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	<title>olivenca &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/olivenca/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "olivenca"</description>
	<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 22:45:54 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Muribecas försvunna gruvor]]></title>
<link>http://thefawcettexpedition.wordpress.com/2009/10/29/gruvebyen-1753/</link>
<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 22:28:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>Joel Gillberg</dc:creator>
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<description><![CDATA[Efter en «pitstop» i Barreiras, där vi prövade nattlivet tillsammans med ett gäng locals, fortsatte ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Efter en «pitstop» i Barreiras, där vi prövade nattlivet tillsammans med ett gäng locals, fortsatte ]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Cerco e tomada de Olivença (10ª e última parte – de 23 a 31 de Maio de 1657)]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/27/blogue-de-historia-militar-dedicado-a-guerra-da-restauracao-ou-da-aclamacao-1641-1668-inicio-leituras-sobre-o-autor-cerco-e-tomada-de-olivenca-10%c2%aa-e-ultima-parte-%e2%80%93/</link>
<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 11:57:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
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<description><![CDATA[[23] [Nota de Horácio Madureira dos Santos: No original está erradamente indicado o dia 24] - Partir]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="aligncenter size-full wp-image-1070" title="Mapa" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/09/mapa.jpg" alt="Mapa" width="600" height="393" /></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[23] [<em>Nota de Horácio Madureira dos Santos: No original está erradamente indicado o dia 24</em>] </span>- Partiram os enviados 4ª feira pela manhã, e nesse dia tornou o padre António de Matos trazendo do Conde general largas promessas de socorro, com que foi grande a alegria que houve na vila comummente em todos. Levava João Mendes Mexia uma instrução que o governador e o Du Four fizeram, em que pediam, afora o que já tinham pedido, que creio era pólvora, que lhe mandassem 1.500 infantes, e nesses viessem duzentos rodeleiros <span style="color:#000000;">[<em>soldados armados de espada e rodela - escudo pequeno e redondo - que eram empregues em missões especiais</em>]</span>, e que esses, em chegando, guarnecessem a estrada encoberta e surtissem pelos aproches do inimigo, e sustentassem o que fosse ganhado, e que ele tinha outros 200 da gent<span style="color:#008000;">e da vila com que render aos que viessem.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>E assim lhe mandassem 130 cavalos com um bem valente cabo, e lhe mandassem vinho para as missas, e medicamentos para os feridos, e que se resolvessem em socorrer a praça, o que podia fazer pela parte de Santa Catarina ou pela serra. Afora estas, levava outras advertências. E o sargento-mor Manuel de Magalhães mandou outra instrução por João Rodrigues, lavrador prático, e foi à torre a lhe mostrar o sítio e lugar por onde o socorro podia entrar e por onde o havia de guiar. E para que o inimigo não buscasse os enviados e lhes achasse este papel, o estudou de memória Simão Lopes de Oliveira.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Foram os nossos enviados bem recebidos no exército, e dele partiu pela posta um, que foi João Mendes Mexia, e veio à Corte a pedir socorro. Nós estávamos na praça esperando pelo nosso exército, que viesse conforme à promessa, porém ele se não movia; assim passámos até tornarem os enviados, sem haver de novo outra coisa mais que mandar o governador dar pão de munição a quase todo o povo.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[28]</span> &#8211; 2ª feira pela manhã chegaram os enviados à praça, tendo sido retidos um dia do exército do inimigo, e vieram com promessa de socorro; querem alguns senhores e cabos que lhes deram frias esperanças.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>O capitão António Barbosa de Brito trazia, sem os outros saberem, uma ordem do Conde general para o governador, e era assinada também pelo mestre de campo general e pelo dito capitão, escrita em um pedaço de papel, que era mais de um quarto, e nela dizia que Sua Majestade, que Deus guarde, por carte de 25 do corrente lhe ordenava que o avisasse de sua parte, lhe mandasse que não guardasse a capitulação feita com o inimigo, nem entregasse a praça,antes a defendesse até pela defensa dela derramar a última gota de sangue. Continha este papel o modo e sinais que se farião, e finalmente que o exército socorreria a praça a todo o risco, em conduzindo a gente que dele se tinha divertido <span style="color:#000000;">[<em>quer dizer, após reagrupar os soldados que se encontravam dispersos ou que tinham desertado do exército de socorro</em>]</span>.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Para ver esta ordem chamou o governador a câmara, nobreza e povo, clérigos e todos os cabos da guarnição, capitães e daí para cima, e propôs que El-Rei <span style="color:#000000;">[<em>na verdade, a Rainha regente</em>]</span> mandava aquilo, mas que para o executar não havia pólvora para mais que três dias, e poupando-a para quatro, que o punha a votos, e que me pedia que eu os tomasse a todos, assinando cada um o seu.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>A mim me pareceu que a ordem se devia executar, e não pôr em conselho, e entre outras coisas que mais disse foi este meu voto. Mandei de tudo fazer auto pelo escrivão da câmara, e por ser a casa do governador pequena e a gente muita, e estar mal acomodada, me passei paraa igreja de Santa Maria, aonde me chegou recado que somente a câmara, clero, governança e povo tomasse os votos, e que os da guerra lhos tomaria o governador. Assim o fiz, e de todos os que votaram só seis ou sete foram de acordo que a capitulação se guardasse, e destes ficaram quatro em Castela, os mais votaram que a praça se defendesse.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Mandei estes autos ao governador e ele mos tornou, dizendo que fosse com um homem da governança a ver a pólvora que tinha e me desenganaria eu e eles; eu lhe respondi que Sua Majestade me tinha mandado uma certidão do almoxarife, em que declarava a pólvora que tinha, que me parecia quantidade bastante, se se gastasse com boa ordem, e não tinha outro parecer senão o que já tinha dito. Disse-me então o procurador, que era o capitão Manuel Mendes Mexias, que o governador, estimulado do meu voto e dos da governança, estava de acordo de queimar os armazéns e formar os terços, investir as linhas, e salva-se quem se salvar.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Eu lhe dei em resposta que a ele lhe ordenavam que defendesse a praça, e não que a perdesse desta ou da outra maneira, e que nem tudo o que dizia podia fazer. Pela tarde apareceu o nosso exército em Vila Real com cavalaria avançada, em modo de nos vir socorrer.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Neste dia entregou o governador todos os armazéns, artilharia e munições e mantimentos a D. Diego de Rueda, e fez esta entrega o Du Four.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>29 &#8211; 3ª feira mandou o governador ao capitão da ordenança João Lourenço Matos que fosse levar os reféns ao nosso exército; ele foi, e os primeiros que levou não lhos aceitaram, dizendo que haviam de ser à vontade do governador que contratou e que dessa não constava. Sendo disto avisado o governador, deu um rol de seis, os quais eram o Conde de Medellin, o filho do de Montijo, o do Marquês de Barcarrota, D. Rodrigo Mexia, D. Francisco de Guzmán, o Conde del Axenal, e deu um escrito em que dizia que se satisfaria com dois; destes foram levados ao nosso exército o filho 3º do de Montijo e o de Barcarrota, e os aceitaram.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>30 &#8211; Era o dia final da entrega quarta-feira pela manhã, e sendo já bem tarde, não tinha vindo o nosso capitão a nos fazer certo que os reféns estavam já no nosso exército, contudo chegou com uma hora de dia. O Duque pedia a entrega, o governador dizia que conforme o contratado não havia de sair o povo e guarnição, senão em um dia pela manhã, e que depois de ele sair entraria a sua guarnição, e que aquela hora era tarde, que amanhã faria a entrega. Contudo lhe entregou logo a praça, largando-lhe a porta de São Francisco e o baluarte do mesmo santo, e o de São Brás.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Entrou a bagagem do castelhano, o Duque e alguns cabos e particulares. O nosso exército esteve sempre à nossa vista, esperando algum movimento nosso que não houve.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Ao outro dia, que era 5ª feira, saiu o povo, ficando lá somente, por então, 43 casais, e passaram para cá 942 largando suas casas e fazendas, e ainda dos que ficaram pedem bagagem para virem muitos.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Em meio do caminho nos mandaram fazer alto, e se lançou em nome de El-Rei de Castela um bando em que prometiaa todos os que ficassem que não pagariam alcavalas, nem teriam alojamentos, nem na praça meteriam guarnição estrangeira, senão de espanhóis, que dariam aos moradores razão e o mais que dessem aos soldados, que lhes reformariam as casas que arruinou a artilharia e lhes guardariam seus foros e privilégios, e lhes concederiam outros maiores, contudo nenhum tornou para trás. E vieram ao nosso exército, e daí se repartiram pelos lugares de Borba, Vila Viçosa e Elvas, aonde pelas justiças e câmaras lhes fizeram suas boas passagens.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Antes de Manuel de Saldanha <span style="color:#000000;">[governador da praça]</span> chegar ao exército, foram 20 cavalos levá-lo preso a Vila Viçosa, de onde depois foi passado à Torre de Belém. O mestre de campo João Álvares de Barbuda foi levado a Évora Monte.<br />
</strong></span></p>
<p>A perda de Olivença teve como resposta, no ano seguinte, a fracassada tentativa de tomada de Badajoz pelos portugueses. A empresa partiu da iniciativa de Joane Mendes de Vasconcelos, cuja opinião tinha sido até aí contrária  a toda e qualquer operação de cerco àquela importante praça raiana. Ainda em 1658, foi a vez de D. Luís de Haro iniciar o cerco de Elvas, que culminaria em Janeiro do ano seguinte na batalha das Linhas de Elvas, da qual o exército português saiu vencedor. Pode afirmar-se que a tomada de Olivença pelo exército espanhol inaugurou o período final da guerra na fronteira alentejana, durante o qual se registou um aumento de intensidade das operações militares. Mas ao contrário do que foi temido aquando da perda da praça pelos portugueses, o revés de Olivença não conferiu grande vantagem estratégica aos exércitos de Filipe IV: toda a região raiana, de um lado e de outro da fronteira daquela parte, estava bastante devastada e incapaz de servir de apoio a exércitos numerosos. De facto, até ao nível das operações de saque e pilhagem, a guerra no Alentejo e na Extremadura flectiu mais para sul, para os campos do Baixo Alentejo e os domínios dos Duques de Medina-Sidónia, que até aí haviam sido relativamente poupados às acções de guerra.</p>
<p>Olivença seria devolvida à soberania da Coroa portuguesa após o Tratado de Paz de 1668.</p>
<p>O texto, cuja transcrição (com ortografia actualizada) ora se conclui, corresponde a um manuscrito anónimo existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, agora somente disponível em microfilme (FR 970), cujo título é <span style="color:#000000;"><strong>Relação de tudo o que [se] passou em Oliuença e no Campo do Cerco e tomada da praça pellos Castelhanos. Abril anno de 1657</strong></span>.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: <em>Nova et accurata tabula Hispaniae</em>, de Cornelis Dancker, c. 1656 (detalhe do mapa). A vila de Olivença, que no mapa não se encontra legendada, está aqui assinalada a vermelho. Biblioteca Nacional, Cartografia, CC 1214 A.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cerco e tomada de Olivença (9ª parte – de 16 a 22 de Maio de 1657)]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/26/cerco-e-tomada-de-olivenca-9%c2%aa-parte-%e2%80%93-de-16-a-22-de-maio-de-1657/</link>
<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 00:14:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
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<description><![CDATA[[16] &#8211; Ao amanhecer deu o inimigo a última investida e meteu no forte quantia de cinquenta hom]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1064" title="Juromenha" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/09/juromenha.jpg?w=1024" alt="Juromenha" width="717" height="472" /></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[16]</span> &#8211; Ao amanhec<span style="color:#008000;">er</span></strong></span><strong><span style="color:#008000;"> deu o inimigo a última investida e meteu no forte quantia de cinquenta homens, sem forma, os quais chegaram até o meio do vão dele e daí tornaram a recolher-se ao vão do fosso; então se retirou a infantaria que aí estava, e o tenente Manuel Pacheco, montando já em outro cavalo, a trouxe toda a salvamento, sem perder homem algum, ainda que dos de cavalo perdeu muitos. Acudiu Domingos Álvares Rogado, cabo dos rocins e éguas da sua terra <span style="color:#000000;">[<em>cavalaria da ordenança</em>]</span>, e rechaçaram aos que entraram no forte, e acabou a infantaria de se pôr em salvamento na nossa estrada encoberta.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">O inimigo perdeu muita e a melhor gente nesta investida, entre eles o sargento-mor de D. Pedro Alvarez de Toledo, e a um mestre de campo irlandês, pelo qual fizeram grande sentimento; na algibeira deste se achou a relação do seu terço e tinha 159 praças, contando sete da primeira plana em cada companhia.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Neste dia se pôs em conselho se se recolheria a guarnição da estrada encoberta, porque o inimigo pela parte do forte e dos ataques nos fazia dano; resolveu-se que sim, e pelo meio-dia se recolheu com pressa, sem haver quem os seguisse, contudo deixaram por retirar mortos e munições e madeiras de cortaduras, e outras coisas, como cavalinhos de pau, que tudo ficou no fosso. Fecharam-se as portas e se terraplanaram com a artilharia do cavaleiro, e do baluarte de S. Pedro se bateu o Forte Velho ocupado pelo inimigo, e suposto lhe mataram muita gente, não lhe arruinaram a parede que ficava para a nossa parte, assim por ser a parte dela de formigão, como porque o inimigo a ia terraplanando com faxina e terra.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;"><span style="color:#000000;">[17]</span> &#8211; Todo o dia de quinta-feira trabalhou o inimigo no terraplano do Forte Velho e fez plataforma nele, ainda que lhe não vi nela artilharia. Meteu de guarda um terço, que ao parecer teria trezentos homens; a nossa artilharia lhe fazia grande dano, por estar a gente mal coberta. Neste dia, por noite, se mandou um correio ao Conde de S. Lourenço.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;"><span style="color:#000000;">[18]</span> &#8211; 6ª feira todo o dia se pelejou bem, e por noite se despediu a Diogo Soares para levar cartas ao Conde general <span style="color:#000000;">[Conde de São Lourenço]</span>. Pela meia-noite se viu um sinal em Juromenha, de que o nosso correio era ali chegado. Neste dia tornaram a assistir em cada um dos baluartes os três homens da nobreza e governança, que de antes estavam nomeados; o inimigo fez muitas cortaduras de faxina no fosso do forte ganhado, porque estava descoberto à nossa mosquetaria do baluarte de São Pedro, e por elas se veio chegando à estrada encoberta por aquela parte.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">19 &#8211; Sábado por noite fez sinal Juromenha de que o nosso correio era chegado àquela praça; de tarde se viram na atalaia de S. Robes Vieira fumaças, de que se deu parte ao governador. De tarde fez o inimigo chamada, e a ela mandaram o capitão António Barbosa, e trouxe recado <span style="color:#000000;">[do]</span> que o Duque dizia. Quinta-feira, 17 do presente, acometeu o nosso exército a escalar Badajoz, e fora rechaçado com perda de 500 homens, e assim o Conde <span style="color:#000000;">[de São Lourenço]</span>, desesperado, se recolhera com parte do exército para Campo Maior e parte para Elvas, e ele desfeito como estava ficávamos impossibilitados de socorro, e assim nos convinha entregar a praça, para o que se faziam todos os bons partidos, aliás <span style="color:#000000;">[<em>ou seja, em caso contrário</em>]</span> a força, a fogo e sangue.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Trouxe esta embaixada o general da artilharia Tarragona, e a chamada a fez o tenente João de Vilanova, soldado conhecido e prático. Recolhido o capitão com o recado, sucedeu que o inimigo, pela parte de São Pedro, disparou uma peça de artilharia, com que nos matou um soldado; fez-se queixa ao governador, e ele mandou que desde o baluarte de Santa Quitéria até o de São João atirasse quem visse a quem, e daí para diante houve cessação de armas; foi um ajudante com a ordem para uma parte, e outro para outra, mas o que mandou atirar chegou primeiro, com o que os soldados pela muralha foram atirando à roda e com tanta presteza, que por toda a parte se deu uma redonda carga que lhe matou muita gente, principalmente a artilharia, contudo se mandou cessar por uma e outra parte.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Deu-se em resposta ao inimigo que um exército de 20.000 homens como o nosso se não derrotava com perda de 500, nem o governador estava certo disso; que a ordem que tinha era de pelejar, para o que tinha pólvora e balas, que o senhor Duque fizesse o que melhor lhe parecesse. Despedido o da chamada, se deu outra carga redonda de mosquetaria e artilharia, e ficámos à bateria como dantes. Estava pela parte <span style="color:#000000;">[do baluarte]</span> da Rainha chegado o inimigo com o seu ataque, sem haver entre ele e a nossa estrada encoberta maior distância que a grossura da tapa que fazia face ao parapeito, e daquele lugar se pelejou muitos dias até com manguais, contudo o suposto largámos a estrada encoberta; o inimigo não rompeu para ela, nem passou ao fosso, mas porque o devia fazer para chegar à muralha, e o fazia com menos risco de noite, lhe punha o De Four uns fachos acesos, que lançava no fosso, com o que tudo ficava claro, e nós vendo se o inimigo obrava alguma coisa.