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	<title>patristica &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/patristica/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "patristica"</description>
	<pubDate>Sat, 26 Dec 2009 04:38:14 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

<item>
<title><![CDATA[Inchinarea la Sf. Irineu de Lyon]]></title>
<link>http://danutm.wordpress.com/2009/11/29/inchinarea-la-sf-irineu-de-lyon/</link>
<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 07:00:19 +0000</pubDate>
<dc:creator>DanutM</dc:creator>
<guid>http://danutm.wordpress.com/2009/11/29/inchinarea-la-sf-irineu-de-lyon/</guid>
<description><![CDATA[Prietenul meu Danut Jemna a publicat recent pe site-ul Bisericii Strajerul un foarte interesant text]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://saints.sqpn.com/wp-content/gallery/saint-irenaeus-of-lyons/saint-irenaeus-of-lyons-01.jpg"><img class="alignnone" title="St Irineu de Lyon" src="http://saints.sqpn.com/wp-content/gallery/saint-irenaeus-of-lyons/saint-irenaeus-of-lyons-01.jpg" alt="" width="207" height="300" /></a></p>
<p>Prietenul meu Danut Jemna a publicat recent pe site-ul <a href="http://www.strajerul.ro">Bisericii Strajerul</a> un foarte interesant text despre inchinare in teologia <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Irenaeus">Sf. Irineu de Lyon</a>.</p>
<p>Danut Jemna, care a inceput sa lucreze, sub indrumarea Prof. Stelian Tofana,  la o teza legta de fundamentele biblice ale conceptului de incoruptibilitate la Sf. Irineu, este profund preoocupat de actualitatea si complexitatea teoloogiei acestui genial teolog din seculul al doilea al istoriei crestine.</p>
<p><!--more-->Iata ce spune el in textul anuntat mai sus:</p>
<p style="padding-left:30px;"><span style="color:#000080;">Între reflecţiile asupra subiectului închinării, în spiritualitatea creştină, atrage atenţia gândirea Sf. Irineu de Lyon care aduce asupra acestei teme contribuţii importante din perspectivă antropologică şi eclesiologică. Consecvent cu gândirea sa biblică despre adevăratul Dumnezeu, Sf. Irineu răspunde gnosticilor că nici omul şi nici creaţia nu apar ca o necesitate pentru Dumnezeu. Din eternitate, Logosul îl glorifică pe Tatăl, fiind împreună cu el, iar Fiul, la rândul său, este glorificat de Tatăl, într-o relaţie reciprocă de cunoaştere şi iubire. Sf. Irineu precizează cu claritate că Dumnezeu nu a avut şi nu are nevoie ca omul să-i aducă slavă şi că nu l-a creat pe om dintr-o necesitate (<em>Adversus Haereses, </em>4.14.1), ci l-a modelat cu scopul de a fi o fiinţă spre care să se canalizeze darurile divine (AH, 4.14.2). Inclusiv după căderea omului, toată iconomia lui Dumnezeu se arată ca o simfonie a mântuirii, adică a unei diversităţi de acte divine care concură spre acelaşi scop (AH, 4.14.2). </span></p>
<p style="padding-left:30px;"><span style="color:#000080;">Analizând Legea şi Profeţii din VT, Sf. Irineu se opreşte la sistemul ceremonial iudaic, la jertfe şi daruri, la sistemul religios prin care poporul ales era chemat să se închine lui Dumnezeu. Rolul ofrandelor este interpretat de Sf. Irineu în spiritul profeţilor VT care atrag atenţia asupra faptului că Dumnezeu nu are nevoie de jertfe şi că rolul lor este unul profetic şi pedagogic. Considerând că între VT şi NT există o relaţie tipologică, Sf. Irineu se opreşte cu analiza la darurile şi ofrandele aduse în Biserică. Din această analiză, care are un puternic caracter antropologic, reţinem trei idei mai importante şi încercăm să le aducem în actualitate.</span></p>
<p>Restul textului <a href="http://www.strajerul.ro/ro/textulzilei/inchinarea_prin_darurile_omului.html">AICI</a>.</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Acontece no Centro de História e Cultura Judaica em 26/11/2009: ]]></title>
<link>http://ceiauff.wordpress.com/2009/11/24/acontece-no-centro-de-historia-e-cultura-judaica-em-26112009/</link>
<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 10:15:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>ceiauff</dc:creator>
<guid>http://ceiauff.wordpress.com/2009/11/24/acontece-no-centro-de-historia-e-cultura-judaica-em-26112009/</guid>
<description><![CDATA[]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><a href="http://bibliamemoriahistoria.blogspot.com/"><img class="aligncenter size-full wp-image-636" title="Clique no cartaz para a PROGRAMAÇÃO COMPLETA e MAIS INFORMAÇÕES sobre o II Colóquio História, Memória e Literatura Bíblica, a ocorrer no Centro de História e Cultura Judaica, Botafogo, Rio de Janeiro (RJ), em 26 de novembro de 2009." src="http://ceiauff.wordpress.com/files/2009/11/iicoloquio.jpg" alt="" width="470" height="664" /></a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Confessar a Cristo e temer a Deus - São Clemente, Papa]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/11/23/confessar-a-cristo-e-temer-a-deus-sao-clemente-papa/</link>
<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 06:24:07 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/11/23/confessar-a-cristo-e-temer-a-deus-sao-clemente-papa/</guid>
<description><![CDATA[[Hoje celebramos São Clemente, bispo de Roma, e portanto, papa da Igreja. Seus escritos, disponíveis]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">[<em>Hoje celebramos São Clemente, bispo de Roma, e portanto, papa da Igreja. Seus escritos, <a href="http://www.veritatis.com.br/search/?cx=007302944638818840056:t4lcrgqqeuc&#38;cof=FORID:11&#38;ie=utf-8&#38;q=s%C3%A3o+clemente+I+de+Roma&#38;sa=Buscar&#38;siteurl=www.veritatis.com.br/article/299">disponíveis no site do apostolado Veritatis Splendor</a>, são importantes para compreendermos a forma como encaravam a fé os primeiros cristãos. Comprovamos, lendo essas relíquias da nossa Igreja, que<span style="text-decoration:underline;"> a fé de Cristo não mudou</span> e, de fato, <strong>nunca mudará</strong>, afinal a verdade é eternamente imutável; não tem nenhuma sombra de instabilidade. No excerto abaixo, retirado de uma epístola de São Clemente enviada à comunidade de Corinto, o Santo Papa fala sobre como devemos <strong>confessar a Cristo e temer a Deus</strong>. Nos lembra que “</em>não adianta chamá-Lo apenas de "Senhor", pois isso não nos salvará<em>”. O Reino de Deus consiste não em palavras, mas em atos. Compreendamo-lo. Boa leitura!</em>]</p>
<p style="text-align:justify;">Fonte: <strong><a href="http://www.veritatis.com.br/article/302">Veritatis Splendor</a></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><br />
</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<h2>Confessar a Cristo e temer a Deus</h2>
<p style="text-align:right;"><strong><em>São Clemente, Papa</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>III. A obrigação de confessar a Cristo</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://cocp.veritatis.com.br/wp-content/uploads/2009/03/san_cemente_romano_2.jpg" alt="http://cocp.veritatis.com.br/wp-content/uploads/2009/03/san_cemente_romano_2.jpg" />Vemos, pois, que Ele nos dedicou uma grande misericórdia; primeiramente, porque nós que aqui vivemos não sacrificamos aos deuses mortos, nem lhes rendemos culto, mas por meio d&#8217;Ele, chegamos a conhecer o Pai da Verdade. Que outra coisa é este conhecimento que Ele nos deu, senão o de não negar Aquele por meio de quem O reconhecemos? Sim, Ele mesmo disse: &#8220;<em>Aquele que me confessar, Eu também o confessarei diante de meu Pai</em>&#8220;. Esta é, portanto, a nossa recompensa, se verdadeiramente confessarmos Aquele por meio de quem alcançamos a salvação. Porém, quando O confessamos? Quando fazemos o que Ele disse e não desobedecemos aos seus mandamentos, e não apenas O honramos com os nossos lábios, mas também com todo o nosso coração e toda a nossa mente. Pois bem, Ele também diz em Isaías: &#8220;<em>Esse povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de Mim</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>IV. A verdadeira confissão de Cristo</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Portanto, não adianta chamá-Lo apenas de &#8220;Senhor&#8221;, pois isso não nos salvará; eis que Ele disse: &#8220;<em>Nem todo que me chama &#8216;Senhor, Senhor&#8217; será salvo, mas aquele que opera a justiça</em>&#8220;. Assim, pois, irmãs, devemos confessá-Lo em nossas obras, amando-nos uns aos outros, não cometendo adultério, não falando mal dos outros, não tendo ciúmes, mas sendo moderados, misericordiosos e bondosos. Com estas obras, e não com outras, podemos confessá-Lo. Não precisamos temer aos homens, mas a Deus. Por isso, se fizerdes estas coisas, o Senhor dirá: &#8220;<em>Ainda que estejais junto de meu próprio seio, se não cumprirdes os meus mandamentos, Eu os arremessarei para longe e direi: &#8216;Apartai-vos de mim, operários da iniqüidade, estejam onde estiverem&#8217;.</em>&#8220;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>V. Este mundo deve ser desprezado</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Portanto, irmãos, renunciemos nossa estadia neste mundo e façamos a vontade d&#8217;Aquele que nos chamou; não tenhamos medo de nos apartar deste mundo, pois o Senhor disse: &#8220;<em>Sereis como cordeiros no meio de lobos</em>&#8220;. Porém, Pedro O contestou e disse: &#8220;<em>O que ocorre, então, se os lobos devorarem os cordeiros?</em>&#8221; E Jesus respondeu a Pedro: &#8220;<em>Os cordeiros não precisam ter medo dos lobos depois de mortos. Vós também não deveis temer os que vos matam e nada mais podem fazer. Temei antes Aquele que, depois de tiverdes morrido, tem poder sobre a vossa alma e vosso corpo, para atirá-los na geena de fogo</em>&#8220;. Vós sabeis, irmãos, que a estadia desta carne neste mundo é depreciável e dura pouco; porém, <span style="text-decoration:underline;">a promessa de Cristo é grande e maravilhosa, a saber: o repouso do reino que vem e a vida eterna</span>. O que podemos fazer, então, para obtê-los, senão andar em santidade e justiça, e considerar que estas coisas do mundo são estranhas para nós e não desejá-las? Pois quando desejamos estas coisas, nos desviamos do reto caminho.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>VI. O mundo presente e o mundo futuro são inimigos um do outro</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Porém o Senhor disse: &#8220;<em>Ninguém pode servir a dois senhores</em>&#8220;. Se desejamos servir ao mesmo tempo a Deus e a Mamon, não teremos qualquer benefício, pois &#8220;<em>o que ganhará um homem se obtém para si o mundo e perde a sua alma?</em>&#8220;. Pois bem: esta época e a futura são inimigas. Uma fala de adultério, contaminação, avareza e mentira; a outra se afasta destas coisas. Portanto, não podemos ser amigos das duas; temos que dizer adeus a uma e ter amizade com a outra. Consideremos que <span style="text-decoration:underline;">é melhor aborrecer as coisas que estão aqui, pois são depreciáveis, perecíveis, pouco duráveis e amar as coisas de lá, que são boas e imperecíveis</span>; pois <strong>se fazemos a vontade de Cristo, teremos descanso, mas se não a fizermos, nada nos livrará do castigo eterno</strong>, por desobedecermos os seus mandamentos. E a Escritura diz também em Ezequiel: &#8220;<em>Ainda que Noé, Jó e Daniel se levantem, não livrarão seus filhos</em>&#8221; do cativeiro. Logo, se nem homens tão justos quanto estes podem, com seus atos de justiça, livrar seus filhos, com que confiança nós entraremos no reino de Deus se não mantivermos o nosso batismo puro e sem mancha? Ou &#8211; a menos que existam em nós obras santas e justas &#8211; quem será nosso advogado?</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>VII. Devemos aspirar chegar à coroa</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Assim pois, irmãos, lutemos seriamente, sabendo que a luta está mui próxima, e que, ainda que muitos venham a lutar, <strong><span style="text-decoration:underline;">nem todos receberão o prêmio</span></strong>, mas apenas os que se esforçarem em alto grau e lutado com valentia. Lutemos de modo que todos possamos receber o prêmio. Assim, corramos em linha reta, em direção à competição incorruptível. Marchemos em direção a ela em grande número e esforcemo-nos para que possamos receber também o prêmio. E se nem todos puderem receber a coroa, pelo menos tentemos nos aproximar dela o máximo possível. Lembremos que aqueles que batalham nas lides corruptíveis, quando descobertos de que lutam de forma ilegítima, primeiro são açoitados e depois eliminados e afastados da competição. Que pensais disto? Que terá sucesso aquele que luta de forma corruptível na competição da incorrupção? Eis que, com relação àqueles que não têm guardado o selo, Ele diz: &#8220;<em>Seus vermes não morrerão e seu fogo não se apagará, e serão um exemplo para toda carne</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>São Clemente de Roma</strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong>“<a href="http://www.veritatis.com.br/article/3687">Segunda Epístola aos Coríntios</a>”, cap. III-VII</strong></p>
<p style="text-align:center;">* * *</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>São Clemente de Roma,</strong><br />
<em>rogai por nós!</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Pregação de São Pedro em Roma - Eusébio de Cesaréia]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/11/15/pregacao-de-sao-pedro-em-roma-eusebio-de-cesareia/</link>
<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 16:59:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/11/15/pregacao-de-sao-pedro-em-roma-eusebio-de-cesareia/</guid>
<description><![CDATA[[Para tentarem afirmar que a Igreja Católica Apostólica Romana não é a verdadeira Igreja de Cristo a]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">[<em>Para tentarem afirmar que a Igreja Católica Apostólica Romana não é a verdadeira Igreja de Cristo alguns protestantes tentam se basear na falácia de que Pedro nem em Roma esteve. Pois então, é mentira. O trecho abaixo, retirado do livro </em><a href="http://www.scribd.com/doc/6451956/HISTORIA-ECLESIASTICA-Eusebio-de-Cesareia">História Eclesiástica</a><em>, de Eusébio de Cesaréia, o confirma. São Pedro esteve sim em Roma e lá se tornou o primeiro papa. A leitura é recomendada.</em>]</p>
<p style="text-align:justify;">Fonte: <strong><a href="http://www.scribd.com/doc/6451956/HISTORIA-ECLESIASTICA-Eusebio-de-Cesareia">Scribd</a></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><br />
</strong></p>
<h2>Da pregação do apóstolo Pedro em Roma</h2>
<p style="text-align:right;"><strong><em>Eusébio de Cesaréia</em></strong><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignright" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/ba/Eusebius_of_Caesarea.jpg/250px-Eusebius_of_Caesarea.jpg" alt="" />1. A este Simão [Simão Mago], pai e autor de tão grandes males, o poder malvado e odiento de todo bem, inimigo da salvação dos homens, destacou-o naquele tempo como grande adversário dos grandes e divinos apóstolos de nosso Salvador.</p>
<p style="text-align:justify;">2. No entanto a graça divina e celestial veio em socorro de seus servidores, e somente com a aparição e presença destes extinguiu rapidamente o fogo ateado pelo maligno, e por meio deles humilhou e abateu toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus.</p>
<p style="text-align:justify;">3. Por isso nenhuma maquinação, nem de Simão nem de nenhum outro dos que então proliferavam, prevaleceu naqueles tempos apostólicos: a luz da verdade e o próprio Verbo divino, que recentemente tinha brilhado sobre os homens, florescendo sobre a terra e convivendo com seus próprios apóstolos, triunfava sobre tudo e dominava tudo.</p>
<p style="text-align:justify;">4. Em seguida o mencionado impostor, como ferido nos olhos da mente por um ofuscamento divino e extraordinário quando anteriormente o apóstolo Pedro pôs a descoberto suas malvadas intenções na Judéia, empreendeu uma longa viagem para além do mar, e foi-se fugindo de oriente a ocidente, convencido de que somente ali seria possível viver segundo suas idéias.</p>
<p style="text-align:justify;">5. Chegou à cidade de Roma, e com a grande ajuda do poder que nela se assenta, em pouco tempo alcançou tamanho êxito em seu empreendimento, que os habitantes do lugar chegaram a honrá-lo como a um Deus, dedicando-lhe uma estátua.</p>
<p style="text-align:justify;">6. Não chegaria muito longe esta prosperidade. De fato, pisando em seus calcanhares, durante o próprio império de Cláudio, <strong>a providência universal, santíssima e amantíssima dos homens, levava sua mão em direção a Roma, como contra um tão grande flagelo da vida, o firme e grande apóstolo Pedro, porta-voz de todos os outros devido a sua virtude</strong>. Como nobre capitão de Deus, equipado com as armas divinas, Pedro levava do oriente aos homens do ocidente a apreciadíssima mercadoria da luz espiritual, anunciando a boa nova da própria luz, da doutrina que salva as almas: a proclamação do reino dos céus.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Eusébio de Cesaréia</strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong>“<a href="http://www.scribd.com/doc/6451956/HISTORIA-ECLESIASTICA-Eusebio-de-Cesareia">História Eclesiástica</a>”, l. 2, cap. XIV</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[As primeiras exortações da Igreja contra o aborto]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/11/10/as-primeiras-exortacoes-da-igreja-contra-o-aborto/</link>
<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 03:29:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/11/10/as-primeiras-exortacoes-da-igreja-contra-o-aborto/</guid>
<description><![CDATA[Fonte: Erguei-vos, Senhor [Do livro: “Os fatos da vida – uma guia indispensável para as questões da ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Fonte: <strong><a href="http://exsurge.wordpress.com/2009/11/08/os-primeiros-ensinamentos-da-igreja-catolica-contra-o-aborto/">Erguei-vos, Senhor</a></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>[Do livro: “Os fatos da vida – uma guia indispensável para as questões da vida e da família”, Brian Clowes, PhD. Human Life International. Págs. 270-271]</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong><br />
</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://lenisemietto.files.wordpress.com/2008/10/crianca-11.jpg?w=336&#038;h=224" alt="http://lenisemietto.files.wordpress.com/2008/10/crianca-11.jpg?w=336&#038;h=224" width="336" height="224" />“Não matarás o nascituro nem assassinarás um infante recém-nascido” <strong><em>[O Didaché, II, 2].</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;">“Amarás o teu próximo mais do que a tua própria vida. Não destruirás a criança pelo aborto” <em><strong>[Barnabás (c. 70-138), Epístolas, Volume II, pág. 19].</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">“Para nós [cristãos], o assassinato é proibido de uma vez por todas; portanto, até a criança no ventre, mesmo enquanto o sangue da mãe aflui para formação do ser humano, não nos é permitido destruí-lo. Proibir o nascimento é apenas um assassinato mais rápido… É homem, aquele que predestinado a ser homem; o fruto está sempre presente na semente” <em><strong>[Tertuliano, 197, o Apologista, pág. 9].</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">“Aquelas mulheres que usam drogas para causar um aborto, cometem assassinato e terão que dar satisfação a Deus pelos seus abortos”. <em><strong>[Atenágoras de Atenas, carta a Marco Aurélio em 177]. Legatio pro Christianis [Súplica para os Cristãos], pág. 35.</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">“Há mulheres que, com o uso de poções medicinais, destroem a vida nascente nos seus ventres e assassinam o filho antes de darem à luz. Essas práticas indubitavelmente decorrem de um hábito estabelecido pelos seus deuses; Saturno, embora não tenha exposto seus filhos, certamente os devorou” <em><strong>[Minucius Felix, teólogo (c. 200-2250), Octavius, pág. 30].</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">“Se não matássemos a raça humana que nasce e de desenvolve de acordo com o plano de Deus, então as nossas vidas inteiras seriam vividas de acordo com a natureza. Mulheres que fazem uso de algum tipo de droga fatal para abortar, matam não somente o embrião como também, junto com ele, toda a bondade humana” <em><strong>[Clemente de Alexandria, padre e “Pai dos Teólogos” (c. 150-220), Cristo o Educador, Volume II, pág. 10].</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">“Às vezes essa crueldade luxuriosa ou essa luxúria cruel chega ao extremo de buscar uma esterelidade  venenosa, e se isso falhar, o feto concebido no ventre é, de uma forma ou de outra, sufocado ou evacuado, no desejo de destruir o herdeiro antes mesmo de ter vida, ou se já vive no ventre, matá-lo antes que ele nasça” <em><strong>[Santo Agostinho, Bispo de Hipona (354-430), De Nuptius et Concupiscus (“Sobre o Casamento e a Concupiscência”), 1.17.</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">“Algumas virgens [mulheres solteiras], ao perceberem que estão grávidas fruto do pecado, praticam o aborto com o uso de drogas. Freqüentemente morre também, e são levadas diante do governante do mundo, culpada de três crimes; suicídio, adultério contra Cristo, e assassinato de um nascituro” <em><strong>[São Jerônimo (c. 340-420) Carta a Eustáquio, 22.13]</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">“A diferença sutil entre o formado e o não formado, não faz diferença para nós. Seja quem for que propositadamente comete um aborto, está sujeito à penalidade por homicídio” <em><strong>[São Basílio Magno (c. 329-379), “Primeira Carta Canônica”. Três Cartas Canônicas. Biblioteca Clássica Loeb, volume III, págs. 20-23].</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">“Aqueles que prescrevem drogas para obter o aborto, e aqueles que recebem venenos para matar o feto estão sujeitos à penalidade por assassinato” <em><strong>[Concílio de Trullian (Quinisexto) (692), Cânon, 91].</strong></em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O mal é privação do bem - Santo Agostinho]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/11/08/o-mal-e-privacao-do-bem-santo-agostinho/</link>
