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	<title>raduan-nassar &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/raduan-nassar/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "raduan-nassar"</description>
	<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 22:30:20 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Relendo Raduan Nassar - II]]></title>
<link>http://versoeprosa.wordpress.com/2009/11/01/relendo-raduan-nassar-ii/</link>
<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 17:00:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fênix</dc:creator>
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<description><![CDATA[Lavoura arcaica &#8211; trecho O tempo, o tempo é versátil, o tempo faz diabruras, o tempo brincava ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/copo-colera-403320.shtml" target="_blank">Lavoura arcaica</a> &#8211; trecho</p>
<blockquote><p>O tempo, o tempo é versátil, o tempo faz diabruras, o tempo brincava comigo, o tempo se espreguiçava provocadoramente, era um tempo só de esperas, me guardando na casa velha por dias inteiros; era um tempo também de sobressaltos, me embaralhando ruídos, confundindo minhas antenas, me levando a ouvir claramente acenos imaginários, me despertando coma  gravidade de um jugamento mais áspero, eu estou louco! e que saliva mais corrosiva a desse verbo, me lambendo de fantasias desesperadas, compondo máscaras terríveis na minha cara, me atirando, às vezes mais doce, em preâmbulos afetivos de uma orgia religiosa, esfolando as farpas sanguíneas de nossas cercas, me guiando até a gruta encantada dos pomares! que polpa mais exasperada, guardada entre as folhas de prata, tingindo meus dentes, inflamando minha língua (&#8230;)</p>
<p>&#8230;</p>
<p>O tempo, o tempo, o tempo e suas águas inflamáveis, esse rio largo que não cansa de correr, lento e sinuoso, ele próprio conhecendo seus caminhos, recolhendo e filtrando de vária direção o caldo turvo dos afluentes e o sangue ruivo de outros canais para com ele construir a razão mística da história, sempre tolerante, pobres e confusos instrumentos, com a vaidade dos que reclamam o mérito de dar-lhe o curso, não cabendo competir com ele o leito em que há de fluir, cabendo menos ainda a cada um correr contra a corrente, ai daquele, dizia o pai, que tenta deter com as mãos seu movimento: será consumido pelas águas (&#8230;)</p></blockquote>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Relendo Raduan Nassar]]></title>
<link>http://versoeprosa.wordpress.com/2009/10/31/relendo-raduan-nassar/</link>
<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 00:43:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fênix</dc:creator>
<guid>http://versoeprosa.wordpress.com/2009/10/31/relendo-raduan-nassar/</guid>
<description><![CDATA[Um copo de cólera &#8211; trecho (&#8230;) eu estava dentro de mim, precisava naquele instante é dum]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/copo-colera-403320.shtml" target="_blank">Um copo de cólera</a> &#8211; trecho</p>
<blockquote><p>(&#8230;) eu estava dentro de mim, precisava naquele instante é duma escora, precisava mais do que nunca &#8211; pra atuar &#8211; dos gritos secundários duma atriz, e fique bem claro que não queria balidos de platéia, longe disso, tinha a lúcida consciência então de que só queria meu berro tresmalhado, e ela nem tinha tanto a ver com tudo isso (concordo que é confuso, mas era assim), eu estava dentro de mim, eu já disse (e que tumulto!), estava era às voltas c&#8217;o imbróglio, co&#8217;as cólicas, co&#8217;as contorções terríveis duma virulenta congestão, co&#8217;as coisas fermentadas na panela do meu estômago, as coisas todas que existiam fora e minhas formigas pouco a pouco carregaram, e elas eram ótimas carregadeiras as filhas-da-puta, isso elas eram excelentes, e as malditas insetas me tinham entrado por tudo quanto era olheiro, pela vista, pelas narinas, pelas orelhas, pelo buraco das olheiras especialmente! e alguém tinha que pagar, alguém sempre tem que pagar queira ou não, era esse um dos axiomas da vida, era esse o suporte espontâneo da cólera (quando não fosse o melhor alívio da culpa) (&#8230;)</p></blockquote>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[uM cOpO de cÓLerA]]></title>
<link>http://aqueiva.wordpress.com/2009/10/09/um-copo-de-colera/</link>
<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 12:35:27 +0000</pubDate>
<dc:creator>Marco Aqueiva</dc:creator>
<guid>http://aqueiva.wordpress.com/2009/10/09/um-copo-de-colera/</guid>
<description><![CDATA[Neste encontro em que será exibido e discutido Um copo de cólera, contaremos, eu e Gonçalo, com a pr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="aligncenter size-full wp-image-1254" title="Um copo de colera 1[1]" src="http://aqueiva.wordpress.com/files/2009/10/um-copo-de-colera-11.jpg" alt="Um copo de colera 1[1]" width="450" height="334" /></p>
<p>Neste encontro em que será exibido e discutido <strong>Um copo de cólera</strong>, contaremos, eu e Gonçalo, com a presença de <strong>Carlos Pessoa Rosa</strong>, poeta, contista, ensaísta e um dos coordenadores do projeto Dulcinéia Catadora.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1256" title="cólera" src="http://aqueiva.wordpress.com/files/2009/10/colera.jpg" alt="cólera" width="450" height="373" /></p>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1259" title="colera" src="http://aqueiva.wordpress.com/files/2009/10/colera1.jpg" alt="colera" width="170" height="530" /></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[GUIA-MAPA DE ALGUNS NOBELIZÁVEIS ]]></title>
<link>http://armonte.wordpress.com/2009/10/06/guia-mapa-de-alguns-nobelizaveis/</link>
<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 23:20:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>alfredomonte</dc:creator>
<guid>http://armonte.wordpress.com/2009/10/06/guia-mapa-de-alguns-nobelizaveis/</guid>
<description><![CDATA[Além dos meus favoritos, alguns outros merecedores do prêmio: SOLITÁRIOS, PINÇADOS AQUI E ALI NO MAP]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Além dos meus favoritos, alguns outros merecedores do prêmio:</p>
<p>SOLITÁRIOS, PINÇADOS AQUI E ALI NO MAPA:</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1356" title="cees_nooteboom_208" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/cees_nooteboom_208.jpg" alt="cees_nooteboom_208" width="208" height="208" /></p>
<p>O holandês <strong>Cees Nooteboom-</strong> Livros indicados: <em>Dia de finados; A seguinte história:</em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1357" title="mia_couto_leo_aversa" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/mia_couto_leo_aversa.jpg" alt="mia_couto_leo_aversa" width="250" height="245" /></p>
<p>O moçambicano <strong>Mia Couto</strong>. Livros indicados: <em>Terra Sonâmbula,  A varanda do frangipani</em></p>
<p><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-1358" title="Ismail+Kadar%C3%A9" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/ismailkadarc3a9.jpg?w=150" alt="Ismail+Kadar%C3%A9" width="150" height="150" /></p>
<p>O albanês <strong>Ismail Kadaré</strong>. Walter Salles Jr. mostrou, com sua adaptação, como <em>Abril despedaçado</em> é universal. Outros títulos índicados: <em>Dossiê H,  O palácio dos sonhos</em></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1359" title="Tariq_Ali" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/tariq_ali.jpg?w=250" alt="Tariq_Ali" width="250" height="300" /></p>
<p>Gosto muito do paquistanês <strong>Táriq Ali</strong> pelos seus romances <em>Sombras da Româzeira</em> e <em>Medo de Espelhos</em>. Mas também acho admirável ele publicar um livro tão provocativo quanto <em>Piratas do Caribe.</em></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1360" title="goytisolo" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/goytisolo.gif?w=300" alt="goytisolo" width="300" height="240" /></p>
<p>Apesar de Jorge Semprún, acho que  o espanhol <strong>Juan Goytisolo</strong>  também mereceria o Nobel. Livros indicados: <em>As semanas no jardim, A saga dos Marx</em></p>
<p><strong><em>BRASILEIROS</em></strong></p>
