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	<title>psicologia-analitica &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/psicologia-analitica/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "psicologia-analitica"</description>
	<pubDate>Sat, 26 Dec 2009 03:59:21 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA["Dalla filosofia antica alla psicologia del profondo"]]></title>
<link>http://gabrielelaporta.com/2009/10/26/dalla-filosofia-antica-alla-psicologia-del-profondo/</link>
<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 16:57:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>Gabriele La Porta</dc:creator>
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<description><![CDATA[Cari amici, domenica 13 Dicembre 2009 insieme al Prof. Giovanni Gocci, Psicologo analitico e diretto]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Cari amici, domenica 13 Dicembre 2009 insieme al Prof. Giovanni Gocci, Psicologo analitico e diretto]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Teste 2]]></title>
<link>http://sunthemata.wordpress.com/2009/10/17/teste-2/</link>
<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 23:24:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Wolney Martini</dc:creator>
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<description><![CDATA[Outro teste.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Outro teste.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Encontro Temático em Arteterapia - Leituras Jungiana e Psico-Orgânica na Prática Arteterapêutica]]></title>
<link>http://muralpsicologia.wordpress.com/2009/10/16/encontro-tematico-em-arteterapia-leituras-jungiana-e-psico-organica-na-pratica-arteterapeutica/</link>
<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 21:44:58 +0000</pubDate>
<dc:creator>raelmello</dc:creator>
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<description><![CDATA[www.incorpoarte.psc.br at@incorpoarte.psc.br]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignnone size-full wp-image-171" title="encontro tematico de arteterapia leituras jungianas e psicoorganicas" src="http://muralpsicologia.wordpress.com/files/2009/10/encontro-tematico-de-arteterapia-leituras-jungianas-e-psicoorganicas.jpg" alt="encontro tematico de arteterapia leituras jungianas e psicoorganicas" width="450" height="1117" /></p>
<p><a href="http://www.incorpoarte.psc.br">www.incorpoarte.psc.br</a></p>
<p>at@incorpoarte.psc.br</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Soluções inconscientes]]></title>
<link>http://marcelovinicius.wordpress.com/2009/09/11/solucoes-inconscientes/</link>
<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 15:45:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>Marcelo Vinicius</dc:creator>
<guid>http://marcelovinicius.wordpress.com/2009/09/11/solucoes-inconscientes/</guid>
<description><![CDATA[Num estudo de 2004, o neurocientista Ullrich Wagner, da Universidade de Lubeck, Alemanha, demonstrou]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img src="http://marcelovinicius.wordpress.com/files/2009/09/dormir.jpg?w=150" alt="Dormir" title="Dormir" width="150" height="117" class="alignright size-thumbnail wp-image-116" />Num estudo de 2004, o neurocientista Ullrich Wagner, da Universidade de Lubeck, Alemanha, demonstrou quão poderoso pode ser o processamento de memórias no sono. Ele ensinou aos participantes como resolver um tipo de problema matemático, usando um procedimento longo, e fez com que o repetissem cerca de 100 vezes. Em seguida, pediu para os voluntários irem embora e voltar 12 horas mais tarde, quando foram instruídos a tentar outras 200 vezes.</p>
<p>Embora não soubessem que havia uma maneira bem mais simples de resolver os problemas, os pesquisadores perceberam exatamente quando eles descobriram o atalho, pois a velocidade da resolução da tarefa aumentava de repente. Muitos dos participantes descobriram o truque durante a segunda sessão, e esta chance aumentou 59% depois de uma noite de sono. De alguma forma o cérebro adormecido estava solucionando esse problema, sem nem mesmo saber que havia algo para solucionar. Um processo inconsciente.</p>
<p>Também outros estudos científicos comprovam que o sono foi um fator facilitador para solução de problemas mais complexos. Ao contrário que muitos pensam, o cérebro não descansa durante o sono, mas encontra-se em franca atividade. É possível fazer deduções lógicas de forma inconsciente e descobrir novas informações em aprendizagem direta.</p>
<p>Isso nos faz retomar os estudos psicanalíticos como um todo, em suas diversas abordagens, em que se pode encontrar que o inconsciente está sempre trabalhando. Sendo mais especifico, podemos falar da Psicologia Analítica, uma das “vertentes” da Psicanálise, uma vez que no material <em>“Carl Gustav Jung. O Eu e o inconsciente”</em> nos explica esse processo e assim sabemos que o inconsciente nunca está em repouso. Sua atividade parece ser contínua.</p>
<p>Além do conceito de Freud que afirma que o inconsciente é formado pelos conteúdos que são reprimidos pelo ego, Jung demonstra que o inconsciente também é dinâmico, produz conteúdos, reagrupa os já existentes e trabalha numa relação compensatória e complementar com o consciente. No inconsciente encontram-se, em movimento, conteúdos pessoais, adquiridos durante a vida e mais as produções do próprio inconsciente.</p>
<p>Estes estudos da Neurociência vêm mais uma vez colaborar com os estudos da Psicologia Analítica, a qual já tinha afirmado, mais ou menos nos anos 30 do século XX, um conceito semelhante de que todas estas coisas (soluções inconscientes), evidenciada agora pela Neurociência, são sintomas da contínua atividade do nosso inconsciente que atua mesmo ao dormimos, em uma noite de sono e que durante o dia vence ocasionalmente as inibições impostas pela consciência. Por isso que também encontramos relatos de pessoas que tiveram grandes idéias ao sonhar.</p>
<p>Aproveitando, de forma sintetizada, o que é então o sonho? O sonho é um produto, da atividade psíquica inconsciente durante o sono. O sonho é um processo automático, que se fundamenta na atividade independente provinda do inconsciente e que não está sujeito à nossa vontade, do mesmo modo que o processo fisiológico da digestão. Trata-se de um processo psíquico absolutamente objetivo, de cuja natureza podemos tirar conclusões objetivas a respeito do estado psíquico realmente existente. </p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[XVII Congresso Internacional da Assoacição Jungiana Brasileira]]></title>
<link>http://muralpsicologia.wordpress.com/2009/09/09/xvii-congresso-internacional-da-assoacicao-jungiana-brasileira/</link>
<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 00:31:50 +0000</pubDate>
<dc:creator>raelmello</dc:creator>
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<description><![CDATA[]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignnone size-full wp-image-5" title="arteeanalise_xviicongresso" src="http://muralpsicologia.wordpress.com/files/2009/09/arteeanalise_xviicongresso.gif" alt="arteeanalise_xviicongresso" width="450" height="590" /></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Amor bandido: Mulheres vítimas de violência]]></title>
<link>http://psicopauta.wordpress.com/2009/08/18/mulheres-levam-10-anos-para-sair-de-relacao-violenta/</link>
<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 15:23:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>psicopauta</dc:creator>
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<description><![CDATA[As mulheres demoram em média 10 anos para sair de uma relação violenta, segundo estatísticas mundiai]]></description>
<content:encoded><![CDATA[As mulheres demoram em média 10 anos para sair de uma relação violenta, segundo estatísticas mundiai]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Primera jornada internacional junguiana 2009]]></title>
<link>http://erichluna.wordpress.com/2009/08/13/primera-jornada-internacional-junguiana-2009/</link>
<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 06:13:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>Erich Luna</dc:creator>
<guid>http://erichluna.wordpress.com/2009/08/13/primera-jornada-internacional-junguiana-2009/</guid>
<description><![CDATA[Más información aquí.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Más información <a href="http://synchronicity23.wordpress.com/">aquí</a>.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://synchronicity23.files.wordpress.com/2009/08/email_flyer_0037.jpg?w=800&#038;h=600" alt="" width="800" height="600" /></p>
<p><img class="aligncenter" src="http://synchronicity23.files.wordpress.com/2009/08/email_flyer_002.jpg?w=800&#038;h=600" alt="" width="800" height="600" /></p>
<p><img class="aligncenter" src="http://synchronicity23.files.wordpress.com/2009/07/posterjung004peq2.jpg?w=842&#038;h=1191" alt="" width="842" height="1191" /></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Giovanni Gocci, “Comunicazione e cambiamento”]]></title>
<link>http://gabrielelaporta.com/2009/08/11/giovanni-gocci-%e2%80%9ccomunicazione-e-cambiamento%e2%80%9d/</link>
<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 08:13:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>Gabriele La Porta</dc:creator>
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<description><![CDATA[Il linguaggio rappresenta la più grande conquista dell’uomo, e come esprime Paul Watzlawick: «la com]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Il linguaggio rappresenta la più grande conquista dell’uomo, e come esprime Paul Watzlawick: «la com]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[JUNG en el Perú. Porque nadie entendió mejor la complejidad de nuestra época....]]></title>
<link>http://synchronicity23.wordpress.com/2009/08/04/jung-en-el-peru-porque-nadie-entendio-mejor-la-complejidad-de-nuestra-epoca/</link>
<pubDate>Tue, 04 Aug 2009 22:16:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>synchronicity23</dc:creator>
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<description><![CDATA[Por primera vez en el Perú se llevará a cabo una jornada internacional en torno al pensamiento de Ca]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://synchronicity23.wordpress.com/files/2009/08/email_flyer_002.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-28" title="email_flyer_002" src="http://synchronicity23.wordpress.com/files/2009/08/email_flyer_002.jpg" alt="email_flyer_002" width="470" height="352" /></a>Por primera vez en el Perú se llevará a cabo una jornada internacional en torno al pensamiento de Carl Gustav  Jung, a quien Freud consideró su sucesor en el movimiento psicoanalítico antes de su rompimiento algunos años después de empezar a trabajar juntos.</p>
<p>Para Jung lo más importante en el trabajo psíquico es interpretar las formas en que el alma se está tratando de manifestar en el individuo y en el colectivo. Jung postuló la existencia del inconsciente colectivo, nombre moderno de lo que los antiguos conocieron como el Anima mundi, y desarrolló a partir de las intuiciones del psicoanálisis  una fenomenología de la psique que junto con su trabajo con las imágenes de los mitos, sirve para interpretar los fenómenos de nuestra actual cultura con una mirada de inigualable profundidad.</p>
<p>Su énfasis en la imaginación, en el trabajo con las imágenes, en el impulso humano hacia lo trascendente complementan la mirada psicoanalítica  en la comprensión de los fenómenos espirituales, creativos y artísticos de maneras sumamente provechosas e iluminadoras.</p>
<p>Su énfasis en la importancia de los mitos para entender la constitucion de la psique individual, para interpretar el significado de nuestros sueños y para enriquecer nuestra búsqueda personal de sentido son únicas e invalorables para aproximarse a las complejas dinámicas de la psique.</p>
<p>El propósito de este evento es abrir un espacio para la reflexión sobre las contribuciones seminales de Jung para la comprensión del alma humana y para propiciar un diálogo con el psicoanálisis y otras disciplinas en nuestro medio.</p>
<p>La Primera Jornada Internacional de Psicología Junguiana será de interés para psicoanalistas, psicólogos, sociólogos, filósofos, antropólogos, artistas, educadores y todos aquellos interesados en comprender la naturaleza del alma humana y el sentido de su existencia.</p>
<p>PROGRAMA<br />
El evento se ha estructurado en dos partes: La primera parte se realizará en el mes de agosto con  Ilan Gheiler &#8211;filósofo y educador, candidato al diploma del C.G. Jung Institut en Zurich&#8211;, quien dictará la conferencia &#8220;Juicios, prejuicios y perjuicios: La inconsciencia colectiva&#8221;, el miércoles 12 de agosto a las 7:30pm; lo acompañarán un panel de dos psicoanalistas, la Dra. Liliana Blaustein y el Dr. Eduardo Gastelumendi. Ilan  Gheiler dictará asímismo un seminario de Introducción a la Psicología Analítica, cuyo objetivo es crear puentes entre las distintas escuelas de la psicología de lo profundo: Jung, Freud, Klein, Stern, Lichtenberg, Fordham, Neumann et al, el martes 18 y miércoles 19 de agosto de 6pm a 8pm.</p>
<p>La segunda parte del evento se realizará en el mes de septiembre, a cargo del Dr. Eduardo Carvallo &#8211;psiquiatra y analista junguiano de la Sociedad Venezolana de Analistas Junguianos,  Caracas.  El Dr. Carvallo dictará un taller sobre &#8220;Interpretación de los sueños&#8221;, el sábado 12 y domingo 13 de septiembre, donde integrará  los métodos de amplificación y lectura de imágenes desarrollados por Jung  y los aportes y reflexiones postjunguianas de López Pedraza, Von Franz, Mattoon y Bosnak. El lunes 14 de septiembre dictará la conferencia &#8220;Aproximación al inconsciente desde la psicología de Carl Gustav Jung&#8221;, donde se revisará la evolución que sufre el concepto de &#8220;sombra&#8221; y la percepción del inconsciente personal a lo largo de la obra de Jung, así como su aplicación a fenómenos de actualidad en la sociedad y cultura. Dos panelistas (por definir) comentarán su ponencia e iniciarán la discusión con la audiencia.</p>
<p>Inversión<br />
Conferencias: S/. 40. (general); S/ 30. (estudiantes)<br />
Seminario de Ilan Gheiler: S/. 80. (general); S/. 50 (estudiantes)<br />
Taller &#8220;Interpretación de los sueños&#8221;:  S/. 160 (general), S/ 120 (estudiantes)<br />
Evento completo (dos conferencias, seminario y taller) S/ 300 (general), S/. 200 (estudiantes)<br />
**Precio especial para tuiteros**</p>
<p>Información e inscripciones:<br />
Escuela de Psicoterapia psicoanalítica clínica y aplicada: email: epca@telefonica.net.pe<br />
Página web: www.epca.edu.pe<br />
Teléfonos: 264-2094, 264-2757, 997-52-048<br />
Inscríbase ya!<br />
************Cupo limitado*************</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Os tipos psicológicos de Carl Jung]]></title>
<link>http://nairamodelli.wordpress.com/2009/06/15/os-tipos-psicologicos-de-carl-jung/</link>
<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 00:26:50 +0000</pubDate>
<dc:creator>Naira Modelli</dc:creator>
<guid>http://nairamodelli.wordpress.com/2009/06/15/os-tipos-psicologicos-de-carl-jung/</guid>
