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	<title>menelau &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "menelau"</description>
	<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 07:39:52 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[O Papel de Ulisses na Guerra de Tróia ]]></title>
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<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 16:39:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>lilimachado</dc:creator>
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<description><![CDATA[Embora autor do famoso juramento, Ulisses, por amor à esposa e ao filho, procurou, de todas as manei]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Embora autor do famoso juramento, Ulisses, por amor à esposa e ao filho, procurou, de todas as maneiras, fugir ao compromisso assumido.</p>
<p><a href="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/jason_dentes.jpg"></a>Quando lhe faltaram argumentos, fingiu-se de louco. Mas Menelau dirigiu-se à Ítaca, onde encontrou Ulisses, que havia atrelado um burro e um boi a uma charrete e abria sulcos nos quais semeava sal. Outros dizem que tentava arar as areias do mar.  Menelau, todavia, não se deixou enganar com o embuste e colocou o pequenino Telêmaco diante das rodas do arado. Ulisses deteve os animais a tempo de salvar o menino. Desmascarado, o herói dedicou-se inteiro à causa dos gregos, mas, no decurso da Guerra de Tróia, vingou-se cruel e covardemente dos heróis da Hélade.</p>
<p>Acompanhado de Miisco, que Laerte lhe dera como conselheiro, e com a missão de velar sobre o filho em Tróia, Ulisses se engajou na armada grega.</p>
<p>Acompanhou Menelau a Delfos para consultar o oráculo e, logo depois, em companhia de Menelau, participou da primeira comissão a Tróia, com o fito de resolver pacificamente o incidente do rapto de Helena. Reclamaram Helena e os tesouros carregados pelo casal. Páris se recusou a devolver tanto Helena, quanto os tesouros, e ainda tentou convencer os troianos a matarem o rei de Esparta, que foi salvo por Antenor, companheiro e prudente conselheiro do velho Príamo.</p>
<p>Com a recusa de Páris e sua traição a Menelau, a guerra se tornou inevitável.</p>
<div class="mceTemp">Em seguida, foi em busca de Aquiles, que sua mãe, Tétis, havia escondido, mas cuja presença e participação, eram indispensáveis para a tomada de Ílion. Tétis sabedora do triste destino que aguardava seu filho, levou-o secretamente para a corte de Licomedes, na ilha de Ciros, onde o herói passou a viver como linda donzela ruiva, no meio das filhas do rei, como nome falso de <em>Pirra</em>, já que o herói tinha os cabelos louro-avermelhados. Disfarçado em mercador, o astuto Ulisses conseguiu penetrar no gineceu do palácio de Licomedes. As moças logo se interessaram pelos tecidos e adornos que esse mercador vendia, mas <em>Pirra</em>, a ruiva, tendo voltado sua atenção exclusivamente para as armas, pôde ser identificado, com facilidade, e conduzido para a armada grega.  </div>
<div class="mceTemp" style="text-align:center;">
<div id="attachment_275" class="wp-caption aligncenter" style="width: 505px"><a href="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/achillesbattoni.jpg"><img class="size-full wp-image-275" title="AchillesBattoni" src="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/achillesbattoni.jpg" alt="Aquiles/Pirra na corte de Licomedes" width="495" height="624" /></a><p class="wp-caption-text">Aquiles/Pirra na corte de Licomedes</p></div>
</div>
<p>Ainda como embaixador, o rei de Ítaca foi enviado à corte de Chipre, onde reinava Cíniras, que, após o incesto involuntário com sua filha Mirra, fora exilado de Biblos e se tornara o primeiro rei da grande ilha grega do mar Egeu, onde introduziu o culto de Afrodite.   </p>
<p>Cíniras prometeu enviar cinquenta naus equipadas contra os troianos, mas mandou apenas uma.</p>
<div id="attachment_276" class="wp-caption alignleft" style="width: 304px"><a href="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/iphigenia.jpg"><img class="size-medium wp-image-276" title="iphigenia" src="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/iphigenia.jpg?w=294" alt="O sacrifício de Ifigênia" width="294" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">O sacrifício de Ifigênia</p></div>
<p>Reunidos, finalmente, a armada velejou rumo a Tróada. O mar, no entanto, permanecia inacessível aos audazes navegantes, por causa de prolongada calmaria. Consultado, o adivinho Calcas explicou que o fenômeno se devia à cólera de Artemis, porque Agamêmnon, matando uma corça, afirmara que nem a deusa o faria melhor que ele. Para suspender a calmaria, Artemis exigia o sacrifício da filha primogênita de Agamemnon, Ifigênia. </p>
<p>Foi nesse triste episódio, que Ulisses continuou a mostrar sua inigualável astúcia e capacidade de liderança.</p>
<p>Agamêmnon, a conselho de seu irmão Menelau e de Ulisses, enviara à esposa Clitemnestra, em Micenas, uma mensagem mentirosa, solicitando-lhe que conduzisse Ifigênia a Áulis, a fim de casá-la com o herói Aquiles. Mas, logo depois, horrorizado com a idéia de sacrificar a própria filha, tentou mandar uma segunda missiva, cancelando a primeira. Menelau, todavia, interceptou-a e Clitemnestra, acompanhada por Ifigênia e o pequenino Orestes, chegou ao acampamento aqueu.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<div id="attachment_277" class="wp-caption aligncenter" style="width: 505px"><a href="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/themurderoagamemnonh.jpg"><img class="size-full wp-image-277" title="TheMurderOAgamemnonH" src="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/themurderoagamemnonh.jpg" alt="Clitemnestra vinga-se de Agamêmnon por tentar sacrificar sua filha Ifigênia" width="495" height="441" /></a><p class="wp-caption-text">Clitemnestra vinga-se de Agamêmnon por tentar sacrificar sua filha Ifigênia</p></div>
</div>
<p>O rei de Ítaca, percebendo as vacilações de Agamêmnon e os escrúpulos de Menelau, no tocante ao cumprimento do oráculo, excitou os chefes e a soldadesca aquéia, que se viram compelidos a sacrificar a jovem inocente. Não fora a pronta intervenção de Artemis, substituindo Ifigênia por uma corça, Agamêmnon, Menelau e Ulisses teriam agravado ainda mais a situação.</p>
<p>Ulisses levou a Tróia doze navios lotados com heróis, soldados e marujos provenientes das ilhas de Cefalênia, os magnânimos cefalênios; de Ítaca, de Nérito, de Egílipe, de Zacinto e de Same.</p>
<p>Na rota para Tróia, aceitou o desafio do rei de Lesbos, Filomelides, e o matou na luta. Esse episódio, recordado pela Odisséia de Homero, foi reinterpretado, posteriormente, como um verdadeiro assassinato cometido por Ulisses e seu parceiro inseparável em tais casos, o violento Diomedes.</p>
<p>Em Lemnos, durante um banquete dos chefes aqueus, Ulisses e Aquiles discutiram asperamente: o primeiro elogiava a prudência e o segundo exaltava a bravura. Agamêmnon, a quem Apolo havia predito que os aqueus se apossariam de Tróia, quando reinasse a discórdia entre os chefes helenos, viu no episódio o presságio de uma rápida vitória. Os mitógrafos posteriores deturparam o fato e atribuíram a querela a Agamêmnon e Aquiles, primeiro sintoma da grave contenda entre estes dois heróis, o que se constituirá no assunto da <em>Ilíada.</em></p>
<p>Por todo esse tempo, o heróismo e a astúcia de Ulisses brilharam intensamente. Durante todo o certo a <em>Ìlion</em> o rei de Ítaca mostrou extraordinário bom-senso, destemor, audácia, inteligência prática e criatividade.  Convocavam-no para toda e qualquer missão que demandasse, além de coragem, sagacidade, prudência e habilidade oratória.</p>
<p>Participou, acompanhado de Ajax, da embaixada junto a Aquiles, para que este voltasse ao combate, o que não aconteceu, apesar do belo e convincente discurso do rei da Ítaca.</p>
<p>Como a guerra se prolongasse além do esperado, Ulisses, em companhia de Menelau, dirigiu-se à corte de Ânio, rei e sacerdote de Delos. Esse Ânio, filho de Apolo e de Reia, era pai de três filhas: <em>Elaís, Espermo e Eno,</em> cujos nomes lembram, respectivamente, óleo, trigo e vinho. Como houvessem recebido de Dionísio, o poder de fazer surgir do solo esses três produtos indispensáveis, os chefes aqueus, dado o prolongamento da guerra, mandaram buscá-las. De bom grado as filhas do rei de Delos acompanharam os embaixadores gregos, mas, já cansadas de uma tarefa incessante, fugiram. Perseguidas pelos Helenos, pediram proteção a Dionisio, que as transformou em pombas. Por isso, na ilha de Delos, era proibido matar pombas.</p>
<p>Audacioso e destemido, o herói arriscou muitas vezes a vida em defesa da honra ofendida da família grega.</p>
<div id="attachment_278" class="wp-caption alignleft" style="width: 277px"><a href="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/dolon.jpg"><img class="size-medium wp-image-278" title="dolon" src="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/dolon.jpg?w=267" alt="Dólon aprisionado por Ulisses e Diomedes" width="267" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Dólon aprisionado por Ulisses e Diomedes</p></div>
<p>Dólon, espião troiano, é aprisionado por Ulisses e Diomedes. Após revelar tudo quanto os dois desejavam saber, Diomedes, impiedosamente, apesar das súplicas de Dólon, cortou-lhe a cabeça. Guiados pelas informações do troiano, penetram no acampamento inimgo e surpreenderam dormindo o herói trácio Reso, que viera em auxílio dos Troianos no décimo ano da guerra. Mataram-no e levaram-lhe os brancos corcéis, rápidos como o vento. Conta-se que a audaciosa expedição dos dois bravos aqueus contra Reso fora inspirada pelas deusas Hera e Atena, pois um oráculo predissera que, se Reso e seus cavalos bebessem da água do rio Escamandro, o herói trácio seria invencível.</p>
<p>Desejando penetrar como espião em Ílion, Ulisses, para não ser reconhecido, fez-se chicotear até o sangue por Toas. Ensanguentado e coberto de andrajos, apresentou-se em Tróia. Conseguiu furtivamente chegar até Helena, que, após a morte de Páris, estava casada com Deífobo e a teria convencido a trair os Troianos. Relata-se igualmente que Helena teria denunciado a Hécuba, rainha de Tróia, a presença de Ulisses, mas este, com suas lágrimas, suas manhas e palavras artificiosas, teria convencido a esposa de Príamo a prometer que guardaria segredo a seu respeito. Desse modo foi-lhe possível retirar-se ileso, matanto antes as sentinelas que vigiavam a entrada da fortaleza.</p>
<p>Quando da morte de Aquiles e da ourtorga de suas <em>armas</em><em> ao mais valente dos aqueus, Ajax, o </em>mais forte e destemido dos gregos, depois do filho de Tétis, disputou-as com Ulisses nos jogos. Face ao embaraço de Agamêmnon, qua não sabia a qual dos dois premiar, Nestor, certamente por instigação de Ulisses, aconselhou que fossem interrogados os prisioneiros troianos; e estes, por unanimidade, afirmaram que o rei de Ítaca fora o que mais danos causara a Tróia. Inconformado com a derrota, Ajax, num acesso de loucura, massacrou um pacífico rebanho de carneiros, pois acreditava estar matando os gregos, que lhe negaram as armas. Voltando a si, compreendeu ter praticado atos de demência e, envergonhado, mergulhou a própria espada na garganta.</p>