<p><strong><em>     </em></strong>Vimos tantos escritores maiores nossos morrerem (Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, Nélson Rodrigues, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Osman Lins,  Jorge Amado, Jorge de Lima, Érico Veríssimo, Murilo Mendes, só para citar alguns), que é uma tristeza imaginar que nunca tivemos um Nobel. Por isso, além de Dalton Trevisan, um dos nomes abaixo podia ser anunciado:</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1361" title="RaduanNassar" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/raduannassar.jpg?w=287" alt="RaduanNassar" width="287" height="300" /></p>
<p>Alguém tem dúvida de que <strong>Raduan Nassar</strong> mereceria por <em>Lavoura Arcaica</em> &#38; <em>Um copo de cólera</em>?</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1362" title="autran" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/autran.jpg?w=216" alt="autran" width="216" height="300" /></p>
<p>Sou particularmente fã do mineiro<strong> Autran Dourado</strong> (minha tese de doutorado foi sobre sua obra). Meus livros prediletos: <em>O risco do bordado, Novelário de Donga Novais, Armas &#38;  Corações, Ópera dos mortos</em> e <em>Matéria de carpintaria: uma poética do romance</em></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1363" title="012lygiafagundes" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/012lygiafagundes.jpg?w=215" alt="012lygiafagundes" width="215" height="300" /></p>
<p><strong>Lygia Fagundes Telles </strong>tem quatro romances lindos (especialmente <em>As meninas</em> e <em>As horas nuas</em>), mas sua obra como contista é notável (<em>Antes do baile verde, O jardim selvagem, Seminário dos ratos, Invenção e Memória</em>)</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1364" title="adélia prado" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/adelia-prado.jpg?w=300" alt="adélia prado" width="300" height="221" /></p>
<p><strong>Adélia Prado</strong> tem uma obra poética belíssima (<em>Bagagem, O coração disparado, Terra de Santa Cruz, O pelicano</em>).</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1365" title="950_Manoel_de_Barros" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/950_manoel_de_barros.jpg?w=300" alt="950_Manoel_de_Barros" width="300" height="197" /></p>
<p>Outra obra poética considerável é a  de <strong>Manoel de Barros</strong> (<em>O livro da ignorãças, Retrato do artista quando coisa, Tratado geral das grandezas do ínfimo, Livro das pré-coisas</em>).</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1366" title="rubem" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/rubem.jpg?w=300" alt="rubem" width="300" height="202" /></p>
<p><strong>Rubem Fonseca</strong> merece o prêmio não por seus romances, certamente, porém pela sua extraordínárias obra como contista (<em>Feliz ano novo, A coleira do cão, O buraco na parede</em>).</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1368" title="ariano-suassuna" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/ariano-suassuna1.jpg?w=245" alt="ariano-suassuna" width="245" height="300" /></p>
<p><strong>Ariano Suassuna</strong> tem uma concepção estética muito particular e articulada, seu teatro é popular, inventivo e de grande penetração (<em>Auto da Compdecida, O casamento suspeitoso</em>) e há o grandioso <em>A pedra do Reino</em></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1369" title="noll" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/noll.jpg?w=274" alt="noll" width="274" height="300" /></p>
<p>Nosso grande autor pós-moderno, o gaúcho <strong>João Gilberto Noll</strong> escreveu uma série de livros notáveis (<em>Bandoleiros, Rastros do verão, Hotel Atlântico, Harmada, O quieto animal da esquina</em>).</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1370" title="ubaldo, o baldo" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/ubaldo-o-baldo.jpg?w=148" alt="ubaldo, o baldo" width="148" height="300" /></p>
<p>Confesso que não vou com a cara do &#8220;buda ditoso&#8221; <strong>João Ubaldo Ribeiro</strong>. Mas ele teve uma fase tão inspirada (<em>Sargento Getúlio, Vila Real, Livro de Histórias</em>), que nunca mais se repetiu, a não ser em alguns lampejos (<em>Diário do Farol</em>), talvez devido à vaidade, que ele não pode ser descartado. Difícil seria aturá-lo depois.</p>
<p><strong><em>HISPANO-AMERICANOS</em></strong></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1371" title="carlos-fuentes1" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/carlos-fuentes1.jpg?w=300" alt="carlos-fuentes1" width="300" height="295" /></p>
<p>Irregularíssimo o mexicano <strong>Carlos Fuentes</strong>. Um livro como <em>Terra Nostra</em> é ao mesmo tempo ambicioso, monstruoso, cheio de coisas boas e ruins. Mas quando ele acerta, ele acerta: <em>Aura, A morte de Artemio Cruz, Gringo Velho</em>, o ensaio <em>A geografia do romance</em>&#8230;</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1372" title="paulsfoto8" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/paulsfoto8.jpg?w=198" alt="paulsfoto8" width="198" height="300" /></p>
<p><strong>Alan Pauls</strong> escreveu o romance (<em>O passado</em>) que rivaliza com <em>Detetives selvagens</em>, do falecido Roberto Bolaño, como livro supremo da década entre os hispano-americanos. Que estilo!</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1373" title="ricardo_piglia2_med" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/ricardo_piglia2_med.jpg?w=300" alt="ricardo_piglia2_med" width="300" height="220" /></p>
<p><strong>Ricardo Piglia</strong> é outro nome que não pode ser esquecido na pós-modernidade: <em>A cidade ausente, Respiração Artificial, Nome Falso</em>, o ensaio <em>Formas Breves</em></p>
<p><strong><em>PORTUGUESES</em></strong></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1374" title="AgustinaBessaL" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/agustinabessal.jpg?w=300" alt="AgustinaBessaL" width="300" height="255" /></p>
<p>Conheço pouco a obra de Lídia Jorge (<em>O dia dos prodígios</em>), que muitos consideram notável, mas <strong>AGUSTINA BESSA LUÍS</strong> é uma precedente admirável. Livros indicados: <em>A sibila, O Mosteiro, A muralha, Fanny Owen, As fúrias, Vale Abraão</em>).</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1375" title="Nunojudice" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/nunojudice.jpg?w=247" alt="Nunojudice" width="247" height="300" /></p>
<p>O poeta <strong>Nuno Júdice</strong> com sua <em>Poesia Reunida (1967-2000)</em>  e <em>Cartografia de emoções</em></p>
<p><em><strong>ITALIANOS </strong></em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1376" title="pietro" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/pietro.jpg" alt="pietro" width="170" height="252" /></p>
<p><strong>Pietro Citati</strong> também escreveu romanceus, além de ensaios, mas eu o acho genial com suas biografias únicas, admiráveis (<em>Proust, Goethe</em>)</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1377" title="ginzburg" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/ginzburg.jpg?w=225" alt="ginzburg" width="225" height="300" /></p>
<p><strong>Carlos Ginzburg</strong> mostrou que um bom relato histórico pode ser uma narrativa tão poderosa quanto uma ficção, em <em>O queijo e os vermes</em>. Outros grandes livros: <em>Olhos de madeira, Mitos-Emblemas-Sinais, Nenhuma ilha é uma ilha</em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1378" title="magris" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/magris.jpg" alt="magris" width="200" height="277" /></p>
<p><strong>Claudio Magris</strong> escreve livros inclassificáveis que misturam anedotas históricas, apreensão geográfica, considerações filosóficas, análise de autores. É o caso de <em>Danúbio</em> e <em>Microcosmos.</em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1379" title="camilleri" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/camilleri.jpg" alt="camilleri" width="150" height="185" /></p>
<p><strong>Andrea Camilleri</strong> faria honra à grande literatura siciliana com suas obras policiais (<em>O cão de terracota, O ladrão de merendas</em>) e as históricas (<em>Um fio de fumaça, Por uma linha telefônica, A ópera maldita</em>)</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1380" title="482ebde7443b2_normal" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/482ebde7443b2_normal.jpg?w=206" alt="482ebde7443b2_normal" width="206" height="300" /></p>
