>
<p>Amor é gesto. É corpo.</p>
<p>São olhares que se entrecruzam de manhãzinha.</p>
<p>Não é dizer. Não é conversa.</p>
<p>É ato abrupto. Abraço apertado.</p>
<p>&#160;</p>
<p>Amor é silêncio.</p>
<p><strong></strong> </p>
<p><strong>Calendário</strong></p>
<p>Hoje é sábado, Joana.</p>
<p>Amanhã (quem sabe)</p>
<p>Domingo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>O menino e o palhaço</strong></p>
<p>Neste cansaço da tarde me faço homem.</p>
<p>Mas quando encontro sal nas calçadas</p>
<p>Volto a ser menino.</p>
<p>Arranco o sapato. Parto. Crio bonecos.</p>
<p>Os espantalhos do mundo são todos meus.</p>
<p>No fim da noite, quando a manhã se rebela,</p>
<p>Sou isto: o palhaço diário.</p>
<p>A maquiagem se confunde com a pele,</p>
<p>Com a hora e o semblante e o medo e o temor.</p>
<p>O meu palhaço sou eu mesmo.</p>
<p>E rio quando ele diz que é outro.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>O menino e o trem</strong></p>
<p>Pobre o menino de mãos levantadas</p>
<p>Na fotografia de 1900.</p>
<p>Desde que inventaram a memória</p>
<p>A minha paixão é o trem:</p>
<p>Aquele que passa na Rua da Madrugada.</p>
<p>&#160;</p>
<p>Desde que me tornei homem</p>
<p>Tive que trabalhar,</p>
<p>Pagar as contas</p>
<p>E fumar charuto cubano.</p>
<p>&#160;</p>
<p>O menino era maquinista do trem:</p>
<p>Amarelo-pobre.</p>
<p>Amarelo pobre.</p>
<p>&#160;</p>
<p>Ontem era dezembro</p>
<p>E minha mãe ainda rezava</p>
<p>Novena de natal.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Trinta e uma gravuras</strong></p>
<p>A poesia só vem depois das dez.</p>
<p>Eu insisto, sem remorso, nessa demora.</p>
<p>Por vezes, enfeito a mesa com flores.</p>
<p>&#160;</p>
<p>Nus ficamos à espera.</p>
<p>Olho, curioso, pelo buraquinho da janela</p>
<p>O namoro de Joana no poço.</p>
<p>&#160;</p>
<p>Em noites de bom humor invadimos a aurora.</p>
<p>Perde-se a madrugada inteira.</p>
<p>A poesia tenta inutilmente me ensinar a dançar.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Entrevista com o escritor Rudinei Borges]]></title>
<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/entrevista-com-o-escritor-rudinei-borges/</link>
<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 01:37:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
<guid>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/entrevista-com-o-escritor-rudinei-borges/</guid>
<description><![CDATA[  por Cristina Lima   Em 2009, o poeta e escritor paraense Rudinei Borges, que atualmente mora em Sã]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>por Cristina Lima</strong></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Em 2009, o poeta e escritor paraense Rudinei Borges, que atualmente mora em São Paulo, publicou o seu primeiro livro de poesia, <em>Chão de terra batida</em>. Numa entrevista concedida via e-mail, Rudinei conta como a infância no interior da Amazônia influencia a sua criação poética. Acompanhe os principais momentos da entrevista.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>Cristina Lima -</strong> <em>Apresentação</em>, poema que abre o seu primeiro livro, <em>Chão de terra batida</em>, inicia com o verso que diz “Eu nasci no mato, Joana”. Na parte final do livro em um texto que você nomeou de <em>Autorretrato</em> há outra vez esta afirmação, “sou um poeta do mato”. Por que esta fixação pelo mato? Qual o significado do mato ou da floresta em sua poesia?</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>Rudinei Borges -</strong> Não diria que há uma fixação pela imagem do mato. Mas, em verdade, há um itinerário a ser percorrido em meu primeiro livro e ele parte do tema da infância. Quando recordo os primeiros anos de minha vida, o que tenho guardado na memória são imagens da mata amazônica, da simplicidade do cotidiano, da figura materna e da imensidão das águas. Na Amazônia os rios são imensos. O mato talvez signifique o lugar primeiro. O que Barcherlad chama de poética do espaço. É onde nasci e de onde vim. Quando afirmo que sou um poeta do mato não estou delimitando o meu espaço, mas reconhecendo a minha própria origem. Tenho textos e poemas que evocam uma realidade absolutamente urbana, como a vida em uma cidade cosmopolita como São Paulo. No entanto, o meu chão primeiro, a minha manjedoura, é o interior do Pará. E eu quis que o meu primeiro livro fosse impregnado desta saudade do mato, da floresta. É quase como uma tentativa de fundir e confundir a infância com o local onde ela aconteceu.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>C. L -</strong> Então, conte-nos sobre a cidade onde você nasceu.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>R. B. -</strong> Eu nasci em Itaituba, cidade do oeste do Pará. Costumo enfatizar que fica às margens do Rio Tapajós, porque é um lugar muito bonito. Nasci na cidade, porém logo fui levado para o interior. Vivi na Rodovia Transamazônica e na Santarém-Cuiabá. A minha mãe foi caseira de sítio, cozinheira de fazenda. Itaituba foi e ainda é um município muito grande. Deve ter uns cem mil habitantes. Em geral, é possível conhecer boa parte das pessoas. Foi um lugar famoso pela exploração de ouro. Cresci ouvindo histórias de garimpeiros. Vi mulheres criando os filhos sozinhas, enquanto os maridos desejavam a riqueza no Alto Tapajós. Creio que o ouro não deixou riqueza nenhuma para a cidade. Só a poluição ocasionada pelo uso de mercúrio na extração daquele metal. Os meus pais são migrantes e foram para o Pará com a abertura da Tranzamazônica. Foram acompanhando os meus avós e lá se conheceram. O que acho interessante é que o migrante é sempre tomado de esperança, ele acredita que o lugar para onde vai será melhor. Nem sempre é assim. Alguns chamam a estrada inaugurada pelos militares, que até hoje não foi pavimentada, de Transamargura. Um apelido bem apropriado, eu acho. A vida não é fácil naquela parte do Brasil. Penso que o fato de a estrada não ser pavimentada propiciou que eu guardasse uma lembrança, um sentimento forte pelo barro. Na transamazônica há atoleiros gigantescos. Num dos meus versos eu escrevo: “no norte do Brasil há casa de barro em ruas de barro”. Outra vez tento fundir as imagens. As ruas de barro e as casas de barro são a mesma coisa. E termino com “um dia vi Deus empinando pipa”. O que percebo agora ao falar com você é que apesar de um provável cotidiano sofrível eu mantenho as mesmas esperanças do migrante. Tenho a impressão que em <em>Chão de terra batida</em> o cotidiano é cantado com certa ternura. De certa forma eu acredito no cotidiano. O cotidiano da pequena Itaituba e de todas as cidades muito me interessam.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>C. L -</strong> Quando você veio para São Paulo?</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>R. B. -</strong> Eu mudei para São Paulo nos fins de janeiro de 2003. Tenho este hábito de usar a expressão “fins”. É uma quase certeza de que o fim nunca é um só. Há vários, então. Como deve haver inúmeros começos. Como comentei, eu cresci numa cidade pequena e cresci com o desejo de conhecer outras cidades. Por alguns anos, como muitos jovens, nutri um forte anseio de ir para lugares distantes. Queria viajar pelo mundo. Acho que tem algo haver com a leitura que fiz do diário de viagem de Ernesto Che Guevara ou com a vida de Rimbaud. Aliás, Rimbaud sempre me fascinou muito. Ele também veio do interior como eu. Porém, ainda não alcancei o mundo. O máximo que consegui chegar foi em São Paulo, que é um universo enigmático. Tenho vontade de deixar tudo e partir para uma viagem Brasil a dentro, Amazônia a dentro. Partir numa caravana como fez Mário de Andrade. Descer o inferno, como Drummond chamou a viagem de Mário. Um dia vi num livro uma foto de Mário de Andrade no porto velho de Santarém. Era uma fotografia antiga. Eu queria ser como aquele poeta que viajava atrás das raízes de seu país. Queria ser como o poeta que escreveu Macunaíma. Quando cheguei em São Paulo fui visitar o túmulo de Mário como um filho perdido que visita o pai distante. Senti alguma emoção. Engraçado, não escondo que sou guardador deste envolvimento familiar com as coisas. Lembro que certa vez peguei um caderno e fui perguntar para a vó o nome de todos os nossos parentes. Queria saber tudo. O nome de todos. Sou uma espécie de filho agarrado-desgarrado. Pareço distante, mas ao mesmo tempo ligado às minhas raízes. Preciso dizer que antes de vir para São Paulo, eu morei um ano em Santarém. Logo completei dezoito anos e terminei o Ensino Médio, em 2001, eu saí de casa. Em São Paulo me formei em Filosofia, comecei a lecionar e atualmente sou mestrando em Filosofia da Educação na Universidade de São Paulo – USP.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>C. L. &#8211; </strong>Você gosta de São Paulo?</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>R. B. -</strong> Gosto de Sampa. Por vezes, sinto certa aflição. É como se eu sentisse a cidade encravada dentro de mim. Preciso olhar o mar e os rios. O que é mais difícil é que não há um rio como o Tapajós na cidade de São Paulo. Por um tempo, eu achava inadmissível uma cidade que não fosse às margens de um rio. As cidades que são referências para mim estão localizadas às margens de grandes rios, como o Amazonas. Falo de Itaituba, Altamira, Santarém e Belém. Falo de Alenquer, Oriximiná, Óbidos e Monte Alegre. São todas cidades paraenses. Eu só conheci o mar em 2003. Faz pouco tempo. O meu mar era o Amazonas. São Paulo é um mundo misterioso de casas, edifícios, pontes, avenidas e pessoas diferentes. Inusitadas. Você olha para um lado e para o outro e ainda não conhece nada. Lembro que o que mais me impressionou no centro foi o Viaduto do Chá. Até hoje não sei as razões. O Viaduto do Chá esconde uma espécie de magia que eu não entendo. Juro que não entendo. Quando quero me sentir bem e em paz ando por ali. Atravesso o viaduto, contemplo o Vale do Anhangabaú e o Teatro Municipal. É um sentimento sem explicação. Muitos falam e têm razão: tudo acontece em São Paulo. A vida cultural é o que mais me anima. É possível conhecer poetas e escritores. É possível ir às peças de teatro mais experimentais. Tenho uma ligação forte com o teatro. E quando vejo o encontro de teatro e poesia sinto grande alegria. Em Itaituba, eu atuava em performances com poemas na escola, na igreja e até nas praças. Em São Paulo fiz por um tempo o curso do Teatro Escola Macunaíma, mas depois tranquei por falta de dinheiro. O teatro é um sonho que não consigo alcançar. Ora fica perto e ora está distante. Diante destes percalços, prometi que vou escrever peças de teatro, que vou manter uma relação com o teatro de algum modo. Penso que eu escolhi o teatro, mas o teatro não me escolheu. Gosto de atores como  Gero Camilo, Marat Descartes. Eles nem sabem que eu existo, mas gosto do trabalho deles. Certa noite, em 2008, vi uma peça em que atuava a atriz Juliana Galdino. Meu Deus, aquilo me levou a uma sensação do sublime que eu nunca havia experimentado. Voltando aos poetas e escritores, deixa-me confessar: desde a adolescência esperava conhecer os poetas Ferreira Gullar e Adélia Prado. Como também o meu mestre, Thiago de Mello, e o poeta Manoel de Barros. Conheci três deles. Faltou o Manoel de Barros. Sou da Amazônia, entretanto foi em São Paulo que pude conversar com o Thiago de Mello. Em São Paulo pude confirmar a sua real existência. Talvez eu leve pela vida toda o peso de não ter conhecido o poeta Manoel de Barros. Não tenho como ir ao estado onde ele mora. Nem tenho os contatos necessários para essa empreitada. Devo dizer também que em São Paulo a vida é cruel e difícil. As pessoas trabalham muito e talvez não vivam com a qualidade necessária. A educação e o transporte público, por exemplo, deixam muito a desejar. Conheci comunidades como Heliópolis. Lá a maior parte do que há para os jovens e as famílias é conquista ardorosa da comunidade e não necessariamente da autoridades ditas competentes. A violência me assusta. Já fui assaltado. A miséria nas ruas também é triste e vergonhosa. Isso é São Paulo.