<p>Após a queda de Ílion, Ajax pediu a morte de Helena como pena de seu adultério. Tal proposta provocou a ira dos átridas. Ulisses salvou a princesa e conseguiu que a mesma fosse devolvida a Menelau. Logo após este acontecimento, o destemido Ajax solicitou, como parte dos despojos, que lhe fosse entregue o Paládio, a pequena estátua de Atena, dotada de proprieadades mágicas. Por instigação, mais uma vez, de Ulisses, os atridas não lhe atenderam o pedido.</p>
<p>Quando Atena, para mostrar a extensão da desgraça de Ajax e o poder dos deuses, pergunta a Ulisses se, porventura, conhece um herói mais valente, a resposta do filho de Sísifo não se faz esperar:</p>
<p style="text-align:right;"><em>- Não, não conheço nenhum, embora seja meu inimigo, lamento seu infortúnio. Esmaga-o terrível fatalidade. Em seu destino entrevejo meu próprio destino. Todos quantos vivemos, nada mais somos que farrapos de ilusão e sombras vãs.</em></p>
<p><a href="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/cavalo-de-troia.jpg"></a></p>
<div id="attachment_284" class="wp-caption aligncenter" style="width: 505px"><a href="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/cavalotiepolowga.jpg"><img class="size-full wp-image-284" title="CavaloTiepoloWga" src="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/cavalotiepolowga.jpg" alt="O cavalo de Tróia - Tiepolo" width="495" height="289" /></a><p class="wp-caption-text">O cavalo de Tróia - Tiepolo</p></div>
<p>O maior feito de Ulisses na Guerra de Tróia foi, sem dúvida, o genial estratagema do <em>Cavalo de Tróia</em>. </p>
<p>Ulisses foi o primeiro a sair do cavalo, a fim de acompanhar Menelau, que se dirigiu à casa, para se apossar de Helena.</p>
<p>Lá, o rei de Ítaca impediu o átrida de assassinar ali mesmo sua linda esposa.</p>
<p>Conforme outra variante, Ulisses salvou-a da morte certa: escondeu-a e esperou que a cólera dos helenos se mitigasse, evitando que a rainha de Esparta fosse lapidada, como desejavam alguns chefes e a soldadesca.</p>
<div id="attachment_281" class="wp-caption alignright" style="width: 205px"><a href="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/andromachemournshector.jpg"><img class="size-medium wp-image-281" title="AndromacheMournsHector" src="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/andromachemournshector.jpg?w=195" alt="Andrômaca vela o corpo de Heitor" width="195" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Andrômaca vela o corpo de Heitor</p></div>
<p>Foi um dos responsáveis diretos pela morte do filho de Heitor e Andrômaca, o pequenino Astíanax, que, no saque de Tróia, foi lançado de uma torre.</p>
<p>Por instigação de Ulisses, a filha caçula de Príamo e Hécuba, Políxena, foi sacrificada sobre o túmulo de Aquiles por seu filho Neoptólemo. Tal sacrifício, complementar ao de Ifigênia, teria por finalidade proporcionar ventos favoráveis para o retorno das naus aquéias a seus respectivos reinos.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ulisses]]></title>
<link>http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/2009/09/06/ulisses/</link>
<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 15:31:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>lilimachado</dc:creator>
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<description><![CDATA[Como todo herói, o rei de Ítaca teve um nascimento meio complicado. Ulisses nasceu na ilha de Ítaca,]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Como todo herói, o rei de Ítaca teve um nascimento meio complicado.</p>
<p>Ulisses nasceu na ilha de Ítaca, sobre o monte Nérito, um dia em que sua mãe fora ali surpreendida por um grande temporal.</p>
<div id="attachment_266" class="wp-caption alignleft" style="width: 505px"><a href="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/sisyphustitian.jpg"><img class="size-full wp-image-266" title="SisyphusTitian" src="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/sisyphustitian.jpg" alt="Sísifo - Ticiano" width="495" height="554" /></a><p class="wp-caption-text">Sísifo - Ticiano</p></div>
<p>Filho de Sísifo, o mais astuto e atrevido dos mortais, o maior e mais sabido dos ladrões e ainda bisneto de Hermes, o deus também dos ardis e trapaças, Ulisses só poderia ser mesmo, ao lado da inteligência exuberante, da coragem e da determinação, um herói cheio de malícia e de habilidade.</p>
<div id="attachment_268" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/centaur.jpg"><img class="size-medium wp-image-268" title="Centaur" src="http://herculeseseus12trabalhos.wordpress.com/files/2009/09/centaur.jpg?w=300" alt="Quíron" width="300" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Quíron</p></div>
<p>Educado, como tantos outros nobres, pelo centauro Quiron, ainda muito jovem, o herói de Ítaca deu início às suas aventuras.</p>
<p>Durante uma curta permanência na corte de seu avô, participou de uma caçada no monte Parnaso e foi ferido no joelho por um javali. A cicatriz, pouco acima do joelho, produzida pela mordida da fera, se tornou indelével e servirá como sinal de reconhecimento, quando regressar a Ítaca.</p>
<p>A luta entre o herói e o javali, se passara, exatamente, no local em que se construiu o Ginásio de Delfos, no monte Parnaso.</p>
<p>A mando de seu pai, Laerte, Ulisses dirigiu-se a Messena, para reclamar uma parte do rebanho dele, que lhe havia sido furtada. Na corte do rei Orsíloco, tendo-se encontrado com Ífito, os dois heróis resolveram, com penhor de amizade, trocar de armas. O futuro rei de Ítaca presenteou Ífito com sua espada e lança e este deu a Ulisses o arco divino com que o esposo de Penélope matará mais tarde seus pretendentes.</p>
<p>Completadas as primeiras provas iniciáticas, traduzidas na morte do <em>javali, </em>símbolo da aquisição do poder espiritual; e da obtenção do <em>arco</em>, imagem do poder real e da iniciação dos cavaleiros, Ulisses recebeu de seu pai, Laerte, o reino de Ítaca, com todas as suas riquezas.</p>
<p>O rei, obrigatoriamente, no entanto, se completa ao casamento. Cortejou, em primeiro lugar, Helena, filha de Tíndaro, mas, percebendo que o número de pretendentes era excessivo, voltou-se para a prima da futura esposa de Menelau, Penélope, filha de Ícaro. Esta união lhe traria tantas vantagens quantas lhe proporcionaria a união com Helena. A mão de Penélope foi conseguida por uma vitória obtida pelo herói numa corrida de carros instituída por seu futuro sogro, entre os pretendentes da filha.</p>
<p>De qualquer forma, o pai de Helena sempre foi muito grato a Ulisses por um conselho que este lhe dera. Como o número de pretendentes à mão de Helena fosse muito grande, o rei de Ítaca sugeriu a Tíndaro que os ligasse por dois juramentos: respeitar a decisão de Helena quanto à escolha do noivo, ajudando-o a conservá-la; e se o eleito fosse atacado ou gravemente ofendido, os demais deveriam socorrê-lo.</p>
<p>Pressionada pelo pai a permanecer em Esparta com o marido, Penélope, dando provas de seu amor, preferiu seguir com ele para Ítaca.</p>
<p>Do casamento com o Ulisses, Penélope foi mãe de Telêmaco. Este ainda estava muito novinho, quando chegou ao mundo grego a triste notícia de que Páris raptara Helena e de que Menelau, valendo-se do juramento dos antigos pretendentes à mão de sua esposa, exigia de todos o comprimento da solene promessa, para que pudesse vingar-se do príncipe troiano.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O cavalo de Tróia]]></title>
<link>http://aguerradetroia.wordpress.com/2009/06/29/o-cavalo-de-troia/</link>
<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 21:54:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>lilimachado</dc:creator>
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<description><![CDATA[reprodução atual de como deve ter sido construído o Cavalo de Tróia Finalmente, os gregos descobrira]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div id="attachment_594" class="wp-caption alignleft" style="width: 208px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/trojan_horse_c387anakkale.jpg"><img class="size-medium wp-image-594" title="Trojan_horse_%C3%87anakkale" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/trojan_horse_c387anakkale.jpg?w=198" alt="reprodução atual de como deve ter sido construído o Cavalo de Tróia" width="198" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">reprodução atual de como deve ter sido construído o Cavalo de Tróia</p></div>
<p>Finalmente, os gregos descobriram uma estratégia com um cavalo de madeira cheio de soldados armados. </p>
<p>Ele foi construído e deixado em frente aos portões de Tróia. </p>
<p>Os gregos, então, foram embora para Tenedos, fingindo estar abandonando o campo de batalha. </p>
<p>Odisseu foi à cidade, disfarçado.  Hécuba, a esposa de Príamo, o colocou para fora da cidade, depois de informada de tudo. </p>
<p>Um soldado grego ficou para trás, quando eles foram embora e fingiu para os troianos que ele havia desertado, porque ele sabia de informações comprometedoras sobre Odisseu (Ulisses).  Ele disse aos troianos que o cavalo era um oferenda para Poseidon e que os gregos o haviam construído tão grande, de forma que não pudesse ser levado para dentro dos portões da cidade. </p>
<p>Foi determinado que o Cavalo fosse trazido para dentro da cidade. </p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/picture1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-595" title="Picture1" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/picture1.jpg" alt="Picture1" width="389" height="353" /></a></p>
<p>Eles quebraram parte dos muros que a cercavam, trouxeram o cavalo para dentro, e celebraram sua aparente vitória.  À noite, enquanto os troianos dormiam, os soldados gregos escondidos no cavalo, saíram, abriram os portões da cidade, e avisaram aos outros que estavam esperando em Tenedos.  A cidade foi totalmente destruída. </p>
<p>O rei Príamo foi morto no seu próprio trono, pelo filho de Aquiles, Neoptolemos, e Hécuba, Cassandra e Andromaca (mulher de Heitor), foram feitas prisioneiras. </p>
<p>Aproximava-se a hora da vitória final.  Exaustos, os troianos nem combateram mais. </p>
<p>O sangue correu solto pela cidade.  Menelau penetrou na casa real e matou o novo marido de Helena, Deífobo.  Depois, quebrou as sólidas portas do quarto dela.  Helena, apavorada,  refugiou-se no altar doméstico e, acuada entre as imagens santas, chorando, pediu piedade. </p>
<p>Com um estranho brilho nos olhos, e um sorriso de sarcasmo, Menelau a agarrou pelos cabelos e a espancou.  Sacou da espada e ameaçou fincá-la nas suas carnes macias, antegozando o momento em que a morte tornaria feia e pálida a face sedutora.</p>
<p>Mas Helena, muito sabida, arrancou, inteiramente, suas vestes.  No guerreiro, esmoreceu o desejo de matar.  Outro desejo antigo invadiu-lhe o corpo.  Atirou longe a espada e abraçou-a num gesto de amor e perdão.</p>
