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	<title>nei-leandro-de-castro &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/nei-leandro-de-castro/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "nei-leandro-de-castro"</description>
	<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 07:26:58 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Pausa para a Filosofia]]></title>
<link>http://clotildetavares.wordpress.com/2009/10/08/pausa-para-a-filosofia/</link>
<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 13:12:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clotilde Tavares</dc:creator>
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<description><![CDATA[Depois de alguns dias com posts sobre assuntos como poluição sonora e estresse causado pelo uso dos ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Depois de alguns dias com posts sobre assuntos como poluição sonora e estresse causado pelo uso dos ]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Cega Natureza e Fortaleza dos Vencidos]]></title>
<link>http://blogdofialho.wordpress.com/2009/08/06/cega-natureza-e-fortaleza-dos-vencidos/</link>
<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 12:50:04 +0000</pubDate>
<dc:creator>Carlos Fialho</dc:creator>
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<description><![CDATA[“A Cega Natureza do Amor” É um livro de contos cujas relações amorosas estão no centro das atenções.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong>“A Cega Natureza do Amor”</strong></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-516" title="Capa Cega Natureza FECHADA" src="http://blogdofialho.wordpress.com/files/2009/08/capa-cega-natureza-fechada.jpg?w=190" alt="Capa Cega Natureza FECHADA" width="190" height="300" /></p>
<p>É um livro de contos cujas relações amorosas estão no centro das atenções. Por vezes de forma intensa e verborrágica, outras vezes descrevendo e buscando sentido nos sentimentos por meio de lembranças (belas ou amargas), os contos caminham sempre para finais surpreendentes, impactantes ou que simplesmente fogem aos padrões de comportamento dito normais. Certa vez, em conversa informal, Patrício me disse que que nunca começa a escrever uma história se não souber exatamente como ela vai terminar por medo de não conseguir chegar a um fim satisfatório e suficientemente bom, segundo o rigoroso padrão de qualidade auto-imposto por ele. Em “A Cega Natureza do Amor” é possível perceber o quanto o autor leva a sério bons desfechos de suas tramas, uma vez que são muitíssimo bem elaborados.</p>
<p> </p>
<p><strong>“A Fortaleza dos Vencidos”</strong></p>
<div id="attachment_517" class="wp-caption alignnone" style="width: 208px"><img class="size-medium wp-image-517" title="Nei Leandro1" src="http://blogdofialho.wordpress.com/files/2009/08/nei-leandro1.jpg?w=198" alt="Nei Leandro de Castro clicado por Giovanni Sérgio" width="198" height="300" /><p class="wp-caption-text">Nei Leandro de Castro clicado por Giovanni Sérgio</p></div>
<p>O que dizer deste novo romance de Nei Leandro? Por onde começar a comentar?</p>
<p>A sinopse da história é bem simples: um homem, cuja vida é contada desde a infância, faz algumas escolhas erradas que acabam por influir decisivamente em sue futuro. A pior dessas mancadas foi ter se casado com uma louca desvairada que vem a ser sua antagonista no romance e termina por transformar sua vida num inferno.</p>
<p>Porém, quando se trata de um livro de Nei Leandro de Castro, o enredo, por mais bem escrito que seja (e é exatamente esse o caso), é apenas um excelente detalhe frente ao delicioso estilo do autor. As peripécias sexuais dos personagens, os xingamentos proferidos uns contra os outros, os relatos originais contados por alguns figurantes são maravilhosos. A veia humorística do romancista leva um forte tempero seridoense, resultando numa história criativa, divertidíssima e impiedosamente sacana. Eu, por exemplo, não sabia que havia tantos sinônimos para pênis, vagina ou trepada. Como bom caicoense, Nei Leandro é um ótimo contador de histórias.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Hômi]]></title>