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>C. L. -</strong> Você citou alguns poetas. Quais poetas mais o influenciam?</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>R. B. -</strong> As minhas influências são um paradoxo. Leio e estudo diferentes expressões da poesia e da prosa. Tudo o que é literatura me interessa, na verdade. No meu primeiro livro, <em>Chão de terra batida</em>, identifico algumas influências claras e até inegáveis. O meu modo de ser poeta em <em>Chão de terra batida </em>resulta da escolha por enxergar o cotidiano com paixão e esperança. O meu objetivo foi cantar e encontrar significado nas pequenas coisas da infância. Quis encher a minha infância e de todos os meninos da Amazônia de um significado universal. Os poemas têm caráter narrativo, por isso a maioria deles foi escrito em prosa. Acredito que essa é uma de minhas principais características nesse meu primeiro empreendimento literário. Essa escolha é o resultado do meu envolvimento principalmente com a poesia de Adélia Prado e Manoel de Barros. E penso que também da leitura de Manuel Bandeira e Mário Quintana. <em>O livro sobre nada</em> de Manoel de Barros me deixou enlouquecido. E <em>Oráculo de maio</em> de Adélia Prado me fez receber multas da biblioteca municipal da cidade onde nasci. Atualmente não consigo desgrudar de <em>Libertinagem </em>e <em>Estrela da manhã </em>de Bandeira. Ninguém consegue. <em>Libertinagem</em> é um clássico de todos os tempos da poesia brasileira. Eu vivo os meus dias convivendo com o porquinho-da-índia, com Tereza e Irene Preta. Fale-me de poema mais extraordinário que <em>Vou-me embora pra Pasárgada</em>? Eu recitava aquele poema para todo mundo. Agora, por exemplo, estou labutando com a poesia completa de Mario Quintana. Foi a leitura de uma antologia de Quintana que me fez decidir por publicar primeiro os poemas de <em>Chão de terra batida</em>. Penso que os poetas que citei têm algo em comum, como o lirismo, a simplicidade disfarçada e um jeito prosaico de escrever os versos. O que eles escrevem parece simples, mas logo numa outra leitura encontramos uma variedade de significados e sugestões. Nos últimos dias li alguns versos de <em>Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais </em>de Cora Coralina. Causa fascinação versos como “vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo”. O que mais gostei foi do famoso <em>Poema do milho</em> e, em particular, quando em certa altura do poema, Cora escreve: “Em qualquer parte da terra um homem está plantando, recriando a vida. Recomeçando o mundo”. Quero beber da simplicidade grandiosa desses poetas.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>C. L -</strong> E os outros poetas e escritores? De quem você gosta em particular?</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>R. B. -</strong> Passei a minha adolescência inteira lendo Drummond. E Drummond pesa nos ombros, porque é extraordinário. É muito difícil esquivar-se da influência do poeta mineiro. Tenho paixão pelo Drummond de<em> Rosa do povo</em>. Da mesma forma amo o <em>Gullar do Poema sujo</em> e o Thiago de Mello de <em>Faz escuro mas eu canto</em>. A poesia compadecida pela miséria humana me interessa. Escrevi um poema longo de caráter social. Ainda não o publiquei e nem sei quando o tornarei público. Chama-o provisoriamente de <em>Carne hostil</em>. Eu o escrevi em 2005. Não o concluí. Ele surgiu depois de dois anos morando em São Paulo, num período em que eu ia de ônibus para a faculdade. Saía cedo de casa. Ia do extremo da zona sul para o Ipiranga. A vida das pessoas indo para o trabalho foi o que me motivou. Retornei a labutar com o <em>Carne hostil </em>em 2009. Porém, eu o acho um tanto panfletário. Outros escritores causaram tempestades em minha busca literária. Posso citar T.S. Eliot, Federico García Lorca, Rainer Maria Rilke, Bukowski, Tagore, Tristan Corbière, Mário de Sá Carneiro, Fernando Pessoa e Rimbaud. De todos estes que elenquei creio que os que mais leio são T.S. Eliot, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Rilke. Não tenho nenhum receio em dizer que os meus poemas de cabeceira são <em>A terra desolada</em> de Eliot; <em>Tabacaria </em>e <em>Guardador de rebanhos</em> de Pessoa; <em>Divã do</em> Tamarit de García Lorca; <em>Os primeiros poemas</em> de Rilke; <em>Dispersão</em> de Mário de Sá. Também todo o livro<em> Libertinagem</em> de Bandeira. É evidente que são os meus poetas de agora. Outros vão chegar. Leio <em>Folhas de relva</em> de Walt Whitman aos pedaços. Aos pedaços também leio<em> Grande sertão: veredas</em> de Guimarães Rosa, que é verdadeira poesia. Aos pedaços leio <em>Assim falou Zaratustra</em> de Niezsche e o teatro de Samuel Beckett. Este ano li alguns livros do poeta Roberto Piva. Não posso esquecer outros textos que estão sempre comigo como <em>Chove nos campos de Cachoeira</em> de Dalcídio Jurandir. A minha vida seria uma chatice sem essa gente toda. Também guardo algumas fotografias. Elas me ajudam a escrever.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>C. L. -</strong> Você cita Dalcídio Jurandir na epígrafe de seu livro. Por que todo este carinho por esse escritor?</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>R. B. -</strong> Porque devo muito do que sou à leitura de <em>Chove nos campos de Cachoeira</em> e de outros romances de Dalcídio Jurandir. Se eu fosse para uma ilha deserta levaria esse livro. Talvez você não compreenda, mas Dalcídio conseguiu traduzir em seu primeiro romance muito da alma amazônica, da infância dos meninos da Amazônia. Não posso negar que sou ou fui uma espécie de Alfredo, o personagem principal de <em>Chove nos campos de Cachoeira</em>. Sempre com o desejo árduo de partir, de ir para além dos campos molhados. Dalcídio conta a história de famílias da vila de Cachoeira, que hoje é uma cidade da Ilha do Marajó. Acho que Dalcídio se quisesse poderia trocar o nome de Alfredo pela palavra liberdade. Teria o mesmo sentido. Eu li este livro com dezessete anos, numa viagem de barco para Belém. Foram três dias olhando as margens do rio Amazonas e lendo as páginas de Dalcídio.  Aquilo me encantou de tal modo que não sei o que deu em mim. Foi a partir deste fato que me entendi como sujeito amazônico, como parte de uma gente, de uma região do Brasil. O que é a Amazônia? As pessoas não sabem. Não nos compreendem. Não nos conhecem. A Amazônia é a parte esquecida da família. E a literatura amazônica? Quem sabe o que se escreve ali? Dalcídio foi um dos maiores prosadores brasileiros do século XX e poucos críticos e estudiosos o conhecem. Fico com a triste sensação de que a literatura amazônica tende a ficar no ostracismo. Espero que isto mude com o advento da <em>internet</em>, com os avanços tecnológicos dos meios de comunicação. A literatura é a alma de um povo. É um dos modos mais significativos para expressar o que um povo é. Eu creio nisso.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>C. L. -</strong> O escritor paraense Edilson Pantoja, em um comentário sobre o seu livro <em>Chão de terra batida</em>, afirma que as principais referências de seus poemas são femininas, como a mãe e a avó. Ele também afirma que essas referências femininas parecem constituir figura da própria Amazônia. Como você recebeu este comentário?</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>R. B. -</strong> O Edilson Pantoja é da nova geração de escritores paraenses. Faz pouco tempo ele lançou o romance <em>Albergue Noturno</em>. Não o conheço pessoalmente. Mantenho contato com Edilson através da <em>internet</em>. Pantoja, decerto, fez uma leitura atenta de meu texto. Ele notou algo que tomei consciência após escrever a maioria dos poemas de meu livro. Isto que ele chama de referência feminina. Essa referência se deve em grande parte à minha própria história. Fui criado por minha mãe, pois o meu pai se desgarrou de nós muito cedo. Cresci sem pai e a figura de minha mãe tem um sentido todo especial em minha criação. Minha mãe foi e é para mim um grande exemplo coragem e persistência. Ela é destas mulheres brasileiras tomadas de uma força inacreditável mesmo nos momentos mais difíceis. Minha mãe trabalhou duramente para que eu pudesse estudar. Ela sempre me incentivou a escrever, sempre gostou de me ouvir recitar. Na verdade, a minha mãe cresceu ouvindo poemas de cordel. Era comum em Ananás, Tocantins, cidade onde ela nasceu, a leitura de romances de cordel. Talvez por isso ela admirasse tanto o filho que se dizia poeta. Mas nunca escrevi poemas de cordel. Lembro de certa tarde quando a minha mãe chegou do trabalho com um calhamaço sobre o romantismo. Devorei aquilo no mesmo dia. Admirava os poemas de Fagundes Varela para o filho morto. Acho que daí vem esta referência. A própria floresta amazônica lembra um grande útero onde estão presentes várias formas de vida.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>C. L. –</strong> A religiosidade é outro tema frequente em seu livro. Em poemas como <em>Auto do Mato</em>, você apresenta a figura de Deus com certo humanismo. Há uma tentativa de humanizar o divino em sua poesia? Outra questão interessante é da referência aos santos, comum na cultura popular brasileira.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>R. B. –</strong> Como já comentei, eu nasci no interior do Pará, numa região de muitos migrantes vindos do nordeste e sul do Brasil. Todos eles levaram para as fazendas e sítios, às margens da rodovia Transamazônica, elementos típicos de sua religiosidade, fé e crenças. Mas também as cidades ribeirinhas do Tapajós e do Amazonas são marcadamente caracterizadas pelos festejos de seus santos padroeiros, por procissões belíssimas. É o que acontece com o Círio de Nazaré em Belém. Uma vez participei do Círio de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Santarém. Eu fiquei impressionado com as ruas enfeitadas e com a quantidade de pessoas caminhando numa manhã ensolarada. E não vou esquecer por nada neste mundo das procissões de Sant’Ana, padroeira da cidade onde nasci. A procissão acontece em julho. Faz alguns anos que não participo. Em verdade, eu cresci meio às pequenas comunidades eclesiais de base da Amazônia que surgiram na década de 1970. Cresci meio às rezas das capelinhas, meios às novenas dos santos. Por isso, quando retomo o tema da infância em <em>Chão de terra batida</em>, retomo também a religiosidade característica da região de onde vim. Que não é uma religiosidade institucional. Acredito que o modo como o povo vive a sua fé transcende às instituições. Deste modo, quando penso a figura de Deus eu o apresento como um amigo de infância, como um menino. Não tenho pretensões de adentrar questões teológicas ou filosóficas. O meu desejo foi reaver a minha maneira contraditória de significar a vida e a fé. Acho que é isso.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>C. L. -</strong> Você citou que mantêm contato com outros escritores pela <em>internet</em>. Qual a relação de um poeta que se denomina do mato com o este meio de comunicação? Como avalia você avalia os blogs e sites de literatura?