<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 21:19:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/11/08/o-mal-e-privacao-do-bem-santo-agostinho/</guid>
<description><![CDATA[Princípio fundamental: todo ser é bom. O mal é uma privação Fonte: Scribd Santo Agostinho 36b. Toda ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><h2 style="text-align:justify;">Princípio fundamental: todo ser é bom. O mal é uma privação</h2>
<p style="text-align:justify;">Fonte: <a href="http://www.scribd.com/doc/19338175/O-Livre-Arbitrio-Santo-Agostinho"><strong>Scribd</strong></a></p>
<p style="text-align:right;"><strong><em>Santo Agostinho</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://3.bp.blogspot.com/_R3c48oHJrds/SSQESmBCmcI/AAAAAAAABYU/VTsHE1-Icf8/s400/01.jpg" alt="http://3.bp.blogspot.com/_R3c48oHJrds/SSQESmBCmcI/AAAAAAAABYU/VTsHE1-Icf8/s400/01.jpg" width="245" height="376" />36b. Toda natureza (natura) que pode tornar-se menos boa, todavia, é boa. De fato, ou bem a corrupção não lhe é nociva, e nesse caso ela é incorruptível; ou bem, a corrupção atinge-a e então ela é corruptível. Vem a perder a sua perfeição e torna-se menos boa. Caso a corrupção a privar totalmente de todo bem, o que dela restará não poderá mais se corromper, não tendo mais bem algum cuja corrupção a possa atingir e, assim, prejudicá-la. Por outro lado, aquilo que a corrupção não pode prejudicar também não pode se corromper, e assim esse ser será incorruptível. Pois eis algo totalmente absurdo: uma natureza tornar-se incorruptível por sua própria corrupção.</p>
<p style="text-align:justify;">Por isso se diz, com absoluta verdade, que toda natureza enquanto tal é boa. Mas se ela for incorruptível será melhor do que a corruptível. E se ela for corruptível – já que a corrupção não pode atingi-la senão tornando-a menos boa, ela é indubitavelmente boa. Ora, toda natureza ou é corruptível ou incorruptível. Portanto, <strong>toda natureza é boa</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">Denomino “natureza” o que habitualmente se designa pela palavra “substância”. Conseqüentemente, posso dizer que toda substância é Deus ou procede de Deus, e assim <span style="text-decoration:underline;">tudo o que é bom é Deus ou procede de Deus</span>.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>A reprovação devida aos defeitos vem a ser louvor ao Deus supremo</em></p>
<p style="text-align:justify;">37. Uma vez essas verdades tendo sido firmemente estabelecidas, como ponto de partida de nosso raciocínio, atende, ó Evódio, ao que vou dizer: toda natureza racional, tendo sido criada com o livre-arbítrio da vontade, é, sem dúvida alguma, digna de louvor, caso se mantenha fixa no gozo do Bem supremo e imutável. A mesma coisa quanto à natureza que se esforça por se fixar nele permanentemente deve ela igualmente ser louvada. Pelo contrário, toda natureza que não esteja fixa naquele Bem supremo e recusar-se a trabalhar para aí se manter, é digna de ser censurada (<em>vituperanda est</em>), na medida em que aí não estiver e não fizer o necessário para isso.</p>
<p style="text-align:justify;">Logo, se é digna de louvor uma natureza racional, que não é senão criatura, não há dúvida que também deve ser louvado Aquele que a criou. E caso ela seja censurada, ninguém duvida que seu Criador vem a ser igualmente louvado por essa censura. Com efeito, se o que reprovamos nessa criatura é precisamente o fato de não querer gozar do Bem supremo e imutável, isto é, de seu Criador – é bem este a quem louvamos, sem dúvida alguma.</p>
<p style="text-align:justify;">Ó quão grande é, pois a bondade divina, e de quantos inefáveis louvores todas as línguas e todos os pensamentos devem celebrar e honrar o Deus, criador de todas as coisas. Visto que não podemos, sem o louvar a ele mesmo, ver dirigidos a nós louvores ou censuras! Com efeito, não podemos ser reprovados por não permanecermos unidos a ele, a não ser porque essa união constitui o nosso grande, supremos e primeiro bem. E donde procede tudo isso, se não porque Deus é o inefável?</p>
<p style="text-align:justify;">Como, pois, poder-se-ia encontrar em nossos pecados algo de censura, em referência a Ele, quando não podemos condenar tais pecados, sem proclamarmos os seus louvores?</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não se pode reprovar o vício sem louvar a natureza</em></p>
<p style="text-align:justify;">38. Pois bem! Nas mesmas coisas que reprovamos, não é unicamente o defeito ou vício (<em>vitium</em>) que reprovamos? Ora, não se pode reprovar o vício de natureza alguma sem louvar implicitamente a essa natureza. Com efeito, ou bem aquele que censuras é conforme à natureza do seu ser, e então não é um defeito, e é a ti que convém corrigir o julgamento errôneo, para que saibas censurar a propósito, e assim o teor de tua reprovação não seja indevido. Ou então, caso se trate de um vício, para ser justamente reprovado, tem forçosamente de ser contrário à mesma natureza. Porque <strong>todo vício, pelo fato mesmo de ser vício, é contrário à natureza</strong>. Efetivamente, se não prejudicar a natureza não será tampouco vício. Inversamente, se for vício por afetar a natureza de modo nocivo, é claro ser também vício pelo fato de ser contrário à natureza.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora, se uma natureza for corrompida não por seus próprios vícios, mas pelos de outra natureza, então ela será censurada injustamente. Devemos antes procurar se a outra natureza da qual o vício a pôde corromper não está ela mesma corrompida por seus próprios vícios.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o que é ser viciado a não ser estar corrompido pelo vício? Ora, uma natureza que não está viciada não possui vício algum. Ao passo que a natureza cujo vício pôde corromper outra natureza certamente esta viciada. Logo, a primeira está corrompida por seu próprio vício. Ela, cujo vício pôde corromper as outras naturezas. Donde se segue esta conclusão: todo vício é contrário à natureza, exatamente daquela mesma natureza da qual vem tal vício.</p>
<p style="text-align:justify;">É porque se conclui que em todas as coisas não se reprova a não ser o vício e este não vem a ser constituído vício, senão por sua oposição à natureza do ser onde se encontra. E não se pode reprovar com justeza o vício de coisa alguma, a não ser que se louve a natureza dessa mesma coisa.</p>
<p style="text-align:justify;">Com efeito, nada pode com razão te desagradar no vício, a não ser o fato de que ele vicia o que te agrada na natureza.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Santo Agostinho</strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong>“<a href="http://www.scribd.com/doc/19338175/O-Livre-Arbitrio-Santo-Agostinho">O Livre Arbítrio</a>”, III, c. 13, 36b-38</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Why Evangelicals Turn to the Church Fathers]]></title>
<link>http://danutm.wordpress.com/2009/11/08/why-evangelicals-turn-to-the-church-fathers/</link>
<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 15:18:25 +0000</pubDate>
<dc:creator>DanutM</dc:creator>
<guid>http://danutm.wordpress.com/2009/11/08/why-evangelicals-turn-to-the-church-fathers/</guid>
<description><![CDATA[Ikon of Ft. Serafim of Sarov Why Evangelicals Turn to the Church Fathers? Because of their mutual co]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a rel="attachment wp-att-6337" href="http://danutm.wordpress.com/2009/11/08/why-evangelicals-turn-to-the-church-fathers/st-seraphim-of-sarov/"><img class="alignnone size-medium wp-image-6337" title="St. Seraphim of Sarov" src="http://danutm.wordpress.com/files/2009/11/st-seraphim-of-sarov.jpg?w=250" alt="St. Seraphim of Sarov" width="250" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Ikon of Ft. Serafim of Sarov</span></p>
<h4>Why Evangelicals Turn to the Church Fathers?</h4>
<p>Because of their mutual commitment to Scripture, says Robert Louis Wilken, evangelicals and the church fathers have a natural affinity.</p>
<p><strong>by David Neff</strong> &#124; November  4, 2009</p>
<p>On October 29, the nation&#8217;s attention was focused on Yankee Stadium and game two of the World Series. But at Wheaton College, several hundred people chose instead to crowd into Barrows Auditorium to mark the public beginning of the <a href="http://www.wheatongrad.com/Wheaton_Center_Early_Christian_Studies">Wheaton Center for Early Christian Studies.</a></p>
<p><!--more-->obert Louis Wilken, professor emeritus at the University of Virginia, promised baseball fans he&#8217;d keep the Center’s inaugural lecture brief. In his short address, he dashed through the church fathers’ approach to interpreting Scripture, touching the bases at Isaiah 6, Matthew 5, and Job 14, before coming home with key insights on patristic exegesis.</p>
<p>In addition to relating the Fathers’ comments on these passages, Wilken explored why evangelical Protestants in particular should pay attention to writers like Gregory the Great, Augustine, John Chrysostom and Gregory of Nyssa, and why evangelicals are indeed beginning to realize “that the early heritage is theirs also.”</p>
<p>Read more <a href="http://blog.christianhistory.net/2009/11/evangelicals_and_the_church_fa.html">HERE</a>.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O ódio dos ignorantes - Tertuliano]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/11/05/o-odio-dos-ignorantes-tertuliano/</link>
<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 15:16:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/11/05/o-odio-dos-ignorantes-tertuliano/</guid>
<description><![CDATA[[Publico abaixo trecho da obra Apologeticum, de Tertuliano, escritor cristão do séc. III. Nesse exce]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">[<em>Publico abaixo trecho da obra </em><a href="http://patristicabrasil.blogspot.com/2008/01/tertuliano-de-cartago-150-ou-155-220.html">Apologeticum</a><em>, de Tertuliano, escritor cristão do séc. III. Nesse excerto ele fala do <strong>ódio irracional cultivado pelos ignorantes contra os cristãos</strong> e explica que muitos consideram o cristianismo algo mau sem nem mesmo saber do que se trata ou no que crê essa religião. Hoje esse “ódio” é bastante observado pela nossa sociedade. Muitos escondem por trás de uma visão exacerbadamente racionalista e cientificista o seu ódio pela Igreja e por sua obra, chamando ambas de coisas más, atrasos. É importante conhecer a Igreja, o cristianismo e sua história para que seja feita uma boa crítica acerca do tema. <span style="text-decoration:underline;">Falar de algo sem conhecê-lo bem é prova de uma extrema ignorância</span>, que infelizmente leva muitos a pensar também de modo tendencioso. As palavras desse grande escritor são recomendadas. Boa leitura!</em>]</p>
<p style="text-align:justify;">
<h2></h2>
<h2>O ódio dos ignorantes</h2>
<p style="text-align:right;"><strong><em>Tertuliano de Cartago</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://baptist.org.ua/bbv/images/003tertulian.jpg" alt="http://baptist.org.ua/bbv/images/003tertulian.jpg" />A Verdade não tem como apelar para vos fazer verificar sua condição, porque isso não promove vossa curiosidade por Ela. Ela sabe que não é senão uma transeunte na terra, e que entre estranhos, naturalmente encontra inimigos. E, mais do que isso, sabe que sua origem, sua habitação natural, sua esperança, sua recompensa, sua honra estão lá em cima. Uma coisa, enquanto isso, Ela deseja ansiosamente dos governantes terrestres: não ser condenada sem ser conhecida. Que dano pode causar às leis &#8211; supremas em seu poder &#8211; conceder-lhe ser ouvida? Absolutamente nada lhe prejudicaria e sua supremacia não seria mais distinguida ao condená-la, mesmo depois que Ela apresentasse sua defesa? Mas se for pronunciada uma sentença contra Ela, sem ter sido ouvida, ao lado do ódio de uma injusta ação, vós incorrereis na suspeita merecida de assim agirdes com alguma intenção que é injusta, como não desejando ouvir o que vós não estais capacitados a ouvir e a condenar.</p>
<p style="text-align:justify;">Colocamos isto ante vós como primeira argumentação pela qual insistimos que é injusto vosso ódio ao nome de &#8220;Cristão&#8221;. E a verdadeira razão que parece escusar esta injustiça (eu diria ignorância) ao mesmo tempo a agrava e a condena. Pois que o que é mais injusto do que odiar uma coisa da qual nada sabeis, mesmo se pensais que ela mereça ser odiada? <strong>Algo é digno de ódio somente quando se sabe que é merecido</strong>. Mas sem esse conhecimento, por que se reivindicar justiça? Pois se deve provar, não pelo simples fato de existir uma aversão, mas pelo conhecimento do assunto. Quando os homens, portanto, cultivam uma aversão simplesmente porque desconhecem inteiramente a natureza da coisa odiada, quem diz que não se trata de uma coisa que exatamente não deveriam odiar?</p>
<p style="text-align:justify;">Assim, confirmamos que tanto são ignorantes enquanto nos odeiam, e odeiam descabidamente, quanto quando continuam em sua ignorância, sendo uma coisa o resultado da outra, se não o instrumento da outra. A prova de sua ignorância, ao mesmo tempo condenando e se escusando de sua injustiça, é esta &#8211; <span style="text-decoration:underline;">odeiam o Cristianismo porque não conhecem nada sobre ele nem querem conhecê-lo antes de pôr a todos debaixo de sua inimizade</span>.</p>
<p style="text-align:justify;">Quantos, se antes foram seus inimigos, tornam-se seus discípulos. Simplesmente aprendendo sobre eles, logo começam a odiar o que antes tinham sido e a professar o que antes tinham odiado. E o número destes é tão grande que atraem a vossa preocupação. O clamor é de que o Estado está cheio de cristãos &#8211; que estão nos campos, nos vilarejos, nas ilhas; levantam-se lamentações, como se por alguma calamidade, pessoas de ambos os sexos, de todas as idades e condições, mesmo de classe alta, estão se convertendo à profissão de fé cristã.</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, não ocorre a ninguém o pensamento de que estão deixando de ver alguma coisa boa. Não se permitem que nenhum pensamento mais justo chegue à sua mente, não desejam fazer um julgamento mais correto. Somente neste caso fica adormecida a curiosidade da natureza humana. Preferem ficar ignorantes, embora aos outros o conhecimento tenha trazido a felicidade.</p>
<p style="text-align:justify;">Anacarse reprova o estúpido prazer de criticar os cultos. Quanto mais não reprovaria ele o julgamento daqueles que sabe que podem ser denunciados por homens que são inteiramente ignorantes! Porque deles preconcebidamente não gostam, não querem saber mais. Assim, prejulgam aquilo que não conhecem até que, caso venham a conhecê-lo, deixem de lhe ter inimizade. Mas isso desde que pesquisem e nada encontrem digno de sua inimizade, quando deixam, então, certamente de ter uma aversão injusta. Entretanto, se seu mau caráter se manifesta, em vez de abandonarem o ódio encontram mais uma forte razão para perseverarem nesse ódio, mesmo sob a própria autoridade da justiça.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas argumenta alguém: uma coisa não é boa simplesmente porque as multidões se convertem a ela, pois que quantos são por sua natureza inclinados para o que é mal?! Quantos se desviam para os caminhos do erro?! Isso é verdade, sem dúvida. Contudo uma coisa completamente má, nem mesmo aqueles que a ela são levados ousam defendê-la como boa. <strong>A natureza encobre tudo o que é mau com um véu, seja de medo seja de vergonha</strong>. Por exemplo, vedes que criminosos ficam ansiosos para se esconderem eles mesmos, evitam de aparecer em público, ficam tremendo quando são caçados, negam sua culpa quando são acusados e, mesmo quando são submetidos à tortura, não confessam facilmente, nem sempre chegam a confessar; e quando não há dúvidas sobre sua culpa, lamentam o que fizeram. Em suas confissões admitem terem sido impelidos por disposições malignas, até põem a culpa seja no destino, seja nas estrelas. <span style="text-decoration:underline;">São incapazes de reconhecerem que aquilo veio deles, porque eles próprios sabem que aquilo é mau</span>.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o que tem isso de semelhante com o caso dos cristãos? Eles se envergonham ou se lamentam de não terem sido cristãos há mais tempo. Se são apontados cristãos, disso se gloriam. Se são acusados, não oferecem defesa. Interrogados, fazem uma confissão voluntária. Condenados, agradecem&#8230; Que espécie de mal é este que não apresenta as peculiaridades comuns do mal, do medo, da vergonha, do subterfúgio, do arrependimento, do remorso? Que mal, que crime é este de que o criminoso se alegra? <strong>Serem acusados cristãos é seu mais ardente desejo, serem punidos por isso é sua felicidade!</strong> Vós não podeis chamar isto de mal &#8211; vós que continuais convictos de nada saberdes do assunto.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Tertuliano de Cartago</strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong>“</strong><a href="http://patristicabrasil.blogspot.com/2008/01/tertuliano-de-cartago-150-ou-155-220.html"><strong>Apologeticum</strong></a><strong>”, cap. I</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sfântul Grigore Palama la 650 de ani (1359-2009)   ]]></title>
<link>http://ierompetru.wordpress.com/2009/10/28/sfantul-grigore-palama-la-650-de-ani-1359-2009/</link>
<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 11:05:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>IeromPetru</dc:creator>
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<description><![CDATA[Cel mai de seamă reprezentant al mişcării isihaste, cel care a dat o fundamentare teologică a experi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Cel mai de seamă reprezentant al mişcării isihaste, cel care a dat o fundamentare teologică a experi]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sfântul Maxim Mărturisitorul, Mistagogia]]></title>
<link>http://bibliotecateologica.wordpress.com/2009/10/19/sfantul-maxim-marturisitorul-mistagogia/</link>
<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 10:01:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>bibliotecateologica</dc:creator>
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<description><![CDATA[Lucrarea cuprinde traducerea românească a Mistagogiei Sfântului Maxim Mărturisitorul ce conţine o ex]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Lucrarea cuprinde traducerea românească a Mistagogiei Sfântului Maxim Mărturisitorul ce conţine o explicare a Bisericii şi a Sfintei Liturghii. (P.G. 91, 658-718)</p>
<p>Traducerea a fost realizată de Pr. Prof. Dr. D. Stăniloae, iar lucrarea a fost tipărită sub numele Sf. Maxim Mărturisitorul, Mystagogia, cosmosul şi sufletul, chipuri ale Bisericii, Editura Institutului Biblic şi de Misiune al Bisericii Ortodoxe Române, Bucureşti, 2000.</p>
<p>Cartea este oferită în format pdf  (246 k).</p>
<p><strong>Descarcă: <a href="http://apologeticum.vndv.com/carti/0202.zip" target="_blank">aici</a> şi <a href="http://www.scribd.com/doc/33058/Sf-Maxim-Mrturisitorul-Mistagogia" target="_blank">aici</a> </strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[SFINTELE TAINE ŞI NUMĂRUL LOR  ÎN TRADIŢIA ORTODOXĂ ]]></title>
<link>http://ierompetru.wordpress.com/2009/10/18/sfintele-taine-si-numarul-lor-in-traditia-ortodoxa/</link>
<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 14:42:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>IeromPetru</dc:creator>
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<description><![CDATA[Învăţătura ortodoxă despre Sfintele Taine este destul de complexă, încât o prezentare, chiar şi foar]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Învăţătura ortodoxă despre Sfintele Taine este destul de complexă, încât o prezentare, chiar şi foar]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Bíblia interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/17/a-biblia-interpretada-com-o-mesmo-espirito-com-que-foi-escrita/</link>
<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 18:47:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
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<description><![CDATA[“Tais são os que se indignam quando ouvem dizer que em outros tempos se permitiam aos justos coisas ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><blockquote>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignright" src="http://3.bp.blogspot.com/_K5-9KuKdEMg/SpcQLrIHdKI/AAAAAAAAB8Q/vL2N84dfoLA/s400/SANTO+AGOSTINHO,+BISPO+E+DOUTOR.jpg" alt="http://3.bp.blogspot.com/_K5-9KuKdEMg/SpcQLrIHdKI/AAAAAAAAB8Q/vL2N84dfoLA/s400/SANTO+AGOSTINHO,+BISPO+E+DOUTOR.jpg" width="250" height="250" />“Tais são os que se indignam quando ouvem dizer que <span style="text-decoration:underline;">em outros tempos se permitiam aos justos coisas que não se lhe permitem agora</span>, e que Deus mandou àqueles uma coisa e a estes outra, conforme os tempos, servindo uns e outros à mesma norma de santidade. E, contudo, é bem visível que no mesmo homem, no mesmo dia e na mesma hora e na mesma casa, o que convém a um membro não convém a outro; e <strong>aquilo que há pouco era lícito, já não o é mais</strong>; e que o que se concede em uma parte, é justamente proibido e castigado em outra.</p>
<p style="text-align:justify;">Diremos, por isso, que a justiça é vária e inconstante? O que acontece é que <strong><span style="text-decoration:underline;">os tempos a que ela preside não caminham no mesmo passo, porque são tempos</span></strong>. Mas os homens, cuja vida terrestre é breve, por não saberem harmonizar as causas dos tempos idos, e das gentes que não viram nem conheceram, com as que agora vêem e experimentam e, como também vêem facilmente o que no mesmo corpo, na mesma hora e lugar convém a cada membro, a cada tempo, a cada parte e a cada pessoa, escandalizam-se com as coisas daqueles tempos, enquanto aceitam as de agora.”</p>