<link>http://catorzeblog.wordpress.com/2009/07/29/o-homi/</link>
<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 20:50:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fábio Farias</dc:creator>
<guid>http://catorzeblog.wordpress.com/2009/07/29/o-homi/</guid>
<description><![CDATA[Por Fábio Farias e Rayanne Azevedo Referência. Nei Leandro de Castro ou Neil de Castro, como preferi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-822" title="nei-leandro-3" src="http://catorzeblog.wordpress.com/files/2009/07/nei-leandro-3.jpg" alt="nei-leandro-3" width="356" height="494" />Por Fábio Farias e Rayanne Azevedo</p>
<p style="text-align:justify;">Referência. Nei Leandro de Castro ou Neil de Castro, como preferir, o hômi não é muito ligado a excessivas formalidades. Escritor, com seus 1,70m, cabelos brancos, uma quedinha pelo whisky-com-gelo-porfavor,  óculos e um olhar sensível, poético, erótico.</p>
<p style="text-align:justify;">A literatura de Nei Leandro de Castro ultrapassa as barreiras da ilha potiguar e toca, quem quer que seja, pela sua qualidade técnica e pelas imagens de um Nordeste não-clichê, mas poético, fantástico, de sã saruês, rios de leite, mulheres brabas e anti-heróis destemidos e machos.<!--more--></p>
<p style="text-align:justify;">O “Hômi” quando moço escreveu crônicas para o Pasquim sob a alcunha de Neil de Castro. É responsável por uma série de poemas eróticos lidos e elogiados por gente do quilate de Carlos Drummond de Andrade e livros. Muitos livros. É considerado um “Ojuara” tanto na prosa quanto na poesia.</p>
<p style="text-align:justify;">Aos que ainda não sabem, fica a dica: Nei é o autor da obra que originou o filme “O Homem que Desafiou o Diabo”.</p>
<p style="text-align:justify;">A literatura de Nei é da terra, sem os florismos nem as chatices que o peso destetermo pode trazer. Recentemente lançou seu novo romance: A Fortaleza dos Vencidos e concedeu &#8211; por email &#8211; uma entrevista à Rayanne Azevedo, onde fala um pouco das suas preferências literárias, do Pasquim e de &#8211; é claro &#8211; literatura.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>R &#8211; Como escreve um livro? O senhor escreve conforme a inspiração vem ou senta diante da tela do computador com determinada periodicidade, independente de estar com algo em mente?</strong><br />
NLC &#8211; Fico um bom tempo à procura de uma idéia, de um enredo a ser desenvolvido. Não tenho pressa, não deixo a ansiedade tomar conta de mim. Mas, depois das primeiras páginas escritas, o rumo é outro, o clima é outro. Fico totalmente entregue ao trabalho de criar personagens, desenvolver a história. É um sufoco! Agradável, dá prazer, mas é um sufoco.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>R &#8211; O que o motiva a escrever?</strong><br />
NLC &#8211; Gosto de criar enredos, gosto de criar personagens, gosto de homenagear amigos fazendo deles personagens dos meus romances. E, claro, gosto de ser lido.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>R &#8211; O uso de expressões tipicamente nordestinas no texto é uma forma intencional de resgatar e preservar o vocabulário regional? Onde vai buscar expressões tão inusitadas como a palavra &#8220;xiranha&#8221;, que aparece no livro &#8220;As Pelejas de Ojuara&#8221;?</strong><br />
NLC &#8211; Mesmo tendo vivido 37 anos no Rio de Janeiro, nunca perdi minha nordestinidade. Faço questão de usar termos nordestinos e muitos desses termos, que ouvi na minha infância e adolescência, já caíram em desuso. Nos meus romances, tento resgatá-los.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>R &#8211; Escrever contos e crônicas é mais fácil do que escrever romances?</strong><br />
NLC &#8211; Escrever romance é muito difícil. Dá um trabalho imenso. A trama e os personagens tomam quase todo o nosso tempo. Alguns personagens, como já disse algumas vezes, se rebelam contra o criador e querem tomar um rumo diferente. Escrever contos também não é fácil. Escrever crônica é puro prazer.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>R &#8211; Que conselhos daria àqueles que querem se aventurar no gênero (romance)?</strong><br />