<p><strong>Roberto Calasso</strong> tnto pode escrever finas fantasias ficcionais utilizando a mitologia (<em>Ka</em>) quanto ensaios maravilhosos (<em>K., A literatura e os deuses, Os 49 degraus)</em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1381" title="aldo_busi" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/aldo_busi.jpg" alt="aldo_busi" width="201" height="166" /></p>
<p>O peculiaríssimo <strong>Aldo Busi</strong>, sensação nos anos 80, com <em>Seminário sobre a juventude </em>e <em>Vida padrão de um vendedor provisório de collants</em></p>
<p><strong>ALEMÃES</strong></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1382" title="tankred-dorst" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/tankred-dorst.jpg?w=300" alt="tankred-dorst" width="300" height="197" /></p>
<p>O dramaturgo <strong>Tankred Dorst</strong> de <em>Diante dos muros da cidade</em>, mas principalmente por <em>Merlin</em>, a visão mais original da história</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1384" title="christa wolf" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/christa-wolf.jpg?w=221" alt="christa wolf" width="221" height="300" /></p>
<p>Assim como Claudio Magris, <strong>Christa Wolf</strong> escreveu um livro inclassificável, <em>Cassandra</em>. E o belo <em>Em busca de Christa T.</em></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1385" title="handke_p_01" src="http://armonte.wordpress.com/files/2009/10/handke_p_01.jpg?w=194" alt="handke_p_01" width="194" height="300" /></p>
<p>Por onde anda o outrora tão (merecidamente) badalado <strong>Peter Handke </strong>de <em>A repetição, O medo do goleiro diante do pênalti, O movimento errado, A mulher canhota</em>?</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Aí pelas Três da Tarde]]></title>
<link>http://margaridaevioleta.wordpress.com/2009/08/18/ai-pelas-tres-da-tarde/</link>
<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 03:26:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>maracuja</dc:creator>
<guid>http://margaridaevioleta.wordpress.com/2009/08/18/ai-pelas-tres-da-tarde/</guid>
<description><![CDATA[Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bo]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p> Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bom senso do mundo, aplicando-se em idéias claras apesar do ruído e do mormaço, seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repente sob os olhares a sua volta, componha uma cara de louco quieto e perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais escribas mais severos, dê um largo &#8220;ciao&#8221; ao trabalho do dia, assim como quem se despede da vida, e surpreenda pouco mais tarde, com sua presença em hora tão insólita, os que estiveram em casa ocupados na limpeza dos armários, que você não sabia antes como era conduzida. Convém não responder aos olhares interrogativos, deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa que se instala. Mas não exagere na medida e suba sem demora ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo como se retirasse a importância das coisas, pondo-se enfim em vestes mínimas, quem sabe até em pêlo, mas sem ferir o decoro (o seu decoro, está claro), e aceitando ao mesmo tempo, como boa verdade provisória, toda mudança de comportamento. Feito um banhista incerto, assome em seguida no trampolim do patamar e avance dois passos como se fosse beirar um salto, silenciando de vez, embaixo, o surto abafado dos comentários. Nada de grandes lances. Desça, sem pressa, degrau por degrau, sendo tolerante com o espanto (coitados!) dos pobres familiares, que cobrem a boca com a mão enquanto se comprimem ao pé da escada. Passe por eles calado, circule pela casa toda como se andasse numa praia deserta (mas sempre com a mesma cara de louco ainda não precipitado) e se achegue depois, com cuidado e ternura, junto à rede languidamente envergada entre plantas lá no terraço. Largue-se nela como quem se larga na vida, e vá ao fundo nesse mergulho: cerre as abas da rede sobre os olhos e, com um impulso do pé (já não importa em que apoio), goze a fantasia de se sentir embalado pelo mundo.</p>
<p>Raduan Nassar em A menina a caminho<br />
(para José Carlos Abbate) </p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre o tempo]]></title>
<link>http://margaridaevioleta.wordpress.com/2009/07/13/sobre-o-tempo/</link>
<pubDate>Mon, 13 Jul 2009 18:59:18 +0000</pubDate>
<dc:creator>maracuja</dc:creator>
<guid>http://margaridaevioleta.wordpress.com/2009/07/13/sobre-o-tempo/</guid>
<description><![CDATA[O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; é um pomo exótico que não pode ser repartido, podendo entretanto prover igualmente a todo mundo; onipresente, o tempo está em tudo; existe tempo, por exemplo, nessa mesa antiga: existiu primeiro uma terra propícia, existiu depois uma árvore secular feita de anos sossegados, e existiu finalmente uma prancha nodosa e dura trabalhada pelas mãos de um artesão dia após dia; existe tempo nas cadeiras onde nos sentamos, nos outros móveis da família, nas paredes da nossa casa, na água que bebemos, na terra que fecunda, na semente que germina, nos frutos que colhemos, no pão em cima da mesa, na massa fértil dos nossos corpos, na luz que nos ilumina, nas coisas que nos passam pela cabeça, no pó que dissemina, assim como em tudo que nos rodeia; rico não é o homem que coleciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas; rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; por isso ninguém em nossa casa a de dar o passo mais largo que a perna: dar o passo mais largo qu a perna é o mesmo que suprimir o tempo necessário à nossa iniciativa; e ninguém em nossa casa a de colocar o carro a frente dos bois: colocar o carro a frente dos bois é o mesmo que retirar a quantidade de tempo que um empreendimento exige; e ninguém ainda em nossa casa há de começar nunca as coisas pelo teto: começar as coisas pelo teto é o mesmo que eliminar o tempo que se levaria para erguer os alicerces e as paredes de uma casa; aquele que exorbita no uso do tempo,  precipitando-se de modo afoito, cheio de pressa e ansiedade, não será jamais recompensado, pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas, não bebendo do vinho quem esvazia num só gole a taça cheia; mas fica a salvo do malogro e livre da decepção quem alcançar aquele equilíbrio, é no manejo mágico de uma balança que está guardada toda a matemática dos sábios, num dos pratos a massa tosca, modelável, no outro, a quantidade de tempo a exigir de cada um o requinte do cálculo, o olhar pronto, a intervenção ágil ao mais sutil desnível; são sábias as mãos rudes do peixeiro pesando sua pesca de cheiro forte: firmes, controladas, arrancam de dois pratos pendentes, através do cálculo conciso, o repouso absoluto, a imobilidade e sua perfeição; só chega a este raro resultado aquele que não deixa que um tremor maligno tome conta de suas mãos, e nem que esse tremor suba corrompendo a santa força dos braços, e nem circule e se estenda pelas áreas limpas do corpo, e nem intumesça de pestilências a cabeça, cobrindo os olhos de alvoroço e muitas trevas; não é na bigorna que calçamos os estribos, nem é inflamável a fibra com que tecemos as tranças de nossas rédeas, pode responder a que parte vai quem monta, por que é célere, um potro xucro? O mundo das paixões é o mundo do desequilíbrio, é contra ele que devemos esticar o arame das nossas cercas, e com as farpas de tantas fiadas tecer um crivo estreito, e sobre este crivo emaranhar uma sebe viva, cerrada e pujante, que divida e proteja a luz calma e clara da nossa casa, que cubra e esconda dos nossos olhos as trevas que ardem do outro lado; e nenhum entre nós há de transgredir esta divisa, nenhum entre nós há de estender sobre ela sequer a vista, nenhum entre nós há de cair jamais na fervura desta caldeira insana, onde uma química frívola tenta dssolver e recriar o tempo; não se profana impunemente ao tempo a substância que só ele pode empregar nas transformações, não lança contra ele o desafio quem não receba de volta o golpe implacável do seu castigo; ai de quem brinca com fogo: terá as mãos cheias de cinza; ai daquele que se