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	<title>reconstruir-me &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/reconstruir-me/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "reconstruir-me"</description>
	<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 08:08:29 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Alien]]></title>
<link>http://primipara.wordpress.com/2007/07/02/sobrevivendo-e-lutando/</link>
<pubDate>Mon, 02 Jul 2007 00:20:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>Primípara</dc:creator>
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<description><![CDATA[Hoje precisei de andar de gatas. Rebolar. Sujar-me. Sou uma Ellen Rypley em Alien. Suja. Dura. Com f]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/alieniv.jpg" title="alieniv.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/alieniv.jpg" title="alieniv.jpg"><img src="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/alieniv.jpg" alt="alieniv.jpg" height="373" width="315" /></a></p>
<p>Hoje precisei de andar de gatas. Rebolar. Sujar-me.</p>
<p>Sou uma Ellen Rypley em <em>Alien</em>. Suja. Dura. Com feridas, abertas e mal curadas, todas juntas. Com o cabelo rapado.</p>
<p>Apetece-me rapar o cabelo. Desejo rapar o cabelo. Tenho tanta vontade.</p>
<p>(Vou fazê-lo nas férias. Nas férias para não escandalizar os outros.)</p>
<p>Sou Ellen Rypley as entranhas de uma nave que é todo um bicho que a destrói, e a emprenha. Mas, como Rypley, venço-o e obrigo-o a fundir-se em mim, comigo.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Reparar a dor]]></title>
<link>http://primipara.wordpress.com/2007/07/01/reparar-a-dor/</link>
<pubDate>Sun, 01 Jul 2007 23:59:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>Primípara</dc:creator>
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<description><![CDATA[Talvez, então, neste contexto a adopção surja como a coragem de pessoas se procurarem em pessoas que]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/mary-ellen-mark-meryl-streep-salisbury-conneticut-usa-1994.jpeg" title="mary-ellen-mark-meryl-streep-salisbury-conneticut-usa-1994.jpeg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/mary-ellen-mark-meryl-streep-salisbury-conneticut-usa-1994.jpeg" title="mary-ellen-mark-meryl-streep-salisbury-conneticut-usa-1994.jpeg"><img src="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/mary-ellen-mark-meryl-streep-salisbury-conneticut-usa-1994.jpeg" alt="mary-ellen-mark-meryl-streep-salisbury-conneticut-usa-1994.jpeg" /></a></p>
<p><em>Talvez, então, neste contexto a adopção surja <strong>como a coragem de pessoas se procurarem em pessoas que as reparem da dor, umas e outras competentes para se vincularem para além das cicatrizes que os episódios traumáticos neles tenham deixado</strong>. Por isso, talvez os desafios que coloca e a vinculação que desperta apelem às nossas competências inatas para nos ligarmos aos outros e gere <strong>encruzilhadas na história da vida</strong> de quem a aceite.</em></p>
<p>Sá, Eduardo; Sottomayor, Maria Clara; Rosinha, Isabel; Cunha, Maria João, <em><strong>Abandono e Adopção</strong></em>, 2005, Coimbra, Edições Almedina, pp. 199/200</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O que me foi roubado]]></title>
<link>http://primipara.wordpress.com/2007/07/01/vem/</link>
<pubDate>Sun, 01 Jul 2007 22:47:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>Primípara</dc:creator>
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<description><![CDATA[Compreendi esta bola de amargura, insatisfação, incompletude. Vejo-a com uma clareza tão grande. Tan]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/paul_mar.jpg" title="paul_mar.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/paul_mar.jpg" title="paul_mar.jpg"><img src="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/paul_mar.jpg" alt="paul_mar.jpg" height="490" width="373" /></a></p>
<p>Compreendi esta bola de amargura, insatisfação, incompletude. Vejo-a com uma clareza tão grande. Tantas coisas para dizer.</p>
<p>Tinha razão quando dizia à psicanalista que não queria ter este filho por ele, filho, mas por mim. Quando me zangava por ser questionada. Quando lhe dizia que as outras mulheres não têm os filhos pelos filhos, mas por si. É por nós, não por nenhum amor à manutenção da espécie. Claro que depois são eles só, e não nós, mas a origem de uma gravidez desejada está fundo dentro de nós. No que fomos.</p>
<p>Um filho é um renascimento. É isso que é a maternidade. A possibilidade de nascer outra vez. E é isso que é sagrado. Esse renascimento.</p>