NLC &#8211; Antes de tudo, leiam os bons autores, leiam com atenção os grandes romancistas. Com essa leitura, vai-se aprendendo como se conduz uma boa história, como não se deve complicar na linguagem.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>R &#8211; O senhor lê algum escritor da nova geração? Se sim, quais deles agradam ao senhor?</strong><br />
NLC &#8211; Preciso sair à procura de escritores da nova geração. Por enquanto, continuo lendo e admirando talentos como Rubem Fonseca. Lígia Fagundes Telles  e Dalton Trevisan</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>R &#8211; Dos quatro romances que já escreveu, nutre afeto por algum deles em especial? Qual deu mais trabalho?</strong><br />
NLC &#8211; Não posso dar preferência a um livro se não os outros vão ficar enciumados. São da mesma prole&#8230; Todos deram muito trabalho, mas o Ojuara deu um pouco mais.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>R &#8211; O senhor já colaborou com o Pasquim. Em que época e de que maneira isso aconteceu?</strong><br />
NLC &#8211; Colaborei com O Pasquim em 1969, sob o pseudônimo de Neil de Castro. O Pasquim foi, a meu ver, a maior revolução do jornalismo brasileiro. Mudou linguagem, atitudes, formas de ver e comentar a vida. Sem falar na oposição que fez ao regime militar instalado em 1964. Ter escrito crônicas para O Pasquim, no meio de tantos talentos, é um orgulho para mim.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>R &#8211; Agora, só a título de curiosidade (tenho certeza que não sou a única) &#8211; suas colaborações para o Pasquim podem ser encontradas em algum lugar?</strong><br />
NLC &#8211; Eu não tenho nos meus arquivos uma só crônica das que escrevi para O Pasquim. Tudo ficou com uma ex-mulher, que se apropriou de minha biblioteca e muitos outros pertences. Nas antologias que se está fazendo daquele semanário, como não estou no Rio e estou meio desligado da turma, não estão me incluindo. Logo, vai ser difícil encontrar o Neil de Castro&#8230;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Diário Estelar 2 - 10.07.2009]]></title>
<link>http://blogdofialho.wordpress.com/2009/07/10/diario-estelar-2-10-07-2009/</link>
<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 18:42:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>Carlos Fialho</dc:creator>
<guid>http://blogdofialho.wordpress.com/2009/07/10/diario-estelar-2-10-07-2009/</guid>
<description><![CDATA[Lançamento de “A Fortaleza dos Vencidos” foi um sucesso! Nei recebeu muitos leitores. Na última quar]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong>Lançamento de “A Fortaleza dos Vencidos” foi um sucesso!</strong></p>
<div id="attachment_463" class="wp-caption alignnone" style="width: 214px"><img class="size-medium wp-image-463" title="Nei Leandro 3" src="http://blogdofialho.wordpress.com/files/2009/07/nei-leandro-3.jpg?w=204" alt="Nei recebeu muitos leitores. " width="204" height="300" /><p class="wp-caption-text">Nei recebeu muitos leitores. </p></div>
<p>Na última quarta-feira fui ao lançamento de “A Fortaleza dos Vencidos”, novo livro de Nei Leandro de Castro. Até aí, nada demais. Sou fã do grande romancista e não poderia faltar a esse evento. O livro eu ainda não comecei a ler, coisa que farei neste fim de semana. Minha namorada, Beatriz, já iniciou a leitura e está adorando. Natural, pois Nei é fodão. Escreve pra caralho, com uma desenvoltura única. Quem já leu os seus outros romances: “As Pelejas de Ojuara”, “O Dia das Moscas” e “Dunas Vermelhas” sabe muito bem disso.</p>
<p>Porém o lançamento do livro teve outros aspectos que me deixaram muitíssimo feliz. Primeiro a presença maciça de amigos e leitores do escritor. Muita gente foi prestigiar o autor e a livraria estava abarrotada de gente que atendeu o chamado para conferir o que revela essa fortaleza de vencidos e amargurados. E entre os presentes, uma ruma de gente boa, inteligente, que tem muito a transmitir em bate-papos engrandecedores: Puxando o bloco, Giovanni Sérgio, grande expoente da intelectualidade natalense, muito bem acompanhado de Adriano de Sousa, Tácito Costa, Chico Guedes, Tarcísio Gurgel, Tetê Bezerra, Porpino, Nelson Patriota, Patrício Jr., Túllio Andrade, Cefas Carvalho. Noite repleta de boas conversas e uma dessas ocasiões que tornavam impossível dar uma simples “passadinha”. O jeito foi ficar a noite toda e só ir embora na vassoura.</p>