deixa arrastar pelo calor de tanta chama: terá a insônia como estigma; ai daquele que deita as costas nas achas desta lenha escusa: há de purgar todos os dias; ai daquele que cair e nessa queda se largar: há de arder em carne viva; ai daquele que queima a garganta com tanto grito: será escutado por seus gemidos; ai daquele que se antecipa no processo das mudanças: terá as mãos cheias de sangue; ai daquele, mais lascivo, que tudo quer ver e sentir de um modo intenso: terá as mãos cheias de gesso, ou pó de osso, de um branco frio, ou quem sabe sepulcral, mas sempre a negação de tanta intensidade e tantas cores: acaba por nada ver, de tanto que quer ver; acaba por nada sentir, de tanto que quer sentir; acaba só por expiar, de tanto que quer viver; cuidem-se os apaixonados, afastando dos olhos a poeira ruiva que lhes turva a vista, arrancando dos ouvidos os escaravelhos que provocam turbilhões confusos, expurgando do humor das glândulas o visgo peçonhento e maldito; erguer uma cerca ou guardar simplesmente o corpo, são esses os artifícios que devemos usar para impedir que as trevas de um lado invadam e contaminem a luz do outro, afinal, que força tem o redemoinho que varre o chão e rodopia doidamente e ronda a casa feito fantasma, se não expomos nossos olhos à sua poeira? é através do recolhimento que escapamos ao perigo das paixões, mas ninguém no seu entendimento há de achar que devamos sempre cruzar os braços, pois em terras ociosas é que viceja a erva daninha: ninguém em nossa casa há de cruzar os braços quando existe a terra para lavrar, ninguém em nossa casa há de cruzar os braços quando existe a parede para erguer, ninguém ainda em nossa casa há de cruzar os braços quando existe o irmão para socorrer; caprichoso como uma criança, não se deve contudo retrair-se no trato do tempo, bastando que sejamos humildes e dóceis diante de sua vontade, abstendo-nos de agir quando ele exigir de nós a contemplação, e só agirmos quando ele exigir de nós a ação, que o tempo sabe ser bom, o tempo é largo, o tempo é grande, o tempo é generoso, o tempo é farto é sempre abundante em suas entregas: amaina nossas aflições, dilui a tensão dos preocupados, suspende a dor aos torturados, traz a luz aos que vivem nas trevas, o ânimo aos indiferentes, o conforto aos que se lamentam, a alegria aos homens tristes, o consolo aos desamparados, o relaxamento aos que se contorcem, a serenidade aos inquietos, o repouso aos sem sossego, a paz aos intranqüilos, a umidade às almas secas; satisfaz os apetites moderados, sacia a sede aos sedentos, a fome aos famintos, dá a seiva aos que necessitam dela, é capaz ainda de distrair a todos com seus brinquedos; em tudo ele nos atende, mas as dores da nossa vontade só chegarão ao santo alívio seguindo esta lei inexorável: a obediência absoluta à soberania incontestável do tempo, não se erguendo jamais o gesto neste culto raro; é através da paciência que nos purificamos, em águas mansas é que devemos nos banhar, encharcando nossos corpos de instantes apaziguados, fruindo religiosamente a embriaguez da espera no consumo sem descanso desse fruto universal, inesgotável, sorvendo até a exaustão o caldo contido em cada bago, pois só nesse exercício é que amadurecemos, construindo com disciplina a nossa própria imortalidade, forjando, se formos sábios, um paraíso de brandas fantasias onde teria sido um reino penoso de expectativas e suas dores(..)` </p>
<p>(trecho de Lavoura Arcaica &#8211; Raduan Nassar)</p>
<p>O livro  http://www.scribd.com/doc/12987435/Lavoura-Arcaica-Raduan-Nassar-alt</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[UM COPO DE CÓLERA, Raduan Nassar]]></title>
<link>http://ogrifoemeu.wordpress.com/2009/07/01/um-copo-de-colera-raduan-nassar/</link>
<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 08:00:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cris Cortez</dc:creator>
<guid>http://ogrifoemeu.wordpress.com/2009/07/01/um-copo-de-colera-raduan-nassar/</guid>
<description><![CDATA[&#8220;&#8230; já foi o tempo em que via a convivência como viável, só exigindo deste bem comum, pie]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignnone size-medium wp-image-531" title="16573_488" src="http://ogrifoemeu.wordpress.com/files/2009/07/16573_488.jpg?w=216" alt="16573_488" width="216" height="300" /></p>
<p>&#8220;&#8230; já foi o tempo em que via a convivência como viável, só exigindo deste bem comum, piedosamente, o meu quinhão, já foi o tempo em que consentia num contrato, deixando muitas coisas de fora sem ceder contudo no que me era vital, já foi o tempo em que reconhecia a existência escandalosa de imaginados valores, coluna vertebral de toda &#8216;ordem&#8217;; mas não tive sequer o sopro necessário, e, negado o respiro, me foi imposto o sufoco; é esta consciência que me libera, é ela hoje que me empurra, são outras agora minhas preocupações, é hoje outro o meu universo de problemas; num mundo estapafúrdio – definitivamente fora de foco – cedo ou tarde tudo acaba se reduzindo a um ponto de vista, e você, que vive paparicando as ciências humanas, nem suspeita que paparica uma piada: impossível ordenar o mundo dos valores, ninguém arruma a casa do capeta; me recuso pois a pensar naquilo em que não mais acredito, seja o amor, a amizade, a família, a igreja, a humanidade; me lixo com tudo isso! me apavora ainda a existência, mas não tenho medo de ficar sozinho, foi conscientemente que escolhi o exílio, me bastando hoje o cinismo dos grandes indiferentes&#8230;&#8221;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Lavoura Arcaica mañana, en la Embajada de Brasil, 7h]]></title>
<link>http://giseleteixeira.wordpress.com/2009/06/22/lavoura-arcaica-manana-en-la-embajada-de-brasil-7h/</link>
<pubDate>Mon, 22 Jun 2009 21:26:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>Gisele Teixeira</dc:creator>
<guid>http://giseleteixeira.wordpress.com/2009/06/22/lavoura-arcaica-manana-en-la-embajada-de-brasil-7h/</guid>
<description><![CDATA[“Y recordé lo que decía nuestro padre en sus sermones: los ojos son la lámpara del cuerpo y si ellos]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://giseleteixeira.wordpress.com/files/2009/06/lavourav.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2007" title="lavourav" src="http://giseleteixeira.wordpress.com/files/2009/06/lavourav.jpg" alt="lavourav" width="400" height="243" /></a></p>
<p>“Y recordé lo que decía nuestro padre en sus sermones: los ojos son la lámpara del cuerpo y si ellos eran buenos, el cuerpo tenía luz; y si los ojos no eran limpios, revelaban un cuerpo tenebroso”.</p>
<p>Análise de la película, en español, <a href="http://cinerastas.com/2009/03/07/lavoura-arcaica-y-la-complejidad-narrativa/">ACÁ</a></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ANGÚSTIAS E POESIA]]></title>
<link>http://bomcamarada.wordpress.com/2009/06/02/angustias-e-poesia/</link>
<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 10:32:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>Bezerra</dc:creator>
<guid>http://bomcamarada.wordpress.com/2009/06/02/angustias-e-poesia/</guid>
<description><![CDATA[[...] ele falou ainda dos anseios isolados de cada um em casa, mas que era preciso refrear os maus i]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><img class="alignleft size-full wp-image-610" title="BARRA-LIVROS" src="http://bomcamarada.wordpress.com/files/2009/05/barra-livros1.jpg" alt="BARRA-LIVROS" width="455" height="48" /><img class="alignleft size-full wp-image-645" title="lavoura-arcaica" src="http://bomcamarada.wordpress.com/files/2009/06/lavoura-arcaica.jpg" alt="lavoura-arcaica" width="161" height="240" /></p>
<p>[...] ele falou ainda dos anseios isolados de cada um em casa, mas que era preciso refrear os maus impulsos, moderar prudentemente os bons, não perder de vista o equilíbrio, cultivando o autodomínio, precavendo-se contra o egoísmo e as paixões perigosas que o acompanham, procurando encontrar a solução para nossos problemas individuais sem criar problemas mais graves para os que eram de nossa estima [...] sem contar que o horizonte da vida não era largo quanto parecia, não passando de ilusão, no meu caso, a felicidade que eu pudesse ter vislumbrado para além das divisas do pai [...]</p>