<description><![CDATA[Oi pessoal! Vocês já escutaram falar em Carl Gustav Jung? Pois é, este psiquiatra suíço (1875 ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Oi pessoal! </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Vocês já escutaram falar em Carl Gustav Jung? Pois é, este psiquiatra suíço <img class="size-thumbnail wp-image-614 alignleft" title="carl_jung" src="http://nairamodelli.wordpress.com/files/2009/06/carl_jung.jpg?w=104" alt="carl_jung" width="104" height="150" />(1875 &#8211; 1961) foi um dos autores que mais estudou a personalidade humana, interessado e preocupado com as relações do homem com o mundo externo e com a comunicação entre as pessoas. Elaborou uma variação sobre a obra de Sigmund Freud e a psicanálise, interpretando os distúrbios mentais como uma forma patológica de procurar a auto-realização pessoal e espiritual.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Além de acreditar numa série de noções do oculto e paranormal, Jung contribuiu na tentativa de estabelecer uma psicologia baseada em crenças pseudocientíficas. Acreditava na astrologia, espiritismo, telepatia, telecinética, clarividência e PES (Percepção Extra-Sensorial).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Iniciou seus trabalhos pesquisando as associações verbais, e estes estudos proporcionaram-lhe reconhecimento internacional, além de, um período de bastante proximidade com Freud. Entretanto, tamanha identidade de pensamentos e amizade não conseguia esconder algumas diferenças fundamentais. Jung jamais conseguiu aceitar a insistência de Freud de que as causas dos conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de natureza sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo em si. Com a publicação do livro “Transformações e símbolos da libido” (1912), ocorreu definitivamente o rompimento do relacionamento entre eles. Posteriormente, Jung estabeleceu um estreito paralelismo entre os mitos arcaicos e as fantasias psicóticas, explicando as motivações humanas em termos de energia criativa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Dois anos depois, abandonou a presidência da Sociedade Internacional Psicoanalítica para fundar um movimento denominado Psicologia Analítica. Nos últimos 50 anos de sua vida, Jung dedicou-se a desenvolver suas teorias, aplicando uma ampla erudição sobre mitologia e história, realizou viagens com o objetivo de conhecer as diversidades culturais, além de trabalhar os sonhos e fantasias de sua infância.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Em 1921, publicou outra de suas principais obras: “Tipos Psicológicos”. Nesta obra, ele abordou a relação entre o consciente e o inconsciente propondo a diferenciação de tipos de personalidade: extrovertida-introvertida. Por último, fez uma diferenciação entre o inconsciente individual e o inconsciente coletivo, que, segundo ele, possuía sentimentos, pensamentos e recordações que condicionavam cada sujeito (desde seu nascimento), inclusive, em sua forma de simbolizar os sonhos. Ou seja, o modo preferencial de uma pessoa                  reagir ao mundo deve-se dentre outras, a herança genética,                  as influências familiares e as experiências que o                  indivíduo teve ao longo de sua vida.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O inconsciente coletivo contém arquétipos, imagens primitivas, primordiais, as quais se recorrem em situações como a confrontação com a morte, ou na escolha de um parceiro, ou, ainda, na manifestação de elementos culturais como a  religião, os  mitos e  lendas populares. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Portanto, o enfoque terapêutico de Jung se dirigia a reconciliar os distintos estados da personalidade, divididos em introversão e extroversão (I ou E), sensações e intuição (S ou N), sentimento e pensamento (F ou P) e julgamento e percepção (J ou P) &#8211; estes últimos somente acrescentados na teoria de Myers e Briggs, o que permite a identificação da função auxiliar de cada tipo, algo não realizado pelo próprio Jung.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Assim, no MBTI (Myers Brigss Type Indicator), temos a seguinte seqüência:</span></p>
<p><span style="color:#000000;">1ª letra : indica a disposição principal (E ou I).<br />
2ª letra : indica a função de percepção mais conscientemente utilizada (S ou N).<br />
3ª letra : indica a função de julgamento mais conscientemente utilizada (T ou F).<br />
4ª letra : indica o modo pelo qual o sujeito aborda mais conscientemente o mundo externo (P ou J).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Obviamente, como é impossível agradar a todos, há quem critique sua obra. De acordo com Anthony Storr, Jung era um homem doente que via a si mesmo como um profeta. Jung referiu-se à sua &#8220;doença criativa&#8221; (entre 1913-1917) como uma confrontação voluntária com o inconsciente. A sua visão era que todos os seus pacientes com mais de 35 anos sofriam de &#8220;perda de religião&#8221; e ele tinha com que encher as suas vidas vazias: o seu próprio sistema metafísico de arquétipos e a inconsciência coletiva. Em resumo, ele pensou poder substituir a religião com o seu próprio ego e assim trazendo sentido a todos cujas vidas eram vazias e sem significado. Mas a sua &#8220;visão&#8221; são ilusões e ficções. São inúteis para pessoas saudáveis.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Bem, se é certo ou não, já não cabe a mim a resposta. Este teste é bastante utilizado como orientação vocacional e até mesmo em processos seletivos. Até agora não soube de ninguém que não tenha se identificado com a descrição. Façam vocês mesmos e descubram qual o seu tipo psicológico, e por favor, não deixem de comentar o resultado. O meu foi ENFJ, vejo por Jung que escolhi a profissão certa! =)<br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://www.inspiira.org/" target="_blank">Teste &#8211; Os Tipos Psicológicos de Carl Jung</a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Caso queiram outra abordagem sobre o seu tipo de personalidade, <a href="http://www.geocities.com/intpbr/tiposemportugues.html" target="_blank">aqui</a></span> também tem.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Um abraço e uma ótima semana a todos!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><br />
</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Fontes:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Gustav_Jung" target="_blank">http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Gustav_Jung</a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://www.suapesquisa.com/biografias/carl_jung.htm" target="_blank">http://www.suapesquisa.com/biografias/carl_jung.htm</a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://www.skepdic.com/brazil/carljung.html" target="_blank">http://www.skepdic.com/brazil/carljung.html</a></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Fatal]]></title>
<link>http://ideiasemfolhas.wordpress.com/2009/06/04/fatal/</link>
<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 23:56:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>Giordano Pablo Dantas</dc:creator>
<guid>http://ideiasemfolhas.wordpress.com/2009/06/04/fatal/</guid>
<description><![CDATA[Inicialmente, considero o nome do filme auto-explicativo, “Fatal”: aquilo que necessariamente há de ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img src="http://ideiasemfolhas.wordpress.com/files/2009/06/fatal-poster04.jpg" alt="fatal-poster04" title="fatal-poster04" width="496" height="371" class="alignright size-full wp-image-105" /></p>
<p>Inicialmente, considero o nome do filme auto-explicativo, “Fatal”: aquilo que necessariamente há de acontecer; que não podia deixar de acontecer; inevitável, fatal.  </p>
<p>O que vemos nessa grande obra cinematográfica é mais uma forma de transmitir em imagens uma complexa simbologia arquetípica do inconsciente, e como o seu poder de interferir na vida dos homens se manifesta fatalmente, caso não saibamos compreendê-lo. </p>
<p>Brilhantemente atuando no papel de David Kepesh (Kingsley), que representa um bem sucedido crítico cultural de TV e astro literário de uma universidade de Nova York, que acreditava que toda a sua existência girava entorno da profissão e do sexo, vivendo todas as demais coisas da vida como se fossem secundarias àquelas, de maneira a negligenciar as forças psíquicas da “anima” ( a energia potencial da feminilidade), em prol do “animus” ( energia potencial da masculinidade),  gerando choques traumáticos em sua vida. Assim, o personagem se furtava de viver, por exemplo, relacionamentos afetivos, chegando ao extremo de não se permitir ao convívio com seu próprio filho, como se ao “esconder” tais sentimentos ele estaria se resguardando de futuras frustrações, um medo aparentemente inexplicável, já que em outros espaços ele transitava com muita destreza.</p>
<p>Parte daqui a problemática que vai permear todo o drama do filme. Foi pelo viés psicológico baseado na obra &#8220;O Animal Agonizante&#8221;, do escritor Philip Roth, que a cineasta espanhola Isabel Coixet, põe suas lupa/lentes com a precisão de um arqueólogo a procura de achados de “mundos escondidos”, no caso, “mundos psíquicos”. </p>
<p>Em primeiro lugar, inicio a minha analise sob o aspecto da personalidade, em que pese a sua intelectualidade, ele não conseguia entender nem a si mesmo. Se revestindo nos moldes do intelectual, do auto-suficiente, do egocêntrico, ele acreditava que tudo já estava dado. Do outro lado, suas fragilidades eram visíveis – mesmo que não percebidas – pois ele tentava se “humanizar” buscando ter acesso a obras de arte, na musica, na literatura, coisas que, simbolicamente falando, quando são exageradamente buscadas, indicia maneiras/reflexos de algo que esta tentando manter um contado, pedindo a atenção para algum “vazio”, que diz: Você não está dando a devida atenção ao seu lado recalcado. Isso indubitavelmente o atingia frontalmente, de tal maneira que seu modo de “ler” o mundo era pragmático e “cientificado”, vivendo, tão-somente, para o mundo das funções, o que fazia dele uma pedra de mármore, sem valor algum, sem motivo de ser, desde que lapidada por alguém. </p>
<p>Essa “necessidade de alguém” aparece quando surge Consuela (Penélope Cruz), uma jovem estudante, abundantemente bela – comparada no filme a uma obra de arte pelo próprio personagem -, que abala com as edificações seguras do homem que parecia ter o poder de determinar o seu futuro até ser perfurar a fortaleza do seu ego por uma mulher. Percebendo nela coisas que ele não tinha &#8211; ou não dava importância (?) &#8211; como à beleza, à juventude, à sensibilidade; é solapado por um novo encontro consigo mesmo. O olhar para ela, na verdade é um olhar para dentro de si, e isso o causa um tremendo desconforto, pois se ver frente a frente com todos os seus “pesadelos”. Agora ele é desconstruído diante da impotência gerada por tais sentidos. “Não foi um encontro único”, diz ele em uma passagem do filme, se referindo à nova relação, como se até aquele momento não tivesse vivenciado uma experiência a dois, e que dessa vez ele não escaparia da “teia do amor”. Tais negações são como águas represadas, quanto mais acumuladas, mais se enche de energia, podendo a qualquer instante “arrebentar” com os muros que a represam. É justamente ele o vitimado por tantos acúmulos recalcados.</p>
<p>Mas como toda destruição só existe para reconstruir – salve Shiva! – a sua vida é levada a mudanças até então inimagináveis. Há uma frase proferida pelo amigo do personagem David que é de grande riqueza interpretativa. Quando seu amigo fala: “Mulheres bonitas são invisíveis, somos bloqueados pela barreira da beleza, ficamos tão encantados com a beleza exterior, que nunca chegamos ao interior”. Nesse “provérbio” dito num momento aparentemente simplório do filme, é de tamanha importância que eu chego a classificá-lo como a chave que desvela todo o mistério do filme.</p>
<p>Se levarmos em conta que a diretora está trabalhando com a simbologia arquetípica &#8211; e penso eu que ela fez justamente isso – elevando a figura da Consuela ao status de uma deusa Grega, perfeita na sua face externa, e cheia de conteúdo mitológico “intocável” por dentro, é exatamente por esta linguagem que se comunica o filme “Fatal”. Ora, a Consuela é tão inacessível que isso gera logo uma curiosidade sobre sua “origem”. O arquétipo da beleza, da juventude, da humildade, da família, da sensibilidade, da mãe, do amigo, tudo isso se personifica na criação da “mulher ideal” que está representada na mitologia de varias formas, e quando apresentada a David, um homem que não por acaso, ama as artes em geral, como ele não poderia deixar de se entregar a essa “armadilha” do inconsciente? </p>
<p>Mas a historia não pára por ai. O que é mais genial no filme é que enquanto tudo parecer ser mais um encontro de pessoas apaixonadas, o fato é que ao longo do convívio entre os dois, os efeitos/curas gerados são impressionantes. O que poderia ser superficial em qualquer outro filme, ganha um contorno ainda mais profundo em “Fatal”. O romance do casal recria suas vidas – e por que não dizer, resgata? &#8211; a partir dos seus medos, angustias, taras, fetiches, pelo encontro entre o “animus” e “anima” que estavam perdidos em algum lugar do mundo inconsciente de David. Isso é apreendido pelo espectador em vários momentos que ensejam “novos olhares” sobre o “mesmo ponto”.  </p>
<p>Enfim, a diretora mostra a possibilidade de ponte entre o mundo da inconsciência e o mundo da consciência, e os “corpos estranhos”, ou seja, todos aqueles problemas que incomodavam o personagem, sem saber bem ao certo sobre suas origens, são erguidos através da individuação (no sentido Junguiano), e ganham sentidos rearranjados no dia-a-dia do casal. </p>
<p>Eu poderia ficar falando por horas a fio, tendo a certeza de que não conseguiria exaurir todo o debate acerca dessa grande obra prima do cinema. É com muito prazer que escrevo sobre este filme, pois ainda não tinha visto alguém transportar uma linguagem tão complexa, como é a psicologia analítica, para as telas do cinema. Valeu!  </p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Um olhar junguiano sobre a Mitologia Japonesa]]></title>
<link>http://sachisachisachi.wordpress.com/2009/05/03/um-olhar-junguiano-sobre-a-mitologia-japonesa/</link>
<pubDate>Sun, 03 May 2009 18:57:45 +0000</pubDate>
<dc:creator>sachisachisachi</dc:creator>
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<description><![CDATA[Este é um trabalho que fiz para um grupo de estudos sobre pensamento Junguiano / psicologia analític]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Este é um trabalho que fiz para um grupo de estudos sobre pensamento Junguiano / psicologia analítica da qual participo. Para quem tiver interesse&#8230; O conteúdo tem muitos termos específicos da área, obviamente, mas não faço uma explicação de cada termo, pois é um texto especializado, diferentemente dos meus outros textos do blog. Mas quem se interessar em questionar tanto os termos quanto o conteúdo, estou aberta a discussões.</p>
<p>UM OLHAR JUNGUIANO SOBRE A MITOLOGIA JAPONESA</p>
<p style="text-align:justify;">A mitologia japonesa se baseia no pensamento xintoista, uma religião animista, que considera que todos os elementos do cosmos, da natureza, dos seres vivos e dos fenômenos naturais têm alma e são respeitados e cultuados, assim como os são todos os ancestrais que também possuem alma imortal. Esta era a cosmovisão dos antigos habitantes do Japão. Porém, a mitologia japonesa absorveu uma série de influências provenientes da China, Pérsia, de regiões do sudeste da Ásia e até mesmo da mitologia cristã, por causa de sua natureza aberta e acolhedora de outras culturas na época. Por isso, encontramos nessa mitologia inúmeros episódios e simbologias muito semelhantes a de outras do mundo. Xinto se escreve com a combinação do ideograma deus e do ideograma caminho, significando o Tao dos deuses.<br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-707" title="shinto" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/04/shinto.jpg?w=198" alt="shinto" width="198" height="300" /></p>
<p>O COMEÇO &#8211; O MITO DA CRIAÇÃO</p>
<p style="text-align:justify;">Antes de tudo, o mundo era um ovo. Não existia nem céu nem terra, nem claro nem escuro. Aos poucos, do conteúdo desse ovo, o que era claro e puro foi subindo para cima, tornando-se o céu. E o que era escuro, turvo e pesado foi afundando e tornou-se  a terra.</p>
<p style="text-align:justify;">A TRINDADE PRIMORDIAL</p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro deus que surgiu foi o <strong>Ame no Minakanushi no Kami</strong>, Deus Mestre do Centro Celestial. Em segundo lugar, surgiram os deuses da geração de vida, <strong>Takami Musuhi no Mikoto</strong> (deus com qualidade yang) e <strong>Kami Musuhi no Mikoto</strong> (deus com qualidade yin). Estes deuses e outros que vieram depois habitam a terra dos deuses, <strong>Takamagahara</strong> (Campo Celestial). Ambas as expressões &#8220;no Kami&#8221; e &#8220;no Mikoto&#8221; significam &#8220;deus (ou deusa) de&#8221;. Em geral, &#8220;no Kami&#8221; denomina os deuses que estão fora da esfera da existência humana e &#8220;no Mikoto&#8221;, por sua vez, é o título dado aos deuses que de alguma forma interagem com o povo e com os quais o povo se sente mais próximo.<br />
A mitologia japonesa divide os deuses em três tamanhos, os deuses gigantes, os deuses semi-gigantes e os deuses de tamanho natural, isto é, do tamanho dos humanos. Esses deuses de tamanho natural são, por exemplo o deus de uma montanha específica, o deus daquele rio, o deus daquele grão que é consumido ali pelo povo daquela terra, deuses esses que governam elementos da natureza e que tenham uma ligação direta com a vida cotidiana do povo.<br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-710" title="amenomi" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/04/amenomi.jpg?w=300" alt="amenomi" width="300" height="66" /><img class="aligncenter size-full wp-image-712" title="takami_kami" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/04/takami_kami.jpg" alt="takami_kami" width="500" height="67" /></p>
<p>A CRIAÇÃO DO JAPÃO</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="size-full wp-image-715 aligncenter" title="densyo-pic-big002" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/04/densyo-pic-big002.jpg" alt="densyo-pic-big002" width="408" height="330" />Os irmãos <strong>Izanagi no Mikoto</strong> (Deus que Convida) e <strong>Izanami no Mikoto</strong> (Deusa que Convida), deuses gigantes, recebem a ordem dos deuses superiores para criarem o Japão. Nesse momento, a terra era uma massa oceânica viscosa. Os dois deuses vão até a ponte que une o céu e a terra, a Ponte Sagrada Flutuante e dali, Izanagi mergulha a lança sagrada cravejada de pedras preciosas e mistura com ela a massa oceânica viscosa. Quando a lança é retirada do mar, o respingo de água salgada se coagula e forma a Ilha <strong>Onokoro</strong>. <img class="aligncenter size-full wp-image-716" title="densyo-pic-big003" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/04/densyo-pic-big003.jpg" alt="densyo-pic-big003" width="272" height="443" /><br />
