<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><!-- generator="wordpress.com" -->
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	>

<channel>
	<title>poesia-portuguesa &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/poesia-portuguesa/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "poesia-portuguesa"</description>
	<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 21:43:23 +0000</pubDate>

	<generator>http://en.wordpress.com/tags/</generator>
	<language>en</language>

<item>
<title><![CDATA[O COLCHÃO DENTRO DO TOUCADO]]></title>
<link>http://farolante.wordpress.com/2009/11/17/o-colchao-dentro-do-toucado/</link>
<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 22:32:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>farolante</dc:creator>
<guid>http://farolante.wordpress.com/2009/11/17/o-colchao-dentro-do-toucado/</guid>
<description><![CDATA[Chaves na mão, melena desgrenhada, Batendo o pé na casa, a mãe ordena Que o furtado colchão, fofo, e]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Chaves na mão, melena desgrenhada,<br />
Batendo o pé na casa, a mãe ordena<br />
Que o furtado colchão, fofo, e de pena,<br />
A filha o ponha ali, ou a criada.</p>
<p>A filha, moça esbelta e aparatada,<br />
Lhe diz co’a doce voz, que o ar serena:<br />
“Sumiu-se-lhe um colchão, é forte pena;<br />
Olhe não fique a casa arruinada”. </p>
<p>“Tu respondes assim? Tu zombas disto?<br />
Tu cuidas que por ter pai embarcado<br />
Já a mãe não tem mãos?” E dizendo isto,</p>
<p>Arremete-lhe à cara e ao penteado;<br />
Eis senão quando (caso nunca visto!)<br />
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado.</p>
<p>Nicolau Tolentino (1740-1811)<br />
Nasceu em Lisboa, Portugal. Em Outubro de 1760 ingressou na Faculdade de Direito, de onde saiu talvez devido à morte da mãe, que lhe trouxe pesados encargos domésticos. Em 1765 foi despachado para Évora como mestre substituto, e logo depois, por influência de amigos, transferiu-se para Lisboa. Em 1769, completa o curso de Direito em Coimbra e é nomeado oficial ordinário da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino. Aos sessenta e seis anos, por ocasião da invasão francesa, assiste desolado à partida da Corte e dos amigos para o Brasil. A primeira edição de suas obras, em dois tomos, saiu em 1801, com o título: Obras poéticas de Nicolau Tolentino de Almeida.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Casamento, poema infantil de Luísa Ducla Soares]]></title>
<link>http://peregrinacultural.wordpress.com/2009/09/27/casamento-poema-infantil-de-luisa-ducla-soares/</link>
<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 01:56:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>peregrinacultural</dc:creator>
<guid>http://peregrinacultural.wordpress.com/2009/09/27/casamento-poema-infantil-de-luisa-ducla-soares/</guid>
<description><![CDATA[    CASAMENTO                                               Luísa Ducla Soares   Casei um cigarro co]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/09/cigarras.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5738" title="cigarras" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/09/cigarras.jpg" alt="cigarras" width="510" height="415" /></a></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>CASAMENTO</em></strong></p>
<p>                                              Luísa Ducla Soares</p>
<p> </p>
<p>Casei um cigarro<br />
com uma cigarra,<br />
fizeram os dois<br />
tremenda algazarra<br />
porque o cigarro<br />
não sabe cantar<br />
e a cigarra<br />
detesta fumar.</p>
<p>Não digam que errei<br />
(mania antipática!)<br />
só cumpri a lei<br />
que manda a gramática.</p>
<p> </p>
<p>Em: <strong><em>Poemas da Mentira e da Verdade,</em></strong> Livros Horizonte, 1999.</p>
<p><em>&#8212;</em></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/09/luisa_ducla_soares.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-5740" title="luisa_ducla_soares" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/09/luisa_ducla_soares.gif" alt="luisa_ducla_soares" width="192" height="237" /></a></p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p>Luísa Ducla Soares (Lisboa, 1939) escritora, tradutora, consultora literária e jornalista.  Mais recentemente sua produção  é dedicada ao público infanto-juvenil.  Formada em Filologia Germânica.</p>
<p> </p>
<p>Obras:</p>
<p> </p>
<p><em>Contrato</em> (Poesia), 1970</p>
<p><em>A História da Papoila</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1972 ; 1977</p>
<p><em>Maria Papoila,</em> prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1977</p>
<p><em>O Dr. Lauro e o Dinossauro</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1988</p>
<p><em>Urso e a Formiga</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 2002</p>
<p><em>O Soldado João</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 2002</p>
<p><em>O Ratinho Marinheiro</em> (Poesia para a infância), 1973 ; 2001</p>
<p><em>O Gato e o Rato</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1977</p>
<p><em>Oito Histórias Infantis</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1975</p>
<p><em>O Meio Galo e Outras Histórias</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1976 ; 2001</p>
<p><em>AEIOU, História das Cinco Vogais</em>, (prosa) (Infanto-juvenil), 1980 ; 1999</p>
<p><em>O Rapaz Magro, a Rapariga Gorda</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1980 ; 1984</p>
<p><em>Histórias de Bichos</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1981</p>
<p><em>O Menino e a Nuvem</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1981</p>
<p><em>Três Histórias do Futuro</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1982</p>
<p><em>O Dragão</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1982 ; 2002</p>
<p><em>O Rapaz do Nariz Comprido</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1982 ; 1984</p>
<p><em>O Sultão Solimão e o Criado Maldonado</em> (Poesia para a infância), 1982</p>
<p><em>Poemas da Mentira&#8230; e da Verdade </em>(Poesia para a infância), 1983 ; 1999</p>
<p><em>O Homem das Barbas</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1984</p>
<p><em>O Senhor Forte</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1984</p>
<p><em>A Princesa da Chuva</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1984</p>
<p><em>O Homem alto, a Mulher baixinha</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1984</p>
<p><em>De Que São Feitos os Sonhos: A Antologia Diferente</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1985 ; 1994</p>
<p><em>O Senhor Pouca Sorte</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1985</p>
<p><em>A Menina Boa</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1985</p>
<p><em>A Menina Branca, o Rapaz Preto</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1985</p>
<p><em>6 Histórias de Encantar</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1985 ; 2003</p>
<p><em>A Vassoura Mágica</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1986 ; 2001</p>
<p><em>O Fantasma</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1987</p>
<p><em>A Menina Verde</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1987</p>
<p><em>Versos de Animais</em> (Antologia de Literatura Tradicional), 1988</p>
<p><em>Destrava Línguas</em> (Antologia de Literatura Tradicional), 1988 ; 1997</p>
<p><em>Crime no Expresso do Tempo,</em> prosa (Infanto-juvenil), 1988 ; 1999</p>
<p><em>Lenga-Lengas</em> (Antologia de Literatura Tradicional), 1988 ; 1997</p>
<p><em>O Disco Voador</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1989 ; 1990</p>
<p><em>Adivinha, Adivinha: 150 adivinhas populares</em> (Antologia de Literatura Tradicional), 1991 ; 2001</p>
<p><em>É Preciso Crescer</em>, ( infanto- juvenil (1992</p>
<p><em>A Nau Catrineta</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1992</p>
<p><em>À Roda dos Livros: Literatura Infantil e Juvenil</em> (Divulgação), 1993</p>
<p><em>Diário de Sofia &#38; Cia aos Quinze Anos</em>(Infanto-juvenil), 1994 ; 2001</p>
<p><em>Os Ovos Misteriosos</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1994 ; 2002</p>
<p><em>O Rapaz e o Robô</em>, prosa (Infanto-juvenil), 1995 ; 2002</p>
<p><em>S. O. S.: Animais em Perigo</em>!&#8230;, prosa (Infanto-juvenil), 1996</p>
<p><em>O Casamento da Gata</em>, poesia (Infanto-juvenil), 1997 ; 2001</p>
<p><em>Vamos descobrir as bibliotecas</em> (Divulgação), 1998</p>
<p><em>Vou Ali e Já Volto,</em> prosa (Infanto-juvenil), 1999</p>
<p><em>Arca de Noé</em>, poesia (Infanto-juvenil), 1999</p>
<p><em>A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca</em> (Poesia para a infância), 1999 ; 2000</p>
<p><em>ABC,</em> poesia (Infanto-juvenil), 1999 ; 2001</p>
<p><em>25 </em>(Poesia para a infância), 1999</p>
<p><em>Seis Contos de Eça de Queirós </em>(Contos), 2000 ; 2002</p>
<p><em>Com Eça de Queirós nos Olivais no ano 2000</em> (Divulgação), 2000</p>
<p><em>Com Eça de Queirós à roda do Chiado</em> (Divulgação), 2000</p>
<p><em>Mãe, Querida Mãe! Como é a Tua?,</em> prosa (Infanto-juvenil), 2000 ; 2003</p>
<p><em>Lisboa de José Rodrigues Miguéis</em> (Divulgação), 2001</p>
<p><em>Roteiro de José Rodrigues Miguéis: do Castelo ao Camões</em> (Divulgação), 2001</p>
<p><em>A flauta</em>, prosa (Infanto-juvenil), 2001</p>
<p><em>Uns óculos para a Rita</em>, prosa (Infanto-juvenil), 2001</p>
<p><em>Todos no Sofá</em>, poesia (Infanto-juvenil), 2001</p>
<p><em>1, 2, 3,</em> poesia (Infanto-juvenil), 2001 ; 2003</p>
<p><em>Alhos e Bugalhos</em> (Divulgação), 2001</p>
<p><em>Meu bichinho, meu amor,</em> prosa (Infanto-juvenil), 2002</p>
<p><em>Cores</em>, prosa (Infanto-juvenil), 2002</p>
<p><em>Gente Gira</em>, prosa (Infanto-juvenil), 2002</p>
<p><em>Tudo ao Contrário</em>!, prosa (Infanto-juvenil), 2002</p>
<p><em>Viagens de Gulliver</em>, adaptação livre (Teatro para a infância), 2002</p>
<p><em>O Rapaz que vivia na Televisão</em>, prosa (Infanto-juvenil), 2002</p>
<p><em>Contrários,</em> poesia (Infanto-juvenil), 2003</p>
<p><em>Quem está aí?,</em> prosa (Infanto-juvenil), 2003</p>
<p><em>A Cavalo no Tempo</em>, poesia (Infanto-juvenil), 2003</p>
<p><em>Pai, Querido Pai! Como é o Teu?</em>, prosa (Infanto-juvenil), 2003</p>
<p><em>A Carochinha e o João Ratão</em>, poesia (Infanto-juvenil), 2003</p>
<p><em>Se os Bichos se vestissem como Gente</em>, prosa (Infanto-juvenil), 2004</p>
<p><em>A festa de anos</em>, prosa (Infanto-juvenil), 2004</p>
<p><em>Contos para rir</em>, prosa (Infanto-juvenil), 2004</p>
<p><em>Abecedário maluco</em>, poesia (Infanto-juvenil), 2004</p>
<p><em>Histórias de dedos</em>, prosa (Infanto-juvenil), 2005</p>
<p><em>A Cidade dos Cães e outras histórias</em>, prosa ( Infanto- juvenil ), 2005</p>