<p>Raduan Nassar, em Lavoura Arcaica.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Arnaldo Jabor e Eu sei que vou te amar]]></title>
<link>http://principiantesnacozinha.wordpress.com/2009/05/22/arnaldo-jabor-e-eu-sei-que-vou-te-amar/</link>
<pubDate>Fri, 22 May 2009 12:18:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>atreusj</dc:creator>
<guid>http://principiantesnacozinha.wordpress.com/2009/05/22/arnaldo-jabor-e-eu-sei-que-vou-te-amar/</guid>
<description><![CDATA[Como o filme da quinta mas colocado na sexta temos: Eu sei que vou te amar de Arnaldo Jabor . Primei]]></description>
<content:encoded><![CDATA[Como o filme da quinta mas colocado na sexta temos: Eu sei que vou te amar de Arnaldo Jabor . Primei]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[February 2009]]></title>
<link>http://partario.wordpress.com/2009/03/08/february-2009/</link>
<pubDate>Sun, 08 Mar 2009 17:45:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>Joe</dc:creator>
<guid>http://partario.wordpress.com/2009/03/08/february-2009/</guid>
<description><![CDATA[Books bought: Rabbit Novels: Vol. 2, John Updike The Dying Animal, Philip Roth Selected Stories, And]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Books bought:</p>
<ul>
<li>Rabbit Novels: Vol. 2, John Updike</li>
<li>The Dying Animal, Philip Roth</li>
<li>Selected Stories, Andre Dubus</li>
<li>The Body Artist, Don DeLillo</li>
<li>Underworld, Don DeLillo</li>
<li>Pincher Martin, William Golding</li>
<li>Riddley Walker, Russell Hoban</li>
<li>Vineland, Thomas Pynchon</li>
<li>The Adventures of Augie March, Saul Bellow</li>
<li>Seize the Day/Henderson the Rain King/Herzog, Saul Bellow</li>
<li>Collected Stories, Saul Bellow</li>
<li>Humboldt’s Gift, Saul Bellow</li>
</ul>
<p>Books read:</p>
<ul>
<li>Herzog, Saul Bellow</li>
<li>Seize the Day, Saul Bellow</li>
<li>Collected Stories, Saul Bellow (unfinished)</li>
<li>Lavoura arcaica, Raduan Nassar</li>
<li>Child of God, Cormac McCarthy</li>
<li>The Anatomy Lesson, Philip Roth</li>
<li>Go Down Moses, William Faulkner (unfinished)</li>
<li>&#8220;Bartleby, the Scrivener,&#8221; Herman Melville</li>
</ul>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ator x personagem]]></title>
<link>http://thiagomamede.wordpress.com/2009/01/06/ator-x-personagem/</link>
<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 00:52:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>thiagomamede</dc:creator>
<guid>http://thiagomamede.wordpress.com/2009/01/06/ator-x-personagem/</guid>
<description><![CDATA[Até onde pode chegar a interpretação de um ator? Não entendo nada de teatro, métodos e técnicas de i]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Até onde pode chegar a interpretação de um ator?<br />
Não entendo nada de teatro, métodos e técnicas de interpretação, mas reconheço quando um ator se entrega de verdade a um personagem. E imagino que essa entrega é o grande objetivo dos atores. Esse é um bom exemplo disso.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-420" title="lavoura_blog_00" src="http://thiagomamede.wordpress.com/files/2009/01/lavoura_blog_00.jpg" alt="lavoura_blog_00" width="418" height="312" /></p>
<p>Lavoura Arcaica<br />
dir. Luiz Fernando Carvalho</p>
<p>Se realmemte existe um ponto de integração total entre ator e personagem, acho que Selton Mello o encontrou nesse filme. Quando o filme estava sendo lançado, me lembro de ter visto uma entrevista onde ele contava a importância<br />
desse trabalho para ele e aí no meio da entrevista ele chorou de emoção. E realmente é um dos melhores filmes do cinema brasileiro. De tão intenso, é difícil definir o que se sente. Não é um filme fácil, nem pelo tema e muito menos pela linguagem, com diálogos adaptados do livro homônimo de Raduan Nassar, com um texto poético e extremamente lapidado. Mas é justamente isso e muito mais que faz de &#8220;Lavoura Arcaica&#8221; uma obra-prima.</p>
<p>A fotografia de Walter Carvalho é outro ponto de destaque que nos encanta em alguns momentos e nos pertuba em outros, assim como os silêncios e os sons da fazenda. Sou obrigado a citar a cena do diálogo com o pai interpretado por Raul Cortez: pra mim, uma das cenas mais bonitas de todos os tempos. Enfim, se ainda não viu, veja! Se já, reveja muitas vezes! Na sua locadora tem, se não tiver, troque de locadora!</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Casca]]></title>
<link>http://cotidianorewritable.wordpress.com/2008/11/13/casca/</link>
<pubDate>Thu, 13 Nov 2008 00:11:18 +0000</pubDate>
<dc:creator>cotidianorecordable01</dc:creator>
<guid>http://cotidianorewritable.wordpress.com/2008/11/13/casca/</guid>
<description><![CDATA[&#8220;&#8230; e quanto mais engrossam a casca, mais se torturam com o peso da carapaça, pensam que ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><!-- ======================================================= --> <!-- Created by AbiWord, a free, Open Source wordprocessor.  --> <!-- For more information visit http://www.abisource.com.    --> <!-- ======================================================= --></p>
<div>
<div>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arab;">&#8220;&#8230; e quanto mais engrossam a casca, mais se torturam com o peso da carapaça, pensam que estão em segurança mas se consomem de medo, escondem-se dos outros sem saber que atrofiam os próprios olhos, fazem-se prisioneiros de si mesmos e nem sequer suspeitam, trazem na mão a chave mas se esquecem que ela abre, e, obsessivos, afligem-se com seus problemas pessoais sem chegar à cura, pois recusam o remédio; a sabedoria está precisamente em não se fechar nesse mundo menor: humilde, o homem abandona sua individualidade para fazer parte de uma unidade maior, que é de onde retira sua grandeza; só através da família é que cada um em casa há de aumentar sua existência, é se entregando a ela que cada um em casa há de sossegar os próprios problemas, é preservando sua união que cada um em casa há de fruir as mais sublimes recompensas; nossa lei não é retrair mas ir ao encontro, não é separar mas reunir, onde estiver um há de estar o irmão também&#8230;&#8221;  (Da mesa dos sermões).</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arab;">Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, capítulo 22 &#8211; páginas 147/148</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arab;"><a href="http://cotidianorecordable.files.wordpress.com/2008/11/36498841.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1975" title="36498841" src="http://cotidianorecordable.files.wordpress.com/2008/11/36498841.jpg?w=358&#038;h=500" alt="36498841" width="358" height="500" /></a><br />
</span></div>
</div>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[As diferentes levas imigrantes na literatura brasileira]]></title>
<link>http://peregrinacultural.wordpress.com/2008/11/05/as-diferentes-levas-imigrantes-na-literatura-brasileira/</link>
<pubDate>Wed, 05 Nov 2008 23:09:43 +0000</pubDate>
<dc:creator>peregrinacultural</dc:creator>
<guid>http://peregrinacultural.wordpress.com/2008/11/05/as-diferentes-levas-imigrantes-na-literatura-brasileira/</guid>
<description><![CDATA[Chegada dos imigrantes alemães em 1824 Ernst Zeuner ( Alemanha 1895- Brasil 1967) óleo sobre tela   ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2008/11/quadro_imigracao-ernst-zeuner-rio-dos-sinos-s-leopoldo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1641" title="quadro_imigracao-ernst-zeuner-rio-dos-sinos-s-leopoldo" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2008/11/quadro_imigracao-ernst-zeuner-rio-dos-sinos-s-leopoldo.jpg" alt="quadro_imigracao-ernst-zeuner-rio-dos-sinos-s-leopoldo" width="400" height="277" /></a></span></span></p>
<div></div>
<div><span style="font-family:Georgia;"></span></div>