Izanagi e Izanami olham para aquela ilha e decidem descer sobre ela. Eles se tornam os primeiros deuses a descerem na terra. Nesse momento eles decidem criar um país e primeiramente constroem uma coluna muito alta no meio da ilha, que serviria para os deuses descerem do céu para a terra. Em torno dessa coluna sagrada (<strong>Ame no Mihashira</strong>) eles constroem um palácio para eles. Izanagi e Izanami circundam a coluna sagrada, cada um na direção oposta e quando eles se encontram, Izanami, a deusa, fala primeiro, &#8220;que lindo homem você é&#8221; e depois Izanagi, o deus, responde, &#8220;que linda mulher você é&#8221;, assim se tornam marido e mulher. Da primeira união deles nasce um filho indesejado, <strong>Hiruko</strong>. O casal pergunta aos deuses superiores o que tinham feito de errado e os deuses respondem que nunca deve ser a mulher a convidar primeiro o homem. O homem precisa tomar a iniciativa. Depois disso, o casal obedece e da união deles nascem vários deuses que criam o restante do Japão e controlam e protegem o povo que habita essa terra.<img class="aligncenter size-full wp-image-723" title="densyo-pic-big005" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/05/densyo-pic-big005.jpg" alt="densyo-pic-big005" width="408" height="330" /><br />
Além dos deuses das terras, de Izanagi e Izanami também nasceram os deuses da montanha, do rio, do mar, da árvore, da grama, do vento, do grão, etc., criando assim um mundo rico e fértil. Quando Izanami deu à luz o deus do fogo <strong>Kagutsuchi</strong>, foi morta queimada pelo filho durante o parto. Izanagi, furioso, mata o filho cortando-o inteiro. Nesse momento, nascem muitos outros deuses de dentro do corpo morto de Kagutsuchi. <img class="aligncenter size-full wp-image-724" title="densyo-pic-big007" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/05/densyo-pic-big007.jpg" alt="densyo-pic-big007" width="408" height="330" /></p>
<p>O SURGIMENTO DA VIDA E DA MORTE</p>
<p style="text-align:justify;">De tanto querer rever a esposa, Izanagi vai até a entrada da terra dos mortos, <strong>Yomi no Kuni</strong>, e pede para que Izanami volte com ele. Izanami responde que vai pedir permissão aos deuses da terra dos mortos e desaparece. Antes de desaparecer, ela diz ao Izanagi que ele veio tarde, pois já havia comido a comida preparada na terra dos mortos. <img class="aligncenter size-full wp-image-726" title="densyo-pic-big009" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/05/densyo-pic-big009.jpg" alt="densyo-pic-big009" width="272" height="443" />Izanagi fica preocupado e ansioso e vai adentrando a escura terra dos mortos atrás de Izanami, colocando fogo num dos dentes do pente que segura seu cabelo para servir de lanterna. Quando chega ao quarto de Izanami, fica chocado ao ver o corpo todo apodrecido de sua então belíssima esposa. Ao lado de onde ela dormia, havia também um deus do trovão com oito corpos que havia nascido da própria Izanami. Quem já comeu da comida da terra dos mortos já faz parte dela, foi por isso que ela deu à luz um deus que traz morte e destruição aos povos.<br />
Espantada com a repentina luz da lanterna do marido, Izanami acorda e fica furiosa ao saber que ele a viu daquela forma, toda podre e cheia de vermes saindo de seu corpo. Izanagi, espantado e com medo, foge correndo. Enraivecida e envergonhada, Izanami dá ordens às <strong>Shikome</strong> (mulheres feias) para caçarem seu marido. No que Izanagi joga a sua coroa contra as Shikome para espantá-las, esta se transforma em cachos de uvas selvagens. As Shikome param para devorar as uvas, mas depois continuam correndo atrás de Izanagi. <img class="aligncenter size-full wp-image-727" title="densyo-pic-big010" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/05/densyo-pic-big010.jpg" alt="densyo-pic-big010" width="272" height="443" />Quando as vê aproximando-se novamente, Izanagi joga um outro dente do seu pente, que por sua vez, se transforma em brotos de bambu. Como o broto de bambu tem várias camadas de casca, as Shikome se atrasam muito para come-los e ficam para trás. Quando Izanagi já está quase na entrada da terra dos mortos, vê que o deus do trovão, filho de sua esposa, é quem está dessa vez atrás dele com um exército de mil e quinhentos soldados do submundo. No desespero, Izanagi joga um pêssego que encontra ali contra os seus perseguidores e assim consegue finalmente passar pela entrada da terra dos mortos e passar para o lado claro. A enfurecida Izanami grita do outro lado que despovoará o mundo dos vivos matando mil pessoas por dia e Izanagi replica-lhe que a cada mil pessoas mortas, outras mil e quinhentas serão criadas. Nesse divórcio entre o casal divino estabelece-se a noção de vida e morte.<img class="aligncenter size-full wp-image-729" title="densyo-pic-big011" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/05/densyo-pic-big011.jpg" alt="densyo-pic-big011" width="272" height="443" /></p>
<p>OS NASCIMENTOS DO SOL, DA LUA E DA TEMPESTADE</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de voltar da terra dos mortos, Izanagi passa por um ritual para se purificar, pois a terra dos mortos é considerada um lugar sujo. Durante o ritual que acontece na água salgada do mar, nascem vários deuses de Izanagi. No fim da purificação, quando ele pensa em lavar o rosto, primeiro lava o olho esquerdo e dali nasce <strong>Amaterasu Oomikami</strong>, deusa do sol. Depois, ao lavar o olho direito, nasce dali <strong>Tsukuyomi no Mikoto</strong>, deusa da lua. Em seguida, ao lavar o nariz, nasce<strong> Susanoo no Mikoto</strong>, deus da tempestade. <img class="aligncenter size-full wp-image-728" title="densyo-pic-big012" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/05/densyo-pic-big012.jpg" alt="densyo-pic-big012" width="272" height="443" />Izanagi ficou muito contente em ter criado três deuses tão poderosos e ordenou que Amaterasu governasse o Takamagahara, o céu, Tsukuyomi a noite e Susanoo os oceanos. Porém, como o oceano fica em baixo, Susanoo se revoltou contra o pai considerando o seu poder inferior aos de suas  irmãs.<br />
Para se rebelar, o irmão mais novo vivia do jeito que queria, sem querer saber do trabalho de governar os oceanos. Assim, ele deixou a barba crescer até o peito e passava dia e noite chorando e atormentando o pai dizendo que queria descer até a terra dos mortos para ver a mãe. <img class="aligncenter size-full wp-image-731" title="densyo-pic-big013" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/05/densyo-pic-big013.jpg" alt="densyo-pic-big013" width="272" height="443" />Izanagi decide expulsar o filho mais novo para a terra dos mortos por causa de seu mal comportamento. Com o pretexto de se despedir de sua irmã mais velha, Susonoo vai até o céu. <img class="aligncenter size-full wp-image-730" title="densyo-pic-big014" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/05/densyo-pic-big014.jpg" alt="densyo-pic-big014" width="272" height="443" />Amaterasu, já preparada para se defender, vestida de guerreiro, fica furiosa e grita &#8220;que história é essa de você vir até aqui sem a minha permissão?!&#8221; Susanoo ignora a sua irmã e se instala no céu, pratica todo tipo de atos violentos como devastar a agricultura e, no fim, acaba matando uma tecelã que confecciona as roupas sagradas para os rituais de Amaterasu.</p>
<p>O SURGIMENTO DAS ESTAÇÕES DO ANO</p>
<p style="text-align:justify;">A deusa do sol, irada com os atos de seu irmão mais novo, se esconde dentro de uma caverna, deixando o mundo sem luz. Os outros deuses que viviam em Takamagahara se reúnem para discutir o que fazer para tirar a deusa do sol da caverna e devolver vida ao mundo, que sem o sol, se tornou um mundo só de noite e escuridão. O deus da sabedoria, <strong>Omohikane no Kami</strong>, planeja uma festa com a deusa <strong>Amenokoyane no Mikoto</strong> dançando uma dança muito divertida. A festa começa e vendo a deusa dançar, todos os deuses caem na gargalhada e riem sem parar, parecendo se divertir muito. Amaterasu, de dentro da caverna, ouve-os e, curiosa para saber do que tanto eles riem, decide abrir a porta de rocha da caverna. <img class="aligncenter size-full wp-image-732" title="densyo-pic-big019" src="http://sachisachisachi.wordpress.com/files/2009/05/densyo-pic-big019.jpg" alt="densyo-pic-big019" width="408" height="330" />Nesse momento, o deus da força física, <strong>Amenotajikarao no Kami</strong>, pega a mão da deusa do sol e tira-a de dentro da caverna para fora. Para que ela nunca mais torne a se esconder dentro da caverna, o deus <strong>Futotama no Mikoto</strong> se encarrega de fechar para sempre a porta da caverna com uma corda sagrada, entoando um mantra mágico. Assim o mundo voltou a receber a luz do sol e o povo voltou a trabalhar nas suas terras como antes.</p>
<p>APROFUNDANDO OS SIGNIFICADOS DOS MITOS</p>
<p style="text-align:justify;">O conceito do ovo cósmico existe em muitas mitologias em diferentes partes do mundo. Mitologias hindu, chinesa, egípcia e finlandesa são alguns exemplos. Todas elas basicamente retratam o estado do caos do universo, o zero, o nada, um estado unificado onde todas as coisas estão autocontidas, não manifestas. O que acontece em seguida, a separação entre o céu e a terra (conceito de dualidade e polarização) a partir desse ovo único também se mostra comum entre essas mitologias. Helena Blavatsky e Rudolf Steiner, em sua teosofia, também sustentam a mesma teoria. Para eles, o ovo cósmico seria o estado da Pralaya (noite de Brâhmâ, período de repouso) que antecede o Manvantara (dia de Brâhmâ, período de manifestação), períodos que se alternam ritmicamente.<br />
Amenominakanushi no Kami (Deus Mestre do Centro Celestial) da Trindade primordial é o equivalente ao Gayomardo da mitologia persa, à prima materia da Alquimia, ao Adam Kadmon (Adão místico e secreto) do misticismo judaico, o Antropos da idéia gnóstica e ao P&#8217;an Ku chinês. Todos estes possuem um corpo humano enorme. É o arquétipo do homem cósmico primordial. O xintoismo considera que Amenominakanushi no Kami é a soma e a junção de todas as almas imortais (deuses e ancestrais) que protegem o Japão e seus habitantes. Em outras palavras, podemos considerar que dele fragmenta-se todas as futuras existências, dispersas na matéria, igual à prima materia do processo de transformação alquímica. Marie-Louise von Franz escreveu em Individuação nos Contos de Fada o seguinte:</p>
<p style="text-align:justify;"><em>“Poder-se-ia dizer que todo conhecimento adquirido do mundo exterior é antropomórfico e que, em última instância, corresponde a certos modelos, a estruturas inerentes a nossa constituição psíquica, ou seja, empregando nossa terminologia, as idéias básicas da matemática e da física modernas são representações arquetípicas que emergem do inconsciente coletivo. Por isso se vê claramente porque em todos os textos antigos, Adão, que sob nosso ponto de vista é um símbolo do inconsciente coletivo, está identificado com o macrocosmo. Para essas pessoas, o inconsciente coletivo é idêntico a todo mundo circundante que tem essa forma de um enorme ser humano, ou de um ser humano psíquico.”</em></p>
<p style="text-align:justify;">O xintoismo considera a geração e a manutenção da vida como sendo o mais sublime dos atos. Os dois deuses Takami Musuhi no Mikoto e Kami Musuhi no Mikoto, os outros dois deuses da Trindade primordial, representam o ato de gerar vida através da união dos opostos. É esse o significado de Musuhi. Takamimusuhi no Mikoto é a parte yang desse aspecto, pertencendo ao céu, e Kamimusuhi no Mikoto é a parte yin do mesmo aspecto, pertencendo à terra. Eles ainda não chegam a ser o masculino e feminino, porém já são uma duplicidade de um único aspecto, um passo adiante do homem cósmico primordial andrógino, por representarem a geração de vida, a própria idéia do manifestar-se.</p>
<p style="text-align:justify;">Podemos comparar os diferentes tamanhos desses deuses com os nossos níveis psíquicos. Os deuses gigantes são aqueles que estão numa esfera inalcançável, tomando uma expressão emprestada do inglês, são &#8220;larger than life&#8221;, grandes e distantes demais para serem apreendidos na sua totalidade, assim como é o Self. Eles também não interagem com a vida cotidiana dos humanos, mas protegem os habitantes do Japão à distância. Geralmente não são esses os deuses cultuados nos templos xintoistas, justamente por eles estarem presentes apenas no inconsciente do povo japonês. Os deuses semi-gigantes, por sua vez, estariam relacionados à alma humana (anima e animus) e à sombra, que ainda são conteúdos do inconsciente, porém bastante manifestos e vividos. Eles são os deuses do sol (animus), da lua (anima) e da tempestade (sombra). E por último, os deuses de tamanho natural são aqueles que podemos relacionar com o ego e a persona, ligados à vida em sociedade dos humanos. São deuses que governam elementos tanto da sociedade quanto da natureza diretamente ligados à vida cotidiana dos japoneses da época. Poderia dizer que o sol, a lua e a tempestade também o são, mas são muito mais poderosos, pois são eles que controlam os elementos como o rio ou a árvore, estando assim acima deles, assim como a anima, o animus e a sombra são capazes de controlar o nosso ego com tamanha facilidade.</p>
<p style="text-align:justify;">O casal Izanagi e Izanami são a duplicidade de deuses criadores da nação Japão. Além de representar o feminino e o masculino, a duplicidade significa que é uma energia que atinge o limiar da consciência, como explica bem Marie Louise von Franz em A Individuação nos Contos de Fada (pg. 53, 54). Ou seja, é o nascimento da nação Japão que sai do inconsciente que, ao atravessar a Ponte Sagrada Flutuante, os dois deuses cumprem como sua maior missão, manifestando-o na consciência do povo japonês.<br />
Vemos no mito do casal uma semelhança com o de Adão e Lilith da mitologia judaica. Porém menos radical que Lilith, que fica furiosa com a recusa de Adão, Izanami obedece e faz a vontade dos deuses superiores. A diferença também está em Izanagi, não sendo ele a exigir seu direito como Adão. Quem decide que o homem toma a primeira iniciativa são os deuses superiores. Podemos observar um pouco da característica do povo japonês através desse trecho. A obediência incondicional à vontade de uma autoridade é considerada algo importante a ser seguido dentro de uma sociedade, tanto para um homem quanto para uma mulher.</p>
<p style="text-align:justify;">Izanami tem várias outras colegas pelo mundo além de Lilith. Ela representa qualidades muito semelhantes à Nanã da mitologia Yorubá. Nanã é uma deusa muito antiga que existe desde épocas anteriores à cultura Yorubá e foi incorporada quando o povo nagô conquistou o povo de Dahomey, absorvendo sua cultura, seus mitos e seus deuses. Ela é &#8220;a senhora dos pântanos&#8221;, onde terra (morte) e água (vida) se misturam. Ela representa a dualidade da vida e morte, ou o ciclo da vida e da morte que são, na realidade, a mesma coisa do ponto de vista dessa Grande Mãe. Nanã deu a matéria no começo mas no final quer de volta o que é seu, assim como Izanagi cria o Japão mas no final quer trazer mil vidas para a terra dos mortos.<br />
Há uma lenda que conta que Nanã foi conquistar o reino de Oxalá e acabou se apaixonando por ele. Porém Oxalá ama muito sua esposa, Iemanjá, e não quis saber de Nanã, que por sua vez, embriagou e seduziu Oxalá. Dessa relação &#8220;forçada&#8221; de Nanã com Oxalá, nasceu Obaluiaê, uma criança indesejada, muito feia e deformada, que foi abadonada e jogada no mar. Hiruko, a primeira criança de Izanagi e Izanami também indesejada como Obaluiaê, fruto de uma relação &#8220;mal feita&#8221;, foi colocada num barco e jogada no mar para bem longe.<br />
Diz-se no Japão que depois de muito tempo, Hiruko voltou à terra como o(a) Deus(a) Ebisu, cultuado com carinho pelo povo da região de Kansai. É curioso ver que até um personagem que foi considerado indesejado acaba virando um deus e sendo cultuado pelo povo. Essa é uma característica marcante das religiões politeístas e animistas como o xintoismo, que considera que todas as coisas são sagradas, não importando se são positivas ou negativas. Isto reforça a noção junguiana de que deuses são arquétipos e, assim sendo, cada um deles representa uma qualidade específica da psique humana.<br />
As semelhanças de Izanagi com Oxalá, fica por conta do gosto pela pureza. Oxalá se veste de branco e é conhecido por gostar de manter as coisas sempre limpinhas e bonitas. Izanagi também simboliza a pureza, por ser o oposto de sua esposa Izanami, que caiu no mundo dos mortos e se tornou impura. O mundo dos mortos é considerado um lugar sujo pela concepção japonesa.</p>
