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	<title>portuguesismos &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/portuguesismos/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "portuguesismos"</description>
	<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 06:57:16 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[O Ópio Do Povo]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2009/10/10/o-opio-do-povo/</link>
<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 20:52:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
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<description><![CDATA[A pedido de várias famílias, em particular de uma, abro aqui espaço para uma discussão antropo-socio]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;">A pedido de várias famílias, em particular de uma, abro aqui espaço para uma discussão antropo-sociológica acerca do aparente retorno do <em>Portugalinho dos Milagres Futebolísticos</em>: a Dinamarca ganhou à Suécia e até somos capazes de ir ao <em>playoff </em>de apuramento para o Mundial sem perceber como. A menos que a Hungria nos meta ainda um golo como já ameaçou.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://educar.wordpress.com/files/2009/10/portugal02.jpg"><img class="aligncenter size-thumbnail wp-image-25878" title="portugal02" src="http://educar.wordpress.com/files/2009/10/portugal02.jpg?w=148" alt="portugal02" width="148" height="150" /></a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[<em>Benzósdeus</em>]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2009/07/22/benzosdeus/</link>
<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 08:03:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
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<description><![CDATA[Lei das Armas já não obriga caçadores a teste de álcool]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><blockquote>
<h2 style="text-align:justify;"><a href="http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1314351">Lei das Armas já não obriga caçadores a teste de álcool</a></h2>
</blockquote>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Leitura Essencial]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2009/06/11/leitura-essencial-2/</link>
<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 21:09:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2009/06/11/leitura-essencial-2/</guid>
<description><![CDATA[No plano político, poder-se-ia dizer, mesmo, que boa parte da política do executivo se caracteriza p]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><blockquote><p>No plano político, poder-se-ia dizer, mesmo, que boa parte da política do executivo se caracteriza pelo chico-espertismo (taxa moderadora na Saúde, certas cláusulas do Estatuto do Aluno e muitas outras medidas na Educação, como certas iniciativas da reforma fiscal que retiram pequenos privilégios aos contribuintes, cêntimo a cêntimo) com que o governo aparentemente facilita a vida dos portugueses sem lhes dar a substãncia correspondente, tornando-os oficial e legalmente verdadeiros chicos-espertos. Assim, a governação de Sócrates institucionalizou práticas e um espírito geral que se caracteriza pelo desvio á lei, pelo «desenrasque» mais ou menos clandestino. Mais: toda a máquina de propaganda do Governo, vital para o regime, se funda no chico-espertismo. Apresentam-se estatísticas que nada dizem sobre a substância a que se referem, ou modificando as suas fontes (por exemplo, um relatório sobre o Ensino Básico em Portugal feito por uma agência privada, <strong>segundo as regras da OCDE</strong>, como se tivesse sido realizado pela OCDE), manipulam-se os números não os contextualizando, etc. Neste sentido, não é exagerado afirmar que o chico-espertismo está genuinamente a <strong>infectar </strong>a execução das reformas, retirando-lhes visão, alcance e coragem. (José Gil, Em Busca da Identidade &#8211; O desnorte, 2009, pp. 31-32)</p></blockquote>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://educar.wordpress.com/files/2009/06/gil.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-21339" title="Gil" src="http://educar.wordpress.com/files/2009/06/gil.jpg?w=195" alt="Gil" width="195" height="300" /></a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Tal Problema Do Trajecto Histórico...]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2009/05/01/o-tal-problema-do-trajecto-historico/</link>
<pubDate>Fri, 01 May 2009 13:50:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2009/05/01/o-tal-problema-do-trajecto-historico/</guid>
<description><![CDATA[&#8230; de cada país na construção do sucesso educativo e da própria alfabetização. A comparação é m]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>&#8230; de cada país na construção do sucesso educativo e da própria alfabetização. A comparação é muito simples quando se constata que nós somos pioneiros em matéria legislativa e bem tardios na concretização dos factos, enquanto que aqueles cuja <em>«sociedade civil»</em> vislumbrou as vantagens da Educação não precisaram de empurrões por decreto.</p>
<p><a href="http://educar.wordpress.com/files/2009/05/untitled-135.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-19553" title="untitled-135" src="http://educar.wordpress.com/files/2009/05/untitled-135.jpg" alt="untitled-135" width="510" height="389" /></a></p>
<p style="text-align:center;"><em>Expresso</em>, 1 de Maio de 2009 (com o devido agradecimento ao <strong>Maurício</strong>)</p>
<p>Provavelmente isto fará imenso sentido de diversos pontos de vista, incluindo daquele que fala na racionalização da rede escolar, mas a mim causa-me alguma aflição: decretar a obrigatoriedade de um nível de escolarização quando 15% dos concelhos não dispõem das respectivas infraestruturas básicas.</p>
<p>Fora a estranheza que me causa ver demolir pavilhões em estado de conservação mediano para construir novos, enquanto existem escolas secundárias sem pavilhão nenhum.</p>
<p>São certamente visões bem mais avançadas do que a minha, tradicionalmente anacrónica.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Do Cavaquismo Ao Guterrismo]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2009/01/30/do-cavaquismo-ao-guterrismo/</link>
<pubDate>Fri, 30 Jan 2009 21:12:14 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2009/01/30/do-cavaquismo-ao-guterrismo/</guid>
<description><![CDATA[Este Portugal que vamos vivendo é o natural prolongamento do Portugal do cavaquismo que Maria Filome]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Este Portugal que vamos vivendo é o natural prolongamento do Portugal do cavaquismo que Maria Filomena Mónica e Vasco Pulido Valente, tal como António Barreto e o Miguel Sousa Tavares pré super-star, tão bem escalpelizaram.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://educar.files.wordpress.com/2009/01/mfm.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-15955" title="mfm" src="http://educar.wordpress.com/files/2009/01/mfm.jpg?w=164" alt="mfm" width="164" height="300" /></a><a href="http://educar.files.wordpress.com/2009/01/vpv.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-15956" title="vpv" src="http://educar.wordpress.com/files/2009/01/vpv.jpg?w=198" alt="vpv" width="198" height="300" /></a></p>