<p><em>Há sempre uma estrela no Natal</em>, contos ( Infanto-juvenil ) Civilização,2006</p>
<p><em>Doutor Lauro e o dinossauro</em>, prosa (Infanto-Juvenil), 2.ª ed, Livros Horizonte, 2007</p>
<p><em>Mais lengalengas</em> (recolhas ),Livros Horizonte,2007</p>
<p><em>Desejos de Natal</em> (Infanto-juvenil ), Civilização,2007</p>
<p><em>A fada palavrinha e o gigante das bibliotecas</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Chove!]]></title>
<link>http://olharesacidentais.wordpress.com/2009/09/27/chove/</link>
<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 21:09:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>eugeniosousa</dc:creator>
<guid>http://olharesacidentais.wordpress.com/2009/09/27/chove/</guid>
<description><![CDATA[Chove&#8230; Mas isso que importa!, se estou aqui abrigado nesta porta a ouvir a chuva que cai do cé]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span id="ctl00_ContentPlaceHolder1_DetailsPoema">Chove&#8230;</p>
<p>Mas isso que importa!,<br />
se estou aqui abrigado nesta porta<br />
a ouvir a chuva que cai do céu<br />
uma melodia de silêncio<br />
que ninguém mais ouve<br />
senão eu?</p>
<p>Chove&#8230;</p>
<p>Mas é do destino<br />
de quem ama<br />
ouvir um violino<br />
até na lama. </span></p>
<p> </p>
<p>José Gomes Ferreira</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[........]]></title>
<link>http://olharesacidentais.wordpress.com/2009/09/27/78/</link>
<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 14:53:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>eugeniosousa</dc:creator>
<guid>http://olharesacidentais.wordpress.com/2009/09/27/78/</guid>
<description><![CDATA[Procura a maravilha. Onde um beijo sabe a barcos e bruma. No brilho redondo e jovem dos joelhos. Na ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span id="ctl00_ContentPlaceHolder1_DetailsPoema">Procura a maravilha.</p>
<p>Onde um beijo sabe<br />
a barcos e bruma.</p>
<p>No brilho redondo<br />
e jovem dos joelhos.</p>
<p>Na noite inclinada<br />
de melancolia.</p>
<p>Procura.</p>
<p>Procura a maravilha.</span></p>
<p> </p>
<p>Eugénio de Andrade</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[.........]]></title>
<link>http://olharesacidentais.wordpress.com/2009/09/20/44/</link>
<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 22:49:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>eugeniosousa</dc:creator>
<guid>http://olharesacidentais.wordpress.com/2009/09/20/44/</guid>
<description><![CDATA[Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, Espécie de acessório ou sobresselente próprio, Arr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,<br />
Espécie de acessório ou sobresselente próprio,<br />
Arredores irregulares da minha emoção sincera,<br />
Sou eu aqui em mim, sou eu. </p>
<p>Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.<br />
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.<br />
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim. </p>
<p>E ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconsequente,<br />
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,<br />
De me ter deixado, a mim, num banco de carro eléctrico,<br />
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima. </p>
<p>E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,<br />
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,<br />
De haver melhor em mim do que eu. </p>
<p>Sim, ao mesmo tempo, o impressão, um pouco dolorosa,<br />
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,<br />
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,<br />
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,<br />
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida. </p>
<p>Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,<br />
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,<br />
E que mais vale ser criança que querer compreender o mundo –<br />
A impressão de pão com manteiga e brinquedos,<br />
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,<br />
De uma boa vontade para com a vida encostada de testa à janela,<br />
Num ver chover com som lá fora<br />
E não as lágrimas mortas de custar a engolir. </p>
<p>Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,<br />
O emissário sem carta nem credenciais,<br />
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,<br />
A quem tinem as campainhas da cabeça<br />
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima. </p>
<p>Sou eu mesmo, a charada sincopada<br />
Que ninguém da roda decifra nos serões de província. </p>
<p>Sou eu mesmo, que remédio!&#8230; </p>
<p>Fernando Pessoa</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ODE ANACREÔNTICA]]></title>
<link>http://farolante.wordpress.com/2009/09/19/ode-anacreontica/</link>
<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 00:52:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>farolante</dc:creator>
<guid>http://farolante.wordpress.com/2009/09/19/ode-anacreontica/</guid>
<description><![CDATA[A Ulina Vou contar-te, bela Ulina, Minha sonhada ventura, Que não bastou ser sonhada, Também foi de ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>       A Ulina</p>
<p>Vou contar-te, bela Ulina,<br />
Minha sonhada ventura,<br />
Que não bastou ser sonhada,<br />
Também foi de pouca dura.</p>
<p>Sonhei que Amor te ferira<br />
Com seu dourado farpão;<br />
E te guiara a meus braços,<br />
Pela sua própria mão.</p>
<p>Que, os lindos olhos erguendo,<br />
Em mim maviosa os fitavas;<br />
E que apertando-me ao peito<br />
De ternura suspiravas.</p>
<p>Então cuidei ver a terra<br />
Toda vestir-se de flores,<br />
E minha glória aplaudirem<br />
Os alígeros cantores.</p>
<p>Cuidei que nuvem de aromas<br />
Em torno a nós se espessava,<br />
Como a que Jove, no Ida,<br />
De Juno em braços, fechava.</p>
<p>Mas quando em teus róseos lábios<br />
Faminto beijo imprimia,<br />
Forte argolada na porta,<br />
O sono me interrompia.</p>
<p>Antes do que esse importuno,<br />
A morte houvera de ser,<br />
Fora feliz pois morrera<br />
Nos êxtases do prazer.</p>
<p>Costa e Silva, de nome completo José Maria da Costa e Silva (1788-1854)<br />
Nasceu em Lisboa, Portugal. Poeta, crítico, dramaturgo, tradutor. Depois de estudos clássicos, que levou muito a sério, e que posteriormente prosseguiu com entusiasmo, entrou para o funcionalismo público, chegando a ser diretor de secretaria e escrivão da Câmara Municipal de Lisboa. Grande estudioso da literatura antiga e moderna, teve o mérito de, em Portugal, ser um dos primeiros que chamaram a atenção para os poetas ingleses e alemães, numa época em que só eram considerados modelos os autores da antigüidade. Escreveu, entre outras, as seguintes obras: O passeio, poema descritivo; Poesias, em três volumes; D. Sebastião; D. João de Castro, peças teatrais.   </p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sebastião da Gama - Novíssima II]]></title>
<link>http://dignosocios.wordpress.com/2009/08/27/sebastiao-da-gama-novissima-ii/</link>
<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 19:48:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>dignosocios</dc:creator>
<guid>http://dignosocios.wordpress.com/2009/08/27/sebastiao-da-gama-novissima-ii/</guid>
<description><![CDATA[Natural de Vila Nogueira de Azeitão, nascido em 1924, Sebastião Artur Cardoso da Gama foi uma das fi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignleft" title="Sebastião da Gama" src="http://www.azeitao.net/imagens/sebastiaodagama/fotosebastiao.jpg" alt="" width="291" height="480" /></p>
<p>Natural de Vila Nogueira de Azeitão, nascido em 1924, <strong>Sebastião Artur Cardoso da Gama</strong> foi uma das figuras poéticas do início da segunda metade do século XX.<br />
Auto-intitulado &#8220;o cantor da Arrábida&#8221;, de uma devoção a Jesus Cristo e ao Catolicismo que acompanha a sua poesia &#8211; mesmo quando não está visivelmente presente &#8211; e de quem <strong>Hernani Cidade</strong> disse fazer &#8220;da vida um permanente anseio de comunicação simpática, de alegre dádiva&#8221;, <strong>Sebastião da Gama</strong> possui um lirismo que <strong>David Mourão-Ferreira</strong> chega a apelidar de &#8220;épica&#8221; (vd. <em>Vinte Poetas Contemporâneos</em>, Ática, 1960, pp. 159-170). Faleceu permaturamente em 1952.</p>
<p>Publicaram-se os seguintes títulos:</p>
<p><em></p>
<ul>
<li><span style="font-style:normal;"><em>Serra-Mãe</em>, Lisboa, Edições Ática, 1945</span></li>
<li><span style="font-style:normal;"><em>Cabo da Boa Esperança</em>, Lisboa, Edições Ática, 1947</span></li>
<li><span style="font-style:normal;"><em>Campo Aberto</em>, Lisboa, Edições Ática, 1951</span></li>
<li><span style="font-style:normal;"><em>Pelo Sonho é que vamos</em>, Lisboa, Portugália Editora, 1953</span></li>
<li><span style="font-style:normal;"><em>Diário</em>, Lisboa, Edições Ática, 1958</span></li>
<li><span style="font-style:normal;"><em>Itinerário Paralelo</em>, Lisboa, Edições Ática, 1967</span></li>
<li><span style="font-style:normal;"><em>O Segredo é Amar</em>, Lisboa, Edições Ática, 1969</span></li>
</ul>
<p></em></p>
<p>Colaborou nas seguintes revistas literárias:</p>
<ul>
<li>Aqui e Além</li>
<li>Atlântico</li>
<li>Turismo</li>
<li>Mundo Literário</li>
<li>Árvore</li>
<li>Távola Redonda</li>
</ul>
<p>É o poeta que abre a Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa com os seguintes poemas:</p>
<ul>
<li>Oração de Todas as Horas, de <em>Serra Mãe</em>, 1945</li>
<li>Cristo, de <em>Cabo da Boa Esperança</em>, 1947</li>
<li>Elegia para uma Gaivota, de <em>Campo Aberto</em>, 1951</li>
<li>A Verdade era Bela, de <em>Campo Aberto</em>, 1951</li>
<li>Os Que Vinham da Dor, de <em>Campo Aberto</em>, 1951</li>
<li>Somos de Barro, de <em>Pelo Sonho é que Vamos</em>, 1953</li>
</ul>
<p>E é o último poema que aqui deixamos:</p>
<p style="padding-left:90px;">Somos de barro. Iguais aos mais.<br />
Ó alegria de sabê-lo!<br />
(Correi, felizes lágrimas,<br />
por sobre o seu cabelo!)</p>
<p style="padding-left:90px;">Depois de mais aquela confissão,<br />
impuros nos achámos;<br />
nos descobrimos<br />
frutos do mesmo chão.</p>
<p style="padding-left:90px;">Pecado, Amor? Pecado fora apenas<br />
não fazer do pecado<br />
a força que nos ligue e nos obrigue<br />
a lutar lado a lado.</p>
<p style="padding-left:90px;">O meu orgulho assim é que nos quer.<br />
Há-de ser nosso o pão, ser nossa a água.<br />
Mas vencidas os ganhem, vencedoras,<br />
nossa vergonha e nossa mágoa.</p>
<p style="padding-left:90px;">O nosso Amor, que história sem beleza,<br />
se não fora ascenção e queda e teimosia,<br />
conquista&#8230; (E novamente queda e novamente<br />
luta, ascenção&#8230;) Ó meu Amor, tão fria,</p>
<p style="padding-left:90px;">se nascêramos puros, nossa história!</p>