<p style="text-align:justify;">A fuga de Izanagi do mundo dos mortos encontra fortes semelhanças com o mito de Orfeu da mitologia grega. Orfeu também vai em busca de sua amada Eurídice descendo até o mundo subterrâneo dos mortos. Plutão concorda em devolver Eurídice mas impõe uma condição. Orfeu teria que andar na frente de Eurídice que o seguiria, mas ele jamais poderia olhar para trás enquanto o casal não chegasse ao limite do mundo das trevas. Orfeu, preocupado se sua amada estava mesmo seguindo seus passos, acabou transgredindo as ordens e viu Eurídice se esvair para sempre nas sombras. Segundo Odsson Ferreira em seu site http://www.templodeapolo.net, o grande desencontro de Orfeu foi ter olhado para trás, de ter se apegado à matéria, estando assim, despreparado ainda para a junção harmônica com sua anima, simbolizada por Eurídice.<br />
O fato de Izanagi nunca mais ter resgatado sua esposa depois da fuga, nem mesmo ter encontrado outra esposa, permanecendo solteiro para sempre e fazendo filhos sozinho, pode ser um reflexo do desequilíbrio que se encontra entre o feminino e o masculino na sociedade japonesa. Visto que a mitologia japonesa é viva, quando esta dualidade encontrar um equilíbrio mais saudável entre o povo japonês, quem sabe Izanagi não encontra uma nova esposa?</p>
<p style="text-align:justify;">Após a descida da criadora do Japão para o mundo dos mortos, sua semelhança com Lilith se intensifica muito mais do que no momento da criação do Japão. É curioso ver que Izanami não foi substituída por nenhuma Eva japonesa, permanecendo assim a criadora do Japão, mesmo sendo a raivosa deusa da morte, a Grande Mãe destruidora. Assim como a eternamente rancorosa e enfurecida Lilith prometeu matar os bebês da terra, Izanagi também anunciou sua vingança. As duas são deusas do subterrâneo, representando o lado escuro e impuro do feminino, aquela anima que ainda não foi aceita e incorporada pela sociedade masculina dominante. Faz-se necessário reforçar aqui que não se tratam de qualidades da mulher e sim do feminino.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda sobre a fuga de Izanagi do mundo dos mortos, tentei explorar o significado de cada um desses alimentos que ele joga para escapar da captura de sua ex-esposa. A coroa que se transforma em cachos de uva, a pente que se transforma em brotos de bambu e o pêssego que ele colhe da árvore que se encontra ali mesmo e joga. Poderíamos facilmente pensar nas uvas como um elemento dionisíaco, simbolizando a transformação e a transcendência. Mas não podemos fazer uma tradução direta desses elementos sem considerar o seu significado dentro daquela sociedade em questão.<br />
A uva, matéria prima do vinho no ocidente, pode não ter necessariamente esse significado no Japão, já que a matéria prima do vinho japonês, o sake, é o arroz. Portanto, a uva pode ter algum outro simbolismo que, até onde esta pesquisa conseguiu chegar, não fica muito claro. Mas visto que a referida coroa é feita de cipó (planta trepadeira), usada como decoração ou proteção pelos deuses, esta tem uma relação direta com as uvas, pois elas também são frutas de plantas trepadeiras que necessitam de suporte para se manterem eretas e crescerem em direção à luz. Estes elementos fazem lembrar o ayahuaska, uma poção feita com uma mistura de ervas trepadeiras da amazônia, que significa &#8220;trepadeira da alma&#8221;. Como é largamente difundido no Brasil, o ayahuaska é usado em rituais xamânicos com o objetivo de expandir a consciência para alcançar a transcendência. Ele aparece em diversas mitologias da América do Sul, como na dos índios Tukano da Colômbia e na dos Desana, povo indígena da região do Rio Negro no noroeste amazônico. Poderíamos dizer que o tal suporte que estas plantas trepadeiras necessitam para encontrar luz, no sentido da transcendência ou da Consciência com C maiúsculo, seria a alma humana.<br />
Não sabemos se no Japão antigo havia o uso de plantas trepadeiras nos rituais xamãnicos. Mas o que sabemos é que até o período antes da organização da mitologia japonesa em forma de texto, o xamanismo era largamente praticado e até era a única forma de religião no Japão antes da entrada do budismo no século VI. Portanto, é bem provável que a coroa de planta trepadeira e os cachos de uvas signifiquem mesmo a transcendência, o contato com o mundo espiritual e primordial.<br />
O segundo elemento que Izanagi joga é um dente do seu pente que, por sua vez, se transforma em brotos de bambu. O bambu é uma planta muito importante em todo o leste da Ásia e não poderia ser diferente no Japão. Esta planta representa o velho e o novo ao mesmo tempo por causa de seu aspecto intacto ao longo de sua vida, a juventude eterna e a longevidade. No Japão, é usado como barreira contra o mal, pois acredita-se que o bambu neutraliza as vibrações nocivas. Os pentes também provavelmente eram feitos de bambu, já que até hoje no Japão esse é o material mais usado para esse fim.<br />
Portanto, os objetos jogados por Izanagi têm relação direta com os alimentos correspondentes. Então por que tais objetos precisam se transformar em alimentos? Segundo um insight esclarecedor do Dr. Bernardo de Gregório, alimentar essas mulheres  do submundo significa ceder ao feminino, pois Izanagi estaria jogando objetos importantes para ele como coroa e pente. Vemos então que mesmo para um masculino totalmente desarmônico com o feminino, se mostra necessário as vezes ceder e alimentar o feminino, mesmo que forçadamente, para escapar de alguma situação indesejável. Izanagi alimenta o feminino com a transcendência e a juventude eterna. A transcendência é o espírito, assim como é a juventude eterna, pois somente o espírito vive eternamente. E o espírito é andrógino, não tem qualidade polarizada. Assim começa a fazer sentido que Izanagi, símbolo do masculino, joga objetos andróginos para alimentar o feminino, equilibrando assim, as polaridades.<br />
O pêssego, o terceiro elemento jogado por Izanagi para escapar do submundo não tem o mesmo significado que os dois primeiros. O pêssego já é um alimento por si só e dessa vez, ele não o joga contra as mulheres feias e sim contra o deus do trovão e seu exército. Segundo o pensamento chinês, o pêssego é o fruto de uma árvore muito dura, é uma fruta do outono e é branco, por isso, é um elemento metal dentro da teoria chinesa dos cinco elementos. Um elemento metal é tido como poderoso contra o mal e é assim que Izanagi consegue vencer o exército do submundo liderado pelo deus do trovão e escapar para o outro lado.</p>
<p style="text-align:justify;">O mito de Amaterasu Oomikami, a deusa do sol, que se esconde e o mundo torna-se escuro é talvez o mais famoso e popular da mitologia japonesa. Também é considerado um mito muito importante para a consagração dessa deusa como a origem da família imperial japonesa. Amaterasu Oomikami significa a grande deusa (o grande deus) que brilha do alto do céu. A mitologia japonesa foi organizada em forma de literatura durante o século VII em um livro chamado &#8220;<strong>Kojiki</strong> (Escritas sobre assuntos antigos)&#8221;, considerado o livro mais antigo do Japão. Depois ela foi reescrita no &#8220;<strong>Nihon Shoki </strong>(Primeiras crônicas japonesas)&#8221;, o segundo livro mais antigo do Japão, mais completo do que o &#8220;Kojiki&#8221; e escrito ao longo do século VIII. Os dois livros retratam não apenas as mitologias como também o que é considerado a continuação dessa mitologia, as histórias dos primeiros imperadores do Japão.<br />
Amaterasu Oomikami, deusa do sol, era, antes da organização dos mitos no livro Kojiki, venerado como um deus masculino, um deus guerreiro corajoso e forte. Isto corresponde com a maioria das mitologias que consideram o sol como tendo uma qualidade masculina, em contraposição com a lua feminina. Porém, no final do século VII quando Kojiki foi escrito, o <strong>Imperador Tenmu</strong> havia conquistado o trono ao vencer uma grande guerra e estava empenhado em manter o Japão estável, sem confrontos internos. Quem o aconselhava na política era a sua talentosa e inteligente esposa, a Imperatriz Uno no Himemiko, que se tornou ela própria a <strong>Imperadora Genmei </strong>após a morte de seu marido. Essas são as razões pelas quais Amaterasu Oomikami se transformou de deus guerreiro do sol à deusa corajosa e também generosa do sol, uma deusa com aspectos de uma sacerdotisa.</p>
<p style="text-align:justify;">Neste mito, encontramos um paralelo entre a Amaterasu deusa do sol japonesa e Deméter, a deusa da fertilidade da mitologia grega. Deméter ficou enfurecida quando sua amada filha Perséfone foi raptada por Hades para o seu reino subterrâneo e decidiu não voltar para o Olimpo enquanto sua filha não lhe fosse devolvida. Tornou a terra infértil, os grãos não germinaram, matando o gado e a população que ficaram sem comida e sofreram de fome e doenças. Zeus pediu a Hades que devolvesse Perséfone para reparar a situação na terra. Hades concordou, mas fez Perséfone comer um bago de romã, prendendo-a no reino subterrâneo para sempre, já que quem come a comida de um determinado local passa a fazer parte daquele lugar para sempre. Com isso, Perséfone passaria um período do ano com a mãe e outro com Hades. O período em que a filha de Deméter sai do subterrâneo passa a ser primavera, quando os grãos brotam, saindo também da terra. O outro período é o da semeadura de outono, quando os grãos são enterrados assim como Perséfone volta para debaixo da terra no reino de seu marido.<br />
Embora os enredos sejam um pouco diferentes, os dois mitos falam sobre o símbolo contínuo de morte e ressurreição. O mito japonês simboliza a importância do sol como doador de vida, mas também o fato de que esse sol também morre e renasce. O pensamento xintoista ensina que é preciso viver com alegria (os deuses se divertindo e rindo) e com espírito comunitário (o reaparecimento de Amaterasu é fruto da união dos atos de quatro deuses) para que o sol, que se escondeu no inverno, reapareça na primavera. Em japonês, para designar uma pessoa alegre, se usa a expressão &#8220;pessoa clara, luminosa&#8221;, uma qualidade tida como importante pelo xintoismo. Existe no Japão uma importante cerimônia chamada  Chinkonsai que acontece no solstício de inverno. Esta cerimônia, que acontece nos importantes templos xintoistas ligados à família real, tem o significado de aumentar o poder enfraquecido do imperador, que é considerado descendente direto da deusa do sol, ou mesmo de renovar o seu poder, assim como o sol antigo morre e nasce um novo sol nesse dia do solstício de inverno.</p>
<p style="text-align:justify;">ORIGEM ÚNICA DA HUMANIDADE</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar de o povo japonês ter uma imagem fechada para o ocidente, com tradições milenares próprias, na realidade é um povo totalmente feito de misturas e influências. O Japão é uma ilha e recebeu, durante séculos, influências, culturas, mitologias e povos de todos os lados. Somente na era Edo, durante 240 anos (de 1616 a 1858) permaneceu isolado proibindo qualquer contato com estrangeiros exceto alguns grupos holandeses e chineses, mas fora esse período, o Japão era e continua sendo uma esponja que absorve o mundo. O que o torna único é que seu povo tem um enorme talento em absorver o que vem de fora e transformá-lo em algo autêntico, introjetando a sua alma.<br />
É curioso observar como os povos antigos tinham visões semelhantes em relação ao mundo e como as representações simbólicas podem se misturar tanto entre povos tão distintos quanto os nagôs e os japoneses.<br />
Acredito que isto seja mais uma demonstração de que somos todos originários de uma só raiz. E que, o momento em que nos encontramos, cheio de diferenças e intolerâncias, cederá lugar a uma época de unificação, de volta ao Uno, muito lentamente, mas certamente.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Leituras ]]></title>
<link>http://globalaio.wordpress.com/2009/04/16/1082/</link>
<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 20:08:58 +0000</pubDate>
<dc:creator>Andreaha San</dc:creator>
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<description><![CDATA[ Infelizmente, esta semana está bem pesada de trabalho por aqui. Gostaria, necessitava, aliás, desej]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><img class="alignnone size-full wp-image-1123" title="transi_olho_boca" src="http://globalaio.wordpress.com/files/2009/04/transi_olho_boca.jpg" alt="transi_olho_boca" width="450" height="358" /></span></span></span></div>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"> </span></span><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Infelizmente, esta semana está bem pesada de trabalho por aqui. Gostaria, necessitava, aliás, desejava produzir expressões plásticas baseadas nos textos indicados no último encontro. A inspiração é tanta que anda rondando meus sonhos, produzindo atos involuntários, creio, na ausência de maior auto-compreensão. A isso eu chamo de ‘aborto criativo’, por que dói, viu! </span></span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">O negócio é manter as rédeas nas mãos da maior consciência e não fazer da pseudo-ausência de tempo um hábito. Afinal de contas, óbvia está a gênese da maluquice.</span></span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">O que fazer quando os sentimentos não encontram espaço de realização? Análise provavelmente.. Talvez eu elabore a partir disso um recorte, se puder incluir aí a expressão plástica. Não! Não se anime cara professora Euchares eu não tenho ainda um recorte,  embora sinto que está por vir ; ) . Sou todos os ouvidos e sentidos nesta 6a, amanhã, na direção dos colegas..</span></span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">De certo muitos como eu estão fartos em <span style="text-decoration:underline;">priorizar</span> a razão, a sobrevivência, em detrimento do sentimento e da espontânea e portanto autêntica expressão.</span></span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Sobrevivência?! Do que se trata ?</span></span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">De duas uma, experimenta-se observar quem leva a morte de fato: a ausência de alimento convencional ou a ausência de alimento poético.. É provável que morrer de fome seja mais rápido e portanto menos traumático do que morrer de pobreza de espírito. Uma morte que se alastra em plena consciência é muito mais dolorosa, vai minando parte a parte da constituição do ser, retraindo, depredando, consumando a ausência de quem se observa, paulatinamente, deixando de ser.</span></span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Questão de Necessidade ou questão de Desejo.</span></span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Tendo em vista o buraco existencial que venho mal alimentando, &#8211; buraco é economia de espaço, jaz aqui uma cratera fumegante! &#8211; acho que estou bem nutrida pela vontade, pronta para exprimir, ainda que a ilusão da inexistência de tempo persista nessa agonia que pode ser a compreensão que produzimos quanto ao viéis das condições sociais.</span></span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Pra aliviar a inspiradora teorização em massa, já que não está dando ainda pra responder plasticamente como eu desejava, vou postar aqui frames de videos que produzi da trilogia : Internet tem Alma. </span></span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Acredito que as imagens possam ilustrar parte dos textos indicados e citados abaixo.</span></span></p>
<p> </p>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"> <img class="alignnone size-large wp-image-1120" title="internet_tem_alma_olho_lat2" src="http://globalaio.wordpress.com/files/2009/04/internet_tem_alma_olho_lat2.jpg?w=500" alt="internet_tem_alma_olho_lat2" width="500" height="292" /><br />
<img class="alignnone size-large wp-image-1121" title="internet-tem-alma_olho_late" src="http://globalaio.wordpress.com/files/2009/04/internet-tem-alma_olho_late.jpg?w=500" alt="internet-tem-alma_olho_late" width="500" height="292" /></span></span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><img class="alignnone size-large wp-image-1122" title="internet_rosto10" src="http://globalaio.wordpress.com/files/2009/04/internet_rosto10.jpg?w=500" alt="internet_rosto10" width="500" height="292" /></span></span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><img class="alignnone size-large wp-image-1131" title="internet-tem-alma_3o_olho_3" src="http://globalaio.wordpress.com/files/2009/04/internet-tem-alma_3o_olho_3.jpg?w=500" alt="internet-tem-alma_3o_olho_3" width="500" height="292" /></span></span></span></span></span></span></div>
<p><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><img class="alignnone size-large wp-image-1132" title="internet-tem-alma_3o_olho2" src="http://globalaio.wordpress.com/files/2009/04/internet-tem-alma_3o_olho2.jpg?w=500" alt="internet-tem-alma_3o_olho2" width="500" height="292" /></span></span></span></span></span></span></p>