<p>Se bem repararem,<strong> os escândalos que ora parecem surgir do nada</strong>, desde universidades privadas que serviram para tudo e desaparecem como fogos-fátuos até instituições bancárias que serviram a poucos e se despenham agora em sucessão, não esquecendo os licenciamentos a preceito (e muito se falará mais tarde dos PIN),<strong> tiveram origem nesses períodos pantanosos de maiorias ou quasi-maiorias </strong>que fomentaram o aparecimento de pequenas <em>estrelas </em>políticas que, ao cair do pano da sua cor, se transferiram de armas e bagagens para o lado daqueles que antes tutelavam, regulavam ou licenciavam.</p>
<p>O interessante ao ler muitas destas crónicas é perceber, embora a específica  formação historiográfica dos autores também ajude a explicar tal, que Portugal, por muito que se diga modernizado, tem uma identidade muito própria desde antanho e que nenhuma chuva de empréstimos (fontismo) ou subsídios (cavaquismo, guterrismo e a seu tempo veremos o socratismo) consegue alterar.</p>
<p>É o mesmo pais que hoje Carlos Fiolhas evoca na sua crónica no <em>Público</em>, o país da <em>cunha</em>, do <em>jeitinho</em>, dos <em>cordelinhos</em>, das fugas para a frente perante adversidades e da evocação de campanhas orquestradas por parte dos ainda há pouco orquestradores.</p>
<p>Esse Portugal permanece, mesmo que <a href="http://dn.sapo.pt/2009/01/30/dnbolsa/portugal_ter_mais_supers_e_hipers.html">71 super e hipermercados</a> venham a abrir em cima dos 2 triliões já existentes ou que sejam construídos mais quilómetros de autoestradas naquele desvario que Medina Carreira tão bem caricatura.</p>
<p>E em matéria de Educação tudo parece na mesma, bastando reler um pouco de Pulido Valente em 97 sobre as ideias em vigor no período de vigência da dupla Marçal Grilo-Ana Benavente no ME.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Os socialistas recolheram do radicalismo democrático a reivindicação do ensino primário obrigatório e gratuito (que se destinava a preparar o povo para a cidadania) e de um certo liberalismo a preocupação com o ensino «científico» e «profissionalizante» (que se julgava útil ao progresso económico. A mistura não surpreende. os pioneiros da «igualdade de oportunidades» descobriram imediatamente que a escola «burguesa» (com a sua orientação enciclopédica e «clássica») tendia a premiar os «filhos dos ricos» e a rejeitar os «filhos dos pobres». porque «transmitia» o «saber» dos «ricos» e não o dos «pobres». A solução estava assim em criar uma escola compreensiva (no sentido abrangente) que valorizasse igualmente o «saber (abstracto) dos ricos» e o «saber (concreto) dos pobres». Por outras palavras, que valorizasse igualmente o conhecimento «livresco» (histórico, por exemplo) e o conhecimento «prático» (de serralharia, por exemplo). (V. P. Valente, Esta Ditosa Pátria, pp. 218-219)</p>
</blockquote>
<p>Perante isto, sou obrigado a rever os meus conceitos e a reavaliar aquilo que cheguei a considerar ser uma descontinuidade entre o guterrismo e o período actual em matéria de Educação.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Portugal Plural]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/12/09/portugal-plural/</link>
<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 09:35:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2008/12/09/portugal-plural/</guid>
<description><![CDATA[Há os hiperactivos&#8230; Hiperactividade atinge cerca de 250 mil adultos &#8230; e os outros: Deput]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Há os hiperactivos&#8230;</p>
<blockquote>
<h2><a href="http://dn.sapo.pt/2008/12/09/sociedade/hiperactividade_atinge_cerca_250_adu.html">Hiperactividade atinge cerca de 250 mil adultos</a></h2>
</blockquote>
<p>&#8230; e os outros:</p>
<blockquote>
<h2><a href="http://dn.sapo.pt/2008/12/09/nacional/deputados_faltam_quase_o_dobro_a_sex.html">Deputados faltam quase o dobro à sexta-feira</a></h2>
</blockquote>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Que Conveniente!]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/10/25/que-conveniente/</link>
<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 23:25:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2008/10/25/que-conveniente/</guid>
<description><![CDATA[Mas qual é o espanto? Afinal o orçamento de Estado é algo assim tão importante que se tenha de saber]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://educar.wordpress.com/files/2008/10/exp25out08.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-10251" title="exp25out08" src="http://educar.wordpress.com/files/2008/10/exp25out08.jpg?w=509" alt="" width="509" height="315" /></a></p>
<p style="text-align:center;">Mas qual é o espanto? Afinal o orçamento de Estado é algo assim tão importante que se tenha de saber quem lá mexe no quê?</p>
<p style="text-align:center;">Qualquer dia ainda pensam em avaliar este tipo de desempenho&#8230;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Problema É Mesmo Esse]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/09/30/o-problema-e-mesmo-esse/</link>
<pubDate>Tue, 30 Sep 2008 09:51:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2008/09/30/o-problema-e-mesmo-esse/</guid>
<description><![CDATA[João Miguel Tavares no DN: A cunha tem muito que se lhe diga. Toda a gente está disposta a condená-l]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong>João Miguel Tavares</strong> no <a href="http://dn.sapo.pt/2008/09/30/opiniao/o_caso_lisboagate_cultura_cunha.html"><em>DN</em></a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">A cunha tem muito que se lhe diga. Toda a gente está disposta a condená-la e a apontá-la como uma das causas do atraso de Portugal, mas poucos, na prática, passam sem ela. Se Jesus, em vez de frequentar as terras de Israel, tivesse pregado nas margens do Tejo, teria dito à multidão em fúria: &#8220;Quem nunca meteu uma cunha que atire a primeira pedra.&#8221; E aí todos baixariam a cabeça, começando pelos mais velhos, e iriam apedrejar para outra freguesia.</p>
</blockquote>
<p>E isto tem tantas aplicações&#8230;</p>
<p>Por exemplo: quem nunca pediu um despacho ou uma portaria a preceito que atire a primeira pedra. E aí baixariam a cabeça e iriam apedrejar outro sistema de ensino.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Com 100 Anos, Mas Sempre Actual]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/09/27/com-100-anos-mas-sempre-actual/</link>