<p style="text-align:justify;">(Santo Agostinho, <a href="http://www.saopiov.org/2009/06/confissoes-santo-agostinho.html">Confissões</a>, III, 7)</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Muito se pergunta acerca das leis do Antigo Testamento. São válidas ainda para hoje? Algumas sim; outras, devido ao contexto diferente em que vivemos, não. É justamente por isso que é errado interpretar algumas passagens bíblicas “ao pé da letra”. Santo Agostinho faz em sua obra “Confissões”, algumas rápidas análises sobre essa questão bíblica muito importante que interpretemos corretamente aquilo que Deus tem a nos falar. “Acaso será em alguma parte e momento injusto amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento, e amar ao próximo como a nós mesmos?” (<em>Conf</em>. III, 8), questiona o doutor da Igreja.</p>
<p style="text-align:justify;">É claro que não. Essa é uma lei que permanece inscrita no coração do homem. Existem, no entanto, outras leis, cuja dimensão faz-se mister compreender, que não são mais válidas hoje devido ou a estrutura diferente que compõe a sociedade ou a legislação que vigora no mundo atual. Devemos contextualizar, por exemplo, o que Deus instrui aos hebreus quando fala da escravidão: “[Q]uando comprares um escravo hebreu, ele servirá seis anos; no sétimo sairá livre, sem pagar nada” (Ex 21, 2). Naquele tempo a escravidão não era algo absurdo. Hoje, graças aos ideais de liberdade pregados pela sociedade, ela não é mais um regime a ser seguido.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim como a escravidão, a pena de morte é um fator contextual: “Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte” (Lv 20, 9), diz o Senhor. Sem dúvida amaldiçoar o pai ou a mãe é <strong>pecaminoso</strong> e abominável. Mas será que é necessário hoje adotar a pena de morte para esses crimes? Assim como em um tempo foi necessário que houvesse a pena de morte devido ao precário sistema investigativo que regia por exemplo o tempo da Inquisição, também houve um tempo que a pena de morte era utilizada pela religião para punir os crimes contra a fé. Era errado? Se analisarmos segundo o contexto do século XXI, sem dúvida; mas se pensarmos na mentalidade moldada na época, nos <em>tempos</em> que viviam os patriarcas da fé, compreendemos que a justiça, por si mesma, é imutável, mas os tempos, que são o contexto em que ela está inserida, variam.</p>
<p style="text-align:justify;">Deus não é imoral, conforme afirmam alguns ateus, se baseando nessas passagens bíblicas. A Constituição <a href="http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html">Dei Verbum</a>, do Concílio Vaticano II, instrui que “<span style="text-decoration:underline;">[a] Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita</span>” (n. 12). Descontextualizar os trechos bíblicos e chamá-los de <strong>imorais</strong> e repreensíveis certamente é um ato digno de condenação. Santo Agostinho, grande doutor da Igreja, vem nos mostrar que aquilo que era proposto pelos maniqueus naquele tempo é perverso e totalmente contra a exegese correta das Escrituras. A Igreja, seguindo essa linha, deixa clara que a correta interpretação da Bíblia tem que estar profundamente integrada ao Seu Magistério.</p>
<p style="text-align:justify;">Que compreendamos isso e possamos ver nas Sagradas Escrituras uma prova infinita da perfeita <strong>justiça</strong> de Deus. Não nos deixemos enganar pela frivolidade dos pensamentos ateus que buscam seduzir os cristãos. Creiamos na Igreja; creiamos na Bíblia; creiamos no amor de Deus e na Sua justiça.</p>
<p style="text-align:justify;">Graça e paz.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A atração da astrologia - Santo Agostinho]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/17/a-atracao-da-astrologia-santo-agostinho/</link>
<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 17:02:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/17/a-atracao-da-astrologia-santo-agostinho/</guid>
<description><![CDATA[A atração da astrologia Santo Agostinho Por isso, não cessava de consultar esses embusteiros chamado]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><h2>A atração da astrologia</h2>
<p style="text-align:right;"><strong><em>Santo Agostinho</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;">Por isso, não cessava de consultar esses embusteiros chamados astrólogos, já que estes não usavam em suas adivinhações de quase nenhum sacrifício, nem dirigiam preces a nenhum espírito o que, consequentemente, é condenado e repelido com razão pela piedade cristã e verdadeira. Porque o bom é confessar-te, Senhor, e dizer-te: “Tem misericórdia de mim, e cura minha alma, porque pecou contra ti” (Sl 41, 5), e não abusar da tua indulgência para pecar mais livremente, mas ter sempre presente a sentença do Senhor: “Eis-te curado: não peques mais, para que te não suceda algo pior” (Jo 5, 14) – Mas estas palavras os astrólogos querem destruir, dizendo: “O impulso de pecar vem dos céus; foi Vênus, Saturno ou Marte que fizeram isto” – e <span style="text-decoration:underline;">tudo para que o homem, que é carne, e sangue, e soberba podridão, se sinta sem culpa, e atribua esta ao criador e ordenador do céu e das estrelas</span>. E quem é este, senão tu, nosso Deus, suavidade e fonte de justiça, que dás a cada um de acordo com suas obras, e não desprezas ao coração contrito e humilhado?</p>
<p style="text-align:justify;">Havia então um varão muito sábio, peritíssimo na arte médica, na qual era célebre; sendo procônsul, pôs com suas próprias mãos sobre minha cabeça insana a coroa da vitória do concurso; foi como procônsul, e não como médico, porque daquela minha enfermidade só tu me podias sarar, pois resistes aos soberbos e dás tua graça aos humildes. Contudo, deixaste acaso de cuidar de mim também por meio daquele ancião? Ou talvez desistisse de curar minha alma? Tendo-me familiarizado muito com ele, passei a ser assistente assíduo e freqüente de suas conversas, que eram agradáveis e graves, não pela elegância da linguagem, mas pela vivacidade das sentenças. Assim que ficou sabendo, por conversa, que eu me dedicava à leitura dos livros dos astrólogos, admoestou-me benigna e paternalmente a que os deixasse, e a que não gastasse inutilmente nessas quimeras meus cuidados e trabalho, que melhor empregaria em coisas úteis. Acrescentou que também ele havia cultivado aquela arte, a ponto de querer adotá-la, em sua juventude, como profissão para ganhar a vida, pois, se havia entendido Hipócrates, podia também entender aqueles livros; por fim, deixara aqueles estudos pelos da medicina, <strong>por causa da sua falsidade</strong>, não querendo, como homem sério, ganhar o pão enganando os outros. “Mas tu, disse-me ele – que tens para manter entre os homens tuas aulas de retórica, segues essas mentiras não por necessidade, mas por mera curiosidade; mais um motivo para que acredites no que te digo, pois cuidei de aprendê-la tão perfeitamente que quis viver apenas de seu exercício”.</p>
<p style="text-align:justify;">Indaguei-lhe então por que muitas das coisas prognosticadas pela tal ciência se revelavam verdadeiras, respondeu-me, como pôde, que <strong>a força do acaso está espalhada por toda a natureza</strong>. “Se alguém – dizia ele – consultando as vezes as páginas de um poeta qualquer, encontra um verso que, apesar do poeta pensar em coisas muito diversas quando o compôs, adapta-se admiravelmente ao assunto que o preocupa; assim pois nada tem de estranho que a alma humana, movida por instinto superior, inconsciente do que se passa no seu íntimo, <span style="text-decoration:underline;">diga, não por arte, mas por sorte, algo que corresponda aos atos e gestos do consulente</span>”.</p>
<p style="text-align:justify;">E isto, Senhor, me ensinou ele, ou melhor, me ensinaste por teu intermédio, e delineaste em minha memória o que eu mesmo mais tarde devia procurar. Mas então, nem ele, nem meu caríssimo Nebrídio, jovem muito bom e casto, que zombava de toda aquela arte divinatória, puderam me convencer a abandoná-la, porque ainda impressionava-me mais a autoridade daqueles autores. Não tinha eu encontrado ainda o argumento evidente que procurava, que me demonstrasse sem ambigüidade que os presságios acertados dos astrólogos são obra da sorte ou casualidade, e não da arte de observar os astros.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Santo Agostinho </strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong>“<a href="http://www.saopiov.org/2009/06/confissoes-santo-agostinho.html">Confissões</a>”, IV, c. III</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Santo Inácio e a manutenção da unidade da Igreja]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/17/3087/</link>
<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 04:21:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/17/3087/</guid>
<description><![CDATA[Martírio de Santo Inácio Hoje a Igreja universal celebra Santo Inácio, bispo de Antioquia, que viveu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div class="wp-caption alignright" style="width: 295px"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_a4Viwbn0HoY/SqGZxRn-xKI/AAAAAAAACmA/wBxNXWZhO6c/s400/martirio+de+SANTO+INACIO+DE+ANTIOQUIA.jpg" alt="http://3.bp.blogspot.com/_a4Viwbn0HoY/SqGZxRn-xKI/AAAAAAAACmA/wBxNXWZhO6c/s400/martirio+de+SANTO+INACIO+DE+ANTIOQUIA.jpg" width="285" height="355" /><p class="wp-caption-text">Martírio de Santo Inácio</p></div>
<p style="text-align:justify;">Hoje a Igreja universal celebra Santo Inácio, bispo de Antioquia, que viveu na transição do século I para o século II. Seus escritos são importantíssimos para compreendermos o início da Igreja Católica e ao mesmo tempo o começo do respeito que o povo cristão começou a tributar aos presbíteros e bispos da Igreja de Deus. Em suas cartas – <a href="../documentos/cartas-de-santo-inacio-de-antioquia/">publicadas</a> há algum tempo aqui no Ecclesia Una – ele ressalta especialmente a importância da <strong>valorização</strong> e da obediência aos padres da Igreja. E é especialmente sobre essa necessidade que vamos falar.</p>
<p style="text-align:justify;">No contexto do Ano Sacerdotal proclamado pelo Papa Bento XVI, vê-se, no mundo inteiro, a importância do respeito à hierarquia da Igreja. No topo está o Magistério, Lei infalível da Madre Igreja, que dita a nós, com a assistência do Espírito, aquilo que devemos ou não crer. Abaixo vem o Papa. Fiel cumpridor do Sagrado Magistério, esse deve promover constantemente aquilo que impõe a Lei da Igreja, ajudando a manter a organização do episcopado. Assim, logo abaixo, vemos bispos, padres, diáconos e, por fim, o laicato, povo de Deus.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">Um desequilíbrio nessa hierarquia é desastroso</span>. Um padre que não respeita as ordens de seus superiores e dita aos leigos leis diferentes daquelas propostas pela Igreja desencaminha os fiéis leigos, assim como o bispo que não obedece ao Papa etc. Nessa <strong>rígida</strong> hierarquia que é proposta pela Sé, é preciso que haja uma estrita obediência dos cristãos aos seus superiores. Assim como o Papa deve ser fiel ao Magistério, os bispos devem ser fiéis ao Papa, os padres aos bispos, os diáconos aos padres e, por fim, o povo de Deus aos diáconos e também aos sacerdotes.</p>
<p style="text-align:justify;">Santo Inácio de Antioquia, em suas cartas, ressalta especialmente o aspecto da obediência que o laicato deve ao presbiterado, que são os sacerdotes da Igreja de Deus. “Na hora em que vos submeteis ao bispo como a Jesus Cristo – diz -, me dais a impressão de não viverdes segundo os homens, mas <strong>segundo Jesus Cristo</strong>, que morreu por nós para fugirdes à morte pela confiança na morte d’Ele” (<a href="../documentos/cartas-de-santo-inacio-de-antioquia/epistola-aos-tralianos/">Aos Tralianos</a>, 2). E explica que essa obediência é importante na manutenção da unidade da Igreja. Proclama, escrevendo aos Magnésios, que “<span style="text-decoration:underline;">nem o presbítero, nem o diácono, nem o leigo deve fazer algo sem o bispo</span>. Nem mesmo deveis fazer algo recomendável sem a sua aprovação” (<a href="../documentos/cartas-de-santo-inacio-de-antioquia/epistola-aos-magnesios/">A. Magnésios</a>, 7).</p>
<p style="text-align:justify;">Se a Igreja que confessamos é <strong>UNA</strong>, conforme diz o Credo, é graças ao trabalho árduo desses santos mártires de Deus, que lutaram com a sua vida pela manutenção da unidade da Sé Católica. Eles não deixavam, ao exortarem os fiéis com seus maravilhosos escritos, que o espírito da <strong>confusão </strong>se infiltrasse na mente das pessoas. Exorta: “Deveis ser <span style="text-decoration:underline;">uma só súplica comum</span>, <span style="text-decoration:underline;">uma só mente</span>, <span style="text-decoration:underline;">uma só esperança</span>, mantendo uma fé sólida em Cristo Jesus, pois não há nada melhor. Que vós todos sejais <strong>como um só homem</strong>, correndo juntos para o templo de Deus, para o único altar, <strong>o único Jesus Cristo</strong>” (<a href="../documentos/cartas-de-santo-inacio-de-antioquia/epistola-aos-magnesios/">A. Magnésios</a>, 7).</p>
<p style="text-align:justify;">A proclamação da unidade da Igreja também era importante no combate às heresias. Santo Inácio até criou uma expressão para designar a verdadeira Igreja de Cristo, ante às falsas doutrinas que surgiam já naquele tempo: “Onde quer que se apresente o bispo, ali também esteja a comunidade, assim como <strong>a presença de Cristo Jesus também nos assegura a presença da Igreja Católica</strong>” (<a href="../documentos/cartas-de-santo-inacio-de-antioquia/epistola-aos-esmirnenses/">A. Esmirnenses</a>, 8). E essa expressão (“<em>católica</em>”) perdura até os dias de hoje. Graças a Santo Inácio confessamos que a Igreja é católica. Foi ele o primeiro apóstolo da Igreja a usar essa expressão.</p>
<p style="text-align:justify;">Na unidade dos primeiros cristãos, na uniformidade dos seus pensamentos estava também o belo sentimento do <strong>martírio</strong>. A carta de Sto. Inácio <a href="../documentos/cartas-de-santo-inacio-de-antioquia/epistola-aos-romanos/">aos romanos</a> trata somente esse assunto: o quão suave e magnífico é morrer pela causa de Jesus. Escreve: “<span style="text-decoration:underline;">Deixai-me ser comida para as feras, pelas quais me é possível encontrar Deus</span>. <strong>Sou trigo de Deus</strong> e sou moído pelos dentes das feras, para encontrar-me como pão puro de Cristo” (n. 4). Os primeiros cristãos tinham consciência de que o martírio não era coisa a ser desprezada. Enquanto hoje as pessoas vêem a idéia de morrer por alguém como sendo repugnante ou até mesmo sem nenhum sentido, o cristianismo incorpora à morte a bela visão escatológica que modela para nós a <strong>vida eterna</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">A unidade dos leigos com os sacerdotes e os bispos, o sentimento <em>católico</em> presente nas comunidades, o amor pelo martírio são valores que muitos perderam, mas que precisam ser cultivados novamente por nós católicos. Jesus morreu por nossos pecados numa cruz mostrando-nos a beleza da Redenção. Se queremos ser cristãos, se queremos imitar Jesus, precisamos seguir o caminho da Cruz, da doação, do martírio. Os escritos e também a vida de Santo Inácio nos ensina isso: ele foi martirizado por leões; tornou-se realmente o “trigo de Deus”. Sejamos também <em>trigo de Deus</em>, “pão puro de Cristo”. Que possamos manter-nos fiéis na <strong>unidade</strong> proposta pela Igreja <strong>católica</strong> para seguirmos nesse caminho do Calvário.</p>
<p style="text-align:justify;">A Santíssima Virgem nos auxilie nessa difícil caminhada. Peçamos a intercessão também desse grande mártir da Igreja, Santo Inácio. Que Deus digne dar-nos, através dele, coragem, força e principalmente <strong>fé</strong>, afinal, sem ela não podemos agradar a Deus (cf. Hb 11, 6).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Santo Inácio de Antioquia,</strong><br />
<em>rogai por nós!</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Invitación Tertulia]]></title>
<link>http://postgradoteologia.wordpress.com/2009/10/16/invitacion-tertulia-2/</link>
<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 14:24:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>postgradoteologia</dc:creator>
<guid>http://postgradoteologia.wordpress.com/2009/10/16/invitacion-tertulia-2/</guid>
<description><![CDATA[Exposición del Trabajo de Tesis: “Algunos elementos de la relación Padre-Hijo en el Comentario a Jua]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-106" title="origenes" src="http://postgradoteologia.wordpress.com/files/2009/10/origenes.jpg" alt="origenes" width="237" height="346" /><br />
Exposición del Trabajo de Tesis:<strong> “Algunos elementos de la relación Padre-Hijo en el Comentario a Juan de Orígenes, libros I y II</strong><strong>”</strong> (realizado por Fernando Soler y dirigido por el P. Sergio Zañartu).</p>
<p style="text-align:justify;">Dicha ponencia, dentro del contexto de las Tertulias Metodológicas de<br />
Postgrado, se realizará el <strong><span style="color:#ff0000;">martes 27 de octubre</span>, a las 13:30 hrs, </strong>en la Sala de Consejo del 4to piso de nuestra Facultad de Teología.</p>
<p style="text-align:justify;">Esperamos contar con su presencia.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A destruição do pecado - Santo Irineu de Lião]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/06/a-destruicao-do-pecado-santo-irineu-de-liao/</link>
<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 04:19:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/06/a-destruicao-do-pecado-santo-irineu-de-liao/</guid>
<description><![CDATA[[Publico abaixo trecho da obra Demonstração da Pregação Apostólica, de Santo Irineu de Lião (séc. II]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">[<em>Publico abaixo trecho da obra </em><a href="http://patristicabrasil.blogspot.com/2009/10/santo-ireneu-115-202.html">Demonstração da Pregação Apostólica</a><em>, de Santo Irineu de Lião (séc. II). São palavras importantíssimas para o constante aumento da nossa fé. No trecho abaixo ele fala especialmente sobre <strong>a destruição do pecado</strong> que Jesus efetuou por meio da morte de Cruz. Mister faz-se observar a honra que os Padres da Igreja já tributavam à Santíssima Virgem Maria e também a já correta interpretação que tinham das Palavras de Deus. Possamos ouvir atentamente as palavras desse grande escritor cristão e compreender que <span style="text-decoration:underline;">a correta interpretação da Bíblia passa pelo Magistério da Igreja Católica</span>. Boa leitura!</em>]</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<h2>A destruição do pecado</h2>
<p style="text-align:right;"><strong><em>Santo Irineu de Lião</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;">Fonte: <a href="http://patristicabrasil.blogspot.com/2009/10/santo-ireneu-115-202.html"><strong>Patrística Brasil</strong><br />
</a></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://3.bp.blogspot.com/_VsL8VkjSZWw/Ske1unRTKEI/AAAAAAAABTk/PVQS1Bk6DFI/s400/0_irenee_plus.jpg" alt="http://3.bp.blogspot.com/_VsL8VkjSZWw/Ske1unRTKEI/AAAAAAAABTk/PVQS1Bk6DFI/s400/0_irenee_plus.jpg" width="265" height="367" />31. Uniu, pois, o homem com Deus e operou a comunhão entre Deus e o homem, porque não poderíamos, em absoluto, obter participação alguma na incorruptibilidade se não houvesse vindo [o Verbo] habitar entre nós. Pois se a incorruptibilidade tivesse permanecido invisível e oculta, não nos seria de nenhuma utilidade. Fez-se, pois, visível a fim de que integralmente [isto é, em corpo e alma] recebêssemos uma participação desta incorruptibilidade. E porque todos nós estamos envoltos na criação originária de Adão e estamos vinculados à morte por causa da sua desobediência, era conveniente e justo que, por obra da obediência de quem se fez homem por nós, fossem quebradas as [cadeias] da morte. <span style="text-decoration:underline;">E porque a morte reinava sobre a carne, era preciso que fosse abolida por meio da carne e que o homem fosse libertado de sua opressão</span>. “E o Verbo se fez carne” (Jo 1, 14) <strong>para destruir, por meio da carne, o pecado</strong> &#8211; que, por obra da carne, havia adquirido o poder, o direito de propriedade e domínio &#8211; para que não mais existisse entre nós. Por essa razão, nosso Senhor tomou uma corporeidade idêntica à da primeira criatura, para lutar em favor dos primogênitos e vencer em Adão, já que <span style="text-decoration:underline;">Adão havia nos ferido [de morte]</span>.</p>
<p style="text-align:justify;">32. Pois bem: de onde provém a essência da primeira criatura? Da vontade e da Sabedoria de Deus e da terra virgem. “Porque Deus ainda não havia enviado chuva sobre a terra” &#8211; diz a Escritura &#8211; “antes que o homem fosse plasmado e antes que o homem estivesse ali para cultivá-la” (Gn 2, 5). Desta terra, pois, todavia virgem, Deus tomou o barro e moldou o homem, princípio do gênero humano. Para dar, pois, cumprimento a esse homem, assumiu o Senhor a mesma disposição sua de corporeidade, que nasceu de uma Virgem por vontade e pela Sabedoria de Deus, para manifestar também Ele a identidade de sua corporeidade com a de Adão, e para que se cumprisse o que no princípio havia escrito: “o homem é imagem e semelhança de Deus”.</p>
<p style="text-align:justify;">33. E <strong>assim como pela obra de uma virgem desobediente foi o homem ferido e, precipitado, morreu, assim também, reanimado o homem por obra de uma Virgem, que obedeceu a Palavra de Deus, recebeu Ele, no homem novamente reavivado, por meio da vida, a Vida</strong>. Pois o Senhor veio buscar a ovelha perdida, isto é, o homem que havia se perdido. De onde não fez o Senhor outra carne senão daquela mesma que trouxe origem a Adão e dela conservou a semelhança. Porque <span style="text-decoration:underline;">era conveniente e justo que Adão fosse recapitulado em Cristo, a fim de que fosse precipitado e submergido o que é mortal na imortalidade, e que Eva fosse recapitulada em Maria, a fim de que uma Virgem, chamada a ser advogada de uma virgem [Eva], descesse e destruísse a desobediência virginal através da obediência virginal</span>. O pecado cometido por causa da árvore foi anulado pela obediência cumprida na árvore, obediência a Deus pela qual o Filho do homem foi elevado na árvore, abolindo a ciência do mal e aportando e presenteando com a ciência do bem. O mal é desobedecer a Deus; o bem, ao contrário, é obedecer [a Ele].</p>