<p><strong><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">‘Aculturação e Aculturação’ de Pasolini</span></strong><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"> – Se comparado ao Magia e Técnica, Arte e Política no capítulo: Experiência e pobreza de W. Benjamim e ao Segredo da Flor de Ouro que comecei a ler também,- Pasolini me deixa um sentimento de déjà vu = passado, especialmente quanto a mentalidade das disposições antagônicas. Embora pareça super adequado aos nossos tempos e realmente o seja em certo sentido, a questão do hedonismo de massa para a qual a televisão contribui enormemente me parece própria ao contexto existencial de Pasolini e de qualquer outro que se veja como injustiçado. O que me incomoda é a noção de que as coisas nos são impostas, como afirma Pasolini. Como se não tivéssemos qualquer responsabilidade e orientação perante a Vida.</span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Não creio ser a falta de cultura ou a ignorância o que nos leva a assistir televisão e a segui-la como se seita fosse. Penso que tal conduta excessiva demonstra um profundo vazio, uma profunda carência do indivíduo. Não menciono quem assiste tv por poucas horas ou dia sim dia não, mas o consumidor compulsivo.</span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Acho que a falta de aproximação entre os homens, a filosofia separatista do preconceito, a alma preponderante do negócio, do pragmatismo e da economia do dinheiro serve ‘de bandeja’ ao empobrecimento dos valores humanos. Compreensão esta levada adiante por empreendimento da sociedade, ainda que seja ideologia associada ao Poder. O que quero dizer é, quem constitui valores somos sempre nós – substâncias nas formas que condicionamos.</span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Pode parecer piegas, mas o que eu acredito faltar no mundo é: amor, compaixão, fraternidade e fundamentalmente, tratando-se de Sociedade, uma educação que prime em instaurar o desejo de compreensão entre os homens. Quando, e se isso existisse em massa a ignorância intelectual não faria sentido ou simplesmente não teria o peso que tem hoje. A televisão ganharia outro sentido, provavelmente o de ‘salvadora global’, enquanto o mérito mais uma vez seria do homem. </span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">A razão de um mundo constituído pela selvageria do consumo disseminado pela tv seria suplantada pela realidade dos sentimentos, bem maior do que qualquer tesouro. </span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Embora pareça abstrato o sentimento nos é inerente. Já as condições sociais, estas sim não passam de abstrações assumidas como realidade, ideologias..</span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Razão social então me parece piada institucional. Imagina se para todo movimento que façamos, fora do âmbito institucional, tivermos que passar pelas leis de incentivo, burocracias, orientações empresariais? ‘Permitam-me fazer arte?’Como quem pede pra respirar, correr, ir e vir!?  Bom, isso tudo é bem pessoal, não tenho competência empresarial e já perdi muita energia entorno da órbita empresarial. Prefiro promover ações diretas, embora pequenas, são da essência à prática livres de condições.. Assim asseguro à <span> </span>razão conexão direta com o coração.</span></p>
<p><strong><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">‘Experiência e Pobreza’ do W. Benjamin,</span></strong><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR"> que adoro! e mais um txt que não veio com a autoria, mas aponta ter se apropriado das ideias de Benjamin e fala a todo tempo da constituição do olhar. Muito interessante, aprofunda ideias que me pareciam óbvias. E fortificam no espírito noções espirituais apreendidas com a sabedoria oriental &#8211; sem a extrapolação da descaracterização mimética. No meu aprendizado o oriente veio pra somar completando o que existe em mim, é um casamento do tipo ‘quebra-cabeça’, jamais a destituição de uma filosofia pela outra. O que seria perdição da pior espécie, e creio a isto se raporta Benjamin, como barbárie.</span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">O preconceito constitui-se por tradições, opiniões (opiniões públicas), um relaxamento do raciocinar. Não se pode desta maneira estar em contato com a dinâmica da Vida, por que se preferiu ficar inerte sob um mesmo ponto. Afinal é preciso estar atento para observar em meio ao caos em que se vive no ocidente, especialmente, as transformações ainda minúsculas que ocorrem quando tudo parece igual. Mas igual aqui nesse mundo nem a concepção de clone humano me parece possível, mediante relações contextuais.</span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Comecei a ler <strong><span style="font-family:&#34;">O Segredo da Flor de Ouro do Jung e do Wilhelm,</span></strong> pequenininho mas poderoso! Pena não deu para devorar por conta das inúmeras tarefas. No sábado tem banquete! Um livro para aprofundar o citado capítulo do livro de Benjamin. Quando Jung analisa o comportamento oriental e ocidental &#8211; o que parece apropriado à uma mentalidade e à outra. O oriente questionado pela mentalidade ocidental, como mentalidade estrangeira, e por que não dizer, complementar (numa ousadia imprudente, diante do pouco que li).</span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Mas a realidade histórica aponta as inúmeras constatações acerca da Natureza através da sabedoria oriental que difere da ciência ocidental (a grosso modo menciono a noção de uma outra forma de pensar ou utilizar a mente) mas forjou inúmeras práticas como a milenar medicina chinesa, a ioga, ou a meditação, reconhecidas hoje pelos inegáveis benefícios ao homem. Com a constatação científica dos benefícios das práticas orientais, a nossa ciência dá seus primeiros passos na direção de um saber, quem sabe inclusivo, quem sabe um saber que integre a totalidade do potencial humano.</span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Há 12 anos pratico meditação e só ganhei com a prática prolongada durante todos estes anos. Experimentei algumas técnicas e hoje utilizo 3 orientações por iniciativa própria – obedecendo minhas necessidades que reconheço com facilidade, hoje em dia, através desta maravilhosa prática associada ao meu contexto ocidental. </span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Penso que a Ciência e a Meditação são disciplinas muito próximas no que concerne ao Observador e sua atuação. A observação portanto, faz parte de ambas, a metodologia difere em fundamento, mas no final das contas e em sentidos opostos, parecem se encontrar numa mesma resposta.</span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Tô viajando né.. Tanta coisa que tá pulando na cabeça e também uma necessidade de ouvir outros ângulos, pra não enraizar convicções. Ao ouvir simplesmente, sem pretensões nem palavras na lingua, com a cabeça livre de raciocínios, dispõem-se o espírito por novas consciências. Uma delícia pensar diferente e não se exaurir em si mesmo.</span></p>
<p><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Até amanhã..</span></p>
<p><strong><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">Referência imagens:</span></strong><span style="font-family:&#34;" lang="PT-BR">  frames da trilogia: Internet tem Alma? - <strong><span style="font-family:&#34;">Poena Vianna, atriz e parceira do projeto Globalaio</span></strong>. Maiores detalhes na página principal, em Parcerias.</span><span style="font-family:&#34;"></span></p>
<p> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:&#34;"> </span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Abrindo os Trabalhos..]]></title>
<link>http://globalaio.wordpress.com/2009/03/28/abrindo-os-trabalhos/</link>
<pubDate>Sat, 28 Mar 2009 19:26:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Andreaha San</dc:creator>
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<description><![CDATA[Esperei 4 anos para que a especialização em psicologia junguiana, arte e imaginário, na puc, recebes]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Esperei 4 anos para que a especialização em psicologia junguiana, arte e imaginário, na puc, recebesse artistas. O curso era restrito à psicólogos e médicos. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">A coordenação desta pós é do prof. Álvaro Gouveia. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Embora eu pudesse optar por cursos excelentes concentrados nas artes visuais - como o da ufrj (onde me formei) &#8211; quando num primeiro contato com o curso, buscava compreender se estava no caminho certo de acordo com as minhas motivações mais sinceras,  descobri que não desejava dar continuidade a vida acadêmica pelo viéis da história da arte, o que confere certo comprometimentos com o mercado. Buscava um aprendizado que favorecesse uma maior compreensão da constituição da natureza humana, para com ela poder me comprometer de corpo e alma.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Precisava de certa dose de psicologia. Mas não poderia ser qualquer psicologia. Queria implicar em meus estudos movimentos que empreendo há pelo menos uma década, voltados ao exercício de diversas filosofias compreendidas como alternativas. Embora tais filosofias não estivessem inscritas na minha cultura de mundo ocidental, me pareciam extremamente familiares e contundentes na medida em que me intrumentalizavam na compreensão das condições inerentes a minha constituição física e espiritual. Para tanto é interessante frisar que a meditação é a base de todo o meu processo, mas quem o sustenta é o movimento (qualquer prática física que implique a movimentação do corpo &#8211; por inteiro).  Enfim, se fazia urgente me encaminhar na direção de uma maior compreensão: da fisiologia energética, do conceito de consciente, inconsciente e alma, dos fundamentos da imagem, especialmente quanto a sua gênese. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">É portanto, com <strong><span style="font-family:Arial;">satisfação</span></strong>, apesar de certa <strong><span style="font-family:Arial;">estranheza</span></strong> e um bocado de <strong><span style="font-family:Arial;">desconforto produtivo</span></strong>, que me vi em meio a um grupo de professores e colegas, em sua maioria psicólogos.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Seríamos então, eu e meus colegas não psicólogos, uma espécie de invasores bemvindos. A exceção que pr&#8217; além de fugir à regra se reune à ela na tentativa de dar sentido à um 3o. elemento, num movimento de troca inerente a estratégia  interdisciplinar que cada vez mais emerge como vocação de nossos tempos.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Quanto a estranheza.. : Ela é oriunda de minha profunda ignorância quanto a metodologia que compreende o ofício da psicologia, assim como da possibilidade em constituir objeto de estudo.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">A satisfação advém da perspectiva de ampliação de minha compreensão acerca da natureza humana, da vida, e, oportunamente, das sufocantes condições sociais.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Quando menciono o &#8216;desconforto produtivo&#8217;, falo especialmente da professora-filósofa, Francimar. Ao meu ver ela se posiciona como o contra-ponto estratégico em relação a base Junguiana  pela qual se orienta o nosso curso. Num resumo tosco da 2a aula referente a condição do artista e da concepção da imagem, baseada em princípios platônicos: O artista é um ser narcisista que através da mimesis tem a pretensão de se assemelhar ao Criador. A criatividade não tem espaço na concepção de realidade platônica. O artista pode apenas imitar a realidade e jamais expressar seu sentimento, conforme a realidade da emoção que experimenta&#8217;. Sua produção é representativa e portanto ilusória.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Tive que digerir a situação. A minha pretensão como artista não é transpor meus sentimentos de um canto à outro. Mas a partir deles produzir certa compreensão pessoal e comunicar significados como quem, por exemplo, se vale da escrita ou da oratória para passar uma informação. Neste sentido não percebo a representação formal na produção artistica. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">O que eu preciso, fundamentalmente é dar expressão ao meu mundo interior, esvaziar-me de mim mesma, procurar nos outros o que em nós diverge e reflete. Ter com eles certa cumplicidade em vista da aventura que constitui a vida. Vale frisar que este &#8216;meu mundo interior&#8217; somente persiste na vontade de se expressar por que é naturalmente instigado pelo entorno. Não vejo função na expressão que não seja associada diretamente à comunicação.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Percebo a arte como uma ponte entre o coração e a mente, seu exercício me é vital como processo estruturador e organizador das ideias. Já a arte idealizada, seus modelos e representações não constitui matéria de interesse pra mim. Acho que é por aí que compreendo e concordo com a Francis. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Por outro lado, não dá pra engolir o seguinte ponto de vista, Platão dividiu as pessoas em 3 tipos: </span></span></p>
<p><span style="font-size:small;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR">alma bronze</span></span><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"> &#8211; o grupo mais rude de constituição grosseira, ligado ao comércio, a agricultura e ao artesanato. </span></span></p>
<p><span style="font-size:small;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR">alma prata</span></span><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"> &#8211; grupo de virtuosos, corajosos, guerreiros <span> </span>e guardiões também no sentido religioso.</span></span></p>
<p><span style="font-size:small;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR">alma ouro</span></span><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"> &#8211; grupo ligado as ideais, ao diálogo, ao conhecimento da filosofia que elevará a Alma em busca da verdade.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Ou seja, o artesão está enquadrado como alma bronze e o filósofo se <span style="text-decoration:underline;">auto-intitula</span>, alma ouro !? Depois os narcisistas somos nós os artistas?</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Ou eu me equivoquei redondamente, falta algum dado, ou suspeito que Platão quis tirar os artistas da jogada para poder reinar com seus iguais no topo do pedestal sem ter que enfrentar aqueles que certamente questionariam suas posições.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Na minha pequena opinião, as diferenças existem sim e são até óbvias. Mas creio que deveriam ser igualmente valorizadas, cada qual em sua instância. É interessante perceber os tipos, mas esta categorização seria absoluta ou daria margem a uma dupla ou até tripla disposição? Exemplo: o sujeito é um guerreiro, alma prata, mas na mesma medida possui características ligadas a alma bronze, então poderia ser reconhecido como alma bronze-prata?</span></span></p>
<p><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Não vejo graça, porque isento de significação, numa filosofia sem arte ou numa arte sem filosofia.</span></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[CÓMO IMPULSAR TU VIDA ESPIRITUAL]]></title>
<link>http://chamanurbano.org/2009/03/18/como-impulsar-tu-vida-espiritual/</link>
<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 04:31:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>chamanurbano</dc:creator>
<guid>http://chamanurbano.org/2009/03/18/como-impulsar-tu-vida-espiritual/</guid>
<description><![CDATA[Hoy me invitaron a dar una charla sobre espiritualidad. Como de antemano sabía que sería un público ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="aligncenter size-full wp-image-375" title="wheeloflife" src="http://chamanurbano.wordpress.com/files/2009/03/wheeloflife.jpg" alt="wheeloflife" width="258" height="376" /></p>
<p style="text-align:justify;">Hoy me invitaron a dar una charla sobre espiritualidad. Como de antemano sabía que sería un público heterogéneo, diverso en cuanto a tradiciones religiosas, decidí hablar del modo mas general posible. Centré mi intervención en darles algunos lineamientos para impulsar la vida espiritual, independientemente de la &#8220;franquicia&#8221; que siguieran para alcanzar la plenitud.</p>
<p style="text-align:justify;">Esto fue, en líneas generales, lo que les transmití:</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>1. La vida espiritual es una travesí</strong><strong>a</strong>: la mayoría de las tradiciones concuerdan en que es un camino que se sigue, muchas veces sin que nos demos cuenta. Cuando tomamos conciencia de este hecho, ya estamos siguiendo una línea espiritual.</p>