</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>R. B. -</strong> Utilizo o computador e a internet com freqüência. Nos fins de 2007 criei um blog, depois o abandonei. Agora disponibilizo alguns textos num blog chamado <em>A rua sétima</em>. A internet é um instrumento muito importante a serviço dos escritores. Assim, os novos poetas podem divulgar poemas e outras criações. Publicar um livro no Brasil, principalmente de poesia, é uma batalha homérica. E nem todo mundo tem condições de arcar com os custos de uma publicação independente. Pela internet tenho conquistado novos leitores e o que escrevo pode chegar a todas as regiões do Brasil. Os sites e portais que publicam textos de novos escritores são relevantes. Posso citar o site <em>Jornal de Poesia</em>, o <em>Recanto das Letras</em> e o <em>Portal Literal</em>. Lembro que os primeiros poemas que li de Lêdo Ivo, por exemplo, eu os encontrei no <em>Jornal de Poesia</em>. Depois passei para os livros. Já li bons textos na rede. Outros nem tanto. O leitor precisar ficar atento. Precisa ser seletivo. Talvez o mal da internet seja o imediatismo. Muitos esquecem a lição de João Cabral, da necessidade de lutar com as palavras e de que a boa poesia e a boa prosa resultam de um trabalho constante de seus autores. Não existe mágica. A literatura de qualidade não cai do céu. Isso não implica que devemos abandonar a sensibilidade. Encontro muitos desabafos em blogs e sites, mas precisamos ir além disso. Uma obra literária não pode ser sustentada somente com comentários sobre a festa do último domingo. É preciso muito mais. Com o computador adquiri novos hábitos. Antes escrevia só em blocos de papel. Agora produzo no próprio computador. Mas quando saio às ruas ou ando de ônibus sempre estou com um pequeno caderno para anotações. Por vezes, nasce de repente uma frase ou um verso. Também há um movimento interessante que é o da poesia virtual, ligada à animação, ao <em>web desing</em>. Preciso experimentar isso.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>C. L. –</strong> Você termina o poema <em>Apresentação</em> com uma síntese de seu trabalho como poeta. Você escreveu: “O verso é meu ofício”. Como é o seu processo de criação?</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>R. B. –</strong> O meu processo de criação é vagaroso, porém constante. Eu escrevo com certa voracidade, mas misturo os projetos. Não sou muito organizado. Estou tentando priorizar o que vou escrever. Como inicio vários textos num mesmo período, demoro a conclui-los. Já iniciei romances, novelas e contos. E não levei nenhum projeto adiante. Perco com esse processo. Sem esquecer as idéias que surgem na rua ou no meio da noite e não tenho onde anotá-las. Elas também se perdem. Já escrevi vários poemas que estão longe de uma qualidade desejável. Nem tudo que escrevemos deve ser publicado. Sou exigente. Mas escrevo com leveza. Acredito que estou começando a me entender como escritor, como poeta. Aos poucos estou deixando nascer um certo Rudinei Borges, que é a soma de inúmeros livros lidos, a soma de muitas vozes e histórias ouvidas nas ruas. No entanto, o meu maior instrumento de trabalho é a minha memória. Por vezes, tenho a impressão que há uma sina da qual não poderei me livrar, a sina de memorialista. Eu estou impregnado das imagens do passado. Estou impregnado de minha própria infância e dos personagens daquela época. Sim, o verso é meu ofício. A memória é minha sina. Não quero perder isso.</p>
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<p style="text-align:justify;"><strong>Cristina Lima</strong> é estudante do Curso de Letras da Universidade de São Paulo, USP.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[DESCONTRUÇÃO de lucas paolo / são paulo]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/24/descontrucao-de-lucas-paolo-sao-paulo/</link>
<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 14:24:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/24/descontrucao-de-lucas-paolo-sao-paulo/</guid>
<description><![CDATA[Se eu pensasse hoje No eu ia feijão De anteontem tristeza . Saudades faixas à mesa Do não outrora ta]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Se eu pensasse hoje No eu ia feijão De anteontem tristeza . Saudades faixas à mesa Do não outrora ta]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Nhá Carola, poesia Ricardo Gonçalves para uso escolar]]></title>
<link>http://peregrinacultural.wordpress.com/2009/11/24/nha-carola-poesia-ricardo-goncalves-para-uso-escolar/</link>
<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 13:16:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>peregrinacultural</dc:creator>
<guid>http://peregrinacultural.wordpress.com/2009/11/24/nha-carola-poesia-ricardo-goncalves-para-uso-escolar/</guid>
<description><![CDATA[Fundo de quintal, 2009 Daniel Penna ( Brasil, 1951) óleo sobre tela/ sobre madeira 18 cm x 24 cm www]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/daniel-penna-sp-1951-fundo20quintal-osm.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6050" title="Daniel Penna ( SP, 1951) Fundo%20Quintal, osm" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/daniel-penna-sp-1951-fundo20quintal-osm.jpg" alt="Daniel Penna ( SP, 1951) Fundo%20Quintal, osm" width="510" height="375" /></a><strong><em>Fundo de quintal</em></strong>, 2009</p>
<p>Daniel Penna ( Brasil, 1951)</p>
<p>óleo sobre tela/ sobre madeira</p>
<p>18 cm x 24 cm</p>
<p><a href="http://www.pennart.com.br">www.pennart.com.br</a></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<h5>Nhá Carola</h5>
<p>                                                            <em>A .D. Olga</em></p>
<p>                                                          Ricardo Gonçalves</p>
<p>Arrepanhando o vestido</p>
<p>De chita azul, nhá Carola,</p>
<p>Põe feijão na caçarola</p>
<p>Para o almoço do marido.</p>
<p>Dorme um cachorro estendido</p>
<p>À porta da casinhola;</p>
<p>Gritam galinhas de Angola</p>
<p>No terreiro bem varrido.</p>
<p>Enquanto chia a panela,</p>
<p>A moça vai à janela,</p>
<p>A ver se o marido vem.</p>
<p>Mas entra logo zangada</p>
<p>Porque na volta da estrada</p>
<p>Não aparece ninguém.</p>
<p><span style="color:#ffffff;">&#8211;</span></p>
<p>Em: <em><strong>Poesia Brasileira para a Infância</strong></em>,  Cassiano Nunes e Maria da Silva Brito,  São Paulo, Saraiva:1968</p>
<p> &#8211;</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/ricardo-goncalves.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6051" title="ricardo gonçalves" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/11/ricardo-goncalves.jpg" alt="ricardo gonçalves" width="262" height="272" /></a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><span style="color:#ffffff;">&#8211;</span></strong></p>
<p><strong>Ricardo</strong> Mendes <strong>Gonçalves  </strong>(SP, SP 1893 – SP, SP 1916)<strong> </strong>pseudônimos: Ricardo Gonçalves, Bruno de Cadiz, D. Ricardito.  Poeta, tradutor, jornalista, diplomado em Direito (1908), político, membro grupo Minarete.  Trabalhou para diversos jornais entre eles o <strong><em>Comércio de São Paulo e Estadinho</em></strong>. Foi também repórter do jornal <strong><em>O Correio Paulistano</em></strong>.</p>
<p>Obras:</p>
<p> <em>Ipês</em>, 1922</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Homem da Cabeça de Papelão - João do Rio ( Começo do séc. XX)]]></title>
<link>http://culturabeat.wordpress.com/2009/11/23/o-homem-da-cabeca-de-papelao-joao-do-rio-comeco-do-sec-xx/</link>
<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 01:34:50 +0000</pubDate>
<dc:creator>punkanddisorder</dc:creator>
<guid>http://culturabeat.wordpress.com/2009/11/23/o-homem-da-cabeca-de-papelao-joao-do-rio-comeco-do-sec-xx/</guid>
<description><![CDATA[Caros leitores, acabo de voltar de um teatro que foi uma adaptação desse conto. Posso dizer, com cer]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Caros leitores, acabo de voltar de um teatro que foi uma adaptação desse conto. Posso dizer, com certeza, que esse teatro mudou minha vida. Como não posso disponibilizar a peça pra vocês, fiquem com esse conto e, logo abaixo, com o vídeo da interpretação de Maria Luísa Medonça, para o canal Cultura. Espero que lhes seja útil tanto como foi para mim.</p>
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<p>&#160;</p>
<h2 style="text-align:center;">O Homem da Cabeça de Papelão<br />
João do Rio</h2>
<p>No País que chamavam de Sol, apesar de chover, às vezes, semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe. Nem deputado. Nem rico. Nem jornalista. Absolutamente sem importância social.</p>
<p>&#160;</p>
<p>O País do Sol, como em geral todos os países lendários, era o mais comum, o menos surpreendente em idéias e práticas. Os habitantes afluíam todos para a capital, composta de praças, ruas, jardins e avenidas, e tomavam todos os lugares e todas as possibilidades da vida dos que, por desventura, eram da capital. De modo que estes eram mendigos e parasitas, únicos meios de vida sem concorrência, isso mesmo com muitas restrições quanto ao parasitismo. Os prédios da capital, no centro elevavam aos ares alguns andares e a fortuna dos proprietários, nos subúrbios não passavam de um andar sem que por isso não enriquecessem os proprietários também. Havia milhares de automóveis à disparada pelas artérias matando gente para matar o tempo, cabarets fatigados, jornais, tramways, partidos nacionalistas, ausência de conservadores, a Bolsa, o Governo, a Moda, e um aborrecimento integral. Enfim tudo quanto a cidade de fantasia pode almejar para ser igual a uma grande cidade com pretensões da América. E o povo que a habitava julgava-se, além de inteligente, possuidor de imenso bom senso. Bom senso! Se não fosse a capital do País do Sol, a cidade seria a capital do Bom Senso!</p>
<p>Precisamente por isso, Antenor, apesar de não ter importância alguma, era exceção mal vista. Esse rapaz, filho de boa família (tão boa que até tinha sentimentos), agira sempre em desacordo com a norma dos seus concidadãos.</p>
<p>Desde menino, a sua respeitável progenitora descobriu-lhe um defeito horrível: Antenor só dizia a verdade. Não a sua verdade, a verdade útil, mas a verdade verdadeira. Alarmada, a digna senhora pensou em tomar providências. Foi-lhe impossível. Antenor era diverso no modo de comer, na maneira de vestir, no jeito de andar, na expressão com que se dirigia aos outros. Enquanto usara calções, os amigos da família consideravam-no um <em>enfant terrible</em>, porque no País do Sol todos falavam francês com convicção, mesmo falando mal. Rapaz, entretanto, Antenor tornou-se alarmante. Entre outras coisas, Antenor pensava livremente por conta própria. Assim, a família via chegar Antenor como a própria revolução; os mestres indignavam-se porque ele aprendia ao contrario do que ensinavam; os amigos odiavam-no; os transeuntes, vendo-o passar, sorriam.</p>
<p>Uma só coisa descobriu a mãe de Antenor para não ser forçada a mandá-lo embora: Antenor nada do que fazia, fazia por mal. Ao contrário. Era escandalosamente, incompreensivelmente bom. Aliás, só para ela, para os olhos maternos. Porque quando Antenor resolveu arranjar trabalho para os mendigos e corria à bengala os parasitas na rua, ficou provado que Antenor era apenas doido furioso. Não só para as vítimas da sua bondade como para a esclarecida inteligência dos delegados de polícia a quem teve de explicar a sua caridade.</p>
<p>Com o fim de convencer Antenor de que devia seguir os tramitas legais de um jovem solar, isto é: ser bacharel e depois empregado público nacionalista, deixando à atividade da canalha estrangeira o resto, os interesses congregados da família em nome dos princípios organizaram vários <em>meetings</em> como aqueles que se fazem na inexistente democracia americana para provar que a chave abre portas e a faca serve para cortar o que é nosso para nós e o que é dos outros também para nós. Antenor, diante da evidência, negou-se.</p>
<p>— Ouça! bradava o tio. Bacharel é o princípio de tudo. Não estude. Pouco importa! Mas seja bacharel! Bacharel você tem tudo nas mãos. Ao lado de um político-chefe, sabendo lisonjear, é a ascensão: deputado, ministro.</p>
<p>— Mas não quero ser nada disso.</p>
<p>— Então quer ser vagabundo?</p>
<p>— Quero trabalhar.</p>
<p>— Vem dar na mesma coisa. Vagabundo é um sujeito a quem faltam três coisas: dinheiro, prestígio e posição. Desde que você não as tem, mesmo trabalhando — é vagabundo.</p>
<p>— Eu não acho.</p>