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Pareceu-lhe, ao sargento-mor Manuel de Magalhães, que se o inimigo entrasse poderia facilmente apagar os fachos que estavam no chão, e assim ordenou outros, que foram os candeeiros da Misericórdia com novelos de azeite, que a Câmara deu os necessários, e pendurava estes da muralha bem acesos, e davam luz bastante, com que o fosso ficava bem claro.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Desta maneira, de dia e de noite, até terça-feira 22 deste mês, neste fatal dia para Olivença, fez o inimigo chamada pela uma hora depois do meio-dia; veio a ela o Tarragona, que sempre foi o que as fazia, e tornou a pedir que se tratasse das antigas capitulações; o governador veio nisso, e mandou ao ajudante Domingos Martins Porto que me fosse pedir o primeiro original delas, que me tinha ficado. Estava eu dormindo no corpo da guarda da Corna e chegou o ajudante e me acordou, dizendo da parte do governador que lhas desse. Eu as tirei da algibeira e lhas dei, e tornei a dormir, quando daí a pouco ouvi grande rumor, e me acordou o sargento, dizendo <span style="color:#000000;">["]</span>Senhor, acuda Vossa Mercê ao capitão Barbosa, que o mata o povo<span style="color:#000000;">["]</span>, e me disse que era motim, em razão de que se capitulava com o inimigo. Eu acudi e o capitão já era livre e enviado ao governador, aonde fui a informar-me do que passava, e ele me disse que o nosso exército nos não socorria e que o inimigo lhe concedia três dias para mandar a ele enviados, que o queria fazer porque desse modo punha a praça nas mãos do Conde general, se a quisesse socorrer, que podia, porque cá tinha no exército tudo o que podia esperar, e se não quisesse, que então o dito general a entregava com a não socorrer, e não ele.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Eu não consenti em o termo, nem em muitos artigos, e assim chamei a Câmara e governança e povo, e juntos fomos a Santa Maria, e levei a capitulação que o governador me largou, e lá fiz quatro artigos. O primeiro, que os moradores pudessem levar tudo o que seu fosse no termo de 8 meses, ainda que as coisas que quisessem levar fossem mantimentos ou coisas defesas <span style="color:#000000;">[<em>proibidas</em>]</span> de passar de um Reino para outro, e que pudessem deixar um feitor para lhas vender se lhes estivesse bem, e remeter o procedido delas, e querendo-as trazer, lhe daria o Duque bagagem, comboio e segurança necessária.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">O segundo, que de qualquer modo que o nosso exército se afrontasse com o do inimigo e pelejassem, ainda que fosse só com a artilharia, não seríamos obrigados a estar pelo capitulado. O terceiro, que de qualquer modo que fôssemos socorridos e com qualquer número de gente que fosse, ficaríamos livres do capitulado. O quarto, que o Duque nos daria tempo de dez dias, e lugar para neles mandarmos sete enviados para dar conta ao Conde general do estado da praça, e que estes poderiam dentro deste termo passar e repassar pelo seu exército com toda a segurança, e se lhes daria um comboio<span style="color:#000000;"> [<em>escolta</em>]</span> até chegarem ao nosso exército.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">O primeiro intento que tivemos nisto foi desavirmo-nos com o Duque, e em caso que tudo concedesse podia o nosso exército, com qualquer gente que tivesse, vir de S. Ildefonso, aonde estava, para o quartel da Amoreira, ou tomar outro que melhor lhe conviesse, e pondo-se à bateria com o inimigo, nos iria defender, e em qualquer boa hora nos socorresse, ainda que furtivamente com algum número de gente, e parece que bastaria qualquer socorro para o inimigo largar a empresa, ou nós podermos tornar a guarnecer o que lhe tínhamos ganhado.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Fizeram-se outros motins contra algumas pessoas, o governador mandou formar na sua porta três companhias de infantaria, e assim as teve até o dia da entrega. Entendeu o governador que, para dar satisfação ao Paço do que se tratava com o inimigo, convinha mandar com o seu capitão algum homem da governança, e assim mandou naquele dia ao tenente Rui Peres Sardinha <span style="color:#000000;">[<em>oficial da cavalaria da ordenança - era muito frequente os oficiais das companhias da ordenança serem membros do poder local; por exemplo, vereadores das câmaras</em></span><span style="color:#000000;">]</span>, e ao outro dia a Lourenço Galego Fajardo e o padre António de Matos, e de outra vez a Fernando Gomes de Cabreira e o padre Manuel Frade Lobo, e outra vez a João Farinha Lobo; porém, estes não levavam ordem demais que ouvirem o que se dizia e o capitão tratava.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Dilatámos a resposta acima, e ficou para responder-se ao outro dia até o meio-dia, o que o inimigo levou muito contra sua vontade, mas esperou até o outro dia pelas dez horas </span><span style="color:#000000;">[que]</span></strong><strong><span style="color:#008000;"> se lhe respondesse; assim, ele concedeu oito dos dez dias pedidos, e sem conceder mais coisa alguma do que de novo pedimos, concluiu o governador com o seu conselho este negócio, e mandou reféns, que foram o mestre de campo João Álvares de Barbuda e o capitão Manuel de Brito do Carvalhal, que governava o terço de Beja, e de lá vieram o Conde de Torrejon e o sargento-mor D. Diego de Rejeda.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Estando já neste estado a praça, pediu o governador que na Câmara nomeássemos os sete homens qu haviam de ir ao exército, e entre outros me nomearam a mim e ao sargento-mor Manuel de Magalhães Galvão; porém ele disse que em nenhum caso podia ficar sem nós, porque temia alguma invasão, ou desavença do inimigo; com isto nomeámos, com seu acordo, a João Mendes Mexia, que é o que passou à Corte, e Fernando Gomes Cabreira, Gil Lourenço Codesa, vereador, o capitão António Barbosa de Brito, Simão Lopes de Oliveira, João Rodrigues, lavrador, e para os levar e vir com certeza de que lá ficavam, foi o padre António de Matos Mexia, a quem Sua Mejestade fez mercê da abadia de Carrapeto.<br />
</span></strong></p>
<p>(conclui na próxima parte)</p>
<p>Este texto corresponde à transcrição (com ortografia actualizada) de um manuscrito anónimo existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, agora somente disponível em microfilme (FR 970), cujo título é <span style="color:#000000;"><strong>Relação de tudo o que [se] passou em Oliuença e no Campo do Cerco e tomada da praça pellos Castelhanos. Abril anno de 1657</strong></span>.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: Juromenha &#8211; praça com a qual a vila de Olivença mantinha comunicação por sinais visuais à distância (fogos, à noite), durante o cerco de 1657. Foto de J. P. Freitas.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cerco e tomada de Olivença (8ª parte - 14 e 15 de Maio de 1657)]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/23/cerco-e-tomada-de-olivenca-8%c2%aa-parte-14-e-15-de-maio-de-1657/</link>
<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 16:35:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
<guid>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/23/cerco-e-tomada-de-olivenca-8%c2%aa-parte-14-e-15-de-maio-de-1657/</guid>
<description><![CDATA[14 &#8211; Segunda-feira pela madrugada, pela parte donde foi o assalto, veio um soldado valão com u]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1056" title="Olivença1" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/09/olivenca1.jpg?w=1024" alt="Olivença1" width="717" height="508" /></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>14 &#8211; Segunda-feira pela madrugada, pela parte donde foi o assalto, veio um soldado valão com um arcabuzaço <span style="color:#000000;">[<em>ferida provocada por uma bala de arcabuz</em>]</span> pelo pescoço e pediu aos nossos que, pelo amor de Deus, o recolhessem e lhe dessem um confessor. Levaram-no para o hospital, onde viveu três dias. Este <span style="color:#000000;">[<em>o soldado</em>]</span> nos disse que o nosso exército tinha sitiado</strong></span><span style="color:#008000;"><strong> Badajoz, que o inimigo mandara a sua cavalaria com mil infantes e os metera dentro da cidade. Na manhã deste dia amanheceram duas peças na plataforma de São Pedro e uma na de São Bartolomeu, de onde o inimigo não tirava havia já três dias; trabucou e lançou nove bombas na praça, com que arruinou algumas casas.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pelo meio-dia fez o inimigo chamada pela parte do olival de João Cabelos, e veio a ela D. Francisco Ventura Tarragona, seu engenheiro-mor e general da artilharia; pediu muito encarecidamente, queria falar ao governador, o que não conseguiu.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Segunda vez pediu que se tratasse das capitulações acerca da entrega da praça, e instando sempre que queria falar ao governador, o qual lhe mandou dizer que já não havia quem se lembrasse de tal contrato.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Terceira vez pediu tréguas de duas horas, e licença para tirar os seus mortos que a outra noite lhe tinham ficado <span style="color:#000000;">[no campo]</span>, e se lhe respondeu que de cá se mandariam enterrar, porém alguns disseram ao governador que lhos deixasse levar, que era estilo em toda a guerra o conceder-se, e então lhe mandou dizer que os retirasse embora; levaram 28 corpos que ficaram pegados nas estacas da estrada encoberta, e entre eles D. Pedro Alvarez de Toledo; um castelhano que ainda estava vivo recolhemos para dentro e se curou no hospital; este nos informou do atrás referido.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pela tarde tornou a fazer chamada o mesmo Tarragona, e pediu com grande instância que queria falar ao governador e que se tratasse dos pactos  entrega da praça, e foi respondido como da outra vez. Na tarde deste dia deu uma bala de artilharia em André Fernandes, <a href="http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/19/cerco-e-tomada-de-olivenca-6%C2%AA-parte-de-9-a-12-de-maio-de-1657/">de quem acima falei</a>, e lhe levou o braço esquerdo, o que sentimos muito por ser moço de grande valor.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[15]</span> &#8211; 3ª feira, pelas oito horas do dia, saiu o inimigo dos seus ataques pela parte do Ral, e investiu a nossa estrada encoberta, e os seus soldados treparam em cima do nosso parapeito, e os nossos os rebateram, e se pelejou porfiadamente até se atirarem com pedras. Neste tempo, dois soldados desmontados naturais da vila se arrojaram ao ataque do inimigo, atirando-lhe com pedras, com o que lho fizeram largar e saírem fugindo; os nossos saíram fora desordenadamente atrás deles, e saindo para os recolher o alferes do mestre de campo Belchior Lopes do Campo, lhe deu o inimigo com uma bala, de que logo morreu, e os nossos soldados se meteram dentro do ataque do inimigo, onde lhe mataram muita gente, e lhe tomaram mais de 150 armas e muitas granadas.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Durou este combate mais de sete horas, em que se pelejou com grande esforço; feriram-nos o alferes Teixeira e o alferes Cristóvão Peres, e o ajudante Bartolomeu Martins Pestana e mais de trinta soldados, e mataram mais de vinte; os nossos guarneceram o ataque ganhado.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Neste dia arrasou o inimigo o forte da Atalaia do Castelo Velho, e com quatro troços fez uma linha que saía das suas para o outro do Poceirão; na noite este dia se passaram para o inimigo dois soldados do Flores.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Nesta terça-feira, em dando meia-noite, avançou o inimigo pela parte de São Brás para divertir, e logo avançou pelo ataque ganhado, em que tínhamos sentinelas somente, e o tornou a cobrar, e juntamente avançou <span style="color:#000000;">[a]</span>o forte, ou coroa, que estava só com sentinelas, e entrou dentro, mas com perda de gente, e muito mais pela parte do reduto velho, que guarnecia o alferes Lemos com 20 soldados, os quais o defenderam valorosamente muito tempo, até que o entrou o inimigo, e dos que estavam à defesa não sabemos que escapasse algum.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>O tenente Manuel Pacheco, com trinta cavalos, rechaçou o inimigo e o lançou fora do forte, e vindo pedir gente para o guarnecer lha não deu o sargento-mor João Rodrigues Coelho, e o pedindo a segunda vez, o governador mandou ao capitão Agostinho Aragonês por uma banda, e ao capitão António Tavares de Pina pela outra, que fossem a desalojar o inimigo e guarnecer o forte, o que fizeram; porém, o capitão Tavares recebeu uma bala pelo rosto em meio caminho, com o que o retiraram, e morreu o seu sargento Manuel Velho e muitos soldados seus; o engenheiro Gilot ia diante do capitão alguns passos, e recebeu uma bala pelo peito direito, de que logo caiu morto.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>O tenente Manuel Pacheco se retirou a pé por lhe terem morto o cavalo, e o capitão Aragonês chegou ao forte a todo o fim dele, e o inimigo ficou desalojado, se não foi <span style="color:#000000;">[<em>ou seja, excepto</em>]</span> do fortim velho, que era cerrado por toda a parte, e sempre o inimigo o sustentou por seu.</strong></span></p>
<p>(continua)</p>
<p>Este texto corresponde à transcrição (com ortografia actualizada) de um manuscrito anónimo existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, agora somente disponível em microfilme (FR 970), cujo título é <span style="color:#000000;"><strong>Relação de tudo o que [se] passou em Oliuença e no Campo do Cerco e tomada da praça pellos Castelhanos. Abril anno de 1657</strong></span>.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: Olivença; foto de J. P. Freitas.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Cerco e tomada de Olivença (7ª parte - 13 de Maio de 1657)]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/21/cerco-e-tomada-de-olivenca-7%c2%aa-parte-13-de-maio-de-1657/</link>
<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 23:35:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
<guid>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/21/cerco-e-tomada-de-olivenca-7%c2%aa-parte-13-de-maio-de-1657/</guid>
<description><![CDATA[13 &#8211; Domingo pela manhã  mandou o governador ao capitão Rui Vicente de Matos que, com sua gent]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1052" title="Gerards Cannon" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/09/gerards-cannon.jpg?w=1023" alt="Gerards Cannon" width="716" height="425" /></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>13 &#8211; Domingo pela manhã  mandou o governador ao capitão Rui Vicente de Matos que, com sua gente, fosse segar trigo para faxina pela parte da herdade da Azenha, e ele foi com 50 homens dos da terra, soldados seus, uns com foices e outros com armas para escolta; estando segando lhe pediu licença um, para chegar a fazer tiro a um castelhano que via andar perto colhendo favas, e ele o deixou ir, atrás deste intentou ir outro, e ele o quis deter, com isto pela outra parte se lhe foram outros, e finalmente os das foices tomaram as armas e todos juntos investiram o aproche do inimigo, que era o de Corna; como o capitao os não pôde deter, embraçou a rodela, e com a espada na mão se pôs diante, e furiosamente investiram o inimigo.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Estava ele advertido e tinha bem guarnecido aquela parte, e companhias de reserva, e assim fez resistência algum espaço, mas os nossos carregaram de armas e se tornaram sem haver nenhum ferido, só dois soldados do terço do governador e um auxiliar, que andavam no <span style="color:#000000;">[</span></strong><span style="color:#000000;"><em>palavra ilegível</em></span><strong><span style="color:#000000;">]</span>, se foram lá a despojar sem levar armas, e mataram dois e levaram um; de lá trouxeram um sargento para língua.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Muita parte deste sucesso se deve aos outros capitães da terra que, como viram empenhado o seu camarada, saíram em seu favor e obraram como sempre. O governador fez grandes mostras de sentimento por esta facção se fazer sem ordem sua, e falou muito mal a todos, dizendo que não fizeram nada, e outras palavras bem mal consertadas.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>O governador da praça intentou mandar fazer outra surtida pela parte do Ral com 200 homens, parte deles rodeleiros, a qual não se conseguiu, porque o capitão Castilho <span style="color:#000000;">[Stéphane Auguste de Castille]</span>, que governava a cavalaria, se descobriu com ela antes de tempo, e o inimigo tocou arma e reforçou as guarnições.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Um batalhão de cavalaria do inimigo que passava pela outra banda de Ramapalhos recebeu duas balas da nossa artilharia, que abriram duas boas ruas, com morte de muitos soldados e cavalos; neste dia nos feriram três cavaleiros que estavam de sentinela pela parte de São Pedro.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>E como nunca fizemos surtida que não recebêssemos logo assalto de noite, nesta, pelas onze horas, o deu o inimigo o mais geral e reforçado que nunca. Investiu a estrada encoberta desde o revelim da porta de São Francisco, perto da circunferência do baluarte da Rainha, até ambos os flancos do de São João pela Cruz de São Pedro, que é distância de dois baluartes e cortina e meia, e a um mesmo tempo com boa quantidade de gente se chegou até <span style="color:#000000;">[a]</span> pegar com as mãos nas estacas da estrada encoberta. Pelejou-se de sua parte dura e porfiadamente por espaço de 4 horas, reforçando cada vez mais com nova gente, para o que tirou da cavalaria de cada companhia seis soldados, que armados de couraças arremetiam mais afoitos que os outros, sendo cabo de seu avanço o mestre de campo general Moxica.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Os nossos se defenderam com grande valor e chegaram <span style="color:#000000;">[a]</span> tomar a muitos soldados  do inimigo as armas das mãos. Neste avanço perdeu o inimigo muita e boa gente, entre eles ao mestre de campo D. Pedro Alvarez de Toledo, cujo terço, nestes dois assaltos, se lhe gastou, sendo que constava de 1.200 homens, segundo dizem as línguas. Era o mais valente cabo que traziam. Da nossa parte morreram três soldados e nos feriram vinte, e entre eles o capitão D. Tomás Giraldino e o capitão Belchior Vaz Pacheco, e o seu alferes. Chegou-se nesta ocasião a pelejar, e em certo modo às mãos <span style="color:#000000;">[<em>ou seja, corpo-a-corpo</em>]</span>.<br />