<p style="text-align:justify;">Conversando con el público pude precisar que la espiritualidad consiste en ponerse en contacto con &#8220;algo&#8221; dentro de nosotros mismos, algo que, paradójicamente, resulta mas grande que nosotros. Dicho en corto, <strong>seguir un camino espiritual implica tomar conciencia de eso que, dentro de nosotros, es más que nosotros mismos</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>2. Como todo viaje, este se encuentra lleno de virajes, o puntos de inflexión</strong>: crisis de las que, si nos mantenemos fieles a nosotros mismos, salimos con un gran aprendizaje. Estas crisis pueden aparecer de distintas formas y son muchos los nombres que les ponemos: episodio depresivo mayor, trastorno disociativo no especificado, enfermedad chamánica, la noche oscura del alma, el despertar de la kundalini, entre otros tantos. Representan un &#8220;descenso a los infiernos&#8221; y son, en definitiva, un llamado a tomar conciencia de nuestra condición de seres espirituales.</p>
<p style="text-align:justify;">Cuando seguimos esta senda, cosas maravillosas pasan. Específicamente, nos movemos:</p>
<p style="text-align:justify;">2.1 De la rigidez a la <strong>apertura</strong>: dejamos las certidumbres fáciles, las falsas seguridades y nos lanzamos al abismo de la fe; aceptamos el misterio y confiamos en un orden que nos sobrepasa. Fluimos.</p>
<p style="text-align:justify;">2.2 De la autoridad externa a la <strong>integridad personal: </strong>al transitar este camino, nos damos cuenta que la espiritualidad es, por encima de todo, una experiencia personal y, por tanto, lo que digan otros desde afuera, (especialmente los curas que, al menos en el catolicismo, se erigen como mediadores necesarios) va perdiendo sentido.<strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align:justify;">2.3 De la desconexión a la <strong>interrelación</strong>: ese cúmulo de experiencias va generando la sensación de que todo se encuentra interconectado, que somos parte de un todo y que, por eso, pertenecemos a una obra inmensa que cobra sentido, precisamente, porque formamos parte de ella.</p>
<p style="text-align:justify;">2.4 Del egotismo a la <strong>generatividad</strong>: lo mas paradójico es que, siguiendo un camino completamente individual, terminamos abiertos a las otras personas, en un primer plano, y al cosmos como telón de fondo. De la búsqueda interna pasamos a la acción; la caridad en jerga cristiana, la compasión en clave budista. Es muy curioso: necesitamos tener un yo fuerte, para poder descentrarnos y pensar nuestra vida no para nosotros, sino para el resto de la creación. Sin un yo fuerte, somos tomados por la experiencia y terminamos pareciendo locos y perdiendo el componente espiritual; naufragamos.</p>
<p style="text-align:justify;">2.5 De la literalidad al <strong>simbolismo</strong>: si de verdad crees que Dios es un hombre con barba larga sentado en el cielo, debo decirte que sufres de &#8220;pensamiento concreto&#8221; (la manera de pensar de los niños). Cuando tomamos conciencia de las complejidades de la vida y la realidad, lo que menos creemos es en la literalidad de los libros sagrados. Por eso los fundamentalistas, esos que pretenden tomar los textos al pie de la letra, no solo son peligrosos sino, sobretodo, bastante infantiles. Así que ya sabes, el infierno no es un lugar debajo de la tierra donde hay fuego para abrasarte si te portas mal; puede significar muchas cosas, desde tus zonas oscuras, hasta la vida misma que estas llevando en este momento.</p>
<p style="text-align:justify;">De eso se trata la fe, de creer en algo de lo que no tienes conocimiento cierto. Si intentan convencerte, de la existencia de Dios, del Diablo o del infierno, ya no estamos hablando de fe.</p>
<p style="text-align:justify;">3. <strong>La idea de totalidad y plenitud</strong>: llámalo como quieras, Dios, la energía suprema, el motor inmóvil, El Gran Arquitecto del Universo, la Nada, el Nirvana, entre otras tantas posibilidades. Todo camino espiritual supone la idea de totalidad, el <em>yoga</em> (unión) de los indios. De eso se trata, se sentirte en contacto, profundamente ligado, con ese centro absoluto.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>4. Pasar de la dualidad a la integridad</strong>: todo este trabajo, muchas veces arduo y demandante, pero a la vez carente de un propósito fijo como &#8220;alcanzar la iluminación&#8221; nos conduce a ser esa totalidad a la que aspiramos. La sensación de estar centrado que produce la meditación es una forma humana, bastante concreta, de ese ideal espiritual.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>5. El pasaje de la muerte a la vida</strong>: empezar a vivir espiritualmente se siente como haber nacido de nuevo. Hemos salido del coma del adormecimiento y vivimos plenamente nuestra vida. ¡No, ser espiritual no tiene nada que ver con miedo a ser castigado! Así piensan los niños y las personas que, siendo religiosas, no tienen nada de espiritual.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>6. Enfrentando el dragón del miedo</strong>: la vida espiritual es un reto. Supone enfrentar nuestros demonios, no para aniquilarlos, como plantean los cristianos, sino para trascenderlos mediante la incorporación a nuestra personalidad. Sabrás que has vencido el demonio de la sexualidad, por ejemplo, cuando estés plenamente conforme con lo que te gusta hacer en la cama (o en donde sea que te guste hacerlo).</p>
<p style="text-align:justify;">Sí, es todo un viaje. En resumen, y esta es la gran máxima que he aprendido, la espiritualidad no es algo ajeno, como una inyección o un procedimiento que debe aplicarse; no es ritualismo desconectado de la vida; no es una hora semanal de aburrimiento oyendo a otro humano que, muy probablemente, está mas desasistido que nosotros en términos de desarrollo espiritual y que nos sermonea con lo que debemos o no debemos hacer para agradar a un Dios que, en el mejor de los casos, parece un humano con mal manejo del poder.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>La espiritualidad tiene que ver con la manera con la que hacemos las cosas que estamos haciendo. </strong>Es ser consciente, es estar presente, aquí y ahora, con lo que sea que estemos haciendo: simplemente respirando, mirando un atardecer, comiendo, orando, teniendo sexo&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Cuando estás presente, contigo mismo y con tu experiencia inmediata, las cosas mas sencillas se convierten en momentos trascendentales. Te lanzas a la piscina, tomas conciencia del cambio de temperatura, de la sensación tersa del agua sobre la piel; nadas, sientes el roce , observas las burbujas de aire elevándose, te mantienes consciente de tu respiración y, súbitamente, te acompasas con el mundo; todo es perfecto. Sientes como un orgasmo que transita todo tu cuerpo, eres uno con Dios. He aquí un ejemplo de espiritualidad cotidiana.</p>
<p style="text-align:justify;">Amén.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Geometria Corporal Expressiva IV]]></title>
<link>http://vindarr.wordpress.com/2009/03/15/geometria-corporal-expressiva-iv/</link>
<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 23:11:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>Luciaurea</dc:creator>
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<description><![CDATA[Caso esta seja a primeira vez que você tem contato com esta página, sugiro a leitura deste o 1º text]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Caso esta seja a primeira vez que você tem contato com esta página, sugiro a leitura deste o 1º text]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Geometria Corporal Expressiva III]]></title>
<link>http://vindarr.wordpress.com/2009/03/15/geometria-corporal-expressiva-iii/</link>
<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 23:01:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>Luciaurea</dc:creator>
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<description><![CDATA[Caso esta seja a primeira vez que você tem contato com esta página, sugiro a leitura deste o 1º text]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Caso esta seja a primeira vez que você tem contato com esta página, sugiro a leitura deste o 1º text]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Geometria Corporal Expressiva II]]></title>
<link>http://vindarr.wordpress.com/2009/03/15/geometria-corporal-expressiva2/</link>
<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 22:13:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Luciaurea</dc:creator>
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<description><![CDATA[Caso esta seja a primeira vez que você tem contato com esta página, sugiro a leitura deste o 1º text]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Caso esta seja a primeira vez que você tem contato com esta página, sugiro a leitura deste o 1º text]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Geometria Corporal Expressiva I]]></title>
<link>http://vindarr.wordpress.com/2009/03/12/geometria-corporal-expressiva1/</link>
<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 15:40:46 +0000</pubDate>
<dc:creator>Luciaurea</dc:creator>
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<description><![CDATA[Este texto foi escrito - na época em que eu ainda assinava como Luciaurea Faruk - há alguns anos atr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Este texto foi escrito - na época em que eu ainda assinava como Luciaurea Faruk - há alguns anos atr]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Inconsciente Coletivo em humanês (parte 2)]]></title>
<link>http://lucasnapoli.wordpress.com/2009/02/26/inconsciente-coletivo-em-humanes-parte-2/</link>
<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 12:01:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>lucasnapoli</dc:creator>
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<description><![CDATA[No último post,vimos que Jung resolve criar o conceito de Inconsciente Coletivo pra dar conta de ent]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignleft size-full wp-image-140" title="alquimia" src="http://lucasnapoli.wordpress.com/files/2009/02/alquimia.jpg" alt="alquimia" width="241" height="300" />No último post,vimos que Jung resolve criar o conceito de <em>Inconsciente Coletivo</em> pra dar conta de entender o paralelo existente entre os sonhos, delírios e fantasias de seus pacientes e os mitos, fábulas e lendas da humanidade.</p>
<p>Vamos seguir, então, com a lógica do pensamento de Jung: se os conteúdos que brotam do inconsciente coletivo (sonhos, delíros e fantasias parecidos com mitos, lendas e fábulas) não foram aprendidos pela pessoa durante sua vida, <strong>de onde eles vêm? A única resposta possível é: do DNA,eles serão hereditários</strong>. E se o sonho de um paciente alemão é parecido com um mito típico da África, logo devemos supor que tanto o alemão quanto o povo africano compartilham de uma mesma estrutura psíquica, concordam? Então, <strong>essa estrutura psíquica compartilhada por toda a humanidade é que é o Inconsciente Coletivo!</strong></p>
<p>Mas do que o Inconsciente Coletivo é composto? Sim, porque o inconsciente de Freud contém os pensamentos e fantasias que foram recalcados pela pessoa. E o Inconsciente Coletivo? Segundo Jung, <strong>o Inconsciente Coletivo é composto de formas</strong>. Sim, formas. Pense aí nessas pequenas forminhas que se usa para fazer salgados. Existe a forma para coxinha, para pastel, para empada, etc. Mas um detalhe: mesmo que você coloque no lugar da massa dos salgados, barro, por exemplo, ele vai sair na forma de: coxinha, pastel, empada etc. Ou seja, <strong>o conteúdo pode variar mas a forma não</strong>. Da mesma forma acontece no Inconsciente Coletivo. Ele possui <strong>formas que organizam a nossa experiência no dia-a-dia</strong>. Essas formas Jung chamou de <em>arquétipos</em> (do grego, algo como &#8220;modelos primários&#8221;).</p>
<p>Mas quais e quantas são essas formas? Muitas! <strong>São quantas forem as experiências típicas da vida</strong>. E com experiências típicas quero dizer: o nascimento, a morte, o enamoramento, a velhice, a infância, etc. Para cada uma dessas situações existe um arquétipo. Por isso que nossos sonhos, fantasias e delírios não são idênticos aos mitos, lendas e fábulas, mas são só parecidos. <strong>Porque o arquétipo só dá a forma, o modelo da situação. Mas o conteúdo, os detalhes, esses serão preenchidos com as nossas experiências.</strong></p>
<p>Mas o Inconsciente Coletivo não é apenas esse conjunto de forminhas onde a gente vai colocar e organizar as nossas experiências. Não! Sabe por quê? Por que <strong>essas forminhas estão vivas&#8230;</strong> Mas isso é assunto pro próximo post&#8230;</p>
<p><strong>OBS.: SE ALGUM CONTEÚDO NÃO FOI BEM EXPLICADO, UTILIZE ESSE FABULOSO RECURSO CHAMADO &#8220;COMENTÁRIOS&#8221; E FAÇA SUA PERGUNTA. TEREI PRAZER EM RESPONDER.</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Inconsciente Coletivo em humanês (parte 1)]]></title>
<link>http://lucasnapoli.wordpress.com/2009/02/25/inconsciente-coletivo-em-humanes-parte-1/</link>
<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 13:38:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>lucasnapoli</dc:creator>
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<description><![CDATA[Apesar dos poucos votos, na primeira enquete deste blog, venceu Inconsciente Coletivo como o conceit]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignleft size-full wp-image-135" title="4stanne1" src="http://lucasnapoli.wordpress.com/files/2009/02/4stanne1.jpg" alt="4stanne1" width="315" height="484" />Apesar dos poucos votos, na primeira enquete deste blog, venceu <em>Inconsciente Coletivo</em> como o conceito que você, caro leitor, gostaria de entender melhor.  Então vou explicar o mais claramente possível esse que é <strong>uma das idéias-chave do pensamento de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Gustav_Jung">Jung</a></strong>. Mas antes quero fazer uma ressalva que vale para todos os conceitos que já abordei aqui e para os que virão no futuro:</p>
<p>Conceito, minha gente, não é apenas uma palavrinha bonita que determinado autor achou por bem utilizar, nem algo vindo sabe-se lá de que dimensão. <strong>Conceitos são instrumentos de compreensão da realidade, isto é, são funcionais, servem como atalhos mentais, para que você não precise ter que passar por todas as experiências pelas quais o autor passou para elaborar o conceito</strong>. Por isso, sempre que você se deparar com um conceito novo, não faça perguntas do tipo: <em>&#8220;O que é o Real em Lacan?&#8221;.</em> Em vez disso, prefira: <em>&#8220;Por que Lacan teve necessidade de utilizar o conceito de Real?&#8221;</em> Assim, você não corre o risco de começar a discutir <strong>o sexo dos anjos</strong>, destino certo de quem opta pela primeira pergunta.</p>
<p>Então, para compreender o Inconsciente Coletivo, procederemos da mesma forma, fazendo a pergunta: <em>&#8220;Por que Jung teve a necessidade de criar o conceito de Inconsciente Coletivo?&#8221;</em></p>
<p>São várias as razões. E a primeira delas é: porque <strong>já existia um conceito de inconsciente</strong>, o de Freud que, grosso modo, significava os pensamentos e fantasias que a pessoa havia <a href="http://lucasnapoli.wordpress.com/2009/02/22/o-que-e-recalque-final/">recalcado </a>e que retornavam na forma de sonhos, sintomas, esquecimentos etc. Por essa definição, já dá pra notar que o inconsciente para Freud era essencialmente pessoal, quer dizer, <strong>o que estava no inconsciente de uma pessoa eram só coisas que diziam respeito à história dessa pessoa</strong>.</p>
<p>Só que Jung começa a perceber na sua experiência de psicanalista e psiquiatra que muitos pacientes apresentavam conteúdos brotados do inconsciente que não tinham como ter saído da própria experiência pessoal do paciente. Por exemplo, <strong>muitos pacientes psicóticos tinham delírios cujo conteúdo era muito parecido com mitos da antiguidade</strong>. Mas aí o leitor pode falar: <em>&#8220;Ah, mas o paciente pode ter lido sobre o mito antes do surto.&#8221;</em> Sim, é uma possibilidade, e Jung a considerava. Mas para nosso espanto, <strong>havia casos em que não havia nenhuma possibilidade do paciente ter tido contato com qualquer informação sobre o mito</strong>.</p>
<p>Um exemplo, é o caso de um paciente que Jung atendeu que em seu delírio via o &#8220;pênis do Sol&#8221; (sic) e dizia que o movimento de sua cabeça ao mesmo tempo que o pênis produzia o vento.  Jung descobre quatro anos depois que esse delírio era quase idêntico a um ritual de invocação ao deus Mitra. Detalhe: o livro onde  Jung descobre essa informação só foi publicado quatro anos depois do paciente ter tido o delírio, ou seja, era impossível que o paciente tivesse tido acesso ao relato da invocação.</p>
<p>Além dos delírios de pacientes esquizofrênicos, Jung também observava que <strong>seus pacientes &#8220;comuns&#8221;, neuróticos, apresentavam sonhos e fantasias que também eram muito parecidos com mitos antigos, fábulas e lendas com os quais nunca tiveram contato</strong>. Vejamos então como se processou o pensamento de Jung:</p>