<p style="padding-left:90px;">Chora sobre o meu ombro. Confessámos.<br />
E mais certos de nós, mais um do outro.<br />
Mais impuros, mais puros, nós ficámos.</p>
<p>Quase todas as obras são hoje já raras, principalmente em brochura e em bom estado de conservação, com especial relevo para as publicadas em vida (Serra Mãe, Cabo da Boa Esperança e Campo Aberto) e o popular Diário.</p>
<p>Alguns exemplares em: Artes e Letras, Avelar Machado.</p>
<p>Lugares: <a href="http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Português/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=7340">DGLP</a>; <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sebastião_da_Gama">Wikipedia</a>; <a href="http://www.astormentas.com/din/biografia.asp?autor=Sebasti%E3o+da+Gama">As Tormentas</a>; <a href="http://www.azeitao.net/Sebastiao/museu.htm">Museu Sebastião da Gama</a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Novíssima Poesia I]]></title>
<link>http://dignosocios.wordpress.com/2009/08/27/novissima-poesia-i/</link>
<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 09:47:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>dignosocios</dc:creator>
<guid>http://dignosocios.wordpress.com/2009/08/27/novissima-poesia-i/</guid>
<description><![CDATA[Abrem-se as hostilidades&#8230; A Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, de autoria de E. M. de M]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">Abrem-se as hostilidades&#8230;</p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;"><img class="alignleft" style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="ANTOLOGIA-DA-NOVISSIMA-POES" src="http://dignosocios.wordpress.com/files/2009/08/antologia-da-novissima-poes.png?w=185" alt="ANTOLOGIA-DA-NOVISSIMA-POES" width="185" height="300" /></p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">A Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, de autoria de E. M. de Melo e Castro e Maria Alberta Menéres é um dos marcos na fixação de nomes importantes da poesia portuguesa da segunda metade do século XX. Num exercício de crítica literária até aí praticamente desconhecido, pretendeu dar &#8220;uma visão panorâmica e viva da poesia revelada do após-guerra até à actualidade, em todas as suas tendências e aspectos, com os seus esboços de caminhos, com os seus caminhos e os seus projectos para o futuro&#8221; (pp. XXIX e XXX &#8211; todas as referências à Antologia dizem respeito à 3.ª ed.).</p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">Esta &#8220;visão panorâmica&#8221; obrigou a um critério de inclusão mais amplo que uma visão temática, pois a simples existência de uma obra força a sua possível inclusão. Não deixando de ser uma Antologia, portanto uma selecção da totalidade existente de autores ou obra de autor, este critério abriu as portas à inclusão de alguns autores que, provavelmente, seriam hoje inteiramente desconhecidos.</p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">Por outro lado, é possível, aos olhos da crítica actual, estudar quais dos autores antologiados ficaram, criaram, ganharam fulgor e maior originalidade ou, ao contrário, quais os que, por razões várias, permaneceram imóveis no caminho da criação ou deixaram simplesmente de criar. Os próprios organizadores foram forçados a esse exercício crítico de edição para edição. Assim, a primeira continha 55 poetas, 285 poemas de 90 livros; a segunda 77 poetas, 347 poemas de 150 livros; por fim a terceira com 63 poetas, 467 poemas de 216 livros. (Ficará para breve um próximo texto a lista dos autores que deixaram de constar). As razões de exclusão de autores explicam-nas os organizadores da seguinte forma:</p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">&#8220;a) necessidade de incluir novos nomes aparecidos depois de 1961.</p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">b) necessidade de alargar as representações de Poetas significativos e prolíferos. Notar-se-à que nos últimos dez anos a edição de livros de Poesia foi muito incrementada.</p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">c) necessidade de perspectivar o critério selectivo de um ponto de vista de 1971 [...], o que resultou em detrimento de obras publicadas há mais tempo, ou supressão de obras cuja influência cultura activa se apresente diminuida perante uma perspectiva panorâmica.</p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">d) necessidade de fazer uma Antologia apenas num volume para melhor manuseamento.(p. XXXVIII)&#8221;.</p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">Além do valor que qualquer Antologia possui &#8211; por ser uma crítica, portanto espelho de uma reflexão sobre o objecto estudo &#8211; está antecedida por um valioso ensaio sobre os caminhos da Novíssima Poesia Portuguesa.</p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">Fica também a lista dos autores que constam da 3.ª edição:</p>
<ul>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Alegre, Manuel</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Alexandre, António Franco</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Almeida, Leonor de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Amaro, Luís</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Amorim, Jorge de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Andrade, Eugénio de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Andresen, Sophia de Mello Breyner</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Aragão, António</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Baptista, José Agostinho</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Belo, Ruy</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Botelho, Fernanda</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Brandão, Fiama Hasse Pais</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Brito, Casimiro de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Carneiro, Eduardo Guerra</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Carvalho, Armando Silva</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Carvalho, Mendes de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Carvalho, Raul de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Castro, E.M. de Melo e</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Castro, Manuel de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Cinatti, Rui</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Correia, Natália</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Costa, Carlos Eurico da</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Cruz, Gastão</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Cruz, Liberto</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Ferreira, David Mourão</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Ferreira, José Gomes</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Filipe, Daniel</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Fonseca, António Barahona da</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Fonseca, Manuel da</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Forte, António José</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Gama, Sebastião da</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Gedeão, António</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Gonçalves, Égito</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Gonçalves, Olga</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Gonzalez, José Carlos</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Grade, Fernando</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Guedes, Fernando</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Guimarães, Dórdio</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Guimarães, Fernando</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Guimarães, Nuno</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Haterly, Ana</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Helder, Herberto</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Horta, Maria Tereza</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Jorge, Luiza Neto</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Júdice, Nuno</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Leitão, Luís Veiga</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Lemos, Fernando</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Lisboa, António Maria</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Lourenço, M.S.</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Macedo, Helder</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Marques, F.</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Marques, José Alberto</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Marques, Vasco Costa</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Martinho, F.J.B.</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Menéres, Maria Alberta</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Miranda, Vasco</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Moita, António Luís</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Moura, Vasco Graça</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Muralha, Sidónio</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Neto, Maria Amélia</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">O&#8217;Neill, Alexandre</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Oliveira, Carlos de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Pacheco, Fernando Assis</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Pavia, Cristóvam</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Pignatelli, Luís</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Pimenta, Alberto</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Pina, Manuel António</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Portugal, José Blanc de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Ramos, Wanda</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Reis, António</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Rodrigues, Armindo</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Sá, Victor Matos e</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Sampaio, Jaime Salazar</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Santos, José Carlos Ary dos</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Saraiva, Arnaldo</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Saramago, José</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Seabra, José Augusto</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Sena, Jorge de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Sousa, João Rui de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Tamen, Pedro</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Tavares, Salette</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Terra, José</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Torrado, António</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Torres, Alexandre Pinheiro</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Vargas, Alexandre</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Vasconcelos, Mário Cesariny de</li>