<p style="text-align:justify;">34. O Verbo, preanunciando por meio do profeta Isaías os acontecimentos futuros &#8211; são profetas porque anunciam o que irá acontecer &#8211; se expressa assim: “Eu não me rebelo, nem me contradigo. Ofereci minhas costas aos açoites e minha face às bofetadas; não furtarei meu rosto à afronta das cuspidas” (Is 50, 5-6). Assim, pois, <span style="text-decoration:underline;">pela obediência a que se submeteu até a morte, pendurado no madeiro, destruiu a desobediência antiga cometida na árvore</span>. E como o próprio Verbo onipotente de Deus, em sua condição invisível, está entre nós estendido por todo este universo [visível] e abraça sua largura e sua extensão e sua altura e sua profundidade &#8211; pois por intermédio do Verbo de Deus foram dispostas e governadas aqui todas as coisas -, a crucificação [visível] do Filho de Deus teve também lugar nessas [dimensões, antecipadas invisivelmente] na forma da cruz traçada [por Ele] no universo. Ao surgir visivelmente, manifestou a participação deste universo [sensível] em sua crucificação [invisível], a fim de revelar, graças à sua forma visível, sua ação [misteriosa e oculta] sobre o visível, a saber, como é Ele quem ilumina a altura &#8211; isto é, o celeste &#8211; e contém a profundidade &#8211; as regiões subterrâneas &#8211; e se estende ao largo, do Oriente até o Ocaso, e governa, como comandante, a região norte e a extensão da Média, e convoca todas as partes e os dispersos para conhecer ao Pai.</p>
<p style="text-align:justify;">35. Realizou-se, assim, a promessa feita por Deus a Abraão, segundo a qual sua descendência seria como as estrelas do céu. Cristo cumpriu a promessa nascendo de uma Virgem, da estirpe de Abraão, e convertendo em estrelas do mundo os crentes n’Ele e justificando os gentios com Abraão por meio da mesma fé. “Abraão creu no Senhor e foi reputado por justo” (Gn 15, 6). Do mesmo modo, <strong>também nós somos justificados em virtude da fé em Deus, porque o justo viverá pela fé</strong>. A promessa de Abraão não foi feita pelo cumprimento da lei, mas pela fé. De fato, Abraão foi justificado pela fé: “a lei não foi estabelecida para o justo” (1 Tm 1, 9). De igual forma, também <span style="text-decoration:underline;">nós não somos justificados pela lei, mas sim pela fé</span>, que foi recebida pelo testemunho da lei e dos profetas, e que nos apresenta o Verbo de Deus.</p>
<p style="text-align:justify;">36. E cumpriu o que foi prometido a Davi, pois Deus havia se comprometido a suscitar do fruto de seu seio um Rei eterno, cujo reino não teria fim. Este Rei é Cristo, Filho de Deus, feito filho do homem, isto é, nascido, como fruto, da Virgem descendente de Davi; e se a promessa foi do fruto de seu seio &#8211; a saber, um rebento da concepção característica da mulher, e não fruto do homem nem dos rins, como é característico do varão &#8211; era para anunciar o que era de único e próprio na produção deste fruto de um seio virginal procedente de Davi, que reina na casa de Davi pelos séculos e cujo reino não conhecerá fim.</p>
<p style="text-align:justify;">37. Em tais condições, pois, <strong>realizava magnificamente nossa salvação, mantinha as promessas feitas aos patriarcas e abolia a antiga desobediência</strong>. O Filho de Deus se fez filho de Davi e filho de Abraão. Para cumprir as promessas e recapitulá-las em Si mesmo, com o fim de restituir-nos à vida, o Verbo de Deus se fez carne pelo ministério da Virgem, a fim de desatar a morte e vivificar o homem, porque <span style="text-decoration:underline;">nós estávamos presos pelo pecado e destinados a nascer através do regime do pecado e a cair sob o império da morte</span>.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Santo Irineu de Lião </strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong>“<a href="http://patristicabrasil.blogspot.com/2009/10/santo-ireneu-115-202.html">Demonstração da Pregação Apostólica</a>”, 31-37</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A fé se fundamenta na verdade - Santo Irineu de Lião]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/06/a-fe-se-fundamenta-na-verdade-santo-irineu-de-liao/</link>
<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 04:02:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/06/a-fe-se-fundamenta-na-verdade-santo-irineu-de-liao/</guid>
<description><![CDATA[“Assim, pois, por temer coisa semelhante, devemos manter inalterada a regra da fé e cumprir os manda]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">“Assim, pois, por temer coisa semelhante, <span style="text-decoration:underline;">devemos <strong>manter inalterada a regra da fé</strong> e cumprir os mandamentos de Deus, crendo n’Ele, temendo-O como Senhor e amando-O como Pai</span>. Portanto, um comportamento deste estilo é uma conquista da fé, pois, como diz Isaías: “Se não creres, não compreendereis” (Is 7,9). <strong>A fé nos é concedida pela verdade, pois a fé se fundamenta na verdade</strong>. De fato, <strong><span style="text-decoration:underline;">cremos o que realmente é e como é; e crendo no que realmente é e como sempre foi, mantemos firme nossa adesão</span></strong>. Pois bem: posto que a fé sustenta nossa salvação, é necessário prestar-lhe muita atenção para obter uma inteligência autêntica da realidade. A fé é que nos faz procurar tudo isso, como nos transmitiu os Presbíteros, discípulos dos apóstolos. Em primeiro lugar, a fé nos convida insistentemente a relembrar que recebemos o batismo para o perdão dos pecados em nome de Deus Pai e em nome de Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado, morto e ressuscitado, e [em nome] do Espírito Santo de Deus; que o batismo é o selo da vida eterna, o novo nascimento de Deus, de modo tal que não somos mais filhos de homens mortais, mas do Deus eterno e indefectível; que o Eterno e Indefectível é Deus, acima de todas as criaturas, e que cada coisa, seja qual for a sua espécie, está submetida a Ele; e tudo o que foi a Ele submetido foi por Ele criado. Deus, portanto, não exerce seu poder e soberania sobre o que pertence aos outros, mas sobre o que lhe é próprio. E <strong>tudo é de Deus</strong>. Com efeito, Deus é onipotente e tudo provém d’Ele.”</p>
<p style="text-align:justify;">(Santo Irineu de Lião, <strong>Demonstração da Pregação Apostólica</strong> <a href="http://patristicabrasil.blogspot.com/2009/10/santo-ireneu-115-202.html">via <em>Patrística Brasil</em></a>, 3)</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Não prevalecerão]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/02/3001/</link>
<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 03:45:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/10/02/3001/</guid>
<description><![CDATA[“Mas o Senhor não expressa se prevalecerá a pedra sobre a qual está edificada a Igreja ou se prevale]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">“Mas o Senhor não expressa se prevalecerá a pedra sobre a qual está edificada a Igreja ou se prevalecerá a Igreja edificada sobre a pedra; no entanto, <span style="text-decoration:underline;">é indubitável que nem contra a pedra nem contra a Igreja prevalecem as portas do inferno</span>” (Orígenes, <em>Homilia 1 in Matthaeum</em>; <a href="http://hjg.com.ar/catena/c179.html">via Catena Aurea</a>).</p>
<p style="text-align:justify;">“<strong>Segundo a promessa de Cristo, a Igreja Apostólica de Pedro permanece pura de toda sedução e preservada de todo ataque herético</strong>, acima de todos os governadores, especialmente os bispos e os primados das igrejas, nos seus pontífices, na sua completíssima fé e na autoridade de São Pedro. E quando algumas igrejas têm sido marcadas pelos erros de alguns de seus indivíduos, <span style="text-decoration:underline;">somente ela reina sustentada de um modo inquebrantável, impondo silêncio e calando a boca dos hereges</span>. E nós, a não ser que estejamos enganados pela falsa presunção de nossa salvação ou embriagados do vinho da soberba, confessamos e pregamos com ela a verdade e a santa tradição apostólica na sua verdadeira forma” (São Cirilo de Alexandria, <em>thesaurus de sancta et consubstantiali Trinitate</em>; <a href="http://hjg.com.ar/catena/c179.html">via Catena Aurea</a>).</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Roteiro de Leitura Orante - Como fazer (Lectio Divina)]]></title>
<link>http://catequetica.wordpress.com/2009/09/30/roteiro-de-leitura-orante-como-fazer-lectio-divina/</link>
<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 13:56:25 +0000</pubDate>
<dc:creator>comunidadecatolica</dc:creator>
<guid>http://catequetica.wordpress.com/2009/09/30/roteiro-de-leitura-orante-como-fazer-lectio-divina/</guid>
<description><![CDATA[Lectio Divina, também conhecido como Leitura Orante, é um metodo antigo, do inicio do cristianismo, ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Lectio Divina, também conhecido como Leitura Orante, é um metodo antigo, do inicio do cristianismo, de leitura e contemplação da Palavra de Deus. Abaixo disponibilizo uma apresentação PowerPoint de como fazer a Leitura Orante. Em seguida apresento uma recomendação do proprio Vaticano, na figura do Papa Bento XVI, que se faça a leitura orante.</p>
<p>Apresentação: <a href="http://catequetica.wordpress.com/files/2009/09/lob-pratica.ppt" target="_blank">Lectio Divina &#8211; apresentação powerpoint </a>- 4,846 KB</p>
<p><strong>Recomendação do Vaticano:</strong></p>
<p><strong>Lectio Divina, maneira de conhecer coração de Deus</strong></p>
<p>CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 15 de outubro de 2008 (<a href="http://www.zenit.org/">ZENIT.org</a>).-</p>
<p> O Sínodo dos Bispos pediu que se ilustrasse à assembléia um dos diferentes métodos atuais de «Lectio divina», a leitura orante da Sagrada Escritura. Em resposta, nesta terça-feira, na congregação geral, Dom Santiago Jaime Silva Retamales, bispo auxiliar de Valparaíso (Chile), fez uma apresentação muito concreta que durou cerca de 20 minutos.<!--more--></p>
<p> A promoção da «Lectio divina» é a proposta concreta que os padres sinodais e ouvintes mais repetiram neste sínodo sobre «A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja». Dom Silva, nomeado por Bento XVI como vice-presidente da Comissão para a mensagem que o Sínodo emitirá, explicou, citando São Gregório Magno, que o objetivo desta prática é «conhecer o coração de Deus através das palavras de Deus».O encontro começa preparando o ambiente onde acontece o encontro. Em particular, coloca-se a Bíblia aberta num ambão e se preparam também os participantes, não só com sua postura, mas também com um «coração limpo». É necessário também que cada um traga sua Bíblia ou o texto impresso. A seguir, acontece a invocação ao Espírito Santo para que, assim como Ele fez que a Palavra se convertesse em livro, o livro se torne Palavra. Depois se busca a passagem bíblica e se prepara com perguntas que, partindo da vida, ajudem a compreender o texto.</p>
<p> O seguinte passo é a leitura ou a proclamação do texto bíblico. É muito importante que depois haja um momento de silêncio para que cada um o releia pessoalmente. O seguinte passo sugere aos participantes que utilizem um lápis para marcar com o sinal de interrogação (?) as passagens que não entendem. E se lhes pede também que <span style="text-decoration:underline;">sublinhem</span> a passagem que consideram central.Assim, em grupo, descobre-se esta passagem medular ou se oferecem, em particular o guia do grupo, elementos para a compreensão. Os participantes voltam a ler a passagem, e nesta ocasião devem marcar com o sinal de exclamação (!) a passagem ou passagens que interpelam suas intenções e ações. Com o lápis devem marcar com um asterisco (*) a passagem ou passagens que os ajudam a orar.</p>
<p> Passa-se então à meditação, seguindo o sinal de exclamação. Como ajuda, sugere-se que se façam, a partir da passagem, perguntas que interpelam a vida.Depois acontece a oração, seguindo os asteriscos, para orar desde e com a Palavra de Deus e o vivido no encontro com a Palavra, ou seja, Cristo.Por último, deixa-se espaço à contemplação, ajudando-se do silêncio ou da música. O importante, disse o bispo, é «que Jesus me arrebate, que olhe pra mim e que eu olhe pra Ele, numa troca de olhares».</p>
<p> Passa-se assim à última fase, «o atuar», escrevendo uma palavra (por exemplo, «diálogo», «ajuda») que indica ao participante o caminho a seguir e compartilhar. Estas práticas em comunidade constituem um plano de três anos, ilustrou Dom Silva. Não quer ser um curso de Bíblia, declarou; trata-se de um encontro com Jesus na Sagrada Escritura.</p>
<p> O bispo chegou a esta conclusão: «A Igreja no mundo de hoje está enfrentando a ameaça de vários ‘ismos’», como o secularismo, o consumismo, o materialismo… A ‘Lectio Divina’ é uma resposta que se demonstrou eficaz. Em palavras do nosso Santo Padre: ‘Quando promovida eficazmente, a <em>Lectio divina</em> traz à Igreja – estou convencido – uma nova primavera espiritual’».</p>
<p> Fonte: http://blog.cancaonova.com/cancaonovaformacao/2008/10/16/lectio-divina-maneira-de-conhecer-coracao-de-deus/</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A alegria das coisas perdidas - Santo Agostinho]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/09/25/a-alegria-das-coisas-perdidas-santo-agostinho/</link>
<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 04:27:28 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/09/25/a-alegria-das-coisas-perdidas-santo-agostinho/</guid>
<description><![CDATA[A alegria das coisas perdidas Santo Agostinho Bom Deus, que se passa no homem para que se alegre mai]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><h2>A alegria das coisas perdidas</h2>
<p style="text-align:right;"><strong><em>Santo Agostinho</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://blog.cancaonova.com/asas/files/2009/07/agostinho.gif" alt="http://blog.cancaonova.com/asas/files/2009/07/agostinho.gif" width="256" height="371" />Bom Deus, que se passa no homem para que se alegre mais com a salvação de uma alma desesperada, quando salva de grande perigo, do que se ela sempre tivesse tido esperança, ou se o perigo tivesse sido menor? Também tu, Pai misericordioso, sentes mais alegria por um pecador arrependido do que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência. Grande é o nosso prazer ao falar da alegria do pastor trazendo de volta sobre os ombros a ovelha desgarrada, e da mulher que repõe em teus tesouros, para satisfação geral dos vizinhos, a dracma perdida. E nos arranca lágrimas a alegria das festas de tua casa quando lemos que teu filho menor estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.</p>
<p style="text-align:justify;">Tu te alegras em nós e em teus anjos, santificados pelo santo amor; pois és sempre o mesmo, e conheces do mesmo modo e sempre as coisas que nem sempre existem, nem da mesma maneira.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, que se passa na alma, para que se alegre mais com as coisas que estima, encontradas ou reavidas, do que se sempre as tivesse possuído? Na verdade, tudo o atesta, e há inúmeros testemunhos que afirmam: “É assim mesmo!”</p>
<p style="text-align:justify;">O general celebra o triunfo da vitória, e não teria vencido sem combate; e quanto mais foi árdua a batalha, tanto maior é o gozo no triunfo.</p>
<p style="text-align:justify;">A tempestade cai sobre os navegantes com ameaça de naufrágio. Todos empalidecem diante da morte iminente. O céu e o mar se acalmam, é grande sua alegria, e nasce do muito que temeram.</p>
<p style="text-align:justify;">Adoece uma pessoa amiga: seu pulso revela um desfecho fatal. Todos os que desejam sua cura sofrem com ela, por simpatia. Havendo melhora, embora ainda não recuperado o vigor de outrora, já reina tal alegria como não existia antes, quando andava sadia e forte.</p>
<p style="text-align:justify;">Até os prazeres da vida humana, não só compensam os homens de desgraças casuais e involuntárias, mas também de moléstias premeditadas e desejadas. Não há prazer algum em beber ou comer sem que haja antes o estímulo da sede ou da fome. Os ébrios costumam comer antes alguma coisa salgada, que lhes cause sede ardente e que transformará em prazer quando acalmada com a bebida. O costume quer que as esposas não sejam entregues imediatamente aos maridos: o marido desprezaria a noiva se não tivesse que esperar e suspirar por ela.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim ocorre tanto na alegria torpe e vil, como na alegria lícita e permitida, na mais sincera e honesta amizade, como na aventura daquele que estava morto e tornou a viver, que se havia perdido e foi encontrado; em todos os casos uma alegria maior é precedida de uma dor também maior.</p>
<p style="text-align:justify;">Por que isto, Senhor, meu Deus, quando tu mesmo és tua própria alegria eterna, e as criaturas à tua volta em ti se alegram? Por que esta parte do universo sofre as alternâncias de progressos e quedas, de uniões e separações? Será este o modo de ser que lhe concedeste quando, do mais alto dos céus até às profundezas da terra, desde o princípio dos tempos até o fim dos séculos, desde o anjo até o pequenino verme, e desde o primeiro movimento até o último, dispuseste todos os gêneros de bens e todas as tuas obras justas, cada uma em seu lugar e tempo?</p>
<p style="text-align:justify;">Ai de mim! Quão alto és nas alturas e quão profundo nos abismos! Jamais te afastas de nós e, contudo, quanta dificuldade para voltar a ti!</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Santo Agostinho</strong></p>
<p style="text-align:right;"><strong>“<a href="http://www.saopiov.org/2009/06/confissoes-santo-agostinho.html">Confissões</a>”, VIII, c. III</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ninguém se salva fora da Igreja - S. Cipriano de Cártago]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/09/16/ninguem-se-salva-fora-da-igreja-s-cipriano-de-cartago/</link>
<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 23:52:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/09/16/ninguem-se-salva-fora-da-igreja-s-cipriano-de-cartago/</guid>
<description><![CDATA[[Celebramos no dia de hoje a memória de São Cipriano de Cártago, bispo que viveu no século III. Publ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><em>[Celebramos no dia de hoje a memória de São Cipriano de Cártago, bispo que viveu no século III. Publicamos, aproveitando a ocasião, um trecho da sua grande obra “<a href="http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_cipriano_sobre_a_unidade.html">A Unidade da Igreja</a>”, onde ele fala que <strong>fora da Igreja não há salvação</strong>. Os trechos abaixo compilados estão na 1ª parte do escrito, nos capítulos 4 e 6. São célebres frases que constroem a doutrina da Tradição da Igreja Católica. Já naquele tempo Inácio de Antioquia a designava “católica”. <span style="text-decoration:underline;">Hoje, lendo essa obra patrística excepcional, cresce em nós a certeza de que estamos na verdadeira Igreja de Cristo, “fiel e casta”, incorruptível, a Madre Igreja Católica</span>. Boa leitura!]</em></p>
<p style="text-align:justify;">Fonte: <a href="http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_cipriano_sobre_a_unidade.html"><em>Ecclesia</em></a></p>
<p style="text-align:justify;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<h2>Ninguém se salva fora da Igreja</h2>
<p align="right"><strong><em>São Cipriano de Cártago</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignright" src="http://catolicismo.files.wordpress.com/2008/09/cipriano-de-cartago_2.jpg" alt="http://catolicismo.files.wordpress.com/2008/09/cipriano-de-cartago_2.jpg" />4. Quem presta atenção a estes ensinamentos não precisa de longo estudo, nem de muitas demonstrações. A prova da nossa fé é fácil e compendiosa.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim fala o Senhor a Pedro: &#8220;Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas dos infernos não a vencerão. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus e tudo o que ligares na terra será ligado também nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado também nos céus&#8221; (Mt 16, 18-19).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Sobre um só edificou a sua Igreja</strong>. Embora, depois da sua ressurreição, tenha comunicado igual poder a todos os Apóstolos, dizendo: &#8220;Como o Pai me enviou, eu vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo, a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados, a quem os retiverdes ser-lhe-ão retidos&#8221; (Jo 20, 21-23), todavia, para tornar manifesta a unidade, dispôs com a sua autoridade que a origem da unidade procedesse de um só.</p>
<p style="text-align:justify;">É verdade que os demais Apóstolos eram o mesmo que Pedro, tendo recebido igual parte de honra e de poder, mas a primeira urdidura começa pela unidade a fim de que a Igreja de Cristo aparecesse uma só.</p>
<p style="text-align:justify;">O Espírito Santo, falando na pessoa do Senhor, designa esta Igreja única quando diz no Cântico dos Cânticos: &#8220;<span style="text-decoration:underline;">Uma só é a minha pomba, a minha perfeita, única filha da sua mãe e sem igual para a sua progenitora</span>&#8221; (Cant 6, 9).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Aquele que não guarda esta unidade poderá pensar que ainda guarda a fé?</strong> Aquele que resiste e faz oposição à Igreja poderá confiar que ainda está na Igreja?</p>
<p style="text-align:justify;">Paulo apóstolo inculca o mesmo ensinamento e mostra o sacramento da unidade, dizendo: &#8220;Um só corpo e um só espírito, uma é a esperança da vossa vocação, um Senhor, uma fé, um Batismo, um só Deus&#8221; (Ef 4, 4-5).</p>
<p style="text-align:justify;">E, depois da ressurreição, diz ao mesmo: &#8220;Apascenta as minhas ovelhas&#8221; (Jo 21, 17). Sobre ele só constrói a Igreja e lhe manda que apascente as suas ovelhas. Embora comunique a todos os Apóstolos igual poder, todavia institui uma só cátedra, determinando assim a origem da unidade.</p>