<p>Finalmente reunidos, os dois voltaram a Esparta.  Na corte, os nobres recusaram-se a recebe-la como rainha, novamente.  Nas ruas, o povo rebelou-se, querendo puni-la por suas traições, pelas vidas derramadas nos campos de batalha, pelas riquezas destruídas, pelas sementes tornadas em pó. </p>
<p>Menelau, porém, obrigou  todos a respeitarem Helena.  Pouco a pouco, Esparta voltou a aceitar a mulher mais bela do mundo, cujas feições nunca perdiam o viço e cujo corpo enlouquecia de paixão, todo mortal que a visse: Helena<strong>.</strong></p>
<p>Helena, por sua vez, esqueceu seu passado infeliz.  Como se tivesse no cérebro um instrumento destinado a apagar as memórias dolorosas, estava sempre sorrindo, disposta a saciar a paixão incansável de Menelau. </p>
<p>E para Nicóstrato, o filho recentemente nascido, mostrou-se mãe doce e afetuosa.</p>
<p>O rei, ao ouvir estórias da guerra ou as lamentações dos que carregariam para sempre o luto em suas almas, mal podia crer que aquela criatura que partilhava com ele o leito real, tão serena e generosa, podia ter, um dia, causado a miséria e a desgraça de tantos.</p>
<div id="attachment_596" class="wp-caption aligncenter" style="width: 487px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/troyschoubroeck.jpg"><img class="size-full wp-image-596" title="TroySchoubroeck" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/troyschoubroeck.jpg" alt="A destruição de Tróia" width="477" height="319" /></a><p class="wp-caption-text">A destruição de Tróia</p></div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A morte de Aquiles]]></title>
<link>http://aguerradetroia.wordpress.com/2009/06/28/a-morte-de-aquiles/</link>
<pubDate>Sun, 28 Jun 2009 15:56:07 +0000</pubDate>
<dc:creator>lilimachado</dc:creator>
<guid>http://aguerradetroia.wordpress.com/2009/06/28/a-morte-de-aquiles/</guid>
<description><![CDATA[A Guerra de Tróia estava no auge da sua fúria. Após nove anos de cerco à cidade de sólidas muralhas,]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achilles3718.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-588" title="achilles3718" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achilles3718.jpg?w=211" alt="achilles3718" width="211" height="300" /></a>A Guerra de Tróia estava no auge da sua fúria. Após nove anos de cerco à cidade de sólidas muralhas, Aquiles, o maior dos aqueus, já havia imortalizado o seu nome por meio de diversas façanhas.</p>
<p>Aquiles, após abater Mêmnon, sobrinho de Príamo, estava agora tomado por uma grande cólera, como até então jamais havia experimentado &#8211; nem mesmo quando da morte de seu amigo Pátroclo, que tanta dor e mágoa lhe causara.</p>
<p>- <em>Agamenon</em> &#8211; disse Aquiles ao chefe dos aqueus.</p>
<p>- <em>Meu coração não pode mais suportar tanta arrogância por parte desses troianos, que já há quase dez anos nos mantêm humilhados do lado de fora destas malditas muralhas! Sim, meu coração anseia por derrubar de uma vez estas portas que nos impedem o acesso à cidadela! Ele anseia também pela volta à nossa casa, com os côncavos navios repletos das riquezas que Ílion inteira esconde em suas casas, templos e palácios!</em></p>
<p>Nesse instante, Tétis, deusa marinha e mãe de Aquiles, inspirou ao chefe grego estas palavras:</p>
<p><em>- Aquiles, audaz e implacável filho de Peleu, lembre-se do funesto presságio que paira sobre a sua cabeça: desde sempre foi predito que você jamais viria a transpor as portas Céias, que resguardam as mulheres e os tesouros da sagrada Tróia.</em></p>
<p>- <em>O que tiver de ser repousa sobre os joelhos dos deuses</em> &#8211; disse Aquiles, cuja impaciência chegara ao limite.</p>
<p><em>- Jamais um guerreiro deixou de cumprir os mandamentos de seu peito por receio de meros presságios ou vaticínios. Aos adivinhos, os presságios; aos guerreiros, a espada. Além do mais, uma nova morte pesa sobre meu coração, a de Antíloco, filho de Nestor e leal companheiro que a crueldade troiana fez baixar recentemente à morada das sombras.</em></p>
<p>E tomando de sua lança, Aquiles ordenou aos seus mirmidões &#8211; guerreiros da Tessália, seus comandados &#8211; que o seguissem de lanças em riste.</p>
<p>Uma nova carnificina começou, então. Os cadáveres dos troianos juncavam o chão em frente às muralhas de Tróia, fazendo transbordar as águas do rio Escamandro, que corre perto com suas águas revoltas.</p>
<p>- <em>Adiante mirmidões de sólidos escudos!</em> &#8211; bradava o filho de Tétis.</p>
<p><em>- Grandes recompensas os aguardam atrás destas paredes erguidas por duas divindades!</em></p>
<div id="attachment_586" class="wp-caption alignleft" style="width: 248px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/helenpariswestall.jpg"><img class="size-medium wp-image-586" title="HelenParisWestall" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/helenpariswestall.jpg?w=238" alt="Helena e Páris" width="238" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Helena e Páris</p></div>
<p>No alto das muralhas, Príamo, rei da Tróada, acompanhava apavorado o massacre dos seus homens. Ao seu lado estava seu filho Páris, raptor da bela Helena, que abandonara seu esposo Menelau, em Esparta, para ir viver com o belo irmão de Heitor.</p>
<p>- <em>Páris, meu filho, parece que desta vez aquele terrível homem transporá as sólidas portas de nossa sagrada Tróia!</em> &#8211; disse Príamo, aterrado com a aproximição de Aquiles e de seus furiosos mirmidões.</p>
<p>Páris, sem responder, cogitava sobre as terríveis consequências que estavam prestes a se abater sobre si e toda a cidade fundada por Ilos, de nobre memória. As recriminações de seus irmãos e os olhares de ódio de seus compatriotas ainda estavam bem presentes em sua mente. Agora que tudo parecia perdido, podia perceber, mais do que nunca, aqueles mesmos olhares acusativos caírem sobre si como pequenos dardos envennados.</p>
<p>Na verdade, Páris já tentara, de algum modo, chamar a si a responsabilidade para a solução daquele conflito, quando propôs a Menelau, o marido ultrajado, um combate singular entre ambos, como forma de resolver a disputa.</p>
<p>Entretanto, levara a pior, e se a própria Afrodite não o tivesse ocultado em uma nuvem e levado para seus aposentos, dentro das muralhas protetoras, estaria agora morto &#8211; tão morto quanto a maioria de seus muitos irmãos, entre os quais Heitor, que tanto o censurara por suas atitudes levianas.</p>
<p>Enquanto Páris refletia sobre tudo isso, o bravo Aquiles, surdo a tudo, continuava a investir com fúria nunca vista, cortando braços, arrancando cabeças e pisoteando os corpos abatidos, como um leão que quando avança sobre um redil de ovelhas se atraca em todas, indiscriminadamente, movido apenas pela gana de enterrar as compridas unhas no pêlo fofo de suas vítimas, até torná-lo tinto do sangue negro e inebriante.</p>
<p>Aquiles estava agora diante das portas Ceias.</p>
<p>Apenas alguns bravos combatentes troianos ainda restavam diante da sua fúria incontrolável. Então uma voz, que não era humana, partiu do alto das muralhas:</p>
<p>- <em>Aquiles, temerário! Volta os passos para trás, eis que já foi determinado pelos deuses que jamais vai colocar os pés dentro destas muralhas!.</em>  Era Apolo, filho de Zeus e Leto, quem lhe dirigia essas acerbas palavras.</p>
<p>Tétis, mãe de Aquiles, oculta sob a forma de um de seus soldados, tentava fazê-lo retroceder:</p>
<p><em>- Eia, Aquiles valoroso, voltemos ao nosso acampamento, pois é voz mortal quem lhe adverte de grave dano à sua pessoa!</em></p>
<p>- <em>Cale-se, covarde, e retroceda sozinho, se assim lhe apraz!</em></p>
<p>Disse o filho de Tétis, empurrando rudemente o soldado, sem saber que afastava a própria mãe de chorosos olhos.</p>
<p><em>- Hei de arrancar estas portas com meus próprios braços, e não serão vãs ameaças, ditadas por lábios mortais ou imortais, que me impedirão de laver adiante um ato de justa vingança que clama aos céus!</em></p>
<p><em>- Aquiles, a ira faz você blasfemar e invocar os deuses ao mesmo tempo!</em> &#8211; Disse Apolo, enfurecido pela audácia daquele homem.</p>
<p><em>- Lembre que, ao fim e ao cabo, é mortal como todos os outros que vibram as lanças e os escudos junto de você. Até Sarpedon, filho do deus supremo, também baixou, de há muito, às sombrias moradas. Se você teimar na impiedade, terá, ainda com mais razão, o mesmo destino.</em></p>
<p>Aquiles, contudo, permaneceu surdo às funestas advertências: de espada em punho avançava resolutamente para as imensas portas, enquanto sua mãe, Tétis, de pés prateados, afastava-se, vencida pelos fados inexoráveis.</p>
<p><em>- Eia, mirmidões, arremetam às portas com este aríete feito de sólido carvalho e afiadíssima ponta!</em> &#8211; disse o herói, pondo todo o empenho em sua voz.</p>
<p>Páris, ao alto, penava em seu desespero, pensando no que poderia fazer para deter aquele terribilíssimo homem, quando escutou a voz de Apolo soar a seu lado:</p>
<p><em>- Páris, nutrido pelos deuses, apreste ligeiro o seu arco e escolha a melhor das flechas!</em></p>
<p>- <em>Aquiles é invencível!&#8230;</em> &#8211; bradou Páris ao filho de Leto.</p>
<p><em>- Seu corpo, banhando nas águas do Estige, é invulnerável, e seta alguma poderá feri-lo.</em></p>
<p>Tétis, num último gesto de amor materno, aproximou-se, então de Apolo, e lhe disse estas palavras:</p>
<p><em>- Apolo, filho de Zeus soberano! Toma antes uma de suas próprias flechas, se queres, para alvejar meu filho, eis que suas flechas tiram a vida em causar dor. </em></p>
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_587" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achilleswest.jpg"><img class="size-full wp-image-587" title="achilleswest" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achilleswest.jpg" alt="Apolo aconselha " width="300" height="409" /></a><p class="wp-caption-text">Apolo aconselha </p></div>
<p>O filho de Zeus acedeu e, estendendo a Páris uma de suas próprias flachas, lhe disse em seguida:</p></div>
<p><em>- Toma e faz o que digo. Quanto ao rumo que a seta seguirá, não se preocupe, pois cabe a mim dar-lhe o rumo correto. </em></p>
<p>- Páris ajustou a seta fatal ao seu arco e espichou a sólida corda até que as duas extremidades do arco, feito de fina e maleável madeira, se unissem.</p>
<p>- <em>Dispara agora, filho de Príamo!.</em> Ordenou Apolo, que arremessando-se junto com o dardo, foi conduzindo-o até o seu alvo, que era o calcanhar direito de Aquiles.</p>
<p>O guerreiro, alvejado pela seta mortal, sentiu o pé fraquejar, embora dor alguma lhe lancinasse as carnes.</p>
<p><em>- Fui alvejado&#8230;</em> Gritou Aquiles, compreendendo, num instante, que seu fim se aproximava.</p>
<div id="attachment_589" class="wp-caption aligncenter" style="width: 375px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achilles3924.jpg"><img class="size-full wp-image-589" title="achilles3924" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achilles3924.jpg" alt="Aquiles alvejado no calcanhar" width="365" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Aquiles alvejado no calcanhar</p></div>
<p>Arrancando o dardo do calcanhar, que sangrava copiosamente, mesmo assim o filho de Peleu ainda encontrou forças para continuar batalhando.</p>