<li style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';margin:0;">Viana, António Manuel Couto</li>
</ul>
<p style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';min-height:13px;margin:0;">
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">Ao longo do tempo, tentaremos dar notícia das bibliografias (o mais completas possível) de cada autor, assim como resultados em Leilões ou de vendas em catálogos.</p>
<p style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';min-height:13px;margin:0;">
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">Da Antologia ficam dois registos em venda por Alfarrabistas Portugueses:</p>
<p style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';min-height:13px;margin:0;">
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;color:#461b8b;margin:0;">In-Libris - <a href="http://www.in-libris.pt/os-nossos-livros-2/os-livros-antigos-julho%201/index.html">http://www.in-libris.pt/os-nossos-livros-2/os-livros-antigos-julho%201/index.html</a></p>
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;color:#461b8b;margin:0;">Homem dos Livros - <a href="http://homemdoslivros.blogspot.com/">http://homemdoslivros.blogspot.com/</a></p>
<p style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';min-height:13px;margin:0;">
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">No primeiro caso por 120 €, no segundo por 130 €.</p>
<p style="font:normal normal normal 11px/normal 'Lucida Grande';min-height:13px;margin:0;">
<p style="font:normal normal normal 16px/normal Times;min-height:19px;margin:0;">É, indiscutivelmente, uma obra importantíssima na nossa história literária.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Arte Poética]]></title>
<link>http://bibliotecavilacova.wordpress.com/2009/08/07/arte-poetica/</link>
<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 02:00:07 +0000</pubDate>
<dc:creator>A.B.</dc:creator>
<guid>http://bibliotecavilacova.wordpress.com/2009/08/07/arte-poetica/</guid>
<description><![CDATA[Foto: Marta Grzesiak o poema não tem mais que o som do seu sentido, a letra p não é a primeira letra]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_BXofBlSBlRU/ShiMikctVRI/AAAAAAAABNA/I87SetEHbig/s1600-h/21219-fullsize-Marta+Grzesiak.jpg"><img style="width:400px;height:300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_BXofBlSBlRU/ShiMikctVRI/AAAAAAAABNA/I87SetEHbig/s400/21219-fullsize-Marta+Grzesiak.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<div>Foto: <a href="http://1x.com/?action=profile&#38;u=8090&#38;show=1">Marta  Grzesiak</a></p>
<p><strong>o poema não tem mais que o som do seu sentido,<br />
a  letra p não é a primeira letra da palavra poema,<br />
o poema é esculpido de  sentidos e essa é a sua forma,<br />
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor,  lê-se erva<br />
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil<br />
árvores  ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura<br />
de cegos, lê-se mão de  criança ou tu, mãe, que dormes<br />
e me fizeste nascer de ti para ser palavras  que não<br />
se escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido e<br />
memória, lê-se  silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,<br />
lugar que não se diz e que  significa, silêncio do teu<br />
olhar de doce menina, silêncio ao domingo entre as  conversas,<br />
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida,  silêncio<br />
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse  poema<br />
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre,  em<br />
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.<br />
o poema não  é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,<br />
a letra p não é a primeira  letra da palavra poema,o poema<br />
é quando eu podia dormir até tarde nas  férias<br />
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu<br />
fui feliz e  onde eu morri tanto, o poema é quando eu não<br />
conhecia a palavra poema, quando  eu não conhecia a<br />
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha  do<br />
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel<br />
e deixo as  minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas<br />
e sem metáforas, que te amo, o  poema será quando as crianças<br />
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo  sempre e tudo.<br />
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se  chama<br />
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de<br />
si é  perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para<br />
abraçar o seu pai, é a  exaustão e a liberdade sentida, é tudo<br />
o que quero aprender se o que quero  aprender é tudo,<br />
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e  arrependimento,<br />
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso  são<br />
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a<br />
raiz  de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos<br />
conhecer o que  possuímos e não possuímos nada, não é um<br />
torrão de terra a cantar hinos e a  estender muralhas entre<br />
os versos e o mundo, o poema não é a palavra  poema<br />
porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a<br />
carne salgada por  dentro, é um olhar perdido na noite sobre<br />
os telhados na hora em que todos  dormem, é a última<br />
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia,  esperança.<br />
o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem  versos,<br />
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se<br />
com  grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e<br />
incertezas, a letra p  não é a primeira letra da palavra poema,<br />
a palavra poema existe para não ser  escrita como eu existo<br />
para não ser escrito, para não ser entendido, nem  sequer por<br />
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os  lugares<br />
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,<br />
o poema  é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me<br />
olhas, o poema é o teu  rosto, eu, eu não sei escrever a<br />
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu  sentido. </strong></p>
<p>[José Luís Peixoto], in “A Criança em Ruínas”</p></div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cedo ou tarde]]></title>
<link>http://aruasetima.wordpress.com/2009/07/31/cedo-ou-tarde/</link>
<pubDate>Fri, 31 Jul 2009 03:11:56 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
<guid>http://aruasetima.wordpress.com/2009/07/31/cedo-ou-tarde/</guid>
<description><![CDATA[Devias saber que é sempre tarde que se nasce, que é sempre cedo que se morre. E devias saber também ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Devias saber</p>
<p>que é sempre tarde</p>
<p>que se nasce, que é</p>
<p>sempre cedo</p>
<p>que se morre. E devias</p>
<p>saber também</p>
<p>que a nenhuma árvore</p>
<p>é lícito escolher</p>
<p>o ramo onde as aves</p>
<p>fazem ninho e as flores</p>
<p>procriam.</p>
<p>(Albano Martins, poeta português)</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[TRISTE REALIDADE]]></title>
<link>http://farolante.wordpress.com/2009/07/16/triste-realidade/</link>
<pubDate>Thu, 16 Jul 2009 21:30:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>farolante</dc:creator>
<guid>http://farolante.wordpress.com/2009/07/16/triste-realidade/</guid>
<description><![CDATA[Fome !&#8230; Suplício tão negro e triste De quem no mundo tem fome E que hoje mesmo ‘inda existe Ve]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Fome !&#8230;<br />
Suplício tão negro e triste<br />
De quem no mundo tem fome<br />
E que hoje mesmo ‘inda existe<br />
Vera imagem da miséria<br />
Angústia real e séria<br />
Que dentro bem fundo dói<br />
Mágoa que a alma consome<br />
E a vida aos poucos destrói &#8230;</p>
<p>Fome!&#8230;<br />
Flagelo dos nossos dias<br />
Pungente em fragilidade<br />
Pobre marginalizado<br />
Aquele que é nosso irmão<br />
Sofre de fome agonias<br />
Estende a mão à caridade<br />
Sem ter amor nem ter pão<br />
Recorre à mendicidade<br />
Sem justiça condenado<br />
A cumprir o triste fado<br />
Da vil discriminação !&#8230;.</p>
<p>Fome!&#8230;<br />
Verdade que causa dó<br />
De quem no seu peito sente<br />
A falta de humanidade<br />
Cuja mera culpa é só<br />
Não ter como a outra gente<br />
O direito à igualdade.<br />
Faminto e destroçado<br />
Às vezes parece um bicho<br />
Procurando a remexer<br />
Pelos caixotes do lixo<br />
Qualquer resto abandonado<br />
P’ra poder sobreviver !&#8230;</p>
<p>Fome!&#8230;<br />
Sina dum calado pranto<br />
Será que Deus se esqueceu?<br />
Ou não são eles seus filhos?<br />
Porque os faz sofrer tanto?<br />
Os sujeitou aos maus trilhos<br />
E esta desdita lhes deu?<br />
Porquê ? A Sociedade<br />
E aquele que poder tem<br />
Não ouve este meu recado?<br />
Abrindo o seu coração<br />
Mostrando fraternidade<br />
Com justiça e afeição&#8230;<br />
Pondo fim à atrocidade<br />
Desta injúria que é pecado<br />
E triste realidade !&#8230;. </p>
<p>Euclides Cavaco<br />
Nasceu em Seixo de Mira, distrito de Coimbra, Portugal. Realizou em Lisboa o curso geral dos liceus e frequentou posteriormente os estudos superiores. Em 1970, optou por se radicar no Canadá onde reside e, concluiu o curso em Gestão Administrativa. Desde a sua chegada ao Canadá participou em diversas associações comunitárias e organizou muitíssimos espectáculos. Fundou com um grupo de amigos o programa de televisão “Saudades de Portugal”, de cujo foi apresentador. Em 1976, devido ao seu envolvimento com a Sociedade Portuguesa, é nomeado Comissário pelo Governo do Ontário. Em 1980 liga-se à criação da Rádio Voz da Amizade, de que é diretor e locutor na qual se empenha fervorosamente à divulgação da Língua e cultura portuguesa há mais de 27 anos.</p>
<p>Visite o seu site:</p>
<p>www.euclidescavaco.com</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poesia Portuguesa (38) – Ana Luísa Amaral]]></title>
<link>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/07/13/poesia-portuguesa-38-%e2%80%93-ana-luisa-amaral/</link>
<pubDate>Mon, 13 Jul 2009 12:51:46 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuel margarido</dc:creator>
<guid>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/07/13/poesia-portuguesa-38-%e2%80%93-ana-luisa-amaral/</guid>