<p><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><em><span style="font-family:Times New Roman;">Chegada dos imigrantes alemães em 1824</span></em></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ernst Zeuner ( Alemanha 1895- Brasil 1967)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;">óleo sobre tela</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">Quase todos os países das Américas têm uma massa de imigrantes que lhes dá características específicas. <span> </span>O Brasil assim como os EUA, o Canadá, a Argentina tem uma população de origem muito diversa que só nos enriquece. <span> </span>Cada grupo de imigrantes nestes países veio por não agüentar situações de guerra, de pobreza, de fome, perseguições políticas e religiosas em suas terras natais. <span> </span>As terras do Novo Mundo eram a oportunidade do Eldorado (por mais defeitos que o país adotivo tivesse), eram a oportunidade de sobrevivência decente. <span> </span>Este espírito empreendedor de quem veio de terras distantes para as Américas caracteriza todos os recém-chegados que sonham em construir um país diferente de onde vieram e marca seus filhos de maneira visível.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<div></div>
<div><span style="font-family:Georgia;"></span></div>
<p><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"></p>
<div id="attachment_1642" class="wp-caption alignleft" style="width: 316px"><a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2008/11/salim-miguel.jpg"><img class="size-full wp-image-1642 " title="salim-miguel" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2008/11/salim-miguel.jpg" alt="O escritor Salim Miguel" width="306" height="453" /></a><p class="wp-caption-text">O escritor Salim Miguel</p></div>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;">Países como os Estados Unidos, o Canadá, o Brasil, a Argentina têm uma grande dívida com esses homens e mulheres corajosos que deixaram suas culturas, suas terras, suas línguas, seu folclore, seus laços de família, seus feriados religiosos, para trás, muitas vezes para nunca mais voltarem a ver pais, irmãos e outros parentes próximos. <span> </span>Há povos que são conhecidos por terem mandado emigrantes para os quatro cantos do mundo. <span> </span>Fala-se com freqüência da diáspora dos judeus, assim como se fala da diáspora portuguesa.<span>  </span></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">Só agora no final do século XX e início do XXI, que os brasileiros &#8212; tendo adquirido um melhor e mais democrático nível de educação e maior interesse na sua história, tem-se conscientizado da saga vivida por seus antepassados, dos sacrifícios que nossos pais, avós, bisavós fizeram para chegar aqui e suas contribuições para a cultura brasileira.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">A experiência brasileira de inclusão só se parece pela total diversidade dos que aqui chegaram, com aquela encontrada nos Estados Unidos.<span>  </span>Como no país da América do Norte a educação da população em geral foi mais universal do que no Brasil o fenômeno da imigração, um tópico comum entre os americanos do norte, <span> </span>só agora <span> </span>aparece como tema perene na literatura brasileira.<span>  </span>Digo agora mas refiro-me principalmente da segunda metade do século XX até hoje.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">Foi, portanto, interessante ver as repostas que Salim Miguel deu a Miguel Conde, em entrevista publicada no jornal <strong><em>O Globo</em></strong> no caderno <em>Prosa e verso</em>, de 25 de outubro de 2008.<span>  </span>Salim Miguel para quem ainda não o conhece é um grande escritor brasileiro, catarinense, ( nasceu no Líbano mas mudou-se para o Brasil ainda criancinha) que acaba de lançar mais um romance, <strong><em>Jornada com Rupert</em></strong>, (Record:2008) onde a trama se passa em Blumenau entranhando-se pela colonização alemã na cidade. <span> </span><span> </span>Vou transcrever aqui três das perguntas feitas ao escritor na entrevista, porque como ele, acredito que <a href="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2008/11/salim-miguel-rupert1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1644" title="salim-miguel-rupert1" src="http://peregrinacultural.wordpress.com/files/2008/11/salim-miguel-rupert1.jpg?w=300" alt="salim-miguel-rupert1" width="300" height="257" /></a>nós ainda não exploramos o suficiente na literatura e como identidade cultural <span> </span>o assunto da colonização, da imigração no Brasil.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">MC – <strong><em>Nur na escuridão</em></strong>, que está sendo relançado e <strong><em>Jornada com Rupert</em></strong>, seu novo livro, contam histórias de imigrantes no Brasil, um tema recorrente em sua ficção e que faz parte de sua biografia também. <span> </span>Queria saber como ficção e memória se separam, ou se confundem em sua escrita.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">Salim Miguel – <em><span style="color:navy;">Em primeiro lugar se há uma coisa que eu tenho muito boa é a memória. <span> </span>Mas é claro que, nos meus livros o que é contado ao mesmo tempo é e não é a realidade, pois há elementos de ficção que permeiam tudo. <span> </span>No caso de <strong>Nur na escuridão</strong>, trabalhei em cima da minha família, embora o livro não seja uma biografia, nem uma autobiografia. <span> </span>Já <strong>Jornada com Rupert</strong> é um pouco diferente porque fala de colonos alemães. <span> </span>Logo que minha família chegou ao Brasil, nós vivemos em duas comunidades de imigração alemã. <span> </span>Foram os primeiros lugares onde nós moramos, foi um livro mais difícil de escrever.</span></em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">MC – Jornada com Rupert faz um painel da vida de imigrantes em Santa Catarina, e ao mesmo tempo conta um drama individual, se aproximando em alguns momentos do tom do romance de formação. <span> </span>O senhor sabia bem, ao começar o romance, que livro queria escrever, e como costurar as duas histórias?</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">Salim Miguel – <em><span style="color:navy;">Eu sempre sei o que pretendo fazer, mas não sei como pretendo fazer. <span>  </span>Não me interesso por ficção histórica, embora goste que nos meus livros o enredo esteja associado a fatos reais da história do Brasil. <span> </span>Eu queria contar esta história de colonização em Santa Catarina que se estende por um século, mas de um jeito que não fosse linear, que não tivesse um único narrador onisciente. <span> </span>Por isso, a história é contada na forma de recordações, todas acontecidas em um dia, durante uma viagem de trem do protagonista.</span></em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">- &#8212; &#8211; &#8212; &#8211; &#8212; &#8211; &#8212; &#8211; &#8212; &#8211; &#8212; &#8211; &#8212; &#8211; &#8212; &#8211; &#8212; &#8211; &#8212; </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">MC – Vários escritores brasileiros exploraram ficcionalmente a vida dos imigrantes, de Lya Luft até mais recentemente, Cíntia Moscovich. <span> </span>O senhor se interessa por esses livros?</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">Salim Miguel – <em><span style="color:navy;">Gosto muito dos livros da Lya Luft. <span> </span>Tenho lido tudo que encontro sobre o tema, de Graça Aranha a Milton Hatoum e Raduan Nassar. <span> </span>Diante da importância da imigração para o Brasil, acho que nossa literatura e mesmo nossos ensaístas ainda não deram ao tema a atenção devida.<span>  </span><span> </span>Existe um processo muito rico, de formação de uma sociedade a partir da chegada dos estrangeiros, da convivência deles numa terra nova, que ainda foi pouco explorado em nossa ficção. </span></em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:navy;font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"><em> </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><em></em></strong></p>
<div></div>
<p><span style="color:#000000;font-family:Times New Roman;"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;">Julgando-se pela produção de romances, de livros de ficção com o motivo da imigração nestes outros países mencionados, acredito como Salim Miguel que ainda há muito, mas muito a ser explorado pelo escritor brasileiro. <span> </span>Mãos à obra&#8230;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><em> </em></strong></p>
<p> </p>
<p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Georgia;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><em><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></em></strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Um copo de cólera. Brasil, 1999.]]></title>
<link>http://dadagaio.wordpress.com/2008/09/02/um-copo-de-colera-brasil-1999/</link>