<p><em>- Hei de cair somente depois que meus mirmidões tiverem rompido as portas que dão acesso à cidadela!,</em> pensava ele, brandindo com fúria redobrada a sua espada encharcada de sangue inimigo.</p>
<p>Aquiles avançou, cada vez com maior dificuldade, pois a sombra da morte começava a descer sobre seus ohos e, após haver semeado o pânico entre os troianos, apoiou-se sobre o madeiro sólido e intransponível de um das gigantescas portas Céias.</p>
<p>Seus joelhos fraquejaram pela última vez, e sentiu que sua alma começava a descer ao Hades sombrio para ir fazer companhia aos companheiros mortos.</p>
<p><em>- O destino de Tróia está, desde sempre, também decretado!</em> bradou Aquiles, nos últimos arrancos de sua vida quase extinta.</p>
<p><em>- E tão certo quanto agora cumpro meu negro fado, chegará muito em breve a vez de vocês também cumprirem o seu! Não terão como escapar, e então sentirei espumar em minha boca, mesmo nas moradas sombrias, o sumo feliz da vingança!</em></p>
<p>Aquiles cerrou seus lábios e sua armadura finalmente retiniu sobre o chão, com imenso estrondo, cobrindo-se de seu próprio sangue ajuntado ao pó.</p>
<p>Grande júbilo ergueu-se do alto das muralhas: Príamo, aliviado, via exterminado, de uma vez por todas, o flagelo grego, matador de troianos e de seu querido filho Heitor.</p>
<p>Começava nesse instante, porém, uma outra batalha, agora pelos despojos do maior dos aqueus.</p>
<p>Ájax e Ulisses, companheiros fiéis, arremessaram-se ao corpo para impedir que mãos inimigas o raptassem, apossando-se de sua armadura gloriosa, fabricada pelas próprias mãos de Hefesto, inexcedível artífice, e levassem seu corpo para dentro das muralhas, para ser esquartejado e lançado aos dentes corruptos dos cães de Tróia. Era a vez, agora, de Aquiles ter seu corpo arrastado de um a outro lado e coberto de sangue e de pó, como acontecera a tantos outros desde o começo daquela terrível e cruenta guerra.</p>
<p>Enéias, pelos troianos, forcejava junto com os seus para apoderar-se do corpo, enquanto que Ájax e Ulisses os repeliam com toda a fúria.</p>
<p>Glauco, primo de Sarpedon morto, conseguira laçar os pés esfolados de Aquiles e já ia arrastando o corpo até as hostas troianas, quando Ájax, arremessando um dardo certeiro, prostrou-o sem vida no chão. E assim, ao redor do corpo ensanguentado do filho de Tétis, foram caindo, às dezenas, os guerreiros que lutavam em busca do prêmio mais ambicionado: o corpo e as armas de Aquiles.</p>
<p>Finalmente, os gregos levaram a melhor e conduziram o corpo de Aquiles para as suas tendas. Lá o herói recebeu os rituais fúnebres devidos, sendo quimados seus despojos numa imensa pira, sob o choro de todos os companheiros, e até dos deuses, que do alto lamentavam a morte do maior guerreiro que o mundo já vira.</p>
<p>Tétis, sua mãe, veio das profundezas do mar, junto com suas nereidas, coberta de luto, e durante toda a cerimônia não cessou de lamentar a morte de seu querido filho.</p>
<p>Depois, as cinzas de Aquiles foram depositadas junto às de Pátroclo, amigo e fiel companheiro de armas, conforme o seu desejo.</p>
<p>Depois da morte de Aquiles, Ulisses e Ajax disputaram sobre a divina armadura do herói morto.</p>
<p>Quando Ajax perdeu a luta, ficou louco e se suicidou.</p>
<p>Numa batalha de intensa bravura, Páris foi ferido no braço.  A ferida infeccionou muito, trouxe febre e convulsões, até que ele morreu.</p>
<p>Páris morto, Príamo deu a mão de Helena, a Deífobo, o irmão de Páris, que a reivindicara e ao comando dos exércitos de Tróia.</p>
<p>Uma noite, Odisseu (Ulisses) entrou em Tróia, disfarçado, e roubou o Palladium, a sagrada estátua de Atena, que dava aos troianos a força para continuar com a guerra.  A cidade, entretanto, não pereceu.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Guerra de Tróia]]></title>
<link>http://aguerradetroia.wordpress.com/2009/06/26/566/</link>
<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 21:31:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>lilimachado</dc:creator>
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<description><![CDATA[A guerra de Tróia foi um episódio sangrento da antiguidade, que teve lugar muito provavelmente entre]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div class="mceTemp">A guerra de Tróia foi um episódio sangrento da <a title="Idade Antiga" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_Antiga">antiguidade</a>, que teve lugar muito provavelmente entre <a title="Segundo milénio a.C." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Segundo_mil%C3%A9nio_a.C.">1300 a.C.</a> e 1200 a.C, que culminou com a destruição da <a title="Cidade-Estado" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade-Estado">cidade</a> de Tróia.</div>
<p>Os gregos antigos acreditavam que a guerra de Tróia era um fato histórico, ocorrido no período micênico, mas, durante séculos, os estudiosos tiveram dúvidas se ela de fato ocorreu. Até a descoberta do <a title="Sítio arqueológico" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADtio_arqueol%C3%B3gico">sítio arqueológico</a> na <a title="Turquia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Turquia">Turquia</a>, acreditava-se que Tróia era uma cidade mitológica.</p>
<p>A <a title="Ilíada" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Il%C3%ADada">Ilíada</a>, de <a title="Homero" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Homero">Homero</a>, descreve os acontecimentos finais da guerra, que incluem as mortes de <a title="Pátroclo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1troclo">Pátroclo</a>, <a title="Heitor" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Heitor">Heitor</a> e <a title="Ájax" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81jax">Ajax</a>, que se matou com a espada que Heitor lhe deu. Por isso, esse período da história é chamado de Tempos Homéricos.</p>
<p>Suas montanhas, com o céu quase sempre azul e seu clima suave faziam de Tróia, uma das mais maravilhosas cidades do mundo antigo.  Tinha um clima ameno e agradável. Muita chuva caía a cada ano, principalmente no inverno. No verão, o povo vivia quase inteiramente ao ar livre. Embora os ventos de inverno fossem frios, os troianos promoviam a maioria dos divertimentos e reuniões públicas fora dos recintos cobertos. </p>
<p>Os troianos eram um povo animado, que se divertia com as conversas e a companhia dos outros.  O povo levava uma vida simples, começando na moradia, que era de pedra ou de tijolos secos ao sol e cobertos com estuque.</p>
<p>A maioria dos troianos fazia apenas duas refeições por dia. O almoço, muitas vezes consistia somente de um prato de feijão ou de ervilhas e de uma cebola crua ou um nabo cozido. Ao cair da noite havia a refeição principal, que incluía pão, queijo, figos, azeitonas e por vezes um pedaço de carne ou queijo.  Não conheciam o açúcar, porém serviam-se do mel para adoçar seus alimentos. Usavam o azeite para passar no pão, além de empregarem-no como óleo de cozinha e sabão. A maioria dos troianos bebiam uma mistura de vinho e água; eles consideravam o leite próprio apenas para os animais e os bárbaros. </p>
<p>Homens e mulheres usavam uma túnica que descia até os joelhos ou tornozelos; um cinto estreito prendia na cintura, a túnica feminina.  Grande parte dessas túnicas era feita de lã; apenas os mais ricos podiam tê-las de algodão ou linho. O povo usava túnicas de cor marrom para o trabalho e de cor branca nas ocasiões formais.  Tanto os homens como as mulheres trajavam também, mantos que eles arrumavam com pregas, sobre os ombros e os braços. Os moços por vezes usavam uma clâmide, um pequeno manto preso no ombro. Dentro de casa, os troianos, habitualmente, andavam descalços; na rua, muitos usavam sandálias. A maioria dos troianos andava com as cabeças descobertas. </p>
<p>A cidade contava com um ginásio ao ar livre, onde os homens podiam praticar exercícios ou vários tipos de jogos com bola. As crianças geralmente rolavam aros ou brincavam com bonecas. Os homens mais velhos sentavam-se na ágora (mercado), onde ficavam jogando damas ou conversando. A mulher troiana trabalhava quase que todo o tempo e tinha poucos divertimentos. As caçadas eram os passatempos prediletos nas propriedades rurais.</p>
<p>As meninas não recebiam qualquer educação formal, mas aprendiam os ofícios domésticos e os trabalhos manuais com as mães. O principal objetivo da educação, era preparar o menino para ser um bom cidadão. Os troianos antigos não contavam com uma educação técnica para preparar os estudantes para uma profissão ou negócio.  Os arquitetos troianos demonstravam grande habilidade em seus projetos de tempos e edifícios públicos. Eles assentavam com perfeição os blocos de mármore ou de pedra calcária, sem usar argamassa, e empregavam graciosas colunas para sustentar os tempos.</p>
<p>A música era executada por um só instrumento de sopro ou de cordas acompanhado por uma forte batida rítmica. Os instrumentos favoritos era a lira, a cítara, parecida com o alaúde, e o “áulo”, que lembrava um pouco o oboé.  Eles apreciavam bastante o canto e escreveram muitos poemas em forma de canção com acompanhamento de lira. Eles chamavam essa poesia de “poesia lírica”.</p>
<p>Os troianos, como os gregos, adoravam os vários deuses do Olimpo, e os representavam sob a forma humana.  Portanto, sua religião era politeísta e antropomórfica. Praticavam ainda, o culto dos heróis, que eram seres mitológicos, como: Teseu, Perseu e Hércules.  O culto aos deuses era tão desenvolvido, que chegaram a erigir soberbos templos às suas divindades, nos quais realizavam suas orações. Consideravam que os oráculos eram meios utilizados pelos deuses para se comunicarem com eles.  Diversos jogos periódicos eram promovidos pelos troianos em homenagem aos deuses, como os Jogos Olímpicos, na Grécia. Os Jogos Olímpicos eram praticados de quatro em quatro anos. Durante sua realização, sustavam-se as guerras, e respeitavam-se como as pessoas sagradas, os seus participantes.</p>
<p>Os deuses Apolo e Poseidon, construíram a cidade de Tróia para o pai de Príamo, Laomedon.  Quando seu pai morreu, Príamo tornou-se o rei de Tróia e teve um filho e uma filha, Cassandra, com sua mulher, Hécuba, que havia sonhado, durante a gravidez, que daria á luz uma tocha flamejante.   </p>
<p><em>- Eu sonhei que a criança nascera&#8230; um filho&#8230;  E quando o peguei no berço, não era um bebê, mas uma criança grande, ardendo em chamas, queimando, como se fosse uma tocha.  E quando ele começou a correr, o fogo se espalhou, invadindo o palácio, queimando tudo, atingindo a cidade&#8230;</em></p>
<p>Uma sacerdotisa declarou que o recém-nascido, Páris, deveria ser morto imediatamente, ou então, ele destruiria a cidade. </p>
<p><em>- Assim falou o mensageiro dos Deuses do Olimpo.  Gera um filho sob um fado maligno, que destruirá a cidade de Tróia.</em></p>
<p>Procurando impedir que a maldição se cumprisse, seus pais o abandonaram para morrer,  mas o menino escapou, foi descoberto por pastores e cresceu entre eles, longe da cidade, nas fazendas do monte Ida, e quando se fez homem, casou-se com Enone, uma camponesa da região.</p>