<p>— É pior. É um tipo sem bom senso. É bolchevique. Depois, trabalhar para os outros é uma ilusão. Você está inteiramente doido.</p>
<p>Antenor foi trabalhar, entretanto. E teve uma grande dificuldade para trabalhar. Pode-se dizer que a originalidade da sua vida era trabalhar para trabalhar. Acedendo ao pedido da respeitável senhora que era mãe de Antenor, Antenor passeou a sua má cabeça por várias casas de comércio, várias empresas industriais. Ao cabo de um ano, dois meses, estava na rua. Por que mandavam embora Antenor? Ele não tinha exigências, era honesto como a água, trabalhador, sincero, verdadeiro, cheio de idéias. Até alegre — qualidade raríssima no país onde o sol, a cerveja e a inveja faziam batalhões de biliosos tristes. Mas companheiros e patrões prevenidos, se a princípio declinavam hostilidades, dentro em pouco não o aturavam. Quando um companheiro não atura o outro, intriga-o. Quando um patrão não atura o empregado, despede-o. É a norma do País do Sol. Com Antenor depois de despedido, companheiros e patrões ainda por cima tomavam-lhe birra. Por que? É tão difícil saber a verdadeira razão por que um homem não suporta outro homem!</p>
<p>Um dos seus ex-companheiros explicou certa vez:</p>
<p>— É doido. Tem a mania de fazer mais que os outros. Estraga a norma do serviço e acaba não sendo tolerado. Mau companheiro. E depois com ares…</p>
<p>O patrão do último estabelecimento de que saíra o rapaz respondeu à mãe de Antenor:</p>
<p>— A perigosa mania de seu filho é por em prática idéias que julga próprias.</p>
<p>— Prejudicou-lhe, Sr. Praxedes?</p>
<p>Não. Mas podia prejudicar. Sempre altera o bom senso. Depois, mesmo que seu filho fosse águia, quem manda na minha casa sou eu.</p>
<p>No País do Sol o comércio é uma maçonaria. Antenor, com fama de perigoso, insuportável, desobediente, não pôde em breve obter emprego algum. Os patrões que mais tinham lucrado com as suas idéias eram os que mais falavam. Os companheiros que mais o haviam aproveitado tinham-lhe raiva. E se Antenor sentia a triste experiência do erro econômico no trabalho sem a norma, a praxe, no convívio social compreendia o desastre da verdade. Não o toleravam. Era-lhe impossível ter amigos, por muito tempo, porque esses só o eram enquanto não o tinham explorado.</p>
<p>Antenor ria. Antenor tinha saúde. Todas aquelas desditas eram para ele brincadeira. Estava convencido de estar com a razão, de vencer. Mas, a razão sua, sem interesse chocava-se à razão dos outros ou com interesses ou presa à sugestão dos alheios. Ele via os erros, as hipocrisias, as vaidades, e dizia o que via. Ele ia fazer o bem, mas mostrava o que ia fazer. Como tolerar tal miserável? Antenor tentou tudo, juvenilmente, na cidade. A digníssima sua progenitora desculpava-o ainda.</p>
<p>— É doido, mas bom.</p>
<p>Os parentes, porém, não o cumprimentavam mais. Antenor exercera o comércio, a indústria, o professorado, o proletariado. Ensinara geografia num colégio, de onde foi expulso pelo diretor; estivera numa fábrica de tecidos, forçado a retirar-se pelos operários e pelos patrões; oscilara entre revisor de jornal e condutor de bonde. Em todas as profissões vira os círculos estreitos das classes, a defesa hostil dos outros homens, o ódio com que o repeliam, porque ele pensava, sentia, dizia outra coisa diversa.</p>
<p>— Mas, Deus, eu sou honesto, bom, inteligente, incapaz de fazer mal…</p>
<p>— É da tua má cabeça, meu filho.</p>
<p>— Qual?</p>
<p>— A tua cabeça não regula.</p>
<p>— Quem sabe?</p>
<p>Antenor começava a pensar na sua má cabeça, quando o seu coração apaixonou-se. Era uma rapariga chamada Maria Antônia, filha da nova lavadeira de sua mãe. Antenor achava perfeitamente justo casar com a Maria Antônia. Todos viram nisso mais uma prova do desarranjo cerebral de Antenor. Apenas, com pasmo geral, a resposta de Maria Antônia foi condicional.</p>
<p>— Só caso se o senhor tomar juízo.</p>
<p>— Mas que chama você juízo?</p>
<p>— Ser como os mais.</p>
<p>— Então você gosta de mim?</p>
<p>— E por isso é que só caso depois.</p>
<p>Como tomar juízo? Como regular a cabeça? O amor leva aos maiores desatinos. Antenor pensava em arranjar a má cabeça, estava convencido.</p>
<p>Nessas disposições, Antenor caminhava por uma rua no centro da cidade, quando os seus olhos descobriram a tabuleta de uma “relojoaria e outros maquinismos delicados de precisão”. Achou graça e entrou. Um cavalheiro grave veio servi-lo.</p>
<p>— Traz algum relógio?</p>
<p>— Trago a minha cabeça.</p>
<p>— Ah! Desarranjada?</p>
<p>— Dizem-no, pelo menos.</p>
<p>— Em todo o caso, há tempo?</p>
<p>— Desde que nasci.</p>
<p>— Talvez imprevisão na montagem das peças. Não lhe posso dizer nada sem observação de trinta dias e a desmontagem geral. As cabeças como os relógios para regular bem…</p>
<p>Antenor atalhou:</p>
<p>— E o senhor fica com a minha cabeça?</p>
<p>— Se a deixar.</p>
<p>— Pois aqui a tem. Conserte-a. O diabo é que eu não posso andar sem cabeça…</p>
<p>— Claro. Mas, enquanto a arranjo, empresto-lhe uma de papelão.</p>
<p>— Regula?</p>
<p>— É de papelão! explicou o honesto negociante. Antenor recebeu o número de sua cabeça, enfiou a de papelão, e saiu para a rua.</p>
<p>Dois meses depois, Antenor tinha uma porção de amigos, jogava o pôquer com o Ministro da Agricultura, ganhava uma pequena fortuna vendendo feijão bichado para os exércitos aliados. A respeitável mãe de Antenor via-o mentir, fazer mal, trapacear e ostentar tudo o que não era. Os parentes, porém, estimavam-no, e os companheiros tinham garbo em recordar o tempo em que Antenor era maluco.</p>
<p>Antenor não pensava. Antenor agia como os outros. Queria ganhar. Explorava, adulava, falsificava. Maria Antônia tremia de contentamento vendo Antenor com juízo. Mas Antenor, logicamente, desprezou-a propondo um concubinato que o não desmoralizasse a ele. Outras Marias ricas, de posição, eram de opinião da primeira Maria. Ele só tinha de escolher. No centro operário a sua fama crescia, querido dos patrões burgueses e dos operários irmãos dos spartakistas da Alemanha. Foi eleito deputado por todos e, especialmente, pelo presidente da República — a quem atacou logo, pois para a futura eleição o presidente seria outro. A sua ascensão só podia ser comparada à dos balões. Antenor esquecia o passado, amava a sua terra. Era o modelo da felicidade. Regulava admiravelmente.</p>
<p>Passaram-se assim anos. Todos os chefes políticos do País do Sol estavam na dificuldade de concordar no nome do novo senador, que fosse o expoente da norma, do bom senso. O nome de Antenor era cotado. Então Antenor passeava de automóvel pelas ruas centrais, para tomar pulso à opinião, quando os seus olhos deram na tabuleta do relojoeiro e lhe veio à memória.</p>
<p>— Bolas! E eu que esqueci! A minha cabeça está ali há tempo… Que acharia o relojoeiro? É capaz de tê-la vendido para o interior. Não posso ficar toda vida com uma cabeça de papelão!</p>
<p>Saltou. Entrou na casa do negociante. Era o mesmo que o servira.</p>
<p>— Há tempos deixei aqui uma cabeça.</p>
<p>— Não precisa dizer mais. Espero-o ansioso e admirado da sua ausência, desde que ia desmontar a sua cabeça.</p>
<p>— Ah! fez Antenor.</p>
<p>— Tem-se dado bem com a de papelão? — Assim…</p>
<p>— As cabeças de papelão não são más de todo. Fabricações por séries. Vendem-se muito.</p>
<p>— Mas a minha cabeça?</p>
<p>— Vou buscá-la.</p>
<p>Foi ao interior e trouxe um embrulho com respeitoso cuidado.</p>
<p>— Consertou-a?</p>
<p>— Não.</p>
<p>— Então, desarranjo grande?</p>
<p>O homem recuou.</p>
<p>— Senhor, na minha longa vida profissional jamais encontrei um aparelho igual, como perfeição, como acabamento, como precisão. Nenhuma cabeça regulará no mundo melhor do que a sua. É a placa sensível do tempo, das idéias, é o equilíbrio de todas as vibrações. O senhor não tem uma cabeça qualquer. Tem uma cabeça de exposição, uma cabeça de gênio, <em>hors-concours</em>.</p>
<p>Antenor ia entregar a cabeça de papelão. Mas conteve-se.</p>
<p>— Faça o obséquio de embrulhá-la.</p>
<p>— Não a coloca?</p>
<p>— Não.</p>
<p>— V.EX. faz bem. Quem possui uma cabeça assim não a usa todos os dias. Fatalmente dá na vista.</p>
<p>Mas Antenor era prudente, respeitador da harmonia social.</p>
<p>— Diga-me cá. Mesmo parada em casa, sem corda, numa redoma, talvez prejudique.</p>
<p>— Qual! V.EX. terá a primeira cabeça.</p>
<p>Antenor ficou seco.</p>
<p>— Pode ser que V., profissionalmente, tenha razão. Mas, para mim, a verdade é a dos outros, que sempre a julgaram desarranjada e não regulando bem. Cabeças e relógios querem-se conforme o clima e a moral de cada terra. Fique V. com ela. Eu continuo com a de papelão.</p>
<p>E, em vez de viver no País do Sol um rapaz chamado Antenor, que não conseguia ser nada tendo a cabeça mais admirável — um dos elementos mais ilustres do País do Sol foi Antenor, que conseguiu tudo com uma cabeça de papelão.</p>
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<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/qQCJ6E_1EIw&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/qQCJ6E_1EIw&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/AwG3yiVSLYM&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/AwG3yiVSLYM&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p>Créditos : http://www.almacarioca.net/o-homem-da-cabeca-de-papelao-joao-do-rio/</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ALEPH NÃO QUER ME DAR O MUNDO - por zuleika dos reis / são paulo]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/23/aleph-nao-quer-me-dar-o-mundo-por-zuleika-dos-reis-sao-paulo/</link>
<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 09:44:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[Não sei quantos é Daniel: no mínimo dois. Ao segundo, que identifico, darei o nome de Aleph, nome da]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Não sei quantos é Daniel: no mínimo dois. Ao segundo, que identifico, darei o nome de Aleph, nome da]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[FILHOS, seus medos, meus medos - por marilda confortin / curitiba]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/23/filhos-seus-medos-meus-medos-por-marilda-confortin-curitiba/</link>
<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 09:40:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[Levei anos para convencê-los de que fantasmas não existam e que os barulhos que ouviam eram de seres]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Levei anos para convencê-los de que fantasmas não existam e que os barulhos que ouviam eram de seres]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Primavera dos Livros 2009 &ndash; Rio de Janeiro]]></title>
<link>http://recantodaspalavras.wordpress.com/2009/11/22/primavera-dos-livros-2009-rio-de-janeiro/</link>
<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 16:57:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge Alberto</dc:creator>
<guid>http://recantodaspalavras.wordpress.com/2009/11/22/primavera-dos-livros-2009-rio-de-janeiro/</guid>
<description><![CDATA[Uma feira de livros das pequenas e médias editoras brasileiras com tudo que as grandes feiras de liv]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Uma feira de livros das pequenas e médias editoras brasileiras com tudo que as grandes feiras de livro tem e um pouco mais: o contato direto com os editores e autores.</p>
<p><a href="http://recantodaspalavras.files.wordpress.com/2009/11/primavera011.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="primavera01" src="http://recantodaspalavras.files.wordpress.com/2009/11/primavera01_thumb2.jpg?w=408&#038;h=276" border="0" alt="primavera01" width="408" height="276" /></a></p>
<p><span style="font-size:xx-small;">Clique sobre a imagem para ampliar</span></p>