</strong></span></p>
<p>(continua)</p>
<p>Este texto corresponde à transcrição (com ortografia actualizada) de um manuscrito anónimo existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, agora somente disponível em microfilme (FR 970), cujo título é <span style="color:#000000;"><strong>Relação de tudo o que [se] passou em Oliuença e no Campo do Cerco e tomada da praça pellos Castelhanos. Abril anno de 1657</strong></span>.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: Peça de artilharia de meados do século XVII (réplica). Imagem retirada do excelente <em>site</em> dedicado a reconstituições históricas do período da Guerra Civil Inglesa, &#8220;Charles Gerard&#8217;s&#8221; (http://www.gerards.org.uk). Ver ligação no lado direito desta página.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Cerco e tomada de Olivença (6ª parte - de 9 a 12 de Maio de 1657)]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/19/cerco-e-tomada-de-olivenca-6%c2%aa-parte-de-9-a-12-de-maio-de-1657/</link>
<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 19:19:46 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
<guid>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/19/cerco-e-tomada-de-olivenca-6%c2%aa-parte-de-9-a-12-de-maio-de-1657/</guid>
<description><![CDATA[9 &#8211; Pela madrugada da quarta-feira trabucou o inimigo, e a primeira bomba caiu no fosso; ao ca]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1045" title="Olivença" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/09/olivenca.jpg?w=1024" alt="Olivença" width="819" height="588" /></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>9 &#8211; Pela madrugada da quarta-feira trabucou o inimigo, e a primeira bomba caiu no fosso; ao cair alcançou uma égua de Lourenço Martins Sembrano e a partiu em duas, e ao rebentar matou o sargento-mor Diogo d&#8217;Aguiar da Mota, engenheiro; deu-lhe um pedaço dela na cabeça de que logo morreu; tinha-se confessado na tarde do dia de antes e era soldado honrado.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Quinta-feira dez, pela manhã, deixou o nosso exército o quartel da Amoreira e marchou direito para o Guadiana, pelo caminho por onde tinha vindo, e o vimos <span style="color:#000000;">[n]</span>o cabeço de Vila Real; a cavalaria do inimigo o seguiu pouco espaço de longe. Choveu neste dia como nos mais. </strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pela tarde fez o inimigo chamada pela parte do Ral, e mandou<span style="color:#000000;">[-se]</span> ao capitão António Barbosa de Brito que fosse saber o que queria; trouxe por resposta que o nosso exército viera para nos socorrer e estivera à vista tanto tempo, e que desenganado de que o não podia fazer, e por outras causas maiores, que alguma hora saberíamos, nos dera as costas e se recolhera</strong><strong>, de maneira que logo aquela manhã passara o rio e assim ficávamos sem esperança de socorro </strong></span><span style="color:#008000;"><strong> <span style="color:#000000;">[</span></strong><strong><em><span style="color:#000000;">esta informação dada pelos espanhóis era correcta e reportava-se à aparentemente estranha decisão tomada pelo Conde de São Lourenço, comandante do exército do Alentejo, de retirar-se das proximidades de Olivença e desistir de socorrer a praça sitiada</span></em></strong><strong><span style="color:#000000;">]</span></strong></span><span style="color:#008000;"><strong>; que admitíssemos as capitulações e práticas <span style="color:#000000;">[<em>ou seja, conversações - "prática" também significava "conversa", tanto no século XVII como nos anteriores</em>]</span>, que nos concertos se nos concederiam os maiores e mais honrosos partidos que em outra praça se tivessem concedido; e que isto nos escusaria de padecer hostilidades, e que para responder nos davam termo de duas horas. Houve nesta ocasião cessação de armas.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>O governador me mandou dizer que importava que nos víssemos, e quando cheguei o achei na porta de São Francisco sentado com os mestres de campo João Álvares de Barbuda e os engenheiros Du Four e Gilot, e com eles Castilho <span style="color:#000000;">[Stéphane Auguste de Castille]</span>, e também o sargento-mor Manuel de Magalhães, com mostras de grande sentimento. Disse-me o governador que tivera aquela chamada do inimigo com aquele recado, que era necessário dar conta ao povo, para o que mandasse chamar a Câmara, porque o nosso exército, com o que fez, nos tinha posto naquele extremo de desventura; que salvássemos a guarnição de El-Rei <span style="color:#000000;">[<em>apesar de D. João IV ter morrido no ano anterior, este termo é uma generalização que se reporta ao exército régio</em>]</span>, as vidas, honras e fazendas dos moradores, e que se fizesse chamar logo a Câmara, porque do termo para a resposta não tínhamos mais que meia hora.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Eu respondi o que se me ofereceu, e à minha resposta disse Gilot e o <span style="color:#000000;">[Du]</span> Four que não evitasse tal, que eles se obrigavam a tornar a ganhar a praça dentro de doze dias, a isto respondi pior ainda; e fui à Câmara, e disse aos vereadores que advertissem que queriam entregar a praça, que vissem o que lhe propunham e o que lhe respondiam.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Negou o governador, e com ele Gilot, e assentados propôs o que o inimigo mandava dizer, e que queria dar-nos conta, porque se não admitíssemos a prática não nos ficava recurso, e que o nosso exército, em lugar de nos socorrer, se retirava, como víamos, e disse mais que a prática não era a fim de entregar a praça, senão de entretanto descansar a guarnição e propormos as munições; e o inimigo estar gastando tempo, sem proveito algum; disseram todos que, sendo só para esse fim, se admitisse a prática.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Partiu o governador para a porta e a mandou guarnecer com as companhias da terra dos capitães Francisco Lobo de Cabrera e Rui Vicente de Matos, e logo mandou aprestar ao mestre de campo João Álvares de Barbuda e <span style="color:#000000;">[a]</span>o sargento-mor João Álvares Coelho, para irem por reféns. Eles se foram a enfeitar <span style="color:#000000;">[<em>vestir o melhor trajo</em>]</span> e partiram para lá, e do exército vieram para cá D. Pedro Alvarez de Toledo e o Conde de Torrejón, mestres de campo, e os recolheram em casa de João Mexia, onde lhes puseram guardas.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Neste tempo se tocou na vila uma arma de boca mui viva, e como a gente toda sentia mal de se admitir a prática, andavam os mais deles furiosos, com o que correram à muralha muitas mulheres com armas e fizeram o mesmo. O governador acudiu a guarnecer e animar a gente. Estando na porta do calvário, onde eu também estava, lhe disse o padre João Lobo Freire: Senhor governador, estes velhacos não são para mais que fazer enganos e traições. Vossa Senhoria tem consigo muita e mui valorosa gente, que podem defender a praça e o Reino, não fie deles coisa alguma.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Respondeu a isto o governador que não falasse mais palavra, senão que o prenderia e o meteria em uma casa fechado de maneira que não falasse mais. A todos escandalizou uma resposta tão áspera dita a um sacerdote honrado e que, pelo que disse, a não merecia; o mesmo sucedeu ao tenente Manuel Pacheco, soldado honrado e valente, que diante de mim o descompôs, porque disse o mesmo; logo passou palavra que tornava o nosso exércio e que se vim batalhões na campanha, mas não foi assim.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pela meia noite me mandou recado o governador, que lhe falasse; eu o achei com Gilot, e me deram as capitulações feitas sem eu nelas dar penada, e me disseram que as mostrasse aos vereadores, e que vissem se queriam para si e para o povo mais alguma coisa, e me disseram que o capítulo que falava nos frdes visse eu o que me parecia, que pediriam; e assim fiz isto só, e nesta forma os levei aos vereadores, e eles disseram que sendo para o que tinham assentado, que bons estavam, e os mandei tresladar de boa letra por João de Gusmão , escrivão do almoxarife, e os dei ao governador.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>11 &#8211; Sexta-feira pela manhã entrou um correio do Conde general com carta sua, em que dizia que estranhava ao governador não lhe fazer aviso nenhum havia tanto tempo, que ele os fizesse mais amiúde que pudesse, e que o dito Senhor se tirava daquele quartel pelo discómodo grande dos soldados e cavalaria, mas que estivesse certo que quatro dias ou menos os havia de socorrer. O primeiro que trouxe a carta deu boa notícia do nosso exército. Vimos a carta todos e nos alegrámos muito, porque soubémos das mentiras e enredos que o inimigo nos contou chegando à fala, dizendo que tinham morto o Conde general e que cinco fidalgos, que o fizeram, estavam no seu exército, e outras grandes pataratas deste lote.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pela tarde veio a resposta que o inimigo deu às capitulações, em que concedia algumas e negava outras; e no tocante aos cabos e soldados eram mal respondidos, com que se tornavam a enviar os seus reféns, e cobrámos os nossos, e tornámos às armas, o que foi de tanta alegria para todos que parece cobraram novos corações.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pelejou-se valorosamente à noite e <span style="color:#000000;">[n]</span>o dia seguinte de sábado. Neste, sendo pelo meio-dia, saiu André Fernandes, filho de João Rodrigues, lavrador, pela estrada encoberta, e com um capacete na cabeça e um chuço na mão se arrojou ao aproche do inimigo pela parte da Corna e saltou dentro dele, e fez fugir vergonhosamente toda a guarnição <span style="color:#000000;">[e]</span> a gente fo trabalho, e lhe tomou ferramentas e armas que ficaram, e fez um feixe que carregou e trouxe depois de ter dado a três soldados que chegaram lá depois dele lá estar, as que puderam trazer, e com elas se vieram para a vila.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><span style="color:#000000;"><strong>[12]</strong></span><strong> &#8211; Neste dia mandou o governador para aquela parte de guarnição 200 homens dos moradores, com quatro cabos dos mais valentes que houve, e foram Cristóvão de Macedo, Rui Vicente de Matos, capitão da ordenança, e Domingos Gordo prado, filho do sargento-mor Gil Lourenço Cabeça, e o capitão Lopo Vieira Miguens. Estes guarneceram desde Santa Quitéria até ao revelim de São Lázaro, que é por onde o inimigo atacava por aquela parte. O nosso exército foi visto passar de Vila Real e marchar para os Matos de Ferreira; o inimigo saiu com a sua cavalaria para o outeiro de Castelo Velho, e por noite tornou para a sua linha.<br />
</strong></span></p>
<p>(continua)</p>
<p>Este texto corresponde à transcrição (com ortografia actualizada) de um manuscrito anónimo existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, agora somente disponível em microfilme (FR 970), cujo título é <span style="color:#000000;"><strong>Relação de tudo o que [se] passou em Oliuença e no Campo do Cerco e tomada da praça pellos Castelhanos. Abril anno de 1657</strong></span>.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: Olivença na actualidade. Imagem obtida a partir do <em>site</em> Google Earth.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cerco e tomada de Olivença (5ª parte - de 1 a 8 de Maio de 1657)]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/18/cerco-e-tomada-de-olivenca-5%c2%aa-parte-de-1-a-8-de-maio-de-1657/</link>
<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 23:33:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
<guid>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/18/cerco-e-tomada-de-olivenca-5%c2%aa-parte-de-1-a-8-de-maio-de-1657/</guid>
<description><![CDATA[Maio 1 &#8211; Vendo o governador que o inimigo caminhava para nós, mandou fazer no parapeito e segu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1040" title="Olivença2" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/09/olivenca2.jpg?w=1024" alt="Olivença2" width="819" height="549" /></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Maio 1 &#8211; Vendo o governador que o inimigo caminhava para nós, mandou fazer no parapeito e segundo friso da estrada encoberta duas cortaduras, com as quais deixava cortado o ângulo dela por aquela parte, e mais atrás daquelas mandou fazer outras. Vendo também que havia na praça moradores necessitados que não tinham que comer, lhes mandou dar racção como aos soldados, a cento e sessenta e cinco deles.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>2 &#8211; Quarta-feira trabucou o inimigo de noite e de dia e lançou grande quantidade de bombas, quatro delas arruinaram quatro moradas de casas em que caíram; entre estas deu uma em casa de Francisco de Magalhães Galego, e fez uma disforme ruína, e lhe queimou todo o móvel de sua casa, que era muito e bom.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pelas duas horas da tarde mandou o governador fazer uma surtida ao inimigo naquele novo aproche com que vinha caminhando. Foi por cabo o alferes reformado João Domingos, e levou trinta infantes e alguns aventureiros, da cavalaria foram doze cavalos, e por cabo o furriel Domingos Pereira. Saíram pela estrada e com toda a fúria se arrojaram ao trincheirão que estava ainda tão singelo, que os cavalos passaram todos da outra parte.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Estava o inimigo bem descuidado deste dano, e quando advertiu nele já não teve tempo para mais que fugir, o que não puderam fazer mais que até dez; os demais todos morreram e com eles o sargento-mor Palacios, cabo de tanto porte que ainda o dia que saímos rendidos vi que os castelhanos choravam a perda deste soldado. Só ele se pôs em defesa com mais dois, que também morreram. E o capitão e oficiais da companhia que ali guarnecia, que tinha 75 soldados, deles trouxeram um para língua, que nos informou de tudo, e ao depois o soubemos de outros, que <span style="color:#000000;">[se]</span> passou assim. Os nossos vieram sem dano, só o alferes que foi cabo trouxe três feridas, mas de pouco porte, e o sargento Castelão uma picada em um braço <span style="color:#000000;">[<em>picada: ferida provocada por um pique</em>]</span>.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>O sentimento obrigou ao inimigo a se despicar, e o quis fazer dando-nos um assalto na noite deste dia. Tinha já dado meia-noite, quando pela parte do baluarte da Rainha avançou com um grosso de infantaria, entre espanhóis e estrangeiros, e para melhor os obrigar trazia por detrás deles alguma cavalaria. Chegaram a pegar nas estacas e a atirar com pedras; ao depois de gastar, de parte a parte, os tiros e granadas que ali havia, chegou a durar a briga sem tiros muito tempo. Desta parte lhe tomaram os nossos algumas picas <span style="color:#000000;">[<em>piques</em>]</span> e chuços, em que lhe pegavam e tiravam das mãos. Durou o combate por esta parte duas horas, em que de ambas partes se pelejou furiosamente.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Activou-se o inimigo e retirou mortos e feridos, e só ficaram bem poucos, que por ser mui perto de nós deixaram muitas armas no campo. Quis refazer-se para segunda, mas os seus soldados o não quiseram fazer, sem embargo dos gritos, ameaças e afrontas que lhes diziam.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Logo que se retirou de todo, se deu pelo muro uma salva, e viva<span style="color:#000000;">[s]</span> a Sua Majestade, que Deus guarde, com que o inimigo tornou a avançar pela parte de São Lázaro, aonde me eu achei. Saiu da sua linha e quartel do olival de João Cabelos e com grande algazarra veio para nós, mas tão devagar que parecia os traziam ao Inferno, e com partirem muitos, e por detrás deles um batalhão de cavalaria, chegaram a nós já poucos, ainda que os oficiais bem brazonavam. Eu vi uma só manga de mosqueteiros e o batalhão. Outros dizem que da outra banda vinha outra manga. Chegaram perto da estacada coisa de dez passos, e naquela distância continuaram para baixo até ao Ferragial do Azoche. Receberão a carga de tão perto, e ao depois muitos tiros, com o que se retirou, e retirou os mortos, se bem naquela noite todo<span style="color:#000000;">[s]</span> os sentimos vir entre o trigo e carregar deles, de sorte que até as selas e freios dos cavalos retiraram. Esta avançada durou menos de meia hora.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>3 &#8211; Quinta-feira intentou o Du Four contraminar o muro da estacada coberta pela parte do aproche, e tendo rota a parede não pôde obrar coisa alguma, porque a terra o não consentia por ser solta e movida de poucos dias, e assim tornou a mandar tapar o buraco.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>O sargento-mor Gil Lourenço Cabeça saiu com gente da terra a cortar trigos para faxinas, e para o que não bastaram se cortou arvoredo dos quintais e hortas de dentro da vila. O inimigo chegou assim o aproche à escarga da estrada encoberta. Mandou o governador fazer uma cortadura no ângulo da estrada encoberta, por dentro do fosso, para que o que carretavam a faxina os meninos e mulheres, que eu vi conduzir, por que os homens não perdessem de trabalhar.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Neste dia, logo à noite, intentou o inimigo outro assalto por donde o primeiro <span style="color:#000000;">[tinha sido feito]</span>, mas não chegou perto, só tratou de retirar os mortos que lhe tinham ficado ali no dia atrás.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[4 de Maio]</span> 6ª feira, manhã, pelas dez horas do dia foi visto o nosso exército, marchava para <span style="color:#000000;">[a]</span> praça, fez caminho direito ao Castelo Velho, que é um outeiro que está um quarto de légua da vila. O inimigo queimou</strong><strong> as barracas do quartel de São Francisco o Velho e marchou com todo o poder para o quartel do olival de João Cabelos, que era então o da Corte, e ficava fronteiro àquela parte por onde marchava o nosso exército. Deste quartel mandou pôr duas peças pequenas para o outro de Vale das Éguas, aonde tinha feito um fortezinho no meio da sua linha exterior, e com a infantaria e cavalaria guarneceu a sua linha desde Ladra até o ribeiro de Figueira, repartindo a infantaria em esquadrões, que arrimava singelos à linha, e a cavalaria em batalhões singelos em três esquadrões.