<pubDate>Tue, 02 Sep 2008 03:35:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>samdrade</dc:creator>
<guid>http://dadagaio.wordpress.com/2008/09/02/um-copo-de-colera-brasil-1999/</guid>
<description><![CDATA[O que acontece quando um casal de atores[Alexandre Borges e Julia Lemmertz] se apaixona por uma obra]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://dadagaio.files.wordpress.com/2008/09/copo-de-colera01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3606" src="http://dadagaio.wordpress.com/files/2008/09/copo-de-colera01.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>O que acontece quando um casal de atores[<em>Alexandre Borges</em> e<em> Julia Lemmertz</em>] se apaixona por uma obra literária[<em>Raduan Nassar</em>] e resolve produzir uma adaptação em que os dois vão dar o sangue em suas respectivas interpretações. Mó dramaaaaaaaaaaaa! Parece teatro filmado. Destaque só pra atuação do casal na cama[de verdade!]. É muito amor pela arte&#8230; kikiki&#8230;</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Um Copo de Cólera (Aluízio Abranches, 1999)]]></title>
<link>http://multiplot.wordpress.com/2008/05/15/um-copo-de-colera-aluizio-abranches-1999/</link>
<pubDate>Thu, 15 May 2008 18:27:28 +0000</pubDate>
<dc:creator>Luis Henrique Boaventura</dc:creator>
<guid>http://multiplot.wordpress.com/2008/05/15/um-copo-de-colera-aluizio-abranches-1999/</guid>
<description><![CDATA[Não é por ser um apaixonado, juro que não, mas, que o filme do Abranches é um atentado hediondo à ob]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><img src="http://www.adorocinema.com/filmes/copo-de-colera/copo-de-colera01.jpg" alt="" width="350" height="233" /></p>
<p style="text-align:justify;">Não é por ser um apaixonado, juro que não, mas, que o filme do Abranches é um atentado hediondo à obra-prima do Raduan Nassar, extrapola todos os limites do fãzoidismo. “Não compreendeu o material que tinha em mãos”, nas palavras do Thiago, é a definição imediata do filme. E é uma pena, pois por mais alicerçada pelo texto incomparável que a direção possa ter sido, não há uma resposta. Nem de Abranches, nem de Alexandre Borges, muito menos da deprimentemente ruim Julia Lemmertz. E eu quase posso enxergar o cara “que tal se o primeiro plano fosse um formigueiro?” – “genial, Aluízio!” &#8211; “e se começássemos as cenas de sexo assim sobrepostas num véu vermelho, hã, hã?” – “putz, sensacional!”.</p>
<p style="text-align:justify;">Na obra de Nassar, há todo um diálogo subterrâneo entre o verbo e o ato, algo que quase poderia ter sido pensado para a linguagem cinematográfica, e especialmente no caso de uma adaptação de Raduan Nassar, onde o texto pode terminar, por descuido (neste caso, do Abranches), escravizando o filme. E o Raduan brinca com isso em Um Copo de Cólera, revelando a ineficiência das palavras e das idéias diante da sensação bruta. Daí que o Luiz Fernando Carvalho (em Lavoura Arcaica) saca essa luta entre as duas linguagens e a transpassa brilhantemente na verborragia de André contra o silêncio de Ana, (e o monólogo da capela é todo isso, da mudez terminar imperando sobre a voz).</p>
<p style="text-align:justify;">Além do que, o grande pilar (e título) do filme não consegue efeito. É impressionante, mas a LEITURA do livro é mais incendiada, mais visceral, mais enfurecida e alucinada do que o que se VÊ no filme (e se ouve, ainda se poderia dizer, efetivamente). O diálogo direto com os sentidos (atalhos para se despertar sensações dos quais um escritor não se pode valer) com que Abranches contava (e Borges e Lemmertz, porque a cena dependia demais deles) é todo gago, engasgado e com problemas crônicos de dicção.</p>
<p style="text-align:justify;">Enfim, uma pena que tenha acontecido, mas Um Copo de Cólera passou longe de dar certo. E isso é pior pra quem curte o livro e sabe do potencial que essa porra tinha. Faltou coluna vertebral ao filme, faltou o cérebro e o coração. O resultado é “o pacote de ossos”, “o ventre seco”.</p>
<p style="text-align:justify;">0/4</p>
<p style="text-align:right;"><em>Luis Henrique Boaventura</em></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O ventre seco]]></title>
<link>http://versoeprosa.wordpress.com/2008/04/21/o-ventre-seco/</link>
<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 20:12:21 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fênix</dc:creator>
<guid>http://versoeprosa.wordpress.com/2008/04/21/o-ventre-seco/</guid>
<description><![CDATA[Por Raduan Nassar 1. Começo te dizendo que não tenho nada contra manipular, assim como não tenho nad]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong>Por Raduan Nassar</strong></p>
<p>1. Começo te dizendo que não tenho nada contra manipular, assim como não tenho nada contra ser manipulado; ser instrumento da vontade de terceiros é condição da existência, ninguém escapa a isso, e acho que as coisas, quando se passam desse jeito, se passam como não poderiam deixar de passar (a falta de recato não é minha, é da vida). Mas te advirto, Paula: a partir de agora, não conte mais comigo como tua ferramenta.<!--more--></p>
<p>2. Você me deu muitas coisas, me cumulou de atenções (excedendo-se, por sinal), me ofereceu presentes, me entregou perdulariamente o teu corpo, tentou me arrastar pra lugares a que acabei não indo, e, não fosse minha feroz resistência, até pessoas das tuas relações você teria dividido comigo. Não quero discutir os motivos da tua generosidade, me limito a um formal agradecimento, recusando contudo, a todo risco, te fazer a credora que pode ainda chegar e me cobrar: &#8220;você não tem o direito de fazer isso&#8221;. Fazer isso ou aquilo é problema meu, e não te devo explicações.</p>
<p>3. Nem foi preciso fazer um voto de pobreza, mas fiz há muito o voto de ignorância, e hoje, beirando os quarenta, estou fazendo também o meu voto de castidade. Você tem razão, Paula: não chego sequer a conservador, sou simplesmente um obscurantista. Mas deixe este obscurantista em paz, afinal, ele nunca se preocupou em fazer proselitismo.</p>
<p>4. E já que falo em proselitismo, devo te dizer também que não tenho nada contra esse feixe de reivindicações que você carrega, a tua questão feminista, essa outra do divórcio, e mais aquela do aborto, essas questões todas que &#8220;estão varrendo as bestas do caminho&#8221;. E quando digo que não tenho nada contra, entenda bem, Paula, quero dizer simplesmente que não tenho nada a ver com tudo isso. Quer saber mais? Acho graça no ruído de jovens como você. Que tanto falam em liberdade? É preciso saber ouvir os gemidos da juventude: em geral, vocês reclamam é pela ausência de uma autoridade forte, mas eu, que nada tenho a impor, entenda isso, Paula, decididamente não quero te governar.</p>
<p>5. Sem suspeitar da tua precária superioridade, mais de uma vez você me atirou um desdenhoso &#8220;velho&#8221; na cara. Nunca te disse, te digo porém agora: me causa enjôo a juventude, me causa muito enjôo a tua juventude, será que preciso fazer um trejeito com a boca pra te dar a idéia clara do que estou dizendo? É bastante tranqüilo este depoimento, é sossegado, ao fazê-lo, me acredite, Paula, não me doem os cotovelos. Está muito certa aquela tua amiga frenética quando te diz que sou &#8220;incapaz de curtir gentes maravilhosas&#8221;. Sou incapaz mesmo, não gosto de &#8220;gentes maravilhosas&#8221;, não gosto de gente, para abreviar minhas preferências.</p>
<p>6. Você me levava a supor às vezes que o amor em nossos dias, a exemplo do bom senso em outros tempos, é a coisa mais bem dividida deste mundo. Aliás, só mesmo uma perfeita distribuição de afeto poderia explicar o arroubo corriqueiro a que todos se entregam com a simples menção deste sentimento. Um tanto constrangido por turvar a transparência dessa água, há muito que queria te dizer: vá que seja inquestionável, mas tenho todas as medidas cheias dos teus frívolos elogios do amor.</p>
<p>7. Farto também estou das tuas idéias claras e distintas a respeito de muitas outras coisas, e é só pra contrabalançar tua lucidez que confesso aqui minha confusão, mas não conclua daí qualquer sugestão de equilíbrio, menos ainda que eu esteja traindo uma suposta fé na &#8220;ordem&#8221;, afinal, vai longe o tempo em que eu mesmo acreditava no propalado arranjo universal (que uns colocam no começo da história, e outros, como você, colocam no fim dela), e hoje, se ponho o olho fora da janela, além do incontido arroto, ainda fico espantado com este mundo simulado que não perde essa mania de fingir que está de pé.</p>