<pubDate>Sat, 27 Sep 2008 16:54:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2008/09/27/com-100-anos-mas-sempre-actual/</guid>
<description><![CDATA[A verdade é que na sociedade portuguesa a noção da sua personalidade colectiva, o sentimento de vida]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><a href="http://educar.files.wordpress.com/2008/09/laranjeira.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-8995" title="laranjeira" src="http://educar.wordpress.com/files/2008/09/laranjeira.jpg?w=205" alt="" width="205" height="300" /></a></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">A verdade é que na sociedade portuguesa a noção da sua personalidade colectiva, o sentimento de vida nacional, o sentimento de pátria se quiserem, não existe sobrepondo-se a todos os outros sentimentos de interesse individual. Existe apenas o sentimento e o espírito intolerante de seita, <strong>existe apenas o sentimento de quadrilha, mascarados por um messianismo avariado, de ínfima qualidade.</strong><br />
Um dos aspectos mais típicos da vida portuguesa e um dos seus males mais funestos é a sua prodigiosa fertilidade messiânica. <strong>A cada passo surge um homem que se sente com envergadura e ventre de messias. Por cada messias que aborta, pululam inesgotavelmente centos de messias, toda uma falperra de messias</strong>. E, enquanto a nação rola à aventura de messianismo em messianismo, a sociedade portuguesa, lentamente, infatigavelmente, vai-se dissolvendo e desagregando.</p></blockquote>
<p><strong>Manuel Laranjeira</strong>, 1908<br />
(que certamente alguns/mas apelidariam de pessimista de serviço)</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Sol Que Vai Tapar A Peneira]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/08/22/o-sol-que-vai-tapar-a-peneira/</link>
<pubDate>Fri, 22 Aug 2008 10:55:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2008/08/22/o-sol-que-vai-tapar-a-peneira/</guid>
<description><![CDATA[No Público (sem link permanente), em nota do enviado a Pequim já se escreve que: Da desilusão quase ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img class="alignnone size-full wp-image-7550" src="http://educar.wordpress.com/files/2008/08/nevora.jpg" alt="" width="317" height="210" /></p>
<p style="text-align:center;">No <em>Público </em>(sem link permanente), em nota do enviado a Pequim já se escreve que:</p>
<blockquote>
<h2 style="text-align:center;">Da desilusão quase total ao melhor resultado de sempre</h2>
<p style="text-align:center;">Em apenas um dia, a missão portuguesa aos Jogos Olímpicos deste ano passou de uma enorme desilusão em quase toda a linha para <strong>um resultado que, embora abaixo dos objectivos definidos, formalmente é o melhor de sempre</strong>, atendendo à forma como o Comité Olímpico Internacional (COI) ordena os países no medalheiro, dando prioridade a quem tem mais medalhas de ouro, seguidas, em caso de empate, pelas medalhas de prata.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:center;">Já estão quase todos prontos para passar a esfregona por cima de tudo o mais graças ao salto de Nelson Évora. Ditosa pátria esta que, que assim fica salva.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="alignnone size-full wp-image-7551" src="http://educar.wordpress.com/files/2008/08/record.jpg" alt="" width="392" height="149" /></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Auto-Desculpabilização Como Estratégia]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/08/20/a-auto-desculpabilizacao-como-estrategia/</link>
<pubDate>Wed, 20 Aug 2008 14:54:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2008/08/20/a-auto-desculpabilizacao-como-estrategia/</guid>
<description><![CDATA[Estou cansado de ouvir o mote «Errar é humano». Cansadíssimo. Sei disso por experiência na primeira ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Estou cansado de ouvir o mote <em>«Errar é humano»</em>.</p>
<p>Cansadíssimo. Sei disso por experiência na primeira pessoa. Parece que sou humano, pois já errei a minha conta de vezes. Mas também vou acertando algumas. Felizmente para a minha vida e dos que me cercam, vou acertando mais do que falho nas coisas que fazem parte das minhas obrigações e funções (pessoais, familiares, profissionais, sociais).</p>
<p>Quando erro, passada a infância mais ingénua em que pensamos que toda a má desculpa é válida e convincente, aprendi a conviver com a necessidade de não me justificar com o relvado molhado ou o numeroso público. Mesmo quando culpo o <em>árbitro</em>, tento demonstrar porquê. Por isso não gosto de críticas vagas e perco algum tempo a aborrecer quem me queira ouvir (e agora ler) a explicar porque me queixo disto ou daquilo.</p>
<p>Talvez seja algo que se aprende com a vida, com a idade, com a experiência.</p>
<p>Só assim compreendo que ainda exista quem aceite como válidas certas justificações dadas para legitimar maus resultados nos Jogos Olímpicos. <strong>Note-se que não são os maus resultados que me aborrecem, mas sim as desculpas dadas.</strong></p>
<p>E é aqui que acho que o Desporto e a Educação estão muito relacionados e se revela <strong>até que ponto se entranhou a estratégia da desresponsabilização individual pelos maus desempenhos.</strong></p>
<p>Basta ler as declarações de Nuno Fernandes, ao que parece Presidente de uma Comissão de Atletas Olímpicos de que desconhecia a existência, na última página do <em>Diário de Notícias</em> de hoje. Certamente um defensor da pedagogia da auto-desculpabilização e da palmadinha nas costas, Nuno Fernandes afirma que mandar Marco Fortes para Portugal após as suas infelizes declarações &#8211; é o tal da <em>caminha </em>- <em>«é muito injusto e, em termos pedagógicos, é completamente desajustado»</em>.</p>
<p>Talvez seja numa perspectiva da <em>«pedagogia desportiva dos afectos»</em>. O que parece esquecido é que Marco Fortes depois de dizer que à hora da prova <a href="http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=980146">«<em>as pernas queriam era estar esticadas na cama»</em></a>, acrescentou &#8211; que <a href="http://br.youtube.com/watch?v=SbYg3qSGvXI">eu bem vi na televisão</a> &#8211; que apesar de tudo era muito bom ir aos Jogos Olímpicos, espectacular e tal e que todos se deviam esforçar por ir. E até disse <em>«gostei de cá estar»</em>, assim mesmo no pretérito perfeito. Como que percebendo que a sua missão estava cumprida.</p>
<p>Perante isso, mandá-lo na volta do avião foi uma medida eventualmente politicamente incorrecta, mas justíssima. O que ficava lá ele a fazer? A dormir?</p>
<p>Mas, como na Educação, há sempre quem ache que há desculpa para tudo e não faltaram logo os que o defenderam que ele é um brincalhão, sempre bem disposto &#8211; pois, bem dormido, deve ser o máximo &#8211; e que tudo deve ser desculpado com a inexperiência do rapaz, vejam lá.</p>