<description><![CDATA[METAMORFOSES Faça-se luz neste mundo profano que é o meu gabinete de trabalho: uma despensa. As outr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><strong>METAMORFOSES</strong></span></p>
<p><span style="color:#666699;">Faça-se luz</span></p>
<p><span style="color:#666699;">neste mundo profano</span></p>
<p><span style="color:#666699;">que é o meu gabinete</span></p>
<p><span style="color:#666699;">de trabalho:</span></p>
<p><span style="color:#666699;">uma despensa.<br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
As outras dividiam-se</span></p>
<p><span style="color:#666699;">por sótãos,</span></p>
<p><span style="color:#666699;">eu movo-me em despensa</span></p>
<p><span style="color:#666699;">com presunto e arroz,</span></p>
<p><span style="color:#666699;">livros e detergentes.</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
Que a luz penetre</span></p>
<p><span style="color:#666699;">no meu sótão</span></p>
<p><span style="color:#666699;">mental</span></p>
<p><span style="color:#666699;">do espaço curto<br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
E as folhas de papel</span></p>
<p><span style="color:#666699;">que embalo docemente</span></p>
<p><span style="color:#666699;">transformem o presunto</span></p>
<p><span style="color:#666699;">em carruagem!</span></p>
<p>AMARAL, Ana Luísa, <em>Minha Senhora de Quê</em>, Fora do Texto, Coimbra, 1990, reed. Lisboa, Quetzal, 1999</p>
<p>[<a href="http://poesiailimitada.blogspot.com/2006/01/ana-lusa-amaral.html" target="_blank">poema 'pilhado' no blogue Poesia &#38; Lda</a>., de João Luís Barreto Guimarães e Jorge Sousa Braga, com análise textual da autoria de Barreto Guimarães. Como aqui não é hábito 'pilhar', pede-se indulgência e agradece-se muito]</p>
<div id="attachment_2057" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><img class="size-full wp-image-2057" title="690930" src="http://asfolhasardem.wordpress.com/files/2009/07/690930.jpg" alt="@ Jaime Tiago, Olhares, Fotografia Online" width="510" height="382" /><p class="wp-caption-text">@ Jaime Tiago, Olhares, Fotografia Online</p></div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A cigarra e a formiga, em versos por Bocage]]></title>
<link>http://peregrinacultural.wordpress.com/2009/07/06/a-cigarra-e-a-formiga-em-versos-por-bocage/</link>
<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 18:09:21 +0000</pubDate>
<dc:creator>peregrinacultural</dc:creator>
<guid>http://peregrinacultural.wordpress.com/2009/07/06/a-cigarra-e-a-formiga-em-versos-por-bocage/</guid>
<description><![CDATA[  A cigarra e a formiga   Bocage   Tendo a cigarra em cantigas Folgado todo o Verão Achou-se em penú]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/07/a-cigarra-bate-a-porta-da-formiga-no-inverno.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4630" title="A Cigarra bate à porta da formiga, no inverno" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2009/07/a-cigarra-bate-a-porta-da-formiga-no-inverno.jpg" alt="A Cigarra bate à porta da formiga, no inverno" width="300" height="421" /></a></p>
<p> </p>
<p><strong><em>A cigarra e a formiga</em></strong></p>
<p> </p>
<p>Bocage</p>
<p> </p>
<p>Tendo a cigarra em cantigas</p>
<p>Folgado todo o Verão</p>
<p>Achou-se em penúria extrema</p>
<p>Na tormentosa estação.</p>
<p> </p>
<p>Não lhe restando migalha</p>
<p>Que trincasse, a tagarela</p>
<p>Foi valer-se da formiga,</p>
<p>Que morava perto dela.</p>
<p> </p>
<p>Rogou-lhe que lhe emprestasse,</p>
<p>Pois tinha riqueza e brilho,</p>
<p>Algum grão com que manter-se</p>
<p>Té voltar o aceso Estio.</p>
<p> </p>
<p>«Amiga, diz a cigarra,</p>
<p>Prometo, à fé d’animal,</p>
<p>Pagar-vos antes d’Agosto</p>
<p>Os juros e o principal.»</p>
<p> </p>
<p>A formiga nunca empresta,</p>
<p>Nunca dá, por isso junta.</p>
<p>«No Verão em que lidavas?»</p>
<p>À pedinte ela pergunta.</p>
<p> </p>
<p>Responde a outra: «Eu cantava</p>
<p>Noite e dia, a toda a hora.»</p>
<p>«Oh! bravo!», torna a formiga.</p>
<p>- Cantavas? Pois dança agora!»</p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:&#34;"> </span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:&#34;">&#8212;&#8212;&#8212;-</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:&#34;"> </span></p>
<p><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2008/11/bocage.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1813" title="bocage" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2008/11/bocage.jpg" alt="bocage" width="255" height="300" /></a></p>
<p>Bocage</p>
<p> </p>
<p>Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du <strong>Bocage </strong>(Setúbal, 15 de Setembro de 1765 — Lisboa, 21 de Dezembro de 1805), Poeta português, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano.  Árcade e pré-romântico, sonetista notável, um dos precursores da modernidade em seu país.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poesia Portuguesa (37) – Manuel Gusmão]]></title>
<link>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/06/26/poesia-portuguesa-37-%e2%80%93-manuel-gusmao/</link>
<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 21:22:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuel margarido</dc:creator>
<guid>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/06/26/poesia-portuguesa-37-%e2%80%93-manuel-gusmao/</guid>
<description><![CDATA[Uma pedra na infância Põe uma pedra uma pedra sobre a infância Para que de vez se cale essa respiraç]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style="color:#666699;"><strong>Uma pedra na infância</strong><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;">Põe uma pedra</span></p>
<p><span style="color:#666699;">uma pedra sobre a infância</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;">Para que de vez se cale essa respiração</span></p>
<p><span style="color:#666699;">contida suspensa no escuro</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;">Põe, digo-te, uma pedra de silêncio sobre</span></p>
<p><span style="color:#666699;">essa infância essa fala ininterrupta essa</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;">falagem que falha e promete e inventa</span></p>
<p><span style="color:#666699;">os sonhos e as promessas e o riso sem porquê</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;">Para que de vez se interrompa a esperança esse</span></p>
<p><span style="color:#666699;">mal que não desiste. Escreve, faz o que o ditado dita:</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;">Enterra no silêncio da pedra essa intolerável coisa</span></p>
<p><span style="color:#666699;">que é a infância, as vozes da noite no poço.</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;">Apaga a infância isso que falta sempre à chamada</span></p>
<p><span style="color:#666699;">e para sempre trocou já os desejos e os medos.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">GUSMÃO, Manuel, <em> </em></span><em>Migrações do Fogo</em><span style="color:#000000;"><em> </em>, Editorial Caminho, Lisboa, 2004.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#000000;"></p>
<div id="attachment_2028" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><a rel="attachment wp-att-2028" href="http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/06/26/poesia-portuguesa-37-%e2%80%93-manuel-gusmao/attachment/2052864/"><img class="size-full wp-image-2028" title="2052864" src="http://asfolhasardem.wordpress.com/files/2009/06/2052864.jpg" alt="© Daniela Rodrigues, Olhares, Fotografia Online" width="510" height="347" /></a><p class="wp-caption-text">© Daniela Rodrigues, Olhares, Fotografia Online</p></div>
<p></span>
</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#800080;">(clique para ampliar)</span><br />
</span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poesia Portuguesa (36) – Casimiro de Brito]]></title>
<link>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/06/23/poesia-portuguesa-36-%e2%80%93-casimiro-de-brito/</link>
<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 22:42:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuel margarido</dc:creator>
<guid>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/06/23/poesia-portuguesa-36-%e2%80%93-casimiro-de-brito/</guid>
<description><![CDATA[Poema escolhido no livro Opus Affettuoso seguido de Última Núpcia, de Casimiro de Brito, autor de va]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Poema escolhido no livro <em>Opus Affettuoso seguido de Última Núpcia</em>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Casimiro_de_Brito" target="_blank"><span style="color:#003366;"><strong>Casimiro de Brito</strong></span></a>, autor de vasta e variada obra, na belíssima edição da <span style="color:#333399;"><strong>Limiar</strong></span> (com direcção editorial de <strong><span style="color:#003366;">Egito Gonçalves</span></strong> e gráfica de <strong><span style="color:#003366;">Armando Alves</span></strong>). Poemas direitos ao amor erótico, ao canto do corpo, do outro. Do outro corpo. Poemas onde a distância se mede. E é o verdadeiro tema.</p>
<h6></h6>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#666699;">XXXVIII</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#666699;"><br />
</span>
</p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#666699;">A luz que me dás, esquiva e dura,</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#666699;">serve-me de abrigo onde desfeito</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#666699;">é já o meu cansaço. Halo escuro</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#666699;">a luz dói &#8211; perdição incerta</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#666699;">de um pobre e calcinado coração</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#666699;">que sabe de amor</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#666699;">o que batalhas são.</span></p>
<h6></h6>
<p><span style="color:#000000;">BRITO, Casimiro de, <em> </em></span><em>Opus Affettuoso seguido de Última Núpcia</em><span style="color:#000000;"><em> </em>, Colecção &#8220;Os Olhos da Memória&#8221;, n.º 75, 1.ª edição, Limiar, Porto, 1997.</span></p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_2020" class="wp-caption aligncenter" style="width: 352px"><a rel="attachment wp-att-2020" href="http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/06/23/poesia-portuguesa-36-%e2%80%93-casimiro-de-brito/debrito1/"><img class="size-medium wp-image-2020" title="debrito1" src="http://asfolhasardem.wordpress.com/files/2009/06/debrito1.jpg?w=300" alt="Casimiro de Brito" width="342" height="256" /></a><p class="wp-caption-text">Casimiro de Brito</p></div>
<p style="text-align:justify;">
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA["Voz que se cala", de Florbela Espanca]]></title>