<p>8. Você pode continuar falando em nome da razão, Paula, embora até o obscurantista, que arranja (ironia!) essas idéias, saiba que a razão é muito mais humilde que certos racionalistas; você pode continuar carreando areia, pedra e tantas barras de ferro, Paula, embora qualquer criança também saiba que é sobre um chão movediço que você há de erguer teu edifício.</p>
<p>9. Pense uma vez sequer, Paula, na tua estranha atração por este &#8220;velho obscurantista&#8221;, nos frêmitos roxos da tua carne, nessa tua obsessão pelo meu corpo, e, depois, nas prateleiras onde você arrumou com criterioso zelo todos os teus conceitos, encontre um lugar também para esta tua paixão, rejeitada na vida.</p>
<p>10. Sabe, Paula, ainda que sempre atenta à dobra mínima da minha língua, assim como ao movimento mais ínfimo do meu polegar, fazendo deste meu canto o ateliê do desenhista que ia no dia-a-dia emendando traço com traço, compondo, sem ser solicitada, o meu contorno, me mostrando no final o perfil de um moralista (que eu nunca soube se era agravo ou elogio), você deixou escapar a linha mestra que daria caráter ao teu rabisco. Estou falando de um risco tosco feito uma corda e que, embora invisível, é facilmente apreensível pelo lápis de alguns raros retratistas; estou falando da cicatriz sempre presente como estigma no rosto dos grandes indiferentes.</p>
<p>11. Não tente mais me contaminar com a tua febre, me inserir no teu contexto, me pregar tuas certezas, tuas convicções e outros remoinhos virulentos que te agitam a cabeça. Pouco se me dá, Paula, se mudam a mão de trânsito, as pedras do calçamento ou o nome da minha rua, afinal, já cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho, dou-lhe o meu silêncio.</p>
<p>12. No pardieiro que é este mundo, onde a sensibilidade, como de resto a consciência, não passa de uma insuspeitada degenerescência, certos espíritos só podiam mesmo se dar muito mal na vida; mas encontrei, Paula, esquivo, o meu abrigo: coração duro, homem maduro.</p>
<p>13. Não me telefone, não estacione mais o carro na porta do meu prédio, não mande terceiros me revelarem que você ainda existe, e nem tudo o mais que você faz de costume, pois recorrendo a esses expedientes você só consegue me aporrinhar. Versátil como você é, desempenhe mais este papel: o de mulher resignada que sai de vez do meu caminho.</p>
<p>14.. Entenda, Paula: estou cansado, estou muito cansado, Paula, estou muito, mas muito, mas muito cansado, Paula. (Teu baby-doll, teus chinelos, tua escova de dentes, e outros apetrechos da tua toalete, deixei tudo numa sacola lá embaixo, é só mandar alguém pegar na portaria com o zelador.)</p>
<p>15. Ainda: &#8220;a velha aí do lado&#8221;, a quem você se referia também como &#8220;a carcaça ressabiada&#8221;, &#8220;o pacote de ossos&#8221;, &#8220;a semente senil&#8221; e outras expressões exuberantes que o teu talento verbal sempre é capaz de forjar mesmo para falar das coisas mirradas da vida, nunca te revelei, Paula, te revelo agora: &#8220;aquele ventre seco&#8221; é minha mãe, faz anos que vivemos em kitchenettes separadas, ainda que ao lado uma da outra. Não seja tola, Paula, não estou te recriminando nada, sempre assisti com indiferença aos arremedos que você fazia da &#8220;bruxa velha, preparando a poção pra envenenar nossas relações&#8221;. Te digo mais: você talvez tivesse razão, é provável que ela vivesse a espreitar minha porta das sombras da escadaria, é provável que ela do fundo dos corredores te olhasse &#8220;de um jeito maligno&#8221;, é provável ainda que ela, matreira dentro do seu cubículo, te alcançasse todas as vezes que você saía através do olho mágico da sua porta. Mas contenha, Paula, a tua gula: você que, além de liberada e praticada, é também versada nas ciências ocultas dos tempos modernos, não vá lambuzar apressadamente o dedo na consciência das coisas; não fiz a revelação como quem te serve à mesa, não é um convite fecundo a interpretações que te faço, nem minha vida está pedindo esse desperdício. Quero antes lembrar o que minha mãe te dizia quando você, ao cruzar com ela, e &#8220;só pra tirar um sarro&#8221;, perguntava maliciosamente por mim, te sugerindo eu agora a mesma prudência, se acaso amanhã teus amigos quiserem saber a meu respeito. Você pode dispensar &#8220;a ridícula solenidade da velha&#8221;, mas não dispense o seu irrepreensível comedimento, responda como ela invariavelmente te respondia: &#8220;não conheço esse senhor&#8221;.</p>
<p>Extraído do livro &#8220;&#8221;Menina a caminho&#8221;, Companhia das Letras – São Paulo, 1997, pág. 61.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Raduan X Chacal - Segundo Round]]></title>
<link>http://naestante.wordpress.com/2008/04/10/raduan-x-chacal-segundo-round/</link>
<pubDate>Thu, 10 Apr 2008 03:26:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>Guilherme</dc:creator>
<guid>http://naestante.wordpress.com/2008/04/10/raduan-x-chacal-segundo-round/</guid>
<description><![CDATA[A poesia marginal detesta ser chamada de poesia marginal e, bem umas décadas depois da Navilouca e c]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>A poesia marginal detesta ser chamada de poesia marginal e, bem umas décadas depois da Navilouca e coisa e tal, eu também, que já quis ser poeta marginal, ia empelotar em ser enquadrado em movimento de época, tipo novela das seis. É chique ser concreta, é engraçado ser moderna e se você é neo-parnasiano, tudo bem, não é contagioso. Mas marginal mal garante uma universitária, duas oficinas de produção literária, três porres comemorativos e outra surra do Raduan. Que eu até peguei o Comício de Tudo e conferi, revirei o Tontas Coisas, mas, ainda assim, pouca alegria tive. Me senti foi velho e isso é mais comprido e complicado de explicar.</p>
<p>Já os clássicos gostam, embora com algum desdém, de ser chamados de clássicos. Lavoura Arcaica é isso. O Raduan ficou tão clássico que até foi criar galinha depois e me deu uma capa do Cultura só por ter atendido o telefone numa tentativa frustrada de entrevista. Mas, escrito na mesma época em que os poetas marginais infestavam Copacabana, permanece maravilhoso.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Lavoura Arcaica X Tontas Coisas]]></title>
<link>http://naestante.wordpress.com/2008/04/06/lavoura-arcaica-x-tontas-coisas/</link>
<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 03:49:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>Guilherme</dc:creator>
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<description><![CDATA[Os dois ficam naquela prateleira dos livros que eu faço de conta que estão ali por acaso, mas na ver]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Os dois ficam naquela prateleira dos livros que eu faço de conta que estão ali por acaso, mas na verdade quero que as outras pessoas vejam. Os dois detonados, lavoura tem até durex, o outro já veio velho, comprei num sebo, era muito difícil achar o Chacal até outro dia. E eu gosto bastante dele, mas leva uma surra.</p>
<p>Diz Raduan:</p>
<blockquote><p><em>Desde minha fuga, era calando minha revolta (tinha contundência o meu silêncio! tinha textura a minha raiva!) que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda, e se acaso distraído eu perguntasse &#8220;para onde estamos indo?&#8221; &#8211; não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas, pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: &#8220;estamos indo sempre para casa&#8221;.</em></p></blockquote>
<p> Diz Chacal:</p>
<blockquote><p> <em>O jovem aluno de mestrado de astrofísica ficava revoltado. Tanta menina inteligente, com quem ele poderia passar horas conversando sobre aipos e nabos criados em canil e em vez disso, tinha que aturar aquela hipopótama de ignorância. Mas como era reconfortante recostar o crânio no colo dela. Ela sabia ser meiga e ligeira. Sílvia Souza era insuperável quando afônica. Flávio Júnior sabia das limitações da namorada e fazia tudo para não magoá-la.</em></p></blockquote>
</div>]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