<p>Estou feliz com o sucesso do lançamento e com a noite estrelada de gente de bem e do bem.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Fortaleza dos Vencidos 1]]></title>
<link>http://blogdofialho.wordpress.com/2009/06/19/a-fortaleza-dos-vencidos-1/</link>
<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 13:51:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Carlos Fialho</dc:creator>
<guid>http://blogdofialho.wordpress.com/2009/06/19/a-fortaleza-dos-vencidos-1/</guid>
<description><![CDATA[Amigos redatores, quem tiver sugestões para títulos que promovam este lançamento, podem mandar pro m]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignnone size-full wp-image-391" title="Convite-reduzido" src="http://blogdofialho.wordpress.com/files/2009/06/convite-reduzido.jpg" alt="Convite-reduzido" width="450" height="299" /></p>
<p>Amigos redatores, quem tiver sugestões para títulos que promovam este lançamento, podem mandar pro meu e-mail. Os anúncios serão criados próxima semana.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Em paz íntima com a cidade]]></title>
<link>http://internetcidade.wordpress.com/2009/03/18/em-paz-intima-com-a-cidade/</link>
<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 19:19:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>internetcidade</dc:creator>
<guid>http://internetcidade.wordpress.com/2009/03/18/em-paz-intima-com-a-cidade/</guid>
<description><![CDATA[O escritor Nei Leandro de Castro, autor de &#8220;As Pelejas de Ojuara&#8221;, chegou naquele ponto ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-109" style="border:1px solid black;" title="foto:Giovanni Sérgio" src="http://internetcidade.wordpress.com/files/2009/03/ic_nei-leandro_1.jpg" alt="Giovanni Sérgio" width="500" height="320" /></p>
<p><strong>O escritor Nei Leandro de Castro, </strong>autor de &#8220;As Pelejas de Ojuara&#8221;, chegou naquele ponto que pode preferir. Prefere não falar de um Ojuara &#8211; &#8220;o homem que desafiou o diabo&#8221; &#8211; como um herói-arquetípico dos potiguares. É só um herói folhetinesco. Também prefere não falar de ser &#8211; pelo menos não tão diretamente &#8211; o romancista mais bem-sucedido do Rio Grande do Norte. Mas assume que se conta nos dedos, em toda a história literária do RN, os bons romancistas do estado. Já os poetas, topam-se com eles nas esquinas fazendo jus ao velho verso. Da geração dele, destaca Luís Carlos Guimarães. E, da geração atual, seis poetisas (sim, gênero feminino) com uma produção de nível nacional, avalia ele.</p>
<p>Nei Leandro não esconde a modéstia. Confessa que faz bem para o ego que sua obra, sobre a aldeia, transponha os muros dela. Porém, mais do que falar sobre essa aldeia, ela parece ser mais um ponto de passagem do que de partida. Aqui, o Internetcidade sai da sua &#8220;fleuma jornalística&#8221; exigida para dizer que, se há algo que Nei Leandro deixa de lição é sua ousadia. De arriscar quando a literatura precisa se fazer maior que ele. E deu certo!</p>
<p>Descrente com os fatos daquele momento, foi para o Rio de Janeiro no caminho de muitos migrantes no final da década de 1960. Não tem nem idéia como sobreviveu no início. Já bem sucedido com a publicidade, deixou o Rio de Janeiro, o trabalho e até o Pasquim do qual era colaborador e voltou para Natal para escrever seu primeiro romance &#8220;O Dia das Moscas&#8221;. E para dar vida ao seu mais famoso livro, &#8220;As Pelejas de Ojuara&#8221;, mais tarde transformado em filme, exilou-se no inverno nos Estados Unidos por quatro meses. Desse inverno solitário nasceu um sertão mítico e lendário e um andarilho-vaqueiro destemido, resgate de histórias ouvidas na infância na cidade quase mítica de Caicó.</p>