<p><strong>Só que ele precisa de aprender que não é assim que se vai lá. Passar impune tal dislate é validar a estratégia da graçola, tomar como boa a teoria do <em>coitadinho</em>.</strong></p>
<p>No fundo nada de muito diverso do que agora se usa como regra &#8211; errada &#8211; na Educação, na Política, na Economia, etc, etc. <strong>O <em>«errar é humano»</em> como regra e não como excepção.</strong></p>
<p>Por isso, tem razão Santana Castilho quando escreve hoje no Público que:</p>
<blockquote><p>Um país que cultiva na escola e na polis a falta de rigor e de exigência, tem autoridade para sancionar quem o envergonha no estádio olímpico?</p></blockquote>
<p>Claro que não e por isso mesmo é que o nosso Primeiro Ministro elogiou o desempenho de todos os nossos atletas realçando que todos eles representaram bem Portugal. Para a próxima, <strong>em 2012, só falta que os atletas mandem os resultados das suas provas por <em>fax </em>para Londres, enquanto dormem o soninho dos justos, não vá aparecer muita gente no estádio ou a égua ficar histérica</strong>.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[É Impressão Minha Ou Os Jogos Olímpicos Não Nos Andam A Correr Nada Bem?]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/08/16/e-impressao-minha-ou-os-jogos-olimpicos-nao-nos-andam-a-correr-nada-bem/</link>
<pubDate>Sat, 16 Aug 2008 22:08:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2008/08/16/e-impressao-minha-ou-os-jogos-olimpicos-nao-nos-andam-a-correr-nada-bem/</guid>
<description><![CDATA[A avaliar pelas justificações (o árbitro, o horário, os jantares e a melhor de todas uma égua histér]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>A avaliar pelas justificações (o <a href="http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=977848">árbitro</a>, o <a href="http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/89795da68151a6412742e7.html">horário</a>, os <a href="http://olimpicos2008.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1339124">jantares</a> e a melhor de todas <a href="http://olimpicos2008.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1339017">uma égua histérica</a>) estamos a voltar ao tempo dos <em>desgraçadinhos</em> e do <em>choradinho </em>da <a href="http://olimpicos2008.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1338977">falta de condições</a>.</p>
<p>Ao menos o Obikwelu tem a dignidade de não se justificar com o chão torto e <a href="http://olimpicos2008.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1339187">pede desculpas por não cumprir os objectivos</a>. Assim é que é!</p>
<p>Agora falta-nos ver o que fazem a Naíde, o Nelson e a Vanessa.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Ler]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/07/14/a-ler-6/</link>
<pubDate>Mon, 14 Jul 2008 09:51:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2008/07/14/a-ler-6/</guid>
<description><![CDATA[De Baptista Bastos: Esboço do português médio (&#8230;) Sabe pouco de si próprio, o português médio.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>De Baptista Bastos:</p>
<blockquote>
<h2><a href="http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&#38;id=323578">Esboço do português médio</a></h2>
<p>(&#8230;)<br />
Sabe pouco de si próprio, o português médio. O português médio deixou de ser povo; transformou-se em população. Assim como o conceito de comunidade se converteu na noção de sociedade, mais consentânea com a ligeireza dos tempos e a futilidade de quem estatui estas coisas.</p>
<p>Não é, somente, um problema de se conhecer o idioma: sim uma espécie de oligofrenia que, devastadora, está a fazer do português médio um ser abúlico. De vez em vez, quando lhe tocam no ordenado ou ameaçam tripudiar sobre os seus direitos mais elementares, o português médio rebela-se. É sol de pouca dura, porque os seus protestos não possuem substância &#8220;política&#8221;, são meras irritações &#8220;sociais.&#8221; O português médio está &#8220;portugalizado&#8221;; quer-se dizer: faz que anda mas não anda. Perdeu alguma coisa daquela energia vital que, em tempos, fez de um território uma nação e de uma nação um testemunho moral e uma evidência medular.</p></blockquote>
<p>Mas depois nenhum de nós se sente médio&#8230;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Leis À Portuguesa]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/04/27/leis-a-portuguesa/</link>
<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 21:44:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
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<description><![CDATA[Foi o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa mesmo a finalizar o programa de hoje, ao referir-se à fo]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Foi o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa mesmo a finalizar o programa de hoje, ao referir-se à forma jurídica encontrada pelo ME para sair do imbróglio evidente de ser incapaz de dar cumprimento ao DR 2/2008.</p>
<p>Disse aquele que por acaso é professor de Direito Constitucional que <strong>tinha dificuldade em explicar aos seus alunos esta forma de legislar em que, perante uma lei promulgada e que não se vai cumprir, em vez de a revogar ou substituir, se faz uma outra lei para explicar que aquela não vai ser cumprida nos termos  em que foi redigida</strong>.</p>
<p>Pois. Afinal sempre há mais gente a achar que o DR 2/2008 deveria ter sido alterado e não ser-lhe aposto apenas um outro DR com normas transitórias que ele não continha.</p>
<p>Mas eles é que sabem, eles é que têm os cadeirões&#8230;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Alma de <em>Adesivo</em>]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/01/31/alma-de-adesivo/</link>
<pubDate>Thu, 31 Jan 2008 23:02:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2008/01/31/alma-de-adesivo/</guid>
<description><![CDATA[Já aqui referi há uns dias o fenómeno do adesivismo, assim crismado na transição da Monarquia para a]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Já aqui referi há uns dias o fenómeno do <b><i>adesivismo</i>, </b>assim crismado na transição da Monarquia para a República mas prática ancestral neste velho torrão nacional.</p>
<p>O <i>adesivismo </i>é uma variante do <i>vira-casaquismo</i>, nem sempre sendo fácil de distingui-los. Eu considero o <i>adesivismo </i>mais insinuante e sibilini e o <i>vira-casaquismo</i> mais trôpego e desajeitado.</p>
<p>No contexto actual o <i>adesivismo </i>na área da Educação ainda está incipiente, mas tem adubo e terreno fértil para se multiplicar como cogumelos inúteis em terreno bafiento.</p>
<p>As notícias que me vão chegando de viva voz ou por interposto testemunho teriam o seu quê de caricato caso não revelassem a propensão para práticas que podem prejudicar &#8211; e muito &#8211; o pouco que nos resta para tentar manter a Educação Pública neste país acima da linha de água.</p>