<p>A Primavera dos livros do Rio de Janeiro este ano, que será entre os dias 26 e 29 de novembro, das 10h às 22h, no jardim do Museu da República (Palácio do Catete), terá como tema a Literatura de Cordel, em homenagem ao poeta Patativa do Assaré, que completaria 100 anos de nascimento. Este evento é o resultado do esforço da Libre – Liga Brasileira de Editoras, tendo patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e apoio da Biblioteca Nacional e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Este ano a feira se internacionaliza ao contar com profissionais do mercado editorial latino-americano e africano, recebendo representantes do Chile, Peru, Argentina, Equador, México, Guiné-Bissau e Angola.</p>
<p>São 86 estandes apresentando livros de todos os gêneros literários (Biografia, Romance, Romance Policial, Infantil, Infanto-Juvenil, Arte, etc.)</p>
<p>Além das editoras comerciais, também haverá participação de editoras universitárias e institucionais como a Biblioteca Nacional e a Fiocruz.</p>
<p>A entrada é franca e haverá promoções com descontos de até 40%</p>
<p>&#160;</p>
<p><span style="font-size:xx-small;"> </span></p>
<p><strong><span style="font-size:small;">Como chegar</span></strong></p>
<p>Metrô</p>
<p><a href="http://recantodaspalavras.files.wordpress.com/2009/11/primavera022.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="primavera02" src="http://recantodaspalavras.files.wordpress.com/2009/11/primavera02_thumb2.jpg?w=408&#038;h=231" border="0" alt="primavera02" width="408" height="231" /></a><span style="font-size:xx-small;">Clique sobre a imagem para ampliar </span></p>
<p><strong>Ônibus</strong></p>
<p>Entre no <a href="http://maps.google.com.br/" target="_blank">Google maps</a> e faça a busca. Hoje, o Rio de Janeiro é uma das poucas cidades do mundo em que o Google fornece informações acuradas sobre o transporte coletivo.</p>
<p>&#160;</p>
<p><strong><span style="font-size:small;">Programação de lançamentos</span></strong></p>
<p>Entre os dias 27 e 29, haverá diversos lançamentos e sessões de autógrafos para o público adulto e infantil. No sábado, 28/11, às 14h, será lançado o livro “<strong>Botafogo desde menino</strong>”, de Luís Pimentel com ilustrações do Amorim.</p>
<p>&#160;</p>
<p><strong><span style="font-size:small;">Mesas de debate</span></strong></p>
<p>Também haverá mesas de debates para todos os gostos como, por exemplo, no dia especial para os professores (27/11, mesa 3, às 10h), o tema será “Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na escola do século XXI”.</p>
<p>Nomes de peso dos universos literário e cultural brasileiros como Lygia Bojunga, Laura Sandroni, Joel Rufino dos Santos, Braulio Tavares, Ruth de Souza, Jorge Mautner, Luiz Carlos Maciel, Milton Gonçalves, Arthur Dapieve, Ruy Castro, Heloisa Seixas, Geraldinho Carneiro, Carlito Azevedo, Deonísio Silva e outros mais participarão das mesas de debate.</p>
<p>Serão discutidos temas como o universo da criação literária, o Rio de Janeiro e as Olimpíadas de 2016, racismo e a mulher negra na TV brasileira. Numa das mesas o debate será em torno da biografia como gênero literário e por qual motivo é um dos segmentos de maior vendagem do mercado editorial. Em outra mesa, Ruy Castro e Heloísa Seixas batem um papo com o público e também haverá uma mesa dedicada à obra e vida de Augusto Boal.</p>
<p>As novas mídias não foram esquecidas, tanto que uma das mesas discutirá os sites de relacionamento como o Facebook e outros do mesmo porte como canais para a arte, mídia e cultura digital.</p>
<p>Veja a programação abaixo:</p>
<p><strong><span style="color:#ff8000;">Dia 27/11</span> </strong></p>
<p><em><strong>DIA DO PROFESSOR </strong></em></p>
<p>9h Chegada e certificação</p>
<ul>
<li>
<div>10h &#8211; 11h &#8211; sexta-feira<br />
<strong>Mesa 3 &#8211; Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na escola do século XXI<br />
</strong>Participantes:<br />
Yolanda Lobo (escritora)<br />
Guti Fraga (projeto Nós do Morro)<br />
Mediação: Bia Hetzel (Editora Manati)</div>
</li>
<li>
<div>11h30 &#8211; sexta-feira<br />
<strong>Mesa 4 &#8211; Leitura e Paixão: uma homenagem a Lygia Bojunga e Tatiana Belinky (em depoimento virtual)<br />
</strong>Homenagem a duas das mais importantes personalidades da cultura brasileira com inestimável contribuição na área de literatura, leitura e mercado de livros<br />
Participantes:<br />
Lygia Bojunga<br />
Laura Sandroni (escritora e jornalista)<br />
Joel Rufino dos Santos (escritor)<br />
Mediação: Ninfa Parreiras (escritora e pesquisadora da FNLIJ)</div>
</li>
<li>
<div>15h &#8211; sexta-feira<br />
<strong>Mesa 5 &#8211; Universos da criação literária. Escrever se aprende?<br />
A criação literária, assunto muito controvertido entre especialistas. Escrever se aprende? Como se forma um escritor? Quais os caminhos a percorrer até que aulas ou oficinas contribuam para sua formação? Aprendemos samba no colégio, afinal?<br />
</strong>Participantes:<br />
Nilza Rezende (escritora e professora de oficinas de criação literária)<br />
Luís Pimentel (escritor e jornalista/professor)<br />
Bia Albernaz (escritora e professora de oficinas de criação literária)<br />
Mediação: Marcus Vinicius Quiroga (poeta e professor)</div>
</li>
<li>
<div>18h30 &#8211; sexta-feira<br />
<strong>Mesa 6 &#8211; O Brasil em cordel &#8211; Homenagem a Patativa do Assaré<br />
</strong>O cordel como literatura, como música, como criação e como expressão mais genuína da nossa literatura. O cordel como mercado e como profissão. A arte do poeta de cordel encarnada nesta homenagem a Patativa do Assaré, um dos maiores profissionais do gênero, morto em 2002, aos 93 anos.<br />
Participantes:<br />
Bráulio Tavares (escritor e especialista em Literatura de Cordel)<br />
Olegário Alfredo (cordelista)<br />
Chico Sales (cordelista)<br />
Mediação: Marcus Lucena (cordelista e Presidente da Academia Brasileira de Cordel)</div>
</li>
</ul>
<p><strong><span style="color:#ff8000;">Dia 28/11 </span></strong></p>
<ul>
<li>
<div>10h30 -12h30 &#8211; sábado<br />
<strong>Mesa 7 &#8211; Olimpíadas 2016: a cidade e o esporte</strong><br />
Rio: capital turística do Brasil, escolhida para ser o palco das Olimpíadas de 2016, com diversas promessas de melhorias para seus problemas mais cruciais. Até que ponto o desenvolvimento de uma pode estar atrelado a um evento? O futuro de uma cidade depende dessas efemérides?<br />
Participantes:<br />
Mauricio Drummond (escritor e professor)<br />
Jorge Maranhão (escritor)<br />
Saturnino Braga (escritor e ex- prefeito do RJ)<br />
Mediação: Alvanísio Damasceno (editor da Quartet)</div>
</li>
<li>
<div>12h30h &#8211; 14h &#8211; sábado<br />
<strong>Mesa 8 &#8211; Aqui ninguém é branco: mídia e Racismo &#8211; a mulher negra na TV<br />
</strong>Homenagem a Ruth de Souza<br />
Participantes:<br />
Ruth de Souza (atriz)<br />
Rosália Diogo (escritora e pesquisadora)<br />
Ângela Randolpho (escritora e pesquisadora)<br />
Mediação: Laura Padilha (escritora e prova UFF)</div>
</li>
<li>
<div>15h &#8211; 16h30 &#8211; sábado<br />
<strong>Mesa 9 &#8211; Face a face com o Facebook e congêneres: arte, mídia e cultura digital</strong><br />
As novas mídias, arte e cultura  digital e a revolução que representam no século XXI. Como afetam as nossas relações pessoais e de trabalho. A internet e suas possibilidades de comunicação jamais imaginadas. A vida na rede.<br />
Participantes:<br />
Artur Matuck (escritor e professor USP)<br />
Maria Carmem Barbosa (escritora e roteirista de TV)<br />
Nízia Villaça (escritora e pesquisadora)<br />
Mediação: Valéria Martins</div>
</li>
<li>
<div>17h &#8211; 18h30 &#8211; sábado<br />
<strong>Mesa 10 &#8211; O Brasil em cordel &#8211; Homenagem a Patativa do Assaré<br />
</strong>Participantes:<br />
Bráulio Tavares<br />
Olegário Alfredo<br />
Chico Sales<br />
Mediação: Marcus Lucena</div>
</li>
<li>
<div>19h &#8211; 20h30 &#8211; sábado<br />
<strong>Mesa 11 &#8211; Tal Brasil, qual teatro? Tributo a Augusto Boal<br />
</strong>Reflexão sobre o papel do teatro na sociedade contemporânea e homenagem a Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido.<br />
Participantes:<br />
Jorge Mautner (poeta e músico)<br />
Luiz Carlos Maciel (ator e diretor de teatro)<br />
Nelson Xavier (ator e diretor)<br />
Milton Gonçalves (ator)<br />
Helen Saratek (socióloga/Centro do Teatro do Oprimido)<br />
Mediação: Geo Britto (pesquisador/Centro Teatro do Oprimido)</div>
</li>
</ul>
<p><strong><span style="color:#ff8000;">Dia 29/11 </span></strong></p>
<ul>
<li>
<div>10h &#8211; 11h30 &#8211; domingo<br />
<strong>Mesa 12 &#8211; Biógrafos e biografáveis : que mercado é esse que só faz crescer?</strong><br />
Os caminhos da biografia como gênero na contemporaneidade. Quais são eles? Quais as novas formas de escrita que admitem? O profissional de biografias e sua ética num mercado que cresce cada dia mais.<br />
Participantes:<br />
Arthur Dapieve (cronista, jornalista e biógrafo /Renato Russo)<br />
Carlos Didier (compositor e biografo / Noel Rosa)<br />
Ana Arruda Callado (roteirista e biógrafa / Maria Martins)<br />
Euclides Penedo Borges (músico e biógrafo / Euclides da Cunha)<br />
Mediação: Felipe Pena (autor de Teoria da Biografia sem Fim)</div>
</li>
<li>
<div>11h30 &#8211; 13h &#8211; domingo<br />
<strong>Mesa 13 &#8211; Leitores apaixonados: um encontro com Ruy Castro e Heloisa Seixas</strong><br />
A paixão pela leitura e pelos livros é o tema deste encontro com dois craques da escrita, apaixonados pelos livros e pela profissão.<br />
Participantes:<br />
Heloisa Seixas (escritora )<br />
Ruy Castro (escritor)<br />
Mediação: Suzana Vargas (especialista em leitura)</div>
</li>
<li>
<div>15h &#8211; 16h &#8211; domingo<br />
<strong>Mesa 14 &#8211; Sustentabilidade / biodiversidade: por uma nova ética cultural</strong><br />
A sustentabilidade como solução para garantir novas formas de sobrevivência para o planeta. Até onde afetará a vida em comunidade, gerando novas formas de convivência<br />
Participantes:<br />
Leonardo Boff (escritor)<br />
Fernando Gabeira (deputado federal/PV)<br />
Mediação: Felipe Pena</div>
</li>
<li>
<div>17h &#8211; 18h30 -  domingo<br />
<strong>Mesa 15 &#8211; O máximo no mínimo &#8211; um olhar sobre as poéticas contemporâneas</strong><br />
A poesia como gênero minimalista, que diz muito com a maior economia verbal possível, de vasta produção e pouca inserção no mercado. Que caminhos percorre hoje até chegar ás prateleiras das livrarias. O que é ser poeta hoje?<br />
Participantes:<br />
Ângela Melim<br />
Geraldinho Carneiro<br />
Carlito Azevedo<br />
Mediação: Suzana Vargas</div>
</li>
<li>
<div>19h &#8211; 20h30 &#8211; domingo<br />
<strong>Mesa 16 &#8211; Questões de Lusofonia. Por onde anda o acordo ortográfico?</strong><br />
O acordo ortográfico que completa dois anos e sua adoção brasileira. Por onde anda Portugal e os países de língua portuguesa nessa importante fase de implantação?<br />
Participantes:<br />
Deonísio da Silva (escritor e etimologista)<br />
Adriano de Freixo(escritor especialista)<br />
Marcelo Moutinho (jornalista e escritor)<br />
Mediação: Cecília Costa (jornalista e escritora)</div>
</li>
</ul>
<p><strong>[Fonte: <a href="http://www.libre.org.br/index.asp" target="_blank">Libre</a>]</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><span style="font-size:small;">Mapa dos Expositores</span></strong></p>
<p><a href="http://img97.imageshack.us/i/primavera03a.jpg/" target="_blank"><img style="display:inline;margin-left:0;margin-right:0;border:0;" title="primavera03a" src="http://recantodaspalavras.files.wordpress.com/2009/11/primavera03a3.jpg?w=198&#038;h=423" border="0" alt="primavera03a" width="198" height="423" /></a><br />
<span style="font-size:xx-small;">Clique sobre a imagem para ampliar</span></p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p><strong>Editora participantes em ordem alfabética</strong></p>
<p>7 Letras<br />
Alameda<br />
Alis<br />
Almádena Editora<br />
Altana<br />
Andrea Jakobson<br />
Apicuri<br />
Argvmentvm<br />