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Nesta forma esperou o inimigo os nossos dentro da sua linha; era esta uma trincheira feita de terra e faxina, de altura bastante para se poder pelejar detrás dela, e de grossura ordinária, como os quartéis da campanha. Pela parte de fora tinha um fosso ou sanja de largura ao parecer de cinco palmos, e altura de pouco mais; isto tinha pela parte, que eu as vi quando vim rendido; as outras partes deviam ser como esta, porque da praça lhe não vimos maior vulto por outras partes do que por aquela.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[5]</span> Sábado pelo meio-dia marchou o nosso exército direito à praça pela banda de Castelo Velho; e porque o inimigo tinha guarnecido a atalaia daquele outeiro com vinte cinco mosqueteiros, mandou um troço de mosquetaria que avançassem a ela, o que fizeram com valor e entraram a atalaia e forte, e mataram só três dos que estavam à defesa e aos mais deram quartel.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Daí foi o nosso exército para o sítio da Carvoeira, que dista desse outros dois tiros de mosquete, aonde o inimigo tinha outra atalaia guarnecida; e os que estavam à defesa dela pediram que, para satisfação dos seus, lhe dessem lugar a que dessem duas cargas sem bala e que eles estavam rendidos, o que se lhes concedeu, segundo me informaram, e eram outros vinte cinco mosqueteiros; guarneceu o nosso exército estas atalaias.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Logo que o nosso exército chegou a Amora, se pôs em forma de batalha, e foi uma formosa vista; e estando nesta forma, e ao parecer que querendo acometer, começou de chover água grossa e continuou até noite; neste tempo se afastou pouco atrás o nosso exército, e se meteu no Vale da Amoreira, e aí se aquartelou. Do baluarte de cima do Calvário se atirou ao inimigo, ao quartel de João Cabelos, e deu na pólvora que logo ardeu e foi grande quantidade dela que se queimou, e com ela voaram mais de trinta homens, excepto os que ficaram tostados.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><span style="color:#000000;"><strong>[6]</strong></span><strong> Com a grande chuva esteve a guerra em calmaria o dia de domingo, até que pela tarde atirou o inimigo algumas peças ao nosso exército desde o olival de João Cabelos, e com as peças que tinha levado para Vale das Éguas atirava à vila. Eram as balas umas de dez libras, e as duas de sete; do nosso campo se lhe atiravam também com outras peças, mas a chuva tornou a continuar como até então.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>7 &#8211; Ainda segunda-feira chovia como dantes, e os nossos tratavam e ir fazendo o seu quartel no sítio referido; e em tanto tornou o inimigo a guarnecer e trabalhar nos seus aproches, e esforçava as cargas de mosquetaria que deles dava contra a praça. Os tiros de artilharia de campo a campo continuavam. Este dia se passou para a praça um soldado castelhano, e por noite teve o inimigo arma <span style="color:#000000;">[<em>ou seja, houve uma situação de alerta</em>]</span> pela parte <span style="color:#000000;">[do baluarte]</span> da Rainha.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[8]</span> &#8211; Terça-feira pela dez horas do dia saiu a cavalaria do inimigo do quartel de Vale Mimoso e marchou por dentro da sua linha para o de João Cabelos, e foi sair pelo ribeiro de Ramapalhos direito a Janela Ladra. Já fora da linha foi caminho direito às Calçadas, e daí  se formou em batalha ao longo do ribeiro abaixo, algum tanto afastado dele, e levou consigo uma pouca de mosquetaria, que formou junto do batalhão do corno direito, e assim fez frente para a nossa gente. Os nossos destoutra parte so ribeiro se formaram, e assim estiveram grande tempo sem haver mais que uma bem travada escaramuça entre os batedores, com o que se recolheu o inimigo às suas linhas.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pela tarde avançaram dois batalhões ao rastilho da porta do Calvário, foram rebatidos e com perda de dois cavalos que logo ficaram, afora os que levaram feridos. Lançaram fama que minavam pela parte do seu ataque, o que se achou pelo contrário. Neste dia choveu muita água, o mesmo fez quinta-feira, que passou sem cousa de que se deva falar. </strong><span style="color:#000000;">[<em>A narrativa apresenta aqui alguma confusão: como veremos na próxima parte, a quinta-feira seguinte foi dia de azáfama - o autor talvez tenha querido escrever "quarta-feira", mas mesmo nesse dia registou um episódio curioso, como teremos ocasião de ver.</em>]</span><strong><br />
</strong></span></p>
<p>(continua)</p>
<p>Este texto corresponde à transcrição (com ortografia actualizada) de um manuscrito anónimo existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, agora somente disponível em microfilme (FR 970), cujo título é <span style="color:#000000;"><strong>Relação de tudo o que [se] passou em Oliuença e no Campo do Cerco e tomada da praça pellos Castelhanos. Abril anno de 1657</strong></span>.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: Vista de Olivença e seus arredores. Foto de Jorge P. Freitas.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cerco e tomada de Olivença (4ª parte - de 22 a 30 de Abril de 1657)]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/16/cerco-e-tomada-de-olivenca-4%c2%aa-parte-de-22-a-30-de-abril-de-1657/</link>
<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 17:31:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
<guid>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/16/cerco-e-tomada-de-olivenca-4%c2%aa-parte-de-22-a-30-de-abril-de-1657/</guid>
<description><![CDATA[[22 de Abril - Está, por lapso, indicado no original com o nº 23; nota introduzida por Horácio Madur]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><span style="color:#008000;"><strong><img class="aligncenter size-large wp-image-1030" title="Olivença3" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/09/olivenca3.jpg?w=1024" alt="Olivença3" width="819" height="430" /><br />
</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[22 de Abril - <em>Está, por lapso, indicado no original com o nº 23; nota introduzida por Horácio Madureira dos Santos na sua transcrição</em>]</span> &#8211; Domingo se viram mui avante as linhas do inimigo que, como trabalhavam nelas de noite, apareciam pela manhã crescidas; pela tarde deu uma bala grossa na rua das Flores, e na chapeleta que fez matou um alferes auxiliar, foi este o primeiro homem que o inimigo nos matou.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Desde este dia se deu carga contínua de mosquetaria de dia e de noite pelas partes em que o inimigo trabalhava, para lhe impedirem o seu serviço.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>23 &#8211; 2ª feira amanheceu uma nova plataforma no mosteiro de São Bartolomeu, mas por baixo, coisa de treze<span style="color:#008000;">ntos passos,</span></strong></span><span style="color:#008000;"><strong> e para ela passou o inimigo as peças que na outra tinha; fic<span style="color:#008000;">ava esta menos de tiro de mosquete da praça.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[24]</span> &#8211; 3ª feira ao amanhecer entrou na praça Diogo Soares, soldado honrado, o qual estava fora dela ao tempo que chegou o inimigo. Neste dia amanheceu outra bateria, posta por baixo da Cruz de São Pedro; nesta havia três peças grossas, duas faziam tiro aos baluartes da Rainha e uma à Torre d&#8217;El-Rei, e esta lhe quebraram algumas pedras junto às obras mortas. Um auxiliar de Évora falou da praça, entendeu-se que se passara ao inimigo.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[25] </span>- 4ª feira esforçou muito o inimigo as suas baterias, e as balas, que davam no muro, tornavam para trás, estas nos mataram cinco soldados, e as que saltavam para dentro da vila fazendo chapeletas mataram cinco bois; as primeiras três bombardas arruinaram três moradas de casas.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>As sentinelas da ronda tocaram arma ao inimigo, e enquanto durou, largaram todos o trabalho, e todos andavam com tanta confusão que os não podiam os cabos reduzir à forma. Nesta noite escreveu o governador <span style="color:#000000;">[da praça, Manuel de Saldanha]</span> ao Conde <span style="color:#000000;">[de São Lourenço]</span> e a Câmara <span style="color:#000000;">[de Olivença]</span> lhe escreveu o seguinte:</strong></span></p>
<p><strong><span style="color:#993366;">Presente é a Vossa Senhoria quantos dias há que o inimigo nos tem sitiados, e com não serem muitos nos tem cortado os olivais, destruindo os pães </span>[<em>ou seja, as culturas</em>]<span style="color:#993366;">, e comida da sua cavalaria e bagagens; com a artilharia e bombas nos vai arruinando as casas, com o que nos não deixa fora de toda a pobreza e miséria. Nós somos e fomos sempre bons e fiéis vassalos a Sua Majestade, e como tais merecemos ser socorridos, o que temos por muito certo, confiados na grande mercê que Vossa Majestadefez sempre aos moradores desta vila. este socorro ficamos esperando, e pedindo a Deus que nele dê a Vossa Senhoria os bons sucessos que desejamos.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color:#008000;">Esta carta cifrou </span>[<em>ou seja, pôs em cifra, em código</em>]<span style="color:#008000;"> Gilot, e creio que fielmente, se bem me disse o que escreveu a cifra que lhe acrescentou ou cortou, mas ele passou, e a levou o Franco. Neste dia se tomou língua, e uma das balas que faziam tiro à torre fez em pedaços um sino que estava nela e servia de tocar a rebate.</span></strong></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>26 &#8211; Quinta-feira pela manhã teve a nossa cavalaria uma escaramuça com a companhia da guarda do inimigo junto das hortas, no Ferragial do Azoche; durou um bom espaço e foi bem travada. Os nossos se recolheram sem dano, o inimigo algum recebeu, e eu soube do tenente Pantoja <span style="color:#000000;">[<em>oficial espanhol</em>]</span>, <span style="color:#000000;">[n]</span>o dia em que saímos rendidos, que lhe morreram quatro e foram feridos quinze, e muitos cavalos. Neste dia fez o governador repartição dos homens nobres para estarem nos baluartes, três em cada um, mandando na artilharia e vendo como se pelejava por aquelas partes, para que, parecendo-lhes necessário, o advertissem <span style="color:#000000;">[<em>no sentido de "avisassem"</em>]</span> aos capitães, e a ele.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Por noite um soldado de D. Tomás Geraldino se passou para o inimigo, um mosquete que rebentou matou um soldado e levou a outro uma mão. Uma bala grossa quebrou pela jóia um sacre que estava na torre, com a qual e outra peça de três libras se fez grande dano ao inimigo.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[27]</span> &#8211; Sexta feira se começou de ver uma linha que de novo fazia o inimigo; começava no quartel do olival de João Cabelo e ia caminhando ao redor da praça, a tiro de arcabuz da estrada encoberta para a parte da Corna. O governador mandou com grande cuidado segar os pães <span style="color:#000000;">[<em>ceifar o trigo e outros cereais</em>]</span> que estavam ao redor da vila, por estarem tão crescidos que se não viam as obras do inimigo senão quando eram já mais altas que eles; isto cometeu ao sargento-mor da terra Gil Vaz cabeça, o qual o fez com os moradores dela.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Neste dia acabou o inimigo de fazer a outra linha de comunicação de uma bateria para a outra, e ambas guarnecia do quartel de Vale Mimoso. Daquela linha saíam soldados a tomar alfaces nas hortas do Ral, que ficavam entre nós e eles, e lhe mataram os nossos alguns com tiros, da estrada encoberta. Acabou-se uma meia lua que o governador mandou fazer entre os baluartes da Corna e do Calvário, e se guarneceu e começou de se trabalhar em outra, que mandou fazer defronte da porta do Calvário.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>O inimigo, desenganado com o pouco efeito que a sua artilharia fazia no baluarte da Rainha, deu mais elevação às peças e meteu os tiros por dentro da vila, com o que fez grande dano nas casas daqueles bairros; deixou de atirar à torre e algumas vezes atirou à estacada da estrada encoberta, com o que nos matou e feriu alguns soldados.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>28 &#8211; Sábado pela manhã apareceu um quartel escrito em meia folha de papel perto da nossa estrada encoberta, em um pau que parecia cabo de enxada; trouxeram-no ao governador e ele o recolheu.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Também apareceu mui avante a linha que fazia pela parte do campo de <span style="color:#000000;">[<em>espaço em branco no texto original; nota de HMS</em>]</span></strong><strong>. A artilharia do inimigo arruinou muitas casas na rua grande de S. Bartolomeu, e entre estas as em que eu vivia. Trabucou e lançou esta noite vinte e uma bombas, que arruinaram algumas casas.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pôs o governador fachos em a torre e sucedeu que estando ele com muita gente na abóbada da porta do Calvário, dos quais todos dormiam, senão João Mendes Mexia, Fernão Gomes de Cabreira e Gilot, que passeavam, se disparou uma arma, e o pelouro dela deu em Salvador Machado, sargento-mor dos auxiliares de Beja, e lhe quebrou uma perna, de que morreu em três dias. Como era noite em que se trabucava, com  o ruído do tiro saíram todos fugindo desacordados, cuidando que era bomba que ali caíra, com o que se não pôde fazer averiguação certa do caso, mas sempre se teve que foi desastre.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Duravam as baterias, e de uma e outra plataforma atiravam furiosamente. Em tanto que houve dia em que se contaram setecentos tiros, segundo me afirmaram soldados curiosos e de verdade. Domingo <span style="color:#000000;">[dia 29]</span> pela manhã se passou para a praça um soldado do exército, era português, deu algumas notícias do poder do inimigo, mas pouco certas. de tarde saíram a tomar língua dois soldados nossos que foram Gonçalo Vaz e outro, o inimigo os carregou com muitos, contra os quais sustentaram uma escaramuça por muito tempo, e se retiraram sem dano.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>À noite começámos de ver fogos por junto de Juromenha, tivémos grande festa, entendendo que era o nosso exército. Como assim foi sem embargo de que Castilho <span style="color:#000000;">[Stéphane Auguste de Castille]</span> sustentava, e com apostas, que nem era o exército, nem havíamos de ser socorridos, o que dava grande escândalo a todos. O governador mandou continuar os fachos na torre.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#000000;">[30]</span> 2ª feira pela manhã se via que da linha da comunicação entre as baterias do inimigo saía formado um aproche, com que caminhava direito à estrada encoberta, pela parte do baluarte da Rainha. Este formavam de noite, e faziam o que lhe bastava para se cobrirem de alto e grosso, e de dia o engrossavam e trabalhavam cobertos.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pela manhã veio um escravo branco e ferrado, que era tambor-mor, e cuidava que o nosso forte era quartel seu, e se veio meter nele. Este foi trazido ao governador e disse que no dia atrás tinha chegado ao exército D. Francisco de Guzmán, novo mestre de campo que vinha de Sevilha com nove companhias de infantaria, e que logo lhe mataram um moço que era o melhor sapateiro que havia na cidade.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Do quartel de S. Francisco Velho se passou para cá outro castelhano bem fardado, mas ao meu ver e ao de todos, falto de juízo. Outro se tomou para língua, de todos soubemos que entre os Duques de S. Germán e o de Osuna houvera diferenças e que chegaram <span style="color:#000000;">[a]</span> vir à espada, e foi porque o de Osuna disse que era ruim guerra atirar às casas da vila, que queria ganhar, e que rompesse a muralha e entrasse a praça, que a isso vinha; sobre estas tiveram outras razões, e a final a de Osuna foi que em Espanha, depois de El-Rei, só ele era e ninguém lhe precedia. Na noite deste dia trabucou o inimigo e lançou sete bombas, com o que arruinou quatro moradas de casas.<br />
</strong></span></p>
<p>(continua)</p>
<p>Este texto corresponde à transcrição (com ortografia actualizada) de um manuscrito anónimo existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, agora somente disponível em microfilme (FR 970), cujo título é <span style="color:#000000;"><strong>Relação de tudo o que [se] passou em Oliuença e no Campo do Cerco e tomada da praça pellos Castelhanos. Abril anno de 1657</strong></span>.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: Olivença &#8211; vista parcial a partir da Torre d&#8217;El-Rei, mencionada no texto. Foto de Jorge P. Freitas.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Portugal não pertence a Espanha!]]></title>
<link>http://pdr21.wordpress.com/2009/09/15/portugal-nao-pertence-a-espanha/</link>
<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 08:32:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Alquimista Real</dc:creator>
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<description><![CDATA[Os espanhóis vão avançando e ninguém diz nada… Olivença diz-lhe alguma coisa?! Olivença é portuguesa]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Os espanhóis vão avançando e ninguém diz nada… Olivença diz-lhe alguma coisa?! Olivença é portuguesa]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Portugal não pertence a Espanha!]]></title>
<link>http://patriotafunchalense.wordpress.com/2009/09/15/portugal-nao-pertence-a-espanha/</link>
<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 08:26:27 +0000</pubDate>
<dc:creator>babyboyswim</dc:creator>
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<description><![CDATA[Os espanhóis vão avançando e ninguém diz nada&#8230; Olivença diz-lhe alguma coisa?! Olivença é port]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div style="text-align:justify;">Os espanhóis vão avançando e ninguém diz nada&#8230; <a href="http://www.olivenca.org/">Olivença</a> diz-lhe alguma coisa?!</div>
<div style="text-align:justify;">Olivença é portuguesa e não espanhola!</div>
<div style="text-align:justify;">As Selvagens são portuguesas e não espanholas!</div>