<p>&#8220;Bom, Freud diz que sonhos, fantasias e delírios psicóticos são conteúdos provenientes do inconsciente, certo? Certo. Mas ele diz também que não existe nada no inconsciente que a pessoa não tenha vivido e recalcado, certo? Certo. Mas então, como eu, Jung, na minha clínica, vejo pacientes tendo sonhos, fantasias e delírios que não têm nada a ver com a história pessoal deles? Só posso concluir então que existem dois tipos de inconsciente: um, pessoal, que é esse que Freud descobriu e outro que não é pessoal, mas que tem conteúdos da história da humanidade como um todo. É então, um Inconsciente <em>Coletivo</em>.&#8221;</p>
<p> Mas se esse Inconsciente Coletivo realmente existe, como é que ele funciona?</p>
<p><strong>A RESPOSTA NO PRÓXIMO POST</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Os distúrbios alimentares sob o enfoque da psicologia analítica ]]></title>
<link>http://grupopapeando.wordpress.com/2009/02/12/os-disturbios-alimentares-sob-o-enfoque-da-psicologia-analitica/</link>
<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 13:12:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
<guid>http://grupopapeando.wordpress.com/2009/02/12/os-disturbios-alimentares-sob-o-enfoque-da-psicologia-analitica/</guid>
<description><![CDATA[Por Anyara Menezes Lasheras Do ponto de vista psicológico, os distúrbios alimentares, seja a obesida]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><h2 style="text-indent:0;text-align:center;margin:12pt 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-variant:small-caps;"><img class="size-full wp-image-419 alignnone" title="disturbios-alimentares_psi-analitica" src="http://grupopapeando.wordpress.com/files/2009/02/disturbios-alimentares_psi-analitica.jpg" alt="disturbios-alimentares_psi-analitica" width="500" height="333" /></span></span></h2>
<p class="MsoBodyText" style="text-indent:35.4pt;text-align:right;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;font-variant:small-caps;"><strong>Por Anyara Menezes Lasheras</strong> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Do ponto de vista psicológico, os distúrbios alimentares, seja a obesidade, a anorexia nervosa ou a bulimia, representam uma tentativa de solução ou disfarce de conflitos internos, mas que além de não solucionar os conflitos, acaba por criar mais problemas relativos ao aumento ou perda excessiva de peso: o efeito “sanfona”, aumento da auto-imagem negativa, e assim por diante. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O alimento está associado a carinho, a cessação de um desconforto desde a primeira mamada de um bebê. Por isso, os distúrbios alimentares apresentam bases psicológicas que denotam conflitos afetivos associados à <em><span style="text-decoration:underline;">busca</span></em> por alguma coisa, por exemplo: por um afeto inatingível, pelo preenchimento de um “vazio” interior, de um “buraco”, por segurança, por autoconfiança, aspectos que levam às sensações primárias de contato com a figura da mãe, na verdade da <em>mãe boa</em>, aquela que alimenta, que nutre, que acolhe e protege. Aqui as gratificações são deslocadas para o alimento. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Outras vezes, o alimento está associado aos sentimentos e emoções carregadas de conteúdos negativos, tais como culpa, remorso, raivas, ódios, frustrações e depressões e, nesses estados a pessoa usa o alimento para compensar tais desafetos, isto por não se sentir à vontade em expressá-los, e, acaba usando seu corpo como instrumento de sua própria vingança. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Mas observa-se na prática clínica, o quanto os distúrbios alimentares podem estar associados a negação da sexualidade, sendo que nas mulheres isso sugere até um desejo em se parecer homem – tanto a obesidade como a magreza suprimem as formas mais femininas – assim afastando, é claro que apenas ilusoriamente, a possível abordagem de um homem. Levantando-se uma muralha adiposa parece que a mulher é levada a reforçar-se externamente, que pode indicar uma forte necessidade de poder e controle. Parece valer a idéia de que ser grande é ser forte. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Um aspecto muito observado nos distúrbios alimentares é a repetição constante do padrão engorda-emagrece, ou não comer-comer ou o comer-vomitar. Esta repetição constante sugere que a aparente solução de um problema (solução para o distúrbio alimentar) traz em si o surgimento de outros conflitos que estavam encobertos, e, como são mais profundos e difíceis de “digerir” levam de volta aos velhos padrões de problema com os alimentos. As pessoas portadoras de distúrbios alimentares costumam utilizar alguns estereótipos muito comuns, tais como: “não sou amado/amada (ou não tenho amigos, ou não consigo emprego, ou não saio, e assim por diante) porque sou gordo/gorda (ou magro/magra)”. Isto caracteriza, claramente, que os distúrbios alimentares simbolizam uma intensa dificuldade no viver a vida. Há, portanto, uma negação da vida, como uma grande dificuldade em crescer, em ultrapassar a divisa entre ao ser criança e o adolescer. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Como se sabe, a psicologia junguiana utiliza-se de mitos e contos de fada para abordar a problemática psicológica pois os mitos e contos apresentam modelos arquetípicos de conflitos humanos e, muitas vezes, enfocam suas soluções. Um mesmo mito ou conto de fadas pode ser utilizado para demonstrar conflitos e soluções diferentes, dependendo da ótica utilizada. Um analista experiente saberá fazer uso de um mesmo mito para queixas diferenciadas. Os mitos, no contexto terapêutico, promoverão uma amplificação dos símbolos dos quadros psicológicos. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Na mitologia grega encontra-se o mito de Dafne para ilustrar o distúrbio da obesidade na população feminina. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Dafne era uma ninfa que foi objeto de intenso interesse por parte de Apolo. Quando ele tentou aproximar-se dela, ela continuou caminhando como se nada estivesse acontecendo, nem ao menos lhe dirigiu um olhar. Ele tenta falar com ela, mas ela não lhe dá ouvidos e decide fugir, correndo sem parar. Quando chega perto do rio Peneu (que é seu pai) lhe implora que retire dela toda beleza. Então, ele a transforma num loureiro. Apolo, então a arranca do chão e a coloca em seu jardim e transforma suas folhas em sua coroa. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Observa-se nessa transformação uma forma não humana da qual é retirada a sexualidade e, conseqüentemente, ela poderá evitar a transformação de menina à mulher. A transformação em árvore simboliza a armadura, a defesa que uma jovem mulher constrói para não entrar em contato com a sua feminilidade, sexualidade e afetividade, ou seja, aspectos profundos de sua psique. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Dafne, portanto, não é uma heroína, ou seja, não consegue fazer uma escolha consciente, visto que ela dá as costas a Apolo (que representa o animus, a consciência solar, a discriminação) e assim se mantém indiferenciada e eternamente cativa daquele que rejeitou. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Este mito retrata que a ferida no feminino foi causada por uma conturbada relação mãe-filha pois Dafne busca ajuda do pai. Têm-se mitos que falam da ferida causada pelo pai. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Já o mito da Medusa pode ser utilizado nos casos de anorexia nervosa. Medusa após um confronto com Atena por questões de beleza perdeu e foi transformada numa Górgona. Quem olhasse para ela era transformado em pedra. Perseu, instruído por Atena, foi quem a matou depois, usando seu escudo como espelho. Ela se transformou em pedra. Uma forma não humana que não necessita de alimento. É a recusa máxima do viver, do relacionar-se, afugentando a todos que se aproximam. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Outro mito que se presta aos quadros de anorexia nervosa na população feminina é o de Deméter/Core-Perséfone. Nele encontra-se a jovem Core, que é superamada por sua mãe Deméter. Core é raptada por Hades com o consentimento de Zeus (seu pai) e levada ao Hades, vindo a se transformar em Perséfone, a rainha dos Infernos (Hades). Ela não deveria comer nada enquanto estivesse no Hades, pois senão ficaria presa por lá. Ela nada comeu até o dia em que foi permitido seu retorno ao mundo para encontrar sua mãe que estava desesperada a sua procura. Neste dia ela comeu uns grãos de romã que lhe dariam o direito a retornar ao Hades. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Neste mito observa-se o intenso e neurótico vínculo entre mãe e filha. Enquanto Core, a eterna jovem, vemos a mulher que está entrando para o estágio de transição para a fase adulta, mas teme fazer a passagem, assumir as responsabilidades – por isso é comum a anorexia nervosa apresentar-se na adolescência – do crescer, da escolha vocacional ou profissional, da sua sexualidade. Zeus, um pai passivo ou ausente, concorda com o rapto. Isto é o que faz a anoréxica mostrar-se uma jovem fria, perfeccionista, rígida, crítica demais, e a impede de relacionar-se adequadamente com as pessoas que a cercam. É o Arquétipo do Pai que não foi bem elaborado. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">No Hades ela não deve comer, comer significa desistir de voltar para o mundo da mãe – proteção, ausência de responsabilidades, acomodação, passividade. Crescer, ir para o Hades é ter que abandonar o paraíso. O mundo materno é esse paraíso. Core não cuida, precisa de cuidados. Já como Perséfone ela deverá aprender a cuidar de si mesma. Descer ao Hades é mergulhar no seu mundo interior e descobrir-se, assumir sua própria identidade. Mas a Perséfone, antes de comer os grãos de romã, é aquela que não permite ser nutrida e não nutri a si própria (como fazem as anoréxicas). </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Como Deméter, a mãe de uma anoréxica é superprotetora e não consegue aceitar sua impotência para concordar com o distanciamento que deve permitir à filha. Aqui o distanciamento significa permitir que a filha seja apenas ela mesma, admitir que ela cresceu e deve assumir-se como um ser único. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O mito do Herói, que utiliza o Arquétipo do Herói, pode ser empregado para amplificar a simbologia nos quadros de obesidade masculina. Saliento que o Arquétipo do Herói é constelado por homens e mulheres, e que tratarei do quadro de obesidade masculina visto que a anorexia nervosa e a bulimia são pouco freqüentes na população masculina. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O herói é descrito, via de regra, como sendo filho de pessoas ilustres, de reis, de deuses com humanos, ou é o próprio rei. Desde o seu nascimento, é marcado por situações desafiadoras para sua própria sobrevivência. É órfão, por falecimento ou por ter sido abandonado pelos pais ou por um deles, em razão de alguma ameaça profetizada, antes mesmo de seu nascimento. Então, é acolhido por outra família, geralmente, muito humilde, e, acaba por se destacar por alguma habilidade. Então, acaba por descobrir sua progênie e se dá início a jornada de reconquista da sua identidade, retornando ao local de origem, retaliando o vilão ou seu pai, salvando a donzela ou vítima e conquistando sua própria soberania. Mas, de um modo geral, deve morrer em seguida, para assim ser declarado herói. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">É um arquétipo que representa o chamado e a luta pela individuação, podendo ser constelado todas as vezes que uma pessoa passar por um momento de conflito e em fases onde grandes mudanças serão provocadas. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Assim, todos os indivíduos sentem-se desamparados (órfãos) quando se faz necessário desligar-se dos progenitores, em busca de seu próprio caminho, ou quando devem abandonar uma postura de vida até então muito confortável. Também, se sentem desamparados frente às exigências irracionais do ego, e há uma convocação para travar uma luta dolorosa para atingir o momento de se declararem indivíduos, comandantes das próprias naus, denominadas vida. Jung afirmou que a individuação é um processo para toda a vida; a cada dia, ruma-se em frente, no fluxo do processo de individuação. Mas isso não significa que a individuação estará ao alcance do indivíduo somente ao final da sua existência. Antes mesmo de seu fim, deve estar em maior harmonia e integrado com o seu próprio Self. Poderá estar individuado, embora, não completamente. Na verdade, como a individuação é um processo, estará se individuando. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Além disso, não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a enfrentaram antes de nós. O labirinto é conhecido em toda a sua extensão. Temos apenas de seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ter ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos  na companhia do mundo todo. (Campbell, 1996, p. 131). </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Estar-se-á, assim, nos domínios do inconsciente coletivo. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A jornada do herói é um empreendimento que permite ao indivíduo se afastar da imaturidade psicológica, estágio que se caracteriza pela submissão e dependência de recompensas e castigos, encaminhando-se para uma condição de maturidade. O herói não precisa, necessariamente, redimir a sociedade mas, a si mesmo. Tem-se, portanto, o triunfo do ego frente às tendências regressivas. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Pearson (1994) descreve a jornada do herói passando por seis estágios, dominados, cada um, por determinado arquétipo, a saber: o Inocente, o Órfão, o Mártir, o Nômade<strong>, </strong>o Guerreiro e o Mago. Entretanto, esta não é uma estrutura linear e nem tão pouco segue a seqüência descrita; há variações de acordo com os sexos ou momentos culturais, além das diferenças individuais. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">&#8220;O Inocente e o Órfão dão início à ação: o Inocente vive no estado de graça anterior à queda; o Órfão enfrenta a realidade da Queda. Os próximos estágios constituem estratégias para viver no mundo depois do pecado original: o Nômade inicia a tarefa de se perceber separado dos outros; o Guerreiro aprende a lutar para se defender e mudar o mundo segundo sua própria imagem; e o Mártir aprende a dar, a confiar e a sacrificar-se pelos outros. Assim, a progressão vai do sofrimento para a autodefinição, para a luta, para o amor.&#8221; (Pearson, 1994, p. 29). </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O Inocente não é um arquétipo de herói, pois está indiscriminado — o mundo o serve e o satisfaz em todos os seus desejos. É o estar no Éden. E, como estar no paraíso é apenas uma fase, não podendo ser perpetuada, segue-se a queda, que resulta de uma desilusão e caracteriza o estágio do Órfão, que denota o desejo de retornar ao estado primordial de pureza e inocência, no qual não há dor e sofrimento, e, todas as necessidades são satisfeitas. O Órfão se vê como vítima do mundo. Depois se tem o arquétipo do Mártir, aquele que se sacrifica acreditando que, assim, virá a redenção. Ele não se vê como vítima do mundo, opta por ser a vítima, na crença de que seu sofrimento trará benefícios ou recompensas a si ou aos demais. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O Nômade é o arquétipo daquele que parte sozinho para explorar o mundo. Vai à busca de aventuras ou de um tesouro perdido. Na verdade, esse é o momento que define o início da jornada rumo a si mesmo pois, aliado à aventura, tem-se o recolhimento interior. Ao desbravar o mundo, o Nômade identifica seus &#8220;dragões&#8221; e &#8220;vilões&#8221;, e, então, precisa passar para o estágio de Guerreiro para lutar contra eles. É o arquétipo do Guerreiro, que melhor é identificado com o herói ou com o heroísmo. Quando se fala em herói, equaciona-se o Guerreiro. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Enfim, encontra-se o arquétipo do Mago. Aquele que aprendeu, com os outros arquétipos, a responsabilizar-se por si, por seus atos e por suas escolhas, em razão de estar mais consciente de si mesmo, de seus propósitos, de seus anseios, de seus medos. Assim, aceita a realidade como é, com suas diferenças, e luta suas próprias lutas. Seu lema poderia ser: &#8220;viva e deixe viver&#8221;. Não precisa provar-se a ninguém. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Usando estas fases no caso da obesidade masculina, pode-se dizer que: o Inocente é a fase em que, ainda menino, o homem é superprotegido pela mãe. Mãe que o alimenta para tornar-se “forte”, que na verdade é uma palavra para definir obesidade. Quem não ouviu: “Meu filho não é gordo, é forte!”</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O Órfão é a fase em que, bem provavelmente, há uma intervenção paterna ou do meio para quebrar o vínculo mãe-filho, e o menino sente que perdeu seu paraíso. Inicia-se a adolescência. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O Mártir é a fase em que o jovem se “entope” de comida, sacrificando seu próprio corpo e sua vida psíquica para tornar-se “mais forte”, “impenetrável”, mas mantendo presos seus monstros interiores. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O Nômade é quando o rapaz volta-se para seu mundo interno e busca por seus próprios valores; aqui ele deve identificar seus monstros e vilões. O detonador dessa fase é a busca por relacionamentos, a sexualidade e a escolha vocacional e profissional. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O Guerreiro vai lutar com os monstros e vilões; a velha e árdua batalha por desvincular-se do mundo dos pais. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">E por fim, o Mago, estágio em que o jovem torna-se único; já lutou com seus monstros e vilões e ganhou sua identidade adulta, sua auto-estima foi otimizada, já possui autoconfiança. Descobriu que o excesso de peso, além de não torná-lo mais forte ainda o fazia sentir-se mais frágil e inadequado, tanto física como psicologicamente. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Este é um pequeno trabalho, uma semente e portanto não esgota o assunto e pode, quem sabe, incitar novas associações a outros mitos. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Referencias Bibliográficas</span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">: </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">BRANDÃO, Junito de Souza. <span style="text-decoration:underline;">Mitologia Grega</span>. Vol. I e II. Petrópolis, Vozes, 1997. </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">PEARSON, Carol S. <span style="text-decoration:underline;">O Herói Interior</span>. São Paulo: Cultrix, 1994.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">LASHERAS, Anyara M. <span style="text-decoration:underline;">A lenda do Negrinho do Pastoreio</span> </span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Silvia Montefoschi (documentos en la red)]]></title>