<p>Eu explico.</p>
<ul>
<li>O <i>adesivo </i>passou nas últimas semanas a estar muito preocupado com o <i>sucesso </i>e, argumentando em nome do interesse de todos, apela a que façamos o que o ME quer que se faça, <i>«para evitar problemas»</i>. Esta preocupação é diferente da daqueles que tentam encontrar vias para moldar a tenaz ministerial e torná-la menos asfixiante. No caso do <i>adesivo </i>a preocupação é em conseguir mesmo que a tenaz se instale e atinja os objectivos desejados: <b>o sucesso expresso nos resultados estatísticos</b>.</li>
</ul>
<ul>
<li>Para isso, o <b><i>adesivo </i></b>até ultrapassou o <i>timing </i>do ME e começou, de cenho preocupado, a lavrar umas <i>«grelhas»</i> de sua própria iniciativa para ir <i>«ganhando tempo»</i> e fez questão de divulgar esta sua iniciativa em todo o redor de si.</li>
</ul>
<ul>
<li>Ao mesmo tempo, o <i>adesivo </i>mudou quase imperceptivelmente a sua forma de andar e circular pelo espaço escolar: se repararmos bem, o olhar está mais distante e foca-se menos nos seus pares, visando um pouco mais além. O <i>adesivo </i>passou mesmo a levantar o queixo em média um par de centímetros, corrigindo a sua postura ao andar. O <i>adesivo-macho</i> trocou o blusão informal pelo <i>blazer</i>. O <i>adesivo-fêmea</i> adicionou uns acessórios brilhantes aos paramentos quotidianos. Quiçá mesmo um toque mais ousado na maquilhagem.</li>
</ul>
<ul>
<li>O <i>adesivo </i>fez questão de demonstrar que está a par da legislação, que leu o articulado e fixou as instruções. Declarando-se contrariado por aplicá-las, o <i>adesivo</i>, contudo, considera que pode acrescentar algo mais às propostas ministeriais e adianta leituras pessoais de algumas passagens e já propõe estratégias próprias para alcançar o sucesso.</li>
</ul>
<ul>
<li>O <i>adesivo </i>acha que devemos definir objectivos de progresso e sucesso por turma e aluno. O <i>adesivo </i>acha que devemos planificar aula a aula de forma diferenciada e usar mesmo instrumentos de avaliação diferenciados em todas as turmas, visando <i>«obter os melhores resultados»</i>, enquanto eles ainda se lembram <i>«das coisas»</i>. É algo omisso quanto às aprendizagens. O <i>adesivo </i>sugere que os <i>«colegas se envolvam»</i> em actividades extra-curriculares, <i>«porque é isso que agora é valorizado»</i>.</li>
</ul>
<ul>
<li>O <i>adesivo </i>parece esquecer que os colegas já faziam tudo isso, valorizado ou não. O <i>adesivo </i>partilha experiências pedagógicas pessoais passadas que conduziram a um sucesso que todos desconhecíamos.</li>
</ul>
<ul>
<li>O <i>adesivo </i>observa com ar reprovador e condescendente as vozes que ousam discordar. Aconselha que os contestatários <i>«tenham cuidado»</i>, que <i>«repensem a sua atitude»</i>, que <i>«considerem que é o futuro profissional que está em risco»</i>.</li>
</ul>
<ul>
<li><b>O <i>adesivo </i>é, no fundo, uma boa pessoa, um pináculo do bom-senso e das boas maneiras, só que facilmente impressionável às vozes de comando que soam fortes do alto. O <i>adesivo </i>contesta até que. O <i>adesivo </i>critica enquanto. O <i>adesivo </i>transmuta-se logo que</b>.</li>
</ul>
<ul>
<li>O <i>adesivo </i>é o camaleão do sistema educativo. Já praticou a pedagogia por objectivos quando iniciou a carreira sem pensar duas vezes; quando nasceu a ideologia das competências achou um disparate, mas dois meses depois já estava convencido. Agora que se inflecte de novo para a exigência dos resultados por sobre as práticas, acha que <i>«realmente isto está sempre a mudar»</i>, mas muda sempre de acordo com a mudança. O <i>adesivo </i>é disciplinado e conhece o seu lugar na hierarquia de comando.</li>
</ul>
<ul>
<li>O <i>adesivo </i>até é um bom professor, quiçá muito bom. Mas mais importante, quer<i> ser melhor do que</i>. Ou passar por isso.</li>
</ul>
<ul>
<li>O <i>adesivo </i>é o melhor amigo do ME. Logo a seguir àquele senhor bem-falante e de barba aparada daquela associação que não sei quê.</li>
</ul>
<p>Mas, apesar de todo esse esforço de bem-parecer, o <i>adesivo </i>é uma das razões porque lá de cima nos consideram <i>«professorzecos»</i>. Porque o respeito se perde, quando nós o perdemos por nós próprios e abdicamos das nossas convicções e de lutar por elas.</p>
<p><i>No matter what</i>.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Busca Obsessiva do Homem Providencial]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2008/01/13/a-busca-obsessiva-do-homem-providencial/</link>
<pubDate>Sun, 13 Jan 2008 17:31:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2008/01/13/a-busca-obsessiva-do-homem-providencial/</guid>
<description><![CDATA[Vasco Pulido Valente escreve hoje com razoável equilíbrio e a perspicácia que se lhe reconhece nos b]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Vasco Pulido Valente escreve hoje com razoável equilíbrio e a perspicácia que se lhe reconhece nos bons dias, sobre a relação paradoxal entre o desagrado aparente dos portugueses perante a situação e governação existentes e a permanência de sondagens favoráveis ao partido no Governo e directa ou indirectamente ao Primeiro-Ministro.</p>
<p><b>VPV baseia a sua análise numa acertada perspectiva histórico-cultural que</b>, como Eduardo Lourenço ou José Gil, <b>nos obriga enquanto colectivo ou &#8220;povo&#8221; a enfrentar os nossos demónios mal escondidos, os mesmos que em alguns séculos, nos quiseram fazer encontrar sempre um &#8220;pai político&#8221;, que nos salvaguardasse da má-sorte e que nos abrigasse do imprevisto, mesmo que à custa da muito glosada <i>apagada e vil tristeza</i></b>.</p>
<p>Escreve ele:</p>
<blockquote><p>Entretanto, o país cai, o pessimismo dos portugueses cresce e a economia está praticamente em coma. O ano de 2008 vai ser mau e, provavelmente, péssimo. O cidadão comum sabe que depende do preço do petróleo e do que suceder na América e em Espanha. A insegurança é grande. O que, em princípio, prejudicaria Sócrates. Mas não. Sócrates vive da insegurança. <b>Cada vez que lhe chamam autoritário, cada vez que (justamente) o acusam de pôr em perigo a democracia e a liberdade, os portugueses, como de costume, agradecem a existência providencial de um polícia. Um polícia que manda e que proíbe; e que fala pouco. Não querem a barafunda por cima da miséria; e preferem a miséria à barafunda. Num mundo instável e confuso, Sócrates sossega. O resto à acessório</b>.</p></blockquote>
<p><b>VPV escreve em 2008 sobre as circunstâncias que ocorrem em 2008. Mas poderia estar a escrever em 1988, como já escreveu sobre 1988 e o homem providencial era outro S de Silva, Cavaco; ou em 1938 ou 1928 acerca de outro S de Salazar, António; ou em 1918 sobre outro S de Sidónio</b>. E poderíamos esticar a memória em busca de outros senhores S, com ou sem S.</p>