<link>http://literaturaemcontagotas.wordpress.com/2009/06/22/voz-que-se-cala-de-florbela-espanca/</link>
<pubDate>Mon, 22 Jun 2009 21:10:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>Telma e Karina</dc:creator>
<guid>http://literaturaemcontagotas.wordpress.com/2009/06/22/voz-que-se-cala-de-florbela-espanca/</guid>
<description><![CDATA[Oferecemos aos leitores mais um poema da sensível e atormentada escritora portuguesa Florbela Espanc]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Oferecemos aos leitores mais um poema da sensível e atormentada escritora portuguesa Florbela Espanca.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Voz Que Se Cala<br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-1245" title="butter" src="http://literaturaemcontagotas.wordpress.com/files/2009/06/butter.jpg" alt="butter" width="300" height="200" /><br />
Amo as pedras, os astros e o luar<br />
Que beija as ervas do atalho escuro,<br />
Amo as águas de anil e o doce olhar<br />
Dos animais, divinamente puro.</strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong>Amo a hera que entende a voz do muro<br />
E dos sapos, o brando tilintar<br />
De cristais que se afagam devagar,<br />
E da minha charneca o rosto duro.</strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong>Amo todos os sonhos que se calam<br />
De corações que sentem e não falam,<br />
Tudo o que é Infinito e pequenino!</strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong>Asa que nos protege a todos nós!<br />
Soluço imenso, eterno, que é a voz<br />
Do nosso grande e mísero Destino!&#8230;</strong></p>
<p>Karina<strong><br />
</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poesia Portuguesa (35) – Carlos de Oliveira]]></title>
<link>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/06/05/poesia-portuguesa-35-%e2%80%93-carlos-de-oliveira/</link>
<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 12:24:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuel margarido</dc:creator>
<guid>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/06/05/poesia-portuguesa-35-%e2%80%93-carlos-de-oliveira/</guid>
<description><![CDATA[Carlos de Oliveira escritor e poeta &#8216;neo-realista&#8217;? Os rótulos, os rótulos. Também se po]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_de_Oliveira" target="_blank"><span style="color:#003366;"><strong>Carlos de Oliveira</strong></span></a> escritor e poeta &#8216;neo-realista&#8217;? Os rótulos, os rótulos. Também se pode afirmar que os dentes não são matéria erótica. Também é uma questão de rótulos!</p>
<h6><span style="color:#666699;"><br />
</span></h6>
<p><span style="color:#666699;"><strong>Dentes</strong></p>
<p><span style="color:#666699;">Os dentes, porque são dentes,</span></span></p>
<p><span style="color:#666699;">iniciais. Na espuma,</span></p>
<p><span style="color:#666699;">porque não são saliva</span></p>
<p><span style="color:#666699;">estas ondas</span></p>
<p><span style="color:#666699;">pouco mordentes; este</span></p>
<p><span style="color:#666699;">sal que sobe quase</span></p>
<p><span style="color:#666699;">doce; donde?<br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
Numa espécie</span></p>
<p><span style="color:#666699;">de fogo: amor é fogo</span></p>
<p><span style="color:#666699;">que arde sem se ver;</span></p>
<p><span style="color:#666699;">porque não é</span></p>
<p><span style="color:#666699;">de facto fogo este frio aceso;</span></p>
<p><span style="color:#666699;">da saliva à lava</span></p>
<p><span style="color:#666699;">passa pela espuma.</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
Só os dentes.</span></p>
<p><span style="color:#666699;">Duros, ácidos, concentram-se</span></p>
<p><span style="color:#666699;">tacteando a pele,</span></p>
<p><span style="color:#666699;">tatuando signos sempre</span></p>
<p><span style="color:#666699;">moventes</span></p>
<p><span style="color:#666699;">de fúria. Mordida</span></p>
<p><span style="color:#666699;">a pele cintila; espelho</span></p>
<p><span style="color:#666699;">dos dentes, do seu esmalte voraz;</span></p>
<p><span style="color:#666699;">suavemente.</span></p>
<p><span style="color:#666699;"> </span><span style="color:#000000;">OLIVEIRA, Carlos de, <em>Trabalho Poético</em>, 1.ª edição, Assírio &#38; Alvim, 2003 (Obra reunida, o poema foi publicado originalmente em <em>Pastoral</em>, 1977)</span></p>
<div id="attachment_1934" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><img class="size-full wp-image-1934" title="1793107" src="http://asfolhasardem.wordpress.com/files/2009/06/1793107.jpg" alt="'Boca de canela na boca.' © Isabela Daguer, Olhares, Fotografia Online" width="510" height="339" /><p class="wp-caption-text">&#39;Boca de canela na boca.&#39; © Isabela Daguer, Olhares, Fotografia Online</p></div>
<p><span style="color:#000000;"><br />
</span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poesia Portuguesa (34) – Natália Correia]]></title>
<link>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/05/26/poesia-portuguesa-34-%e2%80%93-natalia-correia/</link>
<pubDate>Tue, 26 May 2009 22:05:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuel margarido</dc:creator>
<guid>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/05/26/poesia-portuguesa-34-%e2%80%93-natalia-correia/</guid>
<description><![CDATA[Em 1975 Natália Correia fazia da sua arte poética arma de combate, objecto de arremesso. Nunca deixa]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Em 1975 <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nat%C3%A1lia_Correia" target="_blank"><span style="color:#003366;"><strong>Natália Correia</strong></span></a> fazia da sua arte poética arma de combate, objecto de arremesso. Nunca deixara de o ter feito; nunca deixaria de o fazer, de resto. Mas a sua inclinação para o jocoso, o paródico, fundada na tradição setecentista (que ela tanto amava) ganha, em alguma da sua poesia &#8216;cuspida&#8217;, um território indisputado. Como tudo parecia tão miseravelmente sério quando a <strong>Natália</strong> escrevia assim; como tudo permanece tão actual neste poema, no início de um ciclo eleitoral, mais de três décadas depois.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>[Nota: o poema que aqui se publica, é antecedido por um excerto de um texto incluído no mesmo livro, que ajudará a contextualizar melhor a reflexão da autora sobre esta poesia aparentemente 'fácil'. Haverá possivelmente uma gralha de pontuação entre as palavras 'crocodilo' e 'chega', mas transcreve-se como está impresso.]</em></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><em>«Se por vezes a minha poesia retrocede para cuspir algumas pérolas na face dos tiranos não é que me comovam os ademanes de chuva dos oprimidos. As minhas causas são humanas, tão humanas quanto a recordação do homem não ser uma pausa de sangue na noite escamosa de um crocodilo chega até onde a palavra liberdade o estende num tempo sem medida.»</em></span></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">A POLÍTICA DO DIA</span></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Hoje a vida tem o sorriso</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">dentífrico dos candidatos</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">e pelas ruas nos aponta</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">o céu, em múltiplos retratos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><br />
</span>
</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">céu não póstumo ou merecido</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">em cruel sala de espera</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">mas entre parêntesis de fogo</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">festiva véspera de guerra</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><br />
</span>
</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Teor de montras a vida</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">com democrático humor</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">a todos deixa viver</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">a sua dose de flor</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><br />
</span>
</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Publicitária a vida faz</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">sua campanha eleitoral</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">prato de vida apetitosa</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">temperada com humano sal</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><br />
</span>
</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Televisor férias de verão</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">tira a vida do seu discurso</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">e um amor provençal</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">que nos domestica o urso</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><br />
</span>
</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Popular a vida é toda</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">pétalas de apertos de mão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Que meus versos me vinguem</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">de cair nesse alçapão!</span></p>
<p><span style="color:#000000;">CORREIA, Natália, <em>Poemas a Rebate &#8211; colecção poesia século XX</em>, 1.ª edição, Edições Dom Quixote, 1975.</span></p>
<div id="attachment_1889" class="wp-caption aligncenter" style="width: 235px"><a href="http://asfolhasardem.wordpress.com/files/2009/05/natalia-correia-por-bual.jpg"><img class="size-medium wp-image-1889" title="natalia-correia-por-bual" src="http://asfolhasardem.wordpress.com/files/2009/05/natalia-correia-por-bual.jpg?w=225" alt="Artur Bual - 'Natália Correia', óleo sobre tela" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Artur Bual - &#39;Natália Correia&#39;, óleo sobre tela</p></div>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#800080;">(clique para ampliar)</span></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><em><br />
</em></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poesia Portuguesa (33) – Gil Nozes de Carvalho]]></title>
<link>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/05/22/poesia-portuguesa-33-%e2%80%93-gil-nozes-de-carvalho/</link>
<pubDate>Fri, 22 May 2009 11:19:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuel margarido</dc:creator>
<guid>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/05/22/poesia-portuguesa-33-%e2%80%93-gil-nozes-de-carvalho/</guid>