<link>http://silviamontefoschi.wordpress.com/2009/02/09/silvia-montefoschi-documentos-en-la-red/</link>
<pubDate>Mon, 09 Feb 2009 01:59:18 +0000</pubDate>
<dc:creator>Laboratorio Ricerche Evolutive</dc:creator>
<guid>http://silviamontefoschi.wordpress.com/2009/02/09/silvia-montefoschi-documentos-en-la-red/</guid>
<description><![CDATA[Espanol Página de inicio Las páginas contenidas en este sitio web que describen: 1. El movimiento fi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Espanol Página de inicio Las páginas contenidas en este sitio web que describen: 1. El movimiento fi]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Silvia Montefoschi (les documents dans les réseau)]]></title>
<link>http://silviamontefoschi.wordpress.com/2009/02/08/silvia-montefoschi-les-documents-dans-les-reseau/</link>
<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 03:40:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>Laboratorio Ricerche Evolutive</dc:creator>
<guid>http://silviamontefoschi.wordpress.com/2009/02/08/silvia-montefoschi-les-documents-dans-les-reseau/</guid>
<description><![CDATA[Francais Page d&#8217;accueil Les pages contenues sur ce site décrivant: 1. Le nouveau mouvement phi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Francais Page d&#8217;accueil Les pages contenues sur ce site décrivant: 1. Le nouveau mouvement phi]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[OS CONTOS DE FADA NO PROCESSO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO]]></title>
<link>http://grupopapeando.wordpress.com/2009/01/28/os-contos-de-fada-no-processo-do-desenvolvimento-humano/</link>
<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 12:32:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>Grupo Papeando</dc:creator>
<guid>http://grupopapeando.wordpress.com/2009/01/28/os-contos-de-fada-no-processo-do-desenvolvimento-humano/</guid>
<description><![CDATA[Imagem: &#8220;O Príncipe Encantado&#8220;, Antiga Fábula Chinesa &#8211; Enciclopédia da Fantasia P]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p class="MsoBodyText" style="text-align:center;margin:0 0 6pt;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><img class="aligncenter size-full wp-image-352" title="o-principe-encantado" src="http://grupopapeando.wordpress.com/files/2009/01/o-principe-encantado.jpg" alt="o-principe-encantado" width="499" height="600" /></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;"><em><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Imagem:</strong></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></em><em><span style="font-size:10pt;font-style:normal;font-family:Verdana;">&#8220;O Príncipe Encantado</span></em><em><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">&#8220;, Antiga Fábula Chinesa &#8211; Enciclopédia da Fantasia</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:right;margin:0 0 6pt;" align="right"><strong> </strong></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:right;margin:0 0 6pt;" align="right">
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;margin:0 0 6pt;"><strong></strong></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:right;margin:0 0 6pt;" align="right"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Por Joana Raquel Paraguassú Junqueira Villela</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:right;margin:0 0 6pt;" align="right"><strong></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">(UNINCOR)</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;margin:0 0 6pt;" align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;margin:0 0 6pt;" align="center"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">INTRODUÇÃO</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt 70.7pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Podem-se perguntar as razões pelas quais a psicologia junguiana se interessa por mitos e contos de fada. O Dr. Jung, disse certa vez, que é nos contos de fada onde melhor se pode estudar a <em>anatomia comparada da psique</em>. Nos mitos, lendas ou qualquer outro material mitológico mais elaborado obtém-se as estruturas básicas da psique humana através da grande quantidade de material cultural. Mas nos contos de fada, existe um material consciente culturalmente muito menos específico e, conseqüentemente, eles oferecem uma imagem mais clara das estruturas psíquicas (FRANZ, 1990: 25).</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt 70.7pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Divididos entre o bem e o mal, representados por príncipes, fadas e também por monstros, lobos e bruxas apavorantes, os contos de fadas encantam as crianças e os adultos desde a sua criação, que data da época medieval. Mas a sua função não pára aí, pois além do entretenimento, transmitem ainda valores e costumes e ajudam a elaborar a própria vida através de situações conflitantes e fantásticas. “Mitos e contos de fadas expressam processos inconscientes. A narração dos contos revitaliza esses processos e restabelece a simbiose entre consciente e inconsciente” &#8211; já havia dito Carl Gustav Jung, famoso psicanalista e discípulo de Freud (<em>apud</em> CEZARETTI, 1989: 24).</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Segundo Bettelheim, (<em>apud</em> CEZARETTI, 1989: 24), que analisa as histórias mais conhecidas, todos os problemas e ansiedades infantis, como a necessidade do amor, do medo e do desamparo, da rejeição e da morte, são colocados nos contos em lugares fora do tempo e do espaço, mas muito reais para crianças. A solução geralmente encontrada na história e quase sempre leva a um final feliz, indica a forma de se construir um relacionamento satisfatório com as pessoas ao redor.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Mas evidentemente, para se chegar ao final nem tudo são flores. Os contos estão repletos de problemas como a presença do bem e do mal, e partindo desse ponto pretendemos desenvolver uma reflexão sobre a fantasia e suas imagens simbólicas nos contos de fada como recursos fundamentais no desenvolvimento humano, o que constituem o conteúdo do presente trabalho.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;margin:0 0 6pt;" align="center"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">DESENVOLVIMENTO</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A origem dos contos de fadas, segundo Marie Louise Von Franz (<em>apud</em> GIGLIO, 1991: 3), parece residir em uma potencialidade humana arquetípica (aliás, não somente os contos de fada, como todas as fantasias). Antigamente os pastores, lenhadores e caçadores, passavam bom tempo de suas vidas sozinhos nas florestas, campos e montanhas. Acontecia que repentinamente eram assaltados por uma visão interior muito forte, que os alvoroçava por inteiro. Corriam então de volta a suas aldeias e relatavam o que lhes tinha acontecido a todos que o quisessem ouvir. Daquela visão inicial, iam-se formando lendas, e mais tarde “contos maravilhosos”. O pensamento mítico, no caso dessas visões espontâneas, é compreendido como um pensamento essencialmente pré-lógico, elementar e arquetípico. Os arquetípicos por definição, são fatores e motivos que ordenam os elementos psíquicos em imagens, de modo típico.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Como afirma Jung (<em>apud</em> GIGLIO, 1991: 15), os contos de fada constituíram através dos séculos instrumentos para a expressão do pensamento mítico, perpetuando-se no tempo por desempenharem uma função psíquica importante relacionada ao processo da individuação: através deles toma-se consciência e vivencia-se arquétipos do inconsciente coletivo. Esses arquétipos, por sua vez, ao serem trazidos à consciência e dramaticamente vivenciados permitem a Psique cumprir as etapas de integração progressiva do desenvolvimento da persona, conscientização da sombra, confrontação com a <em>anima</em> / <em>animus</em> e outros arquétipos, e finalmente atingir um estado onde a comunicação Ego-Self seja fluente e criativa (<em>apud</em> THOMPSON, 1969: 152). Ainda a partir de uma perspectiva junguiana, (<em>apud</em> THOMPSON, 1969: 152) existe um lado masculino e um lado feminino em cada um de nós. Se o masculino é dominante, o feminino é recalcado. O indivíduo bem conformado necessita desenvolver ambos os aspectos. Também existem quatro características principais em cada um de nós: pensamento, sentimento, sensação e intuição. Constituem pares de oponentes. Nos homens o pensamento e a sensação constituem, habitualmente, características conscientes, ao passo que o sentimento e a intuição encontram-se recalcados. Nas mulheres, sentimentos e intuição são predominantes. O lado feminino recalcado do homem é denominado <em>anima</em>, o lado masculino da mulher é o seu <em>animus</em>.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Em Franz (<em>apud</em> GIGLIO, 1991: 6), os contos de fada numa visão junguiana são uma representação simbólica de problemas gerais humanos e suas soluções possíveis, ou seja, as representações da fantasia são tão primárias e originais como os próprios desejos e instintos. Nos conteúdos dos contos de fada é possível ver uma projeção dos estágios originais e arquetípicos do desenvolvimento da consciência humana. Nos símbolos do inconsciente, nos sonhos e fantasias, encontram-se os mesmos princípios da expressão dos mitos e contos de fada, o que, representa um recurso fundamental no processo do desenvolvimento humano.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Conforme Araújo (1980: 39), para Jung certas lendas, mitos e símbolos têm origem na infância da humanidade em que faltando recursos intelectuais, o homem apresentava uma disposição natural para aceitar o sobrenatural. Seria assim uma necessidade psicológica de buscar soluções mágicas e de criar seres fantásticos para superar uma realidade que lhe impunha limitações. O inconsciente coletivo, guardaria assim, uma necessidade de retorno as origens do homem revivendo experiências anteriores da humanidade.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">À luz da psicanálise, os contos de fadas revelam os conflitos de cada um e a forma de superá-los e recuperar a harmonia existencial. Assim a tão famosa dicotomia entre o bem e o mal, presta-se numa terapia, a uma análise mais contundente da personalidade, na qual se permite trabalhar com sentimentos inconscientes que revelam a verdadeira personalidade (CEZARETTI, 1989: 26).</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Diz Bettelheim (1980: 16):</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt 70.7pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Para dominar os problemas psicológicos do crescimento &#8211; separar decepções narcisistas, dilemas edípicos, rivalidades fraternas, ser capaz de abandonar dependências infantis; obter um sentimento de individualidade e de autovalorização, e um sentido de obrigação moral &#8211; a criança necessita entender o que se está passando dentro de seu eu inconsciente. Ela pode atingir essa compreensão, e com isto a habilidade de lidar com as coisas, não através da compreensão racional da natureza e conteúdo de seu inconsciente, mas familiarizando-se com ele através de devaneios prolongados &#8211; ruminando, reorganizando e fantasiando sobre elementos adequados da estória em resposta a pressões inconscientes. Com isto, a criança adequa o conteúdo inconsciente às fantasias conscientes, o que a capacita a lidar com este conteúdo. É aqui que os contos de fadas têm um valor inigualável, conquanto oferecem novas dimensões à imaginação da criança que ela não poderia descobrir verdadeiramente por si só. Ajuda mais importante: a forma e estrutura dos contos de fadas sugerem imagens à criança com as quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua vida.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt 70.7pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A psicóloga e psicoterapeuta Sophia Rozzana Caracushansky, doutora em Psicologia pela USP (<em>apud</em> CEZARETTI, 1989: 26), afirma que os contos de fadas, usados em terapia, fornecem o estilo e a personalidade. Sua utilidade deu-se primeiramente, pelo criador da Psicanálise, Sigmund Freud, que, a título de estudo, analisou a vida de personalidades como Leonardo da Vinci através do confronto com mitos.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt 70.7pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A psicanálise freudiana propõe que, numa análise, confronta-se o aqui e agora do paciente com sua história passada à luz dos contos de fadas. Tal sistemática permite que se reviva a primeira impressão, aquela que causou o trauma, a base do conflito (edipiano) que assemelha-se sempre a um conflito existente em um conto de fadas. A partir da localização do problema, o paciente pode ser tratado adequadamente &#8211; explica Sophia Caracushansky (<em>apud</em> CEZARETTI, 1989: 26).</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt 70.7pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Já dentro do enfoque oferecido pelo psicanalista Carl Gustav Jung (<em>apud</em> CEZARETTI, 1989: 26), a análise terapêutica tem por base os sonhos que fornecem uma indicação precisa da problemática. Analisando os sonhos o terapeuta consegue precisar ou localizar o conflito do paciente, ou o “conto de fadas” que está vivendo, orientando-o para enfrentar os obstáculos à sua realização.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Para a Dra. Sophia, (<em>apud </em>CEZARETTI, 1989: 26) a análise junguiana propicia ao analisando uma visão mais lúcida sobre os bloqueios que impedem sua felicidade, muitas vezes resultantes de um parto difícil, uma rejeição do sexo da criança no nascimento e outros. Além disso, desmascara no indivíduo a “persona”, a fachada social, destinada a agradar e coloca em relevo o eu interior, levando em conta sempre a problemática individual e o momento de vida da pessoa.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;margin:0 0 6pt;" align="center"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">CONCLUSÃO</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A análise de dados obtidos e as reflexões que ela nos levou, remeteu-nos à conclusão que o lidar com a fantasia nos contos de fadas, é um recurso fundamental no processo do desenvolvimento humano porque favorece a comunicação via imagens simbólicas com as dimensões mais profundas da Psiquê. Através dos contos de fadas adentramos magicamente a penumbra misteriosa do nosso inconsciente, condição básica para se conhecer o significado profundo de nossa vida.</span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;margin:0 0 6pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Finalmente, cabe apontar que este estudo permite constatar que a força criadora e a sabedoria profunda presentes nos contos de fadas e seu conteúdo arquetípico, pode ajudar os homens a encontrar o caminho para a realização de seus poderes criativos latentes.</span></p>
</div>]]></content:encoded>
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