<p>Para Nei Leandro, a pesquisa não é interesse, mas necessidade de dar mais consistência a uma obra. Já a geografia a influencia diretamente. Os seus romances puxam para uma temática regional, com toques humanos e físicos dos potiguares na composição dos seus personagens e cenários. Isso está marcado nas próprias &#8220;Pelejas&#8221; ou em &#8220;Dunas Vermelhas&#8221;, romance inspirado em uma inimaginável mas real revolta comunista na capital na década de 1930. Já o Rio de Janeiro, sua urbanidade e violência provocam a verve poética e erótica. &#8220;É algo inexplicável&#8221;, afirma. Porém, morar na praia de nudismo de Tambaba na Paraíba, ah, isso sim, seria uma espécie de orgasmo criativo do qual jorrariam livros e mais livros de poesia sensual.</p>
<p>Mas desde 2005, o bom filho à casa tornou. De pazes feita com a cidade adotada (Nei nasceu em Caicó), ele diz não ter mais nada contra Natal. E que Natal também não tem nada contra ele. Mas posta um aviso aos navegantes: &#8220;Íntima, entre o rio e o mar&#8230;convém amá-la.&#8221; Isso é parte do presente de Nei Leandro ao Internetcidade e à cidade de Natal, como uma espécie de dica, parte de um mistério, para quem deseja conhecê-la, entendê-la&#8230;vivê-la. Se muitas vezes passa por cidade de vida fácil &#8211; e mais uma vez saindo da tal fleuma -, Nei Leandro deixa a entender que Natal é uma cidade ainda a ser possuída, a ser conquistada, de que falta o &#8220;Gesto&#8221; e a &#8220;Medida&#8221; certa para o encaixe da luva. De que, haveria muita Natal para pouco Natalense. É algo a se refletir. Afinal, dele saiu o maior romance produzido no estado e o alvissareiro Ojuara, cabra entendido nas artes da sedução e do amor de mulheres de cercanias que vão do Beco da Lama até a lendária e paradisíaca São Saurê.<br />
<strong><br />
IC_Por que você saiu de Natal? E por que voltou?</strong></p>
<p><strong>Nei Leandro_</strong>Saí de Natal, em 1968, por problemas pessoais, por descrença em relação a muita coisa, inclusive descrença pela poesia, depois do famigerado golpe militar. Num gesto de desespero, saí com a roupa do corpo, pouquíssimo dinheiro, e peguei um ônibus com destino ao Rio de Janeiro. Os primeiros meses foram terríveis, não sei como sobrevivi. Mas aos poucos as coisas foram se ajustando, veio o primeiro emprego, veio o segundo, até que entrei na publicidade. Paralelamente à publicidade, onde trabalhei como redator e diretor de criação em algumas das principais agências do Rio, colaborei com O Globo, o Jornal do Brasil e O Pasquim. E assim se passaram 37 anos. Voltei para Natal, em 2005, depois que me aposentei.</p>
<p><strong>IC_Qual a influência das cidades sobre a sua obra?</strong></p>
<p><strong>Nei Leandro_</strong>Os meus romances são todos de tema nordestino, com certa presença da geografia física e humana de Natal. Os meus contos são todos ambientados no Rio de Janeiro:  urbanos, eróticos, com certa violência da cidade grande. Jamais senti a menor inspiração para escrever um romance ambientado no Rio. Jamais senti inspiração para escrever um conto com trama nordestina ou natalense. É esse tipo de influência que as cidades exercem sobre o meu trabalho de ficcionista. E que, sinceramente, não sei explicar.</p>
<p><strong>IC_Como compreender Natal? Você acha que há algum problema com a cidade? </strong></p>
<p><strong>Nei Leandro</strong>_É preciso amar uma cidade para compreendê-la. Aceitar seus defeitos, suas limitações e, ao mesmo tempo, amar com intensidade as suas virtudes, as suas belezas. Natal não tem nenhum problema comigo e a recíproca é verdadeira.</p>
<div id="attachment_122" class="wp-caption alignright" style="width: 212px"><img class="size-full wp-image-122" title="O Dia das Moscas - Jovens Escribas " src="http://internetcidade.wordpress.com/files/2009/03/ic_neil_diasdasmoscas.jpg" alt="O Dia das Moscas - Jovens Escribas " width="202" height="298" /><p class="wp-caption-text">A primeira vez, de novo: republicar o seu primeiro romance pelo Jovens Escribas deixou Neil uns 40 anos mais moço.</p></div>
<p><strong>IC_As &#8220;origens&#8221; dos potiguares parece ser o ponto de partida de &#8220;O Dia das Moscas&#8221;. Na verdade, muito pouco de nossa história é difundida. Temos alguns &#8220;heróis&#8221;, mas conhecemos muito pouco sobre eles. Há algum problema com essa história potiguar? </strong></p>