<description><![CDATA[Em 1985 a saudosa Na Regra do Jogo publicava, na sua colecção inverso (na qual não haveria um único ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Em 1985 a saudosa <span style="color:#000000;"><em><strong>Na Regra do Jogo</strong></em></span> publicava, na sua colecção<em> <strong>in</strong></em><strong>verso</strong> (na qual não haveria um único título que não fosse excelente), <span style="color:#000000;"><em><strong>Aboiz</strong></em></span>, de <span style="color:#003366;"><strong>Gil Nozes de Carvalho</strong></span>, então no início do seu reservado trabalho poético (anteriormente havia publicado <span style="color:#000000;"><em><strong>Alba</strong></em></span> (1982); <em><strong>Palmeiras</strong></em> (1983) e <em><strong>Basilisco</strong></em> (1984), este com a artista plástica <span style="color:#003366;">Marta Wengorovius</span>).</p>
<p style="text-align:justify;">Um trabalho de rigor, depuração, procura aturada de uma voz que se transmitia por processos mínimos, enigmáticos, com uma individualidade que &#8216;isolava&#8217; o autor e autonomizava a sua poética de outras contemporâneas. <a href="http://www.leitura.gulbenkian.pt/index2.php?area=rol&#38;task=view&#38;id=5451&#38;print=no" target="_blank">Curiosa, a nota de leitura (recensão)</a> de<span style="color:#003366;"> Joana Varela</span> para os serviços competentes da F.C.G.. De <em><strong>Aboiz</strong></em> se deixam aqui os dois primeiros poemas.</p>
<h6 style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><br />
</span></h6>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><strong>LUCANUS CERVUS</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><br />
</span>
</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">A tua boca</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">é uma curta espera do mundo,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">esconde, dos fenómenos, a escada.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">O teu voo</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">outra vez entre imagens uma certa</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">espera que finda</span></p>
<h6 style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">*</span></h6>
<p><span style="color:#666699;"><strong>CERTEZAS DO TEMPO</strong></span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#666699;">Foi de uma colina obscena que viemos,</span></p>
<p><span style="color:#666699;">no dia se esconde o dedo, nascemos.</span></p>
<p><span style="color:#666699;">Deste caminho, só o hálito</span></p>
<p><span style="color:#666699;">não serve aos mortos. E a recompensa,</span></p>
<p><span style="color:#666699;">a tua vida, quando entra</span></p>
<p><span style="color:#666699;">na casa e, rápido cheiro, apodrece.</span></p>
<p><span style="color:#666699;">Também eu propus o estrangulamento,</span></p>
<p><span style="color:#666699;">que o corpo ficasse fora das muralhas,</span></p>
<p><span style="color:#666699;">no ar</span></p>
<p><span style="color:#666699;">qual bule ardido.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">CARVALHO, Gil Nozes de, <em>Aboiz – colecção inverso</em>, 1.ª edição, Na Regra do Jogo, 1985.</span></p>
<p><em>[Nota: <strong>Aboiz</strong>:<strong> (boiz)</strong> (í)<br />
</em></p>
<div style="padding-left:18px;"><em></em><em>s. f.</em></div>
<div style="padding-left:18px;"><em><span style="cursor:pointer;" title="Duplo clique para ver definição">Armadilha para pássaros.</span></em></div>
<div style="padding-left:18px;"><em></em><em>Fig. </em><span style="cursor:pointer;" title="Duplo clique para ver definição">Engano, cilada.]</span></div>
<div style="padding-left:18px;text-align:center;">
<div id="attachment_1869" class="wp-caption aligncenter" style="width: 247px"><img class="size-medium wp-image-1869" title="1318749" src="http://asfolhasardem.wordpress.com/files/2009/05/1318749.jpg?w=224" alt=" Inside The Cage Inside The Cage © Tiago Marques, Olhares, Fotografia Online" width="237" height="317" /><p class="wp-caption-text"> Inside The Cage Inside The Cage © Tiago Marques, Olhares, Fotografia Online</p></div>
<p><span style="color:#800080;"><br />
</span></div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[La (des)habitación poética de Ruy Belo ]]></title>
<link>http://afterpost.wordpress.com/2009/05/20/la-deshabitacion-poetica-de-ruy-belo/</link>
<pubDate>Wed, 20 May 2009 14:32:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>Afterpost</dc:creator>
<guid>http://afterpost.wordpress.com/2009/05/20/la-deshabitacion-poetica-de-ruy-belo/</guid>
<description><![CDATA[Habita como forastero en esta tierra, y estaré contigo, y te bendeciré Génesis, 26, 3 Wer jetzt kein]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Habita como forastero en esta tierra, y estaré contigo, y te bendeciré Génesis, 26, 3 Wer jetzt kein]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[«Um ar inocente, ácido» (Mário Cesariny)]]></title>
<link>http://dramapessoal.wordpress.com/2009/05/15/%c2%abum-ar-inocente-acido%c2%bb-mario-cesariny/</link>
<pubDate>Fri, 15 May 2009 16:21:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>dramapessoal</dc:creator>
<guid>http://dramapessoal.wordpress.com/2009/05/15/%c2%abum-ar-inocente-acido%c2%bb-mario-cesariny/</guid>
<description><![CDATA[&nbsp; &nbsp; mágica &nbsp; É uma estrada no céu silenciosa um anão sem ninguém que o suspeite é um ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p align="center">&#160;</p>
<blockquote><p><img class="alignnone size-full wp-image-2294" title="maria" src="http://dramapessoal.wordpress.com/files/2009/05/maria.jpg" alt="maria" width="350" height="197" /></p>
<p align="center">&#160;</p>
<p>mágica</p>
<p align="center">&#160;</p>
<p>É uma estrada no céu silenciosa<br />
um anão sem ninguém que o suspeite<br />
é um braço pregado a uma rosa<br />
um mamilo escorrendo leite</p>
<p>São edénicos anjos expulsos<br />
sonhando quietude e distância<br />
são homens marcados nos pulsos<br />
é uma secreta elegância</p>
<p>São velhos demónios ociosos<br />
fitando o céu bailando ao vento<br />
são gritos rápidos, nervosos<br />
que destroem todo o pensamento</p>
<p>É o frio deserto marinho<br />
operando na escuridão<br />
é o corpo que geme sozinho<br />
é a veia que é coração</p>
<p>São aranhas jovens, pernaltas<br />
arrastando embrulhos para o mar<br />
são altas colunas tão altas<br />
que o chão ameaça estalar</p>
<p>São espadas voantes são vielas<br />
passeios de todos e nenhuns<br />
são grandes rectas paralelas<br />
são grandes silêncios comuns</p>
<p>É uma edição reduzida<br />
das aras da história sagrada<br />
é a técnica mais proibida<br />
da mágica mais procurada</p>
<p>É uma estrada no céu silenciosa<br />
por um domingo extenso e plácido<br />
é um anoitecer cor de rosa<br />
um ar inocente, ácido</p>
<p align="center">&#160;</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p align="center">&#160;</p>
<p>Parece que «Fátima <em>não é varinha mágica</em> para a resolução de todos os problemas», nas pobres palavras de um bispo. Ocorreu-nos, para fugir àquele vento de desolação imaginativa, um par de objectos muito mais videntes, de dentro e de fora da fé: a Maria de Pasolini, e «mágica», de Mário Cesariny.</p></blockquote>
<p align="center">&#160;</p>
<blockquote><p>Poema do livro <em>Manual de Prestidigitação</em>, Assírio &#38; Alvim.</p></blockquote>
<p align="center">&#160;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ruy Belo - Na Morte de Marilyn]]></title>
<link>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/05/09/ruy-belo-na-morte-de-marilyn/</link>
<pubDate>Sat, 09 May 2009 19:48:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuel margarido</dc:creator>
<guid>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/05/09/ruy-belo-na-morte-de-marilyn/</guid>
<description><![CDATA[Marilyn. Uma tema improvável na poesia de Ruy Belo? De forma alguma. O poeta pega no mito e descontr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;"><strong>Marilyn</strong></span>. Uma tema improvável na poesia de <span style="color:#003366;"><strong>Ruy Belo</strong></span>? De forma alguma. O poeta pega no mito e descontrói lentamente o ícone para chegar à mais funda fragilidade tão humana desta mulher. A fragilidade. Ruy Belo conhecia-a como as borboletas conhecem as lâmpadas. Aqui, dito, tão bem dito, por <span style="color:#003366;"><strong>Luís Miguel Cintra </strong></span>(aconselho a que se fechem os olhos, o <em>clip</em> é dispensável).</p>
<p style="text-align:justify;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/QXfgzlFKYYI&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/QXfgzlFKYYI&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;hd=0' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<table style="height:8px;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="11">
<tbody>
<tr>
<td class="corpo_celula_subtitulo" width="100%"></td>
</tr>
<tr>
<td class="corpo_celula_espaco" width="100%"></td>
</tr>
<tr>
<td class="corpo_celula_corpo" width="100%"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div id="AnswersBalloon" style="width:490px;position:absolute;visibility:hidden;z-index:99999;text-align:left;top:140px;left:-7px;">
<div class="AnswersHeader">
<div id="AnswersHandle0" class="AnswersHeaderInner" style="cursor:move;">
<div class="AnswersHeader1"><a><img style="margin-right:10px;position:relative;cursor:pointer;" src="http://www.answers.com/main/images/close.gif" border="0" alt="Close" align="top" /></a><a id="AnswertipMore" target="AnswersQueryWindow"><span class="AnswersHeader3"> Read more &#62;&#62; </span></a><a id="AnswertipOptions"><span class="AnswersHeader3"> Options &#62;&#62; </span></a></div>
<div><a href="http://www.answers.com?initiator=FFANS"><img src="http://www.answers.com/main/images/answers-logo.gif" border="0" alt="Visit Answers.com" align="top" /></a></div>
</div>
<div id="Answers_frame" class="AnswersContentFrame">
<table id="Balloontable2" class="donotmoveme" style="width:480px;float:left;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<div id="Answers_footer" class="AnswersFooter"></div>
</div>
</div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ruy Belo - Coisas de Silêncio]]></title>
<link>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/05/07/ruy-belo-coisas-de-silencio/</link>
<pubDate>Thu, 07 May 2009 21:13:25 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuel margarido</dc:creator>
<guid>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/05/07/ruy-belo-coisas-de-silencio/</guid>
