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	<title>valmor-bordin &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://en.wordpress.com/tag/valmor-bordin/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "valmor-bordin"</description>
	<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 02:41:58 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Enxuto sim, asséptico não]]></title>
<link>http://portamalas.wordpress.com/2008/10/11/enxuto-sim-asseptico-nao/</link>
<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 15:43:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>lmcolucci</dc:creator>
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<description><![CDATA[    Em entrevista concedida em 1948, Graciliano Ramos — reconhecido por ser econômico nos adjetivos ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"><a href="http://portamalas.files.wordpress.com/2008/10/lavadeiras-de-joao-verner.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-59" title="lavadeiras-de-joao-verner" src="http://portamalas.wordpress.com/files/2008/10/lavadeiras-de-joao-verner.jpg" alt="" width="96" height="135" /></a></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Em entrevista concedida em 1948, Graciliano Ramos — reconhecido por ser econômico nos adjetivos e narrar através de períodos curtos — assim definiu a sua estética forjada no sertão nordestino:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Este deveria ser um mandamento para os novos autores, aspirantes a escritor: privilegiar o conteúdo em detrimento da retórica ou do simples exibicionismo erudito. Mas há que se ter cuidado. Uma análise apressada da proposta do autor de <em>Vidas Secas</em> pode deixar o texto truncado transformando-o num amontoado de frases desconectadas.<span>  </span>Ao levar estes conselhos ao pé da letra corre-se o risco de cortar onde não é necessário. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">O escritor Valmor Bordin (em uma de nossas agradáveis conversas), identificou que a busca obstinada por um texto enxuto — ou seco, como preferiria Graciliano — pode torná-lo asséptico, extirpar-lhe as entranhas, as vísceras. E é justamente ali que o texto vive. Portanto cuidado ao torcer as roupas. Torça-as apenas até a última gota d’água, pare antes que o sangue se esvaia.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="text-decoration:underline;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;">Créditos</span></span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;">: </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;">- A imagem acima é uma obra de João Werner. Conheça o trabalho do artista em  <a href="http://www.joaowerner.com.br/"><span style="color:windowtext;"><strong>www.joaowerner.com.br</strong></span></a>;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;">- A transcrição da entrevista de Graciliano foi extraída da revista Discutindo Literatura nº 18;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
</div>]]></content:encoded>
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