<p>Enquanto isso, Peleu, rei de Iolcos, ficou viúvo e resolveu se casar com a Nereida Tétis.  Foi um dos casamentos mais importantes da antiguidade.  Até os deuses vieram assistir à cerimonia, e trouxeram os mais lindos presentes.  Peleu havia mandado convite para todas as divindades, maiores ou menores, exceto uma: Éris, a Discórdia.</p>
<p>Estavam no melhor da festa, quando a terrível Éris surgiu.  Chegou e colocou sobre um apedra, um pomo (fruto) de ouro, com esta inscrição:</p>
<p><em>- À mais bela!</em></p>
<p>Aquilo era uma provocação às três grandes deusas ali presentes:  Hera (esposa de Zeus), Atena e Afrodite (filhas de Zeus).</p>
<p>- <em>A qual fazer-se a entrega do pomo?  Como decidir qual das três a mais bela?</em></p>
<p>Zeus se recusou a julgar um concurso de beleza entre sua esposa e duas de suas filhas. </p>
<p>Tornou-se necessário um outro juiz. </p>
<p>Hérmes convidou para juiz, o jovem Páris, que ainda era um pastor em Ida. </p>
<p>Cada uma das deusas prometeu a Páris uma grande recompensa, se fosse a escolhida.</p>
<p>Hera lhe ofereceu poder, Atena lhe ofereceu glória militar e sabedoria, e Afrodite lhe ofereceu como esposa, a mais bela mulher do mundo. </p>
<p><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/venus-maca-thorvaldsen.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-572" title="Venus maça Thorvaldsen" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/venus-maca-thorvaldsen.jpg?w=64" alt="Venus maça Thorvaldsen" width="64" height="150" /></a>Páris olhou para as três divindades e entregou o pomo à Afrodite, a deusa da beleza.</p>
<p>Hera e Atena roeram-se por dentro, de inveja, e para se vingar do julgamento daquele juiz de Tróia, provocaram a guerra entre os gregos e os troianos, da qual Tróia saiu completamente destruída.</p>
<p>Helena era a mulher mais bela do mundo.  Alta e delicada, os cabelos finos e louros, as feições como mármore esculpido, e profundos olhos azuis.  Era filha de Leda e Zeus, irmã de Clitemnestra, dos gêmeos Castor e Pólux, e esposa de Menelau.  Leda a havia concebido, quando Zeus tomou o corpo de seu marido, Tindareus.  Ela foi a única filha mortal de Zeus.  Seus outros irmãos eram filhos do marido de Leda.  Sua beleza era famosa por todo o mundo.  Seu pai não concordava com nenhum dos meus pretendentes, mas os guerreiros gregos se reuniram e juntos pediram-na em casamento.  Foi então, que a se casou com Menelau, rei de Esparta e sua irmã, Klitemnestra se casou com Agamemnon, rei de Argos, e irmão de Menelau.</p>
<p>Quando Páris se tornou homem, ele retornou a Tróia para competir nos jogos atléticos, e foi reconhecido, retornando, portanto, ao seio da família real, que já se esquecera da profecia, trazendo, inclusive, sua esposa, Enone, que lhe deu um filho, Corito.</p>
<p>- <em>A culpa foi minha</em>, disse Príamo, <em>por dar ouvidos a bobagens supersticiosas.  Venha ao palácio, jantar com sua mãe e seus irmãos.</em></p>
<p>Mais tarde, ele viajou para Esparta, como embaixador de Tróia, numa época em que Menelau estava ausente.</p>
<p>Páris e Helena se apaixonaram e fugiram de Esparta, levando consigo muitos dos tesouros da cidade, retornando a Tróia, através do Egito e de outros lugares, viajando por muito tempo.   Para conseguir Helena, Páris havia violado o sagrado comportamento de um hóspede. </p>
<div id="attachment_571" class="wp-caption aligncenter" style="width: 487px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/helene_paris_david.jpg"><img class="size-full wp-image-571" title="Helene_Paris_David" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/helene_paris_david.jpg" alt="Helena e Páris - Jacques-Louis David" width="477" height="632" /></a><p class="wp-caption-text">Helena e Páris - Jacques-Louis David</p></div>
<p>Os espartanos os perseguiram mas não os puderam alcançar.   </p>
<p>Chegaram em Tróia, e a situação se tornou um caos. </p>
<p>Páris abandonou Enone, mãe de seu filho, apresentando-me à sua família, como sua esposa legítma. </p>
<p>Apenas Cassandra, a irmã de Páris, revoltou-se.</p>
<p><em>- Se você abandonar Enone, você é um tolo e um vilão.  Posso garantir agora que, no mínimo, ela atrairá a guerra, para esta cidade.</em></p>
<p>Mas nada adiantou, e Enone, desesperada, fugiu do palácio, com o filho de Páris, de volta às suas montanhas.  Dessa união nasceram Agano, Bunico, Ideu e Helena, todos mortos durante um terremoto e a tomada de Tróia. </p>
<p>Quando descobriram que havíam chegado a Tróia, Menelau, o marido traído e Odisseu, rei de  Ítaca, foram até lá pegá-la de volta e aos tesouros. </p>
<p>- <em>Deseja voltar para seu marido?</em>  Perguntou Príamo.</p>
<p>- <em>Não meu senhor</em>, disse-lhe Helena.</p>
<p>- <em>Como dar atenção ao que diz uma rameira infiel? </em>gritou Menelau.  <em>Ela é minha e vou levá-la.</em></p>
<p>- <em>Não haverá mais ofensas sob meu teto!  </em>revidou Páris.</p>
<p>- <em>Tome cuidado com o que diz.  Poderá não haver mais teto sobre sua cabeça!</em></p>
<div id="attachment_573" class="wp-caption aligncenter" style="width: 487px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/rapeofhelenprimaticcio.jpg"><img class="size-full wp-image-573" title="RapeOfHelenPrimaticcio" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/rapeofhelenprimaticcio.jpg" alt="O rapto de Helena" width="477" height="387" /></a><p class="wp-caption-text">O rapto de Helena</p></div>
<p>Como não conseguiram, os espartanos se reuniram para invadir Tróia.  E todas as mulheres de Tróia invejaram Helena, por seu marido. </p>
<div id="attachment_575" class="wp-caption alignleft" style="width: 219px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achilleschironpuget.jpg"><img class="size-medium wp-image-575" title="AchillesChironPuget" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achilleschironpuget.jpg?w=209" alt="Aqules e Quiron" width="209" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Aqules e Quiron</p></div>
<p>Aquiles, filho de Peleus e Tétis, foi educado por Quiron, o centauro. </p>
<p>Uma das condições para que fosse permitido o casamento dos pais de Aquiles (a união de um mortal com uma ninfa divina), era que o filho deles nascido deveria morrer numa guerra e trazer grande tristeza para sua mãe. </p>
<p>Para protegê-lo da morte na batalha, sua mãe o banhou, bem jovem, nas águas do rio Estige, o que lhe conferiu invulnerabilidade. </p>
<p>Só se esqueceu de um de seus calcanhares, que ficou desguarnecido. </p>
<p>Quando os gregos começaram a formar a sua armada, os pais de Aquiles o esconderam, disfarçado de mulher. </p>
<p><em>- E que linda donzela ele devia parecer, com aqueles ombros enormes&#8230;</em></p>
<p>O profeta da armada grega, disse a Agamemnon e aos outros líderes, que eles não poderiam conquistar Tróia, sem a ajuda de Aquiles. </p>
<p>Odisseu conseguiu encontrar Aquiles, e ele teve que ir na expedição, acompanhado de seu amigo Patroclus. </p>
<p>Os gregos reuniram mais de cem navios, e Agamemnon era o comandante.   </p>
<p>Durante a viagem eles sofreram muitos atrasos, por conta de ventos contrários, enviados pela deusa Artemis. </p>
<p>Em desespero, para agradar a deusa, Agamemnon ofereceu sua filha Ifigênia, em sacrifício. </p>
<p>Artemis a carregou e dela fez uma sacerdotisa de seu templo.  Depois disso, os ventos mudaram e eles puderam velejar com segurança para Tróia.</p>
<p>No caminho, Philoctetes, filho de Poeas e líder de Methone, foi mordido por uma cobra, quando estavam em terra, descansando. </p>
<p>Sua dor era tanta e sua ferida tão feia, que os gregos o abandonaram, contra sua vontade na ilha de Tenedos. </p>
<p>A armada grega parou numa praia antes de Tróia, mas das muralhas de seu palácio, Helena viu chegar a armada grega e os identificou para Príamo. </p>
<p>O primeiro homem que desceu do navio, foi morto por Heitor, filho de Príamo e líder da armada troiana. </p>
<p>Os gregos, então, mandaram um embaixador a Tróia, na tentativa de recuperar Helena e os tesouros.  Quando não conseguiram, novamente, os gregos iniciaram uma guerra que durou muitos anos.</p>
<p>Um dia, Agamemnon insultou o deus Apolo, ao tomar como escrava, a garota Chryseis, filha de um de seus profetas. </p>
<p>Apolo procurou a ajuda da deusa Nêmesis, senhora da vingança divina, aquela que castigava os crimes dos mortais, e mandou nove dias de pragas, na armada grega.</p>
<p><em>- Cuidado, vocês que ofenderam meu sacerdote!  </em></p>
<p><em>- Esta é minha cidade!  </em></p>
<p><em>- Minha maldição e minhas flechas vão se abater sobre todos vocês, até o último homem!</em> </p>
<p>Esta foi a voz do Deus.</p>
<p>Aquiles pediu uma reunião, para se determinar o que fazer. </p>
<p>Nessa reunião, ele e Agamemnon discutiram amargamente.</p>
<p>Agamemnon foi obrigado a devolver Chryseis e, por causa disto, confiscou a escrava de Aquiles, Briseida, o que fez com que o herói, com raiva, se retirasse e a todas as suas forças, da batalha.           </p>
<p>Aquiles pediu a sua mãe Tétis, para interceder pelos troianos, junto a Zeus, de forma que os gregos reconhecessem a tolice de Agamemnon, em ofender seu melhor soldado. </p>
<p>Tétis fez o pedido a Zeus, cobrando dele um favor antigo que ele lhe devia.   Zeus concordou.</p>
<div id="attachment_576" class="wp-caption aligncenter" style="width: 339px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/tetis-e-zeus.jpg"><img class="size-full wp-image-576" title="tetis e zeus" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/tetis-e-zeus.jpg" alt="Zeus e Tétis - Ingres" width="329" height="485" /></a><p class="wp-caption-text">Zeus e Tétis - Ingres</p></div>
<p>Durante o curso da guerra, vários incidentes aconteceram, e muitos morreram, de ambos os lados. </p>
<p>Menelau desafiou Páris para um duelo.</p>
<p><em>- Minha discórdia é com você e não com a cidade de Tróia.  Proponho um combate pessoal, diante de todos os soldados.  Se você vencer, poderá ficar com Helena.  Mas se eu vencer, então ela me será entregue, sem pedir mais nada.  Qual a sua resposta?</em></p>
<p><em>-  Pois bem,</em> respondeu Páris.  <em>Dentro de uma hora, se assim o quiser.</em></p>
<p>Páris e Menelau lutaram em duelo, mas Páris foi salvo por Afrodite, na hora em que este ia matá-lo.  Como houve a intervenção da Deusa, nenhum dos dois foi vencedor ou perdedor. </p>
<p>Com a ausência de Aquiles, o maior dos guerreiros gregos, e seguindo a promessa de Zeus a Tétis, Hector conseguiu ter grande sucesso contra os gregos, incendiando seus navios.</p>
<p>Enquanto Hector estava festejando seu sucesso contra os gregos, estes mandaram um enviado a Aquiles, pedindo que ele voltasse para a batalha. </p>
<p>Agamemnon ofereceu muitas compensações pelo insulto inicial. </p>
<p>Aquiles recusou as ofertas, mas disse que iria reconsiderar se Hector destruísse os navios gregos. </p>
<p>Quando isso aconteceu, Patroclus, amigo de Aquiles, pediu permissão para voltar à luta.</p>
<p>Aquiles lhe deu sua permissão, avisando para que ele não atacasse a cidade de Tróia. </p>
<p>Ele também deu a Patroclus, sua própria armadura, de forma que os troianos pensaram que Aquiles tinha retornado à guerra. </p>