<p>É isso que procuro. Quero renascer exactamente no ponto onde me perdi. Quero a menina negra que me foi roubada. Todos os meninos e meninas negras que me foram tirados real ou simbolicamente. Quero o paraíso. Quero o paraíso que me foi roubado.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Justificar a maternidade, como ninguém]]></title>
<link>http://primipara.wordpress.com/2007/07/01/95/</link>
<pubDate>Sun, 01 Jul 2007 22:32:24 +0000</pubDate>
<dc:creator>Primípara</dc:creator>
<guid>http://primipara.wordpress.com/2007/07/01/95/</guid>
<description><![CDATA[Ainda tanta raiva. Tanta dor. Ainda. Mas agora compreendo a maternidade, o parto. Até a infertilidad]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p> <a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/amelia6.jpg" title="amelia6.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/amelia6.jpg" title="amelia6.jpg"><img src="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/amelia6.jpg" alt="amelia6.jpg" height="367" width="299" /></a></p>
<p>Ainda tanta raiva. Tanta dor.  Ainda.</p>
<p>Mas agora compreendo a maternidade, o parto. Até a infertilidade.</p>
<p>A morte do meu pai foi o fim de uma era de poder tirânico. De medo e de culpa. Foi difícil amar tanto uma pessoa que me era tão contrária. Que eu amava tanto, mas  que, ao mesmo tempo, tinha de odiar. Que eu culpava e desculpava.</p>
<p>(Mas esse tempo acabou. As tuas mãos já não me prendem. Os teus olhos não me condoem. Amo-te, mas não tens poder sobre mim.)</p>
<p>A morte do meu pai foi a minha liberdade, e a psicanálise iniciou essa libertação. Lembro-me do primeiro dia. Lembro-me de dizer que os meus pais não eram culpados da minha dor. Lembro-me de dizer que não queria ter filhos nem homem. Quatro anos depois acusava a psicanalista por não levar a sério o meu projecto de maternidade.</p>
<p>Fui ficando grávida de um filho ao longo das sessões. Era um filho enorme que tinha de ser parido com urgência. Um filho contraditório, que era todas as coisas: eu.</p>
<p>Grávida de mim. Grávida dos meus medos e culpas que se consolidavam finalmente num feto alien que eu tinha de expulsar. Grávida do meu verdadeiro eu que queria renascer sem traumas. Que precisava desse parto para renascer.</p>
<p>As mulheres não justificam a sua necessidade de ser mães. Nem sabem porquê. Porque sim. Porque é normal. Porque todas as mulheres são. Porque é o que se espera delas.</p>
<p>Eu tenho sentido essa necessidade. Tenho sido interrogada sobre esse desejo desesperado. Eu própria me interrogo. Não quis crianças até aos 30 e tal. Detestava a ideia de família, de crianças. Odiava famílias.  O que aconteceu nos últimos 3 anos e tal? Precisamente essa gravidez de uma nova vida. A minha.</p>
<p>A maternidade é o parto dos meus traumas. Eles são a casca de um ovo que quando se abrir, encerra lá dentro, de novo, uma menina loura e doce de enormes olhos. A menina mais linda do universo, a menina imaculada. A menina não destruída, que não se destruiu, como auto-flagelação, ao ritmo da sua dor muda.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Um neto negro]]></title>
<link>http://primipara.wordpress.com/2007/07/01/um-neto-negro/</link>
<pubDate>Sun, 01 Jul 2007 21:42:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Primípara</dc:creator>
<guid>http://primipara.wordpress.com/2007/07/01/um-neto-negro/</guid>
<description><![CDATA[Eles não queriam que eu brincasse com os negros. Eles não queriam que eu conversasse com o miúdo neg]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/filha1.jpg" title="filha1.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/filha1.jpg" title="filha1.jpg"><img src="http://primipara.wordpress.com/files/2007/07/filha1.jpg" alt="filha1.jpg" /></a></p>
<p>Eles não queriam que eu brincasse com os negros. Eles não queriam que eu conversasse com o miúdo negro do outro lado do muro. Eles não queriam que eu abrisse a porta aos mufanas ranhosos e rasgados e descalços e esfomeados que iam pedir trabalho e ficavam a olhar para mim como se olha para um deus. Eles não pagavam ao mufana que lhes ia apanhar capim para os coelhos cada tarde. Eles tinham medo que eu engravidasse de um negro. Eles mandaram-me para cá para que eu não fosse de nenhum negro. Para que não pudesse ter um filho negro.</p>
<p>A questão relacionada com a minha segurança estava na possibilidade de,  perdido o poder dos brancos, eles não poderem controlar quem me iria desvirginar e emprenhar.</p>