<p><strong>NLC_</strong> Não pretendi escrever a história dos potiguares no meu romance &#8220;O Dia das Moscas&#8221;. A nossa história é muito pouco conhecida, pouco divulgada, e o nosso herói mais conhecido é o índio Poti, batizado de Felipe Camarão. Mas temos uma miscigenação muito acentuada de europeus e índios, e isso eu quis mostrar no começo do romance. Tudo de forma mais cômica do que histórica.</p>
<p><strong>IC_Há aquele mote de que em Natal havia &#8220;em cada esquina um poeta, em cada beco um jornal&#8221;.  A própria geração que você se insere parece ter sido muito mais alvissareira. Hoje, porém, fala-se de uma desconexão, uma estagnação cultural. Estamos sendo exigentes? É só uma impressão?</strong></p>
<p><strong>Nei Leandro_</strong>Natal continua produzindo muitos poetas. Atualmente, há vários poetas jovens, inclusive seis poetisas do mais alto nível, nível nacional.  A poesia sempre foi muito bem representada no RN. A minha geração deu grandes poetas, como Luís Carlos Guimarães, para citar um só exemplo. Pena que não seja conhecido nacionalmente. O que se pode sentir entre nós é a falta é de romancistas. Em toda a história literária do estado, contam-se nos dedos de uma mão os romancistas verdadeiramente bons.</p>
<p><strong>IC_A impressão é de que a História e a pesquisa são elementos importantes em seu fazer literário. Tem idéia de onde surge esse interesse?<br />
</strong></p>
<div id="attachment_111" class="wp-caption alignleft" style="width: 190px"><img class="size-full wp-image-111" style="border:0 none;margin:2px;" title="foto: divulgação" src="http://internetcidade.wordpress.com/files/2009/03/ic_neil_ojuara_1.jpg" alt="Divulgação" width="180" height="230" /><p class="wp-caption-text">Ojuara, na pele cinematográfica de Marcos Palmeira: longe de ser um herói potiguar, é mais um herói folhetinesco, lúcido e valente.</p></div>
<p><strong>Nei Leandro_</strong>Não gosto de fazer pesquisa, não tenho muito paciência. Mas tive que pesquisar bastante para escrever &#8220;Dunas Vermelhas&#8221;, ambientado em novembro de 1935, quando ocorreu na cidade um levante comunista, o primeiro da América do Sul. Gostei mais de pesquisar os romances de cordel, os heróis folhetinescos, que deram muito vigor e humor às aventuras de Ojuara pelo sertão nordestino.  Pesquisa não é interesse, é necessidade de dar mais consistência a uma obra.</p>
<p><strong>IC_Alguém já disse: &#8220;Quer ser universal, fale de sua aldeia&#8221;. Causou surpresa para você uma temática tão regional como &#8220;As Pelejas&#8221; causar tanto interesse ao ponto de se tornar filme?<br />
</strong></p>
<p><strong>Nei Leandro_</strong>Eu me sinto muito à vontade escrevendo sobre temas nordestinos, natalenses, caicoenses. Na minha infância, ouvi grandes contadores de histórias, mentirosos fabulosos, e o registro ficou em mim para sempre. Quando escrevi Ojuara, tudo veio à tona, bem mais do que no romance de estréia, &#8220;O Dias das Moscas&#8221;. Falo da minha aldeia, sim, e se o que falo transpõe barreiras, isso é agradável, faz bem ao ego.  Mas jamais tive a pretensão de ter o meu romance levado à tela.</p>
<p><strong>IC_Podemos dizer que &#8220;As Pelejas de Ojuara&#8221; é uma típica jornada do herói? Ojuara é um herói potiguar?<br />
</strong></p>
<p><strong>Nei Leandro_</strong>Ojuara, depois de ter saído da camisa-de-força de Araújo, faz um périplo pelo sertão potiguar, à maneira de Dom Quixote. Mas ele não é nada quixotesco. É lúcido, valente, sedutor, não briga contra moinhos de ventos, e sim contra grandes valentões. É mais um herói folhetinesco do que um herói potiguar.</p>
<p><strong>IC_Você largou o Rio de Janeiro, o trabalho e o Pasquim para escrever o seu primeiro romance, &#8220;O Dia das Moscas&#8221;. Para fazer &#8220;As Pelejas&#8230;&#8221;, exilou-se nos EUA. Escrever é algo &#8220;crítico&#8221; para você? Como atender aos &#8220;chamados&#8221; de escritor?<br />
</strong></p>
<p><strong>Nei Leandro_</strong>Quando o desejo de escrever um romance se tornou uma obsessão, larguei tudo no Rio e vim para Natal, onde eu achava que poderia escrever mais à vontade. E deu certo. Para escrever &#8220;As Pelejas&#8221;, fiz a loucura de passar quatro meses no inverno de Chicago, isolado de tudo. E deu certo. O romance me exige muito, meus personagens se rebelam contra mim, querem mandar e desmandar. Eu preciso estar sozinho para administrar essa doce loucura.<br />