Arquivo Nacional<br />
Artes e Ofícios<br />
Autêntica<br />
Azougue<br />
Bem-Te-Vi<br />
Biruta<br />
Brinque-Book<br />
C/Arte<br />
Calibán<br />
Callis<br />
Capivara<br />
Casa da Palavra<br />
Casa de Rui Barbosa<br />
Cia. de Freud<br />
Claridade<br />
Conta Capa<br />
Contraponto<br />
Cosac Naify<br />
Crisálida<br />
Cuca Fresca<br />
Dueto<br />
Duna<br />
Ed. da UFF<br />
Ed. da UFRJ<br />
Ed. da Unesp<br />
Ed. De Cultura<br />
Ed. Fiocruz<br />
Ed. Independentes<br />
Ed. Museu da República<br />
Editora 34<br />
EdUERJ<br />
Estação Liberdade<br />
Frente Editora<br />
Fund. Biblioteca Nacional<br />
Fund. Perseu Abramo<br />
Galo Branco<br />
Garamond<br />
Gift Shop<br />
Girafa<br />
Ibis Libris<br />
Iluminuras<br />
Imprensa Oficial SP<br />
Literalis<br />
Livro Falante<br />
Maco<br />
Manati<br />
Mar de Idéias<br />
Matrix<br />
Mauad X<br />
Memória Visual<br />
Mirabolante<br />
Musa<br />
Myrrha<br />
Nau<br />
Nitpress<br />
Nova Alexandria<br />
Odysseus<br />
Outras Letras<br />
Pallas<br />
Papagaio<br />
Paz e Terra<br />
Pinakotheke<br />
Prazer de Ler<br />
Publisher do Brasil<br />
Quartet<br />
Roma Victor<br />
Sá Editora<br />
Terceiro Nome<br />
Terra Virgem<br />
Uapê<br />
Versal<br />
Versal<br />
Vieira &#38; Lent<br />
Zit</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MAURICE POLITI lança seu livro " RESISTÊNCIA ATRÁS DAS GRADES" em CURITIBA dias 26 e 27/11]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/22/maurice-politi-lanca-seu-livro-resistencia-atras-das-grades-em-curitiba-dias-26-e-2711/</link>
<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 11:56:45 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/22/maurice-politi-lanca-seu-livro-resistencia-atras-das-grades-em-curitiba-dias-26-e-2711/</guid>
<description><![CDATA[]]></description>
<content:encoded><![CDATA[]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O MELHOR CRONISTA por hamilton alves / florianópolis]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/22/o-melhor-cronista-por-hamilton-alves-florianopolis/</link>
<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 11:30:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[Há pouco, um crítico literário, que mantém uma coluna diária num de nossos jornais, falando de um li]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Há pouco, um crítico literário, que mantém uma coluna diária num de nossos jornais, falando de um li]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[SÉRGIO DA COSTA RAMOS convida para o lançamento de seu livro / florianópolis]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/21/sergio-da-costa-ramos-convida-para-o-lancamento-de-seu-livro-florianopolis/</link>
<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 11:25:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[O jornalista catarinense Sérgio da Costa Ramos leva a público, dia 24, o livro Piloto de Bernunça. C]]></description>
<content:encoded><![CDATA[O jornalista catarinense Sérgio da Costa Ramos leva a público, dia 24, o livro Piloto de Bernunça. C]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[TEMPO BOM por sérgio da costa ramos /florianópolis]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/20/tempo-bom-por-sergio-da-costa-ramos-florianopolis/</link>
<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 11:23:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[Costuma haver uma certa atmosfera de paz, as pessoas recuperam a cordialidade perdida no escaninho d]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Costuma haver uma certa atmosfera de paz, as pessoas recuperam a cordialidade perdida no escaninho d]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Mário...]]></title>
<link>http://ovoodotempo.wordpress.com/2009/11/19/mario/</link>
<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 21:34:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>507fel20</dc:creator>
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<description><![CDATA[  &#8220;Nunca diga &#8216;te amo&#8217; se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><span style="color:#333399;">  &#8220;Nunca diga &#8216;te amo&#8217; se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo&#8221;.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#800080;">&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800080;"> </span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#800080;"><span style="color:#333399;">&#8220;Amor não é se envolver com a pessoa perfeita,<br />
aquela dos nossos sonhos.<br />
Não existem príncipes nem princesas.<br />
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.<br />
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser&#8221;.<br />
</span></span></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#800080;"><em>Mário Quintana</em></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#800080;"><em>Felipe Mendes. </em></span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ú L T I M O    C A P Í T U L O por jorge lescano / são paulo]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/19/u-l-t-i-m-o-c-a-p-i-t-u-l-o-por-jorge-lescano-sao-paulo/</link>
<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 13:32:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/19/u-l-t-i-m-o-c-a-p-i-t-u-l-o-por-jorge-lescano-sao-paulo/</guid>
<description><![CDATA[Ana cruza as mãos sob o queixo. Os cotovelos fincados na estante das partituras servem de tripé ao o]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Ana cruza as mãos sob o queixo. Os cotovelos fincados na estante das partituras servem de tripé ao o]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER por joão henrique vieira / teresina]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/19/a-insustentavel-levezado-ser-porjoao-henrique-vieira-teresina/</link>
<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 13:27:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/19/a-insustentavel-levezado-ser-porjoao-henrique-vieira-teresina/</guid>
<description><![CDATA[abriu a porta. entrou. pôs sobre a mesa o livro que trazia. ficou pensando. gozar de olho aberto ou ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[abriu a porta. entrou. pôs sobre a mesa o livro que trazia. ficou pensando. gozar de olho aberto ou ]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Quem avisa, amigo é.]]></title>
<link>http://esooutroblogue.wordpress.com/2009/11/19/quem-avisa-amigo-e/</link>
<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 10:44:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Tibor Moricz</dc:creator>
<guid>http://esooutroblogue.wordpress.com/2009/11/19/quem-avisa-amigo-e/</guid>
<description><![CDATA[Missão cumprida. Até achei que ia demorar mais. Mas a colaboração foi grande, a inspiração foi muita]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://esooutroblogue.wordpress.com/files/2009/11/de-bar-em-bar111.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1214" title="de-bar-em-bar11" src="http://esooutroblogue.wordpress.com/files/2009/11/de-bar-em-bar111.jpg" alt="" width="450" height="153" /></a></p>
<p>Missão cumprida. Até achei que ia demorar mais. Mas a colaboração foi grande, a inspiração foi muita e vontade foi férrea. A esperada entrevista está pronta. Está finalizada.</p>
<p>Verão que não existem muitas perguntas, só umas poucas que achei adequadas e relevantes ao momento atual. Verão também que devido a sua estrutura, uma quantidade de perguntas maior a tornaria tão extensa que seria necessário fragmentá-la em duas ou mais partes para serem postadas em dias seguidos.</p>
<p>Porque não a posto hoje mesmo?</p>
<p>Para aumentar a expectativa. E para ganhar com ela todo o final de semana, já que não postarei nada nem no sábado, nem no domingo.</p>
<p>Venham ler a entrevista completa amanhã pela manhã, depois das 9 horas. E cuidado. Se me virem por perto, fora das esquinas virtuais, com um relógio estranho no pulso, saiam correndo.</p>
<p>Quem avisa, amigo é.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[OTTO NUL e sua poesia / palma sola.sc]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/19/otto-nul-e-sua-poesia-palma-sola-sc/</link>
<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 10:28:18 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/19/otto-nul-e-sua-poesia-palma-sola-sc/</guid>
<description><![CDATA[A LADEIRA Quando desço a ladeira Quando a subo São dois momentos Que parecem iguais; É que tanto na ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[A LADEIRA Quando desço a ladeira Quando a subo São dois momentos Que parecem iguais; É que tanto na ]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA["O verso é meu ofício" - uma entrevista com Rudinei Borges]]></title>
<link>http://aruasetima.wordpress.com/2009/11/19/o-verso-e-meu-oficio-uma-entrevista/</link>
<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 03:39:31 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
<guid>http://aruasetima.wordpress.com/2009/11/19/o-verso-e-meu-oficio-uma-entrevista/</guid>
<description><![CDATA[por Cristina Lima* Em 2009, o poeta e escritor paraense Rudinei Borges publicou o seu primeiro livro]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style="color:#000000;">por Cristina Lima*</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>Em</strong> 2009, o poeta e escritor paraense Rudinei Borges publicou o seu primeiro livro de poesia, <em>Chão de terra batida</em> (All Print Editora, 2009). Numa entrevista concedida via e-mail, Rudinei conta como a infância no interior da Amazônia influencia a sua criação poética. Acompanhe os principais momentos da entrevista.</span></p>
</blockquote>
<blockquote><p><span style="color:#000000;"><strong> </strong><strong> </strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>Cristina Lima -</strong> <em>Apresentação</em>, poema que abre o seu primeiro livro, <em>Chão de terra batida</em>, inicia com o verso que diz “Eu nasci no mato, Joana”. Na parte final do livro em um texto que você nomeou de <em>Autorretrato</em> há outra vez esta afirmação, “sou um poeta do mato”. Por que esta fixação pelo mato? Qual o significado do mato ou da floresta em sua poesia?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>Rudinei Borges -</strong> Não diria que há uma fixação pela imagem do mato. Mas, em verdade, há um itinerário a ser percorrido em meu primeiro livro e ele parte do tema da infância. Quando recordo os primeiros anos de minha vida, o que tenho guardado na memória são imagens da mata amazônica, da simplicidade do cotidiano, da figura materna e da imensidão das águas. Na Amazônia os rios são imensos. O mato talvez signifique o lugar primeiro. O que Bachelard chama de poética do espaço. É onde nasci e de onde vim. Quando afirmo que sou um poeta do mato não estou delimitando o meu espaço, mas reconhecendo a minha própria origem. Tenho textos e poemas que evocam uma realidade absolutamente urbana, como a vida em uma cidade cosmopolita como São Paulo. No entanto, o meu chão primeiro, a minha manjedoura, é o interior do Pará. E eu quis que o meu primeiro livro fosse impregnado desta saudade do mato, da floresta. É quase como uma tentativa de fundir e confundir a infância com o local onde ela aconteceu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>C. L -</strong> Então, conte-nos sobre a cidade onde você nasceu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>R. B. -</strong> Eu nasci em Itaituba, cidade do oeste do Pará. Costumo enfatizar que fica às margens do Rio Tapajós, porque é um lugar muito bonito. Nasci na cidade, porém logo fui levado para o interior. Vivi nas rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá. A minha mãe foi caseira de sítio, cozinheira de fazenda. Itaituba foi e ainda é um município muito grande. Deve ter uns cem mil habitantes. Em geral, é possível conhecer boa parte das pessoas. Foi um lugar famoso pela exploração de ouro. Cresci ouvindo histórias de garimpeiros. Vi mulheres criando os filhos sozinhas, enquanto os maridos desejavam a riqueza no Alto Tapajós. Creio que o ouro não deixou riqueza nenhuma para a cidade. Só a poluição ocasionada pelo uso de mercúrio. Os meus pais são migrantes e foram para o Pará com a abertura da rodovia Transamazônica. Foram acompanhando os meus avós e lá se conheceram. O que acho interessante é que o migrante é sempre tomado de esperança, ele acredita que o lugar para onde vai será melhor. Nem sempre é assim. Alguns chamam a estrada inaugurada pelos militares, que até hoje não foi pavimentada, de <em>transamargura</em>. Um apelido bem apropriado, eu acho. A vida não é fácil naquela parte do Brasil. Penso que o fato de a estrada não ser pavimentada propiciou que eu guardasse uma lembrança, um sentimento forte pelo barro. Na transamazônica há atoleiros gigantescos. Num dos meus versos eu escrevo: “no norte do Brasil há casa de barro em ruas de barro”. Outra vez tento fundir as imagens. As ruas de barro e as casas de barro são a mesma coisa. E termino com “um dia vi Deus empinando pipa”. O que percebo agora ao falar com você é que apesar de um provável cotidiano sofrível eu mantenho as mesmas esperanças do migrante. Tenho a impressão que em <em>Chão de terra batida</em> o cotidiano é cantado com certa ternura. De certa forma eu acredito no cotidiano. O cotidiano da pequena Itaituba e de todas as cidades muito me interessam.