<p style="text-align:justify;">É verdade que os demais [Apóstolos] eram o mesmo que Pedro, mas <strong>o primado é conferido a Pedro para que fosse evidente que há uma só Igreja e uma só cátedra</strong>. Todos são pastores, mas é anunciado um só rebanho, que deve ser apascentado por todos os Apóstolos em unânime harmonia.</p>
<p style="text-align:justify;">Aquele que não guarda esta unidade, proclamada também por Paulo, poderá pensar que ainda guarda a fé? <strong>Aquele que abandona a cátedra de Pedro, sobre o qual foi fundada a Igreja, poderá confiar que ainda está na Igreja?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">6. A Esposa de Cristo não pode tornar-se adúltera, ela é incorruptível e casta [Ef 5, 24-31]. Conhece só uma casa, observa, com delicado pudor, a inviolabilidade de um só tálamo. É ela que nos guarda para Deus e torna partícipes do Reino os filhos que gerou.</p>
<p style="text-align:justify;">Aquele que, afastando-se da Igreja, vai juntar-se a uma adúltera, fica privado dos bens prometidos à Igreja. Quem abandona a Igreja de Cristo não chegará aos prêmios de Cristo. <strong>Torna-se estranho, torna-se profano, torna-se inimigo.</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe</span>. Como ninguém se pôde salvar fora da arca de Noé, assim <span style="text-decoration:underline;">ninguém se salva fora da Igreja</span>.</p>
<p style="text-align:justify;">O Senhor nos alerta e diz: &#8220;Quem não está comigo está contra mim, quem comigo não recolhe, dissipa&#8221; (Mt 12, 30). Quem rompe a paz e a concórdia de Cristo trabalha contra Cristo. Quem faz colheita alhures, fora da Igreja, esse dissipa a Igreja de Cristo.</p>
<p style="text-align:justify;">Diz ainda o Senhor: &#8220;Eu e o Pai somos um&#8221; (Jo 10, 30), e do Pai, do Filho e do Espírito Santo está escrito: &#8220;Estes três são um&#8221; (1 Jo 5, 7). Como poderá alguém pensar que esta unidade da Igreja, decorrente da própria firmeza da unidade divina, e tão conforme com este celeste mistério, pode ser rompida e sacrificada ao arbítrio de vontades opostas? Quem não observa esta unidade não observa a lei de Deus, não observa a fé do Pai e do Filho, <span style="text-decoration:underline;">não possui nem a vida, nem a salvação</span>.</p>
<p align="right"><strong>São Cipriano de Cártago</strong></p>
<p align="right"><strong>“<a href="http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_cipriano_sobre_a_unidade.html">A Unidade da Igreja</a>”, p. 1, cap. 4 e 6</strong></p>
<p align="center">* * *</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>São Cipriano de Cártago, </strong><br />
<em>rogai por nós!</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Carti ale lui Cristian Badilita disponibile pe internet]]></title>
<link>http://danutm.wordpress.com/2009/09/15/carti-ale-lui-cristian-badilita-disponibile-pe-internet/</link>
<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 14:27:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>DanutM</dc:creator>
<guid>http://danutm.wordpress.com/2009/09/15/carti-ale-lui-cristian-badilita-disponibile-pe-internet/</guid>
<description><![CDATA[Domnul Cristian Bădiliţă pune la dispozitia cititorilor lui, câteva dintre ultimele sale cărţi. Este]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://danutm.wordpress.com/files/2009/09/cristianbadilita.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-5544" title="CristianBadilita" src="http://danutm.wordpress.com/files/2009/09/cristianbadilita.jpg?w=211" alt="CristianBadilita" width="211" height="300" /></a></p>
<p>Domnul Cristian Bădiliţă pune la dispozitia cititorilor lui, câteva dintre ultimele sale cărţi. Este un act rar de generozitate  între autorii români.</p>
<p>Cărţile pot fi obţinute prin dowload, <a href="http://www.cristianbadilita.ro/?w=serafita">AICI</a>. Din câte ştiu, cu vremea vor mai urma şi altele.</p>
<p><!--more-->Între aceste cărţi se află şi <em><span style="font-style:italic;">Ştiinţă, dragoste, credinţă</span></em>, care adună între copertele ei convorbiri cu patrologi europeni purtate de Cristian Bădiliţă în ultimii zece ani. În cadrul acesteia se află şi un interviu cu <a href="http://mariuscruceru.ro">Marius Cruceru</a>.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Homilia sobre a natividade da Virgem Maria]]></title>
<link>http://beinbetter.wordpress.com/2009/09/08/homilia-sobre-a-natividade-da-virgem-maria/</link>
<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 03:40:24 +0000</pubDate>
<dc:creator>Everth Queiroz Oliveira</dc:creator>
<guid>http://beinbetter.wordpress.com/2009/09/08/homilia-sobre-a-natividade-da-virgem-maria/</guid>
<description><![CDATA[[A ocasião pede novamente. Hoje celebramos a natividade da Santíssima Virgem Maria. E ninguém melhor]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><em>[A ocasião pede novamente. Hoje celebramos a natividade da Santíssima Virgem Maria. E ninguém melhor que São João Damasceno para falar das honras de Nossa Senhora. Em homilia na cidade de Jerusalém, esse mestre da Patrística fala sobre essa festa tão solene da Igreja, em que comemoramos o nascimento do Tabernáculo Puríssimo do Altíssimo. Foi por Maria que a Redenção pode chegar a nós. Foi também por Ela que as graças de Deus puderam nos abençoar. Maria, nesse sentido, é mais do que <strong>ponte de salvação</strong>. É também Ela redentora junto com Nosso Senhor Jesus Cristo. Se houve alguém que contribuiu de maneira esplendida para a remissão dos nossos pecados, esse alguém é a Mãe de Deus Maria Santíssima. Que Ela digne interceder por nós junto a Deus e que esse grande homem de Deus, S. João Damasceno, seja, assim como Maria – não na mesma intensidade, mas com o mesmo empenho – ponte que nos conduz a Deus. <span style="text-decoration:underline;">São João Damasceno, rogai por nós! Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!</span>]</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Fonte: </strong><em><a href="http://patristicabrasil.blogspot.com/2008/01/so-joo-damasceno-675-749.html">Patrística Brasil</a></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<h2>Homilia sobre a natividade da Virgem Maria</h2>
<p style="text-align:right;"><strong><em>São João Damasceno</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignright" src="http://4.bp.blogspot.com/_N7qno7a5_DU/STe0ulbk3fI/AAAAAAAAHq0/8Rhm9Rx8pMI/s320/s%C3%A3o+joao+damasceno.jpg" alt="http://4.bp.blogspot.com/_N7qno7a5_DU/STe0ulbk3fI/AAAAAAAAHq0/8Rhm9Rx8pMI/s320/s%C3%A3o+joao+damasceno.jpg" />1. Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria do mundo inteiro! Se os gregos destacavam com todo o tipo de honras – com os dons que cada um podia oferecer – o aniversário das divindades, impostos aos espíritos por mitos mentirosos que obscureciam a verdade, e também o dos reis, mesmo se eles fossem o flagelo de toda a existência, que deveríamos nós fazer para honrar o aniversário da Mãe de Deus, por quem toda a raça mortal foi transformada, por quem o castigo de Eva, nossa primeira mãe, foi mudada em alegria? Com efeito, uma ouviu a sentença divina: «Darás à luz no meio de penas»; a outra ouviu, por seu turno: «Alegra-te, oh Cheia de Graça». À primeira disse-se: «Inclinar-te-ás para o teu marido», mas à segunda: «O Senhor está contigo». Que homenagem ofereceremos então nós à Mãe do Verbo, senão outra palavra? Que a criação inteira se alegre e festeje, e cante a natividade de uma santa mulher, porque ela gerou para o mundo um tesouro imperecível de bondade, e porque por ela o Criador mudou toda a natureza num estado melhor, pela mediação da humanidade. Porque se o homem, que ocupa o meio entre o espírito e a matéria, é o laço de toda a criação, visível e invisível, o Verbo criador de Deus, ao se unir à natureza humana, uniu-se através dela a toda a criação. Festejemos assim o desaparecimento da humana esterilidade, pois cessou para nós a enfermidade que nos impedia a posse dos bens.</p>
<p style="text-align:justify;">2. Mas porque nasceu a Virgem Maria de uma mulher estéril? Àquele que é o único verdadeiramente novo debaixo do sol, como coroamento das Suas maravilhas, deviam ser preparados os caminhos por maravilhas, para que lentamente as realidades mais baixas se elevassem de modo a serem as mais altas. E eis uma outra razão, mais alta e mais divina: a natureza cedeu o lugar à graça, pois ao vê-la tremeu, e não quis mais ter o primeiro lugar. Como a Virgem Mãe de Deus devia nascer de Ana, a natureza não ousou prevenir o fruto da graça, mas permaneceu ela própria sem fruto, até que a graça trouxesse o seu. Era necessário que fosse primogênita aquela que deveria gerar «o Primogênito de toda a criação, no Qual tudo subsiste». Oh Joaquim e Ana, casal venturoso! Toda a criação está em dívida para convosco, porque através de vós ela pôde oferecer ao Criador o dom – entre todos o mais excelso – de uma Mãe venerável, a única digna d’Aquele que a criou. Ditosos os rins de Joaquim, de onde saiu uma semente totalmente imaculada, e admirável o seio de Ana, graças ao qual se desenvolveu lentamente, onde se formou e de onde nasceu uma tão santa criança! Oh entranhas que levastes um céu vivo, mais vasto que a imensidade dos céus! Oh moinho onde foi amassado o Pão vivificante, segundo as próprias palavras de Cristo: «Se o grão de trigo não cair na terra e morrer, ficará só». Oh seio que aleitaste aquela que alimentou o Aquele que alimenta o mundo! Maravilha das maravilhas, paradoxo dos paradoxos! Sim, a inexprimível Encarnação de Deus, cheia de condescendência, devia ser precedida por estas maravilhas. Mas como prosseguirei? O meu espírito está fora de si, dividido que estou entre o temor e o amor; o meu coração bate e a minha língua move-se: não posso suportar a alegria, as maravilhas deitam-me por terra, o ardor apaixonado aprisionou-me num arrebatamento divino. Que o amor vença, que o temor desapareça e que cante a cítara do Espírito: «Alegrem-se os céus, exulte a terra»!</p>
<p style="text-align:justify;">3. Hoje as portas da esterilidade abrem-se, e uma porta virginal e divina avança: a partir dela, por ela, o Deus que está acima de todos os seres deve «vir ao mundo» «corporalmente», segundo a expressão de Paulo, ouvinte dos segredos inefáveis. Hoje, da raiz de Jessé saiu uma vergôntea, de onde surgirá para o mundo uma flor substancialmente unida à divindade.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje, a partir da natureza terrena, um céu foi formado sobre a terra por Aquele que outrora o tornara sólido separando-o das águas, elevando o firmamento nas alturas. É um céu verdadeiramente mais divino e mais elevado que o primeiro, porque Aquele que no primeiro céu criara o sol Se elevou a Si próprio neste novo como um sol de justiça. Sim, há n’Ele duas Naturezas, apesar da loucura dos Acéfalos, e uma só Pessoa, mesmo que os Nestorianos se encolerizem! A Luz eterna, proveniente da Luz eterna antes de todos os séculos, o Ser, imaterial e incorpóreo, tomou um corpo desta mulher, e como um esposo que sai para fora de seu tálamo, assim fez Deus, tornando-se como tal filho da raça terrena. Como um gigante Ele alegra-Se de percorrer os caminhos da nossa natureza, de Se encaminhar, pelos Seus sofrimentos, para a morte, de atar o homem forte e lhe arrancar os seus bens, isto é, a nossa natureza, e de reunir na terra celeste a ovelha errante.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje, o «Filho do Carpinteiro», O Verbo universalmente ativo d’Aquele que tudo construiu por Ele, o Braço Poderoso do Deus Altíssimo, querendo afiar pelo Espírito &#8211; que é como o seu dedo – a lâmina embotada da natureza, construiu para Si uma escada viva, cuja base está firmada na terra, com o cimo a tocar os céus: Deus repousa sobre ela. É dela a figura que Jacob contemplou, e por ela Deus desceu da Sua imobilidade, ou melhor, inclinou-Se com condescendência, tornando-Se assim «visível sobre a terra, e conversando com os homens». Estes símbolos representam a Sua vinda ao meio de nós, o seu abaixamento condescendente, a sua existência terrena, o verdadeiro conhecimento d’Ele próprio, dado a todos aqueles que estão sobre a terra. A escada espiritual, a Virgem, está fixa na terra, pois na terra ela tem a sua origem, mas a sua cabeça eleva-se até ao céu. A cabeça de toda a mulher é o homem, mas para ela, que não conheceu homem, Deus Pai ocupa o lugar de sua cabeça: pelo Espírito Santo, Ele concluiu uma aliança e, como semente divina e espiritual, enviou o Seu Filho e Verbo, força onipotente. Em virtude do beneplácito do Pai, não é por uma união natural, mas é superando as leis da natureza, pelo Espírito Santo e pela Virgem Maria, que o Verbo Se fez carne e habitou entre nós. É por aqui que se vê que <strong>a união de Deus com os homens se cumpre pelo Espírito Santo</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">«Quem puder entender, que entenda»; «Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça». Descartemos as representações corporais: a divindade jamais sofreu mudança, oh homens! Aquele que sem alteração gerou Seu Filho a primeira vez segundo a natureza, sem alteração O gera agora de novo segundo a economia. Disto é testemunha a palavra de David, antepassado de Deus: «O Senhor disse-me: &#8220;Tu és Meu Filho, Eu hoje te gerei&#8221;». Ora este «hoje» não tem cabimento na geração antes de todos os séculos, pois esta deu-se fora do tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">4. Hoje é edificada a Porta do Oriente, que dará a Cristo «entrada e saída», e «essa porta estará fechada». Nela está Cristo, «a Porta das Ovelhas», e «o Seu nome é Oriente»: por Ele obtivemos acesso ao Pai das Luzes. Hoje sopraram as brisas anunciadoras duma alegria universal. Alegre-se o céu nas alturas, que debaixo dele «exulte a terra», que os mares do mundo bramam, porque no mundo acaba de ser concebida uma concha, a qual pelo clarão celeste da divindade conceberá em seu seio, gerando a pérola inestimável, Cristo. Dela sairá o «Rei da Glória», revestido da púrpura de sua carne, para «visitar os cativos», e «proclamar a libertação». Que a natureza transborde de alegria: a cordeirinha vem ao mundo, graças à qual o Pastor revestirá a ovelha, tirando-lhe as túnicas da antiga mortalidade. Que a virgindade forme os seus coros de dança, pois nasceu a Virgem que, segundo Isaías, «conceberá e dará à luz um filho, que será chamado Emanuel, o que quer dizer &#8220;Deus conosco&#8221;». Aprendei, oh Nestorianos, e fugi à vossa derrota: «Deus conosco»! Não é nem só um homem, nem um mensageiro, mas o Senhor em Pessoa que virá e nos salvará.</p>
<p style="text-align:justify;">«Bendito o que vem em nome do Senhor», «o Senhor é Deus, e iluminou-nos»; «Celebremos uma festa» para o nascimento da Mãe de Deus. Rejubila, Ana, «estéril que não davas à luz; ri de alegria e de júbilo, tu que não tiveste as dores de parto»! Rejubila, Joaquim: de tua filha «um menino nos nasceu, um filho nos foi dado (&#8230;) e ser-lhe-á dado este nome: Anjo do grande Conselho (quer dizer, Salvação do Universo) Deus Forte». Que Nestório fique vermelho e meta a mão sobre a boca. A criança é Deus; portanto, como não seria ela a Mãe de Deus, ela que O colocou no mundo? «<span style="text-decoration:underline;">Se alguém não reconhece por Mãe de Deus a Santa Virgem, está separado da divindade</span>». A frase não é minha, mas no entanto pertence-me: recebi-a como precioso tesouro e herança teológica do meu pai Gregório, o Teólogo.</p>
<p style="text-align:justify;">5. Oh Joaquim e Ana, casal bem-aventurado e verdadeiramente sem mancha! Pelo fruto do vosso seio fostes reconhecidos, segundo a palavra do Senhor: «Pelos seus frutos os reconhecereis». A vossa conduta foi agradável a Deus e digna daquela que nasceu de vós. Tendo levado uma vida casta e santa, engendrastes a jóia da virgindade, aquela que deveria permanecer Virgem antes, durante e depois do parto, <strong>a única sempre Virgem de espírito, de alma e de corpo</strong>. Convinha, de fato, que a virgindade saída da castidade produzisse a Luz única e monógena, corporalmente, pela benevolência d’Aquele que A gerou sem corpo – o Ser que não gera, mas que é eternamente gerado, para Quem ser gerado é a única qualidade própria da Sua Pessoa. Oh que maravilhas, e que alianças estão neste menino! Oh Filha da esterilidade, virgindade que engravida, nela se unirão divindade e humanidade, sofrimento e impassibilidade, vida e morte, para que em todas as coisas o menos perfeito seja vencido pelo melhor! E tudo isto para minha salvação, oh Mestre! Amas-me tanto que não realizaste esta salvação nem pelos anjos, nem por nenhuma outra criatura, mas tal como já a minha criação, também a minha regeneração foi Tua obra pessoal. Assim, eu exulto, faço despertar a minha alegria e o meu júbilo, volto à fonte das maravilhas, e embriagado de uma torrente de alegria, toco de novo a cítara do espírito e canto o hino divino da natividade.</p>
<p style="text-align:justify;">6. Oh Joaquim e Ana, casal castíssimo, «par de rolas» no sentido místico! Observando a lei da natureza, a castidade, merecestes os dons que ultrapassam a natureza: gerastes no mundo uma Mãe de Deus sem esposo. Depois de uma existência santa e piedosa numa natureza humana, gerastes uma filha superior aos anjos e que agora reina sobre eles. Oh Filha graciosíssima e dulcíssima, oh lírio nascido entre os espinhos, da descendência nobilíssima e real de David! Por ti a realeza encheu-se com o sacerdócio; por ti foi cumprida «a mudança da Lei», e revelado o espírito escondido sob a letra, pois que a dignidade sacerdotal passou da tribo de Levi à de David. Oh Rosa nascida dos espinhos do judaísmo, que enche o universo de um perfume divino! Oh filha de Adão e Mãe de Deus! Ditosos os rins e o seio de onde surgistes! Ditosos os braços que te levaram, os lábios que experimentaram os teus castos beijos, os lábios de teus pais, para que em tudo tu fosses eternamente virgem. <strong>Hoje é para o mundo o início da salvação</strong>. «Aclamai o Senhor, terra inteira, cantai, exultai, tocai instrumentos». Elevai a vossa voz, «fazei-a escutar sem temor», porque na Santa Probática nos nasceu uma Mãe de Deus, de quem quis nascer o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">[...]</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://www.filhosdapaixao.org.br/images/ques2_santa_ana_e_maria_05.jpg" alt="http://www.filhosdapaixao.org.br/images/ques2_santa_ana_e_maria_05.jpg" width="253" height="426" />7. Hoje, o Criador de todas as coisas, Deus Verbo, fez um livro novo, saído do coração do Pai para ser escrito, como se fosse por uma cana, pelo Espírito, que é a língua de Deus. Esse livro foi dado a um homem que conhecia as letras, mas que não o lia. José, com efeito, não conheceu Maria, nem a significação do mistério em si. Oh filha toda santa de Joaquim e de Ana, que escapaste aos olhares dos Principados e das Potestades e aos «assédios inflamados do maligno», e que viveste no tálamo do Espírito, para seres guardada intacta e te tornares esposa de Deus e Mãe de Deus por natureza! Oh filha toda santa, que apareceste nos braços de tua mãe, tu és o terror das potências de rebelião! Oh filha toda santa, alimentada do leite maternal, e rodeada das legiões angélicas! Oh filha amada de Deus, honra de teus pais, gerações de gerações te proclamam bem aventurada, como tu própria o afirmaste com verdade! Oh filha digna de Deus, beleza da natureza humana, reabilitação de Eva, nossa primeira mãe! Por teu nascimento, aquela que tombara foi redimida. Oh filha toda santa, esplendor do sexo feminino! Se a primeira Eva, com efeito, foi culpada de transgressão, e se por sua causa «a morte fez a sua entrada no mundo» (porque ela se colocou ao serviço da serpente contra o nosso primeiro pai), <strong>Maria, que se fez a serva da vontade divina, enganou a serpente enganadora e introduziu no mundo a imortalidade</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">Oh filha sempre Virgem, que pode conceber sem intervenção humana, porque Aquele que concebeste tem um Pai Eterno! Oh filha da raça terrena, que levas em teus braços divinamente maternais o Criador! Os séculos rivalizavam entre si para saber qual deles se honraria de te ver nascer, mas o desígnio fixado antecipadamente de Deus, «que fez os séculos» colocou fim a essa rivalidade, e os últimos tornaram-se os primeiros, eles a quem foi atribuída a felicidade da tua Natividade. Na verdade, tu és mais preciosa que toda a criação, pois só de ti o Criador recebeu em partilha as primícias da nossa matéria humana. A Sua Carne foi feita da tua carne, o Seu Sangue do teu sangue; Deus alimentou-Se do teu leite, e os teus lábios tocaram os lábios de Deus. Oh maravilhas incompreensíveis e inefáveis! Na presciência da tua dignidade, amou-te o Deus do universo; porque te amou, predestinou-te, e nos «últimos tempos», chamou-te à existência, e constituiu-te Mãe para gerar um Deus e alimentar o Seu próprio Filho e Verbo.</p>
<p style="text-align:justify;">8. Diz-se que os contrários servem de remédio contra os contrários, mas os contrários não nascem uns dos outros. Mesmo se cada ser é na sua natureza um tecido de contrários, ele próprio provém da predominância da causa que o fez nascer. De fato, da mesma forma que o pecado, ao operar para mim a morte por meio do bem, mostra em extremo a sua natureza pecaminosa, da mesma forma o Autor dos bens, pelo meio dos contrários desses bens, opera para nós o bem que Lhe é natural, porque «onde abundou o pecado, superabundou a graça». Se tivéssemos conservado a nossa primeira comunidade com Deus, não teríamos merecido a Segunda, maior e mais extraordinária. De fato, pelo pecado, fomos julgados indignos da primeira união, porque não conservamos o dom recebido. Mas pela compaixão de Deus fomos perdoados e tomados sob a Sua guarda, para que a comunhão fosse assegurada, porque nos quer conservar unidos a Ele, sem nenhuma beliscadura, Aquele que nos recebeu sob a Sua proteção.</p>