<p>Patroclus voltou à luta, com algum sucesso, mas foi finalmente, morto por Hector, com a ajuda do deus Apolo. </p>
<div id="attachment_577" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/patroklus.jpg"><img class="size-medium wp-image-577" title="patroklus" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/patroklus.jpg?w=300" alt="A morte de Pátroclo - Caravaggio" width="300" height="248" /></a><p class="wp-caption-text">A morte de Pátroclo - Caravaggio</p></div>
<p>Aquiles fez uma grande pira funeral para Patroclus, matou soldados troianos em sacrifício, e organizou jogos em honra a seu amigo assassinado. </p>
<p>Em sua dor quanto à morte de seu amigo Patroclus, Aquiles decidiu retornar. </p>
<p>Já que ele não tinha mais armadura, porque Hector havia retalhado o corpo de Patroclus e passado a usá-la, Tétis pediu ao deus da forja, Hefestos,  para preparar uma armadura divina para seu filho.</p>
<p>Hefestos assim o fez, Tétis deu a armadura para Aquiles e ele voltou à guerra.</p>
<p>Depois de matar muitos troianos, Aquiles, finalmente, se encontrou com Hector, sozinho, fora das muralhas de Tróia. </p>
<p>Hector preferiu ficar e lutar, sem fugir para a cidade, e foi morto por Aquiles, que, então, mutilou seu corpo, o amarrou a uma carruagem e o arrastou durante toda a noite.</p>
<p>- <em>Ele está morto!  Nosso maior herói está morto!</em>  Hécuba lamentava-se. </p>
<p>Príamo foi até o acampamento grego para reclamar o corpo de Hector, e Aquiles o devolveu, depois de receber o peso de seu corpo em ouro, como resgate.</p>
<div id="attachment_578" class="wp-caption aligncenter" style="width: 487px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/andromachemournshector.jpg"><img class="size-full wp-image-578" title="AndromacheMournsHector" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/andromachemournshector.jpg" alt="Lamento por Hector (Heitor)" width="477" height="732" /></a><p class="wp-caption-text">Lamento por Hector (Heitor)</p></div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Aquiles]]></title>
<link>http://aguerradetroia.wordpress.com/2009/06/20/aquiles/</link>
<pubDate>Sat, 20 Jun 2009 21:05:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>lilimachado</dc:creator>
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<description><![CDATA[Aquiles era filho de Peleu e da ninfa Tétis. Ainda bebê, o pequeno herói fora levado pela mãe, ao ri]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/thetisdaumier.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-530" title="ThetisDaumier" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/thetisdaumier.jpg?w=146" alt="ThetisDaumier" width="146" height="150" /></a>Aquiles era filho de Peleu e da ninfa Tétis.</p>
<p>Ainda bebê, o pequeno herói fora levado pela mãe, ao rio Estige, onde a filha de Nereu pretendia mergulhá-lo em suas águas miraculosas, pois dizia-se que elas tinham o poder de tornar invulnerável todo aquele que nelas se banhasse.</p>
<p>Estige, vale dizer, era uma poderosa ninfa que ajudara Zeus na guerra contra os Titãs, a primeira guerra que o Universo conheceu. Por isto, fora recompensada com uma fonte da Arcádia, de águas sombrias e de longo curso que entravam terra adentro, desaguando nos submundos infernais.</p>
<p><em>- Estige, rio de águas mágicas e misteriosas!,</em> dissera Tétis, enquanto mantinha o filho pendurado pelo pé sobre aquelas revoltosas águas.</p>
<p><em>- Invoco agora o seu poder sagrado para que torne meu pequeno Aquiles forte e invulnerável durante todos os dias de sua vida!</em></p>
<p>Tétis, a ninfa dos pés de prata, relutara muito antes de tomar esta atitude, mesmo naquele momento, enquanto segurava o pé de seu filho com toda a força e escutava o ruído intenso da correnteza naquele cenário escuro e desolado, tinha dúvidas sobre se estava fazendo a coisa certa.</p>
<p> Mas, desde o parto, a ninfa fora tomada por um sombrio pressentimento: o de que seu filho teria uma vida demasiado curta.</p>
<p><em>- É meu dever fazer de tudo para protegê-lo,</em> disse ela, afinal, como que a justificar-se perante o rio que turbilhonava à sua frente.</p>
<p>O calcanhar, contudo, por um descuido da ninfa, permaneceu seco, e um dia tanto ela quanto seu filho descobririam o preço de tão grave descuido.</p>
<p><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achilleschironschick.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-532" title="AchillesChironSchick" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achilleschironschick.jpg?w=300" alt="AchillesChironSchick" width="300" height="222" /></a>Tão logo o pequeno Aquiles sofreu este batismo, foi entregue aos cuidados do centauro Quiron, que fora o preceptor de muitos outros heróis, tais como Hércules, Jasão e até o deus Apolo, e passou a ser alimentado com uma dieta rica em miolos de feras: de leão, para adquirir coragem, de urso, para ganhar força, e de gazela, para tornar-se veloz.</p>
<p>Quando o jovem Aquiles compeltou nove anos, sendo, a essa altura, quase um homem, tanto no porte quanto na virilidade, sua mãe, Tétis, decidiu levá-lo para uma consulta com o adivinho Calcas.</p>
<p>- <em>Preciso saber o que o destino reserva para ele</em>, disse a mãe ao adivinho, pois ainda permanecia inquieta com o futuro do seu filho.</p>
<p>O sábio Calcas, após consultar seus argúrios, declarou, finalmente:</p>
<p><em>- Tróia poderosa jamais será conquistada sem o valor do seu braço. </em></p>
<p>Mas, completara a previsão com outra, agora funesta:</p>
<p><em>- Seus pés, contudo, jamais pisarão o chão da cidade sagrada, eis que antes disso baixará à casa de Hades.</em></p>
<p>Desde aquele instante então, Tétis concebeu um plano:</p>
<p><em>- Se o destino de Aquiles está em perecer diante das muralhas de Tróia,</em> pensou a ninfa.</p>
<p><em>- Então a sua salvação estará em jamais participar de tal campanha. </em></p>
<p>Aquiles está agora com dezessete anos de Idade.</p>
<p>O jovem já retornou à casa de seu pai, Peleu, e graças à sua precoce vocação para as armas é comandante do poderoso exército dos mirmidões, povo de bravos guerreiros oriundos da Tessália.</p>
<p>Há um grande burburinho e alvoroço em toda a corte.</p>
<p>As notícias desencontradas fervem por todos os recantos, indo desaguar no seu escoadouro natural: o palácio real, onde reinam os soberanos Peleu e Tétis.</p>
<p>- <em>A notícia parece ser mesmo verdadeira,</em> diz Peleu à sua apreensiva esposa.</p>
<p>- <em>O troiano Páris, infringindo todas as regras da hospitalidade aquéia, raptou Helena, esposa de Menelau, em sua própria pátria!.</em></p>
<p>O jovem Aquiles, um pouco afastado, mantém seus ouvidos atentos.</p>
<p>As últimas notícias, dão conta de que todo o reino de Argos já está em pé de guerra, e que as tropas comandadas por Agamenon, irmão do ultrajado Menelau, estão prestes a partir para Áulis, onde os côncavos navios já as aguardam.</p>
<p>Tétis, desorientada, põe-se em pé.</p>
<p>- <em>Mas por que tanto alvoroço em nosso reino?,</em> exclama a rainha.</p>
<p><em>- Que parte devemos tomar nisto tudo, afinal? </em></p>
<p>- <em>Já lhe expliquei mil vezes, Tétis, que há um pacto entre os diversos povos Aqueus,</em> replica Peleu, adivinhando a apreensão da esposa.</p>
<p><em>- Desde que Helena dos belos olhos fora indicada para ser esposa de Menelau, todos os demais pretendentes ficaram obrigados a defender a sua honra, em qualquer circunstância.</em></p>
<p>- <em>Então, sem dúvida, chegou esta circunstância!,</em> bradou Aquiles, como quem está pronto para embarcar.</p>
<p>- <em>Calado menino!,</em> gritou Tétis, que ainda não conseguia enxergar no jovem um homem pronto para as batalhas e para a própria morte.</p>
<p>Peleu fez um sinal ao filho para que se calasse, enquanto Tétis, com os olhos rasos de água, correu para os seus aposentos.</p>
<p>- <em>Zeus poderoso!,</em> clamou ela, de mãos postas, ao chegar lá.</p>
<p><em>- Faça com que meu querido Aquiles desista de participar desta funesta guerra. </em></p>
<p>Mas a ninfa confiava ainda mais em sua argumentação; por isto mandou chamar, imediatamente, o filho ao seu quarto.</p>
<p><em>- Aquiles, é preciso que você saiba que há algo muito terrível ligado a esta guerra,</em> disse Tétis, violentando-se para revelar algo que ocultara do filho a vida inteira.</p>
<p>- <em>Não estou entendendo</em>, responde o jovem.</p>
<p><em>- Aquiles, se você for para Tróia, morrerá muito, muito cedo!</em></p>
<p>O jovem ficou pasmo, e seus lábios tremeram levemente quando falou:</p>
<p><em>- Quem lhe disse essa bobagem?</em></p>
<p>- <em>Calcas,o adivinho,</em> respondeu Tétis, com firmeza.</p>
<p><em>- Você era muito pequeno e não podia entender. Mas agora chegou a hora de saber e de fugir ao seu destino.</em></p>
<p>Aquiles ficou abalado, pois sabia que os oráculos de Calcas eram infalíveis, e, apesar de valente e destemido, não tinha vontade alguma de morrer tão cedo.</p>
<p><em>- E o que a minha mãe sugere que eu faça para escapar de tão negro destino? </em></p>
<p>- <em>Vou levá-lo, já, para a ilha de Ciros,</em> disse Tétis, como quem já soubesse, há muito, o que fazer.</p>
<p><em>- Já preveni, anteriormente, o rei Licomedes, de que você irá se esconder em sua corte por algum tempo, até que esta guerra funesta se acabe.</em></p>
<p>Aquiles sentiu triunfar em si a vontade da vida, que era ainda mais forte do que o desejo de guerrear.</p>
<p>Afinal, jovem como era, ainda teria muito tempo para provar o amargo, ainda que vibrante, sabor das batalhas.</p>
<p>Na noite seguinte, Tétis levou o filho até o ancoradouro.</p>
<p>Aquiles, no último grau do enrubescimento, ia vestido de&#8230; <em>mulher!</em></p>
<p>Sim, só havia um jeito de impedir que ele acabasse reconhecido em uma corte imensa como a de Ciros: introduzindo-o no harém do próprio rei.</p>
<p><em>- Mãe, isto é uma humilhação, uma infâmia</em>, disse o jovem, momentos antes de embarcar.</p>
<p><em>- Ninguém jamais saberá de nada, eu prometo!,</em> respondeu a mãe, ajeitando o laço que prendia o delicado peplo ao ombro do rapaz.</p>
<p><em>- Ali você viverá cercado pelas mais belas mulheres de toda a Grécia.  Que mais pode querer a sua virilidade? Mas atenção: não permita jamais que o desejo por uma delas o faça revelar a sua real identidade, pois então estará perdido e o seu destino acabará sendo aquele que o velho Calcas vaticinou, o de perecer diante das muralhas da pérfida Tróia. </em></p>
<p style="text-align:center;">Aquiles, em seus trajes de mulher, partiu naquela mesma noite para Ciros e, depois de vários dias de viagem, chegou, finalmente, à corte do rei Licomedes.</p>
<p><em>-</em><em> Pirra, o que você tem, que parece tão aborrecida? </em></p>
<p>Deidâmia, filha de Licomedes, rei de Ciros, entrara nos aposentos onde estavam instaladas as mulheres e concubinas do seu poderoso pai.</p>
<p>Aquiles estava deitado sobre um pequeno leito; suas vestes, um pouco arrepanhadas, deixavam entrever um pedaço de sua perna direita, lisa e suavemente torneada.</p>
<p>Os longos cabelos cor de fogo, que ele usava antes de ali chegar, haviam crescido ainda mais. Sua pele, após longos anos sendo tratada pelas essências mais suaves e balsamizantes, adquirira um tom claro e uma textura que fazia lembrar a do mais tenro pêssego da Arábia. Seus lábios, um pouco abertos, estavam mais rubros que o normal.</p>