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>C. L -</strong> Quando você veio para São Paulo?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>R. B. -</strong> Eu mudei para São Paulo nos fins de janeiro de 2003. Tenho este hábito de usar a expressão “fins”. É uma quase certeza de que o fim nunca é um só. Há vários, então. Como deve haver inúmeros começos. Como comentei, eu cresci numa cidade pequena e cresci com o desejo de conhecer outras cidades. Por alguns anos, como muitos jovens, nutri um forte anseio de ir para lugares distantes. Queria viajar pelo mundo. Acho que tem algo haver com a leitura que fiz do diário de viagem de Ernesto Che Guevara ou com a vida de Rimbaud. Aliás, Rimbaud sempre me fascinou muito. Ele também veio do interior como eu. Porém, ainda não alcancei o mundo. O máximo que consegui chegar foi em São Paulo, que é um universo enigmático. Tenho vontade de deixar tudo e partir para uma viagem Brasil adentro, Amazônia adentro. Partir numa caravana como fez Mário de Andrade. Descer o inferno, como Drummond chamou a viagem de Mário. Um dia vi num livro uma foto de Mário de Andrade no porto velho de Santarém. Era uma fotografia antiga. Eu queria ser como aquele poeta que viajava atrás das raízes de seu país. Queria ser como o poeta que escreveu <em>Macunaíma</em>. Quando cheguei em São Paulo fui visitar o túmulo de Mário como um filho perdido que visita o pai distante. Senti alguma emoção. Engraçado, não escondo que sou guardador deste envolvimento familiar com as coisas. Lembro que certa vez peguei um caderno e fui perguntar para a vó o nome de todos os nossos parentes. Queria saber tudo. O nome de todos. Sou uma espécie de filho agarrado-desgarrado. Pareço distante, mas ao mesmo tempo ligado às minhas raízes. Preciso dizer que antes de vir para São Paulo, eu morei um ano em Santarém. Logo completei dezoito anos e terminei o Ensino Médio, em 2001, eu saí de casa. Em São Paulo me formei em Filosofia, comecei a lecionar e atualmente sou mestrando em Filosofia da Educação na Universidade de São Paulo – USP.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>C. L. &#8211; </strong>Você gosta de São Paulo?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>R. B. -</strong> Gosto de Sampa. Por vezes, sinto certa aflição. É como se eu sentisse a cidade encravada dentro de mim. Preciso olhar o mar e os rios. O que é mais difícil é que não há um rio como o Tapajós na cidade de São Paulo. Por um tempo, eu achava inadmissível uma cidade que não fosse às margens de um rio. As cidades que são referências para mim estão localizadas às margens de grandes rios, como o Amazonas. Falo de Itaituba, Altamira, Santarém e Belém. Falo de Alenquer, Oriximiná, Óbidos e Monte Alegre. São todas cidades paraenses. Eu só conheci o mar em 2003. Faz pouco tempo. O meu mar era o Amazonas. São Paulo é um mundo misterioso de casas, edifícios, pontes, avenidas e pessoas diferentes. Inusitadas. Você olha para um lado e para o outro e ainda não conhece nada. Lembro que o que mais me impressionou no centro foi o Viaduto do Chá. Até hoje não sei as razões. O Viaduto do Chá esconde uma espécie de magia que eu não entendo. Juro que não entendo. Quando quero me sentir bem e em paz ando por ali. Atravesso o viaduto, contemplo o Vale do Anhangabaú e o Teatro Municipal. É um sentimento sem explicação. Muitos falam e têm razão: tudo acontece em São Paulo. A vida cultural é o que mais me anima. É possível conhecer poetas e escritores. É possível ir às peças de teatro mais experimentais. Tenho uma ligação forte com o teatro. E quando vejo o encontro de teatro e poesia sinto grande alegria. Em Itaituba, eu atuava em performances com poemas na escola, na igreja e até nas praças. Em São Paulo fiz por um tempo o curso do Teatro Escola Macunaíma, mas depois tranquei por falta de dinheiro. O teatro é um sonho que não consigo alcançar. Ora fica perto e ora está distante. Diante destes percalços, prometi que vou escrever peças de teatro, que vou manter uma relação com o teatro de algum modo. Penso que eu escolhi o teatro, mas o teatro não me escolheu. Gosto de atores como  Gero Camilo, Marat Descartes. Eles nem sabem que eu existo, mas gosto do trabalho deles. Certa noite, em 2008, vi uma peça em que atuava a atriz Juliana Galdino. Meu Deus, aquilo me levou a uma sensação do sublime que eu nunca havia experimentado. Voltando aos poetas e escritores, deixa-me confessar: desde a adolescência esperava conhecer os poetas Ferreira Gullar e Adélia Prado. Como também o meu mestre, Thiago de Mello, e o poeta Manoel de Barros. Conheci três deles. Faltou o Manoel de Barros. Sou da Amazônia, entretanto foi em São Paulo que pude conversar com o Thiago de Mello. Em São Paulo pude confirmar a sua real existência. Talvez eu leve pela vida toda o peso de não ter conhecido o poeta Manoel de Barros. Não tenho como ir ao estado onde ele mora. Nem tenho os contatos necessários para essa empreitada. Devo dizer também que em São Paulo a vida é cruel e difícil. As pessoas trabalham muito e talvez não vivam com a qualidade necessária. A educação e o transporte público, por exemplo, deixam muito a desejar. Conheci comunidades como Heliópolis. Lá a maior parte do que há para os jovens e as famílias é conquista ardorosa da comunidade e não necessariamente da autoridades ditas competentes. A violência me assusta. Já fui assaltado. A miséria nas ruas também é triste e vergonhosa. Isso é São Paulo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>C. L. -</strong> Você citou alguns poetas. Quais poetas mais o influenciam?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>R. B. -</strong> As minhas influências são um paradoxo. Leio e estudo diferentes expressões da poesia e da prosa. Tudo o que é literatura me interessa, na verdade. No meu primeiro livro, <em>Chão de terra batida</em>, identifico algumas influências claras e até inegáveis. O meu modo de ser poeta em <em>Chão de terra batida </em>resulta da escolha por enxergar o cotidiano com paixão e esperança. O meu objetivo foi cantar e encontrar significado nas pequenas coisas da infância. Quis encher a minha infância e de todos os meninos da Amazônia de um significado universal. Os poemas têm caráter narrativo, por isso a maioria deles foi escrito em prosa. Acredito que essa é uma de minhas principais características nesse meu primeiro empreendimento literário. Essa escolha é o resultado do meu envolvimento principalmente com a poesia de Adélia Prado e Manoel de Barros. E penso que também da leitura de Manuel Bandeira e Mário Quintana. <em>O livro sobre nada</em> de Manoel de Barros me deixou enlouquecido. E <em>Oráculo de maio</em> de Adélia Prado me fez receber multas da biblioteca municipal da cidade onde nasci. Atualmente não consigo desgrudar de <em>Libertinagem </em>e <em>Estrela da manhã </em>de Bandeira. Ninguém consegue. <em>Libertinagem</em> é um clássico de todos os tempos da poesia brasileira. Eu vivo os meus dias convivendo com o porquinho-da-índia, com Tereza e Irene Preta. Fale-me de poema mais extraordinário que <em>Vou-me embora pra Pasárgada</em>? Eu recitava aquele poema para todo mundo. Agora, por exemplo, estou labutando com a poesia completa de Mario Quintana. Foi a leitura de uma antologia de Quintana que me fez decidir por publicar primeiro os poemas de <em>Chão de terra batida</em>. Penso que os poetas que citei têm algo em comum, como o lirismo, a simplicidade disfarçada e um jeito prosaico de escrever os versos. O que eles escrevem parece simples, mas logo numa outra leitura encontramos uma variedade de significados e sugestões. Nos últimos dias li alguns versos de <em>Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais </em>de Cora Coralina. Causa fascinação versos como “vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo”. O que mais gostei foi do famoso <em>Poema do milho</em> e, em particular, quando em certa altura do poema, Cora escreve: “Em qualquer parte da terra um homem está plantando, recriando a vida. Recomeçando o mundo”. Quero beber da simplicidade grandiosa desses poetas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>C. L -</strong> E os outros poetas e escritores? De quem você gosta em particular?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>R. B. -</strong> Passei a minha adolescência inteira lendo Drummond. E Drummond pesa nos ombros, porque é extraordinário. É muito difícil esquivar-se da influência do poeta mineiro. Tenho paixão pelo Drummond de<em> Rosa do povo</em>. Da mesma forma amo o <em>Gullar do Poema sujo</em> e o Thiago de Mello de <em>Faz escuro mas eu canto</em>. A poesia compadecida pela miséria humana me interessa. Escrevi um poema longo de caráter social. Ainda não o publiquei e nem sei quando o tornarei público. Chama-o provisoriamente de <em>Carne hostil</em>. Eu o escrevi em 2005. Não o concluí. Ele surgiu depois de dois anos morando em São Paulo, num período em que eu ia de ônibus para a faculdade. Saía cedo de casa. Ia do extremo da zona sul para o Ipiranga. A vida das pessoas indo para o trabalho foi o que me motivou. Retornei a labutar com o <em>Carne hostil </em>em 2009. Porém, eu o acho um tanto panfletário. Outros escritores causaram tempestades em minha busca literária. Posso citar T.S. Eliot, Federico García Lorca, Rainer Maria Rilke, Bukowski, Tagore, Tristan Corbière, Mário de Sá Carneiro, Fernando Pessoa e Rimbaud. De todos estes que elenquei creio que os que mais leio são T.S. Eliot, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Rilke. Não tenho nenhum receio em dizer que os meus poemas de cabeceira são <em>A terra desolada</em> de Eliot; <em>Tabacaria </em>e <em>Guardador de rebanhos</em> de Pessoa; <em>Divã do</em> Tamarit de García Lorca; <em>Os primeiros poemas</em> de Rilke; <em>Dispersão</em> de Mário de Sá. Também todo o livro<em> Libertinagem</em> de Bandeira. É evidente que são os meus poetas de agora. Outros vão chegar. Leio <em>Folhas de relva</em> de Walt Whitman aos pedaços. Aos pedaços também leio<em> Grande sertão: veredas</em> de Guimarães Rosa, que é verdadeira poesia. Aos pedaços leio <em>Assim falou Zaratustra</em> de Niezsche e o teatro de Samuel Beckett. Este ano li alguns livros do poeta Roberto Piva. Não posso esquecer outros textos que estão sempre comigo como <em>Chove nos campos de Cachoeira</em> de Dalcídio Jurandir. A minha vida seria uma chatice sem essa gente toda. Também guardo algumas fotografias. Elas me ajudam a escrever.