<p style="text-align:justify;">Sim, toda a terra pejava de fornicações, e o povo do Senhor, possuído «pelo espírito de fornicação», errava longe do Senhor seu Deus, longe d’Aquele que o tinha adquirido «com mão forte e braço poderoso», que com sinais e prodígios o tinha feito sair da «casa da escravidão» do Faraó, o tinha conduzido através do Mar Vermelho e guiado «por uma nuvem de dia, e noite inteira por um luzeiro de fogo». O seu coração voltava-se para o Egito, e o povo do Senhor tornou-se «aquele que não é o povo do Senhor»; aquele que obtinha misericórdia, tornou-se aquele que não a merecia, e aquele que era amado, tornou-se aquele que não era amado.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Eis então a razão pela qual uma Virgem vem agora ao mundo, como adversária da ancestral fornicação; ela foi dada como esposa ao próprio Deus, e gerou a misericórdia de Deus</strong>. Assim foi estabelecido como povo de Deus aquele que até aí não era o Seu povo; excluído da Sua misericórdia, obteve misericórdia; não amado, é agora amado. Dela nasce o Filho Bem-Amado de Deus, no Qual Ele colocou as Suas complacências.</p>
<p style="text-align:justify;">9. «Uma vinha de belos sarmentos» foi gerada no seio de Ana, e ela produziu um fruto cheio de doçura, fonte de um néctar abundante de vida eterna para os habitantes da terra. Joaquim e Ana fizeram-se semeadores de justiça, e recolheram um fruto de vida. Eles foram iluminados pela luz do conhecimento, procuraram o Senhor, e daí lhes veio um fruto de justiça. Que a terra tenha confiança! «Filhos de Sião, alegrai-vos no Senhor vosso Deus, porque o deserto ficou verdejante»: aquela que era estéril deu o seu fruto; Joaquim e Ana, como montanhas místicas, fizeram brotar vinho doce. Permanece na alegria, oh Ana venturosa, por teres dado à luz uma mulher, porque essa mulher será a Mãe de Deus, porta da luz, fonte de vida, e reduzirá nada a acusação que pesava sobre a mulher.</p>
<p style="text-align:justify;">Os homens nobres do povo desejarão vê-la, e diante dessa mulher os reis das nações prostrar-se-ão, oferecendo-lhe presentes. Entregá-la-ás a Deus, rei universal, adornada da beleza das suas virtudes como de «brocados de ouro», ornada da graça do Espírito, de cuja glória ela se reveste. A glória da mulher é o homem, e é-lhe dada a partir de fora; mas a glória da Mãe de Deus é interior, e é fruto do seu seio.</p>
<p style="text-align:justify;">Oh mulher amabilíssima, três vezes bem-aventurada! «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre»! Oh mulher, filha do Rei David e Mãe de Deus, Rei do Universo! Oh divina e vivente obra-prima, na qual Deus Criador Se alegrou, de quem o espírito é governado por Deus e atento somente a Ele, e de quem todo o desejo se eleva apenas Àquele que é o único amável e desejável, que não te encolerizas senão contra o pecado e contra aquele que o fez nascer! <span style="text-decoration:underline;">Terás uma vida superior à natureza, porque não é para ti que a terás, já que também não é para ti que tu nasceste</span>. <span style="text-decoration:underline;">Terás antes a tua vida para Deus, e é por causa d’Ele que vieste à vida, por causa de Quem servirás à salvação universal, para que o antigo desígnio de Deus, a Encarnação do Verbo e a nossa divinização, se cumpra através de ti</span>. A tua vontade é alimentares-te das palavras divinas e fortificares-te com a sua seiva, como «oliveira fecunda na casa de Deus», como «árvore plantada à beira das águas» do Espírito, como árvore da vida, que deu o seu fruto no tempo que lhe foi destinado: o fruto que é o Deus Encarnado, Vida eterna de todos os seres. Guardas todos os pensamento gostoso e útil para a alma, mas todo aquele que é supérfluo e que seria um perigo para a alma tu o rejeitas ainda antes de o provar. Os teus olhos «estão sempre voltados para o Senhor», olhando a luz eterna e inacessível. Teus ouvidos escutam a palavra de Deus e deleitam-se com a cítara do Espírito; foi por eles que o Verbo entrou para Se fazer Carne. Tuas narinas respiram deliciadas o aroma dos perfumes do Esposo, que é Ele próprio um perfume, espontaneamente derramado para perfumar a Sua humanidade: «O teu nome é um perfume que se espalha», diz a Escritura. Os teus lábios louvam o Senhor, e estão ligados aos Seus lábios. A tua língua e o teu palato discernem as palavras de Deus e saciam-se com a suavidade divina. <strong>Oh coração puro e sem mácula, que vê e deseja o Deus imaculado!</strong></p>
<p style="text-align:justify;">É neste seio que o Ser ilimitado veio habitar; do seu leite se alimentou Deus, o Menino Jesus. <strong>Oh porta de Deus, sempre virginal!</strong> Eis as mãos que suportam Deus, e esses joelhos que são um trono mais elevado que os querubins: por eles «as mãos fracas e os joelhos trêmulos» foram fortalecidos. Os seus pés são guiados pela lei de Deus como por uma lâmpada que brilha, e correm após Ele sem se voltarem, até que tenham feito chegar aquela que ama junto do Bem-Amado. Em todo o seu ser ela é o tálamo do Espírito, a Cidade de Deus Vivo, que «alegra os canais do rio», isto é, as correntes dos carismas do Espírito: «Toda bela, toda próxima de Deus». Dominando os querubins, mais alta que os serafins, próxima de Deus: é a ela que esta palavra se aplica!</p>
<p style="text-align:justify;">10. Oh maravilha que ultrapassa todas as maravilhas: uma mulher é colocada mais alto que os serafins, porque Deus surgiu abaixado «um pouco inferior aos anjos»! Que o sapientíssimo Salomão se cale, e não torne a dizer: «Nada de novo debaixo do sol». Oh Virgem cheia da graça divina, templo santo de Deus, que o Salomão espiritual, o Príncipe da Paz, construiu e habita, o ouro e as pedrarias não te dão mais beleza, mas mais que o ouro, é o Espírito que te dá o teu esplendor. Por pedrarias, tens a pérola preciosíssima, Cristo, a Brasa da divindade. Suplica-Lhe que toque os nossos lábios, para que, purificados, Lhe cantemos, com o Pai e o Espírito, a natureza única da Divindade em três Pessoas: «Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos».</p>
<p style="text-align:justify;">Santo é o Pai, que quis que em ti e por ti se cumprisse o mistério que predeterminara antes de todos os séculos. Santo é o Forte, o Filho de Deus, e Deus Monógeno, que hoje te faz nascer, primogênita de uma mãe estéril, para que, sendo Ele próprio Filho Único do Pai e «Primogênito de toda a criatura», possa nascer de ti, como Filho único de uma Virgem-Mãe, «Primogênito de uma multidão de irmãos», semelhante a nós e por ti participante da nossa carne e do nosso sangue. Apesar disso, não te fez nascer de um só pai ou de uma só mãe, para que ao único Monógeno fosse reservado em perfeição o privilégio de Filho Único: Ele é, com efeito, Filho Único, somente Ele de um Pai só, somente Ele de uma Mãe só.</p>
<p style="text-align:justify;">Santo é o Imortal, o Espírito de toda a santidade, que pelo orvalho da Sua Divindade te guardou intocada pelo fogo divino: é isto que significou antecipadamente a sarça ardente.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu te saúdo, oh Porta das Ovelhas, morada santíssima da Mãe de Deus. Eu te saúdo, oh Porta da Ovelhas, domicílio ancestral da tua rainha, antigamente redil das ovelhas de Joaquim, mas hoje tornada Igreja do rebanho espiritual de Cristo e imitação do céu. Outrora recebias uma vez por ano um anjo de Deus, que agitava as águas e devolvia a saúde a um só homem, livrando-o do mal que o paralisava; agora recebes multidões de potências celestes que celebram conosco a Mãe de Deus, Abismo de Maravilhas, fonte da cura universal. Tu recebeste, não um anjo servidor, mas o «Anjo do Grande Conselho», descido sem ruído algum sobre o velo de lã como uma chuva de bondade, Aquele que renovou toda a natureza, doente e a ponto de se perder, com uma saúde inalterável e uma vida sem velhice: por Ele, o paralítico que em ti jazia saltou como um veado. Eu te saúdo, oh preciosa Porta das Ovelhas, e que se multiplique a tua graça!</p>
<p style="text-align:justify;">Eu te saúdo, Maria, filha dulcíssima de Ana. De novo para ti o amor me impele. Como descrever o teu caminhar cheio de seriedade, os teus vestidos, a graça de teu rosto, a maturidade do discernimento num corpo juvenil? A tua forma de estar foi modesta, distante de todo o luxo e de toda a indolência; o teu caminhar era grave, sem precipitação, sem preguiça; o teu caráter era sério, temperado de júbilo, de uma perfeita reserva a propósito dos homens – disto é testemunho a inquietação que te surgiu quando da proposta inesperada do anjo. A teus pais dócil e obediente, tinhas humildes sentimentos nas mais altas contemplações, palavra amável, provinda de uma alma pacífica. Em resumo: que outra digna morada senão tu para Deus? <strong>Com razão todas as gerações te proclamam bem-aventurada, oh glória insigne da humanidade!</strong> Tu és a honra do sacerdócio, a esperança dos cristãos, a planta fecunda da virgindade, porque é através de ti que o renome da virgindade se estendeu aos confins do mundo. «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o Fruto do teu ventre». <strong><span style="text-decoration:underline;">Aqueles que confessam a tua maternidade divina são benditos, e malditos aqueles que a negam</span></strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">12. Joaquim e Ana, casal abençoado, recebei de mim estas palavras de aniversário. Oh filha de Joaquim e de Ana, oh Soberana, acolhe a palavra deste teu servo pecador, mas inflamada pelo amor, e para quem tu és a única esperança de alegria, a protetora da vida e, junto de teu Filho, a reconciliadora e firme garantia da salvação. Possa tu aliviar-me do fardo dos meus pecados, dissipar a névoa que obscurece o meu espírito e o peso que me agarra à matéria. Possas tu deter as tentações, governar felizmente a minha vida e conduzir-me pela mão até à felicidade do Alto. Concede ao mundo a paz, e a todos os habitantes ortodoxos desta cidade uma alegria perfeita e a salvação eterna, pelas orações de teus pais e de todo o Corpo da Igreja. Assim seja, assim seja! «Salve, oh cheia de graça, o Senhor está contigo! Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto de teu ventre», Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Ele a Glória, com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[patristica]]></title>
<link>http://servosdemaria.wordpress.com/2009/08/31/patristica-3/</link>
<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 12:13:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>luan4556</dc:creator>
<guid>http://servosdemaria.wordpress.com/2009/08/31/patristica-3/</guid>
<description><![CDATA[Por Barnabé, Apóstolo (Séc II) Fonte: Coleção Patrística Vol I, Padres Apostólicos. Ed. Paulus Sobre]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><em>Por Barnabé, Apóstolo (Séc II)</em></p>
<p><span id="ctl00_Conteudo_lblFonte"><em>Fonte: </em></span><span id="ctl00_Conteudo_txtFonte"><em>Coleção Patrística Vol I, Padres Apostólicos. Ed.  Paulus</em></span></p>
</p>
<p><strong>Sobre a obra</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Por <span id="ctl00_Conteudo_txtAutor">Roque  Frangiotti</span></em></p>
<p><em></em></p>
<p>Encontrada nos manuscritos no século passado, no Sinaítico, por Tischendorf,  em 1859, e no Gerusolemitano, por Bryennios, em 1875, esta carta não nos fornece  o nome de seu autor, nem a data e o local de composição.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi Clemente de Alexandria quem deu origem à  tradição que atribui a autoria desta carta a Barnabé, companheiro e colaborador  de São Paulo. Em Stromates 5,63,1-6 e no fragmento Hypotyposes mencionado por  Eusébio em História Eclesiástica II,1,4, Clemente diz: “A Tiago, o Justo, a João  e a Pedro, o Senhor, após sua ressurreição, transmitiu a gnose, estes a  transmitiram aos outros apóstolos e os outros apóstolos aos 70, dos quais um era  Barnabé”. A identificação desta carta com o colaborador de São Paulo foi  adotada, em seguida, por Orígenes e o argumento aduzido se deve a que a carta  fora encontrada entre os escritos do Novo Testamento, nos manuscritos  Sinaíticos. Este argumento é responsável, também, pela inclusão da carta entre  os livros canônicos, inspirados, por parte de Clemente e Orígenes… Contudo,  Eusébio e Jerônimo não aceitam este argumento e excluem a carta dentre os livros  inspirados.</p>
<p style="text-align:justify;">O ponto de partida para fixação da data da  composição desta obra são os capítulos IV e XVI. (…) A carta teria sido escrita  durante o período de reconstrução do templo, se pudermos dizer que 16,4 se  refere, conforme querem Harnack e Lietzmann, a este fato. Tudo leva a crer que  esta é a hipótese mais provável. De fato, evocando Isaías, o autor diz: “Eis que  aqueles que destruiram esse templo, eles mesmos o edificarão”. E prossegue: “E o  que está se realizando, pois, por causa da guerra deles, o templo foi destruído  pelos inimigos. E agora os mesmos servos dos inimigos o reconstruirão”. Este “é  o que está se realizando” e o “agora” dão a impressão de que o autor está bem  informado e é contemporâneo aos acontecimentos. Este escrito estaria datado,  portanto, em torno dos anos 134-135.</p>
<p style="text-align:justify;">A obra está dividida em duas partes bem distintas  e muito desiguais. A primeira parte, correspondem os capítulos 2 a 16. O cap. 1  é uma introdução e o cap. 17 se constitui na conclusão desta primeira parte. A  segunda parte, correspondem os caps. 18-21. A 1ª parte é doutrinária, dogmática.  A 2ª, utilizando a imagem dos “Dois caminhos”, transmite ensinamento moral.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><strong>Texto</strong></p>
<p><em>Tradução: Ivo Storniolo/Euclides M. Balancim</em></p>
<p><strong>CAPÍTULO 1 &#8211; INTRODUÇÃO</strong></p>
<p><em>Saudação</em></p>
<p>Filhos e filhas, eu vos saúdo na paz, em nome do Senhor que nos amou.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>A fé dos destinatários</em> Grandes e ricos  são os decretos de Deus a vosso respeito. Acima de tudo, eu me alegro  imensamente pelos vossos espíritos felizes e gloriosos, pois dele recebestes a  semente plantada em vós mesmos, a graça do dom espiritual. Por isso, eu me  alegro mais na esperança de me salvar, porque verdadeiramente vejo em vós que o  Espírito da fonte abundante do Senhor foi derramado sobre vós. Em vosso caso,  foi isso que me chamou a atenção ao vê-los, o que eu tanto desejava.</p>
<p><em>Intenções do autor</em></p>
<p style="text-align:justify;">Estou convencido e intimamente persuadido disso,  porque conversei muito convosco. O Senhor caminhou comigo no caminho da justiça  e eu também me sinto impulsionado a amar-vos mais do que à minha própria vida,  pois a fé e o amor que habitam em vós são grandes e fundados sobre a esperança  da vida dele. Pensei que, se eu me preocupasse em participar-vos aquilo que  recebi, eu teria recompensa por ter servido a espíritos como os vossos.  Esforcei-me então para vos enviar estas poucas linhas, para que, além de vossa  fé, tenhais também o conhecimento perfeito. Os ensinamentos do Senhor são três:  a esperança da vida, começo e fim da nossa fé; a justiça, começo e fim do  julgamento; o amor, testemunho pleno da alegria e contentamento das obras  realizadas na justiça. Com efeito, por meio dos profetas, o Senhor nos fez  conhecer o passado e o presente, e nos fez saborear antecipadamente o futuro.  Vendo que uma e outra coisa se realizam conforme ele falou, devemos progredir no  seu temor, de maneira mais rica e mais elevada. 8 Quanto a mim, não é como  mestre, mas como um de vós, que vos preparei umas poucas coisas. Através delas,  vocês se alegrarão nas circunstâncias presentes.</p>
</p>
<p><strong>PARTE II &#8211; DOUTRINÁRIO/DOGMÁTICA</strong></p>
<p><strong>CAPÍTULO 2</strong></p>
<p><strong>O culto que Deus quer</strong></p>
<p><em>Introdução</em></p>
<p style="text-align:justify;">Como os dias são maus e é aquele que exerce o  poder, devemos, para o nosso próprio bem, procurar as decisões do Senhor. Os  auxiliares da nossa fé são o temor e a perseverança, e nossos companheiros de  luta são a paciência e o autocontrole. Se essas virtudes permanecem puras diante  do Senhor, a sabedoria, a inteligência, a ciência e o conhecimento virão  regozijar-se com elas.</p>
<p><em>Os sacrifícios</em></p>
<p style="text-align:justify;">De fato, foi-nos mostrado, mediante todos os  profetas, que Deus não tem necessidade de sacrifícios, nem de holocaustos, e nem  de ofertas. Em certa ocasião, ele diz: “Que me importa a multidão de vossos  sacrifícios?” diz o Senhor. “Estou farto dos holocaustos de carneiros e da  gordura de cordeiros não sangue de touros e de bodes, e nem que venhais vos  apresentar diante de mim. Quem pediu essas coisas de vossas mãos? Não continueis  a pisar em meu átrio. Se ofereceis flor de farinha, é em vão; vosso incenso para  mim é abominação. Não suporto vossas neomênias e vossos sábados.” Ele rejeitou  essas coisas, para que a lei nova de nosso Senhor Jesus Cristo, que é sem o jugo  da necessidade, não precise de oferta preparada por homens. Ele ainda lhes  disse: “Por acaso, ordenei a vossos pais, ao saírem do Egito, que me oferecessem  holocaustos? Pelo contrário, eis o que lhes ordenei: Que nenhum de vós guarde em  seu coração rancor contra o próximo e que não ame o juramento falso.” Devemos,  portanto, compreender, pois não somos sem inteligência, o desígnio de nosso Pai  em sua bondade, pois ele se dirige a nós, desejando que procuremos o modo de nos  aproximar dele, sem nos extraviar, como aqueles homens. Eis, portanto, o que ele  nos diz: “O sacrifício para Deus é um coração contrito; o perfume de suave odor  para o Senhor é o coração que glorifica o seu Criador.” Irmãos, devemos,  portanto, cuidar de nossa salvação, para que o maligno não introduza em nós o  erro, e nos atire, como pedra de funda, para longe da nossa vida.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 3</strong></p>
<p><em>O jejum</em></p>
<p style="text-align:justify;">A respeito disso, falou-lhes ainda, “Com que  finalidade jejuais para mim”, diz o Senhor, “como se ouve hoje aos gritos a  vossa voz? Não é esse jejum que escolhi”, diz o Senhor, “não o homem que humilha  a si mesmo. Nem quando dobrais vosso pescoço como um círculo, nem quando vos  cobris de pano de saco e cinza, não chameis isso de jejum agradável.” Para nós,  porém, ele diz: “Eis o jejum que eu escolhi”, diz o Senhor: “Desata todas as  amarras da injustiça; desfaz as cordas dos contratos iníquos; envia os oprimidos  em liberdade; rasga toda escritura injusta; reparte teu pão com os famintos; se  vês alguém nu, veste-o; conduz para a tua casa os desabrigados; se vês algum  pobre, não o desprezes; não te afastes dos membros de tua família. Então tua luz  romperá pela manhã, tuas vestes rapidamente resplandecerão, a justiça irá à tua  frente e a glória de Deus te envolverá. Então outra vez gritarás, e Deus te  ouvirá. Ao falar, ele te dirá: Eis-me aqui! Isso, se renunciares a tecer  amarras, a levantar a mão, a murmurar, e se deres de coração o teu pão ao  faminto e tiveres compaixão da pessoa necessitada.” Por isso, irmãos, o paciente  (Deus), prevendo que o povo, que ele preparou através do seu Amado, acreditaria  com simplicidade, nos antecipou todas essas coisas, para que nós, como  prosélitos, não nos arrebentássemos contra a lei deles.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 4</strong></p>
<p><strong>Vigilância</strong></p>
<p><em>Exortação geral</em></p>
<p style="text-align:justify;">É preciso, portanto, que examinemos com grande  atenção a situação presente, para procurar o que nos pode salvar. Fujamos, pois,  radicalmente de todas as obras iníquas, para que as obras iníquas jamais se  apoderem de nós. Odiemos o erro do mundo presente, para que sejamos amados no  mundo futuro. Não demos à nossa alma a liberdade, de modo que ela não tenha  poder de correr com os maus e pecadores, a fim de que não nos tornemos  semelhantes a eles.</p>
<p><em>Iminência do fim</em></p>
<p style="text-align:justify;">O máximo do escândalo se aproxima, conforme está  escrito, como diz Henoc . Com efeito, é por isso que o Senhor abreviou os tempos  e os dias, a fim de que seu Amado chegue mais depressa à herança. Assim diz o  profeta: “Dez reis reinarão sobre a terra e, depois disso, surgirá um pequeno  rei que humilhará três reis de uma só vez.” Sobre isso, Daniel diz algo  semelhante: “Vi a quarta besta, maligna, forte e mais terrível do que todas as  bestas do mar. Dela brotaram dez chifres, e desses saiu um pequeno chifre, como  broto. Este, de uma só vez, humilhou três dos chifres grandes.” Deveis,  portanto, compreender.</p>
<p><em>A Aliança tem exigências</em></p>
<p style="text-align:justify;">Além disso, peço- vos insistentemente, eu que sou  um e vós e vos amo a todos e a cada um em particular mais do que a .mim mesmo:  tomai cuidado para não ficardes como certas- pessoas, que acumulam pecados,  dizendo que a Aliança está garantida para nós. Claro que era é nossa. Eles (os  judeus) a perderam definitivamente, embora Moisés já a tivesse recebido. De  fato, a Escritura diz: “Moisés jejuou na montanha durante quarenta dias e  quarenta noites, e depois recebeu do Senhor a Aliança, as tábuas de pedra  escritas pelo dedo da mão do Senhor.” Eles, porém, a perderam, por se terem  voltado para os ídolos. Com efeito, assim disse o Senhor: “Moisés, Moisés, desce  depressa, pois teu povo pecou, aqueles que fizeste sair da terra do Egito.”  Moisés compreendeu, e jogou as duas tábuas de suas mãos. A Aliança deles foi  rompida, para que a de Jesus, o Amado, fosse selada em nossos corações pela  esperança da fé que nele temos. Querendo escrever muitas coisas, não como  mestre, mas como convém a quem ama, não deixando perder nada do que possuímos,  apliquei-me a escrever, como vosso humilde servidor. Estejamos atentos nestes  últimos dias! Nada adiantará todo o tempo de nossa vida e de nossa fé, se agora,  neste tempo de impiedade e na iminência dos escândalos, não resistirmos, como  convém a filhos de Deus. A fim de que a Treva não se infiltre em nós e às  escondidas, fujamos de toda vaidade e odiemos completamente as obras do mau  caminho. Não vos isoleis, dobrando-vos sobre vós mesmos, como se já estivésseis  justificados, mas reuni-vos, para procurar juntos o vosso bem comum. De fato, a  Escritura diz: “Ai daqueles que se crêem inteligentes e que são sábios diante de  si mesmos!” Tornemo-nos espirituais, tornemo-nos um templo perfeito para Deus.  Quanto nos for possível, apliquemo-nos ao temor de Deus e combatamos para  observar seus mandamentos, a fim de nos alegrarmos em suas disposições. O Senhor  julgará o mundo com imparcialidade; cada um receberá segundo o que fez. Se for  bom, sua justiça o precederá; se for mau, diante dele irá o salário do mal. 13.  Tomemos cuidado para não ficarmos tranqüilos como chamados, adormecendo sobre  nossos pecados, de modo que o príncipe do mal se apodere de nós e nos afaste do  reino do Senhor. Meus irmãos, compreendei ainda o seguinte: quando vedes que,  depois de tantos sinais e prodígios acontecidos em Israel, assim mesmo eles  foram abandonados, tomemos cuidado, como está escrito, para que não sejamos  encontrados “muitos chamados, mas poucos escolhidos.”</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 5</strong></p>