<p>E o problema não passa por questões &#8211; essas sim atávicas &#8211; de reavivar fantasmas de «fascismo» no actual modo de governo como de repente se lembrou de fazer António Barreto <a href="http://pt.novopress.info/?p=2076">há duas semanas</a>, sendo pronta e certeiramente satirizado por <a href="http://dn.sapo.pt/2008/01/09/opiniao/o_fascismo_anda_ai.html">Baptista-Bastos</a>.</p>
<p><b>O problema da busca do senhor S, que pode ser do Sebastião quinhentista, ou de qualquer Salvador ocasional, é a busca do S de Segurança</b>, sendo que a essa segurança os portugueses &#8211; na sua globalidade &#8211; estão por vezes dispostos ao Sacrifício de muita outra coisa, seja de algumas liberdades que parecem não fazer assim muita falta, seja de algumas décadas da sua vida.</p>
<p>O problema não está no «fascismo», termo a que agora se achou por bem voltar a recorrer com manifesta falta de rigor e propriedade, à falta de melhor. O problema está mesmo dentro de nós porque,<b> por bonita que seja a festa, a maior parte do pessoal gosta mesmo é de Sossego</b>. Se aparece alguém que o garanta em troca de um pedacinho da nossa alma, não se pensa duas vezes.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Pessimismo/Realismo]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2007/12/07/pessimismorealismo/</link>
<pubDate>Fri, 07 Dec 2007 16:21:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2007/12/07/pessimismorealismo/</guid>
<description><![CDATA[Vasco Pulido Valente hoje no Público, a propósito das críticas de pessimismo, a propósito de um inqu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong>Vasco Pulido Valente</strong> hoje no <em>Público</em>, a propósito das críticas de pessimismo, a propósito de um inquérito internacional que coloca os portugueses entre os menos confiantes no futuro (<a href="http://www.gfknop.com/customresearch-uk/">andará por aqui</a> mas não o achei):</p>
<blockquote><p>Segundo o inquérito, os portugueses preferem a honestidade ao poder. Por outras palavras, não querem mudar o mundo, porque desconfiam da mudança. Já lhes basta que não os roubem, iludam ou enganem. É o ponto de vista da vítima. Da vítima da pobreza e da vigarice. Ao próximo (e, sobretudo, ao Estado) só pedem &#8220;tolerância social&#8221;. No fundo, que não se metam com eles, que os deixem pacificamente no seu campo. Gostam da tradição (embora não se perceba qual; suspeito que a do mito salazarista). Não gostam da &#8220;modernidade&#8221; nem da mania de os &#8220;modernizar&#8221;.</p></blockquote>
<p>Eu acho que por &#8220;mito salazarista&#8221; VPV quererá dizer não o salazarismo mas a imagem mítica do passado criada pelo salazarismo.</p>
<p>De certa forma tudo isto é o sinal claro do desânimo perante as sucessivas falsas promessas de falsos salvadores da Pátria.</p>
<p>Acho que Sócrates e o seu furor tecnológico apenas agravaram este &#8220;atavismo&#8221; (para utilizar um termo tão caro ao intelectual vital do momento) nacional e nos forçou ainda mais a desconfiar de tudo o que anuncia a mudança como um bem em si e não como um meio para atingir um objectivo compreensível por todos.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Mas Isso É Normal]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2007/12/05/mas-isso-e-normal/</link>
<pubDate>Wed, 05 Dec 2007 16:21:14 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2007/12/05/mas-isso-e-normal/</guid>
<description><![CDATA[Eduardo Lourenço foi quem mais habilmente demonstrou esta dissociação, nos portugueses, entre a auto]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Eduardo Lourenço foi quem mais habilmente demonstrou esta dissociação, nos portugueses, entre a auto-imagem e as efectivas capacidades. <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1312803&#38;idCanal=58">Por isso não espanta que</a>:</p>
<blockquote><p><strong>Os alunos portugueses de 15 anos são dos que mais valorizam a importância do conhecimento científico.</strong> Em toda a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), são mesmo os que mais desejam seguir uma carreira nesta área, apesar de apenas dominarem as competências mais simples.</p>
<p><strong>A maioria acredita que o seu desempenho é bom e que aprendem rapidamente o que é ensinado nas aulas, demonstrando uma atitude bem mais confiante do que os seus colegas finlandeses, que lideram o ranking. Mas na hora de mostrar as suas competências, só três países se saem pior</strong> &#8211; Grécia, Turquia e México.</p></blockquote>
<p>E depois ainda há quem diga (a parceria ME/Confap) que temos pouca auto-estima e que os professores são terríveis a desmoralizar os alunos. Se mesmo assim são os que têm melhor auto-imagem, nem quero ver como seria de outra forma!</p>
<p>Agora mais a sério: <strong>isto mais não é que a demonstração prática de que os alunos estão já perfeitamente convencidos de que tudo é fácil e que eles são os melhores do mundo. E que o que fazem chega, mesmo não chegando.</strong> Um pouco como no futebol durante muito tempo.</p>
<p>Depois falta é a concretização. E quando aparece alguém que exige mais do que prosápia é que é pior. É porque é muito exigente. Provavelmente é porque <strong>é ruim</strong>. <strong>Ou mesmo disfuncional</strong>.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Portugal Falhado: De Salazar a Sócrates]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2007/11/11/o-portugal-falhado-de-salazar-a-socrates/</link>
<pubDate>Sun, 11 Nov 2007 16:48:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2007/11/11/o-portugal-falhado-de-salazar-a-socrates/</guid>
<description><![CDATA[Já está em DVD e recomenda-se a série documental de António Barreto sobre o Portugal que mudou nos ú]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Já está em DVD e recomenda-se a série documental de António Barreto sobre o Portugal que mudou nos últimos 30-40 anos.</p>
<p>No entanto, se Portugal mudou muito, não é menos verdade que mudou por vezes de forma superficial e localizada. Mas principalmente <strong>de forma pouco solidária e integrada</strong>.</p>
<p>Antes era Lisboa e o resto era paisagem, um pouco mais animada no Porto, em Coimbra e num ou outro centro industrial de maior dimensão.</p>
<p>Agora continuamos a ter Lisboa, algumas  auto-estradas, IP&#8217;s e IC&#8217;s que vão dar a algumas rotundas que permitem aceder a umas quantas capitais de distrito quase sempre suburbanizadas no pior sentido, enquanto a paisagem vai minguando.</p>
<p>Mas por sob a superfície do país que tem a cidade com mais lojas da Fnac da Europa (se excluirmos Paris), onde a maior fatia do negócio começa a ir para os <em>gadgets </em>dos portugueses modernos (os GPS, os IPod, o <em>portátel </em>da Apél, o <em>elecêdê </em>nem sempre com o <em>soundsystem </em>certo desde que seja espalhafatoso), continua a existir o Portugal de outrora, do interior rural cada vez mais deserto &#8211; eucaliptado &#8211; ou cada vez mais esquecido, mesmo que nos cafés exista SporTV.</p>