<div style="text-align:justify;">Parece que é importante dizer e referir isso, os espanhóis têm a memória curta.</div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre o ensino do português na Extremadura Espanhola e a questão de Olivença]]></title>
<link>http://movv.org/2009/09/15/sobre-o-ensino-do-portugues-na-extremadura-espanhola-e-a-questao-de-olivenca/</link>
<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 04:25:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clavis Prophetarum</dc:creator>
<guid>http://movv.org/2009/09/15/sobre-o-ensino-do-portugues-na-extremadura-espanhola-e-a-questao-de-olivenca/</guid>
<description><![CDATA[http://www.travel-images.com A Comunidade Autónoma da Extremadura aderiu oficialmente ao acordo entr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div class="wp-caption alignnone" style="width: 385px"><img src="http://www.travel-images.com/portugal-map.jpg" alt="http://www.travel-images.com" width="375" height="475" /><p class="wp-caption-text">http://www.travel-images.com</p></div>
<p>A Comunidade Autónoma da Extremadura aderiu oficialmente ao acordo entre Portugal e Espanha que possibilita o ensino da língua portuguesa nessa Comunidade. Neste âmbito, o português será ensinado nas escolas da Estremadura por 14 professores portugueses enviados para Badajoz e 3 outros enviados para Cáceres.</p>
<p>O objetivo do governo autónomo é dentro de alguns anos, todos os alunos conheçam língua portuguesa. Do lado português, a situação recíproca está mais avançada, havendo perto de 60 mil alunos de castelhano em Portugal, muitos dos quais no ensino privado e fora de qualquer cobertura institucional, como sucede em Espanha.</p>
<p>A Extremadura coloca-se assim na vanguarda da aplicação deste acordo Luso-Espanhola, bem à frente da Galiza, onde a Xunta (recentemente transitada para o Partido Popular) se mantêm ainda no bífido terreno das promessas&#8230;</p>
<p>A introdução do ensino do português na Extremadura reveste-se de especial importância se tivermos em conta que é precisamente nesta Comunidade que se situam os 3 concelhos portugueses ocupados ilegalmente e ao arrepio de tratados internacionais nunca honrados por Espanha desde 1801. Badajoz situa-se muito próximo dos concelhos de Olivença e estes professores de português poderão contribuir para o renascimento da língua de Camões depois de séculos de repressão e de apoio isolado, mas abnegado por parte da associação local Além Guadiana.</p>
<p>A situação da língua portuguesa em Olivença é hoje dramática. Até aos começos da década de cinquenta, a maioria dos habitantes dos três concelhos ainda usavam o português de forma corrente e quotidiana. Mas por volta dessa época o Estado Espanhol começou a introduzir o castelhano, no ensino e na administração local. Usando métodos muito semelhantes à máscara do bilinguismo na Galiza, Madrid conseguiu reduzir a língua destes territórios portugueses ocupados a uma expressão praticamente museográfica. Na década de 60, todos os habitantes eram bilingues &#8211; antecipando a plena aculturação &#8211; e hoje em dia, em grande medida devido ao afluxo contínuo de colonos e de repressão linguística por parte do Estado central, o português quase desapareceu.</p>
<p>Existem muitos paralelismos entre os concelhos de Olivença e a presente situação da Galiza: o Bilinguismo, o poder do Ensino e da Administração Publica aplicado contra a língua local por parte dos espanholistas e a indução de mitos infundados e desprestigiantes que buscam associar na mente dos habitantes locais o uso do português à ruralidade e à incultura, são instrumentos que já conhecemos e que seguem hoje sendo aplicados na Galiza, sempre com o mesmo objetivo: aculturar a população local e substituir a língua portuguesa pelo castelhano.</p>
<p><strong>Fontes:</strong><br />
<a href="http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&#38;view=article&#38;id=1039:portugues-sera-segunda-lingua-do-ensino-na-estremadura&#38;catid=2:informante&#38;Itemid=74http://pt.wikipedia.org/wiki/Extremadura" target="_blank">http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&#38;view=article&#38;id=1039:portugues-sera-segunda-lingua-do-ensino-na-estremadura&#38;catid=2:informante&#38;Itemid=74http://pt.wikipedia.org/wiki/Extremadura</a><br />
<a href="http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1318336" target="_blank">http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1318336</a><br />
<a href="http://www.olivenca.org/historiaDeOlivenca.htm" target="_blank">http://www.olivenca.org/historiaDeOlivenca.htm</a><br />
<a href="http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/" target="_blank">http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/</a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cerco e tomada de Olivença, 1657 (2ª parte - de 15 a 19 de Abril de 1657)]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/14/cerco-e-tomada-de-olivenca-1657-2%c2%aa-parte-de-15-a-19-de-abril-de-1657/</link>
<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 01:02:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
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<description><![CDATA[Abril 15. Domingo, por noite, partiu o tenente-general [Achim de Tamericurt] para Elvas levando cons]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="aligncenter size-full wp-image-1019" title="Duck" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/09/duck.jpg" alt="Duck" width="600" height="696" /></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Abril 15. Domingo, por noite, partiu o tenente-general <span style="color:#000000;">[Achim de Tamericurt]</span> para Elvas levando consigo oito companhias e ficou na praça a do capitão Agostinho Estevão de Castilho, francês <span style="color:#000000;">[<em>Stéphane Auguste de Castille, capitão francês de cavalaria, cuja desventura em Olivença já foi tratada <a href="http://guerradarestauracao.wordpress.com/2008/05/29/stephan-auguste-de-castille-e-a-perda-de-olivenca-em-1657-parte-1/">aqui</a> e <a href="http://guerradarestauracao.wordpress.com/2008/05/30/stephane-auguste-de-castille-e-a-perda-de-olivenca-em-1657-parte-2/">aqui</a></em>]</span>, e com ela alguns cavalos de outras companhias, que por todos ficaram oitenta cavalos; destes se fizeram duas tropas, uma das quais governava o dito capitão e a outra o seu tenente Manuel Pacheco. A cavalaria passou por Guadiana pelo porto de Chiso, junto de Telena, nesta passagem se afogaram dois soldados e outros dois se perderam das tropas, e tornaram para a praça.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Trabalhava o inimigo já no quartel de Vale Mimoso, aonde ao depois pôs uma bateria, e dela por uma linha guarnecia outra que era a de São Bartolomeu. Antes que pusesse baterias, quis nesta noite inquietar-nos trabucando, para o que se chegou perto da Cruz de São Pedro, aonde pôs o morteiro e lançou na praça nove bombas, cada uma de peso de 150 libras, as quais caíram dentro da vila, porém nenhuma fez dano.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>16. Segunda-feira amanheceu feita uma plataforma a meia ladeira do Espinhaço da Cabra, e dela atirou o inimigo com dois meios canhões às casas da vila, também se viram balas de dez libras de uma peça vindas daquela parte, durou esta bateria desta parte até vinte deste mês.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Pela meia-noite entrou na praça João Mendes Mexia, que estava fora dela no tempo que o inimigo veio, e com ele mandou o governador das armas a Francisco de Sey, francês, comissário geral que era da artilharia e soldado prático. Vieram guiados pelo cabo de esquadra Furtado e o soldado Navarro, ambos da companhia de Dinis de Melo <span style="color:#000000;">[de Castro]</span>.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Neste dia se adiantaram dois rapazes e um soldado infante e foram às hortas de Corna buscar favas e alhos; a estes tomou o inimigo e os levou ao seu quartel da Corte.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>18. Quarta-feira largou o inimigo o soldado que tomou e a um dos rapazes. Por estes mandou lançar na praça alguns escritos, todos do mesmo teor. O governador os recolheu todos e só um pude eu haver, que dizia o seguinte:</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong><span style="color:#800080;">A compaixão grande que se tem de que os que são vassalos de Sua Majestade <span style="color:#000000;">[Filipe IV de Espanha, III de Portugal]</span>, ainda que inobedientes, padeçam por sua demasiada obstinação os grandes males que a guerra traz consigo, mormente sendo civil, e entre cristãos, há parecido, por que se escusem tão grandes danos, advertir a todos os que se acham nesta praça que, passando-se a este campo, não só se lhes dará perdão do passado, mas ainda querendo servir, se lhes assentará praça, e socorrerá conforme sua qualidade, e não querendo servir se lhes dará dinheiro para entrar-se pela terra adentro; tendo entendido que os que não quiserem usar desta oportunidade, e aguardarem a que se ponham as baterias, e que se abram brechas, serão tratados como inimigos obstinados, e não haverá para eles recurso de misericórdia.</span> Muitos destes escritos lançou o inimigo à roda da praça, mas sem efeito.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>19. Quinta-feira por noite despediu o governador o cabo e soldado que trouxeram ao Du Four <span style="color:#000000;">[<em>François Du Four, engenheiro francês</em>]</span>, e eles fizeram caminho por Mourão e foram a salvamento; nesta noite entraram dois correios do Conde de São Lourenço com cartas para o governador, e uma delas trouxe um vidro de óleo de ouro <span style="color:#000000;">[<em>tintura utilizada para desinfectar e tratar ferimentos</em>]</span>. De tarde tinha chegado o rapaz que ficou retido no quartel do inimigo, era este um Afonso, filho do cabo de esquadra Afonso Mouro, e advertiu muito bem em tudo o que viu e lhe disseram; a este deram outros escritos, dizendo-lhe que os desse ao vigário. O governador os recolheu todos como os demais.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Neste dia começaram já a crescer as trincheiras do quartel que o inimigo fez a São Francisco o Velho, e a linha exterior que fez pelo alto do Espinhaço da Cabra.</strong></span></p>
<p>(continua)</p>
<p>Este texto corresponde à transcrição (com ortografia actualizada) de um manuscrito anónimo existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, agora somente disponível em microfilme (FR 970), cujo título é <span style="color:#000000;"><strong>Relação de tudo o que [se] passou em Oliuença e no Campo do Cerco e tomada da praça pellos Castelhanos. Abril anno de 1657</strong></span>.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: &#8220;Soldados jogando cartas na Sala da Guarda&#8221;, quadro de Jacob Duck, Museu das Belas Artes, Budapest.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cerco e tomada de Olivença, 1657 (1ª parte - 13 e 14 de Abril de 1657)]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/12/cerco-e-tomada-de-olivenca-1657-1%c2%aa-parte/</link>
<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 11:20:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
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<description><![CDATA[Inicio aqui a transcrição de um manuscrito existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, a]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="aligncenter size-full wp-image-1014" title="Luís XIV com soldados franceses no cerco de Tournai, 21-6-1667, Adam Meulen" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/09/luis-xiv-com-soldados-franceses-no-cerco-de-tournai-21-6-1667-adam-meulen.jpg" alt="Luís XIV com soldados franceses no cerco de Tournai, 21-6-1667, Adam Meulen" width="495" height="371" /></p>
<p>Inicio aqui a transcrição de um manuscrito existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, agora somente disponível em microfilme (FR 970), com o título <span style="color:#000000;"><strong>Relação de tudo o que [se] passou em Oliuença e no Campo do Cerco e tomada da praça pellos Castelhanos. Abril anno de 1657</strong></span>. Este manuscrito anónimo foi transcrito e publicado por Horácio Madureira dos Santos em 1973, em <em>Cartas e outros documentos da época da Guerra da Aclamação</em>, Lisboa, Estado-Maior do Exército, pgs. 185-212. No entanto, dado o interesse do documento e a restrita divulgação do mesmo, creio ser oportuna a sua apresentação aqui. A diferença em relação ao original e à transcrição efectuada por Horácio Madureira dos Santos consistirá na actualização da ortografia utilizada, da pontuação (para facilitar a inteligibilidade do texto), na correcção de alguns erros de transcrição da versão de Horácio Madureira dos Santos e o acrescento de alguns apontamentos (mantendo, porém, os que foram da lavra de Madureira dos Santos, identificados com HMS). Trata-se um documento longo, que irá ocupar uma série de entradas superior à habitual, pelo que será possível que intercale esta série com outros artigos.</p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong>Relação de tudo o que <span style="color:#000000;">[se]</span> passou em Olivença e no campo do cerco e tomada da praça pelos Castelhanos. Abril ano de 1657</strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">A 12 de Abril tocaram arma as atalaias que ficam dando vista à ribeira, quarta-feira <span style="color:#000000;">[<em>erro; trata-se de quinta-feira, conforme notou HMS</em>]</span> pelas sete horas da manhã, e como não tínhamos particular aviso que o inimigo marchava para Olivença, tivemos que seria rebate ordinário. Montou-se a cavalaria governada pelo tenente-general Achim de Temarachut <span style="color:#000000;">[<em>Tamericurt</em>]</span>, e foram descobrindo para aquela parte <span style="color:#000000;">[de]</span> Joana Castanha. Tinham parado doze batalhões direito ao caminho que vai de Juromenha para Olivença, a fim de não deixarem passar pelo porto de Guadiana nenhuma coisa de uma praça para a outra. Com este aviso se acolheram à praça todos bem sentidos de ficar a cavalaria dentro, pela falta que faria aquele troço de nove companhias no nosso exército.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">Pelas dez horas do dia vimos a vanguarda do exército marchando da coutada da ventana pela de Fiselha para a fralda da serra de Olor e se foram entrando pelos olivais, ocupando o outeiro do Espinhaço de Cabra e Vale de São Francisco o Velho, e ali começaram o seu primeiro quartel que por muitos dias foi o da Corte <span style="color:#000000;">[<em>ou seja, o do Estado-Maior do Exército</em>]</span>.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">Sexta-feira 13 do dito mês saíram da guarda as companhias dos tenentes-generais e as de D. Luís da Costa e João do Crato da Fonseca, que por ser mais antigo as governava, e indo ele descobrindo pela parte do Pereirão, deu vista de uma partida do inimigo, que trazia língua <span style="color:#000000;">[<em>ou seja, um civil português, capturado para da informações</em>]</span> e uns burros; arrojou-se a ela com cinco cavalos e tomou doi do castelhano e a presa.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">Pelas dez horas do dia quis o inimigo reconhecer a praça e a viu em redondo, e todos os sítios em que podia aquartelar-se. A artilharia da praça fazia com que eles vissem tudo mais ao largo e com pouca segurança.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">Estava o capitão D. Luís da Costa com a sua companhia junto da ponte de Ramapalhas e os batalhões do inimigo iam pela outra parte do ribeiro, e atrás deles dois soldados infantes por verem também, mas logo que foram vistos da nossa tropa mandou o capitão três soldados que pegassem deles, e intentando tomaram um que era vilão <span style="color:#000000;">[<em>civil, paisano</em>]</span>, e não acharam o outro.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">Nesta vista que o inimigo deu à praça chegou ao olival de João cabelo e para receber melhor o sítio, travou uma escaramuça com a companhia do tenente-general Dinis de Melo<span style="color:#000000;"><strong> [de Castro]</strong></span>, governada pelo seu tenente Manuel Dias Veloso, que se houve com muito valor e resolução. Da muralha e do forte lhe deram, ao inimigo, carga alguns mosqueteiros <span style="color:#000000;">[<em>dar carga, neste sentido, significa disparar</em>]</span>, com que se  afastou e foi continuando em ver a praça e quartéis ou sítio acomodado para eles, e no fim se recolheu para o vale de São Francisco o Velho.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">Pelo meio-dia veio marchando a bagagem e artilharia do inimigo e retaguarda do seu exército pelo mesmo caminho, e se recolheu tudo em o mesmo sítio que a vanguarda.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">Logo que o inimigo chegou, mandou o governador Manuel de Saldanha guarnecer a estrada coberta tudo ao redor da muralha, a qual, em poucos dias que havia que estava na praça, tendo vindo da Corte, a mandou reformar com estacas de novo, que eu tinha nos meses de antes conduzido, e mandou consertar os parapeitos que em muitas partes estavam arruinados, e com o terço do mestre de campo João Álvares de Barbuda mandou trabalhar ao forte que Gilot <span style="color:#000000;">[<em>Jean Gilot, engenheiro militar</em>]</span> tinha principiado defronte da porta do Calvário, o qual era uma obra curva que continha três baluartes e dois meios, tudo pequeno, e fechava na estrada coberta com duas linhas, ficando a porta ou rastilho dela em o meio delas.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">Estava esta obra muito imperfeita e a meu juízo feito menos de metade dela, conforme ao voto de todos se pudera escusar com um forte pequeno que ali tinha mandado fazer o mestre de campo João Lopes Barbalho, o qual se guarnecia com cinquenta mosqueteiros e bastava para impedir ao inimigo o alojar-se ali e bater daquela parte, e este outro nos ocupava nove companhias de guarnição com um cabo <span style="color:#000000;">[<em>no sentido de "cabo de guerra", oficial superior, provavelmente um sargento-mor</em>]</span>, e assim ficava a estrada coberta menos sortida de gente, e aquela ocupada com pouca utilidade e grande discómodo.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">Abril 14. Teve notícia por algumas pessoas que passaram de Juromenha para Olivença que o inimigo não tinha impedido o caminho, o que foi parte para que a guarnição da atalaia de São João se recolhesse à praça depois de queimar a pólvora que tinha.</span></strong></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><strong><span style="color:#008000;">De tarde se mandaram aplicar as cavalgaduras que tinham vindo com o último comboio, e sendo noite as mandaram pelo caminho de Juromenha a cargo de um condutor da artilharia que tinha vindo com elas e passaram todas segundo nos informaram. Nesta noite partiu para o nosso exército<span style="color:#000000;"> <strong>[<em>o exército de socorro, comandado pelo Conde de São Lourenço</em>]</strong></span>, com cartas, o ajudante de cavalaria Manuel da S<strong>ilva Falcão, e chegou a ele com elas. Também entrou na praça um correio do Conde de São Lourenço.</strong></span></strong></span></p>