<p><strong>Sofrimento do Senhor</strong></p>
<p><em>O Senhor sofreu para purificar-nos de nossos pecados</em></p>
<p style="text-align:justify;">O Senhor suportou entregar sua própria carne à  destruição, para que fôssemos purificados pelo perdão dos pecados, isto é, pela  aspersão feita com seu sangue. A respeito dele, a Escritura diz o seguinte sobre  Israel e sobre nós: “Ele foi ferido por causa de nossas iniqüidades e maltratado  por causa de nossos pecados, e nós fomos curados por sua chaga. Foi conduzido  como ovelha ao matadouro e, como cordeiro, ficou mudo diante do tosquiador.”</p>
<p><em>Responsabilidade do homem</em></p>
<p style="text-align:justify;">Precisamos, portanto, multiplicar nossos agradeci  mentos ao Senhor, porque ele nos fez conhecer as coisas passadas, tornou-nos  sábios no presente e não estamos sem inteligência para as coisas futuras. A  Escritura diz: “Não se estendem injustamente as redes para os pássaros.” Isso  quer dizer que, com razão, se perderá o homem que, tendo conhecimento do caminho  da justiça, toma entretanto o caminho das trevas.</p>
<p><em>O Senhor sofreu para cumprir a promessa</em></p>
<p style="text-align:justify;">Ainda o seguinte, meus irmãos: “Se o Senhor  suportou sofrer por nós, embora fosse o Senhor do mundo inteiro, a quem Deus  disse desde a criação do mundo: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança’,  como pode ele suportar sofrer pela mão dos homens? Aprendei. Os profetas, que  tinham a graça dele, profetizaram a seu respeito. E ele afim de destruir a morte  e mostrar a ressurreição dos mortos, teve que se encarnar e sofrer, afim de  cumprir a promessa feita aos pais e preparar para si o povo novo e demonstrar,  durante sua estada na terra, que era ele mesmo que julgaria, depois de ter  realizado a ressurreição.</p>
<p><em>O Senhor sofreu na carne para que os pecadores pudessem vê-lo</em></p>
<p style="text-align:justify;">Por fim, embora ele tivesse ensinado a Israel e  realizado tão grandes prodígios e sinais, eles não foram levados por sua  pregação a amá-lo acima de tudo. Porém, quando ele escolheu seus próprios  apóstolos, que iriam anunciar o seu Evangelho, homens cujo pecado ultrapassava a  medida, foi para mostrar que ele não tinha vindo chamar os justos, e sim os  pecadores. Então ele manifestou que era Filho de Deus. Com efeito, se não se  tivesse encarnado, como os homens poderiam ter sido salvos ao vê-lo, uma vez que  eles não podem levantar os olhos para olhar de frente os raios do sol, que  todavia um dia deixará de existir e que é tão-somente obra de suas mãos?</p>
<p><em>O Senhor sofreu para levar ao máximo o pecado de Israel</em></p>
<p style="text-align:justify;">Se o Filho de Deus se encarnou, foi para levar ao  máximo os pecados daqueles que tinham perseguido mortalmente os profetas dele. E  por isso que ele suportou. De fato, Deus diz que é deles que vem a ferida de sua  carne: “Quando ferirem o seu pastor, então as ovelhas do rebanho perecerão.” Foi  ele, porém, que quis sofrer desse modo. Com efeito, era preciso que ele sofresse  sobre o madeiro, pois o profeta diz a seu respeito: “Poupa à minha vida à  espada.” E “transpassa com cravo a minha carne, porque uma assembléia de  malfeitores se levantou contra mim.” E diz ainda: “Eis que ofereci minhas costas  aos açoites e minha face para as bofetadas. Contudo, mantive o meu rosto como  pedra dura.”</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 6</strong></p>
<p><em>Vitória pascal</em></p>
<p style="text-align:justify;">O que diz ele, quando cumpriu o mandamento? “Quem  é que me julga? Coloque-se diante de mim. Ou quem quer ser declarado justo  diante de mim? Que se aproxime do servo do Senhor. Ai de vós! Porque todos vós  envelhecereis como veste e a traça vos roerá.” E o profeta continua, uma vez que  ele foi colocado como sólida pedra para esmagar: “Eis que colocarei nos  alicerces de Sião uma pedra de grande valor, escolhida, angular e preciosa.” O  que diz em seguida? “Aquele que nela crer, viverá para sempre.” Será que a nossa  esperança está numa pedra? De modo nenhum. Mas foi o Senhor que tornou forte a  sua carne. Com efeito, ele diz: “Ele me tornou como pedra dura”. O profeta  continua: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a cabeça de ângulo.”  E diz ainda: “Este é o dia grande e maravilhoso que o Senhor fez.”</p>
<p><em>A paixão</em></p>
<p style="text-align:justify;">Eu, humilde servo do amor, vos escrevo com  simplicidade, para que compreendais. O que diz ainda o profeta? “Uma assembléia  de malfeitores me rodeou. Eles me cercaram como abelhas ao favo.” E “sobre  minhas vestes tiraram sortes.” E como era na sua carne que ele devia revelar-se  e sofrer, sua paixão foi revelada de antemão. De fato, o profeta diz a respeito  de Israel: “Ai da vida deles! Pois conceberam um desejo mau contra si mesmos,  dizendo: Amarremos o justo, porque ele nos incomoda.”</p>
<p><em>Nova criação</em></p>
<p style="text-align:justify;">Que lhes diz Moisés, outro profeta? “Eis o que  diz o Senhor Deus: Entrai na terra boa, que o Senhor prometeu a Abraão, Isaac e  Jacó. Tomai posse dessa terra, onde correm leite e mel.” 0 que diz a sabedoria?  Aprendei: “Ponde vossa esperança em Jesus, que deve revelar-se a vós na carne.”  Com efeito, o homem é terra que sofre, pois é da terra que Adão foi plasmado.  Que significa: “Na terra boa, terra onde correm leite e mel”? Bendito seja nosso  Senhor, irmãos, pois ele pôs em nós a sabedoria e o entendimento de seus  segredos. Pois o profeta diz: “Quem poderá compreender uma parábola do Senhor, a  não ser o sábio que conhece e ama o seu Senhor?” Depois de nos ter renovado com  o perdão dos pecados, ele fez de nós um novo ser, de modo que tenhamos alma de  criança, como se ele nos tivesse plasmado novamente. De fato, a Escritura fala a  nosso respeito, quando ele diz ao Filho: “Façamos o homem à nossa imagem e  semelhança. Que eles dominem sobre os animais da terra, as aves do céu e os  peixes do mar.” E, vendo que nós éramos boa criação, o Senhor disse: “Crescei,  multiplicaivos e enchei a terra.” Foi isso que ele disse ao Filho. Vou agora te  mostrar como ele fala de nós. Ele realizou segunda criação nos últimos tempos. O  Senhor diz: “Eis que faço as últimas coisas como as primeiras.” Nesse sentido,  assim falou o profeta: “Entrai na terra onde correm leite e mel, e dominai-a.”  Eis-nos, portanto, criados de novo, conforme o que ele diz ainda por outro  profeta: “Eis”, diz o Senhor, “que arrancarei deles” -isto é, daqueles que o  Espírito do Senhor via de antemão-”os corações de pedra, e implantarei neles  corações de carne.” De fato, é na carne que ele devia manifestar-se e habitar em  nós. Com efeito, meus irmãos, nossos corações assim habitados formam um templo  santo para o Senhor. E o Senhor diz ainda: “Como me apresentarei diante do  Senhor e serei glorificado?” Ele diz: “Celebrar-te- ei na assembléia de meus  irmãos e cantarei teus louvores em meio à assembléia dos santos.” Portanto,  somos nós que ele fez entrar na terra boa. E o que significam o “leite” e o  “mel”? E porque a criança é nutrida primeiro com o mel e depois com o leite.  Igualmente nós, alimentados pela fé na promessa e na palavra, vivemos dominando  a terra. Ora, ele tinha dito antes: “Que eles cresçam, se multipliquem e dominem  os peixes.” E quem pode hoje dominar as feras, ou os peixes, ou os pássaros do  céu? Devemos compreender que dominar implica poder, a fim de que aquele que  ordena possa dominar. Se hoje não é assim, ele nos disse o tempo: Quando formos  perfeitos para sermos herdeiros da aliança do Senhor.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 7</strong></p>
<p><em>Jejum e o bode expiatório</em></p>
<p style="text-align:justify;">Compreendei, portanto, filhos da alegria, que o  bom Senhor nos revelou tudo de antemão, para que saibamos a quem constantemente  celebrar com ação de graças. Se o Filho de Deus, que é Senhor e julgará os vivos  e os mortos, sofreu para nos dar a vida por meio de seus ferimentos, acreditamos  que o Filho de Deus não podia sofrer, a não ser por causa de nós. Além disso, já  crucificado, deram-lhe a beber vinagre e fel. Escutai como os sacerdotes do  templo se expressaram sobre isso. O mandamento escrito dizia: “Quem não jejuar  no dia do jejum, será condenado à morte.” O Senhor deu esse mandamento, porque  também ele devia oferecer a si próprio pelos nossos pecados, como receptáculo do  Espírito, em sacrifício, a fim de que fosse cumprida a prefiguração manifestada  em Isaac, oferecido sobre o altar. O que diz ele por meio do profeta? “Que  comam, durante o jejum, do bode oferecido por todos os pecados.” Notai bem: “E  que todos os sacerdotes, e somente eles, comam as vísceras não lavadas com  vinagre.” Por que isso? “Porque vós me fareis beber fel com vinagre, a mim que  ofereci minha carne pelos pecados do meu novo povo. Somente vós comereis,  enquanto o povo jejuará e se flagelará com pano de saco e cinza.” Isso era para  mostrar que ele deveria sofrer na mão deles. Como ele ordenou? Prestai atenção:  “Tomai dois bodes bonitos e iguais, e oferecei-os em sacrifício. Que o sacerdote  tome o primeiro como holocausto pelos pecados.” E o que farão com o outro? Ele  diz: “O outro é maldito.” Notai como a figura de Jesus é manifestada. “Cuspi  todos nele, transpassai-o, coroai sua cabeça com lã escarlate e, desse modo,  seja expulso para o deserto.” Feito isso, aquele que leva o bode o conduz ao  deserto, tira-lhe a lã e a coloca sobre um arbusto chamado sarça, cujos frutos  costumamos comer quando nos encontramos no campo. Somente os frutos da sarça são  doces. O que significa isso? Prestai atenção: “O primeiro bode sobre o altar, o  outro é maldito”. Justamente o maldito é que é coroado. É que eles o verão,  naquele dia, trazendo sobre sua carne o manto escarlate, e dirão: “Não é este  que outrora crucificamos, depois de o ter desprezado, transpassado e cuspido? Na  verdade, era este que então se dizia Filho de Deus.” Qual a sua semelhança com  aquele? São bodes “semelhantes”, “belos”, iguais, para que quando o virem então  vir, fiquem espantados com a semelhança do bode. Eis, portanto, a figura de  Jesus que devia sofrer. E por que se coloca a lã no meio dos espinhos? É uma  figura de Jesus proposta para a Igreja: porque os espinhos são terríveis, aquele  que quer pegar a lã escarlate deve sofrer muito, e deve apossar-se dela através  da dor. Ele diz: “Dessa forma, aqueles que desejam ver-me e alcançar o meu Reino  devem passar por tribulações e sofrimentos, para se apossar de mim.”</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 8</strong></p>
<p><em>Sacrifício da novilha</em></p>
<p style="text-align:justify;">E que figura pensais que representa o mandamento  dado a Israel: os homens que têm pecados consumados ofereçam a novilha, a imolem  e, depois queimem? Além disso, as crianças deviam recolher as cinzas, colocá-las  nos vasos, enrolar a lã escarlate num pedaço de madeira &#8211; de novo aqui a imagem  da cruz e a lã escarlate &#8211; e o hissopo. E assim, as crianças deviam aspergir  todos os membros do povo, para que ficassem purificados dos pecados. Reconhecei  como ele vos fala com simplicidade: a novilha é Jesus; os pecadores que a  oferecem são aqueles que o conduziram para ser imolado. Basta com esses homens!  Basta com a glória dos pecadores! As crianças que fazem a aspersão são aqueles  que nos anunciaram a remissão dos pecados e a purificação do coração. A eles foi  conferida a autoridade de anunciar o Evangelho, e são doze para testemunhar às  tribos, pois as tribos de Israel eram doze. E por que são três crianças que  fazem a aspersão? Para testemunhar Abraão, Isaac e Jacó, que são grandes diante  de Deus. E a lã sobre o madeiro? Ela significa que o Reino de Jesus está sobre o  madeiro e os que nele esperam viverão para sempre. Contudo, por que se põem  juntos a lã e o hissopo? Porque no seu Reino haverá dias maus e poluídos,  durante os quais seremos salvos. Com efeito, é pelo respingo poluído do hissopo  que se cura aquele cuja carne está doente. E por isso que esses acontecimentos  são tão claros para nós, mas para eles tão obscuros, pois eles não ouviram a voz  do Senhor.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 9</strong></p>
<p><strong>A verdadeira circuncisão</strong></p>
<p><em>Circuncisão do ouvido</em></p>
<p style="text-align:justify;">De fato, é dos ouvidos que ele fala ainda, quando  diz que circuncidou nossos ouvidos e nossos corações. O Senhor diz por meio do  profeta: “Obedeceram-me com os ouvidos.” E diz ainda: “Os que estão longe  escutarão com o ouvido e conhecerão o que eu fiz”. E mais: “Circuncidai vossos  ouvidos, diz o Senhor.” E diz também: “Escuta, Israel, eis o que diz o Senhor  teu Deus: Quem deseja viver para sempre? Que ele escute com o ouvido a voz do  meu servo.” E diz ainda: “Escuta, ó céu; dá ouvidos, ó terra, pois o Senhor  falou isso como testemunho.” E diz mais: “Escutai a palavra do Senhor, príncipes  deste povo.” E diz ainda: “Filhos, escutai a voz que grita no deserto.” Ele,  portanto, circuncidou nossos ouvidos, para que escutemos a palavra e  creiamos.</p>
<p><em>Circuncisão do coração</em></p>
<p style="text-align:justify;">Contudo, a circuncisão, na qual eles depositavam  confiança, foi rejeitada. De fato, ele dissera que a circuncisão não devia ser  da carne, mas eles transgrediram, porque um anjo mau os enganou. Todavia, ele  lhes diz: “Assim fala o Senhor vosso Deus” &#8211; é aí que encontro o mandamento -:  “Não semeeis entre os espinhos, mas circuncidai-vos para o vosso Senhor.” E o  que diz ele? “Circuncidai a maldade do vosso coração.” E diz ainda: “Eis, diz o  Senhor, que todas as nações têm o prepúcio incircunciso, mas este povo tem o  coração incircunciso.”</p>
<p><em>Circuncisão de Abraão</em></p>
<p style="text-align:justify;">Vós, porém, direis: “O povo recebeu a circuncisão  como selo.” Contudo, todos os sírios, os árabes e todos os sacerdotes dos ídolos  também têm a circuncisão. Pertencem também eles à sua aliança? Até os egípcios  praticam a circuncisão! Filhos do amor, aprendei mais particularmente estas  coisas: Abraão, praticando por primeiro a circuncisão, circuncidava porque o  Espírito dirigia profeticamente seu olhar para Jesus, dando-lhe o conhecimento  das três letras. Com efeito, ele diz: “E Abraão circuncidou entre os homens de  sua casa trezentos e dezoito homens.” Qual é, portanto, o conhecimento que lhe  foi dado? Notai que ele menciona em primeiro lugar os dezoito e depois, fazendo  distinção, os trezentos. Dezoito se escreve: I, que vale dez, e H, que  representa oito. Tens aí: IH(sous) = Jesus. E como a cruz em forma de T devia  trazer a graça, ele menciona também trezentos (= T). Portanto, ele designa  claramente Jesus pelas duas primeiras letras e a cruz pela terceira. Quem  depositou em nós o dom do seu ensinamento sabe bem disto: Ninguém recebeu de mim  ensinamento mais digno de fé. Sei, porém, que vós sois dignos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 10</strong></p>
<p><strong>Significado espiritual das prescrições alimentares</strong></p>
<p><em>Primeira formulação</em></p>
<p style="text-align:justify;">Moisés disse: “Não comereis porco, nem águia, nem  gavião, nem corvo, nem peixe algum que não tenha escamas”. Porque ele tinha em  mente três ensinamentos. Por fim, ele diz a eles no Deuteronômio: “Exporei a  esse povo as minhas decisões.” A proibição de comer não é, portanto, mandamento  de Deus, pois Moisés falava simbolicamente. Eis o significado do que ele diz  sobre o “porco”. Não te ligarás a esses homens que se assemelham aos porcos;  isto é, que quando vivem na abundância, se esquecem do Senhor; mas na  necessidade reconhecem o Senhor. Assim é o porco: enquanto está comendo, ele não  conhece seu dono; mas quando está com fome, ele grunhe e, uma vez tendo comido,  volta a se calar. Ele diz: “Também não comerás a águia, nem o gavião, nem o  milhafre, nem o corvo.” Isto é: não te ligarás, imitando-os, a esses homens que  não sabem ganhar o alimento por meio do trabalho e do suor, mas que, em sua  injustiça, arrebatam o bem alheio. Andam com ar inocente, mas espionam e  observam a quem vão despojar por ambição. Eles são como essas aves, as únicas  que não providenciam o alimento por si próprias, mas se empoleiram ociosamente,  procurando a ocasião de se alimentar da carne dos outros. São verdadeiros  flagelos por sua crueldade. Ele continua: “Não comerás moreia, nem polvo, nem  molusco.” Isto é: não te assemelharás, ligando-te a esses homens que são  radicalmente ímpios e já estão condenados à morte. O mesmo acontece com esses  peixes: são os únicos amaldiçoados, que nadam nas profundezas, sem subirem como  os outros; permanecem no fundo da terra, habitando o abismo.</p>
<p><em>Segunda formulação</em></p>
<p style="text-align:justify;">Também “não comerás a lebre.” Por que razão? Isso  quer dizer: não serás pederasta, nem imitarás aqueles que são assim. Porque a  lebre, a cada ano, multiplica seu ânus. Ela tem tantos orifícios quanto o número  de seus anos. Também “não comerás a hiena”. Isso quer dizer: não serás nem  adúltero, nem homossexual, e não te Assemelharás àqueles que são assim. Por que  razão? Porque esse animal muda de sexo todos os anos e torna se ora macho, ora  fêmea. EIe odiou também “a doninha”. Muito bem! Não serás como aqueles que  cometem, como se diz, iniqüidade com a boca por depravação, nem te ligarás a  esses depravados que cometem iniqüidade com sua boca. De fato, esse mal se  concebe pela boca. Moisés, tendo recebido tríplice ensinamento sobre os  alimentos, usou linguagem simbólica. Eles, porém, o entenderam sobre os  alimentos materiais, por causa do desejo carnal.</p>
<p><em>Davi confirma o ensinamento</em></p>
<p style="text-align:justify;">Davi recebeu o conhecimento desse mesmo  ensinamento tríplice. Ele fala de forma semelhante: “Feliz o homem que não vai  ao conselho dos ímpios”, como os peixes que se movem nas trevas para o fundo; “e  que não pára no caminho dos pecadores”, como aqueles que aparentam temer ao  Senhor, mas pecam como o porco; “e que não se assentou na cátedra da  pestilência”, como as aves que se postam para a rapina. Aí tendes perfeitamente  o que se refere à comida.</p>
<p><em>Conclusão</em></p>
<p style="text-align:justify;">Moisés, porém, disse: “Comei de todo animal que  tem o casco fendido e que rumina.” O que ele quer dizer? Que (tal animal),  quando recebe a comida, conhece aquele que o alimenta, e quando repousa, parece  que se alegra com ele. Disse-o bem, considerando o mandamento. Que quer ele  dizer? Vinculai-vos àqueles que temem o Senhor, que meditam no coração sobre o  sentido exato da palavra que receberam, que ensinam e observam as decisões do  Senhor, que sabem que a meditação é alegre exercício e que ruminam a palavra do  Senhor. O que significa o “casco fendido”? É que o justo caminha neste mundo e  espera o mundo santo. Vede como Moisés legislou bem! Mas, para eles, como é  possível compreenderem ou entenderem essas coisas? Nós, tendo compreendido  exatamente os mandamentos, os exprimimos como o Senhor desejou. Por isso, ele  circuncidou nossos ouvi dos e nossos corações, para compreendermos essas  coisas.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 11</strong></p>
<p><strong>Profecias do Batismo e da Cruz</strong></p>
<p><em>A água</em></p>
<p style="text-align:justify;">Pesquisemos se o Senhor teve intenção de falar  antecipadamente sobre a água e sobre a cruz. Quanto à água, está escrito que  Israel não teria recebido o batismo que leva à remissão dos pecados, mas que  eles próprios teriam constituído um. Com efeito, diz o profeta: “Pasma, ó céu, e  que a terra trema ainda mais! Pois este povo cometeu mal duplo: eles me  abandonaram, a mim que sou a fonte viva da água, e cavaram para si mesmos uma  cisterna de morte. Por acaso, o Sinai, minha montanha santa, é rocha deserta?  Vós sereis como os passarinhos que voam, quando se lhes tira o ninho.” E o  profeta diz ainda: “Eu marcharei à tua frente, aplainarei as montanhas,  quebrarei as portas de bronze, despedaçarei as trancas de ferro, e te darei  tesouros secretos, escondidos, invisíveis, a fim de que saibam que eu sou o  Senhor Deus. Tu habitarás numa caverna alta de rocha sólida, onde a água não  falta nunca. Vereis o rei em sua glória e vossa alma meditará no temor do  Senhor.”</p>
<p><em>A água e o madeiro</em></p>
<p style="text-align:justify;">EIe diz ainda por meio de outro profeta: “Quem  assim age, será como a árvore plantada junto à corrente d’água, e que dá seu  fruto no tempo certo. Sua folhagem não cairá; e tudo o que ele fizer terá  sucesso. Não são assim os ímpios, não são assim. Eles são, antes, como a poeira  que o vento espalha na face da terra. E por isso que os ímpios não se levantarão  no julgamento, nem os pecadores no conselho dos justos. Pois o Senhor conhece o  caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.” Notai que ele designa ao  mesmo tempo a água e a cruz. Com efeito, ele quer dizer: “Felizes aqueles que,  tendo lançado sua esperança na cruz, desceram para a água. Pois ele diz que o  salário vem “no tempo certo”. Então, diz ele, eu retribuirei. Mas para hoje, ele  diz: “Sua folhagem não cairá.” Isso significa que toda palavra de fé e amor que  sair da vossa boca será para muitos causa de conversão e de esperança. E outro  profeta diz ainda: “E a terra de Jacó era celebrada mais do que qualquer outra  terra.” Isso quer dizer que ele glorifica o vaso do seu Espírito. O que diz ele  a seguir? “Havia um rio que corria, vindo da direita, e árvores esplêndidas  hauriam dele seu crescimento. Qualquer pessoa que delas comer, viverá  eternamente.” Isso significa que descemos para a água carregados de pecados e  poluição, mas subimos dela para dar frutos em nosso coração, tendo no Espírito o  temor e a esperança em Jesus. “Quem comer deles viverá eternamente”, quer dizer:  quem escutar, quando tais palavras são ditas, e crer nelas, viverá  eternamente.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 12</strong></p>