<p><em>- Pirra, você está dormindo?,</em> insistiu a bela Deidâmia, preocupada com sua melhor amiga, a bela Pirra dos rubros cabelos.</p>
<p>A filha do rei, como de resto ninguém, além do próprio Licomedes, não sabia ainda que a jovem Pirra, na verdade, era o jovem Aquiles, filho do valoroso Peleu.</p>
<p>Mas por um instinto mais forte que tudo, Deidâmia sentia que a cada dia uma ligação cada vez mais forte a reunia àquela bela e estranha moça.</p>
<p>A princesa acariciou os cabelos rubros de Pirra.</p>
<p>Aquiles-Pirra, voltando o rosto em outra direção, preferia não encarar a companheira.</p>
<p>Também ele, a cada dia que passava, sentia-se mais e mais atraído pela suavíssima Deidâmia.</p>
<p><em>- Você está brava comigo?,</em> perguntou a filha do rei.</p>
<p>Pirra levantou-se e foi procurar refúgio em outro canto da peça, numa cadeira comprida de espaldar.</p>
<p>Deidâmia, aflita, correu atrás da amiga.</p>
<p><em>- Pirra, não fuja de mim sua tola!,</em> disse a jovem, enchendo a boca e o rosto da companheira com seus beijos.</p>
<p>Pirra colocou sua mão entre os lábios de Deidâmia e os seus próprios.</p>
<p><em>- Deidâmia, devemos evitar certos&#8230; certos contatos</em>, disse Pirra.</p>
<p><em>- O que foi, por quê&#8230;?,</em> disse Deidâmia, fazendo-se rubra como os cabelos da amiga.</p>
<p><em>- Minhas carícias a aborrecem?</em></p>
<p><em>- Bem, não é isto</em>, disse Pirra, tentando não ofendê-la.</p>
<p><em>- Meu hálito esta ruim?,</em> disse Deidâmia, brincando e assoprando no rosto da amiga o puro ar que saía de sua boca, perfumado pelas mais delicadas folhas aromáticas.</p>
<p>Mas a própria Deidâmia, apesar de tentar levar a coisa na brincadeira, sentia também que a afeição que ligava as duas amigas há muito transcedera o nível da simples amizada.</p>
<p>De repente fez-se séria e resolveu, também, dar vazão às suas dúvidas.</p>
<p><em>- Pirra&#8230; Pirra&#8230; O que está acontencendo conosco, minha querida?,</em> perguntou Deidâmia, de olhos assustados.</p>
<p>Era uma situação absolutamente nova e imprevisível aquela que aos poucos ia tomando corpo diante de si.</p>
<p><em>- Já tinha ouvido falar de coisas, assim, sabe&#8230; as histórias que contam sobre a ilha de Lesbos&#8230; e das coisas que se passam lá&#8230;</em></p>
<p><em>- Do que você está falando</em>?, perguntou Pirra, voltando a cabeça.</p>
<p><em>- Sim, falo de afeições estranhas&#8230; entre amigas&#8230; você me entende?</em></p>
<p>Aquiles novamente, sentiu um ímpeto de tomar a bela Deidâmia em seus braços e esclarecer logo aquela torturante dúvida.</p>
<p>- <em>Não, não há nada estranho,</em> tentou consertar Pirra, a falsa donzela.</p>
<p><em>- Há sim, há sim,</em> disse Deidâmia, cobrindo o rosto com as mãos.</p>
<p><em>- Não podemos mais fingir, Pirra querida&#8230; Oh, Afrodite suprema, como meu pai iria encarar este absurdo? Mas eu não posso mais esconder o que sinto, não posso!</em></p>
<p>Deidâmia havia tomado a cabeça da amiga e acariciava o seu rosto, sem saber que percorria com seus suaves dedos os traços do rosto de Aquiles.</p>
<p>O jovem, então, não podendo mais suportar um desejo que reprimia há anos, tomou Deidâmia em seus braços e começou a beijá-la fervorosamente, no rosto, nos lábios, nos braços e no alvo colo.</p>
<p>- <em>Pirra&#8230; Não, não Pirra!,</em> dizia Deidâmia, tentando esquivar-se da boca insaciável da amiga, sentindo ao mesmo tempo uma ternura e um desejo imensos de retribuir aquelas carícias proibidas.</p>
<p>Pirra começou a despir as vestes de Deidâmia, enquanto esta, assustada, sentia pela primeira vez a força insuspeitada dos braços do futuro guerreiro.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a filha do rei, não podendo mais resistir às carícias irrefreáveis da amiga, entregara-se àquele decreto das Parcas, ao mesmo tempo sinistro e delicioso.</p>
<p>Suas mãos rasgaram, também, as vestes de Pirra dos rubros cabelos, mas ao perceber que a amiga nada tinha sobre o peito liso, estranhou.</p>
<p><em>- Sempre me pareceu&#8230;oh!&#8230; que minha adorada Pirra&#8230; tivesse pouca abundância de seios&#8230;</em>, pensava ela, de maneira entrecortada, entre os ardores que Eros lhe inspirava.</p>
<p><em>- Mas o que vejo agora&#8230; é que nada tem&#8230; como pode ser isto&#8230;?</em></p>
<p>Aquiles, entretando, retomando seus gestos masculinos, que sempre haviam guardados dentro de si, proseguia, com fúria, no resgate de sua virilidade há tanto tempo afrontada.</p>
<p>Assim estiveram, nus e se amando, até que Deidâmia teve a prova definitiva que desfez todas as suas culpas e tormentos.</p>
<p><em>- Pirra, querida&#8230; oh, você é um homem!</em></p>
<p>Aquiles ergueu-se, sorrindo, e ficou parado diante dela: seu orgulho viril estava, outra vez, estampado em seu rosto.</p>
<p>Ulisses e Diomedes chegaram à corte de Licomedes numa manhã clara e ensolarada.</p>
<p>Exautos da viagem, ainda assim acorreram logo aos salões do rei de Ciros.</p>
<p>Ali, em entrevista franca com o soberano, instaram com ele para que lhes revelasse o paradeiro de Aquiles, mas Licomedes, temeroso de faltar com a palavra dada a Tétis, e mais ainda da reação do jovem filho desta, preferiu ocultar o que sabia.</p>
<p>Diomedes, tomando-se de cólera, tentou obrigar o rei a dizer a verdade, e já ia sacando sua espada quando Ulisses travou o seu braço.</p>
<p><em>Calma, Diomedes!,</em> disse o astuto filho de Sísifo.</p>
<p><em>- Daremos um jeito de descobrir onde Aquiles se esconde; ao menos isto a hospitaleira generosidade de Licomedes não haverá de nos nega, não é? </em></p>
<p>O rei não teve outro jeito senão permitir que ficassem em seu reino e procurassem o jovem o quanto quisessem.</p>
<p>Não sabendo do segredo maior, jamais iriam achá-lo, pensava ele:</p>
<p>- <em>Aquiles, em tudo, é uma perfeita mulher&#8230; Não lhe tem faltado, na verdade, nem alguns pretendentes&#8230;,</em> pensou, com um sorriso divertido.</p>
<p>Aquiles, na verdade, já era pai de um garoto chamado Neoptolemo, filho de seus amores com a filha de Licomedes.</p>
<p>Deidâmia fora afastada do convívio do amante após a descoberta de seu relacionamento e desde então vivia retirada com o filho numa casa afastada, no campo.</p>
<p>Ulisses e Diomedes andaram por tudo na grande cidade de Licomedes.</p>
<p>Entretanto, por mais que pesquisassem e indagassem, andando pelos locais frequentados pelos homens, não acharam nem sinal do jovem Aquiles.</p>
<p><em>- Estará no campo?</em> &#8211; disse Diomedes, imaginando o quanto teriam de andar para descobrir o esconderijo do filho de Peleu. Mas o astuto Ulisses não respondeu à sugestão do companheiro; após observar um grupo de mulheres indo em direção ao palácio, seus olhos se iluminaram.</p>
<p><em>- Voltemos imediatamento ao palácio</em> &#8211; disse, ele dando as costas ao surpreso Diomedes. Ao chegar ao palário real. Ulisses reuniu-se com alguns de seus homens e mais tarde comunicou ao rei que tinha alguns presents para dar às mulheres da casa.</p>
<p>- <em>Pirra vamos</em>, disse uma das suas amigas, quase histérica.</p>
<p>- Os belos estrangeiros vão distribuir presentes para nós todas. Aquiles, que ainda permanecia com suas vestes femininas, acorreu junto com as amigas para ver o que estava acontecendo. Ao chegar ao grande salão, descobriu ao centro um grande tapete estendido repleto de roupas e jóias.</p>
<p>As jovens lançavam-se sobre os presentes como as pombas sobre o milho em um dia ensolarado. Gritos de alegria se misturavam a gritos de rancor, produto das amargas disputas pelas melhores peças.</p>
<p>- <em>Vamos Pirra, escolha logo algo para você!</em> &#8211; disse-lhe a amiga, impaciente.</p>
<p>Mas o jovem Aquiles não podia mais fingir interesse por nada daquilo que se esparramava à sua frente: vestidos, braceletes, brincos, colares &#8211; tudo isto lhe provocava uma repulsa cada vez maior desde que exercitara pela primera vez a sua virilidade com a bela Deidâmia.</p>
<div id="attachment_535" class="wp-caption aligncenter" style="width: 486px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achillesbray.jpg"><img class="size-full wp-image-535" title="AchillesBray" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achillesbray.jpg" alt="Aquiles no harém de Licomedes, examinando as mercadorias " width="476" height="343" /></a><p class="wp-caption-text">Aquiles no harém de Licomedes, examinando as mercadorias </p></div>
<p>De repente, porém, Aquiles teve a sua atenção despertada por um brilho verdadeiro que viu faiscar em meio às dobras do grande tapete. Uma magnífica espada prateada dentro da sua bainha, lavrada com finos engastes, surgira em meio aos trapos e quinquilharias! Ao seu lado estava um belo escudo dourado, de cinco espessas camadas &#8211; as três primeiras de couro de boi, sobrepostas por uma de bronze e por cima de todas uma última, reforçada, de ouro &#8211; com sua correia de prata presa no interior.</p>
<div id="attachment_537" class="wp-caption aligncenter" style="width: 486px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achillesboeckhorst.jpg"><img class="size-full wp-image-537" title="AchillesBoeckhorst" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achillesboeckhorst.jpg" alt="Aquiles se interessa pelas armas" width="476" height="310" /></a><p class="wp-caption-text">Aquiles se interessa pelas armas</p></div>
<p>Aquiles, fascinado, viu surgir aos poucos o grande escudo, como um maravilhoso e redondo disco solar, enquanto as tolas moças retiravam rapidamente de cima dele os odiosos trapos e bijuterias. Como se isto não bastasse, ainda podia-se perceber magnificamente gravada sobre a faiscante face do escudo a cena de uma grande batalha: Zeus, montado em seu carro, abatendo os gigantes de longas caudas serpenteantes.</p>
<p>Mas isto não era tudo: além do escudo e da espada, ainda havia uma couraça azul-ferrete &#8211; que, sob a ação da luz, ora tomava um aspecto completamente negro, ora se anilava num azul escuro intensamente luminoso &#8211; e um elmo prateado de estonteante beleza, que se ajustava perfeitamente às têmporas com duas douradas saliências laterais, encimado pelo penacho mais negro e mais sedoso já visto por um olho humano.</p>
<div id="attachment_539" class="wp-caption aligncenter" style="width: 487px"><a href="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achillesrubens1.jpg"><img class="size-full wp-image-539" title="AchillesRubens" src="http://aguerradetroia.wordpress.com/files/2009/06/achillesrubens1.jpg" alt="Aquiles entre as mulheres - Rubens" width="477" height="352" /></a><p class="wp-caption-text">Aquiles entre as mulheres - Rubens</p></div>
<p>Aquiles teria ficado o dia inteiro ali, paralisado diante das armas nuas, se Ulisses &#8211; o homem das mil astúcias &#8211; não tivesse engenhado um último estratagema. Pois dali a pouco alguns homens seus do lado de fora do palácio começarama bater espadas e escudos e a dar grandes brados de guerra:</p>