<description><![CDATA[Impresso na Guide-Artes Gráficas, Lda. (com um fabuloso preto e branco que só a técnica de impressão]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Impresso na Guide-Artes Gráficas, Lda. (com um fabuloso preto e branco que só a técnica de impressão de retícula estocástica permite), em Junho de 2000 a editora <span style="color:#333399;">Assírio &#38; Alvim</span> dava à estampa &#8216;<strong><em>Ruy Belo &#8211; Coisas de Silêncio</em></strong>&#8216;, livro onde a fotografia de <strong><span style="color:#003366;">Duarte Belo</span></strong> fixa o &#8216;mundo&#8217; de seu pai, <strong><span style="color:#003366;">Ruy Belo</span></strong>. Estamos no lado oposto ao da fotobiografia. Duarte Belo capta &#8216;momentos&#8217; &#8211; correspondentes à estrutura do livro &#8211; definidos textualmente pelos autores, (o fotógrafo e <strong><span style="color:#003366;">Duarte Belo</span></strong>): «O primeiro momento representa alguns lugares que foram habitados por Ruy Belo e que muitas vezes surgem nos seus versos»; (&#8230;) «Num segundo momento, passamos o nosso olhar por alguns objectos do quotidiano de Ruy Belo»; (&#8230;) «Depois, há um terceiro e último momento de alguns rostos de identidade de Ruy Belo».</p>
<p style="text-align:justify;">Duarte Belo fotografa, com um grande sentido do discreto, uma ausência. E é essa ausência que confere à obra intensa espessura e um sentido de perda, de desolação se instala. Acompanhadas por excertos da obra do poeta, e um texto de <span style="color:#003366;"><strong>Manuel Gusmão</strong></span>, &#8220;<em>Para a Dedicação de um Homem &#8211; Algumas variações em resposta à poesia de Ruy Belo</em>&#8220;, é contudo, o texto de <span style="color:#003366;"><strong>Luís Miguel Cintra</strong></span>, que abre o livro, a melhor leitura para o indizível que estas fotografias encerram. O seu silêncio povoado de sombras.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>[O livro foi reeditado em tempos recentes, em edição de capa dura. A minha sugestão para a Feira do Livro de Lisboa, este ano]</em></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><strong>R</strong>econhecemo-nos ainda. Gostamos do mar e da terra a céu aberto. Árvores, searas, pedras, montes. Da praia. Dos campos. Das igrejas. Das aldeias e das cidades com passado e com ruas muito grandes. Dos textos antigos. De cartas e postais. E dos livros. E do povo. Das procissões. Dos cafés. Do cemitério. De ir ao cinema. Ler o jornal. Mozart e Bach. Não sabemos pôr gravata. Ainda temos camisas aos quadrados e vestimos camisola. Não gostamos da manha e da astúcia. Somos pobres. Temos o sol e só o que nos toca o coração. Alguns amigos mais. E carregamos nos ombros o amor da vida toda e uma enorme saudade de Deus. Somos católicos. Acreditamos na alegria e na pureza. Sabemos que o homem é Deus feito carne.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Reconhecemo-nos. Somos assim generosos, é verdade. Sem esforço. E não vamos mudar. Não sei se somos um grupo nem seremos com certeza uma geração, somos uma maneira de ser. E na poesia do Ruy nos encontramos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Sou e quero ser irmão ou herdeiro dessa gente. Como o Duarte, legitimamente. E reconheço nas fotografias do Duarte, como na poesia do Ruy, a passagem das nossas vidas, os lugares, as nossas casas, os objectos a que nos afeiçoámos ou demos sentido, a memória dos nossos corpos, dos nossos encontros, dos nossos grandes amores ou da nossa paixão. A minha casa. Reconheço também o meu pai. Mas reconheço sobretudo o espaço. Ou o tempo. «O Tempo Sim o Tempo Porventura». Estas fotografias, o seu pudor, são o retrato de uma ausência. São fotografias da morte. Violentas. O que resta de um cidadão, a mudança das idades, as coisas que tinha, os lugares onde esteve ou onde estava, a roupa que vestiu, o que ficou do que escreveu. São o retrato do tempo que foge, imenso. Mas mais ainda, tanto, o retrato do que falta. Falta a vida neste vazio, neste espaço que vai da terra ao céu. E esse espaço, esse vazio, é exactamente o espaço das palavras do Ruy. O espaço do que vive. Perante a morte, constantemente, nesse único momento que se confunde com a solidão mas abraça o mundo inteiro e que nos dá a nós a dimensão da vida. Tão imensa diante do tempo que talvez nem na paixão possa encontrar a sua desejada desmedida. Tão grande que convoca Deus. E já não sabemos de que ausência falamos.</span></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;">LUÍS MIGUEL CINTRA</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-1788 aligncenter" title="na076901" src="http://asfolhasardem.wordpress.com/files/2009/05/na0769012.jpg" alt=" © Duarte Belo, Assírio &#38; Alvim [D.R.]" width="400" height="400" /></p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">© Duarte Belo, Assírio &#38; Alvim [D.R.]</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:left;"><span style="color:#666699;"><br />
</span>
</p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><span style="color:#666699;"></span></strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poesia Portuguesa (32) - Ruy Belo]]></title>
<link>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/05/04/poesia-portuguesa-32-ruy-belo/</link>
<pubDate>Mon, 04 May 2009 22:01:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuel margarido</dc:creator>
<guid>http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/05/04/poesia-portuguesa-32-ruy-belo/</guid>
<description><![CDATA[Era o Verão de 1980, a memória pode trair, lembro-me de, tão puto, acabar a vender polvos aos restau]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Era o Verão de 1980, a memória pode trair, lembro-me de, tão puto, acabar a vender polvos aos restaurantes de Peniche para comprar o bilhete de regresso a Lisboa; mas não era o volume 2 da &#8216;<em>Obra Poética de Ruy Belo</em>&#8216;, da Presença &#8211; organização e posfácio de <span style="color:#003366;"><strong>Joaquim Manuel Magalhães</strong></span> -  que teria comigo (o primeiro tinha, de certeza), nessas férias de revelações. <strong><em>&#8216;Transporte no Tempo&#8217;</em></strong> estava lá, comigo, mas na edição da <em>Moraes</em>, que terei guardado num de três lugares, sendo um outro possível, um empréstimo perpétuo. Na introdução ao livro, <span style="color:#003366;"><strong>Ruy Belo</strong></span> escreve um texto, &#8216;<em>Breve Programa para Uma Iniciação ao Canto</em>&#8216;, onde a indizível condição da mortalidade (do &#8216;não pertencer a este mundo&#8217;) se inscreve com um carácter quase premonitório, quase programático. Termina assim, o texto: &#8220;(&#8230;) <em>O poeta, sensível e até mais sensível porventura que os outros homens, imolou o coração à palavra, fugiu da auto-biografia, tentou a todo o custo evitar a vida privada. Ai dele se não desceu à rua, se não sujou as mãos nos problemas do seu tempo, mas ai dele também se, sem esperar por uma imortalidade rotundamente incompatível com a sua condição mortal, não teve sempre os olhos postos no futuro, no dia de amanhã, quando houver mais justiça, mais beleza sobre esta terra sob a qual jazerá, finalmente tranquilo, finalmente pacífico, finalmente adormecido, finalmente senhor e súbdito do silêncio que em vão tentou aprender com as palavras, finalmente disponível não já tanto para o som dos sinos como para o som dos guizos e chocalhos dos animais que comem a erva que afinal pôde crescer no solo que ele, apodrecendo, adubou com o seu corpo merecidamente morto e sepultado.</em>&#8221; Leia-se este terceiro poema da sequência <em>&#8216;Monte Abraão&#8217;</em> à luz do &#8216;programa&#8217; enunciado.</p>
<h6></h6>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#666699;"><strong>SÚPLICA</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;"><br />
</span>
</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">O outono demorou-se no mundo</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">A juventude há muito despediu</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">a primavera da primeira ave</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Respiro as lágrimas das raparigas</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">recordo-me do seu odor nocturno</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Escuto o movimento lento da ramada</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">esqueci a escada habitual do dia-a-dia</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">a cortina da chuva corre-se de novo</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Nesta manhã de outono aluviões   da vida</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">murmuram-nos mulheres minuciosas</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">O ombro da colina ergue o nevoeiro</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">na madrugada não cantam melros</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">A areia bebe cheia a chuva enquanto</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">nós infinitamente nos distanciamos</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">de quanto &#8211; diz a santa &#8211; desejamos</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Aonde está a mãe da minha infância?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Talvez com ela tudo começasse</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">É nos fins do verão alguém morreu</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">foi-se a ferocidade das cigarras</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">no caminho das tílias percorridas</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Deixo cair as mãos pois nem me restam essas</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">aves do mar que a tempestade impele</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">em tempo de equinócio para a costa</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">É o cabo do mundo é o fim do ano</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">a era da perfeita culpabilidade</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Respiro já os meus últimos dias</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Sobre este céu nenhuma ave adeja</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#666699;">Que a terra humedecida me proteja</span></p>
<h6></h6>
<p><span style="color:#000000;"><strong>Ruy Belo</strong></span>, in <em></em><em>Transporte no Tempo, </em>p. 14-15, Obra Poética de Ruy Belo, volume 2, Editorial Presença, Lisboa, 1981.</p>
<h6>
<p><div id="attachment_1769" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><img class="size-full wp-image-1769" title="na" src="http://asfolhasardem.wordpress.com/files/2009/05/na146805.jpg" alt="© Duarte Belo" width="510" height="510" /><p class="wp-caption-text">© Duarte Belo</p></div></h6>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
</div>]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