<p><strong>Se é verdade que o delírio homicida daquele jovem finlandês não me impressionou sobremaneira</strong>, pois já sabemos que as taxas de suicídio e homicídio em série são tanto maiores quanto mais desenvolvidas e anestesiantes são as sociedades (Japão, Escandinávia, EUA), <strong>isso já não aconteceu com o homicídio por crueldade arbitrária que aconteceu no lugar da Borralheira, freguesia de Teixoso, nas imediações da Covilhã, e o qual vitimou na madrugada de 28 de Outubro um português das minhas idades</strong>, João Inácio de seu nome bem tradicional, prisioneiro das suas fraquezas, do seu mundo fechado e da maldade daquele quarteto de adolescentes e jovens adultos que procuram alegrar o seu tédio com o mal alheio.</p>
<p>A reportagem que leio na <em>Visão </em>desta semana devolve-me o Portugal de sempre, dos septuagenários de boina na mão ou lenço na cabeça, de traje negro ou pardacento, das terreolas sem perspectivas de emprego, das bebedeiras de todos os dias, da condescendência para com os pecados alheios a que se fecham os olhos e as janelas, agora também sem a velha escola primária, sem futuro que caiba num powerpoint governamental.</p>
<p><strong>Esse Portugal continua a existir por muito que o tentem abafar, destruir ou esconder em nome da modernidade e racionalidade económico-tecnológica. As pessoas continuam lá com as suas frustrações, os seus bloqueios e os seus demónios.</strong></p>
<p>Tão maus como o de qualquer letrado finlandês, armado em filósofo e rebelde de pacotilha. Por cá a maldade e a violência ainda não foram racionalizadas, ritualizadas ou mecanizadas a esse ponto. Por cá ainda temos a boa e velha violência visceral, mesquinha e cobarde, de quem bate nos indefesos ou em aqueles que estão em desvantagem, para exorcizar as suas próprias insuficiências. Digam que é preconceito socio-cultural meu, mas os latinos ainda não chegaram ao ponto de racionalidade homicida de outras paragens. O que não significa grande coisa. Apenas que, até aí, estamos mais atrasados e iletrados. <strong>Aposto que nenhum dos assassinos da Borralheira saberia citar qualquer filósofo ou dissertar sobre o vazio existencial que os levou a ser apenas cobardemente cruéis</strong>.</p>
<p>Há quem justificadamente se preocupe com a perda de identidade, a descaracterização e o anonimato da vida nas grandes áreas (sub)urbanas. Mas essa é apenas uma das facetas de um <strong>Portugal falhado</strong>, que <strong>progrediu não a duas, mas apenas a uma velocidade, pois o resto ficou parado</strong>, paradinho no tempo e preso, esse sim, dos atavismos de sempre.</p>
<p><a href="http://educar.wordpress.com/files/2007/11/crime.jpg" title="crime.jpg"></a><a href="http://educar.wordpress.com/files/2007/11/crime.jpg" title="crime.jpg"></p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://educar.wordpress.com/files/2007/11/crime.thumbnail.jpg" alt="crime.jpg" /></p>
<p></a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Mas Até Há Quem Escreva Coisas Com Sentido Sobre o Abandono Escolar e as Suas Causas]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2007/10/17/mas-ate-ha-quem-escreva-coisas-com-sentido-sobre-o-abandono-escolar/</link>
<pubDate>Wed, 17 Oct 2007 18:43:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2007/10/17/mas-ate-ha-quem-escreva-coisas-com-sentido-sobre-o-abandono-escolar/</guid>
<description><![CDATA[O estranho em muita da retórica ministerial &#8211; e de alguns opinadores laterais &#8211; sobre o ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>O estranho em muita da retórica ministerial &#8211; e de alguns opinadores laterais &#8211; sobre o abandono escolar é que raramente converge com as constatações de quem estudou efectivamente a matéria. É o caso de <strong>Joaquim Azevedo</strong> e de uma obra que já por aqui citei, onde se pode ler na respectiva conslusão:</p>
<blockquote><p>Quanto ao universo empresarial, o estudo vinca, mais ou menos directamente, <strong>que existe uma forte agressividade local na oferta de empregos mal remunerados e desqualificados</strong>; que se mantém um grande número de actividades que recorrem a um modo de produção artesanal e tradicional, como a confecção, o vestuário, o calçado, o mobiliário e a construção civil; que <strong>o recurso à contratação de ciranças e jovens em idade escolar se processa por convergência de actuações e expectativas entre os empresários locais e os pais desses menores</strong>.<br />
(&#8230;)<br />
Seria importante observar mais aprofundadamente que, ao mesmo tempo que ocorre um processo de socialização por via das instituições esciolares de ensino básico, se verifica haver também um processo de subjectivação, na medida em que <strong>o adolescente, por via de uma leitura distanciada face às próprias debilidades do modelo escolar que o rodeia, recusa a relevância escolar e elege a actividade profissional como fazendo mais sentido para a vida</strong>.<br />
Ora como referimos acima, estas características e estas atitudes entrecruzam-se e, em vários casos, emaranharam-se de modo por vezes insondável: são expectativas de melhoria do rendimento familiar que não incluem um prévio investimento prolongado na escolarização dos filhos; são pais pouco escolarizados e que ocupam empregos pouco qualificados, que encontram lugares disponíveis [para os filhos] no mercado de emprego; são empresários que desprezam a escolarização básica dos cidadãos (&#8230;); <strong>são empresários que expandem um modelo industrial altamente capaz de criar novos empregos, o que é atractivo para os pais destes grupos socioprofissionais e, em geral, para os seus filhos, apesar dos empregos serem indevidamente remunerados, serem desqualificados, precários e, em alguns casos, ilegais</strong>; são pais e empresários que, por vias e com propósitos diversos, convergem no apoio à contratação de crianças e jovens, retirando-os do ambiente escolar (&#8230;). (Joaquim Azevedo, Inserção precoce de jovens no mercado de trabalho, Ministério do Trabalho e da Solidariedade, 1999, pp. 78-79)</p></blockquote>
<p>Passou perto de uma década mas a realidade não se alterou muito, apenas se tendo terciarizado mais as ofertas de trabalho para jovens com escassa escolarização, empregos desqualificados, precários e mal remunerados. O resto, <strong>um país economicamente subdesenvolvido sem capacidade de absorver uma mão-de-obra qualificada e cara, mas ansioso por <em>part-times</em> &#8220;flexíveis&#8221; é o mesmo</strong> e chega a ser apresentado pelo Ministro da Economia como uma vantagem competitiva.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Vasco Pulido Valente Sobre A Corrupção]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2007/10/07/vasco-pulido-valente-sobre-a-corupcao/</link>