<p>- <em>Às armas, valorosos guerreiros!</em> &#8211; diziam as vozes, altaneiras.</p>
<p><em>- Às armas, que o palácio inteiro está sob o ataque de cruéis invasores!</em></p>
<p>Aquiles, como quem desperta de um sonho, avançou para as armas e, após envergar a couraça e tomar a espada, correu em direção à porta do palácio.</p>
<p>- <em>É ele, Ulisses, veja!</em> &#8211; bradou Diomedes, tomando o braço do amigo. Ulisses, contudo permanecia parado, com um sorriso tão satisfeito que nem mesmo suas barbas hirsutas podiam ocultá-lo. Aquiles, aliviado, embarcou no mesmo dia para Argos. Ia ao encontro do destino irrevogável que as Moiras sinistras desde sempre lhe haviam prescrito.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Conceitos Ópticos - Terceiro Vértice: Borracha]]></title>
<link>http://prypiat.wordpress.com/2009/04/23/conceitos-opticos-terceiro-vertice-borracha/</link>
<pubDate>Thu, 23 Apr 2009 08:00:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>jguilherme</dc:creator>
<guid>http://prypiat.wordpress.com/2009/04/23/conceitos-opticos-terceiro-vertice-borracha/</guid>
<description><![CDATA[Do início tu dormias. Enquanto, o observador, cego, apenas sentia as alavancas e o cheiro de ferruge]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><blockquote>
<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#ffffff;"><strong>Do início tu dormias. Enquanto, o observador, cego, apenas sentia as alavancas e o cheiro de ferrugem e revoluções correndo pelos sentidos. Tão humanos&#8230;</strong></span></h3>
</blockquote>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;"><em><strong>-</strong></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;"><a href="http://jguilherme.deviantart.com/"><img class="aligncenter size-full wp-image-188" title="Erasernstrial Electro, por J. Guilherme #L" src="http://prypiat.wordpress.com/files/2009/04/eraser2.jpg" alt="Erasernstrial Electro, por J. Guilherme #L" width="400" height="618" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><a title="Os Embaixadores" href="http://pontolacaniano.files.wordpress.com/2008/08/holbein-ambassadors.jpg"><strong>Holbein</strong></a>; observar um quadro, tema histórico, e se incomodar com uma mancha de tinta embaixo dos pés dos embaixadores. E depois culpar demônios por visões que sua própria cabeça havia de criar. Tudo àquela época.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Mas resolveste então andar pelas ruas, mesmo sabendo o quanto sozinho andavas. As manchas de tinta de Holbein ainda ofuscavam tuas noites sombrias há um tempo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><strong>Até que achaste a orgânica.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Luzes que acendem e apagam, curto-circuito, como já havias tu dito. Talvez um dia tenha sido algo como esta cidade a concepção que alguém teve para chamar de Purgatório. Aqui, porém, ainda corre pelo mundo dos vivos, ainda sente seu sangue, ainda és carbono, ainda faz sentido para ti os poemas que Anjos escrevia. Assim é tua carne, putrefata. Mas tu resistes. <strong>És forte!</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="text-decoration:underline;">Pensas</span> que é forte.</em></p>
<blockquote>
<p class="MsoNormal" style="text-align:right;"><span style="color:#ffffff;"><strong>2/3(2)</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>Perambulando por perto das Revoluções de tijolo e fumaça, algo como as manchas de tinta o intriga. São as outras manchas. Tal janela quebrada, aqui ou ali, barulho de máquinas a trabalhar o dia todo sem parar. Você não consegue enxergar quem manipula as máquinas, elas parecem ser um monstro vivo e urbano, escondido por qualquer beco noturno, deglutindo, devorando. O amanhecer é relativo. Só amanhece quando você quer que amanheça.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>É tão dono quanto louco, é tão louco quanto dono de si mesmo.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>A culpa mostra suas alucinações. Tantas páginas assim não poderiam ser nem escritas, você é que as está escrevendo. Mas pouco percebe, pois tem mais o que fazer&#8230; Nunca tem tempo suficiente para olhar ao redor, ver se está sendo seguido. Nunca tem tempo para ter medo do espelho. Você quer ver alguém e vê outra pessoa. No lugar onde era para você ver apenas você. E mais ninguém.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>E quando as luzes se apagam, você também não tem tempo para perceber que o escuro apaga os dogmas, apaga as barreiras, e você fica por você mesmo, dependendo do funcionamento padrão do corpo, escravo das condições do Ka.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>Até que o despertador toca, e você mal percebe também que não teve tempo para pensar em quanto tempo se passou desde que fechou os olhos e novamente os abriu. Só pode saber a posição das coisas quem de cima as olha. Quem as vive pouco consegue perceber, apenas vive.</em></p>
</blockquote>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><strong><em>A matemática é a linguagem da Natureza</em>, disse.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Quando se fica obcecado com algo, começa a ver por todas as partes. Números, razões, acontecimentos, pessoas, frases, sons, ruídos, temperaturas e ventos. Tudo é exatamente como deveria (ou não deveria) ser. Tudo segue a ordem natural de sua obsessão. Assim como as mesmas formigas, desde 1929, vão até o formigueiro, voltam do formigueiro, como se entrassem e saíssem de veias, como se saíssem de mãos abertas e perfuradas. <em>Tinha gente.</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;"><em><strong>-</strong></em></p>
<blockquote>
<h3 class="MsoNormal" style="text-align:center;"><span style="color:#ffffff;"><strong>Fr;Nd;Ep. @029 @017 &#8211; PTFU</strong></span><em><strong><br />
</strong></em></h3>
</blockquote>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Carta de Helena de Tróia ao Adamastor]]></title>
<link>http://subproduto.wordpress.com/2008/03/22/carta-de-helena-de-troia-ao-balofo-adamastor/</link>
<pubDate>Sat, 22 Mar 2008 21:41:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>subproduto</dc:creator>
<guid>http://subproduto.wordpress.com/2008/03/22/carta-de-helena-de-troia-ao-balofo-adamastor/</guid>
<description><![CDATA[(Já não Querido) Adamastor, &#8220;Cada vez que julgamos que nos vingámos, o ódio reaparece.&#8221;,]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p align="center"><a title="Adamastor" href="http://subproduto.wordpress.com/files/2008/02/adamastor.jpg"><img src="http://subproduto.wordpress.com/files/2008/02/adamastor.jpg" alt="Adamastor" /></a></p>
<h5><em>(Já não Querido) Adamastor,</em></h5>
<h5><em>&#8220;Cada vez que julgamos que nos vingámos, o ódio reaparece.&#8221;, escreveste.</em></h5>
<h5><em>Agora já  sei que te referias a ti, Adamastor. O teu ódio por mim é inultrapassável&#8230; Não houve  maldade alguma tua, por mais bárbara ou vil, que tenha chegado para satisfazer  o teu desejo de vingança. </em></h5>
<h5><em>Alivia-me perceber que tinha razão. Nenhuma relação fecundaria num solo  prenhe de ódio. Por isso tens de me deixar ir.  Deixou de haver espaço. Deste resposta às minhas perguntas e eu agradeço-te por isso. Libertaste-me. </em></h5>
<h5><em>Agora percebo que forcei razões para  gostar de ti. Sempre foram mais as coisas que nos afastaram do que as que nos  uniram. Acho que és um sobrevivente mas no pior sentido do termo. </em></h5>
<h5><em>E sim, deita as  cuecas fora. Já agora deita também a minha escova de dentes, que sabe lá Deus porquê, guardaste na última prateleira do armário do wc. Deita-a fora. Eu não vou lá estar para a receber de volta. Tu nunca irás mudar. Regresso a Esparta e a Melenau.</em></h5>
<h5><em> Helena</em></h5>
<h5><em>PS: Deixo-te ficar aquela foto que te tirei em cima do rochedo. Quando me disseste que estavas a fazer adeus às ondas&#8230; </em></h5>
<h5><span style="font-size:85%;"><a title="Kami Kaze" href="http://nostrus.wordpress.com/about/">Kami Kaze</a> in <em>Cartas de Helena de Tróia</em>.</span></h5>
<p>Não sabemos o que o Adamastor fez à escova de dentes. Sabemos que era de marca branca e de tipo &#8220;macia&#8221; o que não agradava particularmente a Helena que sempre preferiu escovas de dentes &#8220;duras&#8221;. Sabemos também que Helena nunca recuperou a sua peça de roupa interior. Acreditamos que foi à Oisho e comprou outras vermelhas com umas cornucópias douradas mínimas. Lindíssimas.  Um leitor mais atento relatou-nos tê-la visto à porta dos provadores com o cabide na mão. O leitor referiu ainda que Helena aparentava estar calma e de bom humor o que a nós nos agradou particularmente saber. O Rei Menelau recebeu-a de braços abertos. Depois de Páris e do episódio em Tróia, qualquer regresso sem obrigatoriedade de pôr milhares de homens em campo é bem vindo. Sabemos que Zeus, Leda e Tíndaro apareceram para dar o seu apoio a Helena. Não tivemos mais relatos relativos ao Adamastor mas assumimos que ainda esteja na sua gruta, a esfregar a escova de dentes pela coxa e a tentar perceber a diferença entre &#8220;macia&#8221; e &#8220;dura&#8221;&#8230; Sabemos que atirou com algumas caravelas portuguesas às rochas na tentativa de entender melhor o conceito de &#8220;consistência&#8221;, e acabou alvo do poema de Fernando Pessoa que se segue.</p>
<p><strong>O Monstrengo</strong></p>
<p><strong>&#8220;O mostrengo que está no fim do mar<br />
Na noite de breu ergueu-se a voar;<br />
À roda da nau voou três vezes,<br />
Voou três vezes a chiar,<br />
E disse:«Quem é que ousou entrar<br />
Nas minhas cavernas que não desvendo,<br />
Meus tectos negros do fim do mundo?<br />
E o homem do leme disse, tremendo:<br />
«El-Rei D. João Segundo!»</strong></p>
<p><strong>«De quem são as velas onde me roço?<br />
De quem as quilhas que vejo e ouço?»<br />
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,<br />
Três vezes rodou imundo e grosso.<br />
«Quem vem poder o que só eu posso,<br />
Que moro onde nunca ninguém me visse<br />
E escorro os medos do mar sem fundo?»<br />
E o homem do leme tremeu, e disse:<br />
«El-Rei D. João Segundo!»</strong></p>
<p><strong>Três vezes do leme as mãos ergueu,<br />
Três vezes ao leme as reprendeu,<br />
E disse no fim de tremer três vezes:<br />
«Aqui ao leme sou mais do que eu:<br />
Sou um Povo que quer o mar que é teu;<br />
E mais que o mostrengo, que me a alma teme<br />
E roda nas trevas do fim do mundo,<br />
Manda a vontade, que me ata ao leme,<br />
De El-Rei D. João Segundo!»&#8221;</strong></p>
<p><span style="font-size:85%;">Fernando Pessoa</span></p>
<p>Porque ao leme de um navio, seja ele qual for&#8230; nós temos de ser sempre mais do que nós. Nós temos de ser todas as pessoas, que contam connosco para seguir viagem.</p>
<p><a href="http://sociedadedepsicologia.wordpress.com/2008/07/17/a-qualidade-dos-processos-introjectivos-na-anorexia-nervosa-a-possivel-existencia-de-uma-disfuncao-omega-publicacao/">Catarina Santos</a></p>
<p>Foto: Pintura de Carlos Reis &#8220;O Adamastor&#8221;.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>

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