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> <strong>C. L. -</strong> Você cita Dalcídio Jurandir na epígrafe de seu livro. Por que todo este carinho por esse escritor?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>R. B. -</strong> Porque devo muito do que sou à leitura de <em>Chove nos campos de Cachoeira</em> e de outros romances de Dalcídio Jurandir. Se eu fosse para uma ilha deserta levaria esse livro. Talvez você não compreenda, mas Dalcídio conseguiu traduzir em seu primeiro romance muito da alma amazônica, da infância dos meninos da Amazônia. Não posso negar que sou ou fui uma espécie de Alfredo, o personagem principal de <em>Chove nos campos de Cachoeira</em>. Sempre com o desejo árduo de partir, de ir para além dos campos molhados. Dalcídio conta a história de famílias da vila de Cachoeira, que hoje é uma cidade da Ilha do Marajó. Acho que Dalcídio se quisesse poderia trocar o nome de Alfredo pela palavra liberdade. Teria o mesmo sentido. Eu li este livro com dezessete anos, numa viagem de barco para Belém. Foram três dias olhando as margens do rio Amazonas e lendo as páginas de Dalcídio.  Aquilo me encantou de tal modo que não sei o que deu em mim. Foi a partir deste fato que me entendi como sujeito amazônico, como parte de uma gente, de uma região do Brasil. O que é a Amazônia? As pessoas não sabem. Não nos compreendem. Não nos conhecem. A Amazônia é a parte esquecida da família. E a literatura amazônica? Quem sabe o que se escreve ali? Dalcídio foi um dos maiores prosadores brasileiros do século XX e poucos críticos e estudiosos o conhecem. Fico com a triste sensação de que a literatura amazônica tende a ficar no ostracismo. Espero que isto mude com o advento da <em>internet</em>, com os avanços tecnológicos dos meios de comunicação. A literatura é a alma de um povo. É um dos modos mais significativos para expressar o que um povo é. Eu creio nisso.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>C. L. -</strong> O escritor paraense Edilson Pantoja, em um comentário sobre o seu livro <em>Chão de terra batida</em>, afirma que as principais referências de seus poemas são femininas, como a mãe e a avó. Ele também afirma que essas referências femininas parecem constituir figura da própria Amazônia. Como você recebeu este comentário?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>R. B. -</strong> O Edilson Pantoja é da nova geração de escritores paraenses. Faz pouco tempo ele lançou o romance <em>Albergue Noturno</em>. Não o conheço pessoalmente. Mantenho contato com Edilson através da <em>internet</em>. Pantoja, decerto, fez uma leitura atenta de meu texto. Ele notou algo que tomei consciência após escrever a maioria dos poemas de meu livro. Isto que ele chama de referência feminina. Essa referência se deve em grande parte à minha própria história. Fui criado por minha mãe, pois o meu pai se desgarrou de nossa família muito cedo. Cresci sem pai e a figura de minha mãe tem um sentido todo especial em minha criação. Minha mãe foi e é para mim um grande exemplo coragem e persistência. Ela é destas mulheres brasileiras tomadas de uma força inacreditável mesmo nos momentos mais difíceis. Minha mãe trabalhou duramente para que eu pudesse estudar. Ela sempre me incentivou a escrever, sempre gostou de me ouvir recitar. Na verdade, a minha mãe cresceu ouvindo poemas de cordel. Era comum em Ananás, Tocantins, cidade onde ela nasceu, a leitura de romances de cordel. Talvez por isso ela admirasse tanto o filho que se dizia poeta. Mas nunca escrevi poemas de cordel. Lembro de certa tarde quando a minha mãe chegou do trabalho com um calhamaço sobre o romantismo. Devorei aquilo no mesmo dia. Admirava os poemas de Fagundes Varela para o filho morto. Acho que daí vem esta referência. A própria floresta amazônica lembra um grande útero onde estão presentes várias formas de vida.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>C. L. –</strong> A religiosidade é outro tema frequente em seu livro. Em poemas como <em>Auto do Mato</em>, você apresenta a figura de Deus com certo humanismo. Há uma tentativa de humanizar o divino em sua poesia? Outra questão interessante é da referência aos santos, comum na cultura popular brasileira.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>R. B. –</strong> Como já comentei, eu nasci no interior do Pará, numa região de muitos migrantes vindos do nordeste e sul do Brasil. Todos eles levaram para as fazendas e sítios, às margens da rodovia Transamazônica, elementos típicos de sua religiosidade, fé e crenças. Mas também as cidades ribeirinhas do Tapajós e do Amazonas são marcadamente caracterizadas pelos festejos de seus santos padroeiros, por procissões belíssimas. É o que acontece com o Círio de Nazaré em Belém. Uma vez participei do Círio de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Santarém. Eu fiquei impressionado com as ruas enfeitadas e com a quantidade de pessoas caminhando numa manhã ensolarada. E não vou esquecer por nada neste mundo das procissões de Sant’Ana, padroeira da cidade onde nasci. A procissão acontece em julho. Faz alguns anos que não participo. Em verdade, eu cresci meio às pequenas comunidades eclesiais de base da Amazônia que surgiram na década de 1970. Cresci meio às rezas das capelinhas, meios às novenas dos santos. Por isso, quando retomo o tema da infância em <em>Chão de terra batida</em>, retomo também a religiosidade característica da região de onde vim. Que não é uma religiosidade institucional. Acredito que o modo como o povo vive a sua fé transcende às instituições. Deste modo, quando penso a figura de Deus eu o apresento como um amigo de infância, como um menino. Não tenho pretensões de adentrar questões teológicas ou filosóficas. O meu desejo foi reaver a minha maneira contraditória de significar a vida e a fé. Acho que é isso.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> <strong>C. L. -</strong> Você citou que mantêm contato com outros escritores pela <em>internet</em>. Qual a relação de um poeta que se denomina do mato com o este meio de comunicação? Como você avalia os blogs e sites de literatura?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>R. B. -</strong> Utilizo o computador e a internet com freqüência. Nos fins de 2007 criei um blog, depois o abandonei. Agora disponibilizo alguns textos num blog chamado <em>A rua sétima</em>. A internet é um instrumento muito importante a serviço dos escritores. Assim, os novos poetas podem divulgar poemas e outras criações. Publicar um livro no Brasil, principalmente de poesia, é uma batalha homérica. E nem todo mundo tem condições de arcar com os custos de uma publicação independente. Pela internet tenho conquistado novos leitores e o que escrevo pode chegar a todas as regiões do Brasil. Os sites e portais que publicam textos de novos escritores são relevantes. Posso citar o site <em>Jornal de Poesia</em>, o <em>Recanto das Letras</em> e o <em>Portal Literal</em>. Lembro que os primeiros poemas que li de Lêdo Ivo, por exemplo, eu os encontrei no <em>Jornal de Poesia</em>. Depois passei para os livros. Já li bons textos na rede. Outros nem tanto. O leitor precisar ficar atento. Precisa ser seletivo. Talvez o mal da internet seja o imediatismo. Muitos esquecem a lição de João Cabral, da necessidade de lutar com as palavras e de que a boa poesia e a boa prosa resultam de um trabalho constante de seus autores. Não existe mágica. A literatura de qualidade não cai do céu. Isso não implica que devemos abandonar a sensibilidade. Encontro muitos desabafos em blogs e sites, mas precisamos ir além disso. Uma obra literária não pode ser sustentada somente com comentários sobre a festa do último domingo. É preciso muito mais. Com o computador adquiri novos hábitos. Antes escrevia só em blocos de papel. Agora produzo no próprio computador. Mas quando saio às ruas ou ando de ônibus sempre estou com um pequeno caderno para anotações. Por vezes, nasce de repente uma frase ou um verso. Também há um movimento interessante que é o da poesia virtual, ligada à animação, ao <em>web desing</em>. Preciso experimentar isso.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>C. L. –</strong> Você termina o poema <em>Apresentação</em> com uma síntese de seu trabalho como poeta. Você escreveu: “O verso é meu ofício”. Como é o seu processo de criação?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>R. B. –</strong> O meu processo de criação é vagaroso, porém constante. Eu escrevo com certa voracidade, mas misturo os projetos. Não sou muito organizado. Estou tentando priorizar o que vou escrever. Como inicio vários textos num mesmo período, demoro a conclui-los. Já iniciei romances, novelas e contos. E não levei nenhum projeto adiante. Perco com esse processo. Sem esquecer as idéias que surgem na rua ou no meio da noite e não tenho onde anotá-las. Elas também se perdem. Já escrevi vários poemas que estão longe de uma qualidade desejável. Nem tudo que escrevemos deve ser publicado. Sou exigente. Mas escrevo com leveza. Acredito que estou começando a me entender como escritor, como poeta. Aos poucos estou deixando nascer um certo Rudinei Borges, que é a soma de inúmeros livros lidos, a soma de muitas vozes e histórias ouvidas nas ruas. No entanto, o meu maior instrumento de trabalho é a minha memória. Por vezes, tenho a impressão que há uma sina da qual não poderei me livrar, a sina de memorialista. Eu estou impregnado das imagens do passado. Estou impregnado de minha própria infância e dos personagens daquela época. Sim, o verso é meu ofício. A memória é minha sina. Não quero perder isso.</span></p>
<p><span style="color:#000000;"><strong> </strong></span></p></blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>*Cristina Lima</strong> é estudante do Curso de Letras da Universidade de São Paulo, USP.</span></p>
</blockquote>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A TRISTEZA PERMITIDA por martha medeiros / porto alegre]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/18/a-tristeza-permitida-por-martha-medeiros-porto-alegre/</link>
<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 21:46:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2009/11/18/a-tristeza-permitida-por-martha-medeiros-porto-alegre/</guid>
<description><![CDATA[Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[NOme, Ou um laNce jogadO à PlagiOtOpia]]></title>
<link>http://aqueiva.wordpress.com/2009/11/18/nome-ou-um-lance-jogado-a-plagiotopia/</link>
<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 12:15:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Marco Aqueiva</dc:creator>
<guid>http://aqueiva.wordpress.com/2009/11/18/nome-ou-um-lance-jogado-a-plagiotopia/</guid>
<description><![CDATA[&nbsp; Nome por Carlos Pessoa Rosa &nbsp; por que esta tatuagem desde o nascimento se hoje sou o que]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://aqueiva.wordpress.com/files/2009/11/plagiotopia_fardao1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1284" title="plagiotopia_fardão" src="http://aqueiva.wordpress.com/files/2009/11/plagiotopia_fardao1.jpg?w=222" alt="" width="222" height="300" /></a></p>
<p>&#160;</p>
<p><strong>Nome</strong></p>
<p>por <strong>Carlos Pessoa Rosa</strong></p>
<p>&#160;</p>
<p>por que<br />
esta tatuagem desde o nascimento<br />
se hoje sou o que nunca<br />
fui?</p>
<p>que nome<br />
é esse que fala de uma pessoa nunca<br />
a mesma!</p>
<p>giro ao redor<br />
de um clichê adotado no nascimento<br />
que é esse<br />
que me olha como pertencimento<br />
mas observo com estranheza</p>
<p>só os poemas<br />
caleidoscópicos fragmentos meus<br />
dispersos e inapreensíveis<br />
que um dia libertar-se-á da autoria</p>
<p>&#160;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>

</channel>
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