<p>(continua)</p>
<p><span style="color:#0000ff;"><span style="color:#008000;"><span style="color:#000000;"><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: Um cerco dez anos posterior ao mencionado na relação que acima se transcreve, e noutra latitude &#8211; Luís XIV de França assistindo ao cerco de Tournai em Junho de 1667. Quadro de Adam Meulen. </span><strong><br />
</strong></span></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Quixotescos? Sim, com toda a dignidade.]]></title>
<link>http://causamonarquica.wordpress.com/2009/07/30/quixotescos-sim-com-toda-a-dignidade/</link>
<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 23:03:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>ramsoft</dc:creator>
<guid>http://causamonarquica.wordpress.com/2009/07/30/quixotescos-sim-com-toda-a-dignidade/</guid>
<description><![CDATA[Os espanhóis veementemente reivindicam Gibraltar,  praça cedida após a Guerra da Sucessão de Espanha]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div></div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://fotos.sapo.pt/7h0DTVqrmu5K5zLpfwZI" target="_blank"><img style="border-color:black;" src="http://fotos.sapo.pt/Hkcptd3uWedKe7yOVe8d/s320x240" border="0" alt="" width="148" height="240" /><img style="border-color:black;" src="http://fotos.sapo.pt/7h0DTVqrmu5K5zLpfwZI/s320x240" border="0" alt="" width="320" height="213" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Os espanhóis veementemente reivindicam Gibraltar,  praça cedida após a Guerra da Sucessão de Espanha. Os espanhóis recusam-se veementemente a contemporizar com a hipótese da alienação das praças de Ceuta e Melilha ao reino de Marrocos. Não cedem e com a veemência razão imposta pela vontade das populações e da História. De facto, o Marrocos que hoje consideramos, é uma construção quase contemporânea, enquanto Melilha foi ocupada no século XVI e Ceuta após o 1º de Dezembro de 1640.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Os espanhóis recusam-se veementemente a considerar a hipótese de cumprimento do estipulado pelo Congresso Viena que reconheceu a legítima posse de Olivença &#8211; e do seu termo &#8211; por parte do reino de Portugal. Tratado assinado e jamais cumprido. Pelo contrário, além da nunca efectuada retrocessão de Olivença, a Espanha é de facto o único Estado na Europa que ciclicamente promove a ideia da desnecessária existência de um Estado vizinho. Jamais reivindicou uma parte do seu território ou uma <em>rectificação da fronteira,</em> tal como alemães e franceses fizeram em relação à Alsácia e à Lorena. Não, a Espanha pretende a total incorporação portuguesa &#8211; com as ilhas e o património que hoje representa a CPLP &#8211; nessa obra que os Reis Católicos sonharam e jamais foi consagrada perpetuamente no mapa da Europa.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">É por isso mesmo que <a href="http://purl.pt/1529">neste ponto</a>, Portugal não pode ceder. Nem pensar!</p>
<p>Fonte Estado Sentido, Nuno Castelo-Branco</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A "Espanha eterna"]]></title>
<link>http://atrida.wordpress.com/2009/07/28/a-espanha-eterna/</link>
<pubDate>Tue, 28 Jul 2009 14:39:56 +0000</pubDate>
<dc:creator>fsantos</dc:creator>
<guid>http://atrida.wordpress.com/2009/07/28/a-espanha-eterna/</guid>
<description><![CDATA[Muita coisa muda com o tempo. A Espanha não. Jornal &#8220;DESPERTADOR&#8221;, Elvas, 22 de Julho de]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><em>Muita coisa muda com o tempo. A Espanha não.</em></p>
<p>Jornal &#8220;DESPERTADOR&#8221;, Elvas, 22 de Julho de 2009<br />
ESTRANHO CONCEITO DE AMIZADE (UMA ESTRANHA HOMENAGEM)</p>
<p>O dia 11 de Julho de 2009 passou quase sem sobressaltos em Portugal. E, todavia, algo se passou que poderia ter deixado estupefacto qualquer cidadão mais atento. Em Olivença, foi oficialmente inaugurada uma estátua a Manuel Godoy, colocada numa sala da Torre de Menagem do Século XV ( Reinado de D. João II). Algumas declarações proferidas causam algum espanto&#8230; pelo menos, a um Português.<br />
Importa dizer algo sobre quem foi Manuel Godoy, para que se percebam as considerações que sobre tal se irão tecer.<br />
Assim, Godoy era o chefe do Governo espanhol no final do século XVIII. A sua mãe era portuguesa. Em 1793, as tropas portuguesas, ao abrigo duma aliança com Espanha, estavam a combater a Revolução Francesa no Rossilhão. O executivo espanhol não hesitou em tentar fazer a paz, sem avisar o seu aliado. Pela Paz de Basileia, Godoy conseguiu<br />
este desiderato, passando a Espanha a ser uma aliada da França, e recebeu o título de Príncipe da Paz. Os<br />
regimentos portugueses ficaram a &#8220;fazer a guerra sozinhos&#8221;. Tiveram de retirar (curiosamente, dois eram de Olivença).<br />
Entre 1795 e 1801, Portugal tentou fazer a paz com a França Revolucionária, e Godoy foi-se oferecendo como &#8220;embaixador da Paz&#8221;, prometendo tudo a Portugal, e promovendo encontros diplomáticos, incluindo entre as casas reais dos dois Estados Ibéricos. Isto não o impediu de chefiar as tropas espanholas que, com a França como<br />
instigadora, invadiram Portugal em 1801, tomando Olivença em 20 de Maio (Guerra das Laranjas). Sabe-se que os oliventinos ficaram desagradados com tal situação. Ofenderam os ocupantes, e muitos terão olhado para a Torre de Menagem, como símbolo do seu orgulho&#8230; que os tinha levado a abandonar a sua povoação em 1657, e até 1668,<br />
durante uma ocupação espanhola durante a Guerra da Restauração.<br />
Entre 1801 e 1811, houve protestos em Olivença. Godoy chegou a prometer tender a esses protestos, um dos quais ia no sentido da devolução da localidade à coroa portuguesa. Godoy que, por ter enredado a Espanha nos meandros da política francesa, transformando-a numa espécie de protectorado, foi derrubado por uma revolta popular contra ele e contra a França (o célebre 2 de Maio de 1808).<br />
O resto e conhecido. Portugal considera que recuperou o direito a Olivença, principalmente após o Congresso de Viena de Áustria em 1815. Por outro lado, procedeu-se a uma castelhanização intensa em Olivença, que produziu muitos traumas e sofrimentos na população local.<br />
Depois de 1974 e 1975, as relações entre Portugal e Espanha têm vindo a melhorar, evitando-se actos mais ou menos hostis. Busca-se a amizade e a cooperação, procuram-se laços históricos comuns. Por isso, o que se passou em 11 de Julho de 2009 parece ser uma contradição. Recorda-se o conquistador, coloca-se uma estátua sua numa sala da<br />
portuguesíssima Torre de Menagem, e pronunciam-se discursos verdadeiramente inesperados. Afirma-se que &#8220;como<br />
Godoy era pacense de nascimento e português pela parte da mãe, foi o artífice (&#8230;) de que Olivença voltasse a ser espanhola depois de 504 anos em poder de Portugal&#8221; (por que razão, então, durante a União Ibérica de 1580-1640 Madrid a manteve como portuguesa?). Fala-se também em incentivar Portugal a prosseguir com a construção do<br />
TGV, e na necessidade de &#8220;ampliar&#8221; as relações com o País vizinho. Voltou-se a afirmar que Olivença figura nos arquivos da C.I.A. como um lugar potencialmente perigoso (o que não corresponde minimamente à verdade, como muito bem sabe quem tal proferiu), e, numa insinuação à Questão de Olivença, disse-se que &#8220;hoje, não teria sentido marcar fronteiras onde elas não existem&#8221;. Esta afirmação acaba por ser quase hilariante, já que Portuga não reconhece nenhuma fronteira diante de Olivença, e portanto parece querer-se dizer que Portugal nunca a deverá colocar, e que está a ser um pioneiro! Mas, claro, o sentido era bem outro.<br />
Isto tudo foi dito por altos responsáveis da Junta da Extremadura e da Câmara de Olivença. Como se pode compreender toda esta cerimónia, ou homenagem, num quadro de um óptimo relacionamento Portugal-Espanha, e entre o Alentejo e a Extremadura espanhola, é algo que, penso, não é de fácil compreensão. Mas&#8230; enfim&#8230; cada País fará as homenagens que entender, consoante a sua leitura da História. Neste caso, decididamente, Portugal e Espanha frequentaram escolas diferentes.</p>
<p>E muitos portugueses perguntar-se-ão se o que outrora se dizia, como &#8221;a Espanha não respeita Portugal e no fundo só deseja a sua humilhação ou anexação&#8221;, embora decerto errado em democracia, não esconderia alguma coisa de verdade. Pela amizade entre Portugal e Espanha tudo deve ser feito. Dentro do respeito mútuo, pensam muitos. Mas, depois deste evento, muitos ficarão a pensar se &#8221;mútuo&#8221; não será uma ironia&#8230;<br />
Uma última nota para a reacção do Estado Português. Ela simplesmente não existiu. Apenas, dois dias depois, a Ministra da Educação se deslocava a Mérida, onde se assinou um acordo para o Ensino do Português na Extremadura Espanhola. Com muitos elogios à amizade que a Junta da Extremadura revelava em relação a Portugal. Sobre o insólito gesto do dia 11, nem uma palavra&#8230;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[As mulheres e a guerra]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/07/03/as-mulheres-e-a-guerra/</link>
<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 01:06:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
<guid>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/07/03/as-mulheres-e-a-guerra/</guid>
<description><![CDATA[Um dos títulos mais recentes na área da História Militar da Era Moderna é Women, Armies, and Warfare]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="aligncenter size-full wp-image-891" title="TERBORCH" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/07/terborch.jpg" alt="TERBORCH" width="600" height="781" /></p>
<p>Um dos títulos mais recentes na área da História Militar da Era Moderna é <a href="http://guerradarestauracao.wordpress.com/leituras/"><em>Women, Armies, and Warfare in Early Modern Europe</em></a>, de John A. Lynn II (New York, Cambridge University Press, 2008 &#8211; este autor assinava anteriormente apenas como John A. Lynn). Não é a melhor das obras de Lynn: uma estrutura pouco clara, um texto assente sobretudo em fontes secundárias, uma quase ausência de fontes primárias. No entanto, não deixa de ter algum interesse, pois entra num campo ainda pouco estudado: a relação das mulheres com o meio militar, numa época em que os interditos e a representação de valores eram, em grande parte, desfavoráveis ao sexo feminino, mas que se esbatiam &#8211; sem se apagarem totalmente &#8211; no seio da comunidade castrense. A mulher como companheira, legítima ou ilegítima, do militar, ganhando a vida com o comércio, incluindo o do próprio corpo, participando, por vezes activamente, nos perigos dos combates ou, no mínimo, nas actividades rotineiras dos exércitos. Em qualquer dos casos, sempre sujeita a cair vítima da violência de campanha, tal como a mulher que não se integrava na comunidade militar, mas que se deparava com a rudeza dos combatentes quando irrompiam pelas suas casas e propriedades para se alojarem ou, pior, com o intuito de pilhar e violar.</p>
<p>No período da Guerra da Restauração não são muito numerosas as referências à presença feminina enquanto acompanhante regular dos exércitos no terreno. A sazonalidade das operações de maior envergadura e, por outro lado, a especificidade das pequenas operações de saque e pilhagem, não davam azo a que a mulher se encontrasse com frequência ao lado dos militares no terreno, ao contrário do que sucedia, por exemplo, com os exércitos da Guerra dos Trinta Anos. Todavia, no que concerne a situações em que a mulher se podia encontrar no teatro de operações, sob os mais variados aspectos, as fontes não são tão escassas. Respigo aqui algumas passagens de dois casos diferentes: a mulher que participa activamente na guerra e a mulher que é vítima acidental das operações militares. Incentivos ao aprofundamento da pesquisa e análise sobre o tema, vertidas, como é habitual neste espaço, para português actual.</p>
<p><strong>1. A mulher combatente (não enquadrada no exército)</strong></p>
<p>Durante o ataque espanhol a Ouguela, em 1644, <span style="color:#008000;"><strong>saiu a esta defensa uma mulher com um chuço, que pelejou nas trincheiras como qualquer soldado animoso; e se afirma que dos castelhanos mortos teve ela sua parte; foi ferida, e querendo-a um soldado retirar, o não consentiu, antes com maior ânimo se embraveceu e continuou a peleja</strong></span>. (ARAÚJO, João Salgado de,<a href="http://guerradarestauracao.wordpress.com/2008/09/13/narrativas-de-feitos-de-armas-4/"><em> Successos Militares das Armas Portuguesas em suas fronteiras depois da Real acclamação contra Castella. Com a geografia das Prouincias, &#38; nobreza dellas</em></a>, Lisboa, Paulo Craesbeeck, 1644, pg. 225 v)</p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Há nesta vila <span style="color:#000000;">[de Olivença]</span></strong><strong> uma moça, criada no campo, chamada Maria; serve a um seu parente lavrador; esta moça, tocando a rebate, sai no campo armada de peito e espaldar e morrião, com clavina <span style="color:#000000;">[<em>carabina</em>] </span>nas mãos, em um cavalo de seu amo; vai a ele, e sendo na vila acode à trincheira com valor e bizarria.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>É esta moça de tantas forças, que um capitão de pouco mais de vinte anos de idade me afirmou, que pegando-lhe ela de uma mão, para se livrar foi necessário querer ela largar-lha.</strong></span> (Aires Varela, <em>Sucessos que ouve nas fronteiras de Elvas, Olivença, Campo Maior e Ouguela, o primeiro anno da Recuperação de Portugal, que começou em 1º de Dezembro de 1640 e fez fim em ultimo de Novembro de 1641</em>, Elvas, Typografia Progresso de António José Torres de Carvalho, 1901, pg. 33)</p>
<p><strong>2. A mulher enquanto vítima das operações militares</strong></p>
<p>Após a tomada da vila de Oliva pelas forças portuguesas, em 10 de Janeiro de 1654, e de acordo com as capitulações acordadas entre sitiantes e sitiados, o soldado Mateus Rodrigues (Matheus Roiz) assistiu ao desfilar dos civis que abandonavam a vila, passando no meio das fileiras de soldados portugueses que ladeavam a estrada. Comoveu o soldado a situação em que muitas mulheres se encontravam: <span style="color:#008000;"><strong>não poderei aqui encarecer as grandes lástimas que neste dia aqui vi, porque além destas mulheres se verem fora de seu natural <span style="color:#000000;">[<em>ou seja, da sua terra natal</em>]</span> para sempre, com suas fazendas perdidas, fazia tão mau tempo que não se podia bulir com a muita água que chovia, que quando elas começaram assim era logo pela manhã, em 10 de Janeiro, ao Domingo, de 1654, e até noite nunca jamais deixou de chover, que suposto que Jerez de los Caballeros estava dali duas léguas, [que era] para onde esta gente se havia de retirar, muita dela havia de ficar ainda fora (&#8230;). Estas mulheres (&#8230;) eram entre todas 704, fora meninos, que passavam de 1.000 crianças e as demais delas mui pequenas. E havia mulher que levava duas nos braços e três em o rabo (&#8230;)<span style="color:#000000;"> [<em>ou seja, envoltas num xaile às costas</em>]</span>, uns gemendo e as mais chorando. Que como iam carregadas de fato à cabeça e levavam muitas delas muitos mantéus e saias vestidas, e como chovia muito, enchia</strong>[m]<strong>-se-lhe os fatos de água e não podiam bulir, e a tudo isto nós ali parados (&#8230;) esperando a água a pé quedo, (&#8230;) que ainda que quiséssemos fazer algum bem áquelas mulheres, não podíamos. (&#8230;) E trazia o bom velho <span style="color:#000000;">[<em>o governador de Oliva</em>]</span></strong><strong> consigo diante as suas duas filhas donzelas, que eram bizarras <span style="color:#000000;">[<em>quer dizer, bonitas</em>]</span>. Mas vinham elas tão enfadadas, que vinham muito cobertas, e não davam lugar a que víssemos bem suas partes, que não era o tempo para elas se deixarem ver. </strong></span>(<em>Manuscrito de Matheus Roiz</em>, pgs. 385-386).</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: &#8220;Homem oferecendo moedas a uma mulher&#8221;, 1660-1663, por Gerard Terborch, Museu do Louvre. Um militar (de cavalaria), uma jovem mulher, e a expectativa de uma transacção não inocente.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A César o que é de César]]></title>
<link>http://movv.org/2009/06/02/a-cesar-o-que-e-de-cesar/</link>
<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 20:22:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clavis Prophetarum</dc:creator>
<guid>http://movv.org/2009/06/02/a-cesar-o-que-e-de-cesar/</guid>
<description><![CDATA[(Sonho que tive: os espanholistas deixaram de exigir Gibraltar aos ingleses e entregaram Ceuta e Mel]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>(Sonho que tive: os espanholistas deixaram de exigir Gibraltar aos ingleses e entregaram Ceuta e Melilla aos marroquinos. Então deixei de lhes exigir Olivença.)</p>
<p>Partilho a realidade:</p>
<p>Grupo dos Amigos de Olivença<br /><a href="http://www.olivenca.org/">www.olivenca.org</a></p>
<p>*Divulgação</p>
<p>Petição «O Estatuto Jurídico de Olivença»</p>
<p>Numa iniciativa original de alguns apoiantes da Causa de Olivença, encontra-se em subscrição pública, «on-line», uma petição aos candidatos ao Parlamento Europeu. Pode consultar e subscrever em: <a class="fixed" href="http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2009N53" target="_blank">http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2009N53</a></p>
<p>Lx., 27-05-2009</p>
<p>SI/GAO.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Olivença, 208 anos...]]></title>
<link>http://movv.org/2009/05/20/olivenca-208-anos/</link>
<pubDate>Wed, 20 May 2009 13:09:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clavis Prophetarum</dc:creator>
<guid>http://movv.org/2009/05/20/olivenca-208-anos/</guid>