<p><em>O madeiro</em></p>
<p style="text-align:justify;">Da mesma forma, é sobre a cruz que ele fala por  meio de outro profeta: “Quando tais coisas se cumprirão? Diz o Senhor: Quando um  madeiro for estendido no chão e depois novamente levantado, e quando o sangue  gotejar do madeiro.” Eis que se fala de novo da cruz e daquele que seria  crucificado. Ele ainda fala a Moisés, quando Israel é atacado pelos povos  estrangeiros, para lembrar-lhes, nesse combate, que era pelos pecados deles que  estavam sendo entregues à morte. Falando ao coração de Moisés, o Espírito lhe  fez representar a figura da cruz e de quem sofreria, pois, diz ele, se não  esperarem nele, serão eternamente atacados. Então Moisés amontoou as armas no  meio do combate e, de pé, no lugar mais alto de todos, estendeu os braços, e  assim Israel venceu novamente. Em seguida, cada vez. que os abaixava, os  israelitas sucumbiam outra vez. Por quê? Para que soubessem que não podiam ser  salvos, se não confiassem nele. Por meio de outro profeta, ele diz ainda: “O dia  inteiro estendi meus braços para um povo desobediente e que se opõe ao meu justo  caminho.” Outra vez ainda, no momento em que Israel sucumbia, Moisés fez  prefiguração de Jesus, mostrando que ele devia sofrer, e justamente aquele que  acreditavam estar morto na cruz, haveria de dar a vida. De fato, o Senhor fez  com que todo tipo de serpentes os mordessem, e eles morriam, embora a serpente  tenha sido para Eva o instrumento da desobediência. Ele queria assim  convencê-los de que era por causa da desobediência deles que seriam entregues à  tortura da morte. Finalmente, o próprio Moisés tinha ordenado: “Não tereis, como  vosso deus, nenhuma imagem fundida ou esculpida.” Mas ele próprio fez uma  serpente de bronze, colocou-a diante de todos, e convocou o povo. Quando se  reuniram naquele lugar, suplicaram a Moisés que intercedesse pela cura deles.  Moisés porém, lhes respondeu: “Quando alguém de vós for mordido, venha até à  serpente fixada ao madeiro e creia com confiança. Crendo que essa serpente,  embora morta, possa dar a vida, no mesmo instante será salvo.” Assim fizeram  eles. Eis aqui de novo a glória de Jesus, porque tudo está nele e tudo é para  ele.</p>
<p><em>Jesus, Filho de Deus</em></p>
<p style="text-align:justify;">Que diz ainda Moisés a respeito do profeta Jesus,  filho de Nave, dando-lhe esse nome, somente para que todo o povo ouvisse que o  Pai revela todas as coisas em torno de seu Filho Jesus? Enviando-o para explorar  o país, depois de lhe ter dado esse nome, Moisés disse a Jesus, filho de Nave:  “Toma em tuas mãos um livro e escreve o que diz o Senhor: Nos últimos dias, o  Filho de Deus arrancará pelas raízes a casa de Amalec.” Mais uma vez, eis que  Jesus, manifestado em prefiguração carnal, não filho de homem, mas Filho de  Deus. Porque diriam que o Cristo é filho de Davi, o próprio Davi, temendo e  prevendo o erro dos pecadores, profetiza: “Disse o Senhor ao meu Senhor:  Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como estrado para  teus pés.” Isaías também diz: “O Senhor disse ao Cristo, meu Senhor: Eu o tomei  pela mão direita, para que as nações lhe obedeçam, e eu romperei a força dos  reis.” Vede como Davi o chama Senhor, e não filho!</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 13</strong></p>
<p><strong>A Aliança</strong></p>
<p><em>Qual povo é o herdeiro?</em></p>
<p style="text-align:justify;">Vejamos agora qual é o povo que recebe a herança.  Se este, ou se o primeiro. E a Aliança, é para nós, ou para aqueles? Escutai,  então, o que diz a Escritura a respeito do povo: “Isaac rezava pela sua mulher  Rebeca, que era estéril, e ela concebeu”. Depois: “Rebeca saiu para consultar o  Senhor, e o Senhor lhe disse: Há duas nações em teu seio e dois povos em tuas  entranhas. Um povo dominará o outro, e o mais velho servirá ao mais jovem.”  Deveis compreender quem é Isaac e quem é Rebeca, e a quem se referia ao mostrar  que este povo é maior do que aquele. Em outra profecia, Jacó se dirige mais  claramente ainda a seu filho José, dizendo: “Eis que o Senhor não me privou de  tua presença. Traze-me teus filhos, para que eu os abençoe.” Ele levou Efraim e  Manasses, querendo que Manassés, o mais velho, recebesse a bênção. José o  conduziu para a mão direita de seu pai Jacó. No entanto, Jacó viu em espírito a  prefiguração do povo futuro. E o que disse ele? “E Jacó cruzou as mãos, e  colocou a direita sobre a cabeça de Efraim, o segundo e o mais novo, e o  abençoou. Então José disse a Jacó: ‘Desvia tua mão direita e colocaa sobre a  cabeça de Manassés, pois ele é o meu filho primogénito’. Então Jacó disse a  José: ‘Eu sei, meu filho, eu sei. O mais velho servirá ao mais jovem, e é este  que será abençoado.’” Vede a quem ele se referia ao decidir que este povo seria  o primeiro e o herdeiro da Aliança. Se isso ainda nos é lembrado no caso de  Abraão, então nosso conhecimento torna-se completo. O que é que ele diz então a  Abraão, pelo fato de que somente ele tinha acreditado, e foi estabelecido na  justiça? “Abraão, eis que eu te estabeleci como pai de nações que, embora  incircuncisas, acreditam em Deus.”</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 14</strong></p>
<p><em>A quem Deus dá sua Aliança?</em></p>
<p style="text-align:justify;">Muito bem. Porém vejamos: Pesquisemos, para ver  se ele deu ao povo a Aliança que prometera &#8211; juramento a seus antepassados.  Certamente ele a deu, mas eles não foram dignos de recebê-la, por causa de seus  pecados. De fato, o profeta diz: “Moisés jejuou quarenta dias e quarenta noites  no monte Sinai, para receber a Aliança do Senhor com o povo. E Moisés recebeu do  Senhor as duas tábuas escritas em espírito pelo dedo da mão do Senhor. Moisés as  tomou, e começou a descer, para levá-las ao povo. Então disse a Moisés o Senhor:  `Moisés, Moisés, apressa-te a descer, pois teu povo, que fizeste sair da terra  do Egito, pecou.’ Moisés compreendeu que eles ainda tinham feito para si imagens  de metal fundido. Então ele atirou de suas mãos as tábuas, e as tábuas da  Aliança do Senhor se quebraram.” Moisés, portanto, a recebeu, mas eles não foram  dignos dela. Aprendei como nós a recebemos. Moisés a recebeu como servo, mas o  próprio Senhor, depois de sofrer por nós, no-la entregou como povo da herança.  Ele apareceu, para que aqueles levassem ao máximo a medida dos pecados e nós  recebêssemos a Aliança mediante o Senhor Jesus, o herdeiro. Jesus foi preparado  por ocasião de sua manifestação, para libertar das trevas nossos corações já  consumidos pela morte e entregues aos desvios da iniqüidade, e para estabelecer  conosco uma Aliança com a palavra. De fato, está escrito que o Pai lhe ordenou  libertar-nos das trevas, a fim de preparar para si um povo santo. Diz, portanto,  o profeta: “Eu, o Senhor teu Deus, te chamei na justiça, e te tomarei pela mão e  te fortificarei. Eu te coloquei como Aliança de um povo, como luz das nações,  para abrir os olhos dos cegos, para libertar das cadeias os prisioneiros e da  prisão aqueles que estão nas trevas.” Sabei, portanto, de onde fomos libertos! O  profeta diz ainda: “Eis que eu te coloquei como luz das nações, a fim de que  sirvas para a salvação, até os confins da terra. Assim diz o Senhor, o Deus que  te libertou.” E o profeta diz ainda: “O Espírito do Senhor está sobre mim e, por  isso, me ungiu para anunciar aos pobres o evangelho da graça. Ele me enviou para  curar os corações quebrantados, para proclamar aos prisioneiros a liberdade e  aos cegos a vista, para anunciar o ano favorável do Senhor e o dia da  retribuição, para consolar todos os que choram.”</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 15</strong></p>
<p><em>O Sábado de Deus</em></p>
<p style="text-align:justify;">Ainda, sobre o sábado, está escrito no Decálogo  que Deus o entregou pessoalmente a Moisés sobre o monte Sinai: “Santificai o  sábado do Senhor com mãos puras e coração puro.” Em outro lugar, ele diz: “Se  meus filhos guardarem o sábado, então estenderei sobre eles a minha  misericórdia.” Ele menciona o sábado no princípio da criação: “Em seis dias,  Deus fez as obras de suas mãos e as terminou no sétimo dia, e nele descansou e o  santificou.” Prestai atenção, filhos, sobre o que significa: “terminou no sétimo  dia”. Isso significa que o Senhor consumará o universo em seis mil anos, pois um  dia para ele significa mil anos. Ele próprio o atesta, dizendo: “Eis que um dia  do Senhor será como mil anos.” Portanto, filhos, em “seis dias”, que são seis  mil anos, o universo será consumado. “E ele descansou no sétimo dia.” Isso quer  dizer que seu Filho, quando vier para pôr fim ao tempo do Iníquo, para julgar os  ímpios e mudar o sol, a lua e as estrelas, então ele, de fato, repousará no  sétimo dia. Por fim, ele diz: “Tu o santificarás com mãos puras e coração puro.”  Contudo, se alguém atualmente pudesse santificar, de coração puro, esse dia que  Deus santificou, então nós nos teríamos enganado completamente. Porém, se este  agora não é o caso, ele o santificará verdadeiramente no repouso, quando nós  formos capazes disso, isto é, quando tivermos sido justificados e tivermos  recebido o objeto da promessa, quando não houver mais iniqüidade, e o Senhor  tiver renovado tudo. Então, poderemos santificá-lo, tendo sido primeiro nós  mesmos santificados. Ele finalmente lhes disse: “Não suporto vossas neomênias e  vossos sábados”. Vede como ele diz: não são os sábados atuais que me agradam,  mas aquele que eu fiz e no qual, depois de ter levado todas as coisas ao  repouso, farei o início do oitavo dia, isto é, o começo de outro mundo. Eis por  que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos  mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 16</strong></p>
<p><em>O Templo</em></p>
<p style="text-align:justify;">No que se refere ao templo, eu vos direi ainda  como esses infelizes extraviados puseram sua esperança num edifício, como se  fosse a casa de Deus, e não no Deus deles, que os criou. Com efeito, quase como  os pagãos, eles o consagraram no templo. Mas, como fala o Senhor, abolindo-o?  Aprendei: “Quem mediu o céu com o palmo e a terra com a mão? Não fui eu? diz o  Senhor: O céu é o meu trono e a terra é o estrado dos meus pés. Que casa  construireis para mim, ou qual será o lugar do meu repouso?” Vede como era vã a  esperança deles. Por fim, ele diz ainda: “Eis! aqueles que destruíram esse  templo, eles mesmos o edificarão.” E o que está acontecendo. De fato, por causa  da guerra deles, o templo foi destruído pelos inimigos. E agora, os mesmos  servos dos inimigos o reconstruirão. Ele tinha igualmente revelado que a cidade,  o templo e o povo de Israel seriam entregues. Com efeito, a Escritura diz:  “Acontecerá no fim dos dias que o Senhor entregará à destruição as ovelhas do  pasto, o aprisco e a sua torre.” E aconteceu conforme o Senhor tinha dito.  Indaguemos se existe um templo de Deus. Sim, existe onde ele mesmo diz que o há  de construir e aperfeiçoar. De fato, está escrito: “Quando a semana estiver  terminada, será construído um templo de Deus, com esplendor, sobre o nome do  Senhor.” Acho pois que existe um templo. E como ele “será construído sobre o  nome do Senhor”? Aprendei: antes que acreditássemos em Deus, nossos corações  eram uma habitação corruptível e frágil, exatamente como um templo construído  por mão humana. Com efeito, estava cheio de idolatria e era casa de demônios  pois todas as nossas ações se opunham a Deus. Contudo, “ele será construído  sobre o nome do Senhor.” Estai atentos, para que o templo do Senhor seja  construído “com esplendor”. De que modo? Aprendei: recebendo o perdão dos  pecados e pondo nossa esperança no Nome, nós nos tornamos novos, recriados desde  o princípio. É por isso que Deus habita verdadeiramente em nós, tornando-nos sua  morada. Como? Pela sua palavra de fé, pelo chamado da sua promessa, pela  sabedoria das suas leis, pelos mandamentos da doutrina, e ele próprio  profetizando em nós, habitando em nós, abrindo para nós a porta do templo, que é  a nossa boca, e dando-nos o arrependimento, ele nos introduz no templo  incorruptível. De fato, quem deseja ser salvo não olha para o homem, mas para  aquele que habita nele e fala por meio dele, maravilhado “Neomênias” é o  primeiro dia do mês (lunar), a “lua nova” ou “neomênia”, era uma festa celebrada  tanto entre os israelitas como entre os cananeus (cf. Lv 23,24; 1Sm 20,5.24; Is  13; Am 8,5). Como o sábado, a lua nova (neoménia) interrompia as transações  comerciais. de não ter ouvido as palavras daquele que fala através de uma boca  humana, nem de ter desejado ouvi-Ias. Esse é o templo espiritual construído pelo  Senhor.</p>
</p>
<p><strong>CAPÍTULO 17</strong></p>
<p><em>Conclusão</em></p>
<p>Eu vos expliquei essas coisas com a maior simplicidade possível, e espero não  ter deixado nada de lado. Com efeito, se vos escrevesse sobre o presente ou o  futuro, não compreenderíeis, pois isso permanece em parábolas.</p>
</p>
<p><strong>PARTE III &#8211; MORAL</strong></p>
<p><strong>CAPÍTULO 18</strong></p>
<p><strong>Os Dois Caminhos</strong></p>
<p><em>Introdução</em></p>
<p style="text-align:justify;">Sobre esse assunto, chega. Passemos para outro  tipo de conhecimento e ensinamento. Existem dois caminhos de ensinamento e  autoridade: o da luz e o das trevas. A diferença entre os dois é grande. De  fato, sobre um estão postados os anjos de Deus, portadores da luz; e sobre o  outro, os anjos de satanás. Um é Senhor de eternidade em eternidade, o outro é  príncipe do presente tempo da iniqüidade.</p>
</p>
<p><strong>CAPÍTULO 19</strong></p>
<p><em>O caminho da luz</em></p>
<p style="text-align:justify;">Este é o caminho da luz: se alguém quer andar no  caminho e chegar ao lugar determinado, que se esforce em suas obras. Eis,  portanto, o conhecimento que nos foi dado para andar nesse caminho.</p>
<p style="text-align:justify;">Ama aquele que te criou. Teme aquele que te  formou. Glorifica aquele que te resgatou da morte. Sê simples de coração e rico  de espírito. Não te ligues àqueles que andam no caminho da morte. Odeia tudo o  que não é agradável a Deus. Odeia toda hipocrisia.</p>
<p style="text-align:justify;">Não abandones os mandamentos do Senhor. Não te  engrandeças a ti mesmo, mas sê humilde em todas as circunstâncias. Não te  arrogues glória. Não planejes o mal contra o teu próximo. Não te entregues à  insolência.</p>
<p style="text-align:justify;">Não pratiques a prostituição, nem o adultério,  nem a pederastia. Não divulgues a palavra de Deus entre pessoas impuras. Não  faças diferença entre as pessoas, ao corrigir alguém por sua falta. Sê manso,  tranqüilo, respeitando as palavras que ouviste. Não sejas vingativo para com teu  irmão.</p>
<p style="text-align:justify;">Não fiques hesitando sobre o que vai ou não  acontecer. Não tomes em vão o nome do Senhor. Ama o teu próximo mais do que a ti  mesmo. Não mates a criança no seio da mãe, nem logo que ela tiver nascido. Não  te descuides de teu filho ou de tua filha. Pelo contrário, dá-lhes instrução  desde a infância no temor do Senhor.</p>
<p style="text-align:justify;">Não cobices os bens do teu próximo. Não sejas  avarento, não te juntes de coração com os grandes, mas conversa com os justos e  pobres. Aceita como boas as coisas que te acontecem, sabendo que nada acontece  sem o consentimento de Deus.</p>
<p style="text-align:justify;">Não sejas dúplice no pensar e no falar, porque a  duplicidade é armadilha mortal. Sê submisso a teus senhores, com respeito e  reverência, como à imagem de Deus. Não dês ordens com rudeza ao teu servo ou à  tua serva, pois eles esperam no mesmo Deus que tu, para que não percam o temor  de Deus, que está acima de uns e de outros; com efeito, ele não vem chamar a  pessoa pela aparência, mas aqueles que o Espírito preparou.</p>
<p style="text-align:justify;">Compartilha tudo com o teu próximo, e não digas  que são coisas tuas. Se estais unidos nas coisas incorruptíveis, tanto mais nas  coisas corruptíveis. Não sejas loquaz, porque a boca é armadilha mortal. O  quanto podes, sê puro com a tua alma.</p>
<p style="text-align:justify;">Não sejas como os que estendem a mão na hora de  receber, e a retiram na hora de dar. Ama, como a pupila do teu olho, todo aquele  que te anuncia a palavra de Deus.</p>
<p style="text-align:justify;">Lembra-te noite e dia, do dia do julgamento. A  cada dia, procura a companhia dos santos. Empenha-te com a pregação, exortando e  preocupando-te em salvar uma alma pela palavra, ou então em trabalhar com tuas  mãos, para resgatar teus pecados.</p>
<p style="text-align:justify;">Não hesites em dar, nem dês reclamando, pois  sabes quem é o verdadeiro remunerador da tua recompensa. Guarda o que recebeste,  sem nada acrescentar ou tirar. Odeia totalmente o mal. Julga de modo justo.</p>
<p style="text-align:justify;">Não provoques divisão. Pelo contrário, reconcilia  aqueles que brigam entre si. Confessa os teus pecados. Não te apresentes em má  consciência para a oração.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 20</strong></p>
<p><em>O caminho da treva</em></p>
<p style="text-align:justify;">O caminho da treva é tortuoso e cheio de  maldições. De fato, em sua totalidade, ele é o caminho da morte eterna nos  tormentos. Nele se encontram as coisas que arruínam a alma dos homens:  idolatria, insolência, altivez do poder, hipocrisia, duplicidade de coração,  adultério, homicídio, rapina, orgulho, transgressão, fraude, maldade,  arrogância, feitiçaria, magia, avareza e ausência do temor de Deus. (São) os que  perseguem os bons, odeiam a verdade, amam a mentira, ignoram a recompensa da  justiça, não se ligam ao bem nem ao julgamento justo, não cuidam da viúva e do  órfão, não vigiam para o temor de Deus, mas para o mal, afastam-se da mansidão e  da paciência, amam as vaidades, correm atrás da recompensa, não têm misericórdia  para com o pobre, recusam ajudar o oprimido, difamam facilmente, ignoram o seu  Criador, matam crianças, corrompem a imagem de Deus, não se compadecem do  necessitado, não se importam com os atribulados, defendem os ricos, são juízes  injustos com os pobres, e, por fim, são pecadores consumados.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>CAPÍTULO 21</strong></p>
<p><em>Conclusão</em></p>
<p style="text-align:justify;">É bom, portanto, aprender as sentenças do Senhor,  que estão escritas, e a elas conformar o comportamento. Com efeito, aquele que  as pratica será glorificado no Reino de Deus, mas aquele que escolher o outro  (Caminho) perecerá com suas obras. Por isso, existe ressurreição, e por isso  existe retribuição. A vós, que sois superiores, peço que aceitem um conselho da  minha benevolência: Tendes no meio de vós pessoas para com as quais praticar o  bem. Não deixem de o fazer. Está próximo o dia, no qual todas as coisas  perecerão com o Maligno. Está próximo o Senhor, justo com a sua retribuição.  Peço-vos ainda: sede bons legisladores para vós mesmos, permanecei fiéis  conselheiros para vós mesmos, afastai de vós toda hipocrisia. O Deus, que reina  sobre o mundo inteiro, vos dê sabedoria, inteligência, ciência, conhecimento de  suas decisões, e perseverança. Deixai-vos instruir por Deus, procurando o que o  Senhor quer de vós, e praticai-o, para que vos encontreis no dia do julgamento.  Se vos recordais do bem, lembrai-vos de mim ao meditar sobre essas coisas. Desse  modo, meu desejo e minha vigilância levarão a realizar algum bem. Peço-vos com  insistência, como uma graça: enquanto o belo vaso ainda está convosco, não  negligencieis nada das vossas coisas, mas buscai-as constantemente e cumpri  todos os mandamentos, pois eles são dignos. Eis por que me esforcei em vos  escrever, segundo minhas possibilidades. Eu vos saúdo, filhos do amor e da paz.  Que o Senhor da glória e de toda graça esteja com vosso espírito.</p>
<p>fonte:http://cocp.veritatis.com.br/index.php/epistola-de-barnabe/
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<title><![CDATA[patristica]]></title>
<link>http://servosdemaria.wordpress.com/2009/08/30/patristica-2/</link>
<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 21:28:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>luan4556</dc:creator>
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<description><![CDATA[Patrística: Caminhos da tradição cristãvenho aqui recomendar este livro aos admiradores da Igreja e ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Patrística: Caminhos da tradição cristã<br />venho aqui recomendar este livro aos admiradores da Igreja e que amam a Igreja e sua história:<br />.<br />Os Padres da Igreja edificam os tópicos fundamentais da vida cristã, para crer, celebrar e viver. Para renovar a comunidade cristã, os cristãos hão de voltar sempre à sua primeira juventude e assim evitar o perene perigo do “envelhecimento” da Igreja. O Concílio Vaticano IIinaugurou uma época de fidelidade mais decidida e mais esclarecida à tradição, em sua expressão patrística. Apontou à Igreja atual os caminhos da colegialidade, do diálogo, da partilha e da comunhão da graça do Espírito, bem como da valorização dos carismas e dos ministérios, na diversidade dos serviços e das vocações. São esses os “caminhos da tradição cristã” de que este livro, em boa hora, quer ser o manual, leve e simples, mas rico e seguro em informações, estimulando a aprofundar a reflexão e a pesquisa, e, por que não, a promover a contemplação, na convivência com os Santos Padres da Igreja.<br />Frei Carlos Josaphat<br />.<br />parece valer a pena!<br />.<br />http://www.paulus.com.br/lojavirtual/secoes/detalhamento.php?id=2394&#38;produto=livros&#38;cat_produto=produtos_livros&#38;produto_dir=livros&#38;categoria=Teologia&#38;id_cat=6
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