<p>Vim para Portugal para não ter um filho negro. Esse abandono de que eles não se sentiram nunca culpados &#8211; mas são, são culpados, e não apenas o curso da história, porque outros pais não abandonaram os seus filhos &#8211; foi um exercício de cego poder paternal. Privaram-me deles, condenando-me a um exílio forçado, à total desprotecção, à inconstância, ao desamor.</p>
<p><strong> Eles nunca se abandonaram um ao outro.</strong><br />
Paguei um preço muito alto pelos seus preconceitos, pelos seu medo. Paguei-o em dor e em luta diária pela sobrevivência, pela dignidade.</p>
<p>A sua excessiva protecção, desprotegeu-me, expôs-me ao mundo de uma forma cruel, fez de mim um animal de medo, de solidão. Tornou-me o próprio abandono.</p>
<p>Eu queria dizer que há um preço a pagar por eles. Mas não, não há.  Já não há. Se houve, o preço foi pago depois. Detestei-os. Fui carente, amargurada, triste e só toda a minha vida adulta, como fui na adolescência. E terem-me destruído, e visto a minha destruição, a minha dor, foi o único preço que pagaram. Afinal, eu não fui perfeita. Eu não segui o caminho das outras filhas. Afinal, eu sou uma revoltada, como diz a minha mãe. E atribuem-me totalmente essa culpa. Ao meu feitio, ao meu mau génio. Pagaram pouco. Conscientemente nunca os fiz pagar. Sempre me senti culpada do abandono. Sempre os defendi. Fui eu que fiquei cá a defendê-los.</p>
<p>E agora vão ter um neto negro. Deve ser chato. Terem de engolir um neto negro. Vivos ou mortos.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Recomeço. Que chova, agora, na Primavera]]></title>
<link>http://primipara.wordpress.com/2007/06/09/86/</link>
<pubDate>Sat, 09 Jun 2007 00:41:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>Primípara</dc:creator>
<guid>http://primipara.wordpress.com/2007/06/09/86/</guid>
<description><![CDATA[A entrevista para adopção está marcada. Os documentos estão a conseguir-se. Já tenho a certidão de r]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/06/menina.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/06/menina.jpg"><img src="http://primipara.wordpress.com/files/2007/06/menina.jpg" /></a></p>
<p>A entrevista para adopção está marcada.</p>
<p>Os documentos estão a conseguir-se. Já tenho a certidão de registo criminal. Amanhã penso que poderei conseguir a de nascimento. Já tenho consulta marcada para a médica de família atestar que sou são física e psicologicamente (cof!, cof!). E tenho de procurar o irs do ano passado. E fotos em que esteja linda e saudável para entregar.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://primipara.wordpress.com/files/2007/06/menina.jpg"> </a></p>
<p>Não sei em que é que tenho de mentir! Está bem, não falo de blogues nem de comprimidos alternativos, para dormir, nem de tentativas de engravidar com <em>gays</em>. De resto&#8230; Que mais não posso dizer? Que tenho uns repentes? Que sou dada a depressões e tristezas? Está bem, não digo, mas a humanidade estaria bem arranjada se aquela que tem repentes e depressões e tristezas, tal como o contrário, não pudesse ser mãe.</p>
<p>Sinto-me muito animada com este reinício.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Adoptar]]></title>
<link>http://primipara.wordpress.com/2007/05/27/adoptar/</link>
<pubDate>Sun, 27 May 2007 14:05:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>Primípara</dc:creator>
<guid>http://primipara.wordpress.com/2007/05/27/adoptar/</guid>
<description><![CDATA[Tarde demais. Acho. Esquecer o projecto filho na barriga. Já não é possível. Riscos enormes. Sozinha]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://primipara.files.wordpress.com/2007/05/sisters_.jpg" title="sisters_.jpg"><img src="http://primipara.files.wordpress.com/2007/05/sisters_.jpg?w=442&#038;h=242" alt="sisters_.jpg" height="242" width="442" /></a></p>
<p>Tarde demais. Acho. Esquecer o projecto filho na barriga. Já não é possível. Riscos enormes. Sozinha. Sem forças para todo esse sofrimento sem ajudas. Devo poupar-me ao que nunca me poupou. Devo pensar fora do coração, uma vez na vida. Tratar-me melhor. Ser paciente. Aceitar o que existiu. Não querer voltar atrás para reconstruir o que não pode ser reconstruído. Construir o que é possível agora, com a matéria actual. A minha barriga já não pode ter filhos. Ponto final. A produção independente não é impossível, noutros moldes, mas terá de vir da barriga de outros que não se protegeram. Que nunca se protegeram como eu.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Criar um filho como se fosse negro]]></title>
<link>http://primipara.wordpress.com/2007/02/19/criar-um-filho-como-se-fosse-negro/</link>
<pubDate>Mon, 19 Feb 2007 15:01:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>Primípara</dc:creator>