<pubDate>Sun, 07 Oct 2007 14:16:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2007/10/07/vasco-pulido-valente-sobre-a-corupcao/</guid>
<description><![CDATA[Cravinho descreve o &#8220;choque&#8221; que sofreu com a complacência do PS perante a corrupção do ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><blockquote><p>Cravinho descreve o &#8220;choque&#8221; que sofreu com a complacência do PS perante a corrupção do Estado. Sofreria com certeza um &#8220;choque&#8221; igual, e talvez pior, no PSD.<strong> A verdade é que o &#8220;bloco central&#8221; se fundiu com o Estado.</strong> Não existe um Estado independente do &#8220;bloco central&#8221; e muito menos dos &#8220;negócios&#8221;, que o apoiam e sustentam: da banca e da energia a quatro ou cinco escritórios de advogados. Cravinho, como Cavaco, não percebeu, ou preferiu omitir, que hoje não se trata de reformar uma parte inaceitável do regime, mas pura e simplesmente de mudar o regime. <strong>Se por acaso caísse do céu a &#8220;transparência&#8221; que o dr. Cavaco deseja, metade da primorosa elite do nosso país marchava para a cadeia como um fuso</strong>. (Vasco Pulido Valente, Público, 7 de Outubro de 2007, p. 48, sem link e sem digitalização por falta de tempo)</p></blockquote>
<p>Renovo aqui as minhas profundas reservas quanto ao <em>choque</em> de Cravinho, pois para acreditar em tal teria de achar que o homem andou 20 ou 30 anos na política de olhos e ouvidos tapados.</p>
<p>Quanto a VPV, bem ao seu estilo, quando acorda bem e olha para o sítio certo, a prosa sai-lhe, e sai-nos, saborosa.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Portugal Profundo]]></title>
<link>http://educar.wordpress.com/2007/08/21/o-portugal-profundo/</link>
<pubDate>Tue, 21 Aug 2007 15:36:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>Paulo Guinote</dc:creator>
<guid>http://educar.wordpress.com/2007/08/21/o-portugal-profundo/</guid>
<description><![CDATA[Como já disse, faço questão quase todos os anos de fazer parte das minhas férias em périplo pelo paí]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Como já disse, faço questão quase todos os anos de fazer parte das minhas férias em périplo pelo país, ficando um par de noites (e dias) aqui e outro par acolá. Dá para ir notando, em especial quando se volta aos mesmos locais uma década depois, o que mudou e o que se manteve.</p>
<p>Se é verdade que alguma coisa mudou, em especial com o milagre da multiplicação das rotundas e das superfícies comerciais, <strong>muita coisa se tem mantido, a começar por alguns nossos hábitos ancestrais, aqueles que estão mais profundamente radicados</strong> na<em> alma lusitana</em> ou <em>tuga</em> (conforme os gostos) e que, ao contrário do que alguns nos querem fazer crer, não são apenas uma representação auto-depreciativa nacional (que Eduardo Lourenço e José Gil são os melhores a analisar, assim como Miguel Esteves Cardoso e Vasco Pulido Valente em dias bons) ou uma construção xenófoba dos visitantes britânicos dos séculos XVIII e XIX (os Beckfords, Byrons), mas algo que qualquer visitante atento consegue discernir sem especial esforço.</p>
<p>Para além disso coincidiu com esta nova voltinha, o facto de nos fins de semana de Agosto estar a passar na RTP2 uma pequena série de programas em que se entrevistam escritores estrangeiros que se radicaram em Portugal (Robert Wilson, Gerrit Komrij, Richard Zimmler)  e que, gostando dos portugueses ao ponto de cá ficarem, não deixam de encontrar <strong>esses traços muito especiais desse ser português que acaba por encravar isto tudo, mesmo quando se afirma que é tudo em nome do progresso</strong>. Como neste sábado foi a vez do programa com o holandês Komrij, aqui fica uma passagem escrita há menos de uma década, apenas uma entre as muitas deliciosas pela ironia contida que as atravessa, pois o mero relato dos factos quase chega como efeito literário.</p>
<blockquote><p>O presidente da junta da aldeia onde moro &#8211; sucessor de Fernando e explorador de um  tractor &#8211; meteu os pedidos de orçamento para o próximo ano.<br />
«Presidente» dá impressão de grande coisa. A aldeia onde moro conta noventa almas e pertence a uma cadeia de lugarejos que, juntos, formam então o mucicípio.<br />
Cada lugarejo tem um «presidente» assim, escolhido por um período de quatro anos, para que ele, em contrapartida, dê junto da municipalidade o alarme para as car~encias em que vive o seu ranchinho de eleitores.<br />
Como as probabilidades de apoio financeiro são diminutas &#8211; dada a concorrência entre tantos lugarejos e a esmagadora modéstia do orçamento a repartir -, ele terá evidentemente de arranjar uma carência <strong>aflitiva</strong>. E não mais do que uma de cada vez.<br />
A aldeia onde moro é muito carente.<br />
Há uma estrada perigosa a atravessá-la. Os condutores mal abrandam a velocidade, e os camiões, carregados até mais não de toros de árvores, passam a rasar as casas. Só por milagre não morre regularmente algum miudito. O presidente da junta poderia pedir um desvio, um semáforo, um passeio.<br />
à menor lufada de vento, falta a electricidade. Dez, doze vezes, por uns minutos ou por umas horas. O presidente da junta poderia pedir um reforço ao distribuidor local.<br />
O barracão comunitário &#8211; cada lugarejo tem a sua casa do povo &#8211; está por acabar, os miúdos fazem récitas debaixo de um alpendre de papelão empenado e, durante o período pluvial, há danças de salão numa poça de água.<br />
É um número suficiente de carências aflitivas, a justificarem um pedido de apoio financeiro a que nenhuma autarquia haveria de ficar insensível.<br />
A única coisa, todavia, para que o presidente da junta da aldeia onde moro voltou este ano a meter um pedido foi o alargamento do cemitério.<br />
Existem já, neste lugarejo de noventa almas, <strong>dois </strong>cemitérios. Um data do século dezanove, o outro juntou-se-lhe nos anos sessenta. Dá espaço para que chegue para mais dois séculos.<br />
(&#8230;)<br />
Disseram-me esta manhã que o terreno junto ao cemitério já está à venda há anos, sem resultado. Ninguém aí quer construir, por causa do panorama pouco animador. Ninguém quer aquilo para quintal, devido à humidade e à sombra do muro do cemitério. E parece não ser já segredo que o dono do dito terreno é o presidente da junta da aldeia onde moro. (Gerrit Komrij, Um almoço de negócios em Sintra, pp. 31-33)</p></blockquote>
<p align="center"><img border="0" align="middle" width="205" src="http://i30.photobucket.com/albums/c347/PauloG/Gerrit.jpg" height="319" style="width:189px;height:286px;" /> </p>
<p>Parecendo que não, isto tem tudo a ver com a nossa Política, com a Educação e tudo o resto, incluindo os planos tecnológicos.</p>
</div>]]></content:encoded>
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