<description><![CDATA[.Grupo dos Amigos de Olivençawww.olivenca.org*Divulgação 05-2009 «Problema ibérico: A integração do ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>.<br />Grupo dos Amigos de Olivença<br /><a href="http://www.olivenca.org/">www.olivenca.org</a><br />*<br />Divulgação 05-2009</p>
<p>«Problema ibérico: A integração do Estado português, pela reintegração de Olivença».<br />(Fernando Pessoa)</p>
<p>PORTUGUESES DE OLIVENÇA: 208 ANOS DE SEQUESTRO POLÍTICO E CULTURAL!</p>
<p>Em 20 de Maio de 1801, Olivença foi ocupada militarmente pelos exércitos de Espanha. Passam hoje 208 anos.<br />Teve início e prossegue desde então a espanholização de um território onde, desde sempre, florescera a Cultura portuguesa.<br />Escondeu-se aos oliventinos a sua História, amesquinhou-se a sua Cultura, castelhanizaram-se os nomes, menorizou-se a Língua portuguesa.<br />O processo de colonização e aculturação espanholizante, encontrando a resistência surda das gentes oliventinas, continuou até aos nossos dias.<br />Portugal e a Cultura portuguesa defrontam-se com a perda e o sequestro de uma parte de si. A Língua de Camões &#8211; a Pátria de Fernando Pessoa! &#8211; encontra-se diminuída na sua universalidade. Aqui, à nossa beira, em Olivença.<br />Em contraponto, também hoje, comemora-se o sétimo aniversário da República Democrática de Timor Leste, proclamada em 20 de Maio de 2002. No outro lado do Mundo, os Timorenses reencontraram a sua identidade cultural e política.<br />Sinal e esperança de que também Olivença obterá Justiça, resgatando a sua História e dignificando a consigna que de Portugal recebeu: «Nobre, Leal e Notável Vila de Olivença»!</p>
<p>Contra o silêncio, um passo por Olivença!</p>
<p>Lx., 20 de Maio de 2009.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Boletim OLIVENÇA-PORTUGAL de Maio/2009]]></title>
<link>http://movv.org/2009/05/20/boletim-olivenca-portugal-de-maio2009/</link>
<pubDate>Tue, 19 May 2009 23:35:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clavis Prophetarum</dc:creator>
<guid>http://movv.org/2009/05/20/boletim-olivenca-portugal-de-maio2009/</guid>
<description><![CDATA[http://www.olivenca.org Grupo dos Amigos de Olivença www.olivenca.org Divulgação 04-2009 Saiu o Bole]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div class="wp-caption alignnone" style="width: 340px"><a href="http://www.olivenca.org"><img src="http://www.olivenca.org/imagens/splash_olivenca.gif" alt="http://www.olivenca.org" width="330" height="210" /></a><p class="wp-caption-text">http://www.olivenca.org</p></div>
<p><strong>Grupo dos Amigos de Olivença</strong><br />
<a href="http://www.olivenca.org/" target="_blank">www.olivenca.org</a></p>
<p>Divulgação 04-2009</p>
<p>Saiu o Boletim OLIVENÇA-PORTUGAL de Maio/2009, disponível para consulta em:<br />
<a href="http://www.olivenca.org/boletins/Bol_GAO_200905.pdf" target="_blank">http://www.olivenca.org/boletins/Bol_GAO_200905.pdf</a></p>
<p>Lx., 11-05-2009.«Problema ibérico: A integração do Estado português, pela reintegração de Olivença».<br />
(Fernando Pessoa)</p>
<p><strong><br />
PORTUGUESES DE OLIVENÇA: 208 ANOS DE SEQUESTRO POLÍTICO E CULTURAL!</strong></p>
<p><em>Em 20 de Maio de 1801, Olivença foi ocupada militarmente pelos exércitos de Espanha. Passam hoje 208 anos.<br />
Teve início e prossegue desde então a espanholização de um território onde, desde sempre, florescera a Cultura portuguesa.<br />
Escondeu-se aos oliventinos a sua História, amesquinhou-se a sua Cultura, castelhanizaram-se os nomes, menorizou-se a Língua portuguesa.<br />
O processo de colonização e aculturação espanholizante, encontrando a resistência surda das gentes oliventinas, continuou até aos nossos dias.<br />
Portugal e a Cultura portuguesa defrontam-se com a perda e o sequestro de uma parte de si. A Língua de Camões &#8211; a Pátria de Fernando Pessoa! &#8211; encontra-se diminuída na sua universalidade. Aqui, à nossa beira, em Olivença.<br />
Em contraponto, também hoje, comemora-se o sétimo aniversário da República Democrática de Timor Leste, proclamada em 20 de Maio de 2002. No outro lado do Mundo, os Timorenses reencontraram a sua identidade cultural e política.<br />
Sinal e esperança de que também Olivença obterá Justiça, resgatando a sua História e dignificando a consigna que de Portugal recebeu: «Nobre, Leal e Notável Vila de Olivença»!</em></p>
<p>Contra o silêncio, um passo por Olivença!</p>
<p>Lx., 20 de Maio de 2009.</p>
<p>A Direcção</p>
<p>___________________<br />
SI/GAO<br />
Rua Portas S. Antão, 58 (Casa do Alentejo), 1150-268 Lisboa<br />
<a href="http://www.olivenca.org/" target="_blank">www.olivenca.org</a> <a href="mailto:olivenca@olivenca.org">olivenca@olivenca.org</a><br />
Tlm. 96 743 17 69  -  Fax. 21 259 05 77</p>
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</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Boletim OLIVENÇA-PORTUGAL de Maio/2009]]></title>
<link>http://movv.org/2009/05/19/boletim-olivenca-portugal-de-maio2009-2/</link>
<pubDate>Tue, 19 May 2009 10:17:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clavis Prophetarum</dc:creator>
<guid>http://movv.org/2009/05/19/boletim-olivenca-portugal-de-maio2009-2/</guid>
<description><![CDATA[.Grupo dos Amigos de Olivençawww.olivenca.org Divulgação 04-2009 Saiu o Boletim OLIVENÇA-PORTUGAL de]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>.<br />Grupo dos Amigos de Olivença<br /><a href="http://www.olivenca.org/">www.olivenca.org</a></p>
<p>Divulgação 04-2009</p>
<p>Saiu o Boletim OLIVENÇA-PORTUGAL de Maio/2009, disponível para consulta em:<br /><a href="http://www.olivenca.org/boletins/Bol_GAO_200905.pdf">http://www.olivenca.org/boletins/Bol_GAO_200905.pdf</a></p>
<p>Lx., 11-05-2009.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Carlos Luna -  DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA À CANONIZAÇÃO DE NUN´ÁLVARES]]></title>
<link>http://causamonarquica.wordpress.com/2009/03/31/carlos-luna-do-portugues-de-olivenca-a-canonizacao-de-nun%c2%b4alvares/</link>
<pubDate>Tue, 31 Mar 2009 14:02:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>ramsoft</dc:creator>
<guid>http://causamonarquica.wordpress.com/2009/03/31/carlos-luna-do-portugues-de-olivenca-a-canonizacao-de-nun%c2%b4alvares/</guid>
<description><![CDATA[  carlosluna@iol.pt escreveu Jornal &#8220;PÙBLICO&#8221;, 27 de Março de 2009, &#8220;Jornada do Po]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p> <br />
<a href="mailto:carlosluna@iol.pt">carlosluna@iol.pt</a> escreveu</p>
<p>Jornal &#8220;PÙBLICO&#8221;, 27 de Março de 2009, &#8220;Jornada do Português de Olivença&#8221;</p>
<p>DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA À CANONIZAÇÃO DE NUN´ÁLVARES</p>
<p>«A elevação do Condestável à dignidade dos altares da Igreja Católica pelo Vaticano não pode ser ignorada por Portugal» «Para que servem os órgãos de Comunicação do Estado, se não abordam as questões de interesse nacional?»</p>
<p>General José Alberto Loureiro dos Santos (nota à margem do texto: este general é o melhor especialista em estratégia em Portugal. Não é muito conservador, tendo tido a confiança do chamado Bloco Central, isto é, do PSD e do Partiodo Socialista) Nestes tempos de pouca auto-estima nacional, está fora de moda dizermo-nos patriotas, afirmarmos o orgulho de sermos portugueses, termos vontade de projectar para o exterior os valores, personagens e acontecimentos que nos distinguem positivamente. Apesar disto, surpreende não ter sido aproveitado um acontecimento recente, que revela bem um dos trunfos em que deveríamos apostar, não apenas para nos destacarmos internacionalmente, mas também para unir bandeiras entre os portugueses &#8211; uma &#8220;jornada do português&#8221; em Olivença, efectuada no dia 28 de Fevereiro de 2009.</p>
<p>Deu um tom oficial à &#8220;jornada&#8221; a participação do Presifdente da Junta da Extrermadura espanhola, Guillermo Fernandez Vara, um oliventino de gema. Provocou uma onda de emoção nos cerca de 200 assistentes, ao lembrar que, &#8220;na sua casa paterna, o Português era a língua dos afectos&#8221;. Uma herança que preserva, tendo consciência de que constitui uma especificidade cultural da Região de Olivença, da qual poderá retirar muitas vantagens. Um encontro em que participaram numerosos especialistas em assuntos linguísticos, especialmente da língua portuguesa, tanto de nacionalidade portuguesa como espanhola. Mostrou que o Português está a renascer entre os oliventinos, com a Região Autónoma da Extremadura a considerar o seu ensino como actividade de importância estratégica para os extremenhos. Ouviram-se intervenções, além dos presidentes das câmaras de Olivença e de Barrancos, de professores universitários portugueses e espanhóis, do director(espanhol) do Instituto dos Direitos Humanos e consultor do Conselho da Europa e de uma representante do nosso Instituto Camões.</p>
<p>Foi bem destacado o papel da lìngua Portuguesa no mundo e a sua crescente atracção para todos os países que desejam ou precisam de tartar e conviver com uma comunidade de cerca de 240 milhões de falantes do Português.</p>
<p>A jornada foi promovida e organizada por uma associação oliventina, Além Guadiana, que tem por principais objectivos fazer reviver o português e outros aspectos culturais portugueses nas terras de Olivença, como mais-valia que caracteriza os oliventinos e os identifica face aos espanhóis. Uma comunidade específica de ligação cultural entre os dois países vizinhos, com potencial para ser uma área dinamizadora das melhores relações entre Portugal e Espanha.</p>
<p>É lamentável que, a este evento, &#8220;efectuado com o sancionamento das autoridades espanholas máximas a nível local e regional&#8221;, com a cobertura de numerosos e importantes órgãos de comunicação do País vizinho, a um acontecimento destes, durante o qual, pela primeira vez desde 1801, a língua portuguesa se manifestava (oficialmente) em Olivença, não tivesse havido um meio de comunicação social português de nível nacional que desse atenção e noticiasse. A televisão pública não se apercebeu? A Rádio Difusão Portuguesa não considerou importante? Provavelmente, deixaram-se distrair por outros acontecimentos, a maioria dos quais não teria, Para Portugal e CPLP, um centésimo da importância deste. Para que servem os órgãos de comunicação do Estado, se não abordam as questões de interesse nacinal?</p>
<p>Outro evento a que convém estar atento é a canonização de Nuno Àlvares Pereira, no próximo dia 26 de Abril.(&#8230;)</p>
<p>(NOTA: que me desculpem os leitores, mas, tendo tido de passar tudo letra por letra e palavra por palavra em tempo de serviço, não vou transcrever o resto do texto, tão extenso como o já apresentado, por falta de tempo; limitei-me ao que a Olivença diz respeito;se alguém o quiser fazer, animo-o a isso!!!! Carlos Luna)</p>
<p>Olivença, Portuguesa</p>
<p>_____________</p>
<p>No tocante a um texto sobre Olivença há tempos escrito no &#8220;Público&#8221; (29-I-09) é instante declarar o que segue.</p>
<p>Olivença não é apenas uma questão por resolver para qualquer português que se preze, sim, também, para qualquer homem que considere a prioridade e intangibilidade de princípios éticos e morais na política e nas relações internacionais. Toda a arte que existe em Olivença, lembremos, v.g., o castelo edificado por D. Dinis e o Manuelino, é portuguesa; e se, durante um bocado de uma tarde de Verão, por exemplo, penetrarmos para além do rosto de um oliventino, criança que seja, concluímos que não são rostos de espanhóis os que contemplamos. Podem já não ser bem portugueses – mas de espanhóis (estremenhos, castelhanos, valencianos, andaluzes…), isso não são de certeza absoluta. E não serão bem portugueses, porque dois séculos de imperialista ocupação assim o determinaram.</p>
<p>Mais. Há já bons pares de anos, decidi ir até à ponte destruída sobre o Guadiana e, logo ao lado do lugar onde estacionei a auto-vivenda, uma placa indicava &#8220;Finca Portugal&#8221;. Por que será uma tal placa?</p>
<p>«Olivença é uma pérola portuguesa incrustada na Extremadura», dizia, há pares e pares de anos, &#8220;El Pais&#8221;, ou no seu suplemento cultural (&#8220;Babelia&#8221;) ou no de viagens (&#8220;El Viajero&#8221;). Conservo o xis castelhano em Extremadura. Não guardei o periódico para o citar com rigor. Quanto à identificação do rosto não carece ser hiperestésico para o concluirmos. Ademais, alguém suficientemente familiarizado com a Europa, desde a Grécia a todos os países nórdicos, está, a fortiori, tranquilo ao afirmá-lo. Ou seja: seria estupendo que o jornalista (Nuno Pacheco) fosse mais perspicaz, informado, sabedor e viajado. Não estou a ser diminutivo e desejo-lhe o máximo de felicidades. Mas por que não se recorda daquilo que, ainda há tempos, a esse respeito, no &#8220;Público&#8221;, dizia o senhor general Loureiro dos Santos, esse excelente colaborador? Sim, porque o &#8220;Público&#8221; tem colaboradores à altura de uma civilização ou de uma cultura, como (ordem alfabética), v.g., Carlos Fiolhais, Cintra Torres, Santana Castilho ou Vasco Pulido Valente – sem<br />
&#62;&#62; demérito para outros mais e da… nulidade ou vulgaridade que também escreve no seu espaço.</p>
<p>Não obstante, há dias em que o &#8220;Público&#8221; surge como um estupendo jornal. Ironizando – repito: ironizando – apetece perguntar ao jornalista quanto lhe foi pago pelo inimigo para escrever um tal texto. É que o ângulo que apresenta confunde-se com o texto oficial que, na altura da visita, me foi fornecido. Aliás, nada me espantava que tal texto persistisse em Olivença. Foi uma tão dolorosa experiência que nunca mais voltei a essa terra portuguesa. Por que é que uma mutilação territorial, espiritual (a arte portuguesa lá está) não há-de ser uma mutilação ontológica?</p>
<p>E, já que falámos de espiritualidade e arte, quero deixar claro que esta espiritualidade não é a de que se reclamavam fauves, futuristas, cubistas, expressionistas…, porque essa potente vitalidade dos movimentos de vanguarda e a sua belicista militância sabemos a que conduziu. Não posso deixar de lembrar Hugo Grócio: «Uma flagrante injustiça poderá, com o tempo, tornar-se um direito?».</p>
<p>Para melhor esclarecimento e actualização da questão deve acrescentar-se mais. Em 12-IX-1997, no próprio dia do sétimo centenário do Tratado de Alcanizes, em Stª Maria de Aguiar, o então ministro dos Assuntos Exteriores de Espanha, D. Federico Trillo, afirmou que «na questão de Olivença a Espanha não tem defesa». Acabado o momento das comunicações, e quando estava acompanhado pelos Drs. Almeida Santos e António Vitorino, dirigi-me a D. Federico Trillo e, na presença dos referidos senhores, disse-lhe: «Muchísimas gracias por sus palabras D. Federico».</p>
<p>7-III-09<br />
Por: J. A. Alves Ambrósio</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Forum Realistas - Biografia de Ventura Ledesma Abrantes]]></title>
<link>http://causamonarquica.wordpress.com/2009/03/27/forum-realistas-biografia-de-ventura-ledesma-abrantes/</link>
<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 15:27:56 +0000</pubDate>
<dc:creator>ramsoft</dc:creator>
<guid>http://causamonarquica.wordpress.com/2009/03/27/forum-realistas-biografia-de-ventura-ledesma-abrantes/</guid>
<description><![CDATA[O Forum Realistas publicou uma nova biografia de Ventura Ledesma Abrantes, ilustres português nascid]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignnone" src="http://www.geocities.com/amigos_de_olivenca/ventura.gif" alt="" width="178" height="228" /></p>
<p>O Forum Realistas publicou uma nova biografia de Ventura Ledesma Abrantes, ilustres português nascido em Olivença &#8230; terra portuguesa ocupada por Espanha há 200 anos</p>
<p>Para <a href="http://www.realistas.org/modules/news/article.php?storyid=13">ler mais aqui</a></p>
<p>Cumprimentos A Direcção</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[OLIVENÇA NA IMPRENSA BRITÂNICA ]]></title>
<link>http://causamonarquica.wordpress.com/2009/03/18/olivenca-na-imprensa-britanica/</link>
<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 11:10:07 +0000</pubDate>
<dc:creator>ramsoft</dc:creator>
<guid>http://causamonarquica.wordpress.com/2009/03/18/olivenca-na-imprensa-britanica/</guid>
<description><![CDATA[Grupo dos Amigos de Olivença  www.olivenca.org  Divulgação 03-2009  OLIVENÇA NA IMPRENSA BRITÂNICA  ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Grupo dos Amigos de Olivença <br />
<a href="http://www.olivenca.org/" target="_blank">www.olivenca.org</a> </p>
<p>Divulgação 03-2009 </p>
<p>OLIVENÇA NA IMPRENSA BRITÂNICA </p>
<p>Daniel Hannan, político, escritor e jornalista inglês, com vasta obra  publicada sobre política europeia, debruçou-se agora, com saber e  perspicácia, sobre a Questão de Olivença em artigo no Telegraph, cuja  tradução para português se transcreve (segue-se o original em inglês). </p>
<p><a href="http://blogs.telegraph.co.uk/daniel_hannan/blog/2009/03/13/if_spain_wants_gi" target="_blank">http://blogs.telegraph.co.uk/daniel_hannan/blog/20 09/03/13/if_spain_wants_gi</a> <br />
braltar_when_is_it_planning_to_give_up_olivena </p>
<p>«SE A ESPANHA QUER GIBRALTAR, QUANDO TENCIONA DEVOLVER OLIVENÇA? <br />
Daniel Hanan </p>
<p>E se tivesse sido ao contrário? E se a Espanha tivesse tomado um pedaço  de território de alguém, forçado a nação derrotada a cedê-lo num tratado  subsequente, e o mantivesse ligado a si? Comportar-se-ia Madrid como quer  que a Grã-Bretanha se comporte em relação a Gibraltar? Ni pensarlo!  Como é que eu posso estar tão certo disso? Exactamente porque existe um  caso assim. Em 1801, a França e a Espanha, então aliadas, exigiram que  Portugal abandonasse a sua amizade tradicional com a Inglaterra e fechasse  os seus portos aos navios britânicos. Os portugueses recusaram firmemente,  na sequência do que Bonaparte e os seus confederados espanhóis marcharam  sobre o pequeno reino. Portugal foi vencido, e, pelo Tratado de Badajoz,  obrigado a abandonar a cidade de Olivença, na margem esquerda do Guadiana.  Quando Bonaparte foi finalmente vencido, as Potências europeias  reuniram-se no Congresso de Viena de Áustria para estabelecer um mapa  lógico das fronteiras europeias. O Tratado daí saído exigiu um regresso à  fronteira hispano-portuguesa (ou, se se preferir, Luso-espanhola) anterior  a 1801. A Espanha, após alguma hesitação, finalmente assinou o mesmo em  1817. Mas nada fez para devolver Olivença. Pelo contrário, trabalhou  arduamente para extirpar a cultura portuguesa na região, primeiro proibindo  o ensino do Português, depois banindo abertamente o uso da língua. <br />