<guid>http://primipara.wordpress.com/2007/02/19/criar-um-filho-como-se-fosse-negro/</guid>
<description><![CDATA[Mas agora vou ter um filho, e não sei em que medida isto não me vai tornar menos selvagem. Não queri]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><a href="http://primipara.files.wordpress.com/2007/02/black-children-pics.jpg" title="black-children-pics.jpg"></a></p>
<p><a href="http://primipara.files.wordpress.com/2007/02/black-children-pics.jpg" title="black-children-pics.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://primipara.files.wordpress.com/2007/02/black-children-pics.jpg" title="black-children-pics.jpg"> </a></p>
<p>Mas agora vou ter um filho, e não sei em que medida isto não me vai tornar menos selvagem. Não queria.</p>
<p>Tenho ideias muitas românticas sobre levar a criança comigo para todo o lado, num marsupial,  aquele acessório que se coloca aos ombros, como uma mochila, mas ao contrário, e que permite levar a criança abraçadinha a nós até ao fim do mundo. Sinceramente, gostava de fazer como fazem as negras, trazê-lo atado a mim com panos, de lado, às costas. As negras trabalham com eles às costas, e eu acho isto fabuloso, sempre achei. Para mim, a melhor forma de se criar uma criança é como faziam os negros. Deixá-los à solta, não os proteger demais, e, simultamente, sem mariquices, facultar-lhes o consolo do calor do corpo materno, da mama materna, ali sempre encostados enquanto são bebés.</p>
<p>Eu tive muito sorte por nascer em África. De uma forma ou de outra pude beneficiar dessa atmosfera de imensa liberdade que nos chegava dos negros à nossa volta. Poder andar descalça, mesmo que a minha mãe me ralhasse, mas poder fazê-lo, apesar de tudo, subir às árvores e pendurar-me nelas, embora a minha mãe detestasse que fosse uma maria-rapaz, o que me interessava?! Comer terra. Brincar na rua. Houve algo de ouro, nisto. Algo insubstituível.</p>
<p>Não há nenhum outro lugar no nundo onde desejasse viver, a não ser em Moçambique, onde a vida era tão morna. E, se calhar, é o lugar do mundo onde poderei viver com o meu filho ou filha. Porque Portugal é uma prisão para mim.</p>
<p>Eu penso sempre em África como a salvação!</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Fazer-me bem]]></title>
<link>http://primipara.wordpress.com/2007/01/02/fazer-me-bem/</link>
<pubDate>Tue, 02 Jan 2007 11:37:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Primípara</dc:creator>
<guid>http://primipara.wordpress.com/2007/01/02/fazer-me-bem/</guid>
<description><![CDATA[O meu corpo limita-me e a minha mente domina-me. Quem sou eu, afinal, senão uma escrava do que em mi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><div style="text-align:justify;"><span style="font-family:trebuchet ms;">O meu corpo limita-me e a minha mente domina-me. Quem sou eu, afinal, senão uma escrava do que em mim é suposto ser eu?! Escrava de algo que construí para mim, consciente ou inconsciente.</span><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">Ontem duvidei das forças que terei para criar um filho bebé. Estava na cama, muito, muito deprimida, com vontade de morrer ou, no mínimo, de tomar comprimidos para ficar anestesiada o dia todo. Pensei que, se tivesse um filho, e fosse necessário recompor-me para tratar dele, como faria?! A depressão, a angústia limitam-me a um ponto que não consigo mover-me, que dói-me pensar, falar, ver a luz, estar viva. A verdade é que, neste momento, a minha auto-estima, a minha auto-confiança, a minha esperança de vida e de satisfação profissional atingiram os níveis mais baixos desde há muito tempo. O últimos dois anos foram de uma grande violência para mim. Foram longos, de tal forma que me parecem muito tempo; os meus anos são a dobrar. Foram intensos, de uma intensidade violenta. </span><br /><span style="font-family:trebuchet ms;">Penso que preciso de tirar férias para mim. Para me dedicar só a mim, só ao trabalho como forma de ocupar tempo, e não pensar em mais nada. Como sempre fiz, aliás. O trabalho sempre substituiu, lindamente, a vida. Penso que preciso de parar de pensar nos filhos. Deixar de me preocupar com isso. Estou cansada dessa obsessão. Sinto-me em ruínas, e, em parte, por ela. Que se lixem os filhos. Se não puder tê-los, hei-de adoptá-los mais crescidos. E hei-de conformar-me, pensando que a minha vida não é pior do que a dos outros, é apenas diferente. Hei-de sentir-me menos marginal</span>. <span style="font-family:trebuchet ms;">Agora preciso de cuidar de mim. De me amamentar, de me acarinhar, de me fazer bem, suavemente.</span></div>
</div>]]></content:encoded>
</item>

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