<img class="size-full wp-image-110 alignright" style="border:1px solid black;" title="foto: Giovanni Sérgio" src="http://internetcidade.wordpress.com/files/2009/03/ic_neil_2.jpg" alt="Giovanni Sérgio" width="240" height="298" /></p>
<blockquote><p><em>Ao escrever, Nei Leandro lida com uma doce loucura. </em><em>O romance exige muito dele. </em><em>Seus personagens se rebelam, querem mandar e desmandar. Para aquietar a obsessão romanesca, precisa estar à vontade, sozinho. Mas quando a literatura precisou se fazer maior do que ele,  a ousadia sempre foi recompensada. Nei Leandro de Castro deu certo. </em></p>
<p><strong></strong></p></blockquote>
<p><strong>IC_Ter escrito &#8220;Universo e vocabulário do Grande Sertão&#8221; foi fruto de ter vencido um preconceito da época: Guimarães Rosa. Na sua opinião, você vê algum preconceito hoje, principalmente da nova geração, e que precisa ser superado?<br />
</strong></p>
<p><strong>Nei Leandro_</strong>No início dos anos 60, alguns medalhões eram contra a obra de Guimarães Rosa. Adonias Filho, Ferreira Gullar, Érico Veríssimo, entre outros, falavam mal do romancista mineiro. Quando li &#8220;Sagarana&#8221;, &#8220;Corpo de Baile&#8221; e &#8220;Grande Sertão: Veredas&#8221;, aos vinte e poucos anos de idade, cheguei à seguinte conclusão: só se rejeita a obra de GR por espanto ou inveja. Sob o êxtase que &#8220;Grande Sertão:Veredas&#8221; me proporcionou, escrevi o meu &#8220;Universo e Vocabulário&#8221;, que me exigiu cinco anos de pesquisa. Hoje, a obra de Guimarães Rosa é estudada em todas as Faculdades de Letras do país e acredito que já não qualquer sombra de preconceito, em leitores de qualquer idade. Esse meu livro sobre o universo vocabular do &#8220;Grande Sertão:Veredas&#8221;, é um dos primeiros livros sobre a linguagem do autor de Cordisburgo. Foi premiado pelo Instituto Nacional do Livro e  teve apenas duas edições. Gostaria muito que surgisse uma boa editora para publicar uma nova edição.</p>
<p><strong>IC_Como autor de poesias eróticas, pegando este gancho, você diria que Natal é uma cidade &#8220;sensual&#8221;, &#8220;erótica&#8221; ou passa muito longe disto?<br />
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<p><strong>Nei Leandro_</strong>Sensual, erótica, é a praia de Tambaba, na Paraíba, uma das únicas do país onde se pratica o nudismo. Lá a gente pode ver mulheres lindas, nuinhas em flor, à beira do mar. Se eu frequentasse Tambaba, com certeza iria escrever muitos volumes de poemas eróticos.</p>
<p><strong>IC_O que representou relançar &#8220;O Dia das Moscas&#8221; por um selo de jovens escritores? Como tem visto essa nova geração e sua literatura?</strong></p>
<p><strong>Nei Leandro_</strong>Gostei de relançar &#8220;O Dia das Moscas&#8221; com o selo da editora Jovens Escribas. Gosto do editor Carlos Fialho, muito talentoso e ousado em seus projetos. Torço muito pelo sucesso dele e dos seus sócios de empreitadas literárias. Além do que, ter um livro publicado pela Jovens Escribas me remoçou uns 40 anos&#8230;</p>
<p><strong>IC_Por fim, como publicitário, ousaria dar algum &#8220;briefing&#8221; sobre a identidade de Natal?</strong></p>
<p><strong>Nei Leandro_</strong>Uma cidade não se abre fácil, como um guarda-chuva, a quem sequer não a tem. Uma cidade é como a luva: sem o gesto e a medida exatos de quem a calça, jamais servirá a alguém, por mais empenho que faça em possuí-la. Natal não foge à regra que a experiência assinala. Íntima, entre o rio e o mar, se estende. Convém amá-la.</p>
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<title><![CDATA[O homem que desafiou o diabo]]></title>
<link>http://serakipresta.wordpress.com/2008/05/20/o-homem-que-desafiou-o-diabo/</link>
<pubDate>Tue, 20 May 2008 21:44:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>Lucas</dc:creator>
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<description><![CDATA[O homem que desafiou o diabo &#8211; 2007 Direção: Moacyr Góes Roteiro: Nei Leandro de Castro, Moacy]]></description>
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