Portugal nunca deixou de reclamar Olivença, apesar de não se ter  movimentado para forçar esse resultado (ameaçou hipoteticamente com a ideia  de ocupar a cidade durante a Guerra Civil de Espanha, mas finalmente  recuou). Embora os mapas portugueses continuem a mostrar uma fronteira por marcar em Olivença, a disputa não tem sido colocada na ordem do dia no  contexto das excelentes relações entre Lisboa e Madrid. <br />
Agora vamos analisar os paralelismos com Gibraltar. Gibraltar foi  cedida à Grã-Bretanha pelo Tratado de Utrecht (1713), tal como Olivença foi  cedida à Espanha pelo Tratado de Badajoz (1801). Em ambos os casos, o país  derrotado pode reclamar com razões que assinou debaixo de coacção, mas é  isto que acontece sempre em acordos de paz. <br />
A Espanha protesta que algumas das disposições do Tratado de Utrecht foram violadas; que a Grã-Bretanha expandiu a fronteira para além do que  fora estipulado primitivamente; que implementou uma legislação de  auto-determinação local em Gibraltar que abertamente é incompatível com a  jurisdição britânica especificada pelo Tratado; e (ainda que este aspecto  seja raramente citado) que fracassou por não conseguir evitar a instalação  de Judeus e Muçulmanos no Rochedo. Com quanta muito mais força pode  Portugal argumentar que o Tratado de Badajoz foi derrogado. Foi anulado em  1807 quando, em violação do que nele se estipulava, as tropas francesas e  espanholas marcharam por Portugal adentro na Guerra Peninsular. Alguns anos  mais tarde, foi ultrapassado pelo Tratado de Viena.  Certamente, a Espanha pode razoavelmente objectar que, apesar dos  pequenos detalhes legais, a população de Olivença é leal à Coroa Espanhola. <br />
Ainda que o problema nunca tenha passado pelo teste de um referendo, parece  com certeza que a maioria dos residentes se sente feliz como está. A língua portuguesa quase morreu excepto entre os mais velhos. A cidade (Olivenza em  espanhol) é a sede de um dos mais importantes festivais tauromáquicos da  época, atrai castas e matadores muito para além dos sonhos de qualquer  pueblo de tamanho similar. A lei portuguesa significaria o fim da tourada de estilo espanhol e um regresso à obscuridade provinciana. <br />
Tenho a certeza que os meus leitores entendem aonde tudo isto vai  levar. Este &#8220;blog&#8221; sempre fez da causa da auto-determinação a sua própria  causa. A reclamação do direito a Olivença (e a Ceuta e Melilla), por parte  de Espanha, assenta no argumento rudimentar de que as populações lá  residentes querem ser espanholas. <br />
Mas o mesmo princípio certamente se aplica a Gibraltar, cujos habitantes,  em 2002, votaram (17 900 votos contra 187!!!) no sentido de permanecer  debaixo de soberania britânica.  A Grã-Bretanha, a propósito, tem todo o direito de estabelecer conexões  entre os dois litígios. A única razão por que os portugueses perderam  Olivença foi porque honraram os termos da sua aliança connosco. Eles são os  nossos mais antigos e confiáveis aliados, tendo lutado ao nosso lado  durante 700 anos &#8211; mais recentemente, com custos terríveis, quando entraram  na Primeira Guerra Mundial por causa da nossa segurança. O nosso Tratado de  aliança e amizade de 1810 explicitamente compromete a Grã-Bretamha no  sentido de trabalhar para a devolução de Olivença a Portugal. <br />
A minha verdadeira intenção, todavia, é a de defender que estes  problemas não devem prejudicar as boas relações entre os litigantes rivais.  Enquanto Portugal não mostra intenção de renunciar à sua reclamação formal  em relação a Olivença, aceita que, enquanto as populações locais quiserem  permanecer espanholas, não há forma de colocar o tema na ordem do dia. Não  será muito de esperar que a Espanha tome um atitude semelhante vis-a-vis  Gibraltar. <br />
Uma vez que este texto certamente atrairá alguns comentários algo  excêntricos de espanhóis, devo clarificar previamente, para que fique  registado, que não é provável que estes encontrem facilmente um hispanófilo  mais convicto de que eu. Eu gosto de tudo o que respeita ao vosso país: o  seu povo, as suas festas, a sua cozinha, a sua música, a sua literatura, a sua fiesta nacional. Amanhã à noite, encontrar-me-ão no Sadler´s Wells, elevado até um lugar mais nobre e mais sublime pela voz de Estrlla Morente.  Acreditem em mim, señores, nada tenho de pessoal contra vós: o problema  é que não podem pretender ter uma coisa e o seu contrário.  (trad. C. Luna)</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[IF SPAIN WANTS GIBRALTAR, WHEN IS IT PLANNING TO GIVE UP OLIVENÇA?]]></title>
<link>http://tsavkko.wordpress.com/2009/03/16/if-spain-wants-gibraltar-when-is-it-planning-to-give-up-olivenca/</link>
<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 21:22:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Raphael Tsavkko Garcia</dc:creator>
<guid>http://tsavkko.wordpress.com/2009/03/16/if-spain-wants-gibraltar-when-is-it-planning-to-give-up-olivenca/</guid>
<description><![CDATA[Daniel Hanan What if it had been the other way around? What if Spain had helped itselfto a slice of ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://blogs.telegraph.co.uk/daniel_hannan/blog/2009/03/13/if_spain_wants_gi%20braltar_when_is_it_planning_to_give_up_olivena">Daniel Hanan</a></p>
<p>  What if it had been the other way around? What if Spain had helped itself<br />to a slice of someone else&#8217;s territory, forced the defeated nation to cede<br />it in a subsequent treaty, and hung on to it? Would Madrid behave as it<br />wants Britain to behave over Gibraltar? ¡Ni pensarlo!<br />How can I be so sure? Because there is precisely such a case. In 1801,<br />France and Spain, then allies, demanded that Portugal abandon her ancient<br />friendship with England and close her ports to British ships. The<br />Portuguese staunchly refused, whereupon Bonaparte and his Spanish<br />confederates marched on the little kingdom. Portugal was overrun and, by<br />the Treaty of Badajoz, forced to give up the town of Olivença, on the left<br />bank of the Guadiana.<br />When Boney was eventually defeated, the European powers met at the Congress<br />of Vienna to produce a comprehensive settlement of Europe&#8217;s borders. The<br />ensuing treaty urged a return to the pre-1801 Hispano-Portuguese (or, if<br />you prefer, Luso-Spanish) frontier. Spain, after some hesitation,<br />eventually signed up in 1817. But it made no move to return Olivença. On<br />the contrary, it worked vigorously to extirpate Portuguese culture in the<br />province, first prohibiting teaching in Portuguese, then banning the<br />language outright.<br />Portugal has never dropped its claim to Olivença, though it has made no<br />move to force the issue (it toyed with the idea of snatching the town<br />during the Spanish Civil War, but eventually backed off). Although<br />Portuguese maps continue to show an undemarcated frontier at Olivença, the<br />dispute has not been allowed to stand in the way of excellent relations<br />between Lisbon and Madrid.<br />Now let&#8217;s consider the parallels with Gib. Gibraltar was ceded to Great<br />Britain by the Treaty of Utrecht (1713), just as Olivença was ceded to<br />Spain by the Treaty of Badajoz (1801). In both cases, the defeated power<br />might reasonably claim that it signed under duress, but this is what<br />happens in all peace settlements.<br />Spain complains that some of the provisions of the Treaty of Utrecht have<br />been violated: that Britain has extended the frontier beyond that<br />originally laid down; that it has bestowed a measure of self-government on<br />Gibraltar incompatible with the outright British jurisdiction specified by<br />the Treaty; and (although this point is rarely pressed) that it has failed<br />to prevent Jewish and Muslim settlement on the Rock. With how much more<br />force, though, might Portugal argue that the Treaty of Badajoz has been<br />abrogated. It was annulled in 1807 when, in violation of its terms, French<br />and Spanish troops marched on Portugal in the Peninsular War. A few years<br />later, it was superseded by the Treaty of Vienna.<br />Of course, the Spanish might reasonably retort that, whatever the legal<br />niceties, the population of Olivença is loyal to the Spanish Crown. While<br />the issue has never been tested in a referendum, it certainly seems that<br />most residents are happy as they are. The Portuguese language has all but<br />died out except among the very elderly. The town (Olivenza in Spanish)<br />hosts one of the most important bullfighting ferias of the season,<br />attracting breeds and matadors beyond the dreams of any similarly sized<br />pueblo. Portuguese rule would mean an end to Spanish-style bullfighting,<br />and a return to provincial obscurity.<br />I&#8217;m sure you can see where this is going. This blog has always made the<br />cause of national self-determination its own cause. Spain&#8217;s claim to<br />Olivença (and Ceuta and Melilla) rests on the knock-down argument that the<br />people living there want to be Spanish. But the same principle surely<br />applies to Gibraltar, whose inhabitants, in 2002, voted by 17,900 to 187 to<br />remain under British sovereignty.<br />Britain, by the way, has every right to link the two issues. The only<br />reason the Portuguese lost Olivença is that they were honouring the terms<br />of their league with us. They are our oldest and most reliable allies,<br />having fought alongside us for 700 years &#8211; most recently, and at terrible<br />cost, when they joined the First World War for our sake. Our 1810 treaty of<br />alliance and friendship explicitly commits Britain to work for the<br />restoration of Olivença to Portugal.<br />My real point, though, is that these issues ought not to prejudice good<br />relations between the rival claimants. While Portugal has no intention of<br />renouncing its formal claim to Olivença, it accepts that, as long as the<br />people there want to remain Spanish, there is no point in pushing the<br />issue. It is surely not too much to expect Spain to take a similar line<br />vis-à-vis Gibraltar.<br />Since this post is likely to attract some crotchety comments from<br />Spaniards, I ought to place on the record that you&#8217;re not likely to find a<br />more convinced Hispanophile than me. I like everything about your country:<br />its people, its festivals, its cuisine, its music, its literature, its<br />fiesta nacional. Tomorrow night, you will find me in Sadler&#8217;s Wells,<br />transported to a nobler and more sublime place by the voice of Estrella<br />Morente. Believe me, señores, it&#8217;s nothing personal: it&#8217;s just that you<br />can&#8217;t have it both ways.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Chega a ser engraçado pensar na noção de autodeterminação dos povos exigida, no caso da Espanha, por ela, pro um Estado consolidado e não pela população de uma região potencialmente separatista.</p>
<p>No caso de Olivença existe um movimento cultural forte por lá e até um núcleo de pessoas que exigem a &#8220;devolução&#8221; da cidade à Portugal mas dificilmente este grupo constitui a maioria. Portugal, provavelmente, não moveria uma palha para pôr em risco suas relações com a vizinah espanha por causa de uma cidade perdida há 200 anos e que em nada acrescenta à nação portuguesa.</p>
<p>Mas o interessante disso tudo é notar como os Estdos usam noções que em nada combinam com sua situação ou com seu modus operandi geral.</p>
<p>Se a Espanha exige tão ferozmente que Gibraltar lhe seja devolvida &#8211; mesmo com acachapante vitória dos que apoiam a permanência da regiãocom a Grã Bretanha &#8211; poruqe não permite que Bascos e Catalães decidam seu próprio futuro?</p>
<p>Só vale para os outros?</p>
<p>É notável também que a Grã Bretanha tenha permitido um referêndo, tenha aceitado que a população de Gibraltar decidisse seu próprio futuro, num exemplo de democracia e respeito à decisão soberana do povo da região.</p>
<p>A Espanha sequer permite que partidos nacionalistas, como os Abertzales Bascos, concorram nas eleições regionais!</p>
<p>A hipocrisia espanhola é gritante!</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Cerco e tomada de Olivença, 1657 (3ª parte - 20 e 21 de Abril de 1657 )]]></title>
<link>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/15/cerco-e-tomada-de-olivenca-1657-3%c2%aa-parte-20-e-21-de-abril-de-1657/</link>
<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 23:45:58 +0000</pubDate>
<dc:creator>Jorge P. de Freitas</dc:creator>
<guid>http://guerradarestauracao.wordpress.com/2009/09/15/cerco-e-tomada-de-olivenca-1657-3%c2%aa-parte-20-e-21-de-abril-de-1657/</guid>
<description><![CDATA[20 [de Abril]. 6ª feira pela manhã mandou o governador cortar o arvoredo das hortas do Vale da Corna]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style="color:#008000;"><strong><img class="aligncenter size-full wp-image-1025" title="XIR27616" src="http://guerradarestauracao.wordpress.com/files/2009/09/vrancx.jpg" alt="XIR27616" width="450" height="314" /><br />
</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>20<span style="color:#000000;"> [de Abril]</span>. 6ª feira pela manhã mandou o governador cortar o arvoredo das hortas do Vale da Corna, assim por que nos fazia dano, como por que o inimigo se não aproveitasse dele para faxina. Enquanto se cortou esteve um bom troço de infantaria fora e a cavalaria que tínhamos dando segurança aos que estavam e traziam a rama. O governador e eu estivémos no baluarte da Corna vigiando os movimentos do inimigo, ele para a parte do Vale das Éguas e Santa Catarina e eu com um óculo vendo se do olival de João Cabelos e o mais que há, até o posto de Elvas, saía alguma cavalaria a impedir o corte, porém não saíra e os nossos se recolheram à praça.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Neste dia amanheceu uma bateria feita pelo inimigo no outeiro de São Bartolomeu e para ele mudou as peças grossas que tinha na outra parte do Espinhaço de Cabra. Desta que ficava mais perto demos a metade do que a outra. Começou o inimigo a fortificar as casas da vila, entre as mais peças que aí pôs foi uma de 48 libras, e foi este o primeiro dia que vimos na praça balas de calibre.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>O governador mandou logo fazer contrabateria para aquela parte, o que obrou o capitão Manuel Rodrigues Pigaço, mandando fazer esplanadas no baluarte de São Francisco, e aí pôs três peças grossas; no de São Brás havia duas, e no da Rainha três, que todas atiravam contra aquela bateria, mas não foi bastante para que não arruinassem o mosteiro aos frades e muitas outras casas da vila que ficavam vendo-se daquela parte.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Na noite deste dia trabucou o inimigo e lançou algumas bombas dentro da praça. eram estas feitas de metal e tinham de calibre 130 libras, afora o enchimento; em qualquer parte em que davam faziam um poço grande, porque entravam muito pela terra e em tomando fogo faziam uma notável ruína, porém muito maior quando davam em alguma casa, porque afora de voarem todo o telhado e sobrados, arruinavam as paredes.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Neste dia caiu uma bomba na igreja de Santa Maria que estava cheia de mulheres e meninos, mas foi Deus servido que o primeiro golpe desse em um friso da igreja, com o que, quando caiu sobre a abóbada a não rompeu, só quando arrebentou voou um pedaço grande do telhado.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Por estes dias se acabou de fazer a coroa de que falei na relação de 13 deste mês, assistindo sempre nele nove companhias de guarnição e trabalhadores, afora gente da terra e pedreiros, governava esta gente até então o sargento-mor Manuel de Magalhães.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Logo que o inimigo deu vista da praça em 12 do presente, mandou o governador ao sargento-mor da vila Gil Lourenço Cabeça com o capitão Gonçalo Mendes Homem e grande quantidade de gastadores, todos da vila, que fossem cortar a rama dos olivais mais vizinhos à praça, o que fizeram, e trazendo-a os soldados e gastadores serviu que fora o inimigo se afastar mais longe, por estar descoberto de faxina para esta obra e outras.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>21. Sábado pela manhã entrou na praça o alferes do capitão Diogo Rodrigues de Sousa, do terço de João Álvares de Barbuda, o qual ao tempo em que o inimigo veio estava no Algarve, donde era natural, e filho de um sargento-mor; veio com ele outro soldado infante que o guiou. Os nossos tomaram língua <span style="color:#000000;">[<em>isto é, capturaram um soldado inimigo</em>]</span></strong></span><span style="color:#008000;"><strong> e se informou o governador do poder do inimigo, que sempre os castelhanos souberam engrandecer com palavras e encarecimentos.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Caminhava o inimigo com as suas linhas exteriores e obras dos seus quartéis, de uma e outra coisa tinha já feito muito, principalmente no da circunvalação.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Muitos soldados castelhanos aventureiros vinham de pé fazer tiros aos nossos, e os nossos saíam a eles. Neste dia veio um galego, natural que disse ser da Corunha, que se chamava Sanchez de Taivo; este chegou até perto da Cruz de São Pedro e aí lhe deu um balaço por um olho, de que caiu, mas não morto, se bem desacordado. As suas sentinelas de cavalo o quiseram retirar, porém Domingos do Prado, filho do sargento-mor Gil Lourenço Galego, chegando pegou ao ferido por um pé e o trouxe a rasto até à estrada coberta, e aí se confessou, e o levaram ao hospital. Nunca quis dizer quem era, de que qualidade e que posto tinha. Viveu ainda cinco dias.</strong></span></p>
<p><span style="color:#008000;"><strong>Na algibeira se lhe achou uma relação de algumas companhias de infantaria, entre outros papéis, e uma memória de dinheiro cobrado de contribuição de alguns lugares e um rol de prata lavrada, que de pouco tempo tinha comprado.<br />
</strong></span></p>
<p>(continua)</p>
<p>Este texto corresponde à transcrição (com ortografia actualizada) de um manuscrito anónimo existente na Biblioteca Nacional, secção de Reservados, agora somente disponível em microfilme (FR 970), cujo título é <span style="color:#000000;"><strong>Relação de tudo o que [se] passou em Oliuença e no Campo do Cerco e tomada da praça pellos Castelhanos. Abril anno de 1657</strong></span>.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Imagem</span>: &#8220;Pilhagem de uma aldeia&#8221;, quadro de Sebastian Vrancx.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
